"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quinta-feira, julho 26, 2018

O Eu Místico - 1/12

Review of Knocking at the Door Opening the Doors of People’s Hearts2
- Joel Goldsmith -


"Eis que estou à porta, e bato;
se alguém ouvir a Minha voz, e abrir a porta,
entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele Comigo".
(Apocalipse 3:20)

O Eu Místico

CAPÍTULO 1
EIS QUE ESTOU À PORTA

"Eis que estou à porta, e bato..." Mas quem é esse Eu que está à porta? E em que porta esse Eu está a bater? Que outra porta senão a da sua consciência? "Eu" estou à porta da sua Consciência e bato, mas você precisa Me admitir, pois "Eu sou o Pão da Vida... Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida... A Ressurreição e a Vida... Eu vim para que todos tenham Vida, que todos tenham Vida plenamente".

Esse Eu que permanece à sua porta e bate querendo entrar é o Eu que veio para que você tenha Vida em abundância. Quando você admite esse Eu na sua consciência, você admite a vida eterna, o pão da vida, a água da vida, o vinho da vida. Você admitiu o poder da ressurreição em sua consciência: ressurreição do seu corpo, sua casa, seu casamento, sua sorte e seu trabalho. Somente quando você aceita esse Eu em sua consciência, você aceita em si mesmo o segredo da vida.

Quando você reconhece que esse Eu dentro de você é poderoso, você percebe que não está falando de um homem ou qualquer pessoa: você está falando do Eu! (esse "Eu" em itálico refere-se a Deus).

Feche os olhos por um momento e dentro de si mesmo, silenciosamente, secretamente, de modo sagrado e gentil, diga a palavra "Eu". Esse Eu em você é poderoso. Esse Eu em você é maior do que qualquer problema do mundo exterior. Esse Eu em você veio para que você tenha Vida, e a tenha mais plenamente. Esse Eu tem estado com você "desde muito antes de Abraão", esperando ser percebido e reconhecido.

"Não sabes então que és o templo de Deus?" E não sabes que o nome de Deus é "Eu" ou "Eu Sou", e que tu és o templo de Deus apenas na medida em que O reconheças e O mantenhas secretamente, pacificamente, de modo sagrado e gentil em tua consciência, de modo que, a qualquer momento, possa fechar os olhos e então lembrar-te desse Eu?

Este Eu que está em mim é a Vida Eterna, é Ele que é Todo-Poderoso!

Quando Jesus fala do Pai interior ou quando Paulo fala no Cristo que habita nele, eles falam desse Eu Sou, esse verdadeiro EU que você é, esse Eu que eles anunciam estar dentro de você.


O "eu" no Sentido Pessoal e o Eu Divino

O meio de evitar sofrer por egoísmo e diferenciar entre o eu egoísta - o eu que acredita ter poder suficiente e sabedoria para tocar o mundo ou a vida por conta própria - e esse Eu que está dentro de nós, que se expressa com gentileza, é lembrar-se que você não pode usar ou influenciar Deus. Ao contrário, rendendo-se a esse Eu divino, Deus é que pode usar você.

Deus pode influenciar, guiar, dirigir, alimentar, vestir e abrigar você. Seu Pai celestial, esse Eu que você é em seu interior, sabe de todas as suas necessidades, e é de Seu agrado dar-lhe todas essas coisas, dar-lhe o Seu Reino. Portanto, se o ego ataca, de modo que você acredite - mesmo que por um momento - que Deus está sujeito à sua vontade, lembre-se rapidamente que não é sua vontade que deve ser feita, mas a Vontade de Deus, e a Vontade de Deus só pode se manifestar na medida em que você se entrega a esse Eu que habita em seu interior.


O Poder de Ressurreição do Eu

Quando você mantém esse Eu em sua consciência, nenhum mal pode invadir sua habitação; e mesmo que você seja crucificado, você ressuscitará. Se o seu corpo for destruído, em três dias Eu o reconstruirei; não no sentido pessoal do "eu", mas "Eu" o reconstruirei. O seu pequeno "eu" pessoal precisa estar sereno, para que o Eu dentro de você possa realizar suas obras poderosas.

Se você perdeu o emprego, perdeu sua casa ou família, em três dias - provavelmente não literalmente, mas num curto período de tempo - esse Eu em seu interior o reerguerá, desde que seu "eu" permaneça passivo, sem resistir ao mal, sem lutar contra os perigos que lhe ameaçam. Deixe esse Eu assumir, esse Eu que está em você, esse Eu que é sua Verdadeira Identidade. Seja como for que o problema se mostre, como erro ou doença, perda ou escassez, depressão ou recessão nos negócios, nada disso tem poder, trata-se apenas de "um braço de carne" (referência bíblica ao poder temporal, que não é legítimo, mas ilusório: o "braço de carne" é humano, não é o poder de Deus).

Muitas vezes o mesmerismo, o hipnotismo do mundo é tão intenso que praticamente todas as pessoas acabam sob sua influência, mas se você mantém sua Unidade com a Fonte da Vida que é esse Eu Sou, ainda que esse seu "templo" seja destruído temporariamente, em três dias ele será erguido novamente.


Liberando a Glória Espiritual

Nossa mensagem é totalmente dedicada a admitir a Presença do Cristo na consciência, deixando que Ele nos transforme do sentido humano da vida para o sentido espiritual, e não apenas mudando de um mau sentido humano da vida para um bom senso humano de vida. Nosso interesse não é nessa direção. Nosso interesse é entregar o sentido material como um todo, mesmo sendo ele bom, e recebendo nossa filiação divina em troca.

O nosso objetivo é tornarmo-nos Filhos de Deus, não apenas como seres humanos saudáveis, como bons seres humanos, ou então como seres humanos afortunados, mas sim mostrar em nossa experiência diária a nossa Natureza Espiritual, a qual realmente nos foi dada no princípio: "a Glória que Eu tinha com você antes que o mundo existisse", a Glória espiritual. É para isso que estamos orando.

"Eu estou à porta e bato" significa que a presença e o poder de Deus, o Cristo, está à porta da sua consciência, buscando admissão. E sua função é responder "diz, Senhor, fala, Senhor, porque o Teu servo escuta". Estou abrindo a porta da minha consciência para que o Cristo, o Filho de Deus, possa entrar, para que o Espírito esteja sobre mim, para que eu possa ser redimido. Tua Graça me é suficiente; portanto, não estou aqui buscando saúde, riqueza, harmonia ou paz. É somente Tua Graça e Tua Vontade que eu procuro. Que Teu Espírito esteja sobre mim, dentro de mim, brilhando através de mim, e então que Ele tome qualquer forma que desejar.

A Presença de Deus em sua experiência humana pode parecer não ter feito nada por você, mas agora abra sua consciência, de modo que o Espírito de Deus possa efetivamente entrar e executar Sua Vontade dentro de você. Essa abertura da consciência é a oração contemplativa ou a meditação. Você está contemplando a Verdade, reconhecendo a Presença e o Poder de Deus, reconhecendo que o Senhor está à porta, esperando seu convite para entrar e transformar sua vida, mas não como você a transformaria, e sim como ela será de fato transformada, quando o Espírito de Deus lhe fizer de fato segundo à Sua Imagem e Semelhança.


Restaurando os Anos Perdidos

"Ele cumprirá o que está ordenado a meu respeito" (Jó 23:14). Essa promessa não diz que Deus manifestará o que você gostaria que fosse feito: a promessa é que Deus realizará aquilo que Ele determinou para você. Como você não pode ler a Mente Divina, você deve internalizar esta afirmação: " faça-se a Tua Vontade, e não a minha; seja lá o que for que seja designado para eu fazer, tudo o que tens para mim, Tu operas em mim, dentro de mim, através de mim". E então mantenha-se na escuta por um momento, de modo que o Espírito possa estar sobre você, em você, e através de você possa realizar Seu trabalho.

É bem verdade que, assim como você pode alcançar grandes objetivos do seu agrado com esforço físico, da mesma forma você pode empregar o esforço mental para conquistar o que deseja; mas se você deseja estar sob a Lei de Deus e a Graça de Deus, então é preciso que você aceite Deus como a Divina Inteligência do universo, e deixe de procurar informá-Lo, aconselhá-Lo ou falar de suas necessidades. Ao contrário, mantenha a calma e saiba que Eu Sou Deus no centro do seu Ser! E então descanse e confie que Sua Vontade está se manifestando em você.

Pare! Não reze com palavras; não ore com pensamentos; fique quieto! Deixe o Cristo entrar e purificar, redimir, limpar e restaurar "os anos devorados pelos gafanhotos". Deixe que o Cristo faça isso: não tente ajudá-lo, informá-lo, instruí-lo. Pare e permaneça sereno! "Estive à porta e bati, mas agora a porta está aberta, e Eu entrei. Estou "mais perto do que seu respirar, mais perto do que suas mãos e seus pés".

Esse Eu é a própria Presença e Poder de Deus, o próprio Espírito de Deus, e Ele, o Onisciente, está em seu interior. Você sabe por que Ele está lá? Você sabe por que esse Cristo, o Espírito de Deus, veio a você? O Mestre dá a razão: "Eu vim para que todos tenham Vida, que todos tenham Vida plenamente". Eu, a Presença de Deus, Eu que estou à porta a bater, Eu, a quem você admitiu em sua consciência, Eu vim dentro de você, para que você tenha Vida, que você tenha Vida plenamente". Sua função é descansar nesta Verdade: que a Presença de Deus, dentro de você, está aí para esse propósito.

