"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

segunda-feira, março 19, 2018

"Deixa os mortos sepultar os próprios mortos"

Omraam Mikhaël Aïvanhov


“DEIXA OS MORTOS SEPULTAR OS SEUS PRÓPRIOS MORTOS”

O ensinamento de Jesus é um ensinamento da vida, um ensinamento da vida divina. A compreensão que tinha da vida é que fez de Jesus um verdadeiro filho de Deus. Fico sempre maravilhado diante da profundidade dessa compreensão, quando ele diz a um homem encontrado no caminho: “Segue-me, e deixa os mortos sepultar os seus próprios mortos.” Se a frase for tomada literalmente, o que Jesus diz é monstruoso, pois ele parece aconselhar que deixemos os corpos de nossos parentes e de nossos amigos sem sepultura... Pior ainda, essa frase não tem o menor sentido: como é que os mortos poderiam enterrar outros mortos?

Ao dizer: “Deixa os mortos sepultar os seus próprios mortos”, Jesus não se referia aos mortos que levamos ao cemitério; é necessário conduzi-los aonde devem estar, e por sinal, ainda que estejam mortos, suas almas continuam vivas. Jesus tinha em mente outros mortos. Pois mesmo vivos os seres humanos trazem algo que, do ponto de vista de Jesus, está morto e os conduz à morte: sua natureza inferior. Sim, as manifestações da natureza inferior devem ser incluídas entre os mortos. E aqueles que tanto buscam satisfazê-las, atender aos seus caprichos, acabam por sua vez por morrer também. Nossa maneira de pensar e o modo como nos comportamos fazem com que nos mortifiquemos ou nos vivifiquemos. Tudo aquilo que em nós não está impregnado da vida da alma e do espírito conduz-nos para a morte.

A natureza inferior do homem está viva, e bem viva, é ela que vemos manifestar-se em tantos livros, espetáculos, jornais e no rádio, na televisão... Mas do ponto de vista espiritual essa vida é na realidade a morte para nós e para os outros. Por isso é que devemos levar a sério o conselho de Jesus. Na cabeça, no coração, quantas pessoas passam o tempo “enterrando os mortos”! Cuidam deles, eles os acompanham... E esses mortos não são necessariamente seres humanos, mas também objetos, idéias, opiniões, sentimentos. Essas palavras de Jesus devem ser compreendidas de todos os pontos de vista e aplicadas em todos os domínios: na filosofia, na literatura, na religião, na arte, na economia, na vida cotidiana.

“Segue-me”, diz também Jesus. Por quê? Para estar vivo. Pois é junto a Jesus que está a vida divina. Na realidade, experimentamos a dimensão da vida e da morte quase simultaneamente. Existem pessoas cheias de vitalidade no corpo físico, mas que estão mortas, pois cuidam de outros mortos. E existem mortos que não deixaram de estar vivos, pois durante sua existência terrestre buscaram em todas as circunstâncias colocar o espírito em primeiro lugar. Esses optaram por seguir Cristo e entraram vivos na morte.

Para optar por seguir Cristo é preciso ter aprendido a localizar onde está o essencial. Ora, os seres humanos buscam satisfação em tudo o que é secundário. Passam a vida entregues a ocupações que nada proporcionam à sua alma e ao seu espírito. Vocês responderão, naturalmente, que a alma e o espírito não podem participar tanto assim das atividades banais da vida cotidiana, nem daquelas que devemos exercer para, como se diz, “ganhar a vida”. Questiono se é tão certo assim... O que fazem as pessoas quando voltam do trabalho ou têm tempo livre? Quais são suas preocupações, suas conversas, suas atividades, suas distrações? Elas talvez não façam nada de realmente repreensível, mas em vez de construir nelas mesmas algo de sólido, de estável, perdem tempo e forças com futilidades. É, portanto, como se deixassem a morte introduzir-se nelas. Tudo que não é essencial é o que Jesus chama de “os mortos”: lixo, restos que devemos jogar fora, pois perderam os elementos da vida divina e espiritual.

Entender o essencial é sentir a necessidade de organizar nossa vida ao redor desse centro, o espírito, essa centelha que nos habita e que é o indício de nossa filiação divina. Dessa forma é que todas as nossas atividades, e até mesmo nossas distrações, contribuirão para alimentar a vida em nós. O espírito que habita no homem não rejeita o fígado, os intestinos ou os pés, sob o pretexto de não serem órgãos ou membros tão nobres quanto ele. Tudo está em seu devido lugar, e o espírito faz uso de tudo. Mas ele permanece no centro, caso contrário, é a morte; e quando a morte está presente, não há mais nada a fazer.

Por que tantos homens e mulheres que se adoravam acabam cansados uns dos outros e se separam? Porque se voltaram demais para os “mortos” e acabaram por morrer também. Se tivessem cuidado de preservar a vida neles, de embelezá-la, de torná-la poética, continuariam a se entender e a se amar. Não quero intrometer-me muito nessas coisas, mas de que serve, por exemplo, a maquiagem nas mulheres? Para dar a ilusão da vida. Elas sentem instintivamente que é a vida que os homens buscam, e acentuando no rosto as cores da vida tentam tornar-se mais atraentes. Pode funcionar, é claro, mas não basta, e, além disso, não dura.

Em certos contos lemos que, para seduzir homens, demônios femininos adquirem, mediante procedimentos mágicos, fascinante aparência juvenil. Naturalmente, os pobres infelizes se deixam apanhar, a ponto de casar com essa encantadora criatura, mas algum tempo depois eles acabavam enlouquecendo e, em alguns casos, perdiam a vida... Até o dia em que um, mais sábio e mais instruído que os outros, se conscientiza da natureza dessa entidade que tem diante de si: consegue quebrar o encanto e a jovem de aparência tão sedutora vira pó, gritando alucinada. Sim, uma metáfora sobre a morte espiritual que procura adquirir a aparência da juventude da vida... Esses contos têm um significado profundo.

Como Deus fez as coisas, como a natureza fez as coisas? Eis as questões que vocês devem estudar, para entender Deus e mesmo imitá-lo. Esforcem-se sempre para colocar o essencial no centro de sua vida e instalar-se no essencial, procurando identificar-se com ele. Então, todo o resto, a família, os amigos, as posses, as ocupações e até as diversões encontram seu devido lugar, pois vocês os associam ao essencial, caso contrário... Enquanto não tiverem entendido sobre o quê edificarem sua existência, nada do que possuírem permanecerá com vocês por muito tempo: sua mulher, seus filhos, seus amigos, suas posses, sua saúde... de uma maneira ou de outra, vocês hão de perdê-los. Faltando no centro essa força que unifica, que preserva, que governa, todos os elementos começam a se dispersar, e nesse momento ocorre a morte espiritual.

Os seres humanos têm seu corpo, vivem com ele, cuidam dele, o alimentam, o lavam, o vestem e até o maquiam, mas não procuram compreender o que esse corpo quer lhes dizer com seus membros e seus órgãos. Pois bem, nesse corpo animado por um espírito eles devem aprender uma lição: como Deus pensou as coisas, pondo seu corpo à serviço de seu espírito; e que se inspirem nessa lição para conduzir sua vida, isto é, que ponham tudo que é material e efêmero a serviço do essencial...

O material e o efêmero sempre terão um papel a desempenhar em nossa vida, mas para que esse papel seja benéfico devemos fazer com que ele participe das atividades do espírito. Quantas pessoas não passam a vida em busca de conhecimentos e aventuras! O resultado dessa busca lhes proporciona, depois de algum tempo, a impressão de estar vivendo a verdadeira vida, mas quando ouvimos falar a respeito, anos depois, temos a impressão de que a experiência foi como areia que deixaram escorrer por entre os dedos.

Os turcos dizem: “até os 40, gastamos dinheiro para ficar doentes; depois dos 40 gastamos dinheiro para recuperar a saúde.” Eu me lembro de ouvir isso quando era jovem, na Bulgária. Essa é a situação da maioria dos homens: valem-se de todos os meios à sua disposição para usar e abusar de seus recursos físicos e psíquicos. No momento, têm a sensação de estar vivendo, Mas não é “o momento” que conta, e sim, anos depois, quando fazemos o balanço de nossa vida. Por isso é que, de vez em quando, é preciso rever nossas escolhas e atividades, perguntando-nos: “O que me proporciona tudo o que escolhi?... Será que não estou enterrando mortos? Que posso fazer para estar vivo?”

Acreditem, a única ciência que realmente vale a pena aprofundar é a ciência da vida, pois funciona como uma chave e abarca todas as outras. Vocês lêem e estudam, isso é ótimo, mas não é a leitura que lhes dará a vida. Em compensação, poderão entender melhor o que lêem se já tiverem avançado no campo da vida. E ainda que passem o tempo ouvindo ou tocando música, por mais bela e inspirada que seja, que poderá proporcionar-lhes essa música? Será que saberão, graças a ela, orientar-se melhor? Não, pois é necessário também um outro saber. Sem a ciência da vida, nada tem sentido. Conseguimos tudo o que queremos sem entender o desejo que nos move e sem saber o que deve ser feito com o que obtemos. Por isso, somos incapazes de aproveitar plenamente mesmo as conquistas mais difíceis.

Ficou claro por que Jesus insiste tanto na vida? Porque é a compreensão dela que nos permite entrar em relação com Deus, nosso Pai. Até então, só podemos ter concepções errôneas do Criador, pois são superficiais. Em vez de buscar Deus em nós mesmos, nessa vida que Ele nos deu, contentamo-nos com o que foi dito por outros a seu respeito, e então pesamos os prós e os contras, levantamos questões, duvidamos, nos perguntamos se Ele existe ou não... Dessa maneira nunca chegamos a nada. Mas faça com que a vida brote em você e nunca mais terá dúvidas sobre a existência de Deus.

Quando um Iniciado, instruído na ciência da vida, vê os motivos de preocupação dos seres humanos e como raciocinam... oh! Ele não fica indignado, não se irrita, apenas sorri... Ainda que alguns sejam muito capazes, eruditos, na realidade são ignorantes. Não têm consciência de que a vida é limitada no tempo e no espaço e está restrita ao que vêem; não sentem que há uma Existência acima da sua, e que é para Ela que deveriam voltar o pensamento. Suas buscas, suas aquisições são tão limitadas! Não lhes dão a mínima noção do que é a verdadeira vida que sai de Deus. Então, um Iniciado sorri gentilmente, muito amistosamente, sem magoar ninguém. Ele vê – e muitas vezes fica triste. Gostaria de ajudar, mas não só elas não o ouvem como se sentem muito satisfeitas consigo mesmas, dizendo: “Nós, os que compreendemos... nós, os inteligentes... nós, os normais... nós, os sensatos...”, e o olham com piedade: quem é esse velho com tantas idéias ultrapassadas?

Mas vocês, que estão numa Escola onde lhes ensinam a ciência da vida, o modo de entendê-la e realizá-la, tratem de levar a sério essa ciência! Ao longo das atividades do dia, procurem colocar-se em um estado de espírito em que a vida divina possa fluir através de vocês, vivificando todas as criaturas e todos os objetos ao seu redor. Quando o homem adquire consciência de que é o depositário da vida divina, a Mãe Natureza o considera um ser inteligente, verdadeiro filho da luz, e começa a amá-lo, abre suas portas e lhe oferece trajes de festa para que ele participe de seus banquetes e de seus mistérios.

