"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

sexta-feira, outubro 18, 2013

Pratique a caridade todos os dias - 1/3

 
Masaharu Taniguchi
 
 
Talvez você conheça a seguinte fábula:

Era uma vez um país muito rico. O rei desse país tinha um filho muito inteligente. O jovem príncipe tinha tudo o que queria; todos os seus desejos eram satisfeitos. No entanto, o príncipe não era feliz. Em sua fisionomia havia sempre um ar de tristeza e insatisfação.

O rei não entendia por que o seu filho querido, a quem nada faltava, vivia sempre sombrio. Um dia, o rei mandou chamar o príncipe e perguntou-lhe com ternura: "Você tem tudo o que quer; não há nada que você deseje que não seja satisfeito. Apesar disso, você está sempre tristonho. Por que não consegue se sentir feliz? Guarda alguma dor secreta em seu coração?

O príncipe respondeu: "Como o senhor disse, não há nada que eu queira que não seja satisfeito. Eu tenho tudo, posso fazer o que eu quero. Assim sendo, não há razão para ter um sofrimento secreto. Acontece, simplesmente, que eu não consigo sentir alegria de viver. Eu mesmo não entendo por que me sinto assim.

O rei resolveu publicar uma nota oficial, em que prometia um grande prêmio em dinheiro a quem conseguisse tornar feliz o príncipe. Muitas pessoas tentaram, mas todas elas fracassaram.

Um dia, apareceu um mágico, o qual disse: "Eu vou conseguir tornar o príncipe feliz".

Ouvindo isso, o rei falou: "Se você realmente conseguir tornar feliz o príncipe, dar-lhe-ei tudo o que desejar. Mas tem certeza de que conseguirá?"

Com a permissão do rei, o mágico levou o príncipe para um outro aposento. Ali, pegou uma folha de papel em branco e nele escreveu alguma coisa, com uma tinta invisível. Entregou esse papel ao príncipe e disse: "Vá a um quarto escuro, acenda uma vela, e aproxime este papel. Então aparecerão as palavras que escrevi. Faça o que está escrito, e a partir de hoje mesmo Vossa Alteza poderá se tornar feliz."

Assim que terminou de falar, o mágico desapareceu. E nas mãos do príncipe ficou a folha de papel aparentemente em branco, igual a qualquer outra. Imediatamente o príncipe foi a um quarto escuro, acendeu uma vela e aproximou da chama o papel. Logo começaram a surgir nele letras em azul, onde se lia:
 

"Pelo menos uma vez por dia, pratique um ato de bondade."
 

Ah! Então era esse o segredo da felicidade! O príncipe seguiu esse conselho, e desde esse dia tornou-se feliz.
 
Caro leitor! Se você vive perseguindo apenas a sua própria felicidade, você é como uma criança que corre, querendo pegar a lua. Por mais que corra, nunca conseguirá agarrar a verdadeira felicidade.

Ninguém -- seja ele um rei, um príncipe ou um milionário, etc. -- não conseguirá se tornar verdadeiramente feliz, enquanto não conhecer a alegria de ser útil aos outros, de tornar feliz o seu próximo e sentir em si o reflexo da alegria do outro. Dando de si é que o homem consegue se tornar maior. Dando de si é que o homem consegue fazer com que o seu tesouro retorne a si próprio com o valor aumentado dezenas de vezes.

Assim como o valioso elemento químico "rádio" não se diminui, apesar de irradiar milhões de elétrons por segundo, o homem também em nada diminui por mais que ofereça de si mesmo aos outros, por mais que se dedique para tornar feliz o seu próximo. Pelo contrário, quanto mais a pessoa dá, mais abundantemente passa a fluir para si a "água da Vida". Isto acontece porque, na verdade, a Vida de uma pessoa e a Vida de seus semelhantes são "uma coisa só". Assim sendo, é na felicidade de seus semelhantes que o homem encontra a sua própria felicidade.

Quando minhas mãos tocam em uma pessoa doente, elas vão naturalmente para a parte enferma do corpo dessa pessoa. Atendendo à necessidade de curar essa pessoa, minhas mãos passam a trabalhar na parte afetada, ora afagando-a, ora pressionando-a, ora massageando com força e ora massageando suavemente, como se estivesse fazendo isso em meu próprio corpo. E, é interessante, ocorre a cura da doença. Este fenômeno pode ser explicado sob diversos ângulos, mas, fundamentalmente, a capacidade de um ser vivo captar os pontos deficientes do organismo de outro ser vivo sem enxergar esses pontos com seus olhos físicos, explica-se pelo fato de que, em sua essência, um e o outro serem "uma só Vida". Qualquer pessoa poderá passar por experiências semelhantes a essa, se aprofundar a conscientização de sua unidade com Deus e com seus semelhantes através de práticas meditativas como o Shinsokan da Seicho-no-Ie.

Meus semelhantes e eu somos uma só Vida, pois somos "irmãos na Vida" nascidos da mesma "Grande Vida". Ser útil aos outros é, em última análise, ser útil a si mesmo. No entanto, muitas pessoas consideram um desperdício de Vida trabalhar por uma causa que não envolva interesses pessoais, ou pensam que "não se ganha nada sendo bom para os outros". Essas pessoas pensam assim porque se deixam aprisionar pelo "invólucro da carne" que as separa dos outros. Da mesma forma que se quebra a casca de um ovo, devemos quebrar o "invólucro" que nos separa dos outros. É assim que podemos obter os fortificantes mais necessários para a nossa alma.

Não se mostrar bondoso para com os outros é tolerável. Mas o que é realmente reprovável é o fato de haver pessoas que se satisfazem praticando maldade para com os outros, tecendo comentários maldosos sobre a infelicidade alheia, dizendo palavras irônicas que agravam mais o sofrimento de seu semelhante, espalhando os segredos alheios, ou ridicularizando os defeitos dos outros e causando-lhes vergonha.

Aquele que só se sente importante ridicularizando ou diminuindo os demais, está dando prova da sua pequenez. Os possuidores de um coração pequeno e mesquinho não suportam ver os outros alcançarem êxito ou serem elogiados. Aquele que se alegra com o sucesso de seu próximo e, felicita-o como se felicita o êxito de seu próprio irmão, está dando provas da nobreza de sua alma.

Ao ouvir falar do sucesso de alguém ou das virtudes alheias, não diga palavras que possam colocar em dúvida tais sucessos ou tais virtudes. Não procure os defeitos; não pense que atrás do sucesso estão escondidos "pontos obscuros"; não pense que pode haver intenções desonestas atrás das atitudes virtuosas.

Pobre de quem, estando diante de uma luz, não vê a claridade e procura encontrar alguma mancha negra dentro da luz! Aquele que vê a luz fica iluminado, e aquele que vê a treva fica obscurecido pela treva.

Aquele que quer ser uma pessoa alegre e feliz deve olhar apenas o lado positivo dos atos alheios, e elogiá-los com o coração aberto. Aquele que deseja engrandecer a si mesmo deve procurar a nobreza nos atos das outras pessoas. Dominar os outros não constitui, de forma alguma, um meio para engrandecer a si mesmo.

Aquele que fica satisfeito descobrindo os pontos negativos dos outros, está comprovando que ainda não possui a grandeza de alma, digna de um Filho de Deus, e que ainda não conseguiu a profunda consciência da unidade entre ele e os outros. Os sentimentos como ciúme e inveja revelam a baixeza, fraqueza e subdesenvolvimento espiritual do indivíduo.

Aquele que possui uma alma realmente nobre, experiente e desenvolvida consegue manter a serena convicção da sua grandeza espiritual, sem recorrer a meios baixos como apontar as falhas alheias ou falar mal dos outros.

Uma pessoa generosa, capaz de se alegrar com a alegria dos outros, não só revela a sua grandeza espiritual, como também consegue elevar-se cada vez mais.

Quanto mais atos de bondade praticarmos, mais se elevará a nossa alma. Quanto menos olharmos para os defeitos dos outros, mais feliz será a nossa alma. Quanto mais louvarmos as qualidades dos outros, mais alegre e purificada se tornará a nossa alma.

As pessoas tolas tendem a acreditar que "quanto mais falarem mal dos outros, quanto mais depreciarem as virtudes alheias e quanto mais apontarem os defeitos dos outros, maior será a possibilidade de serem consideradas superiores". A verdade, porém, é justamente o oposto. Pode ser que muitas pessoas ouçam tais maledicências e comentários depreciativos sem contestar, mas, na verdade, elas dificilmente deixam de perceber a baixeza de caráter dos que as proferem. Aquele que deprecia os outros será também depreciado.

Eu gostaria de formar, entre os irmãos da Seicho-no-Ie, uma "Liga das pessoas que não falam mal dos outros". Eu disse "dos outros", mas naturalmente não devemos falar mal de nós próprios, nem de nossos familiares -- pais, irmãos, filhos, etc. Para os membros da Seicho-no-Ie, que possuem a consciência da sua condição de "Filho de Deus" e a firme convicção de que "a Palavra é força criadora", nada mais natural do que não falar mal das pessoas.