Uma vez que você aceite o Cristo, não faz diferença como foi seu passado ou como tem sido o seu presente. Não fique preocupado nem agoniado com seus erros ou pecados, eles não são contabilizados contra você. Para toda pessoa, na medida em que o Cristo entra, o passado não mais existe, todos os pecados são perdoados e anulados juntamente com suas penas, e nasce um novo dia. "Ainda que seus pecados sejam encarnados, ficarão brancos como a neve" (Isaías 1:18), portanto, não se torture com complexos de culpa. Procure alguma forma de reparação ou restituição por faltas passadas, mas depois disso, livre-se delas. Livre-se delas!

Você não pode viver o dia de ontem novamente, não pode nem sequer reviver a hora passada, pois assim você consegue apenas flagelar-se, trazendo a culpa de ontem para o dia de hoje. Se você não traz isso para o presente, isso nunca pode retornar, porque o ontem já passou, e só pode ser revivido na memória. Ninguém pode entender isso a não ser você, ninguém pode livrar-se disso tudo a não ser você.

Quando você admite Cristo, o passado não existe mais, e a capacidade de pecar, errar e cometer ofensas também se foi. A Sua Presença é plenitude. A sua Presença é Paz. A Sua Presença é harmonia. Não pode haver em você a Presença Divina e a capacidade de errar ao mesmo tempo. Isso não é possível. Ou você exclui esse Eu, o Espírito de Deus, o Cristo de Deus, ou você O aceita: "eis que estou à porta, e bato".

"Escolhei hoje a quem servireis!" Abra sua consciência - "Fala, Senhor, porque o teu servo ouve". Que isto seja repetido dez, vinte ou trinta vezes por dia, até que o Cristo tenha preenchido de tal forma todos os recantos da sua consciência que não haja nenhum espaço para qualquer lembrança de ontem. Então o Cristo que você admitiu restaura o que quer que seja que você perdeu, seja paz, harmonia, saúde, abundância, felicidade ou companheirismo. Tudo é restabelecido de uma forma mais gratificante que antes, porque até então você tinha essas coisas apenas materialmente. Agora você as terá espiritualmente, e isso significa sem limites e sem prejuízo ou destruição.

Quando você é preenchido pela Presença e Poder de Deus, pela Graça de Deus, não é às expensas de outrem, nem às custas da sua perda ou destruição; em vez disso, o que lhe beneficia, beneficia a todos os que estão dentro do alcance de sua consciência. Nós não tomamos nada de outros; compartilhamos, e o que compartilhamos é aquela Presença do Cristo dentro de nós: "filho, tudo que é meu é teu".

E agora, diz o Cristo interior: "Eu vos dou a Minha Paz". Essa Voz interior fala a você e diz: "Minha Paz" - isto é, paz espiritual - "Eu vos dou" - não a paz que o mundo dá. Se você está procurando a paz do mundo, não vá ao Cristo, porque a paz que Eu, o Cristo, vos dou é uma paz que o mundo não pode dar. O mundo pode inundá-lo com dinheiro, honras ou fama; mas vai deixar você oco por dentro, insatisfeito, incompleto. Mas quando você sentir a Minha Paz, a sentirá abundantemente, permanentemente, alegremente, uma Paz que ultrapassa o entendimento humano. Aí então você entende porque "Minha Graça vos basta". Nada falta onde está a Graça de Deus. "A minha Paz eu vos dou" - isso é falado de dentro de você para você mesmo, desde o centro do seu ser para a circunferência: "a Minha plenitude Eu vos dou; a Minha imortalidade Eu vos dou; o meu infinito Eu vos dou. Jamais recuso: tudo isto é vosso". A totalidade é a medida dos dons que Deus nos concede ao "eu" ou "você" individual, quando nos abrimos para recebê-lo.


Dar Como Medida de Receber

Quando a Graça de Deus está com você, você não percebe que é uma luz para todos aqueles que estão nas trevas? Você é seguro para os que estão em perigo; você é cura e saúde para os enfermos; você é prosperidade para quem é pobre, não pela virtude de si mesmo - que você mesmo não é nada - mas pela Graça de Deus que está em você, pelo Espírito de Deus sobre você. Você foi enviado pelo Espírito de Deus, ao qual você se abriu, para curar os doentes, ressuscitar os mortos, ajudar os pobres. Então todos aqueles que alcançarem a sua consciência receberão a mesma bênção espiritual, em proporção à sua receptividade.

Mas como eles podem se tornar mais receptivos a Deus, ao Cristo, a essa influência espiritual? Como você mesmo pode se tornar mais receptivo? Aumentando sua doação. A receptividade só é alcançada através da doação, através do transbordamento a partir do centro do seu próprio ser; e quanto mais você dá, mais receptivo você se torna à Graça, à Presença e ao Poder de Cura de Deus. O que você tem para dar é uma questão individual, e a questão que vem a você é então: "como eu sou para dar? Transbordar o quê? Eu tenho tão pouco!" E a resposta é: "isso não é verdade! Você tem muito a dar. Você tem a Graça de Deus, porque você tem tudo de Deus, porque Deus lhe deu tudo de Si mesmo ".

O Mestre nos ensinou sobre algumas coisas que podemos dar: oração e perdão. Aprenda a dar o perdão para amigos e inimigos, uma vez, outra vez, de novo e de novo. Você pode rezar, rezar por seus inimigos. Essa é uma outra forma de caridade, rezar para que seus inimigos fiquem livres de castigos, para que as suas consciências se abram para a Luz e a Verdade, para que seus pecados sejam perdoados assim como os seus o foram.

A receptividade é a chave para a realização espiritual, e a receptividade é alcançada pela doação. Se você tem algum trocado ou um pouquinho mais, dê e distribua onde você quiser. Lembre-se, no entanto, que "dar" não se refere apenas a coisas materiais, mas também à sua atitude de perdão, de benevolência, paz e boa vontade para com todos. Essa é a verdadeira doação, a boa vontade entre os homens, libertando-os todos, sem manter a ninguém em condenação.

Abrindo a Consciência, a Presença entra. A princípio, você pode nem percebê-la como real Presença, mas aos poucos você vai perceber, porque a Presença é o Espírito de Deus. Você não pode vê-lo, ouvi-lo, senti-lo, mas você passa a vivenciá-lo, pois na medida em que ele inunda o seu ser, traz-lhe cura do corpo e da mente. Traz purificação para uma moral decadente, traz a você maior integridade. Lava e limpa seus pensamentos e sentimentos negativos, os quais a ninguém agrada têlos, mas até os melhores de nós os têm.


Imperativo do Sigilo

Aqueles que aprendem que o Eu, no centro de seu Ser, está à porta da consciência e bate para entrar, aqueles que abrem a sua consciência e deixam-no entrar, devem fechar a boca para que Ele não escape. Mantenha sempre esse Eu Sou sagrado e secreto dentro de si mesmo e assista como sua vida se transforma. Então, quando você mesmo encontra aqueles que estão verdadeiramente buscando este modo de vida, não hesite em compartilhar com eles este segredo.

Para outras pessoas, ofereça um pouco de água fresca, mas repare que não é a "pérola valiosa" que você está lhes oferecendo; isso porque, se você deixa esse segredo escapar de sua consciência prematuramente, às vezes você pode perdê-lo. É possível perdê-lo por si mesmo e nunca mais recuperá-lo como experiência.

Quando Eu lhe entrego este trabalho, estou plantando em sua consciência apenas a semente da Verdade. É você quem deve manter profunda essa semente da Verdade em sua consciência, nutrindo-a, conscientemente lembrando-se dela; nutrindo-a, conscientemente declarando-a dentro de si mesmo; mantendo-a sagrada e secreta dentro de você, nunca esquecendo, sob quaisquer circunstâncias, de que suas últimas palavras toda noite sejam, "Obrigado, Pai, por esse Eu que habita em mim".


Arrependimento, o Caminho do Retorno

Nunca é o Eu, o Eu Sou, Deus, que se afasta, que lhe abandona. Não há pecado que você possa cometer, seja profundo ou encarnado o suficiente, que obrigue Deus, o EU SOU, a abandoná-lo. Os pecados que você comete obrigam você a abandonar Deus, porque você, com seus pecados, não pode encará-lo. Uma vez que você saiba disso, você O enfrentará novamente com sincero arrependimento, porque as Escrituras revelam que o caminho do retorno à sua unidade consciente com Deus dá-se através do arrependimento.

Olhe para o Mestre dentro de você e diga: "perdoe-me". Reconheça o erro, seja por palavras faladas ou apenas através dos olhos. Deixe o Mestre saber que você está pronto para ser levado de volta para o céu, e então você descobrirá que é novamente Um com o Pai. Embora seus pecados tenham sido encarnados, eles serão brancos como a neve no momento que você fecha seus olhos e, olhando para dentro, diz: "Pai, perdoe-me, pois eu não sabia o que estava fazendo". Como o Filho Pródigo, você descobrirá que, à medida em que você alcança um por cento do caminho, seu Pai virá os outros 99% do caminho para lhe encontrar, tocar-lhe mais uma vez, para vestir você com o manto real e o anel real.

Todos pecaram. Ninguém está sem pecado. Mesmo aqueles que se consideram os mais justos pecaram, mesmo que não saibam como pecaram. Mas eles pecaram; nós pecamos; e talvez agora mesmo estejamos pecando. No entanto, isso não pode causar a separação entre nós e nosso Pai porque, se pecamos setenta vezes sete, ainda podemos olhar para cima e dizer: "Pai, me perdoe, eu não sabia o que estava fazendo". E tão logo voltemo-nos para o Pai, para esse Eu, estaremos mais uma vez unificados com a nossa Fonte, o Eu Sou que é nosso Pai.

