"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

segunda-feira, março 04, 2013

Aos pés do Mestre - 1/4

Jiddu Krishnamurti
 
 
Minhas não são estas palavras e sim do Mestre que me instruiu. Sem Ele nada poderia ter feito, porém, com o Seu auxílio, comecei a trilhar a Senda. Tu desejas também entrar na mesma Senda; por isso, as palavras que Ele me dirigiu te auxiliarão, se as obedeceres. Não basta dizer que são verdadeiras e belas; o homem que deseja obter êxito, necessita fazer exatamente o que lhe é ensinado. Olhar para o alimento e dizer que é bom, não satisfaz um faminto; é necessário estender a mão e comê-lo. Da mesma forma, não basta ouvir as palavras do Mestre; é preciso fazer o que Ele diz, atento à menor palavra, ao menor sinal, pois, se uma indicação não for seguida, se uma palavra for desprezada, perdidas ficarão para sempre, porque o Mestre não fala duas vezes.

Quatro são as qualidades necessárias para a Senda:
 
I – Discernimento.
II – Ausência de desejos (Desapego, abnegação).
III – Boa conduta.
IV – Amor.
 
Tentarei dizer-te o que sobre cada uma delas que o Mestre me ensinou.

 
I – DISCERNIMENTO

A primeira dessas qualidades é o Discernimento, vulgarmente tomado no sentido daquela distinção entre o real e o irreal, que conduz o homem para a Senda. É isto; mas é muito mais ainda, e deve ser praticado, não somente no começo da Senda, porém a cada passo que nela diariamente se dá, até o fim. Entras para a Senda porque aprendeste que somente nela se podem encontrar as coisas dignas de aquisição. Os homens que não sabem, trabalham para adquirir a riqueza e o poder, porém estes bens são, quando muito, para uma vida somente e, portanto, irreais. Há coisas maiores do que essas – coisas reais e duradouras; quando as tiveres visto uma vez, não mais desejarás as outras.

Em todo o mundo há somente duas espécies de pessoas – as que sabem e as que não sabem – e o conhecimento é o que importa possuir. A religião de um homem, a raça a que pertence – não são coisas de importância; o que é realmente importante é o conhecimento – o conhecimento do Plano de Deus em relação aos homens. Pois Deus tem um plano e esse plano é a Evolução; quando o homem o tiver visto e, realmente, o conhecer, não poderá deixar de cooperar nele, unificando-se com ele, tal a sua glória e beleza. Assim, pelo fato de possuir o conhecimento, ele está ao lado de Deus, firme no bem e resistente ao mal, trabalhando pela evolução e não com fins pessoais.

Se está ao lado de Deus, é um dos nossos, não tendo a mínima importância que ele se diga hinduista, budista, cristão ou maometano, ou que seja hindu, inglês, chinês ou russo. Aqueles que estão ao lado de Deus sabem por que aí se acham, sabem o que têm a fazer e tentam cumpri-lo; todos os demais não sabem ainda o que têm a fazer e, por isso, freqüentemente agem de modo insensato, imaginando caminhos para si próprios, os quais lhes parecem agradáveis, não compreendendo que todos são um e que, portanto, só aquilo que o Uno quer pode realmente ser agradável a todos. Seguem o irreal ao invés do Real. E, enquanto não aprendem a distinguir entre ambos, não se colocam ao lado de Deus – e eis porque o Discernimento é o primeiro passo a dar.

Todavia, mesmo depois de feita a escolha, deves lembrar-te de que no Real e no irreal há muitas variantes e o discernimento deve ainda ser exercido entre o bem e o mal, o importante e o não importante, o útil e o inútil, o verdadeiro e o falso, o egoísta e o desinteressado.

Entre o bem e o mal não deveria ser difícil escolher, pois aqueles que desejam seguir o Mestre já se decidiram a seguir o bem a todo custo. Porém, o homem e o seu corpo são dois, e a vontade do homem nem sempre está de acordo com a do corpo. Quando o teu corpo desejar alguma coisas, pára e considera se tu és Deus e só queres o que Deus quer; necessitas, porém, penetrar fundo em ti mesmo, para em teu interior encontrares Deus e ouvir a Sua voz, que é a tua.

Não confundas os teus corpos contigo mesmo, nem o teu corpo físico, nem o astral, nem o mental. Cada um deles pretende ser o Ego, a fim de obter o que deseja. Precisas, porém, conhecê-los todos e conhecer-te a ti mesmo como seu possuidor.

Quando há um trabalho para fazer, é quando o corpo físico quer descansar, passear, comer e beber; o homem que não sabe, diz a si mesmo: eu quero fazer estas coisas e preciso fazê-las. Porém, o homem que sabe diz: Quem quer não sou eu; portanto espere um pouco. Freqüentemente, quando há oportunidade de auxiliar alguém, o corpo insinua: Que aborrecimento isto me trará; deixemos que outro qualquer tome o meu lugar. Porém, o homem que sabe lhe replica: Tu não me impedirás de praticar uma boa ação.

O corpo é teu animal, o cavalo que montas. Deves, portanto, tratá-lo bem, cuidar bem dele, não o estafar, alimentá-lo convenientemente só com alimentos e bebidas puros, e mantê-lo perfeitamente limpo, sempre, sem o menor vestígio de impureza. Pois que, sem um corpo perfeitamente limpo e saudável, não podes efetuar a árdua tarefa da preparação, nem suportar-lhe os incessantes esforços. Deves, porém, ser sempre tu quem o domine, e não ele o que te domine a ti.

O corpo astral tem seus desejos – e os tem às dúzias; há de querer ver-te encolerizado, ouvir-te dizer palavras ásperas, que sintas ciúmes, que sejas ávido por dinheiro, que invejes os bens alheios e cedas ao desânimo. Quererá todas essas coisas e muitas outras mais, não porque deseje prejudicar-te, mas por que lhe aprazem as vibrações violentas e gosta de mudá-las continuamente. Tu , porém, não desejas nenhuma destas coisas e, portanto, deves distinguir os teus desejos dos de teu corpo astral.

O teu corpo mental deseja manter-se orgulhosamente separado; quererá que penses muito em ti mesmo e pouco nos outros. Mesmo quando o tiverdes desviado das coisas mundanas, tentará ainda especular acerca de ti próprio, fazer-te pensar no teu próprio progresso, em lugar de o fazeres na obra do Mestre e em auxiliar os outros. Quando meditares, tentará fazer-te pensar nas diferentes coisas que ele quer, em vez da única de que necessitas. Não és esse corpo mental, mas dele dispões para o teu uso; assim, mesmo aqui, o discernimento é necessário. Deves vigiar incessantemente, sob pena de vires a falir.

Entre o bem e o mal, o Ocultismo não admite compromissos. Custe o que custar, deves fazer o bem e nunca o mal. Diga ou pense o ignorante o que quiser. Estuda profundamente as leis ocultas da Natureza e organiza a tua vida de acordo com elas, utilizando sempre a razão e o bom senso.

Deves discernir entre o que é importante e o que não é. Firme como uma rocha em tudo que concerne ao bem e ao mal, cede invariavelmente aos outros nas coisas de somenos importância. Pois deves ser sempre amável, bondoso, razoável e condescendente, deixando aos outros a mesma plena liberdade que para ti necessitas.

Procura verificar o que vale a pena ser feito e lembra-te que as coisas não devem ser julgadas pela sua grandeza aparente. Uma pequena coisa de utilidade imediata à obra do Mestre merece muito mais ser feita, do que uma grande coisa que o mundo considera boa. Precisas distinguir não somente o útil do inútil, mas ainda o mais útil do menos útil. Alimentar os pobres é uma boa obra, nobre e útil; porém, alimentar-lhes as almas é ainda mais nobre e mais útil.

Por muito sábio que já sejas, muito terás ainda que aprender na Senda; tanto que nela mesma precisas discernir e meditar cuidadosamente o que deve ser aprendido. Todo o conhecimento é útil, e um dia o possuirás integralmente; enquanto, porém, só possuíres parte dele, cuida em que essa seja a mais útil. Deus tanto é Sabedoria como Amor; e quanto mais sábio fores, mais Ele se manifestará por teu intermédio. Estuda, pois, mas estuda em primeiro lugar o que mais te habilite a auxiliar aos outros. Trabalha pacientemente em teus estudos, não para que os homens te julguem sábio, nem mesmo para gozares a felicidade de ser sábio – mas por que o sábio pode ser sabiamente útil. Por muito que desejes prestar auxílio, enquanto fores ignorante, poderás fazer mais mal do que bem.

Precisas distinguir entre a verdade e a mentira; deves aprender a ser verdadeiro em tudo: no pensamento, na palavra e na ação. Primeiro no pensamento, e isto não é fácil, porque há no mundo muitos pensamentos falsos, muitas superstições insensatas e ninguém que a eles se escravize poderá progredir. Por conseguinte, não deves acolher um pensamento simplesmente porque muitas pessoas o acolhem, nem por ter merecido crédito durante séculos, nem por constar de algum livro que os homens julguem sagrado; deves pensar por ti mesmo sobre a questão, e por ti mesmo ajuizar se ela é razoável. Lembra-te que, embora um milhar de homens concorde sobre um assunto, se nada conhecerem a respeito, a sua opinião não tem valor. Aquele que quiser caminhar na Senda tem que aprender a pensar por si mesmo, pois a superstição é um dos maiores males do mundo e um dos empecilhos de que, por ti próprio, te deves libertar inteiramente.

O teu pensamento acerca dos outros deve ser verdadeiro; não penses a seu respeito aquilo que não saibas. Não suponhas que os outros estejam sempre pensando em ti. Se um homem faz alguma coisa que julgas poder prejudicar-te, ou diz algo que parece ser-te dirigido, não suponhas imediatamente: “ele pretende ofender-me”. O mais provável é que nunca pensasse em ti pois cada alma tem as suas próprias preocupações e os seus pensamentos não giram, as mais das vezes, em torno senão de si própria. Se um homem te falar colericamente, não penses: “Ele me odeia e quer ferir-me.” Provavelmente, alguém ou alguma coisa o encolerizou e, acontecendo encontrar-te, voltou a sua cólera sobre ti. Procede insensatamente, pois toda a cólera é insensata, mas nem por isso deves pensar falsamente a seu respeito.

