"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quarta-feira, fevereiro 20, 2013

Sua Identidade Infinita

 
Allen White


Muitos, quando pensam em si mesmos, ou quando pensam sobre a própria identidade, confinam-se à forma corporal. Se pedirmos que se apontem, apontarão o próprio corpo. Com tal conceito finito de si mesmos, não é de se estranhar que a vida e a experiência destes aparentem ser tão limitadas! O antídoto ao que se mostra como limitado viver, está na REALIZAÇÃO DA IDENTIDADE INFINITA.

Quando você diz com compreensão (como fez Jesus), "Eu e o Pai somos um", elimina todo o conceito de um eu finito. Você entende que sua Identidade Infinita não está confinada a uma forma chamada Corpo; antes, você se compenetra de que seu Corpo está incluso em sua Identidade Infinita.

O seu "Eu" é sem fronteiras. O seu "Eu" é ilimitado e inconfinado. O seu "Eu" é Onipresente. Há somente o UM. Este Um é Infinitude em Si. Este Um é o "Eu" que você é.

Não creia nisso só porque eu escrevi. Leve o assunto à sua própria Consciência (Deus). Indague se é verdadeiro. Ouça a resposta. Não se deixe desapontar esperando pela resposta a ponto de criá-la de você mesmo.

Uma vez descoberto seu Eu infinito (ou mesmo antes), contemple-o assiduamente e verá sua vida "se expandir", sem nenhum esforço, em surpreendentes maneiras de evidenciar o seu Eu infinito.


 

segunda-feira, fevereiro 18, 2013

Leis para a materialização dos bons desejos

 
  Baird T. Spalding
 
  
Na manhã, depois do desjejum, ficamos sabendo que nossa hospedeira e duas outras damas estavam para nos acompanhar ao templo, naquele dia. Assim que deixamos a casa, dois homens se juntaram ao grupo. Um deles disse à nossa hospedeira que havia uma criança doente na aldeia e que essa criança estava pedindo a presença dela. Nós acompanhamos os homens até a residência da criança e observamos que ela estava muito enferma. A nossa hospedeira caminhou para frente e segurou as mãos da doente. A mãe colocou a criança nos braços dela. Instantaneamente o rosto da pequerrucha se iluminou. A seguir a criança aconchegou-se por um momento e poucos minutos depois adormeceu. A nossa hospedeira devolveu a criança à mãe e nós retomamos o caminho do templo. Em caminho ela observou: “Ó, se ao menos este querido povo pudesse ver e fazer este trabalho por si mesmo, ao invés de depender de nós! Seria muito melhor para essa gente. Assim como estão as coisas, o povo nos deixa inteiramente sós, até que alguma emergência apareça; então, chamam por nós, o que é perfeitamente correto, exceto que isso não lhes dá confiança alguma em si mesmos. Nós preferimos ver a todos autoconfiantes; mas são todos como crianças sob todos os aspectos”.
 
Há este tempo, tínhamos chegado ao pé da escada. Subimos e nos encontramos num túnel. Os dois homens nos acompanharam. Como este túnel corria através da rocha viva, era natural supor que ele deveria ser escuro. Mas estava suficientemente iluminado para nos permitir ver os objetos até uma considerável distância à nossa frente; e a luz parecia estar ao nosso redor, de modo que não havia sombras. Nós tínhamos notado isto, no dia anterior, mas ninguém tinha feito comentário algum a tal propósito. Depois de fazermos perguntas, fomos informados de que a luz estava ao nosso redor, exatamente como ela parecia estar; e de que, quando não havia ninguém no túnel, este ficava às escuras.

(A narrativa continua, enquanto os visitantes são colocados a par sobre a região de Gobi e do antigo império Uigur, nas regiões himalaicas). E segue: Enquanto voltávamos para a primeira sala, nosso Chefe perguntou se um desejo poderia ser satisfeito tão depressa ele fosse manifestado. A nossa hospedeira respondeu que, se o desejo fosse formulado na devida forma, seria satisfeito. Ela então prosseguiu, dizendo que o desejo é apenas uma forma de prece; que foi a verdadeira forma da oração que Jesus usara, vista como suas preces haviam sido ouvidas; que a prece, para ser ouvida, tem de ser autêntica; portanto, tem de ser científica e portanto, sendo científica, deve estar de acordo com a Lei Imutável.

Continuando ela disse: A Lei é: Como vós sabeis, a vossa prece será ouvida e sejam quais forem as coisas que desejais, quando orais, sabereis que a recebereis e então, vós a tereis. Se nós sabemos, positivamente que aquilo que já pedimos, já é nosso, ficamos sabendo que estamos agindo de acordo com a Lei. Se o desejo não é satisfeito, então verificamos que não soubemos orar. Devemos saber que a falha é nossa e não de Deus.

Portanto as instruções são: “Amareis ao Senhor, Vosso Deus, com todo o vosso coração, com toda a vossa alma, com toda a vossa mente e com toda a vossa força”. Agora ide mais profundamente, para o fundo último de vossa própria alma – não com pressentimentos, medo ou descrença e sim com um coração alegre, livre, agradecido, sabendo que aquilo que vos encontrais necessitado, já é vosso.

O segredo está em conseguir a compensação, obtendo a consciência de fato e conservando-a firmemente, jamais se desviando, ainda que a terra toda venha a se opor. “De mim mesmo nada posso fazer” Disse Jesus, “O Pai que mora em mim, Ele é que faz tudo”. Tende fé em Deus. Tende fé e não duvideis. Tende fé e não temais. Agora lembrai-vos de que não há limitação para o poder de Deus. Todas as coisas são possíveis.

Fazei uso de palavras positivas ao formular vossa solicitação. Não há nada, a não ser a perfeita condição desejada. Depois plantai em vossa alma a perfeita idéia-semente e somente ela. Agora pedi para manifestar saúde e não para serdes curados de doenças. Para expressardes harmonia e realizardes abundância e não para serdes libertados da desarmonia, da miséria e das limitações. Atirai isso fora, como jogais fora uma roupa velha. Elas são apenas coisas velhas e superadas, podeis dar-vos ao luxo de descarta-vos delas alegremente. Nem sequer vos volteis, para lançar-lhes mais um olhar. Elas estão perdoadas, esquecidas. Regressaram ao pó de que foram criadas. Elas agora são não coisas – nada. Enchei os espaços aparentemente em branco, ao vosso redor, com o pensamento de Deus, a Infinita Bondade. Depois, lembrai-vos que a palavra de Deus é uma semente. Ela tem de crescer.

Deixai o como, o quando e o onde a Deus. O vosso trabalho é tão somente, o de dizer o que quereis e o de distribuir bênçãos, sabendo que no momento em que pedirdes, recebereis. Todos os detalhes desta criação são os trabalhos do Pai. Lembrai-vos de que Ele realmente trabalha. Fazei fielmente a vossa parte, deixai e confiai a parte de Deus a Ele. Pedi, Perguntai. Afirmai. Dirigi-vos a Deus, para aquilo que desejais, então recebereis de Deus a satisfação do desejo.

Tende sempre em mente o pensamento da abundância de Deus. Se qualquer outro pensamento surge, deveis substituí-lo pelo de abundância de Deus e dai graças a ela. Agradeçais constantemente se necessário, pelo fato do trabalho ser efetuado. Não volteis de novo ao ato de pedir. Apenas dai graças e agradeçais que o trabalho tenha sido realizado – que Deus esteja trabalhando em vós – que vós estejais recebendo aquilo que desejais, porque vós desejais somente o bem, para que possais distribuir o bem a todos. Fazei com que isto se efetue em silêncio e em segredo. Orai ao vosso Pai em segredo e vosso Pai, que vê o segredo de vossa alma, vos compensará abertamente.

Quando a demonstração estiver completa, olhareis para trás, para o tempo dado com fé e o considerareis um dos vossos maiores tesouros. Vós tereis provado a lei e formareis idéia do poder de vossa palavra pronunciada com fé e louvor. Lembrai-vos de que Deus aperfeiçoou o Seu plano. Ele derramou e está continuamente derramando sobre vós, com amorabilidade e abundância, tudo o que é bom e toda coisa boa que nós podemos desejar. De novo Ele diz: “Provai-me e vede se eu não abrirei as janelas do céu e não derramarei de lá tantas bênçãos, a ponto de não haver espaço para recebê-las”.
 
