"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

segunda-feira, março 11, 2013

Aos pés do Mestre - 4/4

 Jiddu Krishnamurti


IV – AMOR

De todas as qualidades, o Amor é a mais importante, pois sendo bastante forte um homem, obriga-lhe a aquisição de todas as outras que, sem ele, não seriam suficientes. Freqüentemente é expresso como um intenso desejo de se libertar da roda dos nascimentos e mortes e de se unir com Deus. Entendê-lo, porém, deste modo, denota egoísmo e alcança apenas uma parte de sua significação. Não é tanto o desejo, como a vontade , a resolução, a determinação. Para produzir seus resultados, essa resolução deve encher de tal modo a tua natureza inteira, que não deixe lugar para qualquer outro sentimento. É, na verdade, a vontade de seres uno com Deus, não para escapares à fadiga e ao sofrimento, mas para que, pelo teu profundo amor por Ele possas agir com Ele. E porque Ele é Amor, tu, se te quiseres unificar com Ele, deves encher-te de profundo desinteresse e amor.

Na vida diária isto implica duas coisas: em primeiro lugar, Ter o cuidado de não fazer mal a nenhum ser vivo; em segundo, vigiar as oportunidades de prestar auxílio.

Primeiro, não fazer mal. Três pecados há que operam maior dano do que todos os outros no mundo – a maledicência, a crueldade e a superstição – por serem pecados contra o amor. Contra esses três pecados, o homem que quiser encher o seu coração do amor de Deus deve estar vigilante, incessantemente.

A maledicência - Observa os efeitos da maledicência. Começa com um mau pensamento e este, em si mesmo, já é um crime, pois que, em tudo e em todos, existe o bem; em tudo e em todos o mal existe. Podemos reforçar qualquer deles pelo pensamento e, deste modo, ajudar ou embaraçar a evolução; podemos fazer a vontade do Logos ou resistir-lhe. Se pensares no mal que existe em outrem, cometes ao mesmo tempo três ações más:

1. Enches teu ambiente de maus em vez de bons pensamentos, aumentando assim a tristeza do mundo.

2. Se nesse homem existir o mal que supões, o fortificas e o alimentas e, assim, tornas pior o teu irmão, em vez de o melhorar. Porém, geralmente o mal nele não existe, sendo apenas um produto da tua fantasia; e então o teu pensamento tentará o teu irmão à prática do mal, pois que, se ele não for ainda perfeito, poderás torná-lo tal qual o imaginaste.

3. Saturas a tua mente de maus em vez de bons pensamentos; embaraças, assim, o teu próprio crescimento, tornando-te aos olhos dos que podem ver um objeto feio e penoso em vez de belo e atraente.

Não contente de ter feito todo este mal a si próprio e à sua vítima, o maledicente tenta, com todas as suas forças, fazer com que os outros participem do seu crime. Prontamente conta a perversa história, na esperança de que o acreditem; e, então, juntam-se todos a enviar maus pensamentos ao pobre paciente. E isto repete-se dia a dia e é feito, não por um homem, mas por milhares. Começas a ver quão terrível é este pecado? Deves, por completo, evitá-lo. Nunca fales de ninguém; recusa ouvir o mal que te disserem dos outros e suavemente observa: Talvez isso não seja verdade e, se o for, é mais caritativo não falarmos nisso.

A crueldade – Quanto à crueldade, ela pode ser de duas espécies: intencional e não intencional. A crueldade intencional consiste em causar dano a um ser vivo, de ânimo deliberado; este é o maior de todos os pecados – próprios antes de um demônio do que de um homem. Dirás que nenhum homem cometeria tal crime; porém, os homens o cometeram muitas vezes e o cometem, ainda, diariamente. Praticaram-no os inquisidores; muita gente religiosa o praticou em nome da sua religião. Os que dissecam seres vivos o praticam; muitos professores o praticam habitualmente. Toda essa gente procura desculpar a sua brutalidade dizendo que é o costume; um crime, porém, não deixa de o ser porque muita gente o comete. O karma não leva em conta o costume e o karma da crueldade é, de todos, o mais terrível. Na Índia, pelo menos, não há desculpa para tais hábitos, pois o dever de não fazer mal é de todos bem conhecido. A sorte reservada ao cruel incide também sobre todos aqueles que intencionalmente matam criaturas de Deus sob pretexto de desportos.

Sei que não farias estas coisas; e, por amor de Deus, quando a oportunidade se oferecer, falarás abertamente contra elas. Porém, existe a crueldade na palavra, da mesma forma que nos atos, e um homem que diz algo com a intenção de ferir a outrem é passível desse crime. Isto também não farás; porém, às vezes, uma palavra impensada faz tanto mal como se fosse malévola.

Deves, pois, estar de sobreaviso contra a crueldade irrefletida. Ela se origina comumente da irreflexão. Um homem cheio de avareza e cobiça não pensa jamais nos sofrimentos que causa aos outros, pagando-lhes pouco e deixando meio famintos sua mulher e seus filhos. Um outro pensa apenas nos seus desejos luxuriosos, pouco se importando com os corpos e as almas que arruina para sua satisfação. Um outro, somente para poupar-se uns poucos minutos de incômodo, não paga aos seus operários no dia designado, sem pensar nas dificuldades que lhes origina. Por essa forma muito sofrimento pode ser causado pela irreflexão – pelo olvido de pensar sobre o modo pelo qual uma ação afeta os outros. Porém, o Karma não esquece nunca e não leva em conta que os homens esquecem. Se desejas entrar na Senda, deves pensar nas conseqüências das tuas ações, a fim de não incidires em crueldade irrefletida.

A superstição – A superstição é outro grande mal, que tem causado muitas e terríveis crueldades. O homem que é seu escravo desdenha aqueles que são mais sábios e tenta faze-los agir do mesmo modo. Pensa nos horrendos massacres produzidos pela superstição que aconselha o sacrifício de animais e pelo ainda mais cruel preconceito de que o homem necessita de carne para alimentar-se. Pensa nos maus tratos que a superstição tem criado para as classes oprimidas da nossa Índia bem amada e verifica por aí quanto esta má qualidade pode originar de covarde crueldade, mesmo entre aqueles que conhecem o dever de serem fraternais. Muitos crimes os homens cometeram em nome do Deus de Amor, movidos pelo pesadelo da superstição; cuida, pois, muito para que dela não reste em ti o menos vestígio.

Esses três grandes crimes deves evitar, pois são fatais a todo o progresso, por serem pecados contra o amor. Não basta, porém, refrear o mal; é preciso ser ativo no bem. Deves encher-te tanto do intenso desejo do serviço, que estejas sempre vigilante para prestá-lo em torno de ti – não somente aos homens, como também às plantas e aos animais. Deves prestá-lo nas pequenas coisas, cada dia, a fim de que o hábito se forme e não percas as raras oportunidades em que grandes coisas se apresentam para ser feitas. Pois que, se anseias unificar-te com Deus, não é por amor de ti próprio, mas a fim de que possas ser um canal através do qual o Seu amor flua sobre os homens, teus irmãos.

Aquele que está na Senda não existe para si mesmo, mas para os outros; esquece a si próprio para poder servi-los. Ele é como uma pena na mão de Deus, através da qual o Seu pensamento flui e pode encontrar neste mundo uma expressão que, sem ela (a pena) não poderia Ter. É, ao mesmo tempo, um feixe de fogo vivo radiando sobre o mundo o Amor Divino que lhe enche o coração.

A sabedoria que torna capaz de ajudar, a vontade que dirige a sabedoria, o amor que inspira a vontade – tais são as qualidades requeridas. Vontade Sabedoria e Amor são os três aspectos do Logos; e tu, que desejas alistar-te ao Seu serviço, deves expressar esses três aspectos no mundo.


sábado, março 09, 2013

Aos pés do Mestre - 3/4

Jiddu Krishnamurti



III – BOA CONDUTA
 
Os seis pontos sobre a conduta, especialmente exigidos pelo Mestre, são:

1. Domínio da Mente.
2. Domínio da Ação.
3. Tolerância.
4. Contentamento.
5. Perseverança (unidade de direção para o fim visado).
6. Confiança.

(Sei que algumas dessas qualidades são freqüentemente expressas de modo diferente; porém, em todo caso, usei as designações que o próprio Mestre empregou ao explicá-las).

1. Domínio da Mente

A qualidade da ausência do desejo mostra que o corpo astral precisa ser dominado;  o mesmo acontece em relação ao corpo mental.  Isto significa domínio do temperamento, de modo a não poderes sentir cólera ou impaciência; domínio da própria mente, a fim de que o pensamento seja sempre calmo e sereno e, através da mente, o domínio dos nervos, a fim de que sejam o menos irritáveis possível. Este último objetivo é difícil de atingir, porque, quando tentas preparar-te para a Senda, não podes deixar de tornar o teu corpo mais sensitivo; de sorte que os seus nervos podem ser facilmente abalados por um som ou um choque, e sentir de modo agudo qualquer pressão. Faz, porém, o melhor que te for possível.

A mente calma implica, também, coragem, a fim de afrontares sem medo as provas e dificuldades da Senda; implica, outrossim, firmeza, para suportares as pequenas perturbações inerentes à vida diária e evitar os aborrecimentos incessantes, oriundos de pequenas coisas em que muita gente consome a maior parte do seu tempo. O Mestre ensina que não tem a menor importância o que ao homem acontece exteriormente; tristezas, perturbações, doenças, perdas – tudo isso deve ser nada para ele e não deve permitir que lhe afetem a calma mental. São o resultado das ações passadas e, quando chegam, devem ser suportadas alegremente, com a lembrança de que todo mal é transitório e que é teu dever permanecer sempre contente e sereno. Pertencem às tuas vidas anteriores e não a esta; não podes alterá-las, portanto é inútil que com elas te preocupes. Pensa antes no que estás, agora, fazendo e que determinará os acontecimentos de tua próxima vida, pois essa podes modificar.

Não cedas nunca à tristeza e ao desalento. O desalento é mau, porque contamina os outros e torna as suas vidas mais difíceis, o que não tens o direito de fazer. Portanto, sempre que ele vier a ti, deves repeli-lo imediatamente.

