"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

segunda-feira, setembro 14, 2015

A prisão chamada "mente"

 .
Por que há essa falsa identificação (com a mente)? Por causa de uma falha de inteligência, você está tendo a identificação errada que leva a uma sensação de separação. O sentimento de separação é a causa de todos os problemas dentro de ti, tudo é causado pelo sentido de separação que há em você.

Todos os problemas com a família são causados por causa deste sentimento de separação. Todos os problemas do seu país são causados por causa deste sentimento de separação. Todos os problemas surgem no mundo por causa deste sentimento de separação. Se você remover a sensação de separação, então não há problemas no indivíduo, não há problemas na família, não há problemas no país, não há problemas no mundo. Essa é a causa, a raiz de todos os problemas. Assim, para ser livre é preciso ocorrer uma revolução em si mesmo. A única solução para todos os nossos problemas é, em última instância, despertar, pois aí perdemos esse sentimento de separação. Esse é o problema real.

Então você vai se concentrar no fato de que seus pensamentos não são seus pensamentos, sua mente não é sua mente, seu corpo não é seu corpo. Você mesmo é apenas um conceito. Todas as coisas estão acontecendo automaticamente. Elas acontecem automaticamente. O pensar acontece automaticamente. Não é você que está pensando. Não há corpo ali. Não! Simplesmente o pensamento acontece, isso é tudo. Você não tem nada a ver com isso. O pensamento simplesmente acontece. É função do cérebro.

Quando você se torna desperto você vê que o pensamento está apenas acontecendo. Não há pensador. Suponha que você desenhe um círculo, o centro vem automaticamente. O pensamento está acontecendo. Está criando automaticamente uma ilusão de pensador. Não há pensador. Só o pensamento está acontecendo. É tudo automático. 

Ao fazer um discurso... você acha que você está falando. Não! O discurso está acontecendo automaticamente. A ação acontece automaticamente. Assim, todas as coisas estão acontecendo automaticamente. Então é nisso que você tem que se concentrar, em que todas as coisas estão acontecendo automaticamente.

É somente sua a ilusão de que existe um controlador, de que há um pensador. Há um controlador que está controlando todas as ações, que não é um pensador. Não é assim. Está tudo acontecendo automaticamente. Então você vai tentar entender isso intelectualmente.

Você vai refletir sobre isso e você vai meditar sobre isso. Esta é a programação. Isso vai entrar na sua mente. E vai ficar lá como uma compreensão ou como um insight. E então, quando vamos para o processo, em seguida, nós ativamos a Kundalini e nós fazemos os chakras girarem mais rápido. Todos esses ensinamentos se integram e se tornam reais. Quando isso acontece, você vai ser empurrado para fora de sua mente. Você vai ser retirado de sua mente. A mente será desengatada de você, e você vai estar assistindo a sua própria mente, e a mente vai estar funcionando automaticamente.

Neste momento você está vivendo dentro da mente. Todos vocês estão lá. Você está somente existindo, você não está vivendo, porque você está vivendo a vida da mente. Você está na prisão, a prisão chamada mente. Vocês estão todos presos dentro da prisão chamada mente.

E você nem sabe que está em uma prisão porque você é muito inteligente, você é muito bem organizado, todos os equipamentos estão dentro da prisão. Ela é tão bem organizada que nem sequer se sente mal de estar na prisão, a não ser de vez em quando. Todos os equipamentos estão organizados. O que são estes equipamentos? Seu apego a sua esposa, marido ou filhos. O seu apego ao dinheiro, o seu apego à propriedade, o seu apego ao nome e fama, o seu apego à excitação, mais isso e aquilo. Estes são os equipamentos da mente. Tudo isso foi arranjado, é bom. Você deve ser organizado, isso também irá ajudá-lo. Mas, isso é apenas para sua sobrevivência.

Por isso digo que você não está vivendo, você está meramente existindo. Você pode começar a viver, uma vez que você consiga sair da prisão. Agora, esta prisão está trancada por dentro e por fora. O bloqueio que há dentro de você deve ser rompido. Como você vai abrir? Você deve perceber que você está vivendo em uma prisão. Quando você perceber que você está vivendo em uma prisão, você irá gostar de sair dela. Então você vai abrir a fechadura por dentro. O bloqueio do lado de fora você não pode abrir.

A Deeksha vai explodir abrindo a fechadura exterior e, em seguida, você vai sair da prisão. Quando você sair da prisão você vai ver que sua mente está lá, intacta. Todo seu conhecimento está lá, intacto, mas você está fora dela. Ela vai trabalhar automaticamente, e ela vai continuar sendo uma ferramenta muito efetiva em sua vida. O problema é quando você se envolve. Quando você simplesmente tornar-se uma testemunha consciente, a mente estará automaticamente em funcionamento.



sábado, setembro 12, 2015

Alegria é o seu estado natural

- Sri Bhagavan - 


QUESTÃO: Às vezes há poucas coisas acontecendo na vida. Tédio faz com que a alegria passe longe. Como posso manter a alegria?

Sri Bhagavan: A alegria é a sua verdadeira natureza. O que você está falando é sobre prazer. Prazer e alegria são muito diferentes. Alegria não precisa de nada. A alegria é totalmente incondicional. Qualquer coisa lhe dá alegria.

Por exemplo, quando eu fico só em um quarto, e não vou a lugar nenhum, exceto quando eu venho para atender os ocidentais que vêm aqui, para dar uma palestra para eles. Eu apenas vivo em um quarto simples e há um gramado em frente à ele. Quando eu olho para o corvo, me dá grande alegria. Quando o corvo gralha, ele me dá alegria. Se algum cão está latindo, isto me dá alegria. Quando eu vejo um movimento de uma formiga, me dá alegria. Ou uma folha que balança, ela me dá alegria.

Você não precisa de nada para lhe dar alegria. Alegria é seu estado natural; tudo e qualquer coisa pode lhe dar alegria. Mas para que isso aconteça você tem que se desidentificar com a mente, com o corpo e com seus pensamentos. Em seguida, a cada momento haverá alegria.

