"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

sexta-feira, junho 17, 2016

Misticismo - 1/2

- Joel S. Goldsmith - 


O verdadeiro significado de misticismo é qualquer religião ou filosofia que ensine a união com Deus. O misticismo revela a possibilidade de receber comunicação ou orientação diretamente de Deus, de comungar com Deus, de estar consciente dessa união com Deus e de receber o bem de Deus sem qualquer intermediário. Por isso, o ensinamento do Caminho Infinito é místico porque, acima de tudo, seu propósito é realizar a união com Deus.

Uma das mais elevadas declarações místicas de que tenho algum conhecimento, uma que lhe proporciona a chave para o céu, uma chave para a harmonia da mente, do corpo e dos negócios, da saúde e da riqueza e de todas as outras coisas é a seguinte: sua união com Deus constitui sua união com todos os seres e coisas espirituais.

Você encontrará isso em meus escritos, mas também constatará que isso não foi levado muito a sério pela maioria dos que os que o leram. Excetuando alguns casos, essa afirmação não foi reconhecida como uma das sabedorias supremas do mundo, possivelmente porque, em primeiro lugar, não está declarada em linguagem críptica, mas em linguagem simples; e, em segundo lugar, porque a maioria das pessoas não adquiriu o hábito de analisar declarações.


NOSSA UNIÃO COM DEUS APARECE COMO FORMA

Minha união com Deus constitui minha união com todos os seres e coisas espirituais. Pegando o exemplo do telefone: você não consegue nenhuma ligação por telefone, em lugar algum do mundo, sem primeiramente passar pela central telefônica; porém, uma vez que você tenha tido contato com essa central, poderá se comunicar com qualquer lugar na face do globo que tenha um telefone. Assim, se você entra em contato com Deus, se tem uma compreensão consciente de Deus, se conscientemente se tornou um com Deus, então automática e instantaneamente você é um com o universo inteiro do ser e da ideia espirituais.

Tudo o que você vê, ouve, prova, toca ou cheira é apenas um conceito finito de uma ideia divina. Por exemplo, um automóvel é um veículo para transporte que você desgasta ou se tornará obsoleto e haverá necessidade de um outro investimento para substituí-lo. Mas, por trás da ideia ou do objeto "automóvel", está a ideia divina de transporte e o transporte é realmente uma atividade espiritual; é uma atividade da mente que se comunica como ideia para o ser individual. Por isso, se você uma vez entra em contato com Deus, ou com o Espírito, entra em contato com a lei espiritual de transporte; e se sua necessidade de um automóvel for real, você ficará surpreso com a rapidez com que o conseguirá. Um lugar em um avião, uma passagem marítima ou qualquer outra coisa relacionada com transporte estaria imediatamente ao seu alcance por causa de sua unidade com a Fonte infinita de todo o bem.

Isso não significa que qualquer pessoa deva tentar demonstrar um automóvel. Mas, suponhamos que eu esteja em São Francisco e que meu lar seja em Los Angeles e que, no sentido humano, preciso encurtar esta distância de aproximadamente seiscentos quilômetros. Preciso de transporte e, aparentemente, não há solução imediata para o problema. Então eu me sento e compreendo minha união com Deus. Compreendo minha união em maneiras tão diferentes quanto possa: talvez pense na onda que é uma coisa só com o oceano, ou no raio de sol que é uma coisa só com o Sol, ou no 'eu' que é uma coisa só com Deus. De qualquer maneira que possa, eu me relaciono com Deus até que, finalmente, chegue à compreensão:

"Tudo o que o Pai tem é meu porque nós somos um. Não existe separação entre Deus e o homem; Deus e o homem são um. E eu e o Pai somos um; tudo o que o Pai tem está justamente aqui onde estou."

Se posso conseguir esta compreensão, se posso obter esse sentimento interior de paz que nós chamamos de "estalo", bem depressa constato que meu transporte para Los Angeles aparece. Pode ser um convite para viajar com alguém; pode ser uma passagem de estrada de ferro; pode ser alguém de lá mandando me buscar. Isso poderia aparecer de qualquer maneira, mas em nenhuma ocasião eu teria de pensar a respeito de transporte: eu teria apensas de pensar em minha união com Deus e a respeito da disponibilidade imediata de Deus em todas as formas.

Coisa parecida pode acontecer se houver a necessidade de um lar, quer você esteja em sua comunidade ou em outra qualquer. Uma vez mais, você não usa esta verdade para demonstrar uma casa ou um lugar onde viver; mas se essa verdade não traz, ou não puder trazer satisfação e harmonia, não seria a verdade de ser, porque Jesus disse: "Eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância" -- Eu vim para que vocês possam ser satisfeitos. Certamente um lar e uma companhia fazer parte de sua satisfação.

Tendo chegado a um lugar onde você sabe que tem necessidade de um lar, esqueça o lar, volte-se para dentro de si mesmo e compreenda Deus. Compreenda que o único lar que existe está na sua própria consciência; compreenda que você vive, se movimenta e tem o seu ser em Deus, na Consciência verdadeira. A Consciência verdadeira está onipresente como o seu próprio ser. Quando você compreende a verdadeira natureza do lar, natureza que abrange todas as qualidades espirituais de Deus, tais como proteção, amor, júbilo, beleza, cooperação, segurança e providência, seu lar aparece. A união consciente com Deus é que fará a manifestação desse lar -- sem que seja preciso sair de você mesmo.

Lembre-se sempre de que a base do nosso trabalho é: "Mas buscai primeiro o reino de Deus". Uma das maneiras de buscar primeiro o reino de Deus é essa compreensão da união, porque quando você demonstrou sua consciência da união com Deus, todas as coisas lhe são dadas por acréscimo. Logo, a união com Deus constitui a união com cada ser e ideia espiritual.

Pode acontecer que seja necessário que alguma pessoa ocasione o ajuste feliz dos seus afazeres -- o corretor imobiliário certo, o banqueiro certo, o conselheiro de investimento certo ou o professor de metafísica certo. O certo não deve ser contatado por simplesmente se desejar o certo, mas compreendendo sua união consciente com Deus.


SUA CONSCIÊNCIA COMUNICADA COMO VERDADE

O que a pessoa que realmente está procurando a Verdade quer é a mais alta comunicação que existe para o seu particular estado de consciência, a comunicação que atenderá às suas necessidades particulares. Cada um de nós pode usar um caminho diferente para chegar a essa meta; porém, para a maioria dos que buscam, as bibliotecas públicas com seus milhares de livros oferecem a maneira mais fácil, mais rápida e mais acessível de investigar abordagens diferentes da verdade.

Mas você poderia ler todos esses livros e, com exceção de apenas um, não encontrar o que está procurando, e todo esse tempo gasto em leitura poderia ser um tempo desperdiçado. E seria tão difícil dirigir-se ao centro do seu próprio ser e lá compreender que Deus e Verdade são sinônimos; e já que você é um com Deus, você é um com a Verdade e, portanto, toda a Verdade do Universo está ao seu alcance agora -- não ao seu alcance amanhã, mas agora -- ao seu alcance exatamente aqui onde você está. Não existe ocasião, lugar ou espaço que possa separar você da Verdade, de toda a Verdade do Universo, porque você não pode ser separado de Deus.

À medida que você medita dessa maneira, dia após dia, você será levado ao único livro que realmente abriria as comportas para você. A partir desse momento, você seria levado de livro para livro, de mestre para mestre, mas somente para aqueles que estivessem de acordo com a sua consciência ou para aqueles que atendessem à sua necessidade particular. Não é necessário ler todos os livros do mundo para encontrar a verdade de que você necessita. Você pode ser levado aos autores e professores e às Escrituras que estejam em harmonia com o seu estado de consciência particular.

Algumas vezes, eu gostaria que os mestres espirituais do mundo Ocidental pudessem seguir a prática dos swamis (mestres espirituais) hindus, cujos discípulos chegam a viver com eles durante três anos. Então, às três horas da manhã, se o swami sente o clarão do Espírito, ele manda chamá-los para virem imediatamente. Quando se encontram, o swami fala e fala -- talvez até as cinco horas -- e depois eles voltam para a cama. Se, às sete horas, o swami sente que está pronto para falar outra vez, lá vêm os discípulos novamente. Eles nunca sabem a que horas do dia ou da noite serão convocados à presença do mestre para ouvir as pérolas da sabedoria divina que fluem de Deus através dele.

Existem momentos na experiência de cada mestre espiritual em que a verdadeira sabedoria se revela. Foi em um desses momentos, quando eu parecia estar em sintonia com o Espírito, que esta lição de misticismo me foi revelada: desde que eu seja conscientemente um com Deus, eu tenho de ser conscientemente um com a consciência individual de cada pessoa. Com certeza, todos aqueles que são parte da minha consciência têm de estar recebendo a mesma mensagem que eu. À medida que esta mensagem se revela através de mim, continuamente, eu anseio ser capaz de partilhá-la com meus discípulos no mundo todo, e essa revelação foi tão poderosa que eu não teria me surpreendido se alguns deles tivessem escrito comunicando que receberam a mesma mensagem ao mesmo tempo.

Aqueles de nós que seguem a trilha mística aprenderão, por fim, que não é realmente necessário usar palavras para revelar a sabedoria espiritual. Todos nós podemos receber as mensagens e comunicações necessárias à nossa compreensão da Sabedoria divina interior, porque elas não dependem do contato humano.


UNIÃO CONSCIENTE COM DEUS É UNIÃO COM TODO SER E IDEIA ESPIRITUAIS

Este é o milagre do misticismo. A sua união consciente com Deus torna tudo disponível neste mundo no momento em que você sente a necessidade. E ninguém pode afastar isso de você de modo algum -- ninguém. Mas isto só é verdade se você estiver seguindo a trilha espiritual. Unidade consciente com Deus é misticismo. A união consciente com Deus constitui sua unidade com todo ser espiritual e com cada ideia espiritual.

Por exemplo, o dinheiro é apenas um conceito humano, mas é um conceito humano de uma ideia divina, representando amor, gratidão, partilha, cooperação; é uma ideia espiritual que não pode vir a você porque ela já é uma ideia incorporada e uma atividade da sua consciência. Quando você se sente pressionado pelo dinheiro, uma das razões disso é que você o está procurando em alguma fonte fora de você, quando durante o tempo todo ele está oculto dentro da sua consciência. Ele já está dentro de você, mas você o está procurando em uma pessoa, lugar ou coisa.

Nas muitas histórias contadas sobre a procura do Santo Graal, aquela taça de ouro onde se supõe que Jesus tenha bebido no ato da Crucificação, os que o foram procurar sempre voltaram para casa empobrecidos e doentes, caindo de cansaço e de desânimo à sua própria porta. Em cada versão é contada a estória da pessoa que dá toda a sua vida e fortuna para a busca no mundo exterior, apenas para descobrir, em seu retorno ao lar, o tesouro procurado há tanto tempo: ela o encontra em seu jardim, talvez pendurado no ramo de uma árvore; ela estende a mão em sua própria mesa, e ele aparece.

A história do Santo Graal simboliza o tesouro oculto dentro da nossa própria consciência, dentro do nosso próprio ser, em virtude da nossa união com Deus. Esta é apenas uma outra maneira de declarar: Minha união com Deus constitui minha união com todo ser espiritual e com toda ideia ou coisa espiritual. Para mim isso representa uma das mais altas declarações da verdade espiritual. Isso está em meus escritos exatamente nessa linguagem simples, tão simples e direta que algumas pessoas não a reconhecem como "a pérola de grande valor".