Deves ainda dominar o teu pensamento de outro modo; não o deixes vaguear. Fixa o teu pensamento naquilo que estiveres fazendo, a fim de que seja feito com perfeição; não deixes a tua mente ociosa, porém mantém sempre bons pensamentos em reserva, prontos a avançar quando ela estiver livre. Emprega, diariamente, o poder do teu pensamento em bons propósitos; sê uma força orientada para a evolução.  Pensa cada dia em alguém que saibas estar imerso na tristeza e no sofrimento, ou necessitando de auxílio e derrama sobre ele teus pensamentos de amor.

Preserva a tua mente do orgulho, porque o orgulho provém somente da ignorância. O homem que não sabe, pensa ser grande por ter feito alguma grande coisa; mas o homem sábio compreende que só Deus é grande e que toda boa obra é feita só por Ele.

2. Domínio da Ação

Se o teu pensamento for o que deve ser, encontrarás pouca dificuldade na ação. Lembra-te que para ser útil à humanidade, o pensamento deve traduzir-se em ação. Nada de indolência, mas uma constante atividade no trabalho útil.  Deves, porém, cumprir o teu próprio dever e não o de outrem, a não ser com a sua devida permissão e no intuito sempre de ajudá-lo. Deixa que cada homem execute o seu trabalho a seu modo; mantém-te sempre pronto a oferecer auxílio onde ele for necessário, porém nunca te intrometas. Para muita gente a coisa mais difícil deste mundo é aprender a ocupar-se de seus próprios negócios; é, porém, isto exatamente o que deves fazer.

Pelo fato de empreenderes um trabalho de ordem superior, não deves esquecer os teus deveres comuns, pois enquanto os não cumprires, não estarás livre para outro serviço.  Não tomes sobre ti novos deveres para com o mundo; porém, daqueles que já te encarregaste, desempenha-te perfeitamente – os deveres definidos e razoáveis, que tu próprio reconheces, e não os deveres imaginários que porventura alguém pretenda impor-te. Se queres pertencer ao Mestre, deves executar o teu trabalho comum melhor e não pior do que os outros, porque deves fazer também isto por amor a Ele.

3. Tolerância

Deves sentir perfeita tolerância por todos e um sincero interesse pelas crenças dos de outras religião, tanto quanto pelas tuas próprias.  Pois a religião dos outros é um Caminho para o Supremo, da mesma forma que a tua.  E, para auxiliar a todos, é preciso tudo compreender. Mas a fim de alcançares esta perfeita tolerância, deves tu próprio, em primeiro lugar, libertar-te da superstição e da beatice.  Precisas aprender que não há cerimônias indispensáveis; de outro modo te suporias um pouco melhor do que aqueles que as não cumprem.  Não condenes, porém, os que ainda se apegam às cerimônias. Deixa-os fazer o que lhes aprouver, contanto que se não intrometam no que concerne a ti que conheces a verdade – pois não devem tentar forçar-te àquilo que já ultrapassaste. Sê indulgente com todos; sê benévolo em tudo.

Agora que os teus olhos foram abertos, algumas das tuas antigas crenças e cerimônias podem parecer-te absurdas; talvez, na realidade, o sejam. Apesar, porém, de não poderes mais tomar parte nelas, respeita-as por amor às boas almas para quem elas são ainda importantes.  Têm o seu lugar e a sua utilidade; assemelham-se às duplas linhas que, quando criança, te guiavam para escrever em linha reta e na mesma altura, até que aprendeste a escrever muito melhor e mais livremente sem elas.  Houve tempo em que delas necessitaste; esse tempo, porém, já passou.

Um grande Instrutor escreveu certa vez: “Quando eu era criança, falava como criança, entendia como criança; porém, quando me tornei homem, abandonei os modos infantis”.  No entanto, aquele que esqueceu a sua infância e perdeu a simpatia pelas crianças não é o homem que as possa instruir e ajudar.  Assim, olha a todos bondosamente, gentilmente, tolerantemente; porém, a todos da mesma forma, quer sejam budistas, jainos, judeus, cristãos ou maometanos.

4. Contentamento

Deves suportar o teu karma alegremente, qualquer que ele seja, tendo o sofrimento como uma honra, pois demonstra que os Senhores do Karma te acham digno de auxílio.  Por muito duro que ele seja, mostra-te agradecido por não ser ainda pior. Lembra-te que de muito pouca utilidade serás para o Mestre, enquanto o teu mau karma não for esgotado e não estiveres livre. Oferecendo-te a Ele, pediste que o teu karma  fosse apressado e assim, em uma ou duas vidas esgotas aquilo que, de outro modo, exigiria uma centena delas.  Para maior proveito, porém, deves suportá-lo alegremente.

Há outro ponto de importância.  Abandona todo sentimento de posse.  O karma pode arrebatar-te aquilo de que mais gostas, mesmo as pessoas que mais amas.  Ainda assim deves ficar contente – pronta a separar-te de tudo e de todos. Freqüentemente, o Mestre necessita transmitir Sua força a outros através do Seu servo; Ele não o poderá fazer se o servo ceder ao desânimo.  Assim, o contentamento é indispensável.

5. Perseverança

A coisa única que deves manter sempre presente, em tua mente, é o trabalho do Mestre.  Qualquer outra coisa que surja em teu caminho, não te deve fazê-lo esquecer. Na verdade, nenhuma outra coisa poderá surgir diante de ti, pois todo trabalho útil e desinteressado é trabalho do Mestre e tu deves executá-lo por amor a Ele. E precisas dedicar-lhe toda a tua atenção, a fim de ser o que de melhor possas fazer.  O mesmo Instrutor escreveu também: “O que quer que faças, faze-o de boa vontade, como sendo para o Senhor e não para os homens”.  Pensa como executarias um trabalho se soubesses que o Mestre vivia vê-lo imediatamente; é justamente nestas condições que deves executar tudo.  Aqueles que sabem, melhor compreenderão o significado desde versículo.  Há um outro, semelhante porém muito mais antigo: “Em tudo o que a tua mão fizer, aplica toda a tua força.”

A perseverança significa, também, que nada deverá afastar-te por um momento sequer da Senda em que entraste.  Nem tentações, nem os prazeres do mundo, nem as afeições mundanas, mesmo, devem jamais desviar-te.  Pois tu mesmo deves unificar-te com a Senda; ela deve tornar-se de tal modo parte da tua própria natureza que a percorras sem nisso teres que pensar e sem te desviares.  Tu, a Mônada, assim o decidiste; separares-te da Senda eqüivaleria a te separares de ti mesmo.

6. Confiança

Deves confiar em teu Mestre; deves confiar em ti mesmo.  Se já viste o Mestre, nele confiarás plenamente através de muitas vidas e mortes.  Se ainda não O viste, deves tentar averiguar a Sua existência e confiar Nele – porque se o não fizeres, nem mesmo Ele te poderá ajudar.  Sem que haja perfeita confiança não poderá haver perfeita efusão de amor e poder.

Necessitas confiar em ti mesmo.  Dizes que te conheces muito bem? Se assim pensas, não te conheces; conheces apenas o débil envoltório externo que freqüentemente tem caído na lama.  Porém tu – o Eu Real – és uma centelha do fogo Divino e Deus, que é Todo Poderoso, está em ti e, por este motivo, nada existe que não possas fazer, se o quiseres. Dize a ti mesmo: “O que o homem fez, o homem pode fazer.  Eu sou um homem, porém sou também o Deus que está no homem; eu posso fazer isto e quero fazê-lo”. Pois se quiseres trilhar a Senda, a tua vontade deve ser como aço de boa têmpera.

Continua...


quarta-feira, março 06, 2013

Aos pés do Mestre - 2/4

Jiddu Krishnamurti


II – AUSÊNCIA DE DESEJOS

Há muitas pessoas para quem a qualidade da Ausência de Desejos (abnegação, desapego) é difícil, por pensarem que os seus desejos são elas próprias – e que, se esses desejos peculiares, simpatias e antipatias lhes forem tirados, nada mais lhes restará. Essas, porém, são somente as que ainda não viram o Mestre; à luz de Sua Santa Presença, todo desejo sucumbe, exceto o de se assemelhar a Ele. No entanto, antes mesmo de teres a ventura de encontrá-Lo face a face, podes conquistar a ausência de desejo, se o quiseres. O discernimento já te demonstrou que as coisas que os homens mais desejam, tais como a riqueza e o poder, não merecem o trabalho de ser possuídas; quando isto realmente é sentido, e não apenas enunciado, cessa todo o desejo por elas.

Tudo isto é simples; necessitas apenas compreender. Há, porém, algumas pessoas que recusam-se a prosseguir em objetivos terrenos, somente no intuito de alcançar o céu, ou para atingir a libertação pessoal dos renascimentos. Não deves cair neste erro. Se te esqueceste completamente de ti mesmo, não te podes preocupar com a época da libertação do teu Ego ou com a espécie de céu que lhe caberá. Lembra-te que todo desejo egoísta é um liame e, por muito elevado que seja o seu objetivo, enquanto dele te não desembaraçares, não estarás completamente livre para te devotares à obra do Mestre.

Quando tiverem desaparecido todos os desejos pessoais, poderá ainda restar o de apreciares o resultado do teu trabalho. Se auxiliares alguém, quererás ver até que ponto o tens ajudado; talvez mesmo queiras que ele o reconheça também e se te mostre grato. Isto, porém, é ainda o desejo e também uma falta de confiança. Quando aplicares a tua energia em auxiliar alguém, há de advir daí um resultado, quer possas vê-lo quer não; se conheces a Lei, sabes que deve ser assim. Precisas, pois, fazer o bem por amor ao bem, e não com a esperança da recompensa. Trabalha por amor ao trabalho e não para ver o resultado; deves entregar-te ao serviço do mundo porque o amas e não podes deixar de fazê-lo.

Não desejes os poderes psíquicos; eles virão quando o Mestre achar que melhor te será possuí-los. Forçá-los muito cedo traz consigo muitas perturbações; freqüentemente o seu possuidor é desencaminhado por falazes espíritos da natureza, ou então se torna vaidoso e se julga isento de cair em erro; em todo o caso, o tempo e a força necessários para adquiri-los poderiam ser gastos em trabalhar para os outros. Eles virão no decurso do teu desenvolvimento – porque devem vir; e se o Mestre entender que te será útil possuí-los mais cedo, te ensinará como desenvolvê-los com segurança. Até então, melhor será que os não possuas.