Se houver tentação de pecar, adoecer ou morrer, qualquer tentação de ceder, qualquer discórdia na terra, qualquer tentação de vacilar, se você for chamado a enfrentar ladrões, assaltantes ou assassinos, então, se nesse momento você puder manter o Eu sagrado dentro de você, eu posso assegurar-lhe que nenhum dano chegará à sua morada, porque você habita "o lugar secreto do Altíssimo".

Se você viver com este Eu permanecendo em você, na consciência, você verá que você e Seu Pai são conscientemente Um. Isso significa que você é um indivíduo de infinito poder; você é Um, com a sabedoria individual infinita; Você é Um com orientação infinita. Você é Um com tudo o que Deus é, pois você está morando naquele "lugar secreto do Altíssimo", mantendo esta grande verdade tão sagrada dentro de si sem que ninguém saiba, a menos que, por olhar em seu rosto, alguma pessoa perceba que você descobriu o mistério da Vida e encontrou a Paz Eterna.


Minha Paz

Os homens tentaram alcançar a paz: paz de espírito, paz de alma, paz de corpo. Eles tentam encontrar segurança por todos os meios materiais que há sob o sol; mas, no entanto, o mundo de hoje tem menos paz do que nunca em sua história. O mundo tem menos segurança do que em qualquer momento anterior. Para isso, há apenas uma razão: o mundo está mais afastado do que nunca de reconhecer esse Eu Sou "que está à sua porta, batendo". Se você Me admitir e permanecer em Mim Me deixar habitar em você, então serei sua segurança, sua paz, carne, vinho e água. "Eu vos dou a minha Paz, não como o mundo a dá, Eu vos darei". "Minha paz" vem somente de Mim, e como isso poderia vir de Mim se Eu não estivesse em você? Eu em ti, e tu em Mim. Se você cultiva esta consciência de que Eu permaneço em você, você permanece em Mim, e nós somos Um, então tudo o que Eu, Deus, Sou torna-se sua experiência. Tudo o que Eu tenho torna-se teu. Toda a Minha Paz torna-se a tua Paz. "Meu Reino não é deste mundo". "Meu Reino," o Reino do Eu que Eu Sou, Meu Reino, o Reino de Cristo, o Reino Espiritual, que não é deste mundo. "Meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos são os meus caminhos". Minha paz eu lhe dou, até porque Eu estou dentro de você, e você está dentro de Mim, pois somos Um.

Tudo isso que eu estou falando com você é o mesmo que bater à porta da sua Consciência, buscando admissão desde "antes de Abraão". Quando você Me aceita em sua consciência, então tudo o que Eu sou, você é. Tudo o que Eu tenho é seu. Por esta razão, quando nos reunimos para um propósito espiritual, podemos compartilhar com outros. O que quer que a Graça Divina toque em uma consciência torna-se imediatamente parte da consciência de todos que lhe são receptivos.

Estamos reunidos em um só lugar, numa só mente, em um só Espírito, todos numa só casa. Quando o Espírito Santo desce sobre um de nós, ele toca o pensamento receptivo de todos os presentes, pois somos uma só família. Aquilo que nos une e faz de nós uma família é a nossa admissão em nossa consciência de quem estava na porta e bateu.


Abra a Porta da Consciência do Mundo

Todo o mal do mundo surgiu por causa de um sentimento de separação de Deus. Nós temos aceitado o homem na terra e Deus no céu, e assim nos separamos na crença em Deus, em vez de sermos capazes de andarmos neste mundo para cima e para baixo, sabendo que:

"Eu e o Pai somos tão Um que, mesmo que eu estivesse diante de Pilatos, poderia dizer: "Você não pode ter nenhum poder contra Mim, a não ser que te fosse dado de cima".

Diante de Pilatos, o maior poder temporal do universo? Sim, mesmo ele não poderia ter poder sobre nós, a menos que lhe fosse dado por Deus. Daniel podia entrar na cova dos leões e esses não podiam fazer nada contra ele, porque ele sustentava o Eu, e sabia que esse Eu dentro dele era o Todo Poderoso. Você, também pode enfrentar qualquer situação que surge em sua vida - qualquer coisa, desde uma situação familiar até uma situação nacional ou internacional - se você puder aprender a sentar-se em silêncio e elevar o senso do Eu, percebendo que, na medida em que você reside no Eu, na Presença, nenhum mal pode invadir o seu mundo.

"Em Minha Presença está a realização, na Minha Presença, uma plenitude de luz. Enquanto você mantém a Presença elevada em você, o mal não só não pode chegar perto de sua habitação, mas ele não pode chegar perto de seu mundo inteiro".

Nós não temos que esperar que três bilhões de pessoas aprendam esta verdade, a fim de salvar o mundo. Um punhado de nós pode realizar isso, pode viver com esse Eu dentro de nós, e enfrentar o mundo com Ele. Veja os males deste mundo se dissolver, sejam males em inimigos pessoais, nacionais e internacionais. Mas para testemunhar isso, alguém deve sustentar a bandeira do Eu! Alguém deve admitir o Eu que está batendo na porta da consciência do mundo todo em busca de entrada.

Agora vamos além de cada um de nós individualmente e vamos lembrar que este Eu, que neste momento está batendo à porta do mundo inteiro, implorando para ser admitido, é Deus. O que devemos fazer - um pequeno grupo de nós - é abrir este mundo para a presença do Eu. Abrir a porta e dizer: "Pai, entra, porque na tua Presença não há guerra. Tua Presença é Paz. Em Tua presença está a realização!" Abra a porta de sua consciência. Abra a porta deste universo e admita Deus, pois este mundo está sofrendo de apenas uma coisa: a ausência de Deus.

Enquanto isso, a presença de Deus está nos dizendo: "Eu estou à porta, implorando para ser admitido". Tudo o que temos a fazer é abrir a nossa consciência e dizer: "Pai, entra, entra neste mundo, entra na consciência humana." Reconheçamos que há um Eu batendo na porta deste mundo. Vamos abrir a porta e aceitar Deus, e você logo verá quão rapidamente os pecados, as doenças, as carências e as limitações desta mundo desaparecerão.

Em Minha Presença está a realização. A Minha Paz Eu dou a você, mas como posso dar a você, se você não Me aceita em sua consciência? Como posso da-la a você? Abra a porta da sua consciência; abra a porta da consciência deste mundo e deixe o Pai entrar. Então preste atenção a esta Influência silenciosa, sagrada e secreta, enquanto permeia toda a consciência humana, e eventualmente revela a Paz. A Paz não virá através do homem. A Paz não virá através de tratados. A Paz não virá através de armamentos. A Paz não virá através do desarmamento. A Paz só virá através da abertura da porta da Consciência, deixando o Pai entrar.


quinta-feira, julho 19, 2018

Volver ao Reino interior

- Joel S. Goldsmith


Talvez já tenha conhecido enfermidades, privações, dores, acidentes e desenganos. Por que não esperar também as boas coisas da vida? Por que não esperar a eliminação desses males e as manifestações do Bem? 

A despeito de tudo o que tenhas sofrido, a verdade acerca de teu ser é a sua identidade com a Fonte de todo o bem, ainda que não tenhas tido contato consciente com essa Fonte, ainda que não tenhas consciência disso e nem a confirmação interna dessa verdade.

Agora, entretanto, se for realmente verdade que tu e o Pai sois um, e que o reino de Deus está dentro de ti, e se estabeleceres contato com este reino, e receberes confirmação de dentro de ti mesmo: algo que te permita sentir a realidade espiritual indicada com estas palavras bíblicas: Meu filho, tu sempre estás comigo, ou: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo ou: A minha graça te basta, então possuirás todo o segredo da vida mística, e poderás provar que este Cristo, ou Espírito de Deus, vive dentro de ti.

Com a segurança da divina Presença dentro de ti, não precisarás de nada nem de ninguém neste mundo. Com esta realização interna, poderás entrar na jaula de um leão faminto; poderás viajar pelo mundo sem dinheiro e sem documentos. Com esta segurança de Emanuel- Deus Conosco, que diferença fará se tiveres o Faraó nas tuas pegadas e o Mar Vermelho pela frente? De que mais necessitarias, andando de mãos dadas com Deus, sentindo sua presença, sabendo que Eu estou sempre contigo?

Esta segurança não é coisa que possas obter de livros, ou em templos sagrados, em jejuns ou em celebrações religiosas. Não a conseguirás através de rituais ou sacramentos. Não a conseguirás senão buscando-a no único lugar onde pode ser encontrada: dentro de ti.

Nunca terás uma prova positiva de que o reino de Deus está dento de ti, nem conseguirás uma demonstração efetiva de unidade, se não meditares sozinho, voltando-te para dentro de ti mesmo e sem proclamar ao mundo quais sejam as tuas necessidades. 

Nesse período de isolamento, poderás fazer tua a sabedoria de Jesus, a sabedoria dos místicos ou dos ensinamentos de O Caminho Infinito, porque só então é que provavelmente estarás constatando que tu e o Pai sois um. 

Agora, terás que aceitar e provar a verdade de que estás neste Caminho:

"Volto-me para dentro de mim mesmo. Não estou voltado para o firmamento; não estou voltado para lugar algum fora de meu próprio ser.  Não estou à procura de templos, mestres ou livros sagrados. Estou voltado para dentro. Aqui estou. 

A verdadeira Fonte, a verdadeira morada de Deus é dentro de mim. Deus está no santuário interno de meu próprio ser. 

Não estou preocupado com a minha vida: com o que comerei ou beberei. Não ando em busca de saúde, emprego ou oportunidade de sucesso. Estou procurando o Teu reino, a Tua graça. 

