"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

sexta-feira, abril 07, 2017

O Caminho para manifestar a Provisão Infinita - 3/6

- Masaharu Taniguchi -


A RIQUEZA É AÇÃO QUE BENEFICIA O PRÓXIMO

Sendo a provisão concedida aos homens a concretização do Amor de Deus, somente dando amor ao próximo é que estaremos em conformidade com as ondas vibratórias do Amor de Deus e veremos concretizado o mundo da provisão infinita. Para começar, “riqueza” não significa simplesmente o acúmulo de matéria em grande quantidade. “Ser rico” significa ter algo com a função de beneficiar o próximo em grande quantidade. O que tem a função de beneficiar o próximo – isso é amor; e, quando colocamos em prática esse amor, ele se transforma em “riqueza”. As pessoas que têm conseguido muita “riqueza” são aquelas que trabalharam para o bem de muitas pessoas. Mesmo sendo uma “ação que beneficia o próximo”, beneficiar poucas pessoas só gera pouca “riqueza”. Se trabalharmos para o bem de dez pessoas, tornaremos felizes essas dez pessoas. Direta ou indiretamente a retribuição dessas dez pessoas chegará até nós, e essa retribuição se transformará espontaneamente em riqueza. Mas fazendo o bem apenas para dez pessoas, mesmo que de cada um venha dez mil ienes, só formaremos uma riqueza de apenas cem mil ienes. Por isso, para concretizar a riqueza torna-se indispensável que façamos o bem ao maior número possível de pessoas.


RIQUEZA É FRUTO DO AMOR, DA IDEIA E DA VIDA

A “intenção de servir ao próximo” é amor. Mas, se nos limitarmos a pensar simplesmente “quero servir ao próximo” e não soubermos como podemos servir, de nada adiantará. Concluímos então que para concretizar a riqueza não adiantará apenas sentir o amor; ele precisa vir acompanhado da “ideia” que possa ser levada à prática. Preliminarmente a “riqueza” não é o “acúmulo de matéria”, e sim a concretização da “ideia para servir ao próximo”. A riqueza nada mais é que a manifestação no mundo da forma das duas existências espirituais: vontade de servir ao próximo, ou seja, o amor, acrescido da ideia para concretizá-lo. Mas, para concretizá-las, é preciso que se lhes acrescente a “força vital”. Se tivermos “boa ideia para servir ao próximo” e soubermos o que deve ser feito, mas nos limitarmos a isso e não agirmos, nem a ideia nem o amor se manifestarão na forma. Para manifestá-los na forma é indispensável fazer agir a “força vital”. Quando se somam o amor, a boa ideia e a força vital, eles se concretizam e passam a constituir a riqueza infinita. Então, se quisermos realizar no mundo terreno o mundo da farta provisão exatamente igual ao reino de Deus, devemos “buscar em primeiro lugar o reino de Deus e Sua justiça”, como disse Jesus. “Reino de Deus” é o mundo da Imagem Verdadeira – isto é, o mundo que preexiste ao mundo do fenômeno – e o que “existe” nesse mundo é a “justiça”. Portanto, a “justiça do reino de Deus” é a Sabedoria infinita, o amor infinito, a força vital infinita. Se os buscarmos, eles virão se manifestando espontaneamente e realizar-se-ão em forma de riqueza infinita.

O amor, a sabedoria e a Vida são existências invisíveis – ou seja, são “existências mentais”. Toda “riqueza” é a concretização dessa existência mental, e por isso ela não é “matéria” propriamente dita. A sua substância é a “mente”. Se, antes de mais nada, realizarmos a riqueza infinita na mente, concretizar-se-á no mundo fenomênico a riqueza infinita.

Para realizar no “mundo da mente” a riqueza infinita, não há meio mais eficiente do que a Meditação Shinsokan, porque nessa prática visualizamos o Amor, a Sabedoria, a Vida e a provisão infinitos de Deus como existências reais, e os desenhamos nítidos na mente.


NÃO DEVEMOS CONSIDERAR DEUS UM SER AVARO

Neste Universo, existe uma lei segundo a qual, as coisas possuidoras de vibrações semelhantes se atraem. Portanto, se o indivíduo mantiver ideias de pobreza, torna-se pobre; se mantiver ideias de riqueza torna-se rico. Para realizarmos a riqueza infinita, em primeiro lugar, não devemos considerar Deus como um ser avaro. Enquanto assim estivermos considerando Deus ficaremos pensando: “Não estaríamos cobiçando ‘riqueza’ maior do que a permitida por Ele? Não seremos repreendidos por Ele?”. Dessa forma, no percurso da realização da riqueza infinita, acabamos auto-restringindo esta riqueza. Podemos dizer que toda pobreza é resultado da auto-restrição que temos em relação à provisão infinita de Deus. Deus está transmitindo a provisão infinita do mundo da Imagem Verdadeira para o mundo do fenômeno, mas nós, na hora de captarmos essa transmissão, auto-restringimo-nos, enfraquecemos essa vibração e impedimos que a provisão infinita seja captada.


O SENTIMENTO DE EXALTAÇÃO À POBREZA EMPOBRECE O HOMEM

Entre os sentimentos que enfraquecem essa vibração existe também o sentimento de “exaltação à pobreza”. Neste mundo há pessoas estranhas que consideram pobreza uma virtude. Tal pensamento está fundamentado na história do Buda Sakyamuni, na qual consta o seguinte: ele estava andando pelas montanhas junto com os discípulos, e um deles viu num lugar recôndito do vale grandes quantidades de moedas de ouro, provavelmente ocultadas por algum rei. E, quando os discípulos tentaram se aproximar dela, Sakyamuni disse: “Aquilo é cobra venenosa. É perigoso aproximar-se” – e passou longe. Ou, ainda, estaria fundamentado no ensinamento de Jesus que, ao ser interrogado por um jovem rico sobre o caminho para ir ao Céu, disse: “... é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus”.

Assim, tais pessoas consideram o fato de ser rico parecido a um crime. E quando um religioso enriquece criticam-no, dizendo: “Ele é religioso e, no entanto, é rico!”. Mas, se um religioso não enriquecer, quem é que deve enriquecer? É justamente o religioso quem está mais constantemente em contato direto com o Amor infinito, a Sabedoria infinita, a Vida infinita e a criatividade infinita do reino de Deus. Se, apesar disso, o próprio religioso não consegue dar o exemplo enriquecendo, a sua doutrina é vã filosofia e a sua fé é uma fé que não frutifica.


O PROVIMENTO DE DEUS DEPENDE DO TAMANHO DO “RECIPIENTE MENTAL” DAQUELE QUE O RECEBE

Porque nos esquecemos que Deus é a provisão infinita e prendemo-nos à visão materialista do mundo, segundo a qual a provisão é finita, chegamos ao pensamento de que, se uma pessoa tomar para si essa coisa finita em quantidade maior, a parte dos demais diminuirá. Mas, se o suprimento é infinito, é como se retirássemos a água do oceano: se um pega mais não diminui a quantidade que os outros deveriam pegar. Nesse caso, se levarmos um recipiente maior receberemos em maior quantidade, e se levarmos um recipiente menor receberemos em menor quantidade. A quantidade que recebemos depende somente do tamanho do nosso próprio recipiente.

Então, para recebermos a provisão infinita devemos tornar maior o nosso recipiente mental.É preciso negar mentalmente tal deus avaro que não permite a entrada do homem no Céu caso ele se enriqueça. Devemos considerar uma profanação imaginar que Deus seja tão avaro e miserável.


DEVEMOS CONHECER A GRANDIOSA CAPACIDADE DE DEUS PARA PROVER INFINITAMENTE

Vejam! Quão rico Deus criou este Universo! Sua extensão é imensurável. E novos sistemas estelares estão sendo criados em quantidade incalculável. O sistema solar onde nós vivemos não passa de um deles, e não é dos grandes. Observando apenas a superfície de Terra, que é uma parte minúscula do sistema solar, notamos o quanto ela é vasta. No pequeno jardim de Deus que é esta Terra há um enorme lago chamado Oceano Pacífico. Para além desse lago, encontra-se uma grande ilha chamada Continente Americano. E nessa ilha estão construídos os jardins com paisagens grandiosas tais como as cataratas do Niágara e o vale de Yosemite. Aquém desse lago encontra-se uma ilha chamada Continente Asiático, e na sua extremidade oriental aglomera-se o arquipélago japonês. Na parte central desse arquipélago eleva-se o monte Fuji com o formato de um leque de ponta-cabeça, mostrando sua forma bela e magnificente. E Deus diz: “Vejam, até mesmo esse pequeno jardim que há nessa Terra, que, pelo que consta, nem chega a um centésimo trilionésimo de todo o Universo, não criei com tanta riqueza? É um erro pensar que Eu seja um avaro, que fico com inveja e os impeço de entrar no Céu se os homens enriquecem mais do que o necessário para viver. Até mesmo os peixes que há nas águas do Oceano Pacífico, os criei em quantidade infindável, de tal modo que não se esgotarão por mais que os homens os pesquem. Os homens não conseguem usufruir de tudo isso porque falta-lhes a Sabedoria de Deus. Desprendam-se da ilusão e vejam a Imagem Verdadeira com a Sabedoria de Deus. Aí mesmo onde se encontram, terão a provisão infinita”.

