"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quarta-feira, setembro 07, 2016

O que é originariamente Um - 1/2

- Masaharu Taniguchi -


Seja pelo contato com seus filhos ou pelas recordações da sua própria infância, você já deve ter percebido que as crianças vêem com espanto e admiração todas as coisas que as cercam. É que tudo parece novidade (e é, realmente) aos seus olhos. Para uma criança, os acontecimentos da natureza como, por exemplo, o desabrochar de uma flor, é motivo de espanto e perplexidade. Por isso, frequentemente as crianças nos "bombardeiam" com perguntas como: "Por que é que as flores se abrem?", "Por que é que o Sol nasce de manhã e se esconde à tarde?", "Por que é que as estrelas brilham?", etc., etc. Tais perguntas exprimem o grande espanto e admiração que as crianças sentem em relação a todas as coisas.

No romance Gyuniky to Bareisho, uma das principais obras do renomado escritor japonês Doppo Kunikida, há uma passagem onde o personagem principal diz: "Eu quero sentir espanto...". Realmente, é muito importante conservarmos sempre a capacidade de sentir espanto e admiração diante das coisas que nos cercam. As crianças têm essa capacidade. Elas experimentam a sensação de nova descoberta em relação a tudo. Assim, cada vez que deparam com pessoas, coisas e fatos, elas se perguntam, com espanto: "Que será isso?", "Por quê?", etc. A capacidade de sentir espanto e admiração é um dos "tesouros espirituais" mais valiosos.

As criancinhas, por terem essa capacidade, vêem como novidade todas as coisas com que deparam. Mesmo que a "coisa" em si seja velha, elas a encaram como uma nova descoberta, porque o seu espírito é novo. Os adultos, porém, tendem a ficar com o espírito envelhecido. Envelhecer é "não se renovar diariamente". Quando a mente não se renova diariamente, ela "endurece" e perde a liberdade. Aquele que encara as coisas com a mente "endurecida" e sem liberdade, não pode compreender o verdadeiro valor e a maravilha das coisas que o cercam. Ele acha que nada há de extraordinário no fato de as flores desabrocharem, no fato de as estrelas brilharem, no fato de existir a atmosfera, etc. E não achando nada extraordinário, não se sentirá emocionado ou maravilhado diante de coisa alguma. Assim, por maiores que sejam as dádivas recebidas, não sentirá gratidão, nem se emocionará. Viverá num mundo insípido, e não poderá sentir a verdadeira alegria e satisfação da alma. Não há, pois, pessoas mais infelizes do que aquelas que perderam a capacidade de maravilhar-se e emocionar-se.

"Abrir os olhos da alma" é recuperar a vivacidade de espírito, é readquirir a capacidade de maravilhar-se e emocionar-se. Quando despertamos para o milagre da Vida (Natureza), não podemos deixar de nos maravilhar diante de tudo quanto vemos. Vejamos, por exemplo, uma pequena flor do campo. Como é delicada e sutil a sua estrutura! Por mais que o homem empregue a sua engenhosidade na confecção de uma flor artificial, ele não conseguirá produzir algo tão belo e delicado como uma flor natural. Até na mais humilde florzinha está presente o milagre da Vida. Quem será o autor de tão maravilhosa obra? Quem será que construiu algo tão belo, tão delicado e tão bem elaborado? As crianças, cujos "olhos da mente" não estão envelhecidos, ficam admiradas e curiosas diante desses mistérios. Mas os adultos, por estarem habituados com essas coisas, não sentem admiração nem curiosidade.

A admiração e a curiosidade ante o mistérios da Vida nos conduzem ao desejo de buscar a origem desses mistérios. E o desejo de conhecer a origem dos mistérios da Vida constitui a base, tanto do espírito religioso como do espírito científico. E quando o espírito de pesquisa aprofunda-se até atingir o "mundo imaterial", ele se manifesta como espírito religioso.

Existem muitas pessoas que pensam que a religião e a ciência chocam-se frontalmente. Mas isso não é verdade. O espírito de busca da verdade científica e o espírito de busca da verdade religiosa são uma coisa só, em sua essência. Na realidade, ambos são "espírito de busca da origem dos mistérios da Vida", atuando independentemente em missões distintas, tais como os destacamentos de um exército.

Diante de cada coisas que os nossos olhos captam, devemos sentir o vivo anseio de buscar sua origem. Quando desejamos e buscamos ardentemente a origem das coisas, tornamo-nos capazes de chegar até ela, natural e intuitivamente. Jesus disse: "Buscai, e achareis...". Sim, existindo em nós o sincero espírito de busca, tudo nos será revelado ou dado, à proporção que buscamos.

As pessoas que acham que tudo é natural e não se maravilham com coisa alguma, não possuem espírito de busca. Se Isaac Newton não tivesse achado nada de extraordinário no fato de uma maçã desprender-se do ramo e cair no chão, certamente ele não teria descoberto a existência da gravitação universal. Mas esse fenômeno natural (isto é, o fato de uma coisa cair de cima para baixo) despertou em Newton curiosidade e perplexidade. Isto porque ele tinha espírito jovem, vigoroso, repleto de desejo de busca. Graças a isso, ele pôde descobrir a força da gravitação universal. Porém, a sua busca nessa área parou aí, porque ele aceitou como fenômeno natural a existência dessa lei. É preciso que o nosso espanto, a nossa admiração, nossa curiosidade e perplexidade diante das coisas e fatos que observamos, alcancem uma profundidade bem maior. Precisamos, por exemplo, querer saber por que existe a lei de gravitação universal. Quando o nosso espanto e a nossa perplexidade diante das coisas/fatos observado não desaparecem com a simples explicação científica, e impelem-nos a continuar buscando suas origens e causas num nível mais profundo, chegamos às descobertas religiosas realmente profundas. Devemos, pois, dizer que o espírito religioso é o anseio para se chegar à origem de tudo quanto parece misterioso. Ele atinge, portanto, uma profundidade maior do que o espírito científico.

A curiosidade de Newton quanto à causa da queda dos objetos foi satisfeita com a descoberta da força da gravitação universal. Porém, a força gravitacional é uma força que não vai além do mundo físico. Quando ultrapassamos os limites do mundo físico, descobrimos o mundo de Deus, o mundo da religião.

Vamos supor que eu tenha, em minha mão, um ramo de flor. Como será que se forma uma flor? Primeiramente, a planta absorve os elementos nutritivos do solo, através de suas raízes. Processam-se, então, as funções orgânicas da planta, e ela assimila os elementos nutritivos absorvidos. Quando os elementos assimilados se "dispõem" em determinada ordem, dá-se a formação da flor. Até aí, as explicações científicas podem nos esclarecer. Mas quando não paramos aí, e prosseguimos em nossa busca para saber o porquê de tudo isso, alcançamos, finalmente, a fonte da misteriosa força da Vida – a Força de Deus.

Na verdade, o "sentimento religioso", sendo manifestação do espírito de busca mais profundo do que o "espírito científico", leva o homem a procurar a Verdade mais profunda. Podemos, pois, dizer que o "espírito religioso" é o "espírito científico em sua maior profundidade". Portanto, ser religioso não é manter uma crença cega, mas sim possuir um espírito de busca mais profundo do que um simples "espírito científico". A ciência da matéria consiste em pesquisar, do ponto de vista físico, a estrutura, a organização, etc. de todas as coisas. Quando a nossa busca não para aí, e aprofundamo-nos cada vez mais na procura das causas e origens de todas as coisas, desenvolve-se em nós o "espírito científico que alcança um mundo além da ciência". Podemos dizer que se trata, antes, de um verdadeiro "espírito religioso" do que um "mero espírito científico".

Se alguém perguntasse "O que mantém vivo o ser humano?", um médico responderia que "o homem vive porque o seu coração ou cérebro está funcionando". Sendo cientista, ele conhece cientificamente o corpo humano. Assim, se um paciente estiver prestes a ter uma parada cardíaca, ele aplica uma injeção de cânfora para estimular o seu coração e faz com que ele volte a funcionar. Analisando o corpo humano sob o ponto de vista científico, os médicos dizem que "o homem vive enquanto o seu coração estiver funcionando". Todavia, a medicina ainda não descobriu "o que faz o coração funcionar".

A medicina atual ainda não encontrou a verdadeira explicação para isso. Várias teorias têm sido apresentadas. Nós sabemos que o coração, através de seu movimento de sístole (contração) e diástole (dilatação), impele o sangue para todas as partes do corpo, mas não compreendemos o porquê de tudo isso. É preciso que nos aprofundemos mais na busca da "origem" e compreendamos não apenas a nossa "estrutura física", mas também a existência da misteriosa força da Vida que, embora invisível, está agindo incessantemente dentro de nós para nos manter vivos. E o que nos leva a profundarmo-nos mais na busca de respostas para as perguntas como "Por que o coração funciona?", é justamente a religião. portanto, religião não é uma mera "crença cega". Muito pelo contrário, ela é algo que estimula em nós o desejo de busca mais profundo do que aquele que a ciência desperta.

Quando o homem não se satisfaz com explicações superficiais a respeito das coisas e fatos e busca persistentemente a verdadeiras origens e causas de tudo, finalmente atinge aquilo que Hebert Spencer, filósofo e sociólogo inglês, denominou "Princípio Primeiro". "Princípio Primeiro" é, como o próprio nome diz, a origem de tudo. É algo cuja existência não depende de outra "causa". Ele existe por si mesmo, desde o princípio. Assim, quando o nosso espírito de busca nos leva a aprofundarmo-nos ao máximo na procura da origem do que quer que seja, inevitavelmente chegamos até o "Princípio Primeiro". Vamos supor que uma pessoa queira saber por que o coração funciona. Estudando o funcionamento do coração, ela vai saber como é a estrutura celular desse órgão, como se processa a circulação do sangue, como o aparelho respiratório purifica o sangue, etc. Então, surge uma outra pergunta: "Por que o homem respira?". Se a pessoa, não satisfeita com meras explicações científicas, continuar buscando respostas para as perguntas que vão surgindo uma após a outra, inevitavelmente chegará a um ponto em que terá de reconhecer a existência do "Princípio Primeiro" – ou seja, o "princípio de todas as coisas", o qual não admite mais a pergunta "Por que?".

Esse "Princípio" é que é Deus, é a Vida. Quando o homem busca incansavelmente os porquês de todas as coisas e fatos, finalmente chega até o Ser Misterioso que existe desde o princípio. Esse Ser Misterioso é que é Deus. Em todos os seres humanos existem o desejo e o esforço (ainda que inconscientes) de chegar até Deus. Devemos, pois, dizer que o sentimento religioso do homem é algo muito profundo. 

Ocorre-nos , então, a seguinte pergunta: "Por que o homem possui sentimento religioso?". Podemos dizer que o homem, sendo uma criatura oriunda de Deus, traz em seu íntimo o desejo de reencontrar Aquele que é a sua origem. Se fôssemos criados num orfanato ou num lar adotivo, cedo ou tarde surgiria em nós o desejo de encontrar os nossos verdadeiros pais, que talvez estivessem vivos em algum lugar. O desejo de reencontrar os pais é, em última análise, o anseio de descobrir a própria origem. Tanto o desejo de descobrir a origem do nosso corpo carnal, como o desejo de descobrir a origem da nossa Vida, são a manifestação da saudade daquele que nos gerou, e da necessidade imperiosa que sentimos de conhecê-lo, ir a seu encontro. Portanto, ambos os desejos têm fundamento na Grande Verdade, segundo a qual todo indivíduo é "originariamente uno" com seu Pai espiritual e também com seus pais carnais. Porque somos originariamente unos com o ser que nos gerou, sentimos o desejo de reencontrá-lo e unirmo-nos novamente a ele.