Na realidade, o que estou procurando é certificar-me de que estás mais próximo de mim do que o ar que respiro, mais perto do que mãos e pés, e que conheces as minhas necessidades, e que é do Teu agrado dar-me o Reino. Assim oro em segredo. 

Não dou a perceber que estou orando. A ninguém dou a conhecer quais são as coisas de que necessito. Não dependo do homem cujo fôlego está no seu nariz. Volto-me para dentro: se este ensinamento é verdadeiro, Deus está aqui, e não preciso sair de onde estou. Basta-me saber que estou buscando a tua graça, para a realização da Tua presença. 

Nesta meditação eu aceito a verdade de que o lugar em que estou é terra santa porque Deus está presente. Aceito a Deus como Onipresença. Aceito a Deus como Onisciência. Ele sabe do que necessito. Aceito a Deus como Amor, que se compraz em dar-me Seu reino."

Este Espírito, com o qual agora tomaste contato e te tornaste uno, é a Presença que anda adiante de ti: é o teu pão, o teu vinho, o maná oculto, o manjar que o mundo não conhece.


segunda-feira, julho 16, 2018

O Objetivo deste Blog

 - Gustavo - 


O objetivo dos textos publicados neste blog é fazer com que as pessoas - os leitores - tomem conhecimento da transcendência, meditem (orem) e consigam alcançar a experiência transcendental interior.

Ninguém transcende o mundo e continua a compreender o mundo com os mesmos conceitos que tinham sobre ele até então. A experiência da transcendência modifica completamente o entendimento, a visão do mundo. Você passa a entender que tudo o que parece existir é na verdade NADA, um "algo" inexistente. Como pode ser? É algo realmente misterioso, que não pode ser decifrado por mais que seja sondado. Ao homem é possível decifrar o mistério, mas não da maneira como ele pensa ou espera fazer. E, como conseguir decifrar, é algo que somente a ele cabe conseguir descobrir - o caminho é solitário, a viagem só admite uma pessoa, que é ele próprio.

Ao mesmo tempo, com o acontecimento de uma experiência transcendental, a pessoa compreende que aquilo que é Invisível e que aparenta não existir, é o que existe de verdade, é a Realidade. De modo que, mesmo que o mundo continue apresentando-se diante de você - isso não importa -, você saberá que, apesar das aparências, o mundo não é o que aparenta ser. Esse é o objetivo deste blog, ao publicar todos estes textos.

Mas - você poderia perguntar -, de que adianta estar consciente (e em contato!) com essa Realidade invisível, afinal? O motivo é simples: melhorar a vida (como um todo!) do leitor, ou daquele que se dispuser a compreender esta Verdade. A conscientização da Verdade põe fim ao sofrimento. A mente humana está sempre completamente envolvida (e, consequentemente, preocupada) com este "mundo". O homem aparenta estar vivendo num mundo que, pela própria natureza, é constituído por pecados, sofrimentos, confusões, etc.. E, quanto mais tenta se livrar das coisas ruins do mundo, tanto mais com elas se envolve. Por que? Porque, ao tentar resolver seus problemas no mundo, ele continua lidando com a própria fonte/origem do problema: o mundo. A mente que afirma a existência (e os problemas) deste mundo não tem outra alternativa senão proceder desta forma, pois ignora que é possível ver este mundo como inexistente e se livrar de todos os problemas de uma única vez. Assim, as pessoas tentam escapar do mundo, mas na verdade escapam do mundo para o próprio mundo, sem se aperceberem disso.

É realmente difícil de perceber - como quando alguém reclama de um acontecimento ruim e, sem notar, atrai (faz gerar) mais acontecimentos ruins. Este é um bom exemplo, experimente pensar sobre ele: todos sabemos que, pela lei mental e espiritual da atração, o amor atrai mais amor, a alegria atrai mais alegria, e, inversamente, tristeza atrai mais tristeza e o medo atrai ainda mais medo. O semelhante atrai ainda mais o seu semelhante. E muitas pessoas, quando se deparam com algum acontecimento ruim, logo começam a se queixar, reclamar, xingar, esbravejar. Não percebem que o próprio ato de se chatearem atrairá ainda mais chateação. Então, sem perceberem, adentram num processo de "bola de neve", começam a se mover em círculos - elas estão naquilo que o budismo chama de "sansara". É tão lógico, tão razoável: se algo ruim acontece, porque deveria não me rebelar? Por que não esbravejar e ficar furioso, decepcionado ou deprimido? Qual é a lógica de permanecer feliz quando ocorre uma situação desagradável? Superficialmente não haverá lógica alguma - é por isso que para a maioria das pessoas é tão natural reagir de tal forma negativa. Por isso, inconscientemente/instintivamente, todos estão imersos nesse processo - perdidos no sansara.

Se pudermos sair da superfície, e lançarmos um olhar mais profundo para o quadro todo, veremos que a lógica - a melhor lógica a ser utilizada - é exatamente o processo inverso. Quando um infortúnio acontecer, esse será o exato momento de, ao invés de reclamarmos, começarmos a agradecer. Se algo nos for tirado, será o momento exato de agradecermos e nos alegrarmos com aquilo ainda temos. E, assim, a gratidão gerada a partir de dentro se manifestará e atrairá no mundo externo situações que lhe farão sentir ainda mais gratidão - e, se for para você ter gratidão, somente coisas boas poderão surgir para lhe acontecer. À primeira vista, parece ilógico proceder assim. Mas, não. Cristo disse: "Não resistais ao maligno". Quando resistimos ao "maligno", damos-lhe mais força e, propagamos ainda mais a sua existência. A verdade é que é muito mais inteligente expressarmos amor, alegria e gratidão em situações cujas coisas nos provocam tentação de esboçar raiva, medo e depressão. Este é o exemplo. Reflita bem sobre ele. Esse exemplo foi dado para fazê-lo entender o seguinte: a mente que acredita (ou afirma) a existência de culpas, pecados, sofrimentos e problemas não pode prover uma solução verdadeira para eles; pelo contrário, ela assegura a permanência deles em nossa experiência. Só a mente que compreende a irrealidade das coisas visíveis (que parecem existir) e a realidade do Invisível (que parece inexistir) é que pode solucioná-los.

A mente que compreende profundamente (que percebe!) que o mundo fenomênico é inexistente, deixa de se perturbar e envolver com tal mundo e, assim, se livra da bola de neve. Ela corta o mal pela "raiz", e se lança fora do sansara. Alguma vez você já tentou desfazer os nós de um barbante extremamente feio e todo emaranhado? Quanto mais tentamos desfazer os nós do barbante a fim de fazê-lo voltar a ser uma linha normal e bonita, mais bagunçado fica! Assim é com aqueles que tentam resolver os problemas do mundo, mas que tomam a mente que acredita no mundo como base ou ponto de partida para a solução de seus problemas. Tentam alcançar a felicidade, mas o fazem com base na mente que afirma a existência dos problemas e sofrimentos do mundo. E Cristo disse: "Deixo-vos a paz, não a paz que o mundo vos dá, mas a Minha paz", aquela que está além de todo o entendimento. Com a felicidade ocorre o mesmo. A verdadeira felicidade é aquela que também transcende todo o entendimento, é a felicidade que advém do Cristo. Toda e qualquer espécie de problema existe apenas no âmbito deste mundo. Se você puder ver este mundo como inexistente, o mundo realmente deixará de existir para você, e todas as coisas que dependem do mundo para existir desaparecerão, igualmente. Eis porque muitos dos textos postados batem tanto na tecla que diz: "Não existe mundo material", "não existe doença", "não existe pecado", "somente existe Deus". Os textos não visam falar de "coisas bonitinhas", nem visam apresentar-nos uma "filosofia" para acreditarmos meramente, mas tratam de uma percepção real que, se compreendida e praticada, gerará frutos visíveis e concretos.

O segredo da vida é ser feliz sem motivo, em todas as ocasiões. Ser alegre sem motivos, em todas as ocasiões. E ser agradecido sem motivo, em todas as ocasiões. Não é necessário haver motivos para estarmos nos sentindo alegres, gratos e felizes. Se houver motivos, estamos colocando a nossa felicidade nas mãos do mundo, o pior lugar possível. De fato, não poderíamos escolher um lugar pior. A atitude e o pensamento devem ser: Com situações felizes no mundo, ou com situações infelizes no mundo - eu estou Feliz! (feliz, com "f" minúsculo, é felicidade relativa; não é o mesmo que Feliz, a felicidade absoluta). Com situações alegres no mundo, ou com circunstâncias não alegres no mundo - eu estou Alegre! (alegre não é o mesmo que Alegre). Estar grato não é o mesmo que estar Grato. "Estar Grato" é sentir gratidão imotivada, incausada, uma gratidão independente, que existe em si e por si mesma. Com os seus problemas, ocorre o mesmo. Aprenda a ver que eles já estão resolvidos, independentemente de no mundo externo eles aparentarem estar solucionados ou não. Compreenda que eles já estão resolvidos. Já estão resolvidos por si mesmos. Eles não existem. E finque fundo a mente nessa compreensão e não permita mais que ela saia daí. Contemple essa Verdade, sempre que possível. Permanecer nesse reconhecimento contemplativo é "oração" (ou meditação). Deus não criou problemas, não cria problemas, nem permite que eles existam. A criação de Deus é perfeita e está completa e consumada, nada podendo nela ser acrescentado ou diminuído. "As obras de Deus são permanentes". O homem filho de Deus jamais viveu ou vive situações de problemas. Ele vive no mundo perfeito criado por Deus, em que "tudo é muito bom". Pelo reconhecimento interno e transcendental de que "seus problemas não existem", logo isso se manifestará no mundo-fenomênico-externo como "problemas solucionados". Todas as coisas necessárias serão providas, em conformidade com o que Cristo disse: "Buscai primeiro o reino de Deus, e as demais coisas lhe serão dadas por acréscimo".

