"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quarta-feira, julho 09, 2014

Tratamento como a consciência da Verdade

DEUS, A SUBSTÂNCIA DE TODA A FORMA
(Joel S. Goldsmith)

- Capítulo 5 -

TRATAMENTO COMO A CONSCIÊNCIA DA VERDADE

O tratamento é uma parte fundamental do nosso trabalho, e se não o entendermos corretamente não iremos desenvolver plenamente a consciência da verdade. Através dos meus escritos eu tenho enfatizado a importância tanto da apresentação quanto da compreensão corretas da mensagem da verdade. Quando isto é atingido, o Espírito ou consciência da verdade logo se segue.

Às vezes as pessoas pensam que eu seja tão radical ao ponto de não dar ou de não acreditar no tratamento. Nada poderia estar mais longe da verdade. O tratamento é uma parte muito importante do meu trabalho diário e também o será para você quando compreender a sua natureza. Em meus textos eu faço uma distinção entre tratamento e prece, mas em nenhum lugar eu disse que não utilizamos o tratamento. A objeção que tenho feito é quanto ao hábito de repetir-se mecanicamente uma série de afirmações e negações na esperança de que elas possam realizar ou curar algum coisa.

Há uma diferença entre tratamento e as afirmações e negações. Quando repetimos várias vezes uma afirmação ou negação, aquilo se torna hipnótico, mera sugestão, e se algum resultado for obtido, a natureza da cura não será espiritual mas apenas mental. As duas são completamente distintas. A cura mental é algo similar à cura física. Poderá ocorrer a cura hoje, mas a condição pode ser que retorne na próxima semana, no próximo ano ou até mesmo amanhã. Houve apenas uma sugestão para a condição sair do pensamento e é tão fácil sugestionar no sentido da cura quanto no sentido da produção daquela condição.


ESTABELEÇA A VERDADE DO SER NA CONSCIÊNCIA

A forma de tratamento de O Caminho Infinito não visa curar algo e nem agir sobre o pensamento com uma sugestão de saúde até que venha a resposta dizendo: “Eu estou bem.” Nossa forma de tratamento é mais uma narração da verdade do ser, uma tradução da crença mental ou material em verdade espiritual. As nossas palavras ou nossos pensamentos não constituem o poder curador, sendo apenas passos que nos levam àquela consciência que realiza a cura.

Desde o momento do nosso despertar matinal até chegar a hora de nosso repouso à noite, ficamos frente às sugestões de pecado, doença, falta, limitação e morte que nos vêm do mundo. Parece não haver um só momento do dia que não esteja preenchido com as sugestões vindas do rádio e dos jornais. Mesmo que não leiamos jornais ou escutemos rádio, estas sugestões  acham-se no ar e encontram espaço em nosso pensamento, parecendo vir com mais velocidade do que temos condições de rejeitá-las ou refutá-las. Assim, no início do nosso ministério, no início de nossa prática nessa vida espiritual, é necessário fazermos um consciente esforço para refutar aqueles argumentos ou sugestões, não no sentido de negar ou afirmar que elas existem e nem de repetir seguidamente que eles não são reais. Vamos refutá-los à luz da ponderação da verdade espiritual.

Com os anos de prática, de meditação e conscientização, virá o tempo quando não mais refutaremos as sugestões humanas do mesmo modo com que não saímos a declarar que doze vezes dose são cento e quarenta e quatro. Após passarmos pela escola primária, e tivermos decorado a tabuada de multiplicação e chegado a um certo ponto de desenvolvimento, nenhuma razão haverá para sairmos recitando aquela tabuada. Aquela resposta estará ao nosso alcance sempre que a necessitarmos para resolver um problema de matemática. Também aqui, se estivermos diante de um problema, seja nosso ou de um paciente, amigo ou parente, ou mesmo da nação ou do mundo, a resposta nos é disponível instantaneamente. Mas somente após muitos e muitos anos de ponderação das verdades espirituais e de prática em refutar as sugestões vindas a nós, encontrando respostas a elas, é que poderemos finalmente dizer: “Eu não tenho de gastar muito tempo no sentido comum de tratamento”, ou, “É tão fácil cuidar de cem pacientes num só dia quanto o é cuidar de doze deles”.

Vamos deixar bem claro esse assunto do tratamento. Repetidas vezes eu tenho afirmado que nós não precisamos conhecer o nome do paciente. Isto é verdade. Em nenhum ponto, mesmo nos primeiros estágios da prática, há a necessidade de se saber o nome ou a identidade do paciente. Quando nossa ajuda é solicitada nós podemos dá-la sem conhecer a pessoa solicitante; ou se a ajuda é em prol de outro alguém, também não precisamos identificar tal pessoa e nem mesmo a natureza do problema dela.


ESTABELECENDO A NATUREZA DO PROBLEMA

Embora não seja preciso ser contada a natureza do problema, isto algumas vezes é útil, principalmente do ponto de vista do paciente. É frequente o fato de o paciente transportar em seu pensamento um medo terrível de alguma condição, condição esta que ele realmente acredita poder estar presente em seu corpo. A condição pode ser inteiramente de sua imaginação ou pode ter a sua origem em alguma reportagem de rádio ou jornal que ele tenha ouvido ou lido. Eu conheci muitas pessoas que vinham “sofrendo” de câncer por vários anos e encontram-se ainda hoje tão fortes e robustas quanto o foram há dezoito anos atrás. Existe um constante temor em relação ao câncer, tuberculose, paralisia infantil, gripe e pneumonia. Muitos sentem dores que lhes dão a firme convicção de serem possuidores deste ou daquele mal, e frequentemente são libertados de seus temores ao conversar sobre isto com o praticista. O desabafo permite que aquilo saia de seu sistema; além disso, sabendo que alguém mais está participando daquilo, ele consegue soltá-lo com maior facilidade.

Portanto, em casos assim, é útil às vezes deixar que o paciente conte a natureza de seu problema, caso ele desejar fazê-lo. No entanto é preciso que o praticista seja aqui dotado de sabedoria. Uma vez declarada a natureza do problema, não deverá ser permitido ao paciente retornar a ele repetidamente. A natureza do problema precisa ser desconsiderada tanto pelo paciente quanto pelo praticista.

Em segundo lugar, pode também ser útil ao praticista ter a natureza do problema estabelecida, pois sempre que alguém solicita ajuda, seja qual for o seu grau de avanço espiritual, algo toma lugar em sua consciência. Tenha ou não conhecimento deste fato, a verdade é que algo está a ocorrer naquele momento.

Por exemplo, alguém poderia telefonar dizendo: “Meu braço está paralisado.” Neste instante, mesmo que o praticista não esteja cônscio disto, há uma resposta interior direta ao problema de inatividade ou imobilidade, que reconhece ser a consciência – não o corpo ou os músculos – a causa única e origem de toda ação.


COMECE O SEU TRATAMENTO COM A PALAVRA DEUS

O problema poderá ser de ordem mental, e também nesse caso algo tomará lugar no pensamento do praticista trazendo-lhe a ideia de que Deus, ou a Sabedoria divina, é a inteligência universal, a única inteligência que há, e que tanto o cérebro quanto o corpo não possuem uma inteligência própria de si mesmos. Há apenas uma inteligência, que é Deus. Mesmo que o praticista não o perceba, esta conscientização está tomando lugar em sua consciência.

Mas para aqueles que estão neste trabalho há pouco tempo, e que ainda não sabem da ocorrência desse fenômeno até mesmo inconscientemente, torna-se necessário que eles deem o tratamento conscientemente. Se o caso for de deficiência mental, quem dá o tratamento precisa conscientizar: “Ora, inteligência é Deus, e não é pessoal! Não pode haver uma pessoa com mais inteligência que outra. A inteligência é uma atividade una da Alma universal, sendo por esse motivo universal impessoal, imparcial, apresentando-se em igualdade em todos os seres espirituais.”

Todo o nosso problema decorre da crença na existência de um ser – eu ou você – separado de Deus, vivendo sua própria vida em função de sua educação ou falta dela, em função das circunstâncias do ambiente ou das condições nacionais e internacionais. A crença é esta, mas a verdade é que Deus, sendo tudo que há e sendo ser infinito, nunca é vítima de discórdias. É este o tratamento que se aplica a qualquer situação. Você poderá defrontar-se com toda categoria de ilusão humana, principiando com a palavra Deus, e o tratamento correto exigido por cada caso será encontrado.

Comece sempre com a palavra Deus. Se o problema ou crença tiver a ver com a ação ou inteligência, você de imediato poderá pensar em Deus como sendo Inteligência, e tudo que você atribuir a Deus referente à inteligência será também atributo do indivíduo. Se o problema for relacionado com o temor à morte, você poderá abrigar a ideia de Deus como sendo Vida, e tudo que for encontrado a respeito de Deus como Vida aplicar-se-á ao indivíduo. Como a Vida é imortal, eterna e onipresente, estas qualidades serão também verdadeiras para o indivíduo. Assim seria o seu tratamento.

Após termos conscientizado ou pronunciado a verdade sobre o problema, é chegado o momento de nos sentarmos e assumirmos uma atitude de escuta. É como se nos colocássemos naquele local da consciência ou da conscientização na expectativa do recebimento de uma resposta, de uma certeza de que tudo está bem e que o problema foi depositado no devido lugar para ser cuidado.

Neste ponto, após ter sido dado o tratamento, é que a prece se inicia. No meu modo de entender a prece é a palavra de Deus. A prece não é algo feito por você; a prece é algo de que você toma consciência. A prece é a palavra de Deus que vem a você. É aquela “pequena voz suave” trazendo-lhe uma certeza de harmonia, paz, alegria, poder, domínio, saúde, plenitude e abundância. Após o término do tratamento dado a você ou a outro alguém, sente-se em quietude, abrindo a consciência: “Eis me aqui, Pai”. “Fala, Senhor, teu servo ouve” (I Samuel 3: 9), e aguarde vir a resposta.


A CONSCIÊNCIA CURADORA

Acima de tudo é preciso lembrar-se de que o mínimo desejo de receber benefício pessoal, a presença do menor traço de egoísmo, são fatores que anulam o processo todo. Não há nada que deva ser obtido, e não podemos trabalhar do ponto de vista que admitisse haver. Deus é o infinito ser que revela, desenvolve, manifesta e expressa a Si próprio infinitamente como sendo eu e você. O único objetivo do tratamento e da prece é dar a conscientização da perfeição que já existe.

