"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quinta-feira, dezembro 13, 2012

O Salmo do Bom Pastor - 1/4

 Joel S. Goldsmith


O SALMO DO BOM PASTOR
(A confiança de Davi na Graça de Deus)


"O Senhor é meu Pastor: nada me faltará!
Em verdes prados faz-me repousar.
Ele me conduz a águas refrescantes;
reconforta minh'alma;
e guia-me pelo caminho da retidão,
por amor de Seu nome.
Ainda que eu andasse por um vale tenebroso,
não temeria mal algum,
porque Ele está comigo!
Seu bordão e sua vara me confortam.
Ele prepara uma mesa perante mim,
à vista de meus adversários.
Unge com óleo a minha cabeça;
meu cálice transborda!
Certamente que o amor e a graça
me seguirão todos os dias de minha vida
e habitarei na casa do Senhor para sempre!"


O PODER DO SALMO DO BOM PASTOR - MEDITAÇÃO SOBRE A PRECE

Só através da compreensão da prece, é que a atividade do Reino de Deus, Sua Harmonia e Totalidade, se convertem em experiência individual. Se a oração, tal como é geralmente entendida, fosse realmente oração, o mundo já estaria livre do pecado, da enfermidade, da morte, das guerras, da fome e da sede. Tudo isto e outras limitações humanas já teriam desaparecido da face da Terra, nos milhares de anos que ela tem sido ensinada e praticada. 

As escrituras nos dizem que se oramos e não recebemos resposta é porque oramos mal. A julgar por este preceito, há milhares de anos a humanidade vem orando equivocadamente. Cabe, então, perguntar: presentemente sabemos algo mais sobre a oração?
    
O desabrochar de um entendimento mais claro da oração tem sido lento. Até agora o progresso mais expressivo se deu na esfera dos problemas individuais. Quanto ao grande problema de trazer paz à Terra e boa vontade aos homens. . . ainda não foi resolvido.
    
Incumbe-nos, pois, dedicar todo o tempo que nos seja possível ao estudo da oração e à meditação sobre este tema. . ., até que cheguemos a conceitos mais elevados e profundos sobre ela.
    
Os resultados obtidos em nossa experiência é que nos dirão se estamos ou não, chegando a conclusões efetivas. O certo é que, ao fazer vibrar uma nota mais elevada na oração, teremos melhor saúde, prosperidade, desfechos mais seguros na ação diária e um maior grau de harmonia em nosso viver.

Quase sempre a oração tem consistido em palavras, declarações, repetições e citações. Mas a oração, em si, é sem palavras. Ela nada tem a ver com o sentido das palavras, seja uma petição, afirmação, negação ou qualquer outro gênero de palavras ou pensamentos. A rigor, a prece consiste em ALGO de que tomamos consciência, no silêncio; é a palavra de Deus revelada à nossa consciência.
    
Em outras palavras, a oração não é o que vimos conhecendo e praticando, mas um ESTADO DE RECEPTIVIDADE. De fato, a palavra de Deus não é o que nós exprimimos, senão o que Deus expressa em nosso íntimo.

Uma forma de meditação é refletir tranquilamente acerca de alguma ideia a respeito de Deus, pensando nela e até lendo-a em voz alta, durante um curto período de tempo. Depois nos pomos internamente receptivos e deixamos que a meditação nos venha de Deus. Melhor dito: é o Divino interno que vai meditar sobre a ideia. O humano apenas procura tomar consciência dos frutos dela.
    
No Preâmbulo de uma antiga edição da Bíblia, lemos: "Acaso o Reino de Deus se converteu em meras palavras ou sílabas? Por que devemos ficar limitados ao sentido literal, se somos livres?"
    
O Reino de Deus pode ser expresso em palavras ou em sílabas? Não! O Reino de Deus está dentro de vós e deve ser manifestado à vossa consciência. Ele deve tornar-Se presente, proclamando-Se, evidenciando-Se, fazendo-Se ouvir. Logo, o Reino de Deus não está nas palavras humanas nem em suas sílabas.
    
Frequentemente as preocupações nos acompanham aos momentos de prece. Ficamos, então, a refletir: como resolver este ou aquele problema? Como devo orar para intuir uma solução? Posso receber uma compreensão mais elevada de como orar?
    
Se isto está acontecendo com você, medite sobre o alcance desta frase já citada: "Acaso o Reino de Deus se converteu em meras palavras ou sílabas? Por que devemos ficar limitados ao sentido literal, se somos livres?" As Escrituras ensinam que somos livres; que somos filhos de Deus e, se filhos, também herdeiros; como herdeiros, co-herdeiros com o Cristo.
    
Nós JÁ somos livres. Se não o fôssemos, nem o divino poder nos libertaria. Não precisamos de lutar por nossa liberdade porque já somos livres. A síntese da verdade é, precisamente, trazer à luz esta percepção ou revelação de nossa atual liberdade. Ante qual quer problema que nos esteja a desafiar, deveríamos ter presente que as soluções não estão nas palavras nem em declarações de verdade. O que resolve, isto sim, é predispormos ao aquietamento e, por algum tempo permanecer em estado de receptividade, deixando que Deus nos revele o Seu plano: Seu plano, não o nosso.
    
Encontramos esta mensagem na tradução de Smith, das Escrituras, Salmo 19: "Os céus narram a glória de Deus e o firmamento revela a obra de Suas mãos. Um dia fala ao outro dia e uma noite declara sabedoria a outra noite. Não há linguagem nem palavras. Não se escutam vozes e, no entanto, suas vozes atravessam a Terra e até os confins do mundo se ouvem suas palavras".
    
Os últimos quatro versos referem ao primeiro: "Os céus narram a glória de Deus". Depois explicam a natureza dessa narrativa: "Não há linguagem nem palavras". E isto é verdadeiro. Os céus não se expressam em palavras ou discursos. Não obstante, estão declarando e proclamando a glória de Deus.

"O firmamento revela a obra de Suas mãos". E após nos esclarece a índole da revelação: "Não se escutam suas vozes". É claro que o firmamento não fala, tal como entendemos o falar. Apesar disso revela a obra de Suas mãos.
    
"No entanto, suas vozes atravessam a Terra", isto é, as vozes dos céus, do firmamento, do dia e da noite se manifestam sem discursos, sem sílabas, sem palavras. Sua voz se manifesta e se converte em testemunho.
    
De modo idêntico, nossa inteira experiência demonstra a glória de Deus. Nossa experiência total, nossa vida inteira, nossos corpos, estão continuamente  mostrando a obra de Suas mãos.
    
Se neste momento os nossos corpos e a nossa saúde não parecem estar mostrando divina harmonia, é simplesmente porque vivemos na crença de que a saúde nos pertence; os corpos nos pertencem; os poderes nos pertencem - em vez de tomarmos consciência de que tudo o que nos diz respeito (o corpo, os bens, o lar etc.) É UMA DEMONSTRAÇÃO DE DEUS; É DEUS A MANIFESTAR SUA BELEZA, SUA NATUREZA E SEU CARÁTER.
    
Do momento em que saímos da crença de que temos saúde (e toda posse pode ser ganha ou perdida); do momento em que renunciamos a idéia de que temos saúde que pode ser melhorada, e compreendemos que a única saúde que há em todo o universo é a saúde de Deus (manifestando-se como condição natural de harmonia em todos os corpos e seres) - então chegamos a compreender a verdade ensinada no Salmo 19: "Os céus narram a glória de Deus" e o fazem sem palavras nem discursos.
    
"O firmamento revela a obra de Suas mãos" e o faz sem palavras nem discursos. 
    
"Um dia fala a outro dia" como discursos eloquentes a comunicar a harmonia de Deus.
    
"Uma noite declara sabedoria a outra noite" e o faz sem discursos ou outras formas de comunicar ideias. Fá-lo como atividade reveladora da glória de Deus.
    
Agora, tudo o que somos e tudo o que esperamos ser, é Deus a manifestar-Se como saúde nossa, como força nossa e tudo o que de melhor possa existir em nossa experiência.
 
Renunciemos, pois, de imediato, à crença de que nossa saúde ou riqueza dependam de certas fórmulas ou orações jeitosas, pois o Reino de Deus não se expressa em palavras nem em sílabas O Reino de Deus JÁ está estabelecido dentro de nós. Abandone a crença de que a saúde, a riqueza, ou o lar seja algo fora da atividade de Deus. 

Uma vez que V. tenha tomado consciência de que é a atividade de Deus que mantém a harmonia de seu ser, começará a vislumbrar uma nova luz em sua compreensão da prece.

Cont...

domingo, dezembro 09, 2012

Vida terrena: encenação ilusória na mente

Dárcio Dezolt


Quem estiver num teatro, verá o elenco todo numa “encenação de ficção”; todos os atores e atrizes estariam “deixando de lado” a vida pessoal e verdadeira, em termos humanos, para ficarem voltados unicamente à FICÇÃO e, desse modo, fazerem dela uma pretensa “realidade”. Se a peça teatral fosse, por exemplo, a “Vida de Chopin”, e se alguém durante a encenação subisse ao palco e dissesse ao ator: “Você não é o Chopin”, este ator teria de “deixar a crença de ser Chopin” momentaneamente, e concordar com aquele que fez a afirmação! Até ali, ele “era Chopin”, em sua aceitação!

Uma diretora teatral chamada “Mente Humana” fez com que você assumisse um papel em seu Teatro da Vida Terrena. Neste papel, você vive na Terra, tem pai e mãe, sendo, portanto, nascido, etc. De repente, durante a encenação, chega alguém e lhe diz: “Você não é da Terra; você não tem pais humanos, você não nasce, não muda e não morre; e não apenas você, todo o “elenco” é uma “unidade perfeita” fora deste Teatro! 