Esta declaração: "Minha união com Deus constitui minha união com todo ser espiritual e com toda ideia ou coisa espirituais", está colocada como uma das mais altas declarações da verdade, declaração que o levará para mais perto do Céu na Terra do que qualquer outra.


A COMPREENSÃO NO PLANO INTERIOR APARECE COMO SATISFAÇÃO NO PLANO EXTERIOR

A mais alta declaração mística da verdade que conheço é: "O meu reino não é deste mundo" (João 18:36). Duvido que Jesus alguma vez tenha dito qualquer outra coisa de natureza mais mística do que isso. Ele pôde dizer mais tarde: "Eu venci o mundo" por sua compreensão de que "O meu reino não é deste mundo". Essa declaração nos liberta imediatamente do desejo de pessoa, lugares, coisas, circunstâncias ou condições. Ela nos torna livres do mundo de efeitos e nos possibilita viver em união consciente com a Causa, com Deus.

Se fôssemos demonstrar efeitos aos milhões, ainda estaríamos lidando com algo que poderia tornar-se pó em nossas mãos. Mas uma vez que consigamos a união consciente com a Causa, ou com Deus, então não temos mais interesses pelas coisas deste mundo, exceto desfrutá-las quando chegam. Então, ainda estamos no mundo mas não pertencemos mais a ele. Eu mesmo encontro prazer em muitas das coisas bonitas e desfrutáveis deste mundo, mas já não existe mais um apego exagerado por elas.

Não existe isso de tempo ou lugar onde teríamos menos do que a plenitude do reino, se uma vez conseguíssemos a consciência de que "Meu reino não é deste mundo". Mas precisamos estar sempre alerta para não ficarmos vinculados às coisas do mundo. Não se preocupe com "este mundo" -- este é o caminho místicoNão se preocupe com a carne -- este é o caminho do Espírito. Não se preocupe demais com a solução de qualquer problema -- o problema é apenas temporário.

Preocupe-se com o plano interior do ser. É no plano interior que fazemos contato com Deus. No plano exterior, contemplamos o resultado do trabalho feito no plano interior. Naturalmente, é possível que uma pessoa faça seu contato com Deus no plano interior, como o fazem muitos ascetas, muitos que se retiram do mundo e vivem em mosteiros e conventos; é possível fazer esse contato no plano interior, descartando de modo absoluto todo o mundo exterior e tendo uma vida interior feliz. Mas para a maioria de nós do Mundo Ocidental isso não parece muito natural ou certo, exceto para os poucos que conseguem alcançar esse plano interior e que podem fazer mais pela humanidade dessa maneira do que sendo parte do mundo.

Entretanto, para a maioria de nós, o que aprendemos no plano interior pode revelar-se a maior bênção para os que estão no mundo exterior. Por isso, enquanto não vem o chamado para deixar o mundo, devemos viver nele. Devemos partilhar com os que vivem neste mundo todas as profundidades que estão sendo sondadas em nossa vida interior.

É no plano interior, isto é, dentro do nosso próprio ser, que tocamos Deus, que tocamos a identidade espiritual de tudo o que aparece como pessoa, lugar ou coisa. Tocar a Realidade no seu íntimo faz com que ela se manifeste para nós no exterior -- como família, amigos, discípulos, atividades, ou até mesmo como livros para ler. É estranho que cada vez que toco uma nova nota íntima, alguém me dá um livro ou me recomenda um que me leva mais um passo adiante ou confirma algum ponto que já descobri no plano interior. Além disso, cada vez que alcanço um novo sentido interno, ele aparece exatamente como um novo amigo, um novo auxiliar ou uma nova atividade.

Não importando a atividade particular que você possa estar empenhado, entre em contato com Deus em seu interior e confie que esse contato lhe trará tudo o que é necessário para o seu desabrochar. Isso pode não acontecer no dia que você espera. Na verdade, isso pode ter de percorrer todo um longo caminho. Dê-lhe uma oportunidade de chegar até você. Além do mais, a pessoa necessária para a solução do seu problema pode não estar exatamente no momento preciso numa posição favorável para se tornar parte da demonstração.

Não estabeleça limites de tempo para essa demonstração. Encontre o reino de Deus dentro de seu próprio ser, faça contato e compreenda que agora você está dependendo de sua expressão interior para a sua demonstração exterior. Em primeiro lugar, você precisa fazer isso no plano interior e, depois, o plano exterior se encarregará do resto.

Continuo repetindo que a vida mística é aquela em que você é completamente independente de pessoas, de coisas ou de atividades no nível humano. Não obstante, é uma vida em que você nunca está separado de pessoas, de lugares, de coisas ou atividades, mas onde toda a solução é consumada dentro do seu próprio ser, através do seu contato com Deus e, depois, tornada visível como se houvesse uma mão invisível manipulando todas as cordas.

Os discípulos do Caminho Infinito não são apenas metafísicos que tenham encontrado alguma verdade que, como acreditam, lhes permite induzir a Deus -- controlar Deus -- a fazer o que desejam, nem mesmo encontrar algum meio secreto de obter de Deus o que não se pode ser conseguido de qualquer outra maneira. Eles não estão despendendo seu tempo fazendo afirmações ou negações, mas vivendo na compreensão consciente de Deus, tornando Deus uma parte tão consciente de sua vida como o fez Jesus, desde que o possam.


A SENDA MÍSTICA EXIGE O SACRIFÍCIO DO "EU"

Existem exigências espirituais para cada um de nós. Por exemplo, há uma exigência espiritual que me obriga a viver de modo a apresentar uma consciência limpa e clara para o mundo, sem interesse próprio ou fraude, sem qualquer coisa que separe essa mensagem de sua Fonte. Deus é tanto o criador como o mestre desta mensagem, e todos aqueles a quem Ele a confiou têm a obrigação e a responsabilidade de apresentar essa mensagem em sua pureza e totalidade.

É necessário um pensamento claro e uma vida limpa para ser o tipo certo de mestre: isso exige honestidade de propósitos; exige dedicação; exige mais do que um mero conhecimento intelectual da verdade. É verdade que a letra dessa mensagem já foi impressa em muitos livros e, portanto, qualquer pessoa pode tentar ensiná-la. Mas duvido muito que qualquer estudante se beneficie com tal ensino, salvo se por trás disso haja uma integridade espiritual. Por si próprias, as palavras não elevam a consciência de ninguém. Por si próprias, as palavras não transmitirão o espírito da verdade. As páginas não passarão de mais letras impressas para as bibliotecas do mundo.

É preciso a consciência de um indivíduo inspirado, ardendo de amor por Deus, para comunicar a verdade espiritual. O ensino espiritual não só exige um mestre dedicado, mas também, discípulos, pessoas que estejam dispostas a sacrificar tempo, dinheiro ou prazer em busca da verdade, pessoas que estejam ávidas para se sentarem aos pés do Mestre.

E o que é o Mestre? O Mestre não é nenhum homem! O Mestre é essa mensagem divina, essa verdade. Eis aí o mestre! E sentar-se a Seus pés significa realmente purificar a consciência de toda vontade própria, de todo desejo pessoal, deixando realmente tudo o que é seu no altar desta Verdade: "Tudo o que tenho de natureza material - tudo isso em conjunto - não vale sequer uma gota de verdade espiritual." Nesse estado de consciência purificada, você conseguirá receber, assimilar e responder à verdade do ser.

Quantas vezes Jesus nos disse que precisamos deixar tudo pelo Cristo? Quantas vezes ele apontou a infinidade de desculpas dadas: uma pessoa tem de enterrar um sogro; outra tem de se casar; e outra tem de tirar o jumento que caiu numa valeta. Quantos foram convidados para a festa - e não puderam ir? Tantas outras coisas a fazer! Tantas outras obrigações! Mas receber a Luz divina significa oferecer a si próprio no altar da verdade espiritual. Significa sacrificar todo o sentido do eu - todo o sentido egoísta ou desejo de ganho pessoal.

Na verdade, não há necessidade de lutar pelo ganho pessoal porque a verdade espiritual abençoa a um e a todos do mesmo modo. Quanto mais você dá, mais você tem. E assim é, quer no momento a pessoa esteja ensinando e comunicando a verdade espiritual, quer seja temporariamente o discípulo; quanto mais ela der, tanto mais receberá. Eu nunca pronunciei ou escrevi uma palavra que não me elevasse, porque o que falo ou escrevo não vem do meu intelecto humano. Não é alguma coisa que eu tenha feito. É uma comunicação que me vem no momento em que falo e tem tanto significado para mim quanto para os que me ouvem, talvez mais, porque posso apreciá-la melhor, conhecendo as profundezas de onde vem. Eu conheço as noites de vigília e a dor muitas vezes necessária para expor a verdade profunda.

Cont...


terça-feira, junho 14, 2016

Deus É


 - Joel S. Goldsmith -


A prece é nosso contato com Deus, a Fonte infinita de nosso ser, da qual não podemos ter nenhum conhecimento intelectual, e que temos chamado de Mente, Vida, Verdade, Amor, Espírito ou Infinito Invisível. Deus é o único princípio criativo do universo, o princípio criativo de tudo que É; e, como esse princípio opera a partir da Inteligência suprema, sem começo e sem fim, precisamos aprender a fazer contato ou a nos tornar um com Ele. A menos que aprendamos como fazer isso, não poderemos nos valer da Onipresença, Onipotência e Onisciência de Deus.

A prece, às vezes chamada de comunhão, é a via de acesso ao contato com Deus; através dela, descobrimos nossa unicidade com Deus, nós conscientizamos Deus. Ela é o meio de se trazer à experiência individual a atividade, a lei, a substância, o suprimento, a harmonia e a totalidade de Deus. Este é um dos pontos mais importantes que um estudante de sabedoria espiritual deve saber, praticar, compreender e vivenciar.

Na compreensão da infinita natureza de Deus, entendemos a infinita natureza de nosso próprio ser. “Eu e o Pai somos um” é o fato a nos garantir a natureza infinita do seu e do meu ser. Isto independe de sermos ou não estudantes da Verdade; depende de nosso relacionamento com Deus, pela natureza de unicidade desse relacionamento — unicidade. Em proporção ao nosso progresso, iremos cada vez mais ouvir a respeito da palavra “unicidade”.

Qualquer coisa espiritualmente válida a certo indivíduo, seja santo ou pecador, deverá ser aceita como válida para mim e para você, porquanto o relacionamento entre Deus e Sua Criação é de uma unidade universal. Ao nos ensinar que “Eu e o Pai somos um”, Cristo foi muito cuidadoso em nos assegurar que falava de meu Pai e de seu Pai. Estava revelando a Verdade espiritual universal. Que diferenciava a demonstração de Cristo Jesus da apresentada pelos rabis hebraicos da época? Que diferenciava a demonstração do Mestre daquela de seus alunos ou discípulos? Era o mesmo relacionamento! “Eu e o Pai somos um”— meu Pai e seu Pai! Neste relacionamento em Cristo Jesus, somos todos um, em termos de Verdade ou de Realidade espiritual; logo, a diferença residia na diferença de conscientização.

