"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

segunda-feira, maio 09, 2016

Deus, o único Eu

- Joel S. Goldsmith - 


Os milagres acontecem quando o “pequeno eu” está ausente. Quando você recebe um pedido de ajuda, se houver a conscientização de que este “eu” é inexistente, a chamada cura já se inicia. Porém, se encarar a pessoa como este “eu”, com a ideia: “Como poderei melhorá-la, curá-la, supri-la?", você estará destruindo sua capacidade curativa, pois este “eu”, levado em consideração, não existeDeus é o ÚNICO Eu, e Deus não necessita de cura, ensinamento ou enriquecimento.

Se alguém lhe disser: “Eu estou doente”, e sua resposta for do tipo: “Bem, vamos ver o que poderei fazer para torná-lo saudável”, tal procedimento será o de “um cego conduzindo outro cego”. O “paciente” pensa ser alguém apartado de Deus; assim, se você alimentar a mesma ideia, estarão ambos caindo no fosso.

A única forma de vivenciarmos um ministério de cura em elevado nível espiritual consiste em nos convencermos da inexistência de qualquer “eu” apartado de Deus. Se houvesse este “eu”, Deus não existiria. É impossível existir Deus e algum ser mortal, alguém fadado a adoecer, pecar ou morrer.

Nós abolimos não somente a crença em doença física ou a crença numa possível causa mental para ela: abolimos também a crença de que existe alguma pessoa vivenciando a condição doentia, até chegarmos à conscientização de sua REAL IDENTIDADE. Não podemos considerar um ser humano para, depois, querermos torná-lo mais saudável, mais próspero, mais sábio! Nós revelamos Deus como o Ser infinito e Individual. Nosso interesse fica voltado apenas nesta direção: ver Deus como cada Ser, em permanente manifestação. A forma de se conseguir isto está no “morrer diário” para a nossa humanidade, no “renascer” para a nova Identidade espiritual, e na conscientização – quando alguém solicita nosso auxílio – de que a totalidade do Reino de Deus jamais inclui pessoa alguma naquela situação. Mantendo-nos e sustentando-nos nesta atitude, a harmonia começará a ser evidenciada.

Quando alguém de nosso círculo familiar ou de amizade estiver envolvido em algum senso de desarmonia, em vez de procurarmos saber de que forma poderíamos ajudá-lo, sentemo-nos para assim conscientizar: “Ah, não acreditarei na existência de tal pessoa! Deus é a Individualidade infinita; Deus é a Pessoa infinita; Deus é o Um infinito; e, ao lado de Deus, não há nenhum outro”.

A forma verdadeira de prestarmos ajuda está em aprendermos a “morrer diariamente”; e, para tanto, utilizamos a disciplina denominada “Não-eu”. Não-eu! Não! Esta pessoa não me interessa! Ela nada tem a ver comigo. O verdadeiro e único Eu está tomando conta dela.



quinta-feira, maio 05, 2016

Abrindo a porta a Deus

  - Joel S. Goldsmith -


"Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo." (Apocalipse 3:20)

A Presença espiritual Se mantém sempre à porta de nossa consciência, tentando entrar. Por ignorância espiritual, desconhecemos esse fato. Temos vivido fora de nós mesmos, à mercê de toda sorte de influências externas, passando por várias experiências, algumas agradáveis, outras enfadonhas, mesquinhas, pecaminosas, que poderíamos ter evitado, se tivéssemos encontrado o céu na terra. Ninguém nos havia dito que o Divino, o Eu em nós, está constantemente à porta de nossa consciência, batendo para que Lhe abramos nossa mente, a fim de que Ele assuma um governo sábio e amoroso em nossa vida. Entregues a nós mesmos, lutávamos. Defendíamos-nos. Vivíamos mal, como grande número de pessoas que não se encontraram ainda.

Agora, através desta revelação, chegou o tempo de adquirirmos um novo senso de vida, pela experiência de que nosso corpo é o templo do Deus vivo, ao Qual devemos consagrar nossa vida.


Dedicação

Todos os dias, devemos dispor de um período em que possamos fechar os olhos e nos voltar para dentro de nós mesmos, convidando Deus a entrar.

Em sentido metafísico, porém, Deus não entra e nem sai, pois nada tem de natureza material; não pode limitar-Se a ficar dentro ou fora de coisa alguma, já que é onipresente, isto é, está sempre e ao mesmo tempo fora e dentro, acima e abaixo de tudo, porque permeia tudo.

Portanto, se Deus, como Infinidade, é Onipresente, no momento em que Lhe abrimos a porta –imagino essa porta como sendo a minha mente – apercebemo-nos de que Sua Presença e Infinidade inundam nossa consciência e no guiam ao estado da Graça! A Graça de Deus é o poder, a Presença e a sabedoria que “excede todo o entendimento”. A Graça de Deus é o que nos confere, como recompensa por Lhe abrirmos nossa “porta”, a auto-realização, seguida de seus frutos.

Se não negligenciarmos, horas virão em que seremos guiados, intuídos, beneficiados, abençoados. Mas a dedicação a Deus deve ser renovada e realimentada em cada meditação. Para isso, procurem vivenciar a essência destas palavra:

“Eis que estou à porta, e bato (...)”. Abro minha consciência a Deus, imortal e infinito. Ele habita em mim e eu n’Ele. Assim, a Consciência divina me permeia. Minha mente, minhas emoções, meu corpo, meu trabalho, meu lar, minhas recreações, meus relacionamentos, minhas aptidões, são dedicados a Ele. Consagro-Lhe tudo o que sou e tenho. Faço-me um instrumento consciente de Sua vontade, para que Ele realize minha parte em Seu plano”.

A sincera consagração aos desígnios divinos, leva-nos a um estágio mais alto, no qual podemos compreender porque algumas pessoas progridem intensamente em suas atividade espirituais, enquanto outras não. Por ignorarem a natureza da dedicação, consideram-na uma qualidade humana, uma virtude de sua personalidade. Ufanam-se de serem consideradas pessoas incomuns e dedicadas. A dedicação se converte, pois, em glória pessoal, não numa consagração a Deus. Torna-se uma dedicação a si mesmo (personalidade), e nada pode acrescentar ao íntimo como crescimento.

Pela consagração correta, a vida passa a ter um propósito espiritual, que inclui o serviço humilde, amoroso e altruísta ao próximo, por amor a Deus, como foi dito: “Em verdade vos digo, o que fizestes a alguns destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizeste” (Mateus 25:40)

A Descoberta do Reino em Nós

Não há outro lugar onde possamos encontrar o Reino de Deus, senão dentro de nós. Todavia dentro de nós não significa o coração, ou o cérebro, ou a medula espinhal.

Quando fechamos os olhos e nos voltamos para dentro, sentimo-nos envoltos em densa escuridão. É o vestíbulo do Infinito! Aí é que se nos abre a porta que nos conduz ao Reino de Deus, o Reino do Espírito. O reconhecimento deste fato quase nos põe em condições de “ouvir a pequenina e silenciosa voz”, que nos vem de dentro, não de fora. Vem-nos do Ser interno, do centro para a periferia, das profundezas para a superfície de nosso Ser. Em tal estado de abertura expectante, compreendemos que “através da consciência, ganhamos acesso ao Reino de Deus”!

No momento em que aprendemos a fechar os olhos e a penetrar, com a atitude correta, no “Vestíbulo do Infinito” – à Sua Graça, às Suas dádivas, ao Seu amor e Vida – inicia-se um processo de enriquecimento de nossa consciência. A princípio não o podemos perceber, porque ainda nos encontramos nos sentidos físicos. Mas com o tempo, pela sincera persistência e anelo de luz, testemunharemos resultados mais profundos. Esses resultados se evidenciam em nossa própria vida: a melhora nos relacionamentos, na saúde, na provisão de recursos, etc., porque, ao ir penetrando em nossa consciência, essa Influência espiritual, purificadora, vai harmonizando e restaurando tudo!

É-nos extremamente beneficioso abrir a consciência ao Espírito. Do contrário, Ele permanecerá fora – no sentido de que, ao crer-nos distanciados d’Ele, isolamo-nos de Sua Graça. Isto responde àquelas perguntas tão freqüentemente formuladas: “Por quê este pobre cão foi atropelado?”, “Por quê esta boa mulher foi acometida de tão horrível enfermidade?", “Por quê estes jovens são enviados ao campo de batalha, onde serão mutilados ou mortos?"

É que o “homem natural” não vive sob a Lei de Deus. O que de bom lhe acontece é, as mais das vezes, ocasional e efêmero. Mesmo os que nascem com vocação especial e desejam ardentemente cultivá-la, nem sempre o conseguem. Há muitas pessoas de talento que nunca prosperaram. Outras há que merecem reconhecimento do mundo e nunca o receberam. Grande parte do êxito humano é acidental.

Como, então, podemos ficar acima desse reino do acaso, onde estamos sujeitos a toda sorte e caprichos e flutuações? A resposta é: submetendo-nos à Lei de Deus. Quando cumprimos a Lei, compreendendo a necessidade de entrarmos em sintonia com o Universo de que fazemos parte, guindamo-nos ao plano da Graça e, nesse estado, a Lei atua em nosso favor; e somos guiados pelo Paráclito prometido por Jesus Cristo.

Mas ninguém pode fazer isto por nós. É uma escolha voluntária. Temos o direito de descer ou subir. Mas, se querem o meio de consegui-lo, é a meditação, tal como aprendi, cujos resultados comprovei e agora ensino:

Inicie, diariamente suas meditações, durante três ou quatro períodos de, no máximo, quatro minutos. Algumas vezes bastam dez ou vinte segundos, nos quais você procurará abstrair-se dos ruídos externos, e abrir o “ouvido interno”, para escutar os sons que estejam além e acima da faixa dos sons conhecidos. Diga, então, em seu íntimo: “Fala Senhor, que Teu servo escuta!”

Sinceramente feito, este exercício vai abrindo a porta da nossa consciência, atendendo ao honroso convite do Cristo interno. E Ele entrará, senão logo, algum tempo depois, de modo apenas perceptível por aquelas doces sensações de Algo sublime, que nos põe num estado especial, inspirado, de felicidade.

Mas é comum que, antes de visitar-nos, Ele nos ajude a operar certas mudanças em nossa natureza egoísta e vaidosa. É provável que nos leve a perceber o que Ele diz: “Buscas-me somente pelos pães e peixes. Vai cuidar de seus negócios. Estou triste contigo!” Mas, se nos voltarmos a Ele com intenções sinceras e puras, Ele virá sem tardança, mais depressa do que O esperamos. E Sua influência nos conduzirá finalmente àquela meta atingida por Paulo, quando disse: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim!” - Gálatas 2:20.



segunda-feira, maio 02, 2016

A base da cura espiritual

- Joel S. Goldsmith - 


A cura espiritual é conseguida através da realização do Cristo na consciência individual. Deus, a Consciência individual deste universo, é a consciência única e exclusiva. Todavia, já que Deus é a consciência de mim e já que Deus é a consciência de ti, e porque há somente uma única consciência, a verdade se torna efetiva na consciência de qualquer pessoa que sintonize com ela. Portanto, qualquer verdade que se revele dentro de nossa consciência revela-se instantaneamente à pessoa que aparece como nossa paciente.

Algumas vezes, pessoas que não estão ligadas a nós de algum modo, como amigos, parentes, estudantes ou pacientes -- alguém que esteja num hospital, numa prisão ou numa ilha deserta, alguém que esteja buscando este conceito mais alto de Deus -- podem ser curadas ainda que não nos conheçam e nós não as conheçamos; ou, ainda que elas nos conheçam, podem não saber que estamos nesta trilha e, por isso, não saberiam que foram curadas.

Há somente uma Vida, uma Consciência, uma Alma; mas Esta é a sua consciência, é a minha consciência. É por isso que não termos de tentar alcançar pessoa alguma. Quando estamos nessa união consciente, tanto nos tornamos uma parte do outro que o que um está pensando à respeito da Verdade, ou de Deus, o outro está ouvindo; mas não há transferência de pensamento e isso não deve ser interpretado dessa maneira. Nós não somos únicos em nossa humanidade: nós somos únicos no Cristo, e tudo o que está sendo proporcionado é a ideia divina que flui na consciência.

