"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quarta-feira, agosto 15, 2012

A Realidade de Cristo

Joel S. Goldsmith


O Cristo não é apenas um nome dado a alguma coisa intangível ou nebulosa. O Cristo é uma realidade divina, uma presença viva e onipresente. Ele está bem onde você está, e onde eu estou. Cristo não é uma pessoa. É um princípio. Ele é um princípio de vida. Ele é um princípio de Deus, que forma a realidade de seu ser. Mas, por causa da experiência do filho pródigo, entendemos o que é o poder físico, o que é o poder mental; sabemos o que é trabalhar arduamente com nós mesmos, mas não aprendemos ainda  como ficar tranquilos e deixar o Cristo trabalhar. Nós, na crença, nos tornamos separados do verdadeiro Cristo do nosso ser. É quase como se vivêssemos numa casa com as persianas fechadas e nos acostumássemos a andar na escuridão ou num quarto iluminado artificialmente. À medida que o tempo passasse, esqueceríamos realmente que havia algo como a luz solar e que fora de nossas sombras delineadas estava o sol radiante e quente. Sob nosso aspecto de seres humanos, fizemos exatamente isso. Fechamos as persianas – nossas persianas mentais. Isto é o que Jesus quis dizer, ao afirmar: “Tendo olhos, não vedes e tendo ouvidos, não ouvis”. Estas faculdades espirituais foram fechadas, de modo que não estamos cientes do fato de que apenas além do âmbito de nosso aspecto humano existe a divindade do nosso ser chamada Cristo, o Espírito de Deus no homem.

Em nosso estudo, em nossa prática, e na nossa associação com os outros, passo a passo desenvolvemos uma percepção deste Poder ou Presença infinita e invisível, chamada de Cristo. Descobrimos que há uma Presença real conosco, que desempenha nosso trabalho para nós; que o desempenha através de nós; que o desempenha como nós. Isto foi o que tornou possível aPaulo dizer: “Eu vivo, mas já não sou eu quem vive, é Cristo quem vive em mim”. Lembre-se de que Ele desempenhou aquilo que é dado para eu fazer; Ele aperfeiçoou aquilo que me ocupa, ou como o Salmista diz: “O Senhor aperfeiçoará o que me concerne”. Este é o Cristo, e este Cristo é o princípio ou o Espírito de Deus presente em você, como, digamos, sua integridade, sua lealdade, sua fidelidade, sua fidedignidade. Estas são as qualidades que você reconhece estarem presentes em você; e você as reconhece, não porque já as viu ou as ouviu, mas por causa de seu efeito em sua experiência. Sua honestidade e sua integridade conquistaram para você o respeito de seus sócios. A lealdade e a fidelidade fizeram de você bom cidadão, bom marido,ou esposa, bom filho. Estes são os efeitos da qualidade da integridade, da lealdade, da fidelidade, da honestidade e da fidedignidade. Mas há algo maior do que qualquer uma dessas, algo maior do que todas elas reunidas, e isso é a percepção consciente, o reconhecimento consciente deste Cristo, que pode criar e criará estas qualidades em nós, mesmo se e quando parecer que elas estão faltando.

O Cristo em nós é a nossa inteligência divina, a nossa sabedoria espiritual. Esta não é a sabedoria humana: a sabedoria humana pode cometer erros; a sabedoria humana pode ser enganada. Nossa sabedoria humana frequentemente se baseia em experiências passadas ou no senso comum; mas o Cristo (esta intuição espiritual, esta sabedoria, orientação e poder espirituais) nunca comete um erro; e Ele nos leva a fazer coisas que, humanamente, pensamos não serem sábias ou que, humanamente, nem mesmo poderíamos pensar em fazer. Nem mesmo podemos saber que passo devemos dar; mas este Cristo, ao abrir nossa consciência, dá o passo para nós, mesmo antes de estarmos cientes da necessidade. Cristo é uma realidade. Cristo é aquele de quem você pode depender: você pode ouvi-Lo e, através dEle, encontrar sua inspiração, sua orientação, sua direção. Cristo é uma consciência de cura. Quando nos pedem para curarmos a nós mesmos ou a outros, se tivermos tocado este Cristo, não há mais necessidade de depender de afirmações da verdade ou de qualquer atividade. Este “Algo”, chamado de Salvador, o Princípio salvador, a Presença de cura ou o Cristo que cura, toma conta. Ele recupera; Ele revivifica; Ele reconstrói; Ele edifica.