Do livro: "A Verdade da Vida, vol. 29", pp. 103-110


domingo, setembro 04, 2016

O "mundo mental" antecede o "mundo das formas" - 2/2

- Masaharu Taniguchi -


O que foi dito anteriormente aplica-se também à questão de casamento: um enlace matrimonial ocorre primeiramente no mundo imaterial e pouco a pouco vai surgindo no mundo das formas. Assim, por mais que uma pessoa anseie ou se apresse no "mundo das formas", não se concretizará o seu casamento, se este ainda não estiver "consumado" no mundo da mente. O que é preciso fazer é orar a Deus, tornar-se um com ele, e com Sua orientação deixar "formado" um bom casamento no mundo da mente. Assim, esse bom casamento se concretizará naturalmente no mundo das formas, sem que seja necessário apressar-se ou ansiar por ele. 

Numa das viagens que fiz à região de Kansai, contaram-me o seguinte caso: Reside em Kyoto uma adepta da Seicho-No-Ie, que aqui vou chamar de sra. A, mãe de três filhas. A filha mais velha, na época, já estava com 24 anos, sem ainda ter casado, o que preocupava seus pais. Achando que sua filha estava demorando demais para arranjar um marido, a sra. A foi consultar uma amiga sua, a sra. I, que então lhe deu o seguinte conselho:

– Como você sabe, a Seicho-No-Ie ensina que a pior coisa é ficar com a mente presa, ou seja, ficar obcecado. Portanto, pare de se preocupar com esse problema e confie tudo a Deus. Não é preciso ter tanta pressa para casar sua filha. O melhor é deixar os fato acontecerem de forma natural. Mas também não é preciso chegar ao extremo de ficar esperando que "caia do céu" um bom partido para sua filha, achando que não convém recorrer aos amigos e conhecidos. Sentir vontade de recorrer aos outros é também uma coisa natural. Certa vez, o Mestre Masaharu Taniguchi disse que as pessoas que têm filha casadoura poderiam levar as fotografias dela a diversos conhecidos, e depois deixar que as coisas aconteçam naturalmente, conforme a vontade de Deus.

A sra. A ouviu com atenção esses conselhos da sra. I e, chegando em casa, contou tudo à sua filha, que então respondeu:

– Eu não me casarei com um homem que se apaixone por mim só de ver uma fotografia minha. Eu só vou me casar com alguém que passe a me amar sinceramente, e a quem eu também passe a amar, depois de nos termos visto pessoalmente e trocando ideias...

Achando que sua filha não deixava de ter razão, a sra. A desistiu de "distribuir" fotografias dela a seus amigos e conhecidos. Mas já estava mais tranquila, lembrando-se das palavras da sra. I: "Não é preciso ter tanta pressa para casar sua filha. A Seicho-No-Ie ensina que nada deve ser forçado. O melhor é deixar os fatos acontecerem naturalmente". É verdade – pensou a sra. A. – A atitude da minha filha também é natural, e não há o que reprovar. Agora sei que Deus, sendo onisciente, resolverá tudo da melhor maneira. Vou, pois, entregar tudo nas mãos d'Ele.

Dias depois, a sra. I veio visitar a sra. A, trazendo consigo a fotografia de um jovem. Mostrando o retrato à sra. A, ela disse:
– Que tal arranjarmos o casamento deste rapaz com sua filha?
Como se tratava de um "bom partido", e a moça não fez nenhuma objeção, o "arranjo matrimonial" prosseguiu sem nenhum empecilho.

Por essa época, um sobrinho da sra. A veio de Tóquio para visitar os tios. A sra. A contou-lhe a respeito do "arranjo matrimonial" de sua filha, que estava em andamento, e mostrou a fotografia do pretendente. O sobrinho ficou olhando fixamente para o retrato durante alguns minuto, e depois disse: – Tia, não sei por que, mas não consigo simpatizar com ele. Talvez seja o seu jeito de olhar... Eu acho que esse casamento não vai dar certo.

Acontece que esse sobrinho tinha bons conhecimentos de Fisiognomonia (arte de conhecer o caráter das pessoas pelos traços fisionômicos) e também era capaz de perceber a compatibilidade ou incompatibilidade entre as pessoas.

– Se possível, ponha um fim nesse caso – disse o sobrinho. – Dentre os meus amigos, há um rapaz que pode ser um ótimo candidato à mão de sua filha. Que tal eu apresentá-lo a ela?

Mas os pais da moça acharam que o caso não era tão simples assim. Apesar dos conselhos do sobrinho, não poderiam recusar, por um motivo tão vago, o prosseguimento daquele "arranjo matrimonial", principalmente porque a sra. I, que apresentara o rapaz, era uma amiga muito chegada. Vendo a relutância dos pais da moça, o sobrinho disse:

– Existe uma maneira de recusar esse pretendente de sua filha, sem ofender nem a ele nem a sra. I. Em primeiro lugar, vocês vão consultar um vidente. Se este disse que tal casamento vai dar certo, a solução é deixar que sua filha se case com esse pretendente. Caso contrário, recuse-o, argumentando que "o vidente prevê má sorte nesse casamento". Desse modo, nem o rapaz nem a sra. I irão ficar magoados ou ofendidos.

Seguindo o conselho do sobrinho, a sra. A foi consultar um vidente. Assim que a sra. A forneceu alguns dados sobre sua filha e seu pretendente, o vidente disse categoricamente: – Esse casamento não vai dar certo. Não há nenhuma afinidade entre os dois.

Assim, os pais da moça tomaram a decisão de recusar aquele pretendente. Já que o vidente previra, de fato, má sorte nesse casamento, eles puderam encerrar as conversas sem ferir nenhuma das pessoas envolvidas.

O sobrinho levou a prima para sua casa em Tóquio, onde residia desde que se casara há três anos. Ele tinha a intenção de apresentar à prima um amigo seu. Sendo músico, ele tinha muitos amigos músicos, que frequentavam sua casa. Certo dia, um desses amigos, que lecionava num conservatório, veio visitá-lo e, vendo a prima do amigo, apaixonou-se por ela. "Que moça encantadora! Queria tê-la como esposa..." – pensou ele. Mas não disse nada a ninguém. Quando um homem ama verdadeiramente uma mulher, ele não a pede logo em casamento, sem antes pensar no destino que poderia oferecer a ela.

"Eu estou apenas começando minha carreira como músico e ganho muito pouco. Por isso, mesmo que me case com ela, não serei capaz de fazê-la feliz. Gostaria de pedi-la em casamento, mas não devo fazer isso" – assim pensando, o jovem e sensato professor de música manteve em segredo os seus sentimentos.

Nas férias do conservatório, ele voltou à casa de seus pais, na província. E seu pai surpreendeu-o com a seguinte pergunta:

– Meu filho, você não gostaria de se casar?
– Casar?! – disse o jovem. –Mas pai, eu ainda não tenho condições para isso.
– Mas se houvesse uma "candidata" ideal para você, gostaria de se casar, não é?
– Claro que gostaria; mas, como já disse, o que eu ganho mal dá para o meu próprio sustento...
– Ora, não precisa se preocupar com isso. Eu lhe darei uma ajuda financeira até que a sua situação melhore. O que importa é você se casar com uma boa moça. A propósito, a sra. A tem uma filha, que é uma jovem excelente. Será que você a conhece? É esta aqui. Você não gostaria de desposá-la?

Assim dizendo, o pai mostrou-lhe uma fotografia, onde se via um grupo de pessoas, e apontou uma moça. Vendo-a, o filho ficou muito surpreso, pois era a moça que ele conhecera há dias na casa de seu amigo, e por quem se apaixonara à primeira vista.

O pai conhecera a moça no dia do casamento do sobrinho da sra. A, três anos atrás, e simpatizara com ela à primeira vista. Naquela ocasião, ele pensara: "Gostaria que meu filho se casasse com essa moça daqui a dois ou três anos, quando ele tiver se formado e arranjado um emprego". Desde então, vinha aguardando uma oportunidade para falar com o filho a respeito dessa moça.

Como vemos, o pai do jovem músico já tinha "escolhido" aquela moça como futura esposa de seu filho, e este, por coincidência, conheceu-a na casa de seu amigo e passou a amá-la em segredo. Qual não foi a surpresa e a alegria do rapaz, ao saber que seu pai desejava vê-lo casado com aquela moça! Nem é preciso dizer que ele concordou imediatamente quando seu pai sugeriu que fosse marcado um encontro com ela em Tóquio. O pai do rapaz entrou em contato com outro parente da sra. A, que morava em Tóquio, solicitando-lhe providências. E assim, alguns dias depois, a sra. A recebeu desse parente um telegrama convidando a ela e sua filha para irem visitá-lo em Tóquio o mais breve possível. Chegando lá, as duas ficaram sabendo dessa proposta de casamento, que parecia vir "sob encomenda", e a moça não teve dúvidas em aceitá-la.

Concluindo, essa união feliz já havia ocorrido no mundo da mente há três anos, quando representantes de ambas as famílias haviam comparecido ao casamento do sobrinho da sra. A. Mas, enquanto os pais da moça viviam ansiosos por vê-la casada, tardava a concretização dessa união no mundo das formas, devido ao obstáculo chamado "obsessão". Porém, quando eles conheceram a Seicho-No-Ie, suas mentes se libertaram dessa obsessão. Eles deixaram de se preocupar em casar sua filha e passaram a confiar tudo a Deus. Foi então que apareceu um ótimo pretendente à mão de sua filha, e realizou-se o feliz enlace.

A atitude mental obstinada desaparece quando a mente se torna livre, dócil, receptiva e disposta a pôr em prática tudo aquilo que é possível realizar agora. E então, manifesta-se neste mundo as melhores coisas que Deus já providenciou para nós no mundo da "mente".

Conforme está escrito no "Yuishin-ge" da sutra budista Kegon-kyo, a mente pode "desenhar" qualquer coisa na tela chamada "mundo dos fenômenos", como se fosse um exímio pintor. Assim como o receptor de rádio, a mente atrai apenas coisas que sintonizam com suas próprias "ondas" ou "vibrações". E depois ela "projeta" essas coisas na tela do "mundo dos fenômenos", da mesma forma que um pintor reproduz na tela os traços e as figuras que revelam a sua personalidade.

Mesmo que não pensemos concretamente em doenças ou infelicidades, esses males virão a nós se mantivermos quaisquer outros pensamentos igualmente sombrios. Ocorre isso em razão da lei mental segundo a qual "os semelhantes se atraem". Assim, ainda que não "desenhemos" mentalmente determinada doença ou determinada forma de infelicidade, elas poderão se manifestar concretamente devido à capacidade criadora da mente, se mantivermos quaisquer pensamentos sombrios. O aparelho de rádio faz "soar concretamente" as transmissões da emissora com que estiver em sintonia. A mente também funciona de forma semelhante: se estiver emitindo constantemente vibrações negativas, pessimistas, sombrias, deprimentes, cheias de ódio e ressentimentos, ela se sintonizará somente com vibrações mentais igualmente negativas, que passarão a se manifestar concretamente, sob a forma de doença, infelicidade, etc.

Acho que ninguém se casa pensando, desde o princípio, na possibilidade de um dia se divorciar. Mas, o infeliz acontecimento chamado "divórcio" está ocorrendo, a cada momento, em algum lugar do mundo, e a "ideia" do divórcio está repleta em toda a parte. Portanto, mesmo que uma pessoa não tenha nenhuma intenção de se divorciar, seu casamento poderá acabar em divórcio, se sua mente ficar preenchida de pensamentos sombrios e agressivos que sintonizam  com coisas tristes e infelizes como o "divórcio". Isto porque a ideia do "divórcio", que está repleta em toda parte do mundo, é captada pelo "receptor" da mente sombria e agressiva, e acaba se manifestando concretamente na vida da pessoa. Quando uma pessoa emite vibrações mentais negativas, sombrias e agressivas, estas agem como ímãs que atraem ideias infelizes (como a do "divórcio") que estão sendo emitidas constantemente em alguma parte do mundo, e fazem-nas manifestar-se concretamente.

