"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quinta-feira, junho 11, 2015

Surdo, Mudo e Cego (Osho) - 1/2



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Gensha queixou-se aos seus seguidores um dia: "Outros mestres estão sempre falando da necessidade de salvar a todos – mas suponha que você encontre uma pessoa que seja surda, muda e cega: ela não poderá ver os seus gestos, ouvir sua pregação ou fazer perguntas a respeito. E, incapaz de salvá-la, você vai provar a si mesmo que é um budista sem valor".

Incomodado com essas palavras, um dos discípulos de Gensha foi consultar o mestre Ummon que, como Gensha, era discípulo de Seppo.

- "Curve-se, por favor", disse Ummon.

O monge, embora tomado de surpresa, obedeceu à ordem do mestre. Então aprumou-se na expectativa de ter a sua pergunta respondida.

Mas, em vez de uma resposta, recebeu um golpe de cajado. Ele saltou para trás. 
"Bem", disse Ummon, "você não é cego. Agora se aproxime".

O monge fez como lhe foi ordenado. 

"Bom", disse Ummon, "você também não é surdo. Bem, entendeu?".

"Entendeu o que, senhor?", disse o monge.

"Ah, você também não é burro!", disse Ummon.

Ao ouvir essas palavras, o monge despertou de um sono profundo.


Jesus disse aos seus discípulos, e não apenas uma vez, mas várias vezes: "Se você tem olhos para ver, veja! Aquele que tiver ouvidos para ouvir, ouça-me!". Eles tinham olhos como você e eles tinham ouvidos como você. Portanto Jesus devia estar se referindo a outra coisa – não a estes ouvidos, nem a estes olhos.

Há uma maneira diferente de ver o mundo e uma maneira diferente de ouvir. Uma maneira diferente de ser. Quando você tem essa qualidade diferente de ver, Deus é visto; quando você tem esse jeito diferente de ouvir, Deus é ouvido; e quando você tem essa qualidade diferente de ser, você se torna o próprio Deus. Do jeito como você é, você é surdo, mudo e cego – um ser quase morto. Surdo para Deus, mudo para Deus, cego para Deus, morto para Deus.

Nietzsche declarou que Deus está morto. Na verdade, se você está morto, como Deus pode estar vivo para você? Deus está morto porque você está morto. Você só pode conhecer Deus quando você vive em abundância, quando sua vida se torna um transbordar, quando ela é uma inundação. Naquele momento transbordante de felicidade, vida e vitalidade, pela primeira vez você sabe o que Deus é, pois Deus é o mais luxuriante fenômeno de transbordamento.

Deus não é uma necessidade neste mundo. As leis científicas são uma necessidade – sem elas o mundo não pode existir. Deus não é uma necessidade dessa maneira. Sem ele o mundo pode existir, mas será inútil. Sem ele você pode existir, mas a sua existência será apenas uma existência vegetativa. Sem ele você pode vegetar, você não pode estar realmente vivo.

Deus não é uma necessidade – você pode existir, mas o seu ser não terá nenhum significado, não vai carregar nenhum significado. Ele não terá poesia, não terá nenhuma música, não terá dança. Não vai ser um mistério. Pode ser uma aritmética, pode ser um negócio, mas não pode ser um caso de amor.

Sem Deus tudo o que é belo desaparece porque a beleza vem apenas com um transbordar – é um luxo. Observe uma árvore: se você não regou direito, se a árvore não está recebendo nutrição do solo, a árvore pode existir, mas flores não surgirão. A existência dela estará lá, mas será inútil! Seria melhor não existir, pois seria uma constante frustração. As flores só surgem na árvore apenas quando a árvore tem TANTO que ela pode compartilhar, e quando a árvore tem tanto alimento que ela pode florescer – o florescimento é um luxo. A árvore tem tanto que ela tem condições para isso.

E eu lhe digo que Deus é a coisa mais luxuosa do mundo. Deus não é necessário – você pode viver sem ele. Você pode viver muito bem, mas você vai perder alguma coisa, você vai sentir um vazio no coração. Você vai ser mais como uma ferida do que como uma força viva. Você vai sofrer, não pode haver nenhum êxtase em sua vida.

Mas como encontrar esse significado, esse êxtase? Você vai precisar de uma forma diferente de olhar. Agora você é cego. Claro que você pode ver a matéria, mas a matéria é uma necessidade. Você pode ver a árvore muito bem, mas você perde as flores; e até mesmo se você puder ver as flores, você perde a fragrância. Seus olhos podem ver apenas a superfície – você perde o centro, o âmago. Por isso é que Jesus continua dizendo que você é um homem cego, você é surdo – e você tem que ser estúpido/tolo, porque se você não o viu, o que há para dizer? Se você ainda não o ouviu, o que há para comunicar? Se a poesia não aconteceu, o que há para cantar? Você faz gestos com a boca, mas nada vai sair, porque não há nada ali em primeiro lugar.

Quando um homem como Jesus fala, ele está possuído, algo maior do que ele fala através dele. Quando um homem como Buda fala, ele não é o Sidharta Gautama que nasceu como filho de um rei. Não, não é o homem quem está falando. Um homem como Jesus ou Buda não é mais o corpo que você pode ver e tocar, ele não é nem mesmo a mente que você pode compreender e entender. Algo do além interveio, algo que não é do tempo e do espaço interveio no tempo e no espaço. Um milagre aconteceu. Não é ele quem fala com você, ele é apenas um veículo; algo além está fluindo através dele. Ele é apenas o canal por onde vem a mensagem. Ele leva até você algo da margem desconhecida. Somente então, quando o êxtase acontece, é que você pode cantar. Caso contrário você pode continuar cantando, mas será superficial. Você pode fazer muito barulho, mas o barulho não está falando. Você pode usar muitas palavras, mas elas vão estar vazias. Você pode falar muito, mas na verdade como você pode falar?

Quando aconteceu a Maomé, o primeiro dia em que ele entrou em contato com o divino, ele caiu no chão, abalado, começou a tremer e transpirar – e a manhã estava fria como esta manhã. Ele estava sozinho, e dos próprios poros das solas dos seus pés ele começou a transpirar, ele estava com medo. Algo desconhecido o havia tocado, e ele estava morrendo de medo. Ele foi correndo para casa e foi para a cama. Sua esposa ficou com muito medo. Muitos cobertores foram colocados sobre ele, mas ainda assim ele continuou tremendo e sua esposa perguntou: "O que aconteceu? Seus olhos parecem atordoados... e por que você não fala? Por que você ficou assim, como uma pessoa débil? 

E contam que Maomé disse: "Pela primeira vez há algo a dizer. Até agora eu tenho sido um homem idiota; não havia nada a dizer, e eu estava fazendo os gestos com a boca. Eu estava falando, mas apenas os meus lábios estavam se movendo, não havia nada a dizer. E agora eu tenho algo a dizer – é por isso que estou tremendo tanto. Fui fecundado com o desconhecido, com o divino. Algo tem que nascer".

E isso traz sofrimento, como toda mãe sabe. Se você tiver de dar à luz uma criança, você tem que passar por muitos dias de dor e, quando o nascimento acontece, há muito sofrimento. quando a  vida entra, é uma luta.

Durante três dias, contam, Maomé permaneceu em sua cama, absolutamente mudo. Então, aos poucos, assim como uma criancinha começa a falar, ele começou a falar. E assim o Corão nasceu.

As coisas devem mudar em você para que você se sinta vivo. A vida é um movimento, não de um lugar para o outro, mas de um estado para o outro. Trata-se de um movimento interior profundo de uma consciência para outra consciência, para os reinos mais elevados do Ser. Caso contrário, você está morto. Do modo como você está, você está morto. Assim, Jesus continua dizendo: "Quem tiver ouvidos para ouvir, ouça! Quem tiver olhos para ver, veja!". Isso tem que ser entendido primeiro, então essa história vai se tornar mais fácil.

Então, a segunda coisa: por que você está tão morto? Por que está tão mudo, cego e surdo? Deve haver alguma coisa, deve haver algum investimento nisso, um investimento profundo – do contrário, tantas pessoas, milhões delas, não viveriam nesse estado. Elas devem estar ganhando alguma coisa, você deve estar recebendo algo em troca, caso contrário como é possível que os Budas, Krishnas e Cristos continuem dizendo: "Não seja cego, não seja surdo, não seja mudo, não fique morto! Viva! Fique alerta, acordado!" – e ninguém os ouve? Mesmo que eles façam esse apelo intelectualmente, você nunca os ouve. Mesmo que sinta em certos momentos sublimes da vida que eles estão certos, você nunca os segue. Mesmo que às vezes você decida seguir, você sempre adia para amanhã – e então o amanhã nunca chega. Por que o profundo investimento nisso?

