"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quarta-feira, junho 25, 2014

Comentando o capítulo 2

- Gustavo -


O capítulo 2 é intitulado "Construindo a nova consciência". Nele, Goldsmith explica que a maneira de construir ou desenvolver a "nova consciência" é através da prática da Meditação. Para o Caminho Infinito, a oração ou prece são sinônimos de meditação. Meditar é orar. E o que é a meditação? É o contato consciente com Deus. A prática da meditação eleva o estudante em percepção, fazendo com que ele deixe perceber só com a mente humana (mente dualística que nos dota dos 5 sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato, além do sexto sentido: capacidade de ver, ouvir, cheirar e ter contato com seres espirituais) e passe a perceber com a Consciência (Mente divina que discerne a unidade/unicidade de tudo o que existe).

Goldsmith diz que a oração ou prece "não é aquilo que dizemos a Deus, mas aquilo que Deus nos diz". Enquanto estivermos usando a mente dualística (dotada do senso de separação entre "eu" e "Deus", "eu" e o "outro", "eu" e "tudo mais") tenderemos a orar pedindo aquilo que julgamos "não ter". A mente humana dualística percebe a separação e julga que não somos um com Deus ou com aquilo que pensamos necessitar. Por isso, é inevitável que a oração originária da mente humana seja no sentido de pedir a Deus para que conceda algo que não está aqui. Em suma, quando o indivíduo percebe unicamente com a mente humana, ele tem de se dirigir a um Deus que está longe, para informá-Lo de suas necessidades, e lembrá-Lo de cumprir o dever de ser Deus.

Todavia, quando o indivíduo usa a Consciência (ou Mente divina), ele percebe que "Deus e eu somos um", "eu e o outro somos um", "eu já sou um com aquilo que necessito". A Mente divina percebe a Presença de Deus, percebe a unicidade entre todas coisas e, por isso, percebe a provisão. Tudo já está provido! Usando a "Mente divina", o homem não se dirige a Deus, mas deixa que Deus mesmo Se revele e Se expresse. Não é necessário se dirigir ou dizer algo a Deus, pois a Consciência sente a Presença de Deus aqui e agora mesmo. E Deus, sendo onisciente, sabe de todas as nossas necessidades. Por isso, a única preocupação do Caminho Infinito é fazer com que o ser humano se eleve em percepção, abandonando a mente dualística/separativista para, com a Mente Divina, alcançar o espaço onde o homem se percebe sendo um com Deus. Uma vez que isso seja feito, passamos também a receber e vivenciar os benefícios da Presença Divina. E tudo isso é realizado através da Meditação.

Goldsmith ensina que a Meditação requer silêncio e receptividade. Silêncio para ouvir aquilo que a mente humana não consegue ouvir (logo, este silêncio não diz respeito aos sons ou ruídos do ambiente, e sim ao silêncio dos pensamentos e atividades da mente). E receptividade para permitir que o Ser se revele e Se expresse em nosso corpo, nossa mente e em todas as nossas atividades. Esses dois requisitos (silêncio e receptividade) devem ser trabalhados e obtidos em nossas práticas espirituais. Mas Goldsmith advete que, ao se sentar para meditar, a mente não fará silêncio, e que de nada nos adianta tentar aquietar a mente huamana, paralisar os pensamentos ou deixá-los em branco. Não devemos tentar lutar ou interferir, nem desejar que passem ou permaneçam, mas apenas observá-los, impessoalmente. A observação desidentificada dos pensamentos/mente retira da mente a força que ela usa para produzir pensamentos, e logo ela começa a silenciar.

Nessa primeira etapa, Goldsmith não aconselha a prática da mente vazia. Ao invés disso, é muito mais proveitoso dar início à meditação com alguma pergunta ou ideia específica sobre a qual você deseje alguma luz. Isso revela-se mais útil, pois diminui a possibilidade de o praticante pegar no sono durante a meditação. A fixação da mente em uma questão específica ajuda a diminuir os pensamentos dispersos/aleatórios e obter o aquietamento mental, além de possibilitar receber revelações e respostas. A mente deve estar fixada em Deus, nas coisas de Deus (consciência do puro Bem), e receptiva para que a Sabedoria divina se revele em sua própria consciência (essa mesma consciência/mente que você está usando para meditar). A consciência/mente do homem não é nem divina e nem humana. O homem é um ser misterioso/híbrido capaz de perambular entre dois universos (unidade e separatividade), duas percepções. Quando você meditar, deve manter receptividade para que a Sabedoria de Deus se revele na mesma consciência/mente com a qual você deu início à meditação. Uma vez ocorrida a revelação, sua mente não será mais a humana, e sim a divina. E, na Mente Divina, você se perceberá um com Deus.

Toda meditação traz benéfícios ao praticante. Benefícios que atuam em todos os campos e níveis: físico, mental, emocional, espiritual, até o ponto de conduzir a percepção da pessoa às alturas da Consciência. Em geral, as pessoas que meditam necessitam de menos horas de sono, vivem em estado simultâneo de alerta e repouso, são mais atentas, desfrutam de maior equilíbrio emocional, serenidade e paz interior. Além disso, a prática da meditação pode levar o indivíduo a desenvolver/ampliar a inteligência, a intuição e outras faculdades mentais ou psíquicas, chamadas de "siddhis" (poderes espirituais). Esses são os efeitos ou benefícios "superficiais" ou "secundários" da prática meditativa - não são o objetivo principal da meditação. O verdadeiro objetivo da Meditação é propiciar ao praticante a percepção da consciência de unidade com Deus e com a Vida.

Uma vez conscientizada a nossa unicidade com Deus, deixamos de "viver por nós mesmos", e Deus passa a viver "em" e "através" de nós. O homem mergulhado no senso de separação de Deus tem a sensação de existir independentemente, de viver por si mesmo, e realizar tudo por si mesmo. O homem que existe separado de Deus depende de sua própria força, capacidade, inteligência, recursos. O senso de separação de Deus impossibilita que a presença e poder de Deus atue na experiência humana. O meio para "trazer Deus para perto" do ser humano consiste em o homem adquirir a percepção da presença de Deus. Jesus Cristo dizia de si mesmo: "Eu e o Pai somos um", "eu de mim mesmo não faço coisa alguma, é o Pai em mim quem realiza as obras". Por isso, quando o homem entra em contato com o Cristo de seu ser, o Espírito de Deus vivem em nós e passa a realizar todas as obras. Esse Espírito de Deus passa a ser a lei sobre a qual toda a nossa vida se desenrola. As coisas deixam de ocorrer unicamente em função de leis materiais, cármicas (dualidade), passam a se submeter a uma lei mais elevada: a lei do Espírito, da Graça (Unidade).

Goldsmith diz: "É através da meditação que desenvolveremos a conscientização da presença e poder de Deus e passamos a sentir aquela Presença conosco, dia e noite, a nos guiar e proteger." Mais uma vez constatamos a necessidade de praticar a Verdade revelada nesta mensagem, ao invés de ficar apenas na leitura dela. Se quisermos acessar a presença e o poder divinos que estão aqui e agora, devemos pagar o preço de nos dedicar às contemplações e meditações da Verdade. Assim estaremos desenvolvendo ou "construindo a nova consciência".

Namastê!

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segunda-feira, junho 23, 2014

Construindo a nova consciência

DEUS, A SUBSTÂNCIA DE TODA A FORMA
(Joel S. Goldsmith)

Capítulo 2

CONSTRUINDO A NOVA CONSCIÊNCIA

Muitos dos aspirantes ao caminho espiritual passam a experimentar um desenvolvimento interior ou a receber revelações quando começam a compreender o que vem a ser a meditação. Meditação é o método disponível para a construção de uma nova consciência, uma consciência da verdade. Meditação é a nossa forma de prece. Antes, contudo, precisamos entender que a prece não é algo que dizemos a Deus, mas aquilo que Deus nos diz. Os ruídos do mundo têm-nos impedido de ouvir aquela pequena voz suave e receber os benefícios da Presença, assim precisamos aprender a nos tornar silenciosos e receptivos.


APRENDENDO A MEDITAR

O objetivo da meditação é obter a conscientização da presença de Deus – uma conscientização de nossa unidade com Deus que nos dê uma visão real da verdade do ser. Embora a meditação bem sucedida requeira silêncio e receptividade, nunca devemos tentar aquietar a mente humana, paralisar os pensamentos ou deixa-los em branco. Isto não pode ser feito. Se no início da meditação surgirem pensamentos desordenados, devemos deixar que eles venham; não nos perturbaremos por eles. Tais pensamentos são do mundo e não nossos pensamentos. Tomemos a atitude de ficar sentados observando-os. É preciso que os vejamos impessoalmente. Logo eles não poderão mais perturbar-nos e poderemos nos sentar e ficar em paz.

Há muitas escolas ensinando métodos adequados de meditação, contando com algum processo delineado para os principiantes. Se for lembrado que durante a meditação toda a nossa atenção estará focalizada em Deus e nas coisas de Deus, é fácil perceber que se o corpo estiver numa posição confortável, aquela atenção não se desviará inconscientemente para ele. Não nos esqueçamos, porém, de que a postura assumida ou o método empregado não é o importante. Qualquer processo adotado visa somente facilitar-nos reter a atenção em Deus e tornar receptivos ao infinito poder de nossa própria consciência. Sejamos pacientes na meditação, procurando superar qualquer senso de inquietação.

Nenhuma verdade que já não conheçamos nos será dada do exterior, mas a luz que incide sobre aquela verdade no interior de nossa Alma torna-a aplicável em nossa experiência. A verdade que parece vir do exterior é um raio da verdade, mas este raio imbuído da própria consciência torna a nós mesmos e a todos os que vêm à sua faixa de ação a “luz do mundo”. “E eu, quando for levantado às alturas, atrairei todos a mim.” (João 12: 38). A meditação, sendo uma consciência da presença de Deus, poderá erguê-lo ao lugar de apreensão da palavra da Verdade em seu sentido interior. Não se torne impaciente quanto ao seu progresso. Você está a aprender um novo modo de viver e está a desenvolver uma consciência inteiramente nova da existência.


UMA CONSCIENTE EXPERIÊNCIA

A meditação é uma experiência consciente. Aqueles que têm dificuldades em meditar e chegam às vezes a dormir não estão fazendo dela uma experiência consciente. Não tente paralisar o processo de pensar durante a meditação. Nada há de errado com o pensamento. Na verdade, até pode ser útil dar início à meditação com alguma pergunta ou ideia específica sobre a qual você deseja alguma luz, e assim, não haverá possibilidade de dormir. Pode ser que sua meditação tenha por objetivo receber orientação para aquele dia. Nesse caso, aquela questão seria levada à meditação e por ser pronunciada ou pensada, iria deixa-lo consciente do fato de estar meditando para receber orientação. Você não irá conseguir dormir mantendo a mente aberta e a espera de instrução.

