"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

segunda-feira, agosto 13, 2018

O Eu Místico - 6/12

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- Joel S. Goldsmith - 


O Eu Místico

CAPÍTULO 6
DESPERSONALIZANDO A DEUS

Se alguém lhe perguntar: "o que é esse Caminho Infinito que detém o seu interesse e aparentemente beneficia você?", você provavelmente teria dificuldade em responder, porque o que detém sua atenção e beneficia você e é seu Consolador, é algo você conhece com a sua consciência quadridimensional. Se você tentar transmiti-Lo a alguém que ainda vive no estado de consciência tridimensional ou material, ele nunca entenderia o que você está tentando dizer a ele.

Ao tentar explicar isso, você poderia dizer: "oh, eu aprendi que o mal não é poder", e então, é claro, você seria ridicularizado. Se você disser: "eu descobri Deus", você seria convidado a explicar isso, e qualquer pessoa que tenha sido chamada a expor o que ela descobriu sobre Deus sabe quão tolo seria tentar. Ninguém pode fazer isso, porque tudo o que você pode saber sobre Deus você não sabe com a sua mente. Ter qualquer consciência de Deus significa que você já rompeu a barreira da área mental e foi elevado para o nível da Consciência Superior. Tudo o que você pode saber sobre Deus, você sabe através de sua consciência espiritual, através do desenvolvimento do seu discernimento espiritual, através das faculdades da Alma. Tentar dizer isso a uma pessoa que se mantém na consciência materialista seria absurdo, ou mesmo impossível.


Universalidade e Disponibilidade da Mente que Estava em Cristo Jesus

O Caminho Infinito começa com a revelação de que existe uma consciência transcendental denominada Mente de Cristo no misticismo cristão, e no budismo, é denominado a mente búdica. Em ambos os casos, o que se quer realmente dizer é que há uma consciência superior à mente humana. Isso não é uma questão de conhecimento geral. É verdade que pode haver aqueles que aceitam a ideia de que Buda tinha essa consciência espiritual e que Jesus tinha a mente que estava em Cristo, mas não há muitos que possam compreender que essa mente crística, ou consciência crística, é universal, de todos os homens  ela é tanto sua quanto minha, como foi de Jesus ou Buda.

Enquanto você acreditar que há um Deus lá fora, separado – e separado de seu ser –, você estará personalizando Deus, o que configura a imagem de uma identidade ou entidade que está fora de você. Deus é Ser, mas não um ser. Deus está sendo você e sendo eu. Assim, ao "criarmos" um Deus separado do Ser produz-se o sentimento de separação, e isso nos mantém na ignorância. Essa personalização de Deus, ou seja, a personalização do Eu, é justamente o "véu" que traz o sentido de separação de Deus. Personalizar a Deus, aceitando Jesus como o único Cristo também encobre com o "véu". Na verdade, a personalização do Espírito é o próprio "véu".


Deus É o Ser

A despersonalização é o "desvelamento", e no momento que você conhece Deus como o Ser, então Deus é o meu ser e Deus é o seu ser. "Não chame a nenhum homem de Pai sobre a terra; Um é o seu Pai, que está nos céus". O Espírito é o seu criador e o seu ser. Isso rompe com qualquer personalização. Quaisquer grupos de pessoas que possam alegar serem filhos de Deus – melhores, mais elevados, ou exclusivos , isso, em si, já constitui a personalização. Pois, na verdade, não há tal coisa como maior ou menor. Não existe algo como "melhor" ou "pior", porque toda a forma externa que define-se como espiritual é apenas vaidade. Somente Deus é Espírito. Só Eu, o Espírito de Deus em você, Sou o Filho de Deus, e Eu sou tão impessoal que, a menos que você possa olhar para o judeu o gentio, católico e protestante, oriental e ocidental, branco ou negro, reconhecendo que eles são todos de filhos de um mesmo Pai, você não poderá entrar na Casa de Deus.

Se despersonalizarmos Deus, sabendo que Deus é o Ser de Jesus Cristo, e que Ele mostrou isso para que pudéssemos saber que Deus não era apenas seu Pai, mas Pai de todos nós, então nossas orações não serão mais uma atividade mental. Até então, viemos tentando alcançar Deus com a mente, para influenciá-Lo, "canalizá-Lo", quando, na verdade, a mente deveria estar quieta, na afirmação e certeza do seu Ser: Deus "É", Eu souEu e o Pai somos Um. Portanto, não devemos empregar qualquer esforço mental para alcançar Deus, pois já somos Um com o Pai. Ora, estamos certos de que não devemos tentar canalizar Deus com a mente, na direção de ninguém.

Não foi esse o pecado ou o erro da religião em todas as nossas guerras? Os capelães não foram encorajados a orar pela vitória de sua nação? O que era isso, senão tentar canalizar Deus? Acaso isso não era uma tentativa de reivindicar Deus para o seu povo, exclusivamente para o seu povo? Mas se fôssemos Filhos de Deus, deveríamos orar pelos nossos inimigos. Isso não significa que devemos rezar para que o nosso inimigo nos destrua  não que isso faria alguma diferença se o fizéssemos  mas nós devemos rezar para que nosso inimigo seja libertado da mente carnal, assim como queremos que nossos amigos libertem-se da mesma mente carnal. Se, no entanto, estabelecermos a nós mesmos como os filhos preferidos de Deus, e todos os outros como  portadores da mente carnal, teremos novamente colocado a nós mesmos em amarras. Orar pelo nosso inimigo significa conhecer a Verdade sobre o nosso inimigo; significa saber que qualquer expressão da mente carnal, por parte do inimigo, não é poder. E, no que diz respeito à verdadeira identidade do inimigo, é tão Deus quanto a nossa identidade é Deus.

