"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

terça-feira, agosto 19, 2014

Comentando o capítulo 11 - 2/2

Gugu


Outro ponto essencial, enfatizado por Joel Goldsmith, no capítulo 11, diz respeito aos dois mandamentos deixados por Jesus:

1) Amarás ao Senhor teu Deus acima de todas as coisas, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento... (Lucas 10: 27)

2) ...e amarás ao teu próximo como a ti mesmo. (Lucas 10: 27)

Jesus deixou à humanidade esses dois grandes mandamentos. Havia uma razão muito boa para ele os ter concebido. Jesus era detentor de imensurável conhecimento e sabedoria; estava consciente de um grande segredo que poucas pessoas na humanidade tiveram acesso – um segredo que diz respeito à verdadeira natureza da Mente que criou o Universo, o homem, e da também da "inteligência" (mente) que criou o universo da separação. Devido a isso, ele conseguiu "mapear" e solucionar todo o "mecanismo engenhoso" de que a ilusão se vale para perpetuar na Mente do homem o senso de separação de Deus. Então, com base nisso, Jesus elaborou em simples palavras dois pequenos mandamentos capazes de resolver completamente os problemas da separação e da dualidade. Ambos os mandamentos são complementares e, juntos, transmitem todo o caminho possível de ser trilhado na espiritualidade. Como consequência disso, eles também sintetizam e expressam a essência de todos os ensinamentos espirituais. Por isso, será bom compreendermos o mais profundamente possível as implicações/significados desses dois mandamentos de Jesus, e de que modo eles estão relacionados à iluminação espiritual e à cura espiritual.

Mas, antes de entrarmos nos mandamentos de Jesus, necessitaremos fazer algumas considerações: há um único Princípio, um único Ser, uma única Mente, Onipresente, em todo o Universo. Essa é a Realidade. Todavia, há um (suposto) "pensamento universal de separação"  concebendo a (aparente) existência de um universo de dualidade e separatividade. Tal pensamento de "separação" ou "afastamento" de Deus não foi concebido por Deus, porque Deus nunca se separa ou afasta de si mesmo. Não existe separação de Deus! A ilusão é que faz parecer como se existisse. Devido ao fato de o Universo ser constituído por uma única Mente, para fazer com que a separatividade pareça existir, a ilusão vale-se de um certo "truque": ela faz com que a Mente Única Infinita seja projetada; e, nessa projeção, a Mente Infinita é dividida em várias "pequenas mentes" para fazer parecer existir várias identidades, corpos, mentes, espíritos, enfim, vários seres distintos, isolados e separados uns dos outros. Dessa forma, dentro do universo da projeção, cada ser acredita ser uma existência diferente/única/especial, separada e isolada de todos os demais seres. Apesar disso, a realidade continua sendo a de que, por trás de cada "ser" que está sendo projetado no universo da separação, existe uma mente maior – a Mente Única – e no nível dessa Mente os seres sabem que são todos "iguais" e "UM" uns com os outros. Em razão disso, o universo da separação pode ser percebido ou interpretado a partir de dois pontos de vista: um que advém da "mente pequena e superficial" que percebe a separação; e outro que advém da Mente Única Infinita que percebe a unicidade. A mente que percebe a separação é como a "pequena ponta de um iceberg" que existe na superfície. E a Mente Perfeita que percebe a unicidade é como o "iceberg" em sua totalidade. Perceba o fato de que o iceberg é o mesmo, porém apenas uma pequena parte dele está visível para os que estão acima da superfície, enquanto que a sua parte gigantesca está escondida/oculta dentro do mar. Por essa razão, os seres todos do universo da projeção percebem conscientemente a separação e, ao mesmo tempo, sabem inconscientemente que a separação não existe e que, no lugar dela, somente existe a perfeita unicidade. A percepção de unicidade do todo existe – ela está velada/oculta nas profundezas da Mente – mas pode ser trazida à tona, ou seja, pode ser lembrada. E é nisso que consiste a caminhada espiritual de cada ser humano: desfazer-se do sentimento de separação do todo, e lembrar-se de sua perfeita unicidade com Deus.

O senso de separação é como a "treva" que inexiste diante da "luz". Quando a Luz se faz presente, a treva revela sua ausência/inexistência originária. Quanto mais o ser humano acredita na ideia da separação (concebida pela crença universal), mais o sentido de separação é reforçado em sua Mente – ou seja, a Mente Única –, e isso garante com que ele continue experienciando o seu Ser como se existisse separado do Todo. O contrário também ocorre: se, ao invés da separação (trevas), o ser humano reforçar em sua Mente a ideia da unicidade perfeita (Luz), o sentido de separação começa a ser desfeito, até desaparecer por completo, e o homem passa a experienciar o seu Ser sendo "UM" com todas as coisas. Esse é o mecanismo total que explica o envolvimento da Mente Infinita Universal com a ilusão de separação. Se o funcionamento desse mecanismo for bem compreendido, a ilusão de separação na Mente pode ser desfeita. E aqui chegamos ao fim das considerações necessárias para compreendermos os mandamentos deixados por Jesus.

O primeiro mandamento "Amarás ao Senhor teu Deus acima de todas as coisas" consiste no reconhecimento de uma única Fonte, Mente ou Ser em todo o Universo. Toda existência surge de uma única Mente, sendo constituída e permeada pela Mente Única: Deus. Deus é a totalidade de tudo o que existe! Deus é tudo como tudo! "Amar a Deus acima de todas as coisas" significa honrar a Deus como sendo existência única. Significa reconhecer que não existem aquelas "todas as coisas" (são ilusórias!) que pudessem ser amadas além de Deus, porque Deus é realmente tudo! Nós honramos a Deus como sendo tudo quando descartamos aquilo que é "nada", "inexistência". A ilusão não existe. Portanto, não há como honrar a Deus reconhecendo a existência de "universo material" e de "seres humanos vivendo na matéria". O Universo é espiritual! E o ser humano vive em Deus! Devido a isso, somente é possível cumprir o primeiro mandamento de Jesus quando, no Silêncio Sagrado, percebemos a irrealidade da ilusão e a existência única e absoluta da Realidade Divina. Ao descartarmos a ilusão e permanecermos na Realidade Infinita puramente espiritual (que não se mistura com a realidade-finita-material), experienciamos um estado indescritível de felicidade, paz, amor, êxtase, plenitude. Nessa Realidade Absoluta, a consciência (o Filho) perde a sua individualidade, une-se à sua Fonte (o Pai) e experiencia o supremo estado espiritual de unicidade perfeita. Nele, não há mais um "eu" – unicamente o Amor (o Todo) habita em toda a parte. Pai e Filho são UM. Nessa Realidade Celestial, o Filho tem a experiência de ser emanação/pensamento de Deus, e esse pensamento é perfeito. Por ser perfeito, é um pensamento total, pleno e completo – um pensamento que não pode ser tocado pelo mundo (ilusão). Você não pode ser tocado na perfeita unicidade porque não há nada mais para tocá-lo. Nessa condição, um estado de gratidão é muito natural e apropriado. Sentimos como se o tempo todo estivéssemos dizendo "Obrigado, obrigado", mas não trazemos palavras a isso, somente nos permitimos ter a experiência. Em tal estado de plenitude, tudo está incluso.

Ao acessar esse patamar absoluto de consciência, Goldsmith fazia contato com a Verdade de que: "há somente uma Realidade e, nela, tudo já está feito! Não há imperfeição ou ilusão a ser curada, modificada ou melhorada. Deus é tudo como tudo!". Essa era a base da realização de sua cura espiritual. Esse patamar absoluto somente pode ser experienciado em momentos de contemplação, quando estamos totalmente alheios/isolados/fechados à ilusão. Jesus diz: "Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, o recompensará" (Mateus 6:6). Ou seja, em nossas orações (meditações),  a fim de podermos contatar "o Pai que está em secreto", devemos "fechar a porta" para o universo exposto pela ilusão. Isso é assim porque, perante a Realidade, a ilusão não existe. Portanto, em nossas orações/meditações somente nos ocuparemos única e exclusivamente com Deus. Ao fazer isso, estaremos cumprindo o principal mandamento de Jesus. Logo, resumindo tudo em termos simples: o primeiro mandamento de Jesus diz respeito a vivenciar/experienciar a perfeita Realidade Espiritual. A contemplação da Verdade "Eu sou Deus, o Ser único, em perfeita unidade com todo o Meu Universo" desfaz o sentido de separação incutido em nossa Mente, provocando a aceleração do momento em que experienciaremos o nosso Ser como sendo o Todo, uno e perfeito: Deus.

O segundo mandamento "...e amarás ao teu próximo como a ti mesmo" é decorrência ou sucessão do primeiro mandamento. O primeiro mandamento é vivenciado em nossos períodos de contemplação absoluta, quando a realidade projetada pela ilusão deixa de existir completamente para nós. Por sua vez, o segundo mandamento é para ser cumprido nos períodos vivenciados fora das contemplações absolutas. As contemplações não farão a ilusão sumir; ao terminarmos a meditação, o universo projetado pela ilusão ainda estará lá. Todavia, a realidade projetada será influenciada pelas contemplações. A Verdade conscientizada durante as contemplações atua poderosamente no curso dos fatos e acontecimentos da realidade ilusória. Isso é assim porque a ilusão nada mais é do que uma "sombra" da Realidade Espiritual Perfeita. Tome como exemplo a sombra de um lápis projetado na parede. Jamais alguém conseguiria modificar a "forma" ou a "posição" daquela sombra tocando-a com as mãos diretamente na parede onde ela está projetada. Mas basta entrar em contato com o "objeto original" e, a partir dele, poderemos provocar na sombra toda espécie de alteração possível. O que é sombra não possui "substância" ou "realidade" própria, podendo ser alterada ou modificada a qualquer instante. Isso significa que o "roteiro" que a ilusão traça para nós pode ser alterado. Por exemplo: se no roteiro programado pela ilusão estiver previsto que a pessoa deverá "ter determinada doença"  ou "sofrer um acidente", tal roteiro poderá ser modificado se o indivíduo entrar em contato com a Realidade Original e conscientizar a verdade de que "não existem doenças nem acidentes na Realidade criada por Deus. Há unicamente saúde e vida, invulnerabilidade e felicidade". Essa conscientização desfaz o roteiro programado pela ilusão e faz com que na "sombra" seja apresentada uma sequência de imagens condizentes com a Verdade reconhecida. A contemplação da Realidade Absoluta tem o poder de anular carmas. Mas, se a pessoa não mantiver periodicamente o reconhecimento de que Deus é tudo, pouco a pouco ela é colocada debaixo de um novo roteiro a ser designado pela ilusão. Por isso, é importante adquirir o hábito de meditar constantemente, até que a meditação se torne uma segunda natureza ou parte de nosso ser.