Você não tem que estar envolvido em qualquer atividade para escapar de seu tédio, pois sua verdadeira natureza é alegria, mas você não é capaz de experienciá-la. E isso é porque você se identifica o tempo todo com sua mente e seus pensamentos. Se você puder se desidentificar haverá apenas alegria.

Você não tem que ir ao cinema, ou para alguma salão de dança, ou para alguma festa, isso é prazer. É claro, que você pode muito bem ter tudo isso, não há problema com isso, mas a alegria não precisa de nada. Essa é a sua natureza.

Qualquer coisa simples lhe trará alegria. Basta olhar para algum ser humano que isso lhe dará alegria. Um pássaro lhe dá alegria, duas pessoas que lutam também podem lhe trazer alegria. Observe como eles lutam lindamente.

Então, tudo... a percepção muda. Há somente alegria o tempo todo. Você não tem que depender de qualquer coisa para conseguir alegria. Se depender de alguma coisa, isto é prazer, que não é alegria. Isto é realizável. Eu não estou falando de algo que não é alcançável. Eu não iria falar sobre essas coisas. Isso é possível e muitas pessoas estão neste estado bonito."


quarta-feira, setembro 09, 2015

UNIDADE - CIÊNCIA - ESPIRITUALIDADE

- Oneness -
- Sri Bhagavan - 


É possível que o método de meditação de Albert Einstein, que ele chamou de seus "Experimentos Mentais", seja uma conexão com os seus "Registros Akáshicos”? Poderiam os “Registros Akáshicos” terem sido fonte de inspiração por trás do mundo do gênio? Se sim, como poderia tal plano metafísico de conhecimento existir? A resposta pode ser encontrada em uma das muitas teorias de Albert Einstein.

Em 1935, Albert Einstein publicou um artigo sobre "Emaranhamento Quântico". Ele teoriza que uma partícula dividida em duas partes, ambas, continuam interligadas uma a outra, mesmo quando separadas por vastas distâncias. O experimento mostra que duas partículas separadas no espaço e tempo demonstram uma "Conectividade". Se você alterar a rotação de uma partícula, a outra partícula irá também mudar sua rotação. Então, é uma forma de comunicação instantânea, é o que Einstein se refere como "Comunicação a distância assustadora". O que temos que lembrar é que somos feitos de "POEIRA ESTELAR". Todo nosso corpo é composto de material que está aqui desde antes do início dos tempos, e estas partículas que consistem de cada uma, e toda a partícula, contém o conhecimento do Universo. Não é só real, mas pode nos explicar muita “estranheza” neste mundo. Que nós continuamos sem entender e chamamos de “paranormal". 

(Oneness University, Índia)




Sri Bhagavan: A raiz de todo sofrimento é o senso de separação da existência.

Temos uma consciência divisiva que percebe as coisas como o "Eu" e "Não Eu". O “Meu” e o “Não Meu”. Como "Meu Povo" e " O Seu", como "Minha Nação" e "A Sua". Dividindo todas as coisas, nos sentimos ameaçados pelo outro.

O medo, por sua vez, traz guerra, conflitos e outras formas de violência Estamos, então, atrás de redenção? Devemos continuar sendo um bando de filósofos pessimistas? Ou espectadores apáticos lamentando nossa destruição coletiva? Não necessariamente.

Nós, como raça humana, estamos à beira de uma transição colossal, de uma Separação para uma Unidade. Nós devemos Despertar das Trevas à Luz, da Inverdade para a Verdade. Nós percebemos a Unidade de todas as coisas vivas. Embora cada um de nós possa viver diferentes vidas, localizados distantes uns dos outros em tempo e espaço. Emocionalmente e Espiritualmente somos “UM”.

Há apenas UM corpo. O que acontece para os animais, nos mares, acontece para nós, homens e mulheres. O que acontece nas florestas, acontece para nós em nossos corpos, visto que nossos corpos e árvores são feitos da mesma terra. Não são os nossos corpos de pó em movimento dotados de inteligência? Um esforço consciente junto a cura da terra se manifestará como cura final em nossos próprios corpos.

Existe apenas uma Mente. Esta é a Mente que fluiu através dos nossos antepassados, nós por sua vez continuaremos a viver através das nossas crianças e seus descendentes. O tormento coletivo do medo sofrido por nossos próprios irmãos em uma parte do mundo, se manifestará como pesadelo para alguém que esteja dormindo ou acordado em algum lugar do mundo. Os nossos prazeres e dores estão interminavelmente interligados. Nós somos “UM” e não podemos continuar a viver mais em uma ilusão de Separação.

Há apenas UMA Consciência. Nós vivemos em um Universo Holográfico. Cada Despertar Individual para a Unidade está afetando automaticamente algumas milhares de pessoas, empurrando-as para o único caminho alternativo de experienciar a realidade. A nossa experiência de realidade tem mudado e nós continuaremos a descobrir novas maneiras de viver e amar. Nós devemos criar um Planeta melhor no presente e no futuro. Este é o nosso destino compartilhado.

O despontar dessa nova civilização, a qual podemos chamar de “Uma Era de Unidade” é o único fato explosivo de nossa vida. Temos um destino para criar um estado de consciência que é ”Unidade com TUDO o que é”.

Como consequência desse estado interior do homem, mudanças ocorrerão no mundo externo que traria o que chamaríamos de “A Era Dourada”. A Era da Unidade e a Era Dourada são complementares uma e outra. A Era da Unidade representa o que vai acontecer INTERNAMENTE e a Era Dourada o que vai acontecer EXTERNAMENTE. O advento da Era Dourada verá um mundo onde não existem fronteiras nacionais, onde toda a humanidade se torna UMA FAMÍLIA. As pessoas não sofrerão de um senso de QUERER. Não haverá prosperidade de um país ou de outro, mas do Globo Inteiro. Isto irá acontecer em breve.

A Era Dourada é para TODA HUMANIDADE. Não é Capitalismo, não é Comunismo, Socialismo ou Humanismo Radical. O que vamos ver é um mundo totalmente diferente, onde não há Competição, mas apenas Cooperação. Será uma HUMANIDADE e cada um de nós, lembremo-nos, tem um papel na criação deste destino para o Homem que somos nós mesmos.