Quando te tornares discípulo do Mestre, poderás sempre averiguar a veracidade do teu pensamento cotejando-o com o Seu. Pois o discípulo é um com seu Mestre e basta-lhe fazer retroceder o seu pensamento até ao do Mestre, para verificar se ambos estão de acordo. Se não estiver, o pensamento do discípulo é errôneo e ele deve modificá-lo instantaneamente, pois o pensamento do Mestre é perfeito, visto que Ele tudo sabe. Aqueles que por Ele ainda não foram aceitos, não podem fazer isto perfeitamente; porém serão grandemente ajudados se freqüentemente se detiverem a perguntar: “Que pensaria o Mestre a este respeito? Que faria ou diria Ele em tais circunstâncias?” Pois nunca deves fazer, dizer ou pensar o que não possas imaginar que o Mestre faça, diga ou pense.

Deves também ser verdadeiro no falar, exato e sem exageros. Nunca atribuas más intenções a outrem; somente o seu Mestre lhe conhece os pensamentos e bem pode estar agindo por motivos que nunca penetrassem em tua mente. Se ouvires uma narrativa contra alguém, não a repitas; pode não ser verdadeira; e, ainda que o seja, é mais bondoso nada dizer. Pensa bem antes de falar, a fim de não caíres em inexatidões.

Sê verdadeiro na ação; nunca pretendas parecer senão aquilo que és, pois todo fingimento constitui um obstáculo à pura luz da verdade, que deve brilhar através de ti como a luz do Sol através de um vidro transparente.

Precisas discernir entre o egoísmo e o altruísmo, pois o egoísmo reveste muitas formas e, quando pensas tê-lo morto, finalmente numa delas, surge noutra tão forte como sempre. Porém, gradualmente, o pensamento de auxiliar aos outros te encherá de tal modo, que não haverá lugar nem tempo para pensares em ti mesmo.

De outra maneira, ainda deves utilizar o discernimento: aprende a distinguir a Deus que está em todos e em tudo, por pior que seja a sua aparência exterior. Podes ajudar teu irmão pelo que tens de comum com ele – a Vida Divina. Aprende a despertar nele essa Vida, aprende a invocá-la nele; assim o salvarás do mal.

Continua...


quinta-feira, fevereiro 28, 2013

Sabedoria: a Luz de Deus

Masaharu Taniguchi


(Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade)

SABEDORIA

A sabedoria é Luz de Deus,
é Luz perfeita que acompanha a Realidade,
é Luz infinita e onipresente que desconhece restrições;
porque não conhece restrições,
está presente em todas as coisas
e ilumina todas as coisas.


A sabedoria é a luz divina que elimina a treva da ilusão. A ilusão não entende a Imagem Verdadeira. Não entender é ignorância, e ignorância é treva. A função da Sabedoria é iluminar a Imagem Verdadeira, eliminando essa treva, razão pela qual é chamada luz. Onde há Realidade, infalivelmente há luz, há sabedoria. Onde há Realidade, jamais surgem situações caóticas por falta de sabedoria. Se existe caos, é sinal de que nesse lugar não há Realidade. Por isso se diz que a sabedoria é a luz perfeita que acompanha a Realidade, ou seja, Deus. "Luz infinita" é a luz impecável e infalível que está presente em tudo e tudo ilumina. Essa luz é infinita, onipresente e desconhece restrições. Sendo infinita e onipresente, é óbvio que possa estar presente em todas as coisas, iluminando-as. O trecho seguinte diz que o homem é "filho da Luz":


O homem, sendo filho da Luz, e porque está sempre na Luz,
desconhece a escuridão,
desconhece tropeços,
desconhece embaraços;
como anjos que passeiam no céu,
como peixes que nadam no oceano,
passeia no Mundo da Luz, pleno de Luz e cheio de Alegria.


A Realidade é tudo. Logo, uma vez que existimos, a Luz da Realidade está também dentro de nós e, por conseguinte, a treva não existe para nós. Somos filhos da luz. Nascemos da luz, estamos dentro da luz e ao mesmo tempo temos a luz dentro de nós. Se a luz está dentro de nós e estamos dentro da luz, a treva não pode existir. Não conhecemos a treva. Não existe nenhuma espécie de treva. Não existe empecilho algum que nos faça tropeçar. Portanto, somos seres totalmente livres e vivemos sem tropeços nem embaraços, tal como os anjos que voam livremente no céu ou como os peixes que nadam na água. Esta é a verdadeira imagem da nossa vida. Os peixes nadam à vontade, com desenvoltura, como se nem percebessem a existência da água ou sentissem sua resistência. Da mesma forma, o homem, na verdade, está passeando livremente no mundo da luz, sem encontrar treva nem obstáculo algum, transbordante de luz e alegria. Esta é a imagem do viver do homem verdadeiro, do homem-Imagem-Verdadeira. Se, no entanto, surgem inúmeros obstáculos que tolhem nossa liberdade, é porque não manifestamos plenamente a luz e permitimos que a "treva" mostre sua falsa existência e apresente obstáculos que não existem, como se fossem existência verdadeiras. Manifestando a luz da sabedoria, a situação embaraçosa desaparece automaticamente porque não é existência verdadeira.

A sutra diz em seguida:


Sendo a Sabedoria Luz da iluminação espiritual,
é a Verdade que ilumina e extingue as trevas da ilusão.


A sabedoria é luz da iluminação espiritual; portanto, quando ela se manifesta, desaparecem todas as ilusões e trevas e surge a imagem verdadeira da Realidade, que é perfeita e impecável. Mas a sabedoria neste contexto não é a sagaz inteligência do cérebro humano, nem a faculdade de conhecer os fatos e as coisas deste mundo; é a faculdade de conhecer a Imagem Verdadeira. Não é aquela que vem do homem em ilusão; é a sabedoria verdadeira que vem de Deus. Sob a luz dessa sabedoria, todos os tipos de ilusão e treva desaparecem irremediavelmente. Se a ilusão aparenta existir, é porque não manifestamos a sabedoria. A treva parece existir realmente e pensamos que ela existe, mas ela não é algo que existe em oposição à luz. A treva não passa de estado de ausência de luz. Da mesma forma, as infelicidades não passam de estados de ausência de luz da sabedoria.

Não raro encontramos pessoas que dizem: "Estou doente há mais de vinte anos. Nenhum tratamento me cura porque esta doença é crônica". Assim dizem por pensarem que a doença é existência verdadeira. Pensam que sua doença, sendo produto de causas cármicas acumuladas durante muito tempo, não será curada facilmente. Até perderam a esperança de cura. Acham que o carma formado há várias encarnações não será extinto tão facilmente por meio da fé ou práticas espirituais. Elas estão segurando firmemente a doença com a mente, considerando-a existente, razão pela qual nunca saram.

Vejamos mais um trecho:


Somente a Verdade é Realidade.
A ilusão, sendo apenas falta de conhecimento da Verdade,
é tal qual um pesadelo.
Despertai do pesadelo.
Ocorrendo a iluminação espiritual,
imediatamente este mundo se torna Paraíso pleno de Luz,
e o homem revela a sua Imagem Verdadeira
que é Vida plena de Luz.


O carma não é algo que existe de verdade. Ele é formado pelo acúmulo de ilusões que aparenta existir devido à treva mental e falta de luz. Por isso, mesmo o mais pesado carma desaparece quando se acende a luz da sabedoria, assim como a mais densa treva desaparece quando se acende uma lâmpada. Não importa se é um carma formado há dez ou vinte anos: uma vez acesa a luz da sabedoria, a vida se ilumina.

Poderá alguém pensar que uma treva formada há pouco tempo pode desaparecer diante de uma luz mais facilmente do que uma treva antiga que vem durando séculos. Contudo, tanto a treva recente como a antiga desaparecem igualmente quando se acende a luz. A treva não é existência verdadeira; ela é inexistente. Treva é inexistência. E não há inexistência recente nem antiga. Assim também é a ilusão (treva mental). Esta é um estado de ausência de sabedoria, sendo portanto inexistente. No budismo se diz sabiamente que a "ilusão" é "ausência de iluminação", para explicar que ela é um estado em que a luz da sabedoria está ausente. Por conseguinte, quando ocorre a iluminação espiritual (despertar), desaparecem todos os carmas, desejos egoísticos, ressentimentos e insatisfações.

"Então, de onde surge a ilusão?" - perguntam alguns. Fazem tal pergunta porque ainda pensam que a ilusão existe. Se compreenderem que não existe, não surgirá tal dúvida. partindo-se da premissa de que "a ilusão existe", jamais se pode provar sua inexistência. Compreendendo que a ilusão não surge de lugar algum porque não é existência verdadeira (nada), desaparecerá tal questionamento. Se alguém perguntar "De onde vem a treva?", só poderemos responder que ela não vem de lugar algum, pois a treva é um estado de ausência de luz. A questão se torna difícil quando se pensa que a treva seja algo consistente, que sai de um lugar para se apresentar diante de nós. Mas felizmente a treva, assim como a ilusão, é um estado em que a luz está ausente.

A Seicho-No-Ie diz, portanto, que os estados de ausência de luz, tais como o pecado, o carma, a ilusão, etc., são na verdade inexistentes, e que o fato de eles parecerem existentes não passa de pesadelo. Por isso, o trecho da sutra diz: "A ilusão, sendo apenas falta de conhecimento da Verdade, é tal qual um pesadelo. Despertai do pesadelo". Viver pensando que existem ilusão e pecado a serem levados em consideração é o mesmo que estar tendo pesadelo. Se alguém pensa que a ilusão existe - isto é, considera real o pesadelo que está tendo -, é porque nele não está se manifestando a sabedoria. A treva mental parece existir quando não está presente a luz da sabedoria, isto é, a luz de Deus. Quando brilha a luz da sabedoria, desaparece a ilusão. Se considerarmos real a imagem ilusória que se formou na mente e não abrirmos os olhos da mente, ela não desaparecerá nunca. Porém, se abrirmos os olhos mentais, a imagem ilusória desaparecerá instantâneamente.