Esse mundo será um paraíso quando se tornar totalmente livre de pessoas que proferem palavras maldosas, e ficar repleto de bondade e louvor. Podemos dizer que, quando isto acontecer, terá sido atingido o objetivo com que surgiu a Seicho-no-Ie.
 
Continua...
 
(Do livro "A Verdade da Vida, vol. 7", pp. 87 à 93)

quinta-feira, outubro 17, 2013

O Universo conspira a seu favor


  

 
– Quão limitado é o nosso conceito de Deus, se pensamos ter o poder de influencia-Lo a fazer para nós aquilo que Ele já não esteja fazendo; e quão finita deve ser a nossa compreensão de Deus quando nos dirigimos a Ele com nossos desejos egoicos ou quando nos aproximamos d'Ele com a pretensão de obter o que quer que seja – exceto pedir por luz, graça e sabedoria, além do entendimento acerca de Seus caminhos, Suas leis, Sua vida. Ao orarmos, devemos liberar Deus de qualquer obrigação pessoal para conosco, com a consciência de que estamos confiando na sabedoria d'Aquele que criou o Universo e tudo faz para sustenta-lo e governa-lo. Quando é assim, não mais tentamos canalizar Deus na direção de nossos desejos pessoais. Deus não irá mudar os Seus caminhos a fim de nos atender ou beneficiar – nós é que devemos nos modificar em relação à Deus. Nós não podemos fazer  Deus se adequar à nossa desobediência e ignorância, mas podemos nos tornar obedientes e espiritualmente sábios. Que possamos abrir mão de nossas tentativas de usar Deus, assim como das eventuais expectativas de que Deus fará as nossas vontades ou realizará os nossos desejos, e assumamos o seguinte: "Pai, seja feita não a minha vontade, mas que a Sua vontade se cumpra em mim. Eu não peço que Vós atenda aos meus desejos, às minhas esperanças ou às minhas ambições; e sim que eu possa realizar a Sua vontade, a Sua graça, Seus caminhos. Liberta-me, ó Pai, de todos os desejos, esperanças, vontades, e planos. Faz com que eu seja obediente aos planos que tens para mim. Mostra-me claramente o caminho que eu devo seguir, e eu prometo seguir a luz conforme ela me seja mostrada." - Joel S. Goldsmith

– Quando oramos a Deus por nós mesmos ou por nossos próximos, é certo que pensamos conhecer melhor do que Deus quais são as nossas necessidades ou as necessidades de nossos vizinhos; mais do que isso, acreditamos  ter o amor de querer que o nosso semelhante tenha suprida todas as suas necessidades, mas que Deus não tenha o conhecimento nem amor para supri-lo. Contudo, no lugar mais recôndito de nosso coração, sabemos que essa não é verdade. Deus não é servo do homem, e Deus não age de acordo com o pensamento dos homens de como as coisas deveriam ser ou funcionar. Abandonemos, pois, as nossas tentativas de dizer a Deus quais bênçãos ele deveria conceder ou quando as deveria conceder, e descansemos na confiança de que a Sua graça é a nossa suficiência. Soltemo-nos, pois, no ritmo de Deus a fim de que possamos nos tornar integrados ao ritmo deste universo. - Joel S. Goldsmith

– Não precisamos procurar Deus. Só precisamos saber que Ele está conosco e que jamais irá nos abandonar: podemos descansar nessa Palavra. Se não o fizermos, estaremos cerrando as cortinas da janela e saindo em seguida à procura de luz! O Reino de Deus está dentro de vocês. Por que procurar mais? Aceitem que "Eu e o Pai somos um só, aqui e agora, e o lugar onde me encontro é solo sagrado." Se a nossa mente estiver serena, em vez de buscar, de investigar ou de mentalizar, nós podemos ouvir o que Deus tem a dizer. E não duvidem de que Deus tem coisas infinitamente mais interessantes a dizer a nós do que nós a Ele! Pratiquem a consciência da Onipresença até que obtenham uma completa percepção dela. Em vez de procurar Deus, reconheçam: "O pai está comigo; não onde eu O procuro, mas dentro de mim. Quando? Agora, agora que O reconheço, pois é Onipresente, sempre presente. Obrigado, Pai. Tu estás aqui!". - Joel S. Goldsmith
 
 Nossa união consciente com Deus constitui a nossa unidade com cada ser e ideias espirituais. Isso significa que somos todos um e, na medida em que amarmos o nosso semelhante como a nós mesmos e agirmos para com ele do mesmo modo que gostaríamos que agissem para conosco, nesse exato grau estaremos acionando e colocando em ação a lei espiritual. É grande a responsabilidade do estudante espiritual, ninguém possui tanta responsabilidade quanto aqueles que trilham o caminho místico. Conhecer a Verdade, seguir princípios espirituais – semear no espírito, ao invés de na carne –, apenas isso é que poderá proporcionar a nossa regeneração, ressureição, renovação e, finalmente, a nossa ascensão para além de toda a materialidade. Pela palavra semear entendemos "estar conscientes de". Em tal estado elevado de consciência, até mesmo a lei cármica cessa de operar em nossas experiências; pois, em decorrência do reconhecimento de que jamais somos o agente/fazedor, mas unicamente Deus é que opera/age através de nós, a lei do carma é simplesmente nulificada. - Joel S. Goldsmith




terça-feira, outubro 15, 2013

Simplesmente Isso! [Núcleo]


Mooji / Núcleo

 
A seguir, segue um texto de Mooji, com comentários feitos pelo Núcleo. [Os comentários estarão entre chaves, em fonte de cor azul].


Questionador: Alguns professores dizem que não há nada que você possa fazer para se tornar iluminado ou despertar. Que não há escolha nem ninguém para escolher. Isso é verdade?

Mooji: Ao ouvir isso, qual foi a sua reação?

Questionador: Na verdade foi mista. Por um lado uma sensação profundamente libertadora, simples e natural, seguido de um sentimento de real frustração e raiva. Honestamente eu me senti bastante irritado e oprimido com a idéia de não ter o livre-arbítrio. Foi muito estranho.

Mooji: E qual dessas duas reações ficaram mais fortes com você?

Questionador: Bem, como disse antes,inicialmente o sentimento de liberdade foi forte,belo e expansivo mas durou pouco, enquanto que a frustração, dúvida e confusão tém sido mais prolongados.

Mooji: E estes sentimentos o trouxeram de novo ao Satsang, certo?

Questionador: Pode-se dizer que sim. Na verdade eu não sinto que tomei nenhuma decisão para vir aqui. Eu sinto que fui atraído por alguma força. Quando estou aqui contigo, tudo vai bem; suas palavras e sua presença me fazem sentir seguros nesta verdade. O problema começa quando estou lá fora no mundo. Daí eu duvido de mim mesmo. Me sinto fraco, sem foco e me falta essa convicção que estou sentindo agora. Eu necessito de ajuda.

Mooji: Obrigado. 'Eu necessito de ajuda' é a frase chave aqui. É sábio buscar auxílio, até que você vá além da necessidade do auxílio. Não a arrogância que diz 'Não há' ninguém a ser ajudado, nenhum 'eu', nenhum 'você'. Ninguém existe, somente aquilo que É, que embora verdadeiro quando exaltado da boca do sábio, é completamente falso quando expressado da mente egoica! É o ego que se levanta através do intelecto bancando ser algum tipo de herói espiritual. [Que profundidade expressa esta frase! O Ser “É”; o personagem “está sendo”, portanto, “não é”, mas, apenas “está sendo”. A Consciência do Ser diz: “Eu Sou o que Sou”, porque sabe que É. A mente do personagem não pode dizer o mesmo, porque está acreditando ser algo agora e outro algo, depois. O personagem não sabe quem realmente é, mas acredita; por ele ser mutável sua condição é a de impermanência.]

 Esta compreensão não pode ser enxertada numa mente ego-centrada porque a verdadeira compreensão dissolve o ego-buscador. Não há ninguém que sobre para reivindicar a liberdade como uma realização. A Unidade, o Um, apenas existe manifestando-se através e como a própria consciência. Ela expressa-se como o jogo cósmico. É a consciência se expressando no papel do humilde buscador que finalmente, através da graça, alcança a compreensão final, assim realizando-se como a Consciência Impessoal, o Ser. [Outra frase notável! Quando o personagem percebe quem ele realmente é, o Ser expressando-se como personagem, as luzes do teatro onde ocorre a encenação se acendem, todo o ambiente se ilumina e é revelado que o Autor, os atores e o próprio cenário são o único Ser Real expressando-se como tudo e todos eles]

A sua busca por ajuda abre uma enchente de Graça que se manifesta na forma do 'professor', que é um reflexo do seu verdadeiro Ser, cuja autoridade e presença o assiste empurrando a mente externalizada para dentro de sua fonte, o coração, fazendo-o resultar na compreensão final. [Eis a verdade sendo expressa em termos claros. Perceba que não há aqui um “comentarista”; estes comentários ao texto provém de uma Fonte interna, que apareceu como o autor deste texto; agora aparece como o comentarista; e no instante em que o texto estiver sendo lido, aparecerá também como o leitor... É isto que deve ser percebido; esta é a “leitura” correta, a percepção que desvela a realidade de Quem somos]

Esta graça provém do seu próprio Ser e é o seu Ser. Você ouviu o provérbio que diz : 'Nós somos chamados por nosso próprio Ser', e ainda tudo isto toma a forma como um mero teatro na consciência. O Absoluto, o Ser real de cada um, o Satguru dentro de nós, nem se beneficia nem sofre nenhuma alteração de maneira alguma, mas mantém-se como o inalterado substrato ou pano de fundo. Esta é a verdade. [Sim, é a verdade expressa não pela mente do personagem, o autor do texto, mas pela Consciência do Ser, uma Consciência Impessoal e Onipresente, que está no autor, no comentarista e no leitor deste profundo texto]

Questionador: Há uma alegria outra vez em ser lembrado disto, talvez isso seja a atração do Satsang. Mas eu devo dizer que ainda estou um pouco confundido sobre...