E as cinco etapas da invocação para a materialização do bom desejo são ditas:
 

Pai Nosso

 Eu me mantenho continuamente com os meus olhos fixos em Vós, Ó Pai, não tomando conhecimento de coisa alguma além de Vós, Ó Pai e eu nada vejo a não ser Deus em todas as coisas. Eu me conservo firme na Montanha Sagrada, sem tomar conhecimento de coisa alguma, a não ser do Vosso Amor, da Vossa Vida e da Vossa Sabedoria. O Vosso Espírito Divino perpassa por todo o meu ser, sempre. Ele circunda, abundando dentro de mim e fora de mim sempre. Eu sei, Pai, que isto não se dá comigo apenas, isto se dá com todos os vossos filhos. Eu sei, Pai, que nada tenho a não ser aquilo que eles têm e que não há nada a não ser Deus para todos. Eu vos agradeço.
 

Com todo meu coração

 No íntimo do meu ser, Pai, eu sou uma só pessoa Convosco e eu Vos reconheço como sendo o Pai de tudo. Sois Espírito, Onipresente, Onipotente, Onisciente. Sois Sabedoria, Amor e Verdade, a Força, Substância e Inteligência, das quais e por meio das quais, todas as coisas são criadas. Vós sois a Vida do meu espírito, a Substância da minha alma, a Inteligência do meu pensamento. Eu estou Expressando-vos em meu corpo e nos meus assuntos. Vós Sois o Começo e o Fim, o Verdadeiro Todo do Bem e do Bom que eu consigo expressar. O desejo de meu pensamento, que se encontra implantado na minha alma, está sendo avivado pela Vossa Vida em meu espírito e na inteireza do tempo, através da lei da Fé, ele é trazido à visibilidade na minha experiência. Eu sei que o bem que eu desejo, já existe em Espírito, em forma invisível e que espera apenas que a Lei se cumpra para se tornar visível. Eu sei que já o tenho.
 

Com toda minha alma

 As palavras que eu agora pronuncio, delineiam para Vós, meu Pai, aquilo que eu desejo. Como semente é plantado no solo da minha alma e cuidado pela Vossa ativação da vida em meu espírito. Tem de vir-a-ser. Eu permito que apenas o Vosso Espírito, Sabedoria, Amor e Verdade entre em minha alma. Só desejo aquilo que é bom para todos e eu agora Vos peço, Pai, que o façais vir-a-ser. Pai que estais em mim: Peço para expressar Amor, Sabedoria, Fortaleza e um corpo de Luz de Juventude eterna. Peço para realizar Harmonia, Felicidade e Abundante Prosperidade, para que eu receba a compreensão diretamente de Vós, a respeito do método que partindo da Substância Universal, crie aquilo que satisfaça todo bom desejo. Isto não é para o meu eu, Pai, é para que eu possa ter o conhecimento que me permita ser útil a todos os Vossos filhos.
 

Com toda a minha mente
 
 Aquilo que eu desejo já se encontra em forma visível. Eu formo na mente, somente aquilo que desejo. Assim como a semente começa o seu crescimento por baixo da terra, na quietude e na escuridão, assim também o meu desejo, agora, toma forma no reino silencioso, invisível de minha alma. Entro em meu quarto e fecho a porta. Tranqüilo e confiante, eu agora sustento o meu desejo em mente, como se já estivesse realizado. Pai: Eu agora espero a perfeita realização exterior do meu desejo. Pai que estais em mim: Eu Vos agradeço pelo fato de agora, no invisível, a satisfação do meu desejo se encontrar sempre assegurada e eu sei que Haveis derramado, amorável e abundantemente, para todos os Vossos filhos, uma verdadeira abundância do Vosso Tesouro, que Haveis satisfeito todo bom desejo da minha vida, que poderei partilhar do Vosso opulento suprimento, que possa perceber a mesma coisa e que seja lá o que for que eu venha a ter, deverei distribuir a fim de ajudar a todos os Vossos filhos. Tudo que eu tenho eu dou a Vós, Pai.
 

Com toda minha fortaleza

Nenhum ato, nenhum pensamento meu, negará que eu já tenha recebido em espírito, a realização do meu desejo e este é agora apresentado em perfeita visibilidade. Em espírito, em alma, em mente e em corpo, eu sou fiel ao meu desejo. Percebi o meu bem em espírito. Eu o concebi como sendo uma Idéia Perfeita em minha alma, e dei verdadeira forma de pensamento com meu desejo. Eu agora apresento em estado de visibilidade, de verdadeira manifestação, o meu Desejo Perfeito. Eu Vos agradeço, Pai, por ter eu, Amor, Sabedoria, Compreensão, Vida, saúde, Fortaleza e juventude eterna. Harmonia, Felicidade e Prosperidade Abundante, e o método de criar, da Substância Universal, aquilo que deve satisfazer todo bom desejo.

 Depois que nossa hospedeira falou, houve um silêncio profundo, por um momento, e a seguir ela continuou:

“Compreendei que se nada estiver concluído, e se o seu desejo não é agora visível, a falha está dentro de vós mesmos e não em Deus. Não volteis novamente à solicitação, mas como Elias, persisti, erguei bem alto a taça, para que ela seja enchida, rendei graças e agradecimento pelo que está sendo realizado agora embora todo pensamento mortal do erro vos acossem. Prossigais, prossigais, tudo está aqui, agora e acreditem-me, a vossa fé é recompensada, a vossa fé se transforma em sabedoria”.
 
Vamos supor que é gelo o que desejais. Será que começaríeis proferindo a palavra 'gelo' em todo vosso redor, indiscriminadamente? Se fizésseis isso, dispersaríeis as vossas forças em todas as direções e nada resultaria para vós. Deveríeis em primeiro lugar, formar uma imagem mental daquilo que desejais. Mantende essa imagem na mente, o tempo suficiente para defini-la. A seguir, deixai inteiramente de lado essa imagem e olhai diretamente para a Substância Universal de Deus.

Sabeis que essa substância é uma parte de Deus e portanto uma parte de vós mesmos, e que nessa Substância há tudo quanto precisais. Deus vos está proporcionando esta Substância, exatamente no mesmo ritmo em que vós podeis usá-la e que vós podereis nunca esgotar o suprimento. Depois sabeis que quem quer que seja que criou esse suprimento, o extraiu da mencionada Substância, seja que o tenha feito conscientemente ou inconscientemente.

 Agora, com vosso pensamento e a vossa visão concentrados no Átomo Central, que é Deus, conservai esse Átomo, até que consigais imprimir nele o vosso desejo. Vós abaixareis a vibração desse Átomo até que Ele se torne gelo. Então todos os átomos que circundam aquele, se apressarão a obedecer ao vosso desejo. A vibração deles será reduzida, até que eles adiram a partícula central e num instante, vós tereis gelo. Vós nem sequer precisais de água alguma ao vosso redor. Precisais somente do ideal”.
 
 
Extraído do livro: “Vida e Ensinamentos dos Mestres do Extremo Oriente”
 
 

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

O Universo da Realidade


 Masaharu Taniguchi

 
(Sutra Sagrada - Chuva de Néctar da Verdade)
 
REALIDADE
 
"Prossegue anunciando o Anjo:

A Realidade é eterna, a Realidade não adoece,
a Realidade não envelhece, a Realidade não morre;
ao fato de conhecer esta Verdade se diz conhecer o
Caminho.

A Realidade, porque é universal, é chamada Caminho.
O Caminho está com Deus; Deus é o Caminho, é a
Realidade.

Aquele que conhece a Realidade,
aquele que vive na Realidade,
transcende a desintegração e será eternamente perfeição."

 
Anteriormente, explicando o que é a matéria, disse que ela é uma "onda" que se forma na superfície do mundo da Imagem Verdadeira, do mundo eterno. Não é possível agarrar as ondas, pois são inconstantes e mudam de forma sem parar. Quando pensamos "eis uma onda" e tentamos pegá-la, já não existe. Assim é o mundo da ilusão. A Realidade, pelo contrário, é a existência indestrutível e eterna; não é uma existência que morre ou desaparece. O mundo da Realidade é eterno.
 