Na noite passada eu estava conversando com um amigo. Ele é um homem muito instruído, culto; ele viajou o mundo todo, morou na União Soviética, no Reino Unido e nos Estados Unidos; esteve na China e em outros lugares. Ouvindo-o falar, eu senti que ele estava completamente morto. E então ele me perguntou: "Que solução você me sugeriria? Porque a vida tem tanto sofrimento, dor, tantas injustiças, tantas coisas que nos ferem... Como viver a vida de maneira que não se sinta dor, de maneira que a vida não possa criar tantas feridas no nosso ser – o que fazer?".

Então eu disse a ele que existem dois caminhos: um, que é mais fácil, mas tem um preço alto – que é ficar morto, se tornar tão insensível quanto possível. Porque se você é insensível, se você tiver desenvolvido uma carapaça ao seu redor, uma armadura, então você não se preocupa muito, ninguém pode feri-lo. Insultam você e você tem uma carapaça tão grossa que nunca é afetado. Há injustiça no mundo, mas você simplesmente não se importa, e até mesmo sequer se dá conta disso.

Esse é o mecanismo da sua apatia, da sua condição de morto. Se você é mais sensível, você vai se machucar mais. Então cada pequena coisa pode se tornar uma dor, um sofrimento, e será impossível viver – e a pessoa tem que viver. Existem problemas, milhões de problemas – há violência por toda parte, há sofrimento em todo lugar. você passa pela rua e mendigos estão lá, você tem que ser insensível, caso contrário, a coisa se tornará um sofrimento, um fardo pesado sobre você. Por que esses mendigos? O que eles fizeram para sofrer isso? E de alguma forma, lá no fundo, você vai sentir: "Eu também sou responsável". Então você simplesmente passa pelo mendigo como se fosse surdo, mudo, cego – você não olha. Você vê um homem morrendo, o que pode fazer? Você vê uma criança aleijada, o que pode fazer?

Então eu disse a esse meu amigo que existe um caminho, e que é ser morto: isso é mais fácil, isso é o que todo mundo está fazendo. As pessoas diferem em graus, mas à sua própria maneira elas estão fazendo isso. Em toda parte parte você tem que criar uma barreira em torno de você. Você acha que isso o protege – não o protege, apenas o mata. Claro que você vai sofrer menos, mas menos bênção virão para você, menos felicidade também. Quando você se torna morto, o sofrimento é menor, porque você não pode sentir; a felicidade também é menos porque você não pode sentir. Uma pessoa que está em busca de mais felicidade tem que estar pronta para sofrer.

Isso pode parecer um paradoxo para você: que um homem no estado de um buda, um homem que já despertou, que é feliz – absolutamente feliz – possa sofrer da mesma maneira. É claro que ele está feliz por dentro, as flores continuam se derramando, mas ele sofre por todos ao seu redor. Ele tem que sofrer, porque, se você tem sensibilidade para que as bênçãos estejam disponíveis para você, o sentimento também estará disponível para você. É preciso escolher. Se você optar por não sofrer, se escolher que não quer sofrer, então você também não vai atingir a felicidade – porque ambos entram pela mesma porta, esse é o problema. Você pode fechar a porta com medo do inimigo, mas o amigo também entra pela mesma porta. E se você trancá-la completamente e bloqueá-la completamente, por medo do inimigo, então o amigo também não pode entrar. Não é que Deus não esteja vindo/acontecendo a você – as portas estão fechadas. Você pode tê-las fechado para não deixar o diabo entrar, mas quando as portas estão fechadas, elas estão fechadas para todas as possibilidades. E aquele que sente a necessidade, que sente a fome ou sede de conhecer a verdade, tem de encontrar o diabo também. Você não pode escolher ter um, você tem que encontrar os dois.

Se você está vivo, a morte será um grande fenômeno para você. Se você vive totalmente, vai morrer totalmente; se você vive dois por cento, você vai morrer dois por cento. Assim como é a vida, será a morte. Se a porta está aberta para Deus, ela está aberta para o diabo também.

Você já ouviu muitas histórias, mas eu não sinto que você tenha entendido: sempre que Deus acontece, o diabo acontece um pouco antes dele, porque sempre que a porta está aberta, o diabo apressa-se para entrar primeiro. Ele está com pressa. Deus não está com pressa.

O mesmo aconteceu com Jesus. Antes que ele atingisse a iluminação final, o diabo o tentou por quarenta dias. Quando ele estava meditando, jejuando em sua solidão – quando Jesus estava desaparecendo e criando um lugar para Cristo vir –, o diabo o tentou. Nesses quarenta dias o diabo ficou continuamente ao lado dele. E ele tentou muito bem e muito politicamente; ele é o maio político de todos; todos os outros políticos são seus discípulos. Muito diplomaticamente ele disse: "Certo, então agora você se tornou um profeta, e você sabe que as Escrituras dizem que quando Deus escolhe um homem e ele se torna um profeta - um messias - ele se torna um homem infinitamente poderoso. Agora você é poderoso. Se você quiser, pode pular desta colina e os anjos virão para ampará-lo desta grande queda. E se você é realmente um messias, comprove tudo o que é dito nas escrituras – salte!".

A tentação era grande e ele estava citando as escrituras. Os demônios sempre citam, pois para convencer você é preciso citar uma escritura. Os demônios sabem todas as escrituras de cor.

Jesus riu e disse: "Você está certo, mas a mesma escritura diz que você não deve testar Deus".

Então, um dia, quando ele estava com muita fome... trinta dias de jejum... e o diabo estava sempre sentado ao seu lado. Antes que Deus venha, o diabo vem. No momento em que você abre a porta ele está ali de pé, e ele é sempre o primeiro na fila. Deus sempre fica para trás porque ele não está com pressa, lembre-se: Deus tem a eternidade para trabalhar, o diabo não tem a eternidade para trabalhar – apenas momentos. Se ele perde, ele perde completamente, porque depois que um homem se torna divino, ele se torna invulnerável. Então o diabo tem que encontrar momentos de fraqueza, quando Jesus está desaparecendo e Cristo ainda não entrou. Essa lacuna é o momento onde ele pode tentar entrar. Então o diabo disse: "Mas é dito nas escrituras que, quando um homem é escolhido por Deus, ele pode transforma até mesmo pedras em pão. Então por que você está sofrendo? Transforme as pedras em pão e coma, alimente-se! E prove isso, porque se você o fizer, o mundo será beneficiado com isso". Essa é a diplomacia. Ele disse: "O mundo vai ser beneficiado com isso". É assim que o diabo tentou convencê-lo, porque, quando você transformar pedras em pão, as pessoas vão saber que você é o homem de Deus. Elas virão correndo, então você pode ajudá-las. Caso contrário, quem vai ouvir você?

E Jesus disse: "Você está certo. Eu posso transformar – mas não eu. Deus pode transformar pedras em pão. Mas sempre que ele precisar disso, ele vai me dizer, você não precisa se preocupar. Por que você está se dando a tanto trabalho?".

Sempre que você entra em meditação, o primeiro homem que você vai encontrar no portão, no momento em que abrir a porta, será o diabo, porque é por causa do medo que você fechou a porta. E lembre-se... mas primeiro vou contar uma história, então você vai entender:

Numa loja, tinham anunciado um desconto especial para o Natal, especialmente para as roupas e vestidos femininos, por isso havia uma multidão de mulheres. Um homem teve que ir a essa loja porque a esposa dele estava doente, e ela o obrigou a ir, porque essa era uma chance que não poderia ser desperdiçada. Então ele ficou ali de pé, como um cavalheiro, por uma hora, mas não conseguiu chegar ao balcão. Você conhece as mulheres, o jeito delas – gritando, gritando umas com as outras, aparecendo do nada, sem fazer fila; e o homem estava pensando que era uma fila, por isso ele ficou ali de pé. Depois que uma hora se passou, ele não estava nem perto do balcão; ele começou a empurrar e gritar e gritar, e começou a forçar para abrir caminho na multidão e chegar ao balcão.

Uma senhora idosa gritou: "O que é isso? O que você está fazendo? Seja um cavalheiro!". O homem disse: "Por uma hora eu fui um cavalheiro. Agora preciso me comportar como uma dama! Chega!".

Lembre-se: o diabo nunca se comporta como um cavalheiro, ele se comporta como uma dama. Ele está sempre em primeiro lugar na fila. E Deus é um cavalheiro. É difícil para ele ser o primeiro da fila, e no momento em você abre a porta o diabo entra. E por causa do medo dele, você a mantém fechada. Mas, se o diabo não pode entrar, Deus também não pode. Quando você fica vulnerável tanto para Deus quanto para o diabo – para a luz e para a escuridão, para a vida e para a morte, para o amor e para o ódio –, você se torna disponível para ambos os opostos.