As "infelicidades" não existem realmente. No entanto, quando mantemos pensamentos negativos, elas são concebidas pela nossa mente e aparecem concretamente em nossas vidas. Por que é que surgem "as infelicidades que não existem realmente"? Porque frequentemente deixamo-nos dominar pelo apego a nós mesmos. Esse "apego" não nos permite compreender que "todos os seres são, na verdade, uma só Vida", e leva-nos a pensar que "nós" e os "outros" somos criaturas separadas umas das outras. A "Vida de Deus", a "nossa Vida" e a "Vida dos outros" estão intrinsecamente ligadas umas às outras, como as águas oceânicas. No entanto, muitos pensam que as pessoas estão separadas umas das outras, e que cada um tem que "se virar" apenas com suas próprias forças. Esse pensamento provém do "apego a si mesmo". Quando vivemos preocupados apenas com nós mesmos, não conseguimos ver a Unidade de todos os seres e coisas que, na verdade, são inseparáveis em sua essência. Então, da mesma forma que a grande massa de água oceânica nos parece dividida em incontáveis ondas, e da mesma forma que a lua cheia refletida nessas ondas nos parece quebrada em mil pedaços, a vida nos parece cheia de infelicidades, que "não existem realmente".

Portanto, quem quiser atrair a felicidade para si, precisa deixar de apegar-se a si mesmo e passar a viver com a mente livre de apegos, dócil, receptiva, positiva, alegre e sem ansiedades, confiantes na Providência Divina e no "curso natural de todas as coisas". Havendo "apego a si mesmo", o homem não consegue ser realmente alegre e feliz. Abandonando o "apego a nós mesmos", podemos nos tornar alegres e felizes. As sombras tenebrosas não conseguem infiltrar-se no mundo repleto de alegria e paz. Portanto, se vivermos sempre com a mente positiva, pacífica, purificada e repleta de alegria, tudo neste vida correrá bem, tudo se arranjará da melhor maneira, sem que precisemos lutar contra o curso natural das coisas.


Do livro, "A Verdade da Vida, vol. 29", pp. 94-102

quinta-feira, setembro 01, 2016

O "mundo mental" antecede o "mundo das formas" - 1/2

- Masaharu Taniguchi -


Tenho diante de mim, um ramo de dália escarlate, e vou desenvolver a partir dele o meu tema de hoje.

A raiz desta flor é um tubérculo com o formato semelhante ao de uma batata. À primeira análise, parece impossível que dentro dessa batata "já existia" a bela flor de dália. Mas se assim não fosse, como explicar o fato de que, plantando essa batata, desabrocha infalivelmente a flor de dália, e não rosas ou margaridas? Se surgisse ora um tipo de flor, ora outro tipo, arbitrariamente, não poderíamos dizer que "a bela flor de dália existe, desde o princípio, dentro de sua raiz". Mas o fato é que de um mesmo tipo de tubérculo surge sempre o mesmo tipo de folha e flor... Portanto, devemos admitir que dentro do tubérculo de dália "já existem" as folhas e as flores de dália, as quais se "expandem" e se manifestam neste mundo fenomênico.

Porém, mesmo cortando pedaços de tubérculos de dálias de diferentes cores e examinando ao microscópio os componentes celulares de cada um, não encontramos nada que distinga o tubérculo de dália de uma cor dos de outras cores. Em outras palavras, o exame microscópico das "células materiais" de um tubérculo de dália não nos possibilita localizar algo que indique claramente qual a cor dessa dália, qual o formato de sua folha, qual o formato de sua flor, etc. Chegamos, então, à conclusão de que, num plano "mais remoto que a estrutura material" desse tubérculo, existe o "desenho original" de dália, com seu formato, sua cor, etc., e que essa flor manifesta-se concretamente no mundo das formas quando há condições propícias para isso.

Esta dália que está aqui, diante de mim, é vermelha. E enquanto este ramo estiver vivo, seus botões desabrocharão como belas dálias vermelhas (e não de outras cores). Este ramo de dália foi cortado e está colocado num vaso. Ainda assim, seus botões se desenvolvem e desabrocham como belas dálias vermelhas. Pormos pensar, então, que o elemento que dá a cor vermelha a esta flor poderia estar contido em seu caule, e não em seu tubérculo. Porém, mesmo que cortemos um pedaço de seu caule e o examinemos ao microscópio, não podemos detectar o fator que lhe dá a cor vermelha. Concluímos, então, o seguinte: as substâncias nutritivas que esta dália absorve, seja através de seu tubérculo ou de seu caule, são transformadas em flor vermelha. E assim será quanto houver Vida nesta flor.

Não é o tubérculo ou o caule que produz a cor vermelha. No "mundo imaterial" estão os "arquétipos" (desenhos originais) de todas as coisas, os quais surgem naturalmente neste mundo das formas. Esses "arquétipos" já existentes no "mundo imaterial" são formados a partir daquilo que eu costumo chamar de "mente da tendência". Não se trata de "subconsciente" mencionado frequentemente pelos psicólogos. Muitos dos fatos vivenciados por um indivíduo desde o momento de seu nascimento ficam  registrados no fundo de sua memória, vindo à tona apenas de vez em quando. Na Psicologia, dá-se a isso o nome de "subconsciente", em contraposição ao "consciente", que está sempre à tona e em atividade, permitindo ao indivíduo pensar e agir. Mas, dentro da mente de cada indivíduo, num lugar bem mais profundo do que a camada subconsciente que retém os fatos registrados em sua memória desde que ele nasceu, existe o que podemos chamar de "mente da tendência" (mente que age segundo suas tendências e/ou hábitos), a qual já vinha trabalhando antes mesmo de seu nascimento neste mundo.

Através dessa mente é que o embrião, apesar de ainda não ter a inteligência desenvolvida, consegue "desenhar" e "construir" o seu próprio corpo. O termo "subconsciente", empregado na Psicologia, não serve para exprimir essa "mente" ou "consciência". O recém-nascido, por exemplo, começa logo a respirar e a sugar o leite do seio que a mãe lhe oferece, sem que alguém o instrua sobre a necessidade de respirar e mamar. Tais "conhecimentos" não são registrados pelo subconsciente após o nascimento do indivíduo. Toda pessoa nasce sabendo essas coisas porque antes mesmo de vir a este mundo já possuía a "mente que trabalha segundo determinada tendência ou determinado hábito". Na Seicho-No-Ie, afirma-se que as doenças são provocadas pela "mente". Cabe, aqui, esclarecer que o causador da doença tanto pode ser a "mente subconsciente" que registra os fatos vivenciados pelo indivíduo após o nascimento, como a "consciência anterior ao nascimento". 

Em se tratando de uma flor (a dália, por exemplo), é essa "consciência" que cria o formato e a cor com que ela irá surgir neste mundo. Obviamente, esta flor de dália veio de sua semente ou de seu tubérculo. Lembremo-nos, porém, que já houve tempo em que a temperatura da Terra era altíssima, não permitindo a existência de plantas de espécie alguma. Portanto, naquela época não existia na Terra nenhuma espécie de semente ou de tubérculo. Se mais tarde surgiram as sementes, os tubérculos, etc., só pode ser porque o "desenho" ou o "projeto" desses vegetais já existia no mundo da "mente" (mundo imaterial). Esta dália vermelha que está diante de mim é simplesmente a concretização do "desenho" ou "projeto" que já existia no mundo da "mente" antes mesmo do surgimento de sua semente ou de seu tubérculo, antes mesmo do tempo em que a Terra era tão quente que não permitia o surgimento de planta alguma.

As imagens cinematográficas passam a existir já no momento em que são filmadas, e não quando são projetadas na tela. Em outras palavras, as imagens ou cenas já estão no filme, e aparecem aos nossos olhos quando há condições apropriadas para isso. O mesmo acontece com todas as coisas. Esta flor de dália, por exemplo, existia desde o princípio no "mundo imaterial". Tendo encontrado condições apropriadas, ela surgiu neste mundo, da mesma forma que a imagem cinematográfica aparece na tela quando há condições para tal. Assim é o trabalho da "mente da tendência". 

Não encontramos, na Psicologia, um termo adequado para designá-la. Talvez possamos chama-la de "subconsciente em sentido lato". O fato é que o aspecto e estados materiais ou carnais de todas as coisas que surgem neste mundo material são a concretização daquilo que foi criado primeiramente no mundo imaterial.

Também nosso destino, seja ele feliz ou infeliz, é formado no mundo da mente antes de se manifestar concretamente no mundo das formas. Por assim dizer, as imagens já filmadas no mundo da mente é que aparecem mais tarde no mundo real. Eis por que, em certos casos, é possível ter, no sonho ou durante uma concentração espiritual, a visão antecipada de uma cena que vai acontecer na vida real. 

Certa vez, um homem teve o seguinte pesadelo: Estava consertando um moinho d'água, quando se desequilibrou, foi apanhado pelo moinho e se feriu gravemente numa das pernas, a qual precisou ser amputada. Muito impressionado com o sonho, ele prometeu a si mesmo que nesse dia não faria consertos de espécie alguma, e resolveu não aparecer na fábrica onde trabalhava. Por precaução foi se esconder num bosque que ficava atrás do moinho. Chegando lá, avistou um ladrão tentando roubar a madeira cortada, e passou a persegui-lo. Na ânsia de agarrá-lo, esqueceu-se completamente do sonho e acabou voltando para a fábrica. assim que lá chegou, o dono da fábrica ordenou-lhe que fizesse um pequeno conserto no moinho de água. Lembrando-se do pesadelo, o homem sentiu medo, mas não havia como se esquivar de fazer esse conserto. Assim, começou a trabalhar com a máxima cautela. Mas, apesar de todos os cuidados, acabou sendo apanhado pelo moinho e sofreu o esmagamento de uma das pernas, a qual acabou sendo amputada. Tudo aconteceu exatamente como no pesadelo que tivera. Esse homem viu antecipadamente no sonho as cenas do acidente que iria sofrer, porque tudo aquilo já havia acontecido no "mundo da mente". 

Conta-se, também, que uma pessoa sonhou que seu filhinho fora atropelado por um bonde, e passou a vigiá-lo bem para que isso não acontecesse, mas no fim a criança acabou sendo realmente atropelada, num breve espaço de tempo em que a mãe se distraiu. Por que será que, às vezes, as coisas acontecem exatamente como foram vistas com antecipação, no plano "mental"? É que toda ideia formada no mundo da "mente" – isto é, no mundo imaterial – manifesta-se concretamente no mundo real. Tudo que acontece em nossa vida é concretização das imagens e formas criadas no mundo imaterial, a partir de um elemento, também imaterial, chamado "mente". 

Recentemente, o sr. Nagakami, um conhecido meu, esteve contando o caso da morte de seu filhinho. Disse ele que, inconformado com a morte aparentemente "repentina" de seu filho, ficou pensando por que teria ele tido morte tão prematura. Foi nessa ocasião que surgiu a necessidade de ele ir a uma certa livraria onde se vendiam livros usados. Chegando lá, reparou que numa das prateleiras encontrava-se um volume da colação A Verdade da Vida editado poucos dias antes. Como o sr. Nagakami trabalhava na distribuidora desse livro, achou estranho o fato daquele volume estar colocado à venda num sebo somente alguns dias depois de ser editado, e resolveu comprá-lo. Quando chegou em casa e ia abrir o livro, reparou que havia um marcador numa das páginas. Abrindo o livro nessa página, ele constatou com espanto que havia ali uma explicação sobre a morte de crianças, dizendo: "O que tem de acontecer já está preparado de antemão para esse fim." 