PERGUNTA: "Bhagavan, você poderia, por favor, nos esclarecer o sentido da palavra "ONENESS (UNIDADE)"?

Sri Bhagavan: Existem vários níveis de Unidade.

Vamos primeiro olhar para Unidade dentro de si mesmo.

Agora, você não é individual. Você está dividido por dentro. Você é uma multidão por dentro. Você, que é filho ou filha de fulano de tal, o pai, o marido ou o amigo de fulano de tal. Você que é o empregador ou a entidade patronal de fulano de tal. Há tantos seres que estão dentro falando todo o tempo. Então, novamente, há o seu consciente e o seu inconsciente. O ser autêntico e o ser inautêntico, todos dialogando ao mesmo tempo. VOCÊ É ESSE DIÁLOGO. Quando o diálogo é encerrado você se torna Um internamente. Sozinho significando TODOS EM UM. Não há mais divisão.

No próximo nível, você irá encontrar Unidade com seus companheiros, os seres humanos.

No terceiro nível você vai descobrir que você é Um com a terra, a árvore, a água e o céu. Você é Um com a Natureza.

Você descobre que Você e o Universo são Um.

Automaticamente, você descobre que você e Deus são Um.

Você descobre que Você é Deus.

Tenho a intenção de levar você passo-a-passo para a UNIDADE DEFINITIVA.


segunda-feira, setembro 07, 2015

Meditação

- Núcleo -


“Há um mundo bem mais elevado do que o palco da evolução do homem carnal e, se é nele que você adquire verdadeira liberdade, força e independência, deveria sentir maior interesse em se dedicar à descoberta desse mundo, do que se dedicar a um empreendimento desta vida, seja ele qual for.”  [“Caminho que transcende a vida e a morte”, página 90 – Masaharu Taniguchi ]

Masaharu Taniguchi diz que “Cristo denominou esse mundo elevado, onde se obtém a liberdade, força e independência, de Reino do Céu ou Reino de Deus”. Mas ele o chama de mundo da Imagem Verdadeira. E diz: “O mundo da Imagem Verdadeira criado por Deus é perfeito e harmonioso, não existindo qualquer mal. Esse mundo existe aqui, neste momento, mas os cinco sentidos carnais não conseguem percebê-lo. Somente a pessoa que desperta aquilo que poderíamos chamar de percepção da Imagem Verdadeira é que consegue ver mentalmente esse mundo perfeito.” [“Imagem Verdadeira e Fenômeno”, página 53 – SNI ]

No Núcleo essa “percepção da Imagem Verdadeira” é chamada de “percepção consciencial”, por ser a percepção da Consciência do Ser que nós somos.

Essa percepção não requer esforço, mas sim, mudança de referencial. O que ocorre é que você pensa que sua realidade é de alguém que vai praticar meditação para ascender ao mundo da Imagem Verdadeira. Quando, em verdade, você é Quem Vive no mundo da Imagem Verdadeira em permanente meditação e que, meditando, imagina a realidade de alguém que veio praticar meditação... 

Assim, pode ser dito que a meditação é um encontro de você com você mesmo, mas que te proporciona perceber Quem você É!

Quando você pensa, você se vê, ou seja, você se percebe como quem pensa…, como um personagem num cenário humano…

Quando você medita, você se vê, ou seja, você se percebe como Quem medita…, como o Ser Real, na própria realidade divina!

O pensamento aciona a percepção da “mente do personagem” e gera o cenário humano.
A meditação ativa a percepção da “Consciência do Ser” e desvela a Imagem Verdadeira.

Portanto, se quer perceber este “mundo bem mais elevado do que o palco da evolução do homem carnal”, despertar aquilo que poderíamos chamar de “percepção da Imagem Verdadeira”, e adquirir verdadeira liberdade, força e independência, você deve sentir maior interesse em se dedicar à meditação!


quinta-feira, setembro 03, 2015

"Eu e o Pai somos Om"


- Núcleo - 


Divinos personagens,

Jesus disse: “Eu e o Pai somos Um”.

Jesus compartilhou uma percepção divina, uma percepção consciencial.

Uma percepção consciencial é impessoal e é válida tanto para quem a tem quanto para quem a percebe!

Saibam identificar o “mestre” que aparece no mundo externo como sendo a própria percepção do Mestre em vocês que percebe “o mestre que aparece”.

Assim, “o mestre que aparece” no cenário visível pela mente compartilhando suas percepções é o Mestre que está sendo percebido por nós!

Atentem que é a percepção que está em nós que percebe o mestre! Essa percepção não é de quem estamos sendo, mas sim, de Quem somos!

Ou seja, essa percepção não é da mente do personagem que estamos sendo, mas sim, é a percepção da Consciência do Ser Real que já somos.

Essa é a chamada “percepção consciencial” revelada pelo ensinamento compartilhado no Núcleo. Ela está em nós por sermos Um com o Ser Real da qual emerge.

Quando Simão, respondendo À pergunta de Jesus, disse: “Tu és o Filho de Deus vivo”, essa percepção não foi da “mente de Simão”, mas sim, da “Consciência do Ser divino” que percebeu ser Jesus o “Filho de Deus”!

Por isso disse Jesus: “Simão, isso quem te revelou não foi carne e sangue, mas meu Pai, que está no céu.”

Em outras palavras: “Isso quem te revelou não foi carne e sangue [ou seja, não foi aquilo que está na “representação”, não foi a “carne e o sangue”, não foi a “mente”]; mas foi “meu Pai” [foi a Consciência do Pai], que está no céu [ou seja: foi a Consciência do Ser, que está na Realidade divina do próprio Ser; ou seja, que “está no céu”]

E Jesus completou dizendo que: sobre esta pedra [ou seja, sobre esta “percepção pétrea”, que é a percepção firmada na “pedra indestrutível”, que é “a Verdade”, que é a Vida interior do homem] edificarei a minha eclesia [edificar a eclesia significa edificar a comunidade dos que seguem esta “percepção pétrea”, fundada na Verdade].