Você optou por não sofrer, então você está fechado. Você pode não estar sofrendo, mas sua vida é um tédio, porque apesar de você não sofrer tanto quanto poderia sofrer se estivesse aberto, não há bençãos também. A porta está fechada – nenhuma manhã, nem o Sol, nem a Lua entram; não entra o céu, nem ar fresco, todo o seu ambiente se torna mofado. E por medo você está escondido aí. Já não é mais a sua casa onde você está vivendo, você já a converteu em um túmulo. Suas cidades são cemitérios, suas casas são sepulturas. Todo o seu modo de vida é o de um homem morto. 

Agora nós devemos compreender esta bela história: Surdo, Mudo e Cego.
Continua...


segunda-feira, junho 08, 2015

Ensinamentos sobre o Despertar (Oneness) - 3/3


- Oneness -
Sri Amma Bhagavan
 

“O desperto vê as coisas como elas são, e não tenta controlá-las ou modificá-las. O Desperto não tenta convencer os outros.

O Desperto sabe que o que tem que acontecer, vai acontecer; e o que não tem que acontecer, não vai acontecer; e que o universo está fora de controle para sempre.”

“O Desperto não tem planos fixos e nem destino. O Desperto aceita a si mesmo; e o mundo aceita o Desperto. O Desperto conhece a si mesmo; e portanto tem sabedoria. O Desperto não tem conflito consigo mesmo; e portanto tem poder verdadeiro. O Desperto abraça a morte; pois não existe morte para o Desperto”.

“O Desperto sabe que não há nada a ser aprendido; o que precisa é apenas desaprender.”

“O Desperto não alcança nada; pois não há nada a ser alcançado. O Desperto não compreende nada; pois não há nada a ser compreendido. O Desperto não sabe nada; pois não há nada para saber.”

“O Desperto não percebe as coisas como boas ou ruins; ou como certas ou erradas; e assim não tem preferências; e portanto não tenta mudar a maneira como as coisas são.”

“O Desperto não elimina e nem ignora, não resiste e nem justifica o que está ali, dentro ou fora; simplesmente está consciente do que é.”

“O Desperto não faz nada; mas não deixa nada sem fazer; pois todas as coisas estão acontecendo o tempo todo, ao redor e através, daquele que está Desperto.”

“Os pensamentos são sutis, divisionistas e evasivos; são uma expressão do eu. Eles vagueiam como eles querem. Eles criam julgamentos e uma mente conturbada e perturbada. Eles impedem que a Conscientização aconteça. Aquele que não está Desperto precisa aprender a direcionar, a controlar e a acalmar os pensamentos dominando-os. O Desperto já ultrapassou o julgamento, pois ele já ultrapassou o pensamento; uma vez que ele está sempre “Consciente””.

“Quando alguém não está Desperto, ele não deve se comportar como se estivesse. Quando alguém está Desperto, ele não faz nada. Ele apenas está Desperto. Estar Desperto não é um meio para um fim. Estar Desperto é um fim em si mesmo. Quando alguém não está Desperto ele deve praticar a bondade. Onde não há bondade ele deve praticar a virtude. Onde não há virtude ele deve praticar condicionamento de rituais.

“O Desperto não tem senso de ser e fazer. O Desperto não tem visão ou objetivo na mente. Há apenas o fazer. O Desperto é humilde e não precisa praticar a humildade. O Não Desperto tem o senso de ser e fazer, e portanto deve ter uma visão ou objetivo na mente. O Não Desperto precisa praticar a humildade.”

“O Desperto não tem nada para defender e portanto, não faz nada para se sentir seguro. O Não Desperto tem muito a defender e portanto precisa fazer coisas para se sentir seguro.”

“O Desperto não sabe e não entende, mas vê. O Não Desperto sabe e entende, mas não vê.”

“O Desperto está constantemente desaprendendo, e portanto está constantemente aliviado, vive em liberdade.”

"O Não Desperto está constantemente aprendendo, e portanto, está constantemente sobrecarregado, não sabe o que é a liberdade, e portanto, não sabe o que é viver.”

“O Desperto permite que as coisas aconteçam do jeito delas. O Não Desperto tenta fazer com que as coisas aconteçam do jeito dele.”

“O Desperto não tem mente. O Não Desperto tem uma mente. O Desperto, uma vez sem mente, trabalha com a mente dos outros. O Não Desperto, tendo uma mente, luta com a mente dos outros.”

“O Desperto, se faz ou não faz, não tenta. O Não Desperto , se faz ou não faz, tenta.”

“O Desperto vive no mistério que a vida é. O Não Desperto tenta entender o que a vida é.”

“O Desperto vê os muitos como o Um. O Não Desperto vê o Um como os muitos.”

“O Desperto é um com o que é. O Não Desperto é um com o que deveria ser.”

“O Desperto é virtuoso. O Não Desperto pratica a virtude.”

“O Desperto experiencia todo o tempo. O Não Desperto sonha o tempo todo.

“O Desperto não tem razão para sua alegria, e portanto nada afeta sua alegria. O Não Desperto conhece apenas o prazer ou a dor, dependendo de tudo o que está acontecendo.”

“O Desperto experiencia liberdade, por causa da ausência de escolha e esperança. O Não Desperto experiencia liberdade na presença de escolha e de esperança.

“O Desperto possue coisas, mas não termina possuído por elas. O Não Desperto possue coisas, e termina sendo possuído por elas.”

“O Desperto esta pronto para morrer. O Não Desperto não esta pronto para morrer.”

“O Desperto experiencia apenas a consciência, pois há apenas a consciência. O Não Desperto tenta entender a Consciência.”

“O Desperto faz uso do condicionamento. O Não Desperto é usado pelo condicionamento.”

“O Desperto não conhece o medo. O Não Desperto só conhece o medo.”

“O Desperto não conhece o apego. O Não Desperto só conhece o apego.”

“O Desperto é o que ele é. O Não Desperto é aquilo que ele não é.”

“O Desperto percebeu que não há ninguém para ser desperto. O Não Desperto está esperando que alguém seja desperto.”


sábado, junho 06, 2015

Ensinamentos sobre o Despertar (Oneness) - 2/3


- Oneness -
Sri Amma Bhagavan


“O Desperto ouve. O Não Desperto reage.”

“O Desperto é livre. O Não Desperto tenta ser livre.”

“O Desperto não tem liberdade de escolha. O Não Desperto tem liberdade de escolha.”

“O Desperto tem pensamentos. O Não Desperto tem também um pensador ilusório.”

“O Desperto age do não egocentrismo. O Não Desperto age do egocentrismo.

“O Desperto fica com o que é. O Não Desperto fica se afastando daquilo que é.”

“O Desperto vê os muitos como o Um. O Não Desperto vê o Um como os muitos.”

“O Desperto não vê a pessoa, apenas personalidades. O Não Desperto vê uma pessoa com personalidades.”

“O Desperto vê aquele que vê, como aquilo que é visto. O Não Desperto vê aquele que vê e aquilo que é visto como sendo duas coisas diferentes.”

“O Desperto sofre, portanto não há sofrimento. O Não Desperto evita sofrer, portanto há sofrimento.”

“O Desperto vê o problema. O Não Desperto cria o problema.”

“O Desperto vê tudo como um aconteceimento. O Não Desperto vê tudo como feito para acontecer.”

“O Desperto fica maravilhado com a vida. O Não Desperto acha a vida comum.”

“O Desperto acha tudo completo e perfeito. O Não Desperto acha tudo incompleto e imperfeito.”

“O Desperto responde. O Não Desperto reage.”

“O Desperto não se identifica com seus pensamentos. O Não Desperto se identifica com seus pensamentos.”

“O Desperto experiencia a realidade como ela é. O Não desperto experiencia a realidade através de imagens.”

“O Desperto flui com a vida. O Não Desperto luta com a vida.”

“O Desperto vê a vida como um milagre. O Não Desperto procura um milagre na vida.”

“O Desperto não tem respostas. O Não Desperto está cheio de respostas.”

“O Desperto é virtuoso por natureza. O Não Desperto pratica a virtude.”

“O Desperto vê todas as coisas conectadas umas com as outras. O Não Desperto vê todas as coisas desconectadas umas das outras.”

“O Desperto faz tudo cheio de alegria. O Não Desperto faz tudo para obter prazer.”

“O Desperto ouve. O Não Desperto interpreta.”

“O Desperto é livre de todas as imagens sobre si mesmo. O Não Desperto é cheio de imagens sobre si mesmo.”

“O Desperto sabe que não se pode saber nada. O Não Desperto tenta saber tudo.”

“O Desperto flui com a vida. O Não Desperto luta com a vida.”

“O Desperto é livre do passado. O Não Desperto é prisioneiro do passado.”

“O Desperto percebe tudo como perfeito. O Não Desperto percebe tudo em termos de dor ou prazer.”