Cristo é uma realidade. Cristo não é simplesmente um nome, um termo para alguma coisa intangível. Não, Cristo é tão palpável em sua experiência como qualquer coisa que você possa ver ou tocar. Ele é tão real como seu professor ou como um livro – só que mais real. Se todos nós pudéssemos conhecer a realidade, a onipresença, a onipotência do Cristo, entenderíamos por que podemos colocar nEle toda a confiança; como Ele vai à nossa frente para fazer tudo o que temos de fazer. Mas, o Cristo é mais do que isso! É uma influência unificadora. Cristo é o cimento, a influência unificadora, que nos une em entendimento.

Cristo é um fio invisível, que nos une; mas não só a nós: Ele une todos os homens e mulheres, por todo o mundo, independentemente de religião, de credo ou de região. Todos aqueles que têm como objetivo ver o reino de Deus manifestado na Terra estão unidos conosco através deste fio do Cristo.


segunda-feira, agosto 13, 2012

Consciência é sua condição original


 
Kiranji


No escutar total não existe mente, nenhum pensamento, nenhum você. Apenas o escutar permanece. Quando eu digo para você estar simplesmente atento do que está acontecendo agora, você precisa fazer algo para estar atento? Isso é um fazer? Que tipo de fazer é isto? Escutar os pássaros ou me ouvir é um “fazer”? Realmente não podemos chamar isso de fazer. Ao invés disso, ele é um “acontecer”. Cantar e atenção do cantar estão simplesmente acontecendo. Permanecendo na atenção desse acontecimento é o espaço sem pensamento e sem esforço do qual falávamos antes. Este espaço sem esforço e sem pensamento é iluminação. Quando você retorna para este espaço e permanece lá, você está de volta ao seu próprio estado natural.

Isso é sua própria consciência, seu próprio estado, seu próprio espaço. Este espaço não é parte da mente ou de seus pensamentos. Ele é tão puro, tão virgem, tão cheio de contentamento. Neste estado, você está afinado com a força de vida do aqui-agora, força de vida da existência está pulsando aqui-agora todo o tempo. Quando você está afinado com ela, você recebe o presente de alegria, benção e silêncio. Este é seu estado natural. Você é parte dessa existência. Você é existência. Simplesmente permaneça totalmente em unicidade com a existência. Você é Ela! Deixe-me tentar explicar este espaço em minhas próprias palavras. Pura consciência é seu estado natural. Portanto, cada individuo já é, de certa forma, iluminado, e sempre foi porque consciência é sua natureza. Não é correto dizer que somente alguns poucos escolhidos se tornarão iluminados e o resto das pessoas não se tornarão iluminadas. Iluminação pode acontecer para qualquer pessoa. Você só precisa acordar.

As pessoas estão simplesmente adormecidas e sonhando. Elas estão sofrendo em seus sonhos. Você está sonhando que você quer acordar. E você está também sonhando que isso é difícil, cheio de esforço, ou até mesmo impossível acordar. É por isso que você não consegue acordar. Mas estar acordado e consciente é sua natureza e seu próprio espaço. Você está preso nas misérias de seu sonho ao invés de estar simplesmente acordado e atento e destacado do sonho. É só um sonho! NÃO É SEU SONHO. Você é consciência. Você é a atenção testemunhando o sonho. Você não é o corpo e a mente que está tomando parte nos acontecimentos do sonho.

Você é a consciência testemunhante na qual eles estão ocorrendo. Você é pura existência. Você é pura consciência. Você é pura paz. Durante seu sono e sonho, este espaço está lá de alguma forma, em algum lugar. Até durante seu sono e sonho, consciência, atenção, e acordamento existem. De outro modo, como você poderia acordar de seu sono para o despertar? Quando a luz aparece, a escuridão desvanece. Escuridão como tal não existe. Escuridão não é nada mais que ausência de luz. Similarmente, quando o acordar acontece, o sono desaparece. Por outro lado, durante o sono, atenção e consciência permanecem presentes como um fundo sobre o qual o sono ocorre. Por causa da consciência que está presente durante o sono, você sabe que você dormiu bem ou não após você ter acordado. A paz do sono não é uma experiência que é experienciada no corpo ou na mente de um experimentador.

