"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

sábado, julho 07, 2012

A visão de Moisés



Na história bíblica, o homem foi expulso do Jardim do Éden porque comeu do fruto da árvore do conhecimento. Ao comer do fruto, Adão (homem) afastou-se do mundo da Criação de Deus, em que desfrutava ilimitada abundância e liberdade. O próprio processo de "conhecer" implica na perda/afastamento da liberdade.

Na Consciência do Ser, tudo já existe pronto, tudo está consumado, já é! Não é que a Bíblia diz: "Está feito!", e diz ainda: "As obras de Deus são permanentes", de modo que nada pode ser acrescentado ou retirado. A Criação de Deus está absolutamente pronta, completa, inalterável, irretocável. Essas passagens revelam e expressam como as coisas são no reino da Consciência do Ser, Deus. Em Deus, tudo já é.

Assim, segundo a mitologia bíblica, o homem ao ser criado vivia no paraíso, na Consciência do Ser. E tudo quanto era necessário estava prontamente disponível, nada precisando o homem fazer senão viver "pela Graça de Deus". Mas então um dia ele "conheceu"... E o "conhecer" o expulsou/afastou do mundo ilimitado de Deus. Por exemplo: Você vê uma árvore no bosque, ela existe. Essa árvore só existe porque ela primeiro existe na Consciência do Ser, em Deus, do contrário ela não poderia se tornar visível no cenário humano. Na Consciência do Ser, a árvore já existe, está pronta, você tem acesso imediato a ela. Para existir a árvore, não é preciso que antes ela seja uma semente. Nem é necessário que a semente seja plantada no solo, seja regada e receba sol e chuva para poder crescer e se tornar uma árvore. Na Consciência do Ser, não há essa linearidade. O acesso à "árvore" é imediato, ela já está pronta.

Mas Adão quis "conhecer", e quando "conheceu", ele caiu na percepção mental. Quando comeu do fruto e passou a "conhecer", imediatamente ele soube que, para que ele visse a árvore, uma semente primeiro teria de ser plantada. Veja como isso o afastou do Éden, e como ele perdeu sua liberdade. O próprio processo de "conhecer" o expulsou do Jardim. Então, que assim seja. "Seja-te feito conforme tu creres". Desde então, para que ele tivesse acesso à árvore, ele teria que pegar o caminho da "semente", da "semeação", "regadura", "água", "luz", "crescimento", para somente então ter acesso àquela árvore. Assim é para quem percebe a vida com a percepção mental. A percepção consciencial quebra a linearidade/continuidade e nos permite o acesso imediato ao que quer que seja. O mundo da Consciência é não-linear, descontínuo, desconexo, quântico. Não há conhecimento na Consciência, há percepção. Perceba: o conhecimento está na mente: para a árvore vir a ser, primeiro deve vir a semente. Na consciência você não "conhece" nada, você vê de modo reto/direto/imediato. Há a "percepção" da árvore.

Quando Moisés subiu a montanha e teve a visão/revelação de Deus... a Bíblia diz que ele conversou com Deus. Assim conta a Bíblia: Moisés avistou uma caverna e nela entrou (pois ele tinha saído atrás de uma de suas ovelhas que se perdeu do rebanho, e acabou indo parar nessa caverna). Logo no começo, ao entrar, ele ouviu uma voz, que disse: "Moisés, retira as sandálias dos teus pés, porque o lugar em que está pisando é solo sagrado".

Ninguém ouve a voz de Deus e está ao mesmo tempo no mundo. Ao ouvir a voz de Deus, Moisés não estava mais no mundo dos personagens, ou seja, ele não estava percebendo com a "visão" que vê o mundo dos personagens (a percepção mental). Pois a percepção mental não é capaz de ouvir Deus falar "retira de teus pés as tuas sandálias". Moisés já havia passado para o outro mundo - o da Consciência. Somente assim ele pôde ouvir a Voz vinda do Alto. Ele já estava percebendo consciencialmente... Toda a visão de Moisés ocorreu no âmbito da Consciência do Ser, e não no do mundo dos personagens.