O Mestre conscientizou sua identidade verdadeira. Reconheceu sua relação com o Pai, com Deus, como a Fonte de seu ser. Reconheceu Deus como sua vida — pão, vinho, água. Reconheceu, portanto, sua substância ou suprimento como infinito, sua vida como eterna, sua saúde como perfeitaTodos estes fatores tinham origem no Pai, e passaram a lhe pertencer por herança divina; revelavam o direito, o privilégio e a experiência do elo Pai-Filho. “Filho, tu estás sempre comigo, e tudo que é meu é teu.” O Mestre, em seu reconhecimento pleno dessa Verdade, podia demonstrá-la. Os discípulos, não tão convictos, não tão conscientizados, chegaram a demonstrar certo poder de cura e certo suprimento, embora em escala menor. O motivo: a diferenciação no grau de conscientização da unicidade.

O fato de você ouvir com seus ouvidos, ver com seus olhos, não constitui prece e não fará a sua demonstração; porém, se algo profundo em seu coração, uma certeza confortadora no íntimo de sua consciência lhe disser: “Sim, isso é a Verdade! Eu sei que somente nessa conscientização sou um com o Pai”, então será esta a medida de sua percepção da natureza da prece. A prece é a certeza da Verdade dentro de você. Ela nunca significa ir a Deus por alguma coisa; nunca significa desejar algo, exceto o desejo de conhecer Deus, ou tomar maior consciência de Sua Presença. Muitos estudantes, tão plantados na velha teologia ou na metafísica mental moderna, vivem na crença de que podem ir a Deus em busca de algo: saúde, suprimento, emprego, companhia ou cura; e acabam, em vista disso, adiando a própria demonstração de harmonia.

Nenhum bem lhe fará ficar a pensar em sua vida, sua saúde, seu suprimento; nenhum bem lhe fará dirigir-se a Deus munido de alguma requisição, pedido ou desejo, pois Deus nada possui que nEle possa estar retido, e Deus não retém coisa alguma que faça parte de Sua posse; Deus é ser ativo infinito. Tudo que Deus É, e tudo que possui, está fluindo constantemente em manifestação, expressão e forma. Será tolice alguém julgar que sua prece poderá influenciar Deus a acelerar a vinda de algo, ou fazer com que Ele lhe traga algum benefício.

A harmonia vem rapidamente à sua experiência, tão logo concorde que não há sentido algum em se dirigir a Deus em busca de algo. Lembre-se: quando digo “concordar”, falo de uma sensação de certeza, de uma concordância interna ou profunda convicção, e não de um mero falar superficial do tipo: “Sim, eu acredito, concordo com o Mestre. Sou cristão e aceito o seu ensinamento.” Esse tipo de aceitação é o mesmo que nada! Você pode sentir a veracidade desse fato? É capaz de sentir a verdade desta tremenda revelação do Mestre, de que “o Pai sabe que necessitais de todas estas coisas…que é de Seu agrado dar-vos o Reino”? Caso não se sinta convicto, não vá a Deus em busca de alguma coisa. Trabalhe dentro de você mesmo; ore no interior de seu próprio ser; realize uma comunhão interna, até perceber uma concordância, um sentimento de que o Mestre realmente sabia que o Pai conhece todas as suas necessidades, e que, antes que Lhe peça, é de Seu agrado dar-lhe o Reino.

A prece é um reconhecimento desta Verdade do amor de Deus por Sua própria Criação; é um conhecimento interior de que jamais o Pai abandonou a Sua Criação. Quando olhamos para o mundo e vemos doença, pecado, morte e calamidade, ficamos prontos para questionar tudo isso; porém, nesse procedimento, estaremos desconsiderando a sabedoria de João, quando nos adverte: “Não julgueis pelas aparências, mas segundo julgamento justo”.

Temos nos dedicado a ver com os olhos e a ouvir com os ouvidos, quando deveríamos estar vendo com os olhos interiores e ouvindo com os ouvidos interiores, com aquela percepção espiritual que não julga pelas aparências, mas pelo julgamento espiritual. E então, saberíamos que todo pecado, doença, morte, carência, limitação e caos, reinantes no mundo de hoje, surgem por um só motivo, e surgem àqueles que vivem pelo sentido material; àqueles que ainda estão voltados a querer ou desejar obter, adquirir e buscar alguma coisa; àqueles que desconhecem a natureza infinita de seu próprio ser, bem como o fato de que, devido a ser infinita esta natureza, eles deveriam DEIXÁ-LA SE EXPRESSAR a partir deles próprios, em vez de viverem tentando acrescentar algo à infinitude.

A prece comumente aceita, ortodoxa ou metafísica de cunho mental, deve falhar por ser na maioria tentativa de se obter algo, acrescentar algo, realizar algo ou receber algo, quando a natureza infinita de nosso ser, um com Deus, implica em estarmos com nossos “recipientes” já lotados. Tudo que é do Pai é nosso! Algo mais nos poderia ser acrescido? Browning, o grande poeta, registrou em seus versos o segredo maravilhoso: “A Verdade está dentro de nós mesmos… e o conhecimento… consiste em abrirmos espaço para que escape o esplendor aprisionado…”.

Quando julgamos pelas aparências, submetemo-nos à crença causadora de toda confusão e discórdia da existência humana: o julgamento do bem e mal. Isto é bom; aquilo é mau; assim rotulamos tudo! Naturalmente, aquilo que hoje é chamado de bom, pelas mudanças de regras sociais poderá ser chamado de mau amanhã. E coisas hoje ditas muito más, talvez se tornem normais, naturais e comuns a todos no amanhã. Porém, não estaremos vendo assim enquanto estivermos julgando pelas aparências. Estaremos julgando segundo os padrões atuais da sociedade ou tradições do momento, regras a nós impostas; desse modo, instantaneamente rotulamos tudo como coisa boa ou má, julgando tudo com base em opinião, crença e teoria humanas. Enquanto estivermos encarando o mundo com olhos humanos, sempre estaremos achando algo bom e algo mau, muito embora essa classificação se altere a cada geração que passa.

Para que haja uma compreensão correta da natureza da prece, precisamos, neste instante, abandonar nosso julgamento humano em termos de bem e mal. Não podemos continuar a enaltecer nosso senso de sabedoria psicológica, permitindo-nos julgar as pessoas de nossa família, do círculo profissional ou de nossa comunidade. Deveremos deixar de lado nossas opiniões de bem e de mal, de inteligência ou de ignorância, de honestidade e desonestidade, de moralidade e imoralidade, para termos condição de ver cada indivíduo sem qualquer condenação, sem qualquer crítica e sem qualquer julgamento, unicamente estabelecidos na "percepção de que Deus É!"

Deus É; A Vida É. Não nos é permitido fazer qualquer julgamento que ultrapasse esse ponto. Deus É. Trata-se de um treinamento para deixarmos de emitir opiniões. É muito fácil e agradável, para o ego de alguém, ser um bom juiz da natureza humana, ser humanamente capaz de avaliar aqueles que encontra; e, humanamente, talvez ele até esteja julgando certo. Entretanto, se ficarmos olhando o mundo e julgando a humanidade, colocando rótulos nas pessoas, e permanecendo no âmbito das opiniões e análises humanas, somente atrairemos confusão. Há uma só forma de escaparmos disso tudo e ficarmos apartados: concordando que Deus fez tudo que foi feito, e que tudo que Deus fez é bom; concordando que Deus, Espírito, é a vida, a Alma, e a mente do ser individual. Como poderíamos aceitar um ensinamento que revela Deus como a Vida de toda a existência, como o Princípio criativo de todo ser, e, paralelamente, ficarmos classificando alguma coisa como boa ou como má?

A mulher flagrada em adultério não foi rotulada pelo Mestre: “Mulher, onde estão os teus acusadores?… nem eu, também, te condeno”. E ao cego de nascença, “Nem este homem pecou nem seus pais.” Você está percebendo a necessidade de se abandonar toda censura, toda condenação que se fundamenta em aparências? Toda revelação ou ensinamento espiritual registrado desde 1500 AC. está baseado nos postulados: “Ame a seu próximo como a si mesmo”, e “Faça aos outros o que gostaria que lhe fizessem”. A prece é nosso contato com Deus, e não teremos contato algum com Ele, a menos que amemos nosso próximo como a nós mesmos. O primeiro passo para conseguirmos amar verdadeiramente aos nossos irmãos é cessarmos com todos os nossos julgamentos em relação a eles. Quando os julgamos pelas aparências, imediatamente os condenamos, uma vez que não estaremos vendo-os como Deus os criou, mas reforçando com a nossa visão uma aparência ilusória. Quando aprendemos a olhar com a visão correta para o nosso próximo, isso já é amor.

Esta prática, logicamente, nos irá tirar de muitas das nossas discussões de cunho político ou social, pois não seremos mais capazes de culpar familiares, amigos, sócios ou lideranças políticas pelos nossos problemas, circunstâncias e depressões. Isto nos exigirá disciplina, e irá nos exigir mais o seguinte: um profundo e grandioso amor a Deus. Ninguém poderá penetrar na sagrada atmosfera de Deus exalando críticas, julgamentos e condenações referentes ao próximo. “Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti; deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem e apresenta a tua oferta” (Mt.5:23-24.)

Não é possível que haja demonstração espiritual enquanto continuamos presos às opiniões humanas de bem e mal. Quando olhamos para o mundo sem opiniões, julgamentos ou rótulos— mesmo os bons—, conscientizando que DEUS É, criamos uma espécie de vazio interior. Neste vazio aflora a sabedoria espiritual capaz de definir e avaliar o que está diante de nós, e isto se mostrará inteiramente diferente de nossa estimativa humana. Chega-nos à consciência uma espécie de calor, uma sensação de amor pela humanidade, e a percepção de que Deus é a totalidade da Existência. Quando alguém contempla esta revelação da verdade espiritual, encontra-se pronto para dar o passo seguinte: o passo que o torna um praticista de cura espiritual, um salvador, um reformador, um supridor no universo aparente.

Este é o momento em que devemos olhar para toda condição, seja de prisão em cárcere, em corpo doente, em falta ou limitação, sem lançarmos opinião de bem e mal. Devemos poder encarar qualquer situação e circunstância com a conscientização de que DEUS É. Ser-nos-á requerido um elevado grau de consciência espiritual, para olharmos uma doença séria e sermos capazes de contemplar o Cristo. Isto não quer dizer que olharemos para o pecado, a doença, a pobreza, o cárcere, para rotularmos tudo aquilo de “bom”. Não significa que faremos afirmações mentais de que aquilo é espiritual ou harmonioso; tampouco consideraremos que algo seja “mau”, munidos da intenção de superá-lo, melhorá-lo ou curá-lo. Não, não, não. Falamos de um abandono/desapego de todo julgamento humano, na conscientização de que somente DEUS É - DEUS, SOMENTE, É .

Talvez você pergunte: “Que princípio está aqui envolvido?” No reconhecimento de Deus como infinito, poderia você admitir um doente, um pecador, uma condição de pecado ou de doença? Poderia você aceitar uma pessoa ou condição necessitada de cura, mudança ou melhoria? Não, não poderia. Que ocorre quando você testemunha o que o sentido humano chama de “erro”, e ora para removê-lo? A resposta é uma só: ocorre o fracasso.