“ O Desperto viaja sem jornada.”

“O Desperto está aberto para todas as pessoas e para todas as situações, e flui com elas.”

“O Desperto vê o mundo emergindo do nada. Portanto ele aceita o mundo como ele é. Quando o Desperto aceita o mundo como ele é, o Desperto é estabilizado no eu primordial.”

"O Desperto não tem vontade e nem ilusões. O Desperto simplesmente habita na realidade."

“O Desperto não tenta mudar o mundo. Para o Desperto o mundo é perfeito e sagrado.”

“O Desperto experiencia, sem aquele que experiencia. O Não Desperto experiencia com aquele que experiencia.”

“O Desperto está feliz sem motivo. O Não Desperto está feliz por algum motivo.”

“O Desperto age sem possuir, interferir ou esperar nada, O Não Desperto faz o oposto.”

“O Desperto vê tudo como perfeito. O Não Desperto vê tudo como imperfeito.”

“O Desperto não tem problemas com riqueza, pois a riqueza não é o problema. O Não Desperto tem problemas com riqueza, pois seu senso de posse é o problema.”

“O Desperto não pensa sobre suas ações. O Não Desperto pensa sobre suas ações.”

“O Desperto é equilibrado. O Não Desperto é desiquilibrado.”

“O Desperto não pode se agarrar ao bom ou mau. O Não Desperto tem que se agarrar ao bom ou mau.”

“O Desperto olha para dentro de si mesmo. O Não Desperto olha para fora de si mesmo. “

“O Desperto não tem preferências. O Não Desperto tem preferências.”

“O Desperto nunca espera resultados. O Não Desperto sempre espera resultados.”

“O Desperto não tenta impor sua vontade. O Não Desperto tenta impor sua vontade.”

“O Desperto sabe que o mundo governa a si mesmo. O Não Desperto pensa que o mundo precisa ser governado.”

“O Desperto testemunha as coisas acontecerem. O Não Desperto tenta fazer as coisas acontecerem”.

“O Desperto experiencia liberdade de suas próprias ideias. O Não Desperto é aprisionado pelas suas próprias ideias.”

“O Desperto permite que o destino seja criado. O Não Desperto tenta criar o destino.”



quarta-feira, junho 03, 2015

Ensinamentos sobre o Despertar (Oneness) - 1/3

 - Oneness -
Sri Amma Bhagavan


“O desperto é afetado mas não perturbado. O não desperto, além de ser afetado, é perturbado.”

“O desperto não assume uma posição. O não desperto assume uma posição”

“O desperto é seguro e deixa todos seguros. O não desperto é inseguro e deixa todos inseguros”

“O desperto não julga, portanto tem amor. O não desperto julga, portanto não tem amor.”

“O desperto responde a partir do presente. O não desperto reage a partir do passado.” 

“O desperto fica com “o que é” sem esforço. O não desperto tenta ficar com “o que é”. 

“O Desperto não tem questões fundamentais. O não desperto tem questões fundamentais.”

“O desperto escuta. O não desperto ouve.”

“Aquele que está Desperto vê a Graça em toda parte. Aquele que não está desperto busca pela Graça.”

“O desperto vê o mundo como família. O não desperto vê o mundo como indivíduos separados.”

“A Pessoa Desperta experiencia não ter nenhuma divisão entre o interno e o externo. A pessoa não desperta experiencia ter uma divisão entre o interno e o externo.”

“Aquele que está Desperto tem valores naturais. Aquele que não está desperto tem valores cultivados.”

“Aquele que está Desperto segue a vontade Divina. Aquele que não está desperto segue a sua própria vontade.”

“A Pessoa Desperta não tem pontos de vista. A pessoa não desperta está cheia de pontos de vista.”

“A Pessoa Desperta age. A pessoa não desperta reage.”

“A Pessoa Desperta não conhece a auto piedade. A pessoa não desperta se chafurda em auto piedade.”

“O desperto é amigo de si mesmo. O não desperto é seu próprio inimigo”.

“A pessoa desperta é livre de julgamentos. A pessoa não desperta a tudo julga.”

“A pessoa desperta vive os ensinamentos. O não desperto tenta entender os ensinamentos”.

”O desperto vê o observador e o observado como UM. O não desperto vê o observador e o observado como diferentes.”

“A pessoa desperta não tem diálogo interno. A pessoa não desperta se envolve com o diálogo interno.”

“Aquele que está Desperto não conhece [o que é] resistência. Aquele que não está desperto é cheio de resistência.”

“A Pessoa Desperta usa o conhecimento. O não desperto é usado pelo conhecimento.”

“A Pessoa Desperta se preocupa com as outras pessoas. A pessoa não desperta se preocupa consigo mesma.”

“A Pessoa Desperta morre constantemente para o passado. A pessoa não desperta vive constantemente no passado.”

“A Pessoa Desperta vive no presente. A pessoa não desperta vive no passado ou no futuro.”

“A Pessoa Desperta é controla os sentidos. O não desperto é controlado pelos sentidos.”

“A mente da Pessoa Desperta está desengatada. A mente de quem não está desperto está engatada.”

“Aquele que está Desperto é desapegado. Aquele que não está desperto é indiferente.”

“Aquele que está Desperto experiencia ausência de liberdade de escolha. Aquele que não está desperto experiencia liberdade de escolha.”

“O Desperto vive no mistério que é a vida. O não desperto tenta entender o que é a vida.”

“A Pessoa Desperta é livre da mente. Quem não está desperto é prisioneiro da mente.”

“O desperto vê a consciência como um fim em si mesmo. O não desperto vê a consciência como um meio para um fim.”

“O desperto não tem nada pessoal . O não desperto leva tudo para o lado pessoal.”

“A Pessoa Desperta tem uma mente tranquila. Quem não está desperto tem uma mente impaciente.”

“A Pessoa Desperta tem a experiência de amor incondicional e de alegria incondicional. Quem não está desperto tem a experiência de amor condicional e de alegria condicional.”

“A Pessoa Desperta é naturalmente responsável. Quem não está desperto tem medo da responsabilidade”

“A Pessoa Desperta naturalmente se torna significante. Quem não está desperto busca incessantemente ser significante.”

“A Pessoa Desperta não tem conflito. Quem não está desperto está em conflito.”

“A Pessoa Desperta sabe que nada é permanente. Quem não está desperto busca a permanência.”

“A Pessoa Desperta não fica magoada, assim não precisa perdoar. Quem não está desperto fica magoado, assim tenta perdoar.”

“O Desperto não tem medo da verdade, O Não desperto tem medo da verdade.”

“O Desperto não tem nada a se opor. O Não Desperto tem alguma coisa a se opor.”

“O Desperto vive em humildade. O Não Desperto cultiva a humildade.”

“O Desperto responde às circunstâncias. O Não Desperto cria as circunstâncias.”

“O Desperto não procura a grandeza. O Não Desperto procura a grandeza”

"O Desperto segue o fluxo dos acontecimentos. O Não Desperto resiste ao fluxo dos acontecimentos."

“O Desperto vê tudo estabelecido na eternidade. O Não Desperto vê tudo estabelecido no imediato.”

“O Desperto não sabe. O Não Desperto sabe.”

“O Desperto não compete e nem compara. O Não Desperto compete e compara.”

“O Desperto surge do coração. O Não Desperto surge da cabeça.”

“O Desperto está livre de todo o saber. O Não Desperto está envolvido pelo saber"

“O Desperto confia em si mesmo. O Não Desperto confia nos outros.”

“O Desperto está conectado com tudo. O Não desperto não está conectado com nada.”

“O desperto sabe que não há nada a aprender. O Não Desperto está constantemente aprendendo.”

“O Desperto não tenta controlar o futuro. O Não desperto tenta controlar o futuro.”

"O Desperto é flexível. O Não Desperto é inflexível."

“O Desperto é transparente e o Não Desperto não é transparente.”

“O Desperto não culpa os outros. O Não Desperto culpa os outros.”

“O Desperto vive no momento. O Não Desperto vive no passado ou no futuro”

“O Desperto responde do coração. O Não Desperto reage da cabeça.”

“O Desperto tem, mas não possui. O Não desperto possui o que tem.”

“O Desperto vive. O Não desperto existe.”

“O Desperto faz uso de sua mente. O Não Desperto é usado pela sua mente.


segunda-feira, junho 01, 2015

Deeksha: A Bênção da Unidade



Apresento aos leitores Sri Amma Bhagavan, um casal de mestres espiritual que são considerados avatares de nossa época. Eles dirigem na Índia uma grande universidade de cunho eminentemente espiritual - denominada Oneness -  cujos ensinamentos objetivam levar rapidamente as pessoas ao despertar espiritual. Eles também trouxeram ao mundo uma poderosa energia espiritual/divina chamada Deeksha, que tem a função de acelerar o processo do despertar consciencial daqueles a quem ela é transmitida. Desde o início deste ano conheci e vim estudando os ensinamentos desse casal de mestres - e de todo o universo da Oneness -, e tenho constatado coisas surpreendentes, grandiosas. São ensinamentos simples, objetivos/diretos e poderosos. Por isso, a partir de hoje Sri Amma e Bhagavan - e os ensinamentos da Oneness - passam a compor o rol de mestres e ensinamentos iluminados deste blog.