VOCÊ, tal como o “Chopin da encenação”, terá momentaneamente de acatar a Verdade e concordar com quem lhe fez as afirmações! Este momento será o “momento do seu DESPERTAR”, o seu discernimento legítimo de "Quem" eternamente VOCÊ é: o CRISTO! Dá-se a isto o nome de “renascimento”, ou “retorno consciente à Casa do Pai”. Assim como o ator nunca foi “Chopin”, VOCÊ NUNCA FOI SER HUMANO! Nesse sentido, confirmou Jesus: “São deuses todos aqueles a quem a Palavra de Deus é dirigida”. E esta Palavra é dirigida a VOCÊ!


sexta-feira, dezembro 07, 2012

Contemplação

Dárcio Dezolt


Se nossas orações deixassem
de ser feitas no sentido de que
fôssemos ser atendidos...

Se percebêssemos que
somente é atendida
a Vontade de Deus,
e que,
por estarmos
em Unidade com Ele,
é igualmente a nossa Vontade,
saberíamos que,
sem que nada fizéssemos,
esta Vontade única é sempre
perfeitamente atendida...
e descobriríamos que
aquilo que chamávamos
de "oração" era,
na verdade,
mera intenção descabida do ser humano
de interferir na Ação consumada
de Sua Obra Perfeita.

A esta "descoberta",
poderíamos dar o nome o nome de
"contemplação”.
.
.

quarta-feira, dezembro 05, 2012

Entenda o Referencial Absoluto

Dárcio Dezolt


A Verdade revelada é sempre a mesma: a Realidade Eterna não é vista pelos sentidos humanos e, em contrapartida, tudo o que é discernido com tais sentidos é “maya”, uma ilusão coletiva.

Estes pontos explicam o motivo pelo qual repetimos sempre ser esta a premissa básica deste estudo: DEUS É TUDO, TUDO É DEUS. Quem não partir da Verdade, estará partindo de “coisa nenhuma”, semelhante a alguém que, sonhando e desejoso de se ver onde já está, continua avaliando sua existência pelas imagens sonhadas!

“Vós, deste mundo, não sois” – disse Jesus. Não disse que “iríamos ao Reino de Deus”, pois ninguém está fora dele! Que encobre esta visão da Verdade? Uma ilusão! E, enquanto a palavra “ilusão” for traduzida como sinônimo de “alguma coisa”, a pessoa continuará iludida pelo “nada”, apenas achando que “estuda a Verdade”.

O “Referencial Absoluto” é a visão do Universo a partir do ponto de vista da Verdade, ou do ponto de vista de Deus. Como Deus vê o Universo? Com Espírito e matéria? Deus nos vê como seres nascidos em mundo material? Ou como seres ignorantes em evolução? Não! Deus nada disso vê, pois, se visse, o “visto” teria de estar sendo o próprio Deus, que é TUDO!

Quando partimos do referencial iluminado, deixamos destemidamente o referencial ilusório de “sombras mutáveis”. A Realidade é concreta! Muita gente, quando ouve que a Realidade é espiritual, faz ideia de algo abstrato, nebuloso, vago, insubstancial; entretanto, o contrário é verdadeiro: é a ILUSÃO que não tem substância! ILUSÃO É NADA! Assuma o Referencial Absoluto, livre-se das impressões falsas supostamente colhidas pelos sentidos humanos e se compenetre da Presença perfeita e substancial do Universo em que vivemos! Sua própria Presença é a Presença infinitodimensional do seu Eu divino, manifesto como identidade específica!

Veja-se “precedente à ilusão”, ou seja, veja-se como VOCÊ É “desde antes” que a ilusão de massa aparentasse existir! Use este artifício! Contemple-se “às vésperas da ilusão”; desse modo, ficará sem “ilusão” para enganá-lo. Quem partir da ilusão para depois tentar sair dela, estará se iludindo ainda mais! Parafraseando Jesus, diga a si mesmo: “Antes que a ilusão existisse, Eu Sou” – eis seu ponto de partida! Este é o “Referencial absoluto”. Ele nada requer de VOCÊ, a não ser que VOCÊ simplesmente SEJA VOCÊ!


sexta-feira, novembro 30, 2012

O Buda interior


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"Reverenciada seja a Perfeição da Sabedoria, o Adorável, o Sagrado!

Avalokita, o Senhor Sagrado e Bodhisatva,  moveu-se nos cursos profundos da sabedoria, rumo ao mundo-além.

Daquelas alturas, Ele olhou para baixo e viu cinco agregados.

E Ele viu que, em si próprios, os agregados eram vazios."



Osho


Eu saúdo o seu Buda interior. Você pode não estar ciente, você pode até mesmo jamais ter sonhado com isso – que você é um Buda, e que ninguém pode ser outra coisa a não ser isso. A natureza búdica (o estado de Buda) é o núcleo essencial do seu ser, e isso não é algo para advir no futuro, mas algo que já aconteceu. É a tua própria fonte. É a origem e é também o objetivo. É a partir de nossa natureza búdica que todos nós nos movemos, e é também para ela que todos nós rumamos. Essa única palavra “natureza búdica” contém tudo – o ciclo completo da vida, do alfa ao ômega.

Mas você está dormindo, você não sabe quem você é. Não que você tenha que se tornar um Buda, mas apenas reconhecer que Ele habita em ti, reconhecer a necessidade se voltar para a sua própria origem. A fim de fazer isso você terá de olhar para dentro de si mesmo. Uma confrontação consigo mesmo irá revelar a sua natureza búdica. O dia vem quando você vê a si mesmo, e quando a existência inteira se torna iluminada. Não é que uma pessoa se torne iluminada – como pode uma pessoa se iluminar? A própria ideia ou pensamento de ser uma pessoa faz parte da mente não iluminada. Não é que eu tenha me tornado iluminado. O “eu” precisa ser descartado antes que se possa conseguir a iluminação. Assim, como poderia eu ter atingido a iluminação? Parece absurdo. No dia em que me tornei iluminado, toda a existência tornou-se iluminada. Desde aquele instante jamais pude ver outra coisa a não ser Budas – nas mais variadas formas, com milhares de nomes distintos, às vezes com mil e um problemas, mas ainda assim todos Budas.

Assim, eu saúdo o seu Buda interior. 

Sinto-me imensamente feliz e satisfeito de ver tantos Budas reunidos aqui. O próprio fato de suas vindas até mim significa o início do reconhecimento. O respeito e o amor em seu coração por mim significam o respeito e o amor para com a sua própria natureza búdica. Confiar em mim não significa confiar em alguma coisa extrínseca a você, a confiança em mim significa a confiança em seu próprio ser. Ao confiar em mim, você vai aprender a confiar em si mesmo. Ao se aproximar de mim, você estará se aproximando de si mesmo. Apenas um reconhecimento necessita ser alcançado. O diamante está aí – você apenas deve ter se esquecido, ou talvez você não tenha se lembrado desde o início. 

Existe um famoso ditado de Emerson: “O homem é Deus em ruínas”. Eu concordo e eu discordo. Esse insight comporta uma dose da verdade – o homem não é o que ele deveria ser. Esse insight está um pouco desordenado, de pernas para o ar. O homem não é Deus em ruínas, o homem é Deus sendo edificado. O homem é um Buda germinando e desabrochando. O botão está ali, ele pode florescer a qualquer momento: apenas uma porção de esforço, um pouco de ajuda... E não será a ajuda que irá causar o fenômeno – ele já está lá! O seu esforço irá apenas revelá-lo a você, ajudando-o a descobrir aquilo que já está lá, oculto. A verdade é eterna.

Ouça com atenção estes sutras porque eles são os mais importantes escritos dentre toda a grande literatura Budista.

Mas eu gostaria começar a partir do verdadeiro ponto inicial. Para entendermos este sutra, é necessário que comecemos corretamente. Apenas usando o correto ponto de partida é que os ensinos do Budismo nos serão proveitosos: estabeleça desde já em seu coração o fato de que você é um Buda. Eu sei que isso pode parecer presunçoso, pode parecer ser bastante teórico e hipotético; você ainda não pode confiar nisso totalmente. Isso é natural, eu compreendo. Apenas permita que a compreensão deste fato esteja aí como uma semente. Em torno desse fato muitas coisas vão começar a acontecer, e somente em torno deste fato é que você será capaz de compreender este sutra. Este sutra é imensamente poderoso – ele bastante pequeno, condensado, da mesma forma que uma semente. Mas se houver o solo apropriado, ou seja, se houver na sua mente o fato exato de que você é um Buda – de que você é um Buda desabrochando, de que você é potencialmente capaz de tornar-se um – e de que nada está faltando, de que tudo está absolutamente pronto, então tudo o que será necessário é colocar as coisas na ordem correta; apenas um pouco mais de estado de alerta se fará necessário, apenas um pouco mais de consciência se fará necessário... O tesouro já está aí; você tem de trazer uma pequena lâmpada para dentro de sua casa. Uma vez que a escuridão desapareça, você não será mais um mendigo, você vai ser um Buda, você será um soberano, um imperador. Este reino inteiro já é seu, tudo é somente uma questão de pedir; você apenas tem de reivindicá-lo.

Mas você nunca será capaz de reivindicá-lo se acreditar é um mendigo. Você não será capaz de protestar por ele; você não será sequer capaz de sonhar com a possibilidade reclamá-lo para si enquanto estiver acreditando que é um mendigo. Essa ideia de que você é um mendigo, de que você é ignorante e pecador, tem sido tão amplamente proclamada em cima de todos os púlpitos ao longo das eras, que isso se tornou uma hipnose profunda em você. Esta hipnose tem de ser quebrada. Para quebrá-la eu começo com: Eu saúdo o Buda em seu interior.