Tudo que nós chegarmos a conscientizar como sendo verdade para nós mesmos, para o nosso ser, deve ser compreendido como sendo também verdade sobre todos os demais. Em outras palavras, não é possível haver uma prece visando que o sol brilhe em nosso jardim somente. Num caso destes, a prece deverá ser apenas para o sol brilhar. Devemos estar desejosos de que ele brilhe tanto em nosso pátio como no de nosso inimigo. Enquanto conservarmos no pensamento algum senso de ódio ou inimizade, o tratamento ou prece será inútil. O Mestre do Cristianismo nos ensinou:

Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem e apresenta a tua oferta. (Mateus 5: 23-24)

Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem. (Mateus 5: 44)

Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete? Jesus lhe disse: Não te digo até sete, mas, até setenta vezes sete. (Mateus 18: 21-22)

Não é fácil perceber que seria pura perda de tempo haver tratamento ou prece sem esta qualidade de perdão? A consciência precisa ser uma transparência para Deus, isto é, uma transparência de caráter universal, impessoal e imparcial. Sua chuva cai tanto sobre os justos como sobre os injustos.

Os ensinamentos do Mestre são repletos de amor e de perdão, sem qualquer traço de juízo ou condenação. No caso daquele homem cego de nascença, quando indagado pelos discípulos sobre quem havia pecado, se ele ou seus pais, para que nascesse cego, Jesus respondeu: “Nem ele pecou, nem seus pais” (João 9: 2-3). E para a mulher adúltera, ele disse: “Nem eu também te condeno” (João 8: 11).

Na Cristo-consciência não pode haver lugar que abrigue qualquer ódio, inveja, ciúme ou malícia. A consciência que retém algum desses traços não é uma consciência curadora. A consciência de um curador deve ser a consciência de um indivíduo que não acolhe nenhum sentimento de ódio, inveja, ciúme ou malícia. É fácil determinar se o seu tratamento está sendo ou não efetivo, se você pode ou não realizar um bom trabalho de cura. Em que dimensão um sentido de mágoa pessoal em relação ao mundo tem acolhida de sua parte? Não estou querendo dizer que para curarmos precisamos ter atingido uma condição de anjos. Por estarmos pouco “aquém dos anjos”, estamos sujeitos a sentir antipatia por algum líder político ou mesmo por alguma pessoa na rua, mas o principal é não permitirmos que tais sentimentos se aprofundem em demasia. Rapidamente devemos desvencilharmo-nos deles todos, pois seria obstáculos nos trabalhos de cura. A consciência deve ser uma transparência para Deus, e como Deus opera na consciência do amor, quando qualidades opostas são acolhidas não há uma consciência curadora. É preciso desejar ardentemente que a verdade conhecida sobre si mesmo seja universalmente válida.

A pergunta que tem surgido é se eu encaro o tratamento como razão iluminada. Acho que há necessidade da razão iluminada porque com a razão comum da mente humana não haveria um tratamento muito bom. Em outras palavras, o tratamento como razão iluminada seria a conscientização da presença da vida até mesmo onde a morte parecesse estar. A mente raciona irá dizer: “Bem, isto é a morte; não há sentido tentar fazer algo referente a ela”, porém a razão iluminada saberia que no universo espiritual nunca existiu a chamada morte.


O TRATAMENTO NECESSÁRIO PARA TODAS AS APARÊNCIAS HUMANAS

Toda aparência que vem a nós, de manhã à noite ou da noite ao amanhecer, referente ao cenário humano, necessita de tratamento. Mesmo que a aparência seja boa é preciso que haja o tratamento. Uma pessoa poderá estar em perfeita saúde neste momento e, amanhã, o quadro todo estaria modificado. Poderíamos conhecer hoje, no cenário humano, alguém de caráter moral impecável e encontrar amanhã toda a situação invertida. Portanto, não se satisfaça por aceitar mesmo uma boa aparência humana; traduza-a, também, pelo que é espiritualmente real, e cujo bem constitui apenas a forma.

Compreenda que onde está a boa aparência humana, realmente Deus está presente. Todo senso de bondade não se trata de bondade pessoal; todo senso de saúde não se trata de saúde pessoal, pois Deus é realmente a bondade e Deus é realmente a saúde. A menos que isso seja reconhecido, você ficará vulnerável ao ponto mais fraco que temos, ou seja, estar satisfeito com riqueza humana ou saúde humana – as boas aparências humanas.

Qualquer pessoa tem períodos em que está saudável, mas isto não evita que ela adoeça em outra época. Portanto, o tratamento real não deve estar reservado apenas para aparências tais como pecado, doença, alcoolismo ou acidentes, mas deve também ser considerado de forma que não sejamos enganados pelas aparências mesmo de bem ou de saúde humanos. Se a aparência for de bem, o tratamento poderá ser: “Eu não sou enganado nem por aquela aparência. Deus é a saúde real e o bem real, e Deus é a saúde e o bem permanentes.”

No mundo metafísico, a maioria dos tratamentos é reservada para o pecado, doença, falta, limitação e morte; mas em nosso trabalho, o tratamento é necessário para as aparências de saúde e riqueza. A saúde e riqueza humanas presentes aqui hoje, poderiam estar ausentes amanhã. O tratamento é a conscientização de que a saúde e a riqueza humanas não são a realidade, mas que exatamente aqui encontram-se a saúde e a riqueza da Vida Única, Deus – permanente, infinito, onipotente e onipresente. Este é o tratamento para toda aparência humana. O tratamento para todas as aparência é necessário até nos tornarmos tão firmes em nossa consciência da realidade de Deus, que mesmo quando estivermos olhando para pessoas saudáveis, estaremos tratando. Não tratamos a elas, mas tratamos o nosso conceito do que vemos nelas.

No momento em que observamos alguma necessidade, é quando somos chamados para o tratamento. Por que? Nosso tratamento não visa uma pessoa; tratamos o nosso conceito do que está aparecendo. Deus é infinito e é tudo, portanto. Tudo que existe é Deus, e nós nunca damos tratamento a Deus. Mas suponhamos estarmos vendo lá fora uma humanidade doente e pecadora. Ela realmente estará lá fora para ser tratada, ou estará em nosso conceito daquilo que está aparecendo? Neste ponto nós diferimos da maioria dos ensinamentos metafísicos, onde os estudantes são instruídos a dar tratamento somente se for solicitado a eles. Em O Caminho Infinito isto não é aplicado. Nós não podemos aceitar e não aceitamos as aparências.

Em todo momento que alguma fase de ilusão é apresentada a mim, mesmo se for boa, eu a traduzo conscientemente e percebo que exatamente ali encontra-se Deus manifesto. Se o indivíduo for receptivo ele será curado, sabendo ou não que o tratamento está sendo ministrado. Existindo ou não receptividade por parte dele, a coisa mais importante, a meu ver, é que eu não tenha tomado a aparência por realidade. Desta forma, o tratamento é o mesmo, não importando o fato de a pessoa ter ou não solicitado ajuda. A verdade permanece a mesma. Não existe uma verdade para uma pessoa com conhecimento suficiente para solicitar ajuda e outra verdade diferente, para a pessoa sem aquele conhecimento. Há somente uma verdade, e esta é a verdade que devemos conhecer para que possamos ser livres.

Cont...


domingo, julho 06, 2014

Comentando o capítulo 4 - 2/2

- Gustavo -


Os comentários sobre este capítulo estão sendo divididos em duas partes devido à importância do conteúdo dos dois últimos tópicos: "O que vemos é o nosso conceito de universo" e "Visualize o universo espiritual". Eles merecem uma atenção especial, pois dizem respeito a um ponto muito crucial e importante que é passado no ensinamento. Goldsmith afirma que a falta de compreensão deste ponto compromete o sucesso do estudante em realizar as curas espirituais. Esses pontos devem ser completamente muito bem assimilados.

Goldsmith diz que o universo visível é um conceito do Universo Infinito Invisível. O que quer dizer isso? Significa que o universo visível apenas retrata ou indica algo do Universo Real. Por exemplo: imagine que uma fotografia está sendo tirada de uma pessoa. A "imagem" da pessoa na foto não será a "pessoa em si", mas apenas um conceito dela. E que diferença há entre a pessoa real e o conceito dela que surge na foto! A pessoa em si existe em três dimensões, é viva, é livre, é emotiva, se move, se expressa, fala, sorri, e faz mil e uma outras coisas. Por sua vez, na imagem fotográfica a pessoa é reduzida a duas dimensões, não está viva, não se move, não se expressa, não sente, etc.. Ao aparecer na fotografia, inúmeros aspectos da pessoa são "filtrados" e perdidos. Embora não expresse a totalidade da pessoa real, uma fotografia pode ao menos indicar algo sobre ela. Esse é o significado de quando se diz que a fotografia é um "conceito" da pessoa.

Do mesmo modo, o "universo aparente" é apenas um conceito do Universo Espiritual. O Universo Espiritual é infinito-dimensional, está acima e além do espaço-e-tempo, é eterno, imutável, unido, total, completo. Por sua vez, o universo conceitual é tri-dimensional, com espaço-e-tempo, é efêmero, mutável, separado, incompleto. A mente humana é o instrumento que capta a presença do Universo Espiritual e o traduz/reduz para este universo visível. Ao fazer a tradução, um número incalculável de aspectos do Universo Real são filtrados e perdidos. E a mente humana fica restringida a ver e a perceber somente o que existe no universo por ela concebido. Por isso os aspectos maiores do Universo Real ficam invisíveis e parecendo não existir para a mente.

Mas, apesar de o Caminho Infinito fazer menção a "Universo Real" e "universo aparente", isso não significa que existem dois universos (assim como no exemplo da fotografia não existem "duas pessoas"). Este é o ponto que Goldsmith deseja que os estudantes compreendam e assimilem. Somente um deles é que pode ser chamado de Universo, pois é real. O outro não deve ser chamado e nem tratado por "universo", já que é apenas um conceito. Um conceito não está presente, um conceito não tem substância e não tem realidade. A vida existe no Universo! A substância existe no Universo! O homem existe no Universo! Todos os acontecimentos estão ocorrendo no Universo! Não há ninguém vivendo no universo aparente, que sequer universo é – é apenas um conceito. Não há nada acontecendo no universo conceitual, o qual é desprovido de vida, substância e realidade. Por isso, Goldsmith diz: "Temos dito que Deus é a substância de toda a forma, que Deus é a realidade de toda a forma, a substância e a realidade de todo efeito. Estaríamos então a compreender a Deus como sendo a substância do corpo, das árvores, flores, do sol, lua, estrelas e tudo mais que captamos com os sentidos materiais? Não. Este é um universo espiritual. É verdade que Deus é a substância de toda a forma: Deus é a substância de seu corpo e de toda a creação; mas não se esqueça de que, quando eu o vejo, isto é, quando eu vejo o seu corpo ou quando vejo a árvore ou as flores, eu não estou vendo a creação de Deus – eu não estou vendo o universo espiritual – eu estou vendo apenas um conceito finito e material dele." Mas para a mente parece haver vida no universo conceitual, e muitos eventos parecem estar ocorrendo nele. Enquanto o praticante se deixar levar pela percepção equivocada da mente humana, sua atenção ficará "dividida", e ele não poderá focalizar por inteiro o Universo, a Realidade, o Reino de Deus. E a meditação ensinada no Caminho Infinito nada mais é do que a pura contemplação do Universo.