Do mesmo modo, se antes da meditação sua mente voltar-se para os seus negócios, ou os negócios de seu marido, você não dormirá. Você estará meditando com a ideia de receber uma revelação de Deus, uma revelação da Sabedoria interior alojada em seu ser. Aquela Sabedoria poderá dar a você ou ao seu marido, pai ou filho, um envolvente sentido de proteção.

Você não poderá sentir sonolência enquanto medita, se compreender que a meditação é uma atividade consciente de sua mente e Alma. Não pode ser um sentar de forma indolente que diz: “Muito bem, Deus, siga em frente”. E é o que fazem muitos dos metafísicos que se dizem tentados a dormir. Se o estudante dorme enquanto medita, isto se deve ao fato de ele não perceber que deve estar alerta para algo específico, para receber alguma orientação interna, alerta para ouvir a voz de Deus. Devemos nos dirigir ao Ego interior com a atenção focalizada em algo específico, em alguma ideia específica sobre a qual Deus tenha algo a nos revelar: “Aqui estou, Pai, alerta e desperto para Tua orientação.”


O SONO COMO UM REPOUSO NA CONSCIÊNCIA

Tenho observado, neste trabalho, que quanto mais próximos estivermos do sentido espiritual da existência, menor será o tempo de sono requerido. De minha própria experiência e da experiência de outros que estão há algum tempo nesse caminho, foi notado ser quase impossível dormir continuamente durante oito horas. É possível que, dentre as vinte e quatro horas, nós consigamos dormir as oito horas, se houver a oportunidade, mas raramente iremos dormi-las consecutivamente. Após duas ou três horas nós despertamos, e, dependendo de como este período em que estamos despertos é tratado, podemos obter algum desenvolvimento, ou algum sentido de paz ou de harmonia. Porém, se esses períodos forem combatidos e forem feitos esforços para voltar a dormir, eles não trarão benefício algum. Somente quando aquele acordar for aceito como atividade da Sabedoria divina e houver boa vontade e paciência suficiente para permitir àquela Sabedoria revelar-Se, é que será visto ser aquele período o mais benéfico dentre as vinte e quatro horas.

Outro aspecto interessante é que quando o despertar no meio da noite é proveniente da atividade espiritual da consciência, mesmo que diminuam as horas de sono a que estamos acostumados a ter, no dia seguinte não sentiremos qualquer sinal de fadiga. Vim observando isso por muitos anos, em minha experiência e na de homens de negócios, donas de casa e pessoas de diversos ramos de atividade, e sei que quando a consciência espiritual provoca os períodos despertos durante a noite e eles são aceitos alegremente como oportunidades para a manifestação de paz e harmonia, o dia seguinte é preenchido pela consciência do Espírito divino que supera qualquer sensação de fadiga.

Os que se encontram neste caminho necessitam de muito poucas horas de sono para exercerem suas atividades. A razão disso é que tais pessoas conseguem obter os benefícios do sono mesmo quando estão despertos. O sono não passa de uma forma suave de morte ou inconsciência; é uma perda de consciência, e esta é uma porta próxima da morte, ou ao menos um degrau a menos rumo a ela.

Do ponto de vista do Espírito, contudo, o sono não é um estado de inconsciência, mas é um repouso na consciência. O pensamento é preenchido com o Espírito, com a compreensão espiritual, com um sentido real do Espírito do Cristo, que traz como consequência uma pessoa bem desperta, cheia de vitalidade, quase elétrica. Na realidade, o que estamos a fazer neste trabalho é entrar em contato com o Espírito do Cristo; o Espírito que é Deus e que torna a pessoa vivaz e dinâmica. O sono nada tem a ver com a vivacidade, mas o repouso – o repousar na consciência – tem muito a ver com ela. E é como podemos receber o influxo total do repouso mesmo quando estamos acordados.


O NASCIMENTO DO CRISTO NA CONSCIÊNCIA INDIVIDUAL

Através da meditação nós abrimos a nossa consciência ao fluxo da Verdade e nos tornamos uma transparência para o surgimento do bem infinito no mundo. Perdemos aquele senso de que nós, como pessoas, podemos realizar algo e passamos à compreensão de que o Cristo, o Espírito de Deus, vive em nós e realiza todas as obras. Quem produz, causa, anima e permeia toda forma e creação é o Espírito. O Espírito é a lei sobre todo efeito.

Nós precisamos conscientizar a presença e poder de Deus agindo e aparecendo como nossa consciência individual, e saber que esta consciência é a lei, substância e realidade de nosso universo, seja na forma de nosso corpo, nosso negócio ou nosso lar. Nossa falha tem sido em não reconhecer esta verdade e nossa falta de reconhecimento vem da mente humana, que se rebela por tal verdade aniquilar o suposto poder que ela tem assumido.

Considerando que o Cristo é a revelação da unidade de Deus e Sua creação, vamos ponderar sobre o sentido espiritual do nascimento de Jesus registrado na Escritura. Jesus nasceu numa manjedoura, provavelmente o mais baixo nível daquela época. Esta manjedoura pode ser interpretada como símbolo da mente humana, o nível mais baixo em que pode o Cristo nascer. Quando o pensamento humano é desperto para ir em busca de luz o alcance torna-se maior e, provavelmente, é então que o Cristo cresce nesse “estábulo” da mente humana.

O bebê, Jesus, foi envolto em panos, e assim também é feito conosco quando o Cristo começa a nascer na mente humana. Ele é envolto nas mais suaves verdades; é vestido com os mais simples pensamentos que pudermos alimentar para o nosso crescimento e desenvolvimento, até passar o perigo de “Herodes” que ameaça destruí-lo – até que tenhamos crescido a uma compreensão tal que as perguntas e dúvidas do mundo não venham mais a nos oprimir. O pensamento humano irá sempre se esforçar para destruir o Cristo.

José e Maria conduziram seu pequeno filho ao Egito, onde o mantiveram escondido até passar a fase de perigo da destruição. Esta é uma grande lição de sabedoria para nós. Devemos esconder esta doce verdade, não a mostrando em palavras, mas somente em efeitos. Não devemos sair pronunciando-a, mas deixar que ela apareça da mesma forma com que apareceu a Jesus aos doze anos de idade, quando maravilhou os rabis do templo com sua sabedoria. Doze anos após o nascimento de Jesus é que Cristo tornou-Se manifesto.

Assim, também, após nove anos de sua iluminação é que Paulo saiu a pregar e ensinar. O Cristo recém-nascido não deve ser exposto nas avenidas e ruas, mas deve crescer e ser fortalecido em nossa consciência, e então veremos que não serão necessários os proselitismos. O mundo irá sempre opor resistência ao ensinamento da unidade, onipresença e onipotência, mas quando a presença do Cristo tiver sido sentida, nós poderemos falar d’Ele sem risco de perdê-Lo.

O melhor é manter essa verdade dentro de nosso próprio ser e deixar que ela se torne visível ao mundo através dos resultados, em vez de sair a pregá-la. É surpreendente como o mundo percebe o que está-se passando sem que tenhamos dito algo a respeito. O próprio Cristo, o próprio Espírito de Deus, manifesta-Se como a paz de nosso ser, como a prosperidade de nosso bolso e como a alegria de nossas faces. E é então que o mundo reconhece que nós possuimos algo e é quando o trabalho de cura se processa sem que façamos uso de pensamentos – “não pela força, nem pelo poder, mas por meu Espírito” (Zacarias 4: 6), que age através da mente serena por nós encontrada.

É através da meditação que desenvolvemos a conscientização da presença e poder de Deus e passamos a sentir aquela Presença conosco, dia e noite, a nos guiar e a nos proteger. O nosso trabalho visa a conscientização de que “Eu e o Pai somos um” (João 10: 30), e que onde eu estou, Deus está presente. Quando esta conscientização é atingida, nenhuma diferença fará para nós que tipo de quadro nos estará sendo apresentado:

Há uma Presença e um Poder instantaneamente acessíveis a mim. Onde eu estou, Deus está, portanto, o lugar onde eu estou é solo sagrado. “Para onde irei a fim de me subtrair ao teu Espírito? E para onde fugirei da tua Presença? Se subo ao céu, tu lá estás; se desço ao inferno, nele te encontras” (Salmos 139: 7-8) Mesmo que eu desça ao inferno, esta Presença estará lá. Podem vir problemas, pecado, doença, falta ou limitação. A natureza do quadro não me interessa, pois sempre me recordo: “Tu lá estás”, e consequentemente este é solo sagrado. Como poderia eu sair de Tua presença, se este EU é Deus?

Cont...


sexta-feira, junho 20, 2014

Comentando o Capítulo 1


- Gustavo -


Aos que estão acompanhando e estudando esta série de ensinamentos iluminados do Caminho Infinito, seguem algumas reflexões importantes para melhor entendimento do assunto:

1 - Inicialmente, é importante compreender, como diz Joel Goldsmith, que "a palavra escrita (leitura destes textos) é a parte menos importante deste trabalho. O que não é escrito ou falado é o maior ensinamento". Isso significa que o propósito destes ensinamentos não é fazer com que o estudante adquira cada vez mais conhecimentos sobre "misticismo", "metafísica", "transcendência" ou "iluminação", e sim fazer com que a pessoa se volte (em meditação) para o seu interior, onde reside o Eu divino de cada um.

O propósito deste ensinamento é conduzir o indivíduo para a prática, e não meramente fornecer informações "bonitas" ou "profundas" para agregá-las ainda mais ao intelecto do aprendiz. No interior de cada um reside "aquilo que não é escrito ou falado", ou seja, a nossa unicidade com Deus. Você nunca irá encontrar Deus em um livro, apenas teoria. Se quiser encontrar Deus, conhecer Deus, você deverá voltar-se para dentro de si mesmo e encontra-Lo no “lugar secreto”. E, a fim de poder conhecer e entrar em contato com a Força/Inteligência que está oculta dentro de nós, é extremamente necessário o leitor habituar-se a pôr em prática as verdades reveladas nestes ensinos. Como? Indo ao silêncio meditativo... colocando-se em estado receptivo... e fazendo contemplação e ponderação dessas verdades. Então elas serão reveladas.