Para mim todos vocês são Budas. Todos os seus esforços a fim de se iluminarem serão ridículos se vocês não forem capazes de aceitar esse fato básico. Isso tem de estar o tempo todo subentendido, é necessário que se torne um entendimento implícito – que você é um Buda!  Esse é o ponto de partida correto a ser adotado, do contrário você se extraviará. Esse é o começo certo! Parta dessa visão e não fique preocupado que isso possa criar algum tipo de ego – o de que “eu sou um Buda”. Não se preocupe, porque todo o processo do Sutra do Coração vai deixar claro para você que o ego é a única coisa que não existe – a única coisa que não existe! Tudo o mais é real. 

Neste mundo existiram sábios que disseram que o mundo é ilusório e que a alma é existencial – o “eu” é verdadeiro ao passo que todo o restante é ilusório, maya. Buda diz exatamente o adverso: ele diz que apenas o “eu” é irreal, tudo o mais é real. E eu concordo com Buda mais do que com qualquer outro ponto de vista. A percepção de Buda é muito penetrante, é a mais aguda e intensa. Ninguém jamais penetrou esses reinos, profundidades e alturas da realidade.

Mas parta dessa visão, comece com essa ideia e ela criará um clima em torno de você. Deixe-a ser declarada a todas as células de seu corpo e a cada pensamento de sua mente; deixe que isso seja declarado em todos os cantos e recantos de sua existência: “EU SOU UM BUDA!”. E não se preocupe com o “eu”. Nós daremos conta dele.

O estado de buda e o “eu” não podem existir ao mesmo tempo. Quando o estado de buda se revela o “eu” desaparece, assim como a escuridão desaparece quando você se aproxima com a luz.

(...)

Este sutra pode ocasionar uma revolução em você.

A primeira coisa a se fazer é iniciar com a pergunta: “Quem sou eu?”. E prossiga indagando. Não pare de investigar. Muitas respostas virão, a mente dirá: “Você é um corpo! Que absurdo! Não há necessidade de perguntar, você já sabe disso”, ou até mesmo “você é a alma, o espírito, a consciência suprema”... Lembre-se, você deve parar apenas quando nenhuma resposta estiver vindo, jamais antes. Enquanto vir alguma resposta dizendo “você é isso, você é aquilo”, saiba bem que a mente o está suprindo com respostas. Quando você chegar ao ponto de indagar “Quem sou eu?” e nenhuma resposta estiver vindo de qualquer lugar, então há silêncio absoluto. A sua pergunta ressoa em si mesmo: “Quem sou eu?”, e há um silêncio e nenhuma resposta surge de lugar algum. Você está absolutamente presente, absolutamente silencioso, e não há sequer uma única vibração. “Quem sou Eu?” – e apenas o silêncio. Então um milagre acontece: de repente você não pode sequer formular a pergunta. A pergunta final tornou-se absurda. As respostas  tornaram-se absurdas e por isso as perguntas também se tornam absurdas. Primeiro desaparecem as respostas e depois desaparecem as perguntas – porque uma somente pode existir ao mesmo tempo que a outra. Elas são como os dois lados de uma moeda – se um lado for retirado o outro não pode ser mantido. Primeiro as respostas desaparecem, depois desaparecem as perguntas. E com o desaparecimento da pergunta e da resposta, você chega à realização: você é transcendental! Então você sabe, e no entanto você não pode dizer; você sabe, mas não consegue articular sobre isso. A partir de seu próprio ser você sabe Quem você é, mas isso não pode ser verbalizado. E esse conhecimento é vívido, existencial; não se trata de um conhecimento emprestado retirado das escrituras. É um conhecimento seu, e não dos outros. Ele surgiu em você.

E com esse surgimento, você é um Buda. Então você começa a rir, porque você veio a saber que você tem sido um Buda desde o princípio de todos os tempos; você apenas não tinha notado esse fato tão profundamente. Você esteve correndo em voltas, para lá e para cá, do lado de fora de seu ser. Mas agora você está em casa.

(...)

Reverenciada seja a Perfeição da Sabedoria, O Adorável, o Sagrado!
Avalokita, o Senhor Sagrado e Bodhisatva, moveu-se nos cursos profundos da sabedoria, para o mundo-além.
Daquelas alturas, Ele olhou para baixo e viu cinco agregados.
E Ele viu que em si próprios, os agregados eram vazios.

Quando você olha daquelas alturas, a partir daquele referencial... Por exemplo, eu disse que estava saudando o seu Buda interior. Essa visão ocorre daquele referencial: essa de que eu vejo todos vocês como Budas. E a outra visão é a de que vocês são apenas cascos vazios. 

Aquilo que você pensa que é nada mais é do que uma couraça vazia. Uma pessoa pensa que é um homem, isso nada mais é do que uma ideia vazia. A Consciência não é masculina nem feminina. Outra pessoa pensa ter um corpo extremamente belo, ela é bonita, forte, isso e aquilo – tudo isso são ideias vazias, todas elas são o ego te enganando. Uma pessoa pensa que conhece/sabe o bastante – algo totalmente insignificante. O  mecanismo dela apenas tem acumulado memória e ela está sendo enganada por suas próprias memórias. Todas essas coisas são vazias.

Assim, quando vejo do ponto de vista transcendental, vejo todos vocês como Budas; por outro lado, eu os vejo como couraças vazias.

Buda disse que a existência do homem consiste na acumulação de cinco elementos, de cinco skandhas (amontoados/agregados), todos eles vazios. E devido à combinação dos cinco, surge um subproduto chamado ego, o self. É exatamente como o funcionamento de um relógio-tique-taque. Você sabe que o tique-taque está vindo dali. Você pode abrir o relógio e separar todas as partes na tentativa de descobrir de onde exatamente está vindo o ruído. Mas você não conseguirá encontrá-lo em lugar algum. O som do tique-taque é um subproduto que surge da combinação de algumas peças. Umas poucas peças funcionando juntas estavam produzindo o ruído.

O seu “eu” nada mais é que isso: cinco elementos combinados e funcionando juntos, produzindo o ruído chamado “eu”. Mas esse “eu” é vazio, não existe nada nele. Tente encontrar ali qualquer coisa substancial e você não conseguirá. 

Essa é uma das percepções mais profundas de Buda: que a vida é vazia – esta vida como a conhecemos é vazia. Mas a vida é plena também, mas nós não sabemos nada sobre isso. A partir deste vazio você tem de se mover em direção a uma plenitude, mas essa plenitude é inconcebível para você neste momento – porque do atual referencial em que você se encontra, essa plenitude parecerá ser vazia. A partir de onde você está olhando, a plenitude parece ser um vazio – um rei parecerá ser um mendigo, um homem de conhecimento e sabedoria parecerá ser tolo e ignorante. 

Uma pequena história:

Certa vez um homem santo aceitou um discípulo, e disse-lhe: “Seria muito bom se você pudesse escrever registrando tudo o que você entende sobre a vida religiosa e sobre o que trouxe você à ela.”

O discípulo foi embora e começou a escrever. Um ano depois ele voltou ao mestre e disse: “Eu trabalhei muito duro nisso, e aqui estão as principais razões da minha busca.”

O mestre leu os registros, que comportavam milhares de palavras, e então disse ao jovem aluno: “seu trabalho está admiravelmente embasado e fundamentado, mas está um pouco longo demais. Tente diminuir um pouco.” Assim, o novato foi embora e depois de cinco anos voltou com apenas cem páginas.

O mestre sorriu e, depois de ter lido os papeis, disse: “Agora você está realmente se aproximando do centro da questão. Seus pensamentos têm clareza e força, mas ainda está um pouco longo... tente reduzir mais.”

O novato foi embora triste, pois ele tinha trabalhado duro para alcançar a essência. Mas depois de dez anos ele voltou e, curvando-se perante o mestre, ofereceu-lhe apenas cinco páginas, e disse: “Esse é o núcleo da minha fé, o âmago da minha vida, e peço sua bênçãos por ter me conduzido até ele.”

O mestre leu bem devagar e com cuidado: “É realmente maravilhoso”, disse ele, “toda essa simplicidade e beleza... mas ainda não está perfeito. Tente chegar a uma clarificação final." 

E quando o mestre tinha chegado aos seus últimos tempos e estava se preparando para o seu fim, seu aluno veio a ele novamente e, de joelhos dobrados diante dele para receber suas bênçãos, entregou-lhe uma folha de papel em que nada estava escrito.

Em seguida o mestre colocou as mãos sobre a cabeça de seu amigo e disse: “Agora... agora você entendeu.”

Se você está imerso no referencial mundano, ao tentar compreender o transcendental, ele terá uma aparência de NADA para você. E se você estiver imerso no referencial transcendental, ao olhar para o mundano, ele também terá a MESMA aparência de nada para você. Olhando daqui onde estou, tudo o que você tem é vazio; e olhando a partir do lugar onde você está, o que eu tenho é vazio, nada.

Buda parece vazio – apenas o puro nada – para você. Por causa de suas ideias, por causa de seus apegos, por causa de sua possessividade sobre as coisas, Buda parece vazio. Buda é pleno, completo: você é vazio. E a visão dele é absoluta, e sua visão é apenas relativa. 

O Sutra diz:

Reverenciada seja a Perfeição da Sabedoria, O Adorável, o Sagrado!
Avalokita, o Senhor Sagrado e Bodhisatva, moveu-se nos cursos profundos da sabedoria, para o mundo-além.
Daquelas alturas, Ele olhou para baixo e viu cinco agregados.
E Ele viu que em si próprios, os agregados eram vazios.