Por esta razão, aqueles que não estão conscientes do princípio do poder único jamais precisam preocupar-se em suportar os pensamentos de outra pessoa. Todo o sofrimento da Terra, não importando sua forma ou natureza, é um produto da crença universal em dois poderes; portanto, a harmonia universal só será restaurada quando Deus for revelado como Onipotência. Há apenas uma mente e esta é o instrumento de Deus, jamais se eleva mais alto do que a pessoa em cuja mente ele está ocorrendo.

Por exemplo, se alguém estivesse sentado aqui repetindo "duas vezes dois, cinco", nosso senso matemático nos protegeria e não aceitaríamos essa afirmação incorreta. Ele poderia dizer: "Você está morto!", mas o nosso senso de vida seria uma proteção e não nos perturbaríamos por causa desse pensamento errôneo.

Em certas formas de prática mental, têm sido feitos experimentos provando que um indivíduo não pode ser induzido a fazer alguma coisa que violente sua própria integridade, salvo se for por sua própria escolha consciente. Nenhum pensamento humano conscientemente dirigido a uma pessoa pode jamais fazer com que alguém violente sua própria integridade; e, em consequência, quando alguém comete um erro, é porque essa pessoa está conscientemente violentando seu próprio senso do que é certo. Tudo isso é inerente ao próprio ser.


LIBERDADE ESPIRITUAL

Os discípulos pouco entenderam a missão de Jesus. Nos três anos que estiveram com Jesus, apesar de terem contato quase diário com ele e com seu pensamento e trabalho, poucos foram os que evidenciaram estar profundamente tocados por sua mensagem. Ele não conseguiu provocar muita espiritualidade em Judas e não teve grande sucesso com Pedro, e menos ainda com a maioria dos demais discípulos. João, naturalmente, captou a mensagem plena e completa.

A chegada do Messias havia sido profetizada há séculos, mas os hebreus não tinham o conceito do Messias como um ensinamento ou uma ideia divina. Pensavam que o Messias, quando chegasse, seria um homem que os conduziria à liberdade. Liberdade do que? Liberdade da servidão a César, de serem escravos de César; liberdade provavelmente de algumas das práticas impostas por sua religião, porque os povos da época de jesus estava procurando uma liberdade física, uma liberdade temporal, e provavelmente pensavam que o Messias poderia vir como um rei para dar-lhes essa liberdade. Nisso ficaram desapontados. Não compreendiam que a missão de Jesus não era deste mundo.

Jesus veio com a ideia divina da liberdade espiritual. Esperava que, colocando os povos de sua época livres em sua consciência -- livres da escravidão a pessoas e coisas -- eles estariam de fato livres. Mas os hebreus estavam procurando um emancipador humano, que os tornaria livres de condições intoleráveis, e não conseguiriam compreender a missão do Cristo. Por esta razão, pouco deles captaram a visão e se beneficiaram com ela.

Que ninguém cometa hoje o mesmo engano a respeito da missão do Caminho Infinito. Seu propósito é a compreensão e a revelação do ser espiritual, a manifestação harmoniosa e eterna de Deus, do Bem. Ela não procura mudar, corrigir ou reformar pessoa alguma. Por isso, o nosso trabalho está dentro do nosso próprio ser e consiste em alcançar aquela consciência espiritual em que não há tentação para aceitar o universo e o ser individual como outro que não Deus aparecendo como o universo e como ser individual.

No sentido comumente aceito pela prática metafísica de cura, a saúde é habitualmente procurada como o oposto ou como a ausência de doença; a bondade e a moralidade como oposto ou a ausência de maldade e imoralidade; porém, nesta exposição, não tentamos curar o corpo, eliminar a doença ou reformar os pecadores. Não procuramos saúde no que Jesus chamou "este mundo" porque o "Meu reino não é deste mundo", isto é, o trabalho de Cristo não está no reino dos conceitos humanos. Entendemos que a saúde é a qualidade e a atividade da Alma, sempre expressa como um corpo perfeito e imortal. Até mesmo um corpo humano harmonioso não expressa necessariamente a saúde, porque esta é mais do que a ausência de doença: É uma disposição eterna do ser espiritual. Além disso, a bondade humana não é senão o oposto da maldade humana, e não é a disposição espiritual do ser que precisamos compreender e conseguir em nossa abordagem à vida.

Conquanto esta mensagem não diga respeito à saúde ou à doença humana, à riqueza material ou à pobreza, à bondade ou à maldade pessoal, mesmo assim a consecução da consciência de Deus que aparece como um ser individual resulta naquilo que ao sentido humano aparece como saúde, riqueza e bondade. Estas coisas, entretanto, representam os conceitos finitos daquela harmonia espiritual que a realidade está sempre presente.

Quando não estivermos mais sujeitos à crença de que somos escravos de alguma pessoa ou circunstância, e quando não formos mais escravos de contas a pagar, estaremos verdadeiramente livres para sempre. Então, não nos fará diferença que espécie de sistema político ou econômico existe em nosso mundo. Seremos abundantemente providos por qualquer que seja a forma de suprimento necessário, seja qual for a forma de governo em que estejamos vivendo. E se estivéssemos na prisão, ainda assim estaríamos livres. Seríamos como aquelas pessoas de outrora que diziam: "Aprisionar-me você não pode! Meu corpo você pode pôr na prisão -- mas não a mim!".

A mente, ou a consciência, não pode ser confinada a uma sala ou cadeira. A mente pode vagar à vontade por aí e ser treinada de modo a elevar-se acima do sentido corpóreo, como o de estar realmente fora deste mundo com a sensação de estar livre do corpo, sem que deixemos o corpo. Não é possível deixar nosso corpo porque somos uma só coisa, mas podemos deixar o sentido corpóreo dele e ficar tão livres espiritualmente que não seremos limitados nem pelo tempo nem pelo espaço. É o que acontece quando conquistamos nossa liberdade espiritual.

Nessa liberdade espiritual, sobrepujamos todo o sentido de limitação. Por exemplo, não cessamos de usar o dinheiro, mas não nos preocupamos com ele. O dinheiro virá, e ainda que continuemos a usá-lo, não estaremos mais limitados ou aprisionados ao conceito de que dinheiro é um suprimento.

Enquanto pensarmos no dinheiro como suprimento, não demonstraremos liberdade espiritual no que se relaciona com o suprimento. Mesmo que nossa renda fosse dobrada, não nos regozijaríamos por ter feito uma demonstração, se ainda acreditarmos que dinheiro é suprimento! Dinheiro não é suprimento. Eu sou suprimento: a Consciência é suprimento. Esta Essência indefinível, chamada Espírito, que somos, é suprimento, e é onipresente, onipotente e onisciente.


A CONDUTA DE UM MÉTODO DE CURA

Desenvolvendo o seu método de cura, tenha o cuidado de não repetir presunçosamente declarações da verdade a seus pacientes, de não lhes dar bonitas citações da Escritura nem de escritos metafísicos, salvo se você próprio teve uma dimensão consciente dessa verdade. Lembre-se: é muito melhor não dizer coisa alguma a seus pacientes além de "Deixe isso comigo" ou "Eu o ajudarei", ou "Eu estarei com você" ou "Chame outra vez pela manhã" -- é muito melhor não lhes transmitir qualquer declaração da verdade, mas apenas a sua garantia de que, com o seu entendimento da presença de Deus, você está conscientemente com eles em prece e realização.

Quando sua consciência está imbuída no espírito da verdade -- não apenas na letra da verdade, mas do espírito da verdade -- ocorrerá a cura. Então você pode explicar a seus pacientes o que é a verdade, transmitindo-lhes declarações da verdade que você provou ou demonstrou, e que se tornaram parte de sua consciência. Eles, então, não apenas ficarão contentes por ouvir essas declarações, como também sentirão a sua verdade. Fazer a seus pacientes ou estudantes citações e declarações da verdade das quais você próprio não tem consciência, é como dar-lhes pedra quando eles pedem pão. Preferivelmente, faça-lhes uma declaração simples, uma que você já tenha demonstrado repetidamente e que, portanto, sabe que é verdadeira. A menos que você possa fazer isso, dê-lhes o silêncio que cura. Nada diga, mas sinta dentro de seu ser esse Cristo que cura.

Lembre-se disto: você não é chamado para curar uma pessoa; você não é chamado para eliminar uma moléstia terrível; você não é chamado para mudar a atividade de um corpo humano. Tudo o que você é chamado a fazer é compreender a natureza espiritual do Deus onipotente e a criação perfeita de Deus. Você é chamado para sentir uma presença vivente, para sentir esta Presença vivente no centro do seu ser.

Em cada caso para o qual você é chamado, o verdadeiro chamado é para a sua compreensão de Deus como a vida do homem, Deus como a mente, a alma, a lei, a substância e a causa. Declarar estas coisas, no entanto, não constitui uma cura espiritual. Você tem de senti-las; trata-se de uma verdadeira percepção espiritual dentro do seu próprio ser.

Não tente alcançar o seu paciente. Não tente transmitir o seu pensamento a um paciente. Esteja apenas certo de que dentro de seu próprio ser você sente a verdade, você sente a exatidão, você percebe o sentido espiritual de ser. Então o seu paciente corresponderá. Não leve o paciente para o seu pensamento -- não tome nota de seu nome, nem da natureza de sua moléstia, nem de qual é a sua aparência -- e, acima de tudo, jamais pense que você tem de transmitir ou de transferir algum pensamento para ele.

Não importa qual seja a alegação ou o problema. Quando o Cristo de você toca o Cristo do seu paciente, acontece a cura. Não tente curar humanamente pessoa alguma, seja mental ou fisicamente. Procure ficar calado no centro de seu ser e sinta o Cristo, sabendo que tudo isso está ocorrendo no Coração único, no coração de Deus, que é o seu coração. Você tem de sentir uma unidade consciente com Deus. Deus inclui tudo e, já que é assim, você e eu precisamos estar incluídos nesse ser-Deus, de modo que quando você é um com Deus, você é um comigo. "Minha união consciente com Deus constitui a minha unidade com você, e com cada ser espiritual, e com cada atividade de Deus que está incluída na minha vida". Todas estas são idéias divinas, cuja forma traduzimos em termos de nossas necessidades humanas.

Assim, como o seu corpo é um corpo espiritual em Deus, nem masculino, nem feminino, quando você está em contato com o seu Cristo, no centro do seu ser, que é o Cristo de cada indivíduo... quando ocorre o contato com o Cristo, há somente amor puro, Espírito puro. Entretanto, por causa do sentimento humano, as qualidades de Deus são interpretadas como masculinas e femininas, indiferentemente.

Da mesma maneira, a ideia de transporte pode ser traduzida num jumento, num avião, num bonde, ou num automóvel. Estes representam somente os conceitos humanos da idéia divina de transporte. A verdade sobre transportes é encontrada em uma palavra: instantaneidade -- Eu estou em todos os lugares -- aqui, lá, e em todos os lugares! Esta é a verdade a respeito do transporte espiritual. É por isso que é tão fácil a um clínico de São Francisco curar alguém na China como curar alguém que esteja fisicamente presente.


A PERCEPÇÃO DE DEUS É NECESSÁRIA

No livro "O Caminho Infinito" há um capítulo sobre 'Meditação' que delineia um curso sobre o que poderia ser chamado de preparação espiritual. A primeira parte dessa preparação é a prática de despertar pela manhã na compreensão consciente de sua unidade com Deus. "Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam". Se você não trouxer conscientemente Deus para sua experiência em seu primeiro momento de vigília, você pode ter perdido a oportunidade de ter Deus com você em cada ocasião durante todo o dia.

Talvez, à medida que você lê isto, possa pensar: "Ó, Deus é onipresente; Deus está sempre comigo!". Não acredite nisso, porque não é absolutamente verdade! Este é um daqueles clichês, uma daquelas citações!

É verdade que Deus é onipresente. É verdade que Deus está exatamente onde você está. Mas se é verdade que Deus é onipresente, então deve ter estado presente quando todos os rapazes foram mortos na frente de batalha, ou quando os antigos cristãos foram atirados aos leões, ou quando nas últimas décadas milhares de pessoas inocentes foram massacradas em campos de concentração. O que Deus estava fazendo enquanto aconteciam esses horrores? Ele estava lá? Então, por que Ele não estava ajudando? Certamente Deus estava lá, mas Deus não é uma pessoa e Deus não pode olhar você aqui embaixo e dizer que sente o sofrimento que você está suportando. Deus está onipresente nos hospitais, nas prisões, na frente de batalha. Deus é onipresente! Mas de que isso serve para alguém? De que serve isso para você? Somente isto: Deus está disponível em cada caso, na medida da sua percepção consciente da presença de Deus.