Realmente, os ensinamentos transcendentais apresentados nos textos postados neste blog têm o potencial de fazer o diferencial e mudar a vida de quem os compreende e assimila. A nossa força, felicidade, alegria e paz não podem ser alcançadas por nossos próprios esforços. Se estivermos nos esforçando, estaremos ainda lidando com o mundo. Essas coisas dependem e são providas/supridas pela Graça de Deus. Não precisamos fazer nada, a não ser contemplar a Verdade de que "Tudo já está feito", e deixar que a Graça se manifeste em nossa vida. "A tua Graça me basta". Cristo também disse: "tende olhos, mas não vedes". De agora em diante, passe a "ver". A mera visão material do mundo-fenomênico-exterior não é o bastante para "ver" como Cristo desejou que víssemos. Espero que, após a leitura e compreensão deste texto, os leitores passem a ler os textos publicados neste blog com "outros olhos".

Deus, que habita em mim, reconhece, reverencia e agradece Deus que habita em você.


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quinta-feira, julho 12, 2018

Vivifique o Presente!

 
 - Núcleo -

Vivifique o presente!

Isto significa: vivifique o agora, conscientize-se do presente!

No âmago do ser humano vive o Ser Real, o “Eu Verdadeiro”, que está encoberto pela visão da mente de nossos personagens, ou seja, está encoberto por nossas “personas”, que são “máscaras” que velam o Ser, que encobrem o Ser Real.

Já foi dito que a palavra “presente” tem um duplo significado: O de momento presente e o de aquilo ou aquele que é presente. Aquele que é presente é o Ser Real, o Eu Verdadeiro.

O que cria, o que gera a persona [a máscara que encobre o Eu Verdadeiro] são os pensamentos. Através dos pensamentos nos identificamos apenas como sendo seres individuais, separados de Deus. Mesmo o pensamento de que “somos um com Deus” não nos leva a percepção de Quem Somos. O “acreditar” [que é forma de perceber mentalmente] que somos um com Deus não nos conscientiza de nossa natureza divina. Por isso Jesus disse enfaticamente que: “Quem não comer da minha carne e quem não beber do meu sangue não terá a Vida eterna.” O que Jesus revelou ao dizer “comer a Minha carne e beber o Meu sangue” foi que devemos nos conscientizar da Sua natureza divina e nos fundirmos nela, tornando-se também a nossa. Em outras palavras, que devemos nos elevar da crença [percepção mental] da natureza divina de Jesus para a percepção [percepção consciencial] de Sua essência [Sua carne e Seu sangue] em nós. Fazemos isso vivificando “o presente”, ou seja, vivificando “Aquele que é presente”, o Cristo Eterno. Assim, “vivificar o Presente” significa que devemos vivificar a Vida de Deus EM nós.

Como fazer isso, como “vivificar o presente”? Comece onde você está! Perceba que o seu personagem está num certo contexto [é isto o que ele "pensa"; e não apenas pensa, mas também analisa e julga o contexto onde está. E dependendo do julgamento mental você se sentirá feliz ou infeliz]. Seu personagem está num certo contexto mas você vive no Reino de Deus! A percepção de que você vive agora no reino de Deus não é mental; ela não é fruto de “pensamento, análise e julgamento”; e se continuar “pensando”, apenas “terá razão”; você continuará no nível da percepção mental, que se auto-alimenta de conceitos e percepções mentais, de raciocínio, de lógica, enfim, de razões…

Contudo, num nível que transcende os conceitos e o raciocínio está a Vida! A Vida verdadeira não é a vida mental. A Vida verdadeira é a Vida de Deus, é a Verdade que pode e deve ser conhecida, mas não pode ser “pensada”, porque os pensamentos a expressam em conceitos, e a Vida verdadeira é algo real, algo não conceitual.

Existe em nós algo que nos possibilita perceber essa “Vida verdadeira” que é a própria Vida! Parece ser paradoxal para a mente que pensa, mas é real. Quando Jesus Cristo revelou que: “Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai Pai senão por Mim”, quis dizer que “o Pai” é Deus e que Deus é Vida; e que a Vida de Deus é Quem Sou porque “Eu e o Pai somos Um”.

Ao revelar isso ele estava se referindo ao Cristo eterno que Vive EM nós. Este é nosso "Eu Verdadeiro", Aquele que é “presente” no “reino de Deus”, que está “dentro de nós”.

Portanto, devemos “comer e beber  dessa carne e desse sangue”, ou seja, devemos perceber [nos conscientizar] e desfrutar essa essência divina, que é a Vida de Deus, o Cristo que vive EM nós.

Por fim, aquilo que “aciona essa “conscientização” é o ato de compartilhar. “Não há percepção sem ação”!

Enfim, para ativar a percepção que transcende o nível dos pensamentos, comece onde está, pois, a Vida de Deus já está presente em você. Deixe os conceitos mentais de lado e desfrute dessa percepção, ou seja, coma, beba e sacie-se dela. E por fim a compartilhe; compartilhe generosamente.

O ato de compartilhar é que sedimenta em você a percepção do Presente.

Por isso compartilho a percepção; por isso esta mensagem está chegando  a você; por isso Buda compartilhou a iluminação que percebeu e desfrutou; por isso Jesus compartilhou o que “ouviu do Pai”.

Ao compartilhar o que perceberam e desfrutaram, eles “vivificaram Aquele que é Presente” neles, vivificaram Quem São e em o fazendo vivificaram Quem Somos, vivificaram a Vida de Deus, o Cristo que Vive EM nós.

Sim! Vivifique o presente!

Namastê.


segunda-feira, julho 09, 2018

O ponto de vista para se ler o Gita - 2/2


 - Núcleo -


O Gita, uma das mais respeitadas Sagradas Escrituras do Oriente, pertence a uma outra tradição e contexto espiritual. Mas, se você se permitir, verá que este texto universal te revelará o mesmo Cristo, não o Cristo a quem suplicamos que nos proteja, mas a quem agradecemos pela proteção e pela própria Vida que nos proporciona todos os dias de nossas vidas.

Neste sentido o texto que se segue é uma revelação. Uma revelação divina! As verdadeiras revelações não procedem dos pensamentos, da mente humana. Esta é uma grande dificuldade! As verdadeiras revelações surgem de percepções. Nem sempre a razão é capaz de apreender o real sentido de uma "percepção".

Pensamentos são produtos da mente; as percepções provêm da Consciência. O que o Maharaj está propondo é uma percepção, não um pensamento, esta é a barreira mental a ser transposta. O ponto de vista da Consciência desperta – a Consciência de Krishna – é o ponto de vista da Consciência do Ser, que Vive em nós, que é nossa Vida e real identidade, mas que, mesmo assim, não sabemos.

O problema está em que desconhecemos nossa real identidade. A mente é a máscara que vela a real identidade: A mente vela o Ser; a consciência O desvela. Assim, quando utilizamos a mente para descobrir quem somos, esta descoberta se torna um objetivo impossível. O pensamento, o raciocínio e a lógica humana são instrumentos inadequados para o fim de sabermos nossa real identidade. A nossa mente está condicionada por suas muitas crenças e pela própria forma com que percebe a realidade. Ela percebe de forma dual. Onde há apenas um Ser e Suas infinitas manifestações, a mente “percebe” muitos seres, todos individualizados... Ela percebe as formas, mas não a essência que existe em todas as formas.

Para se ler o Gita do ponto de vista de Krishna é necessário descartarmos a “máscara" da personalidade, e não presumirmos que somos nem mesmos “os Arjunas do mundo”. Tampouco devemos presumir que somos“o Krishna”, que no Gita é o Ser Real, a essência de todos os nomes e formas, a própria divindade.

Perceba esta sutileza: O Maharaj nos sugere que devemos adotar o ponto de vista de Krishna, e não que devemos nos identificar como sendo um personagem do Gita: o Krishna. Esta é uma revelação que nos virá como uma percepção, talvez ao longo da leitura do Gita, ao final, ou mesmo até algum tempo após. Não importa o tempo em que a percepção ocorrerá. Saiba apenas que é possível, embora não pareça evidente. Assuma o ponto de vista de Krishna e perceberá que o Gita está desvelando a Consciência que, no Gita, é representada por Krishna  a essência e real identidade de todos os seres. Se isto for feito, afirma o Maharaj: “Vocês entenderão, então, que no Vishva-rupa-darshan, o que o Senhor Krishna mostrou a Arjuna não era seu próprio Svarupa, mas o Svarupa – a verdadeira identidade – do próprio Arjuna e, por conseguinte, de todos os leitores do Gita".

Note que, no Gita, Arjuna representa “um ser humano bom”, que quer ouvir e seguir as orientações do Senhor. Mesmo assim, a percepção de Arjuna é mental. Onde há apenas um ele vê muitos. Então ele perde as forças e lamenta que “não pode lutar”. Percebendo as limitações da mente humana de Arjuna – seus conceitos e crenças equivocadas, ainda que, do ponto de vista humano, louváveis, dignas de respeito pelos demais seres humanos, até por seus oponentes –, Krishna sabe que esta visão mental e valores equivocados não livrará Arjuna da derrota.

Não somente “a mente de Arjuna” o ilude, mas também a mente iludirá a qualquer um que a tomar como ponto de partida e instrumento para “perceber” a verdade.

Para estarmos "iluminados pela Consciência", precisamos nos sintonizar com a Consciência do Ser - a “percepção consciencial” -, que no Gita se revela plenamente pela visão de Krishna e suas revelações, que é o ponto de vista sugerido para se ler o Gita, o qual transcende a percepção da mente de Arjuna, que é uma visão apenas humana e “mental”.