Portanto, ao meditar nós não teremos que lidar com dois universos. É necessário superar o impulso de querermos alterar o universo conceitual a partir da conscientização do Universo Real. Goldsmith ensina que isso é um erro e é o que leva a pessoa a falhar em curar. Não há um universo que esteja aqui para ser curado, modificado ou melhorado. Por sua vez, o universo que está aqui já é imutável e completo, e nele está contido o Todo-Infinito que Deus é. Portanto, em nosso trabalho de cura espiritual, só o que temos de fazer é visualizar o Universo. É o que Goldsmith diz:

"Quando a consciência espiritual é atingida, podemos visualizar o universo espiritual; não que perceberemos pelo ver, ouvir, provar, tocar e cheirar dos cinco sentidos, mas num estado de consciência iluminada, teremos vislumbres dele. Abandonando-se a aparência [conceito], voltando-se a Deus visando conscientizar a realidade como o Espírito Se manifestando, resultará naquilo que aparece como cura. Realmente é a harmonia de Deus sendo revelada a nós que vemos como forma melhorada. Este é o ponto mais importante do nosso trabalho de cura. Em seu trabalho, não pense nas coisas que estiver tentando curar. Pense naquilo que Deus é, e naquilo que Deus aparece como – Deus aparecendo, não como uma forma delimitada, mas como infinitude, eternidade, imortalidade, harmonia, alegria, abundância. E então você terá as curas."

Finalizando, os pontos aqui explanados podem ser utilizados para lançar ainda mais luz sobre o assunto tratado no texto "Comentando o capítulo 3". Nele foi dito que "Deus aparece como a Consciência individual". Esse aparecimento (manifestação) ocorre no âmbito do Universo – e não no universo conceitual. A Consciência Única (Deus, o Pai) está aparecendo como a Consciência individual que somos (o Filho de Deus). Deus é a nossa substância! Deus é a nossa realidade! Todos os seres existem em Deus! Todos os acontecimentos estão ocorrendo em Deus! Não há nada existindo ou acontecendo fora de Deus. Não há seres vivendo ou experienciando mundo material. Em si, o universo conceitual é o "nada" – que ora pode assumir formas condizentes com a Realidade, e ora assume formas contrárias à natureza da Realidade. Que verdade há em algo que é incapaz de se definir? Por isso é desprovido de verdade, substância e realidade. Tudo o que Deus é, nós somos! Tudo o que o Pai tem, nós temos! Que possamos contemplar essas verdades! A contemplação delas eleva a nossa percepção ao âmbito do Universo Divino (trazendo realização e iluminação, que é o principal objetivo deste ensinamento) e faz o cenário do mundo assumir formas condizentes com a verdade do Ser (cura espiritual, que é um objetivo secundário).

Namastê!


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sexta-feira, julho 04, 2014

Comentando o capítulo 4 - 1/2

- Gustavo -


O tema deste capítulo é "A realização do Consciência", e o Caminho Infinito ensina que o homem é Consciência. Isso significa que a realização do homem consiste em reconhecer ou despertar para si mesmo, a própria Consciência.

O homem é, por definição, um ser espiritual. Ele existe como um ser divino, e não como um ser material (corpo físico ou mente). Todavia, diante do homem espiritual há um mundo de aparências – o cenário humano – que parece estar acontecendo. Goldsmith afirma que o cenário humano aparenta isolar-nos do divino. Apenas "aparenta" isolar-nos, mas tal isolamento não ocorre de fato. O que faz com que o homem (ser espiritual, divino) se sinta isolado e separado de seu criador, é o fato de ele se deixar levar pelos cinco sentidos do corpo, que não vêem senão uma sequência de "imagens" desfilando, o tempo todo surgindo e desaparecendo. O cenário humano mutável é visto e captado pela mente humana, mas a Consciência Espiritual enxerga a Verdade imutável, que está acima e além deste reino de aparências. Dessa forma, a mente humana não consegue jamais "ver" ou compreender as coisas do Espírito. O que é mental discerne somente "coisas mentais".

A realidade espiritual ou divina somente pode ser discernida pela própria Consciência Espiritual. "Os Meus pensamentos não são os teus pensamentos, e os Meus caminhos não são os teus caminho. Porque assim como os céus são mais altos que a terra, assim são os Meus caminhos mais altos que os teus caminhos, e os Meus pensamentos mais altos que os teus pensamentos" (Isaías 55: 8-9). A fim de melhor compreender e aprofundar esse importante ponto (mente x Consciência), leia mais clicando aqui.

Ao se deixar levar pelo senso humano de existência (mente e 5 sentidos), o homem se sente incompleto, miserável. No reino da mente as coisas não são feitas para perdurar, tudo é incerto, inconstante, evanescente e escasso. A completude não pode estar presente no reino da mente, pois, se estivesse, a mente seria como a Verdade – imutável. Os ensinamentos orientais comparam a mente a um "buraco sem fundo", o qual, por mais que tentemos enchê-lo/completá-lo, tal jamais chega a ocorrer. A mente logo se esvazia e fica com "fome" novamente. Por mais que alimentemos seus desejos, a mente retorna a sua condição de miserabilidade.

Este é o dilema: o homem, que por natureza é um ser espiritual, parece estar vivendo longe de casa num reino de natureza não espiritual (o mundo). Ao buscar sua felicidade ou realização no mundo, não os consegue encontrar, pois a natureza do mundo não se identifica com a natureza ou essência do homem. Ambas são incompatíveis. O ser humano encontra sua realização ao entrar em contato com algo de natureza espiritual ou divina. O que é mundano não pode preencher o homem. Por isso Goldsmith diz: "Sermos ou não sermos bem sucedidos no reino exterior não é o que determinará a nossa realização do paraíso. O paraíso é a realização da consciência interior. Podemos ter alcançado a nossa saúde, prosperidade ou sucesso, mas não nos sentimos felizes. Por que? A razão disto é que aquelas coisas não são, por si, a realização.". A realização da Consciência (Deus) é a única realização legítima e verdadeira para o homem.

Nossa realização somente será encontrada em nosso interior, onde está o "Reino de Deus". Em Deus, somos exatamente o que Deus é: perfeitos, puros, plenos, completos – isso não poderia ser de outra forma. Encontrando a realização da identidade espiritual no interior, ela se torna aparente no exterior. Isso porque a experiência externa é na realidade um reflexo de nossa experiência interna. O reino exterior é um desdobramento (efeito) dos reinos de nossa consciência (causa). É natural que o homem, ao fazer contato com Deus e sentir a plenitude espiritual do Ser, comece a sentir sua vida ser redirecionada para atividades que lhe trarão mais realização: uma mudança de cidade, de emprego, de alimentação, de relacionamentos, de hábitos, etc.. O Espírito é quem dá o encaminhamento, e isso ocorre diferentemente de acordo com cada um. 

Goldsmith diz: "Há uma Presença e um Poder dentro de nós, que removerá qualquer obstáculo. É possível que no momento nós nem saibamos qual a natureza desse obstáculo, assim, devemos começar o nosso trabalho exatamente como nos encontramos agora: com Deus. “Eu e o Pai somos um” (João 10: 30), portanto onde eu estou, Deus está presente, e desse estado divino de consciência é manifestada a harmonia do meu ser. A conscientização dessa Presença e Poder corrige, remove e modifica o quadro exterior até que ele se torne um reflexo exato do interior." Note que Goldsmith diz que devemos começar o nosso trabalho de conscientização (meditação) a partir do ponto onde estamos neste exato momento. E ele esclarece que neste exato instante somos um com Deus. Goldsmith nos fornece uma revelação para que não caiamos no erro (tentação) de tentar nos tornar um com Deus, para somente depois começarmos o trabalho de meditação. Cair nessa armadilha da mente significa perder a meditação antes mesmo de dar início a ela. Assim, conscientize/contemple:

"Neste exato momento sou um com Deus. Não preciso tentar me tornar um com Deus para somente depois ter manifestada a harmonia do meu ser."

Lembre-se que "meditação" ou "contemplação" significa apenas "constatar" aquilo que já é. Tal como você faz quando vê pássaros voando no céu. Se você tentar se tornar "um com Deus" não estará de forma alguma contemplando. Já somos um com Deus. Neste trabalho é irrelevante o que a mente pensa ver e julga ser real.

Sempre que desejarmos corrigir algum quadro mental (mundo dos efeitos), não deveremos tentar fazê-lo a partir do exterior, mas teremos de nos voltar à nossa Consciência divina (causa), que está em nosso íntimo. Alcançando aquele "sentimento profundo" e sentindo ocorrer uma mudança em nosso interior, logo o quadro externo começa a se ajustar/corresponder à Verdade conscientizada internamente. Devemos nos habituar a tirar a atenção das circunstâncias externas, e mantê-la em nossa Consciência, que é Deus – onde habita toda a Verdade, Amor, Vida e Bem. Quando fazemos contato com esse Bem e Amor divinos, imediatamente o fluxo do Epírito passa a correr do interior para o exterior.

É isso o que explana Goldsmith: "A conscientização dessa Presença e Poder corrige, remove e modifica o quadro exterior até que ele se torne um reflexo exato do interior. A experiência exterior sempre reflete a nossa consciência interna quando aprendemos a voltar para o nosso íntimo, deixando que ela se manifeste; mas enquanto ficarmos nos intrometendo no quadro exterior, na tentativa de corrigi-lo ou modifica-lo, o máximo que conseguiremos será uma flutuação do cenário humano. Somente deixando a consciência interior fluir, enquanto aprendemos a descartar o exterior no presente momento, é que iremos encontrar a harmonia que buscamos. O nosso bem vem a nós como o próprio jorrar de nossa consciência – o Amor revelando-Se por todo o nosso ser, Deus como a realidade de tudo que aparece, Deus como a lei de toda a forma. A nossa própria consciência, desenvolvendo-se por si, aparece como nossa experiência, sem que precisemos ficar a moldá-la conforme nossos desejos ou vontades, bastando-nos tomar a atitude de observar Deus Se manifestando. Este é o modo de viver O Caminho Infinito."

Namastê!