O estudo da vida deve prosseguir por milhões de anos, pois é uma ciência sem fim. E é isto que a torna tão apaixonante. Uma vez tendo começado, você sente que jamais poderá parar. Eu escolhi essa ciência para minha profissão. Sim, foi essa ciência que escolhi, a mais desprezada, a mais desdenhada, sabendo de antemão que não encontraria muitos interessados em estudá-la comigo. Então, por que insisto? Porque aquilo que é desprezado hoje será apreciado amanhã. A ciência da vida é essa pedra de que fala Jesus: “A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular.”

Evidentemente, como eu me concentrei na vida, negligenciei os outros campos; por isso tenho grandes lacunas. Sou ignorante sobre uma série de coisas, mas isso não me preocupa. Se fosse possível, é claro que eu preferiria saber tudo, conhecer tudo, mas precisaria dedicar a isso muito tempo, muita energia, em detrimento da vida. Por outro lado, também cursei universidades, e poderia falar-lhes uma grande variedade de temas, como fazem milhares de professores e conferencistas pelo mundo afora. Só que me sentiria deslocado, fora de propósito, como se não fosse o meu trabalho, o meu dever, a minha vocação, o meu elemento... como se estivesse pisando num terreno que não é meu. Por isso, deixo todos os demais temas aos especialistas e me concentro na vida. Aprender a receber e a transmitir a vida, porque aí está a verdadeira magia.

Vocês jamais lamentarão ter dado à vida o lugar mais importante. Portanto, não esperem que ela os abandone para, só então, buscarem entender o que perderam ao correr atrás de todo o resto. Eu apelo ao Céu apenas isto: que me dê a vida, sem grandes preocupações em ter longevidade, mas apenas essa sensação de pertencer à vida cósmica, à vida do universo, das estrelas. E para poder falar-lhes assim da vida sou obrigado a trabalhar em minha própria vida. Caso contrário, o que poderia transmitir-lhes?

Embora esteja também fora de nós, a vida divina está em nosso interior. E embora não sejam lá muito numerosos, existem na Terra seres que já entenderam a importância e a beleza dessa vida. O que fazer, senão decidir participar do seu trabalho? Pois àquele que busca a verdadeira vida, Deus mostra onde estão os seres que a encontraram, para que possam ajudá-lo e levá-lo com eles. Mesmo em meio às maiores dificuldades, ninguém está completamente isolado. Veja o que costuma acontecer durante uma guerra: resistentes se agrupam em organizações, mudam de nome, passam a usar códigos, para que só possam reconhecer-se aqueles que decidiram lutar juntos pela liberdade de seu país... e acabam triunfando. Pois bem, o mesmo acontece com os filhos de Deus: dispõem de todos os meios necessários para se reconhecer e trabalhar juntos.

E quando houver na Terra muitos seres capazes de viver essa vida divina, ela transbordará por toda parte, como ondas de água pura; será verdadeiramente a nova vida, não só para alguns indivíduos aqui e ali, mas para toda a humanidade. Isso levará muito tempo, claro, mas pouco importa o tempo, é preciso dar início a esse trabalho, o trabalho dos filhos e filhas de Deus. Os filhos e as filhas de Deus só pensam em melhorar a vida, torná-la pura, luminosa, bela, abundante, a fim de propagá-la, distribuí-la, compartilhá-la com todos. Não será deles que Jesus dirá que são mortos ocupados em enterrar outros mortos; não, eles estão vivos, pois trabalham com ele para fazer fluir a vida divina.


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sábado, março 17, 2018

PARAÍSO: UMA QUESTÃO DE PERCEPÇÃO

Superbook's Heaven #2 ceasle of God by AngeloVergil
- Dárcio Dezolt -


Assim como num cinema alguém é capaz de “ver o que se passa na tela”, e, também, “ver o que se passa fora dela”, isto é, no cinema em que se encontra, apenas dependendo de qual dos dois referenciais sua ATENÇÃO PLENA estiver focalizada, igualmente nos é possível “perceber que estamos no Reino de Deus” enquanto, aparentemente, “estivermos percebendo o suposto mundo material”.

Enquanto a maioria luta na matéria, sem saber contar com as leis mais altas que lhe estão disponíveis, há também aqueles que ainda consideram que “viver o Reino de Deus” significa viver uma vida terrena harmoniosa ou trabalhando em prol do próximo.

Isso se dá por ser a consequência confundida com a causa.

“Buscai o Reino de Deus em primeiro lugar”, e “TODAS AS DEMAIS COISAS – VOS SERÃO ACRESCENTADAS”.

Quem “busca o Reino” se torna apto a perceber que não existe mundo material em parte alguma! Deus é Tudo! A Luz é Tudo!

Portanto, o paraíso não é “outro lugar”, mas “este lugar”, apenas sendo espiritualmente discernido, ou seja, é quando assumimos a mente de Cristo e contemplamos as coisas como realmente elas são.

A partir disso, a nossa suposta ação visível deixará de ser vista como ação de um ser humano voltado a si mesmo ou ao próximo! Desaparecem as intenções de agirmos para o bem ou para o mal, e a frase “o Pai em MIM faz as obras”, dita por Jesus, fica plenamente entendida!

O paraíso, sendo percebido como sendo aqui mesmo, nos deixa a todos alinhados com a Verdade e sendo esta Verdade! Este discernimento nos leva à chamada “vida pela Graça”, isto é, a vida que flui espontaneamente em tudo e todos é discernida como sendo ação única de Deus, ou sendo Oniação.

A noção de vida humana pessoal é falsa e geradora de conflitos na aparência!

Por isso é fundamental mantermos esta visão iluminada dos fatos reais ou verdadeiros, em que nos vemos agindo em unidade com Deus e discernindo o mesmo Deus em todas as ações que estivermos percebendo além da nossa!

A visão da Unidade é a visão correta; é esta percepção de que o “paraíso” é aqui, não por fazermos algo de bom ou por deixarmos de fazer, mas, por reconhecermos nossa ação e a de todos como unicamente sendo Deus agindo! Isso nos elimina preocupações, inquietações e tensões, por estarmos ocupados unicamente em contemplar o Universo Oniativo de Deus.


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segunda-feira, março 12, 2018

Descortinando a nossa Natureza Divina - 11/11

- Masaharu Taniguchi - 


O QUE DECIDE O DESTINO DA HUMANIDADE

A lei do carma

Vou discorrer sobre o tema "O que decide o destino da humanidade". Para falar sobre isso, preciso explicar o que é o destino. Costuma-se dizer "Entrego a Deus o destino", mas o destino não é algo imposto a nós, compulsoriamente, por Deus. O ideograma un (sorte, destino) tem o sentido de mover-se circularmente. Diz um ditado: "O que acontece uma vez, volta a acontecer". O destino, é, portanto, uma sucessão de acontecimentos que ocorrem segundo a lei da causalidade, ou seja, determinada causa gera determinado efeito, e esse efeito cria uma nova causa, e assim sucessivamente.

Portanto, praticando o bem, com certeza, acontecerão coisas boas. Praticando o mal, com certeza, acontecerão cosias ruins. Se a pessoa odiar o outro, será odiada. Se der, receberá. Se usurpar, será usurpada. Desse modo, a humanidade é regida fundamentalmente pela lei da causalidade. Essa lei é chamada também de lei do carma, ou ainda, lei da mente. Cada um de nós também cria o seu próprio destino e colhe seus efeitos.

Já me perguntaram se o destino de um indivíduo está traçado ao nascer, mas digo que, em geral, um terço do seu destino está definido. Contudo, não foi Deus que o definiu. Nós nascemos neste mundo inúmeras vezes, e os carmas acumulados nas vidas passadas definem uma parte do destino da encarnação atual.

O budismo classifica os carmas em três categorias: carma mental, carma verbal e carma físico. O carma mental refere-se aos pensamentos. O carma verbal, às palavras faladas, que ficam acumuladas em forma de energia latente, a qual se manifestará de algum modo.O carma físico é o conjunto de ações e trabalhos expressados através do corpo. Essas ações ficam acumuladas em forma de energia latente em alguma parte do Universo. E vem o momento em que esses carmas se manifestam em forma concreta. Desse modo, nascemos neste mundo trazendo conosco esses carmas de maneira latente.

Nascemos trazendo em nossa bagagem o "balanço" dos carmas mentais, verbais e físicos que nós mesmos criamos no passado. Por isso, apesar de todas as pessoas serem igualmente filhas de Deus, não nascemos num mundo igualitário. Uns nascem em lares miseráveis; outros, em lares abastados. Uns nascem com o físico debilitado; outros, com o corpo extremamente forte e robusto. Uns nascem com inteligência deficiente, enquanto outros, com inteligência superior. Assim, cada pessoa vem a este mundo com diferentes características, materializando os carmas do passado.

Há quem reclame dizendo que Deus é muito injusto, mas isso não é verdade. Deus avalia as pessoas exatamente de acordo com o seu desempenho no passado e é, portanto, muito justo. O resultado do cálculo está exatamente de acordo com o que a pessoa veio acumulando. Quem multiplicou 2 por 2, teve o resultado 4; quem multiplicou 2 por 3, teve o resultado 6; e quem multiplicou 4 por 4, teve o resultado 16. Comparando os resultados 16, 4, 6, parece haver injustiça, mas, considerando que são resultados do balanço dos carmas de cada pessoa, não há injustiça alguma. São, pelo contrário, muito justos.

Desse modo, fomos criados imparcialmente como filhos de Deus, no entanto, nascemos com um destino desigual criado por nós próprios. Nascemos com o destino parcialmente traçado, resultante dos balanços dos nossos carmas do passado, de modo semelhante a uma empresa que, terminado um ano fiscal, inicia um novo ano. Há empresas que iniciam o novo ano transportando o lucro do ano anterior, enquanto outras iniciam transportando o prejuízo. As pessoas que transportam o prejuízo das vidas passadas para esta vida, nascem com um destino infeliz.


Contudo, é possível mudar o destino

Será que esse destino é definitivo? Não, em absoluto. Uma empresa cujas ações até então não chegavam a gerar dividendos, pode entrar num novo período e, com grande esforço da diretoria, mudar seus planos administrativos, tomar medidas positivas e, assim, seus negócios podem se desenvolver de forma favorável, acompanhando o crescimento da economia. Uma empresa que não distribuía dividendos até o período anterior, pode no período seguinte se recuperar e gerar lucro de 10 a 15 por cento.

Da mesma maneira, o destino de um indivíduo também pode melhorar muito conforme a postura mental na vida presente, mesmo que os carmas acumulados nas encarnações anteriores sejam reprováveis. Quando nasce, um terço do destino de uma pessoa já está determinado, exatamente como ela própria definiu no passado, mas outro terço pode ser mudado pra melhor dependendo do esforço empenhado após o nascimento. Ocorre isso também de acordo com a lei "Esforçando-se, tem-se a devida recompensa".