Aí, lembrou-se de um fato ocorrido dois ou três dias antes da morte de seu filhinho: como o tempo havia esquentado muito e a criança estava com os cabelos bastante crescidos, o sr. Nagakami levou-a a um barbeiro. Depois que terminou de cortar o cabelo do pequenino, o barbeiro embrulhou uma mecha de papel de seda e entregou-a ao sr. Nagakami, dizendo: "Já que foi a primeira vez que o seu filhinho cortou o cabelo, leve essa mecha e guarde-a como lembrança". Dias depois, o pequenino morria, e essa mecha de cabelo ficou sendo uma lembrança de seu filho. Como vemos, antes mesmo de ocorrer a morte daquela criança no mundo material, já estavam prontos os "preparativos" para isso. Assim, ficamos sabendo que, como sempre, manifestou-se no mundo das formas aquilo que certamente já existia no "mundo da mente". O que não está formado no mundo da mente jamais se manifesta concretamente. Somente as coisas formadas no mundo da "mente" manifestam-se no mundo das formas. Eis por que todos nós devemos nos esforçar no sentido de formar boas coisas no mundo da mente.


Do livro, "A Verdade da Vida, vol. 29", pp. 87-94

terça-feira, agosto 30, 2016

Examinem, Experimentem! (Sai Baba)

- Sathya Sai Baba -


Examinem, Experimentem!

Eu vim para reconfortar suas vidas, não para descrever a Minha! Por isso, não gostei das palestras de Ramanatha Reddy e Kasturi falando a Meu respeito e dos incidentes da Minha vida! Suas vidas são mais importantes para Mim, pois Meu propósito é cuidar para que vocês vivam mais felizes e com maior contentamento. Todos os seres têm que realizar ação (karma); é uma obrigação universal inescapável. Alguns sentem que apenas atos meritórios ou pecaminosos, virtuosos ou mesquinhos, devem ser denominados “karma”. Mas sua respiração é karma. Há alguns karmas de cujos frutos vocês não podem abdicar! Há karmas físicos, mentais e espirituais e a realização de cada um deles, para o bem do Ser Interior, é chamada dedicação. 

Fizeram aqui uma menção a Puttaparti e vocês foram aconselhados a ir até lá para obterem inspiração dos cantos devocionais. Por favor, não contraiam dívidas, pois onde quer que estejam, quando quer que Me chamarem, seu quarto poderá se transformar em Prashanti Nilayam, sua vila poderá ser transformada em Puttaparti. Eu estou sempre alerta para atender, sempre pronto para ouvir e responder. 

Eu os quero ativos, completamente engajados, pois, se não tiverem atividade, o tempo sobrará pesadamente em suas mãos. Não desperdicem um simples momento do tempo de vida que lhes foi dado, pois o tempo é o corpo de Deus. Ele é conhecido como a Personificação do Tempo. É um crime utilizar mal o tempo ou desperdiçá-lo em ociosidade. Assim também, os talentos físicos e mentais dados a vocês pelo Senhor como capital para o empreendimento da vida não deveriam ser desperdiçados. 


O Serviço Social Deve Ser Feito Com Satisfação e Reverência 

Como as forças gravitacionais que arrastam todas as coisas para baixo, a força da indolência os puxará para baixo sem cessar; assim, vocês devem estar sempre vigilantes, sempre ativos. Tal como o vaso de latão, que precisa ser polido para ganhar um brilho bonito, a mente do homem também precisa ser polida através da prática espiritual, isto é, atividades como repetição do Nome de Deus e meditação. O karma, que é natural e automático como a respiração, transforma-se em um ato impuro (vikarma) quando é realizado conscientemente, com um resultado definido em vista. 

Dois amigos, um hindu e um britânico, certa vez chegaram às margens do Godhavari. O hindu disse “Eu vou me banhar nessas águas sagradas.” Ele pronunciou o nome “Hari” quando mergulhou e retornou com o corpo e a mente refrescados. Ele sentiu uma grande felicidade por ter tido a rara oportunidade de se banhar nas águas sagradas do rio. O britânico riu-se e disse: “Isto é apenas H2O. Como você pode obter alegria indescritível mergulhando nela? Isto é apenas superstição.” Mas o hindu replicou: “Deixe-me com a minha superstição; você pode se fixar à sua.” O cético obteve apenas limpeza física, mas o crente obteve também pureza mental. 

Quando vocês se prostram perante os mais velhos, a mente também precisa ser humilde; não é apenas o corpo que deve curvar-se. Atualmente, há muitos assistentes sociais em Madras que visitam hospitais e prestam serviço aos pacientes que lá estão. A maior parte do trabalho que fazem é mecânico, como abanar os pacientes, escrever cartas para eles e entoar cânticos devocionais, sem prestar atenção às reais necessidades dos internos. Muitos fazem este trabalho porque o serviço social está na moda. Mas este serviço precisa ser karma (ação) feito com a completa cooperação da mente, alegre, inteligente e reverentemente. O paciente não deve se sentir incomodado com o alvoroço daquele que faz o trabalho social; ele deve aguardar com prazeirosa ansiedade a chegada de tal pessoa, como alguém que lhe é muito próximo e querido. Se vocês não gostam desse tipo de trabalho, não há necessidade de se engajar nele. Não arrumem um fardo para a sua mente com tarefas aborrecidas. O trabalho feito mecanicamente é como a chama de um pavio sem óleo; o óleo é o entusiasmo mental; derramem-no e a lamparina brilhará clara e duradoura. 


A Ação Não Deve Ser Realizada Esperando-se Qualquer Resultado 

Em verdade, Karma (ação) torna-se Yoga (união) quando é feito sem nenhum apego; um renunciante não deveria sequer se lembrar do que faz, ele não deveria fazer nenhum karma antecipando qualquer resultado. Essa é a ação sem desejo (Nishkarma) ideal em seu apogeu. O melhor karma é aquele que é feito pelo chamamento do dever; porque ele deve ser feito, não porque há vantagem em fazê-lo. O renunciante não deveria ter raiva, ansiedade, inveja ou ganância, mas a sua própria experiência deve estar lhes dizendo que renunciantes isentos disso tudo são muito raros hoje em dia. 

Não lancem sequer seu olhar sobre um renunciante que é tão falso a seu voto que anseia por nome e fama ou se compraz na calúnia ou na competição. Não deixem que tais pessoas os façam desacreditar nos Shastras e nos Vedas (escrituras sagradas da Índia). Aquele que está firmemente fixo na fé de que este mundo é uma miragem da mente, apenas este é o swami (senhor); os outros são meros Ramaswamis ou Krishnaswamis, autorizados a usarem o epíteto “swami” ao final do nome, não no início. 

A natureza é uma entidade muito antiga. A centelha divina individual também é muito antiga, tendo tido muitas chegadas e partidas anteriores. Mas agora veio numa nova roupagem; é moderna, veio como um peregrino a um lugar sagrado para os rituais. O indivíduo precisa ter um guia que lhe mostrará os locais sagrados e o ajudará a completar a peregrinação. Esse guia é o próprio Senhor: os livros-guia são os Vedas, as Upanishads e os Shastras. A essência das escrituras apoia-se nesta única regra: repitam o nome do Senhor, mantendo Sua glória sempre diante da mente. 


Adquiram o Direito de Aproximarem-se de Deus Sem Temor 

O Senhor é como a Árvore Divina realizadora de desejos, que dá o que quer que vocês peçam. Mas vocês precisam se aproximar da árvore e formular seu pedido. O ateu é a pessoa que permanece longe da árvore; o crente é aquele que permanece perto dela; essa é a diferença. A árvore não faz distinção; ela concede dádivas a todos. O Senhor não pune ou se vinga daqueles que não O reconhecem nem O reverenciam. Ele não elege nenhum tipo especial de adoração que seja o único a agradá-lo. 

Se vocês tiverem bons ouvidos, poderão ouvir o “Om” anunciando a Presença do Senhor em cada som. Todos os cinco elementos produzem este som, “Om“. O sino do templo serve para transmitir o Om como o símbolo do Deus Onipresente. Quando o sino vibrar o Om, o Deus Supremo dentro de vocês acordará e vocês terão consciência de Sua Presença. Esse é o significado do sino que é tocado em frente ao santuário interno do templo. 

Ganhem o direito de aproximarem-se do Senhor sem temor e o direito de reivindicarem sua herança. Vocês devem tornar-se tão livres que o louvor não emanará de vocês quando se aproximarem do Senhor. O louvor é um sinal de distância e temor. Vocês devem ter ouvido a narrativa sobre Kalidasa. Ele disse que obteria a libertação “tão logo o eu se fosse”, isto é, tão logo o ego (eu) desaparecesse, pois então ele brilharia em seu esplendor nativo, como o Supremo Absoluto (o indestrutível Eu Superior). O “I” (eu, em inglês) quando riscado com um traço, torna-se o símbolo da cruz; assim, o que é crucificado é o ego, lembrem-se. Então, a natureza divina se manifesta sem impedimentos. 


Realizem Suas Práticas Espirituais em Uma Atmosfera de Alegria 

O ego é mais facilmente destruído pela devoção, meditando-se na magnificência do Senhor e prestando-se serviço aos outros como crianças do Senhor. Vocês podem chamar o Senhor por qualquer nome, pois todos os nomes são d'Ele; selecionem o Nome e a Forma que mais lhes agrade. É por isso que os Sahasranamas são compostos para as várias formas de Deus; vocês têm a liberdade de selecionar um entre mil. O Guru lhes dará o Nome e a Forma adequados ao seu temperamento e tendências herdadas (samskara). Se o Guru lhes ordena sob ameaça e os obriga a adotarem uma linha de prática espiritual declarando “Esta é a minha ordem”, então vocês podem dizer-lhe que a coisa mais importante é a sua satisfação, não a dele. Vocês devem realizar a prática espiritual em uma atmosfera de alegria e contentamento. 

O Guru não deve forçar o discípulo a crescer inclinando-se na direção que ele prefere; o discípulo tem o direito de crescer com base nas suas próprias peculiaridades, de acordo com suas tendências herdadas e inclinação mental. A antiga relação entre Guru e discípulos hoje virou de pernas para o ar; discípulos ricos e influentes agora dirigem o Guru e ditam como ele deveria se comportar; e os Gurus também, ansiosos por acumularem fama e riqueza, curvam-se às táticas recomendadas pelos discípulos e, assim, rebaixam-se em seu status. Assim, examinem o Guru e suas credenciais, seus ideais e práticas antes de aceitá-lo. 

Mesmo no Meu caso, não sejam simplesmente atraídos por relatos sobre o que Eu “crio” com um giro da mão. Não tirem conclusões apressadas com os olhos fechados; observem, estudem e reflitam. Nunca se rendam a ninguém a menos que sintam uma certeza interior de que estão no caminho certo. Acima de tudo, não falem mal de grandes homens e sábios espirituais. Isso é um sinal flagrante de egoísmo e da impertinência infantil oriundos dessa presunção. 