Como vimos, o primeiro passo para desenharmos na mente a “justiça do reino de Deus” é desfazer-nos da estupidez de imaginarmos um Deus avaro, que ama somente os pobres e repudia os ricos, e reconhecer Deus, tanto consciente quanto inconscientemente, como sendo aquele que já nos deu a riqueza infinita. Quando conseguimos acreditar sinceramente que Deus é Pai generoso e misericordioso, disposto a prover-nos em quantidade infinita, adquirimos o primeiro requisito necessário para nos tornarmos ricos.


(Do livro: “A Verdade da Vida, vol. 8”, pp. 138-144)

quarta-feira, abril 05, 2017

O Caminho para manifestar a Provisão Infinita - 2/6

- Masaharu Taniguchi -


ABANDONE A MENTE QUE SE APEGA À POBREZA

A maioria dos religiosos manda as pessoas desfazerem dos bens. Pregam de modo que as pessoas abandonem totalmente os bens até ficar sem um tostão, para então obter a salvação. E assim enriquecem as igrejas, enquanto pregam aos adeptos: “vendei vossos terrenos, vossas casas, abandonai tudo e recebei a Deus. Se não fordes capazes de vos decidir a tal ponto, não estareis em conformidade com a vontade de Deus”, e frases semelhantes. Mesmo as pessoas não religiosas acham que o dinheiro é uma coisa vil, e possuem o preconceito de que se não se tornarem satisfeitos com a pobreza não poderão se aproximar de Deus. A Seicho-No-Ie abole esse preconceito errôneo.

Sendo Deus a provisão infinita, quanto mais nos aproximamos de Deus, mas a nossa riqueza aumenta. Porém, essa riqueza, não a sacamos de outrem, mas a retiramos de Deus; por isso, por mais que aumente a nossa riqueza, isso não significa que roubamos alguém. Em oposição a isso, para quem não considera a “riqueza” como a provisão infinita de Deus e pensa que se trata de algo criado pelas mãos do homem e que, portanto, se alguém monopolizá-la, a parte dos outros ficará reduzida – para estes, mesmo acumulando o mínimo possível, isso significa roubar os pobres.

No número de junho de 1933 do periódico Hikari (Luz) da seita Ittoen, que preconiza a vida de inesgotabilidade dentro do nada, consta o seguinte relato: o milionário Kyujiro Okazaki (diz-se que esse senhor doou sem relutância um milhão de ienes para a instalação de uma fazenda, nos moldes da Ittoen, em algum lugar de Odawara), na ocasião em que viajava de Tóquio à Ittoen de Kyoto junto com seu filho Toshiro Okazaki, no começo de abril do ano passado, tentou comprar passagens de terceira classe, mas não havia nenhuma. Comprou, então, duas passagens de segunda classe, e acomodou-se, mas não se sentia bem. Certamente não se sentia bem devido ao sentimento de culpa, achando que estaria fazendo extravagância em relação às pessoas mais pobres. Então, o sr. Kyujiro Okazaki pediu ao condutor que, ao desocupar algum lugar na terceira classe, o mandasse para lá, ainda que no meio do caminho. Transcorrido certo tempo, desocupou-se um só lugar na terceira classe, que o filho Toshiro ocupou, e o sr. Kyujiro permaneceu no vagão da segunda classe até chegar a Kyoto. E comentou que sentiu-se “muito mal” por não ter podido viajar no vagão de terceira classe e sim no de segunda classe, que era mais confortável. O st. Tenko Nishida, da Ittoen, muito satisfeito, o elogia dizendo que sua mente está aos poucos se identificando com o pensamento do sr. Tenko.

Do meu ponto de vista, uma pessoa assim deveria ser considerada alguém que “apega-se à pobreza e torna-se escrava dela”. As pessoas, muitas vezes, trabalham arduamente durante a primeira metade de sua vida, obcecadas pela “riqueza”; e ao se tornarem milionárias, em idade madura, prendem-se à “pobreza” como reação à fase anterior; e, diante de uma coisa de qualidade superior e outra de qualidade inferior, sentem-se mal se não ficarem com a de qualidade inferior. Há pessoas que diante de um objeto esmerado e outro de qualidade inferior sempre escolhem o último, porque senão sentem-se constrangidas em relação aos pobres. À primeira vista tais pessoas parecem possuir um sentimento de muito amor aos pobres, mas, como a raiz de sua atitude está no apego emocional à “pobreza” em reação ao apego à “riqueza” que vinham mantendo até então, do ponto de vista de um juízo saudável isto não tem fundamento algum.

Se todo milionário, ao partir da estação de Tóquio, achasse que seria um luxo viajar no vagão de primeira ou de segunda classe e ocupasse um lugar no vagão de terceira classe que estivesse vago, o que aconteceria? Pode ser que ele pense: “Eu, sendo milionário, normalmente viajaria na primeira ou segunda classe, mas ultimamente estou seguindo uma religião cujo lema é ‘não viver roubando um ao outro’. Então, não faço extravagância para não roubar as coisas dos outros”. Assim ele pode sentir-se muito bem tomando o vagão de terceira classe, cedendo aos outros os vagões de primeira e de segunda classe que são melhores, e o seu espírito talvez permaneça tranquilo. (Caso tal milionário seja uma pessoa que leva uma vida de reação à fase de apego à riqueza e não se sinta tranquilo em viajar no vagão de segunda classe por falta de vaga no de terceira, não há dúvida de que, ao conseguir tomar o vagão de terceira classe, sentir-se-ia tranquilo e muito bem.)

Porém, o que poderia acontecer enquanto esse sr. Milionário, plenamente satisfeito e tranquilo, acomodado no vagão de terceira classe e achando que tinha feito uma boa ação, se dirigia em direção a Kyoto? Pelo fato de ele ter tomado o vagão da terceira classe, uma pessoa que precisava tomar esse vagão em Yokohama não pôde tomá-lo por falta de lugar; e, não sendo rica o bastante para comprar a passagem de segunda classe, teve de desistir e aguardar o próximo trem. E, por esse motivo, essa pessoa que estava atendendo ao chamado do pai doente poderia não chegar antes da morte dele. Ou pode ser que, devido à pressa, ela tivesse de tomar com muito esforço o vagão de segunda classe, gastando todo o dinheiro que levava e ficar sem dinheiro para a passagem de volta. Então o sr. Milionário, cuja intenção era a de beneficiar o próximo, ao tentar “não roubar os outros” e viajar no vagão de terceira classe, ao contrário pode fazer com que os outros paguem mais enquanto ele próprio paga menos.

Por que se chaga a tal resultado? É que o sr. Milionário não está vivendo rigorosamente a verdadeira vida de “zero”, não assumiu totalmente a vida desapegada vazia e livre de obstáculos. Se ele pensa que, sendo o preço da passagem de terceira classe inferior ao de segunda e, portanto, viajar de terceira o aproxima mais da “vida sem nada” ou da “vida de zero” do que viajar de segunda classe, não está realmente vivenciando a “vida de zero”, “vida de nada possuir” ou “vida vazia e livre de obstáculos”. Para viver a verdadeira vida desapegada ou “vida de nada possuir”, é preciso compreender bem a Verdade da inexistência da matéria pregada pela Seicho-No-Ie, e assimilar a liberdade do “verdadeiro nada”, do “verdadeiro vazio” que transcende a comparação de preços e a discriminação relativa à classe dos vagões. Quem assimila o “verdadeiro nada”, o “verdadeiro vazio”, é capaz de entrar com naturalidade no vagão de primeira classe quando nele houver lugar, sem sentir-se apreensivo durante a viagem. Uma pessoa que compreendeu a Verdade precisa ser capaz de ocupar com naturalidade o vagão que estiver vago.


PARA RECEBER A PROVISÃO INFINITA, É PRECISO PRIMEIRO ELIMINAR A “INTENÇÃO DE ROUBAR”

Mas isso não significa de maneira alguma que eu esteja recomendando esbanjar recursos. Como a provisão necessária ao homem vem de Deus, não adianta “gastar” apenas no sentido de “esbanjar”, é preciso sintonizar a mente com Deus. Como a provisão de Deus nos é dada para ser útil à humanidade, para sintonizarmos nossa mente com Deus, devemos ter vontade de “doar” para o bem dos outros. Quando assim fizermos, nós também passaremos a receber em abundância.

Criando o sentimento de disputa e tentando roubar o outro, no fim os recursos de produção se esgotarão e a provisão diminuirá. O fato de nossa provisão diminuir em consequência da disputa que empreendemos com base na crença de que roubando aumentam os nossos bens é semelhante, por exemplo, à disputa por um copo d’água: se houver duas pessoas tentando tirar uma da outra, acabam derramando a água e nenhuma das duas consegue bebê-la. Além disso, em consequência da disputa, transpiram mais, seus corpos se desidratam e ficam com mais sede. Neste caso, se ambas cederem-no uma à outra dizendo “Tome você primeiro”, poderão tomar metade cada uma. E, recobrando ambas as energias, se saírem amistosamente à procura de uma mina poderão encontrar água potável jorrando em abundância.