(Em tom de leitura da sutra:) A Realidade não adoece, não envelhece, não morre. Ao fato de conhecer essa Verdade se diz conhecer o Caminho. A Realidade é chamada Caminho porque é universal e completa. O Caminho é a Vida que preenche o Universo. O Caminho está com Deus. Deus é o Caminho, é a Realidade. A Imagem Verdadeira que preenche o Universo e está com Deus é o Caminho. A imagem Verdadeira é Deus, Deus é o Caminho, e o Caminho é a Imagem Verdadeira. São a mesma coisa. O mais importante é compreender que a Grande Vida (a Imagem Verdadeira) que preenche o Universo e que é a Realidade, constitui ao mesmo tempo a nossa própria Imagem Verdadeira. Na Imagem Verdadeira também somos a Realidade e nos identificamos com Ela, o Caminho que preenche o Universo, isto é, com Deus.
 
A Realidade, até agora considerada apenas um conceito abstrato e objeto de especulação filosófica, esteve confinada numa torre de marfim como algo que nada tem a ver com nossa vida. É por essa razão que o budismo, apesar de ter pregado a Verdade com termos filosófico de nível bastante elevado, não conseguiu aplicá-la na vida prática. A Realidade, contudo, não é mero conceito filosófico. Ela é tudo que existe vedadeiramente.  O que existe é somente a Realidade. Nada existe além dela. A Realidade - isto é, Deus - é tudo. Portanto, se algo existe, isso é Deus, é a Realidade. E a Realidade - Deus - é o nosso Eu Verdadeiro. Este corpo carnal, limitado, cheio de defeitos, destinado a perecer, não é a Realidade. Se ele parece ser, é porque não passa de projeção de nossa mente que não é existência verdadeira. Não devemos confundí-lo com o nosso Eu. O que está sentado aqui é projeção de nossa mente. Nossa Imagem Verdadeira é Realidade eternamente indestrutível. Nosso Eu é um com a Grande Vida que preenche o Universo. (Apontando para si mesmo com o indicador:) Eis a Grande Vida universal! (Apontando para o público:) Os senhores próprios devem conscientizar: "Sou a Grande Vida Universal"! Precisamos conscientizar que somos a Realidade, a Grande Vida universal.
 
Como já disse, é fundamental que o homem desperte para o fato de que, na Imagem Verdadeira, ele é um com a eterna Verdade que preenche o Universo, um com Deus. Por considerar o homem e a Realidade (Deus) como existências isoladas uma da outra é que até uma grande religião acaba se tornando mera filosofia e perde a força para salvar efetivamente as pessoas. O que vivifica realmente o mundo e a vida prática é a conscientização acompanhada de sentimento: "Sou um com a Realidade, um com Deus!". Isso explica por que a Seicho-No-Ie, pregando a mesma Verdade apregoada pelo budismo ou pelo cristianismo, consegue produzir inúmeros milagres. Pregamos a mesma Verdade, não de modo abstrato ou alheio à vida cotidiana, mas de modo que a Verdade se integre ao homem vivo na vida prática, partindo da premissa de que existe unicamente a Realidade. Em outras palavras, fazemos a perfeita união da Verdade com o homem, fazendo-o conscientizar "Sou a própria Verdade, a própria Grande Vida Universal!". Eis o segredo para fazer manifestar uma força efetiva na cura de doenças ou na transformação da vida cotidiana, pregando a mesma Verdade que as religiões tradicionais.
 
Deus - e somente Ele - existe verdadeiramente. Deus é tudo. Existe unicamente a Realidade, a Imagem Verdadeira. No entanto, muitas pessoas pensam que a ilusão existe, e por isso não conseguem manifestar a força da Imagem Verdadeira. Quando se adquire a convicção "a ilusão não existe, somente a Realidade existe, e a Realidade sou eu", manifesta-se uma força extraordinária que atua na vida prática. Viver dessa forma a Verdade no cotidiano é conhecer e viver o Caminho. Não basta só conhecê-lo. É preciso que o Caminho e nossa vida se integrem perfeitamente. Então o Caminho conhecido será automaticamente vivido - isto é, haverá a perfeita união entre o conhecimento e a prática.
 
A sutra diz: "Aquele que conhece a realidade, aquele que vive na Realidade, transcende a desintegração e será eternamente perfeição". Isto quer dizer que a Realidade é a Vida imortal, que jamais se extingue; é a Vida absoluta que existe desde o princípio sem começo até a eternidade sem fim. Obviamente, transcende o nascer e o perecer fenomênicos. É a Grande Vida absoluta, dinâmica, imperecível, eterna, sempre perfeita, que se mantém constantemente em estado impecável. Por isso, na sutra lê-se como segue:
 
"A Vida conhece a vida e não conhece a morte.
Vida é sinônimo de Realidade.
A Realidade não tem princípio nem fim,
não se extingue nem morre;
por isso, a Vida também não tem princípio nem fim,
não morre nem desaparece."
 
A Vida não tem começo nem fim. O que surge num determinado momento deverá perecer algum dia, mas a Vida não desaparece nem perece porque é eterna. A Seicho-No-Ie transcende tudo que é negativo tal como desaparecimento, perecimento ou treva e prega somente o que é positivo, razão pela qual a Verdade manifesta sua força para melhorar a vida na prática. Não estou, com isso, pretendendo depreciar outras religiões. O budismo, por exemplo, é um ótimo ensinamento. Sua doutrina, na essência, é maravilhosa, mas existem diferentes níveis no modo de transmití-la.  Para as pessoas de baixo nível de compreensão, pregam que "Já que o homem nasceu, terá de morrer". Esse tipo de pregação é dirigida às pessoas pouco evoluídas espiritualmente e que confundem a Vida com o corpo carnal, visível aos olhos. É o chamado "budismo do pequeno veículo" e é representado pela sutra Agon.
 
A sutra Kegon, que é mais elevada, prega a indinstição entre a mente, Buda e o mortal. É um ensinamento de nível mediano, segundo o qual o homem se torna Buda quando a mente desperta, ou um mortal, quando a mente se ilude. Tal ensinamento nos leva a concluir que nem Buda nem o mortal são seres constantes, pois são duas formas de manifestação da mente que, por sua vez, não tem uma natureza definida. Segundo esse pensamento, não somos nem Buda nem mortal: seremos Buda, se despertarmos; e seremos um mortal, se cairmos em ilusão. O homem seria então um ser indefinido, vago, sem identidade, que não é nem Buda nem mortal. Com tal pensamento, é impossível manifestar a força para ativar a vida prática. Uma pregação que não esclarece o que é a Imagem Verdadeira do homem não é capaz de vivificar concretamente a vida do ser humano. A Seicho-No-Ie não prega que o homem é um ser ambíguo que não se sabe o que é. Ela afirma categoricamente que o homem é filho de Buda, ou melhor, que a Imagem Verdadeira do homem é o próprio Buda. Se o homem não souber o que ele é, não saberá como viver. Mas, se compreender que ele é originariamente Buda, independentemente de despertar ou não, e que, portanto, jamais cai em ilusão, jorrará vigorosamente de seu interior a força para dinamizar a vida.  O budismo, apesar de sua filosofia profunda, não conseguiu salvar a humanidade porque deixou confusa a ideia do que seja o homem, sem distinguir se ele é Buda ou mortal. A Índia e a China, onde outrora se expandiu grandemente o budismo, decaíram porque se pregou que o homem é um ser indefinido, sem característica própria, que pode se tornar Buda ou mortal conforme sua mente desperte ou se iluda. Quem acredita em tal ensinamento só pode enfraquecer e degenerar.
 
A Seicho-No-Ie afirma direta e categoricamente que o homem, na Imagem Verdadeira, é Buda; que a ilusão não existe; que o homem não é um ser volúvel que se torna ora Buda, ora mortal, segundo a oscilação da mente; que tal mente não é existência verdadeira; que todos somos Budas desde o princípio. Fulminando assim a ilusão e afirmando categoricamente que somos Budas é que a religião se revigora e adquire força para transformar a vida.
 
Adjetvando a Vida (o homem) com palavras obscuras como "inascível e imperecível", não é possível despertar a capacidade latente. Somos Vida eterna e jamais perecemos. Na Seicho-No-Ie destruímos a ilusão com um só golpe de palavra: "A ilusão não existe!" e ostentamos a Vida. Afirmamos categoricamente que somos Vida infinita - isto é, Buda - que vive desde o passado sem começo até o futuro sem fim. Justamente por sermos Buda na Imagem Verdadeira, é que para nós não existe destruição nem ilusão. somente isto é Realidade, e tudo o mais é falsidade. Eliminamos tudo que não é existência verdadeira e afirmamos (apontando para si mesmo) "Sou Buda!". Assim, podemos inclusive conscientizar que dentro de nós existe a força infinita. A ilusão não existe! Sou Buda! O homem não é um ser fraco, atualmente em ilusão, que será Buda às custas de muitas orações. Tal homem jamais existiu. Somos Buda desde o princípio. Trazemos dentro de nós a infinita força búdica. Assim afirma a Seicho-No-Ie. O Buda indistinto da mente e da criatura não existe. Quando eliminamos tal Buda, tal mente e tal criatura e tudo o mais, verificamos que resta algo que não se elimina: é a Realidade, é o Buda eterno, que ao mesmo tempo constitui o nosso Eu verdadeiro.
 
