"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

sexta-feira, outubro 12, 2012

Ah! Isto!

SER_gio


- Quem  (ou o quê) sou eu?
- Sou o que sou - e não sou "algo".
- Onde estou?
- Aqui.
- Onde é aqui?
- Lugar nenhum. Todos os lugares estão em Mim. Aqui é infinito...
- De onde vim, e para onde vou?
- Não vim, nem vou para lugar nenhum. Como o Infinito viria ou iria?
- Sou desde quando?
- "Desde" Agora atemporal...
Ah! ISTO!

quarta-feira, outubro 10, 2012

Diálogos conscienciais: Meditar, perceber e Amar!



Núcleo


De que forma o Amor está relacionado à meditação?

A resposta pode ser obtida através do compartilhamento a seguir de um diálogo entre a "mente" e a "Consciência", entre o "homem" e "Deus", entre o "personagem" e o "Ser”.

Personagem: O que é meditação?
Ser: Meditação é percepção.

Personagem: Como faço para aprender a meditar?
Ser: Meditação é percepção. Você já está percebendo…

Personagem: O que estou percebendo é que sou um ser humano que quer aprender a meditar.
Ser: Quem medita percebe que não é um ser humano…

Personagem: Se já estou percebendo, mas eu não percebo que não sou um ser humano, quem é o eu que está percebendo?
Ser: É seu Eu verdadeiro; é Quem já está percebendo…

Personagem: Se não percebo meu Eu verdadeiro, que é Quem já está percebendo, como posso percebê-lo?
Ser: Meditando…

Personagem: Mas o que é meditar?
Ser: Meditar é perceber…

Personagem: Parece que voltamos ao início! Meditar é perceber… Espere um momento… perceber o que?
Ser: É apenas perceber…

Personagem: De fato já estou percebendo algo!
Ser: Sim, foi o que Eu disse, você já está percebendo…

Personagem: Mas estou percebendo apenas o meu mundo, o que todos percebem com os cinco sentidos de percepção.
Ser: É o que você já está percebendo…

Personagem: Mas eu quero perceber a Realidade Divina, não a realidade humana, que os iluminados dizem que não é real. Como posso perceber a Realidade Divina?
Ser: Há apenas uma realidade, que é percebida meditando…

Personagem: Eu me rendo! Não consigo sair disso. Sei que não vai adiantar eu perguntar novamente o que é meditar…
Ser: Não é preciso se render, apenas siga a direção correta…

Personagem: Mas minhas perguntas acabam sempre voltando ao mesmo ponto…
Ser: Mesmo no nível das perguntas, no nível da mente, faça a pergunta correta! Não desista!

Personagem: Está bem. Vamos lá… O que é meditação?
Ser: Já dei esta resposta. Meditação é percepção.

Personagem: Perguntei como faço para aprender a meditar?
Ser: Já dei esta resposta também. Quer que a repita?

Personagem: Não. Quero saber qual a pergunta correta aqui?
Ser: Quando disse que meditar é perceber… já dei a deixa… abri todas as possibilidades a você.

Personagem: Por que em vez de “dar a deixa” você não me diz logo qual o caminho a seguir para eu poder meditar?
Ser: Porque é você que escolhe o caminho que quer seguir… Suas escolhas definem a realidade de quem você está sendo. Escolhas não alteram a possibilidade de meditar e perceber. A possibilidade de meditar e perceber estará sempre a sua disposição!

Personagem: Você disse que meditar é apenas perceber…
Ser: Sim, é apenas perceber…

Personagem: Se é apenas perceber… e não é perceber algo, o que você percebe?
Ser: Percebo apenas a Mim mesmo!

Personagem: Mas você está me percebendo, já que estamos tendo um diálogo!
Ser: Sim, estou te percebendo em Mim mesmo…

Personagem: Como assim, me percebendo em você mesmo? Não estamos separados? Não tenho realidade fora de você?
Ser: Não estamos separados, percebo apenas a Mim mesmo! E somos Um só!

Personagem: Já sou você e estamos vivendo a mesma Vida? Se é assim, porque não estamos vivendo a mesma realidade?
Ser: Só há uma Vida, Eu sou essa Vida e estamos vivendo esta Vida. Mas a realidade que você vê vem de um tipo de percepção e a realidade que vejo vem de outro…

Personagem: Então refaço a pergunta sobre a percepção! Você disse que meditar é perceber e então perguntei: Perceber o que? Refaço a pergunta: Que tipo de percepção?
Ser: A percepção que resulta em uma ação consciente.

Personagem: Que ação consciente? O que devo fazer?
Ser: De início perceba que perguntas e respostas estão na percepção da mente… Não se detenha nesse nível. A percepção que se expressa numa ação consciente pode ser expandida ao infinito. Saiba: Estou sempre meditando, sempre percebendo a Mim mesmo e a Minha Realidade, que é a nossa, a única. Somos Um, por isso você pode Me perceber, ou seja, você pode perceber-Se. Quando você imerge em Mim e Me percebe, percebe que em realidade Sou Eu Quem está Se percebendo… Neste sentido, nunca há alguém além de Mim que Me percebe… Sou sempre Aquele que medita, Aquele que percebe! Por isso disse que: “Quem medita percebe que não é um ser humano”.

Personagem: Um mestre deu a entender num poema que sou fruto da Sua imaginação… Eu sou fruto da Sua imaginação?
Ser: Que mestre deu a entender isso?

Personagem: Você não sabe que mestre?! Como é possível você não saber se somos Um; se estou em você?
Ser: Quem disse que não sei? Apenas perguntei que mestre deu a entender isso, porque sei que outros lerão este nosso diálogo e eles saberão a quem e ao que você está se referindo. Assim poderão acompanhar melhor este diálogo.

Personagem: Percebo… Bem, o mestre a que me referi é Meher Baba em seu poema "O amante e o Amado", onde ele escreve:

Deus é amor. E o amor deve amar. E para se amar deve haver um amado. Mas como Deus é Existência infinita e eterna, não há ninguém para Ele amar além Dele mesmo. E para poder amar a Si mesmo ele deve imaginar-se como o amado a quem Ele como o amante imagina amar. A relação amado e amante implica separação. E a separação cria anseio e o anseio resulta em procura. E quanto mais ampla e intensa é a procura maior será a separação e mais terrível será o anseio. Quando o anseio é o mais intenso a separação está completa e a finalidade da separação, que tinha a finalidade de permitir que o amor pudesse experimentar a si mesmo como o amante e o amado, é cumprida; e a União é o que resulta. E quando a União é atingida, o Amante vem a saber que o tempo todo ele próprio era o Amado a quem ele amou e com quem desejou a União e que todas as situações impossíveis que Ele superou eram obstáculos que Ele mesmo colocou no caminho para Si mesmo. Atingir a União é tão incrivelmente difícil porque é impossível tornar-se o que você já é! A união não é nada além do conhecimento de si mesmo como o Sujeito Único.

Eu me refiro ao trecho em que ele escreveu: “E para poder amar a Si mesmo ele deve imaginar-se como o amado a quem Ele como o amante imagina amar”Por isso fiz a pergunta se sou fruto da Sua imaginação?

Ser: Estamos falando da ação consciente que resulta da percepção. Como disse, estou sempre meditando, sempre percebendo a Mim mesmo. A Minha Realidade resulta deste tipo de percepção que produz sempre uma ação consciente e muito amorosa. O Amor é a Minha Realidade e você é a expressão do Amor!

Personagem: Sou expressão do Amor de Deus! Então, o que alguém deve fazer para “ver” em sua realidade esse Amor?
Ser: Aceita uma resposta breve?

Personagem: Sim, claro!
Ser: Deve Amar!

Personagem: Nossa, resposta muito breve! O que é Amar?
Ser: Amar é o Verbo que expressa a ação de alguém que percebe Quem somos.

Personagem: Está dizendo que nós somos Um e devemos perceber isso para amar?
Ser: Não. Eu já percebo isso por todos nós e estou compartilhando o que percebo. Você deve amar para “ver o amor”, perceber o que percebo; e para viver a Minha realidade!

Personagem: Por onde começar a amar?
Ser: Comece se harmonizando com “o céu e a terra”! Ou seja, harmonize-se com todos os seres, com tudo que percebe em sua realidade!

Personagem: Efetivamente como fazer isso?
Ser: Note que o tipo de percepção de que estamos falando não implica necessariamente em fazer algo. Você pode estar fazendo algo ou não e mesmo assim “amando o que faz” e “interagindo comigo”. É agindo assim, ou seja, amando que se ativa esta percepção! A chave é: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como ama a você mesmo.

Personagem: Sim, eu sei, sei do que trata este diálogo sobre amor e a percepção… Sei que podemos interagir como estamos interagindo e ter a percepção de “Quem” Sou. Nesta percepção instantaneamente Eu Me “percebo” e todas as perguntas e respostas cessam. A bem-aventurança advém desta percepção oceânica na qual tudo Se revela como o Ser Real que tudo É…
Ser: Então você Se percebe…

Personagem: Não. Percebo que não sou eu…; ao menos não esse eu que pergunta… Ocorre exatamente o que você disse! Você Se percebe!
Ser: Sim, percebo que somos Um!

Personagem: Posso compartilhar este diálogo com todos eles?
Ser: Com todos eles? Por enquanto compartilhe apenas comigo…

Personagem: Mas agora estou te percebendo em todos eles…
Ser: Então compartilhe com todos eles!

Assim sendo, por estar harmonizado com “o céu e a terra”;
Por perceber o que estou percebendo [ Deus em cada um ];
Por desfrutar o que estou desfrutando [a percepção divina],
Compartilho esse diálogo com a divindade, com o Mestre…
Com Aquele que apareceu como leitor!
Com Aquele que pode ainda aparecer como vários outros…
Percebo o Mestre em todos!
E a todos agradeço!


Namastê!

domingo, outubro 07, 2012

Mantenhamos a mente pura e dócil

Masaharu Taniguchi


"Acreditando na Verdade de que "Os limpos de coração verão a Deus", mantenhamos a mente limpa, elevada, pura e dócil."

Na Bíblia consta: "Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus" (Mateus 5, 8). "Limpos de coração" significa "aqueles que têm a mente pura". E quem são os que têm a mente pura? São aqueles cuja mente é isenta de conceitos e teorias criados pelos homens. Em outras palavras, são aqueles que têm a mente dócil e receptiva. Tanto a Bíblia como os livros da Seicho-No-Ie ensinam que somente aqueles que têm a alma pura como a de criança conseguem apreender a Verdade. Por mais inteligente que seja uma pessoa, e por mais que ela tenha estudos, não conseguirá apreender a Verdade, se não tiver a mente pura, dócil e receptiva.