Assim, Moisés entrou. Ele ouviu: "retira dos teus pé as tuas sandálias, porque o lugar em que estás é solo sagrado".

A Consciência é o solo sagrado. Nenhum solo sagrado pode ser profanado. Ninguém pisa em "solo sagrado" a não ser com os pés descalços, a não ser despido de tudo o que é impuro. As "sandálias" representam tudo que é de natureza contrária ao solo sagrado - e esse é o motivo pelo qual elas não podem pisá-lo e tocá-lo. No âmbito da Consciência do Ser tudo está pronto, completo, já formado. Se tentarmos entrar levando conosco os nossos "conhecimentos", os nossos "julgamentos", e tudo o mais que combine/importe em natureza mental, não teremos permissão para "pisar" o Solo. Antes de entrar, devemos retirar as nossas sandálias.

Moisés entrou. No centro da caverna havia uma sarça - uma árvore envolvida por um fogo ardente muito puro - que queimava mas as chamas não consumiam o tronco e os galhos. Moisés se aproximou e perguntou: "Quem és tu". Ao que a figura de árvore em chamas respondeu: "EU SOU AQUELE QUE SOU".

Moisés não poderia ter obtido uma outra resposta, porque a Consciência é o âmbito onde "tudo é". No âmbito da Consciência do Ser, a Consciência é a montanha. No âmbito da Consciência do Ser, a Consciência é a árvore. No âmbito da Consciência do ser, a Consciência é o homem. A Consciência do Ser é tudo. Deus é tudo. O homem só "é" no âmbito da Consciência do Ser. O homem em si mesmo não "é" - Deus é o homem. A árvore em si mesma não "é" - Deus é a árvore. A árvore está existindo... Mas a árvore não é a árvore... porque é inapropriado dizer que a árvore "é". Deus é a árvore, porque somente Deus "É". Então a árvore é o que? A resposta: ela não é, absolutamente. Mas podemos tomá-la como sendo uma idéia "d'Aquele que É". Mas a árvore não é a árvore. Da mesma forma, nós não somos. Deus é o nosso ser. Só Deus é existência, só Deus "É". Eis porque a Consciência do Ser revelou-se à Abraão como sendo "EU SOU AQUELE QUE SOU". O verbo "é" só pode ser (apropriadamente) empregado quando no âmbito da Consciência do Ser, pois fora dela nada "é".

A Bíblia também diz que o Senhor se entretinha com Moisés face a face, assim como um homem fala com o seu amigo. Então, Moisés, NUMA OUTRA PASSAGEM diz: "Senhor, mostra-me a tua face/glória". Ao que Deus lhe respondeu: "Vou fazer passar diante de ti todo o Meu esplendor, e pronunciarei diante de ti o nome de Javé. Mas não poderá ver a Minha glória/face, pois homem algum poderia Me ver e continuar a viver".

O esplendor da Consciência do Ser é imenso. Extrapola todos os limites da mente. Por isso, por mais que queira e peça, a mente não pode "ver a face do Senhor". Se o esplendor total de Deus penetrasse na mente, que é limitada, esta simplesmente "não continuaria a viver".

Assim, é importante ser percebido que toda experiência ocorrida com Moisés não se deu no âmbito do mundo dos personagens. Para Moisés falar com Deus, teve primeiro que acessar a percepção consciêncial.

Jesus também disse aos Judeus: "Antes que Abraão fosse, EU SOU". Para dizer isso com autoridade, da forma como ele fazia, era necessário estar plenamente consciente do Ser que é tudo. Os judeus racionalizaram: "como pode você dizer ter visto nosso pai, Abraão, se ainda não tem nem 50 anos de idade?". Eles usaram a lógica, a razão, o conhecimento. Eles perguntaram como pôde Jesus afirmar existir  numa época que ainda sequer havia nascido. Mas essa pergunta está errada. A própria pergunta lhes impedirá de ter a resposta, porque ela não poderá levá-los a lugar algum. A pergunta dos judeus é fruto do conhecimento. Impossível para eles será ver a árvore sem primeiro ter visto a semente. Mas para a Consciência do Ser, a árvore já existe. E, da mesma forma, do ponto de vista da Consciência do Ser, Jesus poderia perfeitamente existir em qualquer época que ainda não houvesse nascido. Deus não segue lógicas mundanas. "A sabedoria de Deus é loucura para os homens". Jesus entendia perfeitamente bem o que estava dizendo - Ele era (é) antes de Abraão existir.