Conta-se, numa antiga história da China, que havia um famoso monge budista muito versado em fisiognomonia. Sempre acertava nas suas premonições baseadas na leitura fisiognomônica. Certo senhor solicitou-lhe uma análise da sua fisionomia e ele prenunciou: "Fique preparado, porque hoje à noite, às tantas horas e tantos minutos, você deixará este mundo". Ciente de que as premonições desse monge sempre davam certo, ele tomou o caminho de volta para casa, já com a mente preparada para aceitar a morte.

Nessa época, essa região havia sofrido uma longa estiagem e o rio estava quase seco, havendo água apenas na parte mais profunda do leito. Na parte seca, havia inúmeros peixes se debatendo, prestes a morrer. Ao atravessar o rio, esse senhor pensou "Coitados! Se continuarem assim, esses peixes morrerão todos. Vou salvá-los" e, pegando cada peixe com as mãos, transportou-os até o lugar onde havia água. Fez isso até anoitecer e, não se sabe quantos, mas salvou um grande número de peixes.

Regressou depois para casa, reuniu a vizinhança e distribuiu tudo o que possuía, porque achou que iria deixar o mundo às tantas horas e tantos minutos dessa noite e não precisaria de mais nada. E, pouco antes da hora pronunciada para sua morte, purificou seu corpo e permaneceu sentado esperando o momento. Contudo, ele não morreu. Não morreu, mas pensou "Espere aí, eu não morri até agora, mas posso morrer a qualquer momento" e permaneceu sentado esperando a morte. Pensava "Houve um atraso de dez a vinte minutos, mas morrerei com certeza, pois as premonições daquele monge sempre dão certo". Assim ficou esperando, porém não morreu até chegar a manhã seguinte.

Ele sentiu fome e pensou em cozinhar arroz para comer, mas, tendo dado tudo que possuía, não encontrou nada. "Que farei agora? Fui enganado por aquele fisiognomonista" – pensou e foi até o templo budista exigir explicações do monge.

– O senhor me disse que eu iria morrer às tantas horas e tantos minutos da noite passada, mas, como não morri, estou passando muitos apuros.

O monge examinou detalhadamente seu rosto e disse:

– É muito interessante! Você deveria morrer, mas, observando agora a sua fisionomia, vejo que está completamente mudada. Que mistério! Seu rosto já não é o mesmo de ontem. Certamente, ontem, no caminho de volta, você salvou muitas vidas.
– Não, não salvei ninguém.
– Salvou sim. pense bem. No caminho de volta, após ouvir minha premonição, com certeza salvou alguém. isso está registrado na sua fisionomia. Pense bem e tente se lembrar. Com certeza você salvou muitas vidas.

O monge insistiu e, pensando bem, o homem se lembrou de que salvara os peixes que se debatiam no leito seco do rio, levando-os para os locais onde havia água.

– Falando nisso, salvei os peixes que estavam morrendo por causa da seca.
– É isso! Como você salvou inúmeras vidas, agora terá de viver mais 30 anos – assim disse o monge.

Desse modo, o destino do ser humano já pode estar definido, porém, não sendo algo peremptório, muda conforme a atitude mental e condutas posteriores.


Caso da pessoa que escapou da pena de morte

Em um livro que escrevi, narro a história do sr. Yoshio Endo, que esteve em combate na ilha Hainan, na Segunda Guerra Mundial, e que, terminada a guerra, foi considerado criminoso guerra e condenado à morte. Após receber a sentença de morte, o sr. Yoshio Endo ficou aguardando a execução da pena, que era realizada pouco a pouco, uma pessoa de cada vez. Certo dia, um capitão, quando se dirigia ao local da execução, jogou na sua cela o volume 6 da coleção A Verdade da Vida e uma transcrição da Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade feita em papel higiênico. O capitão fez isso porque iria ser morto e não tinha mais razão para ficar com o livro.

Curioso, o sr. Endo pegou o livro e viu que era o volume 6 de A Verdade da Vida. Nele consta que a Seicho-No-Ie não é uma religião sectária e que ela prega que todas as religiões convergem a uma única Verdade: "O homem não é corpo carnal, é um ser espiritual". O sr. Yoshio Endo, não tendo o que fazer na cela, leu repetidas vezes esse volume e a transcrição da Sutra Sagrada. Com isso, ele compreendeu que o homem não é corpo carnal, não é matéria. Soube que o corpo carnal é uma espécie de vestimenta da Vida do homem e que existe como um instrumento para realizar um trabalho neste mundo. Adquiriu, então, a convicção de que, mesmo que essa "vestimenta" fosse executada, ele não morreria, porque o corpo carnal não era ele, nada mais sendo que uma espécie de vestimenta dele.

Em diversas partes desse livro, havia recomendação da prática da Meditação Shinsokan, mas ele não sabia como devia proceder, porque o modo de realizar essa meditação está descrito no volume 8 dessa coleção. Lendo, porém, as referências sobre a Meditação Shinsokan encontradas em várias passagens do volume que tinha em mãos, pôde concluir que deveria sentar-se ereto sobre as pernas, juntar as palmas das mãos e entoar o Canto Evocativo de Deus. No papel com a transcrição da Chuva de Néctar da Verdade estava escrito o Canto Evocativo de Deus, e o sr. Endo passou amentalizá-lo compenetradamente, com as mãos postas e os olhos fechados, totalmente absorto na Meditação Shinsokan.

A ilha Hainan está localizada ao sul da China e, sendo uma  região quente, estava infestada de mosquitos aedes aegypti. Permanecendo sentado, quieto, o corpo ficava totalmente coberto de mosquitos, mas, enquanto praticava a Meditação Shinsokan, o sr. Endo não levava uma só picada. Terminada a meditação e movimentando o corpo, os mosquitos saiam voando de uma vez, mas, apesar de ter ficado coberto por eles, não havia levado nenhuma picada. Os percevejos, por sua vez, mudaram-se em "caravana" da cama do sr. Endo para algum outro local e nunca mais o incomodaram. Ocorreram esses fatos extraordinários. Aliás, isso não foi propriamente um milagre, pois mudando-se a mente, muda-se também o destino da pessoa, que antes estava programado para ela ser picada pelos percevejos.

O sr. Endo achava que já deveria estar na hora de ser levado para a execução da pena de morte, mas demorava chegar a sua vez. o carcereiro, antes, o vigiava com olhar prudente e severo; porém, após o sr. Endo começar a praticar a Meditação Shinsokan, passou a tratá-lo com muita gentileza, pois o via sempre com as mãos postas, numa postura piedosa. Certo dia, esse carcereiro lhe disse:

– Sr. Endo, o senhor não será executado.
– Como assim, se já me condenaram à morte?
– É que, sr. Endo, eu vim observando até hoje inúmeras pessoas condenadas à morte, e todas elas revelavam traços da morte no rosto, mas não vejo isso em seu rosto. O senhor enviou a Chiang Kai-shek requerimento de absolvição relatando os fatos que o inocentam?
– Não, enviei para o Exército, mas não para Chiang Kai-shek
– É inútil enviar para o Exército. Esses requerimentos desaparecem no caminho. É preciso enviar diretamente ao governo central de Chiang Kai-shek. Escreva que eu me encarrego de enviar.

O carcereiro disse-lhe isso, gentilmente, e p sr. Endo requereu habeas corpus ao governo central de Chiang Kai-shek, foi absolvido e regressou ao Japão são e salvo. Tomou, então, a decisão de vender sozinho dez mil exemplares do volume 6 de A Verdade da Vida e proferiu palestras em diversos locais.

Esse caso do sr. Yoshio Endo também nos faz compreender que a mudança da mente mudou o destino dele, pois estava destinado a morrer como condenado à pena de morte, e o dia da execução estava bem próximo.


Deus como lei, e deus como personalidade individual

De acordo com o que citei até aqui, compreendemos que um terço do nosso destino depende do acúmulo dos carmas em vidas passadas, e outro terço, dos esforços, boas ações e mudança mental na vida atual. O terço restante pode ser modificado pela correção amorosa de Deus, efetuada por vibrações mentais de espíritos superiores. Espíritos superiores são aqueles que alcançaram altos níveis de aprimoramento, reencarnando inúmeras vezes e efetuando treinamentos no mundo espiritual. Esses espíritos, porém, não podem ser chamados de "Lei que permeia o Universo", pois eles não são Deus. Se fossem lei, seria impossível ocorrer mudanças, pois duas vezes dois seriam sempre quatro. Nisto não há possibilidade alguma de introduzir qualquer mudança por meio de livre vontade ou livre-arbítrio.

Os espíritos superiores possuem personalidade individual e, portanto, a atuação deles não é necessariamente rigorosa como a lei que diz "Duas vezes dois é impreterivelmente quatro". Por exemplo, um veredicto judicial é: "Você tomou emprestado 20 mil ienes, duas vezes, portanto, é preciso devolver 40 mil ienes". Não há nenhum atenuante para esse veredicto. Assim é a lei. Entretanto, sendo o credor alguém que tem personalidade individual, há possibilidade de ele dizer o seguinte: "Emprestei-lhe 20 mil ienes duas vezes, totalizando 40 mil, mas simpatizei-me com sua índole e resolvi não lhe exigir a devolução. Aliás, se precisar de mais dinheiro, me diga que lhe arranjarei".

Desse modo, os espíritos superiores, que têm personalidade própria, corrigem o destino do homem, transcendendo a lei, usando o livre-arbítrio.

Em todas as boas religiões atuam espíritos superiores, em maior ou menos escala. Em consequência, acontecem diversos fenômenos misteriosos que parecem milagres. Ocorrem tais fenômenos porque há a interferência desses "deuses" dotados de personalidade individual. Eles possuem vontade própria e, transcendendo a lei, podem realizar fenômenos misteriosos que contrariam as leis físicas.


O milagre de não se ferir mesmo sofrendo acidentes

Na ocasião do Grande Seminário realizado no Auditório Público Central de Osaka, conheci uma jovem que não se ferira mesmo sendo atropelada por um caminhão. Um dia, quando ela passava de bicicleta no cruzamento de uma rua bastante movimentada, foi atropelada por um caminhão. A roda do caminhão havia passado sobre a sua canela. Contudo, quando foi levada por sua mãe ao médico para ser examinada na sala de raio-X, constatou-se que não havia fratura alguma.

Desse modo, ocorreu um milagre inadmissível segundo as leis físicas. Ocorrem esses milagres porque os espíritos superiores corrigem o destino. Eles possuem força sobrenatural. Não significam que eles transcendam as leis da física e atuam com outra lei. Os espíritos superiores dão apoio físico, ou seja, no exato momento do acidente, eles sustentaram o caminhão de alguma forma, não deixando que o peso recaísse sobre a vítima. Portanto, não há nada de estranho nem misterioso no fato de uma vítima não se ferir. Apenas parece ter ocorrido um fato que contraria a lei da física, porque os espíritos superiores são invisíveis.

Acontecem com frequência essa espécie de correção do destino efetuada pelos espíritos superiores. Em qualquer religião que tenha vida, ou seja, não sendo uma entidade que apenas mantém tradicionalmente resquícios de religião, podem ocorrer esses acontecimentos miraculosos.