Quando Deus tiver sido completamente despersonalizado, o significado da Onipresença ficará claro. Nós temos estabelecido um senso de separação de Deus mesmo quando declaramos que Ele é Onipresença. Mas... aonde estou eu nessa Onipresença? Se Deus é Onipresença, então eu também tenho que ser essa Presença! Mas se eu penso em Deus e em mim separados, eu não estou despersonalizando; ao contrário, só estou estabelecendo o senso de separação. Ora, só posso ter Deus como Onipresença se Eu sou a Onipresença.


Eis que Eu Bato à Porta... Você Escuta?

"Eis que estou à porta, e bato..." À luz do que você leu até agora neste livro, isso não tem agora um maior significado para você? "Eis que estou à porta, e bato..." Agora você entende que isso não significa um homem que viveu há dois mil anos? E que da mesma forma não significa nenhum homem nos dias de hoje? Você já não sabe que o significado de Eu não pode ser qualquer outra coisa, senão que "Eu estou batendo à porta e implorando para ser admitido", para que você abra a porta de sua consciência e O admita?

Esse Eu é o princípio criativo deste universo, e esse Eu tem batido à porta de sua consciência por séculos, implorando para ser admitido, mas você lhe dá as costas, procurando-o na Terra Santa de dois mil anos atrás.

O Caminho Infinito revela que esse Eu é a Consciência iluminada, a Consciência de Deus, a qual você sempre procurou. Eu Sou essa iluminação, essa iniciação. O Eu do seu ser é a própria comida, a roupa, a habitação, a felicidade, a paz e a segurança que você está procurando. Esse Eu sempre esteve a bater em sua porta, tentando entrar em sua consciência.

Sua vida inteira depende de conhecer a natureza de Deus. Até que você conheça bem a Deus, não se engane acreditando que você alcançou a imortalidade  porque você atinge a imortalidade somente no grau em que você conhece bem. Você nunca conhecerá até que você conheça como sendo o EuEu, o Espírito de Deus em vós; Eu, a voz pequenina e suave, interior. O Reino de Deus está dentro de você, e Deus só pode ser encontrado em Seu Reino. Deus constitui o Seu Reino.

Ou essas palavras trazem de dentro de você um sentimento alegre de aceitação, um sentimento de "sim, sim, eu sempre soube que isso deve ser assim", ou a porta de sua consciência ainda não se abriu para admitir esse Eu, e o "véu" ainda está lá. Nesse caso, será necessário você permanecer nessa Palavra, e deixar esta Palavra permanecer em você, até que sua consciência se abra, admitindo o "Eu" que está lá batendo. Quem está batendo na porta é o Eu. "Eu estou à porta"  não uma pessoa, mas Eu. Não qualquer pessoa, mas o Eu que, em Si mesmo, é "o Caminho, a Verdade e a Vida". O Eu que, em Si mesmo, é o pão, a carne, o vinho e a água.


A Senda Mística é Prática

Às vezes, quando um professor ou praticante diz a um aluno que ele deve manter sua saúde, seu sustento e sua companhia longe de si mesmo, ele pode perguntar: "Como?". Então deve lhe ser dito: "se não for assim, você não abrirá a porta de sua consciência e não aceitará a entrada do Eu. Você não vai admitir que Eu estou batendo lá. Ao invés disso, você está procurando outro Deus, ou você não está olhando para Deus em tudo, mas buscando alguns frutos, alguns benefícios de Deus. Mas isso você nunca vai encontrar".

Deus não provê saúde; Deus não concede provisão; Deus não provê paz; Deus não provê segurança. Deus é tudo isso. "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida ... Eu sou a Ressurreição". O Eu não concede tais coisas nem as envia: o Eu "é" todas essas coisas, o Eu encarna todas elas. Quando você abre a porta de sua consciência e admite o Eu, você descobre a Presença  a princípio de forma lenta e gradual, porque nenhum de nós conseguiria realizar tudo de um salto  mas então você verá que essa Presença flui de ti nas diversas formas necessárias para sua experiência.

É por isso que o caminho místico é o modo de vida mais prático que já foi conhecido. O mundo tentará nos dizer que a maneira materialista é a mais prática, mas se você olhar para a história, creio que vai concordar que o materialismo não nos deu o caminho. E se você olhar para os países que uma vez tiveram uma balança favorável do comércio, com um constante afluxo de ouro, você vai descobrir o quanto a cena mudou, e que muitos deles não os têm mais. Por quê? Porque tudo no mundo é tão fugaz como uma sombra. Mas se você abre a sua consciência para Mim e percebe que Eu, no meio de você, Sou Deus  que Eu, no meio de vós, Sou essa plenitude então, se por algum motivo a sua saúde, a sua casa ou a sua família deixarem você hoje, isso não fará diferença. Esse Eu é a Ressurreição.

Uma vez que você percebe que Eu no meio de você é Ele, você descobrirá então que os anos perdidos pelos gafanhotos serão restaurados. Tudo o que já foi tirado de você, por causa de sua ignorância de Deus, agora será devolvido a você, duas vezes mais. Nada disso é possível, entretanto, exceto para aqueles que abrem a porta de sua consciência e admitem o Eu que é Deus e está lá de pé, batendo.


A Caixa de Pandora

No ensino da Verdade, você se depara com uma situação comparável à caixa de Pandora. A caixa de Pandora deveria ter escondido dentro dela um grande tesouro, mas quando foi aberta, o mal saltou para fora. Assim é, também, que a Verdade é o maior tesouro que existe, mas se você abrir a porta da Verdade para o pensamento despreparado, a Verdade de que "Eu sou a Verdade" será prostituída, porque ela vai bater asas e dizer: "Eu sou Deus, Eu sou Deus!", e aquelas pessoas que tão pouco entenderam da Verdade tentarão ser Deus para você. Para as pessoas despreparadas para esta Verdade, a revelação do Eu pode ser destrutiva, porque elas podem tentar usá-la para ganho pessoal (ego), e também porque dá-lhes um falso sentido do Eu, que os faz acreditar que um indivíduo tem poder. A verdade é que nenhum indivíduo (ego) tem poder, porque esse Eu é todo-poder, esse Eu é Onipotência. Um indivíduo não tem poder. Você, de si mesmo, não tem poder. Você nunca pode dirigir o poder; você nunca pode usar poder.