Deus está presente! Sem dúvida. A eletricidade estava presente através das eras quando as pessoas estavam usando óleo de baleia e querosene. Mas que benefício a eletricidade representava para elas? Nenhum, porque não havia compreensão consciente da presença da eletricidade.

Jesus também poderia estar viajando ao redor da Terra Santa em um aeroplano. E o que dizer dos hebreus em sua longa caminhada cruzando os areais? Hoje isso leva quarenta minutos! As leis da aerodinâmica estavam presentes e a seu dispor, mas não havia percepção consciente delas, embora essas leis pudessem ter sido implementadas se houvesse qualquer conhecimento de sua existência.

A eletricidade está presente hoje como sempre esteve, mas agora, por causa de uma percepção consciente de suas leis, ela nos dá calor, luz e força. Deus está presente aqui e agora, mas é preciso haver uma percepção e compreensão conscientes -- na realidade, mais do que isso; um sentimento consciente da presença de Deus para que você possa recorrer a essa Presença e Poder. Conversa lisonjeira, citações e clichês metafísicos não devem ser confundidos com essa percepção e compreensão conscientes, através das quais Deus se torna uma realidade vivente para você. Concordar com os clichês metafísicos é tão inútil quanto seria para alguém que, vivendo nos tempos antigos, dissesse: "Você sabe, a eletricidade está disponível". Sim, é claro que estava -- se soubessem como fazer uso dela.

Essa conversa a respeito de Deus tem acontecido há milhares de anos, e ainda há muitas pessoas religiosas nas igrejas que estão falando sobre Deus e mesmo assim estão passando por todas as vicissitudes da experiência humana. Não é a conversa, no entanto, mas a compreensão consciente da presença de Deus que é o segredo do viver espiritual.

A respeito do desenvolvimento desse estado de consciência, há certas práticas que constituem passos ao longo do caminho. A mais importante delas é treinar a fim de realizar um esforço consciente para compreender a presença de Deus ao despertar pela manhã. Se você não pode sentir imediatamente a presença de Deus, pode pelo menos aprender a reconhecer a onipresença, a onipotência e a consciência de Deus; você pode, pelo menos, tentar compreender: "Assim como a onda é uma com o oceano, do mesmo modo eu sou um com Deus. Assim como o raio de sol é um com o Sol, do mesmo modo eu sou um com Deus."

Se você tomar um, dois ou três minutos para fazer isto perceberá, ao sair da cama e colocar os pés no chão, que está com uma disposição mental bem diferente. Quando você aprender a não sair da cama enquanto não estiver estabelecido sua unidade consciente com Deus, seu dia começará bem.

Quando acordo pela manhã, tenho o hábito de estabelecer esta compreensão consciente da presença de Deus. Considero essa a parte mais importante do meu trabalho diário, porque depois que fiz isso, não tenho muito a fazer durante o resto do dia, a não ser olhar sobre meus ombros e ver Deus trabalhando.

Por exemplo, quando você sai de casa de manhã, não passe pela porta sem compreender conscientemente que a Presença foi à sua frente e que a Presença permanece atrás de você para abençoar os que passam por aquele caminho. Não saia sem fazer isso conscientemente, porque o esforço consciente determina a sua revelação.

Da mesma maneira, quando você senta-se à mesa, não coma até que tenha pelo menos piscado seus olhos e dito silenciosamente: "Obrigado, Pai!". Isto não é dito em qualquer sentido ortodoxo de ação de graças. É um reconhecimento de Deus como a fonte do seu suprimento, um reconhecimento de que não foi o seu próprio esforço humano que lhe trouxe o alimento, e que por si só você nada pode fazer; o Pai dentro de você colocou esse alimento à sua frente.

Não há maneira de saltar do ser humano para ser um ente espiritual, mas pouco a pouco precisamos começar a espiritualizar nosso pensamento até que nos encontremos no reino do céu. Precisamos aprender que, não importa o que estejamos fazendo durante o dia, é somente por causa da presença de Deus que o estamos fazendo. Jesus disse: "Não posso por mim mesmo fazer coisa alguma... O Pai que está em mim é quem faz as obras" E Paulo disse: "Já não sou eu quem vivo, mas Cristo vive em mim".

Você precisa ver que cada pedacinho de bem que você faz ou vivencia é o Cristo atuando dentro e através de você; é o Espírito de Deus ativando você. A atividade de cura é a atividade da Consciência divina, a atividade do Cristo do seu próprio ser, que ocorre dentro de você.


ENTENDIMENTO DA NATUREZA DE DEUS

Toda a nossa vida espiritual depende de nossa capacidade de compreender Deus e, a menos que compreendamos a onipresença e onipotência de Deus, não progrediremos nesta tarefa.

Através dos tempos, muitos nomes foram dados a Deus: Abraão conheceu Deus como Amigo. Nas antigas escrituras dos hindus, que remontam a milhares de anos e abrangem um pouco mais da primitiva literatura dada ao mundo sobre o assunto de Deus, este é mencionado como "Mãe" e às vezes como "Pai". O grande místico hindu moderno, Ramakrishna, conheceu Deus como a "Mãe Kali"; mas, freqüentemente, alguns termos como "Mestre", "Princípio", "Alma", "Luz", "Espírito", "Amor" e outros sinônimos bem-conhecidos de Deus também serão encontrados nas escrituras hindu. Entretanto, porque era da natureza dos hindus primitivos, assim como dos hebreus primitivos, personalizar, eles trouxeram Deus para mais perto de si da maneira que melhor entendiam -- como uma Mãe amorosa e, ocasionalmente, como um Pai.

No século XIX, as pessoas versadas em sânscrito traduziram muitos dos grandes clássicos hindus para o alemão e o inglês, de modo que pela primeira vez o ocidente teve a oportunidade de familiarizar-se com a terminologia hindu. O resultado foi que muitos dos seus conceitos à respeito de Deus se infiltraram na literatura do século XIX. O Termo "Pai-Mãe", como sinônimo de Deus, obteve ampla aceitação por sua incorporação ao ensino da Ciência Cristã de Mary Baker Eddy. Com a utilização do termo na literatura da Ciência Cristã, ele mais tarde foi incorporado em muitos outros ensinamentos metafísicos. E, assim, Deus tem sido conhecido como Mãe, algumas vezes como Pai e, também, como Pai-Mãe. Nenhum desses termos procurou indicar um gênero, nem significar que Deus era masculino ou feminino. Em vez disso, esses termos carinhosos conotam as qualidades suaves, amorosas e protetoras de uma mãe, e as qualidades severas, legisladoras, de proteção, de apoio e de defesa de um pai.

Por isso, quando Deus vem à sua consciência individual, Ele chega de uma maneira tão suave que você pode ainda usar o termo "Pai" ou "Mãe". Cada vez mais, no entanto, as pessoas estão começando a pensar em Deus como Luz e Vida; e, quando Deus é compreendido na consciência individual como Vida ou como Luz, não há sentido de masculino ou feminino, apenas um sentido de Deus como a vida universal que permeia a forma que você tem -- a vida que permeia a forma da árvore, do animal, da flor... uma vida impessoal mas, mesmo assim, vida.

Deus é Espírito, e Espírito é a substância e a essência da qual todas as coisas são formadas -- tudo o que está na Terra e no Céu, no ar, e na água. A criação espiritual é formada dessa indestrutível e indivisível Substância, ou Espírito, denominado Deus.


A CONSCIÊNCIA ESPIRITUAL REVELA A REALIDADE

Você pode, então, questionar: porque há coisas como árvores apodrecendo e vulcões entrando em erupção? Eles também são essência de Deus? Não; eles representam o nosso conceito daquilo que realmente está lá. No reino de Deus não há jamais uma árvore apodrecendo, nem existem forças destrutivas ou arrasadoras em ação. O místico alemão Jacob Boheme via a realidade através das árvores e da relva. Para todos os místicos é como se o mundo se abrisse e eles vissem o mundo como Deus o fez.

Deus é a substância e a realidade subjacentes a toda forma; mas o que vemos, ouvimos, degustamos, tocamos ou cheiramos é o produto da mente humana, do sentido mortal, material, finito. A soma total dos seres humanos no mundo, sob o que se chama lei material -- médica, teológica ou econômica -- estabeleceu esse sentido finito do universo que eles vêem, ouvem, degustam, tocam ou cheiram.

Nada é aquilo que parece ser. Todos nós poderíamos olhar para o mesmo objeto e cada um de nós poderia vê-lo diferentemente. Por que? Porque cada um de nós o interpreta à luz da educação, do ambiente e dos antecedentes de nossa experiência individual. Compreender que aquilo que vemos representa apenas o nosso conceito do que na realidade existe é importante, porque sobre este ponto criamos ou perdemos nossa consciência curativa. Deus criou tudo o que foi criado e tudo o que Ele criou é bom. Por isso, todo este mundo, quer visto como seres humanos, ou como animais e plantas, é Deus manifesto. Mas quando o vemos, não o vemos como é: vemos somente nosso conceito finito dele.

Isto é muito importante porque é nessa premissa que se baseia toda cura espiritual, e a falta de reconhecimento deste ponto responde por noventa e cinco por cento das falhas na cura espiritual. Muitos metafísicos estão procurando curar o corpo físico, e este não pode ser curado porque nada existe que um metafísico possa fazer a um corpo físico; mas quando ele muda seu conceito de corpo, este passa a corresponder àquele conceito mais elevado. Então o paciente diz: "Fui curado!". Ele não foi curado: ele era perfeito no começo. O que estava errado não se achava no corpo, mas em seu falso conceito de si mesmo e de seu corpo.

Se você compreender esta idéia, isto poderá poupá-lo de cometer o engano fatal na tentativa de curar alguém ou o corpo de alguém. Quando vejo o seu corpo através do sentido espiritual, considero você como Deus o fez, e você declarará que foi curado. A criação de Deus está intacta; está perfeita e harmoniosa, e essa criação perfeita e harmoniosa está bem aqui e agora. Porém, isso não pode ser visto com os olhos do corpo. Somente pode ser discernido através da visão espiritual, do sentido espiritual -- através da consciência espiritual, ou do que é chamado de consciência de Cristo.

Não tente reformar o mundo exterior. Quando você encontra roubalheira, embriaguez, ou qualquer outra forma de degradação, não olhe para essas coisas, mas através delas. Feche os olhos, ou então vire-se de costas. Olhe através do indivíduo, considerando com o seu sentido espiritual a realidade do ser dele, e você proporcionará o que o mundo chama de cura. Com o seu sentido espiritual interior, dado por Deus, olhe dentro do coração de cada homem e veja o Cristo, e lá você encontrará a mais maravilhosa força curativa que existe no mundo. Depois, deixe que o seu sentimento o guie. Procure obter o sentimento ou a sensação do Cristo presente bem no centro de cada ser, e quando você alcançar esse Cristo terá uma cura instantânea.

Para conseguir uma cura de pecado ou moléstia não se preocupe com o ser ou com o corpo humano. Recolha-se no silêncio interior: sinta a presença de Deus, o sentimento divino/interior, e então você não será tentado a pensar em pessoa alguma. Não é necessário pensar no nome da pessoa que recorreu a você em busca de auxílio, nem em sua forma nem em sua moléstia. A Inteligência onisciente sabe e, por isso, quando você percebe um sentimento de Alma que a empolga, terá testemunhado uma cura.


sexta-feira, abril 29, 2016

A Elevação da Consciência


- Joel S. Goldsmith -


Somente um conhecimento das palavras desta mensagem, não terá valor. O real valor está na realização espiritual, acompanhada de cura. "Pelos frutos os conhecereis". Ser capaz de decorar e falar sobre O Caminho Infinito, sem que se consiga realizar um razoável grau de trabalho de cura, atende a um objetivo muito pequeno. Já há muitos livros escritos e impressos, e, conforme as Escrituras, existe muita conversa sobre a verdade. Os que permanecem neste trabalho devem ser quem tenha demonstrado alguma medida de realização, que não tenha receio, quando solicitados a prestar auxílio, e que possa fazer manifestar as curas.

O mundo não precisa de mais ensinamentos: precisa de mais curas. O nosso ministério continuará sendo um ministério de cura, desde que os seus integrantes assimilem o suficiente da verdade que promove a cura. Algum dia, as pessoas poderão ler livros de O Caminho Infinito, fazer pregações ou falar deles, e, ao serem interrogadas sobre a cura, responder: "Ah, aquilo ocorria quando o Joel Goldsmith estava aqui!" Isto é o que quero evitar. Desejo que cada um desenvolva uma visão espiritual que lhe permita prosseguir e fazer o mesmo.