(Do livro: “A Verdade da Vida, vol. 8”, pp. 133-138)

segunda-feira, abril 03, 2017

O Caminho para manifestar a Provisão Infinita - 1/6

- Masaharu Taniguchi -


A MATÉRIA AUMENTA QUANTO MAIS É USADA COM ADEQUAÇÃO

A Seicho-No-Ie diz que a matéria não existe. Se utilizo aqui o título “O Caminho para manifestar a provisão infinita” depois de afirmar que a matéria não existe, pode parecer contraditório mas a verdade é que a matéria, por ser originariamente “nada”, por ser “sombra da mente”, pode se manifestar de modo infinito e inesgotável. Quando a matéria é considerada como algo que existe concretamente e que só aparece quando trazemos de algum lugar algo com forma espacial delimitada, podemos dizer que “a matéria é limitada”. Se trouxermos a matéria do ponto A para o ponto B, a matéria do ponto B aumenta, mas a do ponto A diminui; por isso, dizemos que “a matéria é limitada”. Porém, se a matéria for originariamente nada, que é extraída do mundo infinito e inesgotável (mundo de Deus) através da picareta chamada mente, teremos de dizer que ela se manifesta infinita e inesgotavelmente à medida que a extraímos.

Pelo raciocínio comum, pensa-se que a matéria diminui quanto mais é usada; mas segundo os físicos, pelo princípio da conservação da energia, a matéria jamais diminui. Essa energia indestrutível não é somente inesgotável como irredutível, tanto que pelo menos a energia que recebemos aqui na Terra, ao contrário de diminuir, está aumentando. Não obstante a hipótese dos geólogos de que a Terra esfria a cada ano, a sua temperatura está se elevando a cada ano que passa. Mesmo pelos cálculos dos astrônomos, tem-se verificado que o calor irradiado pelo Sol, que é a fonte de energia da Terra, está aumentando. Os alimentos, que pelos cálculos deveram faltar com a população aumentando em progressão geométrica, aumentarão mais do que a própria população, desde que não devastemos os recursos para a produção de alimentos. Chegaremos mesmo a “quebrar a cabeça” para encontrar um meio de diminuir a produção.

Desde que usadas em dose certa, as coisas aumentam quanto mais as usamos. Vou explicar esse princípio através do exemplo do katsuo-bushi (peixe seco, que os japoneses utilizam para tempero), o qual, acredita-se, quanto mais raspamos mais diminui. Que o katsuo-bushi em si diminui à medida que é raspado, é um fato comprovado e evidente aos olhos de qualquer pessoa. Mas isso é semelhante ao fato de retirarmos a água do poço e brotar mais água ainda. Da mesma forma, como há consumidores de katsuo-bushi, todos os anos são produzidos novos katsuo-bushi, os quais são distribuídos e grande quantidade nos mercados da região e jamais se esgotam. Se formos ao Ocidente, como não há ninguém que consome o katsuo-bushi seria de se supor, então, que lá houvesse katsuo-bushi sobrando. No entanto, no Ocidente, onde ninguém consome o katsuo-bushi, ao contrário, há menos katsuo-bushi e quase não se pode encontrá-los. Portanto, o katsuo-bushi aumenta quanto mais o consumimos, e diminui quanto menos é consumido.

Muito bem, pode ser que comendo o katsuo-bushi a quantidade desse produto na região aumente, mas a quantidade dessa espécie de peixes que habita os mares próximos não diminuiria? Não, isso de maneira alguma acontece. Como cada peixe põe milhões e milhões de ovos, desde que não ocorra pesca indiscriminada de seus filhotes, pescando-se apenas os peixes adultos para fabricar katsuo-bushi, seu número não diminuirá, mesmo que o consumo seja infinito. Além disso, se os homens valorizam tanto o katsuo-bushi, com certeza não pescarão indiscriminadamente os peixes novos, de modo que não haverá perigo de faltar essa espécie de peixes no mar. Pelo contrário, como é possível também criá-los por processo de cultura, em se tratando de peixe de grande procura, aumentará cada vez mais. Da mesma maneira que a água do poço está ligada ao inesgotável lençol de água subterrâneo, os peixes também estão ligados ao fluxo infinito e inesgotável, como acabamos de ver; portanto, o katsuo-bushi aumenta à medida que o comemos. Onde não há quem o coma, ao contrário, deixará de existir um sequer.

Com exceção dos adeptos da Seicho-No-Ie, as pessoas em geral não dão muita importância à “ação da mente”. Como a “mente” não está enclausurada dentro do nosso corpo carnal, e sim ligada à Mente onipresente, a vibração de um desejo que surge na mente de uma pessoa será sentida pela Mente do Universo inteiro: ocorre em algum ponto do Universo uma ação que facilita a concretização desse desejo; essa ação atinge a pessoa e acaba satisfazendo o desejo que ela sentiu. Bem ditas são as frases “O nosso desejo não será em vão” e “pedi e dar-se-vos-á”.

O Universo inteiro é um corpo vital comparável ao corpo humano. No caso do nosso corpo, quando ele sofre algum ferimento na pele, não ocorre dano apenas nesse local, mas o corpo todo também sente essa desordem física; todo o sangue do corpo circula enviando substâncias para curar o ferimento da pele. O mesmo acontece com os recursos econômicos de cada um: quando surge algo negativo em nossa situação econômica, infalivelmente o fluxo de provisão de todo o Universo corre para supri-lo. Por isso, se despertarmos para a Imagem Verdadeira (Jisso) de que nossa vida está ligada ao fluxo do Grande Universo, jamais poderá existir para nós a “pobreza”. O Universo é a provisão infinita. Se estamos ligados a essa provisão infinita, como poderá existir para nós algo chamado “pobreza”?

Toda riqueza já nos está dada. Nós estamos no centro da riqueza da provisão infinita do Universo. Se mesmo aquilo que não se faz necessário no momento for posto infinita e ilimitadamente ao encargo deste limitado volume de natureza física chamado “eu”, é natural que eu me veria em dificuldade na manipulação deles. Por isso, assim como as pessoas comuns, quando têm dinheiro, deixam à mão o dinheiro de que vão precisar para os gastos imediatos e depositam o restante no banco, “eu” tenho depósito no “Banco do Grande Universo” administrado por Deus – que não é um banco estabelecido pelos homens – toda a minha fortuna com exceção daquilo que eu preciso para os gastos urgentes. Disse provisoriamente “eu”, referindo-me a mim mesmo, mas isso é para exemplificar, pois o mesmo acontece com todos os senhores. A diferença talvez seja que “eu” tenho a consciência do fato de que toda a minha fortuna está depositada no “Banco do Grande Universo”, cujo diretor-presidente é Deus, enquanto que os senhores podem não estar conscientizados do fato...

Suponhamos que os senhores tenham grandes depósitos bancários e precisem neste momento do dinheiro. Se não tiverem consciência que possuem tal montante no banco, os senhores não irão sacar esse dinheiro. Da mesma maneira, embora todos possuam infinita riqueza depositada nesse “Banco do Grande Universo” fundado por Deus, quem não conscientiza isso não consegue sacá-la de acordo com a necessidade – isto é o que ocorre com o comum das pessoas. Há também pessoas que, por desconhecerem que existe esse “Banco do Grande Universo” fundado por Deus, acumulam desesperadamente os bens, deixam-nos depositados no banco dos homens, que ninguém sabe quando poderá falir, e vivem atormentadas pelo medo de perdê-los, quando deveriam depositar o desnecessário para o momento no “Banco do Grande Universo” que não corre o perigo de falir, por toda a eternidade.

Tais pessoas, mesmo que sejam bilionárias, são mais pobres do que eu, que não possuo riqueza em meu nome além do necessário para o momento. Mesmo sendo milionário ou capitalista, quem pensa que o dinheiro ou a fortuna é só o que possui “forma”, e que apenas os depósitos bancários ou títulos em seu nome são a sua fortuna não é tão rico, por maior que seja a riqueza material. Isto porque tal riqueza já está dimensionada. O verdadeiro milionário é aquele que, mesmo não tendo bem algum em seu nome, tem a consciência de que possui no “Banco do Grande Universo” riqueza sem limite e sem forma, e que é capaz de sacá-la a qualquer momento.

O diretor-presidente do “Banco do Grande Universo” é Deus, superintendente do Universo, o qual controla toda a riqueza do Universo. E ele sempre diz a nós, que somos seus correntistas: “De acordo com o grau de tua conscientização, Eu te deixarei sacar. O Meu capital soma infinitos milhões. Àqueles que se conscientizam de que depositaram mil moedas no Meu banco eu pagarei mil moedas; àqueles que se conscientizam de que depositaram um milhão de moedas eu pagarei um milhão de moedas; e àqueles que se conscientizam de que depositaram uma quantia inesgotável pagarei a quantia inesgotável”. Esta é a relação entre o “Banco do Grande Universo” e nós. Como Deus não é o caixa de um banco que possa falir, jamais ficará na caixa do “Banco Central do Universo” negando o pagamento àqueles que o exigem. O que pode ocorrer é que, como os homens vão raramente ao “Banco do Grande Universo”, e recorrem às entidades fundadas pelos homens para pedir o pagamento de pequenas contas ou agenciamento de emprego, por vezes recebem respostas negativas.

O dito antigo “não podeis servir a Deus e à riqueza” é em certo ponto verdade e em outro, não. Em que sentido ele é verdade? Se essa “riqueza” se refere à considerada como proveniente unicamente dos bancos particulares e das habilidades econômicas individuais, se os homens pretenderem ou mantiverem somente “riquezas” desse tipo, estarão correndo em direção contrária ao “Banco do Grande Universo” fundado por Deus e, assim, aproximando-se da riqueza estariam distanciando-se de Deus. Aproximando-se de Deus estariam distanciando-se da riqueza – em última análise, não se pode servir a Deus e à riqueza. Mas, para quem se conscientiza de que a “riqueza” não provém das habilidades econômicas particulares, mas sim do “Banco do Grande Universo” de Deus, quanto mais se aproxima da “riqueza” mais se aproxima de Deus.