Recomendamos fortemente que o leitor não fique preso/acomodado somente às leituras dos ensinamentos do Caminho Infinito, mas pratique dedicadamente as meditações. Basta que a pessoa sinceramente decida-se a meditar e praticar. Mesmo que a princípio ela não saiba direito o que fazer, se estiver devotada a conhecer a Verdade, será orientada a partir de dentro e irá progredir. Há uma Presença divina que nos acompanha e orienta em nosso desenvolvimento espiritual. Experimente e comprove!

2 - Os ensinamentos do Caminho Infinito nos proporcionam dois resultados: o despertar do ser humano para uma consciencia iluminada (que é o objetivo principal do ensinamento) e o poder de efetuar  a cura espiritual (que é obter melhorias/prosperidade em todos os aspectos e campos da vida: saúde, dinheiro, harmonia nos relacionamentos familiares, negócios, etc.). Adquirir o poder de curar espiritualmente não é o foco principal do ensinamento passado no Caminho Infinito, mas Goldsmith afirma que, a partir do desenvolvimento ou despertar da consciência iluminada, as curas espirituais começam a ocorrer naturalmente como decorrências. A fim de podermos obter os resultados/frutos prometidos por este ensinamento, Joel Goldsmith diz ser imprescindível que o estudante adquira a consciência do bem. Isso implica dizer que o estudante deve eliminar de sua mente/consciência a ideia de que o mal é uma força real.

É imprescindível ter em mente a convicção de que Deus é o bem, e que o mal não faz parte da criação de Deus. Deus somente está relacionado às forças do Bem, Amor, Sabedoria, Harmonia, Vida, Alegria, Inteligência, Força, Liberdade, Verdade, Beleza, Paz, Luz, Plenitude e Abundância de tudo o que é bom e perfeito. Enquanto a mente do indivíduo estiver retida com ideias de que "Deus criou o bem e o mal", ou relacionar Deus ao mal de qualquer modo que seja, a consciência do estudante ainda não terá se tornado uma transparência para permitir fluir o poder do Espírito. Portanto, para este ensinamento, Deus não criou doenças, dores, sofrimentos, misérias e demais imperfeições que a mente dualista imagina experienciar. Deus é  perfeito e, decorrente d'Ele, somente um universo de infinita perfeição foi criado. Neste exato momento, somente existe Deus e o que vem de Deus. E o que não foi criado por Deus não existe.

Goldsmith explica que, inicialmente, ao praticar esta verdade, pode parecer que o estudante está programando a si mesmo mentalmente para acreditar somente na existência do bem. Todavia ele diz que, à medida que a pessoa for se aprofundando no ensinamento, assimilando as verdades reveladas, ela constatará (e experienciará!) a veracidade da afirmação de que "Deus é o bem e a perfeição, o mal e a imperfeição não foram criados por Deus" em nível transcendental, acima e além da mente.  Goldsmith diz: "O grau de aceitação desta verdade corresponderá ao desenvolvimento do Cristo de sua própria consciência, ao desenvolvimento de seu conhecimento de que a plenitude do Cristo constitui o seu ser."

3 - As recomendações acima são feitas a fim de que o estudante possa chegar ao ponto de conhecer Deus como sendo a sua consciência individual. A consciência individual é aquilo dentro do qual tudo está aparecendo. Neste exato instante olhe e contemple todo o universo que está a sua volta: seu corpo, sua sala, os objetos, as pessoas, o céu, a lua, as estrelas e os planetas, o universo inteiro... tudo está aparecendo dentro da sua consciência. Se sua consciência não estivesse presente para testemunhar a ocorrência de todos esses eventos, eles não existiriam. Você não existe como um ser minúsculo (um corpo físico) preso dentro de um universo mais amplo, ao invés disso o universo é que está existindo dentro de você, EM você, em sua consciência. Isso é possível porque o Ser que você é é sem-espaço e sem-tempo. O universo existe apenas porque primeiro você existiu como o observador. Essa consciência que permite a existência de todas as coisas é Deus. E ela transcende o tempo, o espaço, o seu corpo e a sua mente. O Caminho Infinito afirma que Deus é a nossa consciência individual e nos ensina a alinhar essa consciência com a natureza de Deus, a fim de que possamos acessar as qualidades e atributos divinos que existe no Infinito que está dentro de nós. Essa Consciência infinita e invisível é a fonte de todo o poder, saúde, prosperidade, alegria. Por isso, Goldsmith afirma: "Habitue-se a conscientizar que o poder, a qualidade, a quantidade e a realidade nunca estão naquilo que está formado, mas que realmente estão no Princípio, Alma ou Consciência que produz toda forma existente."

4 - À medida em que formos progredindo neste ensinamento, aprendemos cada vez mais a tomar como ponto de partida o princípio de que "Eu e o Pai somo um" e que, em decorrência disso, tudo o que nos é necessário já está sendo proporcionado por Deus. Deus já atendeu todas as nossas necessidades, antes mesmo que nós as conhecêssemos, desde antes que este universo existisse. A bem-aventurança e a plenitude de tudo são condições naturais do filho de Deus, e estão sendo cumpridas aqui e agora! Por isso Goldsmith diz que, quanto mais próximos nos tornamos deste estado de consciência, cada vez mais deixamos de agir ou desejar as coisas para nós mesmos. Ao invés disso, mudamos de lado e passamos a servir ao próximo ou ao mundo inteiro.

Goldsmith diz: "Em momento algum Jesus estava buscando a sua própria demonstração: ele vivia num senso de doação, de ser uma transparência de bem para o mundo. O Cristo não pode entrar numa consciência que está em busca de algo para si mesma. A nossa missão no mundo está em sermos uma transparência para o bem. O “eu” que procura algo para si não é o Filho de Deus, pois o Filho é herdeiro de Deus e co-herdeiro com o Cristo, e o Filho está sempre cônscio de que tudo que é do Pai também pertence a Ele. Sendo assim, como poderia existir algo que o Filho desejasse buscar para si?".

Além disso, Goldsmith diz que: "Na construção desse novo estado de consciência, nós não podemos pretender buscar por algo, pois devemos começar a conscientizar que “somos herdeiros de Deus e co-herdeiros com o Cristo” (Romanos 8: 17),  e dessa maneira somos aquele exato local em que a totalidade de Deus está jorrando".

Nosso ser pode ser comparado a um grande duto ou canal de água, e a totalidade de Deus está jorrando através de nós. Estamos sempre preenchidos. Precisamos nos acostumar com a ideia de que a totalidade de Deus (ou seja, tudo o que Deus é) existe dentro de nós, e está jorrando (disponível) através de nós. Tudo já está feito! É importante ter essas verdades como ponto de partida em nossas práticas espirituais. Se partirmos do fato de que "algo precisa ser feito", nossa prática espiritual será infrutífera. Goldsmith nunca enxergava a falta, a carência, e sim a presença da abundância de tudo o que Deus é. Quem quer que fosse, para onde quer que ele olhasse – tudo já estava suprido. Tenhamos isso sempre em mente, pois, este é um parâmetro que nos permitirá avaliar se estamos alinhados ou não com este ensinamento iluminado.

Feitas essas ponderações, sigamos em frente com estes ensinamentos do Caminho Infinito.

Namastê!

quarta-feira, junho 18, 2014

O Desenvolvimento Individual da Consciência

DEUS, A SUBSTÂNCIA DE TODA A FORMA
(Joel S. Goldsmith)

- Capítulo 1 -

O DESENVOLVIMENTO INDIVIDUAL DA CONSCIÊNCIA

A missão principal de “O Caminho Infinito” visa o desenvolvimento interior, a revelação da verdade do íntimo de nosso próprio ser. A palavra escrita constitui a parte menos importante deste trabalho; o que não é escrito ou falado é o maior ensinamento.

Os mestres humanos são apenas uma ajuda temporária nesse caminho. Somente do interior vem a iluminação que dá a alguém a possibilidade de curar e de ser capaz de ensinar que “o reino de Deus está dentro de vós” (Lucas 17: 21), e que você é a expressão de Deus. O mestre verdadeiro recebe a inspiração e a iluminação e consegue transmitir por possuir a conscientização de que “eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma... o Pai, que está em mim, é quem faz as obras” (João 5:30; 14: 10). Portanto, esse “Pai interior” surge como uma Presença impessoal a despertar o pensamento receptivo à divindade do indivíduo. “E serão todos ensinados por Deus” (João 6: 45).

A minha unidade consciente com Deus torna-me um com todos os que são capazes de receber a Palavra neste nível de consciência. Sua consciente unidade com Deus o torna receptivo e responsivo a toda verdade. Onde houver um pensamento receptivo, Deus fala. Onde houver um ser espiritual manifesto, Deus está presente. Como Deus manifesta e exprime Seu próprio ser como você, você é tão infinito quanto Deus – não apenas uma pequena parcela de Deus. Deus não se divide, mas manifesta, expressa, revela, desenvolve e mostra a Si próprio como você e como eu. É um estado de Cristo-consciência em que Deus fala, Deus se movimenta e Deus age.

Quando eu falo ou escrevo sobre a Verdade, aquilo vem a ser a menor parte da atividade que se passa em minha consciência. Sempre, como um mestre da verdade, a minha consciência está alerta, desperta e transcende a tudo referente à mensagem da verdade que eu possa transmitir. Aquela Consciência, que é a divindade de meu ser, é também a divindade de seu ser; é a sua Consciência divina despertando-o rumo ao conhecimento de sua natureza, caráter e qualidades divinas.


SEGUINDO O CAMINHO ESPIRITUAL

Aqueles que, em certa medida, tiveram a capacidade de receber a luz, certo desenvolvimento e revelação interior, perceberão que devido àquela experiência nunca mais serão os mesmos novamente. A partir de então, será como se tivessem tocado um Centro infinito de sabedoria e conhecimento, uma Presença infinita que orienta, guarda, dirige, protege, mantém e sustém. Porém, aqueles que estão nesse caminho sem ter tido ainda esta experiência, irão tê-la, pois está escrito: “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós” (João 15: 16). Deus os trouxe a este local de desenvolvimento e não permitirá que se desviem desse caminho até que recebam a iluminação.

Seguir o caminho espiritual, contudo, exige perseverança, pois este não é um caminho fácil. “Porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos há que a encontrem” (Mateus 7: 14). Há experiências neste caminho, muitas experiências. Não é um caminho de rosas sem espinhos. Você pode ter imaginado o porquê, após Deus ter-Se feito evidente em sua experiência, de sempre aparecer uma dor ou um sofrimento, um problema ou uma desgraça. Mas eu posso testificar que algumas de nossas maiores experiências vêm mesmo após o nosso ingresso nesse caminho, e são exatamente essas experiências que nos forçam a sair do senso físico da existência, rumo à consciência espiritual da vida e da forma.