Mooji: Não! Pare aí mesmo. Na verdade, 'você', o que você realmente é [o Ser Real], não pode estar confuso [um estado da mente do personagem]. Confusão é um estado mental. Não seria mais preciso dizer que você sente ou nota a confusão surgindo em você? E que ambos os sentimentos de confusão e conforto são percebidos por você [sim, “a mente sente” e a seguir julga, enquanto “a Consciência percebe, sem julgar”], incluindo seus efeitos no corpo, assim como os pensamentos e julgamentos subsequentes, que acompanham tais sentimentos? E que estes são estados que vem e vão na presença de algum 'pano de fundo ' de inteligência impessoal ou testemunha natural?

Questionador: Sim. Parece haver mais distância nesta forma de olhar. Sinto-me mais desapegado e espaçoso de alguma forma.

Mooji: Vamos voltar à sua pergunta original ?

Questionador: Sim, mas eu gostaria que você falasse mais sobre esse ponto.

Mooji: Ok. Ok, nós voltaremos se necessário. Na sentença: 'Não há nada que você ou ninguém possa fazer para ganhar a 'iluminação' ou o 'despertar'. Quem ou o quê é que ouve isto? E quem ou o quê é o 'você' na declaração ?

Questionador: Eu mesmo! O que Eu sou.

Mooji: E o que é isso? (pausa...) Agora você está vestindo olhos pensativos. Não pense! Observe!

Questionador: Minha mente... Minha individualidade. Meu sentido de ser, eu suponho. Meu intelecto?

Mooji: Não deve haver algo por detrás que vê a mente, a individualidade, o intelecto? [Sim, a Consciência do Ser, o Ser que realmente somos, que é impessoal] De onde estas mesmas frases estão surgindo, e o que se mantém inafetado, intocado pelo funcionamento da mente, intelecto. Não estão estes fenômenos sendo observados? [Sim, pela Consciência do Ser] Você pode confirmar? [Isto deve ser percebido]

Questionador: Sim (assentindo lentamente), eu posso confirmá-lo como tal.

Mooji: Deixando de lado qualquer fenômeno notável que esteja surgindo [na mente do personagem], volte a sua atenção para a própria observação [para a percepção da Consciência do Ser]. O que exatamente é isso que observa? É uma pessoa, uma coisa? [É a Consciência]  Tem uma forma, característica ou qualidade? É pessoal? [É sem forma, atributos ou qualidade. É apenas Consciência impessoal]

Questionador: Não. Ningúem está lá. Nada.

Mooji: Você está lá?

Questionador: Sim. Não. Eu devo estar. Eu estou nele.

Mooji: O que vê ou sabe isso ?

Questionador: Eu não sei. Eu apenas sei; mas não sei como eu sei. Eu não sou nada aqui exatamente. Eu quero dizer sem forma. Lá vem aquele sentimento denovo. Isto foi o que eu senti, o que experienciei a última vez.

Mooji: Não se aferre a este sentimento agora, deixe-o ser. Não vá ao passado, permaneça por detrás. Não se identifique, não toque. Apenas observe, mas mantenha-se neutro [na percepção consciencial], de forma que se e quando este sentimento de alegria [sentimento é uma forma de percepção da mente, expressão da atividade da mente] desvanecer-se, restará apenas este observar [que é consciencial]. Você não pode 'ter' ou se 'tornar' isso. Nenhuma posse, nenhuma realização, apenas pensamentos e sensações surgindo espontaneamente na consciência e sendo percebidos. Você percebe? [Esta percepção é sem um processo de pensamento, análise racional, valoração ou julgamento, todos manifestações da atividade mental. É algo a ser apenas percebido].

Questionador: Mas eu não quero que isso vá. Para que afast­á-lo? Eu quero permanecer neste estado sempre. Não é esse o ponto?

Mooji: Isto é precisamente o que você deve fazer. Se isso não estava aqui antes, não é permanente, e pertence ao que é mutável. [Sim, pertence à mente do personagem] Passará. Deixe-o ir e vir, isto é natural e isso é a própria liberdade. Reconheça que o 'Eu não quero que isso vá embora' é também um sentimento-pensamento surgindo  [a atividade mental], sendo observado por algo que está além das idas e vindas [que é a Consciência impessoal do Ser]. Seja Um com isso [Você já É Isto. O sentido aqui é o de "não pense, apenas perceba". Pensar é usar a mente para concluir sobre algo. A percepção consciencial não provém de processos mentais, é direta e imediata, e revela unidade com o algo percebido, no sentido de que o que está sendo percebido está em Mim mesmo, está no próprio Ser que Eu Sou. Tudo está na Consciência do Ser, nada existe fora do Ser]. Não persiga nada, permaneça como consciência neutra apenas. Isso é tudo. O que pode a consciência querer? O que falta? O que há para se manter ou perder? [Na Consciência do Ser há plenitude, não há desejos ou carências de quaisquer espécies]

Questionador: Minha mente deu branco. Me desculpa, poderia repetir?

Mooji: O que está testemunhando o 'branco'? [a Consciência do Ser].

Questionador: (pausa...) Eu estou. Aqui outra vez!

Mooji: E denovo, quem ou o quê é você aqui? [a Consciência impessoal].

Questionador: Apenas isso. Não há palavras que possam dar a entender ou descrever isso. Nada, Vazio.

Mooji: Há alguma tristeza? [tristeza é estado mental]

Questionador: Não.

Mooji: Feliz? [felicidade ou infelicidade são estados mentais]

Questionador: Não.

Mooji: Livre?

Questionador: Não. Eu nem usaria a palavra 'livre' (pausa). Sem palavras... [Em certo sentido sim, há uma percepção de liberdade, mas, uma liberdade não conceitual – que é uma percepção]

Mooji: Aha! Muito bom! Parabéns! Aquilo [o Ser Real]  é isto! Isto é tudo, você terminou, Excelente! O exercício terminou. Agora pise fora disto e retorne ao seu estado prévio para que nós possamos continuar com as suas perguntas importantes.

Questionador: Mmmm... Isto é impossivel ! Já não faz mais sentido nenhum. Pisar fora e ir aonde?

Mooji: Aqui!

Questionador: Não há nem sequer aqui! [Aqui é um conceito criado pela mente]

Mooji: Realmente? E o Agora?

Questionador: Não, nem Agora (longa pausa...). [Agora é outro conceito criado pela mente] Eu agora vejo claramente que estes são apenas conceitos. Não há dúvida a respeito disso, O Indescritível está por detrás.

Mooji: Isto apenas é liberdade, além de qualquer conceito de liberdade. O natural e supremo estado do Ser verdadeiro de cada um. [Sim, uma percepção de liberdade, uma liberdade não conceitual] 
 
(O questionador parece ter deslizado num estado meditativo, a sua face é imóvel mas tranquila... Mooji sorri...)

Mooji: Eu queria falar a respeito do que acontece quando esta experiência de 'iluminação' se desvanece, mas agora é impossível discutir isso com ele enquanto ele estiver em samadhi. (Gargalhadas..)

Outro questionador: Eu também já experienciei este estado em que ele parece estar agora, um tipo de experiência da não-experiência, que durou mais ou menos três ou quatro semanas. Eu me senti totalmente vazio, limpo, presente, uno com tudo que É. Tudo apenas acontecendo por si só, era realmente indescritível e belo, mas depois de um tempo minha mente voltou. No meu caso, eu penso que voltou ainda mais forte que antes. Na verdade eu entrei num tipo de depressão pesada e me senti perdido por um tempo. Eu tive medo de repetir aquela experiência.

Mooji: Que experiência?

Questionador: A experiência louca. ( Gargalhada...)

Mooji: O verdadeiro Ser é o imutável pano de fundo suportando o mundo transitório dos fenômenos. É somente Consciência impessoal; imutável e bem-aventurosa. No estado experiencial, brilha como o puro sentido da consciência subjetiva 'Eu sou'. Este 'Eu sou' é impessoal e sinônimo de consciência – o campo da percepção [Que frase fantástica!]. É a expressão direta da pura subjetividade. Sri Nisargadatta Maharaj, o grande sábio, descreve como sendo uma porta que se move de um lado para a manifestação [para o aparente universo do personagem]  e do outro ao infinito [para o universo do Ser, que é real]. Isto expressa-o belamente. Todos eventos ocorrem como movimentos na consciência, e são percebidos dentro e através desta consciente presença 'Eu sou'; esta é a 'testemunha', o ou princípio que testemunha, que nós somos, enquanto o corpo está aqui.