Assim, ao declarar “Eu e o Pai somos Um”, Jesus compartilhou a percepção de que: O “eu” do Filho do Homem e o “eu” do Filho de Deus [personagem divino que ele é], e o “Pai”, que é o “Eu” do Ser, são Um, ou seja, são o mesmo Ser; são a mesma essência.



Por isso o Evangelho de João tem as seguintes revelações, que são percepções conscienciais compartilhadas, e está escrito:

“No Princípio era o Verbo.
E o Verbo estava com Deus;
O Verbo era Deus;
E o Verbo se fez carne.”

Pra facilitar a compreensão e a visualização destas revelações divinas contidas no evangelho de João, no “esquema visual” do ensinamento compartilhado no Núcleo o “Circulo sem imagens” corresponde ao “Princípio”, no qual “era o Verbo”. Nele o “Verbo divino” [que corresponde à Palavra sânscrita OM] está presente como “Nome”; está presente mas sem forma, ou seja, está presente mas sem imagem; está presente apenas como Essência, como Substância.

Na segunda figura do “esquema visual” aparece uma Imagem do Verbo, ou seja, uma Imagem do OM, como a imagem do Buda Eterno ou Cristo Eterno.

Sendo o “Verbo” a essência ou substância do Ser, tanto o “eu” do personagem Jesus, a quem ele se refere como Filho do Homem, quanto o “Eu” do Ser Real que Ele É, a quem ele se refere como Pai, são Um, porque são a mesma essência ou substância, quer seja referida apenas como Nome, ou seja, sem imagem (Figura 1), ou como forma, que então “aparece” ou é representada como uma imagem do Buda Eterno ou Cristo Eterno (Figura 2) ou como a imagem fenomênica de Jesus (Figura 3), que é o “Filho do Homem”.

O que deve ser notado é que a percepção consciencial compartilhada por Jesus é válida tanto pra ele quanto pra cada um de nós, de forma impesssoal e atemporal…

Mas, por ser uma percepção “consciencial” não é a percepção da mente do personagem que estamos sendo, mas sim, é a percepção da Consciência do Ser que somos!

Podemos identificar esta percepção atuando em nós quando percebemos a divindade, o “Mestre”, “aparecendo como” algum personagem no cenário da representação!

Assim, se reconhecemos alguém como sendo a personificação de Deus, do Mestre, seja ele Jesus, Buda, Masaharu Taniguchi, ou qualquer outro “divino personagem”, esta percepção é a percepção do Mestre que está emergindo em nós! É a percepção da Consciência que está emergindo em nós. E ela se expande ao ponto de nos fazer incluir a todos neste “re-conhecimento” divino de Quem todos são e de Quem nós mesmos Somos!

Esta é a essência da revelação, do ensinamento divino ou percepção consciencial, que diz: “Amai a Deus sobre todas as coisas e amai ao próximo como a ti mesmo.”

O “AMOR” não é um “SENTIMENTO” do personagem que estamos sendo; é uma PERCEPÇÃO do Ser que somos…

Em certo sentido podemos dizer que o Amor é a lente com que Deus percebe! Em verdade o Amor é mais que a percepção que Deus tem pois é o que Ele mesmo É.

Deus é Amor e Amor é Deus.

O Verbo de Deus é o próprio Deus em Ação…

E amar é o Verbo que revela a ação de Deus!

Se quer PERCEBER como Deus percebe, AME…

Sendo OM o Verbo divino, a ação de Jesus revelou que ele atuou como o próprio Verbo divino.

Aquele que ama, ou seja, que age como o próprio Verbo divino, percebe que: Eu e o Pai somos Um;

Aquele que ama, ou seja, que age como o próprio Verbo divino, percebe que: Eu e o Pai somos OM!

Namaste.


terça-feira, setembro 01, 2015

"Iluminação" e a "Natureza de Maya"


- Núcleo - 


Escute ArjunaEntre Mim e este Universo move-se mayadenominada ilusão. Deveras, é difícil, uma árdua tarefa o homem alcançar ver além de maya, porque maya também é Minha. É da mesma substância. Você não a pode supor separada de Mim. É criação Minha e está sob o Meu controle. Numa fração de segundo revira o mais poderoso dos homens de pernas pro ar! Somente aqueles que são plenamente ligados a Mim podem vencer maya.

Arjuna, não veja em maya, o mínimo que seja, algo repulsivo que tenha descido de qualquer parte. Ela é um atributo da mentefazendo esta ignorar a Verdade e o Eterno ParamatmaMaya conduz ao erro de acreditar que o corpo é o Ser. Não é algo que era e depois desaparecerá; nem é alguma coisa que não era, vem a ser, e ainda é. Maya nunca foi; não é; e nunca será. É um nome para um fenômeno inexistente. Mas esta coisa não existente vem de dentro da própria visão!  É igual à miragem no deserto, um lençol d’água que nunca houve nem há. Quem conhece a Verdade não vê miragem. Somente os desavisados quanto ao deserto são por ela atraídos. Correm para ela e sofrem aflição, exaustão e desespero. Como a sombra crescendo dentro do quarto, a esconder o próprio quarto; como a catarata a crescer no olho suprime a visão, maya apega-se àquele que a ajuda a crescer. 

Arjuna, você pode perguntar se maya, que penetra e prejudica o próprio lugar que lhe dá origem, não Me tem maculado, pois em Mim tomou nascimento. Tal dúvida é natural. Mas é sem base. Maya é a causa de todo esse universo, mas não é a causa de DeusSou Eu a autoridade que a dirige. Este universoque é produto de maya, move-se e se comporta de acordo com a Minha Vontade. Assim, a pessoa que estiver ligada a Mim e se conduza de acordo com a Minha Vontade não pode ser prejudicada por maya; maya reconhece autoridade nela também. O único método para vencer maya é adquirir jnana (sabedoria) do Universale redescobrir sua própria natureza Universal. Você atribui limite à existência daquilo que é eternopois isto é o que produz maya. Fome e sede são características da existênciaAlegria e tristeza, impulso e imaginação, nascimento e morte são tidos características do corpoNão são características do Universal, do Atma.


