"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

segunda-feira, julho 21, 2014

Comentando o capítulo 7

- Gustavo -

Os ensinamentos iluminados afirmam que a morte pode ser superada. Obviamente isso não quer dizer que o homem vá viver para sempre como um corpo físico. O corpo físico é uma existência dual (conceito) e está fadado a desaparecer pelo simples fato de ter um dia surgido. Os fenômenos "surgir" e "desaparecer" representam polaridades opostas do universo dualístico. Tudo o que surge, desaparece. A imortalidade não diz respeito ao corpo, e sim à existência espiritual do homem. Espiritualmente o ser humano existe sem jamais ter nascido ou morrido - ele é sempre, de eternidade a eternidade. Quando o homem perde o falso conceito do corpo e conscientiza a sua natureza verdadeira, que é Espírito, a imortalidade é obtida. Todavia, o falso sentido que fazemos do corpo somente pode ser descartado com a conscientização da verdade sobre ele, e isso requer treinamento de percepção (meditação). Sem prática constante da meditação, o indivíduo não chega a ir longe neste caminho.

Há uma espécie de "mente" criando e projetando o universo conceitual. Nos ensinamentos metafísicos, tal mente é chamada de "mente carnal", "mente mortal", "mente ilusória", "crença coletiva" ou "crença universal". Ninguém é responsável pelo aparecimento do universo ilusório, ele é produto de uma mente impessoal (que não é de ninguém) e ilusória que se vê separada de Deus. Essa mente não proveio de Deus (pois Deus não se vê separado de Si mesmo) e não possui vínculo com nada e ninguém - é como uma "onda de rádio" ou "nuvem" que paira no meio do simples "nada". Não está realmente aqui, mas se apresenta como se estivesse. E, justamente por surgir do "nada" é que tal mente pode ser compelida a retornar ao seu "nada" originário. Quando a mente ilusória retorna ao nada, a existência verdadeira criada por Deus (que sempre esteve aqui, encoberta pela falsa presença da mente impostora) se revela como existência-sempre-presente. Esse é o fundamento da cura praticada e ensinada por Joel Goldsmith.

A humanidade acredita que morte, doenças, misérias, discórdias, e toda espécie de sofrimentos são frutos de carmas negativos acumulados (pecados). Acredita, portanto, que o homem é o responsável pelas experiências boas ou ruins por que passa na vida. A pessoa que passa por infortúnios ou doenças está "compensando" uma dívida contraída no passado. A humanidade carrega em seu inconsciente coletivo a ideia de que um pecado ou culpa somente podem desaparecer se o indivíduo pagar um preço justo. E a moeda exigida para expiar a culpa e o pecado é a punição. "Eu pequei, agora tenho que sofrer de alguma forma para poder compensar e me livrar deste pecado" ou "Aquela pessoa cometeu este e aquele ato, agora deverá ser punida para compensar o mal que fez" - essa é a ideia que está incutida na mente coletiva da humanidade. Essa é a justiça humana. E, como parte integrante da humanidade, cada indivíduo carrega em alguma medida essa ideia na mente.

Goldsmith diz que o homem não é o responsável por seus pecados. Toda situação de doença, dor, miséria, discórdia,  escassez e sofrimento têm sua origem na "crença universal" que cria e projeta o universo ilusório, e não no ser humano em si. É a crença universal (que não possui relação alguma com qualquer ser em absoluto) que faz aparecer uma situação de doença, miséria ou sofrimento. Ao ensinar a cura espiritual, Goldsmith diz que o primeiro passo para nos livrarmos da ilusão/culpa/pecado é conscientizar que o problema em questão não está de maneira alguma associado a uma pessoa, coisa ou fato, e isolá-lo. Toda situação de pecado é fruto da mente universal (que não é de ninguém). Isso é chamado de "princípio da impersonalização". Após a impersonalização, passamos ao "princípio da nadificação". A situação deverá ser "nadificada", ou seja, o indivíduo deve conscientizar que tanto a crença universal (geradora da situação) quanto a situação em si têm a sua natureza/origem no nada. Com esses dois passos, a aparência de pecado desaparece. Por exemplo: suponhamos que alguém tivesse o seu carro roubado. Ao realizar a cura espiritual, o praticista deverá imediatamente livrar-se da tentação de pensar que "meu carro foi roubado por alguém", pois tal situação foi gerada pela mente carnal, e não pela vontade de uma pessoa. No mundo criado por Deus não existem pessoas cometendo atos tais como roubos, pois todos são filhos de Deus, todos os seres são inocentes. Não há ninguém que seja pecador ou culpado. Assim, o suposto "ladrão" deverá ser isolado da situação em si (roubo do carro), pois o "ladrão" é na verdade o Cristo, o Filho de Deus perfeito, e todo Filho de Deus age com a consciência de ser filho de Deus. Este é o passo da impersonalização. A seguir, o praticista deve conscientizar que, já que não existe ninguém cometendo roubos, a situação em questão somente pode ser uma imagem/quadro/cenário/filme projetado pela mente carnal, a qual é o nada. Se, por natureza, a mente carnal é o nada, o problema que advém dela também é "nada" - jamais aconteceu! Se, com esses dois passos, o indivíduo conseguir expulsar de sua consciência a crença universal que dizia que "o carro foi roubado", é bem provável o universo conceitual passe a apresentar uma sequência de imagens em que o carro perdido torne a aparecer.

Da mesma forma, as imagens de "nascimentos" e "mortes" que são mostradas no universo conceitual são frutos da crença universal, e não da Consciência ou Mente Divina. Por isso, Goldsmith recomenda que em nossas meditações diárias devemos conscientizar a imortalidade aqui e agora - a imortalidade deste corpo e deste universo - para que possamos descartar o falso sentido que, influenciados pela crença universal, fazemos do corpo e do universo.

Ademais, Goldsmith explica que nada dentro do universo conceitual possui vida, inteligência, força, vontade ou poder por si mesmo. Isso porque o universo conceitual não é universo, mas apenas um conceito do Universo. E tudo o que existe, existe no Universo. Assim, a vida, inteligência, força, vontade e poder estão no Universo (Deus) e não nas coisas do universo das aparências. É por isso que Goldsmith afirma que o corpo físico não possui inteligência, não pode se mover - ele é apenas como uma sombra refletindo o nosso estado de consciência. O corpo que se move é o corpo real que existe no Universo. E quem move o corpo é o homem real, o qual, novamente, existe no Universo. É somente no Espírito que tudo existe e acontece. "Em Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser" (Atos 17: 28). Devemos nos erguer nossa consciência acima da crença de que a vida está no corpo e que o corpo controla a vida. Este é o fundamento que, se plenamente conscientizado, nos faz vencer a morte, o último inimigo. Goldsmith afirma: "O passo inicial para vencermos a morte está na conscientização de que o corpo não possui qualquer inteligência pela qual possa viver ou morrer. O corpo não tem inteligência para apanhar um resfriado, e para conseguirmos um resfriado para ele precisamos permitir a atividade da mente carnal aceitando as crenças do pensamento humano; e teremos de agir do mesmo modo para contrair para o corpo doenças de qualquer natureza. A doença humana nunca é contraída pelo corpo ou através dele. O corpo não possui inteligência: ele não pode se mover; é inerte; e, como uma sombra, reflete nosso próprio estado de consciência. Toda doença, portanto, que pareça ser do corpo é contraída através da atividade da mente humana pela sua aceitação das crenças universais. O primeiro ponto então para que a morte seja vencida é superar a crença de que o corpo tem, por si, capacidade de viver ou morrer, e conscientizar que o corpo tem somente a capacidade de refletir ou expressar a atividade de nosso próprio estado de consciência.".

Note que os ensinamentos do Caminho Infinito dizem respeito a vivermos a vida material a partir de um nível ou estado superior de consciência. Ao caminharmos com o nosso corpo físico [conceito], devemos estar cientes de que não é o corpo físico que está caminhando, mas somente o corpo real pode caminhar. Este é um exemplo bem pequeno e simples, mas através do qual podemos começar a treinar os princípios da cura espiritual, para posteriormente transpô-los para outros aspectos maiores da vida. "O ponto importante é em que nível de consciência estamos vivendo. Estamos nós vivendo de forma tal que, seja qual for o local ou plano de existência, dominamos os obstáculos da mortalidade e da materialidade? O grau de nossa conscientização de que esta divina Consciência nos governa é o grau com que nós 'vencemos o mundo'; dentro de cada um de nós estou Eu, e Eu sou o poder que rege toda a nossa experiência."

Por isso, medite! Contemple:

"Este corpo não é um poder sobre mim. Eu sou a vida, a mente, a inteligência e o poder que governam este corpo. Não eu, um ser humano, mas Eu, a divina consciência do Ser, dirijo este corpo, este negócio, este lar, este ensinamento e este algo mais dentro da faixa da minha consciência."

Namastê!