Deves precaver-te, também, contra certos pequenos desejos comuns na vida diária. Nunca desejes sobressair nem parecer instruído; não desejes falar. É bom falar pouco; melhor ainda é nada dizer, a não ser que estejas seguro de que o que pretendes dizer é verdadeiro, amável e útil. Antes de falar, pensa cuidadosamente se o que pretendes dizer preenche essas três qualidades; se assim não for, não o digas.

É bom que te habitues desde agora a refletir cuidadosamente antes de falar pois, quando alcançares a Iniciação, terás de vigiar cada palavra a fim de não dizeres o que não deve ser dito. Muitas das conversações ordinárias são desnecessárias e insensatas; e, quando chegam à maledicência, tornam-se perversas. Assim, acostuma-te antes a ouvir do que a falar; não emitas opinião senão quando diretamente solicitada. Um enunciado das qualidades requeridas é assim formado: saber, ousar, querer, calar , e a última das quatro é a mais difícil de todas.

Um desejo vulgar que deves severamente reprimir é o de te imiscuíres nos negócios de outrem. O que um homem faz, diz ou crê, não é de tua conta e precisas aprender a deixá-lo absolutamente entregue a si próprio. Ele tem pleno direito à liberdade de pensamento, palavra e ação, até ao ponto em que não interfira no que concerne a outrem. Tu próprio reclamas a liberdade de fazer o que julgas bom; deves outorgar a mesma liberdade aos outros e, quando a usarem, não tens o direito de te pronunciares a respeito.

Se julgas estar alguém fazendo o mal e encontras uma oportunidade de lho dizer em particular – e muito delicadamente – porque assim pensas, talvez consigas convencê-lo; porém, em muitos casos, isto mesmo não passaria de uma interferência indébita. De modo algum deverás murmurar com uma terceira peso sobre o assunto, pois isso seria uma ação extremamente má.

Se observares um caso de crueldade para com uma criança ou um animal, é teu dever intervir. Se vires alguém violando as leis do país, deves informar as autoridades. (Naturalmente em casos manifestamente graves, como o da prática da crueldade, ou quando intimado a fazê-lo.) Se estiveres incumbido de instruir uma outra pessoa, pode tornar-se teu dever adverti-la suavemente de suas falhas. Exceto em tais casos, ocupa-te de teus próprios negócios e aprende a virtude do silêncio.

Continua...


segunda-feira, março 04, 2013

Aos pés do Mestre - 1/4

Jiddu Krishnamurti
 
 
Minhas não são estas palavras e sim do Mestre que me instruiu. Sem Ele nada poderia ter feito, porém, com o Seu auxílio, comecei a trilhar a Senda. Tu desejas também entrar na mesma Senda; por isso, as palavras que Ele me dirigiu te auxiliarão, se as obedeceres. Não basta dizer que são verdadeiras e belas; o homem que deseja obter êxito, necessita fazer exatamente o que lhe é ensinado. Olhar para o alimento e dizer que é bom, não satisfaz um faminto; é necessário estender a mão e comê-lo. Da mesma forma, não basta ouvir as palavras do Mestre; é preciso fazer o que Ele diz, atento à menor palavra, ao menor sinal, pois, se uma indicação não for seguida, se uma palavra for desprezada, perdidas ficarão para sempre, porque o Mestre não fala duas vezes.

Quatro são as qualidades necessárias para a Senda:
 
I – Discernimento.
II – Ausência de desejos (Desapego, abnegação).
III – Boa conduta.
IV – Amor.
 
Tentarei dizer-te o que sobre cada uma delas que o Mestre me ensinou.

 
I – DISCERNIMENTO

A primeira dessas qualidades é o Discernimento, vulgarmente tomado no sentido daquela distinção entre o real e o irreal, que conduz o homem para a Senda. É isto; mas é muito mais ainda, e deve ser praticado, não somente no começo da Senda, porém a cada passo que nela diariamente se dá, até o fim. Entras para a Senda porque aprendeste que somente nela se podem encontrar as coisas dignas de aquisição. Os homens que não sabem, trabalham para adquirir a riqueza e o poder, porém estes bens são, quando muito, para uma vida somente e, portanto, irreais. Há coisas maiores do que essas – coisas reais e duradouras; quando as tiveres visto uma vez, não mais desejarás as outras.

Em todo o mundo há somente duas espécies de pessoas – as que sabem e as que não sabem – e o conhecimento é o que importa possuir. A religião de um homem, a raça a que pertence – não são coisas de importância; o que é realmente importante é o conhecimento – o conhecimento do Plano de Deus em relação aos homens. Pois Deus tem um plano e esse plano é a Evolução; quando o homem o tiver visto e, realmente, o conhecer, não poderá deixar de cooperar nele, unificando-se com ele, tal a sua glória e beleza. Assim, pelo fato de possuir o conhecimento, ele está ao lado de Deus, firme no bem e resistente ao mal, trabalhando pela evolução e não com fins pessoais.

Se está ao lado de Deus, é um dos nossos, não tendo a mínima importância que ele se diga hinduista, budista, cristão ou maometano, ou que seja hindu, inglês, chinês ou russo. Aqueles que estão ao lado de Deus sabem por que aí se acham, sabem o que têm a fazer e tentam cumpri-lo; todos os demais não sabem ainda o que têm a fazer e, por isso, freqüentemente agem de modo insensato, imaginando caminhos para si próprios, os quais lhes parecem agradáveis, não compreendendo que todos são um e que, portanto, só aquilo que o Uno quer pode realmente ser agradável a todos. Seguem o irreal ao invés do Real. E, enquanto não aprendem a distinguir entre ambos, não se colocam ao lado de Deus – e eis porque o Discernimento é o primeiro passo a dar.

Todavia, mesmo depois de feita a escolha, deves lembrar-te de que no Real e no irreal há muitas variantes e o discernimento deve ainda ser exercido entre o bem e o mal, o importante e o não importante, o útil e o inútil, o verdadeiro e o falso, o egoísta e o desinteressado.

Entre o bem e o mal não deveria ser difícil escolher, pois aqueles que desejam seguir o Mestre já se decidiram a seguir o bem a todo custo. Porém, o homem e o seu corpo são dois, e a vontade do homem nem sempre está de acordo com a do corpo. Quando o teu corpo desejar alguma coisas, pára e considera se tu és Deus e só queres o que Deus quer; necessitas, porém, penetrar fundo em ti mesmo, para em teu interior encontrares Deus e ouvir a Sua voz, que é a tua.

Não confundas os teus corpos contigo mesmo, nem o teu corpo físico, nem o astral, nem o mental. Cada um deles pretende ser o Ego, a fim de obter o que deseja. Precisas, porém, conhecê-los todos e conhecer-te a ti mesmo como seu possuidor.

Quando há um trabalho para fazer, é quando o corpo físico quer descansar, passear, comer e beber; o homem que não sabe, diz a si mesmo: eu quero fazer estas coisas e preciso fazê-las. Porém, o homem que sabe diz: Quem quer não sou eu; portanto espere um pouco. Freqüentemente, quando há oportunidade de auxiliar alguém, o corpo insinua: Que aborrecimento isto me trará; deixemos que outro qualquer tome o meu lugar. Porém, o homem que sabe lhe replica: Tu não me impedirás de praticar uma boa ação.

O corpo é teu animal, o cavalo que montas. Deves, portanto, tratá-lo bem, cuidar bem dele, não o estafar, alimentá-lo convenientemente só com alimentos e bebidas puros, e mantê-lo perfeitamente limpo, sempre, sem o menor vestígio de impureza. Pois que, sem um corpo perfeitamente limpo e saudável, não podes efetuar a árdua tarefa da preparação, nem suportar-lhe os incessantes esforços. Deves, porém, ser sempre tu quem o domine, e não ele o que te domine a ti.

O corpo astral tem seus desejos – e os tem às dúzias; há de querer ver-te encolerizado, ouvir-te dizer palavras ásperas, que sintas ciúmes, que sejas ávido por dinheiro, que invejes os bens alheios e cedas ao desânimo. Quererá todas essas coisas e muitas outras mais, não porque deseje prejudicar-te, mas por que lhe aprazem as vibrações violentas e gosta de mudá-las continuamente. Tu , porém, não desejas nenhuma destas coisas e, portanto, deves distinguir os teus desejos dos de teu corpo astral.

O teu corpo mental deseja manter-se orgulhosamente separado; quererá que penses muito em ti mesmo e pouco nos outros. Mesmo quando o tiverdes desviado das coisas mundanas, tentará ainda especular acerca de ti próprio, fazer-te pensar no teu próprio progresso, em lugar de o fazeres na obra do Mestre e em auxiliar os outros. Quando meditares, tentará fazer-te pensar nas diferentes coisas que ele quer, em vez da única de que necessitas. Não és esse corpo mental, mas dele dispões para o teu uso; assim, mesmo aqui, o discernimento é necessário. Deves vigiar incessantemente, sob pena de vires a falir.

Entre o bem e o mal, o Ocultismo não admite compromissos. Custe o que custar, deves fazer o bem e nunca o mal. Diga ou pense o ignorante o que quiser. Estuda profundamente as leis ocultas da Natureza e organiza a tua vida de acordo com elas, utilizando sempre a razão e o bom senso.

Deves discernir entre o que é importante e o que não é. Firme como uma rocha em tudo que concerne ao bem e ao mal, cede invariavelmente aos outros nas coisas de somenos importância. Pois deves ser sempre amável, bondoso, razoável e condescendente, deixando aos outros a mesma plena liberdade que para ti necessitas.

Procura verificar o que vale a pena ser feito e lembra-te que as coisas não devem ser julgadas pela sua grandeza aparente. Uma pequena coisa de utilidade imediata à obra do Mestre merece muito mais ser feita, do que uma grande coisa que o mundo considera boa. Precisas distinguir não somente o útil do inútil, mas ainda o mais útil do menos útil. Alimentar os pobres é uma boa obra, nobre e útil; porém, alimentar-lhes as almas é ainda mais nobre e mais útil.