Ilusão é o não-reconhecimento da Verdade. Não é que existe algo chamado ilusão. Por exemplo, daqui ouvimos as cigarras cantando nas árvores lá fora. Devido à acústica deste salão, muitas vezes esse chiado das cigarras é confundido com o barulho da chuva, e muitas pessoas poderão pensar que está chovendo. Isso é a ilusão. E se alguém lhes explica que o ruído não é de chuva mas de cigarras, as pessoas percebem a verdade e, simultaneamente, desaparece a "ilusão de que está chovendo". Então pergunto: "Onde está a "ilusão de que está chovendo"? Ela não existe mais. Existe unicamente a verdade de que as cigarras estão cantando. Conclui-se, portanto, que a "ilusão de que estava chovendo" não existia; simplesmente a verdade de que "as cigarras estão cantando" estava oculta, devido à falta de reconhecimento dessa verdade. Esta é a natureza da ilusão.

Abrindo os olhos da mente, isto é, compreendendo a Verdade, a ilusão desaparece instantaneamente. É como diz o trecho da sutra: "Ocorrendo a iluminação espiritual (o despertar), imediatamente  este mundo se torna Paraíso pleno de Luz, e o homem revela a sua Imagem Verdadeira, que é Vida plana de Luz". Se alguém pensa que neste mundo existem muitos sofrimentos e desgraças, é porque não conhece a Imagem Verdadeira, isto é, a Verdade de que este mundo é o paraíso de luz. Se tal pessoa ouvir os ensinamentos da Seicho-No-Ie, conhecer a Imagem Verdadeira e perceber que os sofrimentos e desgraças são ilusões, portanto inexistentes, o mundo se transformará imediatamente em paraíso de luz e ela manifestará sua Imagem Verdadeira, que é Vida plena de luz.

Ontem à tarde esteve em nossa reunião o sr. M. A., que trabalha no Departamento de Obras da Prefeitura de Tóquio. Ele relatou, diante do público presente, que viera à Seicho-No-Ie para se curar de bronquite. Quando ele tinha três anos de idade, ficou com o rosto boerto de eczemas e, após a cura, a epiderme facial ficou repuxada e cheia de cicatrizes. Durante quarenta e sete anos ele viver assim e pensava: "Sou uma criatura repugnante". entretanto, conheceu a Seicho-No-Ie, leu a obra A Verdade da Vida e mudou seu pensamento. certo dia, quando praticava a Meditação Shinsokan, surgiu-lhe de dentro a seguinte convicção: "Sou originariamente filho de Deus, portanto, não sou repugnante; meu rosto é belo e harmônico!". Então, surpreendentemente, a pele do rosto começou a se descontrair, e as cicatrizes começaram a desaparecer. Normalmente, pensa-se que tal tipo de deformação da pele é incurável porque não é uma doença, e sim cicatrizes deixadas por uma doença que se curou. Entretanto, a pele do rosto do sr. M.A., que esteve repuxada e cheia de cicatrizes há quarenta e sete anos, está voltando ao normal. "Meu rosto ainda não está perfeitamente normal, mas já está muito bonito como podem notar", disse ele alegre e humoristicamente.

Como vimos, a face que estava deformada durante quarenta e sete anos voltou ao normal graças à compreensão da Verdade. Tal transformação não será possível enquanto a pessoa estiver considerando seu corpo como matéria e a matéria como existência verdadeira. A matéria é "sombra" da mente. O rosto disforme era projeção do pensamento: "Isto são cicatrizes que vão ficar pelo resto da vida". O sr. M.A. compreendeu que seu rosto não era incorrigível. Ou melhor, compreendeu que não precisava corrigir nada, pois a face repuxada pelas cicatrizes não era existência verdadeira; que sua verdadeira imagem não tinha deformação alguma. Quando compreendeu isso, mudou seu filme mental e passou a se projetar neste mundo fenomênico a imagem perfeita de sua Imagem verdadeira.

A importância desse fato não se restringe apenas ao desaparecimento das cicatrizes de 47 anos. Todos os problemas da vida são como essas cicatrizes. Citei este caso como exemplo para solucionar todos os tipos de problema. Todos os sofrimentos e imperfeitções são "cicatrizes" e "deformidades" da vida. As pessoas em geral pensam que o homem é uma massa formada de elementos materiais e que toda avaria nela ocorrida deve ser corrigida por meios materiais. Pensam que as cicatrizes resultantes de eczema são anormalidades materiais ocorridas no corpo material e que, portanto, para eliminá-las, é preciso cirurgia plástica, substituindo a pele irregular por pele lisa retirada da coxa ou de alguma outra parte. em suma, pensam que o homem é um ser material, uma massa feita de matéria. Este é o pensamento comum da maioria das pessoas, mas é um modo de pensar errôneo.

Vejamos mais um trecho da sutra:


Deus, Luz de infinita e universal Sabedoria,
Bem sem limitação,
Vida sem limitação,
Substância de todas as coisas,
é também Criador de todas as coisas;
por isso, Deus está presente em todos os lugares.
Deus, é a onipresente Substância e também o Criador.
Por isso:
unicamente o Bem é Força,
unicamente o Bem é Vida,
unicamente o Bem é Realidade;
logo, não existe Força que não seja Bem,
não existe Vida que não seja Bem, e também
não existe Realidade que não seja Bem.
Força que não seja Bem, isto é, força que traz
infelicidade, não passa de pesadelo.
Vida que não seja Bem, isto é, a doença, não
passa de pesadelo.

Todas as desarmonias e imperfeições nada mais
são que pesadelos.

Sendo o pesadelo aquilo que dá força ativa à
infelicidade, à doença, à desarmonia, à imperfeição,
estas se assemelham às diabólicas opressões que, em
sonho, podem nos fazer sofrer. Mas, ao despertarmos,
percebemos que não existe força alguma para nos
oprimir; nós é que nos oprimimos com a nossa própria
mente.
Em verdade, as forças maléficas, a força que oprime a
nossa vida , a força que nos faz sofrer, não são forças
que realmente existem de modo objetivo;
nada mais são que dores criadas em nossa própria mente
sofridas pela nossa própria mente.


Compreendendo o que acabamos de ler, a ilusão revelará sua inexistência e não nos poderá causar dano algum. Mais que isso: conseguiremos manifestar a imagem perfeita de nossa Imagem Verdadeira, livremente, de acordo com nosso pensamento. Em outras plavras, o homem manifestará sua imagem bela exatamente como foi criado por Deus, e este mundo será o paraíso de luz, refletindo fielmente o mundo da Imagem Verdadeira, o mundo de Deus.

O trecho seguinte diz que "Deus é Luz de infinita e universal sabedoria". Realmente, a Sabedoria de Deus é infinita e não existe outra sabedoria além da divina. Logo, a sabedoria que se aloja em nós é, na verdade, a infinita Sabedoria de Deus. Porém, é um grande erro pensar que essa sabedoria esteja dentro do nosso corpo carnal. A Seicho-No-Ie diz que "o corpo carnal não existe". Compreendendo-se que "o corpo carnal não existe", não está dentro do corpo carnal. Também no que se refere à iluminação (despertar espiritual), é um grande erro pensar que a limitada inteligência do homem carnal envolto em ilusão, apreendendo aos poucos a Verdade, irá se elevar até alcançar a iluminação. O despertar (iluminação) consiste em deixar emergir e brotar subitamente do nosso interior a Sabedoria de Deus. Não é a mente cerebral que desperta. Se o despertar espiritual fosse uma conquista da inteligência cerebral, ele desapareceria com a morte física e decomposição do cérebro, e não poderia ser considerado uma salvação do homem inclusive após a morte carnal.

Certas pessoas podem insistir dizendo "Não, a sabedoria está no cérebro", mas ela não está. O órgão chamado cérebro é um instrumento criado por nossa mente para nos servir; estamos apenas utilizando-o. Não é do órgão físico chamado cérebro que vem a sabedoria.

Além disso, a sabedoria do eu e a do outro não estão isoladas uma da outra; estão inseparavelmente ligadas à sabedoria universal. Perceber isso constitui o despertar segundo a Seicho-No-Ie. Conscientizando que nossa sabedoria e a sabedoria universal - que preenche e vivifica todos os seres do Universo - são uma só, compreendemos que ela não é algo diminuto que caiba neste pequeno eu, mas infinitamente grandioso, e que aquilo que mentalizamos é imediatamente captado pela sabedoria (Providência) que rege o Universo.

Frequentemente adeptos da Seicho-No-Ie relatam graças recebidas, esclarecendo que, quando pensam em determinada coisa que desejam, alguém traz exatamente o objeto desejado. Isso não é nada estranho. Na verdade, assim deve ser quando despertamos para a verdadeira sabedoria, que não está apenas em nosso cérebro, mas presente em todo o Universo. Quando precisamos de algo, nosso desejo é captado pela sabedoria universal, que então diz "Vamos enviar isto ao fulano, que ele está precisando" e envia alguém para nos entregar a coisa desejada. Portanto, quando alcançamos o despertar, o que nos é necessário começa a aparecer na medida da necessidade, graças à ação da sabedoria universal, da sabedoria onipresente.