Acreditar que o Universalque é você mesmo, está limitado e sujeito a todas essas características não-átmicas – isto é maya. Mas lembre-semaya não ousa aproximar-se de quem tenha Me tomado por refúgio. Para aqueles que fixam a atenção em mayaela opera como um obstáculo de vastidão oceânica. Mas aos que fixam sua atenção em Deusela se apresentará como Krishna! A barreira de maya pode ser superada, seja por desenvolver a atitude de unidade com Deus Infinitoseja pela atitude de completa submissão ao Senhor. 
(Sathya Sai Baba - Gita Vahini)


Divinos personagens,

“Iluminação” é estar consciente de que Deus é o único Ser Real e, da real identidade!

Assim, o “iluminado” está consciente de Quem Deus É, e de Quem (tudo e todos os seres) Somos…

Aquele que está consciente de que não há outro Ser Real senão o próprio Ser, quem pode e sabe ser senão o próprio Ser?

Um ator não deixa de ser “ator” quando está representando. É “atuando” que ele se expressa e que se realiza!

Deus é o ator divino, e por ser divino atua tanto representando o papel de “personagens” quanto o papel de “cenário” e dos “objetos do cenário”!

Assim, o “Ator divino” quando está atuando está presente em toda a Sua “encenação divina”.

Está consciente tanto quando a “vê” como “encenação” quanto quando a “vê” como real…

Quando a “vê” como “encenação” está atuando como um personagem desperto, iluminado;

Quando a “vê” como real… está atuando como um personagem indesperto, não iluminado.

Em ambos os casos trata-se do próprio Ser Real consciente de que é “o ator” representando!

Portanto o Ser Real é a real identidade de todos os personagens e também de todo o cenário!

Na linguagem védica essa “representação divina” é chamada de “Maya”.

Maya surge do Ser e é o próprio Ser Quem está presente em toda ela, tanto como personagens quanto cenário!

O que se segue é uma passagem do livro Gita Vahini (A Interpretação do Bhagavad Gita por Sathya Sai Baba), comentado conforme a linguagem exposta pelo Núcleo.

Os comentários estão entre colchetes, assim: […]

Escreve Sai Baba:

Escute Arjuna [personagem]! Entre Mim [o Ser Real; o Ator] e este Universo move-se maya [a representação divina], denominada ilusão. Deveras, é difícil, uma árdua tarefa o homem [o personagem] alcançar ver além de maya, porque maya também é Minha. É da mesma substância. Você não a pode supor separada de Mim. É criação Minha e está sob o Meu controle. [Notem que Krishna é Quem está falando com Arjuna e que ele é consciente de que é tanto o aspecto criador do Universo Real, Brahma, quanto é consciente de que Ele é Quem cria a “representação”, “maya”. Um adendo: em termos da simbologia védica há um Deus universal chamado de Brahman. Brahman revela ter três aspectos: O aspecto criador de Brahman é chamado de Brahma; o aspecto preservador de Brahman é chamado de Vishnu; e o aspecto transformador é Shiva. Krishna manifesta ora um ora outro desses aspectos, sendo por esse motivo considerado por uns como um “avatar” de Shiva e por outros um “avatar” de Vishnu. Literalmente a palavra “avatar” significa “descida”; a “descida de Deus”, do céu, para Se manifestar no Universo! Portanto, Krishna é a própria divindade manifesta! Ele é o Ser Real, consciente de Quem É! Por ser Quem É, Krishna conhece sua real identidade e a real identidade de todos os seres, e conhece também a natureza tanto do Universo Real quanto da representação divina, maya. É o que Krishna está revelando a Arjuna neste diálogo divino. Daí a importância do texto!]

Krishna diz:

“Numa fração de segundo revira o mais poderoso dos homens [personagens] de pernas pro ar! Somente aqueles que são plenamente ligados a Mim [o Ser Real] podem vencer maya [vencer maya não significa se debater contra maya com a finalidade de vencê-la, mas sim, significa vê-la com uma visão que a transcende, que percebe sua natureza de representação divina, ou seja, aquilo que parece ser real, mas que em realidade não é!]. Arjuna, não veja em maya, o mínimo que seja, algo repulsivo que tenha descido de qualquer parte. Ela é um atributo da mente [Que revelação divina! Notem que é a visão da “mente do personagem” que vê maya como sendo algo real], fazendo esta ignorar a Verdade e o Eterno Paramatma [A Verdade é que só Deus é Real. Há um Universo, criado por Deus, que é Real. Mas maya é apenas uma representação divina]. Maya conduz ao erro de acreditar [acreditar é perceber com a “mente do personagem”, é “ver” mentalmente a representação e tomá-la como real…] que o corpo é o Ser. Não é algo que era e depois desaparecerá; nem é alguma coisa que não era, vem a ser, e ainda é. Maya nunca foi; não é; e nunca será [Maya é uma representação].

É um nome para um fenômeno inexistente. Mas esta coisa não existente vem de dentro da própria visão! [Outra revelação divina digna de nota! Krishna está revelando que é a visão da mente do personagem que vê o que não é real e a projeta como se fosse real, tornando-a real para a própria visão da mente do personagem…] [Em seguida Krishna elucida que…] É igual à miragem no deserto, um lençol d’água que nunca houve nem há. Quem conhece a Verdade não vê miragem. Somente os desavisados quanto ao deserto são por ela atraídos. Correm para ela e sofrem aflição, exaustão e desespero. Como a sombra crescendo dentro do quarto, a esconder o próprio quarto; como a catarata a crescer no olho suprime a visão, maya apega-se àquele que a ajuda a crescer.”

Prossegue Krishna:

“Arjuna, você pode perguntar se maya, que penetra e prejudica o próprio lugar que lhe dá origem, não Me tem maculado, pois em Mim tomou nascimento. Tal dúvida é natural. Mas é sem base. Maya é a causa de todo esse universo [universo do personagem; representação], mas não é a causa de Deus [e nem é a causa do Universo Real, que é gerado por Brahman].