Minha sugestão para vocês hoje é a seguinte: da mesma forma que cuidam das necessidades do corpo, alimentando-o três vezes ao dia, de maneira a mantê-lo funcionando em boas condições, assim também, dediquem algum tempo regularmente a cada dia para manterem sua Consciência Interna em bom estado. Dediquem uma hora pela manhã, outra à noite e uma terceira nas primeiras horas da madrugada, no período chamado de Brahmamuhurtha, para praticarem a repetição do Nome de Deus e meditar sobre o Senhor. Sentirão uma grande paz descendo sobre vocês e novas e grandes fontes de vigor jorrando do interior à medida que progridem nesta prática espiritual. Depois de algum tempo, a mente se fixará no Nome, não importa onde estejam ou em que estejam envolvidos; então, a paz e a alegria serão seus companheiros inseparáveis.


quarta-feira, agosto 24, 2016

Apenas perceba!

- Jiddu Krishnamurti -


"Por favor, ouçam. Apenas ouçam. Façam isso, enquanto eu falo. Não pensem apenas em fazê-lo. Ou seja, tomem ciência das árvores, da palmeira, do céu; ouçam os corvos; vejam a luz nas folhas, a cor do sari, o rosto das pessoas, e em seguida concentrem-se em seu interior. 

As coisas exteriores vocês podem observar, podem dar-se conta delas sem fazer escolhas. É muito fácil.

Mas concentrar-se em seu interior e tomar ciência sem condenação, sem justificativas, sem condenações, é mais difícil. Limitem-se a inteirar-se do que se passa dentro de vocês — de suas crenças, de seus medos, de seus dogmas, de suas esperanças, de suas frustrações, de suas ambições e de todo o resto. 

Tem início então o desdobrar da consciência e do inconsciente. Você não precisa fazer absolutamente nada. 

Perceba apenas; isto é tudo o que precisa fazer: sem condenar, sem forçar, sem tentar mudar aquilo que percebe. Você verá então que isso é como uma maré subindo. Você é incapaz de impedir: pode construir um muro ou fazer o que quiser, e a maré, ainda assim, subirá com tremenda energia. Da mesma forma, se você percebe sem fazer escolhas, todo o campo da consciência começa a se desenrolar. E, à medida que ele se desenrola, você precisa acompanhar, e este acompanhar torna-se extremamente difícil — acompanhar no sentido de acompanhar o movimento de cada pensamento, de cada sentimento, de cada desejo secreto.  Torna-se difícil a partir do momento em que você diz: "Isto é feio", "Isto é bom", "Isto eu manterei", "Isto eu não guardarei". 

Assim, você começa com o exterior e move-se para o interior. E a seguir descobrirá, quando se mover para o interior, que o interior e o exterior não são diferentes, que a percepção do exterior não é diferente da percepção interior, e que ambas são uma só. 

Então verá que está vivendo no passado; não há nunca um momento de viver real, no qual o passado nem o futuro existem — este seria o momento real. Descobrirá que está sempre vivendo no passado — o que você sentiu; o que você foi; se foi esperto, bom ou mau — e que está vivendo nas recordações. Isso é memória. Portanto, você precisa compreender a memória, não negá-la, suprimi-la, não fugir dela. Se um homem fez o voto de celibato e se apega a essa recordação, quando não obedece a essa recordação ele se sente culpado; e isso asfixia sua vida. 

Então você passa a estar atento a tudo e, assim, torna-se muito sensível. Portanto, ao escutar — ao reparar não apenas no mundo exterior, no gesto exterior, mas ao escutar também a mente interior que olha e, portanto, sente — quando você toma ciência assim, sem escolhas, não existe esforço.

É muito importante compreender isso."


domingo, agosto 21, 2016

Sim, Isso existe! (Prem Baba)

Hoje, um filme belíssimo e inspirador sobre a biografia e a jornada espiritual do brasileiro Janderson Fernandes de Oliveira, que realizou em si o estado de iluminação (sim, isso existe!) e atualmente é conhecido como líder humanitário e mestre espiritual (Guru) Prem Baba.

Namastê!


sexta-feira, agosto 19, 2016

O poder que a mente exerce sobre o corpo - 4/4

- Masaharu Taniguchi - 



COMO USAR A FORÇA MENTAL PARA EVITAR O ENVELHECIMENTO

Caro leitor, se você quer se manter sempre jovem, não se prepare para a velhice. O próprio ato de preparar-se para a velhice apressa o envelhecimento. Como disse Jó, "Aquilo que tememos sobrevém a nós". Um medroso que fica imaginando um acontecimento nefasto e se preparando para enfrentá-lo, acabará atraindo esse fato temido.

Toda pessoas que está sempre temendo algo grava marcas de temor na sua fisionomia. Se você está esperando tanto o envelhecimento físico, ele será inevitável.

Caro leitor, jamais pense que sua idade é avançada demais para realizar um determinado trabalho. Tal pensamento envelhece precocemente a fisionomia, imprimindo-lhe expressão ancião antes do tempo. Nós seremos como pensamos. Ou melhor, somos exatamente o que pensamos. Meu caro, não há Verdade tão certa quanto este princípio filosófico.

Um jornalista do Milwaukee Journal lançou a seguinte pergunta: "Qual é a tua idade?". Diz-se que a "idade da mulher se conhece pela fisionomia, e a do homem, pela mente", mas isso é um engano. O envelhecimento está relacionado basicamente com o hábito da mente. As pessoas se tornam exatamente como pensam com intensidade. Se uma pessoa passar da meia-idade e imaginar que ficará decrépita em breve, ela acabará decrépita. Um dos meios de impedir o declínio da energia está na força de vontade. O destino não investirá cruelmente contra aquele que está agarrado firmemente à vida com ambas as mãos. A morte não poderá estrangular aquele que está firmemente grudado à vida. Diz-se que o explorador Ponce Leon buscou a fonte da juventude na Flórida; ele a buscou no lugar errado. A fonte da juventude está dentro do próprio homem. As pessoas precisam rejuvenescer internamente. O eu externo morre diariamente, mas o eu interno rejuvenesce diariamente. Quando as pessoas param de manifestar o grande poder da mente, quando deixam de sentir vivo interesse pelos acontecimentos da vida, quando param de ler, pensar e trabalhar, começam a definhar como as árvores velhas. A sua idade é a que você imagina ter. Não tire ainda a sela do cavalo. Ainda há muito caminho para percorrer durante o dia.

Oliver Wendell Holmes diz em seus versos:

"O Sol ainda está alto, companheiro.
Viagem incansável em busca da verdade.
Não sei a idade, mas que vigor!
O vigor que aumenta com o tempo!"

Se você quer ter longa vida, ame o seu ofício e continue amando-o sempre. Não pare de trabalhar aos 50 anos, alegando declínio da vitalidade ou necessidade de repouso. Se preciso, goze férias, mas não abandone totalmente o trabalho. Onde há amor ao trabalho, há Vida, há fonte da juventude. Uma célebre atriz disse: "Eu não sei o que é envelhecer. Isto porque eu amo a minha arte, porque dedico toda a minha vida à arte. Eu não sei o que é enfraquecer. Sendo feliz, ocupada, não sentindo tédio e conservando a mente sempre jovem como a de uma adolescente, é impossível que surjam em minha face rugas de idade, tristeza ou angústia. Se fico cansada, é só no nível físico; meu espírito jamais se cansa".

Lembre-se de Susan Anthony, que aos 83 anos era uma líder do movimento em prol das mulheres. Lembre-se da sra. Gilbert, a atriz que representou até morrer, também com a mesma idade. Quem dirá que nessa idade essas duas mulheres estavam decrépitas ou com menos energia do que as concorrentes mais novas que elas? A sra. Anthony, mesmo se aproximando dos noventa anos, continuava o seu trabalho com a mesma energia e ardor de meio século antes. Ela foi a mulher que mais atuou entre as participantes da Convenção Internacional da Mulher realizada em Berlim. A sra. Gilbert, quando representou uma nova peça nos últimos anos de sua vida, brilhou como uma estrela no palco. Essas mulheres jamais chegaram a pensar em parar de trabalhar, nem se consideraram decrépitas aos 50 ou 60 anos. Para elas, esta vida era uma peça teatral tão interessante que não conseguiam parar.

Margaret Deland disse o seguinte: "Uma das coisas que mais nos alegra na nossa era é o fato de que a velhice se limita ao plano físico; ainda que a vista enfraqueça ou as juntas endureçam, já não ficamos com tédio, nem perdemos o interesse pela vida. Além disso, está crescendo entre a população em geral a ideia de que esta perda da capacidade física na velhice também pode ser evitada. Aliás, já existe até a teoria de que tal perda de capacidade física mostra que a pessoa viveu de maneira errada - isto é, que viveu intolerante e egoisticamente, sem imaginação criativa e ideal jovem. Seja como for, a decrepitude é uma vergonha. E essa ideia está se tornando convicção de toda a humanidade".

Certo poeta canta esta mesma convicção em seus versos:

"Apaga, apaga logo as profundas marcas
de dor, tristeza e lágrimas
que a idade gravou em teu rosto.
Deixa que tua alma bondosa
e tua ação repleta de alegria e amor tinjam o teu
rosto".

Émerson disse: "Eu não conto os anos vividos; conto os feitos da pessoa". Realmente, o que nos envelhece não são os anos que vivemos desde o nascimento, mas o modo como os vivemos. Qualquer excesso é prejudicial à manutenção da juventude. A vida desregrada e cheia de atos que pesem na consciência cria rugas de velhice precoce no rosto, embaça o brilho dos olhos, tira a agilidade dos passos e diminui a vitalidade.

Vida pura, vida simples, vida útil - tal tipo de vida proporciona a longevidade.

Caro leitor, o que desgasta a Vida e envelhece muitas pessoas aos 40 anos é a vida de aflição, atormentada por vaidade e ambições vãs e desonestas. A vida honesta e simples pode se tornar mais profunda, mais nobre e mais útil. Charles Wagner disse que a vida pacífica e a vida aflitiva não se conciliam, porém a vida simples e a vida de esforços se conciliam. Ele explica em seu opúsculo Vida simples como a energia é desperdiçada por causa das aflições, quando poderia ser útil se fosse concentrada. Ele enfatiza que as aflições de nossa mente consomem nossa energia que, se utilizada corretamente, produziria resultados valiosos.

Há mais de dez anos, aconteceu no Hospital de Londres, considerado um dos melhores do mundo, um fato realmente singular que mostra como a mente possui o poder de rejuvenescer o corpo. É a história de uma jovem mulher que enlouquecera por causa de um namoro desfeito. Ela perdera totalmente a noção do tempo. Por mais que o tempo passasse, para ela, todos os dias eram o dia em que ela se separou do namorado. Mesmo com mais de 70 anos, ela ficava todos os dias estacada junto à janela do seu quato, esperando a visita do namorado. Aos olhos dos outros, a fisionomia e o corpo dessa mulher eram de uma jovem de 30 anos. Um médico norte-americano que foi à Inglaterra testemunhou esse fato. Ela não tinha um fio de cabelo branco, uma ruga sequer, e em nenhum aspecto apresentava o menor sinal de velhice. A sua pele era lisa como a de uma menina. Como ela não imprimia a passagem do tempo na sua mente, continuava com o corpo da jovem que fora sessenta anos atrás. Ela não contava a idade nem sentia receio de envelhecer. Vivia como há sessenta anos atrás, quando o namorado a deixara. Esse estado mental regia o seu estado físico. Sua mente se concretizou em seu corpo e o mantinha jovem.

Se você, apesar de ter vivido apenas 50 ou 60 anos desde que veio o mundo, já começa a ficar senil ou a perder a força mental, está decepcionando Aquele que lhe deu a Vida. Você é vivificado pela Grande Vida, que é eterna. Então, não seria natural você manter a vigorosa juventude enquanto viver? Mesmo que sua fisionomia comece a envelhecer, isso nada tem a ver com o vigor de sua Vida. Mesmo que os cabelos brancos aumentem, mesmo que sua pele presente rugas, isso não diminui absolutamente o vigor de sua Vida em si. A tendência da força mental é crescer incessantemente. A força mental aumenta com a idade. A sabedoria baseada em muita experiência e a força mental equilibrada não são as únicas provas de que o homem viveu longos anos? O que caracteriza o homem que viveu muito tempo neste mundo não são a debilidade e a inutilidade. A força, a beleza, a grandeza e a complexa riqueza de experiências da vida são as características dos idosos.