Para falar um pouco mais sobre a Deeksha, segue um texto que passo a transcrever:

O entendimento central da Oneness é o de que a transformação interior e o despertar para estados mais elevados de consciência não é um resultado de um mero entendimento intelectual, mas de uma mudança de consciência na qual a própria experiência de vida é redefinida em seu núcleo. Isto é alcançado através do processo de Deeksha (que em sânscrito significa "Bênção da Unidade"). A Deeksha é uma energia de natureza sutil e transformadora que aciona um processo paulatino de despertar da consciência para o estado de unidade, permitindo o aprofundamento nas relações consigo mesmo, com os outros e com a vida.

Essa energia é transmitida com um toque das mãos de um "Deeksha Giver" (doador de Deeksha) diretamente na cabeça do receptor.

A energia Deeksha aciona uma transformação no funcionamento do cérebro na área de percepção sensorial onde se processam emoções de toda ordem como ódio, medo, compaixão, amor, alegria, criatividade e aprendizagem, fatores que conduzem a pessoa pelas experiências da vida. Como resultado, a Deeksha faz ativar áreas no cérebro que promovem a mudança e a ampliação na percepção. Ela aflora o potencial da inteligência humana trazendo mais consciência. Também ajuda a pessoa a desenvolver-se mais plenamente nos aspectos de sua vida que necessitam ser dinamizados. A Deeksha capacita a lidar com as experiências da vida de uma maneira naturalmente prática e assertiva, vislumbrando mais claramente a sua própria rota para o sucesso e a prosperidade.

Efeitos da Deeksha

A Deeksha é experimentada de forma muito particular e cada pessoa vive o seu próprio processo. Em alguns casos, pessoas que receberam Deeksha sentiram pressões na cabeça, sensações no corpo, afloraram sonhos, recordações e emoções passadas. Outros contam que sentiram um profundo bem estar, outros ainda tiveram insights altamente reveladores e uma nova compreensão do próprio processo pessoal.

Como se sabe, é milenar a afirmação de sábios, mestres e, atualmente, de cientistas da área de neurociência, que é no cérebro que ocorre a mudança para se atingir o despertar ou o pleno desenvolvimento de potencialidades humanas.

Nesse sentido é que Sri Bhagavan, fundador do movimento Oneness (Unidade), afirma que a Deeksha é um fenômeno neurológico porque ela atua no cérebro na região dos lóbulos parietais e frontais. Os lóbulos parietais são responsáveis pela orientação espacial e pelas sensações, incluindo a de estar separado de todas as coisas. Nos seres humanos, os parietais estão hiperativos e, portanto, dificultam o sentimento de pertinência, paz e Unidade. Os lóbulos frontais são responsáveis, entre outras funções, pela produção de hormônios como, por exemplo, a oxitocina, a dopamina e outros que são os hormônios da compaixão, do prazer e da alegria. Atualmente, os lóbulos frontais estão pouco ativos no ser humano.

A Deeksha atua, portanto, harmonizando as funções do cérebro, o sistema ímbico, o neocórtex e a medula oblonga, chamada de esfera do criador. É a energia que trabalha incondicionalmente e silenciosamente sem que a pessoa esteja consciente dela.

A Deeksha não exige a prática de um determinado estilo de vida, nem é uma iniciação para se seguir em um novo caminho. Ela não está vinculada  a nenhuma religião, filosofia ou ideologia. Ela transcende as barreiras culturais e religiosas partindo do fato de que ela apenas escolhe  despertar cada um no seu/sua própria tradição espiritual, facilitando uma mudança neurobiológica, tornando a religião uma questão de escolha pessoal e conveniência. Por isso as pessoas que pertencem a qualquer fé ou faixa etária podem receber a Deeksha.

Estas são algumas das vantagens mais comuns em receber a Deeksha, confome relatado pelos beneficiários. As pessoas podem experimentar mais efeitos com a exposição contante/prolongada.

· Desperta potencialidades criativas, habilidades e inteligência
· Aumenta a capacidade de aprender
· Resolve o conflito interior que conduz à paz e à harmonia interior
· Traz amor para os relacionamentos
· Cura feridas emocionais e reduz as cargas dos pensamentos
· Evoca carinho, amizade e um sentimento de conexão com o outro
· Desperta compaixão
· Infunde vitalidade
· Cura o corpo através da cura da mente
· Relaxa o corpo e alivia o estresse
· Ajuda a construir amor e apreço pelo corpo
· Invoca energias auspiciosas
· Remove bloqueios que impedem o sucesso
· Possibilita uma estrutura mental para abundância
· Inicia uma jornada para experimentar o amor incondicional e alegria
. Inicia uma jornada para o Despertar e a Realização em Deus


sexta-feira, maio 29, 2015

A Divindade e a experiência

- Mooji -


Pergunta: "Mooji, se somos Seres Divinos, então por que temos que sofrer, e esquecer por completo?"

Mooji: "Alguns seres humanos parecem ter esquecido tão completamente que não tem nenhum interesse, em absoluto. Eu mesmo, em um tempo, não estava interessado em despertar. Não me interessavam estes tipos de coisas, tinha outros interesses, mas não nisto. Então, de onde veio este interesse? Então da mesma maneira em que surgiu dentro do meu coração, e de alguma forma chegou ao lugar em que se encontra agora, que há paz dentro de mim, em meu coração, paz em minha mente, não a paz gerada por algo, nem sequer tem uma razão.

É simplesmente Paz, alegria, silêncio e espaço.

Como isso chegou a alguém tão comum como eu? Por isso, vejo que deve ser possível a todos, porque não me sinto mais especial que ninguém. Alguém pode parecer completamente desinteressado e até mentalmente obscurecido, e sua vida pode mudar. Pode chegar a uma plena compreensão, ou a um completo despertar dentro de si mesmo.

Este é o Milagre, de fato.

É uma transformação orgânica, ou um giro, sem poder dizer sua causa.Mas não é que algumas pessoas têm sorte e outras não. Aqueles que sentem que chegou o momento de começar a descobrir, começam a sentir-se diferentes, se sentem atraídos, e começam a olhar para os livros espirituais, não querem mais livros românticos.

Querem saber sobre Buda. Se você quer dar-lhe um livro de viagem, eles não querem, o que desejam é saber o que o Buda disse sobre essas coisas.

O que o leva a pensar desta maneira? Não sabemos. Simplesmente esta atração floresce dentro de teu coração, e se começa a pensar diferente. 

No sonho da vida tem que existir estes opostos: como esquecer e lembrar. Se nunca se sentiu ódio ou tristeza, não se saberia o que é o Amor ou a Felicidade. Aprendemos através dos opostos, de alguma maneira. Então, se estivéssemos, como dizes: ‘todos despertos e divinos’, não saberíamos o que é Despertar. Não saberíamos o que é a Divindade, não saberíamos absolutamente nada, de fato, no estado original, não sabemos absolutamente nada, porque não há nada mais que saber. Quando tu estás completo em tua harmonia natural tu não sabes absolutamente nada.

O que há para saber?

Qual é a razão para saber algo? Estás em completa Alegria. Quando você está feliz, você não quer saber nada, você simplesmente está feliz, não é? Mas quando você está triste você quer saber muitas coisas.

Quando estamos em um estado de sofrimento e dor, algo assim, então surge esta pergunta: Porque devemos sofrer desta maneira?Quando estamos nos divertindo, nós não fazemos esta pergunta. Estamos suficientemente contentes para continuar nos divertindo. Mas quando se sofre, sente dor ou perda, ou tem uma profunda ferida emocional.

Aí surgem estas perguntas: ‘o que é esta vida’?, ‘porque estamos aqui’? Este gosto pela experiência é parte do que poderíamos chamar “a Obra Divina”.

Nós amamos experimentar, amamos o contraste, amamos também a incerteza da experiência, amamos os altos e os baixos da experiência, amamos tudo isso. É parte do Jogo e da Obra: O gosto por experimentar."




quarta-feira, maio 27, 2015

Vendo a partir da real perspectiva

- Sri Nisargadatta Maharaj -

Visitante: Meu filho único morreu há alguns dias em um acidente de carro, e eu achei quase impossível aceitar sua morte com uma coragem filosófica. Sei que não... sou a primeira pessoa a sofrer tal perda. Também sei que cada um de nós terá que morrer algum dia. Tenho buscado alívio em minha mente recorrendo a todos os truques usuais pelos quais nos consolamos uns aos outros em tais situações. E, ainda assim, volto ao fato trágico de que um destino cruel privou de tudo o meu filho, na flor da juventude. Por quê? Por quê? Pergunto-me todo o tempo. Mestre, não posso superar minha dor.