A trilha espiritual é uma trilha de serviço. Nós somos não somente “servos do Senhor”, mas também servos dos outros que estão juntos no caminho. Neste trabalho, não iremos encontrar o mundo esperando para nos servir, mas veremos que na verdade nós é que somos os servos. O Mestre mostrou-nos essa lição de serviço e humildade quando lavou os pés de seus discípulos. Enquanto nós, na época atual, não somos chamados para servir daquela forma, servimos de muitas outras maneiras. Quem conhece homens e mulheres que receberam a iluminação, irá reconhecer que suas vidas são de devoção, não somente a Deus, mas àqueles que lhes vêm em busca de ajuda, que buscam cura ou iluminação.


O CAMINHO INFINITO E OS OUTROS ENSINAMENTOS

Cada um de nós tem buscado uma compreensão de Deus através de alguma forma particular de estudo. Qualquer que fosse a organização religiosa ou ensinamento, aquilo vinha agir como um degrau para nos elevar à compreensão dos ensinamentos do Mestre. Embora às vezes nós apontemos as diferenças entre “O Caminho Infinito” e os outros acessos à verdade, lembramos que isto é feito sem qualquer senso de crítica ou julgamento. Não pode haver qualquer julgamento deles – somente amor e honra para com todos. O mesmo é verdadeiro em relação à medicina. Os médicos e enfermeiros estão devotando suas vidas para ajudar a humanidade conforme a visão própria deles, e no plano físico realmente nós sentimos o progresso deles, razão pela qual só lhes dedicamos amor e respeito.

Uma das grandes diferenças entre esta mensagem de O Caminho Infinito e aquela de certos metafísicos está no fato de não considerarmos que uma Mente divina, um Amor divino ou alguma outra coisa venha até você para realizar-lhe algum desejo. O Caminho Infinito ensina que Deus é a própria Consciência divina do seu ser e constitui a lei sobre o seu ser: esta lei é única e é a lei do amor. Outro fator que nos difere das outras mensagens é que nós não atribuímos poder algum àquilo que muitos chamam de “mente mortal”. Não é raro ouvirmos a expressão: “Estou imaginando o que a mente mortal irá fazer-me hoje”. E ela acaba por fazer mesmo!

Durante certo tempo foi bastante falado e aceito que existiam causas mentais para as doenças físicas. Eram circuladas algumas listas, indicando que se alguém estivesse com reumatismo, ele era causado por ressentimentos; se fosse câncer, a causa era ódio ou ciúme; e, qualquer que fosse o sintoma, sua causa seria esta ou aquela tendência mental ou emocional. Nós, porém, não aceitamos esses argumentos como verdadeiros.

Dentro da crença humana, sem dúvida alguma, eles são reais. Hoje em dia, até a medicina propaga que o excesso de preocupações poderá levar à úlcera, e provavelmente isso é verdade no plano puramente humano. Mas nada disso tem a ver com o ensinamento de O Caminho Infinito, onde a doença não apenas não possui nenhuma causa, mas também não consideramos a existência de nenhuma lei de doença.

Nada existe que venha a nos provocar algo. Não, trata-se de alguma crença universal que no momento nós estamos aceitando. Por ignorância, nós acabamos por aceitar a crença universal numa egoidade apartada de Deus. A nossa função não está em examinar o próprio pensamento tentando descobrir qual atitude mental errada temos mantido, mas sim em medir a extensão com que estamos aceitando as crenças universais e conscientizar que todas elas são sugestões mesméricas, sendo que a nossa mente, a única que existe, não pode ser um instrumento para mesmerizar ou ser mesmerizado. Com esse procedimento, nós retiramos o poder daquele falso senso e adquirimos a consciência do único Poder e única Presença.

Existe tão somente um Eu, ou Ego, uma Consciência, embora Ela apareça como sendo você ou eu, e este é mais um ponto vital a nos diferenciar de outros ensinamentos correntes. O Caminho Infinito ensina que não somos um efeito, uma ideia, uma manifestação ou um reflexo: “Eu sou a luz do mundo... Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (João 8: 12; 14: 6). Há somente um Eu. Mesmo que este Eu apareça como você ou como eu, continua sendo o mesmo Eu.


O CAMINHO INFINITO, UM CAMINHO DE VIDA

Esta mensagem é denominada O Caminho Infinito.  É um nome que nada significa para o mundo, exceto para os que são familiares a este ensinamento, para os que sabem que O Caminho Infinito é realmente um caminho de vida que conduz ao desenvolvimento da própria consciência. O Caminho Infinito é isto: um caminho de vida que conhece Deus como a consciência infinita, e o trabalho dos aspirantes a ele é o de se manterem em conformidade com seus princípios. Para que possamos demonstrar as harmonias da vida é preciso adquirir a consciência do bem.

Neste ensinamento, não acreditamos que um efeito possa constituir nosso suprimento e tampouco acreditamos que um corpo físico saudável constitua a saúde. O caminho espiritual nos leva à consciência de vida, deixando-a produzir tanto o suprimento quanto a saúde. Este caminho não é um método de demonstração de suprimento ou saúde, mas um caminho para demonstrar a consciência da presença de Deus e deixar que esta Consciência faça manifestar o suprimento e a saúde. Passo a passo vai-se desenvolvendo o nosso caminho. Talvez nem sempre possamos visualizar o projeto completo, mas caminhando em frente passo a passo, sucessivamente, o quadro todo virá inevitavelmente a ser manifesto.


A INFLUÊNCIA FERMENTADORA DA VERDADE

Todo ensinamento metafísico traz um grande objetivo – alcançar, em alguma medida, a consciência de Deus. Até este ponto O Caminho Infinito pode concordar. Contudo, ele difere da crença teológica tradicional que ensina ser o paraíso um lugar a ser atingido somente após a morte. Todos os ensinamentos metafísicos sabem da possibilidade de o paraíso ser atingido aqui e agora. Em todos eles, sejam seus métodos iguais aos nossos ou não, a intenção é a realização da cura espiritual e da atuação de Deus na experiência individual – em nosso corpo, nosso negócio, em nossa vida familiar – e nas atividades do mundo.

Num curto espaço de tempo, os escritos de O Caminho Infinito foram largamente distribuídos e postos em circulação pelo mundo. Quando lidos com a mente aberta, são aceitos não comente pelos metafísicos independentes ou por integrantes de movimentos metafísicos organizados, mas até mesmo pelos membros das igreja ortodoxas. Nestes textos, aqueles dotados de objetivos espirituais estão descobrindo uma base comum de encontro. A verdade contida na mensagem está rompendo e dissolvendo preconceitos, intolerâncias e aversões entre as crenças religiosas. Na conscientização de Deus como Consciência, a Consciência do ser individual, torna-se impossível a permanência de preceitos raciais ou religiosos, bem como inimizades, temores ou intolerâncias. Tais elementos somente podem existir enquanto perdurar a crença numa egoidade apartada de Deus.

Toda verdade contida nesta mensagem é realmente a Verdade dita por Si, e a sua influência fermentadora trará por fim a união de todos à conscientização da unidade da Consciência. Esta união não se refere a um sentido de organização, mas trata-se de uma junção na abertura de nossa própria consciência rumo à unidade do ensinamento da verdade; uma união no sentido considerado por Jesus, quando falou a seus discípulos: “Porque quem não é contra nós, é por nós” (Marcos 9: 40). Os metafísicos do mundo tentam a sua unificação pela compreensão de Deus como Onipresença. O ensinamento de todos eles é fundamentado no postulado de que Deus é a mente individual, Deus é a vida individual, Deus é a Alma individual. Portanto, não deveria haver nenhum senso de divisão entre eles, tampouco algum sentimento de que um deles é melhor que o outro ou possui mais verdade do que esse outro. Tão logo exista um sentimento de superioridade ou de comparação, a consciência não se encontrará aberta à unidade e universalidade da verdade.

Você nunca irá encontrar Deus em um livro. Se quiser encontrar Deus, conhecer Deus, você deverá voltar-se para dentro de si mesmo e encontra-Lo no “lugar secreto”. Você não poderá ver Deus, mas tomará consciência de Deus dentro de seu próprio ser; poderá perceber e sentir a Sua presença. Enquanto os seus pensamentos estiverem no exterior – nas coisas que você vê, ouve, prova, toca ou cheira – você não poderá trilhar o caminho espiritual, o caminho infinito, pois não se pode ver, ouvir, provar, tocar ou cheirar a realidade do ser, a creação de Deus.

O objetivo desses escritos e de todo estudo sobre eles não é apenas obter conhecimentos sobre a verdade. O conteúdo das mensagens sobre a verdade do ser é tão simples que até as crianças conseguem facilmente entende-la. Você inclusive irá notar que três quartos de tudo que for lido sobre a verdade será esquecido, quando aquele senso de Deus como sendo Onipresença tornar-se aparente. É este o objetivo de seu estudo: elevar a consciência ao ponto em que aquele senso de Onipresença seja atingido. Com esta meta alcançada, o trabalho de cura passa a ser realizado com um sorriso, e não com esforço mental. O suprimento, a integridade, a plenitude – tudo isso vem a nós apenas com um sorriso. É um sorriso especial, vindo de Deus, como que conhecendo que aquilo aparecendo como um ser humano é nada, e, ao mesmo tempo é tudo, se visto sob o ângulo da identidade espiritual. Habitue-se a conscientizar que o poder, a qualidade, a quantidade e a realidade nunca estão naquilo que está formado, mas que realmente estão no Princípio, Alma ou Consciência que produz toda forma existente.


UM “ODRE NOVO”

“E ninguém deita vinho novo em odres velhos... o vinho novo deve ser deitado em odres novos.” (Marcos 2: 22) Precisamos desenvolver um “novo odre” completo, um novo estado de consciência, e para isso principiamos por eliminar todo o conceito material. Isto não pode ser feito num único salto; é um trabalho para todo o tempo de vida, pois envolve uma mudança completa de consciência.