Sou Eu a autoridade que a dirige [Krishna é a base que “sustenta” a representação. Isto significa que não seria possível haver representação sem o Ator, sem os personagens e sem o próprio cenário]. [Por isso, acrescenta Krishna que] Este universo [irreal, este universo dos personagens], que é produto de maya, move-se e se comporta de acordo com a Minha Vontade. Assim, a pessoa que estiver ligada a Mim e se conduza de acordo com a Minha Vontade não pode ser prejudicada por maya [“estar ligada em” Krishna é ser unida à visão que Krishna proporciona; é estar percebendo a onipresença da divindade na representação, e ao mesmo tempo estar consciente de que se trata de uma representação e não da Realidade]; maya [por ser da mesma substância de Krishna e não poder se supor separada de Krishna] reconhece autoridade nela também. O único método para vencer maya é adquirir jnana (sabedoria) do Universal [o conhecimento do Ser Real], e redescobrir sua própria natureza Universal. Você [com a visão de um personagem do Ser] atribui limite à existência daquilo que é eterno [o Ser Real], pois isto [a visão mental] é o que produz [o que faz surgir] maya. Fome e sede são características da existência [dos personagens]. Alegria e tristeza, impulso e imaginação, nascimento e morte são tidos características do corpo [do personagem que se percebe num universo dual…]. Não são características do Universal, do Atma [do Ser Real].

Acreditar [perceber com a mente do personagem] que o Universal [que o Ser Real], que é você mesmo, está limitado e sujeito a todas essas características não-átmicas – isto é maya. Mas lembre-se [bela ênfase de Krishna a Arjuna e a todos os divinos personagens]: maya não ousa aproximar-se de quem tenha Me tomado por refúgio. Para aqueles que fixam a atenção em maya [para os que se fixam na percepção da mente que “vê” maya], ela opera como um obstáculo de vastidão oceânica. Mas aos que fixam sua atenção em Deus [para os que se fixam na percepção da Consciência que “vê” a Realidade], ela se apresentará como Krishna! [E completa Krishna dizendo que…] A barreira de maya pode ser superada, seja por desenvolver a atitude de unidade com Deus Infinito [seja por se ver em unidade com Deus], seja pela atitude de completa submissão ao Senhor [seja por seguir as orientações divinas, como contidas nesta esplêndida e muito elucidativa revelação divina de Krishna a Arjuna!].

E para completar, usando a linguagem bíblica…

Disse Jesus:

"Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado. Permanecei em mim [Ser Real] e Eu permanecerei em vós. O ramo [o personagem] não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira [no Ser Real]. Assim também vós não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em Mim. Eu sou a videira [o Ser Real]; vós, os ramos [personagens]. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem Mim nada podeis fazer.

E quanto a tudo o que disse, Jesus revelou:

Já não vos chamo servos [personagens inconscientes], porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos [personagens conscientes], pois [sendo Eu o Ser real que aparece na representação como um personagem consciente] vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai [o Eu Verdadeiro, a Consciência do Ser, a nossa real identidade!]. (João 15:15)

Namastê!

domingo, agosto 30, 2015

Um "personagem" não pode alcançar a iluminação

- Nisargadatta Maharaj -


Um grupo de três pessoas estava visitando Maharaj pela primeira vez. Embora padecendo na cama e extremamente fraco, Maharaj lhes perguntou se tinham alguma pergunta a fazer. Eles conversaram entre si e decidiram fazer apenas uma pergunta: “Maharaj, todos nós fizemos certa Sadhana por algum tempo, mas o progresso não parece adequado. O que devemos fazer?”

Maharaj disse que o propósito de qualquer esforço é obter algo, algum benefício, que não se possui.

- “O que é isto que tentam atingir?”

A resposta foi rápida e positiva: 

- “Nós queremos ser como você – iluminados.”

Maharaj riu e se empertigou na cama. Quando estava mais confortável com dois travesseiros para apoiar suas costas, ele continuou:

“É nisto que a ideia errada está enraizada: em pensar que vocês são entidades que devem alcançar algo para que possam se tornar como a entidade que vocês pensam que eu sou! Este é o pensamento que constitui a ‘escravidão’, a identificação com uma entidade – e nada, absolutamente nada, exceto a desidentificação, causará a ‘liberação’.

Como eu disse, vocês vêem a si mesmos e a mim como entidades [personagens], entidades separadas; eu vejo vocês exatamente como me vejo [o Ator]. Vocês são o que eu sou, mas vocês se identificaram com o que pensam ser – um objeto – e buscam a liberação para este objeto. Não é uma enorme piada? Poderia algum objeto ter existência independente e vontade de agir? Poderia um objeto estar escravizado? E liberado?”

O interlocutor juntou suas mãos em namaskar e, muito respeitosamente, sugeriu que o que Maharaj tinha dito não poderia talvez ser questionado como um ideal teórico, mas que, certamente, disse ele, ainda que as pessoas possam ser entidades fictícias, nada mais que meras aparições na consciência, como viveríamos no mundo a menos que aceitássemos as diferentes entidades como suficientemente ‘reais’ na vida?

Esta discussão pareceu animar extraordinariamente o Maharaj, e a debilidade em sua voz desapareceu gradualmente. 

Ele disse:

“Você vê quão sutil é este assunto? Você respondeu sua própria pergunta, mas a resposta lhe escapou. O que você disse é que você sabe que a entidade como tal é totalmente fictícia e não tem autonomia própria; é apenas um conceito. Mas a entidade fictícia deve viver sua vida normal. Onde está o problema? É muito difícil viver uma vida normal, sabendo que a vida em si é um conceito? Você compreendeu? Uma vez que tenha visto o falso como falso, uma vez que tenha visto a natureza dual do que chama ‘vida’ – que na realidade é viver – o restante será simples; tão simples como um ator desempenhando seu papel com entusiasmo, sabendo que é apenas um papel que ele está desempenhando em uma peça ou um filme, e nada mais. Reconhecer este fato com convicção, apercebendo-se desta posição, é toda a verdade. O resto é mera atuação.”


(Do livro: "Sinais do Absoluto")

FONTE: Editora Advaita - http://editoraadvaita.blogspot.com.br/2013/06/uma-entidade-nao-pode-alcancar.html

sexta-feira, agosto 28, 2015

A experiência da "Iluminação"

- Núcleo -


A questão é: Pode um “personagem” se iluminar?

Pode o “cebolinha” [personagem criado por Maurício de Souza] se tornar consciente de que ele é uma ficção do próprio Maurício de Souza?