Lembre-se: você não foi chamado para olhar pessoas e condições errôneas e chamá-las de boas ou espirituais, nem para dizer que uma pessoa em erro é o Filho de Deus. Uma pessoa assim não é o Filho de Deus. Você foi chamado para eliminar toda opinião, teoria ou crença, deixando de lado todo julgamento. Não declare que algo ou alguém seja bom. Disse Cristo: “Por que me chamas bom? Não há ninguém bom, exceto Deus.”

Não vamos chamar nada nem ninguém de bom, mas também não chamaremos de mau. Aprenderemos a olhar para qualquer pessoa e condição com apenas duas palavrinhas: "DEUS É", ou "ELE É" . É — É— É: … nunca “será” curado, melhorado, removido. DEUS É . A Harmonia É. Ele É! ELE É AGORA!

Na percepção de que DEUS É, será revelada toda entidade e perfeição espiritual. E então, você não estará vendo o mal humano transformado em bem; não estará vendo pobreza humana transformada em riqueza; não estará vendo doença humana transformada em saúde; não estará vendo culpa humana transformada em virtude; entretanto, estará percebendo a atividade e Lei de Deus presentes exatamente onde parecia existir uma pessoa boa ou má, uma condição boa ou má.

Não buscamos transformar uma humanidade má em humanidade boa. O objetivo deste trabalho e estudo é alcançar “aquela Mente que estava em Cristo Jesus”, isto é, alcançar o mesmo estado de consciência espiritual manifestado por ele, a fim de contemplarmos o mundo espiritual, o homem espiritual, o Filho de Deus. “O Meu reino não é deste mundo”. O reino de Deus é um reino espiritual, um universo espiritual, governado por lei espiritual. Ele é uma SUBSTÂNCIA espiritual sem começo e que não terá fim.

Podemos compreender melhor esse fato se analisarmos que jamais houve um tempo em que duas vezes dois não fosse quatro. Nunca houve tempo em que uma semente de roseira deixasse de produzir rosa. A lei “semelhante produz semelhante” vem vigorando desde antes que o tempo existisse. Ela sempre foi, é e será. A oração, no sentido comum de prece, não irá provocar esse efeito. Todo “bem” JÁ É.

Mesmo no âmago das chamadas “depressões econômicas”, a terra continuava abarrotada de frutos, os oceanos repletos de peixes, os céus repletos de pássaros. Deus não tem poder para aumentar o Seu suprimento. JÁ É INFINITO! É maior do que a terra possa usar. Ele ainda é, apesar da aparente falta de provisão e dos preços elevados que somente a ignorância é capaz de explicar. O mundo está produzindo mais do que pode consumir ou utilizar. Orar a Deus por aumento de suprimento irá realmente fazer crescer a quantidade de produtos ou benefícios? NÃO! Já existe mais que o suficiente para o mundo todo!

Naturalmente, uma pergunta poderá surgir: “Como nos valeremos desta suficiência?” Resposta: “Através da prece.” Que é prece? A prece é este sentimento, esta convicção, este saber interno que estas palavras são verdadeiras. DEUS É. Você mudaria esse fato? Mudaria algo feito por Deus? Pediria melhorias no universo de Deus? Pediria a Deus para deixá-lo influenciar as leis, a substância e a atividade de Sua própria criação? “Sim, mesmo que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo.”(Salmo 23:4.) DEUS É. Teríamos de orar por algo mais? O sentimento de certeza da declaração “DEUS É”, constitui a sua prece. Exatamente agora, ela lhe será o bastante, desde que possa você abrir mão de todos os seus desejos, vontades e mesmo esperanças, para deixar este sentimento, esta realização, conduzi-lo a planos mais profundos de consciência, fazendo-o penetrar nos reinos mais profundos da prece. DEUS É. Isto não basta?

Agora eu reafirmo: não julgue pelas aparências. Olhe para cada pessoa, cada coisa, cada situação, munido somente desta compreensão: DEUS É! A partir daí, deixe a Realidade Espiritual se tornar visível pela ação de seu Pai interior.


sexta-feira, junho 10, 2016

Silêncio e quietude: os grandes segredos da Meditação


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Sabe porque a demonstração da Verdade aprendida em O Caminho Infinito é tão reduzida? E porque os tratamentos e preces alcançam a tão poucos? Primeiro, porque na meditação é declarado conscientemente a Verdade sobre Deus, é conscientizada a natureza de toda forma de ilusão como isenta de substância, poder ou lei de sustentação, mas SE ESQUECE DE AGUARDAR, EM QUIETUDE, a certeza interna de que Deus é o único Poder, única Lei, único Ser!

Ao encarar um problema, esquive-se dele mentalmente e, de modo algum permita sua entrada em sua consciência. Declare ou pense em alguma Verdade sobre Deus, Seu Universo, Sua Presença e seu Poder. DEIXE QUE O PENSAMENTO SOBRE DEUS SE DESENVOLVA EM SEU ÍNTIMO! Declare ou pense tudo que você já sabe sobre a natureza do erro — pecado, doença, carência, morte. DECLARE QUE TUDO NÃO PASSA DE FORMAS DO MUNDO DA CRENÇA — consciência coletiva da raça, pensamento mesmérico criador de “nadas”. Em seguida, ESPERE! Espere quietamente, silenciosamente, numa atitude de expectativa. Ouça a Voz interna, o “click”, a libertação.

Contínuas meditações interiores, contínuas investidas ao centro de nosso ser, acabarão por nos levar à experiência do Cristo. Naquele instante, perceberemos o mistério da vida espiritual: deixaremos de nos preocupar com o que comer, com o que beber, com o que vestir. Deixaremos de fazer planejamentos; abandonaremos todos os esforços. Somente o Cristo pode viver Sua vida para nós, e encontraremos o Cristo dentro de nós mesmos, em meditação. O grau em que atingirmos a experiência do Cristo, a presença do Espírito de Deus em nós, determinará o grau de nosso desenvolvimento individual.

Pratique isso várias vezes por dia. Aproveite todas as oportunidades, tanto com os seus problemas como com os de outrem. Lembre-se: a busca não visa a um crescimento material, mas a realização do Cristo. Somos instrumentos pelos quais o Impulso espiritual destrói o conceito mortal para revelar o homem real cujo ser “está em Cristo”.

O fundamento da cura está na compreensão desta expressão: CRISTO-REALIZAÇÃO.

O grande segredo da meditação é o silêncio - não repetições, não afirmações, não negações – apenas o reconhecimento da totalidade de Deus, seguido de profundo e profundo silêncio, que anuncia a presença de Deus. Quanto mais profundo o silêncio, mais poderosa se torna a meditação.

Você deve honrar este silêncio. As coisas sagradas, que sejam mantidas em sua sacralidade: conservem-nas sagradas e secretas. Nada há, de natureza sagrada, que se deva compartilhar com alguém. Todos são livres para buscar Deus à sua própria maneira, e, a cada um, cabe se esforçar para achar o que está buscando.

Não há ocasiões para compartilharmos as experiências mais profundas, as nossas descobertas mais sagradas de nosso relacionamento com Deus, porque cada um é livre para seguir e fazer o mesmo. As coisas profundas e sagradas devem permanecer ocultas em nossa própria consciência. Quanto mais as mantivermos secretas e sagradas dentro de nós, maior será o poder.

Sente-se ou deite-se confortavelmente, relaxe o corpo, a mente, e sinta-se livre. Este estado receptivo exclui qualquer esforço mental. Você não estará procurando Deus; antes, estará simplesmente RECEBENDO O CRISTO, de modo relaxado, sossegado e pacífico; estará “sentindo” aquela Presença. E, nesse estado de receptividade, unicamente existe consciência, serenidade, pureza e paz. Não se prenda a nenhum desejo, motivo ou pensamento do ego — considere apenas idéias de pureza; pureza e objetivo espiritual; de pura alegria.

Conserve-se em paz, e a Palavra lhe virá: “Eis que estou convosco até o fim do mundo"... ”Eu nunca o deixarei nem o abandonarei” — Eu Sou Você!


terça-feira, junho 07, 2016

O maná escondido

- Joel S. Goldsmith - 


Nova dimensão nos pertence: não mais buscamos o mundo, mas habitamos o centro de nosso próprio ser, onde contemplamos a glória de Deus e aguardamos que o mundo venha a nós.

“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer darei eu a comer do maná escondido.”(Apocalipse 2:17)

“Quem tem ouvidos” – aquele que tem ouvidos espirituais, que consegue ouvir o inaudível – permita-lhe que ouça. Permita-lhe ouvir o que diz o Espírito, não o que eu digo, não o que diz o livro, não o que você gostaria de dizer, mas o que diz o Espírito: “Ao que vencer darei eu a comer do maná escondido”.

Toda a mensagem de O CAMINHO INFINITO se resume na expressão “maná escondido”. Maná escondido! Como isto é parecido com a frase de Jesus: “A minha paz vos dou: não vo-la dou como o mundo a dá” – não saúde física ou riqueza material, um lar, um automóvel, não algo dado pelo mundo, mas a Minha paz! A Minha paz é algo que o mundo não reconheceria, mesmo estando cara a cara com ela; tampouco a perceberia, mesmo estando a experienciá-la. Minha paz! A paz que é sentida não por estar o corpo saudável, ou a carteira cheia de dinheiro; não por estar o lar feliz, próspero e jubiloso. Não, não, não! A Minha paz é uma paz sentida interiormente, alheia às condições externas, mas que acaba fazendo com que todas estas últimas se alterem.

Eis o mistério escondido. A paz, aquela que o mundo lhe dá, chega a você pelas circunstâncias e condições externas. Se dispuser de mais saúde ou riqueza, de uma casa mais ampla, de férias prolongadas, isso tudo poderá lhe sugerir um estado de paz que será temporário. O bem vindo de fora, e que hoje você desfruta, talvez amanhã venha a ser-lhe tomado. Mas a Minha paz é diferente. A Minha paz é uma atividade de recebimento e de fluxo que se dá em seu próprio âmago; assim, jamais depende de algo: é autogerada e autossustida. A Minha paz aflora de um manancial oculto internamente, trazendo com ela o bem que jamais o abandonará.

Em outras palavras, a paz conscientizada interiormente sempre estabelecerá a harmonia de seu mundo exterior. Este é o “maná escondido”; este é o alimento citado por Cristo, quando disse: “Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis”. Este é o alimento oculto, o alimento espiritual. Quando ele disse: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”, referia-se àquele pão espiritual, àquela substância e suprimento espirituais – não a alimentos ou circunstâncias exteriores.

O mundo está em busca de paz, harmonia, integridade e satisfação: mas, está buscando onde julga ser capaz de conseguir, ou seja, externamente, no mundo lá fora. Existe a possibilidade de se desfrutar paz, prosperidade e satisfação vindas de fora, enquanto durar aquela condição específica; entretanto, a satisfação obtida externamente geralmente é perdida, e a pessoa acaba quase sempre indo à cata de “brinquedos novos”.

A vida se transforma totalmente, tão logo você assimile firmemente a grandiosa Verdade de que “a palavra que sai da boca de Deus” é a substância da vida, e passar a compreender o sentido profundo das seguintes passagens da Bíblia:

- "Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis." (João 4:32)

- "Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva." (João 4:10.14.)