Quando você conhece o segredo do Eu, você permanece em silêncio e deixa que Ele realize o trabalho: não você, mas o Eu, que está no meio de você. Você não precisa de pensamentos, já que não pode e não precisa iluminar Deus. O próprio fato de você ter alcançado uma consciência iluminada é o elo de conexão entre você e Deus. Então, o que toda a consciência iluminada tem que fazer é permanecer em Deus  e Deus atende a sua necessidade.

A parte que sua consciência desempenha quando foi iluminada é que ela despertou; já teve o suficiente do "desvelamento" para saber que o Eu em você e o Eu de alguém que se volta para você é Deus, de modo que não há necessidade de transferir o seu pensamento para ele, transferir poder para Ele, ou usar o poder de Deus para ele. É prazer e vontade do Pai dar a ele o Reino: um grande prazer do Pai, o Eu no meio dele. O Eu no meio de você é poderoso, mas o Eu no meio de você está no meio dele também, por causa da Onipresença. Portanto, você não precisa projetar seu pensamento através da distância: você só precisa permanecer na quietude  e porque o Eu foi desvendado, a Verdade foi revelada. Se você sabe sobre o Eu, por que você tem que buscá-Lo? Não há um Eu em você? Você não diz "Eu" o tempo todo? "Eu Sou Deus". Portanto, permaneçam em silêncio.

Compreender a natureza de Deus como Eu é o tesouro, mas ao revelá-lo, ele irá tornar-se mal se vem à consciência dos não iluminados  aqueles que pensam que um sentido pessoal do "Eu" é Deus, e que qualquer pessoa (ego) pode exercer o poder de Deus, ou que alguma pessoa é especialmente favorecida por Deus. Tudo isso pode ser muito mal, porque eles estarão personalizando. Aprenda a despersonalizar. Somente quando você despersonalizar é que você poderá ficar sereno em seu interior e deixar que o Eu faça o trabalho, sem pensar que é o seu "eu" mundano que o faz. Lembre-se: há um Eu na pessoa que você é, auxiliando você, e é o mesmo Eu, o único Eu. Deixe que Ele faça o trabalho sem palavras e sem pensamentos, e então o sentido pessoal do "eu" (ego) não se meterá no caminho.


Eu Sou o Suprimento

Uma vez, um aluno me escreveu que estava tendo um problema de escassez e me pediu para fazer algum trabalho para o suprimento. Minha resposta foi: o problema realmente não é falta. Se você ao menos abrisse os olhos, perceberia que há tantas ervas na terra como sempre houve; há tantas árvores, tantas frutas, assim como muitos bovinos, peixes, pássaros, diamantes na terra, ouro e platina, assim como pérolas no mar. Assim sendo, onde se encontra sua carência? O problema não pode ser falta, porque o mundo está cheio de abundância. A falta está em você personalizar o suprimento, pensando que você não tem. Enquanto você personalizar desse modo, construindo um ser além de Deus, você não terá provisão. Mas quando você perceber que "a terra é do Senhor, e consequentemente também a plenitude dela" e "Filho, tudo o que tenho é teu", você estará despersonalizando.

Vá até o topo da montanha e olhe para a terra, até onde seus olhos alcançam. "Tudo isto Eu te dou". Você ouve essa palavra Eu de novo? Eu. Mas onde você esteve procurando o sustento? Do lado de fora? Então certamente você estava personalizando-o, em vez de perceber que o Eu é o provedor. O suprimento está incorporado no Eu. Tudo o que está incorporado no Eu infinito que eu sou e que você é, tudo isso é seu, tudo, a terra até onde sua vista alcança. A terra e tudo o que está nela é seu. É do Meu agrado dar-lhe o Reino, mas se você personalizar, então há aqueles que têm e aqueles que não têm.

Despersonalize a si mesmo, e veja que você não é a pessoa que seus olhos vêem no espelho. Isso é um corpo, mas o que você realmente é, é o Eu. Agora você tem que despersonalizar: você tem que despersonalizar a você mesmo; você tem que despersonalizar Deus; e você tem que despersonalizar o suprimento porque não há tal coisa como uma dádiva que se destine apenas para você ou para mim. Será que existe um Deus que pode doar ou prover algo? Acaso isso não indicaria um Deus que mantém tudo retido? Então que tipo de Deus você tem? Um Deus feito pelo homem, um Deus feito à imagem e semelhança do homem? Certamente, um homem pode dar e um homem pode receber... mas pode Deus? No momento em que você percebe que Deus não está retendo o sol, a lua ou as estrelas, oceanos, ou os peixes, você sabe que não há nenhum deus segurando qualquer coisa. Você não pode realmente ter um problema de falta. O que você tem é o problema de um sentimento de separação de Deus, e você, na sua ignorância, estabelece seu próprio ser separado de Deus.

Em outras palavras, você não está declarando, eu sou Eu. Em vez disso, você está declarando "eu sou uma pessoa que está sendo afetada pela falta de educação, pela falta de oportunidade e por outras circunstâncias". Mas é você que está causando tudo isso. Você está implementando sua própria prisão. Você não pode demonstrar provisão: você só pode demonstrar "Eu". Você não pode demonstrar segurança; você não pode orar por segurança. Na verdade, você nunca será capaz de economizar dinheiro suficiente para ter segurança, como muitos ex-milionários descobriram. A única segurança que você pode ter é quando a porta de sua consciência se abre e admite o Eu, para que você possa dizer: "Eu é o meu sustento. Eu, no meio de mim, é poderoso".