Por muito sábio que já sejas, muito terás ainda que aprender na Senda; tanto que nela mesma precisas discernir e meditar cuidadosamente o que deve ser aprendido. Todo o conhecimento é útil, e um dia o possuirás integralmente; enquanto, porém, só possuíres parte dele, cuida em que essa seja a mais útil. Deus tanto é Sabedoria como Amor; e quanto mais sábio fores, mais Ele se manifestará por teu intermédio. Estuda, pois, mas estuda em primeiro lugar o que mais te habilite a auxiliar aos outros. Trabalha pacientemente em teus estudos, não para que os homens te julguem sábio, nem mesmo para gozares a felicidade de ser sábio – mas por que o sábio pode ser sabiamente útil. Por muito que desejes prestar auxílio, enquanto fores ignorante, poderás fazer mais mal do que bem.

Precisas distinguir entre a verdade e a mentira; deves aprender a ser verdadeiro em tudo: no pensamento, na palavra e na ação. Primeiro no pensamento, e isto não é fácil, porque há no mundo muitos pensamentos falsos, muitas superstições insensatas e ninguém que a eles se escravize poderá progredir. Por conseguinte, não deves acolher um pensamento simplesmente porque muitas pessoas o acolhem, nem por ter merecido crédito durante séculos, nem por constar de algum livro que os homens julguem sagrado; deves pensar por ti mesmo sobre a questão, e por ti mesmo ajuizar se ela é razoável. Lembra-te que, embora um milhar de homens concorde sobre um assunto, se nada conhecerem a respeito, a sua opinião não tem valor. Aquele que quiser caminhar na Senda tem que aprender a pensar por si mesmo, pois a superstição é um dos maiores males do mundo e um dos empecilhos de que, por ti próprio, te deves libertar inteiramente.

O teu pensamento acerca dos outros deve ser verdadeiro; não penses a seu respeito aquilo que não saibas. Não suponhas que os outros estejam sempre pensando em ti. Se um homem faz alguma coisa que julgas poder prejudicar-te, ou diz algo que parece ser-te dirigido, não suponhas imediatamente: “ele pretende ofender-me”. O mais provável é que nunca pensasse em ti pois cada alma tem as suas próprias preocupações e os seus pensamentos não giram, as mais das vezes, em torno senão de si própria. Se um homem te falar colericamente, não penses: “Ele me odeia e quer ferir-me.” Provavelmente, alguém ou alguma coisa o encolerizou e, acontecendo encontrar-te, voltou a sua cólera sobre ti. Procede insensatamente, pois toda a cólera é insensata, mas nem por isso deves pensar falsamente a seu respeito.

Quando te tornares discípulo do Mestre, poderás sempre averiguar a veracidade do teu pensamento cotejando-o com o Seu. Pois o discípulo é um com seu Mestre e basta-lhe fazer retroceder o seu pensamento até ao do Mestre, para verificar se ambos estão de acordo. Se não estiver, o pensamento do discípulo é errôneo e ele deve modificá-lo instantaneamente, pois o pensamento do Mestre é perfeito, visto que Ele tudo sabe. Aqueles que por Ele ainda não foram aceitos, não podem fazer isto perfeitamente; porém serão grandemente ajudados se freqüentemente se detiverem a perguntar: “Que pensaria o Mestre a este respeito? Que faria ou diria Ele em tais circunstâncias?” Pois nunca deves fazer, dizer ou pensar o que não possas imaginar que o Mestre faça, diga ou pense.

Deves também ser verdadeiro no falar, exato e sem exageros. Nunca atribuas más intenções a outrem; somente o seu Mestre lhe conhece os pensamentos e bem pode estar agindo por motivos que nunca penetrassem em tua mente. Se ouvires uma narrativa contra alguém, não a repitas; pode não ser verdadeira; e, ainda que o seja, é mais bondoso nada dizer. Pensa bem antes de falar, a fim de não caíres em inexatidões.

Sê verdadeiro na ação; nunca pretendas parecer senão aquilo que és, pois todo fingimento constitui um obstáculo à pura luz da verdade, que deve brilhar através de ti como a luz do Sol através de um vidro transparente.

Precisas discernir entre o egoísmo e o altruísmo, pois o egoísmo reveste muitas formas e, quando pensas tê-lo morto, finalmente numa delas, surge noutra tão forte como sempre. Porém, gradualmente, o pensamento de auxiliar aos outros te encherá de tal modo, que não haverá lugar nem tempo para pensares em ti mesmo.

De outra maneira, ainda deves utilizar o discernimento: aprende a distinguir a Deus que está em todos e em tudo, por pior que seja a sua aparência exterior. Podes ajudar teu irmão pelo que tens de comum com ele – a Vida Divina. Aprende a despertar nele essa Vida, aprende a invocá-la nele; assim o salvarás do mal.

Continua...


quinta-feira, fevereiro 28, 2013

Sabedoria: a Luz de Deus

Masaharu Taniguchi


(Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade)

SABEDORIA

A sabedoria é Luz de Deus,
é Luz perfeita que acompanha a Realidade,
é Luz infinita e onipresente que desconhece restrições;
porque não conhece restrições,
está presente em todas as coisas
e ilumina todas as coisas.


A sabedoria é a luz divina que elimina a treva da ilusão. A ilusão não entende a Imagem Verdadeira. Não entender é ignorância, e ignorância é treva. A função da Sabedoria é iluminar a Imagem Verdadeira, eliminando essa treva, razão pela qual é chamada luz. Onde há Realidade, infalivelmente há luz, há sabedoria. Onde há Realidade, jamais surgem situações caóticas por falta de sabedoria. Se existe caos, é sinal de que nesse lugar não há Realidade. Por isso se diz que a sabedoria é a luz perfeita que acompanha a Realidade, ou seja, Deus. "Luz infinita" é a luz impecável e infalível que está presente em tudo e tudo ilumina. Essa luz é infinita, onipresente e desconhece restrições. Sendo infinita e onipresente, é óbvio que possa estar presente em todas as coisas, iluminando-as. O trecho seguinte diz que o homem é "filho da Luz":


O homem, sendo filho da Luz, e porque está sempre na Luz,
desconhece a escuridão,
desconhece tropeços,
desconhece embaraços;
como anjos que passeiam no céu,
como peixes que nadam no oceano,
passeia no Mundo da Luz, pleno de Luz e cheio de Alegria.


A Realidade é tudo. Logo, uma vez que existimos, a Luz da Realidade está também dentro de nós e, por conseguinte, a treva não existe para nós. Somos filhos da luz. Nascemos da luz, estamos dentro da luz e ao mesmo tempo temos a luz dentro de nós. Se a luz está dentro de nós e estamos dentro da luz, a treva não pode existir. Não conhecemos a treva. Não existe nenhuma espécie de treva. Não existe empecilho algum que nos faça tropeçar. Portanto, somos seres totalmente livres e vivemos sem tropeços nem embaraços, tal como os anjos que voam livremente no céu ou como os peixes que nadam na água. Esta é a verdadeira imagem da nossa vida. Os peixes nadam à vontade, com desenvoltura, como se nem percebessem a existência da água ou sentissem sua resistência. Da mesma forma, o homem, na verdade, está passeando livremente no mundo da luz, sem encontrar treva nem obstáculo algum, transbordante de luz e alegria. Esta é a imagem do viver do homem verdadeiro, do homem-Imagem-Verdadeira. Se, no entanto, surgem inúmeros obstáculos que tolhem nossa liberdade, é porque não manifestamos plenamente a luz e permitimos que a "treva" mostre sua falsa existência e apresente obstáculos que não existem, como se fossem existência verdadeiras. Manifestando a luz da sabedoria, a situação embaraçosa desaparece automaticamente porque não é existência verdadeira.

A sutra diz em seguida:


Sendo a Sabedoria Luz da iluminação espiritual,
é a Verdade que ilumina e extingue as trevas da ilusão.


A sabedoria é luz da iluminação espiritual; portanto, quando ela se manifesta, desaparecem todas as ilusões e trevas e surge a imagem verdadeira da Realidade, que é perfeita e impecável. Mas a sabedoria neste contexto não é a sagaz inteligência do cérebro humano, nem a faculdade de conhecer os fatos e as coisas deste mundo; é a faculdade de conhecer a Imagem Verdadeira. Não é aquela que vem do homem em ilusão; é a sabedoria verdadeira que vem de Deus. Sob a luz dessa sabedoria, todos os tipos de ilusão e treva desaparecem irremediavelmente. Se a ilusão aparenta existir, é porque não manifestamos a sabedoria. A treva parece existir realmente e pensamos que ela existe, mas ela não é algo que existe em oposição à luz. A treva não passa de estado de ausência de luz. Da mesma forma, as infelicidades não passam de estados de ausência de luz da sabedoria.

Não raro encontramos pessoas que dizem: "Estou doente há mais de vinte anos. Nenhum tratamento me cura porque esta doença é crônica". Assim dizem por pensarem que a doença é existência verdadeira. Pensam que sua doença, sendo produto de causas cármicas acumuladas durante muito tempo, não será curada facilmente. Até perderam a esperança de cura. Acham que o carma formado há várias encarnações não será extinto tão facilmente por meio da fé ou práticas espirituais. Elas estão segurando firmemente a doença com a mente, considerando-a existente, razão pela qual nunca saram.

Vejamos mais um trecho:


Somente a Verdade é Realidade.
A ilusão, sendo apenas falta de conhecimento da Verdade,
é tal qual um pesadelo.
Despertai do pesadelo.
Ocorrendo a iluminação espiritual,
imediatamente este mundo se torna Paraíso pleno de Luz,
e o homem revela a sua Imagem Verdadeira
que é Vida plena de Luz.


O carma não é algo que existe de verdade. Ele é formado pelo acúmulo de ilusões que aparenta existir devido à treva mental e falta de luz. Por isso, mesmo o mais pesado carma desaparece quando se acende a luz da sabedoria, assim como a mais densa treva desaparece quando se acende uma lâmpada. Não importa se é um carma formado há dez ou vinte anos: uma vez acesa a luz da sabedoria, a vida se ilumina.

