"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

terça-feira, novembro 06, 2012

Experiência de Deus - Poesia (São João da Cruz )

 
 
SUBIDA AO MONTE
 
Para vir a saborear tudo, não queiras ter gosto em nada.
 Para vir a saber tudo, não queiras saber algo em nada.
Para vir a possuir tudo, não queiras possuir algo em nada,
nada, nada, nada, nada.
Para vir a Ser tudo, não queiras ser algo em nada
Nada, nada, nada, nada, nada, nada.

Para vir ao que não gostas, hás de ir por onde não gostas.
Para vir ao que não sabes, hás de ir por onde não sabes.
Para vir a possuir o que não possuis, hás de ir por onde não possuis.
Para chegar ao que não és, hás de ir por onde não és.

Para vir de todo ao todo, hás de deixar-te de todo em tudo (2x)
E quando venhas de todo a ter hás de tê-lo sem nada, nada, nada querer (2x)
Nada querer, tudo ter. Nada querer, tudo ter. (3x)
 
 

(Agradecimentos à minha amiga, Leila)

segunda-feira, novembro 05, 2012

Maya (Osho)

Osho 

A palavra MAYA tem de ser compreendida. Em Inglês, não há palavra equivalente: "ilusão" não está certo. No oriente chamamos de verdade aquilo que é eterno, aquilo que está eternamente lá, que sempre foi, sempre será, e que nunca houve um momento em que não era - a esta eternidade chamamos-a o real, o verdadeiro. Exatamente em oposição a ela está o irreal, o falso: o que nunca foi, nunca será. E entre esses dois está aquilo que denominamos Maya. MAYA significa aquilo que parece ser e que, apesar disso, não é. Maya encontra-se exatamente no meio, no ponto central que está entre o real e o irreal. Ela é uma mentira mas aparece como se fosse verdade. É uma mentira enfeitada, decorada e muito, muito convincente. Quando ela se apresenta, parece ser absurdamente real, e parece absolutamente verdadeira; você sabe disso.

Por exemplo, quando você sonha a noite, você nunca suspeita. Mesmo as pessoas mais céticas não suspeitam. Em um sonho não há ninguém que suspeite. Mesmo os grandes duvidadores que tudo suspeitam e questionam não levantam suspeitas sobre o sonho. Quando o sonho está lá, ele parece ser absolutamente verdadeiro. Mesmo as coisas absurdas que acontecem no sonho também aparentam ser verdadeiras.

Quando o sonho está lá, ele é real. É tão real que até mesmo o absurdo não te faz duvidar. Mas pela manhã, quando você abre os olhos, de repente tudo aquilo revela-se irreal. Agora, de onde surgiu tudo aquilo? - tudo aquilo surgiu a partir de sua inconsciência. Tudo foi a sua projeção. Aquilo tudo não estava fora de você, estava dentro; era tudo o seu próprio jogo. E você estava tão perdido nele, que ele veio a tornar-se extremamente real. De manhã você está acordado, a projeção foi retirada, e você pode claramente ver que tudo era irreal.

Algo não existia. De repente pareceu existir. E novamente deixou de ser. Maya é um "é" que existe entre dois "não é". Como um sonho que não existia ao entardecer do dia, não existia também ao amanhecer do dia, mas que parecia existir durante a noite quando você pegou no sono. Mas, se o sonho era real somente durante a noite, como você pode chamá-lo de real? Assim, no oriente inventou-se um novo termo. Nós o chamamos de MAYA: aquilo que é irreal mas que, todavia, parece ser tão real devido à nossa inconsciência.

Maya é quase como mágica - algo que não é, que absolutamente não existe, e contudo se faz capaz de aparecer como se existisse.

 

quarta-feira, outubro 31, 2012

Livrar-se do sofrimento (OSHO)

Pergunta: Amado Osho, como eu posso me livrar do sofrimento?




Osho: "Todo mundo passa a sua vida em busca de uma coisa: como livrar-se do sofrimento? Como obter felicidade e alegria?

Você quer buscar alegria, mas o que você pagará por isso? O que você dará em troca daquilo que conseguiu?

Se um homem der um passo que seja, ele terá que deixar o pedaço da terra sobre o qual ele estava em pé. Somente assim ele poderá ir adiante. Não haverá qualquer progresso neste mundo se nós não quisermos abrir mão de alguma coisa. Sem sacrificar-se você não conseguirá dar nem mesmo um passo.

Se as suas mãos estão cheias de lama, de seixos e de pedras e você quer diamantes, você terá que abandonar as pedras. Para agarrar o objeto desejado, as suas mãos deverão estar vazias. Você deverá deixar as coisas inúteis.

Não tenha medo: eu não lhe direi para renunciar à sua riqueza, mesmo porque ninguém tem riqueza alguma, ninguém mesmo. Neste mundo, até o mais rico dos homens é um mendigo.