O vazio é a chave do Budismo – shunyata. Medite sobre este sutra – medite com amor, com simpatia, não com a lógica e a razão. Se você lidar com este sutra com a lógica e a razão, acabará por matar o seu espírito.  Não raciocine, e não tente dissecá-lo. Tente compreender os sutras como eles são, e não traga a sua mente – sua mente será uma interferência.

Se você puder lidar com este sutra sem a interferência da mente, uma grande claridade ocorrerá a você.

Osho - The Heart Sutra


quinta-feira, novembro 29, 2012

Entrega é Compreensão (Osho)

Querido Osho,

Percebo que quando me entrego, faço isso para poder alcançar a minha meta. Eu busco me entregar para obter a LIBERDADE, então penso que minha entrega não se trata de uma entrega verdadeira. Eu consigo testemunhar isso, mas o problema é que é justamente este “eu” que está testemunhando. Portanto, tudo o que decorre a partir desse “eu” que testemunha só pode ser um reforço para o ego. Eu me sinto enganada pelo meu ego.




Osho: Você ainda não entendeu o que é a entrega.

A primeira coisa a lembrar sobre a entrega é: você não pode fazê-la; a entrega não é um fazer. Você pode evitar o seu acontecimento, mas você não pode fazer com que ela ocorra. Ela está além do alcance de nosso fazer. O poder que temos sobre a entrega é apenas negativo: temos o poder de impedi-la, mas não temos o poder de fazer com que ela aconteça.

Entregar-se não é algo que você possa fazer. Se você puder, não se trata de entrega, porque o fazedor está presente. A entrega/rendição é um grande entendimento de que “eu não sou”. A rendição é uma visão (insight) de que o ego não existe, de que “eu não estou separado”. A entrega não é um ato, mas uma compreensão.

Em primeiro lugar você é falso, a separação é falsa. Nem por um único momento você pode existir separado do universo. A árvore não pode existir se estiver desenraizada/desligada da terra. A terra não pode existir se o sol desaparecer amanhã. A árvore não pode existir se água não estiver chegando às suas raízes. A árvore não pode existir se não puder respirar. A árvore está enraizada em todos os cinco elementos – aquilo que os budistas denominam Skandhas. Avalokita... quando Buda chegou à visão transcendental, depois de ter passado por todos os estágios e ter ido além do mundo – de lá ele olhou para trás – o que ele viu? Ele viu apenas cinco agregados (acúmulos, combinações) com nada de substancial neles, apenas o vazio, shunyata.

A árvore não poderia existir sem que esses cinco elementos estivessem constantemente vertendo energia para ela. A árvore é apenas uma combinação desses cinco elementos. Se árvore começar a pensar “eu sou”, então haverá miséria para ela. E ela criaria um inferno para si mesma. Mas as árvores não são assim tão tolas, elas não carregam qualquer mente. Elas estão lá, e se amanhã elas desaparecerem, então simplesmente desapareceram. Elas simplesmente não se apegam, porque não existe um “alguém” para apegar-se. A árvore está constantemente entregue à existência. Por “entrega” quero dizer que ela nunca está separada, que nunca ocorreu a ela essa ideia estúpida de ego. E assim são os pássaros, as montanhas, as estrelas. Foi somente o homem que transformou a sua grande oportunidade de estar consciente para um estado de consciência-de-si-mesmo. Ser simplesmente consciente, ao invés de consciente de si mesmo – é disto que estou falando. O ser humano é dotado de consciência. Se a consciência floresce e se expande, ela pode trazer-lhe a maior felicidade possível. Mas se alguma coisa der errado e a consciência azedar, convertendo-se em consciência-de-si-mesmo, então um inferno é criado, a miséria é criada. Ambas as alternativas estão sempre abertas; cabe a você escolher.

A primeira coisa a ser entendida sobre o ego é que ele não existe. Ninguém existe na separação. Você é tão UM com o universo como eu sou, como Buda é, como Jesus é. Eu sei disso, você não sabe disso ainda. A diferença é apenas de reconhecimento. A diferença não é existencial, absolutamente não é! Assim, o que você tem de fazer é olhar e investigar essa ideia estúpida de separação. Agora, perceba que ao tentar se entregar você ainda está carregando a ideia de separação. Você está pensando “eu vou me entregar, agora eu vou me render”. Na entrega não existe nenhum “eu” – mas você pensa que existe. Isso arruinará todos os seus esforços.

Explorando e investigando detalhadamente a ideia de separação, um dia você descobre que não está separado; assim, como você pode se entregar? Não há ninguém para se render! Nunca houve! Aquele que realiza a entrega simplesmente não existe, não está em lugar nenhum. Se você for para dentro de si mesmo, não encontrará em parte alguma um “eu” que possa se render. Esse é o momento em que afinal ocorre a rendição. Quando o “eu” que realiza a entrega não é encontrado (porque chegou-se à compreensão de que ele não existe), esse é o momento em que ocorre a entrega. Você não pode fazer. Se puder fazê-lo, trata-se de uma coisa falsa. E da falsidade decorre somente mais falsidade. Ao carregar a ideia “eu existo, eu sou” você é falso; por isso qualquer coisa que vier a fazer também será falsa. E uma falsidade leva à outra, que por sua vez conduz à outra, e assim por diante. Dentre todas a falsidade mais fundamental é o ego, a ideia “eu estou separado”.

Você diz: “eu me entrego para poder alcançar o meu objetivo.”

O ego está sempre orientado para um objetivo. É sempre ganancioso, está sempre se agarrando a algo. Ele está sempre em busca de mais e mais e mais; é essa ideia de “mais” que sustenta a vida do ego. Se você tem dinheiro, ele almejará ter mais dinheiro; se você tiver uma casa, ele desejará ter uma casa maior; se você tem uma mulher, o ego desejará uma mulher ainda mais bela. O ego sempre quererá mais. Ele tem uma fome incessante. O ego vive no futuro e no passado. Quando o ego está vivendo no passado, ele vive como um colecionador – “eu tenho isto, mais isto e aquilo outro”. Ele sente uma grande satisfação. “Eu tenho isto” – poder, prestígio, dinheiro. Essas coisas conferem um tipo de realidade a ele. Elas dão a ele a noção de que “se eu possuo estas coisas, então eu devo estar ali”; devido a tais coisas o ego consegue dizer “eu existo”. E quando o ego está vivendo no futuro, ele o faz através da ideia de “mais, mais e mais”. Assim, ele vive da memória e também do desejo.

O que é um objetivo? É um desejo: “eu tenho que chegar lá, tenho que ser aquilo, tenho que alcançar.” O ego não consegue viver no presente, porque o presente é real e o ego é irreal – eles nunca se encontram. O passado é irreal, simplesmente não existe mais. O passado já foi real, mas enquanto ele estava presente o ego não estava lá. Tão logo tenha desaparecido, ele perde a qualidade de ser existencial, e o ego imediatamente passa a colecionar e a acumulá-lo. O ego agarra e acumula coisas mortas. O ego é um cemitério: recolhe cadáveres e ossos mortos.

Ou ego também vive no futuro. Mais uma vez, o futuro também é não existencial; o futuro ainda não é – é apenas imaginação, fantasia, sonho. O ego também pode viver através disso muito facilmente. Uma falsidade harmoniza-se muito bem com outra falsidade; todas as falsidades combinam perfeitamente. Traga qualquer coisa existencial e o ego logo desaparece. Por isso a insistência para que você esteja no presente, no aqui e no agora. Apenas este momento... Se você for inteligente, poderá dispensar todo e qualquer pensamento acerca do que agora estou falando, perceberá que aquilo sobre o qual estou discorrendo não é para ser pensado ou analisado, mas simplesmente visto com intensidade e totalidade neste exato momento. Uma visão intensa, alerta, penetrante, focada, direta, imediata, abrangente, total... e onde está o ego? Há apenas um grande silêncio, nenhum passado existe, nenhum futuro existe, apenas este momento está aqui. Então este momento “é” e você “não é”. Permita (autorize) que este momento seja e você não seja. Sentirá um silêncio imenso, um silêncio profundo, dentro e fora. E então não haverá nenhuma necessidade de se entregar, pois você se alinhou com a verdade de que na realidade você não existe, você não é – apenas o momento presente é. Essa compreensão em si realiza a entrega. Entregar-se significa compreender verdadeiramente que você “não é”.

Não é uma questão de que você tenha de entregar-se a mim, ou de que você tenha que entregar-se a Deus. Não é sequer uma questão de que você tenha de entregar-se, absolutamente. A entrega é um insight, uma compreensão de que “eu não sou”. Percebendo que “eu não sou, eu sou um nada, eu sou um vazio”, a entrega aumenta cada vez mais. A flor da entrega cresce na árvore da vacuidade. Ela jamais pode estar orientada para o cumprimento de um objetivo.

Na natureza do ego é estar orientado para um objetivo. Ele anseia pelo futuro. Ele pode ansiar até mesmo pela outra vida, pode ansiar pelo céu, pelo nirvana. Não importa aquilo pelo qual o ego anseia – ansiedade é sempre ansiedade, desejo é sempre desejo, tudo isso está sendo projetado no futuro.

Perceba isso! Perceba de uma só vez a totalidade do mecanismo da mente. Eu não estou dizendo “pense sobre isto”. Se você pensar, terá errado o alvo. Novamente, o pensar tem a ver com o passado e futuro. Olhe atentamente para isso, e perceba! Faça isso, e faça agora! Não diga a si mesmo: “ok, farei depois que chegar em casa”. Se você adiar, o ego apareceu, o objetivo surgiu, o futuro entrou. Todas as vezes que você envolver o tempo, estará caindo na armadilha da separação.