Continuando:
 
"A Vida não está contida na escala do tempo, não está
contida na escala da caducidade;
 
o tempo, pelo contrário, está na palma das mãos da Vida, a qual
cerrada se torna um ponto e, aberta, se torna infinito.

Aquele que acredita ser jovem logo rejuvenescerá, e
aquele que se crê senil logo envelhecerá.

Também o espaço não é coisa que limite a Vida.
Pelo contrário, o espaço nada mais é que uma " forma
de reconhecer" criada pela própria Vida.

A Vida é senhor, o espaço é súdito.
Às corporificações das idéias emitidas pela Vida e
projetadas no espaço dá-se o nome de matéria.

A matéria é originalmente nada e não possui
autonomia nem força.

O que faz parecer que a matéria possua autonomia e
também força para dominar a Vida é a " distorção"
ocorrida na ocasião da passagem da Vida por aquela
"forma de reconhecer".

Vede corretamente a Imagem Verdadeira (Essência) da Vida, sem vos apegar
a essa "distorção".

Aquele que conhece a Imagem Verdadeira da vida transcende a
causalidade e alcança a liberdade harmoniosa da Vida,
que é originalmente sem distorções."
 
 
Aqui se explica o que é o tempo. Como a vida não tem começo nem fim e existe através do tempo infinito, dizemos que ela é eterna. Quando pensamos na Vida em termos de tempo, imaginamos um começo por associação de ideias, mas a Vida não teve começo nem terá fim. Como não há palavras adequadas para explicar algo que existe por tempo infinito, conformamo-nos com o adjetivo eterna. As palavras que usamos são destinadas a expressar os fatos fenomênicos, mas, como não existem outras, somos obrigados a usá-las para explicar a Essência. o que tentamos fazer metaforicamente. Se formos à origem do tempo, encontraremos o ponto-origem, onde já não existe o tempo. Esse ponto é absoluto e infinito e encerra em si todas as coisas, todo o Universo. Quando se fala em ponto, tem-se a impressão de que ele se situa em algum lugar do espaço, mas o ponto de que estou falando não ocupa espaço. Não existe palavras para explicar isso; só posso esperar que os senhores o compreendam através da iluminação. Tudo está contido nesse ponto adimensional, e este, por sua vez, se estende e abrange todos os seres de todo o Universo.
 
Nossa Vida é eterna, não tem começo nem fim, portanto, não morre. Entretanto, pensa-se que, com o tempo, o homem enfraquece, envelhece e morre. Mas o mundo dimensinoado pelo tempo, em que ocorre a morte, não é o mundo verdadeiro; é um mundo resultante da "distorção" que se verifica na ocasião em que a Vida atravessa a "retícula" de tempo e espaço. Segundo a Teoria da Relatividade de Einstein, o tempo é relativo, pois pode parecer longo ou curto. Quando estamos ouvindo uma história interessante ou fazemos algo agradável, sentimos que o tempo tem curta duração. E, quando estamos fazendo algo enfadonhos, sentimos que o tempo se escoa lenta e prolongadamente. Isso mostra que o tempo parece ter longa ou curta duração conforme o nosso estado psicológico. Podemos citar também o exemplo do sonho. Não raro, temos sonhos em que durante dezenas de anos trabalhamos, progredimos, enriquecemos, temos preocupações, tristezas e alegrias. Mas, quando acordamos, percebemos que sonhamos com tudo aquilo em alguns minutos. Em suma, o tempo tem duração longa ou curta segundo a nossa mente. Ele não é algo constante que existe de verdade. Logo, a Vida não está contida no tempo. Pelo contrário, ela é que possui o tempo na palma de sua mão. A Vida transcende o tempo e é eterna. Por isso está escrito: "A Vida não está contida na escala do tempo (...); o tempo, pelo contrário, está na palma das mãos da Vida, a qual cerrada, torna-se um ponto e, aberta, torna-se infinito".
 
O trecho acima ainda fala sobre o espaço: "Também o espaço não é algo que limite a Vida. Pelo contrário, o espaço nada mais é que uma 'forma de reconhecer' criada pela prórpia Vida. A Vida é senhor, o espaço é súdito". Esta é a explicação do espaço dada pela Seicho-No-Ie. Como diz o texto, a Vida é que comanda o espaço. É um erro pensar que a Vida seja dependente do espaço. Não é no espaço preexistente que nasce a Vida. Ao contrário, o espaço é uma "tela" produzida pela Vida. O Eu, que é o ponto central e origem do tempo e do espaço, produz vibração mental e a projeta como se fosse um holofote, e então parece que existe um espaço que se estende infinitamente. Não é que exista primeiramente o espaço para nele surgirem os mais variados seres. O Eu, que é o centro emissor de vibrações mentais, projeta-as diante de si através da lente mental e vê essa projeção como uma dimensão espacial. Isto é o espaço. Este, portanto, é uma dimensão projetada por nós mesmos.
 
Certo dia, li no jornal Yomiuri um artigo do pastor cristão Kiyozo Takemoto, que parece ter experiências de cura de doença pela fé. Entre outras coisa, o artigo dizia: "É natural que as doenças dos órgãos internos sejam curadas pela fé, mas ferimentos externos não se curam pela fé". Quanto a esse ponto, o respeitado pastor me decepcionou, pois demonstra não conhecer a Verdade de que tudo que ocorre no mundo exterior é projeção do mundo interior, isto é, da mente. Ele pensa que está sob o controle da mente apenas a parte interna do corpo e que a parte externa independe da mente. Não compreende que o mundo exterior é projeção da mente. Pensa que o homem é corpo carnal, que a mente está no cérebro e que a fé sentida por essa mente influi apenas na parte interna do corpo carnal. Na verdade, o espaço é constituido de vibrações mentais que se estendem partindo do ponto central chamado Eu. Portanto, somos o centro do espaço, centro do Universo; nós é que manifestamos todas as coisas no espaço ao nosso redor. Ao compreendermos isso, sentimos realmente que somos seres grandiosos.
 
Pode parecer estranho afirmar que cada um de nós é o centro do Universo, pois estaremos reconhecendo vários centros no Universos. Entretanto, isso não é nada estranho porque o Universo, sendo infinito, pode ter infinitos centros. Os senhores devem saber que a elipse, que é limitada, possui inúmeros centros. Então é natural que o Universo, que é infinitamente extenso/grande/vasto, tenha uma infinidade de centros. No infinito Universo (mundo) da Imagem Verdadeira, cada um de nós é o centro. Ao mesmo tempo, na Imagem Verdadeira somos um com a Grande Vida que rege o Universo. A elipse deixará de ser elipse se lhe faltar um dos centros situados no eixo. Da mesma forma, cada um de nós é um centro indispensável ao Universo e, juntamente com a Grande Vida, está regendo o Universo.
 
 
Do livro "A Verdade da Vida, vol. 21", pp. 76-88

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

À Imagem de Deus


Adam was created in the image of God
Dárcio Dezolt
 
"E disse Deus: "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança e ele domine sobre tudo". (Gênesis, 1:26)
 
 
Quando alguém começa a estudar o Absoluto,  é comum estranhar o princípio de que o Universo real é Perfeição Absoluta, e que todas as imagens visíveis são  ILUSÃO! Contudo, o princípio parte de Deus, das revelações divinas, de uma fonte outra que descarta inteiramente a limitada mente humana.

Foi sendo disseminada a "crença" de que "a perfeição original" do homem se alterou. Aceitá-la, é o mesmo que desmentir a Deus! Se Deus disse que fôssemos feitos à Sua imagem e semelhança, com capacidade de domínio sobre tudo, como acreditar que esta Obra divina tenha se modificado e,  não somente isto, mas que tenha se modificado para pior?