Não tente colocar vinho novo em odres velhos. Não tente semear as sementes dessa inspiração em solo pedregoso ou espinhoso. Se fizer isto, elas se perderão. O solo deve ser preparado; uma consciência espiritual precisa ser desenvolvida. A preparação exige muita paciência e o anseio de sentar-se a sós para ponderar esta ideia da consciência individual como a causa, a lei e o poder de cada ser. Você consegue perceber que a totalidade de Deus está aparecendo como você e que a totalidade de Deus está aparecendo como o seu próximo? O grau de aceitação desta verdade corresponderá ao desenvolvimento do Cristo de sua própria consciência, ao desenvolvimento de seu conhecimento de que a plenitude do Cristo constitui o seu ser. O desenvolvimento do Cristo leva à conscientização da Presença, à consciência de haver uma orientação que vem de dentro, da existência de um infinito Ser interior que segue sempre à frente e que está consciente até mesmo quando você dorme. Esta conscientização lhe trará a certeza de que superior a qualquer condição ou circunstância humana é este consciente estado da natureza infinita de sua própria consciência, que permanece sempre no centro de seu ser apenas aguardando o seu reconhecimento.

Para este trabalho, cada palavra dita pelo Mestre deve ser aprendida e aceita como lei. Uma só passagem poderia mudar a sua experiência, mas para uma nova consciência integral ser conseguida, devemos tomar cada uma das passagens dadas pelo Mestre-Cristão e utilizá-las conscientemente. Mais do que qualquer outro profeta ou vidente ele deu ao mundo ocidental o segredo da vida espiritual. Para exemplificar, leia o ensinamento do Mestre sobre a futilidade de se manter com ansiedades (Lucas 12: 22-32):

“Não estejais apreensivos pela vossa vida, sobre o que comereis, nem pelo corpo, sobre o que vestireis. Mais é a vida do que o sustento, e o corpo mais do que o vestido.

Considerai os corvos: eles não semeiam nem colhem; eles não têm dispensa nem celeiro; e Deus os alimenta: quanto mais valeis vós que as aves?

E qual de vós, sendo solícito, pode acrescentar um côvado à sua estatura? Se, pois, não sois capazes de fazer estas pequenas coisas, por que vos preocupais com as outras?

Considerai os lírios, como eles crescem: eles não trabalham, nem tecem; e na verdade vos digo que nem Salomão, em toda sua glória, jamais se vestiu como um deles. E se Deus assim veste a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada ao forno, quanto mais vestirá a vós, ó homens de pouca fé? 

Não pergunteis, pois, o que haveis de comer, ou o que haveis de beber, nem andeis inquietos. Pois todas as gentes do mundo buscam essas coisas; mas vosso Pai sabe que delas haveis mister. Buscai antes o reino de Deus, e todas estas coisas vos serão dadas de acréscimo.

Não temais, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino.”

Adquira a consciência de que “vosso Pai sabe que haveis delas mister”,  e assim sempre que você for tentado a ficar apreensivo, pensando no trabalho do próximo ano, na casa ou nos alimentos, virá à sua lembrança que “a vosso Pai agradou dar-vos o reino”. Faça a si mesmo a pergunta seguinte: “Estou vivendo nesta consciência de ‘não estar apreensivo’?” Lembre-se da questão apresentada pelo Mestre: “E qual de vós, sendo solícito, pode acrescentar um côvado à sua altura?... Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos.” (Isaías 55: 8). Os pensamentos de Deus não são os seus pensamentos, assim por que ficar apreensivo? Em vez disso, olhemos para este universo passando a compreender que todo ele é sustido e mantido pelo Poder divino que o creou. Mas é isso que temos feito? Não; nós construímos uma entidade separada, uma egoidade apartada de Deus, que precisa de provisões e cuidados, e devotamos a vida toda para sustenta-la.

Jesus disse: “O Meu reino não é deste mundo... A minha paz vos dou.” (João 18:36; 14:27).  Em momento algum Jesus estava buscando a sua própria demonstração: ele vivia num senso de doação, de ser uma transparência de bem para o mundo. O Cristo não pode entrar numa consciência que está em busca de algo para si mesma. Deus não pode ser utilizado com o propósito de se conseguir um progresso puramente humano. A nossa missão no mundo está em sermos uma transparência para o bem. O “eu” que procura algo para si não é o Filho de Deus, pois o Filho é herdeiro de Deus e co-herdeiro com o Cristo, e o Filho está sempre cônscio de que tudo que é do Pai também pertence a Ele. Sendo assim, como poderia existir algo que o Filho desejasse buscar para si?


O INFINITO JORRA SOBRE NÓS

Na construção desse novo estado de consciência, nós não podemos pretender buscar por algo, pois devemos começar a conscientizar que “somos herdeiros de Deus e co-herdeiros com o Cristo” (Romanos 8: 17),  e dessa maneira somos aquele exato local em que a totalidade de Deus está jorrando. Tendo esta Cristo-consciência desenvolvida, também nós seremos capazes de alimentar cinco mil pessoas, ou quantas venham até nós – alimenta-las espiritualmente, e se necessário alimenta-las materialmente, pois o mesmo Espírito, jorrando, apareceria como alimento. A questão está unicamente em verificar o quanto nós limitamos Deus. Obviamente, humanamente nós não podemos realizar tais obras, mas para Deus aquilo é possível. Quando estiver corretamente compreendido que nós somos o Cristo, a própria presença de Deus, que não vive sob o ponto de vista de receber algo, mas de deixar que o infinito jorre através do ser, então descobriremos a capacidade nossa de alimentarmos as cinco mil pessoas. O Pai celestial é a nossa própria consciência, e Ele conhece todas as nossas necessidades.

Cont...

terça-feira, junho 17, 2014

Deus: A Substância de Toda a Forma – Introdução



A partir de agora vamos dar início ao estudo de uma série de textos do Caminho Infinito. Hoje, dia 17 de junho de 2014, é o aniversário de 50 anos desde que Joel Solomon Goldsmith completou sua missão de vir à Terra e legar ao mundo um profundo e poderoso ensinamento espiritual capaz de despertar e elevar a consciência ser humano às alturas da Consciência Una, a Consciência Crística. Portanto, essa série que está se iniciando é uma homenagem, reverência e agradecimento ao grande Homem, Instrutor, Mestre, Iluminado, Curador, Místico, Metafísico, que foi Joel Goldsmith. Ele é, sem dúvidas, um dos Mestres mais queridos, essenciais e importantes apresentados neste blog.

Há tempos que sinto falta da presença dos ensinamentos do Caminho Infinito aqui no blog. Isso ocorreu devido ao fato de a maioria dos materiais em português já terem sido disponibilizados neste site, restando apenas alguns poucos ensinamentos a serem compartilhados. Todavia, recentemente tive a alegria de receber em mãos o livro de Goldsmith entitulado "DEUS: A SUBSTÂNCIA DE TODA A FORMA", livro que até hoje estava disponível somente em inglês. E este livro chegou em minhas mãos em português, e sem jamais ter sido publicado por qualquer editora! Não existe disponível no mercado. Mas esse é o tipo de coisa que acontece quando ficamos sintonizados/conectados na energia de um ensinamento verdadeiramente divino. O Universo faz manifestar! Deus "aparece como". No caso, Deus (substância espiritual) apareceu como livro (forma materializada). Por isso, considerei esse acontecimento um grande presente de Deus para mim, para o blog, e para os leitores do blog – principalmente para aqueles que são sintonizados com os ensinamentos do Caminho Infinito.

O livro que está para ser apresentado é essencial para os que, como eu, são estudantes do Caminho Infinito. Nele, Goldsmith, passo a passo, e muito inspiradamente, aborda princípios vitais do Caminho Infinito, sem os quais o estudante dificilmente sai do nível do intelecto para se elevar em direção àquilo que ele chama de conscientização/experiência da Presença de Deus. O livro pega desde os aspectos mais simples e básicos até o ponto mais alto/elevado do ensinamento, o que gera muito proveito para o estudante. A mensagem espiritual de Goldsmith, que é totalmente fundamentada na Escritura Bíblica, está inteiramente voltada para o despertar de uma consciência de unicidade, em total sintonia e harmonia com a profunda sabedoria do Oriente, tais como a filosofia Budista, Zen, Advaita e ensinamentos védicos. Uma vez que o ser humano entre em contato com essa Consciência Divina, e tenha a experiência da Presença de Deus, então começará a ter domínio sobre sua vida e seu universo – que nada mais são do que expressões de sua própria consciência.

Esta série de Goldsmith será acompanhada de uma outra. Após a exposição deste livro, iniciaremos o estudo de um outro, um brilhante livro metafísico, escrito por Dárcio Dezolt, inteiramente voltado para a assimilaçãoprática dos princípios espirituais explanados nos ensinos de Goldsmith. A apresentação de ambos os livros tornará este um trabalho muito especial. As duas séries se complementam, apresentando extraordinário alinhamento e sintonia entre si, otimizando ao máximo o progresso/sucesso do leitor na interiorização e realização do ensinamento. Essas duas séries foram escolhidas em decorrência de inspiração ou orientação interna, que acato e sigo. Ambas serão publicadas em homenagem a Joel S. Goldsmith e ao Caminho Infinito. Portanto, mais uma vez, durante um longo tempo, este blog se ocupará em expor e aprofundar o ensinamento de um único autor – desta vez, o de Joel Goldsmith.

Os ensinamentos do Caminho Infinito constituem expressão da Verdade Suprema, última! É um poderoso ensinamento iluminado, que Deus enviou ao mundo, para que a humanidade se eleve em percepção, consciência, amor, sabedoria, bondade, realização! Unicidade com Deus! Por isso, valerá todo o trabalho e o esforço! Este também é um trabalho oferecido em agradecimento a Deus.

Deus revela a Verdade àqueles que têm um desejo profundo, ardente e sincero – e que se empenham em conhecê-La.

Desejo a todos bons estudos e bom proveito!


domingo, junho 15, 2014

A mais profunda oração (Eckhart Tolle)




Conta-se que alguém perguntou à Madre Tereza de Calcutá:  
O que a senhora diz para Deus em suas orações? 
- "Nada, eu só escuto", respondeu ela. 
E o que Deus diz para a senhora em suas orações?
- "Nada, ele só escuta". 
Essa é a verdadeira e mais profunda dimensão da oração: uma experiência de presença e de comunhão que transcende a tudo".



Pergunta: Desde que eu era uma garotinha, eu fui criada como católica. Apesar disso, eu tinha uma grande tendência em negar Deus, em não acreditar na existência de Deus. E agora, graças a tudo o que você vem ensinando e compartilhando, sei que existe uma presença: sinto que uma quietude está aqui, a Consciência está aqui. Mas eu tenho o pensamento "por que devo orar?" Pois, se Deus é onisciente, onipotente, todo-amoroso, e assim por diante, não acho que Ele/Ela precisa de mim para dizer: "psiu, ei! Meu amigo está morrendo de câncer, você pode ajudá-lo?". Não acho que seja necessário, mas eu gosto de rezar. Eu adoraria ouvir seus pensamentos, o que seria adequado para orar? Você acredita na oração?