Já há tanta leitura espiritual em sua Bíblia, que nenhuma palavra minha seria necessária. O Evangelho de João é o bastante. Nenhum outro livro é necessário. Se puder assimilar a visão espiritual ali contida, não irá precisar de nenhum livro de metafísica. É o texto mais espiritual do conhecimento humano. A verdade nele revelada é o suficiente para todos os ministérios de cura que possam surgir frente às necessidades humanas. Porém, os artigos modernos, por virem numa linguagem de nossos dias, ajudam a esclarecer aqueles textos antigos. Por esse motivo, nosso estudo e prática são facilitados pela utilização de interpretações mais recentes.

Quando cito somente aqueles que se tornam ativos neste trabalho, aqueles desejosos de serem chamados para curar, estou querendo dizer que nossa intenção é sermos realizadores, e não simplesmente uma geração de pregadores a mais. Ninguém deve empurrar o trabalho de cura para outro colega. Cada um precisa aceitar a responsabilidade pela cura. O trabalho de cura não é reservado a praticistas. A cura é para toda e qualquer pessoa realizar: "Fareis as obras que faço, e as fareis maiores do que estas". Todo aquele que se devotar a este ensinamento, receberá uma resposta espiritual de seu interior. E logo descobrirá que o desenvolvimento do trabalho de cura se dará em escala maior quando ele, ao ser chamado, rapidamente disser: "Sim!", sem que pare a fim de pensar. Por quê? É que isto será um indicativo de sua compreensão de que não é o ser humano, ou o entendimento humano, quem cura, e sim o "Eu", a identidade espiritual, que pode curar e irá fazê-lo.

No instante em que você disser não ter lido ou estudado o bastante para curar, estará assumindo ou alegando que a cura é feita por um ser humano. Naturalmente, como ser humano, você é incapaz de curar, mesmo que, de memória, soubesse recitar todos os livros de cura já escritos. Mas, se a sua ajuda for solicitada, e você rapidamente responder com: "Certamente!", esta atitude já será o seu reconhecimento de que a ilusão é nada, e que você não tem de curá-la.

Qual é todo o segredo do trabalho de cura? Possuir um poder sobre a ilusão? Ou seria saber que a doença não é um poder? Este não é um ensinamento que nos diz sermos capazes de dominar o pecado, a doença e a morte por meio de algum milagre que nos é concedido. É um ensinamento que não reconhece realidade alguma em pecado, doença e morte. Estes são ilusões que nos vêm enganando por termos acreditado serem reais.

Permitimo-nos ficar atemorizados frente à morte causada por micróbios, infecção e contágio, apesar de nossos mais de setenta anos de metafísica, que nos provaram não haver nenhuma verdade ou poder em tais coisas. Nossos praticistas vão a casas em que estes males estão presentes, e raramente, muito raramente, eles são curados.

Nosso ensinamento não possui um método secreto de combate ao "grande poder" chamado "ilusão". Antes, possui uma compreensão de que aquilo é puro nada! O grau dessa nossa compreensão é que irá determinar o grau de nosso temor à doença. Quando alguém solicitar a sua ajuda, não tema em dizer: "Certamente! Irei ajudá-lo!". A única compreensão requerida para tal resposta é a compreensão da irrealidade daquilo que se mostra como pecado, doença, morte, escassez ou limitação.


CONVERTA-SE, E VIVA

Estamos modificando todo o nosso conceito sobre o objetivo de nosso estudo e de nossa vida na verdade. Não estamos empregando nossa compreensão da verdade para mudar o quadro humano à nossa ideia de como achamos que ele deveria ser. Não estamos olhando para alguém para decidir se ele deveria ser mais saudável, mais rico, ou se deveria estar ou não empregado. Quando um problema nos é trazido, nosso método ou forma de trabalhar não é tentar demonstrar algo segundo aquilo que o paciente julga que devêssemos fazer, o que, aliás, aconteceria, às vezes, de somente lhe acarretar sofrimentos e arrependimento.

Nós não julgamos pelas aparências. "Julgamos segundo a reta justiça". Assim, se olhamos o mundo humano e vemos nele preparativos para a guerra, não faz parte de nosso trabalho ficar orando para que guerra alguma aconteça. "Aquilo que o homem semear, isto também colherá". As escrituras orientais dão a isto o nome de lei do carma. Significa que as suas ações de hoje, isto é, sua conduta e seu modo de pensar de hoje, resultarão em certo estado de fatos do amanhã. Em filosofia, isso é chamado de causa e efeito. Nas antigas escrituras hebraicas, era dito do seguinte modo: "Antes tenho visto que os que praticam a iniqüidade, e semeiam dores, estas é que segam".

Pense agora num local repleto de pessoas, que se reunem e se consagram à verdade, ao amor e à paz. E então, se puder, tente imaginar um conflito -- uma guerra -- entre elas. Seria possível ao ódio, à inveja, ao medo, progredir onde as pessoas estivessem reunidas em "Meu nome"? Não, não seria. Existiria muito mais amor, muito mais do Cristo, muito mais paz no coração, Alma e consciência de tais pessoas, o que tornaria o conflito algo impossível e inimaginável.

Invertamos o quadro: suponhamos que a discussão prosseguisse, e uma pessoa quisesse o trabalho da outra, alguém mais desejasse o dinheiro do outro, e uma terceira pretendesse ocupar a posição social de alguém. Se eu fosse uma testemunha daquilo, diga-me: que tipo de prece deveria fazer para livrá-los de tal insensatez? Haveria alguma prece que pudesse ser feita? É isto o que vem ocorrendo nos assuntos do mundo. "Aquilo que o homem semear, isso também colherá".

Mas existe um modo de escaparmos desta lei "como você semear", e este modo é o seguinte: "Convertei-vos a mim de todo o vosso coração". Esta maneira está em reedificar; prevê uma mudança de consciência. Não faz diferença alguma que tipo de pecador você esteve sendo há um mês, ou de quais tipos de pecados de omissão ou de comissão você seja culpado, desde que você tenha abandonado tudo aquilo e esteja, agora, deixando que somente a paz, o amor e a divina Consciência permaneçam ativos. Seu passado foi abandonado, e não há nenhuma conseqüência dele. "Converta-se, e viva" (Ezequiel 33; 11).

Analogamente, se todas as nações dissessem: "Temos feito as coisas erradamente; devemos parar com toda trapaça e passar às ações justas, decentes e honestas"; assim, todos os pecados do passado se dissipariam. As pessoas venceriam todos os pecados de que fossem culpadas. Derrotariam o antigo padrão, e suas vidas seriam vividas em conformidade com as mudanças do coração. Iriam, então, receber o efeito de uma nova causa que estariam pondo em ação, a qual estaria reformulada, enquanto a antiga ficaria verdadeiramente eliminada.

Assim, o nosso trabalho não consiste em permanecermos sentados, em prece, desejando a não vinda da guerra. Em primeiro lugar, preces desse tipo se baseiam na crença de que os acontecimentos do universo humano são reais, o que não é verdade. Tanto faz a aparência ser de guerra ou de paz, ela é uma ilusão. O mesmo ocorre ao vermos um ser humano com o corpo saudável, enquanto um outro se apresenta com o corpo doentio. Em ambos os casos, trata-se de uma ilusão.


O TRATAMENTO É UM AUTOTRATAMENTO

Nosso objetivo é nos tornarmos um com a lei de Deus, não reconhecendo nem mesmo um corpo físico saudável, mas somente um corpo puramente espiritual. Anteriormente, se uma pessoa nos ligasse, dizendo: "Eu estou com dor de cabeça", ou "Eu estou doente", nós nos sentávamos imediatamente para realizar algum trabalho para corrigir aquilo; mas agora, nesta nova consciência que estamos operando, em absoluto agimos daquela forma. Simplesmente permanecemos sentados, sentindo conscientemente a presença de Deus, comungando com o Infinito, e deixando a harmonia espiritual se manifestar.

Como se pode observar, neste novo e moderno método de tratamento, o curador resolve o caso de seu paciente dando a si mesmo o tratamento.

O curador diz: "Espere um pouco! Que tipo de sugestão é esta que me chega, de uma egoidade apartada de Deus, de um ser humano com dor, em pecado ou com doença? Não posso aceitar isso! Não permitirei que minha mente seja manipulada por tal crença! Conheço a verdade de que Deus é a realidade, a substância e a lei de todo o ser". O curador dá a si mesmo esse tratamento, até que se sinta capaz de dizer: "Estou convencido!" Ele não toca nem atinge o pensamento do paciente. Mas, graças à unidade, o paciente sente o tratamento. Ele sente a verdade fluindo por ele, a mesma verdade presente na consciência do curador. Ele sente a Verdade em Si, tocando a sua consciência, e responde a ela.

Quando eu o vejo com meus olhos, não estarei, de fato, vendo você; estarei vendo o meu conceito sobre você, e o conceito universal sobre você; estou vendo um conceito sobre você, ou um senso finito. Tentar consertar o que vejo, seria como tirar uma foto sua e esparramar um pouco de tinta aqui e ali. Aquilo somente poderia melhorar a foto, mas nunca iria tocá-lo nem modificá-lo.

De nada adiantaria ficarmos falando a respeito deste conceito referente a você, pois, ele nada tem a ver com você, que é invisível à mente humana. Você está oculto atrás de seus olhos, e ninguém consegue vê-lo. A única coisa sobre você, e que pode ser vista, é o conceito construído pelo mundo a seu respeito, e este não é você. Você é consciência espiritual e jamais foi visto. Você não pode ser visto nem tocado. Você é pura consciência.

Entretanto, você pode ser discernido em momentos de iluminação espiritual, naquele santuário que é o "templo de Deus", que Eu Sou. Nele, fico face a face com Deus, e posso conhecê-lo como você é. E disto resulta a cura, uma cura através do discernimento espiritual, mas nunca através dos cinco sentidos físicos.

Não há função em declararmos: "Não existe guerra, depressão ou acidente", numa tentativa de afastar estes males, ou ficar na vã esperança de eliminá-los. Nosso esforço está no sentido de atingir uma unidade consciente com Deus, e deixar que esta realização nos conduza através de toda guerra, depressão ou acidente que possam aparecer no mundo da ilusão. No ponto em que nos tornamos "um com Deus", em que ficamos em sintonia com este Poder infinito, torna-se possível, à totalidade dessa presença e poder de Deus, Se estender sobre uma comunidade ou nação, e eliminar algumas das condições errôneas.


"CONCILIA-TE COM TEU ADVERSÁRIO"

Não permita, contudo, que seu pensamento saia numa tentativa de curar o mundo. Isto seria apenas tentar mudar o quadro de um sonho, pois, a guerra, a depressão e os acidentes não são realidades. Não empregue sua mente, seu pensamento ou seus poderes espirituais para tentar corrigir uma ilusão. Torne-se um com Deus; e então, permaneça neste patamar da consciência. Faça isso quantas vezes puder, durante o dia, e quantas vezes puder, durante a noite. Consiga a percepção da presença de Deus. Logo a ilusão se dissipará. Deixe esta compreensão revelar a natureza ilusória daquilo que aparece como guerra, depressão ou acidente. Pare de olhar a ilusão para tentar acabar mentalmente com a sua "existência"! Absorva o significado de "Concilia-te com teu adversário"(Mateus;5; 25)Conciliar-se com seu adversário significa não lutar nem tentar mudar o quadro mortal. Significa assimilar, imediatamente, que ele não é realidade. Isto é a sua conciliação.

Jesus não negou a crucificação e nem afirmou audivelmente: "Eu não temo Pilatos". Ele não reteve a ilusão da crucificação nem tampouco "afirmou a liberdade". Deixou de lado a crucificação e a liberdade, e declarou ser Deus o único poder atuante na consciência do homem, até mesmo na de Pilatos. "Nenhum poder terias contra mim, se de cima te não fosse dado" (João 19; 11).

Jesus não pediu a Deus para "protegê-lo" do poder de Pilatos. Concordou que Pilatos tinha poder, mas, que era o poder de Deus dado a ele. Você pode ver a diferença? Temos, aqui, um novo e mais elevado conceito de tratamento e de vida. Jesus não negou que Judas fosse traí-lo. Ele provou, na verdade, que a traição não era um poder ou uma realidade. Ele não negou falta e limitação quando, para alimentar cinco mil pessoas, dispunha somente de alguns pães e peixes. Ergueu sua consciência acima daquele cenário e reconheceu a presença de Deus, a presença da Totalidade, e Ela alimentou a multidão. Jesus olhou para o alto e agradeceu ao Pai, pois, aquilo significava a presença de Deus. Como Deus é ser infinito, ele agradecia a Deus pela infinidade de pães e de peixes.