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sexta-feira, julho 18, 2014

O último inimigo

DEUS, A SUBSTÂNCIA DE TODA A FORMA
(Joel S. Goldsmith)

- Capítulo 7 -

O ÚLTIMO INIMIGO

Todos têm interesse no assunto da imortalidade – imortalidade aqui e agora, neste corpo, e não uma imortalidade a ser alcançada após a morte. É neste próprio corpo que podemos experienciar a imortalidade: neste próprio corpo que ora utilizamos como instrumento. Não iremos perder nosso corpo, mas perderemos o nosso falso conceito do corpo pela conscientização de sua natureza verdadeira.

Com a perda do sentido de doença, acidente e velhice, e com a conscientização do corpo perfeito não ocorre a perda do corpo: ocorre apenas a perda do falso conceito do corpo e a conscientização de sua natureza verdadeira. Do mesmo modo, experienciar a imortalidade aqui e agora não acarreta a perda do corpo, mas apenas na perda do falso sentido do corpo. Em nossa meditação diária vamos assim conscientizar a imortalidade aqui e agora – a imortalidade deste corpo e deste universo – para que possamos descartar o falso sentido que o mundo faz do corpo e do universo.

"Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte" (I Coríntios 15: 26). Para muitos, isto pode parecer bastante desencorajador. Mas, de uma coisa podemos estar certos, seja ou não este o último inimigo a ser aniquilado: ele não será vencido enquanto nós não começarmos a vencê-lo, enquanto nós não tomarmos alguma atitude em relação a ele. Passar de ano em ano somente repetindo: "Bem, a morte será o último inimigo a ser vencido", não fará com que ela seja adiada. Se desejamos adiar a morte e finalmente vencê-la, devemos começar agora mesmo.

O que é a morte? A morte parece ser um cessar momentâneo da consciência. Mas a consciência não pode permanecer ou estar em estado inconsciente. De fato, a consciência nunca pode se tornar totalmente inconsciente. O que chamamos de morte não passa de um lapso aparente de profunda inconsciência, do qual nos tornamos conscientes novamente, de forma similar àquela que ocorre quando dormimos.


O CORPO EXPRESSA A ATIVIDADE DA CONSCIÊNCIA

O passo inicial para vencermos a morte está na conscientização de que o corpo não possui qualquer inteligência pela qual possa viver ou morrer. O corpo não tem inteligência para apanhar um resfriado, e para conseguirmos um resfriado para ele precisamos permitir a atividade da mente carnal aceitando as crenças do pensamento humano; e teremos de agir do mesmo modo para contrair para o corpo doenças de qualquer natureza. A doença humana nunca é contraída pelo corpo ou através dele. O corpo não possui inteligência: ele não pode se mover; é inerte; e, como uma sombra, reflete nosso próprio estado de consciência. Toda doença, portanto, que pareça ser do corpo é contraída através da atividade da mente humana pela sua aceitação das crenças universais. O primeiro ponto então para que a morte seja vencida é superar a crença de que o corpo tem, por si, capacidade de viver ou morrer, e conscientizar que o corpo tem somente a capacidade de refletir ou expressar a atividade de nosso próprio estado de consciência.

Quando nós aceitamos na consciência o pensamento ou crença de morte, é que o corpo sucumbe a ela. Tem sido dito, repetidas e repetidas vezes, tanto pelos metafísicos como pelos médicos, que as pessoas morrem somente quando dão o seu consentimento. De uma maneira ou outra isto é verdade. Consciente ou inconscientemente é dado o consentimento para que ocorra a morte. Se você compreender este ponto de forma suficientemente clara, poderá não apenas adiar e provavelmente dominar a morte, mas estará de posse de uma verdade com a qual atenderá os chamados referentes a doenças e senilidade.

O fato de um indivíduo no caminho espiritual experimentar a morte ou passamento não significa necessariamente que ele tenha morrido. Por favor, lembre-se do seguinte: isto que venho dizendo não é produto de minhas suposições ou de algo que eu tenha lido em algum livro; tudo que tenho dito vem de experiência real em revelações interiores.


PROGRESSO OU RETROCESSO

Quando as pessoas na corrida normal da vida morrem, ocorre apenas momentâneo lapso de consciência do qual elas despertam praticamente no mesmo grau de mortalidade ou sentido material. Elas não se tornam mais avançadas ou mais espiritualizadas por causa da "passagem"; sua materialidade não se converte em espiritualidade. Elas talvez possam se livrar de uma dor imediata ou de uma doença imediata, mas tal libertação é similar à trazida pela medicina. A ajuda médica poderia livrá-las da dor ou da doença, mas nunca as faria avançar espiritualmente. Do mesmo modo, mesmo que o fenômeno da morte possa aliviá-las de alguma doença ou calamidade, isso não mudaria o nível de consciência delas; e iriam permanecer no mesmo nível material ou mortal, com a mesma oportunidade de a certos momentos avançar no caminho espiritual ou retroceder. A escolha é delas, tanto aqui como depois. Isso tudo, naturalmente, se aplica àqueles que no nível comum da existência humana morrem por acidente, doença ou pela comumente chamada "morte natural".

Os que deixam este plano de existência enquanto estão nas baixas esferas da vida, ou seja, como um alcoólatra, um viciado em drogas, um criminoso ou qualquer outro estado grosseiro da materialidade, irão permanecer no mesmo nível após a sua "passagem". A materialidade deles se tornará ainda mais densa, embora em alguma época, despertando para a verdadeira identidade, possam mudar o curso e iniciar a ascensão espiritual.

O estudante de religião ou metafísica que experiencia a morte ou "passagem" quando em ascensão espiritual, enquanto se eleva em sua trajetória, não somente desperta bem avançado no caminho, mas, em muitos casos, se for ampla a sua proximidade com relação à verdade espiritual, sua "transição" poderá significar uma libertação completa da experiência física ou mortal. É esta a libertação contida na mente dos seguidores de certas religiões ocidentais, que ao lado de seus ensinamentos sobre a reencarnação fazem referência ao estado que almejam atingir para não precisarem mais retornar à terra. Em outras palavras, alguns indivíduos atingem tal nível de consciência espiritual, que têm pleno conhecimento de sua verdadeira identidade e de que o chamado corpo físico não constitui o ser e não possui inteligência por si próprio, mas é um veículo ou instrumento através do qual eles aparecem como forma. A estes, a experiência da "passagem" pode fazer cessar o envolvimento com a consciência de sentido mortal ou material, fazendo com que eles passem à plenitude do viver espiritual.


VENCENDO O MUNDO

Temos a oportunidade de dominar a morte por completo, no sentido de permanecermos aqui na terra em nossa forma presente e nas contínuas e progressivas aparências que esta forma venha a assumir. Não sei se isso vem sendo feito ou não, mas há esta oportunidade. Contudo, o ponto importante não é este. Se iremos permanecer aqui por duzentos ou por dois mil anos não tem importância maior do que viajar para Nova York ou para a Califórnia ou Europa. Não há importância alguma o lugar em que iremos viver. O importante é como vivemos e porque vivemos. O ponto importante é em que nível de consciência estamos vivendo. Estamos nós vivendo de forma tal que, seja qual for o local ou plano de existência, dominamos os obstáculos da mortalidade e da materialidade?

Uma das últimas declarações de Jesus foi a seguinte: "Eu venci o mundo" (João 16: 33). Mas era ainda Jesus que estava dizendo aquilo, enquanto estava no mesmo corpo. "Eu venci o mundo". Nós, também, vencemos o mundo à medida de nossa conscientização:

"Este corpo não é um poder sobre mim. Eu sou a vida, a mente, a inteligência e o poder que governam este corpo. Não eu, um ser humano, mas Eu, a divina consciência do Ser, dirijo este corpo, este negócio, este lar, este ensinamento e este algo mais dentro da faixa da minha consciência."

O grau de nossa conscientização de que esta divina Consciência nos governa é o grau com que nós "vencemos o mundo". Então poderemos caminhar por sobre as águas, caminhar entre os micróbios, caminhar entre as guerras ou catástrofes, sem que nenhuma dessas condições tenha grande efeito ou poder sobre nós, porque dentro de cada um de nós estou Eu, e Eu sou o poder que rege toda a nossa experiência. Onde quer que estejamos, seja qual for a condição ao nosso redor, iremos nos encontrar diariamente alimentados, vestidos e abrigados. Se for necessário, encontraremos o maná caindo do céu; se for necessário, acharemos ouro na boca de um peixe; se for necessário, veremos pães e peixes serem multiplicados. De uma forma ou outra, seremos supridos diariamente com tudo o que se fizer necessário, seja na forma de pessoa, lugar, coisa, circunstância ou condição. Mas esta nossa experiência ocorrerá somente quando vencermos o mundo.