Como surgem os chamados "milagres"? Pela não aceitação das mudanças visíveis como reais e pela firme convicção de que A PERFEIÇÃO ORIGINAL continua presente e reinando sozinha, aqui e agora! A propósito, é esta a definição de "fé" que a Bíblia nos apresenta: "Ora, a fé é a certeza de cousas que se esperam, a convicção de fatos que não se veem." (Hebreus 11;1).

Allen White recomenda o seguinte:
 
 "Em prece, contemple a Verdade de seu próprio Ser, que é a própria Perfeição. Aceite esta Verdade como única realidade de sua Existência. Contemple a Perfeição como a única Presença e Poder. E mais, contemple a Perfeição como a única Manifestação visível."

Que significa estudar o Absoluto? Tomar esta atitude de endossar a Palavra de Deus; de não mais aceitar o testemunho da mente humana! Este radicalismo está expresso nas palavras de Jesus Cristo: "Não podeis servir a dois senhores".

No Evangelho de Tomé, encontrado no Egito em 1945, encontramos as seguintes palavras de Jesus: "Há muitos em volta da cisterna, mas não há nenhum na cisterna".

A humanidade aparenta estar hipnotizada, sem saber de onde veio, onde está e para onde vai. Mostra-se acomodada a esta suposta condição de ignorância. Mas os poucos que se interessaram pelo autoconhecimento, obtido por revelações, acabaram por descobrir reamente a Essência una da Vida; contudo, como reagiu o mundo às verdades reveladas? Ou as ignorou ou ergueu estátuas para cultuar os mensageiros!

A Verdade comum a todas as revelações diz que Deus e homem são um! Esta é a "cisterna". E, como disse Cristo, muitos apenas a ficam rodeando, sem se darem conta de ser vital o radicalismo, em termos de aceitação, reconhecimento e identificação com o revelado.
 
"Não existe um ponto onde Deus começa e o homem termina. Aquilo que é visível, de nós, é Deus. Nós somos Deus tornado visível." Assim explica Joel S. Goldsmith. Jamais houve uma revelação tratando o homem como ser material, em evolução, ou separado de Deus.

Cada um de nós que radicalmente passa a se identificar com esta VIDA ESPIRITUAL UNA E PERFEITA está se contemplando "NA CISTERNA", deixando apenas de rodeá-la, abandonando para sempre o dualismo sem frutos e sem sentido, criação ilusória da suposta "mente carnal".

Jamais um mensageiro da Verdade se colocou como alguém superior ou inferior: a Vida é UNA! Algo acima da percepção humana constitui a real identidade eterna de cada um de nós, o nosso Ser verdadeiro! Este "Algo" não é matéria nem coisa alguma perceptível pela mente humana! Este "Algo" é Deus, a Vida una!  Deus sendo -  em unidade -  todos nós! Este é o Fato! Percebê-lo, espiritualmente, é a parte que cabe a cada um de nós!
 
 
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sábado, fevereiro 09, 2013

Matéria: a "sombra" da mente fenomênica (2/2)

Masaharu Taniguchi


O corpo carnal não passa de "sombra" da mente. Isso não é teoria, é fato. O corpo carnal é algo que desaparece com o tempo e pode até já estar abandonado pela substância que o sustenta. É por isso que o budismo prega que todos os fenômenos, inclusive o eu fenomênico, são fugazes. Entretanto, o homem carnal, o eu fenomênico, que é efêmero é o falso homem, e não o homem verdadeiro. Esta compreensão é de importância capital. Vendo apenas o corpo carnal e considerando-o como o homem verdadeiro, é natural que se chegue à conclusão de que o homem é um ser efêmero. O homem carnal é de fato efêmero, pois pode ser que já tenha se extinguido há um mês no mundo mental. Nossos corpos físicos, que estão aqui, podem ser "sombras" da força inercial da vibração mental já extinta.

A Seicho-No-Ie prega que o corpo carnal é inexistente desde o princípio. O corpo carnal (ou matéria) não é algo que um dia irá desaparecer; ele é inexistente desde o princípio! Se fosse algo que existisse e que irá desaparecer, poderíamos dizer que é efêmero. Na verdade, o que pode desaparecer é inexistente desde o princípio; logo, o desaparecimento de algo inexistente não constitui um fato triste. A sutra budista Vimalakirtinirdesa diz que "o corpo carnal surge da ilusão". Isso é correto, pois este corpo não é projeção direta do pensamento da Imagem Verdadeira (Deus), mas do "pensamento ilusório", que distorce e delimita a imagem projetada pela Imagem Verdadeira. E o que é ilusório, isto é, o que não é existência verdadeira, não tem outra alternativa senão desaparecer.

Disse anteriormente que nosso pensamentos são comparáveis às ondas que se formam na superfície do mar. Ondas não existem originariamente; sem vento, elas não se formam. Quando o vento sopra e levanta ondas, estas parecem existências sólidas. Porém, quando tentamos pegá-las, elas se deformam e desaparecem. assim também são os pensamentos, que não podem ser agarrados, por mais que o tentemos. E, quando pensamos que agarramos um, ele não existe mais. Se perseguirmos e tentarmos agarrar o que não é existência verdadeira, é porque os nosso sentidos estão iludidos; porque consideramos existente o que não existe originariamente. Vendo o homem carnal, que é a imagem do homem-Imagem Verdadeira refletida nas "ondas" mentais inconstantes (tal qual a imagem da lua cheia refletida distorcidamente nas ondas do mar), pensamos que essa é a nossa verdadeira imagem. É por isso que nos consideramos seres efêmeros e ficamos pessimistas. Entretanto, nossa Imagem Verdadeira não é o corpo carnal, imperfeito como a lua refletida nas ondas. Nossa Imagem Verdadeira é sempre perfeita, assim como a Lua é sempre redonda, independentemente de sua imagem refletir-se deformada nas ondas ou parecer incompleta nas demais fases que não o plenilúnio. Não é possível encontrar o Eu verdadeiro na imagem refletida (no homem carnal), que muda de aspecto constantemente, assim como é impossível encontrar a Luz redonda no espelho das águas inconstantes. Mesmo que a Luz refletida nas ondas esteja deformada ou fragmentada, a Luz verdadeira é sempre redonda e perfeita. Mesmo que o homem carnal seja imperfeito, o homem verdadeiro é perfeito e indestrutível.

Quando compreendemos isso, não podemos mais dizer que o homem é um ser efêmero. O homem verdadeiro jamais pode ser efêmero. Mas, enquanto considerarmos o corpo como sendo o homem, teremos de nos lamentar, dizendo que a vida é efêmera e que todos os seres vivos devem morrer. Entretanto, o que morre é algo que está morto desde o princípio, é inexistente desde o princípio; é natural que morra, pois é algo que surgiu do nada por meio de pensamentos iludidos. O que perece é inexistente desde o princípio. Nosso corpo carnal é algo que inexiste desde o princípio, e é natural que pereça. O desaparecimento de algo originariamente inexistente não é nem um pouco triste; é fato óbvio; não passa de retorno ao seu "nada" original. Ao saber que o corpo carnal é "inexistente", poderá alguém sentir-se inseguro, mas isso é porque ainda tem apego a algo que é inexistente (corpo carnal). Enquanto pensarmos que o corpo carnal seja o homem, será inevitável nos sentirmos inseguros. Mas, se compreendermos que o homem verdadeiro não é este corpo, mas um ser eterno e indestrutível, não nos sentiremos inseguros nem tristes.

A Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade diz que "A matéria é afinal o 'nada' e nela não existe qualidade inerente". Com as explicações dadas até agora, creio que entenderam que este corpo carnal (material) é projeção da mente, portanto "nada", mas poderão ter a seguinte dúvida: "E essas cadeiras, as roupas que vestimos e as vigas deste templo? Elas existem concretamente, por mais que neguemos a existência da matéria. Será que podemos simplesmente dizer que essas coisas também são meras aparências?". Então pergunto: como surgiram essas vigas? As madeiras foram feitas pela mente das árvores. Em outras palavras, são materializações da mente dar árvores, e se manterão enquanto perdurar a força inercial dessa mente. E com a participação da mente do homem, que fez a planta desta construção e desbastou as madeiras, surgiram essas vigas. Podemos, então, dizer que essas vigas foram feitas pelo trabalho conjunto da mente das árvores e da mente do homem. Enquanto moramos numa casa, cuidamos dela; mas, quando a desocupamos, nossa mente a abandona, e então ela começa a se arruinar rapidamente. As vigas deste templo também estão mantidas pela mente das pessoas que utilizam este imóvel. Por isso, quando desaparecer a mente que conserva o imóvel, as vigas também começarão a se destruir. Uma casa abandonada se arruína mais depressa porque nela não habita uma mente que a queira conservar.