Por ocasião do Grande Seminário realizado em Fukuoka, certa pessoa, cujo nome não me lembro agora, não se feriu ao ser atropelada por um bonde. Num Grande Seminário de Kokura, um adepto relatou a experiência de não ter se ferido ao cair da plataforma da estação sobre os trilhos, pois ficou entre a plataforma e o trem. Ocorrem esses fatos concretos porque os espíritos superiores corrigem voluntariamente o destino da humanidade.

Fatos semelhantes ocorreram durante a guerra. Os jovens Oomori e Koji, como também inúmeros outros soldados, não se feriram misteriosamente, mesmo estando sob uma chuva de balas inimigas. Há até casos de pessoas como o sr. Shizuo Amatatsu e o sr. Nobuyoshi Kai que não sofreram nada apesar de terem recebido impacto direto da bomba atômica. Nesses casos, também houve a interferência de espíritos superiores que participam do Movimento de Iluminação da Humanidade. Eles impediram, de alguma forma, que as radiações da bomba atômica atingissem essas pessoas.


Quando a salvação do anjo protetor não atinge a pessoa

Como vimos, professando uma religião que tem vida, somos protegidos por espíritos superiores. Entretanto, mesmo que eles nos estejam protegendo, quando nosso estado mental não está em ordem, essa proteção pode falhar. ocorre isso quando as nossa ondas espirituais não estão em sintonia com as dos espíritos superiores. Eles nos protegem por meio de suas ondas espirituais, assim como se controlam à distância os mísseis intercontinentais. Essa proteção se realiza por meio de ondas espirituais e, quando nossas ondas estão em total harmonia com essas ondas espirituais, há sintonia e eles vêm imediatamente evitar uma tragédia. Se, porém, o nosso estado mental não está em ordem, apesar de desejarem nos proteger, eles não o conseguem, porque não há sintonia entre as nossas e as suas ondas espirituais.


Que é anjo protetor?

Em geral, todos nós nascemos com um anjo protetor. Também é conhecido como anjo da guarda. Logo que nascemos, deus nos designa um espírito bem elevado, que passa a nos acompanhar até a hora da nossa morte. E não se limita a isso. Posteriormente, de acordo com a nossa função ou missão, teremos outros anjos protetores. Quando recebemos missões importantes durante a nossa vida, além do anjo protetor designado a nós na hora do nosso nascimento, outros anjos protetores nos acompanharão em caráter extraordinário, para nos auxiliarem na execução desses missões. Por exemplo, quando alguém é nomeado preletor da Seicho-No-Ie, um espírito superior passa a protegê-lo e presta assistência necessária para ele executar a missão de preletor.

Por esse motivo, quando um adepto recebe a importante missão de orientar na qualidade de preletor, inúmeras pessoas que sofrem com problemas de saúde ou subsistência, ou de relacionamento familiar, procuram-no pedindo orientação e, enquanto ele dá orientação respondendo às indagações do consulente, palavras extraordinárias que, jamais surgiriam do cérebro dele, começam a surgir em sua mene. Dizendo essas palavras ao consulente, este soluciona seus problemas. com certeza, os preletores que têm orientado as pessoas, tiveram esse tipo de experiência. Ideias, que em ocasiões normais jamais surgiriam em sua mente, apareceram de repente e eles puderam dar conselhos que realmente salvaram o consulente, impressionando-o muito.

Em tais ocasiões, a ideia não surgiu do cérebro do preletor. Foi o anjo protetor que, trabalhando à serviço de Deus, transmitiu esse pensamento à mente dele. É preciso, então ao salvar as pessoas, sempre glorificar a Deus, pensando humildemente "Sou uma trombeta de Deus que divulga estes ensinamentos". Por isso, Cristo disse: "O Filho não pode de si mesmo fazer coisa alguma, mas somente o que vir fazer o Pai". Que dizer que "Eu próprio não possuo capacidade para salvar os outros, mas o Pai do céu que está em mim faz-me orientar as pessoas e curar suas doenças".

Portanto, as atividades do Movimento de Iluminação realizada pelos senhores não são feitas apenas através de seus corpos carnais, mas junto com espíritos superiores, que trabalham para realizar as obras de Deus. Por isso conseguem elaborar grandiosos trabalhos. Entretanto, se o estado mental de alguém se tornar negativista e deixar de sintonizar com o espírito superior, este não conseguirá realizar atividades de proteção a contento. Portanto, se os senhores mantiverem sempre a mente purificada a fim de emitirem vibrações mentais que possibilitem entrar em sintonia com os espíritos superiores, prontos a se dedicarem sinceramente à missão com a convicção "Darei a vida para realizar o ideal", perceberão com sensibilidade cada vez maior as atuações do espírito superior e realização magníficos trabalhos.


segunda-feira, março 05, 2018

Descortinando a nossa Natureza Divina - 10/11

- Masaharu Taniguchi - 


COMO VIVER A VERDADE VERTICAL E A VERDADE HORIZONTAL

Em que consiste basicamente a doutrina da Seicho-No-Ie? Ela é constituída de "Verdade horizontal" e "Verdade vertical". A "Verdade horizontal" é a de que o mundo fenomênico não é existência real, sendo mera projeção da mente e, portanto, nele podemos manifestar qualquer situação, seja prosperidade ou pobreza, saúde ou doença, felicidade ou desgraça, segundo nossa própria atitude mental. A "Verdade vertical" é a de que o ser humano é filho do Ser Supremo, sendo, portanto, dotado de Vida infinita, sabedoria infinita e todos os demais atributos do Pai, perfeição essa inerente à sua Imagem Verdadeira. Dito isso, agora esclarecerei algumas questões importantes em uma carta que recebi.


A questão da "inexistência da mente"

Li sua carta e me emocionei com a profundidade da sua fé. Segundo consta nessa carta, ultimamente os preletores da Seicho-No-Ie, que realizam palestras e orientações em diversos locais, não pregam muito a Verdade Vertical "O homem é originariamente filho de Deus, saudável, perfeito, sem doenças e infortúnios". Eles pregam que "Tal doença é projeção de tal estado mental" ou "Sem curar a mente, não adianta dizer que o homem é filho de Deus, pois não conseguirá curar-se de doença alguma", dando a entender que a mente humana cura a doença. Ouvindo esses preletores, reforçando apenas a Verdade horizontal, você diz que estão invertendo a ordem dos valores. E você próprio tem realizado inúmeras curas sem tocar na Verdade horizontal de cunho psicanalítico, dizendo categoricamente "O homem é filho de Deus, a doença não existe, o corpo carnal não existe, nem mesmo a mente existe. Se a mente não existe, não é preciso se preocupar com o que ela pensa. Não é preciso temer nada". Diz ainda que "A força que cura não está na mente do homem, pois só existe Deus e só Ele cura". Considero essas experiências realmente valiosas.

Na sutra Kan Fugen Bosatsu Gyoho consta "Não há mente para contemplá-la", referindo-se à inexistência da mente, e "O darma não está dentro do darma", referindo-se à Verdade de que "A matéria não existe como matéria". Significa que a imagem que aparece na tela do cinema (darma) não está dentro da imagem projetada na tela (darma), pois existe unicamente a Imagem Verdadeira.

O budismo prega com frequência a inexistência da mente e conta que o sacerdote budista Eka procurou certo dia o mestre Dharma e solicitou-lhe:

– Mestre, minha mente vive confusa, cheia de ilusões, e não consigo me livrar dessa situação. Por favor, retire essa ilusão da minha mente.
– Traga aqui essa mente cheia de ilusões que eu lhe retirarei as ilusões – respondeu o mestre Dharma.
Eka foi em busca dessa mente iludida, mas, não a encontrando em parte alguma, disse ao mestre:
– Fui buscá-la, mas não a encontrei.
Então, disse Dharma:
– Eu já o tranquilizei.

Ele quis dizer com isso que não adianta procurar a mente iludida que ninguém a encontrará, pois ela não existe. Se alguém fica confuso é porque pensa que ela existe e fica apegado a essa mente. Ao conscientizar que a mente em ilusão não existe e desligar-se dela, desaparecerão todos os sofrimentos.

Como vemos, o budismo também prega a inexistência da mente e parece-nos que a explicação acima nos convence disso, mas, pensando mais profundamente, ainda não compreendemos o fato se a mente existe ou não.

Ao aprenderem "Conscientize que a mente confusa não existe e desligue-se dela que todos os sofrimentos e angústias desaparecerão", muitas pessoas deixaram de se agarrar à mente que sofre e conseguiram sentir paz espiritual, com o que desapareceram os sofrimentos e as doenças.

Contudo, o que é que admite a inexistência da "mente que sofre" e se desliga dela? "Admitir" ou "se desligar" é uma ação da mente. É a mente que admite e se desliga. Então, não é que a mente inexista – ela existe e é ela que admite.

Conclui-se com isso que, ao se manifestar a mente que sofre, existe uma mente que se desliga dela admitindo que a mente que sofre não existe. Ao saber que essa "mente que se desliga" também não existe, a pessoa se sentirá totalmente liberta e esclarecida? Irá concluir, certamente, que saber ou admitir também são questões da mente e, portanto, terá de admitir que também essa mente não existe e, por mais que repita esse raciocínio/processo, ficará dando voltas eternamente no mesmo ponto.


É suficiente conhecer apenas a Verdade vertical?

Interrompendo a explicação acima, vamos ponderar sobre as suas experiências de curar muitas pessoas enfermas dizendo-lhes categoricamente que "O homem é filho de Deus. A doença não existe, o corpo carnal também não existe, nem mesmo a mente existe. Se a mente não existe, não é preciso se preocupar com o que ela pensa. Não é preciso temer nada".

Já que ocorre isso, você afirma que não há necessidade de ensinar a lei mental, nem explicar com detalhes a Verdade horizontal dizendo "Se não mudar a mente, não conseguirá curar sua doença", bastando que transmitam a Verdade vertical "O homem é filho de Deus, e a doença não existe", pois, não existindo, ela desaparece. Com razão, para determinadas pessoas, é suficiente falar da Verdade vertical "O homem é filho de Deus, perfeito e maravilhoso".

Na Academia de Treinamento Espiritual de Tobitakyu, pertencente à Sede Internacional da Seicho-No-Ie, têm ocorrido inúmeras curas de viciados em Philopon (uma espécie de estimulante) e de diversos outros vícios, pregando somente a Verdade vertical "O homem é filho de Deus, perfeito e maravilhoso".

Se ficarmos explicando às pessoas o modo de corrigir a mente, dizendo "Corrijam essa mentalidade errada", elas se apegarão mentalmente a esses defeitos da mente e, apegando-se a esses defeitos, eles se solidificarão e não desaparecerão. Ou, então, as pessoas passarão a sentir revolta contra o orientador que diz para se corrigirem e aumentarão mais ainda os defeitos da mente. Por essa razão, quando a pessoa ouve "O homem é filho de Deus, perfeito e maravilhoso", deixa de se apegar à mente errada e volta seu pensamento para a Imagem Verdadeira maravilhosa e perfeita. Desse modo, a mente errada que causa vícios e doenças desaparece por completo, sendo natural que ocorra a cura de viciados em Philopon, como também o desaparecimento de diversos vícios e inúmeras doenças pregando apenas a Verdade vertical "o homem é filho de Deus, perfeito e maravilhoso".