No Caminho Infinito, dizemos: "Aquilo que estou procurando, Eu Sou". Essa frase deve ser o suficiente para salvar o mundo. Mas isso não pode ser aceito com o intelecto, então são necessários anos e anos ouvindo e vivendo com Ele, até que finalmente você possa dizer: "Sim, Eu! Agora eu entendo o significado do Eu". Você não pode personalizar esse Eu

Em meus primeiros dias neste trabalho, quando, por causa de um problema de suprimento, isso foi revelado para mim, essa revelação não só encerrou meus dias de falta e limitação, como ainda fez algo mais. Ela revelou-me que eu não sou um homem  Eu sou Eu –, e que Eu não estou neste corpo. Então é como você estar em seu automóvel, mas na verdade não está em seu automóvel. Você realmente nunca fez parte de seu automóvel, e você nunca está nele. Você sempre é algo separado dele, governando-o, e ele é uma ferramenta que você está dirigindo. Ora, esta mesma verdade se aplica ao seu corpo. Uma vez que você percebe que é esse Eu, você saberá que este corpo tem o mesmo relacionamento com você que o seu automóvel tem. É um instrumento para o seu uso. Mas você não está nele, pois Eu sou a Consciência, a Consciência Divina Infinita, e Ela é Onipresente. Se Eu e o Pai somos Um, então Eu sou tão Onipresente quanto Deus. Caso contrário, existem dois: um Infinito e um finito. Mas se Eu e o Pai somos Um, sou onipresente.


A Natureza Universal do Eu Faz de Nós Todos Um

O Caminho Infinito revela a natureza impessoal de Deus, significando que Deus não é uma pessoa, que Deus não está localizado na mente de uma pessoa: Deus é o Ser. Mas Deus é o Ser Infinito. Portanto, Deus só pode ser o seu ser e o meu ser. É por isso que podemos aceitar o Eu como o nome de Deus, porque eu tenho o nome Eu e você tem o nome de Eu. Cada um de nós é EuEu sou a identidade de todos, e é isso que nos torna irmãos e irmãs. É isso o que nos permite encontrar-nos sem inveja, ciúme ou malícia, porque não importa quanta abundância um possa ter ou quanto de privação possa outro ter, todos se igualarão ao chegarmos à Consciência desse Eu. Cada um de nós é Eu, e Deus é o Infinito em nós.

Quando virmos a natureza universal de Deus como Eu, como o Eu de cada indivíduo e como o Eu de cada gato, cão, pássaro, e besta, então o leão e o cordeiro se deitarão juntos  o leão e o cordeiro humanos, e também os de natureza animal. Quando reconhecermos Eu como o Ser universal, o Ser infinito, faremos de nossos inimigos os nossos amigos  não sobrepujando-os, mas reconhecendo que Eu no meio do inimigo está também no meio de cada um de nós, e nós somos Um. Só há um Eu. A identidade de Deus é a sua identidade e a minha identidade. Se eu dou a você, eu estou dando a mim mesmo. Se você me der, você estará dando a si mesmo. Isso é como transferir dinheiro do seu bolso da direita para o bolso da esquerda. Isso tudo acontece uma vez que você comece a entender o Eu que é Deus, batendo à porta da sua consciência.

Por isso, "na medida em que o fizestes a um dos mais pequeninos, vós o fizestes a mim", porque Eu sou o menor entre meus irmãos, e o menor destes meus irmãos é o Eu. Tudo o que você tem feito a outro você tem feito a você mesmo, e isso deve ajudar a explicar o significado do karma. O mal que você faz para outro está fadado a voltar para você. É como se houvesse um grande elástico ligado a ele, e a pedra que você joga tem que voltar, mas o bem que você faz também tem um elástico, e por isso, com quanto mais força e mais longe você atirá-lo, tanto mais rápido ele retornará para você.

A lição que estamos aprendendo é que Deus é identidade/natureza individual. Deus não está flutuando no ar em derredor mais do que Deus está pairando no céu. Deus não é sem corpo: não pode haver um ser sem um corpo. É verdade que o corpo não precisa ser de natureza física, mas deve sempre haver um corpo. Cada indivíduo corporifica esse Eu, esse Ser Divino. Este Eu é a sua consciência individual  ainda que possa ser velada pela crença de que o homem é um ser humano, que ele é mortal, que ele foi concebido no pecado e gerado na iniquidade. Pode ser que Ele esteja velado pela crença de que apenas alguns homens podem conhecer o Eu, ou a Consciência Divina. Mas Deus é manifesto como eu e você individuais, e se Deus deve aparecer no meio de nós, Deus deve aparecer como eu e você individuais.

Esta Verdade não pode ser dada àqueles que ainda não chegaram a Ela através das necessárias práticas de estudos e meditação, porque tais pessoas acabarão por transformar a verdade desse Eu em algo muito destrutivo para elas mesmas, nunca para os outros. Nós nunca podemos realmente destruir os outros: nós só podemos destruir a nós mesmos  e nós fazemos isso através da personalização, por interpretação errônea. 

Para que você possa seguir O Caminho Infinito, em primeiro lugar, abra a porta de sua consciência e admita o Eu que está batendo lá. Faça-o em segredo: não tente explicá-Lo aos seus amigos; não pense que você será capaz de dá-Lo a eles através da mente humana. Eles nunca poderiam aceitá-Lo. 