Retomando: o segundo mandamento é para ser praticado nos períodos vivenciados fora das contemplações absolutas, quando estaremos lidando com o mundo da projeção. Para conceber o universo da separação, a ilusão aplica o "truque" de fracionar ou dividir a "Mente Única" em várias "pequenas mentes" distintas e separadas entre si. Assim, na realidade projetada, cada ser aparece como se fosse distinto e separado, mas o tempo todo a Mente Única (objeto original) permanece por detrás de cada "mente separada" (sombra). O grande segredo no qual Jesus baseou o seu segundo mandamento é: cada "mente separada" é a própria Mente Única. Do ponto de vista das "mentes separadas" parece que elas é que estão vendo tudo como se fosse separado, mas isso também é ilusão. A verdade é que a Mente Única está olhando para "fora" e percebendo a Si mesma como se fosse uma "pequena mente" que enxerga a separação. Mas tanto a "pequena mente" como a "percepção" que decorre dela são falsas. Por isso a Bíblia diz que: "nós não recebemos o espírito [mente] do mundo que somente vê as coisas do mundo, mas o Espírito [Mente] que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus... Temos a Mente de Cristo." (1 Coríntios 2: 12 e 16). A ilusão espera que os seres olhem para o exterior e acreditem na realidade da separação; ela deseja que todos os seres vejam-se diferentes e separados entre si; e deseja que todos pensem e atuem como se fossem separados uns dos outros – tudo isso alimenta a ilusão, reforça/faz perdurar na Mente o sentido de separação, o que garante com que o indivíduo continue experimentando a si mesmo como se existisse separado do Todo. Mas, se o indivíduo olhar para o exterior e perceber o "outro" como sendo uma projeção de Si próprio (de modo que não exista o "outro"), ele deixa de alimentar em sua Mente a ideia da separação, e esta começa a ser desfeita; e à medida em que o senso de separação for desaparecendo da Mente, a pessoa retorna ao seu estado natural de perceber e experienciar a Si mesmo como o Ser único. Assim, grave bem esta lei: a forma com que você olhar para o exterior, é a forma com que verá a si mesmo.

Isso nos leva a um outro aspecto tremendamente importante (ainda muito mais profundo!), que está implícito no segundo mandamento: se é verdade que da forma como vemos o "outro", veremos a nós mesmos (e isso é verdade!), então, se passarmos pela vida vendo as pessoas e o mundo como uma ilusão, um dia vamos pensar sobre nós mesmos, em nossa própria Mente, como uma ilusão. Lembre-se: a Mente (Mente Única) vai traduzir qualquer coisa que pensemos sobre os outros como uma mensagem a nosso próprio respeito. Isso é assim porque, embora nós (enquanto personagens projetados na ilusão) não estejamos ciente disso, nossa Mente sabe tudo, incluindo o fato de que existe apenas um Ser (que está sendo cada um de nós). Tudo o que nós pensarmos a respeito dos outros é realmente uma mensagem nossa, para nós, a nosso próprio respeito. Assim, nós definitivamente não deveríamos pensar nas outras pessoas como "seres não iluminados" ou como "ilusões", ou é isso que vamos pensar que também somos. Em vez de limitarmos uma pessoa como sendo um "corpo físico" ou "mente" separada, precisamos pensar nela como ilimitada. Em vez de pensar nela como "parte" de algo, precisamos pensar nela como sendo tudo. Se agirmos assim, isso afastará a nossa Mente do foco de sermos "seres indespertos vivendo em ilusão". Se virmos o outro como sendo tudo, nada menos que Deus, a Mente, em cada um de nós, entenderá que, se eles são a perfeita unicidade com Deus, então isso significa que nós temos de ser a perfeita unicidade com Deus. Então será assim que um dia experimentaremos o nosso Ser. Jesus fazia isso; ele não pensava em termos de separação, mas via a completude em todos os lugares. Jesus via a realidade do Espírito, a face do Cristo, em todos. Então, vamos pensar em todos como sendo o mesmo que Deus é. Isso é realmente visão espiritual.

Nos períodos fora da contemplação absoluta, devemos saber que "este próprio mundo em que estamos vivendo é o mundo que Deus criou. Este é Ele. A mente humana não o está vendo como ele é, mas, apesar disso, este é Ele.". Isso também está expresso nos ensinamentos da Índia, que afirmam "Eu sou Aquilo", "Eu sou Ele" (Soham). Cada "ser" ou "mente" separada é, na verdade, o Ser único, a Mente Única. Da mesma forma, este mundo em que (aparentemente) vivemos não deve ser visto ou avaliado como ilusório, a não ser durante os períodos de contemplações absolutas. Às vezes nos deparamos com ensinamentos absolutos que, intencionalmente ou não, afirmam que o mundo da projeção é algo "feio", "abominável", "imprestável", "maligno", e, empregando o poder da palavra,  induzem subliminarmente as pessoas a sentirem aversão pela vida e a desprezá-la por completo. Isso não está certo. Precisamos ter cuidado com o palavreado empregado nas literaturas espirituais, pois a mente subconsciente capta tudo. Se, por um lado, esses ensinamentos ensinam as pessoas a desfazerem o sentido de separação na Mente (durante as meditações absolutas), por outro lado criam um forte sentimento de separação na mesma Mente (em períodos vivenciados fora das contemplações). Sem contar que, ao adquirir tal visão errônea sobre a vida/o mundo/os seres, a pessoa começa a atrair para si situações problemáticas/horrendas condizentes com as ideias sombrias alimentadas no cotidiano; então a vida aqui na projeção se torna um grande inferno. Este próprio mundo deve ser visto como belo, sublime e maravilhoso: o mundo de Deus.

Neste capítulo, Goldsmith diz que: "a mais elevada concepção é aquela que permite olhar de frente a face do diabo e ver somente a face de Deus. Não existe céu e terra; não existe Deus e homem; não existe ser espiritual e ser material. Existe somente um, e Eu sou Ele". Por isso, se quisermos realmente amar a Deus, devemos amar a todos os nossos irmãos, aqui mesmo, no (suposto) mundo da projeção. Explica Goldsmith: "Se nós não amarmos ao homem a quem podemos ver, como iremos amar a Deus a quem não vemos? Deus e o homem são um. Ao senso finito, que vê através de limitada visão, é verdade que Deus é invisível; mas uma vez atingido este elevado estado, esta elevada realização do ser espiritual, passamos a olhar para o mundo e ver cada pessoa, cada circunstância e cada condição como sendo Deus aparecendo, e então Deus se torna visível para nós. Até que tenhamos atingido aquele estado, contudo, Deus será invisível para nós, porque para honrarmos a Deus, o Invisível Infinito, nós devemos honrar ao homem como Deus feito manifesto de forma visível." Ao invés de sentirmos aversão, desprezo e ingratidão pela vida, devemos amá-la e bendizê-la. A vida é sagrada! Todos devemos ser gratos por (parecer) estarmos aqui. Pode parecer paradoxal, mas o caminho para "escapar" da ilusão é vê-la e vivenciá-la como sendo a realidade, ao invés de sendo uma ilusão. Não nos esqueçamos de que este é Ele! Portanto, devemos ver este mundo como ele realmente é.

Concluindo: devemos nos focalizar no fato de que a vida humana é uma ilusão e de que unicamente existe Deus, porém isso é só para quando estivermos fazendo as contemplações absolutas. Em nosso dia-a-dia, nos períodos fora da contemplação, devemos empregar o segundo mandamento de Cristo, alinhando-nos com o princípio de que só existe Um de nós, amando ao próximo como a nós mesmos, e fazendo para os outros aquilo que gostaríamos que fosse feito para nós. "Se alguém diz: 'Eu amo a Deus', e aborrece a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? Aquele não ama, não conhece a Deus, porque Deus é Amor." (I João 4: 20). Devemos contemplar a Deus como tudo, sendo existência única! E em nossa vida cotidiana, devemos pensar no mundo da projeção (ilusão) como sendo o mundo de Deus (Realidade); devemos pensar em todos os seres como sendo o mesmo que Deus é. Devemos amar e perdoar todas as pessoas; devemos viver em harmonia com todos os seres; devemos abençoar todos aqueles que cruzarem o nosso caminho; devemos agradecer a todos e reverenciá-los como sendo Filhos de Deus perfeitos. Devemos orar pela felicidade de toda a humanidade. Esse é o caminho. Tudo isso faz desaparecer da Mente o sentido de separação; e quando nossa Mente tiver sido "esvaziada" de todo e qualquer senso de separação, o que restará é o nosso estado originário de iluminação espiritual.

Além de tudo isso, que relação tem o segundo mandamento de Jesus com a cura espiritual? No capítulo 5 deste livro, Goldsmith diz:

"Acima de tudo é preciso lembrar-se de que o mínimo desejo de receber benefício pessoal, a presença do menor traço de egoísmo, são fatores que anulam o processo de cura. Não há nada que deva ser obtido, e não podemos trabalhar do ponto de vista que admitisse haver. Deus é o infinito ser que revela, desenvolve, manifesta e expressa a Si próprio infinitamente como sendo eu e você. O único objetivo do tratamento e da prece é dar a conscientização da perfeição que já existe. Tudo que nós chegarmos a conscientizar como sendo verdade para nós mesmos, para o nosso ser, deve ser compreendido como sendo também verdade sobre todos os demais. Em outras palavras, não é possível haver uma prece visando que o sol brilhe em nosso jardim somente. Num caso destes, a prece deverá ser apenas para o sol brilhar. Devemos estar desejosos de que ele brilhe tanto em nosso pátio como no de nosso inimigo. Enquanto conservarmos no pensamento algum senso de ódio ou inimizade, o tratamento ou prece será inútil. Não é fácil perceber que seria pura perda de tempo haver tratamento ou prece sem esta qualidade de perdão? A consciência precisa ser uma transparência para Deus, isto é, uma transparência de caráter universal, impessoal e imparcial. Sua chuva cai tanto sobre os justos como sobre os injustos. Os ensinamentos do Mestre são repletos de amor e de perdão, sem qualquer traço de juízo ou condenação. Na Cristo-consciência não pode haver lugar que abrigue qualquer ódio, inveja, ciúme ou malícia. A consciência que retém algum desses traços não é uma consciência curadora."

Como vimos, os mandamentos de Jesus abrangem toda a espiritualidade possível de ser vivida. Juntos, eles constituem o caminho mais curto/rápido para o nosso despertar em Deus. Que possam eles serem a estrela guia, o norte, o referencial, para todos nós e para a humanidade inteira.

Namastê!

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sábado, agosto 16, 2014

Comentando o capítulo 11 - 1/2

- Gustavo -


Qualquer que seja o estado de consciência, ele é sempre algo completo em si mesmo. Um estado de consciência não iluminado é algo "completo em si mesmo". E o estado iluminado de consciência  é também "completo em si mesmo". É característica da consciência, da realidade e da percepção serem coisas já prontas, inteiras, completas, consumadas. Vamos entender melhor este ponto, pois a compreensão dele tornará clara a desnecessidade (na verdade, a impossibilidade!) de tentar "desenvolver", "expandir" ou "evoluir" uma consciência não iluminada.

Eis um exemplo que nos permitirá entender essa característica/natureza da consciência, da realidade e da percepção: Quando vamos dormir, deixamos de lado a nossa "consciência de vigília" para ingressarmos em uma "consciência de sonho". E ao começar a sonhar não sentimos ter havido uma "passagem" de um estado de consciência para o outro: subitamente nos vemos dentro da realidade concebida pelo sonho. A realidade do sonho nos chega de repente e sem pedir licença: quando menos percebemos já estamos nele. No âmbito dessa "consciência de sonho" ocorrem inúmeros fenômenos que seriam estranhos e absurdos do referencial de nossa "consciência de vigília". Quando considerados à luz da "consciência que sonha", os acontecimentos do sonho parecem ser muito sensatos/razoáveis, e nós não os questionamos, não os contestamos... ao contrário, nós os aceitamos com naturalidade. Porém, uma vez que despertemos do sonho e retornemos ao nosso estado de vigília, se considerarmos novamente a história sonhada, poderemos constatar todas as anormalidades, incoerências, contradições e absurdos dos fatos que se sucederam. "Como fomos parar dentro daquele sonho?". No sonho isso não é questionado – sua realidade faz total sentido. A "consciência de sonho" atua de modo tal que sequer desconfiamos que estamos em uma realidade de sonho.