Salvação pela própria força e salvação pela força alheia

Não significa, porém, que não haja necessidade de pregar sobre a lei mental. Se o nosso objetivo fosse apenas salvar certos doentes e viciados, muita vezes seria suficiente pregar a Verdade vertical "Homem, filho de Deus, perfeito", mas é importante que as pessoas empenhem seus esforços em limpar as nódoas de suas mentes, refletindo sobre suas condutas.

Há duas maneiras de limpar as nódoas da mente: desligar-se da mente ou observá-la fixamente e esforçar-se para eliminar os defeitos mentais. Essa é uma questão que os budistas vieram debatendo desde a Antiguidade, e os que defendem a salvação pela força alheia entregam-se totalmente à força de Amida (Imagem Verdadeira), não dando maior importância à reflexão e ao esforço próprio. Em consequência, usavam o método de "desligar a mente da mente" a fim de "eliminar todos os sofrimentos e infortúnios" (nascer na Terra Pura). Entretanto, no Shodomon (salvação pela própria força) davam maior importância à reflexão, ao esforço, ao disciplinamento pessoal.

Contudo, na seita zen-budista, pertencente ao Shodomon, era uma questão de grande importância saber escolher entre esforçar-se para limpar as nódoas da mente fazendo uma reflexão, ou voltar a mente para a Imagem Verdadeira originalmente pura e limpa. Portanto, é absolutamente natural que haja preletores da Seicho-No-Ie que se dedicam à salvação dos semelhantes dando maior importância à aplicação da lei mental, enquanto outros enaltecem a Imagem Verdadeira originalmente pura e limpa do homem.

No preceito nº 23 do livro Mumonkan, escritura mais importante da seita zen-budista, consta o koan (questão para meditação no zen budismo): "Não pense no bem nem no mal". O quinto patriarca Hung Jen, já idoso, reuniu seus discípulos e pediu: "Componham uma estrofe relacionada ao despertar espiritual que cada um atingiu. Certamente o autor da melhor obra será o meu sucessor". Shen Hsiu, o primeiro entre seus discípulos, compôs uma estrofe que dizia:

O corpo é a árvore Bodhi,
a mente é como um espelho polido.
Deves ter o cuidado de limpá-lo constantemente,
não permitindo que um único grão de pó
possa manchá-lo.

Hui Neng compôs os seguintes versos e os apresentou:

Em princípio Bodhi não é uma árvore,
o espelho limpo não está em parte alguma.
Fundamentalmente, nada existe:
Onde está, então, o grão de pó?

A primeira composição se refere à lei mental (Verdade horizontal) e significa que a mente deve ser mantida sempre pura e limpa através de reflexões e esforços. Equivale aos preletores da Seicho-No-Ie que pregam a Verdade horizontal dizendo: "De nada adianta afirmar que o homem é filho de Deus, como se já tivesse alcançado a iluminação, se não mudar a mente. É primordial que cada um reflita sobre sua postura mental e mantenha a mente sempre correta e limpa".

Entratanto, Hui Neng compôs uma estrofe que significa "O homem é filho de Deus, e não existem fundamentalmente o corpo carnal, a matéria nem a mente. Então, que necessidade teremos de nos esforçar para limpar os grãos de pó?". Equivale aos preletores da Seicho-No-Ie que pregam a Verdade vertical de que só Deus é o princípio de tudo, nada existindo além d'Ele. Não se pode definir qual dessas Verdades é superior, pois, quanto à profundidade sobre a Imagem Verdadeira, é a Verdade vertical, mas quanto à explicação ampla que faz do fenômeno, é a Verdade horizontal.


A comunhão entre a  força própria e a força alheia

Hung Jen, em primeira instância, considerou Hui Neng pessoa apropriada para ser o sexto patriarca. Hui Neng fundou a Escola do Sul, mas Shen Hsiu foi um insigne mestre zen que foi venerado como mestre fundador da Escola do Norte e o erudito sacerdote de Jiang Ling Toyosan.

A Seicho-No-Ie prega ambas as Verdades, a vertical e a horizontal, adequando-as a cada pessoa. Quanto à opção de dar maior importância a uma dessas Verdades, depende do temperamento do preletor, mas, conforme a pessoa, orienta-se reforçando a Verdade vertical homem-filho-de-Deus e, em outras vezes, orienta-se pregando a Verdade horizontal a fim de induzi-la à reflexão mental.

O missivista critica o fato de os preletores da Seicho-No-Ie pregarem dando maior importância à lei mental, mas há ocasiões em que a explicação sobre a lei mental, que é a Verdade horizontal, faz com que os ouvintes compreendam melhor a Verdade vertical "O homem é originalmente filho de Deus, perfeito e harmonioso".

Por exemplo, ao orientar uma pessoa que tem doenças manifestadas em seu corpo, o preletor lhe diz: "O homem é filho de Deus, Deus é absolutamente perfeito, é Amor infinito, Sabedoria infinita, Força infinita e não criou algo imperfeito como a doença. Portanto, a doença não existe". Mas, que fará ele se a pessoa retrucar "A doença existe aqui em meu corpo. Isso comprova que a doença existe e que Deus perfeito não existe"? Se, nesse caso, não lhe explicar sobre a lei mental, não conseguirá esclarecer por que a doença se manifestou como se existisse de fato, e desencadearia uma discussão interminável sobre a existência ou não de um Deus perfeito.

No entanto, fazendo com que a pessoa reflita dizendo-lhe, por exemplo, que "Não foi um Deus imperfeito que criou a doença. Foi sua mente que se iludiu e criou a doença. A medicina Psicossomática atual comprova isso. Quando a mente fica irada e sente ódio, ocorre uma secreção anormal de hormônios pela hipófise e pelo córtex adrenal, desequilibrando as funções fisiológicas do organismo, o que ocasiona a doença. Não estaria você odiando alguma pessoa do sexo feminino? As articulações do lado direito representam a mulher", ela perceberá o erro de estar odiando alguém do sexo feminino e efetuará a Meditação Shinsokan de reconciliação. Desse modo, ficará curada das dores articuladas do lado direito (ocorre isso com frequência).

A pessoa, então, perceberá que Deus não criara as dores que sentia nas articulações, e sim que eram produto da sua própria mente, portanto, que ela fora a responsável por esse estado físico, e não Deus. Vendo o fato de ter recuperado a saúde ao eliminar as nódoas da mente, despertará para a Verdade de que a sua Imagem Verdadeira criada por Deus é perfeita e maravilhosa.

Em suma, nesse caso, pregou-se a Verdade horizontal "O fenômeno é sombra da mente" para elucidar a Verdade vertical "O homem é filho de Deus, originariamente perfeito e harmonioso". Por isso, a Seicho-No-Ie salva as pessoas pregando livremente ambas as Verdades, a vertical e a horizontal.


Pregar a Verdade de modo absolutamente livre

Entretanto, se reforçarmos muito a lei mental, a pessoa ficará presa à mente e fará com que se solidifiquem seus defeitos mentais, o que a impedirá de alcançar a libertação. Para evitar isso, pregamos a inexistência da mente. Essa mente que não existe não é a mente da Imagem Verdadeira e sim a mente em ilusão. É a mente inquieta, e não a  mente serena e límpida.

Se ao ouvir sobre a inexistência da mente, a pessoa pensar que nenhuma mente existe, estará enganada. A mente inquieta como ondas do mar não é uma Realidade, sendo apenas um estado manifestado temporariamente quando está inquieta, ou quando se apega a essas ondas. Se a mente se tornar límpida e serena, manifestando a mente fundamental (mente da Imagem Verdadeira), a mente inquieta como ondas do mar retornará ao nada originário, comprovando sua inexistência. Usamos a palavra mente tanto para a mente inquieta quanto para a mente da Imagem Verdadeira, podendo gerar confusões. É preciso saber distingui-las.

mente da frase "Não há mente para contemplá-la" refere-se à mente inquieta como ondas do mar (mente ilusória). Se contemplarmos com a mente límpida, serena e imparcial, não haverá mente ilusória. Contudo, a mente da frase "A mente tal qual é, é o próprio Buda", refere-se à mente da Imagem Verdadeira.

Quando a Ciência Cristã ou a New Thought se refere à mente da Imagem Verdadeira, usa a letra inicial maiúscula – Mind – e, quando se refere à mente ilusória humana ou ao pensamento, escreve-se false-mind ou simplesmente mind, com letras minúsculas.

Você escreveu que "Não é a mente humana que cura a doença. Apenas Deus a cura", mas essa expressão "Apenas Deus cura a doença", também é metafórica, não sendo verdadeira. Parece-me que você é adepto da Ciência Cristã, mas a sra. Eddy disse: "A doença não existe porque Deus não a criou". Como é que Deus poderá curar uma doença que não existe? Se ela não existe, não existe cura também. Isso está de acordo com o que consta na Sutra da Sabedoria: "Não existem velhice nem morte, logo, não há como eliminá-las". Não obstante, prega-se "Deus cura a doença", usando uma expressão metafórica.

Contudo, a expressão "A mente cura a doença" é mais racional e científica, visto que a recente Medicina Psicossomática também está comprovando que estados mentais de ira, ódio, de temor, etc., provocam doenças. O homem é fundamentalmente saudável, mas manifesta-se doente quando sua mente errada encobre a superfície da Imagem Verdadeira saudável, tal como as nuvens, e a esconde. A Imagem Verdadeira saudável existe sempre e é imutável, mas, quando a doença se manifesta, ocorre o mesmo que acontece com a lua cheia, que sempre existe redonda e iluminada, porém manifesta-se cheia de manchas quando há nuvens encobrindo-a. A lua nada faz para retirar essas nuvens. São as nuvens (mente sombria) que se afastam fazendo com que a brilhante lua cheia (a saúde originária) se manifeste. Portanto, seria mais racional dizer que a mente cria e cura a doença.

A sra. Eddy também disse que os erros mentais criam doenças e que as pessoas morrem tomando arsênico porque a mente da humanidade acredita que essa substância química tem poder de causar dano ao corpo humano, e essa crença se manifesta. Ela, portanto, não nega o poder da mente. Ao elucidar o desempenho da mente, está, ao contrário, comprovando a existência da Imagem Verdadeira eternamente perfeita no âmago da mente.

Os preletores devem se esforçar para eliminar as ilusões mentais das pessoas, pregando livremente ora a Verdade vertical, ora a Verdade horizontal. Assim, devem pregar de maneira diversa de acordo com a conveniência, e é incorreto uma terceira pessoa observá-los de lado e tecer críticas injustas a respeito deles.


sexta-feira, março 02, 2018

Descortinando a nossa Natureza Divina - 9/11

- Masaharu Taniguchi - 


A CURA PELA GRATIDÃO A TODAS AS COISAS DO UNIVERSO

Ao curar uma doença, os medicamentos curam outras

A descoberta de novos medicamentos oferece à humanidade esperança de extinção das doenças. É uma esperança acalentadora, mas, apesar de visualizarmos sinais de concretização, ainda não é definitiva. Não há dúvida de que, com a descoberta da sulfa, de novos antibióticos, de novas vacinas e com o progresso da tecnologia farmacêutica que reduz os efeitos colaterais dos remédios, tornou-se possível aniquilar ou impedir a proliferação das bactérias, fungos e vírus, considerados grandes causadores de doenças na humanidade.