Como diz o trecho da sutra, Deus é tudo e somente Ele é existência verdadeira. Deus é a suprema perfeição, portanto, é bom e jamais pode ser mau. Se somente Deus, somente o bem é existência verdadeira, não pode existir uma força que não seja bem. Entretanto, existem muitos cristão que acreditam na existência de uma força que não seja bem. Certos segmentos do cristianismo acreditam na existência de Satanás como força que se contrapõe a Deus. Conheço uma médica, fervorosa adepta da Seicho-No-Ie, que tem uma amiga cristã. Desejando trazer essa amiga à Seicho-No-Ie, falou-lhe deste ensinamento, citando inúmeras curas milagrosas que ocorrem. Mas a amiga retorquiu: "Essas curas milagrosas devem ser obra de Satanás, pois este é o segundo mais poderoso depois de Deus". Pessoas que têm esse pensamento consideram-se fiéis a Deus e pensam que veneram a Deus como o Ser mais poderoso do Universo, mas admitem a existência de Satanás, que se opõe a Deus e Lhe dá muito trabalho. Elas dividem o "mundo da existência verdadeira" em duas partes: um território de Deus e outro de Satanás. Se ela reduzem à metade o reino de Deus, não sabemos se estão venerando ou desprezando Deus. E quando dizemos que "o pecado não existe", certas pessoas retrucam: "Como não!? Então para que serve a religião? A religião é necessária justamente porque existe o pecado!".

Muitos religiosos pensam que "a religião é necessária porque existe o pecado". Mas eu afirmo que a religião é necessária justamente para ensinar ao homem que o pecado não existe. Para que Jesus Cristo veio? Ele veio para dizer: "Estão perdoados os teus pecados. (...) Levanta-te!". Para que Buda veio? Ele veio para dizer: "Serás perdoado dos pecados e nascerás no Paraíso". Eles não vieram para afirmar que o pecado existe. Poderá alguém argumentar que "se o pecado não existisse, não haveria também necessidade de perdoar o pecado". Mas, para libertar da ideia do pecado as pessoas que pensam obstinadamente que "o pecado existe", é mais eficaz dizer "o pecado foi perdoado" do que afirmar "o pecado não existe". Dizendo-lhes que "o pecado foi perdoado", elas conseguem pensar: "Ah! Então meu pecado já desapareceu". É por esta razão que os religiosos dizem: "Seus pecados foram perdoados". Se o pecado fosse existência verdadeira, não desapareceria nem mesmo ao ser perdoado. Se ele desaparece com as palavras "teus pecados foram perdoados", é porque não existe verdadeiramente.

Cristo salvou as pessoas dizendo: "Estão perdoados os teus pecados". Se inúmeras pessoas foram purificadas de seus pecados e curadas de suas doenças apenas com as palavras "Estão perdoados os teus pecados", é porque o pecado não é existência verdadeira. Se o pecado fosse algo criado por Deus e existisse verdadeiramente, nem as palavras de Cristo nem a sua crucificação conseguiriam extingui-lo. O pecado é uma vibração mental negativa e, por isso, pode ser neutralizado e eliminado pela vibração mental positiva.

Parece que há muitos cristãos que pensam que o ser humano é por natureza pecador e que a religião é necessária para absolvê-lo dos pecados. Mas o pecador não é o Homem-Imagem-Verdadeira, o homem verdadeiro; é o aspecto falso (sombra) do homem. Estão confundindo a Imagem Verdadeira com a falsa aparência, e por isso consideram o homem pecador. Dizem que "a religião não seria necessária se o pecado não existisse, assim como a luz elétrica seria desnecessária se não existisse a escuridão". Esse argumento não deixa de ter certa lógica. Mas, então pergunto: a escuridão é uma existência positiva? Sabemos que não. Escuridão é o estado de ausência de luz. Se ela fosse existência verdadeira e positiva, não desapareceria, por mais luz que incidisse sobre ela. O mesmo acontece com o pecado: apenas parece existir. Na verdade, o pecado é o estado em que está ausente a Imagem Verdadeira do homem. Não significa que o pecado tenha existência própria. Nesta sala, por exemplo, vemos sombras atrás dos móveis e objetos. Esses lugares estão escuros. Também a minha face esquerda parece escura aos olhos dos senhores ouvintes porque a luz está à minha direita. Mas isso não quer dizer que minha face esquerda seja escura; simplesmente parece escura porque a luz não atinge este lado. Podemos dizer o mesmo em relação ao pecado.

Logo, é um erro evidente pensar que o pecado seja uma existência positiva e que a religião seja necessária para salvar o homem desse pecado. Somos filhos de Deus - esta é a realidade. Dizer que existe pecado em nós é uma falsidade. E a falsidade não é existência verdadeira, embora o pareça. Mesmo que uma face de nosso rosto pareça escura, ela em si não é escura. O que está escuro é a própria sombra. E o homem não é sombra. O homem em si não é escuridão. da esma forma, no homem em si não existe pecado. O que existe é unicamente o homem perfeito que Deus criou. Pensar que existe algo além do que foi criado por Deus, isto é, algo criado pela ilusão, é um erro. Acreditar que além de Deus existe Satanás é colocar Deus em confronto com Satanás. O Deus daquele que pensa assim não é Deus absoluto, mas um Deus relativo. considerar Deus como um ser relativo é o mesmo que aviltá-lo (rebaixá-lo). Se acreditarmos em tal Deus relativo, não conseguiremos alcançar a tranquilidade absoluta. Se podemos confiar tranquilamente em Deus, é porque Ele é absoluto. Se recorrermos a um ser relativo que pode ser atacado de surpresa por um inimigo poderoso, estaremos sempre inseguros e jamais teremos a verdadeira tranquilidade. Esta pode ser alcançada somente quando acreditamos em eus absoluto.

O pecado, se fosse proveniente de Deus, isto é, se fosse criação de Deus, seria existência verdadeira. Acreditando que Deus seja um ser imperfeito capaz de criar o pecado, um mundo mal feito ou um homem deficiente, é impossível viver com tranquilidade. Para alcançarmos a tranquilidade absoluta, não temos outro meio senão acreditar em Deus absoluto que criou somente o mundo e os seres perfeitos.

Somos filhos de Deus. Deus é infinito Bem; portanto, é impossível que Ele tenha criado o pecado ou o mal. somos vivificados pela Vida de Deus que habita em nós como nossa Imagem Verdadeira; logo, somos a própria Vida infnitamente boa e bela de Deus. Quando alcançamos esta grande convicção, desaparecem todos os temores, pecados e sofrimentos, manifesta-se a nossa Imagem Verdadeira, que é o infinito Bem, e este mundo se transforma em paraíso de luz.


Do livro: A Verdade da Vida, vol. 21", pp. 101-119

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

Universo absoluto, universo relativo


Paramahansa Yogananda


O espaço divide-se em duas partes ou aspectos. De um lado do espaço, está a criação. Do outro, está Deus, sozinho; ali, a criação está totalmente ausente. Esse é o mundo da "escuridão luminosa" e da "luminosidade sem luz". No Gita, diz o Senhor: "Onde não brilha o Sol, nem a lua, nem o fogo, ali tenho Minha Morada Suprema (...)".
 
A mesma dualidade existe na consciência humana. Seu ser tem dois lados - um visível, outro invisível. De olhos abertos, você observa a criação objetiva e vê-se dentro dela. De olhos fechados, você nada vê, a não ser um vazio escuro. Todavia, sua consciência, mesmo quando dissociada da forma, ainda está intensamente alerta e operante.

Se, em meditação profunda, você penetrar a escuridão por trás dos olhos fechados, contemplará a Luz da qual toda a criação emerge. No samadhi mais profundo, sua experiência transcende até a Luz manifestada e entra na Consciência da Bem-aventurança Plena - além de todas as formas, embora infinitamente mais real, tangível e ditosa que qualquer percepção sensorial ou extrasensorial. Quando se está em samadhi, pode-se perceber o oceano do Espírito com as ondas de Sua criação, ou também, pode-se contemplar o mesmo Oceano espiritual existindo transcendentalmente de forma serena, sem as ondas da criação.

No estado inicial de samdhi, o devoto se encontra retraído e absorto no Espírito; mas nos estados superiores e grandiosos, não só percebe o Espírito sem a criação, como também o Espírito manifestado em toda a criação.
 
Deus lhe ofereceu a oportunidade de observar, em sua própria consciência, a operação das mesmas leis que governam o universo. O estado de consciência sem forma, que se experimenta de olhos fechados, pode ser comparado à infinita região da "escuridão luminosa" e da "luminosidade sem luz", onde Deus existe sem nenhuma das formas, qualidades e dualidades características da esfera de Sua criação material. Nessa ilimitada faixa da eternidade, por trás da Criação, só Deus vive, na consciência inqualificada da Bem-aventurança sempre existente, sempre consciente, sempre nova. Nenhum mundo, nenhuma outra coisa existe em Sua consciência, naquela região da infinitude onde Ele reina como o Absoluto. Todavia, do outro lado do espaço, Ele está consciente de tudo - da criação inteira - em Si mesmo.
 
No invisível está a fábrica do universo. Einstein disse que o espaço parece muito suspeito, porque tudo surge dele e tudo desaparece nele. Para onde vão os elétrons e os mundos inteiros, quando desaparecem?

Sempre que ficar fascinado por alguma criação material, feche os olhos, volte-se para o interior e contemple a Fonte. Você nada vê, nada sente. Entretanto, todos os objetos visíveis saíram do Invisível. "A luz brilha nas trevas" (João 1:5). Se continuar sondando a escuridão, encontrará a grande Luz. Por trás da escuridão está a Consciência Crística. Atrás das trevas, está a fértil vida de outros mundos. "Na casa de meu Pai, há muitas moradas" (João 14:2).

Logo atrás do espaço, está a Inteligência. E logo atrás de você, está Deus. Não viva mais ignorando a Sua presença. Agite a escuridão com sua meditação. Não pare até encontrá-Lo. Há tanto a conhecer! Tanto a ver interiormente! A resposta para todos os problemas da vida virá diretamente do Infinito.


Extraído do livro: "A Eterna Busca do Homem"

 

domingo, fevereiro 24, 2013

Programa SNI: Orar não é implorar - é agradecer

Este vídeo é um programa desenvolvido pela Seicho-No-Ie para, através dos poderes e alcance da televisão e da mídia, levar uma mensagem de luz, amor e esperança ao máximo n´º de pessoas possíveis.