É por isso que consta na parábola de um mendigo filho de milionário, da Sutra do Lótus, que o filho, enquanto estivesse longe do pai, sempre seria mendigo; mas, voltando à tutela do pai, pôde tornar-se sucessor do homem mais rico do país. Aquele que, dessa maneira, não vê oposição entre “riqueza” e “Deus”, e sabe que Deus é a origem de todas as coisas, que é dentro d’Ele que há a provisão infinita, sempre busca a riqueza em Deus e a consegue – isto é, ele retira de Deus a riqueza. Alcançando esse estado, reverenciar Deus e obter riqueza são, naturalmente, a mesma coisa.


(Do livro: “A Verdade da Vida, vol. 8”, pp. 127-133)

quinta-feira, março 30, 2017

Transcendendo os pensamentos humanos

- Joel S. Goldsmith - 


O sofrimento deste mundo deve-se à nossa procurada bagagem material – mesmo esperando que esteja no lugar certo. 

Este é o erro: procurar, esperar, desejar que algo apareça. O erro é a crença de que algo esteja desaparecido ou ausente. 

Não há um lugar para você, para mim ou para qualquer “ele”, “ela” ou “aquilo”, a não ser no exato local onde se encontra, que é na Onipresença, onde mesmo aquilo que os humanos sentidos julgam estar ausente quando, de fato, está apenas escondido de nossa vista. 

Do mesmo modo, as nuvens das crenças humanas podem temporariamente esconder de nós aquilo que é onipresente, que está presente onde “Eu sou”. E o que é aquilo que está presente onde “Eu sou”? 

Tudo o que é do Pai é AGORA onipresente – integridade, lealdade, fidelidade, eternidade, imortalidade, justiça, liberdade, contentamento, harmonia de todos os nomes e naturezas – a menos que nós os tornemos finitos e os vejamos como peças de bagagem, algo que ocupa tempo e espaço. 

Nada ocupa TEMPO E ESPAÇO a não ser nossas imagens mentais, e a razão disso é que nós aceitamos o ontem, o hoje e o amanhã.

No momento em que nos elevamos acima do reino mental da vida, percebemos que não há tal coisa como o tempo. 

Qualquer pessoa que tenha feito contato com Deus terá descoberto que não havia consciência temporal durante tal experiência e, embora o contato possa ter demorado apenas meio minuto, nesse curto lapso de tempo ocorreu o bastante para convencê-lo de que se haviam passado algumas horas.

Outras vezes, feito o contato, parece ter demorado só um minuto, mas, ao olharmos o relógio, percebemos que se passaram duas ou três horas.

Em outras palavras, não há percepção de tempo e de espaço na consciência da Onipresença

Estaremos na mente humana – que julga pelas aparências – toda vez que pensamos e raciocinamos, ou quando observamos coisas e pessoas. Só no reino espiritual é que transcendemos a mente.

Algumas pessoas acham um modo de transcender a mente por um processo que tem sido descrito como “o silenciar da mente”; acharam que tais esforços têm dado, frequentemente, resultados, se não em perceber a consciência espiritual, ao menos em deixar o pensamento humano mais sereno.  

Há um modo, contudo, de subirmos além do nível mental da vida, embora não sejamos capazes de ficar permanentemente nesse estado, que requer anos e anos de dedicação exclusiva; podemos porém nos elevar acima da mente a tal ponto que, mesmo se estivermos no mundo, ela não nos perturbará por muito tempo.

Podemos começar por não tentar parar o nosso processo de pensamento. Se a mente quer pensar, nós a deixamos ir; e, se for o caso, sentamos e a observamos em seu processo de pensar. Embora os pensamentos venham, eles não podem nos fazer dano.

Pensamentos não têm poder, e nada há neles que devamos temer, se os temermos ou os odiarmos, tentaremos fazer com que parem e, se por outro lado os amarmos, tentaremos segurá-los. 

Não nos deixemos pois odiar ou temer qualquer pensamento que se apresente à nossa mente, mas não nos permitamos também amá-los ou segurá-los, por mais que nos pareçam bons. 

Deixemos os pensamentos vir e ir embora, enquanto sentamos e observamos como espectadores. 

Tudo o que estamos olhando são sombras que deslizam rapidamente sobre a tela: não há nelas poder nem qualquer substância – não há nelas nenhuma lei ou causa-; são apenas sombras.

Algumas podem ser muito agradáveis, e nós poderemos querer agarrá-las. Outras poderão nos perturbar ou constranger, mas são apenas pensamentos, pensamentos e nada mais. 

Estes pensamentos podem testificar a doença, podem testificar o pecado ou o acidente. Mas, por mais constrangedores que sejam, nós nos quedamos imóveis e os observamos vir e ir embora. “Não há bem nem mal naquilo que estou observando: essas coisas são só figuras, sem poder. Não podem fazer nada, não podem testificar coisa alguma; e, mesmo que pareçam ser boas, não são boas porque são apenas figuras.”

Se tentarmos esse pequeno experimento em nossos momentos de meditação, logo perceberemos que estivemos a sofrer por causa dessas imagens e pensamentos que nos submergiram, e ficamos tão aflitos que tentamos fugir deles ou apagá-los; todavia, quando somos capazes de vê-los em sua perspectiva correta, eles são inofensivas nulidades, apenas sombras. 

Na verdade, por vezes representam teorias ou regras feitas pelo homem, com relativas punições associadas, também produto humano. Quem porém lhes outorgou a autoridade? 

Senão vejamos este aqui testifica a infecção e o contágio e este outro os falsos apetites. O próximo é uma profecia de desastre, o outro é o medo da carência, e este outro é o medo do medo. 

Mas a verdade é que aí só há nomes – terríveis nomes, é verdade, pela sua conotação trágica, mas só nomes. Nomes que Adão deu para algo que não compreendia – apenas imagens no pensamento.

Deixemos de nos amedrontar com nomes. Mesmo que seja uma imagem na maquina de raios X, por que deveríamos temê-la?

Continua sendo só uma imagem, uma representação de imagem mental. Quando não mais a temos na mente, não é mais possível sua representação. 

Nós só podemos fazer figuras daquilo que temos na mente. Se podemos vê-lo, ouvi-lo, tocá-lo, saboreá-lo ou cheirá-lo, será uma atividade da mente, uma imagem mental, o “braço da carne”, uma nulidade. É uma falsa criação que Deus nunca fez.

Sempre que estivermos a pensar nisso, estaremos ainda no reino mental, o reino do conhecimento da verdade; contudo, se continuarmos o nosso exercício, observando honestamente a imagem, começaremos a perceber que se trata de algo sem substância ou causa.

Indiferentemente de quão material pareça ser uma condição, não é nada mais material do que o fora minha bagagem perdida, que não era material: ela era uma imagem mental, cuja descoberta revelou a onipresença.

As pessoas, às vezes, seguindo tais práticas parecem vislumbrar imagens bonitas, ou visões, e cometem então o primeiro engano, tentar segurá-las. 

O segundo engano é querer trazê-las de volta em algum momento futuro. Isso é uma verdadeira insensatez. Nunca devemos fazer isso e nem mesmo segurar uma imagem bonita, pois é só uma imagem. 

Se é de Deus, o próprio Deus pode nos dar muito mais do que precisamos, e, se for uma imagem desagradável, devemos aprender a não temê-la, uma vez que não tem existência como realidade eternizada, mas é apenas uma imagem mental.

Chegaremos talvez ao ponto em que não haja mais o que dizer ou pensar. E assim teremos uma última palavra sobre isso: “Independentemente do que pareça ou afirme ser, não há em você propriedades intrínsecas de bem e de mal. Todas as propriedades estão na consciência que fez este universo à sua imagem e semelhança, e nem o bem nem o mal existem como forma ou efeito. Qualquer que seja seu nome ou natureza, se você existe no tempo e no espaço, você é uma imagem mental, uma nulidade. Eu não tenho de temer você, pois não tem existência no meu ser e nem do de ninguém. Só tem existência na mente, e como existência mental não tem forma e é vazio. Não há em você mais bem ou mal do que numa sombra que se move na dela da lanterna mágica – você é só uma sombra sem substância”.

Quando atingimos a completa quietude e a paz, a mente já não funciona, nós a transcendemos ao subirmos à atmosfera do Espírito, dentro da qual estamos receptivos e sintonizados com qualquer coisa que Deus conceda. 

Tão logo nos tornemos desapegados, isto é, desprendidos do pensamento da fome, do medo, do amor por pessoas ou objetos, de modo que podem flutuar diante de nossos olhos nos deixando completamente indiferentes, não mais estaremos no reino da mente. 

Somos atingidos, tocados, e tocamos a nossa própria alma, que é Deus – estamos na atmosfera na qual, quando Deus fala, nós podemos ouvi-lo.