Ainda ontem, um estudante me disse: "Assisti a uma experiência de Química comprovando que, da combinação de hidrogêncio com o oxigênio, resulta água. Então fiquei a me perguntar por que isso ocorre. O senhor pode me explicar?". Respondi-lhe como se segue: "Pela combinação de dois átomos de hidrogênio com um átomo de oxigênio resulta a molécula de água. Mas, se me perguntar por que porque tal combinação produz tal resultado, não posso responder. Só posso dizer que isso é um fato, não uma simples teoria, e portanto não pode ser alterado. Pode-se alterar a teoria, mas não o fato. A maneira mais legítima e verdadeira de lidarmos com o fato é simplesmente aceitando-o. Mesmo que se crie a teoria de que 'pela combinação de oxigênio com o hidrogênio obtém-se carvão', permanece imutável o fato de que 'pela combinação do oxigênio com o hidrogênio forma-se água'. Portanto, o fato está acima da teoria, ou em outras palavras, é mais poderoso do que a teoria". Foi esta a resposta que dei ao referido estudante.

Existem pessoas que dão mais valor à teoria do que ao fato. Apesar de ser um fato a ocorrência de cura de doenças pela assimilação dos ensinamentos da Seicho-No-Ie, tais pessoas continuam defendendo com veemência a teoria por eles criada, de que "não é possível curar doenças por meio da religião; as seitas que dizem curar doenças são passam de seitas enganosas, exploradoras dos crédulos". Porém, se de fato ocorre a cura, de que adianta afferrar-se à teoria de que "a religião não cura doenças", ou determinar, por ocasião da maioria, que essa afirmação é verdadeira?

De modo análogo, é inútil teorizar "por que o ser humano é filho de Deus", ou "por que não é filho de Deus", pois a natureza divina do ser humano é um fato, e não uma teoria a ser discutida. O ser humano é filho de Deus - isto é um fato, e não uma simples teoria.

Frequentemente me indagam: "Por que a ilusão não existe?". Simplesmente respondo que "A ilusão não existe porque não existe", pois a inexistência da ilusão é um fato, e não uma teoria para se discutir. Eu poderia apresentar uma tese, diversos argumentos e, com esses argumentos, convencer as pessoas até certo ponto, digamos 80 por cento. Porém, argumentos não passam de argumentos. Por mais hábil que seja um argumento, nada valerá se for contrário ao fato. E, inversamente, mesmo que não se possa apresentar argumento algum, se existe o fato, este se impõe por si e ninguém pode negá-lo. Os argumentos de um debate não decidem, isto é, não criam a condição de o homem ser 'filho de Deus' ou não. Fazendo-se debates sobre a natureza do ser humano, alguns podem contestar a afirmação de que "o ser humano é filho de Deus, e não simples matéria", apresentando argumentos convincentes de que "o ser humano não é filho de Deus". Todavia, por mais convincentes que sejam tais argumentos, não podem mudar o fato - a Verdade de que o ser humano é filho de Deus.

Ontem, uma pessoa me procurou e disse: "Mestre, há dias li em certa revista uma crítica descabida à Seicho-No-Ie. Em linhas gerais, os termos dessa crítica eram os seguintes: 'É absurda a afirmação de que ocorre cura de doenças pela leitura dos livros da Seicho-No-Ie. Caso essa seita insista em afirmar que têm ocorrido muitos casos de cura desde que ela iniciou a propagação de seus ensinamentos, sugerimos que apresente um relatório mostrando as percentagens de diminuição de morbidade e mortalidade na população de nosso país. Que saibamos, não se verificou no país diminuição dos índices de morbidade e de mortalidade desde o surgimento da Seicho-No-Ie'. Parece-me que o autor do referido artigo quer argumentar que, não havendo dados demonstrativos da diminuição de tais índices, deve-se considerar como falsos os casos de pessoas que se curaram pela leitura dos livros da Seicho-No-Ie. É um argumento aparentemenre razoável, mas na verdade não o é. A esse tipo de argumento se dá o nome de sofisma, não é professor?". A pessoa que comentou isso sabia que na Seicho-No-Ie ocorre realmente a cura de doenças, pois havia testemunhado muitos casos de cura.

Felizmente, dispúnhamos de estatísticas demonstrando que, após a divulgação dos ensinamentos da Seicho-No-Ie, em algumas empresas houve acentuada diminuição da ocorrência de doenças em seu quadro de funcionários; e em algumas companhias de estradas de ferro reduziu-se para zero a ocorrência de acidentes. Mandamos publicar essas estatísticas à guisa de resposta ao referido artigo de revista.

Suponhamos que trinta pessoas aqui presentes se curem de miopia pela leitura dos livros da Seicho-No-Ie. Isso significaria a redução real de trinta casos de miopia no país todo. Mesmo que alguém argumente que não existe nenhuma estatística que comprove essa ocorrência, a redução seria um fato, e nada é mais confiável do que o fato em si. Os que pensam ser possível "apagar" o fato com argumentos estão muito equivocados. Estou certo de que logo chegará o dia em que se tornará evidente, por si só, a redução da mortalidade em nosso país como resultado da divulgação dos ensinamentos da Seicho-No-Ie - pois isso é um fato.

Há pessoas que estão com a mente tão abarrotada de teorias e conceitos próprios, que não conseguem admitir honesta e docilmente nenhum fato que esteja em desacordo com seu ponto de vista. Tais pessoas, mesmo presenciando casos de cura pela leitura dos livros da Seicho-No-Ie, argumentam que "isso não deve ser levado em consideração, pois na estatística não aparece nenhum índice de redução da incidência de doenças". Essas pessoas que recorrem a tais sofismas, incapazes de admitir honestamente a verdade por terem a mente atulhada de teorias e conceitos próprios, são as que não têm a mente pura.

As pessoas cuja mente é pura conseguem ver Deus e a Imagem Verdadeira de todos os seres. Elas assimilam facilmente a Verdade porque não têm a mente atulhada de teorias e conceitos próprios. Há muitos casos que comprovam que as crianças de pouca idade, ainda sem estudo algum, assimilam facilmente a Verdade e conhecem a Deus.

Há alguns dias, durante uma reunião de adeptos realizada na casa do sr. Hattori, um garotinho de cinco ou seis anos bateu fortemente a mão numa das colunas. Um dos adeptos, acudindo, disse: "Oh! Coitadinho... Está doendo muito, não?". O garotinho, cheio de brio, respondeu: "Não dói, não, porque sou filho de Deus! Eu sei que a gente só sente dor quando pensa que dói". A criança é verdadeiramente pura, porque sua mente não está atulhada de impurezas, ou seja, de uma série de conceitos e teorias criadas pelos homens. Os pais do referido garoto são fervorosos adeptos da Seicho-No-Ie e, em suas conversas, frequentemente afirmam que o ser humano é filho de Deus. O garoto, por ter a mente pura, conseguiu apreender a Verdade contida nas palavras de seus pais e acreditou firmemente: "Sou filho de Deus". Ele sabe que todo filho de Deus é isento de dor e que a dor é apenas um produto da mente.

Essa IMEDIATA compreensão da Verdade só é possível às pessoas que têm a mente pura. Por isso, ao lermos A Verdade da Vida, devemos fazê-lo com a mente pura. Pessoas que não conseguem se curar de alguma doença ou solucionar algum problema mesmo lendo o livro A Verdade da Vida são as que não têm a mente pura. Não que elas sejam ruins e pratiquem más ações como, por exemplo, roubar. Conforme já disse, "não ter a mente pura" significa estar com a mente atulhada de teorias e conceitos criados pelos homens. Quanto mais a pessoa se prende à inteligência e ao conhecimento humanos, tanto mais difícil se torna assimilar a Verdade. Portanto, ao ler o livro A Verdade da Vida, é preciso, em primeiro lugar, deixar de lado os conceitos, teorias e conhecimentos baseados na inteligência humana. Não digo que se deva negá-los definitivamente, mas sim esquecê-los por algum tempo, para que a mente se torne isenta e possa ACEITAR facilmente a Verdade. É como transferir a água velha contida num copo para um outro recipiente, a fim de poder enchê-lo com água pura e fresca, pois não é possível encher de água pura e fresca um copo que contenha água velha e turva. Assim como é imprescindível esvaziar o corpo, também é essencial esvaziar a mente de velhos conceitos e teorias. Mente pura é aquela sem distorções causadas por teorias e conceitos criados pelos homens ao longo dos tempos. E somente quando se tem a mente pura é possível "ver" Deus.


(Do livro "A Verdade da Vida, vol. 28"; pgs. 24 à 30)


quinta-feira, outubro 04, 2012

O majestoso Mundo da Imagem Verdadeira

Masaharu Taniguchi


Se interpretarmos o "vazio" como "nada", então deveremos dizer que a Imagem Verdadeira (Jissô) não é vazia. O que é vazio é o fenômeno. O mundo da Imagem Verdadeira é um mundo infinitamente majestoso e belo. O budismo anterior à Sutra do Lótus diz que "tudo é vazio". Na sutra Buddhabhadra existe um trecho que diz: "Não há diferença entre a mente, Buda e as criaturas, sendo todos eles vazios. A mente, quando desperta, torna-se Buda; e este, quando cai em ilusão, torna-se criatura. Buda também é vazio; é como se nada existisse". Se assim fosse, de nada adiantaria o homem alcançar o despertar e retornar à Imagem Verdadeira, pois isso seria o mesmo que se tornar vazio, aéreo. Seria preferível suicidar-se de uma vez. Não seria necessário praticar nem o zen nem qualquer forma de concetração mental. Não haveria razão de viver. Essa interpretação errônea dos ensinamentos de Sakyamuni é a causa da decadência do budismo.

Entretanto, a Sutra do Lótus não fala de tal mundo vago, vazio, aéreo. O mundo da Imagem Verdadeira descrito nessa sutra é um mundo de suma beleza, e não um mundo homogêneo e monótono. É um lugar onde existem belos jardins, bosques, templos ornados de pedras e metais preciosos, árvores carregadas de flores e frutos. Enfim, é um lugar onde todas as pessoas vivem alegres e felizes. Assim é o mundo da Imagem Verdadeira. As palavras não são sufucientes para descrever toda a sua beleza. Podemos fazê-lo apenas metaforicamente. Entretanto, o maravilhoso mundo da Imagem Verdadeira, visto através da "lente" dos sentidos, apresenta-se como este mundo terreno onde se emaranham o belo e o feio, o amor e o ódio, etc., devido ao fato dessa "lente" estar embaçada por ilusões da mente humana. Neste mundo há pessoas sadias e bonitas, mas também há pessoas enfermas, de aspecto deplorável. Porém, na essência, todas as pessoas são perfeitas, pois o Eu verdadeiro de todo ser humano é infinitamente vigoroso e belo.

Na verdade, todos nós somos seres sublimes, repletos de vigor e beleza, e estamos vivendo aqui e agora, no maravilhoso mundo da Imagem Verdadeira. Muitos pensam que o homem "passa" para esse mundo maravilhoso somente após a morte do corpo carnal, mas estão equivocados. Mesmo quando aparentemente estamos sendo assolados por uma calamidade, ou estendidos num leito miserável e consumidos pelos sofrimentos da doença, na verdade vivemos saudáveis, felizes e tranquilos no maravilhoso mundo da Imagem Verdadeira. Qualquer que seja nossa situação no aspecto fenomênico, na verdade vivemos, aqui e agora, no perfeito mundo da Imagem Verdadeira.