Se você acreditar que 60 anos represente "velhice", terá o físico correspondente a essa crença. Seu pensamento se manifestará na face e no corpo. Será como pendurar na mente uma placa que diz "velho", acreditar nela piamente e se tornar exatamente como essa placa diz. O corpo é realmente o indicador da mente.

Se você pretende conservar para sempre a juventude, deve evitar ao máximo os inimigos que a aniquilam. Dentre esses inimigos, o maiores são a preocupação com a idade e a perda de interesse pela vida ao seu redor, principalmente pela vida dos jovens e pelos divertimentos deles.

Quando você não tiver mais ardorosa esperança ou a ambição da juventude, quando perder o entusiasmo que tinha na mocidade, quando não tiver mais vontade de brincar e se divertir com as crianças, estará confessando que você está realmente ficando senil, que sua mente está se enrijecendo, que a vivacidade da infância está escasseando. Caro leitor, procure viver com crianças. Não há meio mais eficaz de conservar a juventude do que o convício com crianças.

Quando o homem não está no caminho correto da evolução, sua vitalidade escasseia precocemente. Tudo que se desvia do normal é prejudicial. Um sentimento excessivamente forte, ainda que seja de alegria, prejudica a saúde.

O egoísmo ocorre quando a "vida" está fora do caminho correto da evolução. Pois, uma vez que todas as "vidas" são "uma" por estarem ligadas à Grande Vida, se uma é particularmente egoísta, podemos dizer que ela está se desviando do seu caminho verdadeiro. Por isso, aquele que é dominado por sentimentos egoístas vive sempre temeroso e apreensivo, em maior ou menor grau, precavendo-se contra ataques externos. Aquele que está sempre prevendo algum ataque externo, imobiliza a mente e faz com que o cérebro perca a flexibilidade, atrofiando os neurônios. Somos altruístas por natureza. Em linguagem mais fácil, nascemos para fazer o bem aos outros. Quando praticamos o bem e conseguimos que os outros fiquem contentes, sentimo-nos felizes. Essa felicidade não é uma alegria exaltada, violenta, desarmoniosa, mas sim uma satisfação natural, realmente serena, que nasce do fundo da alma.

Aquele que comete algum ato egoísta pode sentir-se temporariamente feliz, acreditando que saiu ganhando, mas, assim que a euforia passar, perceberá que essa alegria é vã e insignificante. Sentir-se-á invadido por inexprimível sensação de vazio e desolação, dia e noite, e não conseguirá deixar de se lastimar. Isto, sem dúvida, é a punição que se recebe pelo egoísmo, porque esta atitude contraria a natureza da Vida. A nossa Vida se revolta instintivamente contra os sentimentos egoísticos, desdenha instintivamente os atos egoísticos e não consegue evitar o sentimento de desprezo por aqueles que o cometem. O egoísmo não gera saúde, não gera paz espiritual, não gera sensação de felicidade.

A maioria dos ricos dificilmente conseguirá alcançar a felicidade através daquilo que possui, enquanto não empregar verdadeiramente a sua riqueza em prol da felicidade dos semelhantes, pois será constantemente perseguido pelo temor de perder a qualquer momento todos os seus bens em virtude de doença, mudança na economia, etc.

Todo temor - aflição da mente - encurta a vida e conduz ao envelhecimento precoce. Enquanto você pensar na sua idade, mantiver-se teimoso, ficar com a mente presa a algo, odiar ou invejar os outros, não poderá evitar o envelhecimento. Se você não impedir que esses inimigos da juventude penetrem no reino de sua mente, não poderá manter para sempre o vigor físico dos jovens. O pensamento flexível, como os brotos de uma árvore, rejuvenesce a vida. O pensamento irredutível, inflexível e obstinado interrompe a evolução da vida. A vida, quando não evolui, envelhece. É preciso escolher: ou a evolução ou o envelhecimento.

Os pensamentos e sentimentos que fluem para a mente, sejam de que espécie forem, são gravados em nosso interior e influem no modo de manifestação de nossa força vital. As impressões que penetram na mente são gravadas nas células, na personalidade e revelam-se na fisionomia. Se você detém na mente a juventude eterna - a flexibilidade do corpo de um bebê -, ela neutraliza o envelhecimento das funções fisiológicas. Os pensamentos e sentimentos principais da pessoa regem todo o corpo e manifestam-se nele. Por exemplo, aquele que está sempre preocupado, irritado ou apavorado não consegue evitar que o seu estado mental se manifeste na fisionomia e no corpo. Esses sentimentos negativos endurecem, mirram e envelhecem o corpo. O que neutraliza tais sentimentos e rejuvenesce o corpo são os sentimentos e pensamentos opostos a eles, isto é, os de esperança, paz, calma, amor ao próximo, etc. A influência que a mente exerce sobre o corpo é sempre absolutamente científica e inexorável.

Em qualquer célula do corpo habita a força vital, que é a fonte da saúde. Essa força vital manterá as células sempre saudáveis e harmoniosas enquanto a mente for alegre e positiva e abrigar pensamentos e sentimentos corretos. Nada melhor que a postura mental e o modo de vida corretos para ativar nas células do nosso corpo a oculta força vital que combate o processo de envelhecimento.

O meio mais eficiente para revelar essa vitalidade oculta é manter a postura mental alegre e otimista. Quando nossa mente se volta para a direção do "sol" da Grande Vida, não imprimimos em nós a imagem da velhice.

Levante sempre em sua mente, como uma grande tocha, o ideal juvenil, a coragem, a jovialidade, a esperança, a previsão otimista. Creia sempre, firmemente, que todas as células do seu corpo foram geradas nos últimos dois anos, e que não há uma célula sequer que tenha mais de dois anos de idade, a não ser a dos ossos. Já que as células velhas são renovadas constantemente, acredite firmemente que tanto o seu corpo como a sua fisionomia se mantêm sempre jovem.

Se você deseja manter a juventude, precisa conhecer o segredo de renascer constantemente através da postura mental ou da maneira de realizar o seu trabalho. Os pensamentos obstinados, as atitudes mentais muio rígidas e sérias, as aflições, a irritação, a depressão, a preocupação, o ciúme, a inveja, qualquer explosão de fúria, enfim, aceleram o envelhecimento e encurtam a vida do homem.

A surpreendente força de auto-renovação está na grande convicção de que em cada uma das células que formam o corpo humano habita a Grande Vida (princípio da saúde) inextinguível. Caro leitor, lance mão de todos os expedientes para desenvolver essa convicção. Todos sabemos, consciente ou inconscientemente, que abrigamos dentro de nós algo que jamais adoece nem morre - a Vida indestrutível que se liga à Grande Vida Universal. Quando intensificamos a conscientização dessa Verdade, manifesta-se uma surpreendente força de cura. Certas pessoas parecem ter uma natureza física que as faz renascer eternamente. Isto acontece porque a mente dessas pessoas renova constantemente sua força e, graças a isso, por mais que elas trabalhem, não se entediam nem se cansam. Tais pessoas são como as máquinas dotadas de lubrificante automático; jamais se desgastam. Para evitar o envelhecimento, devemos imprimir a juventude em nossa mente com a máxima intensidade. Não adianta querermos parecer jovens sem sentir a juventude na mentem pois isso é impossível. Por ignorar esta lei da mente, a maioria das pessoas vai talhando na sua pele rugas cada vez mais profundas com o cinzel da mente, aumentando a ideia de velhice e imprimindo até nas células novas do corpo. É por isso que já aos 50 ou 60 anos passa a apresentar sinais de velhice.

Portanto, meu caro, nunca pense que você está envelhecendo. Se você tiver a sensação de que está aos poucos envelhecendo, diga constantemente à sua mente: "Sou jovem, pois estou renascendo constantemente. Estou recebendo sempre, incessantemente, a nova força vital da Grande Vida, que é a fonte inesgotável da Vida. Meu ser se renova toda manhã, toda noite, constantemente, a cada momento. Isto porque o mundo em que respiro, o mundo em que vivo, o mundo em que existo, é o oceano da Vida infinita". Não apenas mentalize isso, mas também verbalize-o, quando tiver oportunidade, dirigindo essas palavras a si mesmo. Assim, imprima na mente, o mais nitidamente possível, a ideia de que você está renascendo constantemente, recebendo incessantemente nova Vida e se renovando sempre através do metabolismo; faça com que a sensação de juventude impregne fortemente todo o seu ser. Qualquer que seja a circunstância, evite sugestões que o façam pensar "Eu também envelheci". Saiba que você não é nada mais que a sensação que diz: "Eu existo". Você será exatamente como se sente e acredita ser. Saiba que o corpo não é nada mais que concretização da mente.

Se você contar a sua idade avançada, andar de modo condizente com essa idade, falar como um ancião e vestir roupas próprias de pessoas idosas, as sugestões que vêm disso tudo irão aos poucos se infiltrando na mente, e a sua expressão, a sua aparência e todo o seu corpo mostrarão um aspecto condizente com a sua idade. Os hábitos cotidianos sugestionam sobremaneira a nossa mente. Por isso, para mantermos sempre a mente juvenil, precisamos ver o dia-a-dia como se fôssemos jovens.

O mais fundamental de tudo é sustentar na mente, com tenacidade, a Verdade de que a Essência de sua Vida é uma com a Grande Vida eternamente jovem e imortal. Grave na sua mente a Verdade de que as células do seu corpo são constantemente renovadas pela Grande Vida eternamente jovem e imortal, que as velhas são incessantemente substituídas pelas novas, que você é eternamente jovem, e que assim é a natureza verdadeira da Vida. Se preencher sua mente com essa ideia de eterno rejuvenescimento, de renascimento constante, de forma alguma poderá agir a ideia "Eu envelheci".

O hábito de ter na mente ideia jovens expulsa as ideias da velhice. Se você for capaz de sentir que todo o seu ser está sendo renovado constantemente pela força infinita da Grande Vida, será fácil manter o seu corpo sempre jovem.

Manter na mente um ideal elevado e sentimentos nobres produz também um efeito extraordinário na manutenção da juventude. A mente, enquanto buscar ardorosamente a evolução, aspirando a algo mais elevado, mais puro, mais celeste, não envelhecerá; e enquanto a mente não envelhecer, o corpo não envelhecerá. O esforço para alcançar um objetivo ainda mais elevado e a vontade de se aperfeiçoar agem sobre o corpo como um poderoso "tônico rejuvenescedor". Em oposição, a estagnação de quem se dá por satisfeito com a situação atual e pensa "Já cheguei ao limite" envelhece o corpo.

O segredo do rejuvenescimento está em manter sempre a alegria de viver. A alegria de viver é sinônimo de juventude. Se a pessoa não se sentir feliz pelo fato de estar vivendo neste mundo e não souber aceitar com prazer as diversas tarefas da vida como uma grande prerrogativa sua, envelhecerá rapidamente.

Lembre-se sempre de manter uma atitude mental alegre. Viva com um ideal elevado. Se assim proceder, a velhice não poderá atingir você. O que nos mantém jovens é a consciência de que somos realmente filhos de Deus e que estamos em processo de exteriorizar ainda mais nossas perfeição e harmonia. Se contarmos nossa idade, pensarmos no definhamento, na decrepitude e no declínio, nosso corpo e nossa energia também terão forçosamente de envelhecer.