Eckhart Tolle: Talvez você possa aprimorar as suas orações de súplicas ("por favor me conceda isto ou aquilo") para transformá-las em "pequenos indicativos mentais", visando a paz, por exemplo. Esses pequenos indicativos mentais (oração que lhe estou sugerindo) ainda se valem dos conceitos, porque toda oração consiste de palavras e conceitos - para apontar, indicar, e assim ajudá-lo a ir além dos conceitos. Você poderia fazer, por exemplo, uma afirmação - como fez Jesus, quando disse: "eu sou a luz do mundo". É uma afirmação; é um conceito que aponta para uma realidade muito mais profunda que a das palavras. Se você ainda quiser pedir algo, então você poderia dizer algo como: "por favor, seja-me revelado que eu sou a luz do mundo". Usualmente, as orações comuns implicam em dualidade. Elas sugerem um Deus que está lá, ao passo que aqui estou eu, rogando a Deus. Tal dualidade é, em última análise, uma ilusão, porque a verdade é que você é uma expressão de Deus, do próprio Deus. Deus e você se fundem, vocês estão misturados. Assim, as orações de súplicas, que sugerem dualidade, não são as formas mais profundas de orar.

A oração mais verdadeira acontece quando você adota a atitude de ouvir, em quietude, ao invés de proferir palavras. Enquanto você gostar de rezar assim, está ok. Mas, gradualmente, comece a cessar de pedir a alguém para que faça algo para você, porque isso a mantém presa na dualidade.

Afirmações assertivas, se feitas corretamente, podem atuar como belos substitutos para as orações que comportam dualidade. Afirme: "Eu estou curado e completamente em paz". Após isso, deixe haver espaço, permita que o espaço entre e atue. Apenas o "campo" sem forma do puro espaço. E descanse nesse estado. Realmente, a inteligência e o poder residem nesse espaço. Nesse estado de espaciosidade, a sua experiência é a de que você já é o Todo - inteiro, pleno, completo. A forma externa pode lhe sugerir que você seja algo diferente. "Eu sou um ser santo", diz Um Curso em Milagres. Isso é o que você É, então é apenas uma questão de afirmar algo que você já é.

Você pode curar uma pessoa - quer a pessoa doente esteja ao seu lado, quer ela esteja distante e lhe venha à mente. A mais poderosa maneira de curar, no meu entender, é manter consigo a imagem da pessoa e mover-se profundamente para dentro de si, onde se encontra a Totalidade da Vida. Onde absolutamente nada é necessário, onde nada pode ser acrescentado. Nesse lugar profundo onde está a Totalidade da Vida, você contata também a totalidade daquela pessoa - ela já está curada/inteira nesse nível mais profundo, além da forma. Então, seguindo esse método, você parte da forma e se move para a dimensão da não-forma.

Essa é a cura que era praticada por Joel Goldsmith. Ele tem um livro fascinante chamado "A Arte de Curar Pelo Espírito". Realmente, trata-se de não se ater por completo às condições (do mundo da forma) que precisam ser melhoradas, mas concentrar-se na realidade essencial de que o ser humano é um com a própria Realidade Essencial, e entrar na profunda quietude onde nada é necessário. Goldsmith costumava receber telefonemas, às vezes no meio da noite. Eram de pessoas que necessitavam desesperadamente de uma cura; elas, então, diziam a ele os seus nomes e do que estavam sofrendo. Imediatamente, em seguida, ele largava do telefone e adentrava num estado absoluto de não-pensamento. Por um momento, ele ouvia o nome da pessoa, ele ouvia o que estava errado com elas, e imediatamente deixava inteiramente de lado tais informações/pensamentos. Ele, então, por dois ou três minutos, entrava em um estado de não-pensamento - um estado de absoluta presença. Existe uma perfeição absoluta no reino da não-forma. E essa perfeição absoluta é a essência da pessoa que, no nível da forma, necessita da cura. Então, você conduz a forma para a dimensão da ausência de formas, um espaço onde as formas não são. Nenhuma condição a ser tratada, onde nada jamais é necessário - apenas vá para dentro desse espaço. Essa era o seu modo de curar as pessoas. Ele foi um curador bastante poderoso. Essa é a última e mais elevada forma de cura, e que é realmente o tipo não-dual de oração. Nela, você vai além da oração, na qual diz: "por favor, Deus, cure o fulano!". Você penetra e contata a própria Fonte, que é inseparável de quem você é, e que é inseparável de quem é essa pessoa.

A oração pode converter-se gradualmente em uma atitude de escuta. Qual é o significado de "ouvir"? Ouvir significa que há um campo nú, "vazio", de pura atenção, o qual é percebido quando despido das projeções dos pensamentos. Nesse campo, você percebe a inocência, a pureza, a simplicidade e inculpabilidade de todas as coisas. Permanecer nesse campo é o que significa a atitude de escuta. Não significa que você esteja esperando por alguma resposta, porque então você não estará realmente ouvindo. Na escuta você absolutamente não espera por nada - há apenas um campo de atenção pura. Essa é uma oração muito mais profunda do que com qualquer palavra proferida. Não há sequer o desejo de que a oração seja atendida, ou de obter uma resposta. Estar em silêncio é o bastante.

Quando está escutando, você não está esperando por nada - há somente um campo de pura atenção.

Essa é uma forma de oração muito mais profunda e muito mais verdadeira do que qualquer palavra é capaz.  A verdadeira oração acontece naquele ponto onde a própria oração também se converte em meditação: ela é ambas. Ela não espera por respostas, estar em profundo silêncio é um estado de graça, e isso é o bastante. Algumas vezes a resposta surge; algumas vezes, também, de repente, as coisas apresentam-se solucionadas. Ouça isto: quando surgir qualquer problema pertencente a este mundo, qualquer distúrbio - e eles acontecem o tempo todo envolvendo: pessoas ao seu redor, perturbações na mente, etc. -, apenas vá para o estado de "escuta", de pura atenção, de pura consciência, no qual você se torna ciente da presença. O ato de escutar a presença é uma maneira poderosa de falar sobre ela e transmiti-la.

Quando você está presente, é como se você estivesse em um estado de escuta. É importante dizer, contudo, que o termo "escuta" tem sido usualmente associado com o sentido físico da audição. Mas, aqui, o termo "escuta" refere-se a um estado que se encontra além dos sentidos que percebem os fenômenos físicos; é um estado de consciência que sublinha, subjaz e que dá a base à existência do próprio sentido da percepção sensorial auditiva. Todo mundo sabe como é esse estado, porque quando você está realmente ouvindo um som fraco, o que é o estado de consciência que está por trás e que escuta aquele som fraco? É um estado de alerta absoluto e descontraído, relaxado. Assim, quando dizemos escuta, isso é algo útil, pois todo mundo sabe o que significa escutar. Eu estou apenas apontando para o fato de que a percepção sensorial externa não é a essência do escutar, o verdadeiro escutar; a essência da escuta é o estado subjacente da consciência, de receptividade absoluta e presença de alerta, que está por detrás da percepção sensorial auditiva.

É por isso, acredito, que uma das parábolas de Jesus falava sobre um servo que tinha o dever de ficar acordado, em estado de alerta, porque o servo não tem o conhecimento de quando o dono vai voltar para casa. Muitas das coisas de hoje apresentam-se a nós de forma um pouco distorcida, pois foram transmitidas verbalmente, e somente depois disso é que foram registradas; e, nesse processo, certas coisas foram viradas do avesso, e outras desapareceram. Eu acredito que, ao mencionar o servo que esperava pelo mestre, Jesus estava falando sobre uma atitude diferente - um estado de consciência. O servo está esperando em um sentido diferente da coisa normal que chamamos de "espera", que nada mais é do que a mente dizendo "Quando irá acontecer? Por que ainda não ocorreu?". O sentido utilizado aqui por Jesus é completamente diferente. Muitas e muitas vezes Jesus fala a respeito da espera, da importância de ficar acordado, alerta. Essa é uma parte muito importante de seu ensino: ficar acordado, não ir dormir, permanecer presente. Assim, todas as palavras que você usar na oração, lembre-se de fazê-lo como ponteiros ou indicadores para isso. Então você poderá dizer verdadeiramente: "Eu estou ouvindo".




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* A partir de hoje daremos início a uma série de textos inéditos do Caminho Infinito, de Joel Goldsmith.

sexta-feira, junho 13, 2014

Ensinamentos Essenciais da Seicho-No-Ie - 3/3


Masaharu Taniguchi


Sra. Maki - "Doença não existe" – compreendi esta Verdade através da minha experiência pessoal, pois, quando despertei para a Verdade, a doença que me atormentava desapareceu. Eu era uma pessoa fraca e doentia, mas o filho que tive depois que me converti à fé nasceu com cerca de 3,800 kg. Foi um fato surpreendente. Embora tenha compreendido a veracidade da informação "doença não existe", há algumas coisas que ainda não são bastante claras para mim. Ensinam-nos que o homem adoece porque se deixa levar pela ilusão. Mas parece-me inconcebível que surjam pensamentos ilusórios no homem, que é filho de Deus. Outro dia, durante uma reunião, fiz perguntas a esse respeito e o prof. Nakahata esclareceu alguns pontos. Posteriormente, recebi também uma carta do mestre Taniguchi. Mas ainda continuo não entendendo bem essa questão, e quanto mais penso, mais confusa fico.

Nakahata - A senhora busca a resposta para essa questão partindo da ideia de que a ilusão existe, e é por isso que acaba num beco sem saída. É preciso despertar para o fato de que não existem nem a ilusão nem o seu eu em estado de ilusão, existindo unicamente o filho de Deus.

Murano - Eu também tropecei uma vez nessa questão. Mas lendo numa das publicações da Seicho-No-Ie as questões discutidas numa mesa-redonda entre o mestre Taniguchi e vários professores da Seicho-No-Ie, as minhas dúvidas foram esclarecidas. Nessa mesa-redonda, o mestre explicou o seguinte: Coisas como ilusão, que não são existências reais, não podem ser apreendidas por mais que as procuremos. Se alguém procura o que não existe, é porque ele pensa que isso existe, e vai aparecer se o procurar; enquanto não perceber o equívoco, não compreenderá que aquilo que procura não existe. Enquanto um sonâmbulo estiver sonhando que um ladrão entrou em sua casa, e ficar procurando-o aqui e acolá, não perceberá que esse ladrão não existe realmente. Para que o sonâmbulo perceba que esse ladrão não existe, basta despertar. O mesmo se pode dizer de todos nós: Basta pararmos de pensar sobre o que não existe, e simplesmente despertarmos para a Verdade de que somos filhos de Deus. Despertando, a ilusão se apaga – é só através desse meio que podemos provar a inexistência da ilusão.