Porém, o mundo que captamos através de nossos sentidos é um mundo limitado, de apenas três dimensões: comprimento, largura e altura. Em outras plavras, nossos sentidos só conseguem captar o mundo tridimensional, não sendo capazes de alcançar o mundo que se expande infinitamente além dessas três dimensões. Mesmo assim, se ao menos captássemos o aspecto tridimensional sem distorcer a forma original, não veríamos tantas imperfeições neste mundo. Porém, lamentavelmente, vemos o aspecto tridimensional através de nossa "lente mental" cheia de falhas e irregularidades, e por isso temos a visão distorcida do mundo ao nosso redor. Assim, o que é reto parece torto, a vista imperfeita parece imperfeita, etc. Eliminando as falhas (ilusão) da "lente mental", as imperfeições aparentes deixam de existir. Por exemplo, o míope deixa de ser míope, o doente deixa de ser doente, e assim por diante. Contudo, mesmo que a pessoa fique curada da miopia ou de qualquer doença e passe a ter saúde perfeita, não estará manifestada ainda a sua verdadeira imagem enquanto ela continuar sendo um ser humano do mundo fenomênico visível aos olhos carnais. Toda pessoa é, por assim dizer, apenas uma imagem tridimensional do "homem da Imagem Verdadeira", o qual é infinitamente belo e majestoso, não havendo palavras para descrevê-lo. Por ser apenas uma imagem tridimensional, o homem fenomênico não apresenta a sublime beleza do homem de infinitas dimensões. Mas, quando essa imagem tridimensional é produzida sem distorções, manifesta-se como uma pessoa sadia. Também no tocante à vida familiar, há muitos casos de adeptos que afirmam que seus respectivos lares se tornaram um lugar tão maravilhoso quanto o paraíso, desde que passaram a praticar os ensinamentos da Seicho-No-Ie. Pois eu afirmo que, mesmo o mais paradisíaco dos lares, ainda está longe de ser um verdadeiro paraíso. O paraíso do mundo fenomênico não se compara ao verdadeiro paraíso do mundo da Imagem Verdadeira. Vendo o aspecto fenomênico, não pensemos que isso é tudo. Devemos apreender a Imagem Verdadeira - a Essência divina, harmoniosa e perfeita que existe por trás do aspecto fenomênico - e contemplá-la com profundo sentimento de reverência. Conta-se que o grande sacerdote Rennyo costumava dizer que "mesmo uma simples folha de papel pertence a Buda" e aconselhava usá-la com sentimento de reverência. É importante que tenhamos essa atitude mental.

Nos volumes 2 e 8 desta coleção A Verdade da Vida, nos trechos em que é abordada a teoria econômica da Seicho-No-Ie, consta a afirmação de que "a matéria é provisão ilimitada de Deus; portanto, ela aumenta quanto mais a usamos". Talvez algumas pessoas, interpretando erroneamente essa afirmação, pensem: "Se é assim, posso usar e abusar de tudo. Por exemplo, se cometer um erro ao escrever algo, posso inutilizar a folha e jogá-la no cesto de lixo, mesmo que o papel esteja praticamente em branco. Desse modo, gastarei muitas folhas de papel e isso será bom, pois estarei contribuindo para tornar a economia mais ativa". Isso é um equívoco.

Mesmo em uma simples folha de papel, devemos contemplar e reverenciar a Vida de Deus, a Luz (sabedoria) infinita de Deus e o Amor infinito de Deus que atuam sobre ela. Devemos, pois, usar com sentimento de reverência mesmo uma simples folha de papel. No japão, era comum, até há pouco tempo, a idéia de que valorizar algo é deixá-lo bem guardado, em vez de usá-lo. Assim, muitos pensavam "Este doce é bom demais, tenho pena de comê-lo", "Esta roupa é boa demais, tenho pena de usá-la", etc., e preferiam deixar bem guardados os artigos considerados finos. Tal procedimento não é correto. Todas as coisas são manifestações da Vida de Deus, e é claro que a Vida de Deus não é algo que se gasta quando utilizada. Portanto, se temos algo valioso, devemos usá-lo, permitindo que a Vida de Deus nele manifestada atue plenamente. Assim, esse algo valioso "aumenta quanto mais o utilizamos", isto é, quanto mais o utilizamos, mais evidencia o seu valor. Mas é errado inutilizar as coisas e jogá-las fora, contando com a provisão ilimitada de Deus. Como já disse, em todas as coisas está manifestada a Vida de Deus; portanto, quanto mais usarmos as coisas segundo suas respectivas finalidades, mais nitidamente se manifesta nelas a Vida de Deus. Isso é provisão ilimitada, e é o significado da afirmação: "As coisas aumentam quanto mais as usamos".

A afirmação "a matéria não existe" não significa que a matéria é o mesmo que "nada"; significa que as coisas não são simples matéria, mas sim manifestações da Vida de Deus, da força vivificadora de Deus. Significa que, por trás do aspecto material, existe a Imagem Verdadeira. A interpretação errônea da afirmação "A matéria não existe" acarreta graver erros.

A Vida é vibrante e ativa. E viver é manifestar, aqui e agora, a vibrante e ativa força da Vida. Conforme afirmei anteriormente, uma vez que tenhamos compreendido que somos filhos de Deus, devemos passar a manifestar ativamente, aqui e agora, a Vida de Deus que atua em nós. Também nas coisas do mundo a nosso redor atua a Vida de Deus. Tomemos como exemplo uma folha de papel. Aparentemente é mera matéria, mas nela atua a Vida de Deus. Vivificar essa folha de papel é fazer com que ela manifeste plenamente a Vida de Deus que nela atua. Isso é usá-la corretamente; e quanto mais a usarmos, mais ela aumentará, ou seja, mais se valorizará. Como se pode perceber, mesmo uma simples folha de papel, se a usarmos de modo que atinja plenamente a finalidade para a qual foi criada, manifestará plenamente a Vida de Deus que nela atua; e então se concretizará a provisão ilimitada.

Logo depois que foi fundada a Sociedade para a Difusão do Pensamento Iluminador, hoje Fundação Seikai Seiten Fukyu Kyokai, necessitande de várias pessoas para completar nosso quadro de funcionários, publicamos um anúncio oferecendo diversas vagas. Atendendo ao anúncio, apresentaram-se muitos candidatos. Formamos um cadastro com fotografias e curriculum vitae de todos eles, a fim de selecionar e chamar as pessoas adequadas, à medida que os serviços aumentassem. Atualmente (década de 60, época em que o autor escreveu este livro), temos mais de cem funcionários. Recentemente, uma dos candidatos que ainda não foram chamados procurou-nos e disse: "Desde que me tornei adepto da Seicho-No-Ie, passei a ter plena confiança em mim e acreditar que tudo que eu desejar se concretizará infalivelmente. Assim, candidatei-me para trabalhar na Sociedade para a Difusão do Pensamento Iluminador e, como estava certo de que seria admitido, fiquei esperando a chamada sem exercer nenhum trabalho, chegando a recusar algumas ofertas de emprego. Mas o tempo foi passando, e acabei ficando sem um tostão. Por isso vim pedir-lhes que me empreguem imediatamente". Por que esse pessoa ficou sem trabalhar apesar de ter tido outras ofertas de empregos? Como já afirmei antes, uma vez que tenhamos compreendido que somos filhos de Deus, devemos passar a manifestar ativamente, aqui e agora, a Vida de Deus que atua em nós. Mesmo uma simples folha de papel vivifica a si mesma quando desempenha plenamente sua função. Que dizer, então, do ser humano?

Lamentavelmente, a pessoa acima citada, em ver de viver plenamente o agora, ficou sem trabalhar, pensando: "Com certeza, meu desejo de conseguir esse emprego será concretizado. Quando isso acontecer, me dedicarei ao trabalho. Até lá, ficarei em disponibilidade". No funcionalismo público e no Exército, é possível ficar "em disponibilidade"; mas na "Empresa da Grande Vida Universal" não há tal situação. Já que nascemos como manifestação da Vida, estamos sempre em "serviço ativo". Não há ninguém que possa permenecer inativo. No entanto, algumas pessoas resolvem se colocar "em disponibilidade" por conta própria e, como decorrência disso, começam a empobrecer ou ter problemas de saúde. "Colocar-se em disponibilidade" é deixar que a Vida fique inativa. Deixando a Vida inativa, é natural que ocorram dificuldades econômicas e problemas de saúde. Precisamos ter a consciência de que pertencemos à "Empresa da Grande Vida Universal" e que estamos permanentemente em "serviço ativo". Tendo essa consciência, não podemos deixar de trabalhar ativamente, aqui e agora, qualquer que seja a circunstância. E isso é essencial.

No atual quadro de funcionários da Sociedade para Difusão do Pensamento Iluminador, há pessoas que, muito antes de sua admissão, já vinham trabalhando voluntariamente, ajudandono empacotamento e expedição dos livros e revistas, e divulgando os ensinamentos em diversos círculos. Tais pessoas, embora viessem a ser admitidas como funcionários muito mais tarde, já estavam trabalhando ativamente como funcionários efetivos da "Empresa da Grande Vida Universal" no plano da Imagem Verdadeira. Muito diferente destas são as pessoas que, tendo permanecido inativas e ficado sem recursos, vêm implorar emprego, dizendo: "Mentalizando que haveria de ser admitido infalivelmente, fiquei esperando a chamada sem procurar outro emprego, e acabei ficando sem um tostão. Aguardei pacientemente durante todo este tempo, acreditando que, tendo fé na Seicho-No-Ie, teria a provisão ilimitada. Levem isso em consideração e me contratem o mais rápido possível". Essas pessoas não têm a real compreensão do que seja a provisão ilimitada.

É essencial empenharmo-nos sempre em manifestar plenamente a nossa Vida e em vivificar todas as coisas. Precisamos ser pessoas capazes de trabalhar ativamente na "Empresa da Grande Vida Universal", mesmo quando não estivermos empregados numa empresa humana. Quem não é capaz disso não estará apto a trabalhar verdadeiramente quando for efetivamente admitido numa empresa.


(Do livro "A Verdade da Vida, vol. 28"; pgs. 17 à 24)

terça-feira, outubro 02, 2012

Descubra-se livre do "aquário imaginário"

Dárcio Dezolt


Conta-se que peixe criado em aquário, ao ser solto no rio, continua por bom tempo nadando apenas no volume de água correspondente ao que conhecia no aquário, sem se aventurar rumo a novos espaços. Assim é o "estudante da Verdade" que é "solto no INFINITO", pelos princípios e revelações da Verdade, mas que, a exemplo do peixe solto no rio, não avança além das antigas e insubstanciais limitações!