O processo para vencer o mundo tem início com a nossa compreensão da unidade, de nossa união com Deus, com a nossa conscientização de que "eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma" (João 5: 30), tudo que está fluindo através de mim é a vida, a saúde e a plenitude que é Deus.

"Isto disse o Senhor: Não se glorie o sábio no seu saber, nem se glorie a fonte na sua força, nem se glorie o rico nas suas riquezas; porém, aquele que se gloria, glorie-se em Me conhecer, e em saber que Eu sou o Senhor que exerce a misericórdia, a equidade e a justiça sobre a terra". (JEREMIAS 9: 23,24)

No momento em que começamos a perceber que tudo que temos é do Pai, que é universal, impessoal, imparcial e, portanto, que não temos direitos nem patentes, estaremos abrindo nossa consciência ao fluxo; e é quando aquele governo se responsabiliza por nosso corpo, nossos negócios, nosso lar, onde quer que estejamos.


RESSURREIÇÃO E ASCENSÃO

Na consciência de Deus não existe morte. Deus não pode morrer. Deus é vida eterna e a Consciência infinita não pode morrer ou ficar inconsciente. Deus, a divina Consciência, está sempre Se expandindo, Se revelando, manifestando e expressando ininterruptamente a Si mesma como consciência individual. Deus é a sua consciência individual e esta consciência não pode morrer. Se Deus pudesse morrer ou ficar inconsciente, então, e somente então, poderia você morrer. Como Deus é a vida individual, poderia esta vida morrer? Poderia esta vida, que aparece como sua forma ou corpo, desaparecer da terra? Não; pode somente sair do campo de visão da mortalidade, através do processo da "Ascensão".

Quando nós, por nós mesmos, erguermos a nossa consciência acima da crença de que a vida está no corpo e que o corpo controla a vida, experienciaremos a ressurreição; obteremos a convicção de Jesus, ao dizer: "Derrubai este templo, e em três dias o levantarei" (corpo). Quando estivermos imbuídos da compreensão de que a divina Consciência, que é a consciência individual, governa e controla nosso corpo, e quando nós percebermos individualmente a verdade de que a nossa própria consciência é o poder da ressurreição, de reconstrução, teremos a nossa experiência da ressurreição. E então virá a ascensão.

A ascensão vem com a conscientização de que Deus está revelando a Si próprio como o nosso ser individual, e como o Espírito deve aparecer ou manifestar-Se como forma, então este corpo é tão espiritual, imortal e eterno quanto a Espírito-substância com a qual é formado. Com a luz dessa conscientização, virá a nossa ascensão.

Existe um significado espiritual trazido a nós pelo nascimento, crucifixão e ascensão do Mestre: se existe uma progressiva expansão da consciência, até que o nascimento e a crucifixão se cumpram em nós e tenhamos atingido a ascensão, não mais no corpo, mas como uma lei sobre o corpo, nunca mais teremos de retornar àquelas experiências. A ascensão é o estado de consciência que sabe que o corpo não controla a vida, mas que a vida controla o corpo. O Mestre provou ter atingido aquele estado de consciência quando, referindo-se à sua vida, disse: "Eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la" (João 10: 18), e disse também: "Derrubai este templo (corpo), e em três dias o levantarei" (João 2: 19); ou, em outras palavras: "Eu, Consciência, controlo este corpo". A Consciência controla o corpo pelo deixar que a Consciência do Eu Sou forme de Si mesma as maravilhas e belezas que nós denominamos aqui e agora.
Cont...

quarta-feira, julho 16, 2014

Comentando o capítulo 6


- Gustavo -


Para desenvolver uma consciência de cura, a primeira coisa que o praticante deve ter em mente é que ele não é o realizador da cura. Não é o homem quem cura. O estudante deve ter a habilidade de se abtrair  e discernir a inexistência/nulidade da existência de um ser humano, pois ali onde parece existir um "homem" está na verdade Deus manifestado em toda sua perfeição, glória, esplendor, totalidade e infinitude. Unicamente Deus está presente - esse é o fundamento que explica porque não é o ser humano quem realiza a cura, pois ele nem está presente, para início de conversa. O curador deve ter a habilidade de se abstrair e ver através das imagens/aparências/conceitos formados pela mente humana. Exatamente no lugar onde aparenta existir um cenário material formado pela mente humana está manifestado o puro e perfeito Reino de Deus. O Reino de Deus é de substância espiritual, formada a partir do próprio Espírito de Deus. Deus e Seu reino constituem mesma substância. A matéria não existe. O Universo é espiritual, tal como o é Deus. Nós existimos unicamente em Deus, conforme revela a Bíblia: "Em Deus vivemos, nos movemos e existimos" (Atos 17:28). Alcançar determinada medida desta compreensão/percepção é essencial para realizar o tratamento. Goldsmith diz:

"O tratamento é a conscientização, seja qual for a natureza do pedido, de que exatamente ali está presente a totalidade, a harmonia, o domínio, a perfeição do Deus único, e que essa harmonia é portanto universal, impessoal e imparcial. Se num chamado por ajuda a substância do corpo humano parecer estar envolvida, deveremos ter a visão nítida de que o Espírito, sendo a única substância, deve ser a substância da forma e do corpo; e também o Espírito, sendo onipresente, faz com que a forma perfeita esteja presente, seja qual for a aparência apresentada. O Espírito é onipresente em todas as suas formas e variedades. Os sentidos nos dizem que o poder e a substância estão na forma, mas a iluminação espiritual nos revela que o poder, a substância e a lei estão sempre no Espírito."

Joel Goldsmith está dizendo que, onde parece haver um corpo material (que pode se apresentar ora doente ora saudável) existe um corpo espiritual (perfeito, eterno, glorioso, imutável) constituído da própria Substância de Deus. Assim como não há que se falar em "dois universos" (material e espiritual), também não existem "dois corpos", na medida em que um deles é apenas um conceito. O "corpo material" (que não é corpo em absoluto) é apenas um conceito do corpo espiritual que está presente aqui e agora. Nesse âmbito espiritual, Deus está aparecendo como o corpo do indivíduo. Nesse âmbito espiritual tudo está acontecendo. Não existe ser humano vivendo ou passando por experiências em universo material - o qual, novamente, não é um universo, mas apenas um conceito. A vida e a experiência do homem ocorrem no Universo, em Deus. Em Deus o homem é um ser perfeito, tal qual Deus é. Por isso, Goldsmith diz que "toda ação que há é Deus-ação". O tratamento consiste na conscientização dessa verdade.

O ensinamento do Caminho Infinito é apresentado à luz da experiência da unicidade com Deus. Ao perceber a sua unicidade com Deus (Totalidade de tudo o que existe), o indivíduo percebe estar conectado com cada outra "parte" do Universo. Uma das frases mais enfatizadas por Goldsmith em seus ensinamentos é: "Minha unicidade com Deus garante a minha unicidade com cada ser individual existente". Na metafísica isso é ensinado através do seguinte exemplo: visualize uma reta matemática e perceba que a reta é formada por vários "pontos". A reta pode ser compreendida como sendo Deus, a Totalidade. Os "pontos" que formam a reta podem ser compreendidos como sendo o "ser individual". Da mesma forma que é impossível uma reta matemática estar separada dos "pontos" que a constituem, Deus não pode estar separado do "ser espiritual individual". E, da mesma forma que cada "ponto" (por ser um com a reta) está em unidade com todos os outros pontos, cada ser individual está em unicidade com todos os outros seres individuais. A verdade sobre Deus é a verdade sobre todos! Daí o fato de Goldsmith afirmar que essa é uma verdade universal, impessoal e imparcial. Quando o homem conscientiza a verdade sobre si mesmo, conscientiza também a verdade sobre todos os outros seres. E caem por terra as distinções engendradas pela mente humana. Unicamente Deus está presente como cada ser individual.

Deus não existe no universo conceitual. Há somente uma Vida, e esta existe no Universo criado e mantido por Deus. A (aparente) vida que se manifesta no universo conceitual não é a Vida a qual Goldsmith se refere em seu ensinamento. A Vida existe acima do universo das aparências, em Deus. No universo aparente, aquilo que se apresenta como "vida" está sujeito a nascimentos e mortes. Goldsmith afirma que Deus é a única Vida, e que Deus não é vítima de passamentos. O ser que nasce, morre e evolui através de inumeráveis reencarnações não é o Cristo, o Filho, o Ser Individual. O Ser que somos já está 100% evoluído, acabado, completo, pronto. Existe em total estado de perfeição. A Bílbia revela que "tudo está feito". Isso significa que o Universo também não está se desenvolvendo ou evoluindo. O Reino de Deus é um reino que existe já pronto aqui e agora! Todas essas verdades são para ser consideradas nas meditações/contemplações.