Explicar esta grande Verdade àqueles que ainda estão no nível tridimensional de consciência não é apenas difícil, mas praticamente impossível; mas você pode alimentá-los aos poucos, para que eles suavemente cheguem a alguma medida de maturidade espiritual. Então você pode remover o último véu sem chocá-los, e mostrar-lhes que "Eu estou à porta de sua consciência, implorando a admissão".



quinta-feira, agosto 09, 2018

O Eu Místico - 5/12

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O Eu Místico

CAPÍTULO 5
OS DOIS CAMINHOS DO EU

Aqueles de vocês que estão no caminho espiritual estão vivendo em dois mundos, o material e o espiritual. Pode ser que alguns de vocês, neste momento, estejam experimentando muito pouco do mundo espiritual, mas certamente vocês ocasionalmente têm vislumbres dele, durante ou depois de uma meditação. A experiência desta consciência expandida pode vir, também, quando você tiver pedido ajuda, tiver sido temporariamente elevado acima de si mesmo – fora de seus problemas ou fora de seu corpo – e por um breve segundo ter recebido um vislumbre de uma Consciência além daquela do "homem natural", que é o homem que nunca entra no céu, nunca recebe uma bênção de Deus, e nunca está realmente sob a lei de Deus. A consciência do homem natural é apenas um ramo de uma árvore que foi cortado e está murchando, alcançando cerca de 70 anos – um pouco mais, um pouco menos – sem sequer suspeitar que existe outro Reino.

Estando na consciência do homem natural, em algum momento algo dentro de você pode voltar-se para um ensinamento espiritual, e se esse ensinamento for o Caminho Infinito, você será conduzido não apenas através de alguns princípios da Metafísica, mas também na prática de princípios que devem certamente resultar em meditação. É na meditação que este vislumbre do Reino Espiritual é dado a você, porque na meditação você não está procurando coisas.

Você não está buscando saúde, prosperidade ou companheirismo: você está buscando o Reino de Deus, e "na hora em que pensais que não vem o Filho do homem", o Cristo revela-se Ele Mesmo, e então a Graça Espiritual assume o Reino interior. Pode ser um vislumbre momentâneo ou não, que pode deixar você por dias e aparentemente não retornar, mas se você está realmente determinado a seguir neste Caminho, você o manterá até que a Consciência volte, não uma vez, mas de novo e de novo. Quanto mais vezes você a procura e quanto mais você a alcança, mais perto você está de viver mais no Reino de Deus do que no mundo.


A LUZ É DADA PARA SER A LUZ

Às vezes as pessoas pensam que, ao entrar na vida espiritual, elas deixarão o mundo do trabalho. Isso raramente é verdade, porque eles tomam sobre seus ombros a instrução dos estudantes, o trabalho de cura e todas as atividades conectadas com um ministério espiritual.

Mesmo em uma atividade espiritual, você vai se encontrar em certa medida envolvido no mundo dos negócios, e alguns podem ser agradáveis e alguns não tão agradáveis. Alguns negócios do trabalho de ensino são muito agradáveis, mas alguns deles não são. Mesmo assim você estará vivendo cada vez mais no reino espiritual e cada vez menos no mundo, sejam os negócios agradáveis ou desagradáveis, isso não fará diferença alguma para você.

Toda pessoa que atinge uma medida de Luz, tem que encarar uma séria questão: "Deus foi tão bom para mim que me deu esta Luz espiritual e todas as grandes bênçãos que vieram até mim, mesmo no plano humano, mas... para meu benefício somente? Ele tem feito isso só para mim? Ele quer me configurar como Seu Filho especial, para receber favores especiais, para que o resto do mundo possa dizer: 'Oh, como ele é afortunado! Ele tem a Graça de Deus'"? Então surge a resposta: "Não! Não me foi permitido receber tudo isso por mim mesmo. Isso tudo é apenas para que eu possa ser uma Luz para aqueles que ainda estão na escuridão. Isso tudo realmente não foi dado a mim por mim mesmo."

E é fato que minha própria experiência tem sido assim: quanto mais eu sigo, menos uso eu tenho de todo esse bem que veio a mim, porque estou tão ocupado com o trabalho que nem me dou conta de um lazer que nunca veio, e sei que isso não foi dado a mim para me divertir, mas sim para fazer de mim uma Luz que ilumine os que ainda estão nas trevas e aqueles que ainda estão procurando um caminho.

No começo, você se torna uma Luz para alguns membros de sua família, seus vizinhos, amigos ou companheiros, mas eventualmente você percebe que isso não é suficiente. Deus não pôs o sol nos céus para iluminar uma só pessoa. Ele está lá para os santos e para os pecadores, igualmente para todos.

Deus não enviou Jesus para o mundo apenas para os hebreus da Terra Santa, nem apenas para os cristãos que se tornaram seguidores dos discípulos; mas sim para que a mensagem espiritual do Mestre se tornasse universal, e que a mente que estava em Cristo Jesus pudesse se tornar a mente do homem.


EU NÃO POSSO FAZER NADA, MAS O EU DENTRO DE MIM PODE REALIZAR TODAS AS COISAS

Jesus disse: "Eu posso de mim mesmo não posso fazer nada ... Se eu der testemunho de mim mesmo, meu testemunho será falso". Agora você deve parar por um momento e refletir sobre isso porque, ao ler o Novo Testamento, você não terá como ir muito adiante até que você O ouça dizer: "Aquele que me vê, vê o que me enviou... Eu e meu Pai somos Um. ... Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida ... Eu sou a Luz do mundo ... Eu vim para que todos tenham vida". Tudo isso faz com que você tenha muito cuidado com o uso da palavra "eu", para que você veja o que você realmente quer dizer quando você usa essa palavra.

A mensagem do Caminho Infinito deixa claro o que foi perdido para a Igreja por 1700 anos, a verdade de que existe um "eu" humano que não pode fazer nada, e há um Eu divino dentro de você, através do qual você pode fazer todas as coisas.