Ninguém tem riqueza. Existem dois tipos de mendigos: um é o mendigo pobre e o outro é o mendigo rico, mas ambos são mendigos. Até agora, eu nunca vi um homem rico. Existem muitas pessoas que possuem dinheiro, mas elas não são ricas, elas também estão na corrida para agarrar o máximo que elas puderem, do mesmo jeito como faz o mais pobre dentre os homens pobres. Como um pedinte que segura tudo o que tiver com as mãos bem apertadas, também o homem que tem o maior dos cofres segura com as mãos apertadas tudo o que ele tiver. A avareza deles é a mesma e assim a pobreza deles também é a mesma.

Você não tem riqueza. Ninguém a tem. Por isso eu não insisto que você tenha que abandoná-la. Como você pode deixar alguma coisa que você não tem? Eu não lhe digo para desistir da sua vida - você nem mesmo tem isso. Como você pode ter alguma coisa, se nem mesmo tem consciência dela? E a cada momento você fica tremendo de medo da morte. Se você fosse a própria vida, por que você estaria com medo da morte?

A vida não tem morte alguma. Como a vida pode tornar-se morte? Mas você está tremendo de medo da morte. A cada momento a morte está rondando você. Você está tentando se salvar por qualquer caminho possível, para que você não desapareça, para que você não morra, para que você não chegue a um fim. Mesmo a vida, você não a tem. É por isso que eu não irei lhe pedir para desistir da sua vida. Como você pode dar alguma coisa que você não tem?

Eu só irei pedir aquilo que você tiver. E eu irei pedir aquilo que todos têm. Assim como eu disse que a busca de todo mundo é por alegria, também existe algo que todos têm em abundância: o sofrimento. Você tem uma quantidade suficiente de sofrimento, mais do que você precisa. Por muitas vidas você nada mais tem colecionado a não ser sofrimentos. Você colecionou pilhas disso. Mesmo o monte Everest parecerá pequeno se for comparado com as pilhas de problemas que você tem colecionado. Esse é o trabalho de suas muitas vidas; você nada tem ganho, exceto problemas. Mesmo agora você os está ganhando.

Eu gostaria que você largasse seus problemas, renunciasse aos seus problemas. Ninguém jamais pediu os seus problemas, mas eu estou pedindo. E se você puder desistir de seus problemas, aí o caminho para a alegria poderá ser aberto. E se você conseguir abandonar os seus problemas, você irá perceber que aquilo que você pensava ser problema nada mais era que ilusão. E os seus problemas não o estavam segurando; você é que os estava segurando. Mas uma vez que você os deixe ir, você irá saber então quem estava segurando quem.

Você está sempre perguntando como conseguir livrar-se do sofrimento. Perguntando assim, parece que o sofrimento o está segurando e você quer livrar-se dele. Se o sofrimento estivesse lhe segurando, então não seria possível você se livrar dele, porque a posse não estaria em suas mãos, mas nas mãos do sofrimento. Você seria impotente. E se depois de tantas vidas você ainda não conseguiu tornar-se livre, então como conseguir tornar-se livre agora?

Eu digo a você que o sofrimento não o está segurando; você é que está segurando o sofrimento. E se você puder fazer uns experimentos, aceitando o que eu estou dizendo, você irá compreender por si mesmo. E não apenas você compreenderá isso, mas você irá experienciar uma entrega; você saberá como o sofrimento pode ser abandonado. E quando tornar-se bom na arte de abandonar o sofrimento, você irá perceber o que estava arrastando consigo. E ninguém, a não ser você, era responsável por isso. Por qualquer coisa que você tenha experienciado como sofrimento, nenhuma outra pessoa pode ser responsabilizada. Esse era o seu desejo: você queria sofrer.

Tudo o que nós desejarmos será permitido. E tudo o que você é, é o fruto dos seus desejos. Nem Deus é responsável, nem a sorte; ninguém tem motivo algum para lhe causar problemas.

A verdade é que a existência está sempre querendo fazer você ficar alegre. Toda essa existência quer que a sua vida se torne um festival... porque quando você está infeliz, você também sai atirando infelicidade por toda a sua volta.

Quando você está infeliz, o mau cheiro de suas feridas alcança toda a existência. E quando você está infeliz, a existência também sente dor. Todo esse mundo sente dor quando você está infeliz e sente alegria quando você está alegre. A existência não deseja que você deva ser infeliz. Isso seria suicídio para a própria existência. Mas você está infeliz e para se tornar infeliz você teve que fazer toda sorte de arranjos. E enquanto isso não for destruído, você não será capaz de abrir os seus olhos para a felicidade.

Quais são os seus arranjos? Que arranjo o homem faz para estocar os seus problemas? Como ele os coleciona? Compreenda isso um pouco e talvez fique mais fácil para você soltá-los.