Aquela paz é consciência, existência e paz em si mesma. Isso é o que você é. Nós experimentamos o que somos durante cada noite de sono. Experimentamos iluminação durante o sono, ainda que em total ignorância. Uma vez reconhecido e realizado o fato de que não somos o corpo nem a mente, mas a consciência e paz eterna na qual eles aparecem como um sonho, nossa busca termina. Faz um giro de 180 graus! Retorne e permaneça em seu estado natural! Reconheça que você é aquele despertar. Isto é tudo.


quinta-feira, agosto 09, 2012

"O Pai sabe o que vos é necessário"

Dárcio Dezolt


Quando Jesus disse que “o Pai conhece nossas necessidades antes que Lho peçamos”, esta revelação tem seu valor e importância suprema em termos de “conhecermos a Verdade”. Em geral, a frase é vista como Deus sabendo do que precisamos como meios de sobrevivência pessoal “neste mundo”; porém, este enfoque dualista, que acredita que Deus vê seres humanos, não é o real conteúdo da frase de Jesus.

Quando meditar, parta desta citação entendendo claramente o seguinte: DEUS sabe Se revelar como sendo o seu EU. Somente isto é o que importa! DEUS está permanentemente consciente de ser VOCÊ! Não será preciso pensar em “esforço humano” para esta Verdade ser conhecida! Uma, porque jamais “mente ilusória” conhecerá a Verdade; e outra, porque a Mente que é Deus, é a sua!

Por esse motivo, “antes que um ego ilusório” pense em pedir algo a Deus, o próprio Deus já sabe de tudo e, simplesmente por ser TUDO, o Pai glorifica todo Filho com a glória de ser UM COM ELE. Conhecer o Fato permanente de que Deus é perfeitamente Autossuprido, e que somos um com Ele, nos faz discernir naturalmente que “de nada, jamais, necessitamos”.

Seja objetivo nestas “contemplações”, aceitando que “toda a Natureza iluminada” é manifesta AGORA como o Ser que VOCÊ É! O que Jesus pretende, com esta revelação, é que você “suba ao Pai”, vendo-se NELE, e não mais nas “aparências”, meras ilusões flutuantes entre crenças de estar ora carente, e ora suprido. Tiago já nos havia alertado: “Toda boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do Alto, descendo do Pai das Luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação”. A principal delas, evidentemente, é dádiva da “iluminaçao espiritual”. Aceite-a pela graça, sem jamais negá-la ou pedi-la: já lhe é concedida! “Vosso Pai se agradou em dar-vos o Seu Reino”, disse Jesus!


terça-feira, agosto 07, 2012

Efeitos da Iluminação Espiritual (Goldsmith)

Joel S. Goldsmith


Todo aumento de nossa compreensão espiritual representa mais luz para nós, que expulsa as trevas dos sentidos. Este fluxo de iluminação continuará até que tenhamos compreendido por inteiro que a nossa verdadeira identidade é a "Luz do mundo". Sem a iluminação, lutamos contra as forças do mundo, trabalhamos para viver, nos esforçamos para manter nossa posição e competimos por riquezas e honrarias. Muitas vezes lutamos contra nossos amigos, para acabarmos percebendo que lutamos contra nós mesmos. Não há segurança nas posses materiais, mesmo que tenhamos vencido a luta pela sua obtenção.

A iluminação nos traz primeiro a paz, e depois a confiança e a segurança; isto nos dá repouso das contendas do mundo, e então todo o bem flui para nós pela Graça. Podemos agora perceber que não vivemos pelo que ganhamos ou conquistamos; vivemos, sim, pela Graça.

Tudo que temos é dádiva de Deus; nós não ganhamos o nosso bem, pois que já o possuímos. "Filho, tu estás sempre comigo, e tudo que tenho é teu."

Os prazeres e os sucessos do mundo nada são se comparados com as alegrias e os tesouros que se desdobram diante de nós pela consciência espiritual. À luz da Verdade, os maiores triunfos e felicidades mundanas são como nada, diante dos tesouros da Alma e sua imensa glória, insondável e desconhecida pelos sentidos.

Possuindo a Luz divina dentro de si, ganha o homem sua liberdade do mundo, e a segurança contra todos os perigos terrestres e humanos. Nosso momento histórico tem amedrontado e assustado a muitos. Os espiritualmente iluminados reconhecerão que nenhum bem aparece ou desaparece, que a atividade espiritual tem por natureza a realização, e que, como a sua iluminação lhes revelou a verdade dos fatos, eles estão ancorados à Alma, à consciência divina, à paz espiritual, à segurança e à serenidade.