Questionador: Então nós somos o corpo, estamos no corpo, ou somos algo separado? Porque... (O questionador começou a se lembrar de algumas experiências e observações...)

Mooji: Deixe isto tudo de lado por agora; apenas esteja aberto, permitindo tudo o que tem sido dito simplesmente ser ouvido na consciência sem se apegar à nenhum pensamento em particular ou ideia do tipo: "o que fazer com isso que está sendo ouvido". Permita que o 'escutar' apenas 'aconteça', assim como seria. Você está aí, por detrás da mente que escuta. Preste atenção ao pensamento 'Eu' -- ele não é o verdadeiro 'Eu sou'. Ele vem quando o 'Eu sou' impessoal se identifica com o corpo, que é meramente o instrumento através do qual Ele está se expressando, com o auxílio da força vital – o poder animador. Essa associação faz surgir o ego, ou a individualidade: o sentido de 'eu'. Então você percebe que o sentido de individualidade não pode existir sem a sustentação da consciência impessoal, mas que ele é a própria expressão transitória desta consciência criativa. Somente agora Ela opera como consciência condicionada, acreditando ser o corpo-mente. Surge agora o conhecimento do 'Outro' [surge a visão mental, que é dual] e um impulso básico de proteger-Se; preferências e desgostos surgem, juntamente com julgamentos, medos, desejos, apegos e o jogo inteiro dos opostos inter-relacionados [Todo o complexo universo do personagem]. Nós como seres individuais somos fascinados e viciados por experienciar, o que em si é natural e não há nada de errado nisso, quando visto como o jogo ou a expressão da consciência manifesta que somos [ou seja, sem perdermos nossa real identidade]. Mas quando visto da perspectiva da identidade individual, com sua agenda privada [em outras palavras, perdendo nossa real identidade] – Problemão! ( gargalhada .. )

Agora escute: não há nada em particular para se 'fazer' aqui, nem ninguém para fazer ou desfazer também. Apenas uma mudança na compreensão deve acontecer [da percepção mental para a percepção consciencial] e tudo se ajusta de maneira correta. Tudo é Um. Vamos pegar o exemplo da antena telescópica do carro: há uma unidade, e isto representa o Absoluto. Estenda ou puxe uma vez – o 'Eu sou' impessoal [a percepção de nossa identidade como Ser Real] aparece; ainda sim é uma unidade. Puxe de novo e o pensamento do 'Eu individual' brota, e simultaneamente a manifestação do mundo personalizado vem à tona. Como as bonecas russas, uma dentro da outra, sucessivamente, no entanto um Inteiro! Uma unidade expressando-Se como manifesta e imanifesta, dois aspectos da Realidade única. Tal é o jogo no teatro da consciência. Você é a testemunha final, Feliz, inafetado e inteiro. Você é Aquele! Não é nada pessoal, isto não é um elogio que estou te fazendo. [O Ser é o autor deste texto; o Ser é também o comentarista deste texto. Por fim, o Ser é o leitor deste texto. Perceba: “Você é Aquele”. “Você e o Ser Real são Um”. Mas você tem que estar no Ser, sintonizado na percepção da Consciência do Ser, a percepção consciencial, que te faz consciente de Quem realmente É. A "iluminação" é uma "percepção"; percepção de Quem Somos, percepção de nossa real identidade]

Questionador: Por favor, você poderia repetir o ponto sobre o 'teatro da consciência'?

Mooji: Não! Eu não posso repetir. Por agora esteja atento, aberto e presente - mas neutro aqui, sem permitir que sua atenção vagueie ou pouse em nenhuma coisa particular. Esta é a posição que estou te convidando a tomar. Confie em sua audição intuitiva. É a sua mente que, aparecendo como um buscador vigilante, se esforça por exatidão e então fica presa com o sentimento de ter perdido algo vital. Neste momento é uma sutil forma de resistência ou de evitar. Meu conselho é: se você perder (não compreender) algo, simplesmente deixe-o ir. Tudo está bem por agora. O verdadeiro você está aqui e por detrás de tudo, observando sem esforço. O sentido de 'perder' ou 'encontrar' surge, é sentido - mas descartado como 'não real': nem isto nem aquilo, 'neti-neti', como os jnanis dizem. Você, como consciência, não é nenhum sentimento em particular. Pensamentos e sentimentos vem e vão como ondas brincando na superfície do oceano. Deixe tudo vir e ir por si só, isto é natural para as ondas. Oceano, água, ondas – tudo o mesmo. Permaneça como a testemunha apenas. Para a consciência, nada é perdido ou achado, ou é bom ou mal. É o imaculado substrato no qual a sombra mente/mundo de nomes e formas dançam sua aparente existência.

Questionador: Mas, Mooji, seguramente a vigilância é importante ter a certeza de que compreendemos corretamente, para evitar mal-entendidos; especialmente porque tudo isso é novo para mim, e também muitas escrituras e professores apontam para a vigilância com uma qualidade ou virtude necessária para o crescimento espiritual.

Mooji: Isto é verdade se realmente existe 'alguém' que fará uso desta compreensão. Mas se você realmente investigar, este 'alguém', a 'pessoa', o indivíduo, não será encontrado! Tudo é apenas consciência – o 'você', o 'eu', o falar, o escutar, satsang, todos aqui, tudo - tudo consciência; esta é a maravilhosa descoberta! A Consciência conversando com a consciência sobre consciência através da consciência. Quão simples! No entanto quão inexplicável quando buscado através da mente-ego. [Está tudo tão claro que a partir deste ponto os comentários cessam. Perceba a revelação que se segue]
 
Olhe, eu te mostro onde você está agora mesmo, então permaneça com Isso, nada mais. Mas a sua mente pousou em algum ponto que lhe interessa. Enquanto você estiver engajado em prender-se a isso, você perde todo o resto – isto é chamado o jogo de 'maya' (A ilusão cósmica). É como ler um livro sobre frutas exóticas e reggae enquanto passeia pelo mercado de Brixton! ( risadas...). Um mestre Zen chamado Bankei certa vez disse: 'É como um homem que perde sua espada caída do navio no mar, e marca o ponto no caminho das águas onde caiu.' (Gargalhadas...)

Questionador: Justamente agora que você disse isso, tudo parou. Eu não posso pensar. Não há pensamentos. (Levando sua mão a sua boca) Isso é maravilhoso!

Mooji: O que está vendo tudo isso ?

Questionador: Nada... Eu.

Mooji: 'Eu' - nada, testemunhando a mente parada. Quando a mente está parada, ainda pode ser chamada mente? ( Pausa...)

Mooji: E agora ?

Questionador: Silêncio e paz.

Mooji: Para quem?

Questionador: Aqui... Para mim.

Mooji: Pra você? Você tem certeza? O que, onde e como está 'você' exatamente nisso?

Questionador: Não eu; apenas silêncio e profunda paz e um sentimento real de gratidão. Está certo?

Mooji: Você me diz.

Questionador: Sim. Gratidão por escutar e ver isso tão claramente. Obrigado.

Mooji: Seja Bem-Vindo. Ser agradecendo o Ser. [Também agradeço a todos] 
 
Muito Bom!
 
 
 

domingo, outubro 13, 2013

Comentário ao texto anterior

- Núcleo -
 
 
Eis mais um “texto nuclear”!

Permitam-me comentá-lo.
Comentários em negrito entre chaves {...}
 
(...) Ao encontrar a si mesma, a pessoa encontra o sentido da vida, o significado da vida, a alegria da vida, o esplendor da vida. Encontrar a si mesmo é o maior achado na vida de uma pessoa, e esse encontro só é possível quando você está sozinho, quando sua consciência está completamente vazia — nesse vazio, nesse nada, um milagre acontece. E esse milagre é a base de toda a religiosidade. {esse milagre é a percepção de Si mesmo; de Quem você É; a percepção do “Eu Verdadeiro”; a percepção de Sua real identidade divina}
 
Eis o milagre: quando não existe nada mais para a sua consciência ficar consciente, a consciência se volta para si mesma. Ela se torna um círculo. Não encontrando obstáculo, nenhum objeto, ela volta para a fonte {A Fonte é a Consciência do Ser, que é o próprio Ser Real; o mundo visto pela mente é uma “representação”, que é um emaranhado de conceitos, e conceitos não são reais; quando “este mundo” é percebido pelo que ele é, como uma representação, deixa de ser um desafio, um obstáculo e passa a ser um deleite... Um deleite divino! Quem Se deleita é o próprio Ser Real...}. E, no momento em que o círculo está completo, você não é mais apenas um ser humano comum {um personagem na representação}; você se tornou parte da divindade que circunda a existência {você se tornou consciente de que é o Ser que abrange tudo, que é o todo}. Você não é mais você mesmo {não se vê mais como um personagem}, você se tornou parte de todo o Universo {você Se percebe consciente do Ser que É} — o palpitar do seu coração é agora o palpitar do coração do próprio Universo.
 