Uma criancinha quer chorar. Os psicólogos dizem que a ação de chorar da criança é como o ato de vomitar. Sempre que uma tensão cresce dentro de uma criança, ela, ao chorar, atira para fora as suas tensões. Você foi uma criancinha. Uma criancinha está com fome e não estão lhe dando o leite na hora certa. É por isso que ela está chorando, é porque ela encheu-se de tensão. E isso é necessário para liberar a sua tensão para fora. Ela irá chorar, a tensão será liberada e ela se sentirá mais leve. Mas nós ensinamos a criança a não chorar. Nós tentamos todas as maneiras para impedi-la de chorar. Nós colocamos brinquedos em suas mãos para que ela se esqueça; nós colocamos alguma coisa artificial em sua boca, ou colocamos o seu polegar em sua boca de modo que ela confunda isso com o seio de sua mãe e esqueça da fome. Nós começamos a balançá-la para lá e para cá a fim de que sua atenção se disperse e ela não chore. Nós tentamos tudo para não deixá-la chorar. Aquela tensão que poderia ter sido liberada pelo choro, não é liberada e vai sendo guardada. Desse jeito nós deixamos que isso vá se acumulando. Quem sabe quantas dores e angústias cada pessoa tem acumulado? Ela senta-se sobre essa coleção empilhada.

Quem sabe quantas tensões você acumulou? Você não tem chorado nem dado gargalhadas com seu coração totalmente presente. E porque você não chorou, alguma coisa ficou presa dentro de você. Você não tem ficado totalmente com raiva, nem tem perdoado completamente alguém. Você tornou-se uma pessoa pela metade. Os seus ramos querem se abrir mas eles não são capazes disto. As folhas querem brotar para todos os lados, mas elas não são capazes disto. A sua árvore ficou atrofiada. O nome dessa dor acumulada, dessa dor não liberada, é inferno. E você segue arrastando esse inferno ao seu redor.

Eu o chamei aqui para que o seu inferno possa ser jogado fora, e você pode jogá-lo fora. (...)

Eu estou aqui para aqueles que são capazes de tornarem-se simples como uma criança, e somente assim eu posso fazer alguma coisa. Porque somente às crianças pode-se ensinar alguma coisa, somente as crianças podem ser mudadas, e uma revolução pode ocorrer apenas nas vidas das crianças. Nos experimentos de meditação que acontecerão aqui, vomite, atire para fora todo sofrimento que você tiver em seu coração. Se você tiver raiva, atire-a para o céu, se você tiver violência, atire-a para o céu. Você não tem que ser violento com ninguém, simplesmente libere a violência para o céu aberto. Problemas, dores, culpas; qualquer coisa que estiver dentro tem que ser jogada para fora. Você tem que atirá-las tão totalmente quanto for possível. Use toda a sua energia de modo que qualquer problema que estiver dentro seja trazido à consciência.

Você deve compreender que enquanto você não ficar consciente da dor escondida no seu inconsciente, ela não o deixará, ela permanecerá escondida. Exponha-a, traga-a para a consciência. Puxe-a para fora, onde quer que ela esteja escondida na escuridão interna, traga-a para a luz. Algumas coisas morrem com a luz. Se você puxar para fora da terra as raízes de uma árvore, elas morrerão. Elas necessitam da escuridão, elas vivem na escuridão, na escuridão está a vida delas. Assim como as raízes, o sofrimento também vive na escuridão. Exponha os seus sofrimentos e você descobrirá que eles morreram. Se você continuar escondendo-os dentro de si, eles irão permanecer seus companheiros constantes por muitas vidas. A infelicidade tem que ser expressada.Compreenda uma coisa mais: foi de fora que você pegou as dores e as trouxe para dentro de si. Por favor, volte com elas para o lado de fora. A dor não é interna; todas as dores são trazidas do lado de fora.

Quando você nasceu, qual era a natureza do seu ser? Não havia dor: a dor foi trazida de fora. Se um homem o maltratou e fez você ficar infeliz, o maltrato foi trazido de fora. Agora, você irá acumular essa dor do lado de dentro, deixará que ela cresça, irá reprimi-la, assim ela se expandirá e envenenará toda e qualquer célula do seu corpo.

Você se tornará um homem infeliz. Você traz a dor de fora. Ela não está em sua natureza. É por isso que eu lhe digo que você pode livrar-se da dor. Você não consegue se livrar da natureza, daquilo que é a fonte do sentir. Você pode livrar-se apenas daquilo que não é seu. Não há jeito de você livrar-se daquilo que é seu.

A dor tem que ser jogada fora. Durante esses próximos dias, quanto mais você puder jogar, jogue. E na medida em que você for jogando fora, irá crescer a sua compreensão que isso era uma loucura estranha que você estava cultivando. Isso poderia ter sido jogado fora naturalmente, estava em suas mãos, mas, desnecessariamente, você se bloqueou. E a segunda coisa: na medida que você joga fora a dor, que a envia de volta para fora, de onde ela veio, a alegria começa a brotar dentro de você.

A alegria está dentro. Ninguém a traz de fora. Ela não vem de fora, ela é a sua natureza, ela é você. Ela está escondida dentro, ela é a sua alma. Se for jogado fora esse lixo que veio de fora e que tem sido acumulado, então a alma interna começará a expandir, começará a crescer. Você começa a ver a sua luz e a ouvir a sua dança, você começa a mergulhar na música mais interna.