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quarta-feira, julho 02, 2014

A realização da Consciência

DEUS, A SUBSTÂNCIA DE TODA A FORMA
(Joel S. Goldsmith)

- Capítulo 4 -

A REALIZAÇÃO DA CONSCIÊNCIA

“Paraíso é a Visão do Desejo realizado, e inferno a Sombra de uma Alma nas chamas.” (Omar Khayyam)

Aqueles que tiveram a experiência de uma vida realizada, sabem que é nela que se encontra o paraíso. Os que realizam o trabalho que gostam de fazer, estão no paraíso. O paraíso é a realização de sua própria consciência. Cada um de nós encontra-se neste mundo em conformidade com um plano divino. Ninguém veio aqui por um acidente; ninguém veio aqui através de mera criação física. Todos nós somos parte de um plano universal, plano este que constitui a realização de Deus. Não ocorre, por alguma razão especial, que tenham sido dados a alguns de nós uma revelação da verdade e uma oportunidade de estudo e prática, mas é a Verdade, em Si, que está Se expressando e realizando, e nós somos a transparência pela qual Ela aparece no mundo. A Verdade realiza a Si própria, de alguma forma, através de você ou como você, embora tal realização possa não ser aparente no momento. Na certa é uma realidade o fato de a maioria das pessoas no mundo não estarem cumprindo os seus destinos como Deus feito manifesto e como Amor sendo desvendado e revelado.

O cenário humano aparenta isolar-nos do divino, e assim temos aceito uma identidade separada e temos tentado realiza-la. Sermos ou não sermos bem sucedidos no reino exterior não é o que determinará a nossa realização do paraíso. O paraíso é a realização da consciência interior, e ela pode ser manifestada como um homem de negócios ou de alguma profissão, mas ainda assim será a consciência realizando a si mesma no nível da consciência. O sucesso nos negócios, em si, não testemunha o atingimento do paraíso. Muitas pessoas bem sucedidas são infelizes por não terem atingido o sucesso no trabalho específico que seria o cumprimento do desejo de seu próprio coração.

Temos tido a experiência de estudar a verdade visando a obtenção de uma cura ou a demonstração de suprimento ou sucesso, e então observado o fato de não estarmos satisfeitos. Podemos ter alcançado a nossa saúde, prosperidade ou sucesso, mas não nos sentimos felizes. Por que? A razão disto é que aquelas coisas não são, por si, a realização. Portanto, o nosso principal objetivo na vida é seguir este caminho, O Caminho Infinito, que revela a profundeza de nossa própria consciência.

E legítimo que tenhamos alegria, que encontremos alegria; e estejamos certos de que a alegria virá até nós quando tratamos dos “negócios do Pai”. Ao realizarmos nosso trabalho sob o ponto de vista de permitir a manifestação externa de nossa capacidade interior, estaremos verdadeiramente tratando dos “negócios do Pai”, e encontraremos a nossa alegria. Quando o trabalho é realizado meramente para ganhar o sustento ou para obter fama ou fortuna, nem sempre a alegria estará presente, mas sempre contaremos com ela se estivermos realizando aquilo para o qual fomos aqui trazidos para fazer cumprir.

Se uma pessoa estiver realizando curas apenas com o objetivo de ver algum doente tornar-se saudável, poderá ser considerada como humanamente boa, mas é preciso reconhecer que tal motivo não é pertencente à vida espiritual. Se nós nos ocuparmos com o trabalho de cura para ver a identidade divina, o Cristo, trazido à manifestação por Sua causa, então encontraremos alegria em nosso trabalho. Quando aquele trabalho visa unicamente testemunhar Deus feito manifesto, não envolverá nenhum esforço humano e nenhuma vontade pessoal.


O BEM, O FLUXO DA CONSCIÊNCIA

Quando nós afastarmos a nossa atenção do mundo exterior, centralizando-a no reino interior de Deus, começaremos a entender o que realmente pode ser O Caminho Infinito da vida. Ele é plenamente satisfatório e maravilhoso. Faça a si mesmo a seguinte pergunta: “Estou cumprindo um objetivo divino na vida?” A realização da identidade espiritual ocorre no interior, nunca externamente, embora ela se torne aparente no exterior. Nada há de estranho no fato de um homem ou uma mulher, que esteja em paz consigo próprio e com o mundo, encontrar a satisfação e a alegria interior. E mesmo que essa pessoa, levada por alguma circunstância externa, perdesse o equilíbrio por algum tempo, ela rapidamente recuperaria o controle da situação, pois já teria consciência de que os fatos exteriores não são de maior importância.

A experiência externa é na realidade o desenvolvimento de nossa experiência interna. Ter desejos realizados significa verdadeiramente atingir o paraíso. A Verdade, sendo universal, tem existido sempre, e foi constatado pelos grandes santos, videntes e profetas de todos os tempos esta mesma verdade, ou seja, que o único paraíso que existe é a nossa completa auto-satisfação, e que o paraíso na terra é encontrar o lugar que nos foi destinado por Deus.

A nossa experiência é constituída pela expansão de nossa própria consciência, portanto, toda a nossa atenção deve estar voltada para o desenvolvimento, descoberta e revelação da natureza infinita dessa consciência.

Se a atividade que estamos exercendo não corresponde àquela que gostaríamos que fosse, não deveríamos tentar corrigi-la no nível exterior. Também não seria indicado abandonar o nosso trabalho do presente para procurar um outro. Não devemos tentar manipular nosso problema no plano exterior da existência. Onde quer que no momento estejamos, vamos aprender a desprezar a aparência suportando-a por enquanto.

Há uma Presença e um Poder dentro de nós, que removerá qualquer obstáculo. É possível que no momento nós nem saibamos qual a natureza desse obstáculo, assim, devemos começar o nosso trabalho exatamente como nos encontramos agora: com Deus“Eu e o Pai somos um” (João 10: 30), portanto onde eu estou, Deus está presente, e desse estado divino de consciência é manifestada a harmonia do meu ser. A conscientização dessa Presença e Poder corrige, remove e modifica o quadro exterior até que ele se torne um reflexo exato do interior. A experiência exterior sempre reflete a nossa consciência interna quando aprendemos a voltar para o nosso íntimo, deixando que ela se manifeste; mas enquanto ficarmos nos intrometendo no quadro exterior, na tentativa de corrigi-lo ou modifica-lo, o máximo que conseguiremos será uma flutuação do cenário humano. Somente deixando a consciência interior fluir, enquanto aprendemos a descartar o exterior no presente momento, é que iremos encontrar a harmonia que buscamos.

Dirija-se para o seu interior e faça a seguinte pergunta: “Qual parte compete a mim neste mundo? Onde eu entro como realização de Deus?” Cada um de nós veio realizar o seu próprio mundo. “Eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância” (João 10: 10). Ao nos voltarmos para a Consciência divina, mantendo o pensamento naquilo que se revela e se desenvolve do interior, em vez de prestarmos atenção em corpos doentios ou em negócios que não vão indo bem, logo encontraremos a harmonia aparecendo em nosso mundo exterior.

O nosso bem vem a nós como o próprio jorrar de nossa consciência – o Amor revelando-Se por todo o nosso ser, Deus como a realidade de tudo que aparece, Deus como a lei de toda a forma. A nossa própria consciência, desenvolvendo-se por si, aparece como nossa experiência, sem que precisemos ficar a moldá-la conforme nossos desejos ou vontades, bastando-nos tomar a atitude de observar Deus Se manifestando. Este é o modo de viver O Caminho Infinito – sua vida e minha vida – desenvolvendo-se sem qualquer planejamento humano. Não se consegue isto por realizar algo no mundo externo, mas sim por estar desejoso de ser conduzido.


O QUE VEMOS É O NOSSO CONCEITO DE UNIVERSO

O próximo tópico, embora não constitua realmente um segredo, merece nossa máxima atenção para assimilá-lo por sua importância na cura espiritual. A falta de compreensão deste ponto é a causa de muitas falhas no trabalho de cura e é preciso que ele seja reconhecido e entendido por todos.

Temos dito que Deus é a substância de toda a forma, que Deus é a realidade de toda a forma, a substância e a realidade de todo efeito. Estaríamos então a compreender a Deus como sendo a substância do corpo, das árvores, flores, do sol, lua, estrelas e tudo mais que captamos com os sentidos materiais? Não. Este é um universo espiritual. É verdade que Deus é a substância de toda a forma: Deus é a substância de seu corpo e de toda a creação;  mas não se esqueça de que, quando eu o vejo, isto é, quando eu vejo o seu corpo ou quando vejo a árvore ou as flores, eu não estou vendo a creação de Deus – eu não estou vendo o universo espiritual – eu estou vendo apenas um conceito finito e material dele. Este conceito é conhecido como o sonho de Adão, a ilusão, o quadro mesmérico ao qual se referiu Jesus, ao dizer: “O Meu reino não é deste mundo” (João 18:36). Mas isto não significa que há dois universos, o real e o irreal, ou que existe um corpo real e um outro irreal. Significa que o único universo existente é o universo real, e o único corpo que existe é o corpo real; e que aquilo que estou vendo é apenas um conceito que eu faço. Assim, a única irrealidade está nessa má percepção, em meu falso conceito em relação a eles. Quando olhar uma pessoa, saiba não estar vendo o que Deus creou; é impossível vê-lo. Você está observando somente o seu conceito, ou o conceito do mundo, da creação de Deus.


VISUALIZE O UNIVERSO ESPIRITUAL

Perceba o quanto isto é importante e verá porque há tantas falhas na cura. Se alguém lhe dissesse: “Ajude-me!”, você não deveria tentar fazer algo com este falso conceito, mas desviar-se dele conscientizando que aquilo é somente uma ilusão, e que ali mesmo onde a ilusão parece estar, existe Deus aparecendo.

Quando a consciência espiritual é atingida, podemos visualizar o universo espiritual; não que perceberemos pelo ver, ouvir, provar, tocar e cheirar dos cinco sentidos, mas num estado de consciência iluminada, teremos vislumbres dele, como o foi possível a João, o discípulo amado, captar a visão espiritual do universo. As árvores e as flores – as formas das árvores e das flores, ou de outra coisa qualquer – não são espirituais no modo como as vemos. São apenas o senso ilusório da realidade.

Abandonando-se a aparência, voltando-se a Deus visando conscientizar a realidade como o Espírito Se manifestando, resultará naquilo que aparece como cura. Realmente é a harmonia de Deus sendo revelada a nós que vemos como forma melhorada. Este é o ponto mais importante do nosso trabalho de cura. Não seremos bem sucedidos enquanto estivermos tentando transformar corpos doentes em saudáveis. O êxito virá quando formos capazes de abandonar inteiramente o quadro exterior reconhecendo que ele é ilusão, e voltarmo-nos interiormente à conscientização da onipresença e onipotência de Deus, discernindo a realidade de Sua creação. Em seu trabalho, não pense nas coisas que estiver tentando curar. Pense naquilo que Deus é, e naquilo que Deus aparece como – Deus aparecendo, não como uma forma delimitada, mas como infinitude, eternidade, imortalidade, harmonia, alegria, abundância. E então você terá as curas.