O que está acima explanado fornece a base para compreendermos, de uma vez por todas, que o tempo não é um agente ou força capaz de exercer o seu poder sobre nós. Uma vez que não evoluímos, não podemos ter idade de 5, 10, 20, 40, ou 80 anos. Podemos também dar tratamento ao tempo. Acerca disso, Goldsmith explica que somos "tão jovens e tão antigos como Deus". Os ensinamentos do oriente dizem que as diversas fases da vida (infância, juventude, maturidade, velhice) passam, enquanto o ser que somos permanece sempre o mesmo - o homem não é a aparência mutável: é o ser que subjaz a ela. A pessoa que, em decorrência de sua compreensão espiritual, consegue adquirir a firme convicção de que o tempo não é poder capaz de atuar sobre si como se fosse "causa", acaba por retardar o seu envelhecimento no universo das aparências. Quem não acredita no tempo (por compreender e realizar o Espírito como única causa) evita os efeitos do tempo. Goldsmith diz: "Deus, o Espírito, é a única substância e não há razão nenhuma para que o corpo apresente aos noventa anos menos vitalidade e força do que aos dezenove anos. O corpo não pode ler o calendário; o corpo não conhece, por si, a sua idade. Somente nós é que podemos conhecer o calendário e aceitar a crença de idade, a qual é refletida externamente sobre o corpo. Se conscientizarmos a nossa verdadeira identidade como sendo Espírito, o corpo passará a ser visto como espiritual e será tão isento de idade como o somos nós próprios. Qualquer que seja a nossa idade hoje, este é o momento em que começamos a conscientizar que Deus é a nossa vida individual e que temos a mesma idade de Deus. Com isto aprenderemos que a vida nunca teve um princípio e, portanto, nunca terá um fim."

Mas tal consciência precisa ser desenvolvida. E o desenvolvimento da consciência requer prática e exercícios. Goldsmith adverte que seu ensinamento não é para pessoas preguiçosas. Apenas ler ou saber essas verdades não fará com que o indivíduo retarde o seu processo de envelhecimento. É importante que a meditação (que nada mais é do que a prática de conscientização desta verdade) se torne um hábito na vida do estudante. Neste livro, Goldsmith sugere, como exercício de meditação, a contemplação de que: “Eu sou a mesma idade que era ontem; eu sou a mesma vida, a mesma mente, o mesmo Espírito, o mesmo corpo. Tudo que é do Pai é meu – isenção de idade e mudanças; tudo que é do Pai em relação à sabedoria, inteligência, orientação – tudo é meu.”

Da mesma forma, em relação ao cenário econômico/político, aos negócios e às atividades profissionais, se a pessoa estiver desempregada ou insatisfeita com sua atual profissão, Goldsmith recomenda como tratamento a contemplação de que: "Deus não pode ser vítima de condições materiais ou mortais, se Deus aparece como você ou eu; porém, para não sermos afetados por tais condições precisamos conscientizar este tratamento de que sempre e somente Deus está presente.". Saúde, atividades profissionais, relacionamentos, prosperidade - tudo está ocorrendo segundo os critérios de Deus, do Espírito. O Espírito, somente, é Lei para nossas vidas. Dessa forma, não há nada em nossa vida que esteja sujeito aos caprichos ou mudanças de homens, política, economia, governo, pois a vida é espiritual e está sob a jurisdição do Altíssimo.

Este capítulo explana sobre a importância do tratamento e como o mesmo pode ser aplicado às diversas situações capazes de surgir no mundo das aparências. Aliás, um bom tratamento é conscientizar que jamais surgiram situações em mundo de aparências (que também sequer surgiu!). Esse é um tratamento mais básico que vai bem mais fundo, diretamente à raiz de todos os (inexistentes) problemas. É importante dar um tratamento condizente/adequado a cada situação. Que possamos bem compreender os princípios aqui apresentados e aplicá-los em nossas contemplações. Pois, "sem conhecer essa verdade, você não terá nada com que curar porque toda a cura se baseia na consciência da verdade, e antes desta consciência ser obtida é preciso ao menos conhecer a mensagem correta da verdade. Através da vivência com a mensagem da verdade chegará por fim o momento em que sua consciência é preenchida com a verdade. Assim, frente a qualquer chamado, não haverá mais a necessidade de se passar pelo processo de pensar sobre a verdade repetidamente. Surgirá a consciência da Onipresença e bastará simplesmente dizer: “Obrigado, Pai!”. Seria como dizer cento e quarenta e quatro quando alguém disser doze vezes doze. Não hesite em utilizar o tratamento. Não hesite em ponderar as verdades espirituais referentes ao chamado em questão."

Namastê!

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domingo, julho 13, 2014

Desenvolvendo uma consciência de cura

DEUS, A SUBSTÂNCIA DE TODA A FORMA
(Joel S. Goldsmith)

- Capítulo 6 -

DESENVOLVENDO UMA CONSCIÊNCIA DE CURA

Lembremo-nos de que o agente de cura não é o tratamento. O agente de cura é a consciência que se manifesta através da realização do tratamento. É a Cristo-consciência do praticista que realiza a cura. Todos possuímos aquela Cristo-consciência como um potencial, mas ela precisa ser desenvolvida, e inicialmente isto pode ser conseguido pelo domínio, em algum grau, do temor à doença ou do temor ou gosto em relação ao pecado. Somente aquela consciência que, em certa medida, tenha abandonado seus ódios e temores pode atuar como agente de cura. As pessoas são atraídas ao curador cuja Cristo-consciência está desenvolvida e por esse motivo tal praticista é bastante atarefado.

Assim, nos estágios preliminares do nosso trabalho, o tratamento é um recurso necessário, ou pelo menos útil, para erguer nossa consciência ao ponto da demonstração. Não estou considerando que o tratamento seja alguma fórmula ou conjunto de palavras especiais; o tratamento é a conscientização, seja qual for a natureza do pedido, de que exatamente ali está presente a totalidade, a harmonia, o domínio, a perfeição do Deus único, e que essa harmonia é portanto universal, impessoal e imparcial.


DEUS, A ÚNICA ATIVIDADE

Se num chamado por ajuda a substância do corpo humano parecer estar envolvida, deveremos ter a visão nítida de que o Espírito, sendo a única substância, deve ser a substância da forma e do corpo; e também o Espírito, sendo onipresente, faz com que a forma perfeita esteja presente, seja qual for a aparência apresentada. O Espírito é onipresente em todas as suas formas e variedades. Os sentidos nos dizem que o poder e a substância estão na forma, mas a iluminação espiritual nos revela que o poder, a substância e a lei estão sempre no Espírito. Suponhamos que o chamado se refira a alguma atividade orgânica deficiente. Os órgãos, o sangue ou outra parte qualquer do corpo parecem estar afetados. O que devemos conscientizar primeiramente é que toda ação é atividade da consciência, o que significa que seria uma impossibilidade haver uma ação boa ou má no corpo, uma vez que sua ação é atividade da consciência, a qual se expressa como ação do corpo. O corpo não possui absolutamente qualquer ação por si mesmo.

Assim, para todo pedido ou crença referente a alguma atividade irregular no corpo, há somente uma resposta: toda ação que há é Deus-ação. A mente, como um instrumento de Deus, é o único elemento agente, é a única ação existente, sendo que o corpo meramente reflete aquela ação. Querer tratar a mão, o braço ou o pé seria o mesmo que tentar dar tratamento às paredes para mudar suas cores, forma ou aspecto. Isto não pode ser feito. Devemos estar cientes de que a mente é o único instrumento de ação, e, portanto, nós nunca tratamos a ação em si mesma. Nosso tratamento é uma conscientização de que toda ação é uma atividade da consciência.


SOMENTE A VIDA UNA

Às vezes os chamados envolvem o temor à morte. Nesses momentos nos voltamos à natureza da vida. O que vem a ser a vida? Há somente uma Vida, e esta Vida é Deus. A Vida que é Deus não pode morrer; nem pode esta Vida que é Deus ter um passamento. Não nos deixemos enganar por expressões do tipo: “Não existe morte; houve apenas o passamento dele.” Deus não é vítima de passamento e Deus é a única vida. Para todos os casos relacionados com o medo da morte existe apenas uma resposta: a Vida não possui oposto, pois a Vida é infinita. A Vida, a Vida que é Deus, é universal; e a vida de todo ser, seja a do homem, a da mulher, a da criança, do animal ou da planta. A Vida sempre é Deus; não existe uma outra vida. Tudo que soubermos sobre a Vida que é Deus é verdade sobre a vida individual que está aparecendo como sendo eu ou você.


ENVELHECIMENTO

O tratamento que aplicamos à idade é a conscientização de que a pessoa é tão jovem ou tão antiga quanto Deus. Mas quão velho isto significa? Ou quão jovem vem a ser isto? No instante em que em que pensarmos em nossa idade, estaremos pensando numa egoidade separada de Deus e dar um tratamento para tal coisa seria tratar uma ilusão. Não devemos fazer isso.