- "Ao que vencer darei eu a comer do maná escondido." (Apocalipse 2:17.)

Tão logo passe a observar que o que é exterior e palpável é mero produto do que é invisível, você deixará de avaliar seu suprimento em função de quantas maçãs, pêssegos ou moedas é possuidor, mas sim em função de quantos contatos com Deus foram feitos.

Todo bem que porventura lhe surgir na vida será conseqüência da atividade da Verdade em sua consciência. Em outras palavras, se a sua consciência de amanhã for idêntica à de hoje, não fique na expectativa de que surgirão amanhã frutos diferentes daqueles que você possui hoje. Para o amanhã lhe trazer uma condição renovada é preciso que hoje, em sua consciência, alguma atividade diferente esteja acontecendo. Se pretende colher frutos espirituais em sua vida, terá de “deixar suas redes”, eliminando de si mesmo quaisquer galhos que o estejam prendendo àqueles já mortos. Você não entrará na presença de Deus levando junto os seus fardos. Não irá a Ele levando algum desejo de que Deus faça, seja, ou consiga alguma coisa para você... mas terá de purificar todos os seus anseios humanos, pela conscientização da Graça divina. Deverá abrir mão do passado e do futuro; deverá abandonar todo o desejo por alguma pessoa, lugar, coisa, circunstância ou condição, abandonar inclusive a espera pelo paraíso.

A presença de Deus está em seu interior, e precisa ser percebida conscientemente; mas, esta conscientização somente se realizará para aquele que estiver buscando Deus com este objetivo exclusivo e único: a busca de Deus em Si. Todo aquele que vinha buscando a Deus e perdeu o rumo, perdeu-o por ter buscado a Deus por algum outro motivo: por uma cura, por suprimento, por um lar, por felicidade, ou por outra coisa qualquer. Deus não pode ser alcançado dessa maneira. Deus pode ser alcançado somente de um modo: pela completa renúncia a tudo, excetuando o desejo único de se abrir à “Graça que é a sua suficiência”. Pense no que representa ter a Graça divina. Pense no que representa ter a paz do Cristo, a Minha paz que o Cristo lhe pode dar; não a paz do mundo, não a saúde ou o dinheiro, não a posição, lugar ou poder: unicamente a paz espiritual. Pense no significado de você somente desejar a Minha paz, a paz do Cristo, sem o mínimo pensamento sobre o que ela irá fazer ou conseguir para você!

Isto somente lhe ocorrerá à medida que conscientizar esta paz no interior de sua própria consciência. Abra mão de tudo, dizendo: “Não quero viver de pão, somente, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”. Assim, logo em seguida ocorrerá o “milagre”.

Ao se despojar das dependências materiais e humanas, palavras como “você”, “ele” ou “ela” tenderão a diminuir e quase sumir de seu vocabulário. Não ficará pensando mais com tanta freqüência sobre um “você”, um “ele” ou “ela” de quem, até então, vinha esperando tanto. A cada necessidade que surgir em sua vida, seu primeiro pensamento será voltar-se ao Cristo. Do Cristo, e através do Cristo, todo bem lhe haverá de chegar: não por algum “você”, “ele” ou “ela”, mas única e exclusivamente pelo Cristo.

É bem verdade que o Cristo aparecerá na forma de algum veículo humano. Talvez ocorra de seu bem lhe chegar através de mim, ou de meu bem me chegar através de você; entretanto, nem ele virá de você para mim, nem ele irá de mim para você. Jamais eu iria esperá-lo de você, nem você esperá-lo de mim. Eu contaria somente com o Cristo de meu próprio ser, e este Cristo apareceria como você. Por sua vez, também você iria esperar a mensagem da Verdade somente do Cristo de seu próprio ser, que poderia, hoje, estar-lhe vindo pela minha pessoa, e, amanhã, por alguma outra; mas, nesta ou naquela condição, continuaria sempre sendo o Cristo de seu próprio ser, revelando-Se a você.

Quanto menos personalizar seu bem e os canais pelos quais ele lhe chega, permitindo o aparecimento do Cristo na forma que se lhe fizer necessária a cada momento, mais comprovará esse mecanismo em sua vida. Tão logo passar a conscientizar o Cristo como a origem e a fonte de seu bem, contemplando-O continuamente, assim Ele Se manifestará.

Talvez, em algum momento, você fosse levado a pensar: “Será que mereço este bem? Serei digno dele? Terei a compreensão necessária para recebê-lo? Terei tempo necessário para estudar, ler e orar o necessário para obtê-lo?” Gostaria que soubesse o seguinte: o seu bem não depende de coisa alguma que você pudesse estar a fazer: ele é a pura atividade do Cristo em sua consciência, ao qual você se mantém aberto.

Nada pode paralisar a mão de Deus, nem mesmo seus supostos pecados de omissão ou comissão. Nada que faça ou que tenha deixado de fazer irá barrar o fluir divino. Este fluxo independe da quantidade de leitura espiritual que tenha feito, de idas à igreja, ou de estudo e meditação. Estes são apenas fatores auxiliares na abertura de sua consciência. E este é o único objetivo de todos eles. Deus não está jamais esperando sentado, até você se tornar bondoso ou espiritualizado, ou até terminar de ler centenas de páginas sobre a Verdade, ou meditar por determinado número de horas.

O Cristo é a realidade de seu ser agora. Ele está à espera, mas é você que deverá deixá-Lo entrar: primeiramente, exterminando a crença de que Ele seja algo externo ao seu ser; em segundo lugar, permitindo o Seu fluir, através da sua conscientização de sua onipresença.

Se você acreditar, por um segundo que seja, que seu bem depende de algo que possa humanamente fazer ou deixar de fazer, estará se excluindo do fluxo divino. Deus em Si está fluindo infinitamente, e a única barreira à totalidade de Sua expressão é proporcional à sua crença de que o bem divino é dependente daquilo que você faz ou deixa de fazer. Qualquer que seja a atividade espiritual de que faça parte, saiba que o objetivo dela não é o de receber o bem de Deus, mas o de ensiná-lo como abrir sua consciência ao Seu influxo.

Jamais creia que possa provocar ou impedir o fluir divino. Ele já está pleno e completo no interior de seu próprio ser, aguardando seu reconhecimento de sua plenitude no Cristo. Embora escarlates possam ser seus pecados, você é alvo como a neve. Apenas não recaia, não volte a pecar: não retorne à crença de um senso separatista de Deus, Não volte a buscar seu bem no exterior, pois, uma vez aprendido que o reino de Deus está em seu interior, e que deve permitir seu fluir de dentro para fora, se retornar à tentativa de novamente buscá-lo no exterior, isto lhe causará uma sensação de separatividade mais profunda ainda, nunca antes sentida. Não faça isso! Não retroceda! “Vai-te, e não peques mais.” Não retroceda para não se prejudicar, caso alguém não esteja agindo conforme sua expectativa, isto é, perdoando-o, dando-lhe cooperação ou reconhecendo as suas virtudes. Não retroceda àquilo! Solte-o! Conceda-lhe perdão! Deixe-o ir! Você está a sós com seu Deus. Você está a sós em seu Ser-divino.

Há períodos em que você se vê diante de alguma aparência de conflito, desarmonia, dor, escassez ou limitação: em tais casos, costuma ser tentado a fazer esforços mentais, empenhando-se em vigorosas mentalizações, afirmações e negações, na esperança de achar harmonia e paz. Inverta agora esse mecanismo! Sempre que surgir alguma aparência de discórdia, relaxe. Não faça o mínimo esforço mental! Lembre-se: o seu bem não lhe virá “pela força ou pelo poder, mas pelo suave Espírito”. O seu bem não lhe virá pelas suas lutas e esforços mentais, mas sim das profundezas do seu ser, na quietude, no silêncio e na confiança.

Você não tentará obter uma cura. Irá aquietar-se e deixar que venha a “pequenina voz suave”. Deixará que o Espírito desça sobre você. Fique descansado, exatamente agora, em meio a qualquer doença, carência, discórdia ou desarmonia que porventura o estiver perturbando. Repouse! Relaxe!

“Minha Graça é a tua suficiência... Eu nunca o deixarei nem o abandonarei.” Para que lutar como se necessitasse de se agarrar a Mim? Como se tivesse de buscar-Me? Ou de procurar-Me? Eu estou em seu próprio íntimo, “mais próximo que seu fôlego, mais perto que suas mãos e pés.”

Se você sabe dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais Eu, seu Pai celestial, não saberei fazê-lo? Não se esforce para consegui-las. Eu as darei a você.Eu lhe darei água. Não desça balde em poços à procura dela. Eu lhe darei água. Quanto a você, fique quieto, deixe que Eu o alimente... deixe que Eu sacie sua sede. Deixe que Eu, em seu âmago, seja a influência curadora. O Cristo curador.

Não tente fazer de sua mente ou pensamentos o Cristo curador. “Os meus pensamentos não são os teus pensamentos, nem os meus caminhos são os teus caminhos.” Por que não abre mão de seus pensamentos nem deixa de lado os seus caminhos? Deixe que os Meus pensamentos assumam o comando. Permaneça repousado dando ouvidos a Mim. – a pequenina Voz suave do centro de seu ser. Eu nunca o deixarei nem o abandonarei. Mesmo “no vale da sombra da morte”, Eu ali estarei. Você jamais conhecerá a morte; jamais morrerá. Por quê? Porque Eu lhe darei água viva que salta para a Vida eterna.

Assim, se permanecer ouvindo a Minha Voz suave, se em Meus braços eternos relaxar, se em Mim repousar, se deixar que Eu o alimente, mantenha e sustente cada palavra que de Minha boca proceder, jamais você morrerá.

Eu nunca conheci um justo a mendigar pão. Que é um justo? Aquele que repousa em unidade comigo. Relaxe, pois, na contemplação do Meu amor, de Minha presença. O Meu espírito está junto a você; a Minha presença segue à sua frente.

“Na casa do Pai há muitas moradas; vou preparar-vos lugar.” Por certo que vou. Sendo assim, deixe de se preocupar. Pare, pare, pare de temer; pare de duvidar. Pare de tanto insistir com declarações, afirmações e negações. Deixe ir tudo! Repouse em Mim, repouse em Meus braços. Eu, seu Pai celestial, sei que necessita destas coisas, e é do Meu agrado a você concedê-las – não querendo que você se esforce por elas; não querendo que dê “tratamentos espirituais” para consegui-las; mas, é do Meu agrado a você concedê-las, pela Graça. Não pela força, não pelo poder, mas por Meu Espírito. Tudo lhe é possível realizar através de Mim, o Cristo de seu próprio ser.

Deixe que o Cristo seja o canal pelo qual você é alimentado, vestido, abrigado, confortado, protegido, curado, sustentado e mantido. Sempre que surgir em seu horizonte alguma aparência de discórdia, relaxe mais, repouse mais, permaneça ainda mais em paz, certo da presença divina em seu interior. Confie em seu Eu, confie no Cristo do centro de seu próprio ser.

Creia na existência de uma Presença cuja função única é abençoá-lo, bendizê-lo e ser instrumento da Graça de Deus. Confie nEla. “Não deposite sua confiança em príncipes” – creia somente em Deus. Não viva mais de pão, ao menos não somente de pão, mas de toda palavra, de cada promessa bíblica, que deverá ser cumprida em você. “Para onde tu fores, irei também eu” ... Eu darei ao vencedor o maná escondido.”