O Homem é Deus! Não há com o que se preocupar! As "contemplações da Verdade" devem dar a cada um o discernimento de que "nada tem a ver com este mundo". Em outras palavras, equivaleriam à extinção do "aquário imaginário", que apenas ilusoriamente impedia o peixe livre de desfrutar de sua real liberdade! VOCÊ É LIVRE! DEUS É SEU EU! Entretanto, enquanto imaginar um "mundo temporal e tridimensional" para chamar de "lar", ficará em sua limitação "autocriada", como o peixe da situação citada!

Ser LIVRE é ter a alegria de SER no AGORA! É discernir-se na UNIDADE ESPIRITUAL PERFEITA, chamada "Deus". Não medite a partir de ilusórias limitações ou de ilusórios problemas! Faça-o a partir de sua UNIDADE COM O AGORA PERFEITO! Permaneça nesta "contemplação" de sua plenitude no AGORA, até  sentir-se livre na LIBERDADE que VOCÊ É!

Não apenas pense que "possui liberdade": reconheça, sem rodeios, que A LIBERDADE É SEU "EU" EM SI! Assim, entenda que a LIBERDADE não é condição que se consiga obter ou que se possa perder! A LIBERDADE É DEUS SE EXPRESSANDO COMO SUA LIBERDADE INDIVIDUAL! Contemplações desse tipo farão "ruir" o inexistente "aquário mental" que parecia tolher sua livre expressão, que é a de  DEUS ser DEUS como VOCÊ!

domingo, setembro 30, 2012

A verdade é que: não podemos obter ISSO


Satsang - Advaita

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Acesse o blog do professor Marcos Gualberto no seguinte endereço:
http://felicidadeandliberdade.blogspot.com

sexta-feira, setembro 28, 2012

A Realização de Deus

 - Meher Baba -


Chegar ao verdadeiro autoconhecimento (conhecimento do Ser) é chegar à Realização de Deus. A Realização de Deus é um estado único de consciência. É diferente de todos os outros estados de consciência, porque todos os outros estados de consciência são experimentados por meio da mente individual. O estado de consciência de Deus não é de maneira nenhuma dependente da mente individual ou de qualquer outro meio. Um meio é necessário para conhecer algo diferente de nosso próprio Ser. Para conhecer nosso próprio Ser nenhum meio é necessário.

Na verdade, a associação da consciência com a mente é definitivamente um obstáculo ao invés de uma ajuda para se atingir a Realização. A mente individual é a sede do ego (ou a consciência de estar isolado). Ela cria a individualidade limitada, que imediatamente se alimenta e é alimentada pelas ilusões da dualidade, do tempo e da mudança. Assim, a fim conhecer o Ser como ele é, a consciência tem de ser livrada completamente da limitação da mente individual. Em outras palavras, a mente individual tem de desaparecer, mas a consciência tem de ser mantida.

Ao longo da história da vida passada da alma, sua consciência tem crescido com a mente individual, e todo o funcionamento da consciência tem procedido contra o pano de fundo da mente individual. A Consciência, portanto, passou a estar firmemente arraigada na mente individual e não pode ser desenredada dessa moldura na qual foi tecida. O resultado é que se a mente for silenciada, a consciência também desaparece. O entrelaçamento da mente individual e da consciência é ilustrado amplamente pela tendência de ficar inconsciente quando há algum esforço de parar a atividade mental através da meditação.

O fenômeno diário de ir dormir essencialmente não é diferente da pausa vivida durante a meditação, mas é ligeiramente diferente em sua origem. Uma vez que a mente individual é confrontada continuamente com o mundo da dualidade, ela está envolvida num incessante conflito; e quando fica cansada de sua luta sem alívio, ela quer perder a sua identidade como uma entidade separada e voltar para o Infinito. Ela então se afasta do mundo da sua própria criação e experimenta um período de pausa e essa pausa também é invariavelmente acompanhada pelo cessar da consciência.

A quietude da atividade mental durante o sono implica a submersão total da consciência; mas esse cessar da vida mental e do funcionamento consciente é apenas temporário, pois as impressões armazenadas na mente incitam-na a uma renovada atividade. Depois de um tempo os estímulos das impressões resultam no agitar a mente e revitalizar o funcionamento consciente que é realizado por meio dela. Assim, o período de sono é seguido por um período de vigília e o período de vigília é seguido por um período de sono, de acordo com a lei da alternância da atividade e do repouso. Entretanto, enquanto as impressões latentes na mente não são completamente desfeitas, não há a aniquilação final da mente individual ou a emancipação da consciência. No sono a mente esquece temporariamente a sua identidade, mas ela não perde, finalmente, sua existência individual. Quando a pessoa acorda, ela encontra-se sujeita às suas antigas limitações. Há uma ressurreição da consciência mas ela ainda está escondida na mente.

A mente limitada é o solo no qual o ego está seguramente enraizado, e esse ego perpetua a ignorância através das muitas ilusões às quais ele está preso. O ego impede a manifestação do conhecimento infinito, que já está latente na alma; ele é o mais formidável obstáculo para a Realização de Deus. Um poema persa diz verdadeiramente: "É extremamente difícil de perfurar o véu da ignorância, pois há uma pedra sobre o fogo". Assim como uma chama não pode subir muito alto se uma pedra é colocada sobre ela, o desejo de conhecer nossa própria natureza verdadeira não pode ascender à Verdade enquanto o peso do ego estiver colocado sobre a consciência.

O sucesso em encontrar o nosso Ser é impossibilitado pela continuação do ego, que persiste durante toda a jornada da alma.

Na velhice, um dente dolorido pode causar um aborrecimento imenso, pois embora esteja solto em seu encaixe, ele não é extraído facilmente. Da mesma forma, o ego, que pode tornar-se mais fraco por meio do amor ou de penitência, é ainda difícil de se erradicar. Ele persiste até o fim. Embora torne-se mais flexível conforme a alma avança no caminho, ele permanece até a última etapa - que é o sétimo plano de involução da consciência.

O ego é o centro de toda atividade humana. As tentativas do ego de garantir a sua própria extinção podem ser comparadas à tentativa de uma pessoa subir em seus próprios ombros. Assim como o olho não pode ver a si próprio, o ego é incapaz de pôr fim à sua própria existência. Tudo o que ele faz para trazer sua auto-aniquilação só vai adicionar à sua própria existência. Ele se desenvolve nos próprios esforços dirigidos contra si mesmo. Assim, embora ele consiga transformar sua própria natureza, ele é incapaz de desaparecer por completo através da sua própria atividade desesperada. O desaparecimento do ego está condicionado pela dissolução da mente limitada, que é a sua sede.

O problema da Realização de Deus é o problema da emancipação da consciência das limitações da mente. Quando a mente individual é dissolvida, todo o universo em relação à mente desaparece no nada, e a consciência não está mais ligada a nada. A consciência está agora ilimitada e não é encoberta por nada servindo o propósito de iluminar o estado da Realidade infinita. Enquanto imersa no êxtase da Realização, a alma fica completamente abstraída de visões, de sons e objetos do universo. A esse respeito, é como o sono profundo, mas existe uma diferença infinita que distingue a Realização de Deus do sono profundo.

Durante o sono a ilusão do universo desaparece, uma vez que toda consciência está em suspenso; porém não há nenhuma experiência consciente de Deus, pois isso requer a completa dissolução do ego e o direcionamento da consciência plena para a Realidade última. Ocasionalmente, quando a continuidade do sono profundo é interrompida por breves intervalos, pode-se ter a experiência de manter a consciência sem estar consciente de nada em particular. Existe a consciência, mas essa consciência não é do universo. É a consciência do nada. Tais experiências comparam-se à da Realização de Deus, na qual a consciência está completamente liberta da ilusão do universo e manifesta o conhecimento infinito que até então estava escondido pelo ego.

No sono, a mente individual continua a existir, embora ela tenha esquecido tudo, incluindo ela mesma; e as impressões latentes na mente criam um véu entre a consciência submersa e a Realidade infinita. Assim, durante o sono, a consciência fica submersa na concha da mente individual mas ainda não foi capaz de escapar dessa concha. Embora a alma tenha esquecido de sua separação de Deus e tenha de fato alcançado a unidade com Ele, ela está inconsciente dessa unidade. Na Realização de Deus, no entanto, a mente não apenas esquece a si mesma, mas perde realmente (com todas as suas impressões) a sua identidade. A consciência, que até então estava associada com a mente individual, agora está liberta e desimpedida e colocada em contato direto em unidade com a Realidade última. Uma vez que agora não há véu entre a consciência e a Realidade Suprema, a consciência está fundida com o Absoluto e eternamente habita nele como um aspecto inseparável, promovendo um inesgotável estado de conhecimento infinito e felicidade ilimitada.

No entanto, a manifestação do conhecimento infinito e da bênção ilimitada na consciência estão estritamente limitadas para a alma que alcançou a realização de Deus. A Realidade infinita na alma que realizou Deus tem conhecimento explícito de sua própria infinidade. Tal conhecimento explícito não é experimentado pela alma não-realizada, que ainda está sujeita à ilusão do universo. Assim, se a Realização de Deus não fosse um feito pessoal da alma, o universo inteiro chegaria ao fim logo que qualquer alma alcançasse a Realização de Deus. Isso não acontece porque a Realização de Deus é um estado de consciência pessoal que pertence à alma que transcendeu o domínio da mente. Outras almas permanecem em cativeiro e só podem atingir a Realização ao libertarem a sua consciência do fardo do ego e das limitações da mente individual.

Daí o atingimento da Realização de Deus só tem significado direto para a alma que emergiu do processo do tempo.

Após ter atingido a Realização de Deus, a alma descobre que ela sempre foi a Realidade infinita que agora sabe que ela própria é, e descobre que ter se considerado finita durante o período de evolução e progresso espiritual era na verdade uma ilusão. A alma também descobre que o conhecimento e felicidade infinitos que ela agora aprecia também estavam latentes na Realidade infinita, desde o início dos tempos, e que eles meramente tornaram-se manifestos no momento da Realização. Dessa forma, a pessoa que realizou Deus na verdade não se torna algo diferente do que era antes da Realização. Ela continua a ser o que era, e a única diferença que a Realização faz nela, é que antes ela não conhecia conscientemente sua própria natureza verdadeira, e agora ela a conhece. Ela sabe que jamais foi algo diferente do que agora sabe que ela mesma é, e que tudo pelo que passou foi apenas o processo de encontrar o seu Ser.

Todo o processo de alcançar a Realização de Deus é apenas um jogo no qual o começo e o fim são idênticos. Alcançar a Realização, no entanto, é um ganho distinto para a alma. Em geral, existem dois tipos de vantagens: uma consiste em conseguir o que não se tinha previamente, a outra em realizar plenamente o que se é realmente. A Realização de Deus é do segundo tipo. No entanto, isso cria uma diferença infinita entre a alma que atingiu a Realização de Deus e a alma que não atingiu. Embora a alma Realizada de Deus não possua nada de novo, o seu conhecimento explícito sobre tudo o que ela realmente é, o que ela foi e o que sempre será, torna a Realização de Deus totalmente importante. A alma que não é realizada experimenta-se como sendo finita e está constantemente preocupada com os opostos das alegrias e tristezas passageiras. Mas a alma que tem a Realização é elevada desses opostos e experimenta o conhecimento infinito e o êxtase ilimitado de ser consciente de Deus.