Permita que o momento esteja aqui, apenas este momento. E então você percebe o que você é – você está aqui, você não vai a lugar algum, e você não está vindo de lugar nenhum. Você sempre esteve aqui. Aqui é o único momento, o único espaço. Agora é a única existência. É neste Agora que existe a rendição.

“Eu me entrego para alcançar o meu objetivo”, você diz. “Eu busco me entregar para obter a liberdade.”

Mas você é livre! Jamais você esteve aprisionada. Você é livre, mas de novo há o velho problema: você deseja a liberdade, mas não compreende que você só pode ser verdadeiramente livre quando for livre de si mesma – não existe outra liberdade além dessa. Todas as vezes que você pensa sobre a liberdade, você imagina que o seu “eu” estará lá e será livre. Mas você não vai estar lá, somente a liberdade estará. Liberdade significa que liberdade do próprio “eu”, ao invés de “liberdade usufruída pelo eu”. No momento em que a prisão desaparece, o prisioneiro também desaparece, porque o prisioneiro é a prisão! Prisioneiro e prisão são um. No momento em que você deixar a prisão, você também não será. Haverá apenas um puro céu, puro espaço. Esse espaço puro é chamado nirvana, moksha, liberação.

Compreenda o que é liberdade, ao invés de tentar obtê-la.

“Eu busco me entregar para obter a liberdade.”

Nesse caso, você está usando a entrega como um meio, enquanto que a entrega é o objetivo, é o fim em si mesmo. Quando eu digo que a entrega é a nossa meta, não estou dizendo que a entrega tem de ser alcançada em algum lugar no futuro. Eu estou dizendo que a entrega não é uma ação, não é uma ferramenta, não é uma técnica, enfim, não é um meio a ser empregado; ela é uma finalidade em si mesma. Não é que a entrega o conduza à liberdade, entrega é liberdade! Elas são sinônimos, significam exatamente a mesma coisa. Você está olhando para a mesma coisa de dois ângulos diferentes.

“... por isso penso que minha entrega não se trata uma entrega verdadeira.”

Sua entrega não é real nem irreal. Não se trata nem mesmo de entrega, absolutamente. Nem sequer é irreal.

“Eu consigo testemunhar isso, mas o problema é que é justamente este ‘eu’ que está testemunhando. Portanto, tudo o que decorre a partir desse “eu” que testemunha só pode ser um reforço para o ego. Eu me sinto enganada pelo meu ego.”

Quem é este “eu” que você diz estar se sentindo enganado pelo ego? É o próprio ego. O ego é tal que ele pode dividir a si próprio em vários fragmentos, em várias partes, e então começa o jogo. Você é ao mesmo tempo o caçador e a caça. Exatamente como um cachorro tentando agarrar a própria cauda, saltando de um lado para o outro e contorcendo-se. E você olha e vê a absurdidade disso – mas você vê o absurdo, o cão não pode vê-lo. Quanto mais ele acha difícil agarrar a cauda, mais louco ele fica, e mais ele salta. E quanto mais rápido e alto o cão salta, mais alto e mais e rápido é o salto da cauda. E o cão não consegue conceber o que está acontecendo: ele, um grande e exímio apanhador, não consegue agarrar uma simples cauda?

Isso é exatamente que está acontecendo com você. É o “eu” que se empenha em apanhar, e que o tempo todo é o caçador e a presa. Perceba como isso é ridículo e, mediante essa própria percepção, livre-se de tudo isso.

Não há nada a ser feito, absolutamente – nem mesmo uma única coisa. Eu digo: vocês já são aquilo que você desejam se tornar. Vocês são Budas, jamais vocês foram outra coisa. Basta que percebam.

E quando você diz “eu consigo testemunhar”, de novo isso é o próprio ego. Sempre que você empreender a ação de testemunhar, o “eu” será criado novamente, porque o ato de testemunhar também é um fazer, há um esforço envolvido. Relaxe. No relaxamento – quando não há nada a ser observado e ninguém para observar, ou seja, quando você não mais estiver integrado às divisões da dualidade – então surge uma diferente qualidade/espécie de testemunhar. Haverá o testemunhar, mas não haverá a ação de testemunhar. O “eu” não terá qualquer ação para praticar. E o “eu” somente pode sobreviver se houver uma ação ao qual possa se agarrar, porque é da ação que ele retira o seu senso de “eu sou”. Assim, diante desse tipo de testemunhar o ego é impotente. Lembre-se: o testemunhar existe e ocorre por si mesmo, tendo uma característica suave e passiva. Ele não é agressivo. Se houver ação, o testemunhar se torna agressivo: o esforço passa a ser necessário, você tem de estar tenso. Esteja à vontade, descontraído, relaxado. Fique no momento presente. Simplesmente esteja aí, permitindo que tudo seja e ocorra por si mesmo. Nessa consciência em que você está apenas aí sentado sem fazer nada, a primavera chega e a grama cresce por si só.

Esta é a síntese de toda a abordagem budista: O que quer que você faça apenas criará e reforçará ainda mais o fazedor (ego) – incluindo testemunhar, pensar, entregar-se. Qualquer coisa que você fizer vai criar a armadilha. Nada é necessário a ser feito de sua parte. Apenas ser... e deixar as coisas acontecerem. Não tente controlar, não tente manipular. Deixe que a brisa passe por você, permita que os raios solares cheguem, permita a vida dançar, e quando chegar o momento deixe que a morte venha e dance a sua dança em você também.

Para mim esse é o significado de sannyas: não é algo que você faz, e sim quando você abandonou todo o fazer porque percebeu a absurdidade disso tudo. Quem você pensa que é para fazer alguma coisa? Você é somente uma onda nesse imenso oceano. Num dia você é, noutro dia você desaparecerá; o oceano continuará. Por que você deveria ficar tão preocupado? Você surge e desaparece. Enquanto isso, durante esse pequeno intervalo, você se torna tão preocupado e tenso, que você toma sobre si todos os fardos, e carrega pedras em seu coração – e por razão nenhuma.

Vocês são livres neste exato momento!

Eu os declaro iluminados neste exato momento. Mas vocês não confiam em mim. Vocês dizem: “Está bem, Osho, mas apenas diga-nos como nos tornamos iluminados.”

Esse impulso de querer se tornar, de querer alcançar e de desejar, segue saltando sobre cada objeto com que você se depara. Às vezes ocorre com o dinheiro, às vezes com Deus. Às vezes com o poder, às vezes com a meditação – o objeto pode ser qualquer um, e você logo o agarra. Mas não se apegue, não possua; o desprendimento é o caminho para viver a vida real, a vida verdadeira.

Deixe as coisas acontecerem, deixe a vida ser um acontecimento, e haverá apenas alegria, regozijo, júbilo – de modo que jamais poderá haver uma frustração, porque você nunca esperou por nada em primeiro lugar. O que quer que venha é bom, é bem-vindo. Não há o fracasso, nem o sucesso. O jogo do sucesso e do fracasso foi descartado. O sol aparece pela manhã e o acorda, e a lua surge à noite cantando uma canção de ninar e você vai dormir. A fome vem e você come, e assim por diante. Isso é o que os mestres Zen querem dizer quando declaram: “Se estiver com fome, coma; quando estiver com sono, vá dormir. Não existe outro caminho.”

E eu não estou lhe ensinando a ser inativo. Eu não estou dizendo para não ir trabalhar. Não estou dizendo para deixar ganhar o seu pão, nem estou dizendo para renunciar ao mundo e depender dos outros – não, de modo algum. Mas não seja um fazedor. Sim, você tem de comer quando está com fome, e para comer você tem de ganhar o seu pão – mas torne-se alerta de que não existe ninguém fazendo isso. É a fome em si que está agindo, mas não há ninguém fazendo isso. É a sede em si que o leva a procurar por um poço ou por um rio. É a própria sede agindo; não existe ninguém para estar com sede. Descarte de sua vida os nomes e pronomes e deixe que apenas os verbos existam.

Buda diz: A verdade é igual a quando você vê um dançarino: o dançarino não existe, apenas a dança. Quando você se depara com um rio, em verdade não há o rio, mas apenas o fluir do rio. Existe o verbo e não o nome. Quando você vê uma árvore, não há a árvore, existe apenas o processo contínuo e constante de “ser” da árvore. Quando você olha para um sorriso, não há ninguém sorrindo, há apenas o sorriso: o verbo do sorrir está acontecendo. A vida é um processo.

Mas nós fomos acostumados a pensar sempre em termos de substantivos: nomes consumados, estáticos. Isso cria problema. Na vida nada está concluído ou estagnado – tudo é um fluxo, um fluir. Aprenda a viver com isso, flua com isso, flua com este rio, e nunca seja um fazedor. Mesmo quando você estiver fazendo, não seja um fazedor. Apenas o fazer existe, mas não há o agente. Quando esse insight se estabelecer profundamente em você, então não haverá nada mais.

A iluminação não é algo como um objetivo a ser alcançado. Ela é esta própria vida simples e comum que o rodeia. Mas quando você não está se esforçando ou lutando ocorre um milagre: esta vida comum torna-se extraordinariamente bela. Então as árvores são mais verdes, então os pássaros cantam em tons mais ricos, e tudo o que está acontecendo ao redor é precioso. Pedras comuns são diamantes.

Aceite esta vida tão simples e comum. Basta descartar o fazedor, o “eu”. E quando eu digo para descartar o fazedor, não se torne nesse ato um fazedor! Basta olhar para ele, compreendendo a sua irrealidade. E ele desaparece.