É necessário que conscientizemos que não existe idade ou tempo em nossa experiência; somente que deveríamos ter começado muito mais cedo – pela época em que estávamos sob a crença de ter sete ou oito anos de idade. É uma pena! Depois veio a crença de que tínhamos doze ou treze anos, o que era um pouquinho pior e a seguir houve a crença de termos dezesseis, dezessete ou dezoito, que era ainda pior. Provavelmente a crença de idade mais tentadora é aquele período entre os dezoito e primeiros vinte anos. É o ponto em que sabemos tudo o que há para ser conhecido e ninguém pode nos ensinar nada; tornamo-nos homens e mulheres! Esta é uma crença idade que necessita de um bom tratamento enquanto é tempo. Daí vem aquele período descrito como “mudança de vida”, que é um verdadeiro pesadelo. E, por fim, segue-se o último estágio: a velhice.

O período ideal para o início do tratamento para a idade é quando a pessoa está por volta de sete ou oito anos. Se manejarmos bem naquela idade, provavelmente pelo tempo que tivermos doze ou treze anos o problema da idade estará resolvido, de forma que as demais crenças de idade não mais necessitem de tratamento. No entanto, para a maioria de nós, a crença-idade não foi defrontada aos sete ou oito anos e nem aos doze ou treze e assim precisamos encará-la agora. Este é o momento em que começamos a conscientizar que Deus é a nossa vida individual e que temos a mesma idade de Deus. Com isto aprenderemos que a vida nunca teve um princípio e, portanto, nunca terá um fim.

As crenças pertencentes ao corpo são consideradas de maneira similar. Deus, o Espírito, é a única substância e não há razão nenhuma para que o corpo apresente aos noventa anos menos vitalidade e força do que aos dezenove anos. O corpo não pode ler o calendário; o corpo não conhece, por si, a sua idade. Somente nós é que podemos conhecer o calendário e aceitar a crença de idade, a qual é refletida externamente sobre o corpo.

Por outro lado, se conscientizarmos a nossa verdadeira identidade como sendo Espírito, o corpo passará a ser visto como espiritual e será tão isento de idade como o somos nós próprios. O corpo deveria manifestar sua plenitude em todas as épocas. Nunca deveria apresentar o que conhecemos como infância, juventude, meia-idade ou velhice. Deveria manifestar sempre sua forma total e plena, e realmente seria assim se tivéssemos conhecido a tempo esta verdade. Se soubéssemos precocemente a nossa identidade real como Espírito, teríamos evitado muitas das mudanças ocorridas em nossa estrutura física. Mas ainda não é muito tarde. Agora é o único tempo que existe e já podemos começar neste momento. Assim, daqui a dez anos aparentaremos ser dez anos mais jovens. Mas teremos que conhecer esta verdade conscientemente.

Nunca pense um só instante que por ler livros de metafísica ou assistir a palestras ou aulas de metafísica você estará demonstrando a verdade. Esta verdade terá de ser demonstrada por você individualmente, através de uma consciente atividade de sua própria consciência. Não é algo que lhe possa ser concedido. De nada lhe adiantará declarar: “Oh, Deus é minha vida”, e viver preocupado com tudo. Em absoluto. Requer uma consciente atividade da consciência individual, uma consciente atividade da compreensão até que passe afazer parte de seu ser a ponto de dispensar todo pensamento àquele respeito. Até aquilo se tornar possível, um longo tempo virá em que precisaremos recordar, sempre ao nos levantarmos pela manhã:

“Eu sou a mesma idade que era ontem; eu sou a mesma vida, a mesma mente, o mesmo Espírito, o mesmo corpo. Tudo que é do Pai é meu – isenção de idade e mudanças; tudo que é do Pai em relação à sabedoria, inteligência, orientação – tudo é meu.”


OS NEGÓCIOS COMO ATIVIDADE DA CONSCIÊNCIA

Há certos períodos em que o mundo vive sob crenças de desemprego e depressão. Novamente devemos conscientizar que Deus é o único ser. Deus não é empregado, exceto que Ele está empregado em ser Deus. Como poderia estar Deus desempregado? Seria o mesmo que Ele ter deixado de ser Deus. Deus, por Suas próprias qualidades, ação, inteligência, e obras atuantes como você e como eu, é o único emprego que há. Deus é o único empregador e Deus é o único empregado, e, além do mais, Deus está sempre empregado em grandes atividades, grandes obras e grandes ideias. Deus não pode ser vítima de condições materiais ou mortais, se Deus aparece como você ou eu; porém, para não sermos afetados por tais condições precisamos conscientizar este tratamento de que sempre e somente Deus está presente.

O mesmo é aplicável aos nossos negócios. Você pensa ser possível livrar-se das ameaças que assolam os negócios, bastando para isso confiar em algum “Deus desconhecido”? Ele não irá operar. O negócio é uma atividade do Espírito, e, como aquele Espírito é o seu Espírito, o negócio é uma atividade do seu Espírito. Portanto, o seu negócio irá refletir a condição de sua consciência nos assuntos de negócio. É preciso conscientizar a cada dia que o negócio é uma atividade de Deus através da mente, e portanto é uma constante atividade de nossa mente. Como atividade da mente, não está sujeito aos caprichos ou mudanças dos homens ou do governo, pois o negócio é espiritual e está sob a jurisdição do Altíssimo. O seu negócio, sendo um negócio de Deus, é governado por Deus.

A mera repetição dessas declarações, afirmações ou negações nada irá realizar para você. Somente quando estas verdades sobre o negócio permearem a sua consciência e você as tiver conscientizado plenamente é que elas se tornarão realidade em sua experiência. De nada irá adiantar apenas fazer as declarações. Conheci muitas pessoas que iam por tudo lado declarando: “Meus negócios vão bem; meus negócios vão bem” enquanto caminhavam rumo à falência. Não são os meus negócios que vão bem. São os negócios que vão bem – os negócios, uma atividade da Consciência, da Sabedoria divina. E, por ser uma atividade de minha mente, isto traz como consequência o sucesso dos meus negócios. Mas somente quando for associado o meu negócio com o negócio de Deus é que ele será individualmente expresso jubilosamente e harmoniosamente.


CONSCIENTIZE A VERDADE

Com referência aos relacionamentos familiares, aplicam-se os mesmos princípios. Nós todos temos observado famílias divididas devido a incompatibilidade, pecado, doença ou outra condição qualquer da experiência humana. Você acha que existe algum Deus misterioso observando os seus relacionamentos familiares? Nunca acredite nisso. Se o seu lar torna-se dividido, se a sua família encontra-se separada, isto significa que você não está conscientemente procurando resolver a situação; você não está conscientemente tratando do problema; você não está conscientemente considerando o assunto da família, marido, esposa e filho, em sua consciência, pedindo ao Pai por luz, por orientação, por ajuda, por sabedoria interior.

Do mesmo modo, nós saímos dirigindo o nosso carro, e às vezes pensamos: “A Consciência é o motorista sentado à direção do meu automóvel, logo tudo estará bem”. Mas, nós nos lembramos de incluir naquilo todo o resto do mundo? Conscientizamos ser Deus a mente/consciência de todo o indivíduo na estrada? Não, pelo contrário, até reclamamos do outro motorista ao mesmo tempo em que afirmamos ser Deus a nossa mente individual. Daí é que surgem os problemas. Nada justifica acreditarmos que possuimos algum tipo de proteção divina que os outros não possuem, por sermos metafísicos. A nossa proteção está em proporção direta à nossa utilização destas leis da verdade, que são trazidas conscientemente à nossa compreensão até que se tornem parte do nosso ser.

Deu pra sentir a necessidade do tratamento? Sem conhecer essa verdade, você não terá nada com que curar porque toda a cura se baseia na consciência da verdade, e antes desta consciência ser obtida é preciso ao menos conhecer a mensagem correta da verdade. Através da vivência com a mensagem da verdade chegará por fim o momento em que sua consciência é preenchida com a verdade. Assim, frente a qualquer chamado, não haverá mais a necessidade de se passar pelo processo de pensar sobre a verdade repetidamente. Surgirá a consciência da Onipresença e bastará simplesmente dizer: “Obrigado, Pai!”. Seria como dizer cento e quarenta e quatro quando alguém disser doze vezes doze. Não hesite em utilizar o tratamento. Não hesite em ponderar as verdades espirituais referentes ao chamado em questão.

Assim, por vários anos que hão de vir, descobrirá que terá um tempo de tratamento verdadeiramente ativo. Porém, nunca deixe que o tratamento se transforme numa rotina – um ritual ou cerimônia. Não permita que ele se torne um hábito. Não deixe que ele se torne um hábito a ponto de passar indolentemente por ele. Nunca faça isto. Um tratamento assim não poderá ajuda-lo, pois passaria a ser somente uma fórmula e atuaria apenas como uma sugestão. Um tratamento deve ser uma compreensão consciente da verdade.