No inverno, usamos o braseiro. Todos no Japão o usam. Mas, no verão, ninguém pensa em usá-lo, e consequentemente ele desaparece de nossa vista. Isto é, quando desaparece a mente que precisa do braseiro, este também desaparece. Os senhores poderão argumentar que o braseiro não deixa de existir, ficando apenas guardado na despensa. Realmente, ele fica na despensa, sem ser destruído, porque sua existência é mantida pela mente (pensamento): "Vou precisar dele quando voltar o frio". No verão, ele está fora do nosso campo visual porque foi afastado pelo pensamento "Agora ele não é necessário porque é tempo de calor" e é mantido na despensa pelo pensamento "Ele será necessário quando chegar o inverno". Se, no entanto, mudar o clima da Terra de tal modo que não faça mais frio, a mente da humanidade não se interessará mais por braseiros. Por conseguinte, não serão mais fabricados, e os atualmente existentes serão descartados e eliminados gradativamente. Eles não desaparecerão de repente. Mesmo após o desaparecimento da mente (pensamento) que criou e mantém os braseiros, estes continuarão a existir por algum tempo, sustentados pela força inercial daquele pensamento. Por isso se diz que a matéria é projeção da mente, é "nada".

Segundo a ciência, a matéria é constituída de elétrons. E que são elétrons? São partículas surgidas do éter (éter seria uma substância hipotética que estaria preenchendo o Universo e seria a responsável pela condução da luz e das ondas eletromagnéticas) e que formam turbilhões. E que é o éter? Os cientistas também não sabem explicá-lo. Uns negam a sua existência. Como o éter é invisível, impalpável, inodoro e inidentificável, podemos dizer que ele é o nada. Mas, como a ciência não pode admitir que os elétrons surgem do nada, a este deram o nome de éter. Se a matéria é formada pela união de elétrons, devemos admitir a existência de uma força capaz de provocar turbilhões a partir do nada e agrupá-los de modo a formar a matéria. O que cria turbilhões a partir do nada é a mente de Deus. Essa mente utiliza o "nada" como matéria-prima para criar um infinidade de formas no Universo. Por isso digo que a matéria é projeção da mente.

O general Hiçamura, que foi diretor do Centro de Pesquisas Científicas do exército japonês, tem um filho chamado Kei-iti. Este veio certo dia à Seicho-No-Ie e relatou um fato interessante. Certa noite, ele sonhou com o velório de uma jovem parente sua. Três dias depois, ela de fato morreu e, quando o jovem foi ao velório, teve uma surpresa: a posição do caixão, a disposição dos móveis e as pessoas presentes eram exatamente iguais às do sonho. Isso quer dizer que, três dias antes, no mundo mental, não só havia ocorrido a morte da moça, como também estava determinado quem iria ao velório e como se disporiam as pessoas e os móveis. Aparentemente, as pessoas foram ao velório por sua livre e espontânea vontade naquele dia, mas, na verdade, isso já estava consumado no mundo mental, isto é, no filme mental.

Frequentemente recebo cartas de adeptos relatando que as coisas desejadas apareceram como que por encanto. Por exemplo, quando desejaram biscoitos ou maçãs, alguém os trouxe inesperadamente. Algumas pessoas poderão achar isso estranho, misterioso ou impossível, mas é um fato normal. Se os fatos do mundo material são projeções de fatos criados no mundo mental, não é nada estranho que maçãs gravadas no filme mental se projetem na tela deste mundo. Para compreender isso, é preciso antes entender que este mundo fenomênico não passa de "sombra da mente".

"Mas a ideia de que tudo é projeção da mente não levaria o homem a desprezar a vida terrena e a se tornar inativo? Acho que não está certo menosprezar assim a realidade material", poderá alguém assim retrucar. Respondo que "compreender que a matéria é nada" não é desprezar o mundo material. Pelo contrário, quanto mais compreendemos que este mundo visível não passa de "imagem" projetada (efeito), e quanto mais corrigirmos o filme mental (a causa) dessa "imagem", mais perfeita se tornará a imagem projetada, refletindo cada vez mais a perfeição da Imagem Verdadeira, conforme desejarmos. Se, ao contrário, pensarmos que este mundo fenomênico é existência verdadeira e nos prendermos a ele, seremos seus prisioneiros e perderemos a liberdade. Por exemplo, enquanto considerarmos essa parede uma existência sólida, inabalável, ela será um obstáculo para nós e não conseguiremos atravessá-la. Da mesma forma, se encararmos todos os fatos como algo inflexível, teremos visão fatalista e pessimista da vida. Se trocarmos esse filme pessimista por um filme otimista, o mundo se modificará de modo favorável a nós, tornando-se um lugar extremamente agradável de viver. Portanto, longe de desprezar o mundo fenomênico, passamos a controlá-lo livremente, conforme nosso gosto, quando assimilamos o princípio que rege este mundo, isto é, a Verdade de que o mundo fenomênico é projeção da mente.
 

Do livro: "A Verdade da Vida, vol. 21", pp. 65-72

quarta-feira, fevereiro 06, 2013

Matéria: a "sombra" da mente fenomênica (1/2)

Masaharu Taniguchi


"Não tomeis por Realidade
a matéria que percebeis através dos sentidos.
A matéria não é a substância das coisas,
não é Vida,
não é Verdade;
na matéria em si não existe inteligência,
nem existe sensibilidade.
A matéria é afinal o "nada" e nela
não existe qualidade inerente.
O que atribui qualidade à matéria é a mente e,
somente ela."
(Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade)


Este trecho fala da "inexistência da matéria". Ao despertarmos para a inexistência da matéria, isto é, ao compreendermos que a matéria, que parece existente, não é existência verdadeira e não passa de projeção da mente, tornamo-nos livres em todos os sentidos e desaparecem todos os empecilhos. A matéria se torna um empecilho justamente porque pensamos que ela seja uma existência sólida, inflexível. Se compreendermos que a matéria é como a ilusão produzida por um ilusionista e nós próprios nos tornarmos ilusionistas, este mundo tornar-se-á flexível e maleável.

Normalmente, as pessoas consideram existência verdadeira os objetos materiais que percebem através dos sentidos. Por exemplo, vendo uma cadeira ou o seu próprio corpo carnal, pensam que eles existem verdadeiramente, de modo absoluto. Entretanto, elas estão enganadas. A matéria, que é perceptível aos sentidos, não é substância, não é essência, não é a coisa em si. Na matéria - por exemplo, na cadeira em que estou sentado ou nos pilares deste templo - não existe Vida. Na matéria em si não está a Verdade. A matéria em si não possui nem inteligência, nem sentidos, nem consciência. Se não a reconhecermos ela não existirá. Poderá alguém dizer que a matéria existe independentemente de a reconhecermos ou não, e até mesmo em nossa ausência. Mas os espectros podem atravessar paredes e entrar num aposento hermeticamente fechado. O mundo dos espectros é constituído de um outro tipo de vibração mental (frequência diferente), motivo pelo qual eles não reconhecem a matéria; logo, a matéria não existe para eles. É por isso que eles atravessam paredes e penetram num aposento que para nós parece hermeticamente fechado. Esse fato nos ajuda a compreender que a matéria, como diz a sutra sagrada, é "nada"; ela não é uma existência sólida que possua natureza própria.

Ontem, um visitante me pediu para explicar de modo facilmente inteligível a inexistência da matéria, pois ele achava muito difícil de entendê-la. Para explicar que a matéria é mera projeção da mente, disse-lhe: "Parece que a morte ocorre no momento em que o corpo carnal fica inerte, mas, na verdade, a pessoa já está morta uns dias antes, no mundo da mente", e citei três exemplos, dos quais apresento um: Certa noite, quando o couraçado Kawáti navegava pelas costas da província de Aomori, alguns tripulantes que estavam no convés viram uma bola de fogo (*nota: Na mitologia xintoísta japonesa, acredita-se que uma bola de fogo aparece quando morre alguém) aparecer perto de um canhão. Foram até lá, mas não encontraram nada de anormal. No navio não havia nenhum morto nem moribundo. Entretanto, após uns dias, um marinheiro morreu prensado no mesmo canhão, de onde partira a bola de fogo. Isso significa que, no mundo da matéria, o marinheiro morreu no momento em que foi prensado pelo canhão, mas, no mundo da mente, a sua morte havia ocorrido antes, quando apareceu a bola de fogo.