Mas isso só acontece se você liberar o lixo de modo que o céu interior possa se estabelecer, algum espaço criado. Então aquele espaço que está escondido dentro pode expandir-se.

A dor deve ser expressada para que aquela alegria possa expandir-se internamente. E quando a alegria começa a expandir-se, é necessário compreender também a segunda coisa. Se você reprimir a dor, ela cresce. Se a dor é reprimida ela cresce, se você a expressar, ela diminui. Com a alegria ocorre totalmente o oposto: se você reprimir a alegria, ela diminui; se você a expressar ela aumenta.

Assim, a primeira coisa é isso: que você tem que jogar fora a dor, porque ela diminui sendo expressada. Não a reprima, pois ela cresce com a repressão. E quando você tiver a primeira visão da alegria que vem de dentro, então expresse-a... porque quanto mais você expressar a alegria, mais ela aumenta internamente e camadas frescas começam a crescer.

Isso é exatamente igual a quando você fica tirando água de um poço: nova água de fontes frescas encherá o poço. A fonte da alegria está dentro, assim não tenha medo de que ela irá diminuir por você expressá-la. A dor fica reduzida ao expressá-la, porque a sua fonte não está dentro. Ela foi trazida de fora, assim se você a expressar, ela ficará reduzida.

Se você quiser enganchar-se na dor, então tenha isso em sua mente: nunca jogue-a fora. Se você quiser aumentar o seu sofrimento - e isso é o que você está fazendo e parece que muitas pessoas estão fazendo - então nunca expresse seu sofrimento, nunca manifeste-o. Se lágrimas estiverem jorrando, então engula-as, se você sentir raiva, reprima isso. Se qualquer problema estiver brotando internamente, reprima isso. Ele irá aumentar. Você se tornará um grande inferno.

Se você quiser reduzir a dor, então deixe-a acontecer; se você quiser aumentar a alegria, então deixe-a acontecer, porque a alegria está dentro e novas camadas continuarão se revelando. E na medida em que você segue deixando a alegria acontecer, você começará a ter mais e mais vislumbres de pura alegria. A alegria aumenta ao ser compartilhada.

A dor tem que ser liberada. E quando você começa a ter vislumbres de alegria, eles também têm que ser liberados.

Você tem que se tornar como uma criancinha, que não tem qualquer preocupação a respeito do passado, nem qualquer questão a respeito do futuro, que nem mesmo sabe o que os outros estão pensando a seu respeito.

Somente então acontecerá aquilo para o que eu o chamei aqui, e aquela jornada na qual eu gostaria que você fosse bem suavemente. Um pouco de coragem é requerida, e então, os tesouros de alegria não estarão longe.

Um pouco de coragem é requerida e você poderá abandonar o seu inferno - exatamente como alguém que se suja na rua e volta para casa para tomar um banho e a sujeira é lavada. Da mesma maneira, a meditação é o banho e a dor é a sujeira.

Assim como depois do banho a sujeira foi lavada e você se sente fresco, da mesma forma você terá um vislumbre, sentindo dentro de si a felicidade e alegria que é a sua natureza."


Osho - The Sadhana Sutra


domingo, outubro 28, 2012

Oração para eliminar a ilusão e contemplar o mundo da Imagem Verdadeira


Masaharu Taniguchi


Oração para eliminar a ilusão e contemplar o mundo da Imagem Verdadeira de felicidade eterna:

Existem muitas pessoas que vivem temendo a ocorrência de infortúnios, doenças ou acidentes, considerando-os castigos de Deus. Há também religiosos que amedrontam as pessoas com ameaças de "punição divina" ou "castigo do céu", para induzi-las a se converterem à seita ou religião deles. Tanto esses religiosos, como as pessoas que neles acreditam, estão errados.

A Bíblia ensina que onde existe o amor perfeito não há medo, e que o amor perfeito é manifestação de Deus. Portanto, o verdadeiro cristianismo não suscita temor nas pessoas, e os verdadeiros cristãos não procuram converter as pessoas com ameaças de "castigo divino".

Também no budismo, o Hannya Shingyō (Prajfiã-paramitã-sutra) diz: "Eliminando-se a ilusão, desaparece o temor". Isto significa que a fé religiosa que suscita temor não é verdadeira, sendo apenas ilusão camuflada de fé. Ilusão é como sonho; é ver aspectos contrários à realidade. Pode acontecer de alguém, no sonho, ver-se submetido a um terrível castigo e, acordando, perceber que estivera sonhando e soltar uma risada de alívio. Julgar "existente" o que "não existe" - este pensamento contrário à realidade é ilusão. Pode acontecer, também, de alguém sonhar que perdeu algo e, acordando, constatar que esse algo permanece ali, diante de seus olhos. O mesmo ocorre com a ilusão. Pode-se dizer, portanto, que ilusão é "pensamento invertido", ou seja, julgar "existente" o que "não existe", e vice-versa. Por isso, o Hannya Shingyō afirma que o estado de ilusão é como o sonho no qual a pessoa julga ser real o que não existe realmente; ensina que neste mundo criado por Deus não há criatura alguma e coisa alguma capaz de nos infundir medo, e diz que é preciso abandonar o "pensamento invertido", isto é, a ilusão, pois assim o medo desaparecerá.