Mas, se um personagem do sonho descobrir que está "sonhando" e desejar retornar à realidade que existe fora do sonho, o que ele poderia fazer? Haveria alguma "passagem" ou "caminho" que ele pudesse percorrer para chegar ao mundo real? Existe alguma "conexão" ou "elo" ligando as duas realidades? Poderia ele tentar "desenvolver", "expandir" ou "evoluir" a consciência com a qual ele se vê no sonho para alcançar a realidade fora do sonho? Poderia algo ser acrescentado à "consciência que sonha" para fazer dela uma "consciência que percebe a realidade fora do sonho"? Sabemos que não há essa possibilidade. Isso é assim porque a "realidade de sonho" é algo inteiro e completo em si mesmo, e também pelo fato de a "realidade fora do sonho" ser uma existência inteira, pronta, completa, consumada. Em razão dessas duas realidades serem "completas" é que ambas existem totalmente desconectadas, separadas e isoladas. Devido a isso, o modo de "passar" de uma realidade para outra não se dá mediante uma "passagem" ou "caminho" – a única possibilidade é através de um despertar. Ocorrendo esse despertar, a "consciência" que acusava a presença do sonho desaparece juntamente com o sonho, e o indivíduo se vê imediatamente na realidade. Fim do exemplo.

A partir do exemplo dado, vamos compreender que a mente não iluminada é inteira e completa em si mesma. Da mesma forma, a consciência iluminada é uma consciência já pronta, inteira, perfeita e completa em si mesma. Em decorrência disso, nada há que possa ser acrescentado à mente ilusória para fazer dela uma consciência iluminada. O que não é iluminado não pode ser "aprimorado", "desenvolvido" ou "expandido" até tornar-se iluminado. E da mesma forma, não existe "passagem" de uma percepção não iluminada para uma percepção iluminada. Se você estiver percebendo mentalmente (ilusoriamente), sua percepção será a de que a realidade é de substância mental (material), desde sempre. Ao passo que, se você estiver percebendo consciencialmente (verdadeiramente), a sua percepção será a de que a realidade é de substância espiritual (consciencial, divina), desde sempre. Para a percepção mental nunca houve um momento em que a realidade fosse divina ou consciencial. Da mesma forma, para a percepção consciencial, nunca houve um momento em que a realidade fosse de substância material ou mental. Decorre disso que, na realidade mental, não existe "acesso" ou "passagem" para a realidade consciencial; e, na realidade consciencial, também não existe "acesso" ou "passagem" para a realidade mental. São realidades "fechadas", "isoladas" – completamente desconectadas. Por isso, a única maneira de começar a perceber consciencialmente é perceber consciencialmente agora mesmo! Não há outro meio. E se você conseguir perceber consciencialmente, a própria percepção consciencial lhe fará perceber que nunca você "acessou" a percepção consciencial a partir de uma percepção mental, ou seja, nunca você "saiu" de uma percepção/realidade mental para "ingressar" na percepção/realidade consciencial. É assim que é, tal é a natureza da consciência, da realidade e da percepção.

E, para perceber consciencialmente agora mesmo, o Caminho Infinito recomenda que o praticante adquira o hábito de meditar constantemente. O estudante deve sentar-se calmamente, aquietar a mente e os sentidos (que percebem o mundo material) e colocar-se em estado de relaxamento e receptividade para perceber a realidade espiritual/consciencial. Em tal estado de relaxamento e receptividade, deve-se contemplar/visualizar a Realidade Divina como realidade já presente, agora mesmo. Agora mesmo vivemos no Reino de Deus! Agora mesmo somos os Filhos amados de Deus, dotados de todas as virtudes e atributos de Deus. Agora mesmo "vivemos, nos movemos e existimos" na realidade perfeita que Deus é. A Presença de Deus é a nossa Presença! O Ser que Deus é é o Ser que somos. Por isso, agora mesmo estamos preenchidos de todo amor, sabedoria, verdade, vida, força, inteligência, harmonia, alegria, paz e demais bênçãos de que necessitamos. Neste momento, o Universo inteiro é infinitamente perfeito agora! Você, como integrante deste Universo – e em unidade com Ele –, também é infinitamente perfeito agora! Contemple essas verdades como válidas (para você e o universo inteiro) aqui e agora! Não tente visualizar um universo perfeito a fim de que ele se manifeste em sua realidade. Não tente "elevar" ou "aprofundar" o seu estado de consciência a fim de que você perceba este Universo Perfeito. Também não tente acessá-lo. Não faça tentativas. Compreenda que não é preciso "acessá-lo", porque neste momento você está nele! Compreenda (ainda mais profundamente!) que não é preciso sequer "percebê-lo", porque neste momento você já o está percebendo. Veja-o presente! Contemple-o presente! Perceba-o presente! E não tente entender como é possível você se ver em um novo Universo que nunca teve que acessar (pode ser que a mente queira contestar e argumentar com suas lógicas). Você simplesmente está nele. Esteja nele, e ponto final. Assim é a visão mística que percebe a Realidade. Essa é a meditação ensinada no Caminho Infinito.

Há um estado iluminado de consciência que nos faz perceber o universo físico como sendo apenas um conceito (ao invés de Universo). Nos faz compreender que o único Universo que existe é o Universo Espiritual criado e mantido por Deus. Essa é a única existência verdadeira. Somente ele está acontecendo. Somente ele está presente. O universo conceitual  não está ocorrendo, e também não está presente. Acreditar na existência/presença de "dois universos" deixa o praticista desalinhado com o princípio espiritual do ÚNICO PODER anunciado pelo Caminho Infinito. Acreditar na presença ou existência do universo conceitual (que se constitui em bem e mal) o torna um poder atuante em nossa experiência. Joel Goldsmith diz que ele não é poder. Unicamente Deus é poder.

Goldsmith afirma que, no início de nosso aprendizado, pode ser útil considerar a existência de dois universos, um "real" e outro "irreal". Todavia, este é apenas um artifício utilizado para separar o nosso pensamento da crença coletiva que diz que "o ser humano mortal, pecador ou doente é criação de Deus". Após obtivermos a inabalável convicção de que "o ser humano é o Filho de Deus, perfeito, criado por Deus", tomamos como verdade (ponto de partida) unicamente esse Fato – o qual, de fato, é o único que está agora ocorrendo. Goldsmith diz:

"Uma vez que você tenha se elevado neste caminho, você fará uma grande descoberta. Você próprio é aquele homem espiritual, e exatamente aqui e agora é o universo espiritual. De fato, Deus não creou aquilo que vemos, pois o que nos é visível não é realmente o que está naquele local. O que vemos é apenas um conceito que temos daquilo que ali se encontra, e esse conceito nada tem a ver com a creação de Deus. Neste período em que avançamos do humano ao divino, um aprendizado que precisaremos conseguir para prosseguirmos em nosso desenvolvimento espiritual será o da conscientização de que aquilo testificado pelos cinco sentidos físicos não é realidade. Por esse motivo é que encontramos na literatura metafísica os termos 'mundo real' e 'mundo irreal', 'homem real' e 'homem irreal'. Através da metafísica, você aprende que 'há um homem real' e passa a erguer imediatamente um ideal, visualizando a si próprio e se aproximando daquele estado de espiritualidade e divindade atribuído ao homem real. Mas queremos lembrá-lo que o tempo todo você é aquele homem ideal, e tudo que é necessário para trazer este homem à manifestação é a sua conscientização de que existe um Princípio divino operando no universo. Você não chegará ao reino dos céus enquanto não começar a perceber que já é agora aquele homem espiritual, aquele homem que está agora no paraíso, sob regra e jurisdição divina. Exatamente aqui e agora você é um ser espiritual que é a própria manifestação de tudo que Deus é."

Perceba a importância vital de contemplar essas verdades como realidade já presentes! Podemos dizer que essa pequena recomendação, sozinha, constitui todo o aprendizado requerido neste ensinamento!

Namastê!

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segunda-feira, agosto 11, 2014

Estados e estágios de consciência

DEUS, A SUBSTÂNCIA DE TODA A FORMA
(Joel S. Goldsmith)

- Capítulo 11 -

ESTADOS E ESTÁGIOS DE CONSCIÊNCIA

"Em seguida o Senhor estendeu a sua mão, tocou-me na boca e disse-me o Senhor: Eis que eu pus as minhas palavras na tua boca; eis que te constituí hoje sobre as nações, e sobre os reinos, para arrancares e destruíres, para arruinares e dissipares, para edificares e plantares." (Jeremias 1: 9-10)

Aquilo não foi dito a um homem; foi dito a um estado de consciência, um estado de consciência espiritual. Aquele estado de consciência não apenas arranca, mas também planta; ele destrói, mas edifica. A única coisa que é posta abaixo e destruída é um falso conceito, um falso conceito de Deus, um falso conceito de universo, um falso conceito de seu ser e corpo individual: O que é edificado é a conscientização de sua identidade verdadeira – um conhecimento do mundo e de tudo que nele está como realmente são.

Existem estados e estágios de consciência, e ao trabalharmos no mundo humano com nossos recursos humanos, sabedoria humana e força física, estamos vivendo em um estado material e através de um estado material de consciência.

Até a metade do século dezenove, o mundo estava em sua maior parte num estado de consciência material, quando então avançou para um estado mais mental de consciência. Sempre existiram algumas poucas pessoas que em certa extensão conheciam o reino mental – os artistas, escritores e visionários de todas as épocas. Quando o poder da mente atraiu em grande escala a atenção do mundo, durante a metade do último século, o mundo parecia estar pronto para avançar a um estado mental de consciência e passou a realizar mentalmente aquilo que antes era feito fisicamente. Em outras palavras, as curas do corpo que antes eram realizadas por remédios, ervas e ataduras, passaram a ser feitas por “pensamentos”, por sugestões mentais, e às vezes até mesmo por auto-sugestão. Vieram todos os tipos de tratamentos mentais, desde o hipnotismo até as mais leves formas de sugestão ou auto-sugestão.


O ESTADO MÍSTICO DE CONSCIÊNCIA

Através de todas as épocas, tem sido conhecido que além do material e mental, existe um terceiro tipo mais elevado de consciência, a consciência espiritual, atingida pelos místicos do mundo, por aqueles que conscientemente encontraram sua unidade com Deus. O misticismo é todo ensinamento ou religião que conhece a possibilidade de haver uma união consciente com Deus. Em seu sentido correto, o misticismo reconhece a capacidade de se receber, sem benefício ou ajuda externa, a comunicação com Deus, de comungar com Deus e receber diretamente Sua orientação. Nada há de oculto ou de misterioso no misticismo. Corretamente compreendido, o misticismo é a linguagem de todos os ensinamentos metafísicos, pois trata da unidade consciente com Deus.

O estado místico da consciência – consciente unidade com Deus – é o estado mais elevado que existe. Nele, a mente consciente que pensa apenas funciona como veículo da mente divina, da Sabedoria universal, que Se individualiza como sua e como minha mente.

Assemelha-se a um artista, que em momentos de elevada inspiração concebe um quadro de rara beleza: logo ele irá cristalizar aquela visão em uma tela, com a ajuda não apenas de suas mãos, mas também de sua mente humana, através de seus conhecimentos de cor, perspectiva e técnica de pintura. Com toda a sua habilidade ele executaria a ideia oriunda de sua percepção do infinito sentido espiritual do ser.