Poderá alguém pensar que uma treva formada há pouco tempo pode desaparecer diante de uma luz mais facilmente do que uma treva antiga que vem durando séculos. Contudo, tanto a treva recente como a antiga desaparecem igualmente quando se acende a luz. A treva não é existência verdadeira; ela é inexistente. Treva é inexistência. E não há inexistência recente nem antiga. Assim também é a ilusão (treva mental). Esta é um estado de ausência de sabedoria, sendo portanto inexistente. No budismo se diz sabiamente que a "ilusão" é "ausência de iluminação", para explicar que ela é um estado em que a luz da sabedoria está ausente. Por conseguinte, quando ocorre a iluminação espiritual (despertar), desaparecem todos os carmas, desejos egoísticos, ressentimentos e insatisfações.

"Então, de onde surge a ilusão?" - perguntam alguns. Fazem tal pergunta porque ainda pensam que a ilusão existe. Se compreenderem que não existe, não surgirá tal dúvida. partindo-se da premissa de que "a ilusão existe", jamais se pode provar sua inexistência. Compreendendo que a ilusão não surge de lugar algum porque não é existência verdadeira (nada), desaparecerá tal questionamento. Se alguém perguntar "De onde vem a treva?", só poderemos responder que ela não vem de lugar algum, pois a treva é um estado de ausência de luz. A questão se torna difícil quando se pensa que a treva seja algo consistente, que sai de um lugar para se apresentar diante de nós. Mas felizmente a treva, assim como a ilusão, é um estado em que a luz está ausente.

A Seicho-No-Ie diz, portanto, que os estados de ausência de luz, tais como o pecado, o carma, a ilusão, etc., são na verdade inexistentes, e que o fato de eles parecerem existentes não passa de pesadelo. Por isso, o trecho da sutra diz: "A ilusão, sendo apenas falta de conhecimento da Verdade, é tal qual um pesadelo. Despertai do pesadelo". Viver pensando que existem ilusão e pecado a serem levados em consideração é o mesmo que estar tendo pesadelo. Se alguém pensa que a ilusão existe - isto é, considera real o pesadelo que está tendo -, é porque nele não está se manifestando a sabedoria. A treva mental parece existir quando não está presente a luz da sabedoria, isto é, a luz de Deus. Quando brilha a luz da sabedoria, desaparece a ilusão. Se considerarmos real a imagem ilusória que se formou na mente e não abrirmos os olhos da mente, ela não desaparecerá nunca. Porém, se abrirmos os olhos mentais, a imagem ilusória desaparecerá instantâneamente.

Ilusão é o não-reconhecimento da Verdade. Não é que existe algo chamado ilusão. Por exemplo, daqui ouvimos as cigarras cantando nas árvores lá fora. Devido à acústica deste salão, muitas vezes esse chiado das cigarras é confundido com o barulho da chuva, e muitas pessoas poderão pensar que está chovendo. Isso é a ilusão. E se alguém lhes explica que o ruído não é de chuva mas de cigarras, as pessoas percebem a verdade e, simultaneamente, desaparece a "ilusão de que está chovendo". Então pergunto: "Onde está a "ilusão de que está chovendo"? Ela não existe mais. Existe unicamente a verdade de que as cigarras estão cantando. Conclui-se, portanto, que a "ilusão de que estava chovendo" não existia; simplesmente a verdade de que "as cigarras estão cantando" estava oculta, devido à falta de reconhecimento dessa verdade. Esta é a natureza da ilusão.

Abrindo os olhos da mente, isto é, compreendendo a Verdade, a ilusão desaparece instantaneamente. É como diz o trecho da sutra: "Ocorrendo a iluminação espiritual (o despertar), imediatamente  este mundo se torna Paraíso pleno de Luz, e o homem revela a sua Imagem Verdadeira, que é Vida plana de Luz". Se alguém pensa que neste mundo existem muitos sofrimentos e desgraças, é porque não conhece a Imagem Verdadeira, isto é, a Verdade de que este mundo é o paraíso de luz. Se tal pessoa ouvir os ensinamentos da Seicho-No-Ie, conhecer a Imagem Verdadeira e perceber que os sofrimentos e desgraças são ilusões, portanto inexistentes, o mundo se transformará imediatamente em paraíso de luz e ela manifestará sua Imagem Verdadeira, que é Vida plena de luz.

Ontem à tarde esteve em nossa reunião o sr. M. A., que trabalha no Departamento de Obras da Prefeitura de Tóquio. Ele relatou, diante do público presente, que viera à Seicho-No-Ie para se curar de bronquite. Quando ele tinha três anos de idade, ficou com o rosto boerto de eczemas e, após a cura, a epiderme facial ficou repuxada e cheia de cicatrizes. Durante quarenta e sete anos ele viver assim e pensava: "Sou uma criatura repugnante". entretanto, conheceu a Seicho-No-Ie, leu a obra A Verdade da Vida e mudou seu pensamento. certo dia, quando praticava a Meditação Shinsokan, surgiu-lhe de dentro a seguinte convicção: "Sou originariamente filho de Deus, portanto, não sou repugnante; meu rosto é belo e harmônico!". Então, surpreendentemente, a pele do rosto começou a se descontrair, e as cicatrizes começaram a desaparecer. Normalmente, pensa-se que tal tipo de deformação da pele é incurável porque não é uma doença, e sim cicatrizes deixadas por uma doença que se curou. Entretanto, a pele do rosto do sr. M.A., que esteve repuxada e cheia de cicatrizes há quarenta e sete anos, está voltando ao normal. "Meu rosto ainda não está perfeitamente normal, mas já está muito bonito como podem notar", disse ele alegre e humoristicamente.

Como vimos, a face que estava deformada durante quarenta e sete anos voltou ao normal graças à compreensão da Verdade. Tal transformação não será possível enquanto a pessoa estiver considerando seu corpo como matéria e a matéria como existência verdadeira. A matéria é "sombra" da mente. O rosto disforme era projeção do pensamento: "Isto são cicatrizes que vão ficar pelo resto da vida". O sr. M.A. compreendeu que seu rosto não era incorrigível. Ou melhor, compreendeu que não precisava corrigir nada, pois a face repuxada pelas cicatrizes não era existência verdadeira; que sua verdadeira imagem não tinha deformação alguma. Quando compreendeu isso, mudou seu filme mental e passou a se projetar neste mundo fenomênico a imagem perfeita de sua Imagem verdadeira.

A importância desse fato não se restringe apenas ao desaparecimento das cicatrizes de 47 anos. Todos os problemas da vida são como essas cicatrizes. Citei este caso como exemplo para solucionar todos os tipos de problema. Todos os sofrimentos e imperfeitções são "cicatrizes" e "deformidades" da vida. As pessoas em geral pensam que o homem é uma massa formada de elementos materiais e que toda avaria nela ocorrida deve ser corrigida por meios materiais. Pensam que as cicatrizes resultantes de eczema são anormalidades materiais ocorridas no corpo material e que, portanto, para eliminá-las, é preciso cirurgia plástica, substituindo a pele irregular por pele lisa retirada da coxa ou de alguma outra parte. em suma, pensam que o homem é um ser material, uma massa feita de matéria. Este é o pensamento comum da maioria das pessoas, mas é um modo de pensar errôneo.

Vejamos mais um trecho da sutra:


Deus, Luz de infinita e universal Sabedoria,
Bem sem limitação,
Vida sem limitação,
Substância de todas as coisas,
é também Criador de todas as coisas;
por isso, Deus está presente em todos os lugares.
Deus, é a onipresente Substância e também o Criador.
Por isso:
unicamente o Bem é Força,
unicamente o Bem é Vida,
unicamente o Bem é Realidade;
logo, não existe Força que não seja Bem,
não existe Vida que não seja Bem, e também
não existe Realidade que não seja Bem.
Força que não seja Bem, isto é, força que traz
infelicidade, não passa de pesadelo.
Vida que não seja Bem, isto é, a doença, não
passa de pesadelo.

Todas as desarmonias e imperfeições nada mais
são que pesadelos.

Sendo o pesadelo aquilo que dá força ativa à
infelicidade, à doença, à desarmonia, à imperfeição,
estas se assemelham às diabólicas opressões que, em
sonho, podem nos fazer sofrer. Mas, ao despertarmos,
percebemos que não existe força alguma para nos
oprimir; nós é que nos oprimimos com a nossa própria
mente.
Em verdade, as forças maléficas, a força que oprime a
nossa vida , a força que nos faz sofrer, não são forças
que realmente existem de modo objetivo;
nada mais são que dores criadas em nossa própria mente
sofridas pela nossa própria mente.


Compreendendo o que acabamos de ler, a ilusão revelará sua inexistência e não nos poderá causar dano algum. Mais que isso: conseguiremos manifestar a imagem perfeita de nossa Imagem Verdadeira, livremente, de acordo com nosso pensamento. Em outras plavras, o homem manifestará sua imagem bela exatamente como foi criado por Deus, e este mundo será o paraíso de luz, refletindo fielmente o mundo da Imagem Verdadeira, o mundo de Deus.

O trecho seguinte diz que "Deus é Luz de infinita e universal sabedoria". Realmente, a Sabedoria de Deus é infinita e não existe outra sabedoria além da divina. Logo, a sabedoria que se aloja em nós é, na verdade, a infinita Sabedoria de Deus. Porém, é um grande erro pensar que essa sabedoria esteja dentro do nosso corpo carnal. A Seicho-No-Ie diz que "o corpo carnal não existe". Compreendendo-se que "o corpo carnal não existe", não está dentro do corpo carnal. Também no que se refere à iluminação (despertar espiritual), é um grande erro pensar que a limitada inteligência do homem carnal envolto em ilusão, apreendendo aos poucos a Verdade, irá se elevar até alcançar a iluminação. O despertar (iluminação) consiste em deixar emergir e brotar subitamente do nosso interior a Sabedoria de Deus. Não é a mente cerebral que desperta. Se o despertar espiritual fosse uma conquista da inteligência cerebral, ele desapareceria com a morte física e decomposição do cérebro, e não poderia ser considerado uma salvação do homem inclusive após a morte carnal.

Certas pessoas podem insistir dizendo "Não, a sabedoria está no cérebro", mas ela não está. O órgão chamado cérebro é um instrumento criado por nossa mente para nos servir; estamos apenas utilizando-o. Não é do órgão físico chamado cérebro que vem a sabedoria.