Você deve saber que há um "eu" chamado Joel e há um "eu" chamado você (leitor). Mas nem você (leitor) nem Joel atingiram a plenitude: Joel é susceptível de cometer erros; Joel pode, eventualmente, se aborrecer. Joel às vezes gosta de uma boa refeição. Mas este não é o Eu que é o professor espiritual e o revelador. Esta é a parte da minha individualidade que ainda está no sentido pessoal, aquele mesmo do qual Jesus falou, quando disse: "Eu de mim mesmo não posso fazer nada."

Mas, uma vez que você faz o devido reconhecimento, você pode dizer: "Ah, mas a minha Individualidade, minha Verdadeira Personalidade, é Divina. Meu Salvador, meu Cristo, meu Curador, meu Professor, meu Provedor está mais perto do que a respiração dentro de mim. É o verdadeiro Eu do meu Ser".

Quando você reconhece isso, você começa a retirar sua fé, esperança e confiança do mundo externo e dos seres humanos. Quando você for às urnas, você fará o seu melhor para ser guiado espiritualmente no seu voto, mas você não colocará sua dependência, sua liberdade e sua paz em função de quem for eleito, seja seu candidato ou candidato de outra pessoa. Você estará vivendo conscientemente no conhecimento desse Eu dentro de você. Isto é rezar sem cessar, percebendo constantemente que o Eu dentro de você é poderoso. Eu, no meio de você, é o pão, a carne, o vinho e a água da vida.


A SEPARAÇÃO

Tudo isso nos leva a um lugar muito difícil em nossa jornada. Estamos tão acostumados a ler e ouvir as belas promessas bíblicas de um paraíso perfeito que às vezes esquecemos há também advertências bíblicas que podemos ter ignorado: "Estreita é a porta e estreito é o caminho que conduz à vida, são poucos os que a encontram... Eu não vim trazer a paz, mas a espada; porque eu vim pôr em discórdia o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra".

Nós pulamos essas passagens, como se elas não fossem importantes, ou como se não devessem ser levadas a sério. É claro que elas não devem ser tomadas literalmente, mas tenha a certeza de que Jesus sabia muito bem o que estava dizendo, porque a separação está ocorrendo, e está ocorrendo no exato momento em que você começa a confiar no Eu dentro de você, ao invés de em seus pais, filhos, tias, tios ou primos. Uma divisão ocorreu ali mesmo: você foi separado da dependência das pessoas.

Enquanto existirem dois estados de consciência – o material e o espiritual – sempre haverá uma divisão ou separação daqueles seus parentes que preferem permanecer na consciência material, mesmo se eles são seus próprios filhos ou pais. Nem por isso você deve sair de sua casa ou expulsá-los, mas haverá uma parede entre vocês – uma parede que significa falta de entendimento. E você vai realmente descobrir que o seu companheirismo, sua integridade e unicidade estarão com aqueles de sua morada espiritual, bem mais do que com aqueles da morada familiar. Nessa medida, haverá sim separação ou divisão. Tais experiências muitas vezes levam as pessoas a se afastarem do caminho espiritual.

Como o Mestre disse: "São poucos os que a encontram". A Escritura também diz: "muitos são chamados, mas poucos os escolhidos".


FAZENDO A TRANSIÇÃO PARA A CONSCIÊNCIA ESPIRITUAL

Se você examinar seus pensamentos honestamente, descobrirá que a razão de ter buscado um trabalho metafísico ou espiritual, ao menos no início, foi o desejo de melhorar as condições humanas – nada mais, nada menos do que isso. Era uma maneira de conseguir uma saúde melhor, um emprego melhor ou uma companhia melhor, e agora, para sua surpresa ou desânimo, você é confrontado com o fato de que justamente o oposto pode ter lugar.

Você pode perder alguns de seus companheiros, algumas de suas amizades. Da mesma forma, na busca de saúde, às vezes, quando você está esperando para se livrar de um condição indesejável, você pode descobrir que você tem três ou quatro delas. Elas estavam latentes em seu corpo ou mente, e de repente você descobre doenças que você nunca soube que tinha.

No começo, você pode pensar que o seu estudo espiritual trouxe isso. Mas não, não foi o seu estudo espiritual que o trouxe, mas trouxe para a superfície tudo o que estava latente na mente ou no corpo, e a atitude correta deve ser de gratidão, pois de outro modo essas coisas ficariam adormecidas lá, até que se preparassem para atacar; e agora que elas vieram à superfície, você terá, através de seu estudo e trabalho, a oportunidade de fazer uma transição de um sentido material da saúde para a consciência espiritual de totalidade.

Também é possível que, em sua vida metafísica precoce, você tenha ficado satisfeito com uma situação desagradável que tornou-se agradável – um corpo doentio que se tornou saudável, ou um bolso vazio que se tornou abundante. Mas, ao permanecer no caminho espiritual, isso não mais poderá satisfazê-lo, porque você vai descobrir que não há fim para todas as necessidades materiais, sejam do corpo ou do bolso. Portanto, se você tentar evitar a transição para a integridade e plenitude espiritual, você simplesmente perceberá que os males da carne ou do bolso foram adiados. Então, eventualmente, você vem para aquela posição onde, através da consciência espiritual, você se eleva acima da ideia de boa saúde, bom sustento e boa companhia.

Vivendo nessa Consciência – quando você para de se alegrar na saúde física, riqueza material ou felicidade humana, sempre voltando-se para dentro e lembrando que tudo isso é apenas a manifestação exterior de uma Graça interior –, você estará fazendo a transição para uma saúde que não é do corpo, mas da Alma, e para o ponto em que o sustento não é dinheiro, mas tem sua fonte na Alma. A única maneira que isso pode ser alcançado é pela realização do Eu, o vinho de inspiração, o Pão da Vida, a fonte da harmonia espiritual que aparece exteriormente como o bem humano. Durante esse período de transição, você estará continuamente voltando-se para dentro, trazendo à lembrança este Eu, o Cristo, Ele Mesmo. Chamamos isso de praticar a Presença de Deus, percebendo Deus, a realização de Deus, ou a Auto-realização. Todos estes termos significam a mesma coisa. Eles significam que você está percebendo que há mais para você do que o que você pode ver no espelho, que há algo invisível que é a parte mais importante de sua vida e de seu ser, porque a parte invisível é a fonte do visível.