Sra. Maki - Não existe ilusão, não existe o eu em estado de ilusão; no entanto, do eu inexistente surge a ilusão, que também inexiste – nesse ponto, começo a ficar confusa outra vez...

Mizuta - Quanto a mim, é só fechar os olhos assim, que imediatamente percebo que a matéria não existe, a ilusão não existe, e sinto-me envolto pela Luz Divina onipresente.

Taniguchi - Sra. Maki, certamente conhece a tragédia Hamlet, de Shakespeare. A tragédia Hamlet é um produto da imaginação de Shakespeare; portanto, por maior que seja o realismo com que ela esteja sendo representada no palco, não está acontecendo realmente. Também o príncipe Hamlet, personagem central dessa tragédia que vive um grande sofrimento, não é uma pessoa que existe realmente. O príncipe Hamlet é um personagem fictício criado por Shakespeare, e não um personagem real. Um personagem que não existe realmente é atormentado pela tragédia que ele próprio criou – isto exemplifica como o homem fenomênico, que não existe realmente, vive a sofrer criando ele mesmo ilusões que na realidade não existem.

Ilusão não existe; o homem em estado de ilusão não existe. Na tragédia acima citada, não existem na verdade nem o príncipe Hamlet, nem seus conflitos e sofrimentos. Mesmo que Hamlet tentasse perceber/refletir sobre a inexistência de si mesmo e sobre a inexistência da ilusão, nunca iria compreender. O mesmo se dá conosco quando procuramos compreender, com nossa inteligência humana, a inexistência da ilusão e do próprio corpo carnal. Por esse meio, nunca chegaremos a essa compreensão.

Voltando à tragédia de Hamlet: Para Shakespeare, é perfeitamente óbvia a inexistência de Hamlet e de seus tormentos, ou seja, é óbvio que Hamlet é um personagem originalmente inexistente e, por conseguinte, sua tragédia também não é real. Shakespeare tem plena consciência de que Hamlet é produto de sua imaginação e, assim sendo, por mais verossímil que seja esse personagem no palco, não é real. Nessa alegoria, Shakespeare corresponde ao homem verdadeiro, filho de Deus, perfeito e livre, que possui total liberdade de pensar e criar; Hamlet corresponde ao "falso ser humano", ou seja, ao "eu carnal"; e o fato de Hamlet viver sua tragédia, cheio de sofrimentos e conflitos corresponde ao fato de o "falso ser humano" (homem fenomênico) viver atormentado pelas ilusões que criou.

Do mesmo modo que somente Shakespeare sabe da inexistência de Hamlet, somente o homem verdadeiro sabe da inexistência da tragédia do seu "falso eu".

Sra. Maki - Ah, agora compreendi.

Taniguchi - No capítulo Kejoyu-hon, da Sutra do Lótus, está escrito que em tempos imemoriais existiu um santo budista chamado Daitsu-chishô, o qual só conseguiu alcançar a iluminação (tornar-se Buda) após praticar ininterruptamente o zen (meditação transcendental) durante um período de dez ciclos (No budismo, um ciclo é o tempo que uma rocha de dez léguas de extensão leva para ser desgastada por um véu que nela toca de leve uma vez em cada três anos. Portanto, significa um período de tempo quase infinito). Referindo-se a essa passagem, um certo monge perguntou ao sacerdote Jo, de Koyo: "Por que um grande santo como Daitsu-chishô não conseguiu tornar-se Buda antes de completar dez ciclos praticando o zen?" Foi uma pergunta bastante incisiva, e o sacerdote respondeu à altura: "Foi justamente porque ele não se tornou Buda". Esse diálogo constitui o Koan nº 9 do livro Mumonkan. O que o sacerdote quis dizer foi: "Daitsu-chishô levou tanto tempo para alcançar a iluminação, pelo simples fato de ele próprio não ter despertado para a Verdade de que já era Buda, e não porque fatores externos o tolhessem ou exercessem domínio sobre ele".

Em sua essência, Daitsu-chishô era um iluminado desde o princípio. O mesmo ocorre conosco: todos nós somos seres iluminados – ou seja, filhos de Deus – desde o princípio; não é pelo fato de nos empenharmos no treinamento espiritual e aprimoramento da alma que nos tornaremos iluminados ou filhos de Deus. Assim mesmo como somos, sem que nos acrescentemos nada, já somos, na essência, iluminados ou filhos de Deus. Se, apesar disso, não conseguimos manifestar-nos como iluminados ou como filhos de Deus, é porque nós próprios não tomamos a iniciativa para que tal aconteça. Quando se fala em "tornar a si próprio um iluminado", pode-se pensar que o homem só poderá alcançar a iluminação depois de se empenhar diligentemente na prática de penitências, e assim purificar-se, eliminando uma a uma todas as cargas cármicas negativas. Mas nem sempre isso é necessário. Basta fitarmos com o "olhos da mente" o nosso aspecto original, ou seja, a Imagem Verdadeira de nossa Vida.

Akiyama - Parece que o cristianismo prega que o home pode tornar-se filho de Deus (alcançar a salvação) somente através da cruz de Jesus Cristo, e que é impossível ao homem ligar-se diretamente a Deus sem a mediação de Jesus Cristo.

Taniguchi - Segundo a maioria das seitas cristãs, a humanidade é cheia de pecados e, devido à ira de Deus, encontra-se distante d'Ele; Jesus Cristo surgiu neste mundo para ser o intermediário entre Deus e a humanidade, e foi crucificado para redimir os pecados de todos os homens; por isso, somente através de Jesus Cristo o homem pode alcançar a salvação. Porém, alcançar a salvação não significa simplesmente sermos conduzidos a um mundo de fartura conhecido como mundo celestial, paraíso, etc., e sim conscientizarmo-nos de que somos filhos de Deus.

Diz-se "alcançar a salvação" ao fato de o homem, que é originalmente filho de Deus, tomar consciência da sua natureza verdadeira original, e consequentemente passar a manifestar a Vida perfeita e livre, própria do filho de Deus. Se fosse verdade que o homem não pode ser salvo a não ser por intermédio de Jesus Cristo, teríamos de admitir que, antes do nascimento de Jesus Cristo, as pessoas não podiam ser salvas. E como Jesus Cristo nasceu há cerca de 2.000 anos, teríamos de admitir que as pessoas que nasceram antes, ou seja, desde tempos remotíssimos até o advento de Jesus, não eram salvas e sim completamente abandonadas. Se assim fosse, teríamos de considerar Deus como um ser muito descuidado, cruel e irresponsável.Sabemos, porém, que Jesus disse: "Antes que Abraão existisse, eu sou" (João 8:58). Isso significa que Jesus Cristo já era o Salvador desde tempos remotíssimos.

Mas a crucificação de Jesus, através da qual ele "abrandou a ira do pai contra a humanidade", deu-se efetivamente há cerca de dois mil anos. Assim sendo, se interpretarmos a crucificação de Jesus Cristo como tem sido interpretada até agora, ou seja, que há quase dois mil anos ele foi pregado na cruz e morreu traspassado por lanças para redimir o pecado dos homens, teremos de admitir que, até então, Deus deixara a humanidade ao abandono, sem salvá-la. Mas na Seicho-No-Ie não se admite, de modo algum, a ideia de que Deus seja um Ser que tenha tais imperfeições.

O verdadeiro significado da crucificação de Jesus Cristo pode ser compreendido plenamente à luz dos ensinamentos da Seicho-No-Ie. Pregar o corpo carnal na cruz significa aniquilar o corpo carnal. Aniquilar o corpo não é ferir mortalmente o corpo com lança ou algum outro instrumento; é compreender que o corpo carnal não existe realmente, não passa de sombra e, revelando a irrealidade do corpo carnal, apagar a ideia de que ele é existência real. Em suma, consiste em saber que o corpo carnal é sombra, e não existência real, e "apagá-lo" do mundo da existência. Esta é a Verdade que Jesus Cristo quis transmitir. Curando enfermidades do corpo pelo poder da palavra, ou deixando-se pregar na cruz e aparecendo ressuscitado três dias depois, Jesus Cristo provou que, sendo o corpo carnal sombra da mente, podemos controlá-lo livremente, fazendo-o desaparecer ou aparecer.

E ele disse: "Se alguém que vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me" (Mateus 17:24). Com isso, ele quis dizer que, para entrarmos no Reino de Deus, isto é, para alcançarmos a conscientização de filho de Deus, devemos "pregar na cruz o nosso corpo carnal", ou seja, negar nosso próprio corpo, reconhecendo que ele não é existência verdadeira. Conseguimos entrar no reino de Deus quando despertamos para a Verdade de que o corpo carnal não é existência verdadeira e que o nosso Eu Verdadeiro não é o corpo carnal, mas sim um ser espiritual. Este é o verdadeiro significado do ensinamento de que "devemos seguir o exemplo de Jesus Cristo, pois é por intermédio dele que podemos entrar no reino de Deus".

Do livro "A Verdade da Vida, vol. 11", pp. 195-202

terça-feira, junho 10, 2014

Ensinamentos Essenciais da Seicho-No-Ie - 2/3


Masaharu Taniguchi


UNIVERSO DA PROJEÇÃO E UNIVERSO VERDADEIRO

Mizuta - Para mim, o "Deus que se manifesta através da Seicho-No-Ie" aparece sob a forma de Sol. Quando fecho os olhos e começo a fazer a Meditação Shinsokan, vejo essa figura luminosa descer diante de mim. É uma imagem realmente majestosa. Às vezes, vejo a Luz em vez do Sol. Mas, geralmente, é a imagem do Sol que me aparece, e ela emite vibrações de Vida, as quais, resplandecendo como raios dourados, penetram na minha fronte.