Nunca use a sua compreensão voltada para mudar, alterar, corrigir, melhorar ou curar o cenário humano. Conscientize a totalidade de Deus e dê testemunho desta Totalidade Se manifestando como plenitude. Como conscientizar esta Totalidade? No momento em que você elevar o seu pensamento a Deus, você o terá elevado à Infinidade. Não existe tal coisa como limitação, uma vez que tenha erguido o seu pensamento à Consciência que é Deus. Tampouco existirá a matéria, o pecado, a doença ou a discórdia. Somente à medida de sua capacidade de olhar e contemplar a face de Deus, é que você verá que é tudo emanado de Deus é bem: vida eterna, Espírito imortal, realidade divina, paz, alegria, poder e domínio.


A MENSAGEM DA VERDADE

Embora as declarações da verdade não sejam de tão grande valia, torna-se importante, porém, que haja um correto conhecimento da letra da verdade. Tudo que é preciso ser sabido, em termos da mensagem da verdade, e que é também necessário, para que você utilize no tratamento, pode se resumir nos parágrafos seguintes:

1. DEUS: Nós sempre iniciamos com Deus. Qual é a natureza e a característica de Deus? Deus é infinita inteligência. Deus é vida, e a vida é imortal e eterna. Deus é Espírito, incorpóreo, e portanto o universo todo é incorpóreo e espiritual, formado da divina substância do ser. Deus é princípio ou lei; portanto, tudo que existe no mundo está sujeito à lei divina e sob o governo da lei divina. Deus é a vida do indivíduo, a mente e a Alma do indivíduo, o princípio ou lei do indivíduo, e Deus é a substância do indivíduo. Deus é inclusive a substância do corpo do indivíduo, uma vez que "o corpo é o templo do Deus Vivo" (I Cor. 3;16).

2. A NATUREZA DO SER INDIVIDUAL: Tudo que Deus é, o ser individual é, seja eu, você, ou qualquer outro indivíduo. Tudo que Deus possui, eu possuo. "Filho, todas as minhas coisas são tuas" (Lucas 15; 31). Você não é um pedacinho de Deus: toda a inteligência de Deus é a sua inteligência individual; toda a vida eterna e imortal de Deus é seu ser e vida eterna e imortal. Todo o Espírito e substância de Deus é a substância espiritual de seu corpo, seu negócio e seu lar. Tudo que Deus é, você é. Tudo que Deus tem, você tem. Como "eu e o Pai somos um", e não dois, este "um" inclui Deus e eu -- Deus e você. Tudo se acha incluso neste "um". E, nessa "unidade", tudo que Deus é -- tudo que Deus tem -- está manifestado neste "um", que eu sou e que você é.

3. A NATUREZA DA ILUSÃO: A ilusão não passa de uma sugestão universal vinda ao seu pensamento. É a crença do mundo numa egoidade apartada de Deus. É uma sugestão mesmérica, uma sugestão tão freqüentemente repetida, que age hipnoticamente em sua consciência, fazendo com que creia existir alguém ou alguma condição apartada de Deus. Isso é tudo sobre a ilusão, mesmo que apareça na forma de pecado, doença, morte, ou de pessoa. Tudo que constitui a ilusão é uma crença mesmérica, poderosa, universal, impelindo a si mesma -- impondo a si mesma -- sobre a sua consciência. Se ela conseguir que sua consciência diga: "Estou passando mal", ela ganha o dia e você se mostrará doente. Se, em vez disso, você instantaneamente reconhecer: "Nenhuma destas sugestões pode atingir-me. Não aceito nenhuma delas em minha consciência como poder; portanto, eu não tenho de expulsá-las", você terá dado um "tratamento".

Se você incluir estes três fatores em seu tratamento -- a) a natureza de Deus, b) a natureza do ser individual como Deus manifestado , e c) a natureza da ilusão como sugestão -- isto será tudo a fazer com qualquer discórdia que lhe possa aparecer. Estes três pontos constituem o todo da mensagem da verdade, embora ela possa ser estabelecida de várias maneiras diferentes. Mas, é tudo que você tem a incluir em seu tratamento.

Se apenas a mensagem correta da verdade fosse todo o necessário para curar o mundo, poderíamos dispensar todos os livros e escritos de natureza metafísica, pois, nos poucos parágrafos anteriores, estabelecemos breve e completamente toda a verdade do ser, não sendo necessário mais nada a esse respeito. Porém, uma coisa mais é necessária! E esta coisa a mais é a sua convicção da verdade -- não a sua declaração, mas a sua convicção dela, sua resposta interior a ela, sua consciência real dela.


VIVER A VERDADE

Como você poderá ter a consciência de que Deus é amor, estando em dissenção ou com ódio de alguém? Você não poderá ter desarmonias familiares e, ao mesmo tempo, ter uma consciência de cura, pois isso seria demonstrar na própria vida que você não acredita que Deus é amor ou que você é o amor expresso. Do mesmo modo, você não poderá crer que Deus é o suprimento infinito, enquanto permanecer desonesto em seus negócios. Se sua vida não estiver em harmonia com as declarações que você faz, não espere delas qualquer resultado espiritual. Você não poderá dizer: "Deus é verdade, e toda a verdade que Deus é, eu sou", e viver uma vida de desonestidade. O seu pensamento de que Deus é a verdade não fará com que se torne assim. Somente quando você estiver convencido de que Deus é seu suprimento, é que Deus realmente se tornará a atividade onipotente de sua renda e de sua segurança. Não mais agiremos na maldade nem na desonestidade a partir do momento em que assimilarmos a idéia de que Deus é amor e que "tudo que Deus é, eu sou".

Precisamos obter a consciência destas declarações. Lembre-se do que lhe tenho dito: "Não empregue em demasia a palavra Deus, até que saiba realmente do que está falando". Às vezes, a maneira com que as palavras Deus e Cristo são empregadas, é profana. Uma delas seria quando ouvimos certas pessoas blasfemarem, pois, de uma consciência como a delas, poderíamos talvez esperar um pouco mais. Muitos que saem falando sobre Deus, ou Cristo, nunca O viram ou sentiram, e não sabem do que estão falando. Certamente, eles não O vivem. É um pecado apresentar a sua consciência como a veste do Cristo, e não vivê-la. De fato, tal pecado destrói o seu poder de cura.

Certifiquemo-nos de que não estamos usando a Verdade, mas que estamos vivendo a Verdade. Jesus não tinha que dar um tratamento. As pessoas vinham à sua consciência, tocavam sua Veste, e eram curadas. Por quê? Não havia hostilidade no estado de consciência que Jesus possuía, embora houvesse, algumas vezes, indignação com relação às pessoas que se diziam espirituais, mas que viviam uma mentira.

Sua consciência será uma consciência curadora quando houver concordância entre o fato de que Deus é amor, que o amor é seu próprio ser, e que Deus é a verdade, e a verdade da natureza de vida que você está vivendo.

Convença-se de sua identidade como vida eterna, e a doença e morte desaparecerão em seu próprio nada. Evite os esforços para modificar o quadro exterior. Faça melhor, dirigindo seus esforços no sentido de realizar a verdade, o amor e a vida como sendo a natureza própria do seu ser.


terça-feira, abril 26, 2016

A natureza do poder espiritual


 - Joel S. Goldsmith - 


Para conhecer a natureza do poder espiritual, devemos praticá-lo. Se falarmos de água, não extinguiremos a sede; devemos bebê-la. Se falarmos de alimentos, nunca satisfaremos nosso estômago; devemos comê-los. Assim ocorre com o poder espiritual. Pode ser descrito para nós, mas isso não o fará agir em nossa experiência. Para apreender sua natureza e processo, devemos incorporá-lo praticá-lo e trazê-lo para nossa experiência.

No estado materialista da consciência, conhecemos e compreendemos a matéria e os valores materiais, as forças e os poderes materiais; mas Jesus Cristo, que trouxe para o mundo a mensagem cristã, provou que há uma outra dimensão. Quando ele disse: "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou: não vo-la dou como o mundo a dá", ele estava falando da paz que vem de uma outra dimensão. Em sua afirmação: "O meu reino não é deste mundo", é claro que o reino de Cristo não consiste de mais carros de batalha, mais cavalos, mais aviões, mais armamentos, mais ouro e mais prata. "Meu reino não é deste mundo" e, ainda, "Meu reino" domina "este mundo", sem couraçados, sem bombas e sem as armas de guerra do poder temporal.

O mundo religioso esteve tentando durante séculos obter o poder do Espírito para fazer alguma coisa pelo poder da matéria. Mas não trouxe paz à terra; não eliminou os armamentos do mundo e os transformou em "foices". Nós cometemos um erro: o poder espiritual não é para ser usado para vencer o poder material. O poder de Deus não é para ser usado para vencer os pecados e doenças do mundo.

A natureza do poder espiritual é onipotência e o único meio de que dispomos para atrair o poder espiritual para nossa vida é observar qualquer fase do poder material - discórdia, desarmonia, necessidade ou doença - e conceber: "Não tens poder! Nenhum poder terias contra mim, se de cima te não fosse dado".

O Mestre não invocou o poder do Espírito para acalmar uma tempestade, ele simplesmente disse: "Cala-te, aquieta-te". Deus não está no furacão; Deus não está na matéria; Deus não está na força ou nos poderes materiais; Deus não está na temporalidade. Deus é Espírito e, além d'Ele, não há poderes.

Provamos isso em muitas fases de nossa vida. Dezenas de milhares têm sido curados neste século, não pelo uso do poder de Deus de eliminar uma doença, não recorrendo ao Espírito para poder vencer as condições materiais, mas compreendendo silenciosamente que além de Deus não há poder. Temos testemunhado isso em nossas relações comerciais - nunca pela disputa, nunca pela pressão de uma campanha, mas sempre do mesmo modo, isto é, silenciosamente, pacificamente compreendendo: "Não há nada que exista além de Deus".

Nós tentamos chegar a Deus para conseguir que Deus faça algo para alguma coisa que não tenha poder. Tentamos fazer uso da Verdade. Isso não pode ocorrer. Não fazemos uso da Verdade; não fazemos uso de Deus. Isso seria fazer de Deus um servo. Deus não é nosso servo. Deus não é para ser usado. Deus é para ser compreendido. A Verdade não é para ser usada. A Verdade é para ser compreendida.


A INSENSATEZ DA LUTA PELO PODER TEMPORAL

O Mestre eliminou a doença, a morte e o pecado. É vontade de Deus que sejamos integrais, completos, eternos, imortais, inocentes e puros. Não somos porque, em vez de compreender que a verdadeira natureza de Deus é onipresença e onipotência e permanecermos silenciosa e pacificamente nessa verdade, nós vivemos à procura de Deus para que faça algo, como se Deus pudesse fazer algo hoje ou amanhã, que já não tenha feito ontem. Se Deus pudesse ter superado nossos problemas particulares, ele o teria feito, porque é vontade de Deus que vivamos.

"Porque eu não tomo prazer na morte do que morre, diz o Senhor Jeová: convertei-vos, pois, e vivei". (Ezequiel 18:32)

"Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou". (João 6:38)

Deus foi o mesmo ontem é hoje e será para sempre, de eternidade a eternidade. Não podemos induzir Deus a fazer algo amanhã. Dois vezes dois sempre foi quatro: mesmo Deus não pode mudar isso amanhã. Isso tem sido de eternidade em eternidade e assim será para sempre.

Nunca houve tempo em que Cristo não foi entronizado em nossa consciência: "Antes que Abraão existisse, Eu sou". "Eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos". Nós buscamos um poder, um poder divino, um poder de Cristo e ei-lo aqui. O segredo do poder espiritual é simples. Ao ensinar: "Não resistais ao mal", Jesus não quis dizer para sermos devorados por ele. Ele estava reconhecendo a verdade de que o mal não é o poder que parece ser. Quando ele disse: "Mete no seu lugar a tua espada... porque todos os que lançarem mão da espada, pela espada morrerão", ele não quis dizer "Mete no seu lugar a tua espada até 1980 e então saque-a". Ele falou da espada no sentido de poder temporal. Não faz diferença se é uma espada ou uma bomba, se é uma grande quantidade de ouro ou muito pouco. Ele está falando sobre abandonar o poder temporal, sem resistir ao mal, parando de combater o gênio do mal e aprendendo que o mal não é poder. Por que combater o o espírito carnal ou mortal? Eles não constituem poderes. Deus é Espírito e Deus é onipresença; portanto, o Espírito é onipotência, todo poderoso.