Após tudo o que foi exposto, quero chegar, agora, ao que considero o "clímax" deste texto: fazer com que o leitor "perceba" que, desde sempre, ele percebe. Ele já percebe.

A Consciência do Ser é infinita! É ilimitada, e está além de tudo! Ela engloba e abrange tudo, não sobrando nada "de fora", ou "ao lado". "Eu sou Deus, e ao lado de mim não há outro". O que quer que tenha existido, exista ou venha a existir; e o que quer que já tenha ocorrido, ocorra e venha ainda ocorrer, JÁ EXISTE NA CONSCIÊNCIA DO SER. Como diz o texto do capítulo 21 de Apocalipse: "está feito." Esse é o segredo. É compreender que, na realidade consciêncial, tudo, QUALQUER COISA, já está disponível e feito/pronto. Observe com atenção! Deus revelou que "está feito"! Tudo já está feito, não há o que esperar. Cristo está vivo hoje, agora, no presente! Perceba!

Se você compreendeu a explicação da "árvore e da semente", também poderá compreender isto agora: O fato de que "você já está percebendo consciencialmente" já existe na Consciência do SER. Até mesmo isso tem que estar pronto! - porque Deus vai além inclusive disso. Quer perceber que você já está em Deus? Então perceba que até mesmo o fato de "você já estar em Deus" é algo que já está feito, consumado em Deus. Então você fará a "passagem", fará o "acesso" ao plano da Consciência.

Você já tem acesso ao Cristo, já está desperto, e está consciente de estar desperto. Todas essas coisas - o "ter acesso ao Cristo", o "estar desperto" e "estar consciente de estar desperto" - já estão feitas (!), consumadas e completas na Consciência do Ser. O seu acesso é imediato, exatamente como no exemplo da árvore - a árvore está pronta, sem ser necessário passar pelo processo de "semente". Você é Cristo agora, é Buda agora! Não tente chegar a realização disso pela via do conhecimento. Não julgue que primeiro precisará despertar ou se iluminar. Corte o processo lógico-linear/contínuo, que é inerente à mente, e vá direto ao ser desperto, iluminado e búdico que você é. Você já percebe consciencialmente. Não é necessário tentar; só há a necessidade compreender (perceber) isso. Você já percebe o Cristo. Perceba/veja/realize o fato! É assim que você o "acessa". Quantos ainda esperam a vinda do Cristo Vivo! E no entanto ele está aqui e agora, já, no eterno agora.

Assim, não tente perceber o que está sendo dito. Apenas perceba. "Perceba", aqui, não está sendo dito no sentido de realizar alguma ação ou esforço para "conseguir". Mas no sentido de "apenas perceba", sem realizar esforço ou ação para adentrar num processo de "vir a perceber". Compreenda que você já percebe, que você já é consciente - e então apenas perceba, apenas seja consciente. O que deve ser compreendido é: Quem faz você perceber é a própria Consciência do Ser; porque até mesmo isso já existe, ou seja, "está feito", "realizado", "pronto" e "consumado". "Eu de mim mesmo nada posso, o Pai em mim é quem realiza as obras". Você apenas vive pela Graça. Basta isso.

O Deus que habita em mim reconhece, reverencia e agradece o Deus que habita em você.

Namastê.