Além disso, a sabedoria do eu e a do outro não estão isoladas uma da outra; estão inseparavelmente ligadas à sabedoria universal. Perceber isso constitui o despertar segundo a Seicho-No-Ie. Conscientizando que nossa sabedoria e a sabedoria universal - que preenche e vivifica todos os seres do Universo - são uma só, compreendemos que ela não é algo diminuto que caiba neste pequeno eu, mas infinitamente grandioso, e que aquilo que mentalizamos é imediatamente captado pela sabedoria (Providência) que rege o Universo.

Frequentemente adeptos da Seicho-No-Ie relatam graças recebidas, esclarecendo que, quando pensam em determinada coisa que desejam, alguém traz exatamente o objeto desejado. Isso não é nada estranho. Na verdade, assim deve ser quando despertamos para a verdadeira sabedoria, que não está apenas em nosso cérebro, mas presente em todo o Universo. Quando precisamos de algo, nosso desejo é captado pela sabedoria universal, que então diz "Vamos enviar isto ao fulano, que ele está precisando" e envia alguém para nos entregar a coisa desejada. Portanto, quando alcançamos o despertar, o que nos é necessário começa a aparecer na medida da necessidade, graças à ação da sabedoria universal, da sabedoria onipresente.

Como diz o trecho da sutra, Deus é tudo e somente Ele é existência verdadeira. Deus é a suprema perfeição, portanto, é bom e jamais pode ser mau. Se somente Deus, somente o bem é existência verdadeira, não pode existir uma força que não seja bem. Entretanto, existem muitos cristão que acreditam na existência de uma força que não seja bem. Certos segmentos do cristianismo acreditam na existência de Satanás como força que se contrapõe a Deus. Conheço uma médica, fervorosa adepta da Seicho-No-Ie, que tem uma amiga cristã. Desejando trazer essa amiga à Seicho-No-Ie, falou-lhe deste ensinamento, citando inúmeras curas milagrosas que ocorrem. Mas a amiga retorquiu: "Essas curas milagrosas devem ser obra de Satanás, pois este é o segundo mais poderoso depois de Deus". Pessoas que têm esse pensamento consideram-se fiéis a Deus e pensam que veneram a Deus como o Ser mais poderoso do Universo, mas admitem a existência de Satanás, que se opõe a Deus e Lhe dá muito trabalho. Elas dividem o "mundo da existência verdadeira" em duas partes: um território de Deus e outro de Satanás. Se ela reduzem à metade o reino de Deus, não sabemos se estão venerando ou desprezando Deus. E quando dizemos que "o pecado não existe", certas pessoas retrucam: "Como não!? Então para que serve a religião? A religião é necessária justamente porque existe o pecado!".

Muitos religiosos pensam que "a religião é necessária porque existe o pecado". Mas eu afirmo que a religião é necessária justamente para ensinar ao homem que o pecado não existe. Para que Jesus Cristo veio? Ele veio para dizer: "Estão perdoados os teus pecados. (...) Levanta-te!". Para que Buda veio? Ele veio para dizer: "Serás perdoado dos pecados e nascerás no Paraíso". Eles não vieram para afirmar que o pecado existe. Poderá alguém argumentar que "se o pecado não existisse, não haveria também necessidade de perdoar o pecado". Mas, para libertar da ideia do pecado as pessoas que pensam obstinadamente que "o pecado existe", é mais eficaz dizer "o pecado foi perdoado" do que afirmar "o pecado não existe". Dizendo-lhes que "o pecado foi perdoado", elas conseguem pensar: "Ah! Então meu pecado já desapareceu". É por esta razão que os religiosos dizem: "Seus pecados foram perdoados". Se o pecado fosse existência verdadeira, não desapareceria nem mesmo ao ser perdoado. Se ele desaparece com as palavras "teus pecados foram perdoados", é porque não existe verdadeiramente.

Cristo salvou as pessoas dizendo: "Estão perdoados os teus pecados". Se inúmeras pessoas foram purificadas de seus pecados e curadas de suas doenças apenas com as palavras "Estão perdoados os teus pecados", é porque o pecado não é existência verdadeira. Se o pecado fosse algo criado por Deus e existisse verdadeiramente, nem as palavras de Cristo nem a sua crucificação conseguiriam extingui-lo. O pecado é uma vibração mental negativa e, por isso, pode ser neutralizado e eliminado pela vibração mental positiva.

Parece que há muitos cristãos que pensam que o ser humano é por natureza pecador e que a religião é necessária para absolvê-lo dos pecados. Mas o pecador não é o Homem-Imagem-Verdadeira, o homem verdadeiro; é o aspecto falso (sombra) do homem. Estão confundindo a Imagem Verdadeira com a falsa aparência, e por isso consideram o homem pecador. Dizem que "a religião não seria necessária se o pecado não existisse, assim como a luz elétrica seria desnecessária se não existisse a escuridão". Esse argumento não deixa de ter certa lógica. Mas, então pergunto: a escuridão é uma existência positiva? Sabemos que não. Escuridão é o estado de ausência de luz. Se ela fosse existência verdadeira e positiva, não desapareceria, por mais luz que incidisse sobre ela. O mesmo acontece com o pecado: apenas parece existir. Na verdade, o pecado é o estado em que está ausente a Imagem Verdadeira do homem. Não significa que o pecado tenha existência própria. Nesta sala, por exemplo, vemos sombras atrás dos móveis e objetos. Esses lugares estão escuros. Também a minha face esquerda parece escura aos olhos dos senhores ouvintes porque a luz está à minha direita. Mas isso não quer dizer que minha face esquerda seja escura; simplesmente parece escura porque a luz não atinge este lado. Podemos dizer o mesmo em relação ao pecado.

Logo, é um erro evidente pensar que o pecado seja uma existência positiva e que a religião seja necessária para salvar o homem desse pecado. Somos filhos de Deus - esta é a realidade. Dizer que existe pecado em nós é uma falsidade. E a falsidade não é existência verdadeira, embora o pareça. Mesmo que uma face de nosso rosto pareça escura, ela em si não é escura. O que está escuro é a própria sombra. E o homem não é sombra. O homem em si não é escuridão. da esma forma, no homem em si não existe pecado. O que existe é unicamente o homem perfeito que Deus criou. Pensar que existe algo além do que foi criado por Deus, isto é, algo criado pela ilusão, é um erro. Acreditar que além de Deus existe Satanás é colocar Deus em confronto com Satanás. O Deus daquele que pensa assim não é Deus absoluto, mas um Deus relativo. considerar Deus como um ser relativo é o mesmo que aviltá-lo (rebaixá-lo). Se acreditarmos em tal Deus relativo, não conseguiremos alcançar a tranquilidade absoluta. Se podemos confiar tranquilamente em Deus, é porque Ele é absoluto. Se recorrermos a um ser relativo que pode ser atacado de surpresa por um inimigo poderoso, estaremos sempre inseguros e jamais teremos a verdadeira tranquilidade. Esta pode ser alcançada somente quando acreditamos em eus absoluto.

O pecado, se fosse proveniente de Deus, isto é, se fosse criação de Deus, seria existência verdadeira. Acreditando que Deus seja um ser imperfeito capaz de criar o pecado, um mundo mal feito ou um homem deficiente, é impossível viver com tranquilidade. Para alcançarmos a tranquilidade absoluta, não temos outro meio senão acreditar em Deus absoluto que criou somente o mundo e os seres perfeitos.

Somos filhos de Deus. Deus é infinito Bem; portanto, é impossível que Ele tenha criado o pecado ou o mal. somos vivificados pela Vida de Deus que habita em nós como nossa Imagem Verdadeira; logo, somos a própria Vida infnitamente boa e bela de Deus. Quando alcançamos esta grande convicção, desaparecem todos os temores, pecados e sofrimentos, manifesta-se a nossa Imagem Verdadeira, que é o infinito Bem, e este mundo se transforma em paraíso de luz.


Do livro: A Verdade da Vida, vol. 21", pp. 101-119

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

Universo absoluto, universo relativo


Paramahansa Yogananda


O espaço divide-se em duas partes ou aspectos. De um lado do espaço, está a criação. Do outro, está Deus, sozinho; ali, a criação está totalmente ausente. Esse é o mundo da "escuridão luminosa" e da "luminosidade sem luz". No Gita, diz o Senhor: "Onde não brilha o Sol, nem a lua, nem o fogo, ali tenho Minha Morada Suprema (...)".
 
A mesma dualidade existe na consciência humana. Seu ser tem dois lados - um visível, outro invisível. De olhos abertos, você observa a criação objetiva e vê-se dentro dela. De olhos fechados, você nada vê, a não ser um vazio escuro. Todavia, sua consciência, mesmo quando dissociada da forma, ainda está intensamente alerta e operante.

Se, em meditação profunda, você penetrar a escuridão por trás dos olhos fechados, contemplará a Luz da qual toda a criação emerge. No samadhi mais profundo, sua experiência transcende até a Luz manifestada e entra na Consciência da Bem-aventurança Plena - além de todas as formas, embora infinitamente mais real, tangível e ditosa que qualquer percepção sensorial ou extrasensorial. Quando se está em samadhi, pode-se perceber o oceano do Espírito com as ondas de Sua criação, ou também, pode-se contemplar o mesmo Oceano espiritual existindo transcendentalmente de forma serena, sem as ondas da criação.

No estado inicial de samdhi, o devoto se encontra retraído e absorto no Espírito; mas nos estados superiores e grandiosos, não só percebe o Espírito sem a criação, como também o Espírito manifestado em toda a criação.
 
Deus lhe ofereceu a oportunidade de observar, em sua própria consciência, a operação das mesmas leis que governam o universo. O estado de consciência sem forma, que se experimenta de olhos fechados, pode ser comparado à infinita região da "escuridão luminosa" e da "luminosidade sem luz", onde Deus existe sem nenhuma das formas, qualidades e dualidades características da esfera de Sua criação material. Nessa ilimitada faixa da eternidade, por trás da Criação, só Deus vive, na consciência inqualificada da Bem-aventurança sempre existente, sempre consciente, sempre nova. Nenhum mundo, nenhuma outra coisa existe em Sua consciência, naquela região da infinitude onde Ele reina como o Absoluto. Todavia, do outro lado do espaço, Ele está consciente de tudo - da criação inteira - em Si mesmo.
 