Da mesma forma, o tom, a melodia ou a harmonia que um compositor incorpora em seu trabalho também tem sua origem no Infinito, na Consciência universal, que Se individualiza como a obra deste compositor. Porém tal músico teria que fazer uso dos seus conhecimentos de teoria e harmonia musical, obtidos por ele individualmente, e através da mente humana teria de traduzir sua ideia na forma de uma peça musical, possível de ser executada por algum artista habilidoso na arte do instrumento musical pretendido.

O maior místico de todos os tempo foi João, o discípulo predileto. Foi quem escreveu: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós” (João 1: 14). O verdadeiro místico não é um visionário no sentido de considerar algo impraticável, e este ensinamento não é o de um visionário que se põe sentado, com a cabeça nas nuvens. Aquilo pode ser permitido e ter a sua importância, desde que enquanto a cabeça estiver nas nuvens, seus pés fiquem firmemente plantados no chão, isto é, embora pareça algo intangível ou visionário para os sentidos, torna-se tangível como forma e demonstração.

Neste estado espiritual de consciência você não apenas sonha, mas tem visões e recebe ideias. Você não fala delas aos homens comuns, porque “o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entende-las, porque elas se discernem espiritualmente” (I Coríntios 2: 14). É melhor retê-las na própria consciência, sempre trabalhando no seu desenvolvimento, até finalmente você receber a prova de que o Verbo se fez carne. Ele se torna tangível; Ele se torna visível; Ele habita entre nós como demonstração. No Caminho Infinito da vida, nós sempre estamos nos empenhando na aquisição de maior compreensão espiritual, e caminhando nessa direção, observamos como ela se torna tangível e visível em nossa experiência.

Ver espiritualmente é bem diferente de ver psiquicamente. Quando nos tornamos conscientes de experiência psíquicas, tais como ver cores ou ter visões, mesmo que elas possam ter alguma aplicação em nossa experiência humana, isto é, que possam ser usadas como profecia ou aviso, ou mesmo como orientação, lembre-se de que elas pertencem inteiramente ao nível psíquico ou mental da consciência. Esse tipo de experiência psíquica em nada se relaciona com o mundo do Espírito. Na literatura espiritual você nunca encontrará alguma referência a elas como sendo de natureza espiritual. Somente na literatura psíquica ou ocultista é que encontramos referências àquelas experiências.


O UNIVERSO “REAL” E O “IRREAL”

Ao nos iniciarmos na metafísica aprendemos sobre o “mundo real” e o “mundo irreal”, sobre o “homem real” e o “homem irreal”. Por enquanto pode ser necessário fazermos esta distinção entre o que aparece a nós como um mortal (um ser humano) e o tipo ideal de homem, que chamamos homem-Cristo, o mais elevado ideal de ser individual que pode ser concebido.

Quando estamos neste caminho como neófitos ou mesmo iniciados, podemos fazer aquela distinção e falar em termos de “realidade”, “homem real” ou “universo irreal”. Jesus disse: “O meu reino não é deste mundo” (João 18:36). Isto poderia dar-nos a entender que existem dois mundos, mas é somente um meio temporário destinado a separar o nosso pensamento da crença de que o ser humano mortal, pecador ou doente, é creação de Deus. Assim, no início de nosso estudo e prática, seremos capazes de olhar para esse mundo humano e dizer: “Obrigado, Pai. Eu sei que isto não é obra de Suas mãos!”

De fato, Deus nunca creou aquilo que vemos, pois o que nos é visível não é realmente o que está naquele local. O que vemos é apenas um conceito que temos daquilo que ali se encontra, e esse conceito nada tem a ver com a creação de Deus. Tal conceito se baseia em nossa bagagem cultural, em fatores hereditários e em nossas experiências humanas na vida. Por exemplo, se alguém tiver sido roubado algumas vezes, não confiará mais em nenhuma pessoa, ou se tiver sido enganada repetidamente, não acreditará mais em ninguém. Também pode ocorrer o extremo oposto: a pessoa que tenha conhecido somente pessoas de integridade, nunca pensará na possibilidade de existir a desonestidade ou existirem pessoas que intencionalmente prejudicam os outros. Em ambos os casos os conceitos mantidos por aquelas pessoas foram consequência do ambiente e experiência por que passaram.

O mesmo se aplica a cada um de nós. Os conceitos que mantemos do mundo e de tudo que nele existe são moldados pelo meio-ambiente, pelas influências hereditárias e pela educação que tivemos. Todos esses fatores contribuem na formação dos conceitos que retemos do universo.

O quadro que temos à frente, do bem e do mal humanos, é este o mundo “irreal” sobre o qual ouvimos falar em metafísica, e que a maioria dos metafísicos interpreta como um mundo que não existe, ou como um homem que não existe e que não é o homem-Cristo. Isto não é verdade. A única irrealidade sobre este universo e sobre o homem que estamos vendo é somente o nosso conceito, e não aquilo que realmente lá se encontra.

Neste período em que avançamos do humano ao divino, um aprendizado que precisaremos conseguir para prosseguirmos em nosso desenvolvimento espiritual será o da conscientização de que aquilo testificado pelos cinco sentidos físicos não é realidade. Por esse motivo é que encontramos na literatura metafísica os temos “mundo real” e “mundo irreal, “homem real” e “homem irreal”, homem material e homem espiritual.


O HOMEM ESPIRITUAL E O UNIVERSO ESPIRITUAL ESTÃO AQUI E AGORA

Ao se elevar neste caminho espiritual, você fará uma grande descoberta. Você próprio é aquele homem espiritual, e exatamente aqui e agora é o universo espiritual: para alcança-lo você não precisará nem morrer e nem mesmo tornar-se alguém que você já não seja agora. A única coisa necessária é abandonar os falsos modelos da humanidade, os medos infundados e a ignorância da existência de um Princípio que a tudo governa.

Não temos de nos tornar algum outro além do que já somos a fim de recebermos a orientação divina, a sabedoria divina, a proteção divina e o suprimento divino. O porque disso é que tão logo nós relaxamos o pensamento humano, isto é, os pensamentos de medo e de dúvida, tão logo aprendemos a soltar a crença num poder separado de Deus e retornamos descontraidamente ao estado natural e normal do ser, passamos ao reconhecimento: “Ah, sim, Deus é!”. E é quando o mundo todo de temores, ansiedades e dúvidas humanas desaparece juntamente com toda necessidade de planejamentos ou programas de caráter humanos.

Não há necessidade alguma de ficar pensando sobre o amanhã, pois a cada minuto de cada dia eu recebo um impulso para fazer o que deve ser feito naquele momento. Nenhuma obstrução existe, pois nada há em meu pensamento que possa barrar o fluxo desse Impulso divino. Não há hesitação ou indecisão, já que não existe nenhum sentimento de que eu tenha de realizar algo através de minha ingenuidade humana. Portanto, com esta conscientização, eu me torno uma transparência para o Impulso divino, e Ele mantém todo o desenvolvimento através do tempo.

Tendo esta conscientização, atingimos um conhecimento mais profundo do plano divino para o mundo e desta forma ficamos relaxados, depositando nele toda a nossa confiança.

O mesmo se aplica às suas atividades, no lar e nos negócios do mundo. No estágio onde, pela metafísica, você é denominado “homem humano” ou “homem pensante”, muito do seu tempo é perdido no planejamento de cada dia, em preocupações sobre o que irá fazer no ano seguinte, ou sobre o que deveria ser feito com relação a isto ou aquilo em seu mundo pessoal. Este é o estado ou estágio de consciência em que você é um mortal, um ser humano. Mas através da metafísica, você aprende que há um “homem real” e passa a erguer imediatamente um ideal, visualizando Jesus Cristo, ou alguma outra pessoa, ou visualizando a si próprio se aproximando daquele estado de espiritualidade e divindade atribuído ao homem real. Isto, por algum tempo, atenderá seu objetivo dando-lhe um ideal em cuja direção irá caminhar.

Mas queremos lembra-lo que durante todo o tempo você é aquele homem ideal, e tudo que é necessário para trazer este homem à manifestação é a sua conscientização de que existe um Princípio divino operando no universo. No instante em que aquilo for percebido, você ficará descontraído, soltando tudo o que constituía a sua humanidade – suas preocupações, receios, dúvidas, ansiedades, medos e planejamentos. E ao mesmo tempo em que o falso senso de humanidade se vai, você passa a descobrir a si mesmo como sendo aquele homem espiritual, aquele homem real, aquele homem que você estava tentando se tornar.

Você não chegará ao reino dos céus enquanto não começar a perceber que já é agora aquele homem espiritual, aquele homem que está agora no paraíso, sob regra e jurisdição divina. Aprenda mais e mais relaxar e deixar que aquela lei se torne visível em sua experiência, operante em sua vida. Você não irá nunca ser transformado em outro homem; mas pelos ensinamentos, estudos, pela prece e meditação, fará desenvolver uma elevada consciência da verdade: será o mesmo homem, porém sem as suas antigas limitações humanas.

Estou considerando tudo isso para deixar clara a resposta sobre a diferença entre a visão psíquica e a visão espiritual, pois uma vez atingida a conscientização de que exatamente aqui e agora você é um ser espiritual que é a própria manifestação de tudo que Deus é, então você deixará de lado todo o mundo psíquico com suas visões, cores, ou desejos de ver algo de qualquer natureza.


A VISÃO ESPIRITUAL

A verdade é que você tem sido sempre aquele “homem real”, embora não tivesse a consciência desse fato. Mas quando aquele momento de consciência vier, você olhará para este mundo e perceberá:

"Este é o mundo que Deus creou; este é ele. A mente humana não o está vendo como ele é, mas apesar disso, este é ele. A mente humana não me vê como eu sou, mas eu sou Ele (soham). Se olhar para o espelho e tentar encontra-Lo, eu não serei capaz de vê-Lo, pois novamente estaria tentando localizá-Lo. Estaria novamente olhando para um conceito e tentando encontra-Lo, aquele que está aqui como a própria presença de meu ser. Como poderia ser eu algum outro além do que Eu sou? E aquele Eu é a manifestação de tudo que Deus é: Aquele Eu é o Cristo, e Eu sou Ele. Neste momento de conscientização, eu encontro-me relaxado, e Eu sou Ele."

Esta é a razão pela qual no início de seu ministério Jesus falava somente do Pai interior, negando a sua humanidade. “Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma... a minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou.” Ele proclamava que aquilo que o mundo via como um ser humano não era, em si ou de si mesmo, a realidade do ser, mas apenas o veículo ou transparência através do que o ser real era manifestado.

Mas como encerrou Jesus o seu ministério? “Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o pai... Eu e o Pai somos um.” (João 14:9; 10:30). Nesta visão final, ele contou a eles a verdade total: despojado dos temores e ansiedades humanos, dos traçados e planejamentos humanos, o Eu que eu sou é aquele próprio Ser espiritual.

Tem sido dito que a mais elevada concepção é aquela que permite o olhar de frente a face do diabo e ver somente a face de Deus. Este estado espiritual está muito acima do mental ou psíquico, e é o estado que nos possibilita a olhar a cada homem e mulher do mundo e dizer: “Eu estou olhando a face de Deus”. Você somente conseguirá realizar isto quando sua própria consciência estiver despida de desejos, quando você não desejar mais nada dos outros, quando você puder olhar para o mundo sem aspirações, luxúria, animalidade, ódio ou medo. Você será a mesma pessoa que há vinte e cinco anos poderia ter olhado para o mundo e visto alguém a quem cobiçasse ou alguém que lhe causasse medo, mas agora você a olharia dizendo: “Eu vejo a face de Deus!”. Percebeu o que eu quis dizer? Não há dois de você. Há apenas um, e Eu sou aquele um.