Caro leitor, sempre que tiver tempo, no intervalo de um minuto ou cada vez que se sentar num banco de condução, imagine a sua própria figura dotada de perfeição ideal; veja-se mentalmente como saúde em pessoa, juventude em pessoa, força em pessoa. Pense em saúde. Sinta ânimo de jovem. Deixe que a esperança brote vigorosamente de seu interior e vibre todo o seu ser. Se for homem, imagine a sua imagem perfeita, como o ideal masculino, que poderíamos chamar de "homem eterno"; e, se for mulher, como o ideal feminino, que poderíamos chamar de "mulher eterna". O melhor meio de fazê-lo é a Meditação Shinsokan.

O elixir da vida e da juventude não está nos remédios materiais. Ele existe somente dentro de nossa mente. O elixir da juventude eterna está no direcionamento correto da mente. Quando nossa mente se volta para a direção errada, envelhecemos. Manifestamos no corpo a aparência e a idade que pensamos e sentimos ter, pois o corpo é reflexo da mente.

Sendo assim, mantenhamos belos pensamentos, concebamos belos ideais, cultivemos na mente as melhores coisas possíveis, a fim de manter o corpo sempre jovem e a fisionomia sempre nobre e bela.

Dentre os remédios secretos de rejuvenescimento que conhecemos, nenhum é mais poderoso que o amor - amor pelo trabalho, amor ao próximo, amor por todas as coisas.

O amor, sim, constitui o mais poderoso remédio ressuscitador e poção secreta de rejuvenescimento. O amor desperta na alma o que há de mais sublime na pessoa. O amor suscita no coração o que há de mais forte na pessoa. O amor manifesta o que há de divino na pessoa.

Jamais se deixe levar pelo aspecto falso das coisas. Procure ver o aspecto verdadeiro de tudo. Procure ver a Vida, a Imagem Verdadeira (filho de Deus), em todas as pessoas. Mesmo que alguém esteja se mostrando desvirtuoso, fraco e ignorante, não considere essa imagem como existência verdadeira. A imagem perfeita que Deus criou, sim, é existência verdadeira; o que se apresenta aos cinco sentidos é imagem falsa. Procure ver essa imagem verdadeira. A imagem que se apresenta aos cinco sentidos é tal como a Lua deformada refletida na superfície agitada de um lago. A imagem perfeita é tal como a lua cheia que brilha no céu. Habituando-se a ver a Imagem Verdadeira de todas as pessoas e coisas, você vivificará os outros e, ao mesmo tempo, a si mesmo.

Expulse da mente, portanto, o hábito de ver os defeitos e as imperfeições. E procure ver com os olhos da mente a imagem mais ideal de si e dos outros. Aquele que, desta maneira, expulsa as imagens imperfeitas visíveis aos olhos carnais e procura ver, com os olhos da razão, o homem perfeito tal qual Deus criou - a própria imagem de Deus - em si mesmo e nos outros, será capaz de fazer durar por mais tempo a juventude e de viver mais do que qualquer outra pessoa que via nas mesmas condições materiais.

A harmonia, a paz e a alegria da mente são imprescindíveis para quem deseja manter-se jovem. Qualquer desarmonia ou desequilíbrio mental conduz o homem ao rápido envelhecimento. A meditação sobre a Verdade eterna - Deus - expulsa da nossa mente o temor, a ansiedade, a preocupação, etc., e reaviva a nossa energia.

O fenômeno do envelhecimento só ocorre quando as células do corpo são afetadas e endurecidas por pensamentos e modo de viver errôneos. As células atingidas pelo acesso de emoções violentas vão envelhecendo rapidamente.

As pessoas que realizam um trabalho útil aos semelhantes e as que empreendem um trabalho destemida e ousadamente, nunca terão a sua energia esgotada e serão capazes de manter para sempre a aparência jovem. Se o envelhecer consiste num hábito da mente, o rejuvenescer também é um hábito mental.

O acúmulo de experiências e de sabedoria não é indício de que a pessoa terá de se aposentar logo desta vida. Justamente as pessoas experientes têm o dever de servir mais a este mundo e aos semelhantes, vivendo mais tempo. O homem não morre enquanto a sua função neste mundo não termina. Pela lógica, não deveriam morrer aqueles que nunca perdem a função neste mundo, que mantêm para sempre uma missão a cumprir neste mundo. Tornamo-nos capaz de realizar um trabalho realmente útil ao mundo depois que passamos dos 50 anos. Passando dos 60 ou 70 anos, nosso trabalho começa a ficar realmente valioso, graças à nossa rica experiência. Se mantivermos nosso cérebro sempre ativo e jovem e não endurecermos as células cerebrais através de ira, temor, egoismo ou atitude excessivamente séria e rígida, não envelheceremos mentalmente.

Se a humanidade abandonar a crença de que a Vida deve passar pelo fenômeno de envelhecimento e adquirir a firme convicção de que "a Vida só promove rejuvenescimento", esta convicção vencerá com certeza o envelhecimento. O pecado da humanidade - a não-conscientização da Imagem Verdadeira do homem, que não envelhece nem morre - é que encurtou a vida do homem, ditando que ela deve durar 60 ou 70 anos no máximo. Por que nos dias atuais, em que a medicina está mais avançada, a duração média da vida humana é bem mais curta do que na época de Abraão, em que não existia ciência médica alguma? É porque nunca, em toda a História, se interpretou tão materialmente a Vida e se reprimiu tanto a força vital como nos dias de hoje.

Não é possível que o nosso Criador, que é sabedoria e amor, cometa a contradição de fazer-nos buscar com tanto ardor a longevidade e a juventude eterna sem que houvesse a possibilidade de consegui-las. Grande é a missão que o homem deve cumprir na Terra, e curta demais é a vida para cumpri-la. Não é possível que Deus cometa a contradição de fazer com que o homem morra prematuramente ao chegar à idade em que, tendo obtido conhecimentos profundos e grande experiência, começaria a ser realmente útil à sociedade. Se toda a humanidade deseja ter longa vida, é porque isso é possível. A proporção entre a duração da fase de crescimento e a duração da vida após essa fase dos animais mostra que a vida terrena do homem foi feita originariamente para ser mais duradoura. Fomos criados para, quanto mais vivermos, mais vigorosos ficarmos e tornarmo-nos capazes de servir mais à sociedade, utilizando as ricas experiências adquiridas.

Portanto, o envelhecimento é algo que, na verdade, não deve existir; na estrutura admiravelmente perfeita do corpo humano não há, decididamente, um órgão que se desgaste e definhe com 50 ou 60 anos de uso. Os órgãos foram feitos de tal maneira que, quanto mais usados, mais vigorosos se tornam e passam a funcionar melhor. Assim é o ser humano. Homem que envelhece, enfraquece, adoece e se torna inútil não está de maneira alguma, no projeto do Criador.

Envelhecer é sinônimo de regredir. Regredir é contrário de progredir e contraria a lei da Vida. Tudo é regido pela lei da Vida, pela lei do progresso. O envelhecimento foge à lei do progredir; portanto, na verdade, não pode existir. Deus jamais criou os seres para regredirem. A regressão é contrária à vontade divina. "Progredi e evoluí" - esta é a vontade divina inserida em todos os seres do Universo. É inconcebível que Deus tenha criado o homem à Sua imagem para trabalhar e progredir durante apenas algumas dezenas de anos e depois envelhecer, definhar e assumir aspecto miserável. Como um ser tão deplorável pode ser a imagem de Deus? Todas as criações de Deus têm a marca do progresso infinito e da evolução eterna. Todos os seres deste mundo evoluem. Tudo progride segundo a vontade divina. O homem decrépito, fraco e feio não passa de uma caricatura do homem verdadeiro criado por Deus. O homem verdadeiro - o Homem-Deus - jamais regride ou envelhece; apenas progride, apenas evolui. Assim, caminhamos para a evolução infinita. Se o homem conscientizar que a função da Vida é progredir e evoluir eternamente sem jamais envelhecer, com certeza desaparecerão o temor e a ansiedade, que são os inimigos da evolução e da felicidade, e o fenômeno de envelhecimento desaparecerá deste mundo.


Do livro: "A Verdade da Vida, vol. 24", pp. 51-70

quarta-feira, agosto 17, 2016

O poder que a mente exerce sobre o corpo - 3/4

- Masaharu Taniguchi - 


POR QUE O HOMEM ENVELHECE?

Recentemente, o ex-secretário do juiz da Grande Corte de Nova Iorque suicidou-se no dia do seu septuagésimo aniversário. Ao lado do cadáver foi encontrado um ensaio sobre a teoria do dr. Osler a respeito da duração da vida do homem, intitulado A lei do limite.

"Setenta anos - Segundo a teoria de Osler, o homem encerra aos setenta anos o seu período de vida predestinado. Terminando esse período, o trabalho ativo do homem cessa. Isto é, termina sua função no mundo terreno. Eu cheguei agora a essa idade. Suicidar-me-ei, pois não há mais razão para viver."

Como esse ancião estava demasiadamente preso à teoria de Osler, de que depois dos setenta anos o homem se torna um traste inútil e incômodo, tanto para si próprio como para a sociedade, acabou se suicidando no seu septuagésimo aniversário.

À parte a teoria de Osler, podemos notar claramente como a humanidade está sendo prejudicada pela tradicional ideia de que a vida humana é curta.

Quando o homem acredita que ele só tem força limitada, a manifestação de sua força fica realmente limitada. Existem muitos casos de pessoas que, tendo acreditado que a duração de sua vida seria de tantos anos, acabaram morrendo na idade prevista, embora essa crença tenha se arraigado em sua mente na época em que gozavam de saúde.

Tanto as obras religiosas do Ocidente como as do Oriente mostram que, para quem leva uma vida correta e saudável, é possível uma vida mais longa. Elas dizem que o homem tem o dever de viver uma vida nobre, digna de ser vivida; que ele precisa viver de modo mais puro e mais útil possível; e que tal vida nobre e útil à sociedade alonga a existência humana no mundo terreno.

A vida dos seres vivos da natureza, principalmente do reino animal, tem duração cinco vezes maior que o tempo de sua maturação. Então não seria um insulto ao Criador pensarmos que o homem é permitido viver apenas o triplo do tempo de sua maturação (que é de 30 anos aproximadamente)? Não parece lógico que o homem - a mais primorosa obra de toda a Criação de Deus - consiga viver também cinco vezes mais que o tempo de sua maturação? A fruta que recebe abundante raio solar não cai enquanto não amadurece. O homem, iluminado pela Sabedoria de Deus, também não deveria ser assim?

Será que não temos muito pouca compreensão de como somos dominados por nossa própria atitude mental? Deveríamos conscientizar muito mais que a fé exerce um grande poder em nossa vida. Sem sombra de dúvida, grande parte da humanidade encurta sua própria vida por abrigar na mente a ideia de que, chegando a uma determinada idade - provavelmente a idade em que seus pais morreram - deverá morrer também. Ouvimos frequentemente dizerem: "Já que tanto meu pai como minha mãe morreram jovens, certamente não viverei muito também".

O episódio que vou contar agora aconteceu nos Estados Unidos. Havia em Nova Iorque um homem que, apesar de ser bastante saudável, anunciou aos familiares: "Morrerei infalivelmente no meu próximo aniversário". Na manhã do dia de seu aniversário disse: "Vou morrer até meia-noite de hoje; portanto, chamem o médico", e não foi trabalhar. Os familiares, assustados, chamaram o médico. Este examinou o homem e explicou-lhe que não havia nenhuma anormalidade no seu corpo. Mas ele nem quis se alimentar. Enfraqueceu rapidamente... e acabou morrendo antes da meia-noite.