AMOR, ALEGRIA E FRUTOS DA CONTEMPLAÇÃO

Na meditação, você contempla a atividade espiritual e o Ser que está dentro de você. Você contempla a Graça de Deus que está estabelecida dentro de você, e reconhece que Deus plantou Seu Filho em você, que Deus é o seu único Pai e, portanto, que a sua herança vem do Pai – mas não em virtude de você ser bom, uma vez que ela vem tanto para o santo quanto para o pecador, assim que a prontidão de recebê-la se estabelece. Isso é viver uma vida contemplativa, contemplando sempre o Infinito Invisível do seu ser, aquela Cristandade do seu ser, o Divino Eu dentro de mim, sabendo que esse Eu verdadeiro veio para que você possa ter vida e tê-la mais abundantemente.

Tal contemplação faz com que deixemos de sentir amor, ódio ou medo em relação ao mundo externo. Então você poderia perguntar: "mas a gente para de amar?". Amar indolentemente, sim... ou talvez você pare de amar no caminho errado e comece a amar no caminho certo. Muito do que o mundo chama de "amor" é baseado em um amor pelo corpo de uma pessoa; muitas vezes a satisfação sentida pelas pessoas advém do corpo de alguém ou do bolso de alguém. Mas isso não é amar corretamente.

O amor incorreto é muito insatisfatório e sempre chega a um fim. Mas quando um indivíduo começa a perceber a Presença invisível dentro das pessoas, que é realmente a Alma do marido, esposa, criança, amigo e vizinho, então ele começa a perceber a mesma Alma que está nele, e o amor assume uma natureza inteiramente diferente. A parte animal do amor vai-se, dando lugar à uma alegria que vem dentro.


TRANSIÇÃO DA HUMANIDADE PARA A CRISTANDADE

Assim é, então, que nesses dois mundos há sempre um "você" que comunga com a Presença invisível que Jesus chamou o Pai Interior, e que Paulo chamou de Cristo. Na verdade, é o Espírito no homem. O mesmo Espírito "que ressuscitou Cristo dos mortos também vivificará seus corpos mortais".

E agora, onde está esse Espírito que levantou Jesus Cristo dos mortos? Será na Terra Santa de dois mil anos atrás? Ou você tem que ir para a Terra Santa atualmente? Não, o mesmo Espírito que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos está dentro de você. Você não O entende, mas você O percebe, reconhece, e deixa fluir. É reconhecendo Sua Presença na morada de sua consciência, reconhecendo essa Divina Presença dentro de você, em seus momentos silenciosos... é na sua comunhão com Ela, que cada vez mais Ela se manifesta.

Foi nesses momentos de união consciente com Deus que Jesus pôde dizer: "Aquele que me vê, vê aquele que me enviou". "Eu e meu Pai Somos Um". Nesse elevado estado de consciência, Jesus estava ausente, e somente Deus, o divino Eu, estava presente e falando. Quando Ele diz: "Eu vim para que todos tenham vida, e para que a tenham mais abundantemente", não estava falando como homem, mas como Deus: em sua divindade, elevou-se acima de sua humanidade.

Há aqueles que, por meio dessa comunhão, alcançam a experiência definitiva da união consciente com Deus, e assim erguem-se em sua condição divina, acima de sua humanidade. Mas assim como o Mestre, a experiência não é, no entanto, contínua, como se fosse durar a vida inteira. É um estado intermitente, que pode acontecer agora e ir-se amanhã. Houve momentos em que Jesus estava tão abatido que queria se afastar por quarenta dias, ou tão desanimado que teve de pedir aos discípulos que orassem com ele. Certamente Jesus não estava em sua divindade naquele momento no Getsêmani, quando ele pediu que os discípulos permanecessem acordados com ele, e esperava que suas orações o elevassem em estado de consciência.


EM MEDITAÇÃO, ELEVE SEU SER EM SUA REAL IDENTIDADE

Nossas meditações para alguma outra pessoa  e até mesmo aquilo que chamamos de tratamento  não têm o propósito de curar alguma doença ou privação. Elas têm o propósito de elevar a pessoa em sua Cristandade, para além de sua humanidade, onde não há pecado, doença, morte, falta ou limitação. Quando você permanece em sua Cristandade, você pode olhar para fora e dizer: "o que te impediu?". Porque nesse estado de consciência você não vê nenhuma razão até mesmo para que o paralítico não possa andar. É em sua Cristandade que você pode comandar os cegos para abrir seus olhos. Isso você não pode fazer em sua humanidade, porque nada acontecerá. A maioria dos trabalhos de cura realmente ocorre quando o praticante, através de meditação profunda, elevou-se para fora de sua humanidade, em sua Cristandade. Quanto mais anos uma pessoa trabalha como praticante e professor espiritual, mais horas do dia ou da noite ele estará em sua Cristandade e, portanto, menos tratamentos específicos ele precisará ministrar.

Isso nos leva a uma parte importante da meditação do Caminho Infinito. Nunca direcionamos nosso pensamento para fora, para uma pessoa ou uma condição. Dirigir o pensamento é um processo inteiramente mental, e seu objetivo é realmente a sugestão. Isto não quer dizer que algumas pessoas não possam ser curadas por sugestão, pois elas são. O que estamos dizendo é que isso não faz parte da prática do Caminho Infinito, porque viola um dos princípios básicos do Caminho Infinito. A mente humana pode ser usada para o bem e para o mal, e a mente humana pode cometer erros, mesmo com intenções honestas. Portanto, não queremos que a mente humana entre na nossa prática espiritual ou no relacionamento com nossos alunos. Na meditação, o "eu" pessoal que é Joel, ou o eu pessoal de qualquer praticante, deve deixar de influir, porque ninguém tem o direito de acreditar que ele mesmo tem o poder de dar qualquer coisa a uma pessoa. Se ele tivesse, onde Deus entraria? Após mais de trinta anos dessa prática, ninguém sabe melhor do que eu que "prata e ouro tenho eu nenhum"  que das coisas do mundo, eu não tenho nenhuma para dar.