Podemos provar isso. Podemos levar um dia, uma semana ou um mês, porque estamos acostumados a procurar forças com as quais fazer algo. Antes deste século existiu poder material. Embora ainda procuremos poder material, neste século estamos procurando também poderes mentais e espirituais. Há poder espiritual, mas ele não age porque: "Da mesma forma como as aves naturalmente voam, assim o Senhor dos Exércitos amparará a Jerusalém: ele a amparará e a aliviará, e, passando, a salvará". (Isaías 31:5)

Este poder espiritual cria, permanece e conforta, mas se pudermos ser motivados a aceitar a crença em dois poderes, começa a dificuldade. Começou assim para Adão. Ele realmente conhecia a verdade de que só há um único poder e era muito feliz com esse conhecimento; mas, então, comeu o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, isto é, dois poderes. Do momento em que assim procedeu, ele tinha que procurar um Deus para fazer algo quanto à força do mal. Nós estamos procedendo assim desde então, vivendo uma vida adâmica, sempre buscando uma força para fazer algo quanto aos males que nos importunam, mesmo que esse males não sejam poder, exceto em nossa aceitação deles como poder.

Nós tememos os mortais e tudo o que eles nos poderiam fazer. Depositamos nossa fé em tudo, desde o machadinho de guerra até a bomba atômica. Quando a bomba atômica foi inventada e usada, parecia que tínhamos descoberto a derradeira força e nunca mais haveria dificuldades na terra. Mas quanto mais poder nos empenhamos para obter, mais poder é necessário para dominá-lo; e então mais poder será necessário para dominar aquele. É semelhAnte às drogas. Uma pessoa começa a fazer uso de uma pequena quantidade, mas essa quantidade é continuadamente aumentada porque, quanto mais se usa, tanto mais se necessita da próxima vez.


A PROVA DE QUE O PODER ESPIRITUAL É O PODER ABSOLUTO

Pelo fato de temermos, há séculos, diferentes tipos de forças, até mesmo o poder da prata e do ouro, pode levar uma, duas, três ou quatro semanas para corrigir a nós mesmos até podermos estar alertas a todo e qualquer tipo de erro que tememos - o pecado, a doença ou as bombas - e compreender: "Pai, perdoai-me, pois eu não sabia o que estava fazendo". Com o completo ministério de Jesus Cristo, com dois mil anos neste mundo, como pode ser que não acreditamos que temos o Senhor Deus Todo-Poderoso?

Por mais que procuramos usar o poder espiritual em algo ou alguém, nunca poderemos provar sua verdade. O segredo dele está na compreensão de que ele é o poder máximo e não há outros. Vamos iniciar com coisas simples, alguma coisa que não nos amedronte, que nos conduza gradualmente às questões mais sérias da vida e possa provar, nos abstendo do uso da força - mesmo da tentativa de usar o poder divino -, que não há poderes aqui fora.

Esta é a revelação da natureza do poder espiritual, como me foi dada, baseado em trinta anos de demonstração e prova de que o mal não é um poder. É um poder apenas enquanto um indivíduo aceita dois poderes. Quando um indivíduo aceita a mensagem de Cristo: "Não resistais ao mal", a nulidade do erro fica provada, não obstante a forma que toma. Permanece conosco como indivíduos.

Nós não podemos passar nossa vida inteira vivendo da manifestação de quem quer que seja. Mais cedo ou mais tarde, nossa falta de compreensão, se continuar, nos apanhará. Devemos continuamente trazer à memória: "de agora em diante, estou aceitando a Deus dentro de mim, para que 'se subir ao céu' ou 'se fizer no inferno a minha cama', este Deus estará comigo. Se eu passar pelo 'vale da sombra da morte', este Deus irá comigo porque Ele está dentro de mim. Todo reino de Deus está dentro de mim". Devemos fazer isso conscientemente.

O próximo passo é admitir conscientemente que Deus é todo-poderoso - o todo-poderoso, o todo-poder, o Espírito. Não podemos ver o Espírito, ouví-Lo, tocá-Lo ou sentir seu odor. Temos que compreender que Ele existe, mesmo que não tenhamos prova material d'Ele. Temos que ter suficiente discernimento espiritual para sentir dentro de nós mesmos que isso é verdade e, então, temos que aprender a estar alerta às coisas que tememos e começarmos a compreender conscientemente: "Que absurdo. O Todo-Poderoso está dentro de mim. O Espírito é o todo-poderoso e eu tenho medo do 'homem cujo fôlego está em suas narinas'. Eu tenho medo do álcool, eu tenho medo das enfermidades, eu tenho medo do falso apetite, eu tenho medo do ateísmo, eu tenho medo do comunismo e eu tenho medo do capitalismo".

Que diferença faz o que nós tememos? Qualquer coisa que seja, quando tememos, nós estamos reconhecendo uma outra força que não a divina. Estamos considerando duas forças e, quando temos duas, somos expulsos do Jardim do Éden e temos que ganhar a nossa vida com o suor de nosso rosto, criar filhos no sofrimento e aprender como ser agressivos, porque, com duas forças, nós estamos sempre procurando uma para socorrer a outra. Mas, quando reconhecemos Deus como Espírito e Espírito como o infinito todo-poderoso, já não procuramos uma força. Então permanecemos na Graça.


O ABRE-TE SÉSAMO

“Olha para Sião, a cidade das nossas solenidades: os teus olhos verão a Jerusalém, habitação quieta, tenda que não será derrubada, cujas estacas nunca serão arrancadas, e das suas cordas nenhuma se quebrará... E morador algum dirá: Enfermo estou; porque o povo que habitar nela será absolvido da sua iniquidade”. (Isaías 33:20-24)

Os males são perdoados para aqueles que habitarem na consciência de um Espírito todo-poderoso, perdoados no sentido de serem apagados e esquecidos. Em outras palavras, o restabelecimento, de fato, significa ser perdoado. Ser curado de nossos males é realmente ser perdoado do pecado de dualidade, perdoado do pecado de crer que há duas forças e que Deus não é força todo-poderosa. Estamos sendo realmente perdoados da aceitação da crença de que há uma outra força que não a divina. O modo de sentir esse restabelecimento é deixar de combater às circunstâncias, parar de temer o “homem cujo fôlego está no seu nariz”, parar de temer o orgulhoso, o fanfarrão, parar de temer o ruído das armas. Eles se destinam apenas a amedrontar-nos, mas não podemos nos preocupar, se tivermos um Deus todo-poderoso.

Como é possível a um povo, amante de Deus, constantemente temer o ateísmo ou qualquer obra dele? O ateísmo não é uma força. Não adianta simular que há um Deus em quem acreditamos, se acreditamos também que o ateísmo é uma força.

Ninguém nunca tem chance de derrotar a Deus ou ao religioso. Nós moraremos em habitação quietas e pacíficas, quando aprendemos, como disse Ralph Waldo Emerson, que os dados de Deus estão sempre chumbados. Ninguém tem chance contra Deus, contra o Espírito, contra o amor, a liberdade e a justiça. Ninguém tem chance contra o disposto espiritualmente. Mesmo a doença não pode deitar raízes no espiritualmente disposto. Ela pode aproximar-se dele e ameaçá-lo, mas tudo o que precisa fazer é estar atento e compreender que: “Nós temos o Senhor Deus Todo-poderoso”, virar-se e ir dormir, deixar que haja luz, deixar que haja liberdade, deixar que seja revelado na Terra que Deus existe. Então, mesmo o irreligioso observará as palavras de Deus e verá que Deus, e só Deus, é poderoso.

Entre nós, Deus já sabe o que deve ser feito e é Seu grande prazer dar-nos o reino, dar-nos a liberdade, dar-nos a alegria, dar-nos abundância. Dar, dar! A palavra é sempre “dar”, mas temos que ficar bastante quietos e confiantes para receber.

Uma vez que tenhamos tal vislumbre de Deus, teremos captado o significado do poder espiritual. Deixemo-lo ser nossa contra-senha, nosso “abre-te sésamo”. Deixemo-lo ser o que abre todas as portas para nós – poder espiritual. Não tentemos obtê-lo; não tentemos fazer uso dele. Não tentemos empregá-lo: apenas compreendemos e relaxamos a tensão nele. Não estamos resistindo ao mal; todavia, o mal desaparecerá. Ele se dissolverá. De um modo normal, natural, a harmonia começará a existir.


A CONQUISTA DO MUNDO

O tipo de hostilidade que poderia envolver o mundo hoje, nunca poderia resultar em vitória para ninguém. Portanto, ninguém em seu juízo perfeito vai dar início a quaisquer conflitos que nos ameacem. A proteção necessária não são mais ou melhores bombas. Eu não sou um pacifista e não estou tentando impedir ninguém de fabricar bombas. Mas o mundo só será salvo pelo poder espiritual, e ele vem apenas através da consciência dos indivíduos. Sempre houve poder espiritual, mas até que chegasse através de um Moisés, de um Elias, de um Jesus, de um Paulo ou de alguém mais que alcançasse essa compreensão, não ficaria em evidência. O poder espiritual governará esta terra através de nossa consciência individual (ela deverá ser o canal), na medida em que não temermos o erro nem empregarmos o poder espiritual contra ele, mas somente manifestando “o poder espiritual” dentro de nós mesmos.

Algum dia teremos um corpo de pessoas deste mundo tocado pelo Espírito. Eles se encontrarão e haverá paz. A paz virá pela atividade do Espírito que está agora a circular pelo mundo, tocando pessoas de todos os países. Os que foram tocados pelo Espírito estão auxiliando e podem auxiliar mais a despertar a humanidade para esse toque do Espírito por suas orações, pelo desempenho das ações de Graça – absolvição, oração para o inimigo – mas, acima de tudo, pela compreensão do Messias. O Messias ensinou: “O meu reino não é deste mundo”. “Mete no teu lugar a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada à espada morrerão”.

A maior parte das pessoas pensa em Deus como um Rei absoluto. Elas até cantam hinos em louvor do Rei absoluto, o Rei que sai à frente delas para matar os inimigos, o Rei que conquista as terras para elas. O resultado é que, quando os conquistadores saem com suas armadas, há sempre um sacerdote ou um padre para abençoá-lo, como se Deus sancionasse ou pudesse abençoar o conquistador de outros povos. Exércitos e armadas saem para matar, e sempre se pode encontrar alguém para fazer uma oração para eles.

Tudo isso baseia-se nos errôneos ensinamentos dos antigos hebreus de que Deus é um Rei todo-poderoso e que Sua atividade é providenciar para que nossos inimigos sejam mortos e para que sejamos vitoriosos. Devemos ser sempre vitoriosos, o que seria verdadeiro se apenas pudéssemos ser vitoriosos como o Mestre ensinou: “Eu venci o Mundo”. Ele não venceu o mundo de César, nem o mundo exterior. O que ele realmente quis dizer foi: “Eu venci o mundo dentro de mim; eu venci a avidez, a luxúria, a ambição louca; eu venci a sensualidade, os falsos desejos, os falsos apetites. Eu venci ‘este mundo’ dentro de mim”.

Mesmo quando vencemos espiritualmente o mundo, um ditador desumano pode estar ocupando o trono do poder ou a bomba pode ainda estar lá fora. Contudo, será verdade que vencemos o mundo, porque não temeremos a bomba ou o ditador; não teremos medo do pecado, da enfermidade, da tentação, da necessidade ou da limitação. Vencemos o mundo porque fomos tocados pelo Messias, e o filho de Deus foi despertado em nós. Depois de termo sido assim tocados, podemos dizer: “Eu vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim”. “Posso todas as coisas naquele que me fortalece”. Quando o Cristo que habita em nós tiver ressuscitado, não haverá necessidade de se preocupar com nossa vida, porque este filho de Deus, em nós ressuscitado, irá, antes de nós, realizar cada atividade de nossa experiência.