Na Bíblia conhecemos a ordem divina para nos “erguermos de entre os mortos”, ou seja, de nossas “visões mentais” da vida. Só então Cristo, a Consciência do Ser, nos iluminará, virá e nos dará vida, pois Cristo é a própria Vida que vive em nós.

Como advertência antes da leitura do texto, esteja atento e não presuma! Assuma o ponto de vista de Krishna para ler o Gita, mas não presuma nada. Presumir é fruto da mente, que ilude. Não presuma que você é o Krishna, assim também como não devemos presumir que somos “um com Deus”. Isto vem no tempo de Deus, como uma revelação, uma percepção. Você não precisará "acreditar", como também saberá que "não acreditar" não altera esta realidade... O acreditar ou não acreditar estão no nível da mente, e não na Consciência. Os que sabem que é possível, por exemplo, colocar um ovo em pé equilibrado, sem truques, não precisam acreditar. Os que não acreditam que isto seja possível não alteram a realidade de que isto não apenas é possível, mas que qualquer pessoa pode fazer isto. Da mesma forma qualquer pessoa pode “conhecer a verdade”, mas será preciso desfazer todos os condicionamentos e as crenças que tem a respeito do que é a Verdade. O conhecimento da Verdade liberta o homem. A "verdade a ser percebida" é que Deus, o Ser que Vive em nós, é a própria Verdade. Este Ser Real vive em todos os seres. Nenhum ser tem vida em si mesmo, e nem está separado do Ser - o único Ser. No ser humano, este Ser Se revela como Consciência, não como a “sua” ou a “minha” consciência, mas como a Consciência do Ser, Aquilo que “Eu Sou”, e que é impessoal, universal. Revelando sua real identidade, Cristo diz: “Antes que Abraão existisse, Eu Sou.” O Cristo que vive de eternidade a eternidade é real e onipresente. Está em todos, aguardando apenas o momento em que será “percebido”.

Leia o Gita do ponto de vista de Krishna, e em algum ponto esta “percepção” sobrevirá e revelará a real identidade, não apenas de Krishna ou de Arjuna, mas, também, a de Cristo, a sua, a minha e a real identidade de todos os seres.


 Svarupa - a forma cósmica, a verdadeira identidade/face de Krishna revelada.

quinta-feira, julho 05, 2018

O ponto de vista para se ler o Gita - 1/2



Introdução: O texto a seguir que estará diante de você provém de outra tradição e contexto espiritual, o Gita, uma das mais respeitadas Sagradas Escrituras do oriente. Há um segredo em cada Escritura Sagrada  um segredo que, se for notado, garantirá o seu envolvimento, afinamento e compreensão dos textos sagrados em sua máxima profundidade. Todo conteúdo encontrado dentro de um livro sagrado não diz respeito a outra coisa senão a Deus, ao conhecimento da Verdade, à Consciência ou a Unidade. Só há uma Verdade e a característica da Verdade é ser UNIVERSAL; a Consciência é Una com tudo o que existe. E a Consciência carrega o Infinito dentro de si! É impossível algo estar existindo  algo ser!  e não estar em Unidade com a Consciência ou a Verdade. Você vive  esse fato, por si só, prova que você está na Unidade e é uno com tudo aquilo que está na Unidade com a Consciência, Deus. O Segredo é: saber/compreender que tudo o que as Escrituras Sagradas relatam são Verdades, são histórias concernentes a cada um de nós. O Gita narra o diálogo acontecido entre os personagens históricos "Krishna" e "Arjuna", porém todas as coisas nele contidas são simbologias, um reflexo externo de nossa própria história. Uma Escritura Sagrada não deve ser encarada apenas a partir de um contexto histórico, como se a Verdade ou as experiências vividas pelos personagens pertencessem a eles exclusivamente. Não! A história de Krishna é a minha própria história; a história de Jesus é a minha e a sua história. A Bíblia e o Gita não são livros, são espelhos. Há uma só Consciência sendo! A mesma Consciência que no passado apareceu como Krishna, está aparecendo como eu e você. Eis porque tudo o que está contido no Gita, sobretudo o que diz respeito a Krishna, é verdadeiro para você e para mim. No Gita, Krishna ensina ao Arjuna: "O Ser Divino que sou, você também o é! Não veja-se separado ou excluído de Mim, senão você estará preso na ilusão. Perceba que minha Consciência Divina é também a sua". Krishna pede a Arjuna que deixe de lado a visão mental/dual, troque/inverta o referencial, e perceba de forma direta quem ele é.

Neste texto, Nisargadatta Maharaj, por saber que não há maneira de ser a Verdade senão sendo a própria Verdade, pede que comecemos a ler o Gita do ponto de vista de Krishna ao invés do de Arjuna. Tanto o Gita como a Bíblia 
 assim como todas as escrituras sagradas – têm sido lidos pelas pessoas como se elas fossem buscadoras da Verdade que tentam, que desejam, que se esforçam e fazem de tudo (esforços pessoais) para compreender a Verdade e finalmente um dia realizá-La em si mesmas. Isso é impossivel; ninguém pode ser a Verdade se já não for a própria Verdade. Se uma pessoa não for a Verdade desde sempre, é impossível que um dia ela deixe a condição de "não ser a Verdade" e adentre a condição de "Ser a Verdade". É por isso que Nisargadatta diz: "Não leiam o Gita do ponto de vista do aspirante à Verdade. Leiam-no do ponto de vista de Krishna, da própria Verdade - você já é a Verdade; eis o motivo". O Gita não tem de ser um livro no qual sua mente trabalhe com diversas possibilidades ou passeie viajando/divagando em hipóteses fantasiosas como: "vou ler o Gita para conseguir (no futuro) encontrar Deus, compreender a Verdade". Como espelho, as coisas que existiam só como possibilidades, o Gita torna-as concretas; aquelas hipóteses ou fantasias deixam de ser hipotéticas ou fantasiosas e são vistas como verdadeiras no exato momento presente. Tudo está ali! - Essa é a percepção a ser notada. A mente não necessita ir a lugar algum, ela deve ficar onde já está.

O Segredo de conhecer a Verdade está na Unidade - já que em tudo há o UM se expressando, a Verdade válida para uma de Suas manifestações é também verdade para todas as outras. Que valor teria a Bíblia ou o Gita para mim, se tudo o que é encontrado neles não possuir relação alguma com o ser que sou? Se a verdade da Bíblia ou do Gita concernissem somente a um homem chamado Jesus, ou a um homem de nome Krishna, então a Bíblia ou o Gita seria o livro deles somente. E, além de para Jesus e Krishna, tais escritos não teriam nenhuma razão de ser, pois, por mais que as escrituras alcançassem outros seres, nenhuma possibilidade de transformação ou de realização a eles jamais seria possível. Toda e qualquer busca do homem é por coisas que apontem e digam respeito ao próprio ser que ele é.

Por ora, ficaremos com este texto de Nisargadatta Maharaj. E a seguir, no próximo post, será feita uma explanação mais específica, aprofundando, com maiores detalhes, os assuntos discutidos neste texto do mestre iluminado.


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"Em uma das sessões, uma distinta dama que visitava Maharaj fez uma pergunta sobre o Bhagavad Gita. Enquanto ela formulava sua questão nas palavras adequadas, Maharaj, repentinamente, perguntou-lhe: “De que ponto de vista você lê o Gita?”

Visitante: Do ponto de vista de que o Gita é, talvez, o guia mais importante para o buscador espiritual.

Maharaj: Por que esta resposta absurda? Certamente, ele é um guia muito importante para o buscador espiritual; não é um livro de ficção. Minha pergunta é: Qual o ponto de vista do qual você lê o livro?

Outro visitante: Senhor, eu o li como um dos Arjunas no mundo, para cujo benefício o Senhor foi generoso o bastante para expor o Gita.

Quando Maharaj buscou em torno uma outra resposta, houve apenas um murmúrio geral de confirmação desta.

Maharaj: Por que não ler o Gita do ponto de vista do Senhor Krishna?

Esta sugestão suscitou dois tipos simultâneos de reação de assombro de dois visitantes. Uma das reações foi uma exclamação escandalizada que claramente significava que a sugestão era equivalente a um sacrilégio. A outra foi de um único e rápido bater palmas, uma ação reflexa, obviamente, indicando alguma coisa como o "Eureka" de Arquimedes. Ambos os visitantes interessados estavam como que embaraçados por suas reações inconscientes e pelo fato de que as duas eram o exato oposto uma da outra. Maharaj deu um rápido olhar de aprovação ao que havia batido palmas e continuou:

Maharaj: Muitos livros religiosos se supõe ser a palavra de alguma pessoa iluminada. Por mais iluminada que seja uma pessoa, ela deve falar a partir de certos conceitos que achou aceitáveis. Mas a extraordinária distinção do Gita é que o Senhor Krishna falou do ponto de vista de que ele é a fonte de toda a manifestação, isto é, não do ponto de vista de um fenômeno, mas do númeno, do ponto de vista de que "a manifestação total sou eu mesmo". Esta é a exclusividade do Gita.