Quando Deus faz soar sua voz, o coração derrete e todos os problemas se dissolvem.


terça-feira, março 28, 2017

Deus é somente isto: Amor e Bem


- Joel S. Goldsmith -


"Assim diz o Senhor, Rei de Israel, e seu Redentor, o Senhor dos Exércitos:
Eu Sou o Primeiro, e Eu Sou o último,
e além de Mim não há Deus."
(Isaías 44:6)

"Amarás o Senhor, teu Deus,
de todo o teu coração, e de toda a tua Alma
e com todas as tuas forças."
(Deuterônomio 6:5)


Ao longo de todos os tempos, as Escrituras revelam que Deus é o Único Poder, mas quem aceita isso literalmente?

A maioria dos religiosos ensina que existem dois poderes, o Poder de Deus, que é bom e abençoa, e o poder do diabo, que é mau e amaldiçoa.

Até mesmo na Bíblia existem relatos desses dois poderes. Deus está sempre lutando contra o diabo pelo controle da Alma do homem; também há relatos de pessoas lutando umas contra as outras. E a pergunta sempre é: quem ganhará?

Hoje a história se repete. Acidentes, desastres e doenças são explicados com base em dois poderes ou tornando Deus - a Essência Única - responsável por esses males.

Como Ele - A ESSÊNCIA ÚNICA DE TUDO QUE EXISTE - pode ser responsabilizado por qualquer mal, à luz da mensagem e missão de Jesus, que foi a cura dos doentes, a ressurreição dos mortos, a alimentação dos famintos e a superação de todo tipo de desastre?

Jesus disse: "Eu não vim para destruir, mas para trazer plenitude", então, nenhuma dessas coisas pode ser a vontade do Pai, pois na Presença de Deus - NA PERCEPÇÃO DO INFINITO INVISÍVEL  NO AQUI E AGORA - não há nenhum mal.

Se Deus permitisse o pecado, a doença, a morte que estamos experimentando, que chance teríamos nós de superá-los ou de sobreviver?

Se Deus permitisse esses males e soubesse da existência deles, ou se Ele fosse um pai humano querendo ensinar uma lição, como poderíamos aprender a voltar para a casa do Pai?

Desde o início de nosso estudo espiritual aprendemos que Deus é o Único Poder, é o Todo Poderoso, e não só isso, é o Poder de todo o bem - A ORIGEM DE TODO O BEM.

É possível, então, para um Poder do Bem criar, permitir ou tolerar maldades?

No Caminho Infinito, obtemos a Cura Espiritual e para isso precisamos de um  Princípio Exato.

Não pode haver nenhum desvio, assim como não há desvios dos Princípios da Matemática ou da Música.

O Princípio de Cura Espiritual é que Deus é Amor e Vida, Nele não há treva alguma, Ele é Puro demais para enxergar iniquidades.

Mas se somos levados a acreditar que existe um Deus que conhece, permite e tolera a doença ou está nos testando ou punindo através dela, perdemos toda a possibilidade de sermos curados.

Não temos como negar que no mundo há pecados, doença, morte, carência, limitação e guerras. Mas isso significa que Deus permite essas coisas? Não! Essas coisas são aparências transitórias criadas e projetadas pela mente humana que acredita estar separada da  Essência Única - DEUS.

Da mesma forma, os Princípios da Matemática e da Música não são afetados se cometemos algum erro de cálculo ou ao cantarmos fora do tom, a imutabilidade e perfeição da Essência Única - do Eterno Agora - nunca é afetada pelas aparentes imperfeições.

De acordo com o Gênesis, "Deus viu tudo o que havia feito, e viu que tudo era muito bom".

Portanto, se o diabo existisse, Deus como  Essência Única - Origem Única - o teria feito também, e até mesmo ele deveria ser bom.

A crença de que o diabo é mau e Deus é bom nos separa física, mental, financeira e moralmente da harmonia. Isso porque Só Existe Deus, o Bem Absoluto. Não há nenhum mistério ou poder no mal. 

Quando jovens, nos ensinaram a confiar apenas em nossos pais, mas em Isaías aprendemos que "Deus te formou desde o ventre materno". Somos filhos protegidos de Deus, somos aqui e agora os Efeitos dessa Fonte Única desde o ventre, Ele, e somente Ele, nos supre e nos apoia em nossas atividades.

Aprendemos que só Deus - O INFINITO INVISÍVEL - é o Único Poder em nossas Vidas por todo o sempre. 

É fácil imaginar o que teria acontecido com a CRENÇA FALSA de que existe diabo, se tivéssemos aprendido que Só Deus é Poder: jamais haveria o medo do mal ou da punição. Teríamos encontrado somente o amor de Deus e nunca o temor a Deus; nunca acreditaríamos que Ele pudesse nos virar as costas. 

Conhecer a Deus é amá-Lo, e isso só é possível quando entendemos que a Sua natureza É AMOR infinito e que nos doou a sua própria identidade Espiritual e Infinita. Nem mesmo o amor do marido, da esposa ou do filho poderia ser maior do que o nosso amor por Ele, no coração e na Alma.

Deus - A Essência Única - não deveria ser temido, mas reverenciado, amado, lembrado em todos os momentos de cada dia e não apenas por uma hora no domingo.

Não há um momento no qual não possamos conscientemente, mantê-Lo vivo em nossos corações pela lembrança de quem Ele é:

Deus é a Inteligência e o amor do Universo,  o Espírito Onipresente que o criou,  o mantém e o sustenta.

Deus é a fonte da beleza das árvores, flores e frutas, a essência dos vegetais e minerais, do ouro, da prata, dos diamantes e das pérolas no mar.
Deus preenche o mar com peixes e o ar com pássaros. 
Deus está dentro de mim.
Onde eu estou Deus está,
e o Seu Amor me envolve sempre.
Deus é a fonte do meu ser.
Ele é a fonte do meu suprimento e dos alimentos da minha mesa.
Deus é aquele que me dá o trabalho e a força para realiza-lo.
"Ele cumprirá o que me concerne[...]
O Senhor aperfeiçoará o que me diz respeito.

"Aquele que está dentro de mim é maior do que aquele que está no mundo", maior do que qualquer problema.

Há apenas um poder, e Deus é esse poder. 

Não há poder no efeito e não há poder separado de Deus, pois Ele é a Vida de todo o ser.

Essa Verdade, conhecida por todos os povos, existe desde sempre. No texto sagrado hindu, o Bhagavad-Gita,traduzido, por Sir Edwin Arnold, lemos o belo poema épico, "A canção celestial":

Eu digo a ti, armas não te ferem a Vida
A chama não a queima, águas não a inundam,
Nem os ventos a fazem secar, 
Impenetrável, Inexplicável, inatingível, ilesa, intocada, Imortal, toda presente, estável, segura. Invisível, inefável, pela palavra e Pensamento não planejado, tudo em si mesma,  
Assim é a Alma declarada! 

Novamente vemos que há uma vida e Deus é essa vida, só há um poder e Deus - a Essência Única subjacente à todas as aparências transitórias - é esse poder.

Quando se tem a Percepção de Deus como Único Poder - no AGORA ETERNO - não há nada a temer .


sexta-feira, março 24, 2017

Samadhi - O Filme (Parte 1)


(Para visualizar a legenda em português, clique no botão "detalhes" e selecione a opção das legendas)

quarta-feira, março 22, 2017

O Dom Supremo - 7/7

O DOM SUPREMO
(Henry Drummond) 


Estou quase acabando este longuíssimo sermão. Mas, antes, quero fazer uma proposta: quanto de vocês querem juntar-se a mim, para ler este trecho da carta aos coríntios, pelo menos uma vez por semana? Quem quiser, que o faça durante os próximos três meses. Um homem assim o fez, e mudou completamente sua vida. Ou então vocês podem começar por ler esta epístola uma vez por dia, principalmente os versos que descrevem a maneira de agir que combina com o Amor: “O Amor é paciente, é benigno, o Amor não arde em ciúmes.” Coloquem estes ingredientes na vida de vocês. A partir daí, tudo o que fizerem passará a ser Eterno. Vale a pena dedicar um pouco de tempo para aprender a arte de Amar. 

Nenhum homem se torna santo enquanto dorme; é necessário rezar, meditar. Da mesma maneira, qualquer melhora, em qualquer sentido, requer preparação e cuidados. Exijam de si mesmos: viver uma vida plena e correta. Se vocês olharem para trás, perceberão que os melhores e mais importantes momentos da vida foram aqueles onde estava presente o Espírito do Amor. 

Quando olhamos nosso passado – e não nos detemos nos prazeres transitórios da vida -, notamos que os momentos marcantes de nossa existência são aqueles em que vivíamos o amor; ou que, escondidos, fizemos algo de bom para alguém. Coisas às vezes tolas demais para serem contadas, mas que, por frações de segundo, nos fizeram sentir como se estivéssemos mergulhados na Eternidade. 

Eu já vi quase todas as belas coisas que Deus criou. Já gozei quase todos os prazeres que um homem pode gozar. Mesmo assim, ao olhar meu passado, sobram apenas quatro ou cinco momentos - geralmente muito curtos - em que pude fazer uma pobre imitação do Amor de Deus. São esses momentos que justificam minha vida. Todo o resto é passageiro. Qualquer outro bem ou virtude é apenas uma ilusão. Esses pequenos atos de Amor que ninguém reparou, que ninguém conheceu, justificam minha vida. Porque o amor permanece. 