OSHO - The Heart Sutra


terça-feira, novembro 27, 2012

Seja qual for o seu caminho...


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Seja qual for o seu caminho, seja você mesmo.
Seja qual for o seu caminho, seja generoso.
Seja qual for o seu caminho, seja justo.
Seja qual for o seu caminho, seja impecável.
Seja qual for o seu caminho, seja verdadeiro consigo mesmo.
Seja qual for o seu caminho, seja amoroso.
Seja qual for o seu caminho, seja mestre de si mesmo.
Seja qual for o seu caminho, seja alerta sobre suas emoções.
Seja qual for o seu caminho, saiba que a vida é um sonho.
Seja qual for o seu caminho, seja não domesticável.
Seja qual for o seu caminho, seja livre.
Seja qual for o seu caminho, tenha compaixão.
Seja qual for o seu caminho, seja responsável.

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 - Um salve a todos os mestres que já caminharam nesta Terra! -

sábado, novembro 24, 2012

A Consciência é tudo o que existe

Ramesh Balsekar


O valor ou a utilidade de um conceito está apenas no quanto ele aponta para a Verdade.

Ramesh: No que diz respeito ao "Eu Sou", não faz diferença se há a manifestação ou não. A manifestação veio do Eu Sou. O funcionamento da manifestação está no Eu Sou. É como o reflexo num espelho. Então o que você aceita, e o que quer que aconteça é meramente um reflexo no Eu Sou. Toda a manifestação é um reflexo na Fonte - de outro modo, haveria dois.

Peter: Portanto, não pode ser um reflexo da fonte, é um reflexo na Fonte?

Ramesh: Apenas pode ser na Fonte. Tudo isto é um reflexo na Fonte porque a Fonte é tudo que existe. Portanto, para qualquer coisa que acontece, você escolhe um conceito. Você não pode ficar sem conceitos, senão você teria que ficar em silêncio. E se a questão "Quem sou eu?" surge, esse é o primeiro pensamento de todos que precisa de uma resposta. A resposta é um conceito, um conceito sendo algo que aponta para a Verdade. O valor ou a utilidade de um conceito está apenas no quanto ele aponta para a Verdade. Você vê? E esse conceito - que é a totalidade da manifestação e o funcionamento desta manifestação é um reflexo na Fonte - é um apontador para a Verdade, a qual é a Fonte.

"Assim como a superfície de um espelho existe dentro e fora da imagem refletida no espelho, também o Ser supremo existe tanto dentro quanto fora do corpo físico." (Ashtavakra)

Nesse verso importante, Ashtavakra aponta que o que nós somos como sujeitos definidamente, não é uma coisa ou um objeto, que o pronome pessoal inevitavelmente sugere, mas mais um processo ou um pano de fundo, como a tela na qual um filme é visto. Na ausência de um pano de fundo não poderia haver nenhuma aparência de modo algum, embora no caso da manifestação fenomenal, o próprio "pano de fundo" - a Consciência - constitui a aparência e é responsável por ela. O ponto é que a menos que houver um total "afastamento" para a impessoalidade, a consideração "quem ou o que sou eu?" pode significar de fato uma transferência simples de mais - do objeto para o sujeito (da fenomenalidade para a não-fenomelalidade / do manifesto para o não-manifesto). Isso não teria força suficiente para quebrar o condicionamento trazido pela noção de identidade que conduz à suposta limitação. É apenas um afastamento direto para a impessoalidade que é mais provável de trazer a alarmante transformação conhecida como metanoesis, onde há uma convicção repentina e imediata de que a identificação com uma entidade individual separada, na verdade, nunca existiu realmente e era essencialmente nada além de uma ilusão.

Talvez seja por essa razão que Ashtavakra sugere a analogia do espelho para a Consciência, a qual reflete tudo, não retém nada, e em Si mesma não tem existência perceptível. Isto é, a Consciência é o pano de fundo do que parecemos ser como objetos (fenômenos), e ainda ela não é algo objetivo (um objeto). Assim como um reflexo no espelho é uma mera aparência sem nenhuma existência, e o espelho é o que tem existência, mas não é afetado de maneira nenhuma pelo que está refletido, assim também o aparato psicossomático (o organismo corpo-mente), sendo apenas uma aparência na Consciência, não tem existência independente. A Consciência na qual ele aparece não é afetada de forma nenhuma pela aparência dos objetos nela.

A Fonte que criou esta manifestação dentro de Si como um reflexo, está fazendo esta manifestação funcionar. Portanto, a manifestação e seu funcionamento, os quais chamamos de vida - toda ela é um reflexo na Fonte.

Primeiro há a Fonte. A Fonte cria um reflexo. O reflexo é o Eu Sou. Agora, Ramana Maharshi diz que a Fonte é o "Eu-Eu". Ele A nomeia de "Eu-Eu" meramente para distingui-la do Eu Sou. O "Eu-Eu" é a Energia latente (potencial). A Energia Potencial torna-se ativa na forma de manifestação como o Eu Sou, e torna-se ciente da manifestação. O Eu Sou é a Consciência (awareness) impessoal da manifestação e do seu funcionamento. Então, para o funcionamento da manifestação acontecer, a Fonte - ou Deus, ou o Eu Sou - cria estes organismos corpo-mente e, por conseguinte "eu's" individuais, ao identificar a Si mesma com esses organismos corpo-mente. Portanto, a Energia Universal, a Energia Potencial, torna-se ativa nesta manifestação. O "Eu-Eu" ao sair do estado latente, torna-se o Eu Sou, e o Eu Sou torna-se o eu sou Markus. Por que o Eu Sou torna-se Markus? Porque sem o Markus e os outros bilhões de nomes, a vida como conhecemos não aconteceria.

Então, a manifestação é real? Ela é real e irreal. A questão - a manifestação é real ou não? Está errada. A manifestação é tanto real quanto irreal: real na medida em que ela pode ser observada, irreal com base que ela não tem existência independente própria dela, sem a Consciência. Desse modo, a única coisa que tem existência independente dela própria é a Realidade, e essa Realidade é a Consciência. A Consciência é a única Realidade. Todo o resto é um reflexo dessa Realidade dentro de Si mesma.

Lance: Estou tendo problemas em entender o "Eu-Eu" e o Eu Sou.

Ramesh: Não existem problemas, pois eles não são dois. A Consciência-em-repouso é o Eu-Eu. Quando ela está em movimento ela é o Eu Sou. Portanto, o Eu-Eu é um conceito que realmente não te interessa. É apenas um conceito. O que realmente te interessa é o Eu Sou.

Lance: O Eu sou é a totalidade da manifestação.

Ramesh: Correto.

Lance: Então quando estamos no estado de sono o que ele vira?

Ramesh: Eu Sou, pois há um corpo ali e ele está na fenomenalidade.

Lance: Portanto, quando não existe a manifestação há somente o Eu-Eu.

Ramesh: Sim.

Lance: Num livro sobre Ramana Maharshi é dito que quando investigamos a fundo "Quem sou eu?", encontramos o nada.

Ramesh: Está vendo, Ramana Maharshi, portanto, não distingue realmente entre o "Eu-Eu" e o "Eu sou" porque é inútil. O Eu-Eu é meramente um conceito a respeito do qual ele falou, por que se preocupar. O que interessa a você é o Eu Sou e o eu sou Lance. E quando o Lance não está aí, o Eu Sou está.

Lance: O que é o estado de sonhos então?

Ramesh: O estado de sono com sonhos é a Consciência-em-ação identificada. O que é o sonho da vida, então? O sonho da vida é o sonho do Eu Sou. O Lance tem um sonho pessoal e o Eu Sou tem o sonho vivo. Desse modo, o que acontece na verdade é que você acorda do seu sonho pessoal para o sonho vivo.

Lance: No sono profundo existe o Eu-Eu?

Ramesh: O Eu Sou! O Eu-Eu realmente não te interessa.

Lance: Mas agora sinto necessidade de saber.

Ramesh: Então da onde vem o Eu Sou? Essa é uma questão conceitual. E para essa pergunta conceitual a resposta conceitual é que o Eu Sou é a Energia impessoal tornada ativa na forma de manifestação, e o Eu-Eu é a Energia Potencial (latente). O "eu" pessoal que o Lance pensa que é ele, é a Energia impessoal identificando-se como um ego que pensa que ele é o fazedor e que precisa saber. Quando verdadeiramente não há mais questões, então não há fazedor. Onde não há fazedor não há ego. E onde não há ego, aí o Eu Sou brilha a partir de um organismo corpo-mente sem identificação pessoal. Quando o organismo corpo-mente morre, o Eu Sou continua como Eu Sou. E quando a totalidade da manifestação chega a um fim, ai o Eu Sou é Eu-Eu, a Consciência-em-repouso. E tudo isso é um conceito.

Peter: Você disse que o "eu" no Eu Sou não é o Ego. Mas o que é ele? Eu não entendi quando você disse o Eu-Eu.

Ramesh: Você vê, a Consciência não ciente de Si mesma, a Energia Potencial, é um conceito. Não cometa engano! Eu-Eu, Eu Sou, eu sou Peter - a coisa toda é um conceito com o intuito de compreender a sua natureza real. Assim o Eu-Eu é a Energia Potencial antes da manifestação.

Peter: A manifestação de mim?

Ramesh: Não. A totalidade da manifestação.

Peter: Portanto, esse Eu é totalmente não individual?

Ramesh: Isso. Bem, na verdade, seja Eu-Eu, Eu Sou - eles não são dois. O Eu-Eu torna-se Eu Sou na manifestação. O Eu-Eu torna-se ciente de Si mesmo na forma de Eu sou. Mas é a mesma Consciência una.