Na realização de Deus a alma abandona a sua consciência separada e transcende a dualidade no permanente conhecimento de sua identidade com a Realidade infinita. As algemas da individualidade limitada são quebradas; o mundo das sombras chega ao fim, a cortina da ilusão é erguida para sempre. O estado febril e a angústia agonizante dos anseios da consciência limitada são substituídos pela tranquilidade e bem-aventurança da consciência-Verdade. A inquietação e a fúria da existência temporal são engolidas na paz e quietude da Eternidade.


quarta-feira, setembro 26, 2012

INVOCO O NOME DE DEUS E O MEU PRÓPRIO

"Nada Real pode ser ameaçado. 
Nada irreal existe. 
Nisso está a Paz de Deus." - UCEM


O Nome de Deus é santo, mas não é mais santo do que o teu. Invocar o Nome de Deus é apenas invocar o teu próprio nome. Um pai dá o nome ao Seu Filho e assim identifica o filho com ele. Os irmãos compartilham do nome e assim são unidos por um laço ao qual se voltam para se identificarem. O Nome do teu Pai te lembra quem és, mesmo num mundo que não conheces; mesmo que não te lembres disso.

O Nome de Deus não pode ser ouvido sem resposta, nem dito sem um eco na mente que te convida a te lembrares. Dize o Nome de Deus e estarás convidando os anjos a rodearem a terra que pisas e a cantarem para ti enquanto estendem as asas para manter-te a salvo e abrigar-te de todo pensamento mundano que interferiria na tua santidade.

Repete o Nome de Deus e todo o mundo responde deixando de lado as ilusões. Todos os sonhos que o mundo valoriza desaparecem subitamente e, onde pareciam estar, achas uma estrela, um milagre de graça. Os enfermos se levantam, curados de seus pensamentos doentios. Os cegos podem ver; os surdos podem ouvir. Os pesarosos se desfazem das suas lamentações e as lágrimas de dor secam quando o riso feliz vem para abençoar o mundo.

Repete o Nome de Deus e nomes pequenos perdem o significado. Todas as tentações tornam-se coisas inomináveis e indesejadas diante do Nome de Deus. Repete o Seu Nome e vê quão facilmente esquecerás os nomes de todos os deuses que valorizaste. Eles perderam o nome de deus que tu lhes deste; tornam-se anônimos e sem valor para ti, embora antes de deixar que o Nome de Deus substituísse os teus pequenos nomes, tenhas permanecido perante eles em adoração chamando-os de deuses.

Repete o Nome de Deus e invocas o teu Ser, Cujo Nome é o Seu. Repete o Seu Nome e todas as diminutas coisas sem nome da terra entram rapidamente em perspectiva certa. Aqueles que invocam o Nome de Deus não podem confundir o sem nome pelo Nome, nem o pecado pela graça e nem corpos pelo Filho de santo Deus. E se te unires a um irmão enquanto sentas com ele em silêncio e repetires o Nome de Deus junto com ele no interior da tua mente quieta, lá terás estabelecido um altar que alcança o próprio Deus e o Seu Filho.

Pratica apenas isso hoje; repete lentamente o Nome de Deus mais uma vez e ainda outra vez. Relega ao esquecimento todos os nomes, menos o Seu. Não ouças mais nada. Deixa que todos os teus pensamentos se ancorem Nisso. Não usamos nenhuma outra palavra, a não ser no começo, quando pronunciamos a idéia de hoje apenas uma vez. E depois o Nome de Deus torna-se o nosso único pensamento, a nossa única palavra, a única coisa que ocupa as nossas mentes, o único desejo que temos, o único som que tem qualquer significado e o único Nome de tudo o que desejamos ver; de tudo o que chamaríamos de nosso.

Assim, fazemos um convite que nunca pode ser recusado. E Deus virá e Ele próprio te responderá. Não penses que Ele ouve as pequenas preces daqueles que O invocam com os nomes dos ídolos que o mundo tem em grande estima. Eles não podem alcançá-Lo desse modo. Ele não pode ouvir pedidos nos quais Ele não seja Ele Mesmo, ou Seu Filho receba outro nome que não é o Seu.

Repete o Nome de Deus e tu O reconheces como o único Criador da realidade. E também reconheces que o Seu Filho é parte Dele, criando em Seu Nome. Senta-te silenciosamente e deixa que o Seu Nome torne-se a idéia toda abrangente que ocupa a tua mente por completo. Deixa que todos os pensamentos se aquietem menos esse. E a todos os outros pensamentos responde com esse e vê o Nome de Deus tomar o lugar dos milhares de pequenos nomes que deste aos teus pensamentos, sem reconhecer que há apenas um Nome para tudo o que é e tudo o que será.

Hoje podes alcançar um estado em que experimentarás a dádiva da graça. Podes escapar de toda a escravidão do mundo e a dar ao mundo a mesma liberação que achaste. Podes lembrar-te do que o mundo esqueceu e oferecer-lhe a tua própria memória. Hoje, podes aceitar o papel que desempenhas na salvação do mundo e na tua própria também. E ambas podem ser perfeitamente realizadas.

Volta-te para o Nome de Deus para a tua liberação e ela te é dada. Nenhuma outra prece senão essa é necessária, pois contém em si todas as preces. As palavras são insignificantes e todos os pedidos desnecessários quando o Filho de Deus invoca o Nome do Seu Pai. Os pensamentos do seu Pai tornam-se os seus próprios. Ele reivindica o próprio direito a tudo o que o seu Pai deu, ainda está dando e dará para sempre. Ele O invoca para deixar que todas as coisas que pensou ter feito sejam sem nome agora, e no seu lugar o sento Nome de Deus torne-se o seu julgamento sobre a falta de valor de todas as coisas.

Todas as pequenas coisas estão em silêncio. Agora, os pequenos sons são inaudíveis. As pequenas coisas da terra desapareceram. O universo não consiste de nada além do Filho de Deus, que invoca o seu Pai. E a Voz do seu Pai dá a resposta no santo Nome do seu Pai. Nesse relacionamento eterno e sereno, em que a comunicação transcende de longe todas as palavras e assim excede em profundidade e altura tudo o que as palavras possam jamais transmitir, está a paz eterna. Em Nome do nosso Pai, hoje, queremos experimentar essa paz. E em Seu Nome, ela nos será dada.

- Um Curso em Milagres, lição nº 183

domingo, setembro 23, 2012

Apresentando a cosmologia do Universo - 2/2



Após os esclarecimentos de Masaharu Taniguchi (que são revelações!), restou claro que Deus não criou o universo da dualidade. Este universo ilusório foi criado pela própria Ilusão, por Maya, e existe como uma espécie de imagem ou "quadro hipnótico". Um quadro hipnótico é como um sonho que nos chega no sono de repente e sem pedir licença: quando menos percebemos já estamos nele, de modo que sequer desconfiamos que estamos numa realidade de sonho. Acerca da natureza hipnótica deste universo mortal, Joel Goldsmith elucida:

Compreendamos, integralmente, que uma sugestão, crença ou hipnotismo é a substância ou alicerce de todo o universo mortal, e que as condições humanas, boas ou más, são quadros semelhantes aos de um sonho, sem qualquer realidade ou permanência. Fiquemos desejosos de que desapareçam de nossa experiência tanto as condições harmônicas como as desarmônicas, a fim de que a Realidade possa ser conhecida, desfrutada e vivenciada.

Acima deste conceito de vida, existe o Universo do Espírito, governado pelo Amor, povoado pelos filhos de Deus que vivem no templo da Verdade. Este mundo é real e permanente: Sua substância é Consciência eterna. Nele não há percepção alguma de discórdia e nem mesmo de bem material ou temporário.

O primeiro lampejo da Realidade – do Reino da Alma – surge com o reconhecimento e conscientização do fato de que todas as condições e experiências temporais são frutos de auto-hipnose. Pela conscientização de que o cenário humano inteiro, com seu bem e seu mal, é ilusão, surge o primeiro clarão e experiência do Mundo da criação de Deus e dos filhos de Deus que habitam o reino espiritual.

Uma ilusão universal nos prende à terra , às condições temporais. Conscientize isto, compreenda isto, pois somente através dessa compreensão poderemos começar a soltar suas amarras sobre nós.

Nosso primeiro lampejo de que o paraíso está aqui e agora marca o início de nossa ascensão. Esta ascensão é, então, entendida como uma escalada acima das condições e experiências “deste mundo”, e ficamos aptos a observar as “várias moradas” preparadas para nós na Consciência espiritual – na percepção da Realidade. (Joel Goldsmith, livro: o Caminho Infinito, capítulo "o Novo Horizonte")

Além disso, o Caminho Infinito expõe:

Como seres humanos, estamos hipnotizados pela crença no bem e no mal, atuando sob a hipnose do mundo das aparências. Entretanto, tudo o que vemos tem por substância o hipnotismo, mero conceito ou imagem mental, que apenas tem “substância” na mente.

Este trabalho contínuo de encararmos cada problema como hipnotismo, um “nada”, um “não-poder” ou “não-substância”, nos conduz à Consciência mística da Unidade, em que não existe “Deus e”, mas que existe somente Deus: Deus aparecendo como ser individual, e Deus aparecendo como Universo espiritual.

O Universo espiritual, feito da Substância do Espírito, formado pela Consciência e mantido pela Lei espiritual, está exatamente AQUI. Neste Universo espiritual não existe doença, não existe falta ou limitação, não existe infelicidade ou discórdia, nem tampouco ser algum para ser curado ou modificado. Há somente o Reino da Divina Harmonia e Paz, que a tudo permeia, sem distúrbio de qualquer natureza,

Aceitemos ou não, o fato é que estamos neste Universo espiritual neste instante. Não temos de ir a algum lugar para encontrá-Lo. Ele está exatamente aqui, onde nós estamos. Portanto, assim deve ser a nossa oração: “Pai, que meus olhos sejam abertos, permitindo-me ver e contemplar este Universo espiritual! Revele-me a Sua Glória, aqui e agora. Não permita que eu tente modificar este Universo! Deixe-me somente contemplá-Lo”. 

Passemos agora à Meher Baba. No texto transcrito abaixo, a figura denominada "Maya" é a mesma designada por este texto como sendo o Deus "Iswara". Eis os comentários de Meher Baba a respeito de Deus e Maya:

Deus é infinito. O que quer que seja infinito transcende a dualidade, não pode ser uma parte da dualidade. Deus, que é infinito, não pode descender na dualidade. Assim, a aparente existência da dualidade, como o Deus infinito e o mundo finito, é ilusória. Só Deus é real, Ele é infinito, um sem um segundo. A existência do finito é apenas aparente, é falsa, não é real.

Como o falso mundo das coisas finitas veio a existir? Por que ele existe? Ele é criado por Maya, ou o princípio da ignorância. Maya não é ilusão, é a criadora da Ilusão. Maya não é falsa, é aquilo que é criado por Maya que dá falsas impressões. Maya não é irreal, ela é o que faz com que o real pareça irreal e o irreal pareça real. Maya não é dualidade, é o que provoca a dualidade.