Mateus nos dá uma descrição clássica do Juízo Final: o Filho do Homem senta-se em um trono, e separa, como um pastor, os cabritos das ovelhas. Nesse momento, a grande pergunta do ser humano não será: “Como eu vivi?” Será, isto sim: “Como amei?” O teste final de toda busca da Salvação, será o Amor. Não será levado em conta o que fizemos, em que acreditamos, o que conseguimos. Nada disso nos será cobrado. O que nos será cobrado: nossa maneira de amar o próximo. Os erros que cometemos nem sequer serão lembrados. Seremos julgados pelo bem que deixamos de fazer. Pois manter o Amor trancado dentro de si é ir contra o Espírito de Deus, é a prova de que nunca O conhecemos, de que Ele nos amou em vão, de que Seu Filho morreu inutilmente. Deixar de Amar significa dizer que Deus jamais inspirou nossos pensamentos, nossas vidas, e que nunca chegamos perto Dele o suficiente para sermos tocados por seu exuberante Amor. Significa que “eu vivi por mim mesmo, pensei por mim mesmo, por mim mesmo, e ninguém mais - como se Jesus jamais tivesse vivido, como se Ele jamais tivesse morrido.” 

É diante de Deus que as nações do mundo serão reunidas. É na presença de todos os outros homens que seremos julgados. E cada homem julgará a si mesmo. Ali estarão presentes aqueles que encontramos e ajudamos. Ali também vão estar aqueles que desprezamos e negamos. Não há necessidade de chamar qualquer Testemunha, pois nossa própria vida se encarregará de mostrar, na frente de todos, o que fizemos. Nenhuma outra acusação - além da falta de Amor - será proferida. Não se enganem; as palavras que neste Dia ouviremos não virão da teologia, não virão dos santos, não virão das igrejas. Virão dos famintos e dos pobres. Não virão dos credos e das doutrinas. Virão dos desnudos e dos desabrigados. Não virão das Bíblias e dos livros de orações. Virão dos copos de água que damos ou deixamos de dar. 

- Quem é Cristo? 
É aquele que alimentou os pobres, vestiu os nus, e visitou os doentes. 

- Onde está Cristo? 
“Todo aquele que receber uma criancinha destas em seu nome, também me recebe.” 

- E quem está com Cristo? 
Aquele que ama. 

Quando o rapaz acabou de falar, o sol já havia se posto. As pessoas se levantaram, em silêncio, e foram para as suas casas. Nunca mais, pelo resto de suas vidas, esqueceriam aquele dia. Haviam sido tocadas pelo Dom Supremo, e desejaram, naquele instante, que aquela tarde fosse lembrada por muito tempo. “Embora não possa ser lembrada para sempre”, pensou um deles, consigo mesmo. Porque, como bem havia dito o rapaz, só o Amor permanece.

FIM 

segunda-feira, março 20, 2017

O Dom Supremo - 6/7

O DOM SUPREMO
(Henry Drummond) 


Falta acrescentar muita pouca coisa sobre as razões que levaram Paulo a considerar o Amor como o Dom Supremo. Falta apenas analisar a principal razão. Algo muito importante, que pode ser resumido numa frase curtíssima: O Amor permanece. “O Amor”, insiste Paulo, “jamais acaba”. Então ele nos dá mais uma de suas maravilhosas listas. Fala de assuntos que eram importantes em sua época. Coisas que todos garantiam ser eternas. E mostra como são frágeis, temporárias, agonizantes. 

“Havendo profecias, desaparecerão.” Naquele tempo, o sonho de todas as mães era que seus filhos se tornassem profetas. Durante séculos e séculos, Deus tinha escolhido falar ao mundo por meio dos profetas, e estes eram mais poderosos que os Reis. Os homens esperavam, aflitos, que chegasse um novo mensageiro do Alto, e o honravam quando ele aparecia. Paulo é implacável : "Havendo profecias, desaparecerão." A Bíblia está repleta de profecias. Mas, na medida em que foram transformadas em realidade, perderam seu verdadeiro sentido. Desapareceram como profecias, para se tornarem apenas o alimento da fé de homens piedosos. 

Então, Paulo fala sobre as línguas. “Havendo línguas, cessarão", diz ele. Tanto quanto sabemos, já se passaram milhares de anos desde que as primeiras línguas surgiram sobre a face da Terra. Elas ajudaram o homem a se organizar, crescer, e sobreviver num mundo perigoso e hostil. Onde estão estas línguas? Desapareceram. 

Os egípcios construíram pirâmides e gravaram sua escrita em monumentos que permanecem até hoje. Ainda existem como nação, mas sua língua original desapareceu. Considere estes exemplos da maneira que você quiser, inclusive no sentido literal. Embora não fosse esta a principal preocupação de Paulo, pelo menos podemos entender melhor o que ele estava falando. A carta aos coríntios, que lemos e que discutimos durante todo este tempo, foi escrita originalmente em grego antigo. 

Se formos até a Grécia com o texto original, pouquíssimas pessoas seriam capazes de decifrá-lo. Há mil e quinhentos anos atrás, o latim dominava o mundo. Hoje não significa mais nada. Reparem as línguas indígenas: estão desaparecendo. A língua original do País de Gales, ou a da Escócia, está morrendo diante de nossos olhos. O livro mais popular da Inglaterra, com exceção da Bíblia, é Pickwick Papers, de Charles Dickens. Foi quase todo escrito num inglês falado pelas pessoas nas ruas. Pois bem: estudiosos nos garantem que, em cinqüenta anos, este livro será ilegível para o leitor comum. 

Então, Paulo vai mais longe e acrescenta, com ênfase: "havendo ciência, passará". Onde está a ciência dos antigos? Sumiu por completo. Hoje, um menino de escola secundária conhece muito mais coisas que Sir Isaac Newton, o descobridor da Lei da Gravidade, conhecia em sua época. O jornal que nos traz as novidades da manhã é jogado fora quando chega a noite. Compramos enciclopédias de dez anos atrás por apenas alguns tostões, porque as conquistas científicas que estão em suas páginas já foram completamente ultrapassadas. 

Reparem como a carruagem puxada a cavalo foi substituída pelo vapor. E como a eletricidade, por sua vez, ameaça superar o vapor, jogando no esquecimento centenas de invenções que apenas acabaram de nascer. Uma das maiores autoridades dos dias de hoje, Sir William Thomson, garante: “O motor a vapor em breve deixará de existir.” 

“Havendo ciência, passará.” Vemos no fundo dos quintais algumas rodas velhas, peças quebradas, objetos de ferro corroídos pela ferrugem; vinte anos atrás, estas mesmas peças faziam parte de objetos que eram o orgulho de seu dono. Agora não representam mais nada, a não ser um estorvo do qual não conseguimos nos livrar. Toda ciência e toda filosofia de nossa época, de que tanto nos orgulhamos, um dia envelhecerão. Alguns anos atrás, a maior autoridade de Edimburgo era Sir James Simpson, o descobridor do clorofórmio e o precursor da anestesia. Recentemente, o bibliotecário da universidade onde Sir James Simpson lecionava, pediu ao sobrinho do cientista que se livrasse dos livros do tio. Estes já não tinham qualquer interesse para os novos estudantes. O sobrinho disse ao bibliotecário: “Não são apenas os livros de meu tio. Qualquer livro científico com mais de dez anos deve ser levado para o porão.” Sir James Simpson era uma pessoa mundialmente importante; cientistas de todas as partes do planeta vinham consultá-lo. Entretanto, suas descobertas - e quase todas as outras descobertas de sua época - foram superadas. 

“Porque agora vemos como num espelho, obscuramente.” Vocês podem me dizer algo que permaneça para sempre? Paulo deixou de mencionar muitas coisas. Não falou em dinheiro, fortuna, fama; limitou-se apenas às coisas importantes do seu tempo, às coisas a que se dedicavam os melhores homens da sua época. E as colocou, decididamente, de lado. Paulo nada tem contra as coisas em si; não falou mal delas. Tudo que disse foi que elas não durariam. Eram coisas importantes, mas não eram dons supremos. Existia algo além delas. O que somos é mais do que fazemos, e muito mais do que possuímos. Muitas coisas, que os homens chamam de pecado, não são pecados; são sentimentos e deslizes que desaparecem rápido. Efêmeros. Este é um argumento favorito do Novo Testamento. João não nos diz que o mundo está errado; diz que “passará”. Existem muitas coisas no mundo que são belas; coisas que nos entusiasmam e nos engrandecem. Mas não vão durar. Todo o reino deste mundo, o deslumbramento de visão, os prazeres da carne, o orgulho, tudo existe apenas por um breve momento. Por isso, não deixe que seu amor se prenda às coisas do mundo. Nada que o mundo contém vale a dedicação e o tempo de uma alma imortal. A alma imortal deve entregar-se a algo que é imortal. E as únicas coisas imortais são “a fé, a esperança e o amor”. Alguns podem dizer, inclusive, que duas destas coisas também passam: a fé, quando sentimos e vivemos a presença de Deus, e a esperança, quando é satisfeita e preenchida. Mas, com toda certeza, o Amor continuará presente. 

Deus, o Eterno Deus, é Amor. Busquem, portanto, o Amor - este momento eterno, a única coisa que vai permanecer quando a própria raça humana tiver chegado ao final de seus dias. O Amor será sempre a única moeda corrente aceita no Universo, quando todas as outras moedas, de todas as nações, tiverem perdido seu uso e seu valor. Se vocês querem se entregar a muitas coisas, entreguem-se primeiro ao Amor - e tudo o mais lhes será acrescentado, dando a cada coisa o seu devido valor. 