Mesmo que o Maurício de Souza escreva um texto no qual o cebolinha adquira esta consciência, ou seja, se “ilumine”, seria esta uma experiência real do cebolinha? O fato é que a “experiência de iluminação”, como toda “experiência”, está no campo da “representação”, na qual estão inseridos os personagens do Ser. Assim, a experiência de iluminação ocorre apenas na “representação”. O que todos os que se “iluminaram” descrevem é que eles se tornaram conscientes de que eles não são “personagens”, e que sua real identidade é a de Quem sempre foram, que é o Ser Real, porque nenhum personagem é real.

Se o “personagem” não é real, não há alguém [real] para se iluminar… e Aquele que é o real iluminado, a real identidade de todos os seres, o Real “Autor” dos personagens criados, não está na representação, mas sim em Sua própria Realidade! Assim, a experiência de iluminação é isso: uma experiência que ocorre apenas no âmbito da própria representação e que, então , altera “a fala” do personagem a respeito de Quem ele É e de Quem todos Somos.

O algo a ser notado aqui é que a “percepção” de Quem Somos não está na “mente do personagem” que estamos sendo, mas sim, está na “Consciência do Ser” que [já] somos. Ou seja, esta percepção está em Quem sempre fomos e sempre seremos; está além da realidade de “quem estamos sendo”, pois, a “realidade de quem estamos sendo” é uma representação divina e não a Realidade.

Apenas em certo sentido é possível que um personagem se ilumine… no sentido de que ele perceba que não é quem está sendo, que é Quem sempre foi, “antes que houvesse mundo…”, ou seja, antes que houvesse a representação. Aqui a palavra “antes” é empregada não no sentido temporal, mas no sentido de “a despeito de haver” ou “independentemente de” haver alguma representação. A percepção é a de que não há um personagem que se ilumina; não há um personagem que percebe Sua real identidade, e que é o próprio Ser Real Quem Se percebe, como sempre Se percebeu. Na representação vai parecer que um personagem teve a “experiência de que se iluminou”!

Porém, nossa real identidade é que somos o Ator, não os personagens! Já somos Quem Somos, somos o Ser Real antes que houvesse mundo [antes que houvesse a representação divina…].

O que a “mente do personagem” pensa sobre isso não altera a realidade! Se pensa que a iluminação é possível ou que não é possível; se pensa que é algo real ou não, isso não altera a realidade de que a “iluminação” é uma “percepção”, não um pensamento. Essa percepção não é do personagem e nem mesmo de um personagem específico. Apenas o Próprio Ser Se percebe, e percebe que não há nenhum “outro”, não há nada além de Si mesmo e de Sua Realidade! E a bem-aventurança dessa percepção divina também só é percebida por Si mesmo!

Mas, enquanto se identificando como sendo um personagem, ninguém deve se desesperar pensando que não terá a experiência de iluminação. Não pense assim, pois, ela é inevitável! É o próprio ato de “pensar” que ativa a percepção da mente do seu personagem e cria a “ilusão de separação”, a visão dual de que existe o personagem e o Ser; você e Deus... Pois só o Ser é real. Enquanto a mente do personagem pensa em termos de “existência” [que significa “ex-sistere”, ou seja, algo que está fora] a Consciência do Ser percebe a “seidade”, no sentido de aquilo que É em si mesmo, ou seja, algo que é o próprio “Ser”, e que É em “Si mesmo”; aquilo que É o que É! Portanto, não pense! Simplesmente perceba! Perceba Quem percebe em você e perceberá que não há um “você”, mas apenas Quem percebe… “Aquieta-te e saiba: Eu Sou Deus!”

Perceba apenas: “Eu Sou Aquilo”
É o que na representação divina… percebo, desfruto e compartilho!

Assim seja!
Assim É…


quarta-feira, agosto 26, 2015

O Tempo e a Eternidade

- Núcleo - 


Quem Eu Sou é o tempo e a Eternidade …
Em outras palavras…
Quem Eu Sou é o tempo (representação divina) e a Eternidade (Realidade Divina)
Não há exceção da divindade…
Há apenas onipresença!

Não há espaço vazio onde parece haver…
Não há solidão onde parece haver…
Não há nascimento, envelhecimento, doença ou morte, onde parece haver…
Há apenas Deus, o Ser Real;
Há apenas a divindade onipresente!

Onde parece haver ódio, Eu Sou o perdão…
Onde parece haver tristeza, Eu Sou a alegria…
Onde parece haver desespero, Eu Sou a esperança…
Eu Sou a Realidade por trás da representação!

O Amor é o Caminho para Me ver…
Eu Sou esse Amor divino!
Eu Sou o Caminho!
Eu Sou Quem ama…
Eu Sou Quem é amado…

Apareço como passado e futuro…
Mas Eu Sou o eterno presente!
Assim como apareço como você…
Mas Eu Sou Quem Eu Sou!

Você e Eu parecemos ser dois…
Mas Somos Um só Ser!
Você parece ser real…
Mas sua realidade Sou Eu!

Sim,
Sou o tempo e a eternidade…
A representação e a Realidade!


segunda-feira, agosto 24, 2015

"Eis, aqui e agora, o dia da Salvação!"

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Diz um ditado: "O tempo cura todas as feridas". Não há dúvida que com o passar do tempo, nossas mágoas, frustrações, acontecimentos infelizes, tendem a desvanecer-se.

No entanto, faço uma objeção a esse brocardo popular: por que preciso esperar certo tempo, após uma experiência desagradável, para, de novo, usufruir minha paz, alegria, motivação e positiva atitude em relação ao futuro? Sou mesmo obrigado a sofrer um período de desânimo e tristeza, por causa de um desentendimento com alguém? Ou porque um empreendimento não deu certo? Não! Se todos estamos sujeitos a experiências frustradoras, isso não quer dizer que sejamos obrigados a sempre reagir negativamente a elas. Só quando aceito o teor negativo de uma experiência é que me magoo e levo certo tempo para recuperar o estado natural.