Peter: É um nome para a Consciência? Um rótulo para a Consciência?

Ramesh: Isso mesmo. Um conceito. É por isso que falo sempre que o Eu Sou torna-se um conceito quando você fala sobre ele. Essa pura Ciência (awareness) da Existência é a Verdade, mas a partir do momento que eu falo a respeito dela, Ela se torna um conceito.

Peter: Qual é a relação entre a Consciência e a palavra "Eu"?

Ramesh: Esse é apenas um nome dado para a Consciência.

Peter: Sim, é o que você acabou de chamar de rótulo.

Ramesh: Sim. Você vê, até "Consciência" é um rótulo. "Deus" é um rótulo.

Peter: É confuso usar o "eu" que usamos para nossa individualidade nesse contexto.

Ramesh: Portanto, eu digo Eu-Eu, Eu Sou e eu sou Peter.

Peter: São três "eus" diferentes.

Ramesh: Ou é a mesma Consciência, mas a relevância é para um ponto diferente.

Peter: O último indica o ego.

Ramesh: O último indica o ego.

Peter: O do meio, Eu Sou ...

Ramesh: A Consciência impessoal.

Peter: E o Eu-Eu ...

Ramesh: É a Consciência impessoal antes ...

Peter: Da potencialização, da manifestação.

Ramesh: Sim, correto. De novo, são palavras para explicar a mesma coisa.

Pergunta: Num certo momento perguntaram para Nisargadatta Maharaj, "Existe algo que seja real nesse jogo?" Ele disse algo parecido com, "A ação do amor." Foi tudo o que ele disse, eu acho.

Ramesh: A ação do amor? De qualquer forma, o que quer que ele tenha dito, eu te digo o que ele estava querendo dizer. (risos)

A questão é, "O que é real?" O que é real é a conexão inseparável entre o real real e o falso real. Tem de haver uma conexão senão seriam dois. Então, o que os mantém juntos, unidos? É o amor. Chame isso de compaixão, de como você quiser, o melhor é não chamá-lo de nada. Isso é o que ele quis dizer.


quinta-feira, novembro 22, 2012

Cantiga Franciscana

Pe. Zezinho


Caro irmão sol, cara irmã lua;
Vós irmãs estrelas que no céu brilhais. 
Vós irmãos planetas, que ao redor do sol girais,
Vós constelações e corpos siderais.
Nós aqui na terra, vós no firmamento,
Num só pensamento, numa só canção.
Celebremos juntos, numa sinfonia,
A sabedoria de Quem nos criou.
Vós, ó criaturas que nem conhecemos,
Anjos e arcanjos, vós ó querubins;
Vós ó serafins, Vós ó não humanos, 
Se nos escutais, se podeis orar, adorai conosco.

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segunda-feira, novembro 19, 2012

O sutra de Yakuzan

Osho


E agora o Sutra...

O sutra é bastante extenso e a noite é curta. Eu espero ser capaz de terminar com isto antes do sol nascer.

Quando o monge novato, Gao, pela primeira vez visitou mestre Yakusan, Yakusan perguntou a ele: "De onde você vem?" Esta questão é formulada repetidas vezes: "De onde você vem?" Ela não se refere ao lugar, ela se refere ao espaço. Ela se refere à sua casa suprema, da qual você veio.

Gao disse: "De Nanyue," o nome da aldeia dele. Ele não poderia entender, ele estava chegando agora. Ele não tinha nenhuma idéia do porquê dos mestres perguntarem: "De onde você vem?" Eles estão perguntando: "Você tem meditado? Você tem estado no centro de seu Ser? Você tem olhado além do centro, para o espaço eterno do qual você está vindo?" Isto é perguntar de uma forma bastante sutil: "Você é um meditador? Você encontrou o centro de seu Ser, seu Buda?" Mas eles não perguntam desta forma, eles perguntam uma questão simples. Agora a resposta do novato decidirá, para o mestre, onde começar.

Gao disse: "De Nanyue."

Yakusan perguntou: "Para onde você está indo?"

Esta é outra questão da mesma categoria. Se você sabe para onde você está indo você saberá simultaneamente de onde você está vindo, porque é o mesmo lugar, de onde nós viemos e para onde nós vamos. É um círculo completo, o mesmo ponto é alcançado novamente, a mesma eternidade, o mesmo cosmos.

Um maremoto surge no oceano, desde onde ele está vindo? E, logo ele se dispersa de volta ao oceano. A fonte de onde você está vindo, e a fonte para onde você está indo é absolutamente a mesma.

Porque o novato falhou na primeira questão - ele não pode entendê-la - Yakusan perguntou: "Para onde você está indo? Se você desconhece de onde você está vindo, ao menos você deve saber para onde você está indo."

Gao respondeu: "Para Jiangling, receber os conceitos básicos."

Jiangling era uma espécie de universidade, onde grandes eruditos traduziam escrituras budistas para a China e Índia. Era o lugar mais famoso e eminente.

Então ele falou: "Eu estou indo para Jiangling para receber os conceitos básicos, os ensinamentos de Buda."

Yakusan então perguntou: "Qual é a intenção em receber os conhecimentos básicos?"

O que você vai fazer com os conhecimentos básicos? Você pode aprender todas as escrituras, mas isto não fará você sábio. Ao contrário, isto fará de você mais egotista e mais ignorante. O que você vai fazer ao receber os conteúdos básicos?

O Zen não está nem um pouco interessado no conhecimento.

Um mestre Zen queimou todas as escrituras budistas, e ele louvava Buda, ele amava Buda. E ele tinha se tornado iluminado como uma herança de Buda. Mas ele queimou todas as escrituras após sua iluminação porque ele viu: "Estas escrituras tem estado me obstruindo por anos, eu teria ficado iluminado a qualquer hora, mas por causa destas escrituras eu estive repetindo palavras, empilhando teorizações, enchendo-me com grande filosofia e isto foi se tornando uma grande muralha da China, muito difícil de passar além dela."

Quando ele se tornou iluminado sob um mestre, a primeira coisa foi queimar todas as escrituras. Isto não quer dizer que ele faltou com respeito à Buda, porque na manhã seguinte ele estava dançando à frente da estátua de Buda.

O mestre dele disse: "Mas você queimou as escrituras?". Ele disse: "Sim, eu queimei as escrituras porque eu fiquei consciente da verdade de Buda, ela não está nas escrituras, ela está em mim. E em profunda gratidão estou dançando em frente à estátua dele."

Uma outra história conta que um monge Zen queimou uma estátua de madeira de Buda porque a noite estava fria. O sacerdote veio e disse, "Você está maluco?"

Ele disse: "Talvez, mas a noite está fria demais. E você tem mais dois Budas em seu templo, eu só peguei um. Seja compassivo, traga, ao menos, mais um porque ainda há uma longa noite por vir e está ficando mais frio."

O sacerdote disse: "Eu pensei que você fosse um grande mestre, foi por isto que permiti a você ficar de noite no templo. Nunca tinha pensado, nem mesmo nos meus sonhos que um grande mestre poderia fazer uma coisa como essa. Você queimou meu Buda mais precioso. Ele era feito de madeira de sândalo."

O mestre pegou seu bastão e começou a procurar nas cinzas do Buda queimado.

O sacerdote disse: "O que você está fazendo agora?"

Ele disse: "Estou procurando os ossos dele."

O sacerdote disse: "Meu Deus, você está mesmo louco! Esta é uma estátua de madeira, ela não tem nenhum osso!" Ele falou: "Isto é o que eu estava dizendo: isto não é Buda, isto é só uma réplica de madeira. Basta você trazer outra estátua. Nenhuma de suas estátuas são budas, elas são somente madeiras esculpidas. Traga-a, a noite é por demais fria e um buda vivo está pedindo para você."

O sacerdote pensou que aquele homem iria queimar o templo inteiro. Ele o empurrou porta afora, fechou a porta...

O mestre falou: "Escute, você se arrependerá depois. Você está jogando fora o buda vivo em troca de estátuas de madeira. Mas... isto está bem, pela manhã vejo você." Nenhuma raiva, nenhum sentimento de humilhação.

Pela manhã, quando o sacerdote abre a porta, ele abre com muita cautela, olhando para onde aquele homem louco tinha ficado sentado. Ele não estava ali. Então ele abre as portas e, quando ele o viu, sentado do outro lado da estrada...

Havia uma marcação de estrada, e ele tinha coletado algumas flores selvagens e as tinha colocado na marcação, e ele estava fazendo seu louvor matinal: Buddham sharanam gachchhami.

O sacerdote disse: "Que homem é esse? Na noite ele queima o Buda e, agora, de frente para um marcador de estrada ele está dizendo: 'Eu cheguei aos pés de Buda.'" O sacerdote se aproximou dele, mas ele não o olhou. Ele estava em profunda meditação, em profunda serenidade. Enquanto o sol estava nascendo, alguma coisa dentro dele estava ficando cada vez mais leve. Quando ele abriu os olhos, o sacerdote olhou em seus olhos. Ele nunca havia visto tamanha beleza e profundidade semelhante. Ele nunca havia visto tanto silêncio, tanta graça.

Talvez ele tivesse cometido um erro. Ele tocou os pés do mestre. O mestre disse: "Falei a você, antes, que você se arrependeria. Você está jogando um buda para fora do templo e preservando os budas de madeira."

O Zen é muito honesto. Nem as estátuas podem ajudar, nem as escrituras podem ajudar. A única coisa que pode ajudar é ir mais profundamente dentro de você mesmo, se dando conta do céu interior e da liberdade que vem com isto, e a fragrância do além.