Mas você é aquele um somente na proporção em que tiver crescido através de todos esses ensinamentos espirituais ao lugar que poderá olhar para o mundo sem desejar algo, ou sem cobiçar as coisas carnais, sabendo que na realidade de seu próprio ser a realização de Deus é feita manifesta, e que tudo que lhe for necessário tornar-se-á manifesto no momento adequado. Seja dinheiro, companhia, transporte – ou qualquer outra necessidade – Deus dá expressão a Si mesmo como ser individual, como o meu ser individual e como o seu ser individual. Ao assimilarmos isto, estaremos de posse da mais elevada revelação da verdade espiritual. Não existe céu e terra; não existe Deus e homem; não existe ser espiritual e ser material. Existe somente um, e Eu sou Ele.

O Mestre do Cristianismo nos deu dois grandes ensinamentos:

1) Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo. (Lucas 10:27)

2) Se alguém diz: Eu amo a Deus, e aborrece a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? (I João 4:20)

Se nós não amarmos ao homem a quem podemos ver, como iremos amar a Deus que nós não vemos, se Deus e homem são um? Ao senso finito, que vê através de limitada visão, é verdade que Deus é invisível; mas uma vez atingido este elevado estado, esta elevada realização do ser espiritual, passamos a olhar para o mundo e ver cada pessoa, cada circunstância e cada condição como sendo Deus aparecendo, e então Deus se torna visível para nós. Até que tenhamos atingido aquele estado, contudo, Deus será invisível para nós, porque para honrarmos a Deus, o Invisível Infinito, nós devemos honrar ao homem com Deus feito manifesto de forma visível.


GRATIDÃO

Como nós amamos a um indivíduo? Precisamos compreender a individualidade como sendo Deus, compreender que Deus é o ser individual – e a única individualidade que há. Tal individualidade aparece infinitamente, e ela surge como o seu eu individual e como o meu eu individual. Portanto, ao honrar e respeitar o indivíduo, estaremos cultuando Deus.

Eis o porque de eu vir dizendo que o primeiro dever do discípulo ou estudante é o da gratidão. A gratidão deve ser expressada tangivelmente, e isto não pode ser feito num plano abstrato. Portanto ela precisa ser expressada a um indivíduo. Somente expressando gratidão a um indivíduo, estará você expressando gratidão à individualidade de Deus numa de suas formas. Você estará reconhecendo a Deus como a origem daquilo pelo que você está agradecido.

Nunca deveríamos dar ou receber dinheiro, tomar algum alimento ou bebida, sem que houvesse um momento de reconhecimento e de gratidão àquela infinita Fonte que também é a Fonte de nosso ser. Se isso, porém, for feito, mas falharmos em sermos igualmente gratos ao indivíduo pelo qual o bem vem a nós, a nossa gratidão ficaria no plano do abstrato. Estaríamos com a cabeça nas nuvens sem manter os nossos pés no chão.

Há diversas maneiras ou formas para expressarmos gratidão a um indivíduo. Uma delas, naturalmente, é através do dinheiro; uma outra é pelo reconhecimento. Reconheçamos a parte que cada um de nós toca na vida das outras pessoas e sejamos desejosos de fazer com que nossa gratidão flua a elas em alguma forma tangível. Poderia ser em forma de serviço, em forma de palavra falada ou mesmo em forma de dinheiro. Qualquer forma que seja, ela deve acontecer, deve ser expressada, e deve ser expressada a um indivíduo a fim de ser ofertada a Deus, pois Deus aparece a cada um de nós como o indivíduo.

Omar Khayyam teve a visão correta ao dizer: “O paraíso é uma visualização dos desejos realizados”, e você e eu estamos no paraíso no exato momento em que sentimos estarmos vivendo a vida para a qual fomos trazidos para viver, e nós sabemos quando aquilo está acontecendo pelo sentimento de retidão existente em nossas vidas. Não há alegria real na realização de um trabalho que não gostamos, mas quando amamos o nosso trabalho, não vemos a hora de executá-lo. Naquele senso de retidão nós encontramos o nosso céu, a nossa harmonia. Omar Khayyam teve esta mesma visão quando escreveu: “Um pedaço de pão, um copo de vinho, e você”. Naquela simples experiência de uma companhia humana, naquele preenchimento das necessidades físicas de alimento e bebida, ele via um senso de felicidade, um senso de paz e de contentamento. Era uma visão mística, não contendo maior sensualidade do que o Cântico de Salomão. Era algo espiritual, traduzido à linguagem cotidiana da experiência humana.

Se eliminássemos aquela experiência humana de todos os dias, como iríamos poder experimentar aquela coisa transcendental chamada felicidade ou paz mental? Não, é justamente nessa vida comum de todo dia, nos simples e pequenos gestos de cortesia, bondade, estima, gratidão, ajuda e cooperação, que nós por fim encontramos nossa paz espiritual? Somente nessas pequenas coisas humanas de lugar comum, nesses relacionamentos humanos, iremos por fim encontrar a nossa paz espiritual e a divindade do nosso ser.


ATINGINDO A CONSCIÊNCIA ESPIRITUAL

É preciso que nós acabemos com o mistério do “homem real” e do “universo real” para conscientizarmos que este é o paraíso, exatamente aqui e agora. Se não estamos encontrando o paraíso aqui, isto não significa que existe algum outro mundo que devemos procurar ou que existe algum outro homem no qual devemos nos tornar. Precisamos somente relaxar a nossa humanidade, despindo-nos dos temores, preocupações e dúvidas de natureza humana. Mas isso não pode ser feito simplesmente com o poder de nossa vontade. Só há um meio de se perder o senso humano ou mortal de existência, e é estarmos conscientes de uma Presença que nós conhecemos e compreendemos ser Deus. Aquela consciência é atingida através de nossa receptividade, através de meditação e ponderação das verdades da Escritura ou da literatura espiritual.

Não se trata de afirmar ou negar algo até que uma verdade seja memorizada e enraizada na mente humana. Trata-se de um ponderar suave, calmo e pacífico dessas verdades espirituais até elas serem absorvidas de forma a se tornarem parte de nossa consciência. Assim, nós adquirimos a convicção da presença de Deus; experimentamos e sentimos realmente aquela Presença, perdemos todo o falso senso humano, aquele senso humano negativo, e nos encontramos numa condição considerada pelo mundo como um estado de boa humanidade, mas que na realidade não se trata daquilo, absolutamente: trata-se da divindade do nosso próprio ser, feita manifesta. Tal divindade apresenta-se como você e eu, individualmente – o Verbo se torna carne e habita entre nós, e aquele Verbo se faz carne como você e como eu.

Observe que não é nossa intenção tentar destruir ou mesmo inativar a mente humana. O nosso esforço está voltado na direção de nos tornarmos cônscios da verdade espiritual; nós tentamos adquirir a consciência da paz, quando então a mente humana passará a ser o que lhe fora destinado a ser originariamente – um veículo de nossa sabedoria e conhecimento. De forma similar, nosso corpo não desaparecerá em virtude do atingimento da consciência espiritual, mas atuará como era pretendido inicialmente, ou seja, como veículo de nossa expressão individual.

"Antes que eu te formasse no ventre de tua mãe, te conheci; e, antes que tu saísses do teu seio, te santifiquei e te estabeleci profeta entre as nações" (Jeremias 1: 5).

Conscientize-se, agora, de que antes da concepção deve ter havido uma consciência que a causou, uma consciência que formou o seu corpo. Nós, como pais, não poderíamos formar um corpo nem para nossos próprios filhos, embora possamos ser veículos através dos quais aquilo pode ser feito. Uma consciência formou aquilo que somos. E esta só poderia ser a Consciência divina, que nos formou conforme os Seus padrões, e que nos mantém e sustém sob custódia. O que vem ocorrendo, no transcorrer desses anos todos, é que temos assumido toda a responsabilidade de nossos trabalhos, esquecidos de que aquilo que nos formou como seres individuais, dando-nos forma e corpo, e que aparece ao mundo como creação, foi um estado de consciência executante de um plano eterno. Portanto, o que foi formado é homem espiritual.

“E te estabeleci profeta entre as nações.” A consciência que o formou, formou-o como uma entidade espiritual, como um profeta, ou como um estado perfeito de consciência.

"Não digas: Sou um menino; porquanto a tudo o que te enviar irás, e dirás tudo o que eu mandar" (Jeremias 1: 7).

Em outras palavras, há sempre esta consciência infinita, eterna, imortal e espiritual, que age, fala e desempenha como sendo você. Nós é que nos mantínhamos separados d’Ela, assumindo todo o trabalho como quis fazer o filho pródigo. Mas, através deste ensinamento, estamos retornando ao Pai-consciência e começando a nos conscientizar: “Ora, eu sou aquele profeta, eu sou aquele vidente espiritual perfeito.”.

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sexta-feira, agosto 08, 2014

Comentando o capítulo 10 - 2/2

- Gustavo -


A Consciência é a chave de tudo. O nosso estado de consciência é o que determina a realidade que experienciamos. É ilusão querermos buscar "algo" que já não seja uma realidade para a nossa consciência, pois esse "algo" somente se tornará visível depois que tivermos a clara percepção de sua realidade em nossa consciência. Desse modo, devemos aprender a abandonar um estado de consciência que enxerga a "carência" e a "ausência" para nos vermos de posse da consciência que reconhece a "presença" e a "realidade" do bem almejado. E o veículo que nos permitirá ingressar/acessar em um novo estado de consciência é a exercitação da percepção, mediante as meditações e contemplações.

Explanando acerca disso, Goldsmith escreve que a felicidade é como uma borboleta: sempre que a perseguimos, ela fica fora de nosso alcance. Todavia, se, ao invés de persegui-la, ficarmos no próprio lugar onde estamos, cientes e calmos de que em nós já existe a felicidade – que a felicidade já é uma realidade –, então ela virá e pousará em nossos ombros. Esse exemplo expressa uma lei espiritual que diz que a felicidade somente ocorre para uma consciência feliz, ou seja, uma consciência que já percebe a felicidade. Para a consciência destituída de felicidade (isto é, que não percebe), a felicidade estará sempre fora de alcance. Essa lei, em termos bíblicos, está expressa da seguinte forma: “Porque àquele que tem, muito mais lhe será dado, e terá em abundância; mas àquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado.” (Mateus 13:12).

Por exemplo: a pessoa que deseja obter saúde precisa, antes de tudo,  ver-se com a consciência que enxerga a saúde já presente. Enquanto ela buscar saúde com uma consciência que julga que "a saúde não está presente", a saúde não tomará parte em sua realidade/experiência. Se a pessoa estiver num estado de consciência que vê ausência de saúde, sua realidade/experiência será exatamente a de “ausência de saúde”. Por isso, Goldsmith diz que não adianta ficar correndo atrás de algo, tentando obtê-lo. Melhor é aquietar-se e entrar em um estado de consciência que percebe aquele “algo” como já presente, já existindo, já sendo realidade. Então ele virá e “pousará em nossos ombros”. Este é um princípio da cura espiritual: para demonstrar a harmonia e o bem, a pessoa deve desenvolver a habilidade de entrar em um estado de consciência capaz de perceber o “bem” e “ harmonia” como sendo realidade já presente.