No invisível está a fábrica do universo. Einstein disse que o espaço parece muito suspeito, porque tudo surge dele e tudo desaparece nele. Para onde vão os elétrons e os mundos inteiros, quando desaparecem?

Sempre que ficar fascinado por alguma criação material, feche os olhos, volte-se para o interior e contemple a Fonte. Você nada vê, nada sente. Entretanto, todos os objetos visíveis saíram do Invisível. "A luz brilha nas trevas" (João 1:5). Se continuar sondando a escuridão, encontrará a grande Luz. Por trás da escuridão está a Consciência Crística. Atrás das trevas, está a fértil vida de outros mundos. "Na casa de meu Pai, há muitas moradas" (João 14:2).

Logo atrás do espaço, está a Inteligência. E logo atrás de você, está Deus. Não viva mais ignorando a Sua presença. Agite a escuridão com sua meditação. Não pare até encontrá-Lo. Há tanto a conhecer! Tanto a ver interiormente! A resposta para todos os problemas da vida virá diretamente do Infinito.


Extraído do livro: "A Eterna Busca do Homem"

 

domingo, fevereiro 24, 2013

Programa SNI: Orar não é implorar - é agradecer

Este vídeo é um programa desenvolvido pela Seicho-No-Ie para, através dos poderes e alcance da televisão e da mídia, levar uma mensagem de luz, amor e esperança ao máximo n´º de pessoas possíveis.

Neste programa, temos a participação da ilustríssima preletora Ivone Gomes Holanda, uma profunda conhecedora dos ensinamentos do mestre Masaharu Taniguchi, e suas explicações são de uma inspiração, de um amor, uma bondade, simplicidade e clareza que chegam a tocar o coração de qualquer um. Suas palestras transmitem com pureza e fidedignidade a luz do ensinamento supremo da Seicho-No-Ie revelado ao mundo pelo professor Masaharu Taniguchi. Aqueles que já tiveram a oportunidade de assistir palestras feitas por ela, sabem do que estou falando. Ela é um ser divino! É a minha preletora preferida da Seicho-No-Ie e a que mais admiro! Fica aqui a minha homenagem carinhosa a essa mulher grandiosa, maravilhosa - um verdadeiro veículo de expressão viva do amor e da sabedoria de Deus que se dedica a modificar a vida de inúmeras pessoas.

No vídeo, ela foi convidada para falar sobre o que significa ter fé, e explica que a oração correta é aquela em que agradecemos. Além disso, ela enfoca o assunto sob a perspectiva do Jissô, a Imagem Verdadeira, e é aqui que reside a importância e o valor deste vídeo. É uma pena que o programa seja tão curtinho. Se ela tivesse mais tempo para falar a fim de pode aprofundar o assunto, receberíamos todos uma mensagem e tanto! Obrigado querida preletora, e obrigado a todos da equipe e demais colaboradores da Seicho-No-Ie que possibilitam a difusão do ensinamento. Gratidão, Reverências!
 
 

sábado, fevereiro 23, 2013

Só existe Deus vivendo

Dárcio Dezolt


Quando Jesus disse que as pessoas olhassem os lírios do campo, ou os pássaros no céu, que eram cuidados sem que se preocupassem com nada, estava, de fato, procurando abrir a atenção do povo para a Verdade subjacente a este ilusório “mundo de aparências”. Por que o lírio apresentava-se “melhor do que Salomão”? Por que os pássaros, sem semear achavam de pronto o seu sustento? A resposta é simples: SÓ EXISTE DEUS VIVENDO!

Aquele que “perde sua vida” é quem a "acha", descobrindo a Verdade de que DEUS é a vida dele. E é por isso que passa a “viver pela graça” e não como mortal a esquentar ilusoriamente a cabeça com tudo.

Eu sempre relato o acontecido com Joel S. Goldsmith, que, sendo chamado para dar ajuda espiritual a um empresário em dificuldades com sua empresa, marcou e pegou-o em seu carro, saindo a rodar pela cidade. Vendo que Goldsmith não puxava o assunto, apenas lhe mostrava a cidade, em certo momento disse a ele: “Será que o senhor poderia começar a me atender?” E foi quando escutou como resposta: “O senhor já está sendo atendido! Ou não percebeu ainda que o universo inteiro está funcionando sem o senhor?”

Esta é uma das mais importantes passagens de O Caminho Infinito. O cidadão passava por dificuldades na empresa porque acreditava ser dele um pedacinho do Universo fora da responsabilidade de Deus! Não era a empresa que precisava melhorar, mas sua visão: a empresa deveria ser vista sendo administrada pelo seu legítimo “dono”, inclusa na Oniação divina!

E assim também é com o corpo, que cada um diz ser “seu”, mas sempre aceitando-o com algum problema! Quando você se preocupar com seu corpo como você está agora preocupado com que os passarinhos irão se alimentar, ou de que modo os lírios do campo irão se adornar, sua saúde será naturalmente mantida pelo seu real dono: DEUS!

O Universo infinito está funcionando sem as preocupações humanas de alguém! Quando você entender isso, entenderá Jesus, agirá em unidade com a Oniação, sem se preocupar com nada, e passará a desfrutar a VIDA DE DEUS sendo a sua!


quarta-feira, fevereiro 20, 2013

Sua Identidade Infinita

 
Allen White


Muitos, quando pensam em si mesmos, ou quando pensam sobre a própria identidade, confinam-se à forma corporal. Se pedirmos que se apontem, apontarão o próprio corpo. Com tal conceito finito de si mesmos, não é de se estranhar que a vida e a experiência destes aparentem ser tão limitadas! O antídoto ao que se mostra como limitado viver, está na REALIZAÇÃO DA IDENTIDADE INFINITA.

Quando você diz com compreensão (como fez Jesus), "Eu e o Pai somos um", elimina todo o conceito de um eu finito. Você entende que sua Identidade Infinita não está confinada a uma forma chamada Corpo; antes, você se compenetra de que seu Corpo está incluso em sua Identidade Infinita.

O seu "Eu" é sem fronteiras. O seu "Eu" é ilimitado e inconfinado. O seu "Eu" é Onipresente. Há somente o UM. Este Um é Infinitude em Si. Este Um é o "Eu" que você é.

Não creia nisso só porque eu escrevi. Leve o assunto à sua própria Consciência (Deus). Indague se é verdadeiro. Ouça a resposta. Não se deixe desapontar esperando pela resposta a ponto de criá-la de você mesmo.

Uma vez descoberto seu Eu infinito (ou mesmo antes), contemple-o assiduamente e verá sua vida "se expandir", sem nenhum esforço, em surpreendentes maneiras de evidenciar o seu Eu infinito.


 

segunda-feira, fevereiro 18, 2013

Leis para a materialização dos bons desejos

 
  Baird T. Spalding
 
  
Na manhã, depois do desjejum, ficamos sabendo que nossa hospedeira e duas outras damas estavam para nos acompanhar ao templo, naquele dia. Assim que deixamos a casa, dois homens se juntaram ao grupo. Um deles disse à nossa hospedeira que havia uma criança doente na aldeia e que essa criança estava pedindo a presença dela. Nós acompanhamos os homens até a residência da criança e observamos que ela estava muito enferma. A nossa hospedeira caminhou para frente e segurou as mãos da doente. A mãe colocou a criança nos braços dela. Instantaneamente o rosto da pequerrucha se iluminou. A seguir a criança aconchegou-se por um momento e poucos minutos depois adormeceu. A nossa hospedeira devolveu a criança à mãe e nós retomamos o caminho do templo. Em caminho ela observou: “Ó, se ao menos este querido povo pudesse ver e fazer este trabalho por si mesmo, ao invés de depender de nós! Seria muito melhor para essa gente. Assim como estão as coisas, o povo nos deixa inteiramente sós, até que alguma emergência apareça; então, chamam por nós, o que é perfeitamente correto, exceto que isso não lhes dá confiança alguma em si mesmos. Nós preferimos ver a todos autoconfiantes; mas são todos como crianças sob todos os aspectos”.
 
Há este tempo, tínhamos chegado ao pé da escada. Subimos e nos encontramos num túnel. Os dois homens nos acompanharam. Como este túnel corria através da rocha viva, era natural supor que ele deveria ser escuro. Mas estava suficientemente iluminado para nos permitir ver os objetos até uma considerável distância à nossa frente; e a luz parecia estar ao nosso redor, de modo que não havia sombras. Nós tínhamos notado isto, no dia anterior, mas ninguém tinha feito comentário algum a tal propósito. Depois de fazermos perguntas, fomos informados de que a luz estava ao nosso redor, exatamente como ela parecia estar; e de que, quando não havia ninguém no túnel, este ficava às escuras.

(A narrativa continua, enquanto os visitantes são colocados a par sobre a região de Gobi e do antigo império Uigur, nas regiões himalaicas). E segue: Enquanto voltávamos para a primeira sala, nosso Chefe perguntou se um desejo poderia ser satisfeito tão depressa ele fosse manifestado. A nossa hospedeira respondeu que, se o desejo fosse formulado na devida forma, seria satisfeito. Ela então prosseguiu, dizendo que o desejo é apenas uma forma de prece; que foi a verdadeira forma da oração que Jesus usara, vista como suas preces haviam sido ouvidas; que a prece, para ser ouvida, tem de ser autêntica; portanto, tem de ser científica e portanto, sendo científica, deve estar de acordo com a Lei Imutável.

Continuando ela disse: A Lei é: Como vós sabeis, a vossa prece será ouvida e sejam quais forem as coisas que desejais, quando orais, sabereis que a recebereis e então, vós a tereis. Se nós sabemos, positivamente que aquilo que já pedimos, já é nosso, ficamos sabendo que estamos agindo de acordo com a Lei. Se o desejo não é satisfeito, então verificamos que não soubemos orar. Devemos saber que a falha é nossa e não de Deus.

Portanto as instruções são: “Amareis ao Senhor, Vosso Deus, com todo o vosso coração, com toda a vossa alma, com toda a vossa mente e com toda a vossa força”. Agora ide mais profundamente, para o fundo último de vossa própria alma – não com pressentimentos, medo ou descrença e sim com um coração alegre, livre, agradecido, sabendo que aquilo que vos encontrais necessitado, já é vosso.