Agora – disse Maharaj  considerem o que deve ter acontecido antes que qualquer texto religioso antigo tenha sido escrito. Em todos os casos, a pessoa iluminada deve ter tido pensamentos, os quais colocou em palavras, e as palavras usadas podem não ter sido muito adequadas para comunicar seus pensamentos exatos. As palavras do mestre poderiam ter sido ouvidas pela pessoa que as escreveu, e o que ela escreveu, certamente, seria de acordo com seu próprio entendimento e interpretação. Depois deste primeiro registro manuscrito, várias cópias dele teriam sido feitas por diversas pessoas e tais cópias conteriam numerosos erros. Em outras palavras, o que o leitor de qualquer tempo particular lê, e tenta assimilar, pode ser totalmente diferente do que realmente o mestre original pretendeu comunicar. Acrescentem a tudo isto as interpolações inconscientes, ou deliberadas, feitas por vários eruditos no curso dos séculos, e vocês entenderão o problema que eu estou tentando comunicar a vocês.

Disseram-me que o próprio Buda falou apenas na linguagem Maghadi, enquanto seu ensinamento, como foi anotado, está em Pali ou em Sânscrito, o que poderia ter sido feito apenas muitos anos mais tarde; o que agora temos de seus ensinamentos passou por numerosas mãos. Imaginem o número de alterações e acréscimos que foram infiltradas nele por um longo período. Não seria surpreendente que haja agora diferenças de opinião e disputas sobre o que Buda realmente disse, ou quis dizer?

Nestas circunstâncias, quando peço a vocês que leiam o Gita do ponto de vista do Senhor Krishna, peço que abandonem imediatamente a identidade com o complexo corpo-mente quando o lerem. Peço que leiam de acordo com o ponto de vista de que vocês são a consciência desperta – a consciência de Krishna – e não os objetos fenomênicos aos quais ela deu sensibilidade, para que assim o conhecimento que está no Gita seja verdadeiramente revelado para vocês. Vocês entenderão, então, que no Vishva-rupa-darshan, o que o Senhor Krishna mostrou a Arjuna não era seu próprio Svarupa, e sim o Svarupa (a verdadeira identidade) do próprio Arjuna e, por conseguinte, de TODOS OS LEITORES do Gita.

Em resumo, leiam o Gita do ponto de vista do Senhor Krishna, como a consciência de Krishna; vocês então compreenderão que o fenômeno não pode ser ‘liberado’ porque ele não tem nenhuma existência independente; é apenas uma ilusão, uma sombra. Se o Gita for lido neste espírito, a consciência, a qual tem se identificado erroneamente com o complexo corpo-mente, tornar-se-á consciente de sua verdadeira natureza e se fundirá com sua origem."
Cont...


segunda-feira, julho 02, 2018

"Eu Sou Krishna"

- Núcleo -


No Bhagavad Gita, Krishna disse a Arjuna: “Eu sou a testemunha; por Mim, este aglomerado de cinco elementos chamado Universo, todos estes objetos móveis e imóveis, são formados. Seja qual for o nome ou a forma adorada, Eu sou o Destinatário, porque Eu sou a Meta de todos. Eu sou o Único. Não há nenhum Outro. Eu Mesmo Me torno o Adorado, através de Meus muitos Nomes e Formas. Não apenas isso, Eu sou o Fruto de todas as ações, o Doador do Fruto e o Instigador. Perceber-Me é verdadeiramente a libertação. É o Jivanmuktha (libertado mesmo enquanto vivo) que alcança essa realização. Arjuna, se alguém aspira tornar-se um Jivanmuktha, deve-se eliminar totalmente o apego ao corpo.” (Sathya Sai Baba)


Divinos Personagens,

Que bela mensagem escolhida pelo Ser, a quem desde já reverencio e agradeço!

Krishna (a divindade) declara:

“Perceber-Me é verdadeiramente a libertação.”

E também:

“É o Jivanmuktha (libertado mesmo enquanto vivo) que alcança essa realização.”

Atma é o Ser Real. Jiva é o personagem. Muktha (libertado) provém de Moksha, que significa libertação. A vida é a representação divina.

O personagem (Jiva) deve aspirar por conhecer sua real identidade (Atma), ou seja, deve perceber Quem ele É. Quando na representação divina esta percepção da real identidade ocorre ao personagem, ele é chamado “Jivanmuktha” (aquele que está liberto mesmo enquanto vive em um corpo, ou seja, mesmo enquanto representa).

No momento em que o “Jivanmuktha” percebe que a real identidade do personagem (Jiva) é o Ser (Atma) ele então pode declarar: “Eu Sou o Atma”, ou como disse Cristo: “Eu e o Pai somos Um.”

O Atma (o Ser Real) quando considerado independentemente da representação divina é descrito como Paramatma (Deus Absoluto). A mais alta realização é perceber que a única realidade é Paramatma (Deus Absoluto). E sendo o Paramatma o “Deus Absoluto”, significa que não há nada além de Si mesmo. Paramatma é também o Deus descrito como "o Todo-Poderoso".

Entre os “Poderes” do “Todo-Poderoso”, está o “Poder de Agir”. Porém, não há ninguém e nada além de Si mesmo, por ser Deus o “Absoluto”, ou seja, a “Única Realidade”. Mas não há limites para Deus. Tendo o “Poder de Agir”, e não tendo limites, Deus age! E, sendo a “Única Realidade”, Deus cria em Si mesmo um universo divino no qual manifesta o Seu “Poder de Agir”! Com Seu Poder de Agir, o universo que Deus criou foi o algo mais divino que se possa conceber: Um universo de seres plenamente conscientes de Quem são, de que são todos o que Deus É, de que É o Ser Real, o Único! 

Embora este universo de seres conscientes de Quem são esteja além do alcance das palavras e da imaginação - porque existem muitos seres mas que são todos o mesmo Ser -, é Real. É o universo da Consciência de Deus. No Núcleo este universo criado por Deus é chamado de universo consciencial. Na Seicho-No-Ie é chamado de Mundo da Imagem Verdadeira, ou  Jissô. No cristianismo é chamado de Paraíso ou Reino de Deus. No budismo é o Nirvana. Como disse o poeta, uma rosa é uma rosa, seja qual for o nome que se dê a ela…

Os seres conscientes de Quem são tem consciência deste “Poder de Agir” e criam uma representação divina, um universo onde tudo é possível, inclusive com personagens que não têm a consciência de Quem são, e isto abre muitas possibilidades à própria representação! Por ser uma manifestação do Poder divino, a representação é muito realística! Nela tudo parece ser real: o cenário e uma multiplicidade de divinos personagens com muitos nomes e formas! Mas também, por ser uma representação divina, na qual tudo é possível, entre todas as possibilidades, na representação divina, está a possibilidade de que os divinos personagens possam voltar a ter consciência da realidade de Quem são!

Por isso, Krishna, sendo um dos “seres conscienciais”, mesmo estando na representação, mantém a consciência de Quem ele É, e declara: “Perceber-Me é verdadeiramente a libertação.”

E revela quem, na representação, ou seja, que tipo de personagem pode ter esta percepção:

“É o Jivanmuktha (libertado mesmo enquanto vivo) que alcança essa realização.”

Portanto, mesmo estando na representação, é possível “estar liberto” e ter esta consciência, a percepção de um Jivanmuktha, que no Núcleo é chamada de “percepção consciencial”.

Personificações da divindade:

Leiam com atenção o que acaba de ser comentado. Se o fizerem terão um benefício imenso! Pois, não se trata de um simples comentário. Trata-se de uma “versão atual” de uma Verdade atemporal capaz de libertar os personagens! Muitos personagens querem de fato saber a Verdade. Esta é uma grande oportunidade, pois a Verdade sobre a real identidade de cada um dos personagens do Ser está novamente sendo abertamente revelada. Todos podem tê-la!

Observem que nesta “nova versão” apresentada no Núcleo a ênfase não é dada a nenhum Mestre especificamente, mas sim, à percepção! O que importa é que você perceba sua real identidade, não importando a que Mestre segue! E é assim porque com esta percepção a Verdade será conhecida e o real Mestre emergirá em você! Pois, o verdadeiro Mestre está na Consciência do Ser que você É! Este “universo consciencial”, este Reino de Deus, o Nirvana, não está fora de você, nem longe de você. Estes conceitos de fora e longe são apenas conceitos, só existem na representação divina, não se aplicam ao universo consciencial, não se aplicam a Quem você realmente É. Não há de fato um Mestre fora de você, nem longe.

Por isso Krishna disse: “Perceber-Me”.

Assim, este comentário é para os que querem “estar na representação” mas não serem subjugados pela representação. Por isso é feita esta elucidação, e é dado este esclarecimento. É algo que não vem da “mente de um personagem”; é algo atemporal, algo que não vem da identificação com o Jiva, mas com o Atma!

A propósito: termos como “Jiva”, “Atma”, “Paramatma” vêm do hinduísmo e são usados para descrever a realidade divina. Na Seicho-No-Ie são usados termos como “mundo da Imagem Verdadeira”, “mundo fenomênico”, “Jissô”. No cristianismo são usados termos e expressões como: “Filho de Deus”, “O Verbo se fez Carne”, “Viver em Cristo”, etc. Ou seja: cada religião ou filosofia espiritual usa termos próprios e expressões como uma forma de resgatar o significado espiritual da Verdade que foi revelada por algum Mestre, mas que com o tempo e com as muitas traduções das palavras do Mestre e das muitas reinterpretações, foi se perdendo.

Em resumo, o comentário acima expõe de forma sintética o ensinamento compartilhado no Núcleo de que: A Única Realidade é Deus. Deus é o único Ser Real. Ele é Absoluto, ou seja, não há outro Ser Real. Toda a Verdade se resume nisto e poderia ser colocado um ponto final aqui. Alguns até ficam nesse ponto! Mas Deus é Todo-Poderoso. Ele pode tudo! Ele pode criar, ou seja, Ele pode “fazer existir o que não existe”. E Deus criou um universo de seres plenamente conscientes de Quem são, de que são o Ser Real, Único! Este universo criado por Deus é Real. É o universo da Consciência de Deus, o universo consciencial. Os seres deste “universo consciencial”, os “seres conscienciais” criaram uma representação divina. Estes “seres conscienciais” assumiram papéis na representação divina e estão representando…

Você é um ser consciencial como Krishna, e a representação divina não altera esta realidade! Todos os seres conscienciais são plenamente conscientes de que são a própria divindade. 