Não mais temeremos as mudanças das condições exteriores, que não passam do reflexo da totalidade interior. Com a certeza de que somos consciência espiritual individual, embora infinita, e que incorpora todo o bem, não mais precisamos levar em consideração aquilo que os sentidos nos mostram.

A iluminação espiritual revela a harmonia do Ser e dispersa as aparências captadas pelos sentidos materiais. Ela nada muda no universo, pois que o universo é espiritual, habitado pelos filhos de Deus, mas muda nossa visão do universo.


segunda-feira, agosto 06, 2012

A Existência é Substância; a vida é sombra


Meher Baba


A Existência é eterna, enquanto que a vida é perecível. Comparativamente, a Existência é o que seu corpo é para o homem e a vida é como a roupa que cobre o corpo. O mesmo corpo muda de roupa de acordo com as estações, com o tempo e as circunstâncias, da mesma forma que a Existência eterna e una sempre está lá através de todos os inúmeros aspectos variados da vida.

Envolta além do reconhecimento pelo manto da vida com suas dobras e cores variadas está a Existência imutável. É o traje da vida com seus véus - o véu da mente, da energia e das formas grosseiras que "encobrem" e se sobrepõe sobre a Existência, apresentando a Existência eterna, indivisível e imutável como transiente, diversificada e em constante mudança.

A Existência é onipresente e é a essência fundamental que sublinha todas as coisas animadas ou inanimadas, reais ou irreais, variadas em espécie ou uniforme em formas, coletivas ou individuais, abstratas ou substanciais.

Na eternidade da Existência não existe o tempo. Não há passado nem futuro, apenas o presente eterno. Na eternidade nada jamais aconteceu e nada jamais acontecerá. Tudo está acontecendo no interminável AGORA.

A Existência é Deus, enquanto que a vida é ilusão.
A Existência é Realidade, enquanto que a vida é imaginação.
A Existência é eterna, enquanto que a vida é efêmera.
A Existência é imutável, enquanto que a vida está sempre mudando.
A Existência é liberdade, enquanto que a vida é um aprisionador.
Existência é indivisível, enquanto que a vida é múltipla.
Existência é imperceptível, enquanto que a vida é enganosa.
A Existência é independente, enquanto que a vida é dependente da mente, da energia e das formas brutas.
A Existência é, enquanto que a vida parece ser.
A Existência, portanto, não é a vida.

O nascimento e a morte não marcam o início ou o fim da vida. Considerando que as diversas fases e estados da vida que constituem os chamados nascimentos e mortes são regidos pelas leis da evolução e da reencarnação, a vida vem a existir uma única vez, com o advento dos primeiros raios pálidos da consciência limitada, e sucumbe à morte apenas uma vez ao alcançar a Consciência Plena da Existência Infinita.

A Existência, onisciente, onipotente, Deus onipresente, está além de causa e efeito, além do tempo e do espaço, além de todas as ações.

A Existência toca a tudo, todas as coisas e todas as sombras. Nada jamais pode tocar a Existência. Mesmo o próprio fato de seu ser não tocar a Existência.

Para perceber a Existência é preciso despreender-se da vida. É a vida que dá limitações ao Ser ilimitado. A vida do ser limitado é sustentada pela mente que cria impressões, pela energia que alimenta o impulso para acumular e dissipar essas impressões através de expressões, e por formas grosseiras e corpos que funcionam como instrumentos através dos quais essas impressões são gastas, reforçadas e, eventualmente, exauridas através de ações.

A vida está densamente associada às ações. A vida é vivida através de ações. A vida é valorizada através de ações. A sobrevivência da vida depende de ações. As ações são o que faz a vida ser conhecida - ações opostas em natureza, ações afirmativas e negativas, ações construtivas e destrutivas. Portanto, para deixar a vida sucumbir até sua morte definitiva é deixar todas as ações terminarem. Quando as ações terminam completamente, a vida do ser limitado espontaneamente experimenta-se como a Existência do Ser ilimitado.

A Existência ao ser realizada (percebida e atingida), a evolução e a involução da consciência estão completas, a ilusão desaparece e a lei da reencarnação não pode mais aprisionar.

Simplesmente desistir de cometer ações nunca colocará um fim nas ações. Seria simplesmente significar pôr em ação uma outra ação - a da inatividade.

Escapar das ações não é o remédio para a erradicação das ações. Pelo contrário, isso daria margem para o ser limitado ficar mais envolvido no próprio ato de escapar, criando assim mais ações.