Tudo que existe de verdade é obra criada pelo Deus único. Deus, o Criador, é Bem infinito, é possuidor de Sabedoria infinita. Portanto, neste mundo criado pela Sabedoria infinita de Deus não existem falhas nem incoerências. Este mundo só pode ser um mundo perfeito onde todos os seres vivem em total harmonia, ajudando e complementando uns aos outros. Por isso, basta abrirmos os olhos da mente, eliminarmos a ilusão e contemplarmos a Imagem Verdadeira para que todos os males - originalmente inexistentes - desapareçam por completo. Desaparecendo a ilusão, ocorre a cura da doença, cessa o conflito, ninguém permanece pobre ou feio. E assim podemos descortinar, neste mundo que habitamos, o aspecto perfeito do mundo da Imagem Verdadeira onde existe a felicidade eterna.

Eliminemos a ilusão. Na verdade, o mundo que habitamos aqui e agora é a manifestação exata do mundo da Imagem Verdadeira, onde reinam o bem e o belo supremos e a felicidade eterna. Tendo recebido a revelação desta Verdade, contemplo neste momento o mundo onde reinam o bem, o belo e a felicidade eterna, e o meu coração pulsa de alegria infinita.

Agradeço a Deus por esta bênção. Muito obrigado.

(Do livro: A Verdade em Orações, vol. 2)

ligaj | Deus Sumiyoshi

quinta-feira, outubro 25, 2012

No "intervalo" manifesta-se a Vida


 Masaharu Taniguchi


A Verdadeira beleza não está na coisa em si. Os discursos das peças de Maeterlinck exprimiam seu espírito através da pausa existente entre uma palavra e outra. Em todas as coisas, a beleza verdadeira está muito mais no "intervalo" que as une do que nelas em si. Cada fonema isoladamente não é tão belo, mas quando ele se liga a outros fonemas nasce, na "pausa" entre eles, uma beleza que cada um em si não possui. O mesmo acontece com as cores. Quando duas ou mais cores se combinam nasce uma beleza que não existe em cada uma delas. A música está na "pausa", a arte plástica está na "pausa", e a vida do homem está na "pausa".

Não sei quem inventou a palavra "homem", em japonês, composta de dois ideogramas - pessoa e intervalo -, mas de fato a vida do homem não está em cada indivíduo; ela está no "intervalo" entre um indivíduo e outro que se ligam. Os homens que são vistos pelos olhos carnais e percebidos pelos órgãos sensoriais são todos existências isoladas, as quais são existências falsas, sujeitas à desintegração, e não o "homem verdadeiro".

O homem que é a existência real só se manifesta no "intervalo" entre as existências fenomênicas que são apreendidas pelos órgãos sensoriais. Não é através da existência sensível que se enxerga a Imagem Verdadeira (Jisso), é no "intervalo" entre uma existência sensível e outra que se manifesta a Imagem Verdadeira do homem. O que reproduz esse "intervalo" é a arte, e o que faz viver esse "intervalo" é o amor.


(Do livro "A Verdade da Vida, vol. 08"; pgs. 84 e 85)


terça-feira, outubro 23, 2012

Inspiração para curar

Paul Grimes

 
Era de manhã bem cedo. Acordei subitamente e senti a orientação divina para pegar lápis e papel, e começar a escrever. De início relutei em segui-la, mas então obedeci. Logo abaixo está a inspiração que me veio, sobre meu trabalho como Praticista da Ciência cristã.
 
Eu sou Deus e nunca criei a matéria; não existe matéria. Portanto, pare de tentar curar matéria. Nem seu paciente, nem você, como praticista, podem ser mesmerizados a acreditar que um problema possa ter existência real, pois Eu nunca criei um problema. Não existe nenhum problema para curar, apenas um conceito incorreto (falso). Saiba mais a respeito de Quem Eu sou. Saiba a Verdade sobre o que Eu criei. Essa é a verdade sobre o trabalho que você faz.
 
Não pode haver nenhuma resistência ao reconhecimento daquilo que Eu criei. Uma vez que nem você, nem o paciente, podem pensar de si mesmos. Como praticista, não imagine que você tenha de levar o paciente a saber alguma coisa, uma vez que Eu sei Tudo.
 
Como praticista, não duvide nem questione o trabalho de cura. A Ciência Cristã jamais falha. O Princípio está por trás de todo o trabalho. Tanto para o praticista como para o paciente.