Muitas pessoas que buscam e se empenham externamente para obter fama ou fortuna descobrem que, ao encontra-las, elas se tornam enfadonhas. Mas a alegria da prosperidade alcançada por alguém pelo cumprimento da vontade sincera de seu coração, jamais será levada embora.

A mesma coisa se aplica à saúde. Na busca externa da saúde, você não a terá obtido, mesmo que tenha conseguido um corpo físico perfeito. O corpo espiritual perfeito é algo construído de sua própria consciência interior, pelo simples deixar que ele flua de seu próprio ser e forme o corpo perfeito. Da mesma maneira, essa consciência interna pode construir uma vida maravilhosa para você. Devemos construir o nosso paraíso através do cumprimento de nossos anseios interiores, deixando que sejam realizadas todas as coisas para as quais fomos aqui trazidos para executar.

Cont...

domingo, junho 29, 2014

Comentando o capítulo 3

- Gustavo -


O capítulo 3 é intitulado "A Consciência individual como Lei". Se pudermos compreender o significado/sentido do que está expresso no título, isso já é um grande passo na assimilação dos ensinos do Caminho Infinito. A Consciência Individual é uma consciência espiritual ou divina, não sendo um produto deste mundo material. Alguém poderia escorregar, bater a cabeça no chão, e perder a "consciência". Essa "consciência", que surge quando o cérebro está ativo e desaparece quando o cérebro cessa de funcionar, não é a Consciência Individual a qual Joel Goldsmith está tratando. Ele está falando da Consciência divina. A consciência divina é a Consciência Única (Deus), que se manifesta como consciência individualizada. Ao mesmo tempo em que a Consciência é única, ela se manifesta como infinitas consciências individuais. O conjunto de "consciências individuais" formam a Consciência Única, pois se originam dela. Nesse âmbito espiritual, a Consciência Infinita (totalidade de Deus) está aparecendo como cada consciência individual existente. Isso faz com que a consciência individual seja exatamente o mesmo Infinito que Deus é. O Filho (Cristo) é exatamente o mesmo que o Pai (Deus). Portanto, somos o Cristo, o ser espiritual individualizado que tem sua origem em Deus. Essa é a nossa identidade verdadeira. Você pode saber mais sobre o princípio da individualidade clicando aqui.

Logo na abertura deste capítulo, Goldsmith inicia com a passagem bíblica que afirma: "Não se glorie o sábio no seu saber, nem se glorie o forte na sua força, nem se glorie o rico nas suas riquezas; porém, aquele que se gloria, glorie-se em Me conhecer e em saber que Eu sou o Senhor que exerço a misericórdia, a equidade e a justiça sobre a terra". Essa passagem bíblica chama a atenção para que tiremos nossa atenção do "mundo dos efeitos" a fim de podermos conscientizar Aquilo/Aquele que é a causa única e verdadeira de tudo o que existe. O homem que deposita sua fé em sua inteligência/capacidade/recursos próprios, apoia-se na natureza efêmera, frágil e incerta do mundo dos efeitos. Permitir que as coisas existentes no universo dos efeitos se tornem lei para nossa vida não é sabedoria. A Sabedoria verdadeira consiste em deixar que a Consciência Espiritual se torne lei para todos os acontecimentos de nossa vida.

Vamos começar a compreender que pessoas, coisas, lugares ou circunstâncias não são causas daquilo que nos acontece. Aparentemente falando, a coisa pode parecer chegar a nós por meio de uma pessoa ou circunstância, mas a "pessoa" ou "circunstância" em si são o puro nada. A Consciência ou Espírito Divino é a única causa/presença/força/substância atuando "por detrás" e "através" de cada pessoa, coisa, lugar ou circunstância que estão sendo utilizados. A compreensão disso permite-nos retirar a atenção/confiança do reino dos efeitos, e assim deixamos de conferir aos efeitos o poder para governar/dirigir o que acontece em nossas vidas. Não devemos colocar nossa dependência em efeitos (pessoas, dinheiro, etc.) mas sempre no Espírito de Deus que os conduz até nós.

Se algum elemento externo parece ter poder para agir sobre nós, é porque aceitamos a crença de que existe fora de nós um poder capaz de nos influenciar. Mas Goldsmith afirma que nenhum poder age sobre nós. Isso deve ser conscientizado, deve ser contemplado. O estudante necessita sentar e meditar, voltando sua atenção para Deus, e contemplando: "nada lá fora pode exercer poder sobre mim, exceto a própria Consciência que Eu sou. A Consciência (Deus) é a única causa do meu corpo, da minha mente, lar, relacionamentos, vida profissional, e essa Consciência é Bem, Amor, Sabedoria, Verdade, Harmonia, Abundância.  Eu vivo dentro do Reino de Deus. Portanto, tudo em minha vida segue dentro da ordem divina, estabelecida por Deus. Tudo já está suprido/providenciado".

A propósito, a palavra "contemplar" significa "perceber aquilo que já existe, que já está acontecendo". Contemplação não diz respeito ao indivíduo querer criar (com o poder de sua mente ou de sua consciência) uma realidade que ainda não está lá. A meditação contemplativa consiste em o estudante perceber diante de si uma realidade que já existe, que já está acontecendo. É imbuído deste espírito que o praticante deve realizar a contemplação descrita acima. Esse é um ponto muito crucial e importante, por isso vale repetir: não realize as contemplações objetivando manifestar em sua realidade coisas que ainda não existem. "Contemplar" significa apenas "ver" o que já está lá. Alguma vez você já deve ter observado pássaros voando no céu. Se você pôde contemplá-los é porque eles já estavam lá. A você coube apenas o papel de desfrutar da visão de pássaros voando. Ao meditar, você deverá contemplar o Reino de Deus da mesma forma como contemplaria o cenário de pássaros cruzando o céu. Sem forçar, sem querer criar nada – apenas constatar aquilo que já é. O mínimo desvio desse princípio faz com que a sua prática se torne um mero exercício mental, e não espiritual. Se a mente contestar e relutar, com dúvidas e pensamentos de que "isso não existe, impossível!", conscientize que essa é apenas a opinião ou julgamento da mente, e saiba que a mente humana jamais será capaz de perceber o mesmo que Consciência Espiritual percebe. A partir disso, deixe que a mente limitada continue percebendo aquilo de que ela é capaz (isso é problema dela!), enquanto você se ocupa em reconhecer a presença do Reino de Deus.

A princípio isso pode parecer um exercício de mentalização, mas conforme a pessoa for se aprofundando na prática (de retirar o poder do efeito e fazer de Deus o único poder capaz de dirigir a experiência de sua vida), um sentimento muito profundo começa a surgir, e é quando o indivíduo começa a ter contato com a parte puramente espiritual (e não mental) deste ensinamento. Alcançar esse "sentimento profundo" será o bastante. Goldsmith diz: "Quanto maior for a sua compreensão da Consciência como sendo Deus, maior será sua transparência para manifestar o reino de Deus em suas atividades. Deus é onipresente, mas este fato somente se tornará efetivo quando puder sentir conscientemente aquilo como sendo verdade.".

O objetivo do capítulo 3 é expôr o princípio de que Deus é a única causa, e que não há nenhum poder no efeito. Se as formas ou efeitos aparentam atuar sobre nós como se fossem "causas", é porque acreditamos na existência de um poder externo, separado da nossa Consciência. Todavia, o poder existe no Espírito que produz o efeito e não no efeito em si. Nossa Consciência Espiritual é a única causa (e portanto o único poder) capaz de reger todo e qualquer acontecimento em nosso universo. Esse é o princípio que realiza os milagres.

Apenas saber essas verdades não é o suficiente. Goldsmith diz que: "Deus é onipresente, mas Deus deve ser reconhecido, pois é o consciente reconhecimento do Espírito de Deus que faz com que Ele Se torne manifesto na forma necessária para o momento. Até que haja uma consciência e reconhecimento do Espírito de Deus como a substância, poder e lei de todo efeito, será como se o Espírito de Deus não existisse. Há uma só maneira de experienciarmos a presença e poder de Deus, e esta é através do reconhecimento e conscientização de que o Espírito é a realidade de tudo aquilo que aparece, porém sempre com a compreensão de que a aparência em si não é realidade." Por isso, finalizo este texto, chamando mais uma vez a atenção para a importância de realizar as práticas meditativas ou contemplativas. Elas é que farão com que os resultados prometidos sejam colhidos em nossa vida, tanto espiritual como material.

Namastê!


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sexta-feira, junho 27, 2014

A Consciência Individual como Lei

DEUS, A SUBSTÂNCIA DE TODA A FORMA
(Joel S. Goldsmith)

- Capítulo 3 -

A CONSCIÊNCIA INDIVIDUAL COMO LEI

Isto diz o Senhor: Não se glorie o sábio no seu saber, nem se glorie o forte na sua força, nem se glorie o rico nas suas riquezas; porém aquele que se gloria, glorie-se em me conhecer e em saber que eu sou o Senhor que exerço a misericórdia, a equidade e a justiça sobre a terra. (Jeremias 9: 23-24)

Esta citação de Jeremias pode ser transportada à nossa vida prática. Não devemos nos gloriar no mundo dos efeitos, caso o efeito apareça para nós como pessoa, lugar, circunstância, condição ou coisa, pois a substância ou realidade não se encontra em nenhum efeito. O poder e a glória, a substância e a realidade, a causa e a lei residem no Espírito que produz tudo aquilo que nos aparece como forma, circunstância ou condição. Nós temos o direito de usufruir das coisas do mundo, sem permitir que nossa fé e confiança fiquem centralizadas no mundo ou nas coisas do mundo. Nossa fé e confiança devem permanecer no Espírito, que produz, forma e anima tudo aquilo que existe.


NENHUM PODER AGE SOBRE NÓS

O Caminho Infinito ensina que o homem é consciência, e que esta consciência é a causa do corpo, do lar e dos negócios. Muitos pensam que o corpo, o lar ou os negócios, estando em desarmonia, indicariam uma situação vinda de fora, que agiria sobre eles. Enquanto for aceita a crença de que fora de nós existe algum poder, irá também existir o desejo de entrarmos em contato com um poder do bem que possa atuar em nosso benefício. Se for aceita a crença de que existe uma lei de tempo agindo sobre o nosso corpo e mente, aquilo irá fazer parte de nossa experiência segundo o nosso grau de aceitação. Não há nenhum poder separado de nossa consciência capaz de operar em nossa experiência, mas se aceitarmos que tal poder existe e procurarmos entrar em contato com ele, jamais conseguiremos fazê-lo.