Para efeitos de explicação intelectual, no entanto, Maya deve ser encarada como sendo infinita. Ela cria a ilusão de finitude, ainda assim não é em si finita. Todas as ilusões criadas por Maya são finitas e todo o universo da dualidade, que parece existir devido a Maya, também é finito. O universo pode parecer conter inúmeras coisas, mas isso não significa que seja infinito. As estrelas podem ser inúmeras, há um número enorme, mas o conjunto total de estrelas é, contudo, finito. O espaço e o tempo podem parecer infinitamente divisíveis, mas, no entanto, são finitos. Tudo o que é finito e limitado pertence ao mundo da ilusão, embora o princípio que causa esta ilusão das coisas finitas deve, em certo sentido, ser considerado como não sendo uma ilusão.

Maya não pode ser considerada como sendo finita. A coisa torna-se finita ao ser limitada pelo espaço e pelo tempo. Maya não existe no espaço e não pode ser limitada por ele. Maya não pode ser limitada no espaço porque o espaço é em si a criação de Maya. O espaço, com tudo o que ele contém, é uma ilusão e é dependente de Maya. Maya, no entanto, não é de forma nenhuma dependente do espaço. Por isso, não pode ser finita devido a nenhuma limitação de espaço. Maya também não pode ser finita por causa de nenhuma das limitações do tempo. Embora Maya chegue ao fim no estado de superconsciência, não precisa ser considerada finita por esse motivo. Maya não pode ter um começo nem um fim no tempo, porque o próprio tempo é uma criação de Maya. Qualquer visão que torne Maya um acontecimento que tem lugar em algum tempo e desaparece depois de algum tempo coloca Maya no tempo, e não o tempo em Maya. O tempo está em Maya; Maya não está no tempo. O tempo, bem como todos os acontecimentos no tempo, são a criação de Maya. Maya não é de forma alguma limitada pelo tempo. O tempo chega à existência por causa de Maya e desaparece quando Maya desaparece. Deus é a Realidade atemporal, portanto, a realização de Deus e o desaparecimento de Maya, é um ato atemporal.

Maya também não pode ser considerada finita por quaisquer outras razões. Se fosse finita, seria uma ilusão e sendo uma ilusão, não teria nenhuma potência para criar outras ilusões. Assim, Maya é melhor considerada como sendo real e infinita, da mesma forma que Deus é geralmente considerado como sendo real e infinito. Entre todas as explicações intelectuais possíveis, a explicação de que Maya, assim como Deus, é real e infinita, é mais aceitável para o intelecto do homem. No entanto, Maya não pode ser realmente verdadeira. Onde há dualidade, há finitude em ambos os lados. Uma coisa limita a outra. Não pode haver dois infinitos reais. Pode haver duas entidades enormes, mas não pode haver duas entidades infinitas. Se tivéssemos a dualidade de Deus e Maya e se ambos fossem considerados como existências coordenadas, então, a realidade infinita de Deus poderia ser considerada como a segunda parte de uma dualidade. Portanto, a explicação intelectual de que Maya é real não tem o selo do conhecimento final, embora seja a explicação mais plausível.

Há dificuldades em considerar Maya como ilusória e também como real em última análise. Assim, todas as tentativas do intelecto limitado para entender Maya levam a um impasse. Por um lado, se Maya é considerada como finita, ela própria torna-se ilusória e então não pode dar conta do mundo ilusório das coisas finitas. Assim, Maya tem de ser considerada real e infinita. Por outro lado, se Maya é considerada como sendo essencialmente real, Maya se torna uma segunda parte da dualidade de uma outra realidade infinita, ou seja, Deus. Portanto, deste ponto de vista, Maya parece realmente tornar-se finita e, portanto, irreal. Então, Maya não pode ser real em última análise, embora tenha de ser considerada como tal, a fim de explicarmos o mundo ilusório dos objetos finitos.

De qualquer forma que o intelecto limitado tentar entender Maya, ele ficará aquém da verdadeira compreensão. Não é possível compreender Maya através do intelecto limitado, ela é tão insondável quanto Deus. Deus é insondável, incompreensível, assim também Maya é insondável, incompreensível. Dessa forma, é dito que Maya é a sombra de Deus. Onde uma pessoa está há a sombra dela também. Onde Deus está, há esta Maya inescrutável. Embora Deus e Maya sejam inescrutáveis para o intelecto limitado que opera no domínio da dualidade, eles podem ser perfeitamente entendidos em sua verdadeira natureza com o conhecimento final da Realização. O enigma da existência de Maya nunca pode ser definitivamente resolvido até que ocorra a Realização, quando descobre-se que Maya não existe na realidade.

Na Verdade final e única da Realização, não existe nada exceto o Deus infinito e eterno. A ilusão das coisas finitas aparecendo como separadas de Deus desapareceu e com ela também desapareceu Maya, a criadora dessa ilusão. O Autoconhecimento vem para a alma ao olhar para dentro, e ao superar Maya. Nesse Autoconhecimento ela não apenas sabe que as diferentes mentes-ego e os diferentes corpos nunca existiram, mas também que todo o universo e Maya mesma nunca existiram como um princípio separado. Seja qual for a realidade que Maya tinha até então é agora engolida pelo Ser indivisível da única Alma. A alma individualizada agora conhece a si mesma como sendo o que ela sempre foi - eternamente Autorealizada, eternamente infinita em conhecimento, graça, força e existência, e eternamente livre da dualidade. Mas essa forma mais elevada de Autoconhecimento é inacessível ao intelecto e é incompreensível, exceto para aqueles que alcançaram o cume da Realização final. (Do livro: “Discursos” – capítulo “Deus e Maya”)

Além de tudo isso, Meher Baba também disse:

* As pessoas dizem que Deus criou Maya, mas não é bem assim. Por exemplo, tome um fio de cabelo na cabeça. O fio de cabelo é Maya e a cabeça é Deus, o Criador. Embora o cabelo cresça no topo da cabeça, a cabeça não sabe como, por que, e de onde ele vem. Então como se poderia dizer que a cabeça criou o fio de cabelo, ou que Deus criou Maya? Mas, de certa forma, a própria existência de Maya depende da existência de Deus. (Lord Meher, volume 3, pp. 821)

* Quando perguntaram a Meher Baba "por que Deus criou este universo", ele respondeu: "Quem disse que Deus criou este mundo? Nós o criamos mediante a nossa própria imaginação. Deus é supremo, independente. Quando afirmamos que Deus criou esta ilusão, rebaixamos Ele e toda sua Infinitude. Ele está além de tudo isso." (Meher Baba, 23 March 1953, Dehra Dun BG p6.)

Resumindo: Deus e Maya são existências divinas. A diferença é que Maya criou o universo da dualidade, e só pode ser considerada como real do ponto de vista da dualidade. Para os seres que habitam e percebem o universo da dualidade, Maya é um Deus real - Ele é Deus! Uma existência una! A unicidade presente em Maya é o que sustenta e mantém todo o universo da dualidade. Não fosse pela unidade de Maya, o universo da dualidade despencaria. Mas Maya mantém tudo coeso. Assim, Maya está em toda a criação e além dela.

Como é possível os ensinamentos afirmarem ao mesmo tempo que "Deus não criou Maya" mas que, apesar disso, "se Maya parece existir isso é devido à existência de Deus"? Meher Baba responde isso invocando a imagem do objeto e de sua sombra. Ele afirma que Maya é superada quando vem a ser compreendida como a sombra de Deus. A fim de compreender melhor isso, tome como exemplo a sua própria sombra. Quando a sombra de seu corpo está projetada no chão, o seu corpo não está fazendo nenhum esforço para projetar a sombra. Ele não tem intenção de projetar a sombra. De fato, ele nem sabe que há uma sombra sendo projetada. O seu corpo se ocupa em ser inteiramente ele mesmo. Contudo, a sombra projetada somente existe porque o corpo existe primeiro! Remova o corpo dali, e não haverá sombra nenhuma. Logo, percebe-se que existe uma relação possível de ser estabelecida entre a sombra e o corpo, mas não existe nenhuma possibilidade de se estabelecer uma relação entre o corpo e a sombra.  Essas relações existentes entre o corpo e a sombra equiparam-se às relações existentes entre Deus e Maya.

Apesar de ser possível elaborar explicações tão pertinentes e plausíveis como essas, tudo isso não passa de intelecto. O que está aqui sendo explicitado é o máximo que palavras conseguem alcançar. Além deste ponto a mente não vai. E aquilo que está além é infinitamente mais vasto - não há nem como comparar. Por isso, vale dizer novamente que tais verdades servem apenas para diminuir as inquietações e aflições da mente humana. Elas servem apenas como consolo, a fim de que a mente possa se conformar. É como acalmar de momento uma criança que não possui qualquer capacidade de compreender como ela veio a existir. Apenas diga a ela que um dia a cegonha trouxe um bebê enrolado num pano até a porta da casa do papai e da mamãe. Ela irá acreditar e isso irá acalmá-la. A mente agitada deseja encontrar um sentido que justifique o mundo e a experiência por que está passando. Então, tudo bem: apenas dê a ela o que ela deseja. Se ela puder ficar convencida da explicação, ela irá serenar. Quando a mente se encontra tranquila, apaziguada, conformada, grande parte da perturbação diminui. Se estes consolos puderem ocasionar a diminuição da atividade da mente, tornando-a dócil e receptiva, então a aceitação da verdade poderá penetrar sem muitos obstáculos. E para uma mente que ainda não percebe, toda a questão se resume na aceitação, pois esta é que possibilitará a percepção da verdade. A mente dócil é um sólo fértil para a aceitação e percepção da Verdade. Retomando: Meher Baba explica que as palavras não adiantam. A resposta que nos importa somente é encontrada na própria realização e na experiência.

Os ensinamentos absolutistas afirmam que os seres que se vêem vivendo completamente imersos no universo ilusório da dualidade podem transcender tal dualismo e atingir a unidade com a mente divina que criou e se conserva una com todo o universo dualístico: Maya. Alguns destes ensinamentos absolutistas afirmam que essa foi a iluminação que Buda atingiu na vida em que ele era conhecido como o personagem "Siddhartha Gautama", e que somente mais tarde, na sua encarnação seguinte, Buda transcendeu inclusive aquela mente, e atingiu a unidade com a Mente Perfeita de Deus. Isso se coaduna com as afirmações de Meher Baba, que diz que a realização de Deus acarreta o inteiro desaparecimento de Maya juntamente com as suas criações. Na vida em que Jesus Cristo era conhecido como o personagem "Jesus de Nazaré", é dito que Ele atingiu a iluminação de grau maior - na verdade, única - que supera a mente una de Maya.