E para nos fazer entender que todas as bem aventuranças (saúde,  vida, amor,  sabedoria,  paz, força, inteligência, alegria, felicidade, harmonia, suprimento, êxtase, plenitude) estão presentes em nós como realidade, Goldsmith enfatiza a sabedoria bíblica que diz: "nada pode ser-lhe acrescentado e nada lhe pode ser diminuído", dando a entender que o Ser que somos é uma obra pronta, completa, perfeita, consumada. Tudo está feito! Não existe evolução ou involução para Quem somos ou para o Universo. O Universo também está agora pronto! E isso é o Reino de Deus já inteiramente presente em nosso Ser. O Ser que somos e o Reino de Deus são o mesmo, são um. São constituídos da mesma vida, presença, consciência, substância, Eu sou. É o que diz Goldsmith:

"Tudo isso nos faz retornar ao ensinamento do Mestre: 'O reino de Deus está dentro de vós'; ele deve fluir do seu interior. Nada pode ser-lhe acrescentado, nada pode ser-lhe tirado: você é eternamente pleno e completo. Sempre que formos meditar precisamos nos lembrar desta verdade: não existe nada "fora" ou separado de nós que possa ser obtido. Precisamos apenas obter a consciência daquilo que estamos buscando, para descobrir que já o temos. Ficou claro? O segredo para a obtenção de algo está em se atingir, em primeiro lugar, a consciência daquele algo. No momento em que você tem consciência de uma coisa, a consciência a cria, seja ‘ela’ qual for – lar, companhia, suprimento, emprego, saúde, eternidade, imortalidade.”

Contemple o seu Ser e o Universo já prontos! Para isso é que servem as meditações – através delas o indivíduo aprende a mudar o seu estado de consciência, eliminando a consciência que enxerga a ausência do bem almejado e adquirindo a consciência que percebe aquele bem como experiência já presente.

Goldsmith diz que um dos objetivos do Caminho Infinito é nos proporcionar o "aceleramento e expansão da consciência para desenvolver a consciência divina como a nossa consciência individual." Que significado tem essa "expansão ou desenvolvimento da consciência"? Será que essa "expansão" ou "desenvolvimento" implicam um processo linear, no qual o  indivíduo tenta fazer com que uma  "consciência não iluminada" passe a ser uma "consciência iluminada"? Seria buscar o aprimoramento de uma consciência iludida (que percebe o irreal) a fim de que ela possa finalmente perceber o real? Não. "Desenvolver" ou "expandir" a consciência não envolve um processo contínuo/linear, e sim uma total desconexão/descontinuidade entre os estados de consciência. Nenhuma espécie de ponte é possível entre uma "consciência ilusória" e a "consciência da realidade". A consciência ilusória é algo completo em si mesmo e, da mesma forma, a consciência iluminada também é uma consciência pronta, perfeita, completa e consumada, em si mesma. Em razão disso, "nada pode ser acrescentado" a uma consciência iludida para fazer dela uma consciência iluminada. Se houvesse algum caminho, alguma ponte, a realidade estaria ligada/conectada/unida à irrealidade, e ambas fariam parte de uma mesma existência. Por isso, quando Goldsmith afirma que "o objetivo do Caminho Infinito é proporcionar o desenvolvimento ou expansão da consciência", o significado disso é o de que o estudante deve ter a capacidade de dar um salto de uma "consciência iludida" diretamente para a "consciência iluminada". É um salto imediato, súbito. Este "saltar" significa: em determinado instante (antes de meditar) o indivíduo se vê num estado de consciência que não percebe a presença do Reino de Deus; e, no instante imediato (ao meditar), ele passa a se ver em um estado de consciência em que o Reino de Deus é realidade-sempre-presente (e nesse estado iluminado de consciência, o Reino de Deus sempre esteve presente!). Esse é o salto requerido – um salto quântico – onde "tudo é, sem jamais ter sido", onde "tudo muda, sem nada ter mudado".

Por isso repito aqui o que foi dito anteriormente sobre as contemplações: a meditação não diz respeito ao indivíduo querer criar (com o poder de sua mente ou de sua consciência) uma realidade que ainda não está lá. A meditação contemplativa consiste em o estudante perceber diante de si uma realidade que já existe, que já está acontecendo. É imbuído deste espírito que o praticante deve realizar as práticas contemplativas. Esse é um ponto muito crucial e importante: não realize as contemplações objetivando manifestar em sua realidade coisas que ainda não existem. "Contemplar" significa apenas "ver" o que já está lá. Contemple o Reino de Deus (perfeito, pronto, consumado aqui e agora), da mesma forma como alguma vez você já contemplou pássaros voando no céu. Se você pôde contemplá-los é porque eles já estavam lá. A você coube apenas o papel de desfrutar da visão de pássaros voando. Ao meditar, você deverá contemplar o Reino de Deus da mesma forma como contemplaria o cenário de pássaros cruzando o céu. Sem forçar, sem querer criar nada – apenas constatar aquilo que já é. O mínimo desvio desse princípio faz com que a sua prática se torne um mero exercício mental, e não espiritual.

Compreenda bem este assunto da consciência, e medite! Finalizando este texto, a fim de reforçar tudo o que foi explanado nestes comentários,  deixo esta citação de Goldsmith:

"Percebeu agora como é importante a consciência? À medida em que você for se tornando mais e mais consciente da natureza infinita de sua própria consciência, o efeito irá aparecendo em sua experiência sob infinitas formas. Quanto mais a sugestão mesmérica ou crença universal numa egoidade apartada de Deus atuar em você, mais a sua demonstração será governada pela crença do mundo, em vez de sê-lo pela sua própria consciência infinita. Aprender a mudar nossa consciência é realmente e verdadeiramente o objetivo do nosso trabalho, pois todas as forma discordantes de nossa experiência não passam de nossa consciência errônea de tudo aquilo que está aparecendo para nós. Você acredita realmente e verdadeiramente que é a sua própria consciência que governa a sua vida? O ensinamento integral de O Caminho Infinito está baseado na premissa de que a Consciência é Deus, e aquela Consciência, sendo universal, é a sua consciência individual. Assim que você adquirir a consciência do bem, ele passará a ser produzido por aquela consciência: a consciência se torna a substância de sua demonstração."

Namastê!

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quarta-feira, agosto 06, 2014

Comentando o capítulo 10 - 1/2

- Gustavo -


O comentário ao capítulo 10 está sendo dividido em duas partes. Serão comentados dois pontos essenciais. Apesar de ser menor do que os demais capítulos do livro, seu conteúdo é muito profundo. Merece, portanto, atenção especial por parte do estudante do Caminho Infinito. Neste comentário vamos abordar o primeiro ponto essencial.

Logo no início deste capítulo, Goldsmith diz que: “A chave daquilo que denominamos ‘demonstração’, ou seja, uma vida feliz e bem sucedida, uma existência alegre e plena, é a consciência, é a obtenção da consciência do bem de uma forma ou de outra.”. Adquirir a consciência do bem é indispensável para que possamos demonstrar visivelmente as verdades espirituais que já existem no Universo Espiritual. O indivíduo deve ter sua consciência/mente alinhada com a Verdade de que “Deus é o puro Bem, o Bem Infinito”. A Totalidade que Deus é não abrange a dualidade “bem e mal”, mas apenas o Bem (que é Deus). Não há mal em Deus. O mal não está de modo algum relacionado com o Ser que Deus é. A mente que acredita em ideias tais como “Deus compreende tanto o bem como o mal” ou “Deus é só bem, mas o mal também é parte de sua criação”, está desalinhada com a Verdade pregada nestes ensinamentos. A mente/consciência que crer nessas ideias terá dificuldades em demonstrar visivelmente as verdades espirituais (bem, sabedoria, harmonia, felicidade, suprimento, etc.), pois, ao acreditar que o mal existe como força real, estará conferindo a ele permissão para se apresentar como se fosse realidade. Joel Goldsmith está advertindo sobre a necessidade de o estudante obter a consciência do bem. Deus e o Bem são um. O Bem não é apenas uma “qualidade” ou “atributo” de Deus, mas é o próprio ser que Deus é. Ambos constituem a mesma substância. Somente o Bem é realidade – o mal é irrealidade.

Uma das questões mais importantes nos ensinamentos do Caminho Infinito diz respeito à "natureza de Deus" e à "natureza do erro" (ilusão). Saber discernir claramente a natureza de ambos é fundamental, pois é o que torna possível realizar a cura pelo Espírito. Alcançar a consciência de Deus como sendo o puro "Bem" é um ponto essencial deste ensinamento. O indivíduo não poderá trazer à visibilidade o bem, a harmonia e as demais bem-aventuranças proporcionadas pela cura espiritual enquanto retiver em sua mente/consciência conceitos misturados sobre a natureza de Deus e a natureza do erro. A compreensão do que vem a ser a "natureza de Deus" e a "natureza do erro" propicia ao indivíduo facilidade de eliminar da mente toda e qualquer espécie de ideias relacionando o mal com Deus.

O Caminho Infinito diz que Deus é o Todo, e que Deus é o puro bem. Deus é o bem e não é o mal. Mas, se Deus é o todo, Ele não deveria conter em Si também o mal? Os ensinamentos metafísicos dizem que, embora Deus seja o Todo, o mal não é parte integrante do Todo, porque Deus não criou o mal. O mal teve sua criação a partir de uma mente universal (mente mortal, crença universal, ilusão) que concebeu um pensamento de separação de Deus. O Universo da criação de Deus foi criado e existe "antes" do surgimento de tal pensamento universal de separação. Dessa forma, o bem (realidade) tem sua origem em Deus, ao passo que o mal (irrealidade) somente surge quando há um pensamento de separação/afastamento de Deus. Bem e mal não são forças opostas competindo pela ocupação de um mesmo espaço. A relação que há entre o bem e o mal é como a relação que existe entre a luz e a escuridão. A luz e a escuridão não brigam entre si. A escuridão não tem o poder de combater a luz. A natureza da luz é tal que, quando a luz se manifesta, a escuridão desaparece. Quando a realidade está presente, a irrealidade está ausente. Isso também está dito na Bíblia da seguinte forma: "O Amor lança fora o medo". A princípio, o Amor, por ser o Todo (e por ser amor!), deveria incluir em si o medo, mas Ele não o inclui, e sim "o lança fora". Mas vamos entender que "lançar fora" não tem o sentido "excluir". Se o Amor lança fora o medo é porque este é como a escuridão. Quando o Amor está presente, o medo está ausente. Certamente, o Amor não lançaria fora o medo, caso este existisse realmente.

Assim, em razão da diferença de natureza do "bem" e do "mal", ambos não devem ser confundidos ou misturados. A mente que acredita na dualidade de que "Deus criou o bem e o mal" mistura a realidade com a irrealidade e, confundindo ambas, e aceita implicitamente a existência do mal como força real, e isto confere ao mal permissão para se projetar neste mundo. O mundo em si não é real, nem irreal. Este mundo tem a natureza de ser como uma "tela", um "quadro" ou "folha de papel" em branco. Nele é possível haver mistura de "luzes e sombras", "bem e mal", "certo e errado", etc.. O universo aparente tem a característica de conceber em si o real e o irreal. Ele manifesta imagens que expressam a Realidade, mas também manifesta imagens expressando o que absolutamente não existe. Para que o mal não seja projetado na "tela" do mundo, ele precisa ser conscientemente rejeitado. Por isso, é muito importante que o praticista de cura espiritual possua um claro entendimento acerca da natureza da Verdade e da ilusão.