Eu disse "mundo da mente" e, a propósito, peço aos senhores que não o confundam com o mundo da Imagem Verdadeira, que é bem diferente. Neste caso, "mente" significa pensamento. Numa comparação, a mente corresponde às ondas que se formam na superfície do mar, o qual, por sua vez, corresponde à Grande Vida.

A Sutra Sagrada, no capítulo intitulado "Deus", diz: "Deus, ao criar todas as coisas, (...) cria unicamente com a Mente". Nessa citação, "Mente" (com "m" maiúsculo) é a mente-Imagem Verdadeira, é a mente que existe verdadeiramente, é a mente verdadeira, é a Mente de Deus. Portanto, o mundo da Imagem Verdadeira, criado por Deus e constituído pelas ideias de Deus, é um mundo sumamente belo, sublime e harmonioso. Além do mundo da mente e do mundo da Imagem Verdadeira, "existe" um mundo projetado pela mente em ilusão, que é este mundo visível aos olhos carnais. Eu disse que ele "existe", mas não é existência verdadeira, sendo apenas manifestação (aparência). Tudo que ocorre no mundo material é primeiramente formado no mundo mental e depois projetado no mundo visível. Em outras palavras, este mundo fenomênico é projeção imperfeita do mundo da Imagem Verdadeira, porquanto este último é encoberto e distorcido pelos pensamentos errôneos do homem. Referindo-se a isso, o budismo prega que este mundo é produto de ilusão e que, portanto, não passa de ilusão.

Bem, voltando ao caso do marinheiro, devo esclarecer que não foi no mundo da Imagem Verdadeira (mundo da primeira criação, realizada pela Mente e Sabedoria de Deus) que ele morreu prensado pelo canhão, mas no mundo mental (mundo da segunda criação, realizada pela mente do homem) uns dias antes de morrer fisicamente. O mundo da Imagem Verdadeira é de suprema perfeição, e, portanto, nele jamais ocorrem acidentes nem existem homens prensáveis por um canhão. Quero deixar bem claro que aquilo que chamo de "mundo mental" não é o mundo da Imagem Verdadeira.

Tudo que acontece neste mundo visível é manifestação daquilo que já ocorreu no mundo mental. Isto quer dizer que a destruição que ocorre no mundo visível é projeção da destruição que já ocorreu no mundo mental. Alguém poderia indagar: "Então, uma desgraça já consumada no mundo mental manifestar-se-á inevitavelmente neste mundo material? Não haveria alguma maneira de impedi-la?". Há, sim. O fato pode ser corrigido pela ação de pensamentos positivos antes de se concretizar no mundo material. Como exemplo, podemos citar a terapia à distância e a terapia direta, que consistem na transmissão de pensamentos positivos ao paciente a fim de corrigir suas falhas mentais. Não fazemos mentalizações positivas para transformar o corpo carnal, a matéria em si, visível aos olhos. Já que doenças e infelicidades são projeções ou materializações de desajustes mentais, corrigindo-os no plano mental, serão corrigidas automaticamente as consequentes manifestações materiais.

O volume 9 da coleção A Verdade da Vida cita a jovem médium Reine que profetizara a Primeira Guerra Mundial antes que esta se concretizasse no plano material. essa jovem vira, através da clarividência, milhares de soldados sendo conduzidos de trem para o local de batalha, pilhas de cadáveres, milhares de feridos, cidades incendiadas e outras cenas que iriam acontecer. Isso nos faz compreender que a primeira Guerra Mundial era um fato inevitável, pois já havia acontecido no mundo mental antes de se concretizar no mundo das formas. Em uma outra sessão, Reine foi conduzida por um espírito chamado Vetterini a um plano bem elevado do mundo espiritual e lá deparou com uma cena curiosa: inúmeros espíritos elevados emitiam ondas parecidas com faixas reluzentes de pano branco, que eles agitavam incessantemente para enviar suas vibrações à Terra. reine quis saber do que se tratava, e Vetterini explicou que os espíritos elevados se esforçavam ao máximo para minimizar a extensão da tragédia da Grande Guerra que estava prestes a irromper na face da Terra. Isso quer dizer que, antes de se iniciar a guerra na Terra, já estava acontecendo uma "conturbação" no mundo mental. Em outras palavras, já estava rodado o "filme da tragédia" que iria ser projetado na tela terrena. E corrigir esse "filme" era a tarefa daqueles seres espirituais. Algo parecido com faixas reluzentes de pano branco que os espíritos elevados ondeavam eram vibrações de luz enviadas ao mundo mental para neutralizar as vibrações tenebrosas e corrigir o "filme da tragédia".

Esse é um caso de intervenção para atenuar tragédias, mas existem também casos em que os espíritos elevados enviam vibrações mentais de luz para minorar ou eliminar doenças. É um erro pensar que participam do nosso Movimento de Iluminação da Humanidade somente pessoas encarnadas. Dele participam também espíritos elevados que, do mundo espiritual, enviam vibrações mentais de auxílio e proteção. Por exemplo, quando um adepto da Seicho-No-Ie transmite aos semelhantes a Verdade que mal assimilou, muitas vezes ocorre a cura repentina de doença considerada incurável, sem que o enfermo também tenha compreendido bem a Verdade da inexistência da doença. Isso ocorre porque as poderosas vibrações mentais de luz enviadas pelos espíritos elevados destroem as vibrações mentais de ilusão.

Quando ocorre no mundo mental qualquer infelicidade que está para se projetar no mundo material, os espíritos elevados a percebem mais rapidamente do que os encarnados e, havendo na Terra um movimento como o de Iluminação da Humanidade para eliminar infelicidades, eles colaboram com esse movimento, enviando vibrações de luz e atenuando ou eliminando infelicidades. Há, por exemplo, casos de pessoas que, sem aina conhecer a Verdade, saem ilesas de um acidente automobilístico só pelo fato de alguém da família estar participando do movimento da Seicho-No-Ie. Nesse caso, o "filme" do acidente já estava feito no mundo mental, mas a última cena, em que ocorreria o ferimento, foi corrigida pelas vibrações mentais de espíritos elevados.

A filmagem mental de acidentes e a correção de filmes são feitas no mundo mental, e não no mundo da Imagem Verdadeira, pois neste não ocorrem nem fatos trágicos nem a correção desses fatos. Tampouco ocorrem doenças ou vibrações mentais para curá-las, nem vibrações para neutralizar as ondas mentais causadoras de doença. O mundo da Imagem Verdadeira é de tal forma perfeito e impecável. Nós próprios, com nossos pensamentos iludidos é que provocamos e criamos imperfeições no mundo mental e, como projeção disso, surgem neste mundo concreto fatos e situações imperfeitos. Creio que agora ficou claro que o mundo da Imagem Verdadeira é diferente do mundo da mente.

Deus do mundo da Imagem Verdadeira, isto é, Deus verdadeiro, absoluto, que é a Grande Vida universal, pode Se manifestar personificado como um salvador quando surge no mundo mental uma situação caótica, que irá se projetar no mundo material. Explicando melhor: quando por nossa própria conta, com nossas ilusões, criamos no mundo mental (que não é existência verdadeira) infelicidades ou conturbações e estas ameaçam se concretizar neste mundo visível, Deus absoluto, misericordioso, envia do mundo da Imagem Verdadeira vibrações de luz, as quais assumem a forma de divindades tais como Avalokitésvara (Kanzeon Bosatsu), Amida Buda, Krishna, Jesus, etc. Estes são personificações de Deus. Quando Deus assim personificado desencadeia um movimento de salvação da humanidade, participam dele os espíritos elevados e divinos do mundo espiritual, assim como na terra há participação de pessoas espiritualmente elevadas. A Deus absoluto chamamos de "Deus na primeira acepção", e a Deus personificado chamamos de "Deus na segunda acepção" (eles não são captados por médiuns porque não são espíritos); e a um espírito elevado ou divino chamamos de "Deus na terceira acepção". E é um espírito dessa categoria que às vezes se manifesta através de um médium, dizendo inclusive ser Deus absoluto.

Deus absoluto, sendo universal, está presente em toda parte, independentemente de chamarmos por Ele. Entretanto, quando a humanidade deseja ser salva e chama por Deus (ou Buda), Ele Se manifesta personificado como Amida Buda, Avalokitésvara, etc., conforme as circunstâncias, e, diante de Sua luz, as ilusões desaparecem automaticamente, assim como a treva, que não tem existência própria desaparece diante da luz do Sol. Repito que, quando Deus absoluto Se manifesta personificado, extinguem-se automaticamente as ilusões da face da Terra.