Essa é a experiência que os místicos têm procurado por todas as vidas, através dos tempos {é a experiência do despertar – Contudo, é preciso ver que toda experiência está na representação, e por isso não é algo real. Você já é um ser desperto desde o início... e nem sequer há um início... O início também é algo que está na representação, assim como o fim, ambos dão a ambiência onde se passa a representação e também não são reais}. Não existe outra experiência mais arrebatadora, mais bem-aventurada. Essa experiência transforma toda a sua perspectiva: onde costumava haver escuridão {representação}, agora existe luz {divina Realidade do Ser}; onde costumava haver infelicidade {representação}, existe bem-aventurança {Realidade}; onde costumava haver raiva, ódio, possessividade, ciúme {representação}, existe somente uma bela flor do amor {Realidade}. Toda a energia que era gasta em emoções negativas não é mais desperdiçada; ela passa por uma reviravolta positiva e criativa.
 
Por um lado, você não é mais seu antigo eu {a máscara que vela o Ser, a “persona”; o personagem...} e, por outro lado, você é, pela primeira vez, seu autêntico eu {o Ser Real, a identidade verdadeira, o Eu Verdadeiro}. O velho {o personagem} se foi, o novo {o Eu Verdadeiro} chegou. O velho está morto {de fato nunca esteve vivo, pois, sempre foi um personagem... cuja vida está no Ator, no Ser Real}; o novo pertence ao eterno, ao imortal {ao Ser}.
 
A menos que você se conheça como ser eterno, como parte do todo {como o Ser}, continuará com medo da morte {que também está na representação e que não é real}. O medo da morte existe simplesmente porque você não está consciente da sua fonte eterna de vida {porque está na representação como um personagem indesperto... Na representação existem personagens despertos e indespertos, você mesmo, o Ator, é quem escolhe o papel...}. Uma vez constatada a eternidade de seu ser {uma vez que na representação você se torna um “personagem desperto”}, a morte se torna a maior mentira da existência {a morte revela-se como representação, algo que não é real}. A morte nunca aconteceu, nunca acontece, nunca acontecerá, porque aquilo que existe sempre existirá, em formas diferentes, em níveis diferentes; não existe descontinuidade. Há eternidade no passado e no futuro, ambas lhe pertencem. E o momento presente se torna um ponto de encontro entre duas eternidades: uma indo em direção ao passado e outra indo em direção ao futuro {há a Realidade do Ser, que é um eterno presente...}.
 
A lembrança de sua solitude não deve ser somente mental {não pode ser; nem deve ser uma lembrança, que é mental, mas sim, uma percepção, que é consciencial}; cada fibra de seu ser, cada célula de seu corpo deveria se lembrar, e não com uma palavra, mas como uma profunda sensação {como uma percepção}. O esquecimento de si mesmo {o esquecimento do seu Eu Verdadeiro; de sua origem divina; a imersão na representação de forma inconsciente, como um personagem indesperto...} é o único pecado {visão encoberta} que existe, e a lembrança {visão descoberta} de si mesmo, a única virtude.
 
Você não é parte deste mundo mundano {sua natureza e real identidade não é a de um personagem...}; seu lar é o lar do divino {A Realidade divina}. Você está perdido no esquecimento, esqueceu-se de que dentro de você Deus está oculto. Você nunca olha para dentro — porque todo mundo {porque todo personagem indesperto...} olha para fora, você também insiste em olhar para fora {insiste em permanecer no papel de um personagem indesperto...}.
 
Ficar sozinho é uma grande oportunidade, uma benção, porque em sua solitude fatalmente você se deparará com você mesmo {perceberá Quem É} e, pela primeira vez, se lembrará de quem você é.
 
(...) Fique mais centrado em sua profunda solitude {Deus, que é o Ser Real, é a única Realidade!}. Meditação é isso: ficar centrado na sua própria solitude {Meditação é a percepção da Realidade divina; é a percepção de que tudo é o próprio Ser Se desvelando, é o Eu Verdadeiro “aparecendo como”...}. A solitude precisa ser tão pura que nem mesmo um pensamento, nem mesmo um sentimento a perturbe {apenas uma “percepção”}. No momento em que sua solitude for completa, sua experiência dela se tornará a sua iluminação {a percepção da Realidade e da real identidade divina de todos os seres como o único Ser Real...}. A iluminação não é algo que vem de fora, ela é algo que cresce dentro de você {dentro e fora são conceitos mentais, estão na representação, não são reais}.
 
Esquecer-se do ser é o único pecado {é a visão encoberta...}. E lembrar-se do seu ser, em sua completa beleza, é a única virtude, a única religião {é a visão descoberta...}. Você não precisa ser hindu, muçulmano, cristão — para ser religioso, tudo o que você precisa é ser você mesmo {perceber-Se como Ser}.
 
Ao conhecer a si mesmo {ao perceber-Se}, uma coisa fica clara: nenhuma pessoa é uma ilha {ninguém é um personagem num cenário...} somos um continente, um vasto continente, uma infinita existência sem nenhuma fronteira {somos todos o Ser, o único Ser Real, ilimitado, infinito, atemporal}. A mesma vida corre através de todos, o mesmo amor preenche cada coração, a mesma alegria dança em cada ser. Por causa do nosso mal-entendido apenas {por causa da visão encoberta}, achamos que estamos separados.
 
A ideia de separação é nossa ilusão {toda ideia está na representação, assim sendo, não é real. Para ver a distinção entre idéias e percepções acesse  http://nucleu.com/2013/09/27/distincao-entre-ideias-e-percepcoes/}. A ideia da unidade {a percepção} será nossa experiência da verdade suprema. É necessário apenas um pouco mais de inteligência, e você poderá sair do desalento, da infelicidade, do inferno em que toda a humanidade está vivendo {a representação como está...}. O segredo de sair desse inferno é lembrar-se de si mesmo {é perceber-Se!}. E essa lembrança será possível se você compreender a ideia de que você está sozinho {de que é o Ser Real e único}.
 
Você precisa perceber {É isso! “Você precisa perceber”! Perceber-Se...}, não importa o quanto isso possa parecer doloroso no início, que está sozinho numa terra estranha. Na primeira vez, esse reconhecimento é doloroso. Ele elimina todas as nossas ilusões, que geram grandes consolos. Mas, quando você ousa aceitar a realidade {a Realidade divina do “Eu Verdadeiro”...}, a dor desaparece. E, oculta atrás da dor, está a maior das bênçãos do mundo: você vem a conhecer a si mesmo {vem a perceber-Se... em Sua Realidade!}.
 
Você é a inteligência da existência, a consciência da existência {Você É!...}, a alma da existência. Você é parte dessa imensa divindade que se manifesta de milhares formas: nas árvores, nos pássaros, nos animais, nos seres humanos... {No Núcleo é dito que na “representação” “Eu apareço como”... e também é dito que: “Às vezes, nem eu mesmo percebo [às vezes, “aparecendo como”, ou seja, representando papel de “árvore, pássaro, animal ou ser humano” este meu “personagem” nem mesmo percebe que Sou EU... } mas é a mesma consciência em diferentes estágios de evolução {Os estágios de evolução existem apenas na representação}. E a pessoa que reconhece a si mesma {a pessoa ou “persona” que Se percebe, que no Núcleo é chamada de “personagem desperto”} que sente que o deus que ela buscava e procurava por todo o mundo reside em seu próprio coração, atinge o mais elevado ponto da evolução {este “mais elevado ponto da evolução” é qualquer momento em que você Se percebe como Quem É}. Não existe nada superior a isso.
 
A pessoa pouco inteligente {o personagem inconsciente...} é aquela que está correndo por todo o mundo à procura de algo, sem saber exatamente o quê. Algumas vezes achando que talvez seja o dinheiro, seja o poder, seja o prestígio, seja a respeitabilidade {achando que aquilo que busca seja algo na representação}.
 
A pessoa inteligente {o personagem consciente...} primeiro procura seu próprio ser {procura conhecer sua própria identidade}, antes de começar a jornada no mundo exterior. Isso parece ser simples e lógico... pelo menos, olhe primeiro em sua própria casa, antes de procurar pelo mundo inteiro. E aqueles que olharam dentro de si mesmos o encontraram, sem nenhuma exceção {Você É Aquele que está onde você está!... Não há separação entre Quem você É e onde você está. Por isso é dito que a distância entre você e Deus é a mesma distância entre você e você mesmo...}.
 