Uma questão fundamental que grita à nossa atenção, nestes ensinos, é o fato de eles afirmarem que haverá um momento - mesmo que levem milênios ou eternidades de milênios, falando-se do ponto de vista do universo temporal - em que o universo da dualidade desaparecerá. Neste próprio instante de agora, ele não existe, apenas aparenta existir, mas chegará finalmente o momento em que ele deixará inclusive de aparentar existir e desaparecerá por completo.

Para explanar sobre o desaparecimento do universo, o ensinamento de Um Curso em Milagres vale-se da linguagem cristã, que classifica Deus na Trindade Una "Pai", "Filho" e "Espírito Santo". 

A partir de sua cosmologia, o Curso explica que no Princípio existiam unicamente Pai e Filho vivendo na realidade perfeita que o Curso denomina "Céu". Antes do início, não havia inícios nem fins; havia apenas o Eterno Sempre, que ainda está "lá" - e sempre estará. Havia apenas uma consciência de uma unicidade imaculada, e essa unicidade era tão completa, tão espantosa e ilimitada em sua alegre extensão, que seria impossível que qualquer coisa (extensão) estivesse consciente de algo que não fosse Si Mesmo. Havia e há apenas Deus nessa realidade, à qual o Curso chama de Céu. O que Deus cria em Sua extensão de Si Mesmo é chamado de Cristo (o Filho). Mas Cristo de maneira alguma é separado ou diferente de Deus. Eles são exatamente a mesma coisa. Cristo não é uma parte de Deus, Ele é uma extensão do todo. A única diferença possível entre Cristo e Deus - se uma distinção fosse possível - seria que Deus criou Cristo; Ele é o Autor. Cristo não criou Deus ou a Si Mesmo. Contudo, por causa da perfeita unicidade inerente ao próprio Deus, isso realmente não importa no Céu. Deus criou Cristo para ser exatamente como Ele, e para compartilhar Seu eterno Amor e alegria, em um estado de êxtase livre, ilimitado e inimaginável. Ao contrário do mundo concreto em que parecemos estar agora, tal estado constante e bem-aventurado de consciência é completamente abstrato, eterno, imutável e unido. Cristo, então, estende a Si Mesmo, criando novas Criações, ou extensões simultâneas do todo, que também são exatamente as mesmas em sua perfeita unicidade com Deus e com Cristo. Portanto, Cristo, como Deus, também cria - porque Ele é exatamente o mesmo que Deus. Essas extensões não vão para "dentro" ou para "fora", porque no Céu não existe conceito de espaço; existe apenas em todo o lugar. O resultado de tudo isso é o compartilhar sem fim do Amor perfeito, que está além da compreensão. Pai e Filho em um alegre e eterno compartilhar.

Um adendo conveniente sobre o Filho Único de Deus: embora seja dito que no Céu só existe o Pai e o Filho compartilhando o Amor perfeito em uma eterna unidade, é importante revelar que, na realidade do Céu, o Pai e o Filho aparecem como inumeráveis seres com individualidades distintas a fim de povoar resplandecentemente a existência divina! E esse povoado do Céu é chamado pelo Curso de "Filiação". A Filiação inteira do Céu constitui o Filho Único de Deus. O Filho de Deus é Único, mas, com o objetivo de compartilhar (o mesmo objetivo de Seu Pai), Ele também estende a Si Mesmo, ramificando-se em várias individualidades, todas elas sem jamais perder a noção de que são o Mesmo e o Único ser. No Céu, Deus compartilha a integralidade de Seu Ser com seus Filhos. E os Filhos de Deus também compartilham tudo o que têm e são com outros Filhos de Deus, sendo que todos estão sempre conscientes de Quem são. O resultado disso é o enriquecimento e engrandecimento do Céu. O Infinito se ultrapassa e se expande ainda mais, contrariando tudo o que qualquer lógica pudesse conceber. Assim é (funciona) a realidade divina. Portanto, é importante ter a noção correta do que vem a ser a realidade no Céu do Pai e de Seu único Filho.

Retomando a história: Então, algo parece acontecer que, como em um sonho, realmente não acontece - apenas aparenta ocorrer. Por um instante, apenas por uma fração mínima de nanosegundo (nem mesmo isso!), um aspecto muito pequeno de Cristo parece ter uma ideia que não é compartilhada com Deus. É como uma curiosidade inocente na forma de uma pergunta - que infelizmente é seguida por uma resposta aparente. A pergunta, se pudesse ser colocada em palavras, era "como seria a vida e todas as demais coisas se por acaso eu experimentasse existir por conta própria?". Como uma criança inocente brincando com fogo e colocando chamas na casa, teríamos sido muito mais felizes em não encontrar a resposta para essa pergunta, uma vez que o nosso estado puro e inocente estava para ser substituído por um estado de ignorância, confusão e de isolamento do todo; tal estado é caracterizado por uma profunda e intrínseca sensação de medo. E vualá! - Eis o universo da dualidade! A inocente especulação tida sobre aquela diminuta ideia foi o que provocou o famoso evento que conhecemos como sendo o “Big Bang”.

Pelo fato de tal ideia não ser de Deus, Ele não responde a ela. Responder significaria conferir realidade a ela. Se o próprio Deus reconhecer qualquer coisa exceto a ideia da perfeita unicidade, então não mais haveria unicidade perfeita. Não mais haveria um perfeito estado do Céu para o qual o Filho fosse retornar. Ou seja: É Deus quem conserva o estado perfeito do Céu ao não reconhecer a ideia levantada pela inocente curiosidade do Filho, e ao não fornecer a ela uma resposta. Do contrário, a perfeita integridade de toda a Criação seria catastroficamente comprometida e Tudo teria desastrosamente se perdido para sempre. Entretanto, Deus conservou a presença e a estabilidade da Criação - apesar do Filho ter momentaneamente especulado ou simulado sobre ideias hipotéticas e absurdas. Isso mostra o quanto Deus é Perfeito e Íntegro. Assim, Deus o tempo todo continua estendendo-Se como o Seu Filho e, graças a isso, o tempo todo o Filho conserva-se seguro e puro, inatingido pelas consequências de suas suposições estranhas. Se o Filho parece estar isolado num universo de separação, é graças ao Pai que ele ainda possui um lugar perfeito para retornar, uma vez que a ideia da separação são coisas que não interessam nenhum pouco a Deus.

Ao passar de repente da Realidade do Céu para o universo aparente da separação, o Filho Único manifesta-Se através do crivo da crença em multiplicidade. Ou seja, além da característica de "distinção" que é inerente ao ser individual, aparece também uma noção real de separação entre cada ser existente. O senso de unicidade e unidade entre os seres distintos tornou-se encoberto, obscurecido. O Curso diz que a aparente existência do universo da dualidade é mantida em conjunto, por toda a Filiação. O universo ilusório é, portanto, uma crença coletiva. A cada vez que um Filho de Deus desperta para a inexistência da separação, a crença coletiva que sustenta a existência do universo da dualidade é enfraquecida. O despertar para a verdade continuará ocorrendo no âmbito de toda a Filiação, até que Maya perca a sua força por completo. Não fosse o universo ilusório uma crença conjunta de toda a Filiação, bastaria que um único Filho de Deus despertasse para a verdade e o universo irreal desapareceria instantaneamente por inteiro! Por isso, o Curso diz que virá finalmente o tempo em que à toda a Filiação será dado a conhecer a verdade. Quando tal se completar, o universo desaparecerá no nada (e juntamente com o NADA) de onde ele surgiu. Esse é o significado do “Apocalipse” preconizado pelo Curso em Milagres.

Acerca do que foi explanado na cosmologia acima, Meher Baba discorre:

A manifestação do conhecimento infinito e da bênção ilimitada na consciência estão estritamente limitadas para a alma que alcançou a realização de Deus. A Realidade infinita na alma que realizou Deus tem conhecimento explícito de sua própria infinidade. Tal conhecimento explícito não é experimentado pela alma não-realizada, que ainda está sujeita à ilusão do universo. Assim, se a Realização de Deus não fosse um feito pessoal da alma, o universo inteiro chegaria ao fim logo que qualquer alma alcançasse a Realização de Deus. Isso não acontece porque a Realização de Deus é um estado de consciência pessoal que pertence à alma que transcendeu o domínio da mente. Outras almas permanecem em cativeiro e só podem atingir a Realização ao libertarem a sua consciência do fardo do ego e das limitações da mente individual. Daí o atingimento da Realização de Deus só tem significado direto para a alma que emergiu do processo do tempo. (Do livro: “Discursos” – capítulo “A Realização de Deus”)

Um Curso em Milagres diz que a percepção do universo ilusório durará até que a Filiação se conheça como um todo. Por isso, enfatiza a importância de todos os seres compartilharem entre si a mensagem e a percepção da Verdade, até que esta alcance cada ser integrante da Filiação. Então, a Filiação inteira será devolvida ao Universo Real. Sobre isso, o Curso diz:

* Nada e tudo não podem coexistir. Acreditar em um é negar o outro. O medo na realidade é nada e o amor é tudo. Sempre que a luz penetra na escuridão, a escuridão é abolida. O que acreditas é verdadeiro para ti. Nesse sentido, a separação ocorreu e negá-la é meramente usar a negação de maneira imprópria. O procedimento corretivo inicial é reconhecer temporariamente que existe um problema, mas só como uma indicação de que é necessária uma correção imediata. Isso estabelece um estado na mente no qual a Expiação pode ser aceita sem adiamento. Contudo, deve-se enfatizar que nenhuma transigência é possível entre tudo e nada. Deve-se notar que Deus só tem um Filho. Se todas as Suas criações são Seus Filhos, cada um tem que ser uma parte integral de toda a Filiação. A Filiação, em sua unicidade, transcende a soma de suas partes. Todavia, isso fica obscuro enquanto qualquer uma de suas partes está faltando. É por isso que, em última instância, o conflito não pode ser resolvido até que todas as partes da Filiação tenha retornado. Só então pode o significado da integridade em seu verdadeiro sentido ser compreendido. Qualquer parte da Filiação pode acreditar no erro ou no incompleto, se assim escolher. Todavia, se o faz, está acreditando na existência do nada. A correção desse erro é a Expiação. (UCEM, capítulo 2, VII, 5-6)

* Não existe nenhum mundo à parte das tuas ideias porque as ideias não deixam a sua fonte e tu manténs o mundo dentro da tua mente em pensamento. No entanto, se és tal como Deus te criou, não podes pensar à parte Dele, nem fazer o que não compartilhe da Sua intemporalidade e do Seu Amor. Estas coisas são inerentes ao mundo que vês? Esse mundo cria como Ele? Se não o fizer, não é real e não pode ser em absoluto. Se tu és real, o mundo que vês é falso, pois o mundo não é como a criação de Deus em todos os seus aspectos. E do mesmo modo como foste criado pelo Seu Pensamento, foram os teus pensamentos que fizeram o mundo e têm que libertá-lo para que possas conhecer os Pensamentos que compartilhas com Deus. Libera o mundo! As tuas criações reais esperam por essa liberação para te dar a paternidade, não de ilusões, mas como Deus na verdade. Deus compartilha a Sua Paternidade contigo, que és o Seu Filho, pois Ele não faz distinções entre o que é Ele Mesmo e o que ainda é Ele. O que Ele cria não está à parte Dele, e em lugar algum o Pai chega ao fim para dar início ao Filho como algo separado de Si Mesmo. Não existe nenhum mundo porque ele é um pensamento à parte de Deus, feito para separar o Pai e o Filho e arrancar uma parte do próprio Deus para assim destruir a Sua Integridade. Um mundo vindo dessa ideia pode ser real? Pode estar em algum lugar? Nega as ilusões, mas aceita a verdade. Nega que sejas uma sombra deixada por um momento sobre um mundo agonizante. Libera a tua mente e contemplarás um mundo liberado." (UCEM, Lição nº 132)