No caso desse homem, foi gravada profundamente no subconsciente a convicção de que estava se aproximando da morte, e essa convicção estancou a força vital, ceifando pela raiz as funções orgânicas vitais.

Acredito que, se alguém tivesse mudado essa sinistra convicção do homem através de poderosas palavras e incutido no fundo da mente dele a sugestão de que ele seria longevo, ele teria vivido ainda por muitos anos.

Também o próprio leitor, se se deixar levar pelo hábito de sua mente ou pelos fatos que acontecem ao seu redor e acreditar que após os cinquenta anos de idade o ser humano começa a envelhecer, que aos poucos vai perdendo o vigor físico e o interesse pela vida, sendo obrigado a se retirr da vida ativa, e que depois disso entra em acelerado processo de envelhecimento, esse pensamento impregnará todas as células dos corpos físico e espiritual, e então será inútil todo o esforço para impedir o definhamento que se verificará com o avanço da idade.

Tudo se inicia na mente. Antes de algo se manifestar no nível físico, ele surge na mente como ideia. Se surgir na mente a ideia de que você envelheceu, os sinais de senilidade aparecerão em seguida no corpo. Se surgir em sua mente a ideia de que você é jovem, cheio de vigor, ainda útil à sociedade, e se conseguir mantê-la ininterruptamente, seu corpo permanecerá jovem.

Portanto, a velhice começa na mente. Se o corpo apresentar mais sinais de velhice, eles são fruto da semente chamada velhice plantada na mente. Vendo as pessoas começarem a apresentar sinais de senilidade ao chegarem a uma determinada idade, imaginamos que também manifestaremos os sinais de velhice quando chegarmos àquela idade. E, por acreditarmos firmemente que o envelhecimento do homem é algo inevitável, os indesejáveis sinais de velhice começam a ser imprimidos em nosso corpo. Mas, se isso é inevitável, é porque, de um lado, a mente de cada um acredita que assim será, e, por outro lado, porque a mente de toda a humanidade também está habituada a acreditar que a velhice é inevitável. Portanto, tudo começa na mente.

Se conseguirmos eliminar de nossa mente a crença de que o homem é um ser fadado a envelhecer e mantivermos um ideal elevado e pensamentos repletos de esperança e alegria, a velhice não poderá de maneira alguma imprimir a sua marca em nosso corpo.

O elixir da juventude e longa vida está na mente, em nenhum outro lugar. Não adianta apenas vestir roupas jovens e usar maquiagem com o intuito de se mostrar jovem. Antes de tudo, pe preciso destruir a ideia de que você está envelhecendo. Podemos dizer que, enquanto estiver arraigada na mente a ideia de que está envelhecendo, os trajes e cosméticos não terão praticamente nenhuma força para rejuvenescer seu corpo. Antes de mais nada, você precisa mudar a convicção. Precisa remover o pensamento que imprimiu a idade em seu corpo físico.

"Sou jovem!" - assim sentindo, acredite que você tem juventude eterna. Quando você atingir essa fé, terá obtido um ponto na luta contra a velhice. Saiba que todo pensamento que você tem a respeito de idade manifesta-se em seu corpo.

Já que o corpo é a representação de seus pensamentos e sensações habituais, considere-se jovem sem reserva, por mais tempo que tenha vivido neste mundo. Isto ajudará você a conservar a juventude. Deus é eternamente jovem. O filho de Deus também é eternamente jovem.

Imagine a figura de um jovem animado, alegre, otimista e cheio de esperanças e pense que ele é você próprio. Pense que são seus o sonho, o ideal, a esperança palpitantes e toda a juventude resplandecente, próprios dos jovens. Nada é melhor do que este pensamento para reter o avanço de sua idade.

A maior infelicidade é o envelhecimento precoce da nossa força de imaginação. A vida moderna que levamos é demais árdua, atarefada, e tal modo de vida atrofia os neurônios cerebrais, prejudicando terrivelmente a imaginação, que requer jovialidade e flexibilidade. A vida atual tente a anular a flexibilidade, a delicadeza e a juventude mentais e a cortar as asas da imaginação.

Pessoas que vivem de modo muito sistemático, ou que pensam que a vida não irá pra frente se não resolverem tudo com suas próprias mãos, ou que trabalham duramente só para ganhar dinheiro e não têm tempo para mais nada - todas essas pessoas imprimem seu pensamento em sua fisionomia, marcando-a com sinais de sofrimento. Embora não sejam idosas, sua energia vital vai diminuindo, sua cútis vai enrugando e o corpo também vai endurecendo, exatamente como a mente delas.

O capricho e a arrogância também envelhecem precocemente o corpo porque as pessoas com tal caráter não têm docilidade nem maleabilidade mentais, mas um tipo de mente inflexível que teima em fazer prevalecer sua vontade.

As pessoas que vivem com a mente alegre e radiosa não envelhecem tão cedo quando as que vivem com a mente sombria.

Há outro motivo pelo qual muitas pessoas envelhecem precocemente: é que elas param de evoluir. É realmente lamentável que muitas pessoas, quando passam da meia-idade, não procurem assimilar ideias novas e modernas. Como é que elas, ao chegarem em torno dos cinquenta anos, estacionam no nível de progresso atingido até então?

Abandone a ideia de que deve parar de crescer e de evoluir só porque sua idade está avançando. É por causa dessa ideia que o homem envelhece cedo. Se você quer se manter jovem, não procure perder os hábitos de sua juventude. Não diga que não é capaz de fazer o que fazia quando jovem, que já está muito velho para fazer essas coisas, e viva exatamente como um jovem!

Por mais que você envelheça, não se acanhe de viver animadamente como na juventude. Evite toda e qualquer situação e ocasião que o faça pensar que envelheceu. Lembre-se de que o que envelhece o corpo é o envelhecimento precoce da mente, a paralisação do crescimento mental. Continue sempre, sempre, crescendo. Mantenha sempre, sempre o interesse por todas as coisas que o cercam.

Como disse anteriormente, já está comprovado cientificamente que a crença de uma pessoa de que ela morrerá em tal dia de tal mês, ou com tantos anos, atrofia as funções fisiológicas e provoca a sua morte mais ou menos na época prevista.

Se você deseja manter sempre a juventude, precisa ainda esquecer as experiências desagradáveis e acontecimentos infelizes. Certa senhora, que aos 80 anos mantinha a fisionomia jovem, respondeu, ao ser interrogada recentemente sobre seus métodos de rejuvenescimento: "É que eu esqueço os fatos desagradáveis".

Não é possível uma pessoa manter-se jovem sem continuar a crescer. Também não é possível a pessoa continuar crescendo, se ela é incapaz de sentir vivo interesse pelos fatos que ocorrem no mundo ao seu redor. Somos feitos de tal maneira que absorvemos das pessoas e coisas ao nosso redor a maior parte do sustento mental. Ninguém poderá viver isoladamente, sem parar o crescimento mental. Aqueles que seguram obstinadamente coisas velhas e aqueles que não estendem as mãos mentais para receber novos alimentos mentais não conseguem crescer.

Nada é mais fácil do que envelhecer. O homem consegue envelhecer facilmente só de pensar que vai envelhecer, só de prever o envelhecimento, só de temê-lo, só de se preparar para a velhice, só de ver o rosto dos anciãos à sua volta e imaginar que também ficará aos poucos como eles.

Aquele que pensa constantemente na hora da morte, faz planos para a morte e se prepara para a velhice está, na verdade, gravando em sua mente a ideia de que sua força está em constante declínio - de que está perdendo a força vital. Tal pensamento o separa da fonte de Vida infinita e faz com que o corpo envelheça, refletindo o pensamento.

Quem sempre mantém a ideia de que sua força está diminuindo com a idade, de que seu vigor físico está se reduzindo, e de que a velhice se aproxima sorrateiramente e vai aos poucos furtando a força vital, acabará perdendo sua força mental e seu vigor físico.

Aquele que se atém ao seu envelhecimento e diz que já não pode fazer o mesmo que os jovens por causa de sua idade, reprime a força rejuvenescedora da Vida existente no seu interior, tornando-se suscetível às doenças e a diversos problemas físicos.

A antecipação ou adiamento da velhice depende da atitude mental.

O dr. Mechinikov sustentou a tese de que o homem pode viver pelo menos cento e vinte e cinco anos. Não resta a menor dúvida de que estamos encurtando a nossa vida com pensamentos errôneos, modo de vida incorreto e crenças antigas.


PESSOAS QUE SE MANTIVERAM JOVENS POR MUITO TEMPO

A mundialmente famosa atriz Sarah Bernhardt, que se manteve sempre jovem, costumava dirigir à sua idade o seguinte brado: "Por mais que tentes me vencer, eu de domino!".

Certamente o leitor estará ouvindo esse brado proveniente do fundo da alma dessa grande atriz. Os que conheceram Sarah sabiam que o desafio dela contra a idade não era blefe. Aos 60 anos, não havia perdido a viva beleza e jamais aparentou mais de 40 anos.
Se existem pessoas tais como Bernhart que aparentam ser muito mais jovens do que são, não é porque a Natureza as tenha beneficiado mais do que às outras; a causa dessa juventude está na atitude mental delas em relação à idade. Elas não permitem, jamais, que seu rosto seja esculpido pelo cinzel da idade. Em outras palavras, elas tomaram mentalmente a decisão de não envelhecer.

Um articulista do Chicago Journal escreve: "A técnica para se tornar um velho elegante é válida; porém, o segredo para não envelhecer é muito melhor. Vale a pena aprender tal segredo. Tanto os homens como as mulheres envelhecem na medida em que se permitem envelhecer. Este é o segredo. A chave está no poder da mente. O mundo todo é governado pelo poder da mente".

Juliz Wars Howe é um exemplo marante de pessoa que, mesmo depois de avançada idade, não perdeu a vitalidade, o vigor mental nem o frescor de jovem. Mary Livermore manteve igualmente a vitalidade juvenil até morrer recentemente. O sr. Henry G. Davis, aos 80 anos de idade foi escolhido vice-presidente do Partido Democrata dos Estados Unidos e ainda estava dotado de dinamismo e energia que causava inveja às pessoas de 40 anos. Gerorge Meredith, escritor inglês, disse, na festa de seu 74º aniversário: "Não sinto nem um pouco que meu cérebro envelheceu, nem meu coração. Ainda vejo a vida com olhos de moço. Eu vim desejando não ficar caduco como as pessoas que, por terem vivido em outras épocas, olham sem simpatia a nova era e criticam os outros com base em suas ideias anacrônicas".

Caro leitor, conscientize a sua própria natureza divina! Conscientize que a Vida do homem é inextinguível como a lei matemática que determina que 2x2 seja 4. Conscientize que nenhum incidente, nenhum trabalho e nenhuma dificuldade da vida consegue atingir a parte indestrutível, a essência do ser humano. Conscientize que a Vida do homem é parte da Vida Universal que prossegue a atividade criadora infinita. Se chegar a tal conscientização, de modo algum definhará mental ou fisicamente na idade viril.

Caro leitor, tome a decisão de jamais permitir que o cinzel da idade deixe marcar abomináveis em você. E sugestione-se incessantemente com a ideia de que você é jovem, evitando assim o envelhecimento do corpo. Se não fizer tal esforço mental, será derrotado pelo pensamento comum/coletivo da humanidade, segundo o qual "o homem envelhece", e não conseguirá impedir o envelhecimento nem da fisionomia, nem da mente.

Normalmente, começamos a semear no mundo da mente a ideia de velhice já na mocidade. Se não removermos essa "semente", ela germinará quando passarmos dos 40 anos e nos levará ao crepúsculo da vida quando passarmos dos 50.


Do livro: "A Verdade da Vida, vol. 24", pp. 41-51