Deus é Espírito e deve ser cultuado em espírito e na verdade. Deus é Espírito e governa pelo amor, não pela destruição das coisas, mas pela revelação mística da inexistência de qualquer outra coisa que não a presença de Deus. Quando orarmos, não peçamos que Deus faça algo, mas que o filho de Deus seja despertado em nós e governe nossa experiência. Não peçamos ao Messias para derrotar nossos inimigos ou nossos competidores. Oremos para que o Messias ressuscite em nós como um espírito de amor, e assim será para nós. Quanto mais nos estendermos à compreensão de Deus e de Cristo como Espírito, maior será a manifestação de Cristo em nossa própria experiência.

O perigo consiste no retorno às crenças antigas de que Deus ou Cristo é alguma forma de poder e que uma vez que nos agarremos a Ele, poderemos até fazer desaparecer Houdini (Nota: famoso mágico americano de teatro, 1874-1926). Podem estar certos de que não conseguiremos. Não dominaremos quaisquer inimigos. Não dominaremos quaisquer competidores. Apenas vivemos,nos movemos e existimos em uma paz alegre, em abundância e benevolência. Viveremos pela Graça, em vez de viver pelo poder ou pela força. Todas as coisas são realizadas pelo Espírito, não pelo poder ou pela força. É um Espírito nobre. Deus não está no furacão, no pecado, na doença, nos falsos apetites. Deus não está na pobreza. Deus está na “voz mansa e delicada” (I Reis 19:12). Conduzir-nos a uma vida sob a proteção de Deus, quer dizer levar-nos a uma vida por meio da qual possamos ser tão silenciosos intimamente, que, quando a voz mansa e delicada falar, será como se estivesse trovejando.


FUNÇÃO DE CRISTO

Cristo não é algo fora de nós que tem que ser procurado. Cristo é algo que já está dentro de nós, esperando atrair a nossa atenção.

O que é o Cristo? O que é o Espírito de Deus no homem? Qual o propósito de Deus em minha vida? Qual é a natureza da Presença que segue à minha frente para guiar o meu caminho? Qual é a natureza do poder que apareceu para Moisés como “uma nuvem”, “uma coluna de fogo”, e o “maná” caindo do céu? Qual é a natureza do Pai dentro de mim, que curou as doenças para o Mestre? Qual é a natureza deste Cristo que está dentro de mim e que me habilita a perdoar os pecadores? Qual é a natureza deste Cristo que é o pão, a carne, o vinho e a água para mim, a mulher na fonte e alguém que deseje vir até mim?

Nesse plano de meditação, a resposta virá de dentro de nosso ser, mas devemos abrir caminho.

Este Cristo, este Messias, está dentro de nós. O Messias não é um homem que vai chegar ou um homem que vai chegar uma segunda vez. Este Cristo, este Messias, é o Espírito de Deus que foi plantado em nós no princípio – não no princípio do intervalo da nossa vida aqui na terra, mas no princípio, quando éramos unos com Deus, no princípio, quando éramos formados à Sua imagem e semelhança. Seu propósito é viver a nossa vida, elevar-nos, redimir-nos, preparar o caminho para nós, preparar mansões para nós. Foi-nos dado no princípio. Ele agora está trancado de baixo de chave e devemos abrir caminho para que Ele possa fluir para nossa experiência.

Quando o Espírito de Deus estiver em nós, despertaremos para a consciência mística. Estamos determinados a nos tornar cientes de que o filho de Deus está entre nós:

“Dentro de mim habita Algo, uma Presença, uma Glória. Não está aqui para glorificar-me. Sua atividade é glorificar a Deus, provar o que é a vida quando é dirigida, mantida e sustentada por Deus”.

Então nos tornamos testemunhas da graça de Deus, da presença de Cristo dentro de nós.

Só tenhamos o cuidado de não fazer de Cristo algum tipo de poder temporal para nos ajudar a adquirir coisas temporais. Vamos nos satisfazer com o fato de que Cristo é o Espírito em nós e que podemos fazer tudo através d’Ele, com amor, sabedoria, com bom senso, equidade, misericórdia, igualdade e paz. A compreensão disto, e só disto, realiza “a paz que excede todo o entendimento”. Não há meios de se obter paz neste mundo. Podemos conseguir fama e riqueza e ter mais dificuldade do que esperamos. Mas o Messias mostra a diferença: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou: não como o mundo a dá”.

Em termos humanos, não sabemos, e ninguém pode dizer, qual é a natureza da paz. Minha paz é um estado de paz que nos invade, não por alguma coisa boa ter acontecido no mundo exterior, mas porque algo maravilhoso realizou-se dentro de nós. É como se fosse uma garantia: “Eu estou com você. Eu nunca o abandonarei. Eu estarei com você até o fim do mundo”. Nós quase poderíamos cantar esse refrão, pela vida afora, uma vez que nos tornamos cientes de que Cristo habita em nós. Agora, não há necessidade de se preocupar, nem de temer. Há uma Presença invisível guiando o nosso caminho.

A paz na terra não será alcançada só pelos esforços humanos. A paz na terra é uma dádiva de Deus que deve ser recebida pelas pessoas dentro do templo de seu próprio ser.

Não podemos saber por nossa própria índole pacífica, por nossa própria inabilidade de batalhar um com o outro, até que ponto Cristo penetrou na nossa Alma, até que ponto recebemos a dádiva de Deus, seu filho. Cristo ressuscitado entre nós é uma dádiva de Deus. Se ainda não O recebemos em grau suficiente, ainda é possível. O caminho está dentro de nós. O caminho é a introspecção, a meditação, a comunicação interior, o reconhecimento de que o filho de Deus habita entre nós e está sempre pronto a nos dirigir a palavra. De fato, Ele está se dirigindo a nós mesmo quando não O ouvimos. Ele tem estado clamando a nós através dos tempos.

Vivemos pela palavra de Deus, não pelo pão nem pelo dinheiro. É pela palavra de Deus, que se transforma em carne, que somos alimentados, vestidos e abrigados. É pela palavra de Deus que uma Graça divina nos leva a viver em paz. É esta dádiva de Deus dentro do templo de nosso próprio ser que estabelece nossa paz com nosso semelhante: amigos ou inimigos, próximos ou distantes. É a graça de Deus em nosso coração, o Cristo que entra em nossa Alma, que é a paz entre nós. Nada mais pode dá-lo a nós; nada mais pode mantê-lo. Nunca poderemos encontrar amparo ou nossa imortalidade por qualquer outro meio que não seja essa comunhão interior, por meio do qual ouvimos a voz mansa e delicada proferindo a palavra de Deus.

“Como pássaros voando”, deixaremos o Espírito realizar sua obra. Deixemo-Lo realizar Sua obra. Deixemos Deus. Deixemos que haja luz e observemos que há luz. Deixemos que haja firmamento e notemos que há um firmamento. Deixemos Deus agir e resistamos à tentação de procurar uma força para empregar, procurar a verdade ou qualquer coisa para empregar. Em vez de nos acomodarmos com a certeza de que Deus é Espírito e de que este Espírito tenha prometido que Ele nunca nos deixará ou nos abandonará. Ele sempre esteve conosco, mas nós O negligenciamos. Não só O negligenciamos, mas não sabíamos que Sua natureza era Onipotência; assim, tentamos fazer uso d’Ele contra alguma coisa. Não há nada contra o que empregá-Lo. Tudo quanto parece mal para nós é uma aparência e não temos o direito de julgar pelas aparências. Devemos deixar de combater o erro, deixar de tentar dominá-lo, deixar de querer buscar Deus para dominá-Lo e admitir que “Deus está comigo e é todo-poderoso”. Então veremos a natureza do poder espiritual, à medida que o silêncio revelar o Verbo feito carne.


 

sexta-feira, abril 22, 2016

O Reino Espiritual

- Joel S. Goldsmith -


Em algum lugar na consciência existe um lugar inexplorado, um lugar ainda não revelado pela religião, filosofia ou ciência. Eu sei que esse lugar existe, porque ele se coloca continuamente às vistas do meu conhecimento. Eu sei que, quando ele se revelar, ele mudará a natureza da humanidade: não haverá mais guerras, e o cordeiro se deitará com o leão. Eu sei o seu nome, porque foi revelado como Meu reino e Minha graça. Cristo Jesus falou desse Reino, mas nem a palavra falada e nem os manuscritos até agora descobertos revelaram seu completo significado.

Nos meus momentos de maior elevação, eu tenho vivido e experienciado esse Reino, e por vezes sua atmosfera permanece impregnada em mim por dias, mas depois, de novo ele me escapa. Às vezes nas curas eu tenho testemunhado sua ação, mas captei apenas alguns de seus lampejos. Ele me mostrou a mente humana da humanidade e suas operações, e como os homens usam a mente tanto com maus propósitos quanto com bons.

Esse reino espiritual, esse mundo interior, é tão real quanto o mundo que nós vemos, ouvimos, tocamos ou cheiramos - talvez até mais real. Aquilo de que nós nos apercebemos através dos sentidos, eventualmente muda e desaparece, mas esse mundo interior, essas glórias espirituais que nos são reveladas, essas luzes espirituais com quem aprendemos a permanecer no tabernáculo - essas nunca desaparecem.

Esse é o mundo que o Mestre Cristo Jesus revelou, um Reino que existe bem aqui onde estamos, mas somente se recebermos o Espírito de Deus dentro de nós. Ele já está estabelecido aqui na terra, apenas esperando nosso reconhecimento e realização.

Encontrar esse Reino não nos tirará de maneira alguma deste mundo. Encontrar esse Reino nos deixará nele, mas não dele. Desfrutaremos de todas as coisas necessárias para enriquecer a vida, não nos tornaremos ascéticos, mas não mais desejaremos coisas ou ansiaremos por elas, e muito embora as riquezas da vida possam ser parte de nossa experiência, intimamente estaremos tão livres delas que todo o nosso ser interior será vivido em Deus e de Deus.

O mundo místico é um mundo real. É um mundo de pessoas e um mundo de coisas formadas da consciência iluminada ou esclarecida. Mas, como nos tornamos iluminados ou esclarecidos? Como encontrar esse mundo místico? O que é misticismo? Misticismo é "a experiência da união mística ou comunhão direta com a realidade última de que nos falam os místicos". É "a teoria do conhecimento místico; a doutrina ou crença que o conhecimento direto de Deus, da verdade espiritual, da realidade última, e de assuntos correlatos, é alcançada através da intuição imediata, insight, ou iluminação, e de uma forma que difere da nossa percepção ordinária dos sentidos".

A mensagem mística de todos os tempos é a mesma. A linguagem e o modo de abordagem podem ser diferentes, mas a mensagem e o objetivo - alcançar a união consciente com Deus - nunca muda. Ninguém pode se tornar um buscador de Deus em sua humanidade, mas, quando Deus toca uma pessoa em algum grau de despertar, ela é levada até alguma forma de ensinamento espiritual. Ela pode permanecer neste caminho até o final de sua busca, ou pode ir de ensinamento em ensinamento até finalmente encontrar aquele que vai de encontro à sua necessidade insatisfeita e lhe trazer a realização de Deus. Embora revelada em diferentes linguagens, diferentes termos e diferentes formas, o desdobramento interior leva sem erro ao único objetivo.

Nada se equipara à fascinação e aventura da vida mística. É uma vida de descobertas, descobertas que estão sempre em nossa frente, nunca atrás. Podemos ter tido uma experiência ontem, que nos elevou até o topo da montanha, mas nós não podemos viver na "pérola" de ontem, ou no maná de ontem, porque a experiência de ontem, independentemente do quanto foi extraordinária ou o quanto tenha excitado a nossa alma, é apenas uma preparação para uma ainda maior que está á nossa frente. Existe sempre o desafio das coisas intangíveis esperando nossa descoberta aqui e agora.

O reino de Deus não tem limites ou bordas, e toda a verdade que já foi dada ao mundo nos últimos milhares de anos mal encheria um dedal, se comparada ao que ainda há para ser descoberto. Ninguém até hoje já experimentou um milionésimo do que já foi revelado.