Só existe uma coisa que eu ou qualquer verdadeiro mestre espiritual tem, e isso é uma compreensão da natureza do Eu, do infinito Eu invisível. Portanto, quando eu meditar para você ou com você, eu não permito que você entre em minha mente, e eu mesmo não procuro me projetar em sua mente. O que eu faço é fechar meus olhos e subir diretamente para a minha Verdadeira Identidade. Eu quero comungar e ser Um com este Eu que eu verdadeiramente sou, e, com um ouvido receptivo e minha atenção centrada no Infinito Invisível, eu me aquieto em silêncio. Então o Espírito de Deus Se revela; e porque uma pessoa trouxe a si mesma à minha consciência, ele recebe os frutos da meditação.

Vamos ver como funciona. Pode haver uma pessoa fisicamente doente e, por conta do meu retiro dentro do Eu, mantendo a serenidade – com o meu ser sabendo que Eu Sou Deus e permitindo que Eu seja Deus , essa pessoa pode receber uma cura física. Mas outra pessoa pode receber uma cura moral, outra uma cura financeira, e ainda outra um emprego, ou uma cura das relações humanas. No entanto, eu (Joel) não sei nada sobre isso.

Quando você encontra alguém que você percebe ser realizado em Deus, esse reconhecimento do Cristo do Ser desse alguém é uma indicação da sua receptividade, e é isso que dá a você o benefício da meditação dele. Você nem precisa estar na presença de tal pessoa para beneficiar-se do Eu que ela é. O Mestre disse: "tua fé te curou"  a tua fé, a tua percepção, o teu reconhecimento.

"Quem dizeis que Eu sou?". Eu Sou Deus. Se você reconhecer que Eu sou Deus quando você encontra um praticante, você não deixa de ser beneficiado. Mas se você achar que o praticante tem o poder de lhe dar algo, reter algo, ou atrasá-lo, ou se você achar que o dinheiro tem o poder de comprá-lo, você está perdendo o Caminho. O dinheiro é apenas uma ferramenta; ele pode ser usado como expressão de gratidão, e nesse sentido não deixa de ser um reconhecimento, mas ele não vai comprar qualquer coisa. A única coisa que vai comprar qualquer coisa de natureza espiritual é o seu reconhecimento do Eu, seu contato com o Eu, com alguém que, em alguma medida, atingiu a Vida de Cristo, alguma realização do Cristo de seu Ser, da natureza do Eu que ele é.


GANHANDO NOSSA LIBERDADE, E PERDENDO O NOSSO SENTIDO DE IDENTIDADE HUMANA

Quando você entende que Jesus usou a palavra "Eu" de duas maneiras diferentes, você começa a perceber que o segredo de sua missão era revelar que Eu Sou Deus Eu que está dentro de você, o Eu que é a própria natureza e caráter do seu próprio Ser. Você é realmente o Filho de Deus em sua identidade espiritual, ao passo que esse "eu" exterior que se chama Maria, Jim, ou Joel é o filho pródigo que trabalha uma maneira de voltar à casa do pai, até que finalmente ele não repete mais o seu nome, e então ele diz: "Eu". De uma forma ou de outra, todos perdemos o sentido de apego que nos fez orgulhosos de pertencer a esta família ou àquela família, ou a este ou àquele país, a esta ou àquela raça, ou religião.

Perdemos tudo justamente em proporção à realização dessa palavra Eu, porque o Eu em mim é o mesmo Eu de vocês. Se há somente um Pai no céu, você e eu somos irmãos e irmãs, e tão logo despertemos para isso e comecemos a agir dessa forma, tanto mais cedo nós traremos a nossa própria emancipação, e também a liberdade daqueles que estão ao alcance de nossa consciência. Através da realização do Infinito Invisível dentro de você, você liberta a si mesmo deste mundo. Você não perderá seu amor por seus pais ou seus filhos, mas o seu amor será de uma natureza diferente.

Você não será escravo do tipo incorreto de amor, e você não vai manter as pessoas amarradas por ele. Mais ainda: você provavelmente irá contribuir com mais dinheiro para benevolência e caridade no mundo, ainda que talvez tenha menos simpatia e piedade do que antes, porque enquanto você ajuda seu próximo, você perceberá em seu nível de consciência que aquele a quem você ajuda não precisaria ser pobre ou escravizado. Pobreza e escravidão são estados de ignorância. Qualquer pessoa que desperte para a natureza do Eu, sua verdadeira identidade, deve tornar-se livre do pecado, livre de doença, livre de privações.

Se, ao fechar os olhos, em meditação ou prece, você pensa em pessoas, é favor lembrar que você pode estar transferindo o bem ou o mal para essas pessoas  e às vezes o mal sob o nome de "bem". Mas se você realmente deseja ser uma benção para este mundo, sua família, seus vizinhos, seus alunos, não permita que o pensar humano entre em sua mente, porque esse é o pensamento do pequeno "eu": nessas condições, mesmo as melhores intenções podem ser equivocadas. Aquiete-se e saiba que o Eu no meio de você é Deus! Deixe esse Eu fazer o trabalho. E então, a mensagem que seu amigo, parente ou aluno recebe vem diretamente de Deus, trazendo o testemunho do próprio Espírito, e então haverá paz e harmonia.