Maharaj: (Depois de meditar por um minuto ou mais, com os olhos fechados) É inútil e fútil dizer que eu estou aflito, pois, na ausência do ‘eu’ (de ‘mim’ como um indivíduo) não há ‘outros’, e me vejo refletido em todos vocês. Obviamente, você não veio a mim buscando mera simpatia, a qual você deve ter recebido em abundância de seus parentes e amigos. Lembre-se, vai-se pela vida, ano após ano, apreciando os prazeres habituais e sofrendo as dores normais, mas sem nunca ver a vida uma vez sequer em sua verdadeira perspectiva. E o que seria esta verdadeira perspectiva? Seria isto: Não há nenhum ‘eu’, nenhum ‘você’; não podem existir tais entidades. Todo homem deverá entender isto e ter a coragem para viver sua vida com esta compreensão. Você tem esta coragem, meu amigo? Ou, você se dedicará inteiramente ao que você chama de seu pesar?

V: Maharaj, perdoe-me, não entendi inteiramente o que você disse, mas me sinto assustado e chocado. Você expôs a essência de meu ser, e o que você disse de forma tão resumida parece ser a regra de ouro para a vida. Por favor, poderia explicar com mais detalhes o que você disse? O que exatamente deverei fazer?

M: Fazer? Fazer? Absolutamente nada: Apenas veja o transitório como transitório, o irreal como irreal, o falso como falso, e você compreenderá sua verdadeira natureza. Você mencionou o seu pesar. Você já olhou para o ‘pesar’ face a face e tentou entender o que ele realmente é?

Perder alguém ou alguma coisa que você amou muito causará aflição. E, desde que a morte é a aniquilação total, com irrevogabilidade absoluta, a aflição causada por ela não será suavizada. Mas, mesmo uma esmagadora aflição não poderá durar muito, se você a analisar intelectualmente. O que é exatamente que o aflige? Volte para o início: você e sua esposa concordaram com alguém que teriam um filho – um corpo particular – e que ele teria um destino determinado? Não é um fato que a própria concepção foi um acaso? Que o feto tenha sobrevivido a muitos perigos no útero foi outro acaso. Que a criança era um menino foi outro acaso. Em outras palavras, o que você chamou seu ‘filho’ foi apenas um evento ocasional, um acontecimento sobre o qual você não teve qualquer controle em qualquer momento, e, agora, aquele evento chegou ao fim.

O que é exatamente que você lamenta? Lamenta acaso pelas poucas experiências agradáveis e pelas muitas outras desagradáveis que seu filho perdeu nos anos por vir? Ou, você está, real e verdadeiramente, lamentando pelos prazeres e amenidades que você não mais receberá dele? Lembre-se, tudo isto é do ponto de vista do falso! Acompanhou-me até aqui?

V: Estou assustado, e continuo abalado. Certamente, segui o que você disse. Apenas não entendi o que você quis dizer quando disse que tudo isto era do nível do falso?

M: Ah! Agora passaremos ao verdadeiro. Entenda, por favor, como verdadeiro, o fato de que você não é um indivíduo, uma ‘pessoa’. A pessoa, aquela que se pensa que se é, é apenas um produto da imaginação, e o ser é a vítima desta ilusão. A ‘pessoa’ não pode existir por si mesma. É o ser, a consciência, que erroneamente acredita que exista uma pessoa e que é consciente de sê-la. Mude seu ponto de vista. Não olhe o mundo como algo externo a você mesmo. Veja a pessoa que você imagina ser como uma parte do mundo – realmente um mundo de sonhos – o qual você percebe como uma aparência em sua consciência, e olhe para todo o espetáculo de fora. Lembre-se, você não é a mente, a qual não é senão o conteúdo da consciência. Enquanto você se identificar com o corpo-mente, será vulnerável à aflição e ao sofrimento. Fora da mente há apenas ser, não ser pai ou filho, isto ou aquilo

Você está além do tempo e do espaço, em contato com eles apenas no ponto do aqui e do agora, mas, de outra forma, é atemporal, ilimitado e invulnerável a qualquer experiência. Entenda isto e não se lamente mais. Uma vez que compreenda que não há nada no mundo que você possa ou necessite chamar seu próprio, você olhará para ele do exterior, como veria uma peça em um palco ou um filme sobre a tela, admirando e apreciando, talvez sofrendo, mas, no fundo, completamente impassível.

(Do livro: "Sinais do Absoluto".)


sexta-feira, maio 22, 2015

Perguntas e respostas sobre a Iluminação - 2/2



15. É possível fazer uma comparação do ensinamento budista com o célebre exemplo da caverna de Platão?

Uma analogia é algo limitado, útil somente até determinado ponto. Na analogia da caverna, Platão imagina seres que estão ao fundo de uma caverna e interpretam o mundo atrávés das sombras que a luz externa projeta na parede. Nenhum deles jamais saiu de lá.

O mundo do samsara, o mundo das ilusões em que vivemos, é assim: um mundo de sombras que interpretamos e nas quais vemos relações. Lá fora existe uma luminosidade pura que permite que tudo surja por meio de sombras.

Mas a luminosidade não são as sombras e as sombras não são a luminosidade. No entanto, estão tão ligadas que, sem a luminosidade, as sombras não existem, e sabemos que há luminosidade porque há sombras.

A vacuidade, o Vazio (o não manifesto, o incondicionado, o além de características) é, nesta analogia, a luminosidade. As sombras, as nossas percepções, as palavras os símbolos com que tentamos entender a luminosidade, através das interpretações que fazemos das sombras.

Não admira que seja tão difícil duas pessoas se entenderem, quando um quer que surja a lógica através dos raciocínios que faz com palavras (semiótico) a respeito das sombras e dos relatos sobre estas relações, e o outro, por sua vez, deseja falar sobre a luminosidade, também usando símbolos criados através do estudo das sombras para explicar que a luminosidade está "além" de qualquer sombra.

No Zen, diríamos de imediato que: "As sombras e a luminosidade não são um e também não são dois". Ou seja, a luminosidade externa é não definível pelas sombras, as sombras,embora manifestação que só surja se existe luminosidade, estão num nível inferior de complexidade que não permite que, com elas, analisemos o nível superior. Assim como as pedras e sua ciência não esclarecem a biologia, como a fisiologia do cérebro não esclarece a consciência: podem, no máximo, dar uma sombra da manifestação mais complexa.

Se é útil este ensinamento baseado nas sombras? Com certeza, a maior parte dos ensinamentos budistas são assim. Deve-se falar no "além" disso? Com certeza, sob pena de nos recusarmos a virar e sair da caverna. Iluminação seria isto? De certa forma sim. Samsara (as sombras) e nirvana (fora da caverna) são o mesmo? Sim e não, os dois não são um, mas também não são dois, e os bodisatvas são os que retornam para dentro da caverna e falam sobre a luminosidade, porém não podem iluminar ninguém, podem apenas dizer:saia, saia, vire-se, isto aqui são só as sombras, você mesmo é sombra!

Porém, sem ver a luminosidade não é possível entender. Nessa analogia (limitada, lembre-se), iluminação é mergulhar na luminosidade. O mundo das sombras, assim, fica paupérrimo.

Nirvana é, vendo isto, livrar-se de todas as relações entre sombras, ficar sem "ventos" internos. Pode-se estar no Nirvana e não ser um bodisatva. Parinirvana é dissolver-se em pura luminosidade.

Assim sendo, com o vocabulário e as técnicas úteis dentro de um âmbito, não podemos entender o outro. É preciso sempre abandonar a caverna para, mergulhados na luminosidade, compreender que aquele mundo é inexprimível para o expectador da face de pedra interna.


16. De que adianta chegar à iluminação se, no final, tudo dá no mesmo?

Não, não dá no mesmo. Como onda, você está irremediavelmente obrigado a se manifestar. Se você se ilumina, pode escolher até mesmo não mais se manifestar, escapando da Roda. Sem a iluminação, você é apenas arrastado, sem escolhas.Aqui parece que estou dizendo que existe algo como alma, mas não é assim, é o movimento cármico que se extingue no iluminado.


17. De que adianta o individuo escapar desse mundo se o ponto final é ser absorvido no todo?

Se o indivíduo é ilusão, querer permanecer é a prisão. Escapar não é ser absorvido no todo, é descobrir-se o todo. Descobrir-se o todo é ver a face original, é a experiência religiosa mais profunda, a morte de si. Mesmo no Cristianismo, isso surge: veja Paulo, que diz "não sou mais eu quem vive, mas Cristo que vive em mim". São Francisco de Assis "é morrendo que nascemos para a vida eterna". No budismo: 'a experiência do nada é a maneira de engolir o universo'.