Deem a cada coisa apenas o seu devido valor. Permitam pelo menos que o grande objetivo de suas vidas seja o de conseguir forças suficientes para defender esta ideia, e construir uma existência usando o Amor como principal referência. Como fez Cristo, que construiu toda a sua obra em cima do Amor. Eu comentava que o Amor é eterno. Já repararam como João o associa, várias vezes, à Vida Eterna? Quando eu era criança, me diziam que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho Unigênito para que todo que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Os mais velhos diziam então - lembro-me bem - que Deus amou tanto o mundo que, se confiássemos Nele, teríamos paz, descanso, alegria, ou segurança. Eu tive que descobrir por mim mesmo que não era bem assim. Que, na verdade, todos aqueles que confiassem Nele - isto é, que O amassem, pois a confiança é uma avenida pela qual o Amor caminha - teriam, isto sim, a Vida Eterna.

Os textos sagrados nos falam de uma nova vida. Não ofereça ao próximo apenas a paz, ou o descanso, ou a segurança. Em vez disso, conte como Cristo veio ao mundo para dar ao homem uma vida mais cheia de Amor - e, por isso mesmo, abundante em salvação, longa o suficiente para que possamos nos dedicar ao aprendizado do Amor. Só assim as palavras do Evangelho fazem sentido, e podem tocar o corpo, a alma e o espírito, dando a cada uma destas partes uma orientação e uma finalidade. 

Muitos dos textos espirituais que vemos hoje são dirigidos apenas a uma parte do homem. Oferecem Paz, mas não falam em Vida. Discutem a Fé, e esquecem o Amor. Contam sobre a Justiça, e não tocam na Revelação. E o homem termina se afastando da Busca Espiritual, porque esta foi incapaz de mantê-lo em sua trilha. Não cometamos esses erros. Que fique sempre claro para nós que só o Amor Total pode competir com o amor deste mundo. Amar abundantemente é viver abundantemente. Amar para sempre é viver para sempre. A vida Eterna está completamente acorrentada ao Amor. 

Por que queremos viver para sempre? Porque desejamos que o dia de amanhã nos traga alguém que amamos. Porque queremos conviver mais um dia com a pessoa que está ao nosso lado. Porque queremos encontrar alguém que mereça nosso amor, e que saiba, por sua vez, nos amar como achamos que merecemos. Por isso, quando um homem não tem ninguém que o ame, sente uma profunda vontade de morrer. Enquanto ele tiver amigos, gente que ele ama e que o ama, ele viverá. Porque viver é amar. Até mesmo o amor por um animal de estimação - um cachorro, por exemplo - pode justificar a vida de um ser humano. Mas se ele não tiver mais esse laço de amor com a vida, desaparece também qualquer razão para continuar vivendo. A “energia da vida” falhou.

Participar da Vida Eterna significa conhecer o Amor. Deus é Amor. João diz: “Estamos no verdadeiro, em seu Filho. Este é o verdadeiro Deus e a Vida Eterna.” Seja qual for sua crença, ou sua Fé, busque primeiro o Amor. E o resto lhes será acrescentado. Pois o Amor precisa ser eterno. Porque Deus o é. Amor é Vida. O Amor nunca falha, e a vida não falhará enquanto houver Amor. É isto que Paulo nos mostra: que, no fundo de todas as coisas criadas, o Amor está presente como o Dom Supremo - porque o Amor permanece, enquanto as coisas acabam. O Amor está aqui, existe em nós agora, neste momento. Não é algo que nos venha a ser dado depois de morrermos. Ao contrário, teremos pouquíssimas chances de aprender o Amor quando estivermos velhos se não o buscarmos e o praticarmos agora. 

O pior destino que um homem pode ter é viver e morrer sozinho, sem amar e sem ser amado. Quem ama está salvo. Quem não ama, nem é amado, está condenado. E aquele que se alegra no Amor, se alegra em Deus, porque Deus é amor.

Continua...

sexta-feira, março 17, 2017

O Dom Supremo - 5/7


O DOM SUPREMO
(Henry Drummond) 


Chega de analisar o Amor. Agora temos que nos esforçar para que todos estes ingredientes passem a fazer parte de nós mesmos. Este deve ser o nosso objetivo no mundo: aprender a amar. A vida nos oferece milhares de oportunidades para aprendermos a amar. Todo homem e toda mulher, em todos os dias de suas vidas, têm sempre uma boa oportunidade de entregar-se ao Amor. A vida não é um longo feriado, mas um constante aprendizado. E a mais importante lição que temos é: aprender a amar. Amar cada vez melhor.

O que faz do homem um grande artista, um grande escritor, um grande músico? Prática. O que faz do homem um grande homem? Prática. Nada mais. O crescimento espiritual aplica as mesmas leis usadas pelo corpo e pela alma. Se um homem não exercita seu braço, jamais terá músculos. Se não exercita sua alma, jamais terá fortaleza de caráter, nem ideais, nem a beleza do crescimento espiritual. O Amor não é um momento de entusiasmo. O Amor é uma rica, forte e generosa expressão de nossas vidas, a personalidade do homem em seu mais completo desenvolvimento. E, para construir isso, precisamos de uma prática constante.

O que fazia Cristo na carpintaria? Praticava. Embora perfeito, aprendia, todos nós já lemos sobre isso. E assim, ele crescia em sabedoria, para Deus e para os homens. Procure ver o mundo como um grande aprendizado de Amor, e não fique lutando contra aquilo que acontece em sua vida. Não reclame por precisar estar sempre atento, ser obrigado a viver em ambientes mesquinhos, cruzando com almas pouco desenvolvidas. Essa foi a maneira que Deus encontrou para você praticar o Amor. E não se assuste com as tentações. Não se surpreenda com o fato de elas estarem sempre à sua volta, e não se afastarem, apesar de tanto esforço e tanta prece. É desta maneira que Deus trabalha sua alma. Tudo isso o está ensinando a ser paciente, humilde, generoso, entregue, delicado, tolerante. Não afaste a Mão que esculpe a sua imagem, porque esta Mão também mostra o seu caminho. Esteja certo de que você está ficando mais belo a cada minuto que passa, e, embora não perceba, dificuldades e tentações são ferramentas utilizadas por Deus. Lembrem-se das palavras de Göethe: “o talento se desenvolve na solidão; o caráter, no rio da vida.” O talento se desenvolve na solidão; a prece, a Fé, a meditação, se desenvolvem na visão clara da vida. Mas o caráter só pode crescer se fizermos parte do mundo. Porque é no mundo que aprendemos a Amar. 

Pois bem, eu mostrei alguns aspectos do Amor, para facilitar nossa compreensão a respeito de Deus e do próximo. Mas são apenas aspectos. O Amor jamais pode ser definido. A luz é muito mais do que a soma de seus componentes, é algo que brilha, fulgurante, no espaço. E o Amor é muito mais do que a soma de todos os seus ingredientes. É algo vivo, palpitante, divino. Se misturarmos todas as cores do arco-íris, tudo que conseguimos criar é a cor branca, não conseguimos fazer a luz. Da mesma maneira, ao sintetizar todas as virtudes das quais falamos, podemos nos tornar virtuosos, mas não quer dizer que tenhamos aprendido a amar. Então, como vamos trazer o Amor para dentro de nossos corações? Vamos trabalhar nossa vontade, para mantê-lo sempre próximo. Vamos tentar copiar os que aprenderam a amar. Vamos esquecer todas as regras que nos ensinaram sobre o que é o Amor, inclusive estas minhas palavras. Vamos orar. Vamos vigiar. Nada disso, porém, vai nos fazer amar, porque o Amor é um efeito. E, só ao conhecermos a causa, o efeito se manifestará. Devo dizer qual é esta causa? Se lermos a versão revisada da Primeira epístola de João, vamos encontrar as seguintes palavras: “Nós amamos porque Ele nos amou primeiro”. Está escrito: “Nós amamos”, e não “Nós O amamos”, como pensam alguns. “Nós amamos porque Ele nos amou primeiro.” Reparem na palavra porque. Essa é a causa a que me refiro. Porque Ele primeiro nos amou, o efeito, consequentemente, é que nós amamos. Somos todos manifestações do Amor. Amamos a Ele, amamos a nós mesmos, amamos a todos. É assim. Nosso coração vai aos poucos se transformando. Contemplem o Amor que lhes é dado, e saberão como amar.

Você não pode se obrigar a amar, e tampouco pode obrigar a qualquer pessoa. Tudo que pode fazer é olhar o Amor, apaixonar-se por ele, e copiá-lo. Ame o Amor. Olhe o grande sacrifício que Ele propôs a si mesmo. Ao amá-lo, você se tornará como Ele. O Amor produz Amor. Coloque uma peça de ferro numa fonte de eletricidade, e você levará um choque. É um processo de indução. Ou a coloque perto de um ímã, e esta peça também se transformará em um ímã enquanto estiver ali. Permaneça perto de Quem nos amou, e você será imantado por esse Amor. Qualquer homem que buscar esta Causa, terá o seu Efeito. Tente livrar-se do preconceito de que a Busca Espiritual existe por acaso, ou capricho, ou por nosso gosto por mistério. Ela está aí por causa de uma lei natural, ou melhor, espiritual, porque é uma lei divina.