Neste programa, temos a participação da ilustríssima preletora Ivone Gomes Holanda, uma profunda conhecedora dos ensinamentos do mestre Masaharu Taniguchi, e suas explicações são de uma inspiração, de um amor, uma bondade, simplicidade e clareza que chegam a tocar o coração de qualquer um. Suas palestras transmitem com pureza e fidedignidade a luz do ensinamento supremo da Seicho-No-Ie revelado ao mundo pelo professor Masaharu Taniguchi. Aqueles que já tiveram a oportunidade de assistir palestras feitas por ela, sabem do que estou falando. Ela é um ser divino! É a minha preletora preferida da Seicho-No-Ie e a que mais admiro! Fica aqui a minha homenagem carinhosa a essa mulher grandiosa, maravilhosa - um verdadeiro veículo de expressão viva do amor e da sabedoria de Deus que se dedica a modificar a vida de inúmeras pessoas.

No vídeo, ela foi convidada para falar sobre o que significa ter fé, e explica que a oração correta é aquela em que agradecemos. Além disso, ela enfoca o assunto sob a perspectiva do Jissô, a Imagem Verdadeira, e é aqui que reside a importância e o valor deste vídeo. É uma pena que o programa seja tão curtinho. Se ela tivesse mais tempo para falar a fim de pode aprofundar o assunto, receberíamos todos uma mensagem e tanto! Obrigado querida preletora, e obrigado a todos da equipe e demais colaboradores da Seicho-No-Ie que possibilitam a difusão do ensinamento. Gratidão, Reverências!
 
 

sábado, fevereiro 23, 2013

Só existe Deus vivendo

Dárcio Dezolt


Quando Jesus disse que as pessoas olhassem os lírios do campo, ou os pássaros no céu, que eram cuidados sem que se preocupassem com nada, estava, de fato, procurando abrir a atenção do povo para a Verdade subjacente a este ilusório “mundo de aparências”. Por que o lírio apresentava-se “melhor do que Salomão”? Por que os pássaros, sem semear achavam de pronto o seu sustento? A resposta é simples: SÓ EXISTE DEUS VIVENDO!

Aquele que “perde sua vida” é quem a "acha", descobrindo a Verdade de que DEUS é a vida dele. E é por isso que passa a “viver pela graça” e não como mortal a esquentar ilusoriamente a cabeça com tudo.

Eu sempre relato o acontecido com Joel S. Goldsmith, que, sendo chamado para dar ajuda espiritual a um empresário em dificuldades com sua empresa, marcou e pegou-o em seu carro, saindo a rodar pela cidade. Vendo que Goldsmith não puxava o assunto, apenas lhe mostrava a cidade, em certo momento disse a ele: “Será que o senhor poderia começar a me atender?” E foi quando escutou como resposta: “O senhor já está sendo atendido! Ou não percebeu ainda que o universo inteiro está funcionando sem o senhor?”

Esta é uma das mais importantes passagens de O Caminho Infinito. O cidadão passava por dificuldades na empresa porque acreditava ser dele um pedacinho do Universo fora da responsabilidade de Deus! Não era a empresa que precisava melhorar, mas sua visão: a empresa deveria ser vista sendo administrada pelo seu legítimo “dono”, inclusa na Oniação divina!

E assim também é com o corpo, que cada um diz ser “seu”, mas sempre aceitando-o com algum problema! Quando você se preocupar com seu corpo como você está agora preocupado com que os passarinhos irão se alimentar, ou de que modo os lírios do campo irão se adornar, sua saúde será naturalmente mantida pelo seu real dono: DEUS!

O Universo infinito está funcionando sem as preocupações humanas de alguém! Quando você entender isso, entenderá Jesus, agirá em unidade com a Oniação, sem se preocupar com nada, e passará a desfrutar a VIDA DE DEUS sendo a sua!


quarta-feira, fevereiro 20, 2013

Sua Identidade Infinita

 
Allen White


Muitos, quando pensam em si mesmos, ou quando pensam sobre a própria identidade, confinam-se à forma corporal. Se pedirmos que se apontem, apontarão o próprio corpo. Com tal conceito finito de si mesmos, não é de se estranhar que a vida e a experiência destes aparentem ser tão limitadas! O antídoto ao que se mostra como limitado viver, está na REALIZAÇÃO DA IDENTIDADE INFINITA.

Quando você diz com compreensão (como fez Jesus), "Eu e o Pai somos um", elimina todo o conceito de um eu finito. Você entende que sua Identidade Infinita não está confinada a uma forma chamada Corpo; antes, você se compenetra de que seu Corpo está incluso em sua Identidade Infinita.

O seu "Eu" é sem fronteiras. O seu "Eu" é ilimitado e inconfinado. O seu "Eu" é Onipresente. Há somente o UM. Este Um é Infinitude em Si. Este Um é o "Eu" que você é.

Não creia nisso só porque eu escrevi. Leve o assunto à sua própria Consciência (Deus). Indague se é verdadeiro. Ouça a resposta. Não se deixe desapontar esperando pela resposta a ponto de criá-la de você mesmo.

Uma vez descoberto seu Eu infinito (ou mesmo antes), contemple-o assiduamente e verá sua vida "se expandir", sem nenhum esforço, em surpreendentes maneiras de evidenciar o seu Eu infinito.


 

segunda-feira, fevereiro 18, 2013

Leis para a materialização dos bons desejos

 
  Baird T. Spalding
 
  
Na manhã, depois do desjejum, ficamos sabendo que nossa hospedeira e duas outras damas estavam para nos acompanhar ao templo, naquele dia. Assim que deixamos a casa, dois homens se juntaram ao grupo. Um deles disse à nossa hospedeira que havia uma criança doente na aldeia e que essa criança estava pedindo a presença dela. Nós acompanhamos os homens até a residência da criança e observamos que ela estava muito enferma. A nossa hospedeira caminhou para frente e segurou as mãos da doente. A mãe colocou a criança nos braços dela. Instantaneamente o rosto da pequerrucha se iluminou. A seguir a criança aconchegou-se por um momento e poucos minutos depois adormeceu. A nossa hospedeira devolveu a criança à mãe e nós retomamos o caminho do templo. Em caminho ela observou: “Ó, se ao menos este querido povo pudesse ver e fazer este trabalho por si mesmo, ao invés de depender de nós! Seria muito melhor para essa gente. Assim como estão as coisas, o povo nos deixa inteiramente sós, até que alguma emergência apareça; então, chamam por nós, o que é perfeitamente correto, exceto que isso não lhes dá confiança alguma em si mesmos. Nós preferimos ver a todos autoconfiantes; mas são todos como crianças sob todos os aspectos”.
 
Há este tempo, tínhamos chegado ao pé da escada. Subimos e nos encontramos num túnel. Os dois homens nos acompanharam. Como este túnel corria através da rocha viva, era natural supor que ele deveria ser escuro. Mas estava suficientemente iluminado para nos permitir ver os objetos até uma considerável distância à nossa frente; e a luz parecia estar ao nosso redor, de modo que não havia sombras. Nós tínhamos notado isto, no dia anterior, mas ninguém tinha feito comentário algum a tal propósito. Depois de fazermos perguntas, fomos informados de que a luz estava ao nosso redor, exatamente como ela parecia estar; e de que, quando não havia ninguém no túnel, este ficava às escuras.

(A narrativa continua, enquanto os visitantes são colocados a par sobre a região de Gobi e do antigo império Uigur, nas regiões himalaicas). E segue: Enquanto voltávamos para a primeira sala, nosso Chefe perguntou se um desejo poderia ser satisfeito tão depressa ele fosse manifestado. A nossa hospedeira respondeu que, se o desejo fosse formulado na devida forma, seria satisfeito. Ela então prosseguiu, dizendo que o desejo é apenas uma forma de prece; que foi a verdadeira forma da oração que Jesus usara, vista como suas preces haviam sido ouvidas; que a prece, para ser ouvida, tem de ser autêntica; portanto, tem de ser científica e portanto, sendo científica, deve estar de acordo com a Lei Imutável.

Continuando ela disse: A Lei é: Como vós sabeis, a vossa prece será ouvida e sejam quais forem as coisas que desejais, quando orais, sabereis que a recebereis e então, vós a tereis. Se nós sabemos, positivamente que aquilo que já pedimos, já é nosso, ficamos sabendo que estamos agindo de acordo com a Lei. Se o desejo não é satisfeito, então verificamos que não soubemos orar. Devemos saber que a falha é nossa e não de Deus.

Portanto as instruções são: “Amareis ao Senhor, Vosso Deus, com todo o vosso coração, com toda a vossa alma, com toda a vossa mente e com toda a vossa força”. Agora ide mais profundamente, para o fundo último de vossa própria alma – não com pressentimentos, medo ou descrença e sim com um coração alegre, livre, agradecido, sabendo que aquilo que vos encontrais necessitado, já é vosso.

O segredo está em conseguir a compensação, obtendo a consciência de fato e conservando-a firmemente, jamais se desviando, ainda que a terra toda venha a se opor. “De mim mesmo nada posso fazer” Disse Jesus, “O Pai que mora em mim, Ele é que faz tudo”. Tende fé em Deus. Tende fé e não duvideis. Tende fé e não temais. Agora lembrai-vos de que não há limitação para o poder de Deus. Todas as coisas são possíveis.

Fazei uso de palavras positivas ao formular vossa solicitação. Não há nada, a não ser a perfeita condição desejada. Depois plantai em vossa alma a perfeita idéia-semente e somente ela. Agora pedi para manifestar saúde e não para serdes curados de doenças. Para expressardes harmonia e realizardes abundância e não para serdes libertados da desarmonia, da miséria e das limitações. Atirai isso fora, como jogais fora uma roupa velha. Elas são apenas coisas velhas e superadas, podeis dar-vos ao luxo de descarta-vos delas alegremente. Nem sequer vos volteis, para lançar-lhes mais um olhar. Elas estão perdoadas, esquecidas. Regressaram ao pó de que foram criadas. Elas agora são não coisas – nada. Enchei os espaços aparentemente em branco, ao vosso redor, com o pensamento de Deus, a Infinita Bondade. Depois, lembrai-vos que a palavra de Deus é uma semente. Ela tem de crescer.