Este “maná” está escondido dentro de você. O mundo não consegue vê-lo; o senso comum não consegue conhecê-lo; os seres humanos não conseguem compreendê-lo. Ele está escondido do mundo. Escondido onde? Nas profundezas de seu próprio ser!

Retire sua atenção de homens e mulheres do mundo. Retire sua fé e dependência a pessoas do mundo, das circunstâncias e condições do mundo; e, em sua lembrança, fique somente com este conhecimento: profundamente, em seu interior, existe alimento que o mundo desconhece; há mananciais de água e maná escondidos, tudo já incorporado interiormente ao seu próprio ser.


quinta-feira, junho 02, 2016

Não julgue e obtenha domínio


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CONCEITOS OU VERDADE?

Se eu tivesse que perguntar a você o que pensa da Bíblia, sua opinião provavelmente seria bastante diferente de qualquer outra pessoa que tivesse lido esse livro. Parece haver muito pouco entendimento sobre o assunto da Bíblia. Mas não importa o que você ou qualquer outra pessoa pensa, pois ela é o que é e o que ela é ninguém realmente sabe. Se há um ano tivesse lhe perguntado sobre ela e então hoje novamente e daí a um ano a partir de agora, provavelmente nenhuma das três respostas estaria de acordo, porque seu conceito da Bíblia muda com o desenvolvimento de sua consciência.

Assim, também, tudo o que você possa estar pensando de uma pessoa é errado. Eu não me preocupo com o que você está pensando. O que quer que seja está errado, porque o que você está pensando representa seu conceito da pessoa no momento, e esse conceito muda de momento em momento e de ano para ano.

Você deve aprender a não odiar ou temer seu conceito de vida, seja ele um conceito de humanidade, de pecado ou de doença, porque é apenas um conceito. Não há poder real nos conceitos. O que você está considerando como pessoa não é pessoa: é um conceito de pessoa. Mas esse conceito não tem poder. Todo poder está em Deus. Por exemplo, qualquer que seja o seu conceito de mim, não há poder nele que possa tocar-me. Se você pensar que eu sou bom, isso não faz diferença para mim. Se você pensar que eu sou mau, também não faz diferença. Seu pensamento não tem poder sobre mim. Deus me mantém e me assiste e eu não estou sujeito a nada senão a Deus. Não há vida em seu conceito sobre mim. A vida está em mim, não em seu conceito sobre mim.

Também ocorre o mesmo com tudo que você vê, ouve, toca, saboreia ou cheira: você realmente nunca sabe o que é. Um diamante pode ser bonito e de muito valor. Qualquer beleza e valor, que houver, estão no diamante, não em sua opinião sobre ele. Você pode pensar que, no entanto, seja uma imitação, mas o que você pensa não altera o valor do diamante. Você não mudou seu valor, nem sua qualidade. Você pode pensar que é perfeito e ele pode ser imperfeito. Você pode pensar que é imperfeito quando ele é perfeito. Mas, ele é o que é e o valor está nele, não em seu conceito sobre ele. Lá fora pode fazer sol ou chuva. Tudo o que você pensa sobre o sol ou a chuva não surte efeito sobre nenhum deles.

A utilização dessa verdade para a obra da cura é importante. Você não sabe o que um pecado ou enfermidade são. Você apenas faz um conceito deles e não há poder verdadeiro nesse conceito. Além disso, você não conhece a pessoa que está se dirigindo a você para ajudá-la. Você apenas tem uma concepção dela. Não há poder real em seu conceito; o poder está dentro de você mesmo e é o poder de Deus, porque não há outro.

Recorde a afirmação do Mestre para Pilatos: “Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado” (João 19:11). Agora, vamos encarar os fatos. Pilatos era o governador, dotado de autoridade total conferida pelo César. Ele era tanto o juiz quanto os jurados. Isso era a aparência. Assim, o Mestre negou que Pilatos tivesse qualquer poder, exceto o que veio do Pai. Isso é exatamente o que estou dizendo aqui. O homem não tem poder para ser justo ou injusto, bom ou mau, pecador ou puro, doente ou são, porque todo poder está em Deus e se exterioriza, a partir de dentro do Pai.

No momento em que você começa a perceber esse fato, começa a retirar poder dos conceitos de formas, pessoas e condições. Você faz isso conscientemente. Não há poder fora de você que possa substituí-lo. É você, você mesmo, que deve aprender a olhar para uma pessoa como o Mestre olhou para Pilatos e reconheceu: “Oh, não, vejo agora que o que estou vendo como você é um conceito, uma imagem, um efeito, mas o poder está em Deus, que o criou. Mesmo seus pensamentos não têm poder. Deus, que elabora seus pensamentos, é que tem poder. Você não tem poder. Todo poder está em Deus”.

Você aprende a fazer o mesmo com a enfermidade, com o pecado ou com a necessidade. Você não fecha apenas seus olhos e diz: “Não existe tal coisa” ou “Não há realidade nela”. Isso é fazer como o avestruz que enterra sua cabeça na areia. Ignorando um fato, você não pode mudar a si mesmo ou uma coisa. Você tem que estar disposto para olhar de frente qualquer tipo de erro – olhe qualquer forma, não importa sua aparência horrorosa e torpe. Olhe bem para ela com a convicção: “Você não tem poder. O poder está em Deus que o governa, que o move, que é sua mente, sua Alma, seu Espírito, que lhe deu a vida, que lhe deu a alma”. Desse modo, você depara com uma situação e pergunta: “De onde você veio? Você é um efeito; você não é uma causa. Alguma coisa o gerou. Quem quer que o tenha gerado é o poder. E o que poderia ter gerado você, se Deus fez tudo que foi feito e nada foi feito, exceto o que Deus fez?”


SÓ DEUS É PODER

Como pode haver um Deus infinito, bom, e uma enfermidade? Tudo é feito à imagem e semelhança de Deus; assim, mesmo quando você está olhando para aquilo que o mundo chama enfermidade, você não está olhando para ela mais do que está olhando para a água, quando você a vê no deserto: você está vendo uma imagem, uma miragem, uma ilusão, uma aparência que não tem poder. É nessa percepção que a cura se realiza – não a negando, desviando-se dela ou tentando se elevar acima dela, mas olhando-a bem e dizendo: “Deus fez tudo que foi feito e tudo que Deus fez é bom. Alguma coisa que Deus não fez não foi feita. Assim, quem quer que você seja não tem poder.”

Nos capítulos segundo e terceiro do Gênese está o relato do conceito do homem sobre a criação, não a criação de Deus. O homem olha para a criação com sua visão limitada e dota-a de qualidades de acordo com seu conceito dela. Ele diz: “Você é uma serpente e eu a temo”. Daí para a frente, vive com medo de uma serpente. Mas algumas raras pessoas no mundo se lembram de que Deus deve ter feito a serpente também. A serpente nunca é envenenada por seu próprio veneno. Ela está cheia dele, mas nunca é envenenada por ele; desse modo, evidentemente, é veneno apenas quando aceitamos o conceito dele como veneno. De fato, o veneno da serpente é extraído e utilizado para propósitos medicinais. É um mundo estranho: tememos uma picada de cobra, mas o médico toma a substância considerada venenosa, injeta-a em uma pessoa e ajuda ou cura certas doenças físicas.

Tudo é uma questão de conceito. O que você vê, saboreia, toca, ouve e cheira não é criação de Deus, é um conceito sobre a criação de Deus. Não há poder nele, exceto o poder que a crença lhe confere. Na realidade, não há poder em nada sobre o que você possa pensar, ver, ouvir, saborear, tocar ou cheirar. Todo poder está em Deus. À medida que você persiste nisso, como uma atividade da consciência todos os dias, torna-se um assunto de convicção.


O JULGAMENTO CORRETO

O Mestre ensinou seus discípulos a evitar o julgamento de pessoas e coisas quando disse: “Por que me chamas bom? Não há bom senão um só que é Deus.” (Mateus 19:17). Se você não deve chamar Jesus de bom, então não chame de boa nenhuma pessoa ou coisa. Não chame a saúde de boa, nem a riqueza, nem a felicidade. Chame apenas Deus de bom. Nunca chame de bom qualquer efeito, porque o bom está na causa.

É também falso olhar para alguma coisa e chamá-la má. Ela não é boa nem má. Não tem poder positivo nem poder negativo, porque todo poder está em Deus. No momento em que você puder tirar poder positivo e poder negativo de um efeito, você obedeceu ao ensinamento de Jesus em dois pontos. Você não está chamando de boa uma pessoa, mas está chamando bom a Deus. E não está temendo o mal de Pilatos, porque está reconhecendo Deus como o único poder. Assim, você afastou o bem e o mal do efeito e agora tem todo poder em Deus.

Não há meios de se fazer julgamento justo pelas aparências. Não olhe para o que parece ser uma boa condição, julgando-a boa – porque não é. Sua única bondade está em Deus. Não olhe para qualquer mal, chamando-o de mal, porque isso é julgar pelas aparências. Você não tem conhecimento do que jaz atrás das aparências, de modo que é uma questão de exercitar-se a si mesmo, ser capaz de olhar para as aparências humanas tanto do bem como do mal e dizer: “Nem eu o julgo. Nem declaro que você é bom ou mau. Direi que você deve ser espiritual, porque Deus criou tudo que existe e Deus é Espírito”. Este último ponto é muito importante, porque a cura do Caminho Infinito é praticada nessa base.

É possível alguém ser aprovado em um exame médico para efeito de seguro e morrer do coração na semana seguinte. O médico tinha julgado pelas aparências. De acordo com todos os testes, houve funcionamento normal e nenhum dos instrumentos detectou qualquer problema. Os médicos dizem para muitas pessoas que elas vão morrer logo, apesar disso, elas continuam vivas e o médico já está morto. Um diagnóstico do médico pode dizer que uma pessoa tem apenas mais uma semana ou um mês de vida, mas o médico não sabe o que se passa na consciência do paciente que está funcionando para derrotar seu diagnóstico. Há forças em ação sobre as quais os médicos nada sabem a respeito. Há forças em ação que eu e você nada ou muito pouco sabemos a respeito. Assim, é inútil julgar pelas aparências.

Uma pessoa pode estar morrendo de determinada doença hoje e ter uma vida inteira pela frente amanhã. Não se trata da conclusão a que eu e você chegamos, quando só julgamos pelas aparências. Se quisermos julgar com justiça, eis a verdade: Deus é a vida e a vida é eterna. Eis a verdade. Mas se hoje eu fosse dizer a você que está bem ou mal de saúde, que tem integridade ou não, eu estaria julgando pelas aparências. Eu não conheço a realidade sobre você; conheço apenas a aparência que você está apresentando.

Recusando o julgamento, nem condenando nem julgando-o, percebo que nada conheço sobre você, exceto que você é Deus que aparece como um ser individual. Eu não sei se você é bom ou mau, se está doente ou com saúde, mas que você é Deus aparecendo, e nisso eu insisto. Tudo que Deus é, você é. Tudo que Deus possui, você possui. Deus constitui seu ser. Eu não posso ver isso com meus olhos. Com meus olhos, posso apenas julgar pelas aparências. Eu podia até julgar que idade você tem e há quantos anos você deixou de caminhar sobre a terra, mas eu podia fazer isso apenas com meu julgamento humano. Depois você poderia voltar e zombar de mim.