18. Jurar renunciar à busca da iluminação porque é impossível alcançá-la enquanto o processo seja uma meta consciente do eu: esse pensamento me tocou profundamente. Poderia falar mais a respeito?

No Zen dizemos que quando sentamos em iluminação já estamos iluminados. Se você sentar procurando por ela, não poderá encontrá-la, porque estará procurando algo para si mesmo e isso implica continuar agarrado ao ego. Ou seja, sentar-se sem nada mais querer é um ato iluminado.


19. O único caminho para alcançar a iluminação é através da meditação?

Não. Alguém pode se iluminar apenas ouvindo um ensinamento, por exemplo. Mas essa é apenas uma possibilidade teórica. Mesmo Buda praticou meditação por seis anos antes da iluminação. Os mais fantásticos mestres tiveram muito trabalho para chegar lá. Mesmo que você acumule muitas vidas de dedicação terá uma chance em milhões sem meditar. Agora pergunto: por que adiar uma prática tão preciosa sobre qualquer ponto de vista? É dura e difícil, mas é a essência do zen. Aliás, a palavra "zen" quer dizer "meditação".


20. Por que os iluminados continuam no mundo?

Para a mente iluminada, há ação neste mundo de fantasmagoria, não se abdica dele por ser não existente.


21. Se não existe nada para reencarnar, obviamente tudo se extingue após a morte. Sendo assim para que buscar a iluminação?

Nem tudo, o karma persiste, o que se extingue é o ilusório, a energia kármica prossegue se manifestando. Você busca a iluminação para acordar e escapar do sofrimento causado pelo fenômeno vida em que você está aprisionado.


22. Para se livrar do fenômeno 'vida' em que estamos aprisionados, não bastaria esperar a morte?

Sim, mas embora não haja identidade para sobreviver, novo fenômeno se origina deste karma não resolvido. E você pertence ao universo,do qual não pode escapar.Nesse sentido, jamais pode morrer ou desaparecer, está preso a se manifestar como fenômeno já que é uma onda kármica.


23. Como o carma pode funcionar para cada indivíduo, se a individualidade é apenas ilusão? A parte que me causa problema é imaginar que a individualidade é totalmente ilusória. Se o que o que o senhor diz é a verdade, parece que se anularia a noção de progresso: o universo daria sempre no mesmo. Para que ter consciência se, na cena final, na vitória final,vai-se compreender que o ego e a individualidade são sustentados pela desejo ardente de defender o 'eu'? O ser consciente chega a essa realização e a consciência, com esse valioso conhecimento e com vidas de experiência, se apaga?

Muito interessante a pergunta. Até porque é exatamente assim que o universo parece se comportar. Ele não parece ser infinito. Se o fosse, quando você saísse ao relento, à noite, o céu seria branco, reluzente como o sol, porque para qualquer ponto que você olhasse, veria uma estrela e, na infinitude, não haveria pontos sem luz.

Para o Budismo, os universos são cíclicos e múltiplos. Não se destinam ao surgimento de seres, simplesmente acontecem 'big bangs' e colapsos finais em que tudo desaparece, ou em entropia, ou em 'crunchs'. Mesmo assim, tais explicações não importam ao Budismo, que não tem como objetivo dar explicações científicas, mas visa à libertação. Obtida esta, o próprio Budismo deve ser abandonado, como um barco que serviu para atravessar um rio.

O carma tem repercussões nas ondas de manifestação individuais, que não são o mesmo 'eu', tal como a chama que acende uma vela não é a mesma chama. Mas, de outro ponto de vista é a mesma chama... Assim são as vidas, chamas que são passadas, sem individualidade, mas guardando suas características.

Os tempos universais têm progresso, mas ele não é contínuo e há retrocessos. Não tenho dificuldade em imaginar a onda de um criminoso nazista se manifestando em um cachorro sarnento em um país miserável por milênios, até que seu carma se esgote... Também basta colocar o pé na Alemanha para ver que os jovens alemães de hoje sofrem o carma que herdaram do passado de seu país. Temos o carma de nosso país, de nossa família, de nossa onda individual, de nosso planeta...

O Vazio a que pertencemos tem tudo. Nós é que nos perdemos nesta pequenas e limitadas manifestações individuais. Nada há para ser perdido. Nem para ser obtido. A iluminação é libertação desse eu aprisionado, limitado, sem conhecimento. Um universo cessa quando seus carmas se esgotam, quando a energia se equilibra sem distinções. Querer guardar algo, obter algo para um eu individual é a cegueira básica que impede a iluminação.

A iluminação já está aqui, agora, só não a vemos porque a ilusão do eu deseja obter sabedoria, poder, vitórias, conhecimentos, mergulhando-nos em um sonho sem fim. É por isso que despertar desse pesadelo é que faz de um homem um Buda. Buda, afinal, quer dizer, Desperto, Aquele que acordou.


24. A experiência mística (kenshô) é a iluminação?

Antigamente ela era tratada como tal. Contudo, ter uma experiência de kenshô (teofania, êxtase religioso) pode dar resultados apenas temporários, como uma lembrança espetacular, e não alterar realmente a vida do praticante. Portanto, tem todo o sentido um professor perguntar: 'muito bem, e daí? O que mudou realmente em suas atitudes?'. A prática não é ter uma experiência, é praticar continuamente.


25. O que é o Satori?

É uma experiência definitiva, revolucionária, um cair de céus e terra que muda profunda e permanentemente a pessoa. Distingue-se do kenshô por sua permanência e pela aptidão para ser recuperado a qualquer momento por quem o possui. É também chamado de iluminação, embora haja numerosos níveis de profundidade em sua qualidade.


26. O uso de drogas pode abrir caminho para a iluminação?

Mergulhar em ilusões provocadas pela alteração do funcionamento cerebral só pode tornar ainda mais difícil a liberação. Ela depende de imensa clareza, de limpeza dos processos mentais. As alucinações e alterações da percepção só nos distanciam da clareza, sem considerar os danos permanentes que podem ocorrer.


27. As atividades neste mundo de egoísmo não impedem o caminho espiritual? Como se iluminar sem ser um monge?

Todas as nossas atividades no mundo podem ser meios hábeis para a iluminação. Procure ler o Sutra de Vilamakirti, que era discípulo de Buda e grande comerciante; nenhum dos outros conseguia vencê-lo em sabedoria. A lição é de que não é a atividade em si o problema, mas a mente com que ela é feita. Você pode ser um vendedor e estar agindo com compaixão a todo o tempo, mesmo que isso não seja transparente para os que o vêem. O livro 'A doutrina zen da não mente' de D.T. Suzuki também lhe pode ser útil. Os atos são aparentemente os mesmos, a postura interna é que muda. Para algumas pessoas, isso aparece e elas perguntam: - o que há de diferente em você?

Como Vilamakirti demonstrou, não há necessidade alguma de sermos monges; esta é apenas uma forma mais fácil de prática, não necessariamente mais meritória, apenas um caminho para os que desejam ajudar outros.


28. A história de Mestre Sawaki, respondendo 'não' à pergunta se teria obtido a iluminação, não me parece ter um ensinamento budista evidente. O senhor pode esclarecer?

Essa história é muito bonita: se ele dissesse 'sim,' estaria consciente do satori, uma contradição; se estivesse consciente, não teria a 'não mente' e, portanto, não teria o satori. Quando ele disse não, o discípulo que estava à beira do entendimento repentinamente percebeu o significado da resposta, por isso chorou. Não chorou por se sentir magoado, mas por se emocionar com o entendimento da não mente (mushin) que o mestre tinha.



Fonte: www.dharmanet.com.br

quinta-feira, maio 21, 2015

Perguntas e respostas sobre a Iluminação - 1/2




1. Falar em pessoas iluminadas e não iluminadas não seria uma visão dualista?

Sim, é uma visão dualista. Costumamos dizer, no Zen, que todos já estão iluminados, somente não o percebem. Mas temos que ter cuidado com estes paradoxos do pensamento no Zen. A mente intelectual não pode alcançar o Zen. Usamos as palavras porque não há outra maneira, mas sempre haverá enganos e armadilhas no discurso. É preciso ir além, senão ficaremos como teólogos discutindo os detalhes. A compreensão é perfeita sem palavras, como quando entendemos uma anedota. Se for explicada , perde a graça.


2. Mas existe uma diferença entre os dois estados de consciência (iluminação e não-iluminação)?

Existe. Um discípulo perguntou a um mestre:

- Qual a diferença quando eu me queimo e o senhor se queima?
- Nenhuma diferença, é a mesma coisa, mas eu sei disto e você não.