O segredo está em conseguir a compensação, obtendo a consciência de fato e conservando-a firmemente, jamais se desviando, ainda que a terra toda venha a se opor. “De mim mesmo nada posso fazer” Disse Jesus, “O Pai que mora em mim, Ele é que faz tudo”. Tende fé em Deus. Tende fé e não duvideis. Tende fé e não temais. Agora lembrai-vos de que não há limitação para o poder de Deus. Todas as coisas são possíveis.

Fazei uso de palavras positivas ao formular vossa solicitação. Não há nada, a não ser a perfeita condição desejada. Depois plantai em vossa alma a perfeita idéia-semente e somente ela. Agora pedi para manifestar saúde e não para serdes curados de doenças. Para expressardes harmonia e realizardes abundância e não para serdes libertados da desarmonia, da miséria e das limitações. Atirai isso fora, como jogais fora uma roupa velha. Elas são apenas coisas velhas e superadas, podeis dar-vos ao luxo de descarta-vos delas alegremente. Nem sequer vos volteis, para lançar-lhes mais um olhar. Elas estão perdoadas, esquecidas. Regressaram ao pó de que foram criadas. Elas agora são não coisas – nada. Enchei os espaços aparentemente em branco, ao vosso redor, com o pensamento de Deus, a Infinita Bondade. Depois, lembrai-vos que a palavra de Deus é uma semente. Ela tem de crescer.

Deixai o como, o quando e o onde a Deus. O vosso trabalho é tão somente, o de dizer o que quereis e o de distribuir bênçãos, sabendo que no momento em que pedirdes, recebereis. Todos os detalhes desta criação são os trabalhos do Pai. Lembrai-vos de que Ele realmente trabalha. Fazei fielmente a vossa parte, deixai e confiai a parte de Deus a Ele. Pedi, Perguntai. Afirmai. Dirigi-vos a Deus, para aquilo que desejais, então recebereis de Deus a satisfação do desejo.

Tende sempre em mente o pensamento da abundância de Deus. Se qualquer outro pensamento surge, deveis substituí-lo pelo de abundância de Deus e dai graças a ela. Agradeçais constantemente se necessário, pelo fato do trabalho ser efetuado. Não volteis de novo ao ato de pedir. Apenas dai graças e agradeçais que o trabalho tenha sido realizado – que Deus esteja trabalhando em vós – que vós estejais recebendo aquilo que desejais, porque vós desejais somente o bem, para que possais distribuir o bem a todos. Fazei com que isto se efetue em silêncio e em segredo. Orai ao vosso Pai em segredo e vosso Pai, que vê o segredo de vossa alma, vos compensará abertamente.

Quando a demonstração estiver completa, olhareis para trás, para o tempo dado com fé e o considerareis um dos vossos maiores tesouros. Vós tereis provado a lei e formareis idéia do poder de vossa palavra pronunciada com fé e louvor. Lembrai-vos de que Deus aperfeiçoou o Seu plano. Ele derramou e está continuamente derramando sobre vós, com amorabilidade e abundância, tudo o que é bom e toda coisa boa que nós podemos desejar. De novo Ele diz: “Provai-me e vede se eu não abrirei as janelas do céu e não derramarei de lá tantas bênçãos, a ponto de não haver espaço para recebê-las”.
 
E as cinco etapas da invocação para a materialização do bom desejo são ditas:
 

Pai Nosso

 Eu me mantenho continuamente com os meus olhos fixos em Vós, Ó Pai, não tomando conhecimento de coisa alguma além de Vós, Ó Pai e eu nada vejo a não ser Deus em todas as coisas. Eu me conservo firme na Montanha Sagrada, sem tomar conhecimento de coisa alguma, a não ser do Vosso Amor, da Vossa Vida e da Vossa Sabedoria. O Vosso Espírito Divino perpassa por todo o meu ser, sempre. Ele circunda, abundando dentro de mim e fora de mim sempre. Eu sei, Pai, que isto não se dá comigo apenas, isto se dá com todos os vossos filhos. Eu sei, Pai, que nada tenho a não ser aquilo que eles têm e que não há nada a não ser Deus para todos. Eu vos agradeço.
 

Com todo meu coração

 No íntimo do meu ser, Pai, eu sou uma só pessoa Convosco e eu Vos reconheço como sendo o Pai de tudo. Sois Espírito, Onipresente, Onipotente, Onisciente. Sois Sabedoria, Amor e Verdade, a Força, Substância e Inteligência, das quais e por meio das quais, todas as coisas são criadas. Vós sois a Vida do meu espírito, a Substância da minha alma, a Inteligência do meu pensamento. Eu estou Expressando-vos em meu corpo e nos meus assuntos. Vós Sois o Começo e o Fim, o Verdadeiro Todo do Bem e do Bom que eu consigo expressar. O desejo de meu pensamento, que se encontra implantado na minha alma, está sendo avivado pela Vossa Vida em meu espírito e na inteireza do tempo, através da lei da Fé, ele é trazido à visibilidade na minha experiência. Eu sei que o bem que eu desejo, já existe em Espírito, em forma invisível e que espera apenas que a Lei se cumpra para se tornar visível. Eu sei que já o tenho.
 

Com toda minha alma

 As palavras que eu agora pronuncio, delineiam para Vós, meu Pai, aquilo que eu desejo. Como semente é plantado no solo da minha alma e cuidado pela Vossa ativação da vida em meu espírito. Tem de vir-a-ser. Eu permito que apenas o Vosso Espírito, Sabedoria, Amor e Verdade entre em minha alma. Só desejo aquilo que é bom para todos e eu agora Vos peço, Pai, que o façais vir-a-ser. Pai que estais em mim: Peço para expressar Amor, Sabedoria, Fortaleza e um corpo de Luz de Juventude eterna. Peço para realizar Harmonia, Felicidade e Abundante Prosperidade, para que eu receba a compreensão diretamente de Vós, a respeito do método que partindo da Substância Universal, crie aquilo que satisfaça todo bom desejo. Isto não é para o meu eu, Pai, é para que eu possa ter o conhecimento que me permita ser útil a todos os Vossos filhos.
 

Com toda a minha mente
 
 Aquilo que eu desejo já se encontra em forma visível. Eu formo na mente, somente aquilo que desejo. Assim como a semente começa o seu crescimento por baixo da terra, na quietude e na escuridão, assim também o meu desejo, agora, toma forma no reino silencioso, invisível de minha alma. Entro em meu quarto e fecho a porta. Tranqüilo e confiante, eu agora sustento o meu desejo em mente, como se já estivesse realizado. Pai: Eu agora espero a perfeita realização exterior do meu desejo. Pai que estais em mim: Eu Vos agradeço pelo fato de agora, no invisível, a satisfação do meu desejo se encontrar sempre assegurada e eu sei que Haveis derramado, amorável e abundantemente, para todos os Vossos filhos, uma verdadeira abundância do Vosso Tesouro, que Haveis satisfeito todo bom desejo da minha vida, que poderei partilhar do Vosso opulento suprimento, que possa perceber a mesma coisa e que seja lá o que for que eu venha a ter, deverei distribuir a fim de ajudar a todos os Vossos filhos. Tudo que eu tenho eu dou a Vós, Pai.
 

Com toda minha fortaleza

Nenhum ato, nenhum pensamento meu, negará que eu já tenha recebido em espírito, a realização do meu desejo e este é agora apresentado em perfeita visibilidade. Em espírito, em alma, em mente e em corpo, eu sou fiel ao meu desejo. Percebi o meu bem em espírito. Eu o concebi como sendo uma Idéia Perfeita em minha alma, e dei verdadeira forma de pensamento com meu desejo. Eu agora apresento em estado de visibilidade, de verdadeira manifestação, o meu Desejo Perfeito. Eu Vos agradeço, Pai, por ter eu, Amor, Sabedoria, Compreensão, Vida, saúde, Fortaleza e juventude eterna. Harmonia, Felicidade e Prosperidade Abundante, e o método de criar, da Substância Universal, aquilo que deve satisfazer todo bom desejo.

 Depois que nossa hospedeira falou, houve um silêncio profundo, por um momento, e a seguir ela continuou:

“Compreendei que se nada estiver concluído, e se o seu desejo não é agora visível, a falha está dentro de vós mesmos e não em Deus. Não volteis novamente à solicitação, mas como Elias, persisti, erguei bem alto a taça, para que ela seja enchida, rendei graças e agradecimento pelo que está sendo realizado agora embora todo pensamento mortal do erro vos acossem. Prossigais, prossigais, tudo está aqui, agora e acreditem-me, a vossa fé é recompensada, a vossa fé se transforma em sabedoria”.
 
Vamos supor que é gelo o que desejais. Será que começaríeis proferindo a palavra 'gelo' em todo vosso redor, indiscriminadamente? Se fizésseis isso, dispersaríeis as vossas forças em todas as direções e nada resultaria para vós. Deveríeis em primeiro lugar, formar uma imagem mental daquilo que desejais. Mantende essa imagem na mente, o tempo suficiente para defini-la. A seguir, deixai inteiramente de lado essa imagem e olhai diretamente para a Substância Universal de Deus.

Sabeis que essa substância é uma parte de Deus e portanto uma parte de vós mesmos, e que nessa Substância há tudo quanto precisais. Deus vos está proporcionando esta Substância, exatamente no mesmo ritmo em que vós podeis usá-la e que vós podereis nunca esgotar o suprimento. Depois sabeis que quem quer que seja que criou esse suprimento, o extraiu da mencionada Substância, seja que o tenha feito conscientemente ou inconscientemente.

 Agora, com vosso pensamento e a vossa visão concentrados no Átomo Central, que é Deus, conservai esse Átomo, até que consigais imprimir nele o vosso desejo. Vós abaixareis a vibração desse Átomo até que Ele se torne gelo. Então todos os átomos que circundam aquele, se apressarão a obedecer ao vosso desejo. A vibração deles será reduzida, até que eles adiram a partícula central e num instante, vós tereis gelo. Vós nem sequer precisais de água alguma ao vosso redor. Precisais somente do ideal”.
 
 
Extraído do livro: “Vida e Ensinamentos dos Mestres do Extremo Oriente”