"Eu Sou Aquele que Sou"

terça-feira, julho 03, 2012

Entre duas percepções

(O que você vê? Uma jovem moça ou uma velha? As possibilidades de ver uma ou outra estão dentro da sua consciência)

Dárcio Dezolt


Aparentemente falando, há uma humanidade dotada de olhos carnais, que “percebe” a chamada existência terrena como existência verdadeira. Esta suposta existência se altera a cada segundo, mostrando-se ora como imagens boas, ora como imagens más. Assim o mundo também aparentava ser para Buda, antes dele ter tido a revelação da Verdade. Não se conformava em ver doenças, sofrimentos e mortes, ou cenas desamorosas como, por exemplo, a de uma cobra engolindo um sapo vivo para poder subsistir! Em vista disso, abandonou tudo para ir em busca de uma solução que, intuitivamente, acreditava ter que existir. E como lhe veio esta solução? Não como ele supunha, na forma de se melhorar este mundo: veio-lhe na forma de uma revelação gloriosa: “ESTE MUNDO É ILUSÓRIO! JÁ ESTOU NO REINO ILUMINADO E PERFEITO!

Há tempos, uma pessoa falou comigo, dizendo: “Olhe, eu não aguento mais tantos problemas! Já nem sei o que fazer!” Eu disse a ela: “Entre em meditação, e então visualize 'este mundo' sendo dinamitado, explodindo, sumindo! Acabou-se! Adeus, mundo com problemas!” Meses depois, ela voltou a ligar-me, e disse: “Lembra-se do que me falou? Para eu meditar e acreditar que o mundo sumiu?” Disse a ela: “Lembro-me sim, por quê? Fez como eu disse?” E ela me respondeu: “Não, eu não fiz, mas havia contado para uma amiga minha o que você me havia falado, ela fez e deu certo para ela!”.

A maioria não crê que NÃO EXISTE MUNDO MATERIAL! Basta verificarmos o tanto que se fala sobre “fim de mundo”, “profecias de final dos tempos”, etc. A Seicho-no-Ie também revela: O MUNDO FENOMÊNICO NÃO EXISTE! EXISTE UNICAMENTE DEUS! POR MAIS QUE O FENÔMENO PAREÇA EXISTIR, ELE NÃO EXISTE! Para quê tanta repetição? Porque aparentemente vemo-nos diante de “duas percepções”: a percepção da suposta “mente humana”, e a percepção espiritual, mediante a Mente de Cristo que temos. Como anular esta dualidade? Reconhecendo que DUALIDADE NÃO EXISTE! Unicamente a Consciência iluminada atua, aqui e agora, discernindo em SI MESMA toda a Realidade eterna! Por isso as “contemplações” são radicais e absolutas! Não há “duas percepções”, mas unicamente DEUS percebendo a SI MESMO como TUDO! E Deus, onde VOCÊ está, é VOCÊ!



(moça jovem)


(velha)

sábado, junho 30, 2012

A porta do "cárcere" que abre para "dentro"

Masaharu Taniguchi


Aquele que vive apenas no mundo da matéria e da carne é como um prisioneiro encarcerado dentro das paredes da matéria, porta de matéria e grades de matéria. Ele não pode fugir do mundo da matéria. O carcereiro meteu-o dentro da cela de matéria, trancou a porta e foi embora. Na ausência do carcereiro, ele resolve fugir da "cadeia de matéria", tenta empurrar a porta, mas esta não cede. Talvez o carcereiro tenha trancado a porta com a chave.

Dentro do cárcere havia uma estante com uma porção de livros, entre os quais se encontrava um com o título A VERDADE DA VIDA. Ele pegou o livro, abriu e leu. Estava escrito o seguinte: "O mundo da matéria visto no exterior é sombra projetada do mundo interno. Porém, o homem está com sua atenção toda tomada pelo mundo exterior e pensa que se pudesse dar um jeito na matéria poderia sair para um mundo livre. Então empurra a porta para fora, e bate mas não abre. Nesse momento de desespero, se ele volver a mente e abrir a "porta da mente" para dentro, libertar-se-á a força infinita do filho de Deus que nele se aloja. Então o homem alcança a plena liberdade".