O mundo tem orado a Deus por coisas. Isto é tão insensato quanto a atitude de orarmos ao princípio da eletricidade para que ilumine nossa casa. Regozije-se, não com as “coisas”, mas regozije-se por compreender e conhecer a Mim, a realidade do ser, seu ser e meu ser, e por entender que aquele Ser é Deus. E então será visto quão inútil é a oração que trata com a forma de seu corpo, com seu lar ou seus negócios. Isto, porém, será trazido à sua experiência na proporção de seu reconhecimento e conscientização de que sua própria consciência é a lei e que, externamente a você, inexiste qualquer realidade. Conscientize:

Eu sou a vida eterna. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida... Eu e o Pai somos um.” (João 14:6; 10:30) Tudo que é do Pai é meu, pois sou herdeiro de Deus e co-herdeiro com o Cristo. Eu e o Pai somos um, e esta unidade constitui a imortalidade, harmonia, graça, alegria e abundância de meu corpo e de minha Alma.
“Antes que Abraão existisse eu sou... e eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.” (João 8:58; Mateus 28:20). A divina Consciência do meu ser formou-me antes de eu ter nascido. Ela conheceu-me antes que eu fosse concebido. O reino de Deus, da Consciência – aquela Consciência que constitui a minha consciência individual – está agora em meu corpo e em minhas atividades.

Quanto maior for a sua compreensão da Consciência como sendo Deus, maior será sua transparência para manifestar o reino de Deus em suas atividades. Deus é onipresente, mas este fato somente se tornará efetivo quando puder sentir conscientemente aquilo como sendo verdade. As simples afirmações serão inúteis, pois com elas estará sendo considerado um Deus separado e apartado de você próprio. Estará sendo visto um Deus “lá fora”, ao invés de haver uma compreensão de que a vida, a verdade e o amor são a lei do próprio ser. Jesus referiu-se a seu Pai e a meu Pai da seguinte maneira:

Temos um Pai, que é Deus. (João 8: 41)
Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai . (João 14: 9)
O reino de Deus está entre vós. (Lucas 14: 21)
(...) e fará maiores obras do que estas. (João 14: 12)

Como poderia alguém realizar “maiores obras” sem que a mesma Presença e o mesmo Poder estivessem manifestados como o seu próprio ser?


NÃO HÁ PODER SEPARADO DA CONSCIÊNCIA

A cura espiritual se realiza através do silêncio divino, e não por meio de nossos pensamentos. Quando você se defrontar com algum pecado, doença, falta ou limitação, observe se de imediato você começa a lutar com aquilo mentalmente. Em caso positivo, o fato de você ficar negando-o, será a prova de que de alguma maneira você estará acreditando em sua realidade. Desse modo, você se tornará uma vítima em conformidade com o seu grau de aceitação.

Se a natureza da ilusão for conhecida, você não mais necessitará levantar seguidos protestos contra ela. É muito simples alguém sair dizendo: “Não sou doente”. Se um homem é rico, não ficará afirmando: “Eu não sou pobre”. Quando uma pessoa sai a declarar que não está doente, podemos saber que ela não está se sentindo muito bem, e julga que sua saúde integral será obtida com o emprego de tal declaração. O mesmo ocorre quando você diz para alguém não estar passando bem, e recebe como resposta o seguinte cliché: “Isto não é verdade”. Caso houvesse, de fato, uma consciência interna de que aquilo não fosse verdadeiro, nem seria preciso chegar a afirma-lo. A ilusão, sendo meramente um crença universal, é irreal. Ela é dissolvida pelo poder do silêncio.

Tanto as negações como as afirmações, por certo tempo, têm sua função, até que nos tornemos receptivos à verdade do ser. Entretanto, ambas deverão ser abandonadas frente ao reconhecimento de que Deus e ilusão não podem coexistir, e frente ao reconhecimento de que as aparências não podem mais nos enganar. Se estamos a demonstrar o Princípio como substância, lei e causa, não devemos aceitar a crença de que possa haver uma condição apartada de Deus, ou uma atividade além de Deus, a governar o universo. A posição correta seria a conscientização de que tais condições constituem impossibilidades, mediante um “Obrigado, Pai”, que traduz o reconhecimento da irrealidade de qualquer espécie de problema. O estado de consciência que não odeia e nem teme alguma aparência constitui a consciência curadora. Além disso, somente esta consciência será capaz de dizer: “Qual é o seu impedimento? Levante-se, e ande. Não existe poder algum apartado da consciência do seu próprio ser.”

No tanque de Betesda, os doentes e os aleijados permaneciam à espera da ação de um poder que fosse separado e apartado deles mesmos, e que pudesse vir e agir sobre eles, mas se tivessem percebido que todo poder está dentro do próprio ser, teriam se dirigido ao poder da própria consciência, e com tal conscientização não necessitariam mais do tanque. Enquanto estivermos acreditando na existência de um poder capaz de atuar sobre nós e separado do poder da nossa própria consciência, nós, também, estaremos no tanque de Betesda, “esperando o movimento das águas”, tendo de esperar por trinta e oito anos, como fizeram alguns, antes que alguém de consciência iluminada apareça para nos tirar dele.

Não é preciso aguardar por uma liberação integral. O necessário e importante é que nos ergamos o quanto for possível para o momento, mesmo que aquilo nos pareça muito pouco ainda. Devemos nos empenhar continuamente para conseguir o domínio disto e assim, gradativamente, a casca da crença será rompida – a crença na existência do poder do mal capaz de agir sobre nós. A única ação que há é a mente-ação. Se, neste instante, pudermos movimentar apenas um dedo, vamos então movimentá-lo, conscientizando que o poder e o domínio sempre estão no Espírito de Deus, na Consciência, e nunca no efeito. Mantendo essa atitude de aceitar somente este Poder único, e nunca separado de nossa própria consciência, aos poucos chegaremos à compreensão: “Eu sou a Vida, eu sou a verdade, eu sou o poder, em si.”

A idolatria vem a ser a crença de que existe um poder no efeito; é a fé naquilo que possui forma, e até de que o que está aparecendo como coisa externa possui, em si, algum poder. O mais importante que devemos conhecer é que somos a causa e não o efeito, e que a totalidade de Deus aparece como o nosso ser. Num sentido material não podemos ter quarenta bilhões  de “tudos”, mas num sentido espiritual a Totalidade pode até ser multiplicada pelo infinito. Por exemplo, um indivíduo poderá ser totalmente honesto e nem por isso irá privar o seu próximo da honestidade. Alguém poderá ser cem por cento leal e sincero e mesmo assim não privará aos demais de apresentar estas qualidades. A totalidade de Deus está se manifestando individualmente como você e eu – toda a saúde, toda a riqueza, toda a paz, todo o domínio. O que é verdadeiro com relação a mim e a você deve ser verdadeiro para todo o restante do mundo. A Verdade, para ser legítima, deve ser universal. Portanto, como a vida é Deus, e Deus é a minha e a sua vida, deve ser também a vida de todos. No entanto, as alegrias e frutos dessa grande verdade são trazidos à nossa experiência individual somente na proporção da conscientização pessoal dela, quando é desenvolvido um conhecimento interior de Deus como Vida onipresente.


NÃO HÁ PODER NO EFEITO

Como consciência individual infinita, cada um de nós é um mundo em relação a si mesmo e cada um precisa se encontrar como sendo a lei da vida sobre a própria existência – o reino do seu próprio ser. Nada existe separadamente da consciência. O poder encontra-se na consciência que produz o efeito e não no efeito em si. Somente enquanto acreditarmos estar o poder no efeito é que continuaremos desejando demonstrar coisas.

Em 1948 veio um chamado para que eu fosse ao Havaí. O pedido de ajuda era o aparente motivo para que eu fizesse a viagem, mas, pela maneira como ela se desenvolveu, a ajuda serviu de isca, pois ocupou apenas uma pequena parcela da minha ida. Entre outras coisas, surgiu a oportunidade para que eu encontrasse um dos dirigentes do Havaí, que falou-me das dificuldades que seu povo vinha encontrando durante a depressão e da forma com que eles se reuniam na tentativa de redescobrir o princípio envolvido das demonstrações realizadas pelas tribos primitivas.

Certo dia, ao fazer ponderações sobre esta questão, veio-lhe a ideia de que se ele tivesse na água se afogando e conseguisse aproximar-se de uma jangada e se segurasse firmemente a ela, ele seria salvo. Assim ele pensou: “Imagine se em vez da jangada eu segurasse somente um punhado de folhas?” Com aquela ideia veio a conscientização de que o mesmo Espírito presente na jangada também estava presente nas folhas, e que aquele Espírito que o sustentaria não se encontrava nem na jangada e nem nas folhas em si, mas encontrava-se no Espírito em Si.

Se você compreender este ponto, irá notar que o poder, a substância e a vida nunca estão no efeito, mas sempre estão no Espírito em Si, a lei que produz o efeito. Uma vez notado que o suprimento não está em nenhum efeito, mas sim no Espírito, teremos o segredo de Jesus, da multiplicação de pães e peixes. E então será visto que o mesmo Espírito sustentador Se faz presente tanto em um dólar quanto em um milhão. Quando estava na cadeia, João Batista ficou a pensar se o Mestre realmente era o Cristo, e enviou-lhe a pergunta: “És tu aquele que havia de vir?” (Mateus 11: 3), ao que Jesus respondeu:

Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: os cegos veem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho. E bem-aventurado é aquele que se não escandalizar em mim. (Mateus 11: 4-6)

Se o princípio que realiza os milagres não for percebido, a verdade real estará perdida, e se você não perceber o princípio que realiza suas curas, nada irá receber além de um alívio temporário. É preciso que você compreenda que não é a “jangada” que o sustém, mas sim o Espírito de Deus aparecendo como jangada.


O ESPÍRITO ESTÁ NO ÂMAGO DE TODO EFEITO

Eddie Rickenbacker provou este princípio quando foi capaz de sentar-se quietamente, sem mesmo dizer o que sabia aos seus amigos no barco, e teve seu alimento voando em sua direção, peixe pulando para o barco e a chuva caindo de um céu sem nuvens. Ele demonstrou não ser o alimento ou a água, mas o Espírito de Deus – Onipresença, Onipotência, Onisciência – é que aparece a ele como pássaro, peixe e água, o Espírito de Deus aparecendo como a coisa necessária no momento. Nunca volte a olhar para o mundo ou para “coisas” achando estar necessitando de algo. É o onipresente Espírito de Deus que supre a necessidade, e se for preciso que apareça como dinheiro, aparecerá; se for na forma de alimento, saúde, lar ou companhia, aparecerá. A forma não faz nenhuma diferença, desde que exista a consciência de que a substância da forma é Espírito. A substância de toda forma é Espírito, e o Espírito é onipresente como cada um de nós, apenas aguardando o nosso reconhecimento. Deus é onipresente, mas Deus deve ser reconhecido, pois é o consciente reconhecimento do Espírito de Deus que faz com que Ele Se torne manifesto na forma necessária para o momento.