Deixai o como, o quando e o onde a Deus. O vosso trabalho é tão somente, o de dizer o que quereis e o de distribuir bênçãos, sabendo que no momento em que pedirdes, recebereis. Todos os detalhes desta criação são os trabalhos do Pai. Lembrai-vos de que Ele realmente trabalha. Fazei fielmente a vossa parte, deixai e confiai a parte de Deus a Ele. Pedi, Perguntai. Afirmai. Dirigi-vos a Deus, para aquilo que desejais, então recebereis de Deus a satisfação do desejo.

Tende sempre em mente o pensamento da abundância de Deus. Se qualquer outro pensamento surge, deveis substituí-lo pelo de abundância de Deus e dai graças a ela. Agradeçais constantemente se necessário, pelo fato do trabalho ser efetuado. Não volteis de novo ao ato de pedir. Apenas dai graças e agradeçais que o trabalho tenha sido realizado – que Deus esteja trabalhando em vós – que vós estejais recebendo aquilo que desejais, porque vós desejais somente o bem, para que possais distribuir o bem a todos. Fazei com que isto se efetue em silêncio e em segredo. Orai ao vosso Pai em segredo e vosso Pai, que vê o segredo de vossa alma, vos compensará abertamente.

Quando a demonstração estiver completa, olhareis para trás, para o tempo dado com fé e o considerareis um dos vossos maiores tesouros. Vós tereis provado a lei e formareis idéia do poder de vossa palavra pronunciada com fé e louvor. Lembrai-vos de que Deus aperfeiçoou o Seu plano. Ele derramou e está continuamente derramando sobre vós, com amorabilidade e abundância, tudo o que é bom e toda coisa boa que nós podemos desejar. De novo Ele diz: “Provai-me e vede se eu não abrirei as janelas do céu e não derramarei de lá tantas bênçãos, a ponto de não haver espaço para recebê-las”.
 
E as cinco etapas da invocação para a materialização do bom desejo são ditas:
 

Pai Nosso

 Eu me mantenho continuamente com os meus olhos fixos em Vós, Ó Pai, não tomando conhecimento de coisa alguma além de Vós, Ó Pai e eu nada vejo a não ser Deus em todas as coisas. Eu me conservo firme na Montanha Sagrada, sem tomar conhecimento de coisa alguma, a não ser do Vosso Amor, da Vossa Vida e da Vossa Sabedoria. O Vosso Espírito Divino perpassa por todo o meu ser, sempre. Ele circunda, abundando dentro de mim e fora de mim sempre. Eu sei, Pai, que isto não se dá comigo apenas, isto se dá com todos os vossos filhos. Eu sei, Pai, que nada tenho a não ser aquilo que eles têm e que não há nada a não ser Deus para todos. Eu vos agradeço.
 

Com todo meu coração

 No íntimo do meu ser, Pai, eu sou uma só pessoa Convosco e eu Vos reconheço como sendo o Pai de tudo. Sois Espírito, Onipresente, Onipotente, Onisciente. Sois Sabedoria, Amor e Verdade, a Força, Substância e Inteligência, das quais e por meio das quais, todas as coisas são criadas. Vós sois a Vida do meu espírito, a Substância da minha alma, a Inteligência do meu pensamento. Eu estou Expressando-vos em meu corpo e nos meus assuntos. Vós Sois o Começo e o Fim, o Verdadeiro Todo do Bem e do Bom que eu consigo expressar. O desejo de meu pensamento, que se encontra implantado na minha alma, está sendo avivado pela Vossa Vida em meu espírito e na inteireza do tempo, através da lei da Fé, ele é trazido à visibilidade na minha experiência. Eu sei que o bem que eu desejo, já existe em Espírito, em forma invisível e que espera apenas que a Lei se cumpra para se tornar visível. Eu sei que já o tenho.
 

Com toda minha alma

 As palavras que eu agora pronuncio, delineiam para Vós, meu Pai, aquilo que eu desejo. Como semente é plantado no solo da minha alma e cuidado pela Vossa ativação da vida em meu espírito. Tem de vir-a-ser. Eu permito que apenas o Vosso Espírito, Sabedoria, Amor e Verdade entre em minha alma. Só desejo aquilo que é bom para todos e eu agora Vos peço, Pai, que o façais vir-a-ser. Pai que estais em mim: Peço para expressar Amor, Sabedoria, Fortaleza e um corpo de Luz de Juventude eterna. Peço para realizar Harmonia, Felicidade e Abundante Prosperidade, para que eu receba a compreensão diretamente de Vós, a respeito do método que partindo da Substância Universal, crie aquilo que satisfaça todo bom desejo. Isto não é para o meu eu, Pai, é para que eu possa ter o conhecimento que me permita ser útil a todos os Vossos filhos.
 

Com toda a minha mente
 
 Aquilo que eu desejo já se encontra em forma visível. Eu formo na mente, somente aquilo que desejo. Assim como a semente começa o seu crescimento por baixo da terra, na quietude e na escuridão, assim também o meu desejo, agora, toma forma no reino silencioso, invisível de minha alma. Entro em meu quarto e fecho a porta. Tranqüilo e confiante, eu agora sustento o meu desejo em mente, como se já estivesse realizado. Pai: Eu agora espero a perfeita realização exterior do meu desejo. Pai que estais em mim: Eu Vos agradeço pelo fato de agora, no invisível, a satisfação do meu desejo se encontrar sempre assegurada e eu sei que Haveis derramado, amorável e abundantemente, para todos os Vossos filhos, uma verdadeira abundância do Vosso Tesouro, que Haveis satisfeito todo bom desejo da minha vida, que poderei partilhar do Vosso opulento suprimento, que possa perceber a mesma coisa e que seja lá o que for que eu venha a ter, deverei distribuir a fim de ajudar a todos os Vossos filhos. Tudo que eu tenho eu dou a Vós, Pai.
 

Com toda minha fortaleza

Nenhum ato, nenhum pensamento meu, negará que eu já tenha recebido em espírito, a realização do meu desejo e este é agora apresentado em perfeita visibilidade. Em espírito, em alma, em mente e em corpo, eu sou fiel ao meu desejo. Percebi o meu bem em espírito. Eu o concebi como sendo uma Idéia Perfeita em minha alma, e dei verdadeira forma de pensamento com meu desejo. Eu agora apresento em estado de visibilidade, de verdadeira manifestação, o meu Desejo Perfeito. Eu Vos agradeço, Pai, por ter eu, Amor, Sabedoria, Compreensão, Vida, saúde, Fortaleza e juventude eterna. Harmonia, Felicidade e Prosperidade Abundante, e o método de criar, da Substância Universal, aquilo que deve satisfazer todo bom desejo.

 Depois que nossa hospedeira falou, houve um silêncio profundo, por um momento, e a seguir ela continuou:

“Compreendei que se nada estiver concluído, e se o seu desejo não é agora visível, a falha está dentro de vós mesmos e não em Deus. Não volteis novamente à solicitação, mas como Elias, persisti, erguei bem alto a taça, para que ela seja enchida, rendei graças e agradecimento pelo que está sendo realizado agora embora todo pensamento mortal do erro vos acossem. Prossigais, prossigais, tudo está aqui, agora e acreditem-me, a vossa fé é recompensada, a vossa fé se transforma em sabedoria”.
 
Vamos supor que é gelo o que desejais. Será que começaríeis proferindo a palavra 'gelo' em todo vosso redor, indiscriminadamente? Se fizésseis isso, dispersaríeis as vossas forças em todas as direções e nada resultaria para vós. Deveríeis em primeiro lugar, formar uma imagem mental daquilo que desejais. Mantende essa imagem na mente, o tempo suficiente para defini-la. A seguir, deixai inteiramente de lado essa imagem e olhai diretamente para a Substância Universal de Deus.

Sabeis que essa substância é uma parte de Deus e portanto uma parte de vós mesmos, e que nessa Substância há tudo quanto precisais. Deus vos está proporcionando esta Substância, exatamente no mesmo ritmo em que vós podeis usá-la e que vós podereis nunca esgotar o suprimento. Depois sabeis que quem quer que seja que criou esse suprimento, o extraiu da mencionada Substância, seja que o tenha feito conscientemente ou inconscientemente.

 Agora, com vosso pensamento e a vossa visão concentrados no Átomo Central, que é Deus, conservai esse Átomo, até que consigais imprimir nele o vosso desejo. Vós abaixareis a vibração desse Átomo até que Ele se torne gelo. Então todos os átomos que circundam aquele, se apressarão a obedecer ao vosso desejo. A vibração deles será reduzida, até que eles adiram a partícula central e num instante, vós tereis gelo. Vós nem sequer precisais de água alguma ao vosso redor. Precisais somente do ideal”.
 
 
Extraído do livro: “Vida e Ensinamentos dos Mestres do Extremo Oriente”
 
 

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

O Universo da Realidade


 Masaharu Taniguchi

 
(Sutra Sagrada - Chuva de Néctar da Verdade)
 
REALIDADE
 
"Prossegue anunciando o Anjo:

A Realidade é eterna, a Realidade não adoece,
a Realidade não envelhece, a Realidade não morre;
ao fato de conhecer esta Verdade se diz conhecer o
Caminho.

A Realidade, porque é universal, é chamada Caminho.
O Caminho está com Deus; Deus é o Caminho, é a
Realidade.

Aquele que conhece a Realidade,
aquele que vive na Realidade,
transcende a desintegração e será eternamente perfeição."

 
Anteriormente, explicando o que é a matéria, disse que ela é uma "onda" que se forma na superfície do mundo da Imagem Verdadeira, do mundo eterno. Não é possível agarrar as ondas, pois são inconstantes e mudam de forma sem parar. Quando pensamos "eis uma onda" e tentamos pegá-la, já não existe. Assim é o mundo da ilusão. A Realidade, pelo contrário, é a existência indestrutível e eterna; não é uma existência que morre ou desaparece. O mundo da Realidade é eterno.
 