Não sou obrigado a reagir negativamente! Tenho outra alternativa. Aceito que o Divino, em mim, (Eu) tem o poder de curar todas as feridas e restaurar todos os desentendimentos, ao revelar-me que a parte humana (eu) reage por causa de suas falhas. Ele (Eu) me dá compreensão das causas, em mim, para eu extrair proveito da experiência e evitá-las no futuro. Esse tratamento interno (percepção de quem Sou) é muito rápido, consciente e iluminador.

No Espírito (Em Mim, no Eu) não tenho que esperar que a tempestade humana se acalme, para de novo nascer o sol; nEle (no Eu, ou, em Mim) me restauro, aqui e agora mesmo. Ele (Eu) não deseja ver-me (a mim, personagem) mergulhado dias, semanas, meses, em sombras e amarguras.

Obrigado, meu Deus (minha real identidade, o Eu do Ser que Sou), por me fazeres saber (por me tornar consciente de) que não sou meus pensamentos, sentimentos e hábitos (de que esse eu é apenas a máscara, o títere, o personagem). Tudo isso é provisório (essa visão do eu, a percepção do personagem). Meu verdadeiro Ser, que és Tu (o Ser Real, o Eu, a minha identidade real), transita, incólume, através de todas as experiências.


Comentário (Núcleo):

Divinos personagens,

Se observarmos com atenção veremos que esse texto expressa a distinção entre perceber algo mentalmente (perceber com a mente do personagem, da identidade humana, o "eu") e perceber algo consciencialmente (perceber com a Consciência do Ser, da identidade divina, o "Eu").

Notemos que quando reagimos a algo que percebemos estamos acionando a "percepção mental", pois quem reage é o "eu", a mente do personagem. Da mesma forma, quando interpretamos algo, estamos o fazendo mentalmente, pois quem interpreta também é o "eu", a mente humana. Mas somos o Ser! Nossa real identidade é o "Eu", aquilo que "É" e sempre "É". Esse "Eu" de nossa real identidade É o que É. Quando Moisés subiu a montanha, ele recebeu os "dez mandamentos"; esse "subir a montanha" significa elevar-se ao mais alto nível de percepção, o da Consciência do Ser, que realmente somos. Nesse alto nível de percepção Moisés teve a revelação do Ser: Eu Sou o que Sou.

Enquanto personagens do Ser, estamos imersos no mundo dos nomes e formas, das circunstâncias sempre mutáveis e então oscilamos conforme muda o cenário, como os títeres (bonecos/marionetes) se movem com os movimentos da mão daquele que os movimenta.

Até que estejamos conscientes de Quem Somos, nosso "animador" é o mundo. Seremos títeres do mundo reagindo mentalmente aos acontecimentos e imagens que nossa mente percebe. A mente do personagem percebe, interpreta e reage.

O "dia da salvação" ocorre no instante em que nos livramos das reações mentais e percebemos que "apenas Deus, o Ser que É aquilo que É, e sempre É, é real". O mundo ao qual a mente do personagem interpreta e reage é sempre mutável, ou seja, não é o que é - ele "está sendo", está sempre mudando. Há aqui ainda uma sutileza realmente importante e digna de toda a atenção: Quando percebemos a realidade consciencialmente, do "alto da montanha", despertamos para o fato de que o mundo que a mente percebe não é o mundo real. A mente humana não está de fato percebendo aquilo que É, mas, ela percebe apenas aquilo que parece ser! Não é real.

O universo divino e real é perfeito, mas a mente percebe apenas a imagem que é capaz de "conceber". Ela "vê" de forma distorcida Aquilo que realmente É, ou seja, não vê - ela imagina, distorce, se ilude. Assim, o universo percebido pela mente é ilusório. Não que ele seja ilusório em Si mesmo, mas significa que aquilo que a mente do personagem vê, a imagem que ela capta, a interpretação que ela dá, e as reações que ela tem, fazem do personagem um títere do cenário que vê, que interpreta e ao qual reage.

O texto evidencia que podemos nos colocar acima da percepção mental, que podemos "perceber" as experiências pelas quais passamos de outra forma, não com a mente do personagem, mas com a Consciência do Ser, que JÁ somos, somos AGORA. É esta percepção (a da Consciência do Ser que somos, do "Eu") que revela a verdade expressa no texto: "EIS AQUI E AGORA O DIA SALVAÇÃO".

No texto há comentários escritos entre parênteses. A percepção da identidade enquanto personagem foi colocada como (eu ou mim); a percepção da identidade como o Ser real que somos foi colocada como (Eu ou Mim).

Nós não somos "títeres do mundo", ou ao menos não precisamos estar sendo. Basta nos elevarmos acima da percepção mental, das reações e interpretações que a mente dá ao que vê. Como Moisés, nós podemos "subir a montanha" e nos elevar aos mais altos níveis de percepção. Nada há que nos "prenda ao solo" a não ser o ato de estarmos vinculados "julgando" cada acontecimento, como sendo bom ou ruim, certo ou errado. Esses pensamentos nos vinculam ao mundo que está sendo "percebido" pela mente. Essa interpretação mental do mundo é o que nos faz ter a sensação/a ideia/a impressão de nos sentirmos pessoas, "personas", "títeres", personagens felizes ou infelizes.

Ao contrário dos julgamentos, que nos vinculam ao mundo, há percepções que agem como balões de gás leve, que nos alçam direto ao céu! A contemplação das pequenas e grandes maravilhas de Deus é uma delas. Quando contemplamos a vida como sendo "atividade de Deus" algo (a percepção da Consciência do Ser) nos revela aquilo que a mente humana não percebe: o universo é a manifestação da Consciência, e que o universo "percebido" pela mente é concepção do homem! O universo real é perfeito, porém a "imagem" do universo "percebida pela mente" é apenas aquilo que ela (a mente humana) consegue conceber.

Cuidado com o universo que está aparecendo a sua frente, na forma de sua vida, pois você a está concebendo mentalmente!

Não faça julgamentos sobre os acontecimentos, permita que Deus te revele o real. Deus se revela no homem como Consciência, eleve-se à ela, transcenda a mente.

Desfrute a bem-aventurança. Deus te fez assim. Não pense o contrário. Perceba!

Saudações a todos.