Uma vez de posse da conscientização de que Deus, Espírito, é a consciência do ser individual e que nada existe separado dessa consciência, notaremos que somos sustidos pelo Espírito de Deus presente nas “folhas” ou na “jangada”, que o Espírito de Deus na moeda é que pagaria a nossa passagem para algum lugar do mundo, que o Espírito de Deus nos pães e peixes é que alimentaria as cinco mil pessoas. Devemos começar a perceber que o suprimento não está no dinheiro, mas no Espírito de Deus que o produz. Isto nunca deve ser esquecido. Não devemos colocar nossa dependência em dinheiro ou ações, mas sempre no Espírito de Deus que os conduz até nós. Se perdêssemos tudo que possuimos num único sopro, aquele mesmo Espírito poderia produzi-lo novamente para nós. Enquanto não nos tornarmos unos com o Espírito de Deus aparecendo como efeito a ponto de nunca mais sermos tentados a acreditar que o poder está no efeito, não encontraremos o Espírito de Deus operando em nossa experiência e permaneceremos sob as flutuações do plano humano, tendo muito hoje e nada amanhã.

Até que haja uma consciência e reconhecimento do Espírito de Deus como a substância, poder e lei de todo efeito, será como se o Espírito de Deus não existisse. Há uma só maneira de experienciarmos a presença e poder de Deus, e esta é através do reconhecimento e conscientização de que o Espírito é a realidade de tudo aquilo que aparece, porém sempre com a compreensão de que a aparência em si não é realidade. O interesse pelo efeito persiste somente enquanto houver a crença de que o poder, a lei e a realidade estejam no efeito. No momento em que existir uma conscientização de que a Consciência, o Espírito de Deus, aparece como efeito, o interesse pelo efeito desaparecerá.

Deixemos que nosso lema seja: Reconhecer o Espírito como o âmago de todo efeito. Não dependamos de pessoas ou coisas, mas coloquemos toda a dependência no Espírito. Observe o Espírito, a Consciência, aparecendo como efeito – a sua consciência aparecendo como forma.

Cont...


quarta-feira, junho 25, 2014

Comentando o capítulo 2

- Gustavo -


O capítulo 2 é intitulado "Construindo a nova consciência". Nele, Goldsmith explica que a maneira de construir ou desenvolver a "nova consciência" é através da prática da Meditação. Para o Caminho Infinito, a oração ou prece são sinônimos de meditação. Meditar é orar. E o que é a meditação? É o contato consciente com Deus. A prática da meditação eleva o estudante em percepção, fazendo com que ele deixe perceber só com a mente humana (mente dualística que nos dota dos 5 sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato, além do sexto sentido: capacidade de ver, ouvir, cheirar e ter contato com seres espirituais) e passe a perceber com a Consciência (Mente divina que discerne a unidade/unicidade de tudo o que existe).

Goldsmith diz que a oração ou prece "não é aquilo que dizemos a Deus, mas aquilo que Deus nos diz". Enquanto estivermos usando a mente dualística (dotada do senso de separação entre "eu" e "Deus", "eu" e o "outro", "eu" e "tudo mais") tenderemos a orar pedindo aquilo que julgamos "não ter". A mente humana dualística percebe a separação e julga que não somos um com Deus ou com aquilo que pensamos necessitar. Por isso, é inevitável que a oração originária da mente humana seja no sentido de pedir a Deus para que conceda algo que não está aqui. Em suma, quando o indivíduo percebe unicamente com a mente humana, ele tem de se dirigir a um Deus que está longe, para informá-Lo de suas necessidades, e lembrá-Lo de cumprir o dever de ser Deus.

Todavia, quando o indivíduo usa a Consciência (ou Mente divina), ele percebe que "Deus e eu somos um", "eu e o outro somos um", "eu já sou um com aquilo que necessito". A Mente divina percebe a Presença de Deus, percebe a unicidade entre todas coisas e, por isso, percebe a provisão. Tudo já está provido! Usando a "Mente divina", o homem não se dirige a Deus, mas deixa que Deus mesmo Se revele e Se expresse. Não é necessário se dirigir ou dizer algo a Deus, pois a Consciência sente a Presença de Deus aqui e agora mesmo. E Deus, sendo onisciente, sabe de todas as nossas necessidades. Por isso, a única preocupação do Caminho Infinito é fazer com que o ser humano se eleve em percepção, abandonando a mente dualística/separativista para, com a Mente Divina, alcançar o espaço onde o homem se percebe sendo um com Deus. Uma vez que isso seja feito, passamos também a receber e vivenciar os benefícios da Presença Divina. E tudo isso é realizado através da Meditação.

Goldsmith ensina que a Meditação requer silêncio e receptividade. Silêncio para ouvir aquilo que a mente humana não consegue ouvir (logo, este silêncio não diz respeito aos sons ou ruídos do ambiente, e sim ao silêncio dos pensamentos e atividades da mente). E receptividade para permitir que o Ser se revele e Se expresse em nosso corpo, nossa mente e em todas as nossas atividades. Esses dois requisitos (silêncio e receptividade) devem ser trabalhados e obtidos em nossas práticas espirituais. Mas Goldsmith advete que, ao se sentar para meditar, a mente não fará silêncio, e que de nada nos adianta tentar aquietar a mente huamana, paralisar os pensamentos ou deixá-los em branco. Não devemos tentar lutar ou interferir, nem desejar que passem ou permaneçam, mas apenas observá-los, impessoalmente. A observação desidentificada dos pensamentos/mente retira da mente a força que ela usa para produzir pensamentos, e logo ela começa a silenciar.

Nessa primeira etapa, Goldsmith não aconselha a prática da mente vazia. Ao invés disso, é muito mais proveitoso dar início à meditação com alguma pergunta ou ideia específica sobre a qual você deseje alguma luz. Isso revela-se mais útil, pois diminui a possibilidade de o praticante pegar no sono durante a meditação. A fixação da mente em uma questão específica ajuda a diminuir os pensamentos dispersos/aleatórios e obter o aquietamento mental, além de possibilitar receber revelações e respostas. A mente deve estar fixada em Deus, nas coisas de Deus (consciência do puro Bem), e receptiva para que a Sabedoria divina se revele em sua própria consciência (essa mesma consciência/mente que você está usando para meditar). A consciência/mente do homem não é nem divina e nem humana. O homem é um ser misterioso/híbrido capaz de perambular entre dois universos (unidade e separatividade), duas percepções. Quando você meditar, deve manter receptividade para que a Sabedoria de Deus se revele na mesma consciência/mente com a qual você deu início à meditação. Uma vez ocorrida a revelação, sua mente não será mais a humana, e sim a divina. E, na Mente Divina, você se perceberá um com Deus.

Toda meditação traz benéfícios ao praticante. Benefícios que atuam em todos os campos e níveis: físico, mental, emocional, espiritual, até o ponto de conduzir a percepção da pessoa às alturas da Consciência. Em geral, as pessoas que meditam necessitam de menos horas de sono, vivem em estado simultâneo de alerta e repouso, são mais atentas, desfrutam de maior equilíbrio emocional, serenidade e paz interior. Além disso, a prática da meditação pode levar o indivíduo a desenvolver/ampliar a inteligência, a intuição e outras faculdades mentais ou psíquicas, chamadas de "siddhis" (poderes espirituais). Esses são os efeitos ou benefícios "superficiais" ou "secundários" da prática meditativa - não são o objetivo principal da meditação. O verdadeiro objetivo da Meditação é propiciar ao praticante a percepção da consciência de unidade com Deus e com a Vida.

Uma vez conscientizada a nossa unicidade com Deus, deixamos de "viver por nós mesmos", e Deus passa a viver "em" e "através" de nós. O homem mergulhado no senso de separação de Deus tem a sensação de existir independentemente, de viver por si mesmo, e realizar tudo por si mesmo. O homem que existe separado de Deus depende de sua própria força, capacidade, inteligência, recursos. O senso de separação de Deus impossibilita que a presença e poder de Deus atue na experiência humana. O meio para "trazer Deus para perto" do ser humano consiste em o homem adquirir a percepção da presença de Deus. Jesus Cristo dizia de si mesmo: "Eu e o Pai somos um", "eu de mim mesmo não faço coisa alguma, é o Pai em mim quem realiza as obras". Por isso, quando o homem entra em contato com o Cristo de seu ser, o Espírito de Deus vivem em nós e passa a realizar todas as obras. Esse Espírito de Deus passa a ser a lei sobre a qual toda a nossa vida se desenrola. As coisas deixam de ocorrer unicamente em função de leis materiais, cármicas (dualidade), passam a se submeter a uma lei mais elevada: a lei do Espírito, da Graça (Unidade).

Goldsmith diz: "É através da meditação que desenvolveremos a conscientização da presença e poder de Deus e passamos a sentir aquela Presença conosco, dia e noite, a nos guiar e proteger." Mais uma vez constatamos a necessidade de praticar a Verdade revelada nesta mensagem, ao invés de ficar apenas na leitura dela. Se quisermos acessar a presença e o poder divinos que estão aqui e agora, devemos pagar o preço de nos dedicar às contemplações e meditações da Verdade. Assim estaremos desenvolvendo ou "construindo a nova consciência".

Namastê!

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segunda-feira, junho 23, 2014

Construindo a nova consciência

DEUS, A SUBSTÂNCIA DE TODA A FORMA
(Joel S. Goldsmith)

Capítulo 2

CONSTRUINDO A NOVA CONSCIÊNCIA

Muitos dos aspirantes ao caminho espiritual passam a experimentar um desenvolvimento interior ou a receber revelações quando começam a compreender o que vem a ser a meditação. Meditação é o método disponível para a construção de uma nova consciência, uma consciência da verdade. Meditação é a nossa forma de prece. Antes, contudo, precisamos entender que a prece não é algo que dizemos a Deus, mas aquilo que Deus nos diz. Os ruídos do mundo têm-nos impedido de ouvir aquela pequena voz suave e receber os benefícios da Presença, assim precisamos aprender a nos tornar silenciosos e receptivos.


APRENDENDO A MEDITAR

O objetivo da meditação é obter a conscientização da presença de Deus – uma conscientização de nossa unidade com Deus que nos dê uma visão real da verdade do ser. Embora a meditação bem sucedida requeira silêncio e receptividade, nunca devemos tentar aquietar a mente humana, paralisar os pensamentos ou deixa-los em branco. Isto não pode ser feito. Se no início da meditação surgirem pensamentos desordenados, devemos deixar que eles venham; não nos perturbaremos por eles. Tais pensamentos são do mundo e não nossos pensamentos. Tomemos a atitude de ficar sentados observando-os. É preciso que os vejamos impessoalmente. Logo eles não poderão mais perturbar-nos e poderemos nos sentar e ficar em paz.