(Em tom de leitura da sutra:) A Realidade não adoece, não envelhece, não morre. Ao fato de conhecer essa Verdade se diz conhecer o Caminho. A Realidade é chamada Caminho porque é universal e completa. O Caminho é a Vida que preenche o Universo. O Caminho está com Deus. Deus é o Caminho, é a Realidade. A Imagem Verdadeira que preenche o Universo e está com Deus é o Caminho. A imagem Verdadeira é Deus, Deus é o Caminho, e o Caminho é a Imagem Verdadeira. São a mesma coisa. O mais importante é compreender que a Grande Vida (a Imagem Verdadeira) que preenche o Universo e que é a Realidade, constitui ao mesmo tempo a nossa própria Imagem Verdadeira. Na Imagem Verdadeira também somos a Realidade e nos identificamos com Ela, o Caminho que preenche o Universo, isto é, com Deus.
 
A Realidade, até agora considerada apenas um conceito abstrato e objeto de especulação filosófica, esteve confinada numa torre de marfim como algo que nada tem a ver com nossa vida. É por essa razão que o budismo, apesar de ter pregado a Verdade com termos filosófico de nível bastante elevado, não conseguiu aplicá-la na vida prática. A Realidade, contudo, não é mero conceito filosófico. Ela é tudo que existe vedadeiramente.  O que existe é somente a Realidade. Nada existe além dela. A Realidade - isto é, Deus - é tudo. Portanto, se algo existe, isso é Deus, é a Realidade. E a Realidade - Deus - é o nosso Eu Verdadeiro. Este corpo carnal, limitado, cheio de defeitos, destinado a perecer, não é a Realidade. Se ele parece ser, é porque não passa de projeção de nossa mente que não é existência verdadeira. Não devemos confundí-lo com o nosso Eu. O que está sentado aqui é projeção de nossa mente. Nossa Imagem Verdadeira é Realidade eternamente indestrutível. Nosso Eu é um com a Grande Vida que preenche o Universo. (Apontando para si mesmo com o indicador:) Eis a Grande Vida universal! (Apontando para o público:) Os senhores próprios devem conscientizar: "Sou a Grande Vida Universal"! Precisamos conscientizar que somos a Realidade, a Grande Vida universal.
 
Como já disse, é fundamental que o homem desperte para o fato de que, na Imagem Verdadeira, ele é um com a eterna Verdade que preenche o Universo, um com Deus. Por considerar o homem e a Realidade (Deus) como existências isoladas uma da outra é que até uma grande religião acaba se tornando mera filosofia e perde a força para salvar efetivamente as pessoas. O que vivifica realmente o mundo e a vida prática é a conscientização acompanhada de sentimento: "Sou um com a Realidade, um com Deus!". Isso explica por que a Seicho-No-Ie, pregando a mesma Verdade apregoada pelo budismo ou pelo cristianismo, consegue produzir inúmeros milagres. Pregamos a mesma Verdade, não de modo abstrato ou alheio à vida cotidiana, mas de modo que a Verdade se integre ao homem vivo na vida prática, partindo da premissa de que existe unicamente a Realidade. Em outras palavras, fazemos a perfeita união da Verdade com o homem, fazendo-o conscientizar "Sou a própria Verdade, a própria Grande Vida Universal!". Eis o segredo para fazer manifestar uma força efetiva na cura de doenças ou na transformação da vida cotidiana, pregando a mesma Verdade que as religiões tradicionais.
 
Deus - e somente Ele - existe verdadeiramente. Deus é tudo. Existe unicamente a Realidade, a Imagem Verdadeira. No entanto, muitas pessoas pensam que a ilusão existe, e por isso não conseguem manifestar a força da Imagem Verdadeira. Quando se adquire a convicção "a ilusão não existe, somente a Realidade existe, e a Realidade sou eu", manifesta-se uma força extraordinária que atua na vida prática. Viver dessa forma a Verdade no cotidiano é conhecer e viver o Caminho. Não basta só conhecê-lo. É preciso que o Caminho e nossa vida se integrem perfeitamente. Então o Caminho conhecido será automaticamente vivido - isto é, haverá a perfeita união entre o conhecimento e a prática.
 
A sutra diz: "Aquele que conhece a realidade, aquele que vive na Realidade, transcende a desintegração e será eternamente perfeição". Isto quer dizer que a Realidade é a Vida imortal, que jamais se extingue; é a Vida absoluta que existe desde o princípio sem começo até a eternidade sem fim. Obviamente, transcende o nascer e o perecer fenomênicos. É a Grande Vida absoluta, dinâmica, imperecível, eterna, sempre perfeita, que se mantém constantemente em estado impecável. Por isso, na sutra lê-se como segue:
 
"A Vida conhece a vida e não conhece a morte.
Vida é sinônimo de Realidade.
A Realidade não tem princípio nem fim,
não se extingue nem morre;
por isso, a Vida também não tem princípio nem fim,
não morre nem desaparece."
 
A Vida não tem começo nem fim. O que surge num determinado momento deverá perecer algum dia, mas a Vida não desaparece nem perece porque é eterna. A Seicho-No-Ie transcende tudo que é negativo tal como desaparecimento, perecimento ou treva e prega somente o que é positivo, razão pela qual a Verdade manifesta sua força para melhorar a vida na prática. Não estou, com isso, pretendendo depreciar outras religiões. O budismo, por exemplo, é um ótimo ensinamento. Sua doutrina, na essência, é maravilhosa, mas existem diferentes níveis no modo de transmití-la.  Para as pessoas de baixo nível de compreensão, pregam que "Já que o homem nasceu, terá de morrer". Esse tipo de pregação é dirigida às pessoas pouco evoluídas espiritualmente e que confundem a Vida com o corpo carnal, visível aos olhos. É o chamado "budismo do pequeno veículo" e é representado pela sutra Agon.
 
A sutra Kegon, que é mais elevada, prega a indinstição entre a mente, Buda e o mortal. É um ensinamento de nível mediano, segundo o qual o homem se torna Buda quando a mente desperta, ou um mortal, quando a mente se ilude. Tal ensinamento nos leva a concluir que nem Buda nem o mortal são seres constantes, pois são duas formas de manifestação da mente que, por sua vez, não tem uma natureza definida. Segundo esse pensamento, não somos nem Buda nem mortal: seremos Buda, se despertarmos; e seremos um mortal, se cairmos em ilusão. O homem seria então um ser indefinido, vago, sem identidade, que não é nem Buda nem mortal. Com tal pensamento, é impossível manifestar a força para ativar a vida prática. Uma pregação que não esclarece o que é a Imagem Verdadeira do homem não é capaz de vivificar concretamente a vida do ser humano. A Seicho-No-Ie não prega que o homem é um ser ambíguo que não se sabe o que é. Ela afirma categoricamente que o homem é filho de Buda, ou melhor, que a Imagem Verdadeira do homem é o próprio Buda. Se o homem não souber o que ele é, não saberá como viver. Mas, se compreender que ele é originariamente Buda, independentemente de despertar ou não, e que, portanto, jamais cai em ilusão, jorrará vigorosamente de seu interior a força para dinamizar a vida.  O budismo, apesar de sua filosofia profunda, não conseguiu salvar a humanidade porque deixou confusa a ideia do que seja o homem, sem distinguir se ele é Buda ou mortal. A Índia e a China, onde outrora se expandiu grandemente o budismo, decaíram porque se pregou que o homem é um ser indefinido, sem característica própria, que pode se tornar Buda ou mortal conforme sua mente desperte ou se iluda. Quem acredita em tal ensinamento só pode enfraquecer e degenerar.
 
A Seicho-No-Ie afirma direta e categoricamente que o homem, na Imagem Verdadeira, é Buda; que a ilusão não existe; que o homem não é um ser volúvel que se torna ora Buda, ora mortal, segundo a oscilação da mente; que tal mente não é existência verdadeira; que todos somos Budas desde o princípio. Fulminando assim a ilusão e afirmando categoricamente que somos Budas é que a religião se revigora e adquire força para transformar a vida.
 
Adjetvando a Vida (o homem) com palavras obscuras como "inascível e imperecível", não é possível despertar a capacidade latente. Somos Vida eterna e jamais perecemos. Na Seicho-No-Ie destruímos a ilusão com um só golpe de palavra: "A ilusão não existe!" e ostentamos a Vida. Afirmamos categoricamente que somos Vida infinita - isto é, Buda - que vive desde o passado sem começo até o futuro sem fim. Justamente por sermos Buda na Imagem Verdadeira, é que para nós não existe destruição nem ilusão. somente isto é Realidade, e tudo o mais é falsidade. Eliminamos tudo que não é existência verdadeira e afirmamos (apontando para si mesmo) "Sou Buda!". Assim, podemos inclusive conscientizar que dentro de nós existe a força infinita. A ilusão não existe! Sou Buda! O homem não é um ser fraco, atualmente em ilusão, que será Buda às custas de muitas orações. Tal homem jamais existiu. Somos Buda desde o princípio. Trazemos dentro de nós a infinita força búdica. Assim afirma a Seicho-No-Ie. O Buda indistinto da mente e da criatura não existe. Quando eliminamos tal Buda, tal mente e tal criatura e tudo o mais, verificamos que resta algo que não se elimina: é a Realidade, é o Buda eterno, que ao mesmo tempo constitui o nosso Eu verdadeiro.
 
Continuando:
 
"A Vida não está contida na escala do tempo, não está
contida na escala da caducidade;
 
o tempo, pelo contrário, está na palma das mãos da Vida, a qual
cerrada se torna um ponto e, aberta, se torna infinito.

Aquele que acredita ser jovem logo rejuvenescerá, e
aquele que se crê senil logo envelhecerá.

Também o espaço não é coisa que limite a Vida.
Pelo contrário, o espaço nada mais é que uma " forma
de reconhecer" criada pela própria Vida.