 
Do livro: "A Verdade da Vida, vol. 21", pp. 55-62
 

segunda-feira, fevereiro 04, 2013

Vendo sombra como nada

Dárcio Dezolt


Quem caminhasse pelas ruas,  olhando sua sombra se projetando pelo chão, que aconteceria caso se abaixasse e fosse tentar pegá-la? Você já tentou agarrar a sua sombra?  Mudemos a pergunta: Você já se esforçou para tentar "curar" sua sombra, vendo-a toda deformada pelo chão? Quantas vezes você se preocupou com as distorções mostradas em sua sombra? Já orou alguma vez para que sua sombra melhorasse de aspecto? Alguma vez você acreditou que sua sombra fosse viva? Ou que você estivesse nela, algo como que "ensombrado", e que lhe possibilitasse dizer: "Um dia eu me desensombrarei"? Já acreditou que você teria começado a existir quando sua sombra lhe  apareceu pela primeira vez? Você acharia complicado,  ou até "muito profundo",  levar em consideração que "o mundo das sombras" nunca teve vida, nem existência própria, e que é  puramente um "mundo de mentiras"? Tudo isso que está sendo dito tem grande importância, mas apenas se alguém compreender que lidar com "sombras" equivale a se lidar com "nadas".
 
 DEUS É TUDO! Assim diz o ensinamento absoluto! A Bíblia diz: "Deus é luz e nele não há trevas nenhumas" (I João, 1: 5). Que se pode deduzir disso? Que a REALIDADE É LUZ! Que "este mundo", em que imagens do bem e do mal se alternam diante de nós, é sombra. ESTE MUNDO É SOMBRA!  Como você lida com sombras?


"E esta é a mensagem que dele ouvimos e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas.
Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos em trevas,
mentimos e não praticamos a verdade"
(I João, 1: 5-6)
 
 
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domingo, fevereiro 03, 2013

Sinta-se familiarizado com o Reino de Deus

 
 Dárcio Dezolt
 
 
Muita gente medita, diz “buscar” o Reino de Deus, mas o faz como se estivesse em busca de um “sonho distante”, quase inatingível! Tais pessoas reclamam das dificuldades que as "crenças coletivas” criam para atrapalhar a chamada “busca”, e lidam com o “Reino de Deus” como se pudessem estar em qualquer “outro lugar”, menos onde elas já estão, ou seja, na Onipresença divina! Jesus disse: “Vosso Pai se agradou em dar-vos o Seu Reino”; portanto, meditar a partir de “dificuldade em buscar o Reino de Deus”, sem levar em conta que é da Vontade de Deus que nos vejamos donos dEle, é a ILUSÃO que cada um terá de descartar!
 
Medite como Filho de Deus, como herdeiro do Reino de Deus, como dono do Reino de Deus! Contemple estar agora nesta Realidade infinitodimensional que olhos humanos não alcançam nem veem! Não é o que Paulo nos revelou, ao afirmar que “em Deus vivemos, nos movemos e existimos”? Sinta-se, pois, familiarizado ao máximo com o Seu REINO! Você o recebeu com agrado de Deus! Pare de considerar o Reino de Deus como intangível, misterioso, algo destinado a meia dúzia de supostos iluminados! Tais crenças ilusórias devem ser varridas de vez de sua aceitação! Deus é SEU PAI; já deu a VOCÊ o Seu Reino todo, além de lhe revelar que VOCÊ VIVE NELE! A única coisa que lhe resta fazer é “conhecer esta Verdade”, e a “Prática do Silêncio” é seu momento de perceber que VOCÊ JÁ A CONHECE! E mais, que VOCÊ É A PRÓPRIA VERDADE CONHECIDA!



 

domingo, janeiro 27, 2013

Captando as vibrações mentais curativas do universo


Masaharu Taniguchi


O universo está repleto de vibração mental curativa, que na verdade é a grande força vivificante de Deus. Qualquer pessoa possui essa força dentro de si, a qual está ligada à vibração mental que preenche o Universo. Se a pessoa abrir a mente com docilidade e procurar receber a vibração mental curativa que preenche o Universo, a vibração mental curativa que se encontra no seu interior se intensificará, ganhará mais vigor e passará realmente a revelar o poder de curar.

A vibração mental curativa que se aloja no interior de cada individuo é comparável ao ar que se encontra no interior de um aposento: o ar encerrado num aposento está ligado ao ar externo, e tem o poder de nos vivificar; mas, quando ele fica poluído por gases tóxicos como o gás carbônico que expelimos, diminui o poder vivificante e é preciso renová-lo, abrindo portas e janelas do aposento para entrar ar puro. Da mesma forma, a força curativa que se encontra no interior do individuo está ligada ao poder curativo do Universo. Mas, se a sua mente não for dócil, pacifica e descontraída, e mantiver rancor, ódio ou temor em relação a alguém, estará embotando o poder curativo a força vivificante, assim como o gás carbônico polui o ar no interior de um aposento. É desse modo que as pessoas saudáveis se tornam doentes, e as que estão enfermas têm a sua recuperação retardada. Mas, abrindo a mente para purifica-la com a Grande Vida do Universo, restabelece-se o poder da força curativa interior e recupera-se a saúde, do mesmo modo que, abrindo o aposento, purifica-se o seu ar.

Reconhece que no seu interior está alojada uma força vital misteriosa? Essa força vital que se encontra dentro de você e a força vital que se encontra no interior do outro têm, ambas, a mesma origem: a força da Grande Vida. Isto pode ser comprovado através do fato de todos os seres humanos terem estomago intestino, coração, pulmões etc., com a mesma estrutura, em seus mínimos detalhes. Se considerarmos que, embora ninguém faça o corpo humano imitando um outro anteriormente existente, até mesmo a estrutura dos seus detalhes segue um principio único e constante, não poderemos deixar de reconhecer que a força vital não pode ser uma força isolada, individual, mas sim uma grande força comum a todos. A esta grande força vital comum a todos chamamos de Deus-origem de todos os seres. Como esse Deus-origem está alojado em nós, constituindo o nosso Eu verdadeiro, podemos dizer “eu sou Deus”. Compreendendo que somos Deus e que temos dentro de nós a força da Grande Vida, sentimo-nos confiantes e tranquilos, o que possibilita a manifestação da força curativa em nós.
 
 

sábado, janeiro 26, 2013

Contemplando as Leis interiores

 
Joel S. Goldsmith


Não há necessidade de tentar dominar nossos sócios ou familiares. A lei interior mantém nossos direitos e privilégios. Todo desejo bom de nosso coração é agora satisfeito sem conflitos, sem receios ou dúvidas. Quanto mais aprendermos a relaxar e observar ligeiramente nossos desejos, mais rapidamente e facilmente serão satisfeitos. Não nos é solicitado que andemos sofrendo pela vida ou que lutemos sem descanso por algum bem desejado — embora tenhamos falhado em perceber a presença de uma lei interior capaz de determinar e manter nosso bem-estar material.

De início, pode nos parecer estranho perceber que leis interiores governem eventos materiais — e pode parecer difícil, de início, alcançar o estado de consciência em que tais leis do nosso ser profundo se tornam expressões tangíveis. Nós o alcançamos, contudo, na medida de nossa habilidade para relaxar mentalmente, para atingir uma paz e uma calma interiores, e a partir disso contemplar silenciosamente as revelações que nos vêm do nosso íntimo. A quietude e a confiança logo nos trazem à presença da realidade e das verdadeiras leis que nos governam.

Para que não surja em seu coração a pergunta de como uma lei atuante em sua consciência, sem esforço volitivo ou direção, possa afetar pessoas e circunstâncias externas, peço-lhe que observe o resultado do reconhecimento das leis interiores e que verifique isto pela observação.

Ainda teremos clara a percepção do fato de que abarcamos nosso mundo dentro de nós mesmos; que tudo o que existe, pessoas, lugares e coisas, vive apenas dentro de nossa própria consciência. Nunca poderíamos ter consciência de algo fora do reino de nossa própria mente. E tudo o que está dentro do nosso reino mental é alegre e harmoniosamente regido e mantido pelas leis interiores. Nós não dirigimos ou forçamos estas leis: elas operam eternamente dentro de nós e governam o mundo exterior.