Edward Irving visitava um menino que estava morrendo. Ao entrar no quarto, colocou a mão na testa do garoto e disse: "Garoto, Deus te ama." Não disse mais nada. Saiu em seguida. O garoto levantou-se, chamou todas as pessoas da casa, e gritava: "Deus me ama! Deus me ama!" A mudança foi completa; a certeza de que Deus o amava lhe deu forças, destruiu o que havia de mal, e permitiu sua transformação. Da mesma maneira, o Amor derrete o mal que existe no coração de um homem e o transforma em uma nova criatura, paciente, humilde, tolerante, gentil, entregue (desapegado), sincera. Não existe nenhuma outra maneira de conseguir amar, e tampouco há qualquer mistério sobre isso. Nós amamos os outros, amamos a nós mesmos, amamos nossos inimigos, porque, primeiro, fomos amados por Ele.
Continua... 

terça-feira, março 14, 2017

O Dom Supremo - 4/7

O DOM SUPREMO
(Henry Drummond) 


7) O Amor é Tolerância. 

O próximo ingrediente é a tolerância. “O Amor não se exaspera”. Somos inclinados a julgar a intolerância como um defeito de família, uma característica da personalidade, uma distorção da natureza, quando na verdade deveríamos considerá-la uma verdadeira falha do caráter do homem. Em razão disso, na análise que faz do Amor, Paulo cita a tolerância. E a Bíblia, em muitas outras passagens, cita a intolerância como o elemento mais destruidor da nossa maneira de agir. O que mais me impressiona é que a intolerância, o preconceito, está sempre presente na vida de pessoas que se julgam virtuosas. Geralmente é a grande mancha numa personalidade que tinha tudo para ser gentil e nobre. Conhecemos muitas pessoas que são quase perfeitas mas que, de repente, acham que estão certas em alguma coisa e perdem a cabeça por causa disto. Esta suposta boa relação entre a virtude e a intolerância é um dos mais tristes problemas da raça humana e da sociedade. 

Na verdade, existem dois tipos de pecado: pecados do corpo e pecados do espírito: Em certa parábola do Novo Testamento, o Filho Pródigo abandona sua família e sai pelo mundo, enquanto o irmão mais velho fica junto ao pai. Depois de muitas desgraças, o Filho Pródigo resolve voltar, e o pai dá uma grande festa em sua homenagem. Ao saber disso, o irmão mais velho revolta-se contra o pai: "Não fiquei aqui ao seu lado este tempo todo, trabalhando, enquanto ele gastava sua herança?", pergunta. Podemos considerar que o Filho Pródigo comete o primeiro tipo de pecado, enquanto o irmão, o segundo. A sociedade, curiosamente, garante saber qual dos dois tipos de pecado é o pior, e sua condenação cai, sem sombra de dúvidas, sobre o Filho Pródigo. Mas será que estamos certos? Não temos nenhuma balança para pesar o pecado dos outros, e "melhor" ou "pior" são apenas duas palavras do vocabulário. Mas eu vos digo: faltas mais sofisticadas podem ser muito mais graves do que as simples e óbvias. Aos olhos Daquele que é Amor, um pecado contra o Amor é cem vezes pior. Não existe nenhum vício, ou desejo, ou avareza, ou luxúria, ou embriaguez que seja pior que um temperamento intolerante. 

Por tornar a vida amarga, por destruir comunidades, por acabar com muitas relações, por devastar lares, por sacudir homens e mulheres de suas bases, por tirar toda a exuberância da juventude, por seu poder gratuito de produzir miséria, a intolerância não tem concorrentes. Olhamos para o irmão mais velho, correto, trabalhador, paciente, responsável. Vamos dar a ele todo o crédito de suas virtudes, olhemos para este rapaz, para esta criança que agora se encontra na porta da casa, diante de seu pai. "Ele se indignou", nós lemos, "e não queria entrar". Como a atitude do irmão deve ter afetado o Filho Pródigo! E quantos filhos pródigos são mantidos fora do Reino de Deus por causa destas pessoas sem amor, que garantem estar do lado de dentro! 

Como devia estar o rosto do irmão mais velho ao dizer aquelas palavras? Coberto por uma nuvem de ciúme, raiva, orgulho, crueldade, certeza de que havia agido sempre direito. Determinação, ressentimento, falta de caridade. São esses os ingredientes dessa alma escura e sem Amor. São esses os ingredientes da intolerância e do preconceito. 

E todos nós, que já sofremos este tipo de pressão muitas vezes na vida, sabemos que estes pecados são muito mais destruidores do que os pecados do corpo. Não falou o próprio Cristo a este respeito, quando disse que as prostitutas e os pecadores entrariam no Reino dos Céus, na frente dos sábios escribas de sua época? Não existe lugar Reino para os preconceituosos e os intolerantes. Um homem preconceituoso conseguiria tornar o Paraíso insuportável para si e para os outros. Se o intolerante não nascer de novo, deixando de lado tudo aquilo que julga intocável e certo, ele não pode, simplesmente não pode, entrar no Reino dos Céus. Porque, para entrar no Reino dos Céus, o homem precisa carregar o Paraíso em sua alma. 

Reparem! Enquanto falava, eu me exasperei. E uma bolha da intolerância subiu, mostrando algo podre lá no fundo. Este é um grande teste para o Amor: saber que por mais que tentemos, não conseguimos quase nunca a paz necessária para que o Amor floresça. Vejam como as partes mais ocultas da alma aparecem quando baixamos a guarda. E de repente, pregando a generosidade, a humildade, a paciência, a cortesia, a entrega, me exaltei. Cometi o vício de quem fala em virtude: a intolerância manifestou-se. Vemos que não basta apenas falar de preconceitos ou lidar com eles. Temos que ir até onde eles se escondem, mudar o que há de mais íntimo em nossa própria natureza. Só assim os sentimentos de raiva morrerão por si mesmos. E nossas almas serão mais suaves, não porque colocaram a agressividade para fora, mas porque colocaram o Amor para dentro. 

Deus é Amor. Um amor que, ao nos penetrar, suaviza, purifica, e a tudo transforma. Afasta o que está errado, renova, regenera, reconstrói o interior do homem. O poder da vontade não transforma o homem. O tempo não transforma o homem. O Amor transforma. Portanto, deixem o Amor entrar. Lembrem-se: isto é uma questão de vida ou de morte. De nada adianta eu estar aqui falando sobre o Amor se sou incapaz de despertá-lo. “Melhor seria que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra, de moinho e fosse atirado ao mar do que fazer tropeçar a um destes pequeninos.” Ou seja: melhor não viver que não amar. Melhor não viver do que não amar. 


8 e 9) O Amor é Inocência e Sinceridade:

Vamos falar pouco de inocência e sinceridade. As pessoas que mais nos influenciam, mais nos tocam, são aquelas que acreditam no que dizemos. Num ambiente de mútua suspeita, as pessoas se retraem. Diante da inocência, porém, todos nós crescemos. Encontramos coragem e amizade junto de quem acredita em nós. Quem nos entende, pode nos transformar. É muito bom saber que, aqui e ali, ainda existem certas pessoas que não ficam ressentidas com o mal porque sabem a importância do bem que estão fazendo. Estas pessoas cresceram aos olhos dos homens e de Deus. Não temem a inveja ou a indiferença. Porque o Amor "não se ressente do mal", vê sempre o lado bom, coloca o melhor de si para funcionar. 

E, de novo, quem ama é quem sai ganhando, embora não procure nenhuma recompensa. Que maravilhosa é a vida daqueles que estão sempre na luz! Que estímulo, que bênção, passar um dia inteiro sem ressentir-se com qualquer mal. Fazer com que as pessoas confiem em nós é estar muito perto do Amor. E só vamos conseguir isto se confiarmos nas pessoas. O pouco que os outros podem nos ferir por causa da nossa atitude inocente, não significa nada perto da alegria que vamos passar e sentir diante da vida. Não será mais necessário carregar pesadas armaduras, incômodos escudos, armas perigosas. A inocência nos protege. Só podemos ajudar alguém, se nele confiarmos. Pois o respeito pelos outros termina fazendo com que recuperemos o respeito por nós mesmos. Se acreditamos que uma pessoa pode melhorar, e esta pessoa sente que a consideramos igual a nós mesmos, terá ouvidos para nossas palavras. Acreditará que pode se tornar uma pessoa melhor. 

"O amor não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade." Chamei esse ingrediente de sinceridade.

Aquele que sabe amar ama a Verdade tanto quanto o seu próximo. Alegra-se com a Verdade, mas não com a verdade que lhe foi ensinada. Não com a verdade das doutrinas. Nem com a verdade das igrejas. Nem com este ou aquele "ismo". Ele se alegra na Verdade. Busca a Verdade com uma mente limpa, humilde, e sem preconceitos ou intolerância, e acaba ficando satisfeito com o que encontra. Talvez a palavra sinceridade não seja a melhor para explicar esta qualidade do Amor, mas não consigo encontrar nenhuma outra. Não estou falando da sinceridade que humilha o próximo, aquela que usa o erro dos outros para mostrar o quanto somos bons. O verdadeiro Amor não consiste em expor aos outros a sua fraqueza, mas aceitar tudo, alegrar-se ao ver que as coisas são melhores do que os outros disseram.

Continua...