Taniguchi - Deus é Luz infinita; portanto, não tem limites. Não tendo limites, não tem forma definida. O que não tem limites, não nos é possível ver. De acordo com a revelação divina, o Sol visível aos nossos olhos carnais não é o Sol verdadeiro. O verdadeiro Sol é a Luz infinita e eterna de Vairocana (Deus do Sol), o qual é onipresente. Mas como não nos é possível ver o que é infinito, valemo-nos dos cinco sentidos e também do sexto sentido para vermos o infinito "refratado" num aspecto limitado. Assim, a imagem do Sol vista através dos cinco sentidos ou do sexto sentido é uma imagem condensada (do infinito para o limitado), captada por meio da "lente" dos cinco sentidos ou da "lente" do sexto sentido. O Deus verdadeiro é imaterial, é Luz infinita. Porém, Ele tem aparecido aos homens, sob a forma personificada, como diversas divindades. A esse Deus manifestado sob a forma personificada, damos o nome de "divindade Vairocana", "Deus que se manifesta através da Seicho-No-Ie", "Buda Amida", etc.

Murano - Mestre, o senhor prega que tudo quanto se pode captar através dos cinco sentidos é mera sombra e não é existência real. E o que diz dos elementos da natureza, tais como a água e a terra? Não posso conceber a ideia de que também eles sejam produtos da nossa mente em estado de ilusão. Será que também esses elementos, sendo matéria, não podem ser considerados existências verdadeiras criadas por Deus?

Taniguchi - Elementos como a água e a terra são existências verdadeiras criadas por Deus; mas a Imagem Verdadeira deles não são esses elementos imperfeitos que podemos ver e tocar concretamente. A Imagem Verdadeira deles é uma substância muito mais apurada, e de natureza espiritual. Eles se apresentam sob esse aspecto material e imperfeito porque nós os vemos através da "lente" dos cinco sentidos. É verdade que, mesmo as águas deste mundo fenomênico, quando não contêm impurezas, são cristalinas e belas. Porém, as águas do mundo da Imagem Verdadeira, sendo uma espécie de fluxo de luz espiritual, são infinitamente mais belas. O sr. Sawada parece ter visto de relance a beleza do mundo da Imagem Verdadeira. Todas as coisas do mundo da Imagem Verdadeira são de uma beleza tal, que não pode ser descrita com palavras deste mundo. Mas, aos nossos olhos, elas se apresentam sob o aspecto material, "estagnadas" e sem a beleza espiritual, porque as vemos através da "lente" dos cinco sentidos, distorcendo-lhes a Imagem Verdadeira.

Akiyama - Na Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade, no capítulo intitulado "Homem", está escrito: "Portanto, homens da face da terra, procurais com fervor o vosso corpo verdadeiro, que é Espírito; não o procureis na matéria nem na carne, que são produtos de ilusões". Compreendo que não podemos encontrar o corpo verdadeiro (a Imagem Verdadeira) enquanto ficamos procurando-o na sombra, vendo a sombra como aspecto verdadeiro. Todavia, mesmo que desfaçamos esse equívoco e eliminemos a ilusão, a matéria e a carne continuarão manifestadas como sombra, e cabe a nós controla-las livremente, reconhecendo-as como sombras e aspectos aparentes, não é mesmo? No citado trecho da Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade, a matéria e a carne são qualificadas como "produtos de ilusões". No entanto, em Votos e Aprimoramento Espiritual dos praticantes da Seicho-No-Ie está escrito que devemos contemplar os campos, as flores, o fogo, a água, enfim, toda a Natureza, como manifestação da Vida de Deus.

Penso que embora essa manifestação seja mera sombra, aspecto aparente ou aspecto fenomênico, enquanto vista através dos cinco sentidos, não se pode dizer que todos os elementos ao nosso redor sejam produtos de sonhos e ilusões sem nenhum fundamento. Entendo que tanto a afirmação de que o homem é espírito e não matéria (corpo carnal), como a de que a matéria e o corpo carnal não são existências verdadeiras, são válidas somente quando constituem argumentos para eliminar as ideias errôneas, ou seja, a ilusão. Penso que, mesmo depois de se eliminar a ilusão, devemos aceitar a matéria e o corpo carnal com a clara noção de que eles são aspectos aparentes, e nos relacionarmos com eles de maneira correta. Acho que é nisso que consiste a vida do ser humano na existência terrena. Que pensa deste meu raciocínio? Seguindo essa linha de pensamento, chegamos à conclusão de que tanto a matéria como o corpo carnal, contanto que não os vejamos baseados na ilusão, podem ser considerados manifestações da Vida de Deus, ou seja, originários da Grande Vida, e não produtos do sonho e da ilusão do homem.

Taniguchi - Na passagem da Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade onde diz "Portanto, homens da face da terra, procurais com fervor o vosso corpo verdadeiro, que é Espírito; não o procureis na matéria nem na carne, que são produtos de ilusões", a expressão "o corpo verdadeiro, que é Espírito" significa "Imagem Verdadeira do homem, o homem verdadeiro, o Eu verdadeiro". Portanto, a passagem diz que o homem verdadeiro não é, em absoluto, matéria ou corpo carnal, e que constitui sonho ou ilusão pensar que o homem verdadeiro seja um ser material e carnal.

A afirmação de que a matéria não existe constitui a base da doutrina da Seicho-No-Ie. Dizemos que a matéria nada mais é que corporificação das ondas de éter, para explicar a inexistência da matéria aos homens presos ao moderno materialismo. Se as ondas de éter fossem existências reais, a matéria, que seria sua corporificação, também seria existência real. afirmar que o homem não é existência material, com base na ideia de que ele é corporificação das ondas de éter, seria simplesmente trocar sua denominação – de "ser material" para "corporificação das ondas de éter" – em vez de negar realmente a existência do homem como ser material. Isso equivaleria a dizer que o homem é um ser material resultante das ondas do éter. A afirmação da Seicho-No-Ie, de que a matéria não existe, não se sustenta numa base tão frágil como a ideia de que a matéria é corporificação das ondas de éter. Se dissermos que a matéria não existe porque é apenas corporificação das ondas de éter, teríamos de dizer, também, que as doenças, os acidentes, as tragédias não existem porque são corporificações das ondas de éter. E isso equivaleria a resignar-se. Equivaleria a afirmar que doenças, danos e tragédias existem como corporificações das ondas de éter. Seria admitir a existência da matéria como corporificação das ondas de éter, o que nos levaria a concluir que doenças, danos e tragédias existem de fato.

Vamos exemplificar: Suponhamos que uma pessoa se fira com uma faca. Admitindo-se que tanto a faca como o corpo carnal sejam corporificações das ondas de éter, isso significaria que um tipo de ondas de éter feriu outro tipo de ondas de éter, o que nos levaria à conclusão de que, como ondas de éter, o ferimento é uma existência real. Mas a Seicho-No-Ie, mesmo em tais casos, afirma que ferimentos jamais são existências reais, porque o Homem é um ser espiritual indestrutível e nenhuma arma pode feri-lo. Outro exemplo: Imaginemos um animal carnívoro, como o tigre ou o leão, matando e devorando um animal fraco, como o coelho, por exemplo. Se admitirmos que toda matéria e todo ser animal existem realmente como corporificação das ondas de éter, teremos de admitir que a destruição dos fracos pelos fortes (no caso, a morte do coelho pelo leão ou tigre) é uma realidade. Todavia, a Seicho-No-Ie afirma que um fato como a lei da selva ou lei do mais forte (isto é, a destruição dos mais fracos pelos mais fortes) não é existência verdadeira, sendo apenas produto do sonho e da ilusão, pois somente o mundo criado por Deus existe realmente, e no mundo criado por Deus não existem atos cruéis, que são totalmente opostos ao amor.

Embora as ondas de éter constituam o último grau (a forma mais sutil) da matéria, elas não diferem de outras formas de matéria quanto ao fato de que não são existências verdadeiras. Já que ondas de éter não passam de matéria, é uma contradição admitir a existência real das ondas de éter e negar a existência real da matéria. Por isso, a Seicho-No-Ie, ao mesmo tempo que nega a existência da matéria como sendo produto do sonho e da ilusão, nega também a existência das ondas de éter como sendo a forma mais elevada e sutil do sonho e da ilusão. Assim, pelo fato de a matéria ser produto do sonho e da ilusão, não se pode encontrar o ser real (a Imagem Verdadeira) dentro dela. Se, todavia, a sombra chamada "matéria" – ou seja, a ausência de luz – está manifestando diversos aspectos, é sinal de que ali está incidindo a Luz, proveniente do ser real (a Imagem Verdadeira). Se não houvesse ali nenhuma luz, haveria unicamente a treva, e não poderia surgir imagem alguma. É como acontece com o filme cinematográfico: Onde só há escuridão e nenhuma luz, não pode ser projetada nenhuma imagem. As mais variadas imagens de um filme cinematográfico surgem na tela graças à presença da luz que torna possível a sua projeção. O mesmo ocorre com a matéria.

A matéria é ausência de Luz, é ausência de Vida; ela, em si, não existe. No entanto, apesar de não existir, ela manifesta formas, em vez de permanecer sem formas como simples inexistência. Isto acontece devido à luz proveniente do ser real (Imagem Verdadeira). Assim, a forma manifestada, embora esteja muito longe de se igualar ao ser real (Imagem Verdadeira), traz em sua retaguarda a Luz, a Imagem Verdadeira da Vida. O mesmo se pode dizer deste mundo material. O mundo material não é criação de Deus, e por isso nele se manifestam doenças, infelicidades e tragédias como guerras. Porém, por detrás dessa imagem imperfeita do mundo material, brilha a Luz da Imagem Verdadeira da Vida, a Luz de Deus. E é por isso que podemos ver em todos os seres e em todas as coisas a manifestação de Deus; assim, há pessoas que encontraram Deus justamente quando ficaram doentes, e outras que encontraram Deus justamente quando se viram em grandes dificuldades. Portanto, estamos dizendo a Verdade quando afirmamos que em todos os seres e todas as coisas vemos a manifestação de Deus. Originalmente, num dos itena de Votos e Aprimoramento Espiritual dos praticantes da Seicho-No-Ie constava: "Acreditamos que (...) toda a Natureza e todos os seres que nela habitam são manifestações da Vida de Deus (...)". Porém, havia pessoas que questionavam "Quer dizer, então, que doenças também são obras de Deus? As guerras, a realidade cruel do mundo animal, em que os mais fortes devoram os mais fracos, também são obras de Deus?". E para evitar interpretações errôneas, esse item foi alterado para: "Ao contemplarmos o céu, as estrelas, o mar, a terra, o fogo, a água, os campos verdejantes, as flores, enfim, todos os elementos da Natureza e os seres viventes, apreendamos em seu âmago a perfeição da Vida de Deus. Amemos, respeitemos e reverenciemos essa Vida, e jamais a desperdicemos."

Cont...

Do livro "A Verdade da Vida, vol. 11", pp. 184-195.