Não há uma nova verdade sendo revelada, pois, o ensinamento compartilhado no Núcleo é uma versão atualizada de uma verdade atemporal.

Por isso compartilho que: Não há sequer uma única nova verdade a ser revelada, nem mesmo uma nova consciência a ser desenvolvida. Nossa Consciência está plenamente desperta e já somos filhos de Deus, criados a Sua imagem e semelhança. O que nos falta é tão somente percebermos esta realidade nos desfazendo dos nossos condicionamentos.

Jesus disse: Conheça a Verdade e a Verdade te libertará.

Krishna disse: "Perceber-Me é verdadeiramente a libertação."

Não é possível “perceber o Ser” com a “mente do personagem”. Esta “percepção” não está na mente, mas, sim, na Consciência! A Consciência está na essência, no “núcleo do Ser” que você É!

“Vá para o Ser, para Krishna!”

Perceba-O, desfrute e compartilhe!

Namastê.


sexta-feira, junho 29, 2018

Onde nos leva o caminho espiritual?

- Núcleo -

"Aquele que Me percebe em toda parte e contempla todas as coisas em Mim nunca Me perde de vista, nem Eu jamais o perco de vista." (Bhagavad Gita VI:27, 29-30)


Divinos Personagens,

Eis um texto bastante “nuclear”!

Quando meus olhos físicos leram o texto acima, que se encontra na página 89 do livro “A Yoga de Jesus” (de Paramahansa Yogananda), imediatamente percebi que este é um texto, uma revelação divina, que deve ser compartilhada, especialmente com os que estão no caminho espiritual.

A propósito, onde nos leva o caminho espiritual? Este caminho nos leva à percepção do sagrado a cada momento da vida. Ele nos torna conscientes da beleza das coisas simples que inundam nossas vidas todos os instantes, como cada movimento que fazemos, cada olhar que lançamos, cada momento que respiramos; a contemplação do silêncio ou dos sons da natureza, enfim, tudo. É uma simples questão de percepção, de nos mantermos conscientes dos “eternos presentes” e da presença de Deus.

Enquanto nos mantemos imersos em nossos pensamentos ou enquanto nos mantemos na expectativa do momento de união com Deus que reservamos para meditar ou orar, nossa atenção não está focada no presente, então não estamos desfrutando o presente e perdemos a benção daquele momento. Por certo devemos reservar um tempo dedicado à meditação e oração, mas que este tempo seja o de exercitarmos e manter nossa atenção no presente e na onipresença. Assim, quando estamos em grupo, compartilhamos com os demais a consciência que temos da benção que é o momento de estarmos reunidos, como familiares, como irmãos, como pais e filhos, como amigos. Estas são oportunidades em que estamos experimentando o amor de Deus em suas infinitas formas. Da mesma forma, enquanto estamos sós podemos desfrutar o amor de Deus em silêncio, em oração, em contemplação ou em meditação, ou seja, ouvindo Deus, falando com Deus, percebendo Deus ou sendo um com Deus!

A percepção de que nossa vida é a oportunidade de estarmos desfrutando o onipresente amor de Deus, enquanto personagens, é a chave de uma vida humana realizadora, aquilo que Jesus revelou ao dizer: "Eu vim para que tenham Vida em abundância". No Núcleo enfatizamos que “crer” é perceber Quem faz. Assim, os que creem, ou seja, os que não apenas acreditam nas palavras de Jesus, mas sim os que tem fé, os que percebem a verdade que elas expressam têm “vida em abundância”. Então, mantenham-se atentos, percebam Quem faz e desfrutem o presente!

Façam isso a cada momento. Não se separem do momento de comunhão com Deus, porque Deus não Se separa de Seus filhos em instante algum. A mensagem de hoje começa com uma citação do Bhagavad Gita e termina com uma citação bíblica, porque os textos sagrados legados à humanidade são revelações divinas, do mesmo Deus único. E a revelação bíblica é esta: “Pois, todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.” (Rm 8:14)

Escolham estar “casados com Deus”. Mantenham esta união espiritual; não permitam que alguns pensamentos da mente separem aquilo que Deus uniu. Sejam guiados pela percepção da Consciência do Ser que está em cada um, que revela a unidade essencial que existe entre cada presente neste universo e Deus; entre o personagem e o Ser.

Saudações a todos.

quarta-feira, junho 27, 2018

Você não está só

 
- Núcleo -

Quando sentir solidão, dirija-se a Deus com o seguinte pensamento: "Deus é meu Pai, minha Mãe, meu Filho, meu Amigo, meu Espírito protetor. Para quem conhece Deus não existe solidão. Eu descobri o Pai eterno, a Mãe eterna, o Filho eterno, o Amigo eterno, o Espírito protetor eterno. Chamando por Deus, Ele me responde imediatamente. Deus Se manifesta entre os membros de minha família, através de meu pai, minha mãe, meu sogro, minha sogra, meu filho, minha filha, meu neto. E me ama concretamente. Quando alguém de minha família me trata friamente ou duramente, essa atitude é apenas reflexo de minha mente dominada pela ilusão, que não consegue visualizar a perfeição da Imagem Verdadeira de tais pessoas." (Autor: Masaharu Taniguchi)


O pensamento divino acima foi percebido por um "personagem consciente".

Esteja você também consciente de que Deus é Onipresente. Por ser Onipresente está também em você. Reflita sobre estes pensamentos divinos até perceber algo. Quando perceber esse "algo" saberá que é uma mensagem divina especial a você!

Assim que li este pensamento percebi imediatamente que deveria compartilhá-lo. Sei que alguém vai se beneficiar especialmente dele. Estou fazendo a minha parte entregando a você esta mensagem.

No Núcleo o tema abordado foi a necessidade de nos despertarmos das ilusões que a mente cria e que nos condiciona a uma vida limitada por nossas crenças. Inconscientes de que a Deus tudo é possível, vive o ser humano limitado a crer que seus problemas são insolúveis. Assim, vive "dormindo" ou vive "entre os mortos".

Mas, a mensagem da Consciência divina expressa numa passagem bíblica nos revela que temos algo a fazer: Devemos nos despertar desse sono e nos levantar de entre os mortos, nestes termos:

"Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará." (Efésios 5:14)

Também devemos procurar ouvir Deus, que Se manifesta como esta Consciência, a consciência interior que nos revela a "vontade do Senhor". Nós devemos buscar conhecer os pensamentos de Deus, da Consciência do Ser que está em nós, que não são os nossos pensamentos, ou seja, os pensamentos que estão em nossa mente.

"Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor." (Efésios 5:17)

Perceba que VOCÊ NÃO ESTÁ SÓ. A divindade é onipresente e está em você! Jesus Cristo já nos revelou a verdade de que: O reino de Deus está dentro de vós.

Mas se continuar usando a mente apenas para julgar as situações, estará diante de problemas de difícil solução. Se, em vez de julgar, procurar direcionar a mente para ouvir a voz da Consciência, então, no tempo certo, conhecerá o pensamento de Deus, a luz a ser revelada por Cristo, que é VIVO, de eternidade a eternidade. E quando o seguimos, Cristo Se revela a nós! E nos dá a Si mesmo! Ele é a vida, a própria vida em abundância.

No Bhagavad Gita, há um belo simbolismo deste direcionamento que devemos dar a nossas vidas, sobre que devemos seguir a voz da Consciência divina em nós e não nos limitarmos a seguir apenas a voz de nossa mente humana. No Gita, Arjuna, o personagem que busca seguir as orientações do Senhor, entrega as rédeas da carruagem da vida ao Senhor, Krishna, o divino eterno condutor, e vence a guerra!

Todo aquele que age como Arjuna, procurando seguir a voz da Consciência e não a voz da mente, no devido tempo poderá fazer a declaração: "Eu venci o mundo"! Mas saberá também que este "Eu" que vence o mundo não é o sentido pessoal do "eu" humano. A ilusão da dualidade concebida por este "eu" humano se esvai, revelando a verdade de que "Eu" e o "Pai" somos "Um" ou: "Eu Sou o Ser Real".

Este é o sentido da verdade expressa por Jesus Cristo: "Eu e o Pai somo Um". Isto só é possível àquele que conhece sua real identidade, de que é o próprio Ser, eterno, não sujeito a nascimento ou morte. Quem conheceu sua real identidade, sabe que a pessoa (o personagem que está representando) de si mesmo nada pode, mas que o Ser Real, é quem realmente faz, quem de fato "vence o mundo".

Por saber sua real identidade Jesus declara: "Antes que Abraão existisse Eu Sou." Jesus sabe que o eu humano, o sentido pessoal de "eu" não tem nenhum poder, mas sim, o "Eu" universal e impessoal. Deus onipresente é a Fonte desse poder, e por isso ele declara: "eu de mim nada posso, o Pai em mim é Quem realiza as obras".

No Núcleo dizemos que o único Ser Real é Deus e que todos os demais seres são personificações ou personagens de Deus. Nem todos os personagens tem consciência de sua identidade e origem divina. E assim vivem "vidas mentais".

São como o filho pródigo, estão distanciados do Pai, mas um dia retornarão à "casa do Pai", ao "núcleo", à percepção de sua origem e filiação divinas. Assim seja.

Saúdo a todos os divinos personagens.