As ações, tanto as boas quanto as ruins, são como nós no emaranhado da linha da vida. Quanto mais persistentes os esforços para desatar os nós da ação, mais firmes tornam-se os nós e maior o emaranhamento.

Somente ações podem anular ações, da mesma maneira que o veneno pode neutralizar os efeitos do veneno. Um espinho profundamente enraizado pode ser extraído ao usarmos um outro espinho ou qualquer objeto pontiagudo semelhante a um espinho, como uma agulha, utilizada com habilidade e precaução. Da mesma forma, as ações são totalmente arrancadas por outras ações, quando são cometidas por algum agente de ativação que não seja o 'ser'.

Karma yoga, dnyan yoga, raj yoga e bhakti yoga servem o propósito de serem sinais importantes no caminho da Verdade, orientando o buscador para a meta da Existência eterna. Mas a vida alimentada por ações, segura tão apertado o aspirante que mesmo com a ajuda desses sinais inspiradores, ele falha em ser guiado na direção certa. Enquanto o Ser é vinculado por ações, o aspirante ou mesmo o peregrino no caminho da Verdade, certamente irá se extraviar pelo auto-engano.

Ao longo de todas as eras, sadhus e buscadores, sábios e santos, Munis e monges, tapasavis e Sanyasis, yogis, Sufis e talibs têm lutado durante suas vidas inteiras, passando por dificuldades incalculáveis em seus esforços para se desembaraçarem do emaranhado de ações e perceberem a Existência eterna ao sobrepujarem a vida.

Eles falham em suas tentativas porque quanto mais lutam com seu 'ser', mais firmemente seu ser é agarrado pela vida, por meio de ações intensificadas pelas austeridades e penitências, reclusões e peregrinações, meditação e concentração, declarações assertivas e contemplação silenciosa, por uma intensa atividade e inatividade, pelo silêncio e pela verbosidade, por japas e tapas, e por todos os tipos de yogas e chillas.

A emancipação das garras da vida e a liberdade dos labirintos das ações são possíveis para todos e alcançadas por poucos, quando um Mestre Perfeito, Sadguru ou Qutub é abordado e sua graça e orientação são invocadas. O conselho invariável do Mestre Perfeito é a rendição completa a ele. Os poucos que se entregam por completo - mente, corpo, bens, de modo que com sua entrega total eles entregem também conscientemente seu próprio "ser" ao Mestre Perfeito - ainda mantêm seu próprio ser que permanece consciente para cometer ações que são agora ativadas apenas pelos ditames do Mestre.

Tais ações, após a entrega do 'ser', não são mais ações da própria pessoa. Assim, essas ações são capazes de arrancar todas as outras ações que alimentam e sustentam a vida. A vida torna-se então gradualmente sem vida e, eventualmente, sucumbe pela graça do Mestre Perfeito, à sua morte final. A vida, que uma vez impediu o aspirante perseverante de realizar a Existência perpétua, já não pode operar seu próprio engano.

Eu enfatizei no passado, eu lhes digo agora e repetirei era após era para todo o sempre: para vocês deixarem cair seu manto da vida e perceberem a Existência que é eternamente sua.

Para realizar esta verdade da Existência imutável, indivisível, que tudo permeia, a maneira mais simples é se entregar a mim completamente, tão completamente que você nem sequer fique consciente de sua rendição, consciente apenas de me obedecer e agir como e quando eu lhe ordenar.

Se você busca viver eternamente, então implore pela morte de seu ser enganoso nas mãos da entrega total a mim. Esse yoga é a essência de todos os Yogas em um.


sexta-feira, agosto 03, 2012

"Há uma unção!"


"Há uma unção
Já posso sentir
Verdadeiramente
Deus está aqui

Eu prefiro estar
Na tua casa, oh Senhor
Onde flui um rio de amor
Onde flui a benção do Senhor

Eu prefiro estar
No meio da congregação
E no meio desta comunhão
Servindo ao meu Deus e aos meus irmãos

Ah, ah
Ah, ah
Como é bom viver em união
Ah, ah
Ah, ah
Como és precioso, meu irmão."
.
.
.

"E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo." (1 João; 2:20)

A letra dessa canção é um verdadeiro presente! Ela anuncia o Amor onipresente e incondicional de Deus, que perpassa, permeia e cobre todo o mundo. Não está fora do alcance de ninguém! Está presente! Está aqui e agora! A unção está onde o autor da música está cantando! A unção está onde o ouvinte da música a escuta! Só o Amor (Onipresente) de Deus (Onipresente) é real.