Cont...

sexta-feira, julho 11, 2014

Comentando o capítulo 5

- Gustavo -


O ensinamento do Caminho Infinito divide o processo de cura espiritual em duas fases: tratamento e prece. O tratamento é mental, ocorre no âmbito da mente; a prece é consciencial, ocorrendo além e acima do reino da mente. Dessa forma, o tratamento é o passo inicial e serve para conduzir/elevar a consciência do praticista até o ponto onde ocorre a prece. No tratamento o estudante utiliza-se de pensamentos positivos e inspirados a fim de aquietar, purificar e elevar a mente ao estado de consciência que realizará a cura. Isso é necessário porque todo o ser humano, desde o momento em que nasceu (ou pareceu nascer) neste mundo, é constantemente bombardeado pelas mais variadas formas de sugestões mentais que o levam a ter a impressão de que este mundo (e os diversos acontecimentos de natureza dual) realmente existe. Joel Goldsmith explica que o tratamento é indispensável para os que estão no início ou mesmo em estágios mais ou menos adiantados neste caminho. Mas ao tornar-se experiente, o estudante pode dispensar o tratamento, pois, neste caso, terá condições de ingressar diretamente naquilo que Goldsmith chama de "estado de prece" (que é também meditação ou oração). O próprio Goldsmith não tinha a necessidade de efetuar tratamento, devido a sua elevada condição consciencial e constante conexão com o Espírito da Verdade.

A cura verdadeira ocorre a nível espiritual. Enquanto que a cura mental é realizada em nível mais superficial. O indivíduo está realmente curado quando sua consciência deixa de sentir o sentimento de separação de Deus. Todas as doenças e sofrimentos são frutos de um sentido de separação em Deus. Se o homem não estivesse dotado de tal senso de separação, a doença não poderia ter lugar em sua experiência. Goldsmith explica que ao obter uma cura de natureza mental, a pessoa não está inteiramente curada, pois não foi curada a nível espiritual (o sentido de separação de Deus não foi curado), então a doença pode sumir hoje e reaparecer algum tempo depois. 

Passada a etapa do tratamento, o praticante deve buscar adentrar o estado de prece. E Goldsmith diz que a prece não é algo que dizemos a Deus, e sim o que Deus diz a nós. O que Deus tem a dizer sobre nós? Qual é a forma com que Deus nos vê? Ele nos vê como seres que estão separados d'Ele? Ou Ele nos percebe em unidade perfeita com o Ser que Ele é? Deus nos enxerga como seres doentes ou necessitados? Ou Ele nos vê como seres já providos de todas as coisas necessárias à nossa plenitude? O que Deus tem a dizer sobre nós? A oração, meditação ou prece ocorrem quando a "voz" de Deus nos fala enquanto apenas escutamos e acatamos Suas "palavras" como sendo a Verdade. Acerca disso, Goldsmith diz: "Após termos conscientizado ou pronunciado a verdade sobre o problema, é chegado o momento de nos sentarmos e assumirmos uma atitude de escuta. É como se nos colocássemos naquele local da consciência ou da conscientização na expectativa do recebimento de uma resposta, de uma certeza de que tudo está bem e que o problema foi depositado no devido lugar para ser cuidado. Neste ponto, após ter sido dado o tratamento, é que a prece se inicia. No meu modo de entender a prece é a palavra de Deus. A prece não é algo feito por você; a prece é algo de que você toma consciência. A prece é a palavra de Deus que vem a você. É aquela “pequena voz suave” trazendo-lhe uma certeza de harmonia, paz, alegria, poder, domínio, saúde, plenitude e abundância. Após o término do tratamento dado a você ou a outro alguém, sente-se em quietude, abrindo a consciência: “Eis me aqui, Pai”. “Fala, Senhor, teu servo ouve”, e aguarde vir a resposta.". Portanto, a cura somente estará terminada quando o estudante tiver finalmente adentrado o estado de prece, em comunhão com o Espírito, que está além da mente.

Goldsmith também faz uma importante observação, advertindo que pensamentos ou intenções egoístas anulam o processo de cura. A pessoa somente conseguirá curar espiritualmente se o seu amor for genuíno e desinteressado, pois somente o amor verdadeiro sintoniza o homem com Deus, tornando o praticante uma transparência/veículo para a atuação do poder divino. Além disso, o estudante deve estar consciente de que não há nada para ser curado, melhorado ou obtido, pois a Verdade é que todos os seres são manifestações ou expressões do próprio Deus e, por isso, já estão supridos e plenificados de tudo o que lhes for necessário. A cura espiritual deve ser trabalhada a partir do ponto de vista de Deus (visão de Deus acerca do Universo), ao invés de a partir do referencial humano (visão que a mente humana tem do universo).

Eis um fundamento/princípio metafísico que deve ser muito bem gravado: Quando estamos na presença de Deus, somos exatamente o que Deus é. Quando estamos na presença de Deus, temos a experiência de ser o próprio Ser que Deus é. Isso é assim porque Deus nos concede tudo o que tem, estendendo a nós todas as Suas características/qualidades divinas. Se Deus é pleno, somos plenos. Se Deus é vida infinita, amor infinito, sabedoria infinita, etc., também o somos. Nunca pode haver um "ser humano" na presença de Deus. Na presença de Deus só existe Deus. E Deus é onipresente! Esse é o fundamento que o praticante deve ter sempre em mente. Essa é a Verdade. E, se quisermos acessá-la, então deveremos nos colocar de acordo com ela. Fazemos isso procedendo da mesma forma com que Deus procede para conosco. Se Deus é Amor (e nos faz ser Amor), devemos estender para fora (a todos os seres, nossos irmãos) o amor que somos. O amor deve ser estendido, manifestado. É dessa forma que nos colocamos em sintonia com Deus e acessamos a nossa realidade como Amor. A sagrada Escritura bíblica afirma que: "Aquele que diz que está na luz, e odeia a seu irmão, até agora está em trevas. Aquele que ama seu irmão, permanece na luz, e nele não há tropeço". (1 João 2; 9-10). Os segredos espirituais aqui ensinados não são revelados aos que não estão de acordo com as verdades divinas. Essa Verdade não pode ser vivenciada pelo homem possuidor de intenções mesquinhas ou egoístas, pois tais características o distanciam da Realidade/Verdade que Deus é. Goldsmith diz:

"Acima de tudo é preciso lembrar-se de que o mínimo desejo de receber benefício pessoal, a presença do menor traço de egoísmo, são fatores que anulam o processo todo. Não há nada que deva ser obtido, e não podemos trabalhar do ponto de vista que admitisse haver. Deus é o infinito ser que revela, desenvolve, manifesta e expressa a Si próprio infinitamente como sendo eu e você. O único objetivo do tratamento e da prece é dar a conscientização da perfeição que já existe. Na Cristo-consciência não pode haver lugar que abrigue qualquer ódio, inveja, ciúme ou malícia. A consciência que retém algum desses traços não é uma consciência curadora. A consciência de um curador deve ser a consciência de um indivíduo que não acolhe nenhum sentimento de ódio, inveja, ciúme ou malícia. A consciência deve ser uma transparência para Deus, e como Deus opera na consciência do amor, quando qualidades opostas são acolhidas não há uma consciência curadora. É preciso desejar ardentemente que a verdade conhecida sobre si mesmo seja universalmente válida. Não é fácil perceber que seria pura perda de tempo haver tratamento ou prece sem esta qualidade de perdão? A consciência precisa ser uma transparência para Deus, isto é, uma transparência de caráter universal, impessoal e imparcial."

Goldsmith diz ainda: "Tudo que nós chegarmos a conscientizar como sendo verdade para nós mesmos, para o nosso ser, deve ser compreendido como sendo também verdade sobre todos os demais. Em outras palavras, não é possível haver uma prece visando que o sol brilhe em nosso jardim somente. Num caso destes, a prece deverá ser apenas para o sol brilhar. Devemos estar desejosos de que ele brilhe tanto em nosso pátio como no de nosso inimigo. Enquanto conservarmos no pensamento algum senso de ódio ou inimizade, o tratamento ou prece será inútil." A Verdade é universal. Não existe mais Verdade ou "Deus" em um ser do que em outro. O Deus que existia (existe!) em Jesus é o mesmo Deus que existe em Buda, em Krishna, e em cada ser existente. Deus é onipresente! A questão consiste em o ser humano despertar para essa verdade. Quando todos os homens despertarem para essa verdade, todos se verão brilhando na mesma Luz Infinita que compõe a totalidade do Universo. Jesus Cristo disse: "Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste, e os amaste como também amaste a mim." (João 17; 21-23). Por isso Goldsmith afirma que devemos ter a consciência de que "não temos inimigos". A Luz de Deus brilha sobre todos, imparcialmente. Por isso, o ensinamento cristão ensina-nos a "orar por nossos inimigos". Não se trata de orar por inimigos (pois não são realidade), e sim anular a visão errônea da mente humana e reconhecer a realidade de Deus como sendo tudo.