Há muitas escolas ensinando métodos adequados de meditação, contando com algum processo delineado para os principiantes. Se for lembrado que durante a meditação toda a nossa atenção estará focalizada em Deus e nas coisas de Deus, é fácil perceber que se o corpo estiver numa posição confortável, aquela atenção não se desviará inconscientemente para ele. Não nos esqueçamos, porém, de que a postura assumida ou o método empregado não é o importante. Qualquer processo adotado visa somente facilitar-nos reter a atenção em Deus e tornar receptivos ao infinito poder de nossa própria consciência. Sejamos pacientes na meditação, procurando superar qualquer senso de inquietação.

Nenhuma verdade que já não conheçamos nos será dada do exterior, mas a luz que incide sobre aquela verdade no interior de nossa Alma torna-a aplicável em nossa experiência. A verdade que parece vir do exterior é um raio da verdade, mas este raio imbuído da própria consciência torna a nós mesmos e a todos os que vêm à sua faixa de ação a “luz do mundo”. “E eu, quando for levantado às alturas, atrairei todos a mim.” (João 12: 38). A meditação, sendo uma consciência da presença de Deus, poderá erguê-lo ao lugar de apreensão da palavra da Verdade em seu sentido interior. Não se torne impaciente quanto ao seu progresso. Você está a aprender um novo modo de viver e está a desenvolver uma consciência inteiramente nova da existência.


UMA CONSCIENTE EXPERIÊNCIA

A meditação é uma experiência consciente. Aqueles que têm dificuldades em meditar e chegam às vezes a dormir não estão fazendo dela uma experiência consciente. Não tente paralisar o processo de pensar durante a meditação. Nada há de errado com o pensamento. Na verdade, até pode ser útil dar início à meditação com alguma pergunta ou ideia específica sobre a qual você deseja alguma luz, e assim, não haverá possibilidade de dormir. Pode ser que sua meditação tenha por objetivo receber orientação para aquele dia. Nesse caso, aquela questão seria levada à meditação e por ser pronunciada ou pensada, iria deixa-lo consciente do fato de estar meditando para receber orientação. Você não irá conseguir dormir mantendo a mente aberta e a espera de instrução.

Do mesmo modo, se antes da meditação sua mente voltar-se para os seus negócios, ou os negócios de seu marido, você não dormirá. Você estará meditando com a ideia de receber uma revelação de Deus, uma revelação da Sabedoria interior alojada em seu ser. Aquela Sabedoria poderá dar a você ou ao seu marido, pai ou filho, um envolvente sentido de proteção.

Você não poderá sentir sonolência enquanto medita, se compreender que a meditação é uma atividade consciente de sua mente e Alma. Não pode ser um sentar de forma indolente que diz: “Muito bem, Deus, siga em frente”. E é o que fazem muitos dos metafísicos que se dizem tentados a dormir. Se o estudante dorme enquanto medita, isto se deve ao fato de ele não perceber que deve estar alerta para algo específico, para receber alguma orientação interna, alerta para ouvir a voz de Deus. Devemos nos dirigir ao Ego interior com a atenção focalizada em algo específico, em alguma ideia específica sobre a qual Deus tenha algo a nos revelar: “Aqui estou, Pai, alerta e desperto para Tua orientação.”


O SONO COMO UM REPOUSO NA CONSCIÊNCIA

Tenho observado, neste trabalho, que quanto mais próximos estivermos do sentido espiritual da existência, menor será o tempo de sono requerido. De minha própria experiência e da experiência de outros que estão há algum tempo nesse caminho, foi notado ser quase impossível dormir continuamente durante oito horas. É possível que, dentre as vinte e quatro horas, nós consigamos dormir as oito horas, se houver a oportunidade, mas raramente iremos dormi-las consecutivamente. Após duas ou três horas nós despertamos, e, dependendo de como este período em que estamos despertos é tratado, podemos obter algum desenvolvimento, ou algum sentido de paz ou de harmonia. Porém, se esses períodos forem combatidos e forem feitos esforços para voltar a dormir, eles não trarão benefício algum. Somente quando aquele acordar for aceito como atividade da Sabedoria divina e houver boa vontade e paciência suficiente para permitir àquela Sabedoria revelar-Se, é que será visto ser aquele período o mais benéfico dentre as vinte e quatro horas.

Outro aspecto interessante é que quando o despertar no meio da noite é proveniente da atividade espiritual da consciência, mesmo que diminuam as horas de sono a que estamos acostumados a ter, no dia seguinte não sentiremos qualquer sinal de fadiga. Vim observando isso por muitos anos, em minha experiência e na de homens de negócios, donas de casa e pessoas de diversos ramos de atividade, e sei que quando a consciência espiritual provoca os períodos despertos durante a noite e eles são aceitos alegremente como oportunidades para a manifestação de paz e harmonia, o dia seguinte é preenchido pela consciência do Espírito divino que supera qualquer sensação de fadiga.

Os que se encontram neste caminho necessitam de muito poucas horas de sono para exercerem suas atividades. A razão disso é que tais pessoas conseguem obter os benefícios do sono mesmo quando estão despertos. O sono não passa de uma forma suave de morte ou inconsciência; é uma perda de consciência, e esta é uma porta próxima da morte, ou ao menos um degrau a menos rumo a ela.

Do ponto de vista do Espírito, contudo, o sono não é um estado de inconsciência, mas é um repouso na consciência. O pensamento é preenchido com o Espírito, com a compreensão espiritual, com um sentido real do Espírito do Cristo, que traz como consequência uma pessoa bem desperta, cheia de vitalidade, quase elétrica. Na realidade, o que estamos a fazer neste trabalho é entrar em contato com o Espírito do Cristo; o Espírito que é Deus e que torna a pessoa vivaz e dinâmica. O sono nada tem a ver com a vivacidade, mas o repouso – o repousar na consciência – tem muito a ver com ela. E é como podemos receber o influxo total do repouso mesmo quando estamos acordados.


O NASCIMENTO DO CRISTO NA CONSCIÊNCIA INDIVIDUAL

Através da meditação nós abrimos a nossa consciência ao fluxo da Verdade e nos tornamos uma transparência para o surgimento do bem infinito no mundo. Perdemos aquele senso de que nós, como pessoas, podemos realizar algo e passamos à compreensão de que o Cristo, o Espírito de Deus, vive em nós e realiza todas as obras. Quem produz, causa, anima e permeia toda forma e creação é o Espírito. O Espírito é a lei sobre todo efeito.

Nós precisamos conscientizar a presença e poder de Deus agindo e aparecendo como nossa consciência individual, e saber que esta consciência é a lei, substância e realidade de nosso universo, seja na forma de nosso corpo, nosso negócio ou nosso lar. Nossa falha tem sido em não reconhecer esta verdade e nossa falta de reconhecimento vem da mente humana, que se rebela por tal verdade aniquilar o suposto poder que ela tem assumido.

Considerando que o Cristo é a revelação da unidade de Deus e Sua creação, vamos ponderar sobre o sentido espiritual do nascimento de Jesus registrado na Escritura. Jesus nasceu numa manjedoura, provavelmente o mais baixo nível daquela época. Esta manjedoura pode ser interpretada como símbolo da mente humana, o nível mais baixo em que pode o Cristo nascer. Quando o pensamento humano é desperto para ir em busca de luz o alcance torna-se maior e, provavelmente, é então que o Cristo cresce nesse “estábulo” da mente humana.

O bebê, Jesus, foi envolto em panos, e assim também é feito conosco quando o Cristo começa a nascer na mente humana. Ele é envolto nas mais suaves verdades; é vestido com os mais simples pensamentos que pudermos alimentar para o nosso crescimento e desenvolvimento, até passar o perigo de “Herodes” que ameaça destruí-lo – até que tenhamos crescido a uma compreensão tal que as perguntas e dúvidas do mundo não venham mais a nos oprimir. O pensamento humano irá sempre se esforçar para destruir o Cristo.

José e Maria conduziram seu pequeno filho ao Egito, onde o mantiveram escondido até passar a fase de perigo da destruição. Esta é uma grande lição de sabedoria para nós. Devemos esconder esta doce verdade, não a mostrando em palavras, mas somente em efeitos. Não devemos sair pronunciando-a, mas deixar que ela apareça da mesma forma com que apareceu a Jesus aos doze anos de idade, quando maravilhou os rabis do templo com sua sabedoria. Doze anos após o nascimento de Jesus é que Cristo tornou-Se manifesto.

Assim, também, após nove anos de sua iluminação é que Paulo saiu a pregar e ensinar. O Cristo recém-nascido não deve ser exposto nas avenidas e ruas, mas deve crescer e ser fortalecido em nossa consciência, e então veremos que não serão necessários os proselitismos. O mundo irá sempre opor resistência ao ensinamento da unidade, onipresença e onipotência, mas quando a presença do Cristo tiver sido sentida, nós poderemos falar d’Ele sem risco de perdê-Lo.

O melhor é manter essa verdade dentro de nosso próprio ser e deixar que ela se torne visível ao mundo através dos resultados, em vez de sair a pregá-la. É surpreendente como o mundo percebe o que está-se passando sem que tenhamos dito algo a respeito. O próprio Cristo, o próprio Espírito de Deus, manifesta-Se como a paz de nosso ser, como a prosperidade de nosso bolso e como a alegria de nossas faces. E é então que o mundo reconhece que nós possuimos algo e é quando o trabalho de cura se processa sem que façamos uso de pensamentos – “não pela força, nem pelo poder, mas por meu Espírito” (Zacarias 4: 6), que age através da mente serena por nós encontrada.

É através da meditação que desenvolvemos a conscientização da presença e poder de Deus e passamos a sentir aquela Presença conosco, dia e noite, a nos guiar e a nos proteger. O nosso trabalho visa a conscientização de que “Eu e o Pai somos um” (João 10: 30), e que onde eu estou, Deus está presente. Quando esta conscientização é atingida, nenhuma diferença fará para nós que tipo de quadro nos estará sendo apresentado:

Há uma Presença e um Poder instantaneamente acessíveis a mim. Onde eu estou, Deus está, portanto, o lugar onde eu estou é solo sagrado. “Para onde irei a fim de me subtrair ao teu Espírito? E para onde fugirei da tua Presença? Se subo ao céu, tu lá estás; se desço ao inferno, nele te encontras” (Salmos 139: 7-8) Mesmo que eu desça ao inferno, esta Presença estará lá. Podem vir problemas, pecado, doença, falta ou limitação. A natureza do quadro não me interessa, pois sempre me recordo: “Tu lá estás”, e consequentemente este é solo sagrado. Como poderia eu sair de Tua presença, se este EU é Deus?

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