O mundo precisa de uma grande revolução, na qual cada indivíduo encontre sua religião dentro de si mesmo {a verdadeira religião, ou seja, o verdadeiro “religare” ocorre internamente; a verdadeira religião é uma percepção! Aquele que diz: “Vivo, mas já não sou eu Quem vive, é Cristo Quem vive em mim” religou-Se a si mesmo com o “Cristo”, com o Ser, com Quem É}. No momento em que as religiões se tornam organizadas, elas ficam perigosas {pelo fato de nas religiões organizadas as pessoas se reunirem em torno de “ideias” e não de “percepções”}, na realidade, elas se tornam política, com uma falsa face de religião. Por isso, todas as religiões do mundo tentam converter mais e mais pessoas à sua religião. É a política dos números; aquela que tiver um número maior será mais poderosa. Mas ninguém parece estar interessado em trazer milhões de indivíduos a seus próprios seres. {Por isso o ensinamento do Núcleo não é persuasivo, não objetiva convencer mas sim “compartilhar percepções”, evidenciar que elas existem, que estão relatadas nas experiências dos “personagens despertos” os chamados “místicos”, mestres ou seres iluminados de todas as principais religiões. Elas são também a experiência das pessoas comuns que se iluminam... que passam a estar conscientes de que elas também tem percepções e que o fato de serem compartilhadas ativa a percepção de outras pessoas! Assim, o “ensinamento nuclear” que se transmite de mente a mente ativa a “percepção consciencial” compartilhada pelos próprios “personagens”}
 
Meu esforço aqui consiste em afastá-lo de qualquer tipo de esforço organizado, porque a verdade nunca pode ser organizada. Você precisa seguir sozinho na peregrinação, porque a peregrinação será interior. {Por ser uma “percepção” ninguém, nenhum outro “eu”, nenhum outro “personagem” percebe por você... É seu próprio “Eu” Quem Se percebe!} Você não pode levar ninguém com você. E você precisa deixar de lado tudo o que aprendeu com os outros, porque todos esses preconceitos distorcerão sua visão e você não será capaz de perceber a realidade nua de seu ser. A realidade nua de seu ser é a única esperança de encontrar Deus.
 
Apenas um passo para dentro de si mesmo e você chegou. {Simples assim!}
 
Pode levar um pouco de tempo, porque os velhos hábitos demoram para ser vencidos; mesmo que você feche os olhos, sua cabeça estará cheia de pensamentos {sua mente estará ocupada e cheia de “idéias” relacionadas à representação}. Esses pensamentos são de fora, e o simples método, que foi seguido por todos os grandes videntes do mundo, é simplesmente observar os pensamentos, ser uma testemunha. Não os condene, não os justifique, não os racionalize. Permaneça à parte, permanece indiferente, deixe-os passar — eles irão embora. {Não resista ao mal, pois, resistência gera existência... Por você se focar em um pensamento ou ideia é o que o faz se restringir aos limites da realidade aparente em que eles existem... Os pensamentos são como nuvens que encobrem no céu. Assim como nuvens são passageiras e o céu é permanente, pensamentos são passageiros e a consciência é permanente!  O céu sempre está lá, num nível bem mais elevado que as nuvens, mesmo que não esteja sendo visto; Da mesma forma, a Realidade eterna, da Consciência, sempre está lá, num nível bem mais elevado que a realidade aparente, da mente, mesmo que não esteja sendo percebida...}  
 
E, no dia em que sua mente estiver absolutamente silenciosa, sem nenhuma perturbação, {em que a mente estiver transparente e receptiva à percepção da Verdade... Vide http://busca-espiritual.blogspot.com.br/2013/10/perceba-se.html} você dará o primeiro passo que o leva ao templo de Deus.
 
O templo de Deus é feito da sua consciência {a Consciência é o próprio Ser, o único Ser Real; E por isso o seu, o meu e o Ser Real de todos nós... Compartilho aqui a “percepção” dAquele divino personagem que disse: “Nós vivemos, nos movemos e temos nossa existência em Deus”}. Você não pode ir lá com seus amigos, com seus filhos, com sua esposa, com seus pais {Você não pode “ir lá”... no núcleo de seu próprio ser, com a “ideia” de que eles são outros... Não pode “ir lá”... com a “ideia” de que existem outros... Você não pode “ir lá”... com “ideias”...  Mas, você pode “ir lá”! }
 
Todos precisam ir lá sozinhos. {Enfim, deve “ir lá”! Este “ir lá” não significa sair de onde está...; não significa procurar por Deus em algum templo ou lugar; não significa ir ao céu; não significa nem mesmo se mover... Você deve “ir lá” significa: Você deve “perceber”!}.



quinta-feira, outubro 10, 2013

Esquecimento de Quem somos: o pecado original

 Osho


(...) Ao encontrar a si mesma, a pessoa encontra o sentido da vida, o significado da vida, a alegria da vida, o esplendor da vida. Encontrar a si mesmo é o maior achado na vida de uma pessoa, e esse encontro só é possível quando você está sozinho, quando sua consciência está completamente vazia — nesse vazio, nesse nada, um milagre acontece. E esse milagre é a base de toda a religiosidade.
 
Eis o milagre: quando não existe nada mais para a sua consciência ficar consciente, a consciência se volta para si mesma. Ela se torna um círculo. Não encontrando obstáculo, nenhum objeto, ela volta para a fonte. E, no momento em que o círculo está completo, você não é mais apenas um ser humano comum; você se tornou parte da divindade que circunda a existência. Você não é mais você mesmo, você se tornou parte de todo o Universo — o palpitar do seu coração é agora o palpitar do coração do próprio Universo.
 
Essa é a experiência que os místicos têm procurado por todas as vidas, através dos tempos. Não existe outra experiência mais arrebatadora, mais bem-aventurada. Essa experiência transforma toda a sua perspectiva: onde costumava haver escuridão, agora existe luz; onde costumava haver infelicidade, existe bem-aventurança; onde costumava haver raiva, ódio, possessividade, ciúme, existe somente uma bela flor do amor. Toda a energia que era gasta em emoções negativas não é mais desperdiçada; ela passa por uma reviravolta positiva e criativa.
 
Por um lado, você não é mais seu antigo eu e, por outro lado, você é, pela primeira vez, seu autêntico eu. O velho se foi, o novo chegou. O velho está morto; o novo pertence ao eterno, ao imortal.
 
A menos que você se conheça como ser eterno, como parte do todo, continuará com medo da morte. O medo da morte existe simplesmente porque você não está consciente da sua fonte eterna de vida. Uma vez constatada a eternidade de seu ser, a morte se torna a maior mentira da existência. A morte nunca aconteceu, nunca acontece, nunca acontecerá, porque aquilo que existe sempre existirá, em formas diferentes, em níveis diferentes; não existe descontinuidade. A eternidade no passado e no futuro, ambas lhe pertencem. E o momento presente se torna um ponto de encontro entre duas eternidades: uma indo em direção ao passado e outra indo em direção ao futuro.
 
A lembrança de sua solitude não deve ser somente mental; cada fibra de seu ser, cada célula de seu corpo deveria se lembrar, e não com uma palavra, mas como uma profunda sensação. O esquecimento de si mesmo é o único pecado que existe, e a lembrança de si mesmo, a única virtude. Você não é parte deste mundo mundano; seu lar é o lar do divino. Você está perdido no esquecimento, esqueceu-se de que dentro de você Deus está oculto. Você nunca olha para dentro — porque todo mundo olha para fora, você também insiste em olhar para fora.
 
Ficar sozinho é uma grande oportunidade, uma benção, porque em sua solitude fatalmente você se deparará com você mesmo e, pela primeira vez, se lembrará de quem você é.
 
(...) Fique mais centrado em sua profunda solitude. Meditação é isso: ficar centrado na sua própria solitude. A solitude precisa ser tão pura que nem mesmo um pensamento, nem mesmo um sentimento a perturbe. No momento em que sua solitude for completa, sua experiência dela se tornará a sua iluminação. A iluminação não é algo que vem de fora, ela é algo que cresce dentro de você.
 
Esquecer-se do ser ser é o único pecado. E lembrar-se do seu ser, em sua completa beleza, é a única virtude, a única religião. Você não precisa ser hindu, muçulmano, cristão — para ser religioso, tudo o que você precisa é ser você mesmo.
 
Ao conhecer a si mesmo, uma coisa fica clara: nenhuma pessoa é uma ilha somos um continente, um vasto continente, uma infinita existência sem nenhuma fronteira. A mesma vida corre através de todos, o mesmo amor preenche cada coração, a mesma alegria dança em cada ser. Por causa do nosso mal-entendido apenas, achamos que estamos separados.
 
A ideia de separação é nossa ilusão. A ideia da unidade será nossa experiência da verdade suprema. É necessário apenas um pouco mais de inteligência, e você poderá sair do desalento, da infelicidade, do inferno em que toda a humanidade está vivendo. O segredo de sair desse inferno é lembrar-se de si mesmo. E essa lembrança será possível se você compreender a ideia de que você está sozinho.
 
Você precisa perceber, não importa o quanto isso possa parecer doloroso no início, que está sozinho numa terra estranha. Na primeira vez, esse reconhecimento é doloroso. Ele elimina todas as nossas ilusões, que geram grandes consolos. Mas, quando você ousa aceitar a realidade, a dor desaparece. E, oculta atrás da dor, está a maior das bênçãos do mundo: você vem a conhecer a si mesmo.
 
Você é a inteligência da existência, a consciência da existência, a alma da existência. Você é parte dessa imensa divindade que se manifesta de milhares formas: nas árvores, nos pássaros, nos animais, nos seres humanos... mas é a mesma consciência em diferentes estágios de evolução. E a pessoa que reconhece a si mesma, que sente que o deus que ela buscava e procurava por todo o mundo reside em seu próprio coração, atinge o mais elevado ponto da evolução. Não existe nada superior a isso.
 