Namastê!

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quarta-feira, julho 09, 2014

Tratamento como a consciência da Verdade

DEUS, A SUBSTÂNCIA DE TODA A FORMA
(Joel S. Goldsmith)

- Capítulo 5 -

TRATAMENTO COMO A CONSCIÊNCIA DA VERDADE

O tratamento é uma parte fundamental do nosso trabalho, e se não o entendermos corretamente não iremos desenvolver plenamente a consciência da verdade. Através dos meus escritos eu tenho enfatizado a importância tanto da apresentação quanto da compreensão corretas da mensagem da verdade. Quando isto é atingido, o Espírito ou consciência da verdade logo se segue.

Às vezes as pessoas pensam que eu seja tão radical ao ponto de não dar ou de não acreditar no tratamento. Nada poderia estar mais longe da verdade. O tratamento é uma parte muito importante do meu trabalho diário e também o será para você quando compreender a sua natureza. Em meus textos eu faço uma distinção entre tratamento e prece, mas em nenhum lugar eu disse que não utilizamos o tratamento. A objeção que tenho feito é quanto ao hábito de repetir-se mecanicamente uma série de afirmações e negações na esperança de que elas possam realizar ou curar algum coisa.

Há uma diferença entre tratamento e as afirmações e negações. Quando repetimos várias vezes uma afirmação ou negação, aquilo se torna hipnótico, mera sugestão, e se algum resultado for obtido, a natureza da cura não será espiritual mas apenas mental. As duas são completamente distintas. A cura mental é algo similar à cura física. Poderá ocorrer a cura hoje, mas a condição pode ser que retorne na próxima semana, no próximo ano ou até mesmo amanhã. Houve apenas uma sugestão para a condição sair do pensamento e é tão fácil sugestionar no sentido da cura quanto no sentido da produção daquela condição.


ESTABELEÇA A VERDADE DO SER NA CONSCIÊNCIA

A forma de tratamento de O Caminho Infinito não visa curar algo e nem agir sobre o pensamento com uma sugestão de saúde até que venha a resposta dizendo: “Eu estou bem.” Nossa forma de tratamento é mais uma narração da verdade do ser, uma tradução da crença mental ou material em verdade espiritual. As nossas palavras ou nossos pensamentos não constituem o poder curador, sendo apenas passos que nos levam àquela consciência que realiza a cura.

Desde o momento do nosso despertar matinal até chegar a hora de nosso repouso à noite, ficamos frente às sugestões de pecado, doença, falta, limitação e morte que nos vêm do mundo. Parece não haver um só momento do dia que não esteja preenchido com as sugestões vindas do rádio e dos jornais. Mesmo que não leiamos jornais ou escutemos rádio, estas sugestões  acham-se no ar e encontram espaço em nosso pensamento, parecendo vir com mais velocidade do que temos condições de rejeitá-las ou refutá-las. Assim, no início do nosso ministério, no início de nossa prática nessa vida espiritual, é necessário fazermos um consciente esforço para refutar aqueles argumentos ou sugestões, não no sentido de negar ou afirmar que elas existem e nem de repetir seguidamente que eles não são reais. Vamos refutá-los à luz da ponderação da verdade espiritual.

Com os anos de prática, de meditação e conscientização, virá o tempo quando não mais refutaremos as sugestões humanas do mesmo modo com que não saímos a declarar que doze vezes dose são cento e quarenta e quatro. Após passarmos pela escola primária, e tivermos decorado a tabuada de multiplicação e chegado a um certo ponto de desenvolvimento, nenhuma razão haverá para sairmos recitando aquela tabuada. Aquela resposta estará ao nosso alcance sempre que a necessitarmos para resolver um problema de matemática. Também aqui, se estivermos diante de um problema, seja nosso ou de um paciente, amigo ou parente, ou mesmo da nação ou do mundo, a resposta nos é disponível instantaneamente. Mas somente após muitos e muitos anos de ponderação das verdades espirituais e de prática em refutar as sugestões vindas a nós, encontrando respostas a elas, é que poderemos finalmente dizer: “Eu não tenho de gastar muito tempo no sentido comum de tratamento”, ou, “É tão fácil cuidar de cem pacientes num só dia quanto o é cuidar de doze deles”.

Vamos deixar bem claro esse assunto do tratamento. Repetidas vezes eu tenho afirmado que nós não precisamos conhecer o nome do paciente. Isto é verdade. Em nenhum ponto, mesmo nos primeiros estágios da prática, há a necessidade de se saber o nome ou a identidade do paciente. Quando nossa ajuda é solicitada nós podemos dá-la sem conhecer a pessoa solicitante; ou se a ajuda é em prol de outro alguém, também não precisamos identificar tal pessoa e nem mesmo a natureza do problema dela.


ESTABELECENDO A NATUREZA DO PROBLEMA

Embora não seja preciso ser contada a natureza do problema, isto algumas vezes é útil, principalmente do ponto de vista do paciente. É frequente o fato de o paciente transportar em seu pensamento um medo terrível de alguma condição, condição esta que ele realmente acredita poder estar presente em seu corpo. A condição pode ser inteiramente de sua imaginação ou pode ter a sua origem em alguma reportagem de rádio ou jornal que ele tenha ouvido ou lido. Eu conheci muitas pessoas que vinham “sofrendo” de câncer por vários anos e encontram-se ainda hoje tão fortes e robustas quanto o foram há dezoito anos atrás. Existe um constante temor em relação ao câncer, tuberculose, paralisia infantil, gripe e pneumonia. Muitos sentem dores que lhes dão a firme convicção de serem possuidores deste ou daquele mal, e frequentemente são libertados de seus temores ao conversar sobre isto com o praticista. O desabafo permite que aquilo saia de seu sistema; além disso, sabendo que alguém mais está participando daquilo, ele consegue soltá-lo com maior facilidade.

Portanto, em casos assim, é útil às vezes deixar que o paciente conte a natureza de seu problema, caso ele desejar fazê-lo. No entanto é preciso que o praticista seja aqui dotado de sabedoria. Uma vez declarada a natureza do problema, não deverá ser permitido ao paciente retornar a ele repetidamente. A natureza do problema precisa ser desconsiderada tanto pelo paciente quanto pelo praticista.

Em segundo lugar, pode também ser útil ao praticista ter a natureza do problema estabelecida, pois sempre que alguém solicita ajuda, seja qual for o seu grau de avanço espiritual, algo toma lugar em sua consciência. Tenha ou não conhecimento deste fato, a verdade é que algo está a ocorrer naquele momento.

Por exemplo, alguém poderia telefonar dizendo: “Meu braço está paralisado.” Neste instante, mesmo que o praticista não esteja cônscio disto, há uma resposta interior direta ao problema de inatividade ou imobilidade, que reconhece ser a consciência – não o corpo ou os músculos – a causa única e origem de toda ação.


COMECE O SEU TRATAMENTO COM A PALAVRA DEUS

O problema poderá ser de ordem mental, e também nesse caso algo tomará lugar no pensamento do praticista trazendo-lhe a ideia de que Deus, ou a Sabedoria divina, é a inteligência universal, a única inteligência que há, e que tanto o cérebro quanto o corpo não possuem uma inteligência própria de si mesmos. Há apenas uma inteligência, que é Deus. Mesmo que o praticista não o perceba, esta conscientização está tomando lugar em sua consciência.

Mas para aqueles que estão neste trabalho há pouco tempo, e que ainda não sabem da ocorrência desse fenômeno até mesmo inconscientemente, torna-se necessário que eles deem o tratamento conscientemente. Se o caso for de deficiência mental, quem dá o tratamento precisa conscientizar: “Ora, inteligência é Deus, e não é pessoal! Não pode haver uma pessoa com mais inteligência que outra. A inteligência é uma atividade una da Alma universal, sendo por esse motivo universal impessoal, imparcial, apresentando-se em igualdade em todos os seres espirituais.”

Todo o nosso problema decorre da crença na existência de um ser – eu ou você – separado de Deus, vivendo sua própria vida em função de sua educação ou falta dela, em função das circunstâncias do ambiente ou das condições nacionais e internacionais. A crença é esta, mas a verdade é que Deus, sendo tudo que há e sendo ser infinito, nunca é vítima de discórdias. É este o tratamento que se aplica a qualquer situação. Você poderá defrontar-se com toda categoria de ilusão humana, principiando com a palavra Deus, e o tratamento correto exigido por cada caso será encontrado.

Comece sempre com a palavra Deus. Se o problema ou crença tiver a ver com a ação ou inteligência, você de imediato poderá pensar em Deus como sendo Inteligência, e tudo que você atribuir a Deus referente à inteligência será também atributo do indivíduo. Se o problema for relacionado com o temor à morte, você poderá abrigar a ideia de Deus como sendo Vida, e tudo que for encontrado a respeito de Deus como Vida aplicar-se-á ao indivíduo. Como a Vida é imortal, eterna e onipresente, estas qualidades serão também verdadeiras para o indivíduo. Assim seria o seu tratamento.