Não é possível fazer um julgamento correto, olhando apenas as aparências, porque você é o que é e o que você é está manifesto em Deus, expresso em Deus, é o ser divino, messiânico. Você é Espírito, mas eu não sei o que o Espírito é, de modo que não estou empenhado em qualquer julgamento. Eu estou apenas declarando o que é.

Eu não sei o que o Espírito é; assim, ainda não tenho opinião do que você é. Você também não sabe o que o Espírito é. Você não sabe o que a alma é; não sabe o que a Consciência é. Assim, na hora em que eu digo: “Você é alma”, estou dizendo que você é o que é e eu não sei o que é, mesmo que a aparência expresse que você é bom ou mau, que está doente ou são, que é alto ou baixo. Eu só sei que você é Alma, Espírito e Vida. Isso não é condenar, criticar, julgar, elogiar ou adular. É apenas estabelecer a verdade. No momento em que qualifico isso e digo que você é bom, mau, rico, pobre, saudável, doente, jovem ou velho, estou no reino do julgamento, dos conceitos e das aparências e assim não farei progressos.

Não tente compreender o que Deus é com a mente, porque não há nenhuma maneira de se fazer isso. Uma vez que você chegar àquele lugar silencioso, no centro de seu ser, Deus se revelará; mas você nunca poderá transformá-Lo em palavras, mesmo depois de O receber. Assim, é inútil tentar pensar n’Ele com a mente. Não tente pensar no que o homem é, porque você também nunca conseguirá imaginá-lo. O homem é o filho de Deus e você não sabe o que o filho de Deus é. O homem em sua verdadeira identidade é o Cristo e você não sabe o que o Cristo é, porque a filiação espiritual do homem nunca se revela para a identidade do homem.


O DOMÍNIO DE SEUS CONCEITOS PESSOAIS

Deus deu autoridade ao homem no primeiro capítulo do Gênese. Ele foi feito à sua imagem e semelhança. Nunca foi dada autoridade a um ser humano, mas o homem feito à imagem e semelhança de Deus é o homem que você é, quando deixa de aceitar as aparências. Você é a imagem e semelhança de Deus apenas quando deixa de ter conceitos, quando deixa de ter opiniões ou crenças sobre este universo, em lugar de ouvir a comunicação espiritual. Então, sua mente fica inteiramente livre de quaisquer opiniões ou julgamentos e você é o filho de Deus. Tudo o que o Pai tem flui através de você.

Deus não se concede aos seres humanos. Se o fizesse não haveria um doente ou um pecador, não haveria um acidente, não haveria guerra. A humanidade é algo separada e afastada de Deus ou não estaria em dificuldades. Ao aparecer como homem, Deus não está em dificuldades, não está morrendo, não é pobre nem está num campo de batalha. Você é esse homem espiritual só quando tiver deixado de pensar em termos de bem e de mal. Ou seja, quando você for o próprio Deus em expressão. Quando não estiver rotulando ninguém e nenhuma condição como o bem e o mal, você é o filho de Deus e tem domínio sobre todas as coisas.

Tudo é conceito. Tudo que existe sobre a terra é um conceito. Porque você realmente é Deus que aparece como ser individual, não tenho nenhum controle sobre você. Se eu estiver acolhendo um conceito humano sobre você, como sendo jovem ou velho, rico ou pobre, doente ou saudável, eu o estarei julgando, mas eu posso dominar esse conceito de você. E, no momento em que eu tiver alcançado o controle do meu conceito sobre você, eu o observo como você é e fico satisfeito com essa semelhança. Você nunca mudou - porque era o filho de Deus o tempo todo. Tudo o que mudou foi o meu conceito sobre você e é isso o que constitui a cura.

Espiritualmente, nenhuma pessoa tem domínio sobre qualquer outra. Deus nunca deu a uma pessoa poder sobre outra, mesmo para o bem. Fazer um julgamento justo dá a você domínio sobre seus conceitos. O julgamento justo é a compreensão de que Deus é a realidade do ser individual. Sabendo disso, você não se tornou um indivíduo. Você mudou seu conceito do indivíduo; você se absteve de julgamento. Agora você sabe quem é o indivíduo: Cristo, o filho de Deus. Isso é ter domínio sobre seu conceito.

O conceito de doença é que mesmo os males insignificantes podem se tornar sérios ou fatais. O conceito de vírus é que eles são os portadores de infecção ou contágio. Agora exercite seu domínio e diga: “Espere um momento! Vamos olhar para todos estes pequenos companheiros. Quem os criou? Se vocês, de qualquer modo, foram criados, Deus os criou. Se vocês têm, de qualquer modo, uma vida, é a vida de Deus. Se vocês, de qualquer modo, têm qualquer forma de inteligência, é a inteligência de Deus. Vocês não têm poder, vocês são um efeito, vocês são um conceito. Eu não vou julgar pelas aparências. Eu vou fazer o julgamento justo. E o que é o julgamento justo? Todo o poder está em Deus.”

Você não fez nada para o vírus. Você exercitou seu controle sobre o seu conceito de vírus. Esse vírus prossegue alegremente, mas não causa dano a ninguém. Todos aqueles que fizeram o trabalho de cura testemunharam a eliminação de infecções e de doenças contagiosas. Alguns ajudaram mesmo a deter o surto de infecção e contágio durante as epidemias e provaram que a ideia de infecção ou contágio é apenas um conceito.


O PODER ESTÁ NA CAUSA, NÃO NO EFEITO

Não julgue, nem condene. “Julgai segundo a reta justiça” (João 7:24). Examine a situação: “Bem, aqui está você, efeito. Isso fixa bem esse ponto. Se você é um efeito, você não pode ser uma causa. E se você é um efeito, não pode ter poder”.

Seu corpo é um efeito. Sabendo disso, você deixará de acreditar que seu corpo pode ficar doente ou envelhecer. Por iniciativa própria, ele tem que permanecer como é para sempre. Não pode mover-se, não tem inteligência, não tem vontade de ir para a direita, esquerda, para cima ou para baixo. Permanece onde está eternamente até que você o mova.

Se, contudo, você aceitar a crença de que seu corpo está sujeito ao seu controle – seus caprichos ou desejos pessoais – você terá, às vezes, um corpo puro e, outras vezes, um corpo cheio de pecados; às vezes terá saúde, outras vezes estará doente; às vezes será jovem e, outras vezes, velho. Mas se você reconhecer que todo poder é poder divino em ação na sua consciência, seu corpo apenas estará sujeito a Deus, inteligência divina, e será governado e mantido por Deus.

Lembre-se de seu coração. Ele não pode parar ou funcionar por si mesmo. Há Algo que age sobre ele e o faz funcionar. Esse Algo nós chamamos Deus. No momento em que você acreditar que tem poder para fazer seu coração funcionar ou parar, seu coração oscilará de acordo com seus desejos de qualquer momento dado. Em vez de acreditar nisso, devolva seu coração a Deus e faça a mesma coisa com o resto de seus órgãos e funções de seu corpo. Compreenda que Deus o criou à Sua imagem e semelhança e que seu corpo é o templo do Deus vivo. É governado e controlado por Deus.

Você pode conseguir curas por meio de um médium ou mestre, mas chegará finalmente o dia de você assumir a responsabilidade de manter uma percepção consciente do governo de Deus. O único meio de você fazer isso é ver que tudo que existe, como forma visível, existe do ponto de vista do efeito. Tudo mais é Deus, que é invisível. Qualquer coisa visível – se você puder vê-la, prová-la, ouvi-la, tocá-la ou cheirá-la – existe como efeito e não há poder no efeito. Todo poder está na Causa. Não odeie o efeito, não o tema e não o ame sem razão. Se ele for alguma coisa em seu nível de bondade, deleite-se com ele. Não o ame, mas lembre-se que a parte que você está desfrutando é de Deus.

Nunca se alegre demais com a cura física ou com o indício do suprimento. Alegre-se com a percepção do Espírito que se manifesta como cura ou suprimento. Conserve sua alegria em Deus e não no efeito. Do contrário, você será como o milionário excêntrico, que possuía três milhões de dólares e tinha medo de gastar quinze centavos no almoço. É isso o que ocorre quando depositamos poder no efeito. A vida está em Deus; o amor está em Deus; a satisfação está em Deus; a paz está em Deus; a felicidade está em Deus; o suprimento está em Deus. É somente quando saímos e tentamos descobrir essas coisas nas pessoas, nos dólares ou nas mansões, que elas perdem seu verdadeiro caminho.


NÃO TENTE TORNAR-SE LIVRE DE PESSOAS OU CONDIÇÕES 

A cura está toda baseada em não julgar pelas aparências, não estabelecer falsos conceitos, mas conceber cada caso: “Você é um efeito e não tem poder”. Nunca tente livrar-se de alguém ou de alguma coisa. Nenhuma pessoa, na verdade, tem qualquer forma de poder e esta verdade será sua liberdade. Você não estará livre de alguma coisa ou de alguém, mas estará livre no momento exato em que souber que nunca houve poder em uma condição, em uma circunstância ou em uma pessoa. Então, você se achará tão livre quanto está livre da água no deserto, uma vez que você saiba que não é água, mas apenas miragem.

Quando você estiver livre da miragem no deserto, você não estará livre da água, porque não havia água lá. Assim é quando você descobrir que está livre de uma pessoa ou condição, não é realmente verdade porque nunca houve uma ameaçadora ou perigosa pessoa ou condição ali. Agora você está livre da miragem, da crença de que há um poder, uma pessoa ou uma presença fora de Deus. Toda pessoa é a presença de Deus, porque Deus está presente como pessoa, como você e eu na qualidade de indivíduos.

Você não está separado e afastado de Deus e, através deste trabalho, está voltando a Deus. Através deste trabalho, você está despertando do sonho de que poder haver qualquer separação. Se você está sonhando que está se afogando no oceano, o ato de despertar não desvia a água de você e não o resgata do oceano. Revela-lhe que você está na cama. Assim, este trabalho nunca o tira do pecado, nunca o livra da doença ou da necessidade. Ele o desperta e depois você olha em redor e compreende que está nos céus. Você esteve lá o tempo todo, sonhando que estava no inferno.

Quanto mais você estiver vendo uma pessoa ou uma condição, como tendo poder, e estiver julgando o bem e o mal, mais mergulhado estará no sonho. No momento em que puder afastar seu julgamento e perceber: “você não é bom nem mau; você não está morto nem vivo; você não é rico nem pobre: você é Espírito”, você estará despertando, saindo do sonho, para a consciência mística da identidade. Isso é algo que deve ser feito individualmente e também coletivamente.

Esta verdade que estou lhe fornecendo tem sido revelada em todos os tempos, muitas vezes e de modos diversos, e é uma verdade que tornará os homens livres. Podemos nos libertar dos pecados, das doenças, das guerras, das necessidades e limitações agora mesmo, se pudermos ser moldados para aceitar esta verdade.