A Vida é senhor, o espaço é súdito.
Às corporificações das idéias emitidas pela Vida e
projetadas no espaço dá-se o nome de matéria.

A matéria é originalmente nada e não possui
autonomia nem força.

O que faz parecer que a matéria possua autonomia e
também força para dominar a Vida é a " distorção"
ocorrida na ocasião da passagem da Vida por aquela
"forma de reconhecer".

Vede corretamente a Imagem Verdadeira (Essência) da Vida, sem vos apegar
a essa "distorção".

Aquele que conhece a Imagem Verdadeira da vida transcende a
causalidade e alcança a liberdade harmoniosa da Vida,
que é originalmente sem distorções."
 
 
Aqui se explica o que é o tempo. Como a vida não tem começo nem fim e existe através do tempo infinito, dizemos que ela é eterna. Quando pensamos na Vida em termos de tempo, imaginamos um começo por associação de ideias, mas a Vida não teve começo nem terá fim. Como não há palavras adequadas para explicar algo que existe por tempo infinito, conformamo-nos com o adjetivo eterna. As palavras que usamos são destinadas a expressar os fatos fenomênicos, mas, como não existem outras, somos obrigados a usá-las para explicar a Essência. o que tentamos fazer metaforicamente. Se formos à origem do tempo, encontraremos o ponto-origem, onde já não existe o tempo. Esse ponto é absoluto e infinito e encerra em si todas as coisas, todo o Universo. Quando se fala em ponto, tem-se a impressão de que ele se situa em algum lugar do espaço, mas o ponto de que estou falando não ocupa espaço. Não existe palavras para explicar isso; só posso esperar que os senhores o compreendam através da iluminação. Tudo está contido nesse ponto adimensional, e este, por sua vez, se estende e abrange todos os seres de todo o Universo.
 
Nossa Vida é eterna, não tem começo nem fim, portanto, não morre. Entretanto, pensa-se que, com o tempo, o homem enfraquece, envelhece e morre. Mas o mundo dimensinoado pelo tempo, em que ocorre a morte, não é o mundo verdadeiro; é um mundo resultante da "distorção" que se verifica na ocasião em que a Vida atravessa a "retícula" de tempo e espaço. Segundo a Teoria da Relatividade de Einstein, o tempo é relativo, pois pode parecer longo ou curto. Quando estamos ouvindo uma história interessante ou fazemos algo agradável, sentimos que o tempo tem curta duração. E, quando estamos fazendo algo enfadonhos, sentimos que o tempo se escoa lenta e prolongadamente. Isso mostra que o tempo parece ter longa ou curta duração conforme o nosso estado psicológico. Podemos citar também o exemplo do sonho. Não raro, temos sonhos em que durante dezenas de anos trabalhamos, progredimos, enriquecemos, temos preocupações, tristezas e alegrias. Mas, quando acordamos, percebemos que sonhamos com tudo aquilo em alguns minutos. Em suma, o tempo tem duração longa ou curta segundo a nossa mente. Ele não é algo constante que existe de verdade. Logo, a Vida não está contida no tempo. Pelo contrário, ela é que possui o tempo na palma de sua mão. A Vida transcende o tempo e é eterna. Por isso está escrito: "A Vida não está contida na escala do tempo (...); o tempo, pelo contrário, está na palma das mãos da Vida, a qual cerrada, torna-se um ponto e, aberta, torna-se infinito".
 
O trecho acima ainda fala sobre o espaço: "Também o espaço não é algo que limite a Vida. Pelo contrário, o espaço nada mais é que uma 'forma de reconhecer' criada pela prórpia Vida. A Vida é senhor, o espaço é súdito". Esta é a explicação do espaço dada pela Seicho-No-Ie. Como diz o texto, a Vida é que comanda o espaço. É um erro pensar que a Vida seja dependente do espaço. Não é no espaço preexistente que nasce a Vida. Ao contrário, o espaço é uma "tela" produzida pela Vida. O Eu, que é o ponto central e origem do tempo e do espaço, produz vibração mental e a projeta como se fosse um holofote, e então parece que existe um espaço que se estende infinitamente. Não é que exista primeiramente o espaço para nele surgirem os mais variados seres. O Eu, que é o centro emissor de vibrações mentais, projeta-as diante de si através da lente mental e vê essa projeção como uma dimensão espacial. Isto é o espaço. Este, portanto, é uma dimensão projetada por nós mesmos.
 
Certo dia, li no jornal Yomiuri um artigo do pastor cristão Kiyozo Takemoto, que parece ter experiências de cura de doença pela fé. Entre outras coisa, o artigo dizia: "É natural que as doenças dos órgãos internos sejam curadas pela fé, mas ferimentos externos não se curam pela fé". Quanto a esse ponto, o respeitado pastor me decepcionou, pois demonstra não conhecer a Verdade de que tudo que ocorre no mundo exterior é projeção do mundo interior, isto é, da mente. Ele pensa que está sob o controle da mente apenas a parte interna do corpo e que a parte externa independe da mente. Não compreende que o mundo exterior é projeção da mente. Pensa que o homem é corpo carnal, que a mente está no cérebro e que a fé sentida por essa mente influi apenas na parte interna do corpo carnal. Na verdade, o espaço é constituido de vibrações mentais que se estendem partindo do ponto central chamado Eu. Portanto, somos o centro do espaço, centro do Universo; nós é que manifestamos todas as coisas no espaço ao nosso redor. Ao compreendermos isso, sentimos realmente que somos seres grandiosos.
 
Pode parecer estranho afirmar que cada um de nós é o centro do Universo, pois estaremos reconhecendo vários centros no Universos. Entretanto, isso não é nada estranho porque o Universo, sendo infinito, pode ter infinitos centros. Os senhores devem saber que a elipse, que é limitada, possui inúmeros centros. Então é natural que o Universo, que é infinitamente extenso/grande/vasto, tenha uma infinidade de centros. No infinito Universo (mundo) da Imagem Verdadeira, cada um de nós é o centro. Ao mesmo tempo, na Imagem Verdadeira somos um com a Grande Vida que rege o Universo. A elipse deixará de ser elipse se lhe faltar um dos centros situados no eixo. Da mesma forma, cada um de nós é um centro indispensável ao Universo e, juntamente com a Grande Vida, está regendo o Universo.
 
 
Do livro "A Verdade da Vida, vol. 21", pp. 76-88

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

À Imagem de Deus


Adam was created in the image of God
Dárcio Dezolt
 
"E disse Deus: "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança e ele domine sobre tudo". (Gênesis, 1:26)
 
 
Quando alguém começa a estudar o Absoluto,  é comum estranhar o princípio de que o Universo real é Perfeição Absoluta, e que todas as imagens visíveis são  ILUSÃO! Contudo, o princípio parte de Deus, das revelações divinas, de uma fonte outra que descarta inteiramente a limitada mente humana.

Foi sendo disseminada a "crença" de que "a perfeição original" do homem se alterou. Aceitá-la, é o mesmo que desmentir a Deus! Se Deus disse que fôssemos feitos à Sua imagem e semelhança, com capacidade de domínio sobre tudo, como acreditar que esta Obra divina tenha se modificado e,  não somente isto, mas que tenha se modificado para pior?

Como surgem os chamados "milagres"? Pela não aceitação das mudanças visíveis como reais e pela firme convicção de que A PERFEIÇÃO ORIGINAL continua presente e reinando sozinha, aqui e agora! A propósito, é esta a definição de "fé" que a Bíblia nos apresenta: "Ora, a fé é a certeza de cousas que se esperam, a convicção de fatos que não se veem." (Hebreus 11;1).

Allen White recomenda o seguinte:
 
 "Em prece, contemple a Verdade de seu próprio Ser, que é a própria Perfeição. Aceite esta Verdade como única realidade de sua Existência. Contemple a Perfeição como a única Presença e Poder. E mais, contemple a Perfeição como a única Manifestação visível."

Que significa estudar o Absoluto? Tomar esta atitude de endossar a Palavra de Deus; de não mais aceitar o testemunho da mente humana! Este radicalismo está expresso nas palavras de Jesus Cristo: "Não podeis servir a dois senhores".

No Evangelho de Tomé, encontrado no Egito em 1945, encontramos as seguintes palavras de Jesus: "Há muitos em volta da cisterna, mas não há nenhum na cisterna".

A humanidade aparenta estar hipnotizada, sem saber de onde veio, onde está e para onde vai. Mostra-se acomodada a esta suposta condição de ignorância. Mas os poucos que se interessaram pelo autoconhecimento, obtido por revelações, acabaram por descobrir reamente a Essência una da Vida; contudo, como reagiu o mundo às verdades reveladas? Ou as ignorou ou ergueu estátuas para cultuar os mensageiros!

A Verdade comum a todas as revelações diz que Deus e homem são um! Esta é a "cisterna". E, como disse Cristo, muitos apenas a ficam rodeando, sem se darem conta de ser vital o radicalismo, em termos de aceitação, reconhecimento e identificação com o revelado.
 
"Não existe um ponto onde Deus começa e o homem termina. Aquilo que é visível, de nós, é Deus. Nós somos Deus tornado visível." Assim explica Joel S. Goldsmith. Jamais houve uma revelação tratando o homem como ser material, em evolução, ou separado de Deus.

Cada um de nós que radicalmente passa a se identificar com esta VIDA ESPIRITUAL UNA E PERFEITA está se contemplando "NA CISTERNA", deixando apenas de rodeá-la, abandonando para sempre o dualismo sem frutos e sem sentido, criação ilusória da suposta "mente carnal".

Jamais um mensageiro da Verdade se colocou como alguém superior ou inferior: a Vida é UNA! Algo acima da percepção humana constitui a real identidade eterna de cada um de nós, o nosso Ser verdadeiro! Este "Algo" não é matéria nem coisa alguma perceptível pela mente humana! Este "Algo" é Deus, a Vida una!  Deus sendo -  em unidade -  todos nós! Este é o Fato! Percebê-lo, espiritualmente, é a parte que cabe a cada um de nós!
 
 
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