Outra questão importante para entender é: por que os ensinamentos afirmam que "Deus é Bem" e ao mesmo tempo dizem que "Deus está acima do bem e do mal"? Respondendo: ao afirmarem que o mal não é capaz de se opor ao bem, eles estão falando de algo que ocorre em um âmbito de elevada magnitude, a partir de um plano mais abrangente e essencial, uma dimensão pertencente a "fora" deste universo. Eles estão revelando a natureza da Essência. No âmbito da magnitude de que estão falando, existe unicamente Deus, que é puro Amor. Mas uma mente ilusória (aparentemente) está concebendo um pensamento universal de separação de Deus. O bem que se projeta no universo aparente tem sua origem em Deus, e Deus é Realidade. Ao passo que o mal que ali é projetado tem sua origem no pensamento universal de separação de Deus, e tal "pensamento" é absoluta irrealidade. Por sua vez, todas as projeções (luz e escuridão, bem e mal, vida e morte, etc.) que surgem no universo das aparências são irrealidades. Em tal âmbito irreal, o bem existe em oposição ao mal, a vida existe em oposição à morte, a luz existe como força oposta à treva. Se a mente aceitar indistintamente todos os "conceitos" (bem e mal, saúde e doença, vida e morte, etc.) como provenientes de uma única fonte (Deus), ela estará misturando coisas de natureza distinta e confundindo a si mesma, e a cura espiritual será impossível.

Note bem que: tudo o que existe no universo das aparências são "conceitos". Nada do que existe aqui é real, incluindo o bem que se manifesta como projeção da realidade divina. No universo das aparências, o bem e o mal se apresentam como se fossem forças relativas (ou seja, a existência de um depende da existência do outro) e opostas (que se combatem entre si), mas ambos são irrealidades. "Bem" e "mal" são projeções, e ambos são irrealidades. "Vida" e "morte" que ocorrem no universo das aparências são ambos irrealidades. "Saúde" e "doença" que se manifestam no corpo físico (e também o corpo físico) são todos irrealidades. Onde está a Realidade? Fora do universo conceitual! Friso novamente que o universo conceitual não deve ser visto pelo praticista espiritual como "universo", pois Universo ele não é - é apenas um conceito. Universo, só existe um! Realidade, só existe uma! Essa é a base para alcançar a compreensão do princípio do "único poder", pregado por Joel Goldsmith. O Bem que existe em Deus é absoluto (real), e não existe "força do mal" atuando em contraposição a ele. Quando esse Bem Infinito é conscientizado, no universo das aparências surgem imagens condizentes com Ele - mas tudo o que existe no cenário projetado é irreal. O bem que existe no mundo fenomênico é apenas um conceito miúdo, um "reflexo" (algo como uma "fotografia" ou "retrato"), representando o Bem infinitamente maior que Deus é. Deus é o Bem infinito que está acima do bem e do mal.

Feitas essas considerações, passaremos ao outro ponto essencial explicitado no capítulo 10.

Continua...

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segunda-feira, agosto 04, 2014

Adquirindo a Consciência do Bem

DEUS, A SUBSTÂNCIA DE TODA A FORMA
(Joel S. Goldsmith)

- Capítulo 10 -

ADQUIRINDO A CONSCIÊNCIA DO BEM

A Consciência é o segredo real do mundo. Quando você pensa estar em busca de Deus, na verdade o que você está buscando é uma compreensão da Consciência, porque a Consciência é Deus; Deus é Consciência. Quando tiver encontrado o significado interior da Consciência, você terá encontrado Deus, terá descoberto a sua própria consciência.

Agora você poderá entender mais de perto aquilo que venho repetindo diversas vezes, que o objetivo deste trabalho não é o de lhe dar mais verdades além das que você já conhece. Estou certo de que você já conhece tudo o que há para ser sabido das palavras da verdade. Isso está amplamente disponível, não apenas em meus textos, mas em muitos outros. Assim eu volto a dizer: o objetivo deste trabalho não é adicionar uma só palavra ao seu conhecimento intelectual da verdade, mas acelerar a expansão da consciência – o desenvolvimento da consciência divina como sua consciência individual.

A chave daquilo que denominamos "demonstração", ou seja, uma vida feliz e bem sucedida, uma existência alegre e plena, é a consciência, é a obtenção da consciência do bem numa forma ou outra.

Se me perguntassem qual é o objetivo de nosso trabalho, suponho que responderia: "Nós buscamos por Deus." Para a maioria das pessoas Deus é um termo bastante vago. Você saberia o que fazer com Deus após encontrá-Lo? Realmente, se fôssemos honestos conosco mesmos, nós diríamos: "Estamos buscando um senso de paz, uma consciência de harmonia, de saúde e de plenitude do ser." Poderíamos resumir tudo numa frase: "Estamos buscando uma consciência de felicidade." Se nós estamos felizes, temos todas aquelas coisas, e nossa felicidade incluiria tudo aquilo.

Alguém disse que a felicidade é uma borboleta que, quando perseguida, está sempre além do nosso alcance, mas se nos sentarmos tranquilamente ela virá e pousará em nós. Se é verdade que o reino de Deus está dentro de nós, a felicidade não poderá ser encontrada no exterior. A felicidade é algo que flui do interior de seu próprio ser. Assim, o estado de consciência que está perseguindo sempre a felicidade precisa ser eliminado, e a consciência de ficar sentado quietamente, deixando a alegria vir, precisa ser adquirida.

Nathaniel Hawthorne escreveu: "A felicidade nesta vida, quando vem, vem casualmente. Faça dela objeto de perseguição, e ela nunca será obtida. Tendo por meta algum outro objetivo, muito provavelmente encontraremos o que chamamos de felicidade, sem que tivéssemos sonhado com ela." 

Alcançar a felicidade ou a paz, alcançar a paz da mente ou um senso de plenitude e harmonia, significa, antes de tudo, parar de ficar correndo em volta, parar de ficar tentando obter algo, e, principalmente, aprender a sentar-se calmamente, meditar e ponderar internamente as realidades do Ser, e então deixar que esta felicidade apareça. Dizem que a felicidade é um perfume que você não pode passar nos outros sem que algumas gotas se derramem em si mesmo. Assim, antes deste perfume de felicidade poder vir a nós, precisamos começar a passá-los nos outros.


NADA PODE SER ACRESCENTADO A VOCÊ E NADA PODE SER TOMADO DE VOCÊ

Tudo isso nos faz retornar ao ensinamento do Mestre: "O reino de Deus está dentro de vós"; ele deve fluir do seu interior. Nada pode ser-lhe acrescentado, nada pode ser-lhe tirado: você é eternamente pleno e completo. Sempre que formos meditar precisamos nos lembrar desta verdade: não existe nada "fora" ou separado de nós que possa ser obtido. Precisamos apenas obter a consciência daquilo que estamos buscando, para descobrir que já o temos. Nunca nos esqueçamos de que para trazermos melhoramentos nas nossas atividades precisamos começar de onde nos encontramos neste momento. Não ficamos sonhando com o que virá a acontecer após atingirmos uma compreensão maior, ou após permanecermos mais um ano neste trabalho.

Por exemplo, se o problema for de saúde, nós devemos nos sentar, e exatamente no ponto em que estamos agora, começamos a nos conscientizar de toda a verdade que conhecemos sobre Deus e Sua creação infinita. Não esperamos até amanhã, não esperamos até conhecer melhor a verdade, até sermos mais espirituais ou mais merecedores. Sentamo-nos exatamente agora e usamos o pouco da verdade que conhecemos. Se não conhecemos mais do que aquilo, colocamos aquele pouco para funcionar. Tomamos tudo que dispomos da verdade e passamos a utilizá-lo. Sentamo-nos e ponderamos a verdade sobre Deus, a totalidade do Ser espiritual, a verdade que a ilusão não é poder, doença não é poder, pecado não é poder, e portanto, não podem causar nada. Este é o modo com que nós começamos a construir esta nova consciência da totalidade de Deus, a qual inclui a totalidade da saúde, a totalidade da harmonia, a totalidade da abundância, e o consequente "nada" de todo poder que ameace obstruir a operação desta Totalidade.

Se o problema for de suprimento, devemos imediatamente utilizar toda a verdade que conhecemos, pondo-a em ação executando tudo o que possa ser feito no momento. Pode acontecer de termos de começar com o trabalho mais humilde do mundo, mas isso não teria nenhuma importância – mesmo que ele não fosse remunerado. O que deve ser feito é nos mantermos ocupados com ele, conhecendo aquele grão de verdade, e continuando nele. Portanto, construímos uma nova consciência de atividade, de emprego, de renda e de tudo o que existe.

Do mesmo modo, se desejarmos um corpo cheio de vida, útil e ativo com o passar dos anos, não o conseguiremos simplesmente com a obtenção de um melhor corpo: podemos praticar exercícios, fazer dietas e construir um bom corpo físico, e até conseguir obter certa medida de longevidade, mais cinco, dez ou quinze anos. Mas no trabalho espiritual o nosso objetivo é outro. Nossa meta é atingir um sentido espiritual de corpo, uma consciência espiritual de corpo, de modo que esta consciência possa mantê-lo infinitamente, eternamente e harmoniosamente. Para isso temos de obter uma consciência de eternidade, de imortalidade e de perfeição corporal. O segredo da obtenção de saúde ou suprimento não está na obtenção da saúde ou suprimento em si, mas sim na obtenção da consciência de saúde e da consciência de suprimento.


A SUA CONSCIÊNCIA DA VERDADE SE TORNA A SUBSTÂNCIA DE SUA DEMONSTRAÇÃO

Percebeu agora como é importante a consciência? Aprender a mudar nossa consciência é realmente e verdadeiramente o objetivo do nosso trabalho, pois todas as forma discordantes de nossa experiência não passam de nossa consciência errônea de tudo aquilo que está aparecendo para nós. Tentar obter uma aparência melhor não resolverá o problema. Por exemplo, se você estiver morando numa casa que não é do seu agrado, mudar-se para outra melhor não será uma satisfação permanente. Não é essa a solução. A solução é adquirir, primeiramente, uma consciência melhor de casa; então uma casa melhor aparecerá.

Esse mesmo princípio é aplicável no caso de você estar insatisfeito com seu negócio, atividade ou profissão. Você deve obter uma consciência melhor, livre daquela insatisfação, e assim o bem desejado em si poderá ser experimentado.

Ficou claro? Você pode começar exatamente aqui e agora pela conscientização de que o segredo para a obtenção de algo está em se atingir, em primeiro lugar, a consciência daquele algo. Por que isto? Porque a consciência é Deus, e no momento em que você tem consciência de uma coisa, a consciência a cria, seja "ela" qual for – lar, companhia, suprimento, emprego, saúde, eternidade, imortalidade. Sua consciência a construirá. "Com toda sua posse tenha compreensão" (Provérbios 4: 10). Com todo seu poder, consiga uma consciência do bem, e então o bem se seguirá.

Assim que você adquirir a consciência daquele algo, ele passará a ser produzido por aquela consciência: a consciência se torna a substância de sua demonstração. Se pudéssemos contar-lhe que o que você foi ao nascer e o que determinou o seu aspecto foi o seu próprio estado de consciência, você poderia achar que tal fato é inacreditável que você nada tinha a ver com o assunto. Isto se deve ao fato de você acreditar que seu início foi no momento de seu nascimento, ou em alguns meses antes, mas a verdade não é esta. Você tem existido com Deus desde "antes que Abraão existisse", e portanto, o estado de consciência em que você se encontrava antes do nascimento foi a causa daquilo que você agora está demonstrando, e o estado de consciência que você conseguir no próximo ano ou nos próximos dez anos determinará a aparência do seu corpo, negócio, lar, relacionamentos familiares ou nacionais.