A pessoa pouco inteligente é aquela que está correndo por todo o mundo à procura de algo, sem saber exatamente o quê. Algumas vezes achando que talvez seja o dinheiro, seja o poder, seja o prestígio, seja a respeitabilidade.
 
A pessoa inteligente primeiro procura seu próprio ser, antes de começar a jornada no mundo exterior. Isso parece ser simples e lógico... pelo menos, olhe primeiro em sua própria casa, antes de procurar pelo mundo inteiro. E aqueles que olharam dentro de si mesmos o encontraram, sem nenhuma exceção.
 
O mundo precisa de uma grande revolução, na qual cada indivíduo encontre sua religião dentro de si mesmo. No momento em que as religiões se tornam organizadas, elas ficam perigosas; na realidade, elas se tornam política, com uma falsa face de religião. Por isso, todas as religiões do mundo tentam converter mais e mais pessoas à sua religião. É a política dos números; aquela que tiver um número maior será mais poderosa. Mas ninguém parece estar interessado em trazer milhões de indivíduos a seus próprios seres.
 
Meu esforço aqui consiste em afastá-lo de qualquer tipo de esforço organizado, porque a verdade nunca pode ser organizada. Você precisa seguir sozinho na peregrinação, porque a peregrinação será interior. Você não pode levar ninguém com você. E você precisa deixar de lado tudo o que aprendeu com os outros, porque todos esses preconceitos distorcerão sua visão e você não será capaz de perceber a realidade nua de seu ser. A realidade nua de seu ser é a única esperança de encontrar Deus.
 
Apenas um passo para dentro de si mesmo e você chegou.
 
Pode levar um pouco de tempo, porque os velhos hábitos demoram para ser vencidos; mesmo que você feche os olhos, sua cabeça estará cheia de pensamentos. Esses pensamentos são de fora, e o simples método, que foi seguido por todos os grandes videntes do mundo, é simplesmente observar os pensamentos, ser uma testemunha. Não os condene, não os justifique, não os racionalize. Permaneça à parte, permanece indiferente, deixe-os passar — eles irão embora.
 
E, no dia em que sua mente estiver absolutamente silenciosa, sem nenhuma perturbação, você dará o primeiro passo que o leva ao templo de Deus.
 
O templo de Deus é feito da sua consciência. Você não pode ir lá com seus amigos, com seus filhos, com sua esposa, com seus pais.
 
Todos precisam ir lá sozinhos.

 
 

terça-feira, outubro 08, 2013

Perceba-Se!

 - Núcleo -


Alguns buscadores espirituais pretendem “iluminar” suas próprias mentes, para assim se tornarem iluminados.

Este propósito pode parecer ser dos melhores, mas, este não é o caminho, pois, apenas insuflará o ego. Não devemos tentar iluminar a mente humana, devemos apenas torná-la transparente e receptiva à percepção da Verdade. Há em nós uma presença a ser percebida. Esta presença é Deus, a Verdade.

É nossa falsa identificação o que nos faz inconscientes da presença divina. Enquanto nascidos humanamente somos “Filho do Homem”, mas devemos renascer e nos tornar conscientes de que Deus é o nosso verdadeiro Pai. E renascidos nos tornamos conscientes de que somos “Filhos de Deus”. Na linguagem do Núcleo poderíamos dizer que a expressão “Filho do Homem” tem o sentido de “personagem do Ser” e que a expressão “Filho de Deus” tem o sentido de “personagem consciente do Ser”.
 
Então percebemos o real significado desta revelação:

“Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de Ser. Sabemos que, quando Ele Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque haveremos de vê-Lo como Ele é.” 1 JOÃO 3,2

Se permanecermos na unção, “unção que vem do alto”, estamos sendo os “personagens conscientes do Ser”, “Filhos de Deus”. Este é o sentido de: “Amados, agora, somos Filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de Ser.” No instante em que a Consciência do Ser Se manifesta percebemos que: “Eu e o Pai somos um”, e que “Quem vê a mim vê o Pai”.

Assim, o sentido se completa: “Sabemos que, quando Ele Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque haveremos de vê-Lo como Ele É.” Nós nos veremos em tudo e estaremos nos identificando com o próprio Ser real.

O “Filho de Deus” não pretende ir além de manter-se em unção com o Pai. Ele deve apenas procurar o “Reino de Deus”, tudo mais virá por acréscimo, inclusive a revelação, que vem do Pai, da real identidade de todos os seres.

Neste instante podemos fazer a seguinte reflexão:

Meu estado de serenidade mental, de contemplação e silêncio interior me faz perceber que “Deus está aqui”, bem aqui diante de mim e eu O percebo dentro e fora de mim, em cada movimento, em cada pulsação; em tudo eu O vejo. E estou consciente de que é Ele Quem de fato percebe tudo isso. Ele se revela como a percepção, a própria consciência que a tudo percebe. Sei que nada faço, que não há esforço algum de quem estou representando para que haja esta visão, esta percepção, de Quem realmente percebe tudo. Apenas não impeço que o Ser Se revele, não raciocino, não conceitualizo, não imagino nada, simplesmente contemplo tudo e percebo Quem percebe.
 
Nós somos “Filho do Homem” e dizemos que temos a “Mente de Cristo”, a “Consciência do Ser”. Melhor seria dizer que esta Consciência está em nós. É ela quem tudo percebe. Ela é a própria vida que chamamos de nossa vida.

No momento em que percebemos isso, fica evidente o sentido da revelação: “Vivo, mas, já não sou eu quem vive; é Deus/Cristo quem vive em mim.”

E que assim seja.

Saúdo a todos.
 
 

sábado, outubro 05, 2013

Falando de Deus

 
 Jiddu Krishnamurti
 
 
Interrogante: Por favor, fale-nos de Deus.

Krishnamurti: Em vez de eu lhes dizer o que é Deus, vamos ver se vocês podem conceber esse estado maravilhoso, não no amanhã ou num futuro distante, mas agora, neste momento que estamos aqui tranquilamente reunidos. Claro que isso é muito mais importante. Mas, para descobrir deus, todas as crenças devem ser abolidas. A mente que poderia descobrir o que é a verdade, não pode acreditar na verdade, não pode formular teorias ou hipóteses a respeito de Deus. Por favor, prestem atenção.
 
Vocês formulam hipóteses, vocês têm crenças, vocês têm dogmas, estão cheios de conjecturas. Pelo fato de terem lido este ou aquele livro a respeito do que é a verdade ou do que é Deus, suas mentes estão espantosamente inquietas. Uma mente cheia de conhecimentos é inquieta; é intranquila, está apenas sobrecarregada; e carga pura e simples não é sinal de uma mente tranquila. Quando a mente está cheia de crenças, acreditando ou não se Deus existe, ela está sobrecarregada e uma mente sobrecarregada não pode jamais descobrir o que é a verdade. Para descobrir a verdade, a mente precisa estar livre: livre de rituais, de crenças, de dogmas, de conhecimento e de experiência.
 
Somente então ela poderá compreender o que é a verdade. Pelo fato de tal mente estar quieta, ela não mais realiza o movimento de entrar ou o movimento de sair, que é o movimento do desejo. Ela não possui desejos reprimidos, o que é energia. Pelo contrário, para que a mente esteja quieta é preciso haver uma grande quantidade de energia; mas não pode haver pleno desenvolvimento ou abundância de energia se existir qualquer forma de movimento para fora e, por conseguinte, de movimento para dentro. Quando tudo isso tiver serenado, a mente se aquietará.

 Eu não estou tentando hipnotizá-los para que vocês fiquem quietos, para que vocês se calem. Vocês mesmo precisam reconhecer a importância de abandonar, de afastar sem esforço, sem resistência, todo o acúmulo de séculos, de supertições, de conhecimentos, de crenças; precisam reconhecer que qualquer forma de carga torna a mente inquieta, dissipa energia.

Para a mente estar quieta é preciso haver energia em abundância, e essa energia precisa estar tranquila. E se vocês chegarem realmente a esse estado no qual não existe esforço, então constatarão que a energia, estando imóvel, possui seu próprio movimento, o qual não resulta das pressões ou compulsões sociais. Pelo fato de a mente possuir uma energia abundante, imóvel e silenciosa, a própria mente se converte naquilo que é sublime. Não existe experimentador do sublime. Não existe alguém que diga "eu experimentei a realidade". Enquanto houver um experimentador, a realidade não pode existir, porque o experimentador equivale ao movimento de angariar experiência e de acabar com a experiência. De forma que é preciso que o experimentador deixe totalmente de existir.

 Atentem simplesmente a isto. Não façam nenhum esforço, apenas compreendam que o experimentador tem de chegar ao fim. É preciso que ocorra a cessação total de todo esse movimento. E isso demanda, não a supressão da energia, mas uma energia espantosa. Quando a mente estiver completamente quieta, calada, isto é, quando a energia não estiver sendo nem dissipada nem distorcida por obra da disciplina, essa energia se transformará em amor e o real não estará apartado da própria energia.
 

 

quinta-feira, outubro 03, 2013

Oh! Grande Mãe!

 
 
Oh! Grande Mãe
Ser em todo ser
Bojo da borboleta perdida
No azul do próprio azul.
 