O mestre Yakuzan perguntou: "Qual é a intenção em receber os conhecimentos básicos? O que você vai fazer quando tiver aprendido? Quando você tiver recebido todos os ensinamentos de Buda o que você vai fazer? Qual é a meta?"

Gao respondeu: "Escapar do nascimento e da morte."

Ele deve ter ouvido isto, que esses budistas estão tentando sair do círculo do nascimento e da morte. E, obviamente, a maior parte das pessoas vive a vida dessa forma, o que cria mais e mais miséria. Toda a programação da humanidade é para a miséria, assim alguém começa a pensar em como sair do círculo do nascimento e da morte. Isto não vai realmente ajudar.

Você tem que aprender como sair da programação que a sociedade deu a você. Uma vez que você saia desta programação você está fora do nascimento e da morte, e do assim-chamado círculo. Mas sentindo-se miserável, ele pode ter pensado: "É melhor sair do nascimento e da morte."

Yakusan disse: "Há alguém que não recebe os conhecimentos básicos e não tem nascimento e morte para escapar - você sabe quem?" Ele está indicando em direção ao buda interno dele: "Há alguém que não recebe os conceitos básicos e não tem nascimento e morte para escapar - você conhece ele?"

Gao perguntou: "Então qual é a utilidade dos conhecimentos básicos de Buda?" Ele perdeu o ponto de novo. O mestre foi muito claro. Raramente os mestres Zen são tão claros, mas vendo que aquele homem é um iniciante, Yakusan deve ter sido muito claro, descomplicado.

Ele tinha dito exatamente isto: "Existe alguém que não recebe os conhecimento básicos e não tem nascimento e morte para escapar - você conhece ele?"

Ele está simplesmente perguntando: você conhece a si mesmo? Você sabe de alguém dentro de você que não precisa de nenhum conhecimento, que não precisa de escapar do nascimento e da morte, o qual já está mais além? Aquele que nunca nasceu e nunca morreu? Ele não precisa de nenhum conhecimento dos princípios básicos, ele conhece diretamente a própria Existência."

Mas Gao não podia entender.

Gao perguntou: "Então, qual é a utilidade dos conhecimentos básicos de Buda?" Ele começou a argumentar, o que é quase sempre o que acontece com os recém-chegados. Eles pensam que eles podem argumentar com o mestre. Eles não conhecem coisa alguma, mas a mente deles é cheia de lixo e de todos os argumentos e teorias e credos. Ele começou a argumentar sem escutar o que o mestre tinha dito. O argumento dele era: "Se há alguém que não precisa de conhecimentos básicos e que não precisa de sair do círculo de nascimento e morte, então, qual é a utilidade dos conhecimentos básicos de Buda?" Isso parece lógico, racional, mas só para aqueles que não conhecem meditação, só para aqueles que conhecem apenas a mente.

Yakusan disse: "Este novato ainda tem lábios e dentes." Lábios para falar, dentes para morder. Ele não entende nada, mas ao menos ele tem lábios que movem e ele tem dentes para morder ao argumentar.

Nisto, o novato inclinou-se e retirou-se. Essa inclinação tornou-se um ritual no Japão. Ele não entendeu coisa alguma. Ele tinha desperdiçado o tempo do mestre. O fato de ter-se inclinado não tem nenhuma gratidão nisto, é simplesmente uma formalidade, assim como quando você cumprimenta com as mãos, sem amor e ternura. Você já viu pessoas se cumprimentando? Mãos diferentes dão mensagens diferentes. Algumas mãos são tão frias, como se você estivesse segurando um galho morto de uma árvore, nada se move a partir daquelas mãos.

Algumas mãos são tão afetuosas e amorosas que você pode sentir um arrepio, alguma energia movendo dentro de você: elas estão prontas a compartilhar. E há mãos que sugam sua energia: depois de segurar mãos assim você sentirá uma estranha fraqueza vindo sobre você.

No Japão, inclinar-se se tornou um ritual. Perdeu a beleza de sua gratidão. Tenho visto isto acontecer por quase quinze anos agora, desde que os ocidentais começaram a vir até mim. Os indianos podem tocar os pés, mas muito raramente como uma gratidão, mais frequentemente apenas como uma formalidade. Milhares de pessoas tem tocado meus pés, e eu tenho estado observando as nuances sutis, as diferenças das energias deles. A maioria deles não tinha nenhuma gratidão, nada: era só uma coisa rotineira, na Índia. Quando os ocidentais começaram a vir até mim... Isto não é uma rotina no ocidente. O fato é que toda a cultura ocidental, e o sistema educacional, ensinam a você orgulho, ego. Isso é contra tocar os pés de alguém. Portanto, quando os ocidentais estiveram aqui, foi muito difícil para eles tocarem os pés, na mesma medida que foi muito fácil para os indianos tocarem os pés. Muito raramente um indiano realmente tocou os pés com gratidão, mas quando o ocidental sentia a gratidão emergindo nele o toque nos pés era mais autêntico, não era uma formalidade. Não era um programa predeterminado na mente dele. Em verdade, ele mesmo se espantava. O que ele está fazendo?... Contra toda a educação dele, contrário à toda cultura dele, ele está tocando os pés! Mas, quando você se depara com uma pessoa, que você sente gratidão, não há como, não há outro caminho para expressar isto. Este iniciante não entendeu nada, mas inclinou-se e retirou-se.

Dogo, então, veio em seguida e ficou junto a Yakusan, que lhe disse, "Este iniciante, que anda com dificuldade, que acaba de vir, apesar de tudo tem alguma vida nele."

Dogo disse: "Ele ainda não está acreditando inteiramente, você deveria testá-lo de novo, primeiro."

O mestre disse: "Ele pode não ter me entendido - este não é o problema, ele é um homem novo, mas uma coisa é certa: este iniciante que anda com dificuldade, que acaba de vir, apesar de tudo tem alguma vida nele." Ele veio de tão longe. Embora ele nada saiba, ele não conseguiu entender uma palavra, mas, ainda assim, ele tem alguma vida.

Dogo, seu discípulo antigo disse: "Ele ainda não está acreditando totalmente, você deveria testá-lo de novo, primeiro."

Quando o início da noite veio, Yakusan seguiu para o hall, e chamou: "Onde está o iniciante que veio mais cedo?"

Gao, então, veio em direção à reunião e ficou ali. E Yakusan disse a ele: "Ouvi dizer que Changan é muito barulhento." O lugar de onde ele estava vindo era um mercado, muito barulhento.

Gao disse: "Minha província é pacífica." Quando ele disse: "Minha província é muito pacífica", ele estava dizendo: "Meu território interior é muito pacífico. Não importa se o lugar do qual eu venho seja muito barulhento, o barulho é só externo. Dentro de mim, o espaço é muito pacífico."

Yakusan perguntou, como muita alegria: "Você ficou consciente disso lendo escrituras ou fazendo perguntas?" Ao que Gao respondeu: "Não aprendi isto lendo escrituras ou fazendo perguntas."

Yakusan falou: "Muitas pessoas não leem escrituras ou fazem perguntas, por que elas não alcançam isto?" Gao disse: "Não digo que elas não alcançam isto, apenas que elas não concordam em se interessar por isso."

Por que não são muitas, as pessoas que se tornam budas? Por que, se todo mundo é, intrinsecamente, um buda? Isso é só porque você está muito ocupado com outras coisas. Talvez, a sede não tenha aparecido, talvez você esteja com medo de se tornar um buda. Nesta multidão insana, tornar-se um buda é assumir um grande risco.

Gao diz: "Eu não digo que eles não alcançam - apenas que eles não concordam em se interessar por isso."

O mestre ficou muito alegre. Embora o iniciante não tivesse entendido o que Yakusan lhe dissera cedo, mas ele deve ter meditado sobre isto, tentando encontrar o que o mestre estava dizendo. "Por que falhei ali?" Mas, com a noite chegando, ele era uma pessoa totalmente diferente.

Pela manhã, ele tinha vindo como um recém-chegado; ao final da tarde, ele tinha se tornado um discípulo antigo, um discípulo muito antigo. Suas respostas mostram uma tremenda transformação, em apenas um dia.

Isto pode acontecer em um minuto!
Isto pode acontecer em um segundo!
Isto pode acontecer em menos de um segundo!

É só uma questão de quão intenso é o seu esforço para alcançar o seu centro.

Ele deve ter sentido, profundamente, a tristeza de ter se deparado com um mestre e ter perdido a oportunidade, e ele deve ter se sentido totalmente estúpido porque ele tinha começado a argumentar com o mestre.

Ele se purificou em apenas um dia, e no finalzinho da tarde, quando o mestre fez perguntas, ele era quase uma pessoa diferente. O mestre estava muito, muito alegre.

Tais buscadores são necessários no mundo. Estas são as pessoas que podem alcançar à altitude definitiva.

Eu sei que vocês estão aqui com uma intensa urgência, e esta urgência intensa me faz muito alegre. Sua primavera não está distante, logo vocês estarão cheios de florescimentos espirituais. Sua potencialidade chegará à sua realização. Você se verá como um buda! Esta não é uma questão de acreditar. Eu sou absolutamente contrário à crenças. Eu sou um cientista do mundo subjetivo.

Da mesma forma que a ciência não permite a crença, mas somente a pesquisa, investigação no mundo objetivo, eu sou um cientista do mundo subjetivo. Eu não permito nenhuma crença, mas somente a pesquisa, a busca.

E se você tem a sede, não há nenhuma necessidade de esperar. Antes que o sol nasça a sua Iluminação pode estar completa.


OSHO - Yakusan: Straight to the point of Enlightenment – cap. 4