3. Por que não acordo?

Porque a prática é fraca ou insuficiente. Muito dificilmente se chega lá apenas pensando, estudando, ou mesmo acumulando poderes e sabedorias. Chega-se por meio da meditação correta. Nada mais do que isto.


4. Sei bem que a personalidade é algo montada, artificial e transitória. Sinto-me tendente a fazer a defesa desta personalidade barulhenta e inconveniente. Quero saber como posso aprender apreciar e entender o medo que me resta.

Penso que esse medo é um belo instrumento. Deve-se e mergulhar nele. É preciso meditar e morrer, morrer sinceramente, perder tudo completamente, deixar extinguir toda essa ilusão de separação, toda essa ilusão de um eu construído, que não tem como sobreviver a cada dia e morre a todo instante. Quero dizer com isto que você precisa sentar em meditação e deixar realmente que este medo mais do que se apresente, que ele se impregne em você até que você seja apenas medo e então se pergunte: "quem é este que tem medo? onde ele está?".


5. Há uma história no livro do Rev. Ricardo Gonçalves (Textos Budistas e Zen-Budistas) "Hakuin e a Jovem Iluminada", em cujo final consta: "A Iluminação do Zen está longe de matar os sentimentos inerentes ao ser humano". O senhor poderia comentar esta frase?

Vou contar outra história e penso que tudo se esclarecerá:

Um mestre recebeu uma carta que comunicava a morte de um parente e começou a chorar sentado em uma pedra. Chocado, um aluno aproximou-se e disse:

- O senhor ensinou-nos sobre a impermanência, sobre o Dharma, sobre a clara percepção das coisas e agora está chorando por causa de uma morte?

O mestre parou de chorar, olhou para ele, e disse:

- Seu idiota! Eu estou chorando porque eu quero! E voltando a baixar a cabeça, retornou a soluçar tristemente.


6. Se nós já temos a iluminação, apenas não enxergamos as coisas corretamente, qual o sentido de nossa busca?

Você já tem em potência, mas não a realizou. Para realizar, precisa enxergar.


7. Como é a conduta dos mestres?

Melhor que falar sobre a conduta dos mestres, é explicar sobre os passos do caminho: primeiramente, a pessoa percebe as questões de entendimento, a vacuidade, a interdependência a ilusão da individualidade e assim vai progredindo em um caminho que, obrigatoriamente, engloba uma conduta ética que é consequência lógica desse entendimento.

É comum então a aparência de uma virtude muito grande, uma aura de santidade. Quando este estágio é superado, com a iluminação real, a santidade e a virtude são deixadas de lado. Na realidade, o próprio Budismo será deixado de lado. Homens iluminados podem ter uma conduta incompreensível, a chamada louca sabedoria.


8. A transmissão mente a mente é a única e verdadeira forma de compreender o Dharma?

Em absoluto. Basta ver os numerosos métodos e escolas existentes. Porém, no Zen (e outras linhas Mahayana), a transmissão pessoal é considerada um método poderoso. A iluminação, sem esse auxílio, é vista como uma extrema raridade dentro das escolas Zen.


9. É possível julgar as ações de um Mestre iluminado?

Existe, em geral, uma crença de que é possível discernir com precisão o que é certo e o que é errado. No Zen, acredita-se que essa capacidade, por parte de um indivíduo não iluminado, é relativa, visto estar contaminada pelos condicionamentos gerais que todos carregam.

Até mesmo o método de julgamento ensinado no sutra teria uma efetividade relativa, se empregado por um ser imperfeito em seus julgamentos.

Trata-se da crença de que as regras são suficientes para indicar o caminho da virtude. Do ponto de vista do zen (e, creio, do mahayana em geral), esse é um bom caminho, mas limitado a um determinado ponto, em que a fronteira entre o certo e errado começa a ficar embaçada. A partir de certo estágio, somente uma compreensão iluminada pode discernir a melhor ação em uma determinada circunstância. As regras tornam-se o que são: letras no papel. Em um nível absoluto, não pode haver distinções baseadas em regras ou leis.

É um problema filosófico não somente no budismo: para julgar os atos do Deus cristão, dizem estes que a mente humana seria incapaz. É, em síntese, o mesmo caso: a mente não iluminada não detém capacidade para apreender e julgar os atos da iluminação. Do contrário, o mestre zen, ao dar uma bastonada no aluno, não passaria de um ser violento. É um exemplo bem primário, sei, mas o utilizo porque fácil de decodificar.

Basta aumentar o nível de complexidade, para que o julgamento se torne obscuro e impossível para o praticante: ele não tem meios mentais para julgar os atos de um mestre, que podem estar muito à frente de seu julgamento no tempo, e visar a coisas incompreensíveis à mente comum.


10. O Buddha não disse que todos os seres podem e vão alcançar a Iluminação, independentemente de qualquer fator?

Até mesmo a existência dos seres é uma delusão. A crença em um samsara eterno é produto do pensamento de que os carmas não podem se esgotar. Não é verdade, visto que há surgimento e cessação de todos os movimentos, já que que eles tendem a se manifestar e se compensar. Também ajuda pensarmos em termos matemáticos: "dado tempo suficiente, todos os eventos possíveis sucederão". E tempo é o que não falta.

A afirmação que você questionou surge da crença que:

1) Existem seres individuais (que permanecem e se libertam ou não no tempo);
2) Esses seres são separados e têm algo permanente (que os individualiza e portanto pode 'não se salvar');
3) O samsara é permanente e eterno (dentro de um ciclo sim, mas o que é eternidade?);
4) Há seres privilegiados que se libertam (de novo noção de individualidade separada).

Estes pontos contrariam aquilo que é aceito no budismo mahayana. Basta ver o voto do bodisatva: "Mesmo que os seres sejam inumeráveis eu faço o voto de salva-los todos", repetido sempre nos centros zen.


11. Existem exemplos de pessoas que fizeram o caminho de esquecer de si mesmas e que são felizes assim?

O caminho do asceta leva à virtude, não à iluminação. Nosso objetivo não é a santidade, mas a iluminação. Isso é que é felicidade plena.


12. Uns meses atrás, coloquei um alimentador para colibris em frente da janela da sala. Sentado na sala, vejo quando um vem, bebe e vai; cada um é uma pequena maravilha de penas verdes e azuis iridescentes, quando voa pairando no ar, bebendo... Fico encantado e, às vezes - às vezes! - durante uma longa fração de segundo - suponho - pois nao sei - o mundo pára em beleza e tudo tem um sentido que não é meu. Por que esses momentos de abertura não duram? O que representam eles na caminhada para a iluminação?

Penso que representam muito. São a demonstração de que você tem capacidade para se iluminar. Através da meditação, você começa a desenvolver a capacidade de chamar esse maravilhamento quando deseja, cada vez mais fortemente. Chamamos a isso de samadhi, concentração plena no momento. Eles não duram porque surgem novos pensamentos que, invasivos, nos tiram do presente e nos levam a considerações, passado ou futuro. Para fazer durar, você precisará estar plenamente naquele agora. Na meditação, você aprenderá a ficar assim cada vez mais tempo. Depois, por longos minutos. Pode ser tão maravilhoso que cria uma armadilha: um estado tão feliz que queremos ficar nele, mas ele ainda não é iluminação, é "maravilhamento". Será preciso ir além disso. Mais profundamente que essa plenitude de felicidade por estar "aqui, agora", livre de todo o carma acumulado, dissolvido na experiência tal como ela é.


13. Como o senhor avalia a frase de um místico cristão: 'fique sem movimento e conheça a Deus'?

A mim parece um bom resumo do Zen. (1) Ficar ser movimento mental é destruir a mente conceitual que, aliás, é muito forte em geral em todas as pessoas inteligentes.(2) Esta abstenção de movimento é obtida através da prática da meditação. Essa experiência lhe fará muita diferença.


14. Católicos, protestantes, muçulmanos, etc. também podem alcançar a iluminação?

Impossível, nesse contexto de palavras, não classificar e distinguir... não conversaremos sem usar a mente discriminativa até mesmo quando usamos os termos que designam as tradições. Sim, o Dharma, para nós budistas, é o ensinamento supremo. Mas daí acreditar que outras tradições não possam alcançar a iluminação através do reconhecimento direto, vai uma distância. Elas podem. O Zen não detém o monopólio da iluminação, nem o budismo o detém. O zen está focado em atingir a iluminação, descarta o resto. Algumas formas budistas nem têm como objetivo alcançá-la nesta vida porque o creem difícil agora, e pretendem, por exemplo, adiá-la para depois de estar em condições melhores. Dessa forma o zen considera que detém uma metodologia de prática efetiva e crê na possibilidade de iluminação aqui, agora.


Fonte: www.dharmanet.com.br