Oh! Grande Mãe
Mãe de toda mãe
Estojo de guardar nada, nada
No espaço nenhum
No templo Um.
 
Oh! Grande Mãe
“Om” de todo mantra
Despojo da lama
Onde brota o lótus do saber.
 
Orai e desatai de nós os nós
E tirai as nossas vendas
Invendáveis nos tornai
Inofensivos e pacíficos
Nos deixai eternamente sós.

Amém, amém.
 
(Geraldo Azevedo)


 

­– "Existem dois mundos. Há aquele que Jesus chamou de 'este mundo', e há aquele ao qual Jesus se referiu como 'Meu reino'. Existe o mundo que podemos ver, ouvir, degustar, tocar e cheirar, o mundo em que estamos vivendo, com as nossas atividades, com os nossos negócios, com as nossas famílias; e há o mundo interior no qual vivemos quando o Cristo se manifesta em nosso ser, o mundo no interior de nossa consciência, onde estamos sozinhos com Deus, e no qual habitamos como filhos de Deus. E é no silêncio e na quietude que se revela esse universo interior." - Joel Goldsmith


­– "O primeiro ponto a perceber é que, querendo ou não, você está sozinho. A solitude é a sua verdadeira natureza. Na solitude estamos constantemente encantados conosco mesmos. Ela é abençoada, um profundo preenchimento, que nos mantém centrados e enraizados. Todas as belezas acontecem na solitude. Nada acontece na multidão. Nada do além pode acontecer, exceto quando você está absolutamente só. A felicidade que acontece quando se está só, é tremendamente profunda. Puro êxtase... A solitude é muito positiva, é uma presença, transbordante. Sente-se tão pleno de vida que pode preencher o universo inteiro com a sua presença, e não há nenhuma necessidade de ninguém. Quando não existe ninguém, nem mesmo o pensamento de alguém, e você está realmente só, você começa a mergulhar em si mesmo. Deixe que o aprofundamento aconteça, cada vez mais profundamente, e você verá o silêncio surgindo, e ele contém em si uma dança, uma serenidade. Nada se move, e mesmo assim, tudo é absolutamente vibrante, vazio e completamente cheio... Paradoxos se encontram e os contrários se dissolvem." - Osho
 

terça-feira, outubro 01, 2013

Nem eu, nem você: Isto!

 
Satyaprem


Não existe o outro, tudo é você. Então, colocar-se no lugar do "outro" gera consequências muito elegantes, necessárias e incrivelmente revolucionárias.
 
Lao Tzu, que tinha umas ideias bem rocambólicas, praticamente inaceitáveis para o padrão mental da época e atual ­– por mais sofisticado que você pense que seja o padrão mental ocidental contemporâneo –, disse algo que considero uma pérola: "Onde há justiça não há compaixão". Contemple.
 
Justiça é quando você julga o outro. Compaixão é quando você não julga o outro. Quando você julga o outro cria um karma, existe uma lei de ação e reação: quando julga o outro você será julgado. Quando se compadece, colocando-se no lugar do outro, você resolve internamente.
 
O problema está em pensarmo-nos separados uns dos outros. Nos vemos separados, nos sentimos separados, e é difícil convencer o nosso sistema neurológico do contrário. Aliás, ver a não-separação não é uma questão de convencimento, é a suprema compreensão, é um dar-se conta, absoluto. De repente, é vista a ilusão da separação, colocam-se os pingos nos 'is' e o outro deixa de existir. Você deixa de existir como imagem.
 
O que corrompe as relações humanas é a mente, e a mente é plena inconsciência. Na medida em que começa a ver como ela se move, você se antecipa. Você aparece e ela não mais está, assim como a luz diante da escuridão. Consciência está presente.


*Comentário (Núcleo):

Satyaprem começa compartilhando uma percepção:
 
Não existe o outro, tudo é você.” Então, colocar-se no lugar do “outro” gera consequências muito elegantes, necessárias e incrivelmente revolucionárias.
 
“Não existe o outro, tudo é você” é a percepção consciencial de nossa real identidade!
 
No Núcleo dizemos que: A real identidade de Sakyamuni é Buda, porque Buda é um “ser consciencial”, ou seja, uma manifestação consciente do Ser Real, que é único [É o inominável]. A real identidade de Jesus é Cristo, porque Cristo é um “ser consciencial”, ou seja, uma manifestação consciente do Ser Real, que é único [É o Pai]. A real identidade de Masaharu Taniguchi é Deus Sumiyoshi, porque Deus Sumiyoshi é um “ser consciencial”, ou seja, uma manifestação consciente do Ser Real, que é único [É o Deus que Se manifesta através da Seicho-No-Ie]. A real identidade de Krishna é o Deus Brahma, ou o Deus Shiva, ou o Deus Vishnu, porque o Deus Brahma, ou o Deus Shiva, ou o Deus Vishnu são “seres conscienciais”, ou seja, são manifestações conscientes do Ser Real, que é único [É Brahmam].
 
É Quem Somos quem percebe nossa real identidade, da mesma forma que o Ator é o único que conhece a real identidade do personagem que está representando. O Personagem não tem conhecimento de sua real identidade como Ator. Quando tem já não é ele, personagem, quem tem, mas sim, o próprio Ator representando um personagem desperto, ou seja, aquele que tem consciência de sua real identidade.

Observa Satyaprem:
 
Lao Tzu, que tinha umas ideias bem rocambólicas, praticamente inaceitáveis para o padrão mental da época e atual – por mais sofisticado que você pense que seja o padrão mental ocidental contemporâneo –, disse algo que considero uma pérola: “Onde há justiça não há compaixão”. Contemple.
 
Neste ponto Satyaprem compartilha a percepção consciencial de que Lao Tzu tinha percepções conscienciais e que as compartilhava, dizendo que eram “ideias bem rocambólicas, praticamente inaceitáveis para o padrão mental da época e atual.” De fato, as percepções conscienciais são revelações inaceitáveis para o padrão mental dos personagens de quaisquer épocas.
 
Ele prossegue dizendo:
 
Justiça é quando você julga o outro. Compaixão é quando você não julga o outro. Quando você julga o outro cria um karma, existe uma lei de ação e reação: quando julga o outro você será julgado. Quando se compadece, colocando-se no lugar do outro, você resolve internamente.
 
Todo julgamento parte da “percepção mental” com toda a carga de seus próprios condicionamentos e “pré-conceitos”. Ao julgarmos, estamos inconscientemente ativando a “percepção mental”, projetando algo e, nos imergindo completamente na representação, abrindo mão da percepção de nossa real identidade divina!
 
Jesus, mesmo tendo sido julgado, condenado e executado, deu o exemplo de que não devemos julgar e orou: “Pai, perdoai-os porque eles não sabem o que fazem.”
 
Adverte Satyaprem:
 
O problema está em pensarmo-nos separados uns dos outros. Nos vemos separados, nos sentimos separados, e é dificil convencer o nosso sistema neurológico do contrário.
 

A visão limitada é “o que nós pensamos”.
A visão expandida é “o que nós realmente somos.”

Transcenda os limites da percepção do personagem e desfrute a percepção do Ser!
 
Revela Satyaprem que:
 
Aliás, ver a não-separação não é uma questão de convencimento, é a suprema compreensão, é um dar-se conta, absoluto. De repente, é vista a ilusão da separação, colocam-se os pingos nos ‘is’ e o outro deixa de existir. Você deixa de existir como imagem.
 
Quando julgamos a algum outro personagem é porque estamos nos percebendo também como personagens. Estamos inconscientes de que “não existe outro”, estamos inconscientes de que todos somos “manifestações conscientes do Ser”, estamos inconscientes de nossa real identidade; inconscientes de Quem Somos.
 
Por isso diz Satyaprem:
 
“ver a não-separação não é uma questão de convencimento [de percepção mental, de acreditar convictamente] é a suprema compreensão [o supremo conhecimento ou saber], é um dar-se conta, absoluto [é uma percepção absoluta, “consciencial”]. De repente, é vista a ilusão da separação [De repente, é vista a “representação”...], colocam-se os pingos nos ‘is’ e o outro deixa de existir [a percepção de Quem Sou, de Quem todos Somos, é focada, ou ativada]. Você deixa de existir como imagem. [Você Se percebe como o próprio Ator, e não mais como apenas um personagem]. O que corrompe as relações humanas é a mente, e a mente é plena inconsciência.

Este conhecimento elucida plenamente o esquema de duas colunas do Núcleo, no qual a “primeira coluna” se refere à percepção consciencial (que é a “plena consciência”), em contraposição à “segunda coluna” que se refere à percepção mental (que é a “plena inconsciência”). Os que quiserem um maior esclarecimento do tema acessem: http://nucleu.com/2013/03/16/dialogo-divino/#comments
 
Conclui Satyaprem:
 
Na medida em que começa a ver como ela [a “mente do personagem”] se move, você [por ser o “ser consciencial”] se antecipa. Você [a “manifestação consciente” do Ser Real] aparece e ela [a falsa identidade criada pela “mente do personagem”] não mais está, assim como a luz diante da escuridão. Consciência está presente. [A percepção ou “consciência” de Quem você É está presente].
 
Namastê.