Muitos buscadores desejosos de conhecer e experienciar Deus estão tentando fazer isso mediante esforços próprios. O ser humano por si mesmo não pode perceber, porque é dotado de mente, que percebe o mundo e todas as demais coisas de forma dual. A mente dualística é a inimizade contra Deus, diz a Bíblia.  Como está escrito: "As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam."(1 Coríntios 2:9).  A presença de Deus e o Reino de Deus só podem ser percebidos através de um sentido de UNICIDADE, e esse sentido espiritual está além da mente. O que faz o homem perceber Deus e Seus mistérios é o próprio Deus. A visão e a percepção são dons de Deus, que Ele nos concede pela Graça. Quando o homem afinal vem a percebê-Lo, foi Deus que percebeu por e através do homem. Cristo diz que "é do agrado do Pai dar-vos o Reino". Deu-nos o Reino e deu-nos também os meios de percebê-lo. Mas não tentemos encontrar o Reino de Deus neste mundo, pois "o Meu Reino não é deste mundo". O Reino de Deus e as coisas de Deus não podem ser percebidos pelo "homem natural". Pois, "o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. (1 Coríntios 2:14). Deus é Espírito, e as coisas de Deus só podem ser discernidas "de Espírito para Espírito". Não recebemos o espírito do mundo que só vê as coisas do mundo! Mas recebemos o Espírito de Deus que provém de Deus para que pudéssemos conhecer o que nos foi dado gratuitamente por Deus! Não temos o espírito do mundo (mente humana), temos a Mente de Cristo! Essa é a unção concedida!

Diz a Bíblia: "E a unção que vós recebestes dEle, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a Sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis." (1 João; 2:27)

Repetindo o versículo de abertura desta postagem: "E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo." (1 João; 2:20)

Está revelado! Ou seja: é assim que já é!

Como perceber isso? O primeiro passo a ser dado é aceitarmos essas revelações Bíblicas! São promessas para nós! A condição humana sua e minha não nos permite perceber ou verificar a veracidade destas informações: "Sois deuses", "temos a Mente de Cristo", "hoje estarás comigo no paraíso", "em Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser". Devemos confiar! Só essa é a Verdade, nada mais! A aceitação correta das revelações gera uma espécie "vazio" no ponto da mente que pensa que já "conhece" e "percebe" o que é verdade, e faz com que a atenção/interesse/energia em nós sejam redirecionados daquele ponto para o vasto "espaço" que os ensinamentos chamam de "dentro de nós", e lá vão se acumulando. Chega um momento em que toda a energia acumulada neste "vasto espaço" torna-se tão gigantesca, que algo extraordinário se desencadeia: a percepção do divino. Quando desse modo praticamos a confiança/aceitação em sua forma correta, essa atitude faz com que durante todo o tempo estejamos "batendo à porta", até que a mesma nos seja aberta. "Batei, e abrir-se-vos-á". Assim, essa atitude dócil de confiança e aceitação torna-se uma oração de nossa parte, pois o tempo todo estamos pedindo silenciosa e internamente: "Pai, revela-me a Verdade; sei que Sua unção está sobre mim e que por isso Ela já me está revelada/concedida. Eu confio nisso! Por Sua unção, eu a percebo. Percebe-a em mim e através de mim, e permita-me percebê-la". Com essa atitude, tornamo-nos abertos e receptivos. 

"Há uma unção"... aceite isso com o coração inocente de menino e confie nisso! A unção já está, ela já é! Não coloque empecilhos a fim de que possa começar a percebê-la. Não é necessário que uma luz misteriosa comece a brilhar sobre você para que somente então você possa dizer "sim, há uma unção". Ela está aí, confie, admita-a! Com coração de criança! Torne-se receptivo e sinceramente interessado em conhecer somente Aquilo que Deus está percebendo em você (não apenas em você, mas no universo inteiro!). Essa atitude criará o "clima" que finalmente o fará perceber com a Mente de Cristo, através da qual as coisas de Deus serão reveladas. E, quando estiver "percebendo" você entenderá que não houve um momento no tempo a partir de onde "começou a perceber". A sua percepção será a de que "Isso que percebo, eu sempre o percebi!" Que possas preferir estar na casa do Senhor. Lá é também a sua casa, porque você é um filho de Deus, uno com Deus, vivendo com Deus e em Deus. É o paraíso de perfeição infinita, onde, no dizer da canção acima, fluem rios de Amor e de bênçãos do Senhor. 

"Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente." (Salmos 16:11)




terça-feira, julho 31, 2012

O "Eu" que está infinitamente acima de tudo!

Dárcio Dezolt


A Verdade sobre o Ser que somos – Deus – precisa ser defendida com vigor e com contemplações. Isto por haver uma “crença hipnótica” na forma de imagens falsas que negam a Verdade. E elas negam a Verdade também com supostas “imagens excelentes”, diante das quais muitos incautos se deixam levar! Não se deixe “mesmerizar” por supostos bons acontecimentos das “aparências”, pois eles são ILUSÓRIOS tanto quanto os supostos maus acontecimentos.

A Verdade está infinitamente acima dos “bons acontecimentos”, e nossa condição real e gloriosa nesta Verdade é algo além de qualquer imaginação da suposta mente humana! “Sois DEUSES”, confirmou Jesus; entretanto esse tipo de revelação pouco efeito tem quando lido ou ouvido pela mente humana! Ela não dispõe de recursos para discernir o Fato revelado! Para ela, é preferível ver “imagens fenomênicas” retratando coisas ou condições por ela consideradas desejáveis, agradáveis, ou algo parecido! MENTE HUMANA NÃO CAPTA A SUA GLÓRIOSA POSIÇÃO EM SER UM COM DEUS!

Use suas meditações para experienciar seu “Eu” que é DEUS, sem levar em conta um suposto “eu humano” em má situação ou em ótima situação! Aparências são “miragens”; não se alegre nem se entristeça em função de irrealidades! Seu “Eu” é o único “Eu” em existência: não nasce, não cresce, não envelhece, não adoece e não morre! Não tire sua atenção deste Eu-Luz para se alegrar ou  se entristecer com mutáveis “aparências” deste mundo: todas elas são a ILUSÃO, enquanto VOCÊ, permanentemente, é o “EU” QUE DEUS É!


segunda-feira, julho 30, 2012

Não há oásis no deserto

Dárcio Dezolt


Enquanto a Evidência da Perfeição Absoluta é única, sem dividir espaço para “manifestações outras”, para o ilusório conceito coletivo estamos vivenciando um mundo em três dimensões, imperfeito e mutável. Não pode haver duas “evidências” contrárias coexistindo no mesmo lugar! E, exatamente por isso, a palavra “ilusão” passou a ser empregada, ou seja, a Verdade é uma, mas, é vista em seu lugar o que não tem realidade. O mesmo se dá quanto à palavra “miragem”, que ilustra o processo ilusório quando um andarilho no deserto, alucinado pela sede e calor, imagina ver um “oásis” onde unicamente existe areia.

Estas palavras requerem atitudes radicais, da parte de quem estuda a Verdade. Afirmar, apenas,  que “tal situação” é ilusão, ou miragem, não nos basta! Precisamos conscientemente reverter a aceitação, “de oásis” para a de “areia”, ou ficaríamos somente trocando nomes sem resultado algum! Esta “reversão” é, na verdade, a “troca de referencial” efetuada conscientemente. Sempre devemos partir da Verdade, ou seja, a partir da “areia” e jamais de “oásis”. Muitos não entendem isto, e levam às meditações a crença de que, de alguma forma, há, mesmo, algum “oásis no deserto”; além disso, há muitos que, ao terminarem as meditações, acreditam “estar voltando ao deserto com oásis”. Por isso, o mais importante, antes de meditar, é saber a fundo em que consiste esta prática contemplativa, no que diz respeito ao “estudo do Absoluto”. 

Seja qual for a aceitação do andarilho, esteja ele aceitando ver “oásis” ou ver “areia”, a EVIDÊNCIA REAL seria unicamente a “areia se evidenciando”. Que diz a revelação absoluta? Seja qual for a aceitação da mente humana, esteja ela aceitando ver “bem” ou ver “mal”, seria unicamente a PERFEIÇÃO DIVINA SE EVIDENCIANDO!

Assim como “não há oásis no deserto”, também “não há mundo material na Realidade”. Estar “Desperto” é estar consciente de que, assim como o oásis é areia, o ser humano é Deus – desde que a “troca de referencial” seja entendida e posta em prática! Jamais areia se tornou oásis nem jamais oásis voltou a ser areia! Unicamente a “alucinação” sumiu! Desaparecendo a “mente que vê matéria”, restará o que sempre É! DEUS SENDO TUDO!


sexta-feira, julho 27, 2012

Exponha-se ao Sol da Verdade!