* A Unicidade é simplesmente a ideia de que “Deus é”. E no que Ele é, Ele abrange todas as coisas. Não há mente que contenha algo que não seja Ele. Dizemos: "Deus é" e então deixamos de falar, pois nesse conhecimento as palavras são sem significado. Não há lábios para pronunciá-la em nenhuma parte da mente é distinta o suficiente para sentir que agora está ciente de algo que não seja ela mesma. Ela se uniu à sua Fonte. E, como a própria Fonte, meramente é. Não podemos falar, escrever ou mesmo pensar sobre isso de modo algum. Vem a cada mente quando o reconhecimento total de que sua vontade é a Vontade de Deus tiver sido completamente dado e completamente recebido. Isso devolve a mente ao presente infinito, em que nem o passado nem o futuro podem ser concebidos. Está além da salvação, depois de todo pensamento de tempo, de perdão e da santa face do Cristo. O Filho de Deus meramente desapareceu em seu Pai, assim como o Pai nele. O mundo absolutamente nunca foi. A eternidade permanece um estado constante. (UCEM, Lição nº 169)

* Já repetimos várias vezes antes que apenas fazes uma jornada que já terminou. Pois a unicidade tem de estar aqui. Não importa quando vem a revelação, pois ela não está no tempo. Talvez pareça que contradizemos a nossa declaração de que a revelação do Pai e do Filho como uma só já foi estabelecida. Mas também dissemos que a mente determina quando será esse momento e já o determinou. Parece ser bastante arbitrário. Mas não há nenhum passo que alguém possa dar nesta estrada que seja apenas por acaso. Estamos apenas empreendendo uma jornada que já chegou ao fim. Todavia, parece reservar um futuro que ainda nos é desconhecido. Insistimos, porém, que dês testemunho do Verbo de Deus para apressar a experiência da verdade e acelerar o seu advento a todas as mentes que reconhecem os efeitos da verdade em ti. Qualquer que seja o momento que a mente tenha estabelecido para a revelação, ele é inteiramente irrelevante para aquilo que tem que ser um estado constante, para sempre como sempre foi; permanecendo para sempre como é agora. Nós apenas aceitamos o papel há muito tempo designado e reconhecido plenamente como já tendo sido realizado com perfeição por Aquele Que escreveu o roteiro da salvação em Nome do seu Criador e em nome do Filho do Seu Criador. Quando vem a revelação da tua unicidade, ela será conhecida e inteiramente compreendida. (UCEM, Lição nº 169)

E, assim, chegamos ao fim desta cosmologia. Resumindo todas as ideias que foram apresentadas até agora em uma sequência simples: Deus é a única realidade. A Criação de Deus existe no próprio âmbito de Deus. Deus não criou a ilusão de dualidade. A ilusão de dualidade foi criada por Maya ou Iswara. Iswara ocupa a posição de Deus em relação ao universo da dualidade, sendo ao mesmo tempo imanente e transcendente. Deus não criou Iswara, mas Iswara só existe porque Deus existe primeiro. Por essa razão, é dito que Iswara é a “sombra de Deus”. Deus é alheio à existência de Iswara e suas criações.

Nada disso explica realmente as coisas como elas são. Essa cosmologia só serve para satisfazer os anseios e tranquilizar a mente. Leve isso a sério. Todas essas explicações são complexas; e a verdade é simples. Ela está acima de tudo isso. A  simplicidade da verdade a torna maior do que tudo isso. O que deve ser buscado não é o conhecimento intelectual dessas verdades, mas a experiência para a qual estes ensinamentos apontam. A resposta e o entendimento verdadeiros são encontrados na realização e na experiência.

Então estaria o mundo dos homens abandonado? Se Deus desconhece a existência de vida humana, estaria a humanidade desamparada pelo Amor Perfeito? A resposta é: mesmo que Deus desconheça a existência humana, a humanidade está amparada pelo Amor Universal. O Amor Universal transpassa este universo e Deus alcança este mundo, atraindo universalmente todos os seres para a realização dessa Consciência Divina. Para compreender como Deus opera neste universo, invoquemos novamente a imagem de um objeto e de sua sombra. A presença da sombra é totalmente dependente da existência do corpo original. Remova o corpo original e a sombra imediatamente se desvanece. Mas, embora a sombra não seja o corpo original, ela tem a qualidade de representá-lo; uma sombra representa o corpo em uma medida muito pequena; ela não é o corpo, mas fornece pistas, apresenta indícios. Por exemplo: alguém lhe propõe um jogo: você é colocado de frente para uma parede e a pessoa fica exatamente atrás de você, e pede para você olhar fixamente para as sombras da parede e tentar adivinhar o objeto que ela está segurando. Se você enxergar na parede a sombra de uma mão, poderá discernir tranquilamente: "posso não estar olhando para o objeto original mas sei que atrás de mim está a sua mão porque, embora a 'sombra' da mão não seja a 'mão verdadeira', ela apresenta o formato e todos os contornos da mão real". Logo, percebemos que sombra comporta em si algo do objeto original. Há uma relação mínima e indireta que cria uma espécie de unidade entre a sombra e o objeto real. Devido a isso, a sombra dá pistas, fornece indícios. Ela representa o corpo original em uma medida muito pequena.

Deus é Luz pura e infinita e, do mesmo modo que uma parcela do objeto se manifesta na sombra projetada, também uma parcela da Luz de Deus se manifesta neste universo. Deus é a Inteligência infinita e, do mesmo modo que as características de um objeto real são reduzidas ao aparecerem na sombra, a Inteligência infinita é reduzida ao aparecer na sombra de Iswara. A Luz, a Força e a Inteligência infinitas que constituem o Ser de Deus aparecem deformadas/reduzidas ao serem projetadas na sombra de Iswara. Mas no âmbito de Iswara essas pequenas parcelas de Inteligência, Força e Luz são tremendas, infinitas. A mera "sombra" de Deus é o suficiente para fazer surgir neste universo toda uma sorte de divindades, avatares, bodisatvas, revelações, mestres e ensinamentos iluminados, sincronicidades... Indiretamente, Deus está governando e corrigindo este universo. E o universo está fadado a se submeter e a satisfazer todos os planos designados por essa Inteligência divina. A Luz, a Força e a Inteligência de Deus que incidem neste universo agem com a pura finalidade de desmantelá-lo, até que desapareça por completo.

Assim, indiretamente Deus se manifesta no mundo e governa o mundo. Essa ação misteriosa de Deus no mundo encontra-se perfeitamente descrita no Tao-Te-Ching: "Ele age suavemente, mediante o agir-pelo-não-agir. Em sua mansidão, em seu não-fazer, Deus conquista-sem-conquistar, governa-sem-governar. Ele obriga sem jamais nada impor. E, dessa forma, Ele tudo faz". Ocorre isso porque Deus é a única realidade - essa é a Sua natureza. A maneira como Deus age e Se manifesta num universo ilusório que Ele desconhece se assemelha ao modo como o céu azul se manifesta para nós quando enxergamos o espaço que separa duas nuvens cinzentas. Na brecha, o céu se manifesta. Nessa analogia simples, o céu é tudo o que existe, e seria incorreto dizer que ele interagiu com o "povo lá em baixo" (a ilusão) no sentido de se revelar ou de se manifestar. A natureza do céu permite a ele se manifestar no mundo, mesmo que ele não tenha essa intenção. O céu inclusive desconhece que se manifestou. Mas o milagre é que: se manifestou!!! Dada a natureza de Seu Ser, o Real desmantela o irreal mediante o "fazer pelo não-fazer".

Acerca das ações de Deus no mundo, Ramana Maharshi explanou em um diálogo com um devoto:

Pergunta: Qual é a relação entre Deus e o mundo? Ele é o criador ou o sustentador dele?

Bhagavan: Os seres sencientes ou não sencientes de todos os tipos estão realizando ações apenas pela mera presença do sol, que nasce no céu sem nenhuma volição.

Similarmente, todas as ações são feitas pelo Senhor sem nenhuma volição ou desejo da parte Dele. Na mera presença do sol, as magníficas lentes emitem fogo, a flor de lótus desabrocha, a flor-de-lis se fecha e todas as incontáveis criaturas realizam ações e descansam.

A ordem da grande multidão de mundos é mantida pela mera presença de Deus da mesma maneira que a agulha se move diante de um imã, e a selenite emite água, a flor-de-lis desabrocha, e o lótus se fecha diante da lua.

Na mera presença de Deus, que não tem a mínima volição, os seres vivos, que estão engajados em inúmeras atividades, após embarcarem em muitos caminhos para os quais são atraídos de acordo com o curso determinado por seus próprios karmas, finalmente realizam a futilidade da ação, voltam-se para o Ser e atingem a liberação.

As ações dos seres vivos não chegam ou afetam a Deus, o qual transcende a mente, da mesma maneira que as atividades do mundo não afetam o sol, e as qualidades dos quatro elementos conspícuos (terra, água, fogo e ar) não afetam o espaço sem limites.

Tais ideias também estão exprimidas nos ensinamentos de Um Curso em Milagres:

"As leis de Deus não prevalecem diretamente num mundo no qual a percepção domina, pois tal mundo não poderia ter sido criado pela Mente para a qual a percepção não tem significado. Entretanto, as Suas leis refletem-se em toda a parte (através do Espírito Santo). Não que o mundo onde esse reflexo está seja de fato real. Mas apenas porque o Seu Filho acredita que ele seja real e Ele não poderia separar-se inteiramente da crença do Seu Filho. Ele não poderia entrar na insanidade do Seu Filho com ele..."(T-25.III.2)

Ao longo de todo esse texto, foi abordada a cosmologia do Universo segundo os ensinamentos absolutistas.  Que possam estes ensinamentos servirem de inspiração para muitos. Que todos sejam abençoados com a percepção da verdade de Quem são e com a Revelação provinda do Pai. Que em Seu Nome ela nos seja dada. Finalizamos este texto com as palavras a seguir e também com um vídeo trazendo uma mensagem que revela a verdade sobre todos nós.

Como explicar o que acontece quando você se torna realizado em Deus? Não há mais o corpo, a mente, o ego, não há mais o universo, existe apenas você como Deus experienciando indescritível alegria. É plano de Deus despertar todos os seres deste sonho da criação, e fazê-los viver nele e experimentar a Sua felicidade infinita. (Meher Baba, 1960, Poona, DH p52)