Apesar do progresso da farmacologia atual, é Verdade imutável o que consta nos volumes 1 e 2 da coleção A Verdade da Vida: "Ao curar uma doença, os medicamentos criam outras. Por isso, o melhor método para curar doenças é usar a força vital alojada em cada pessoa, sem depender de medicamentos". E nesses volumes estão publicados diversos casos verídicos de pessoas que conseguiram se curar através da força vital.

Dentre as pessoas que leem A Verdade da Vida com a intenção de obter a cura de suas enfermidades, são muitas as que ignoram o que consta na "Revelação Divina do Acendedor dos Sete Candeeiros". Apesar de terem lido nessa Revelação o ensinamento: "Reconcilia-te com todas as coisas do céu e da terra. (...) Reconciliar-se com todas as coisas do Universo significa agradecer todas as coisas do Universo. (...) A reconciliação verdadeira será consolidada quando houver recíproco agradecer", procuram apenas colocar em prática a parte do livro que diz "Em vez de confiar nos medicamentos, confie na força vital alojada em seu interior", porque assim não gastam dinheiro com remédios. É um erro, portanto, criticar o ensinamento "Confie na força vital", alegando que não se curou apesar de ter abandonado os remédios e confiado na força vital.

O objetivo do livro A Verdade da Vida não é, em absoluto, o de curar doenças, e sim o de libertar a Vida alcançando a iluminação espiritual. A doença, em certo sentido, surge quando a Vida da pessoa fica amarrada a algo – geralmente às ilusões da mente e ao modo errado de viver –, assim encobrindo e ocultando a Imagem Verdadeira da Vida, fazendo com que o trabalho da força vital se manifeste de modo imperfeito, em forma de sintomas de doença.

Se ao ler A Verdade da Vida, a pessoa se conscientizar da perfeição absoluta da Vida e, ao mesmo tempo, retirar as ilusões mentais (ira, ódio, rancor, tristeza, ciúme, inveja, ganância, confusão sentimental) que encobriam e ocultavam a perfeição da Imagem Verdadeira, passando a agradecer realmente a todas as coisas do Universo, manifestará a perfeição da Imagem Verdadeira, e a doença desaparecerá ao confiar nessa perfeição. Um doente não só se livrará da doença, como também passará a ter experiências agradáveis e felizes, que podem ser consideradas milagrosas.

Entretanto, mesmo abandonando os medicamentos e passando a confiar na força vital, se essa força estiver encoberta pelas ilusões e totalmente enfraquecida, de nada adiantará confiar nela. Por isso, a pessoa deve antes colocar em ordem o estado mental, a fim de retirar as ilusões que estão encobrindo a força vital.

A seguir, transcrevo um trecho de uma carta que recebi há pouco tempo de certo adepto. Nela consta que experiências milagrosas começaram a ocorrer, uma após a outra, quando sua mente se abriu totalmente ao ler A Verdade da Vida.

"Reverências. Apesar do calor intenso do final de verão, o senhor, Mestre, está se dedicando incansavelmente à sagrada obra de salvação da humanidade, e nós, que recebemos seus ensinamentos, não encontramos palavras de agradecimento.

No ano de 1938, quando tinha 18 anos de idade, meu irmão me enviou um volume da obra 'A Verdade da Vida' e, desde então, embora com alguns altos e baixos, venho até hoje me orientando por esses ensinamentos. Nesse ínterim, tive inúmeras experiências milagrosas, mas, há três anos, talvez porque acabei me acostumando com os ensinamentos, contraí pleurite traumática que se transformou em tuberculose pulmonar e perdi o emprego.

Resolvi começar, desde o início, a aplicar docilmente os tratamentos químicos, que vinha repudiando até então, considerando-os manifestação de amor do médico e dos meus familiares. Após meio ano, porém, surgiram efeitos colaterais da estreptomicina e do PAS e, conversando com o médico, resolvi interromper os tratamentos químicos a que vinha me submetendo. Quando assim passei a estudar e a praticar os ensinamentos com muita seriedade, houve melhora sensível, e agora recuperei totalmente a saúde.

Jamais considerei esses valiosos ensinamentos como instrumento para curar a doença, mas pude, com esta experiência, reconsiderar a profundidade e a grandiosidade dos ensinamentos pregados pelo Mestre e, ao mesmo tempo, convenci-me de que o objetivo da vida é viver segundo estes ensianmentos. (...)" (Sr. Hirotaka Izumi, Província de Miyagi)


A doença desaparece ao confiar na perfeição da Imagem Verdadeira

Conforme expressado nesta carta, no início, logo após ler A Verdade da Vida, quando a mente ainda se mantinha em estado iluminado e liberto, o adepto teve inúmeras experiências milagrosas, mas, quando se acostumou com os ensinamentos, adoeceu e perdeu o emprego. Este é um ponto que merece atenção redobrada.

Nota-se que, quando a pessoa diz "Li dezenas de vezes a obra A Verdade da Vida e já entendi suficientemente a Verdade homem-filho-de-Deus", ainda lhe falta algo. Acostumar-se com os ensinamentos significa deixar de considerá-los novidade, perder aquele interesse vívido do início, passar a professar a fé apenas formalmente.

Há pessoas que pensam "Já li e conheço A Verdade da Vida, pois cheguei a ter inúmeras experiências milagrosas" e passam a levar uma vida negligente. Em consequência, esse estado mental negligente manifesta acontecimentos infelizes e, no final, a pessoa abandona a Seicho-No-Ie dizendo que A Verdade da Vida não surtiu o efeito desejado. Não significa, porém, que A Verdade da Vida não tenha surtido efeito, e sim que a pessoa se acostumou com os ensinamentos. Uma pessoa que esteve mergulhada no fundo do mar num submarino durante longo tempo, sentirá, ao subir à tona, o quanto é agradável e gratificante respirar o ar a céu aberto, mas a maioria das pessoas não nota isso porque vive sempre num ambiente repleto de ar.

De modo idêntico, logo ao ler A Verdade da Vida, a pessoa toma contato pela primeira vez com a grande Verdade homem-filho-de-Deus, sente imensa gratidão, igual à que se sente ao respirar ar puro. De acordo com o nível desse estado mental, ocorrem inúmeros acontecimentos milagrosos, mas, muitas vezes, esse entusiasmo inicial acaba se transformando em mera formalidade. Por exemplo, no começo a pessoa toma a refeição após agradecê-las sinceramente e reverenciá-las com as mãos postas, mas isso vai se transformando em mera formalidade, e ela passa a apenas juntar rapidamente as mãos. Desse modo, o dia-a-dia vai perdendo seu sentido religioso mais profundo, resumindo-se em meras atitudes formais.

Esses seguidores da Seicho-No-Ie que se esqueceram do sentido religioso das suas vidas, deixaram de ser adeptos, apesar de continuarem como tal. A Verdade homem-filho-de-Deus pode estar na memória da pessoa por ter lido outrora sobre isso, mas lembrar-se simplesmente é diferente de ter adquirido a convicção de ser filho de Deus.

O sr. Izumi em questão decidiu recomeçar, desde o início, a aplicar os ensinamentos na sua vida. Certamente, ele releu A Verdade da Vida desde o começo e, sem sem limitar à compreensão racional, adequou seu estado mental aos ensinamentos e se esforçou para vivenciar a Verdade, tal qual sentia.

Relendo A Verdade da Vida, compreendeu que ela continha a filosofia da absoluta negação – que prega a inexistência da matéria, do corpo carnal, da doença, do mal, do pecado, do tempo e do espaço, etc. – e, apesar de os remédios também serem inexistentes por serem matéria, ultrapassou essa negação e atingiu a afirmação de nível mais elevado: "A matéria não é matéria, e a isto se diz inexistência da matéria", "O corpo carnal não é corpo carnal, e a isto se diz inexistência do corpo", "A doença não é doença, e a isto se diz inexistência da doença".


A gratidão e a força vital interior

Enquanto considerarmos a matéria apenas matéria, não sentimos gratidão aos alimentos nem à água. Entretanto, quando compreendemos que não são mera matéria, mas expressões da Vida, da Sabedoria, do Amor de Deus, e que, para podermos utilizar esses elementos materiais, foram acrescentadas a vida, a sabedoria e o amor de muitas pessoas, sentimos real gratidão.

Em suma, quando compreendemos que a matéria não é simples matéria, mas a própria consolidação da Vida, da Sabedoria e do Amor de Deus e dos homens, sentimos real gratidão por todas as coisas do Universo. É esse sentimento de gratidão que amplia a força curativa da Vida interior. O sr. Izumi resolveu aceitar com gratidão os tratamentos médicos, não no sentido de confiar na matéria, mas reconhecendo o amor das pessoas ao seu redor.

O sr. Izumi se harmonizou com os familiares, com o médico e tomou os medicamentos, mas manifestou-se nele o que está escrito n'A Verdade da Vida: "O remédio cura uma doença criando outra (distúrbios físicos provocados pelos efeitos colaterais)". Ele, então, conversou com o médico, interrompeu os tratamentos químicos e se empenhou com maior seriedade no estudo e na prática dos ensinamentos. Com isso, melhorou consideravelmente o seu estado físico e hoje recuperou totalmente a saúde.

A mesma pessoa professou os mesmos ensinamentos de A Verdade da Vida, mas, de acordo com as mudanças do seu estado mental, em certo momento teve experiências milagrosas, em outro, adoeceu e, posteriormente, recuperou a saúde abandonando os remédios.

Na coleção A Verdade da Vida, está escrito para abandonar decididamente os remédios quando o doente não se curar apesar do longo tempo com medicamentos. Apresenta casos de distúrbios físicos causados por efeitos colaterais de remédios e diz que, abolindo-os, a pessoa libera a força vital reprimida pelos efeitos colaterais e facilita a cura. E também está escrito que, se a matéria não existe originalmente, não há necessidade de se esforçar em deixar de tomar remédios. O tratamento médico recomendado pelas pessoas de seu convívio é manifestação do amor delas, portanto, o paciente deve aceitar os remédios com gratidão, sem considerá-los simples matéria, mas como o próprio sentimento de amor dessas pessoas.

Como há leitores de todos os níveis, consta nessa coleção ensinamentos hinayana adequados a cada pessoa, e também ensinamentos mahayana que conduzem ao despertar fundamental. Conforme o estado mental da pessoa, é diferente o ponto do ensinamento que lhe toca, mas, ainda que seja a mesma pessoa, como ocorreu com o sr. Izumi, são diferentes os benefícios recebidos, de acordo com o estado mental manifestado em cada ocasião.