 Dárcio Dezolt


A pessoa que deseja se submeter ao bronzeamento não ficará apenas lendo de que forma ele acontece! Isto porque este saber lhe serviria apenas como instrução, uma vez que o bronzeamento somente se dará quando ela se expuser à fonte solar ou artificial, de modo a se entregar a ela para que o efeito desejado possa aparecer. Ficar lendo páginas e mais páginas sobre bronzeamento ou "técnicas de bronzeamento" sem se expor à fonte solar, equivale a um buscador desejoso de conhecer a Verdade ficar meramente lendo obras e mais obras sobre “iluminação espiritual” sem se expor, prioritariamente, à ação da Realidade divina.

Por mais que o intelecto se sature de princípios espirituais, sem haver a “exposição a Deus”, a pessoa apenas acumulará instruções e teorias sobre a Verdade. Jesus disse: “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus!” Não disse que teorias ou tratados sobre espiritualidade fossem buscados antes de tudo! As instruções são valiosas unicamente quando seguidas! São mapas do tesouro e não o tesouro! Ache tempo para ficar “exposto ao Sol da Verdade”, assim como os interessados em se bronzear acham tempo para se exporem ao Sol! A ação da Verdade se dá naturalmente, assim como acontece com a radiação solar; portanto, sua parte é “achar tempo de exposição”, quando, então, “o Pai em VOCÊ fará as obras”.

Aquele que ficar exposto ao Sol permanentemente, dentro das técnicas ideais de bronzeamento, estará sempre bronzeado! Da mesma forma, aquele que ficar habitualmente exposto ao “Sol da Verdade”, estará sempre consciente de que já é iluminado!


quinta-feira, julho 26, 2012

Como Deus nos supre

  Dárcio Dezolt


Quando Cristo disse para “trabalharmos pela comida que não perece”, estava sinalizando o caminho à nossa herança divina. Que é o “Adão expulso do paraíso", tendo de conseguir tudo com "o suor do rosto?” É o ser humano desconhecedor de sua natureza divina! Crendo ser uma identidade material, luta ele o tempo todo para garantir a própria subsistência! Que é “trabalhar pela comida que não perece?” Cristo disse também: “Eu sou o Pão da Vida!” Quando passarmos a nos dedicar à Autodescoberta, ou seja, à percepção interna de que o Cristo é nossa real identidade, encontraremos nosso “elo” com o Pai, que, na verdade, é o nosso “elo” com o Infinito, com a nossa “herança celestial”, com o nosso “suprimento perfeito”. Isto é “trabalhar pela comida que não perece!”.

Humanamente falando, podemos classificar as nossas ações em duas categorias: a) ações geradas pela atividade da mente humana; b) ações que refletem a atividade do Cristo na "aparência humana". As do primeiro tipo podem ser bem ou mal-sucedidas; as do segundo tipo, por serem oriundas de uma percepção divina, sempre são bem-sucedidas, podendo, às vezes, não serem bem compreendidas a princípio, mas, com o decorrer dos fatos, os resultados acabam falando por si mesmos. Assim, a “vida pela Graça” não é vivermos de “braços cruzados”, acreditando que um Deus distante nos suprirá! É uma vida ativa, mas, uma atividade decorrente de uma compreensão interior de nossa identidade divina! Una com Deus! As pessoas, muitas vezes, preferem ensinamentos superficiais, que nada exigem em termos de práticas meditativas ou contemplativas! E, por fugirem da interiorização, acabam sendo iludidas pelos falsos profetas!

O Reino de Deus está “dentro” de cada um! Em nosso interior está o “Pão da Vida”, o Cristo de nosso próprio ser! Se nos dedicarmos à percepção de Sua Presença como o Ser absoluto que somos, perceberemos, também, o fato eterno de nossa inseparabilidade com o Pai! Assim, com a UNIDADE discernida internamente, o fluxo de Substância divina também será discernido! Seremos inspirados a agir corretamente, ou seremos automaticamente colocados em atividade, pelas exigências espontâneas do dia-a-dia. E todas as nossas necessidades aparecerão supridas também visivelmente, aqui “na terra” como “no céu”, ou seja, teremos a prova visível da Presença do Cristo em nós!