Você acredita realmente e verdadeiramente que é a sua própria consciência que governa a sua vida? Pode alguém duvidar? O ensinamento integral de 'O Caminho Infinito' está baseado na premissa de que a Consciência é Deus, e aquela Consciência, sendo universal, é a sua consciência individual. Daquele ponto de vista, você deveria possuir um corpo perfeito, um negócio perfeito, um lar perfeito, uma vida perfeita.

À medida em que você for se tornando mais e mais consciente da natureza infinita de sua própria consciência, o efeito irá aparecendo em sua experiência sob infinitas formas. Quanto mais a sugestão mesmérica ou crença universal numa egoidade apartada de Deus atuar em você, mais a sua demonstração será governada pela crença do mundo, em vez de sê-lo pela sua própria consciência infinita. Em uma época de depressão, se você encontrar-se sem trabalho, significa que você tornou-se vítima da crença mundial, em vez de demonstrar que as crenças mundiais não possuem poder algum sobre você, por ser a sua consciência a lei sobre o seu ser.

Isto de maneira alguma nega o que ensinam as escrituras. No Gênesis, foi dado a nós o domínio sobre tudo neste universo, desde o fundo do mar até as estrelas do firmamento. Também é certo que o ensinamento do Mestre não nos deixa ser vítimas de tiranos ou ditadores. Ele nos ensinou que não pode haver poder algum sobre nós, a menos que seja o do Pai, mas para demonstrarmos esta verdade nós precisamos ter a consciência dela. O simples fato dela ser verdade não realizará a obra: é a sua consciência da verdade que realiza a obra.

Cont...

sábado, agosto 02, 2014

Comentando o capítulo 9

- Gustavo -

A Consciência é a fonte de toda a existência. Ela é o "campo" de percepção, o "espaço" onde tudo surge, acontece e desaparece. Todos os objetos presenciados pela Consciência são inconstantes e impermanentes e, por isso, irreais. Apenas a Consciência permanece sempre constante, razão por que se diz que ela é a única coisa real. Os ensinamentos da Índia afirmam que o mundo e o universo (que nada mais são que "objetos") só existem porque há uma Consciência presente (um "Eu"), olhando de frente, observando/assistindo tudo o que ocorre. Se não houver um "Eu" para testemunhar  a vida, o mundo, o universo, nenhum deles poderiam estar ocorrendo/existindo.

Façamos o seguinte exercício: neste momento olhe para um objeto localizado na sala/quarto onde você está e permaneça com a atenção fixa sobre ele, percebendo-o. Note que, enquanto você olha para ele, ele existe para você (pois está no campo de sua percepção). Agora retire a sua atenção do objeto e olhe para o outro lado (ou apenas feche os olhos) e perceba que, em relação à sua visão/percepção, aquele objeto não mais existe (pois não mais está presente em sua percepção). Talvez você diga: "Ah, eu posso não estar vendo-o, mas sei que ele está lá, sei que ele existe". Ok, pode ser. Mas, apenas por um momento, deixe de analisar o caso levando em conta todos os seus sentidos, e restrinja este exercício apenas no que diz respeito à visão de seus olhos. Em relação à visão, aquele objeto está ali, ele está presente? Não. Em relação à visão, aquele objeto não está ali (pois ele não pode ver); e se para o olho não está ali, ele não existe. Perceba que, para o sentido da visão, o "estar presente" equivale ao "existir". E a Consciência tem a qualidade específica de ser como o "olho" ou a "visão".

A Consciência nada mais é do que a presença de uma grande "visão", um "olho" cósmico/impessoal assistindo o desenrolar do universo e de toda vida que nele se apresenta. Se essa visão cósmica e impessoal não estiver presente, olhando de frente para o universo, este não existiria. Se o "olho" que observa/assiste o universo voltasse sua atenção para "o outro lado", este universo deixaria de existir/ser no mesmo instante. Se você consegue perceber esta tela de computador (ou este papel em suas mãos) é porque isso está em sua consciência. Se você consegue perceber o local onde você está é porque tal lugar existe em sua consciência. Se você consegue observar o mundo, o sol, a lua, as estrelas e o universo, é porque todos eles estão contidos em sua consciência. Neste momento aquiete-se por um instante e procure perceber essa "visão" que está observando a tela de computador, o aposento onde você está, o mundo, o universo... procure identificar a presença dessa grande visão impessoal que observa, e que permite todas as coisas estarem presentes. Não estou falando aqui de uma observação feita a partir dos sentidos/capacidades do corpo humano. Até mesmo o seu corpo está sendo observado por essa grande visão, uma vez que você pode percebê-lo. Além da pequena visão pessoal que inere ao corpo, há uma grande visão capaz de observar até mesmo essa pequenina visão. Que visão é essa? Neste momento, aquiete-se e procure-a. Ao conseguir encontrar essa visão, terá encontrado a consciência.

Não somos os nossos corpos físicos, somos a consciência impessoal que a tudo presencia. O problema é que, ao invés de observar tudo a partir do grande ponto de vista da consciência impessoal, ficamos identificados com a pequena visão (ponto de vista) pessoal do corpo físico, e isso faz com que pensemos ser o corpo que neste mundo utilizamos. A fim de desfazer esse erro, Goldsmith recomenda que o estudante pratique o seguinte exercício:

"Passe a olhar o seu dedo do pé e pergunte a si mesmo: “Aquilo sou eu?”. A resposta logo há de vir: “Não, não sou eu; aquilo é meu.” Então dirija sua atenção para o pé e verifique se ele é você ou se ele é seu. Continue investigando até o topo da cabeça, e verifique se você pôde se localizar em alguma parte do corpo ou se descobriu que você não está no corpo, mas que o corpo está/pertence a você. Você é consciência. Como podemos saber disto? Você está consciente: você está consciente do seu corpo; você está consciente da sua família; você está consciente de sua nação; você está consciente dos oceanos, estrelas, sol, lua – de tudo que está incorporado dentro da consciência que você é. Se eles não estivessem em sua consciência, você não poderia estar consciente deles. No momento em que você começar a compreender isto, passará a ver que você não está localizado em uma poltrona ou mesmo em uma sala. Exatamente onde você se senta é a terra toda, incorporada dentro de sua consciência; portanto, você deve ser maior que a terra para poder contê-la dentro de sua consciência."

Para experimentarmos "o sentido de unicidade" com Deus (o Todo), precisamos abandonar "o sentido de isolamento/separação" do Todo. A "percepção diminuta e pessoal" derivada do corpo físico é que constitui o sentido de separação do Todo. Ao abandonar a identificação com a visão pequena e pessoal do corpo, e identificar-se com a grande visão impessoal que a tudo observa (ela observa inclusive as percepções pessoais que derivam do corpo físico), o homem se coloca na posição de poder experimentar a unicidade. Somente quando nos percebemos como consciência é que podemos nos ver unos com o Todo. Por isso, neste capítulo Goldsmith está explanando sobre a importância de o indivíduo identificar-se com sua real natureza, que é Consciência. E Consciência é Deus.

Somos Consciência. A Consciência tem como natureza ser infinita. O Infinito todo está nela incluído. Passado, presente e futuro, estão todos contidos na Consciência, a qual é totalmente atemporal e existe além de tudo. Mesmo o futuro (que para a visão da mente ainda não aconteceu) já existe (está pronto) na Consciência. Isso se assemelha a um filme, no qual todo o passado, o presente e o futuro estão gravados/disponíveis/prontos na mídia do dvd. Somos UM com o Infinito (somos o próprio Infinito!), e isso significa que somos um com todos os seres e todas as coisas existentes. Uma das frases mais importantes e essenciais do Caminho Infinito é: "Tudo de que necessitarei, desde agora até o fim dos tempos, já está agora mesmo corporificado em minha consciência: a substância e a lei que a ampara. Esta consciência onipresente é a substância de todas as formas e a lei para todas as formas. É infinita. Infinita em essência, infinita em expressão, infinita em manifestação. Não é limitada por nenhuma crença humana; é a Consciência divina, que flui plena e livremente como minha consciência individual". Tudo o que nos for necessário, desde o remotíssimo passado até o mais longínquo futuro, encontra-se já presente dentro de nossa Consciência, ou seja, dentro de nós. Em termos bíblicos e védicos: "tudo existe em Mim." Todo o propósito ou objetivo de seguir o caminho espiritual é alcançar a conscientização dessa Consciência. Goldsmith diz:

"Compreendendo Deus como a Consciência divina única universal, e o homem como a expressão individual desta Consciência, descobrimos que TUDO QUE É DO PAI É MEU, isto é, tudo o que está incorporado a Consciência universal está incorporado à consciência individual, por elas serem uma. Assim, quaisquer coisas ou idéias de que necessitemos já são partes integrantes de nossa consciência, e se desdobrarão à percepção humana tão logo nos familiarizemos com a lei e passemos a aplicá-la. 'Conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará' desta ilusão de que o que você busca encontra-se separado e apartado de você. Deverá haver o entendimento de que o universo inteiro está incorporado à Mente divina; e, em vista de esta ser a nossa única mente, todas as coisas já estão dentro de nós. Em conseqüência, jamais somos dependentes de alguma pessoa, lugar ou condição para coisa alguma! Portanto, nosso passo seguinte é abandonar toda dependência a pessoas, posições ou investimentos para o nosso suprimento. A princípio, isto parece ser um disparate, já que as coisas do Espírito são loucuras para os homens. 'Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus porque lhe parece loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.' ( I Cor. 2:14. ). Todo o objetivo de nossa estada neste plano da vida é alcançar aquela conscientização de Deus. Quando isso acontece e nossa unidade com Deus é sentida conscientemente, todas as discórdias, erros e desarmonias desaparecem, e Deus Se torna a vida de nosso ser, a sustentação, o suprimento, a sabedoria, a diretriz e a inteligência; Deus Se torna a natureza suave e pacífica de nosso ser; e além disso, há uma compreensão total de que aquilo tudo é Deus aparecendo como. Assim que você começar a conscientizar que a natureza do seu ser é consciência, passará a ter a compreensão de que você, por si, é imortal, eterno e infinito. Um conhecimento meramente intelectual deste fato nada fará para você. Deverá haver uma conscientização interior desta grande verdade antes que você possa 'sentir' a presença desse poder atuando como sua consciência individual.  Ao sentirmos a presença de Deus passamos a saber que toda a nossa experiência é fruto daquela Presença e que sempre nós A teremos conosco: 'eu nunca o deixarei e nem o abandonarei.' (Hebreus 13: 5)."

Portanto:

"O primeiro passo em sua conscientização de ser consciência começa por pesquisar, 'dos pés à cabeça', se você pode ser encontrado em alguma parte do corpo. Você verá então que não está em um corpo, mas que está consciente do corpo, e além disso perceberá estar 'do lado de fora' como consciência, lá onde não poderá ser tocado por coisa alguma de natureza finita ou errônea. Tente captar a visão do significado da consciência, pois ela se expressará a você ou através de você como sua própria sabedoria, como sua própria vida, e trará com ela a sua própria imortalidade, sua própria eternidade e sua própria infinitude. Ao começar a perceber a si próprio como consciência, você estará começando a conscientizar que Deus é a própria fibra de seu ser, a própria substância de seu corpo. Com essa nova compreensão, você olhará para o mundo e verá tudo como sendo formado daquela consciência, e portanto como um instrumento de Deus, nunca do mal."

Namastê!

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