O despertar espiritual "Matéria é nada, corpo é nada" corresponde ao "Despertar penetrando no koan inexprimível" do zen-budismo, e, quando a pessoa alcança realmente esse estado espiritual, adquire a liberdade absoluta. Isso porque, o que tira a liberdade da nossa Vida é a sensação de que a matéria e o corpo físico existam, mas, com esse despertar, desaparecem repentinamente as barreiras da matéria e do corpo. Assim, apesar de a matéria e o corpo continuarem manifestados, a pessoa não será dominada por eles e viverá em total liberdade.


terça-feira, fevereiro 27, 2018

Descortinando a nossa Natureza Divina - 8/11

- Masaharu Taniguchi - 


SOBRE A EXISTÊNCIA OU NÃO DA ALMA

O carma e a alma

Recebi uma carta do sr. Yoshio Muramatsu dizendo o seguinte:

Os budistas, em especial, que não admitem a individualidade substancial do ser humano, criticam as novas religiões que admitem Deus e que a alma continua existindo após a morte do corpo, taxando-as de heréticas e inferiores, evitando uma ponderação mais profunda. Noto que há certa contradição no conceito da alma pregado pela Seicho-No-Ie. É de conhecimento geral que o budismo prega que os mundos do passado, presente e o futuro estão ligados pela lei da causalidade e que as consequências dos carmas desta vida podem aparecer durante esta vida, ou durante a próxima, ou durante a vida posterior à próxima. Observando também o fato de encontrarmos nas escrituras budistas passagens que fazem referência a entes espirituais, não creio que o budismo negue categoricamente a existência das almas.

Além disso, como a Seicho-No-Ie nega claramente a existência das almas fenomênicas, afirmando "o fenômeno não existe, existe apenas a Imagem Verdadeira", pode-se concluir por outro lado que está de pleno acordo com os ensinamentos de Buda, não havendo qualquer contradição. Apenas acho que a Seicho-No-Ie deu um salto maior ao fazer a distinção entre o fenômeno e a Imagem Verdadeira (Jisso), negando categoricamente a existência do fenômeno, mantendo a conotação do pensamento budista que prega o vazio, o nada, a inconstância, a negação do ego.

Desejo, contudo, receber melhores esclarecimentos acerca da seguinte questão: está correto interpretar o carma, pregado no budismo, por "alma", e a reencarnação por simples "transmigração do carma"?

No volume 6 da coleção A Verdade, expliquei sobre a questão do carma e da alma, fazendo um paralelo com a teoria budista da transmigração do carma, e peço que o leiam.

O sr. Yoshio Muramatsu é um adepto bastante antigo, e noto, através desta carta, que ele tem uma compreensão profunda dos ensinamentos, visto que, está admitindo a alma fenomênica, embora originalmente fosse partidário da não existência da alma.

Se o budismo fosse uma doutrina que simplesmente nega a existência da alma, não pertenceria ele a seita Jodo-shinshu que ensina "Pronunciando constantemente o nome de Amida Buda, a alma da pessoa irá, após a morte, para o paraíso". E os sacerdotes dessa seita que oram pela tranquilização da alma e recebem donativos lendo sutra aos mortos, estariam praticando fraude.

E, se não existisse a alma que renasce, a história de Amida Buda – que na encarnação anterior, quando era Bodhisatva Hozo, fez 48 promessas e efetuou treinamentos espirituais durante longos e longos anos, alcançando finalmente a iluminação, tornando-se Amida Buda que estabeleceu o paraíso do leste – seria um conto de fadas, e não uma Verdade que salva.

Se não existisse a individualidade substancial, quem teria passado por treinamentos durante longos e longos anos? Se não existisse o eu que se adestra, havendo apenas o carma, o treinamento espiritual, que vai se transmigrando, seria semelhante a um veículo que corre sozinho, sem motorista nem passageiros. Estaria correndo sem objetivo definido e jamais chegaria a algum fim.

Se o treinamento espiritual efetuado durante um tempo infinitamente longo fosse efetuado sem a presença do motorista (a individualidade substancial), portanto, sem objetivo definido, não haveria coerência nas práticas realizadas e, naturalmente, o objetivo de consumar as 48 promessas não seria atingido. Fica, então, evidente que existiu a personalidade de Amida Buda (a individualidade substancial que, após deixar um corpo carnal, reencarna em outro) que utilizou inúmeros adestramentos para chegar a um objetivo coerente e que colheu os seus méritos.

Se Amida Buda não possuísse essa personalidade, os adeptos da seita Jodo-shishu estariam pronunciando o nome de Amida Buda com que objetivo? O budismo, portanto, não é absolutamente uma doutrina que nega a existência da alma. Entretanto, na Índia da época em que surgiu Sakyamuni, proliferava o bramanismo, cuja doutrina prega: "Brahma, o Deus onipotente, criou o mundo a seu bel-prazer". Sakyamuni, porém, negou isso dizendo: "Não existe tal Deus criador que construiu o céu e a terra com a Sua força onipotente". Ele não aceitou a ideia de que Deus criador construiu algo usando ingredientes materiais como um ceramista que produz um objeto de cerâmica, e não negou a existência da mente que dá origem a tudo.

"Mugoku no tai" (Substância Real ou Eu Verdadeiro)

Shohô-muga, shogyô-mujô, nehan-jyakujô – são os três tópicos do darma no budismo hinayana (pequeno veículo). "Shohô" significa diversos fenômenos, e "muga" significa inexistência do eu. No mundo fenomênico inexiste o eu substancial porque é um mundo semelhante a um filme, cujos personagens, por exemplo, Helena de Tróia, são simplesmente sombra, não tendo personalidade viva. As pessoas do mundo fenomênico podem ser comparadas aos personagens da tela de um televisor: só "existem" enquanto estão aparecendo na tela, e deixam de existir quando sua imagens desaparecem.

Entretanto, no outro lado do televisor estão o apresentador e os atores em carne e osso. De modo similar, o mundo fenomênico é inconstante e nele não existe o eu substancial. Por trás do fenômeno é que existe o eu absolutamente sublime. Referindo-se a isso o budismo ensina que, quando nascermos no paraíso, adquiriremos o mugoku no tai. "Goku" significa limites fenomênicos. "Mugoku", portanto, significa ausência de limites fenomênicos. Então, conclui-se que "mugoku no tai" é a substância (corpo real) que transcende todas as limitações fenomênicas, ou seja, o Eu verdadeiro, o Buda. O mundo fenomênico é uma "projeção", e seria natural que um personagem projetado não possua individualidade substancial. O personagem parece estar se movimentando, mas, assim como as imagens do cinema ou da televisão, não passa de alternância de luzes e sombras.

No mundo fenomênico não existe a individualidade substancial, mas não significa que ela não exista também no homem da Imagem Verdadeira. Quando nos referimos ao homem fenomênico, pregamos que inexiste o eu, mas, quando nos referimos ao homem da Imagem Verdadeira, pregamos a existência do Eu perene, feliz e puro. Na Sutra do Nirvana consta "Existe o eu nas 25 existências ilusórias e essa é a imagem do Iluminado". Por "imagem do Iluminado" entende-se a natureza búdica que se manifesta do Iluminado. As 25 existências ilusórias fazem parte do mundo fenomênico onde reencarnamos (mundo da existência temporária), e podem ser classificadas a grosso modo em seis caminhos que, em divisões mais detalhadas, chega-se ao número 25. A pergunta "Existe o Eu nas 25 existências ilusórias?" significa "Existe o eu (individualidade substancial) nas 25 categorias do mundo das reencarnações?"

O que reencarna é "sombra", e nela não existe personalidade viva, mas, se há projeção da sombra, significa que existe a substância. É o mesmo que não existir personalidade viva nos personagens projetados na tela do cinema, mas, para que a imagem seja projetada, é preciso existir antes o ator com personalidade. Essa substância que está por trás da imagem projetada é a imagem do Iluminado, a natureza búdica, o Eu verdadeiro. Esse Eu verdadeiro é o mugoku no tai (a substância, o corpo real, que transcende todas as limitações) e não reencarna, mas o homem, que é sua sombra, reencarna.

É o mesmo que ocorre com um ator de cinema. Nos filmes em que ele participa, chora, grita, mata, é assassinado, e assim nasce e morre inúmeras vezes, mas o ator em si não morreu nem renasceu. O ator não nasce nem morre, mas nos filmes repete o nascer e o morrer. De modo semelhante, o homem verdadeiro não nasce nem morre, mas no mundo fenomênico repete o nascer e o morrer. Portanto, a alma que repete o nascer e o morrer, é a alma de existência temporária que assim aparece, que nasce sem nascer, que morre sem morrer, que reencarna sem reencarnar. Pode-se afirmar categoricamente que isso inexiste (o fenômeno é inexistente), como também pode-se dizer que "transmigra com o carma", segundo consta na Sutra Vimalakirti, explicando sobre o mecanismo que parece estar transmigrando.

Carma é ação, é uma conduta. Cito novamente o exemplo do cinema, mas o filme é projetado na tela porque houve trabalho – a ação do diretor, do cinegrafista, do técnico de gravação sonora, do iluminador, dos atores, etc. Pode-se afirmar que o carma transmigra e que ocorre isso porque, por trás disso, existe uma substancia que tem consciência do seu objetivo, ou seja, o espírito, e pode-se dizer que a alma reencarna. A alma, no entanto, não é o corpo real verdadeiro (natureza búdica), e sim o espírito que carrega um corpo feito de vibrações, resultante dos carmas. Sendo assim, pode-se dizer que reencarna sem reencarnar.


sábado, fevereiro 24, 2018

Descortinando a nossa Natureza Divina - 7/11

- Masaharu Taniguchi - 


A ESSÊNCIA DA FILOSIFIA DO JISSO

A Filosofia da Seicho-No-Ie

Pergunta - Segundo me consta, a filosofia da Seicho-No-Ie é espiritualista, mas é considerada assim porque prega que o mundo objetivo é produto da mente?

Resposta - Se dividisse a filosofia em duas grandes correntes, a materialista e a espiritualista, a Seicho-No-Ie pertenceria à corrente espiritualista, porém, a rigor, seria mais correto dizer que é a filosofia Yuishin-Jisso-ron.

Pergunta - Na história da filosofia não há nenhuma referência à respeito dessa filosofia.

Resposta - Sem dúvida, pois a filosofia Yuishin-Jisso-ron não foi baseada em nenhuma filosofia existente até hoje. É uma filosofia que a Seicho-No-Ie passou a preconizar pela primeira vez.

Pergunta - E como é essa filosofia? Gostaria que nos explicasse de modo simples e compreensível.


Resposta - Tudo que existe é expressão de Deus, da Vida, do Amor e da Sabedoria divinos e, sendo Deus o Bem absoluto, só existe o Bem. Essa filosofia, portanto, afirma que essa é a Imagem Verdadeira de tudo que existe. É uma filosofia positivista. Quando passamos a viver segundo esse conceito de vida, a perfeição da Imagem Verdadeira (Jisso) se projeta no mundo fenomênico e se manifesta aqui um mundo feliz.

Pergunta - Então, por que razão existe o mal? Ou seja, a guerra, a epidemia, a morte, a pobreza, etc.?

Resposta - A filosofia Yuishin-Jisso-ron prega que esses fenômenos maléficos não existem originalmente, que são meras ilusões. Diz que existem apenas Deus e os fenômenos benéficos, que são expressões de Deus.

Pergunta - Então, como se explica o fato de sentirmos que existem esses fenômenos maléficos originalmente inexistentes?