Conforme este versículo bíblico, “ ...eu sou Deus e não há outro” (Isaías 45: 22), fiz todas as coisas reais e completas. Não tente compreender aquilo que não existe, mas conheça somente aquilo que realmente existe! O poder da oração é o conhecimento daquilo que é, daquilo que existe. Se Eu não o criei, ele nunca foi criado; portanto, nunca pode estar no pensamento, porque Eu sou a Mente. Essa verdade é absoluta e Eu não conheço nenhuma outra. Nunca criei nada material. Não existe nenhuma condição material.
 
Mary Baker Eddy trouxe essa verdade para o primeiro plano e a única maneira de o trabalho dela ser reconhecido é seguir o Cristo. É o Cristo que vem até você, a fim de que saiba como curar. O Cristo está com cada um dos filhos de Deus. Esse Cristo se manifesta no pensamento e fala tanto para o paciente como para o praticista, a verdade de que existe um único Deus, uma única criação, um único Criador, uma única Mente, um único Princípio. O paciente não pode ficar na obscuridade, não pode sentir dor, não pode receber diagnóstico de doença, não pode sofrer, não pode falhar e não pode morrer.
 
Há uma lei nesse trabalho, a Minha lei. Não há nenhum processo mental no trabalho de cura pela Mente; existe somente um fato: Deus. Comece com Deus e termine com Deus. Não há nada mais.

Somente Eu faço tudo o que existe. Somente Eu sou o poder em seu trabalho de cura. Eu criei, e a manifestação daquilo que criei tem de existir.
 
O trabalho de cura por meio da oração está no Espírito, não na matéria. A matéria recebe atenção demasiada do paciente e do praticista. Nem o paciente nem o praticista dão origem à comunicação, pois somente Eu me comunico com ambos.
 
Ouça somente a Minha palavra. Permaneça no único reino, que é o Meu. Não tente convencer o paciente a respeito da Verdade, porque então você estará aceitando a discórdia sobre a qual o paciente está falando. Nem você nem o paciente reconhecem qualquer coisa a não ser a Mim. Eu sou o Sanador, e “EU SOU O QUE SOU” (Êxodo 3: 14).

Portanto, a cura consiste em saber o que realmente existe. Não tenha medo. Saiba quem Eu sou. Saiba o que Eu sou. Saiba onde Eu estou. Não examine aquilo que eu nunca criei. Não aceite aquilo sobre o qual Eu nada sei a respeito. Não tente descobrir o porquê. Não tente analisar. Não permita que seus pacientes acreditem que eles sejam criadores ou o instrumento de outro criador além de Mim. Eu sou o único e Eu criei somente o único; portanto, não existe nada mais. Não há nenhum processo de tempo envolvido na percepção desse fato.
 
Como praticista, volva-se a Mim. Conheça-Me. Como praticista, seu trabalho de oração está completo, pois ele está fundamentado em uma única criação. O Consolador está presente. Permaneça Comigo. Não permita que nada além de Mim permaneça em seu pensamento, pois não há nenhum pensamento além de Mim. Eu sou a Mente com a qual você e o paciente pensam. A Mente que pensa o universo. Não creia nem aceite outro pensamento! Como praticista, seu trabalho está fundamentado somente em Mim.
 
Eu estou presente. Eu sou o poder. Eu fiz perfeitas todas as coisas. Não existe nenhuma dessemelhança para aquilo que Eu criei. Não há nenhuma substituição. Não há nenhuma justificativa para o sonho de vida na matéria. Há somente aquilo que Eu criei, e você Me conhece somente como Eu sou!
 
Seu trabalho de cura está completo! Não aceite nenhuma mentira que seja dita em contrário, porque ela não provém de Mim.
 
“Vai tudo bem” (Hinário da Ciência Cristã, 350) Eu, somente Eu sou Tudo! Aceite o que Eu lhe comuniquei! Aceite que tudo é perfeito! Você sabe somente o que Eu sei!
 
É desnecessário dizer que essa inspiração verdadeiramente me despertou para o fato simples e absoluto de que Deus é TUDO! Não poderia me sentir pessoalmente responsável pelo trabalho de curar aqueles que me pedem ajuda. Isso me fez compreender que a revelação final dessa Ciência divina é o fundamento sobre o qual o trabalho de cura é feito. Fez com que eu ficasse grato por reconhecer que devo trabalhar a partir do fato de que a Ciência Cristã é a revelação final da Verdade, e que meu trabalho deve se apoiar, com segurança, no reconhecimento de que cada tratamento da Ciência Cristã é eficaz. Nossa oração não pode ser invertida. Nosso trabalho de cura não está se definhando. Nossas curas não são demoradas nem tediosas. Nosso trabalho é o cumprimento da profecia, portanto, todos podem testemunhar o potencial contido na revelação final da Verdade!
 