Após termos conscientizado ou pronunciado a verdade sobre o problema, é chegado o momento de nos sentarmos e assumirmos uma atitude de escuta. É como se nos colocássemos naquele local da consciência ou da conscientização na expectativa do recebimento de uma resposta, de uma certeza de que tudo está bem e que o problema foi depositado no devido lugar para ser cuidado.

Neste ponto, após ter sido dado o tratamento, é que a prece se inicia. No meu modo de entender a prece é a palavra de Deus. A prece não é algo feito por você; a prece é algo de que você toma consciência. A prece é a palavra de Deus que vem a você. É aquela “pequena voz suave” trazendo-lhe uma certeza de harmonia, paz, alegria, poder, domínio, saúde, plenitude e abundância. Após o término do tratamento dado a você ou a outro alguém, sente-se em quietude, abrindo a consciência: “Eis me aqui, Pai”. “Fala, Senhor, teu servo ouve” (I Samuel 3: 9), e aguarde vir a resposta.


A CONSCIÊNCIA CURADORA

Acima de tudo é preciso lembrar-se de que o mínimo desejo de receber benefício pessoal, a presença do menor traço de egoísmo, são fatores que anulam o processo todo. Não há nada que deva ser obtido, e não podemos trabalhar do ponto de vista que admitisse haver. Deus é o infinito ser que revela, desenvolve, manifesta e expressa a Si próprio infinitamente como sendo eu e você. O único objetivo do tratamento e da prece é dar a conscientização da perfeição que já existe.

Tudo que nós chegarmos a conscientizar como sendo verdade para nós mesmos, para o nosso ser, deve ser compreendido como sendo também verdade sobre todos os demais. Em outras palavras, não é possível haver uma prece visando que o sol brilhe em nosso jardim somente. Num caso destes, a prece deverá ser apenas para o sol brilhar. Devemos estar desejosos de que ele brilhe tanto em nosso pátio como no de nosso inimigo. Enquanto conservarmos no pensamento algum senso de ódio ou inimizade, o tratamento ou prece será inútil. O Mestre do Cristianismo nos ensinou:

Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem e apresenta a tua oferta. (Mateus 5: 23-24)

Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem. (Mateus 5: 44)

Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete? Jesus lhe disse: Não te digo até sete, mas, até setenta vezes sete. (Mateus 18: 21-22)

Não é fácil perceber que seria pura perda de tempo haver tratamento ou prece sem esta qualidade de perdão? A consciência precisa ser uma transparência para Deus, isto é, uma transparência de caráter universal, impessoal e imparcial. Sua chuva cai tanto sobre os justos como sobre os injustos.

Os ensinamentos do Mestre são repletos de amor e de perdão, sem qualquer traço de juízo ou condenação. No caso daquele homem cego de nascença, quando indagado pelos discípulos sobre quem havia pecado, se ele ou seus pais, para que nascesse cego, Jesus respondeu: “Nem ele pecou, nem seus pais” (João 9: 2-3). E para a mulher adúltera, ele disse: “Nem eu também te condeno” (João 8: 11).

Na Cristo-consciência não pode haver lugar que abrigue qualquer ódio, inveja, ciúme ou malícia. A consciência que retém algum desses traços não é uma consciência curadora. A consciência de um curador deve ser a consciência de um indivíduo que não acolhe nenhum sentimento de ódio, inveja, ciúme ou malícia. É fácil determinar se o seu tratamento está sendo ou não efetivo, se você pode ou não realizar um bom trabalho de cura. Em que dimensão um sentido de mágoa pessoal em relação ao mundo tem acolhida de sua parte? Não estou querendo dizer que para curarmos precisamos ter atingido uma condição de anjos. Por estarmos pouco “aquém dos anjos”, estamos sujeitos a sentir antipatia por algum líder político ou mesmo por alguma pessoa na rua, mas o principal é não permitirmos que tais sentimentos se aprofundem em demasia. Rapidamente devemos desvencilharmo-nos deles todos, pois seria obstáculos nos trabalhos de cura. A consciência deve ser uma transparência para Deus, e como Deus opera na consciência do amor, quando qualidades opostas são acolhidas não há uma consciência curadora. É preciso desejar ardentemente que a verdade conhecida sobre si mesmo seja universalmente válida.

A pergunta que tem surgido é se eu encaro o tratamento como razão iluminada. Acho que há necessidade da razão iluminada porque com a razão comum da mente humana não haveria um tratamento muito bom. Em outras palavras, o tratamento como razão iluminada seria a conscientização da presença da vida até mesmo onde a morte parecesse estar. A mente raciona irá dizer: “Bem, isto é a morte; não há sentido tentar fazer algo referente a ela”, porém a razão iluminada saberia que no universo espiritual nunca existiu a chamada morte.


O TRATAMENTO NECESSÁRIO PARA TODAS AS APARÊNCIAS HUMANAS

Toda aparência que vem a nós, de manhã à noite ou da noite ao amanhecer, referente ao cenário humano, necessita de tratamento. Mesmo que a aparência seja boa é preciso que haja o tratamento. Uma pessoa poderá estar em perfeita saúde neste momento e, amanhã, o quadro todo estaria modificado. Poderíamos conhecer hoje, no cenário humano, alguém de caráter moral impecável e encontrar amanhã toda a situação invertida. Portanto, não se satisfaça por aceitar mesmo uma boa aparência humana; traduza-a, também, pelo que é espiritualmente real, e cujo bem constitui apenas a forma.

Compreenda que onde está a boa aparência humana, realmente Deus está presente. Todo senso de bondade não se trata de bondade pessoal; todo senso de saúde não se trata de saúde pessoal, pois Deus é realmente a bondade e Deus é realmente a saúde. A menos que isso seja reconhecido, você ficará vulnerável ao ponto mais fraco que temos, ou seja, estar satisfeito com riqueza humana ou saúde humana – as boas aparências humanas.

Qualquer pessoa tem períodos em que está saudável, mas isto não evita que ela adoeça em outra época. Portanto, o tratamento real não deve estar reservado apenas para aparências tais como pecado, doença, alcoolismo ou acidentes, mas deve também ser considerado de forma que não sejamos enganados pelas aparências mesmo de bem ou de saúde humanos. Se a aparência for de bem, o tratamento poderá ser: “Eu não sou enganado nem por aquela aparência. Deus é a saúde real e o bem real, e Deus é a saúde e o bem permanentes.”

No mundo metafísico, a maioria dos tratamentos é reservada para o pecado, doença, falta, limitação e morte; mas em nosso trabalho, o tratamento é necessário para as aparências de saúde e riqueza. A saúde e riqueza humanas presentes aqui hoje, poderiam estar ausentes amanhã. O tratamento é a conscientização de que a saúde e a riqueza humanas não são a realidade, mas que exatamente aqui encontram-se a saúde e a riqueza da Vida Única, Deus – permanente, infinito, onipotente e onipresente. Este é o tratamento para toda aparência humana. O tratamento para todas as aparência é necessário até nos tornarmos tão firmes em nossa consciência da realidade de Deus, que mesmo quando estivermos olhando para pessoas saudáveis, estaremos tratando. Não tratamos a elas, mas tratamos o nosso conceito do que vemos nelas.

No momento em que observamos alguma necessidade, é quando somos chamados para o tratamento. Por que? Nosso tratamento não visa uma pessoa; tratamos o nosso conceito do que está aparecendo. Deus é infinito e é tudo, portanto. Tudo que existe é Deus, e nós nunca damos tratamento a Deus. Mas suponhamos estarmos vendo lá fora uma humanidade doente e pecadora. Ela realmente estará lá fora para ser tratada, ou estará em nosso conceito daquilo que está aparecendo? Neste ponto nós diferimos da maioria dos ensinamentos metafísicos, onde os estudantes são instruídos a dar tratamento somente se for solicitado a eles. Em O Caminho Infinito isto não é aplicado. Nós não podemos aceitar e não aceitamos as aparências.

Em todo momento que alguma fase de ilusão é apresentada a mim, mesmo se for boa, eu a traduzo conscientemente e percebo que exatamente ali encontra-se Deus manifesto. Se o indivíduo for receptivo ele será curado, sabendo ou não que o tratamento está sendo ministrado. Existindo ou não receptividade por parte dele, a coisa mais importante, a meu ver, é que eu não tenha tomado a aparência por realidade. Desta forma, o tratamento é o mesmo, não importando o fato de a pessoa ter ou não solicitado ajuda. A verdade permanece a mesma. Não existe uma verdade para uma pessoa com conhecimento suficiente para solicitar ajuda e outra verdade diferente, para a pessoa sem aquele conhecimento. Há somente uma verdade, e esta é a verdade que devemos conhecer para que possamos ser livres.

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