Resposta - Os fenômenos originalmente inexistentes aparecem de acordo com a lei da concretização do pensamento, ou seja, quando a nossa mente pensa nos fenômenos maléficos, eles se manifestam.

Pergunta - Quer dizer que existem fenômenos maléficos porque a nossa mente pensa nisso. Falando de modo concreto, que seria isso?

Resposta - Por exemplo, pensamos na guerra. A União Soviética procura se equipar com armas nucleares, pensando que um dia poderá ser invadida pelos Estados Unidos, porque eles são uma nação imperialista dotada de enormes recursos materiais e armas científicas. E os Estados Unidos pensam que devem reforçar seu armamento nuclear e desenvolver mísseis para impedir que a União Soviética domine o mundo através do comunismo. Esses pensamentos se concretizam (manifestam-se em forma) e são criados armamentos assustadores. A fabricação de tantas armas faz com que a mente humana fique tentada a utilizá-las. E acabam deflagrando guerras. Em conclusão, o pensamento da Unesco – a guerra se inicia na mente – é igual ao nosso.

Pergunta - Mesmo considerando que a guerra se inicia na mente, uma guerra que está sendo travada existe de fato, não é?

Resposta - Ela existe como uma manifestação ou projeção da nossa mente. Entretanto, não é uma Realidade. Considera-se Realidade aquilo que existe verdadeiramente, aquilo que foi criado por Deus, o que existe de modo firme e inabalável, que não desaparece ou se manifesta conforme os pensamentos do homem. As guerras, porém, desaparecerão a qualquer momento se os homens deixarem de alimentar ódio contra os semelhantes, de ter apegos materiais e, assim, decidirem parar de guerrear. Aquilo que pode ser modificado com a atuação da mente humana é projeção da mente, e não a Realidade. Nada mais é que fenômeno.


Realidade e existência

Pergunta - Apesar de o fenômeno ser projeção da mente humana, ele existe, não?

Resposta - Tanto pode existir quanto inexistir, dependendo do modo de definir a palavra existir.

Pergunta - Creio que não há outro modo de comprovar a existência a não ser sentindo-a com os nossos sentidos. O que a nossa vida apreende através dos sentidos existe.

Resposta - Exatamente. Porém, essa existência não é Realidade. Realidade é chamada de Reality ou Being em inglês, mas parece que está sendo traduzida como existenceExistence não é existência verdadeira, não é Realidade. Apenas se apresenta como tal quando a sentimos por intermédio dos sentidos. Pode ser comparada aos personagens de um filme. A filosofia Yuishin-Jisso-ron não diz que existe aquilo que percebemos por intermédio dos nossos sentidos. Diz que está manifestado em decorrência de alguma relatividade. A Realidade, isto é, aquilo que existe verdadeiramente, está além dos cinco sentidos.

Pergunta - Como se conscientiza a existência de algo que não pode ser sentido através dos órgãos sensoriais? Será que é pelo sexto sentido?

Resposta - Na Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade consta "O Deus da Criação transcende os cinco sentidos e também o sexto sentido". Deus e a Realidade criada por Ele transcendem os cinco sentidos e também o sexto sentido.

Pergunta - Os cinco sentidos e os cinco órgãos sensoriais são iguais?

Resposta - Os cinco órgãos sensoriais são os órgãos da visão, da audição, do olfato, da gustação e do tato. Aquilo que se percebe por intermédio desses cinco órgãos chama-se cinco sentidos. Deus e as existências criadas por Ele, ou seja, a Realidade, não podem ser captados pelos cinco sentidos que são as funções dos órgãos sensoriais.

Pergunta -  Se não pode ser captada pelos cinco sentidos, através do que apreenderemos a Realidade?

Resposta - Não é através de algo. Apreendemos a Realidade sem intermediário algum. Isso é extremamente importante. Aquilo que pode ser captado por intermédio dos órgãos sensoriais não é a coisa como ela é. Nada mais é que reconhecimento relativo que assim aparece quando percebido por meio desse órgão sensorial. Se captado por meio de outro órgão sensorial, pode aparecer de outro modo.

Por hipótese, está aqui uma bela senhora. Se seu marido não for um cego, percebe que sua mulher é bela por meio do órgão da visão. Entretanto, se ele for um deficiente visual, apalpará com as mãos os rosto da esposa e tirará conclusões acerca da sua beleza ou feiura através do tato. O rosto que um marido cego sente tem uma representação totalmente diferente do rosto que é visto por quem enxerga. E se esse marido tiver perdido os dois braços e a visão na guerra, não conseguirá ver nem tatear com as mãos o rosto da esposa. Se, assim, apenas puder ouvir a voz dela, a esposa será uma voz para ele. O rosto, porém, não é uma existência com saliências sentida pelo cego, nem a voz. O rosto que um marido normal vê com os olhos parece ser a esposa, mas não passa de representação manifestada no âmbito dos sentidos. O rosto captado pelo órgão da visão não é a esposa em si, assim como as saliências e a voz sentida pelo cego. Desse modo, os cinco sentidos não conseguem ver a esposa em si.

Para que possamos ver a Imagem Verdadeira daquilo que existe, ou seja, da Realidade, temos de tirar os "óculos" chamados órgãos sensoriais, retirar os cristalinos dos olhos, o globo ocular, os nervos ópticos, assim nos despirmos de tudo, tornando-nos apenas Vida, e fazer com que a nossa Vida entre em contato direto com a Vida da Realidade. Denominamos esse processo de "reconhecimento da Realidade absoluta". Não buscamos reconhecê-la por intermédio dos cinco órgãos sensoriais.


Através de que conheceremos a Realidade?

Pergunta - Se reconhecemos essa Realidade absoluta, não seria através de algum sentido, que não seja os cinco sentidos?

Resposta - Poderemos chamar esse sentido de sentido da Imagem Verdadeira. É uma apreensão direta através do contato entre a Imagem Verdadeira da nossa Vida e a Imagem Verdadeira daquilo que existe...

Pergunta - Não consigo compreender bem isso. O que é captado pelos cinco sentidos é simples projeção da mente e, pelas mudanças da mente que o capta, muda o aspecto captado pelos sentidos porque é projeção da mente. A mesma mulher é para certa pessoa uma voz, para outra saliências sentidas pelo tato, e ainda, para outra,  uma simples representação do órgão visual. Até aqui consigo acompanhar o raciocínio, mas, através de que conseguiremos saber que existe a "Imagem Verdadeira, perfeita e harmoniosa, que não adoece, não envelhece nem é ferida", além das coisas normais de percepção sensorial?

Resposta - Não há outro meio senão pela experiência. Se um nativo de uma ilha tropical perguntasse como é a neve, qual resposta você daria?

Pergunta - Será que ele compreenderia se eu dissesse que a neve é gelada como o sorvete e tem a aparência de um pó branco semelhante ao sal?

Resposta - Se der essa explicação, o nativo tirará uma conclusão bem diferente da neve em si, pois não saberá se é doce ou salgada e achará que é um misto de sorvete e sal. Se quiser sentir o que é a neve, ele deverá ir a um país onde neva e tocá-la. De modo similar, só poderemos conhecer a perfeição da Imagem Verdadeira quando tocamos diretamente a própria Imagem Verdadeira da Vida.

Poderemos dizer que estamos vestindo inúmeras "roupas" denominadas órgãos sensoriais. Despindo-as uma por uma, a Vida vai se manifestando e aproximamos da Imagem Verdadeira. Por isso, está escrito na Sutra da Sabedoria (Prajña Paramita Sutra) que alcançaremos o despertar da Imagem Verdadeira da Vida, quando a Vida em si ficar totalmente desnudada, despindo-se das cinco vestimentas – matéria, cinco sentidos, pensamento, ação efetuada pela vontade, reconhecimento das funções mentais – considerando-as nada, livrando-se dos sentidos da visão, da audição, do olfato, da gustação, do tato e até da consciência. Consta ainda que todos os budas do passado, do presente e do futuro compreendem que a Imagem Verdadeira do homem é perfeita e harmoniosa quando a Vida se conecta diretamente com a Vida, despida de todos os órgãos sensoriais.

Pergunta - Assim é o reconhecimento da Realidade absoluta? Mas como é que se sabe que Deus, a Realidade absoluta, é perfeito?

Resposta - O que é imperfeito desintegra-se e desaparece. Uma vez que Deus existe, só pode ser perfeito. Uma vez que existe o Mundo da Imagem Verdadeira, tem de ser perfeito.

Pergunta - E como é que se sabe que existe esse mundo perfeito da Imagem Verdadeira?

Resposta - Despindo-se das "roupas" denominadas cinco sentidos. Para isso pratica-se a Meditação Shinsokan, a meditação zen, a recitação do nome de Buda. Desse modo, manifesta-se um mundo desconhecido pelos cinco sentidos.

Pergunta - Tal mundo desconhecido pelos cinco sentidos, um mundo que na realidade não existe, não seria uma criação da nossa imaginação? Há alguma prova de que não é um mundo inventado pela imaginação?

Resposta - Se, ao ouvir a explicação sobre a neve, o nativo da ilha tropical contestar "Não é possível que exista a neve. É apenas uma invenção da sua imaginação", será impossível fazê-lo conhecer a neve. A neve derreterá se você a levar para uma ilha tropical. Levando-a numa geleira, ficará solidificada e perderá todo o aspecto de neve. É impossível transportar uma neve natural para o mundo onde vivem os nativos das ilhas tropicais. Do mesmo modo, o mundo da Imagem Verdadeira não pode ser transportado para o local onde estão as pessoas que vivem apenas no mundo dos sentidos, nem fazê-las compreender. Assim como é um erro dizer que a neve não existe, também é errado dizer categoricamente que não existe o mundo da Imagem Verdadeira perfeito e harmonioso.

Pergunta - Então, os nativos das ilhas tropicais não conheceriam jamais a neve?

Resposta - Não, eles podem conhecê-la, a não ser que não saiam um passo para fora da ilha onde moram. De modo similar, enquanto o homem não sair um passo sequer para fora do mundo dos sentido físicos, não poderá ver o perfeito mundo da Imagem Verdadeira. As palavras de Jesus constantes no capítulo 3 de Evangelho Segundo João, "Não pode ver o reino de Deus, senão aquele que nascer de novo", têm esse significado. Nós nascemos de novo ao escaparmos do mundo dos cinco sentidos.

É possível mostrar a neve aos nativos das ilhas tropicais. Basta fazê-los sair dessas ilhas e levá-los a um país onde existe neve. As ilhas tropicais seriam o mundo dos cinco sentidos. Por esse motivo, mentalizamos "Neste momento, deixo o mundo dos cinco sentidos e entro no mundo da Imagem Verdadeira" e, atingindo o estado mental de dissipação dos cinco sentidos, procuramos entrar em contato direto com o mundo da Imagem Verdadeira.

Pergunta - Então, conclui-se que não há outro meio de conhecermos o mundo da Imagem Verdadeira senão praticando seriamente a Meditação Shinsokan?

Resposta - Sim, pratiquem a Meditação Shinsokan com seriedade.


Resultado de imagem para "templo dos iluminados" seicho no ie