 
(Extraído de O Arauto da Ciência Cristã – Ano 60 – N° 12)
 

segunda-feira, outubro 22, 2012

Suba de cima para baixo

Dárcio Dezolt
 

A crença de que meditamos para “conscientizar que Deus é Tudo” precisa ser extinta, e antes mesmo de meditarmos, se é que estudamos a Verdade Absoluta. Isto porque este estudo não é como ocorre com estudos humanos, em que a pessoa, de início, se vê desconhecedora de um assunto, como a música, por exemplo, para ir adquirindo este conhecimento aos poucos e com o passar do tempo! O estudo da Verdade é SER A VERDADE JÁ! Jamais você “aprenderá a ser Deus”. Por outro lado, o suposto “eu humano” nunca foi, é ou será Deus, uma vez que jamais existiu! E Deus – que é TUDO -  já é Deus!
 
Enquanto a crença em “se tornar Deus um dia” perdurar, suas meditações terão resultados comprometidos com a ILUSÃO! Desta prática errônea,  de acreditar que a meditação objetiva dar “conscientização da Verdade ao ego”, é que vem a errônea aceitação de que terminada a meditação, voltamos ao “mundo ilusório”. DEUS É TUDO! Não medite para,  “durante” a meditação”, começar a aceitar que DEUS É VOCÊ! Antes de meditar, aceite esta Verdade! Certifique-se dela primeiro! E então, poderá meditar corretamente,  que é simplesmente “contemplar” este FATO VERDADEIRO E JÁ ACEITO!
 
Infelizmente, dos ensinamentos relativos vieram as  práticas dualistas, que sempre pregam a existência de “seres humanos”  necessitados de  “conscientizar Deus”. Parta da Verdade ACEITA! A isto eu sempre denominei “subir de cima para baixo”. Sem assim proceder, a crença de que somos humanos, “sempre a conscientizar a Verdade”,  é que será perpetuada! E, desse modo, o que cada um estará conscientizando, será a ilusão!
 
Saia da prática dualista! A única VIDA Se expressando, é DEUS! A única Mente Se expressando, é DEUS! O único “VOCÊ” Se expressando, é DEUS!  Já parta, portanto, da aceitação consumada deste FATO,  e nunca de “expectativas de conscientização”. Suba “de cima para baixo”!

 

sexta-feira, outubro 19, 2012

Experiência de Deus

Dárcio Dezolt

 
Sobre a "Experiência de Deus", certa vez escrevi o seguinte:
 
"Muitos dizem que não conseguem “sentir” a Experiência de Deus, quando meditam. Assim, ficam com a falsa impressão de que teriam que se elevar ainda mais em consciência, o que, segundo eles, seria conseguido por meio de muita dedicação, horas de interiorização, etc. Contudo, não existe uma escala de graduação de consciência.
 
DEUS É CONSCIÊNCIA, E DEUS É A ÚNICA CONSCIÊNCIA QUE HÁ! Deus está sendo, aqui e agora, a Consciência que cada um de nós já É! A Consciência de Deus, aparecendo como nossa Consciência individual, constitui a EXPERIÊNCIA DE DEUS. Assim, Deus está, agora e sempre, experienciando a Si mesmo COMO cada um de nós."
 
Influenciadas por ensinamentos relativos, que não excluem por completo o suposto ser humano com sua mente humana desejosa de se iluminar, ficam as pessoas se identificando com o relativo e batalhando para discernir o Absoluto! Seria o Pato Donald lutando a vida toda para "sair de Patópolis" e conhecer o mundo de Walt Disney! Entretanto, ficção jamais desperta para a realidade! Não existe verdade em "seres humanos". Esta ficção é para ser descartada pela total admissão e identificação com a Verdade Eterna: DEUS É TUDO - inclusive VOCÊ!

terça-feira, outubro 16, 2012

A Meditação do Ser

 

Pergunta: Pode-se ter uma experiência temporária do Eu Real, a realidade subjacente, mas então ela desaparece. Você pode dar alguma orientação em como permanecer estável naquele estado?
 
Annamalai Swami: Um lampião que está aceso pode apagar se o vento estiver forte. Se você quiser vê-lo novamente, você tem que reacendê-lo. Mas o Ser não é assim. Ele não é uma chama que pode ser apagada pela passagem dos ventos dos pensamentos e desejos. Ele é sempre luminoso, sempre brilhante, está sempre lá. Se você não está consciente dele, isso significa que você colocou uma cortina ou um véu na frente dele que bloqueia sua visão. O Ser não oculta a si mesmo atrás de uma cortina. É você que coloca a cortina lá ao acreditar em ideias que não são verdadeiras. Se a cortina se abre e então se fecha novamente, isso que dizer que você ainda está acreditando em ideias erradas. Se você erradicou-as completamente, elas não reaparecerão. Enquanto essas ideias estiverem cobrindo o Eu Real, você ainda precisa fazer constante sadhana.
 
Então, voltando à sua questão, o Eu Real não precisa estabilizar-se. Ele é pleno e completo em si mesmo. É a mente pode ser estabilizada ou desestabilizada, não o Ser.

Pergunta: Por constante sadhana, você quer dizer autoinquirição?