As coisas da terra sobre as quais temos domínio são conceitos e nós não temos domínio aqui fora. Não tente fazer chover ou com que o sol brilhe aqui fora (neste mundo); não tente fazer o bem a alguém aqui fora; não tente manter o emprego de alguém aqui fora. Tudo que acontecer deve acontecer dentro de seu próprio ser e esta mudança é realizada pelo fato de você ter domínio sobre seus conceitos. No momento em que você tiver um conceito e, em algum lugar dele, você encontrar algo bom ou mau, você deve agir para chegar a um ponto no qual você se afaste dos seus conceitos de bem e de mal.

Não tente mudar o mal em bem, porque assim você estará tendo apenas um conceito diferente.; e amanhã, na semana ou no mês seguinte, ele voltará sobre o lado mau novamente. Não fique feliz com uma boa aparência, porque algum dia ela o enganará e mudará para uma má aparência. Se você olhar para um objeto e considerá-lo como mau, sua reação natural é querer vê-lo como bom. O que você deve fazer é olhar para ele e não vê-lo como bom, mas vê-lo como Espírito: nem bom, nem mau.

Ninguém sabe o que é o Espírito. O que quer que você pense que sabe, não é verdade e, quanto mais cedo você começar a compreender isso, em melhor situação estará. Você não compreende e nunca compreenderá. É Deus que tem compreensão infinita; volte-se para dentro de si e deixe a compreensão divina revelar-se a você. Satisfaça-se com isso e, acima de tudo, aprenda que é simplesmente errôneo rotular uma coisa como boa ou como má.


DEIXANDO O QUE EXISTE REVELAR-SE

Seria um assunto muito simples para mim julgar o que você é em termos humanos, quem você é ou como você é. Mas isso seria errado, porque seria o meu conceito sobre você e ainda não seria você. Isso tudo começou a se revelar a mim quando eu estava tomando o café da manhã com um aluno. Nós estávamos discutindo o fato de não se pedir a Deus, porque não há meio de se obter algo de Deus, nem de se conseguir que Deus altere alguma coisa, assim, pedir a Deus alguma coisa é muito fútil. Neste ponto, eu vi uma pequena vasilha de melado e disse: “O que é isso?”

Sua resposta foi: “melado”.

- “Como você sabe?”

- “É uma associação de idéias. Eles servem bolos quentes e por isso sempre tem melado junto.”

Pela sua resposta, era claro que ele estava julgando que era melado. Eu disse: “Essa é sua opinião. É seu conceito. Mas vamos supor que nós a abrimos e descobrimos que não era melado, mas alguma outra calda qualquer. Talvez não seja mesmo melado. O que acha disso?”

-“Bem, isso pode ser verdade também. Eu estava apenas julgando pelo fato de que isso é o que você esperaria que fosse.”

Continuei: “agora, que tal retirarmos nossa opinião sobre o fato de ser melado ou mesmo se se trata de alguma coisa boa ou má e declararmos que apenas é, não o que é, mas que apenas existe? Algo existe, isso é evidente. Alguma coisa está lá, mas eu não sei se é boa ou má. Eu posso julgar pelas aparências e dizer que é melado e que, portanto, é bom; mas alguém mais poderia dizer que é melado e que não gosta dele. Assim para ele seria ainda melado, mas do lado mal. Por outro lado, quando você o provasse, poderia não ser absolutamente melado. Assim, poderíamos estar errados em todo resultado. Uma coisa podemos dizer com certeza: existe. Algo está lá.”

É exatamente isso o que eu faço com o trabalho de cura. Você se apresenta e apresenta sua condição a mim e, francamente, eu nada sei sobre você ou sobre ela. Tenho certeza de que sei menos sobre anatomia do que quase todos no mundo e certamente sei menos a respeito de todas aquelas coisas que compõem o que o mundo chama seus males. Mas você se apresenta para mim com seu problema e me volto para dentro de mim e tudo o que sei é EXISTE. “Alguma coisa está aqui. Agora, Pai, Você a define.”

Geralmente ocorre um estado de consciência, que é como se se dissesse: “ ‘Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo’ (Mateus 3:17). Não cuide mal dele.” No momento em que tiver a convicção interior de que você é o filho de Deus, que não há nada presente aqui senão a presença de Deus, e que não há poder aqui senão o poder de Deus, a cura se realizará.

A cura espiritual consiste em ser capaz de encarar o mundo sem uma opinião do bem ou do mal, retraindo-se para dentro de nós mesmos e indagando: “Pai, o que é isso?” Então o Pai pode fazer lembrá-lo: “Este é o meu filho amado, em quem me comprazo.” Ou o Pai dirá: “Esta é a presença de Deus”; “este é o poder de Deus”; ou “isto não é nada separado e afastado de Deus”. Nem sempre vem palavras assim, mas vem na percepção da onipresença de Deus e só de Deus.

Você encontra as pessoas de quem gosta. Não há troca de palavras; você não diz: “eu gosto de você” ou “você gosta de mim”. Você apenas tem consciência da reciprocidade. Raramente alguém exprime tais pensamentos, mas há reciprocidade e compreensão sem quaisquer palavras. Assim é no estado de cura. Deus pode ocasionalmente falar com você em voz audível, mas é raro. A maior parte do tempo, ele vem como uma convicção e você permanece na convicção de que tudo está bem. Isso acontece com sua capacidade de não rotular, de não julgar tanto o bem quanto o mal. Você não pode fazer o julgamento correto porque ele vem de Deus e pode vir apenas na medida em que você estiver ouvindo. No seu silêncio interior, você deve estar ouvindo a Deus e escutará claramente, sentirá, compreenderá ou ficará ciente de Deus e isso é tudo o que é necessário.

Apenas tome cuidado para não prejulgar alguma coisa como mal e depois voltar-se para Deus em busca de ajuda. Deus é onipresente; assim é inútil ir à presença d’Ele para pedir-lhe que esteja presente. É inútil ir a Deus para obter o Seu poder, porque Deus está bem aqui com todo o seu poder. Deus está presente onde você estiver. Deus é o onipresente poder do bem. A graça de Deus é suficiente; não é algo que você possa obter; é algo que existe. Deus governa este universo pela graça, não pela lei, pelo desejo ou pela vontade, mas pela graça. A graça divina está onipresente em sua consciência.

Um princípio básico do Caminho Infinito é encontrado na palavra existe. Deus existe, a vida existe, o amor, a paz, a alegria, o poder existem. O domínio existe porque Deus existe. Deus é infinito, onipresente, onipotente e onisciente. Não se dirija a Deus para nada. Fique calmo e deixe Deus revelar-se dentro de você, porque Deus já está esperando impacientemente para revelar-Se. É inútil buscar a Deus. Tudo que você tem a fazer é recebê-Lo. Você não trabalha para Ele, você não O merece, você não dá o suor de seu rosto para Ele. Deus já existe. Deus já é realização. Deus já é perfeição. Por que você desejaria algo mais?


A CARÊNCIA DA CURA ESPIRITUAL

Surpreenderia todo mundo que mais líderes religiosos não estão fazendo o trabalho de cura espiritual, pois não pode haver dúvida de que, na sua grande maioria, são honestos e amantes sinceros de Deus, os que buscam a Deus, que passam a vida próximos de Deus, pelo menos tão pertos de Deus quanto a compreensão deles permita, o que, na maior parte dos casos, tem grande extensão. Se Deus, como geralmente é compreendido, fosse um curador de doenças, porque nestas centenas de anos desde que a Bíblia existe, esses dedicados líderes religiosos não obtiveram o monopólio da cura espiritual? A vida deles é dedicada ao serviço de Deus e do homem. Eles são severos, honestos e sinceros. Eles não estão realizando mais trabalho de cura espiritual, porque, a despeito do reconhecimento da onipotência de Deus, o poder ainda está sendo atribuído ao pecado, à enfermidade, à morte, à necessidade e à limitação. Eles creem que a doença é permanente e real e aceitam a premissa de que podem suplicar a Deus para afastá-la.

Se Deus pudesse afastar a doença, ninguém teria que orar para pedir a cura. A cura não se baseia na premissa de que há uma doença, um Deus que pode curá-la, e um determinado homem ou mulher para fazer este pedido a Deus. No reino de Deus não há enfermidade. Deus sustenta e conserva Seu reino intacto, harmonioso, saudável, completo, perfeito, espiritual e integral.

Jesus Cristo e outros como Ele foram instrumentos de Deus ao revelarem para o mundo que a doença, o pecado e a morte não fazem parte do reino de Deus, não são reais e não podem permanecer em virtude dessa compreensão. Quando você tocar nas bordas do manto espiritual, você compreenderá que em todo o reino de Deus não há um pecador ou uma pessoa enferma.

A cura tem a ver com seu estado individual de consciência, um estado de consciência que apreende a ideia de Deus como Espírito infinito e, portanto, de um universo – incluindo o homem – infinita e eternamente espiritual. O que aparece para este mundo como pecado, doença, necessidade e limitação não compartilha da natureza do real e não tem lei, causa, efeito, substância ou realidade. Então, com seus pensamentos concentrados em Deus e na Realidade, ouvindo e estando sempre alerta aos Impulsos divinos, que lhe asseguram que Deus está no campo de luta, as curas se realizarão.

Houve muitos místicos na história do mundo e, ainda que alguns deles alcançassem a percepção da verdade de que o que denominamos existência material, representa apenas a ilusão dos cinco sentidos, a crença no bem e no mal foi profundamente enraizada na maior parte deles. Quando foi revelado a Gautama, o Buda, que “este mundo” é maya, ou ilusão, sua iluminação espiritual foi tão grande, que ele imediatamente soube que há uma criação espiritual divina aqui e agora, mas que o conceito universal dela é ilusório. Com esta compreensão, ele realizou um grande trabalho de cura.

Finalmente, a revelação de Buda foi corrompida e a palavra maya passou a significar o oposto de Deus. Seus últimos prosélitos foram deixados mais uma vez com dois poderes: o poder da Realidade para vencer o poder da ilusão. Mas a ilusão não pode ser vencida. Quando você compreender que uma coisa é ilusão, você termina com ela. Ela não tem mais existência. Ela tinha existência apenas enquanto você pensava que ela existia, mas quando você a viu como ilusão, foi o fim dela.

Hoje, o termo “espírito mortal” ou “espírito carnal” é usado para significar a inutilidade deste mundo de aparências. Mas outra vez veio a ser estabelecido como um poder oposto a Deus e a luta continuou. Você não pode realizar o trabalho de cura, se você acreditar que há entidades com as quais Deus tem que se bater, lutar ou dominar. Isso é estabelecido como um poder separado de Deus. É necessário receber de volta a revelação original dos grandes místicos de que há apenas um poder e que tudo englobado pelo termo ilusão é uma inutilidade. Quando você perceber isso, você terá uma consciência regeneradora.

A crença no bem e no mal é o que mantém a humanidade. Contudo, na medida em que você deixa de julgar, na medida em que você perde sua crença no bem e no mal, você já não é humano: você é espiritual. Isso acontece quando você tem uma consciência saudável. Então, você não está sujeito aos erros humanos ou às limitações da vida, como você esteve, enquanto estava preocupado tanto com o bem quanto com o mal. Em certa medida, você se tornou imune aos clamores do mundo, mas não cem por cento. Quando você alcança esses cem por cento, você já não pode se misturar com os outros e a vida se torna um fardo pesado demais para carregar. É então que os místicos, que alcançaram a percepção verdadeira e completa de que não há bem nem mal, retiram-se do mundo. Eles já não querem ser uma parte dele.