Pode alguém em algum tempo revelar a última palavra da verdade espiritual? Pode alguém em algum tempo penetrar nas profundezas de Deus? Pode alguém em algum tempo descobrir a totalidade de Deus? É verdade que os místicos de todas as eras nos deram lampejos da verdade, e suas palavras são carregadas de convicção porque por trás das palavras está a experiência em si mesma. Mas, quanto do que nós já lemos sobre as revelações espirituais nós efetivamente experimentamos? Quanto disso ainda permanece entre as capas de um livro? Quanto disso nós efetivamente testemunhamos? Quanta verdade nos chegou como um desdobramento interior com a força e o poder renovadores da revelação? Todo aspirante no caminho espiritual deveria estar constantemente alerta para alguma revelação da verdade. Se ele se satisfaz, entretanto, em meramente lidar com as palavras sem procurar extrair os significados mais ricos e profundos, dos quais as palavras são apenas símbolos, ele não está sendo alimentado pelo seu interior, mas pelas páginas de um livro. Tinta preta não tem bom sabor, tampouco há qualquer sustentação a ser encontrada numa página impressa, e aquelas pessoas que estão vivendo na palavra impressa estarão tão famintas quanto aquelas que sofrem de má nutrição. A substância sustentadora a ser encontrada nas palavras, impressas ou faladas, reside na verdade que pode ser introjetada pela consciência.

As verdades que são reveladas na literatura espiritual são sementes plantadas na consciência, e se essas sementes são plantadas numa consciência ativa e fértil, elas brotam e frutificam; mas se são levadas para a consciência adormecida - a inconsciência ou consciência morta, a consciência que está vivendo da forma, do ritual ou dos pensamentos de ontem - essas não podem se abrir, brotar e amadurecer.

Cada palavra da verdade que ouvimos ou lemos deveria ser levada para a nossa consciência como se fosse uma semente, e lá ser nutrida e alimentada. Ela deveria ser fertilizada com a meditação e pela ponderação e pela prática, até que num momento de quietude e silêncio, a semente possa se abrir, enraizar-se, e começar a frutificar.

O que nós lemos, então, não pode se tornar estéril. Há sempre a esperança de que o próximo parágrafo possa conter "a pérola de alto preço" para nós. O próximo parágrafo, ou um que venhamos a ler amanhã, pode ser a "pérola" para o nosso vizinho ou outra pessoa qualquer. Não existe nada que seja uma única "pérola". A vida espiritual é um colar que passaria em volta de todo o globo - tantas são as suas pérolas. Cada declaração da verdade é uma pérola. Cada princípio é uma pérola, cada experiência, quase que cada meditação, é uma pérola, basta que busquemos por ela profundamente dentro de nossas consciências.

Cada grão da verdade deveria ser usado como uma trilha ou uma ponte que nos leva a um despertar profundo, deixando que mais e mais verdade apareça na medida em que viajamos mais alto e para mais longe. Se não estivermos alertas, entretanto, e não mantivermos os ouvidos e a mente abertos, bastante abertos para ver o que vem adiante, seria o mesmo que tentar cruzar o oceano num barco enquanto adormecidos sobre o leme.

Literatura espiritual e princípios espirituais são certamente trilhas ou pontes sobre os quais vocês e eu podemos viajar, mas para onde nos levam essas trilhas ou pontes? Sempre para a nossa consciência! Esse é o único lugar para o qual um ensinamento verdadeiramente espiritual pode nos levar - à nossa própria consciência.

"Deus não respeita as pessoas", e o que quer que seja possível para um, é possível para todos, mas apenas para aqueles que buscam. Busquem e encontrem; busquem e encontrem; mas busquem no interior de suas consciências. Suas consciências e minha consciência são tão infinitas quanto a consciência de qualquer vidente espiritual, e qualquer que tenha sido o grau de desdobramento que qualquer alma iluminada tenha tido, nós podemos ter em igual grau de profundidade. Nós podemos não expressar essa Infinitude em sua totalidade, mas, mesmo assim essa é a verdade a nosso respeito.

Entretanto, independentemente do quanto a verdade se revela a nós, ou de quantas experiências de natureza espiritual nós venhamos a ter, assim que elas tenham servido ao seu propósito, nós deixamos que deslizem para fora de nossa memória e ansiamos pela próxima, porque a próxima será maior. Se escrevermos uma centena de livros sobre a verdade, ou curarmos umas mil pessoas, nunca devemos acreditar que chegamos ao fim de nossa consciência, porque nossa consciência tem uma profundidade além daquela do oceano, e uma circunferência maior do que todo o nosso universo e de todos os universos ainda desconhecidos e não descobertos. Não há limite para a profundidade de nosso ser e para a riqueza de nossa consciência, mas nós devemos mergulhar fundo em nós mesmos para trazer à tona a revelação da natureza de Deus, e eventualmente a natureza de nosso próprio ser. Aí, então, nós descobriremos que Deus é, na verdade, nosso próprio ser e nossa própria vida.

Buscar, encontrar e experienciar esse brilho interior, essa realização interior da presença, essa comunicação interior com Deus, e então realizar que a cada vez que se repete, isso se torna uma experiência mais profunda e rica, uma experiência mais proveitosa, de modo que não pode nunca ter nada nela de final, aborrecida, monótona ou maçante - aqui reside a real aventura da vida espiritual.

Deus é infinito; a verdade é infinita. Cabe a nós nos elevarmos para dentro dessa Infinitude, explorar novas avenidas da verdade, abrirmos novas áreas de nossa consciência, porque toda essa verdade é nossa consciência, nossa própria consciência! Em um nível de consciência nós podemos colocar em evidência a literatura, arte, invenções ou descobertas. Num nível mais profundo de consciência nós podemos colocar em evidência experiências espirituais até - e incluindo - a última, que é conhecida como casamento, ou união com Deus. Tudo depende do que estamos buscando.

E o que é que estamos buscando? É apenas uma cura de alguma natureza? É apenas mais conforto no mundo humano? É apenas um relacionamento mais feliz, ou um pouco mais de dinheiro? É direito gozar de saúde; é direito ter abundância de suprimento; é direito ter relacionamentos humanos satisfatórios. E todas essas coisas inevitavelmente se seguem, mas se elas sozinhas são o objetivo de nossa busca, nós estamos desvalorizando a verdade. O objetivo em si mesmo é descobrir a essência da sabedoria espiritual, é explorar cada canto do reino espiritual, cada nível de profundidade, cada nível de altitude. Nisso reside a aventura espiritual.

Quem sabe que grande verdade será revelada para nós? Quem sabe que coisas maravilhosas estarão na nossa frente daqui a uma hora? Quem sabe que revelações surpreendentes da verdade podem nos chegar? É maravilhoso quando elas chegam, é maravilhoso quando elas acontecem, mas elas não podem vir se nós permitimos que alguma mensagem particular se cristalize em nós, ou se formos para a cama esta noite pensando que conhecemos a verdade, ou acordarmos amanhã de manhã acreditando ter atingido o máximo da sabedoria espiritual. Cada dia da semana deve ser um dia novo. Com cada dia deve vir sempre um anseio interior, não a lembrança de alguma coisa que foi revelada no dia anterior, mas um reconhecimento de nosso vazio e um apelo: "Pai, Pai! Venha, venha, revela Tua mensagem! Dá-me uma visão hoje; deixa-me conhecer-Te da forma correta; deixa-me penetrar profundamente em Tua consciência".

Existem maiores verdades encobertas em nossa consciência do que qualquer daquelas que já foram reveladas. Assim como a verdade se revelou através de um humilde sapateiro como Jacob Boehme, assim também uma verdade que abale o mundo pode ser revelada através de vocês ou de mim, e se isso não acontecer, pode ser que nós não a tenhamos desejado tão ardentemente quanto o fizeram os grandes místicos do mundo, ou porque nosso interesse tenha estado mais na superfície da vida do que em suas profundezas.

Por vezes, estudantes que tenham estado estudando por apenas um ano, me escrevem sobre sua insatisfação, desapontamento, e mesmo desencorajamento a respeito de sua falta de revelações e progresso. Frequentemente minha resposta é "Em apenas um ano. apenas um ano? Existem outros tantos milhares de milhões de anos à sua frente, e ninguém nunca vai alcançar a transição daquele 'homem cuja respiração está em suas narinas' para aquele 'homem que tem seu ser no Cristo meramente por estudar ou meditar por um ano'." Se o Reino de Deus fosse tão facilmente alcançável, todos o alcançariam. Mas quão poucos já o fizeram! Não se enganem, este é o mais difícil dos caminhos; esta é a vida mais difícil que há. É muito mais fácil para uma pessoa se tornar um Croesus, com uma saúde fabulosa, ou atingir grande fama, do que ter sucesso em alcançar a vida espiritual. É muito mais fácil realizar alguma coisa no mundo humano do que no espiritual, porque no mundo espiritual vocês e eu somos chamados a "morrer" antes que possamos alcançar o que estamos buscando.

A vida espiritual não se ganha deixando de fumar, ou de beber ou de comer carne, ou por estudar por uns poucos anos, ou por ir à igreja ou ter aulas. Ah, se fosse tão fácil! O Reino é alcançado por um processo de "morrer diariamente". Todos os dias da semana, como parte de nosso envolvimento na vida do Espírito, nós devemos vigiar se algum vestígio de humanidade nos deixa ou é deixado de fora. Cada problema deve ser visto como uma oportunidade para elevarmo-nos, qualquer que seja a situação, e se isso soa muito difícil, é melhor nem começar. Mas, se existe um impulso em nós, que nos compele a prosseguir, então devemos ser pacientes e persistir até que o consigamos. Essa conquista é possível a todo aquele que parte nessa aventura espiritual, e é possível sem preço - exceto o grande preço. Há um preço: "Vendam tudo o que possuem." Este é o preço, e é pago na moeda de nossa devoção. Este é o preço que o Mestre demandou de seus seguidores quando lhes disse, "Aquele que ama pai e mãe mais do que a mim não é digno de mim... Vendam tudo o que possuem... Sigam-me e eu os farei pescadores de homens." Disso podemos apreender o quão difícil é essa conquista espiritual, e porque nosso progresso é tão lento, e não vamos reclamar. Nós vamos estar satisfeitos, realizando que se os seguidores de Jesus em seus dias tiveram que dar esses passos, assim teremos nós.

Mas, embora possamos mergulhar fundo nas profundezas até o limite de nossa capacidade e falharmos em atingir o objetivo, a busca ainda assim vale à pena, mesmo se tivermos que passar anos e anos acreditando que não estamos fazendo nenhum progresso. A verdade é que com cada esforço, com cada expedição, com cada busca, com cada meditação, nós estamos nos movendo lentamente e inexoravelmente em direção ao objetivo de toda a vida - a união com Deus.

Problemas e circunstâncias afetam as vidas de diferentes pessoas de diferentes maneiras. Eles podem levantar ou quebrar uma pessoa, ou podem deixá-la no ponto e que a encontraram. Não há nada de trágico em se estar quebrado, ou ser um fracasso, não mesmo. Uma pessoa que fracassa, essa pessoa tentou, normalmente tentou bastante, e há uma satisfação nisso, e há uma esperança nisso, porque se a pessoa continua a tentar, ela nunca vai ser derrubada, e muito embora possa estar quebrada, ela se levantará novamente. A tragédia, se existe uma, ou a desgraça, está em querer continuar, dia após dia, a acordar pela manhã e ir para a cama à noite, e estar em nenhum lugar amanhã que ela já não tenha estado ontem.

Pensem nas oportunidades ilimitadas que existem em qualquer grande metrópole, de se adquirir conhecimento e apreciação da grande arte, literatura, música, religião e ciências naturais do mundo, e então pensem nas milhares de pessoas sem objetivo andando pelas ruas dessas cidades sem nem sequer se darem conta dessas oportunidades, mais frequentemente do que não, nem mesmo se incomodando com isso. Isso é uma tragédia!

Não é a mesma coisa, ainda um pouco mais, com qualquer mensagem ou ensinamento verdadeiramente espiritual? Não existem pessoas no mundo que estão expostas de tempos em tempos, de alguma maneira à verdade, e ainda assim não lhe dão importância? Isso é triste, porque encontrar uma mensagem espiritual poderia e deveria ser o começo de uma vida de aventuras. É verdade que nem sempre acontece desta maneira. Ela poderia nos deixar no mesmo lugar onde nos encontrou. Isso não pode nos quebrar - isso ela não poderia nunca fazer - mas pode elevar-nos, e poderia abrir a vida à alegria e entusiasmo espirituais, e a buscar e encontrar. Isso deveria nos estimular a girar e girar e começar tudo de novo para ver quão longe podemos ir nesse Caminho.

Não existe um Deus lá fora no espaço. O Deus que existe está escondido dentro de nós, esperando que cada um de nós o descubra por si mesmo. Nós não temos que ir a nenhum lugar no tempo e no espaço. A jornada espiritual, a maior das aventuras, não acontece no tempo e no espaço. É uma jornada na consciência - e essa jornada ninguém pode fazer por nós.