Annamalai Swami: Sim. Pela força da prática, ao fazer esta sadhana, esse véu será completamente removido. Não haverá outros obstáculos. Você pode ir ao topo de Arunachala, mas se você não estiver alerta, se não estiver prestando atenção, você pode escorregar e ir parar no Easanya Math [uma instituição hindu ao pé da montanha].
 
Você tem que fazer um esforço enorme para realizar o Ser. É muito fácil parar no caminho e cair de volta na ignorância. A qualquer momento você poder cair. É preciso fazer um esforço sólido e determinado para permanecer no pico quando você o alcançar pela primeira vez, mas finalmente chegará o tempo em que você estará plenamente estabelecido no Eu Real. Quando isso acontecer, você não poderá cair. Você alcançou sua meta e esforços não são mais necessários. Até que esse momento chegue, constante sadhana é requerida.
 
Pergunta: Nesse estágio é importante ter um Guru, nesse período quando esforços constantes são necessários?

Annamalai Swami: Sim. O Guru lhe orienta e lhe diz que o que você fez não é o suficiente. Se você está enchendo um balde com água, você sempre pode acrescentar mais água enquanto houver espaço. Mas quando ele estiver completamente cheio, quase transbordando, não faz sentido colocar nem mais uma única gota. Você pode achar que fez o suficiente, e pode até mesmo acreditar que seu balde está cheio, mas o Guru está em melhor posição para ver que ainda há espaço, e que mais água precisa ser acrescentada. Não confie em seu próprio julgamento nesse assunto. O estado que você alcançou pode parecer ser completo e final, mas se o Guru diz, “Você precisa mais sadhana”, acredite nele e continue com seus esforços.
 
Bhagavan costumava dizer muitas vezes, “O Guru físico está fora, dizendo a você o que fazer e empurrando você para dentro do Eu Real. O Guru interno, o Eu Real dentro de você, simultaneamente puxa você em direção a ele.”
 
Uma vez que você tenha se fixado no Guru interno, o Eu Real, a distinção entre Guru e discípulo desaparece. Nesse estado você não precisa mais da ajuda de qualquer Guru. Você é Aquilo, o Ser. Até que o rio alcance o oceano ele é obrigado a continuar fluindo, mas quando chega ao oceano, ele torna-se o oceano e o fluxo pára. Originalmente, a água do rio veio do oceano. Na medida em que flui, ela está simplesmente fazendo o caminho de volta até a sua fonte. Quando você medita ou faz sadhana, você está fluindo de volta para a fonte de onde você veio. Depois de ter alcançado essa fonte, você descobre que tudo o que existe – mundo, Guru, mente – é um. Diferenças e distinções não surgem lá.
 
Não dualidade é jnana; dualidade é samsara. Se você puder abandonar a dualidade, só Brahman permanece, e você percebe que você mesmo é esse Brahman, mas para fazer essa descoberta a meditação contínua é necessária. Não reserve períodos de tempo para isso. Não considere isto como alguma coisa que você faz quando está sentado com os olhos fechados. Essa meditação tem que ser contínua. Pratique-a enquanto estiver comendo, caminhando, e mesmo conversando. Ela tem que acontecer o tempo todo.

 

domingo, outubro 14, 2012

Há um pássaro cantando...

Dárcio Dezolt


Quem Estuda a Verdade Absoluta precisa, primeiramente, entender que este estudo se compõe de informação e de percepção. A informação é necessária, para que saibamos o que deve ser percebido; porém, após a informação ter cumprido esta sua finalidade, a atenção deverá estar voltada cem por cento à percepção!

Suponha que alguém escute um pássaro a cantar à distância e, vendo alguém distraído ao seu lado, lhe faça esta pergunta: “Você está ouvindo um pássaro cantando?” Por estar distraída, ou concentrada em outra coisa, a pessoa dirá: “Não, deixe-me prestar mais atenção!” E então, ela confirmará: “Sim, 'agora' estou ouvindo-o também!” O pássaro já estava a cantar! Mas, recebendo a informação, ela “prestou a atenção”; e, desse modo, o que “já estava acontecendo” pôde ser discernido! É assim que a “informação”se torna “percepção”.

Haveria algum sentido em a pessoa buscar informações e mais informações a lhe repetir que “há um pássaro cantando”? Sabemos a resposta: “NÃO!” Se o fato existe e a informação lhe chega, cabe a ela PERCEBÊ-LO! É este o papel das “contemplações da Verdade”: DEUS ESTÁ SENDO O SEU EU! Este é o “pássaro cantando”! Sem forçar a mente, sem querer que isto se torne verdadeiro, sem achar ser isto difícil ou fácil de ser compreendido, passe a DAR ATENÇÃO TOTAL À PERCEPÇÃO DO FATO! Acredite ser verdadeiro e acredite TER MEIOS DE PERCEBÊ-LO! Desse modo, anulará o “intelecto”, que busca e busca – mesmerizado – informações repetidas de que “DEUS É VOCÊ”, e se verá PERCEBENDO O FATO de que a sua Existência é DEUS!