Quando o prisioneiro acabou de ler isso, passou pela sua cabeça, como um relâmpago, a inspiração seguinte: "Se eu abrir a porta para dentro, poderei libertar-me". Ele se levantou, pôs a mão na maçaneta e puxou-a para dentro. A porta se abriu sem nenhuma resistência. O carcereiro não havia trancado a chave. A porta não estava trancada. Era ele mesmo que, na ilusão, pensava: "Está trancada e eu não posso sair". Não existia também o carcereiro que o tivesse prendido dentro das grades de matéria. A "sua mente" é que era o carcereiro. E a porta do cárcere não se abria enquanto não mudava a mente carcereira. Realmente era uma autoprisão. Não existe ninguém além da sua mente para prendê-lo.


terça-feira, junho 26, 2012

A experiência de Deus

Joel S. Goldsmith


Os nomes ou as palavras não são as coisas: são meios para designarmos nossas ideias das coisas. Deus, como palavra, é algo abstrato, mas como experiência interna é realidade viva. Os homens brigam por causa de palavras diferentes que querem dizer a mesma coisa, mas os realizados se identificam e se abraçam pela vivência da mesma realidade, concebida de formas muito diferentes.

Jesus considerava Deus como Pai e introduziu esta designação no Ocidente. Dizia ele: “O Pai que está em mim”; “meu Pai trabalha até agora”; “quem vê a mim vê ao Pai que me enviou”; “não crês que estou no Pai e o Pai está em mim?”; Eu e o Pai somos um”. Quando nos referimos a Deus como Pai, naturalmente pensamos num forte poder em que podemos confiar, numa vigorosa Presença que nos ampara e mantém, ou num poder disciplinador -- não no sentido de um Pai humano, pois seria absurdo atribuir-Lhe as falhas e natureza masculina de um homem terreno. Mas na Índia, embora às vezes O chamem de Pai, a designação mais comum é a de Mãe, que acabou sendo introduzida na Europa e aplicada por muitos europeus. Com o tempo acabaram empregando o conceito de Pai-Mãe, numa amálgama Ocidente-Oriente. Os Quakers introduziram na América do Norte essa denominação de Deus Pai-Mãe e a Ciência Cristã a adotou. Desse modo, os atributos maternos de suave presença, de desvelado amor, de influência protetora, se uniram às qualidades masculinas anteriormente citadas, formando uma nuvem amorosa e forte em torno de nossos ombros, e de luz em volta de nossos pés.

Todavia, a natureza divina deve ser concebida como uma vivência que dispensa qualquer nome. Se você lhe der um nome, este não é Deus. Isto só o entendem aqueles que já o contataram internamente. Estes podem chamá-lo de Amigo, como fazia Abraão no Velho Testamento. Se Jesus chamou Deus de Pai, mesmo estando em perfeita união com Ele, é por pura questão de ensino. Pois ele mesmo, em fusão completa com a Presença divina preferia dizer: “Eu Sou”; “Eu Sou o caminho, a verdade e a vida”; “Eu Sou a videira”; “Eu Sou a porta”, etc.. Deus, quando Se manifestou a Moisés, falou a mesma coisa, em unicidade: “Eu Sou o que Sou”: inominado.

O propósito ou objetivo de O Caminho Infinito não é o de fazer-nos capazes de atribuir um nome a Deus, mas de termos a experiência de Sua Presença, até ao ponto em que Ele seja tudo em nós, embora revelado por nossa maneira individual. A mais elevada prece, a mais alta meditação, é a que elimina inteiramente todas as opiniões preconcebidas, crenças, etc., e, abrindo-nos em receptividade, leva-nos a dizer: “Pai, revela-te!”

Havendo sentido e compreendido que Deus não é Pai e nem Mãe, nem Lei ou Princípio ou Vida, mas é Tudo ou o Todo, lançamos fora os conceitos e, ao chamá-Lo Pai, vir-nos-á um “sentimento” e uma “consciência” do Todo que Ele é, que o intelecto não pode captar, mas o coração pode sentir com mais amplitude e fidelidade.

Meu conceito de Deus é de uma Presença indescritível. Conheço-O através de um “sentimento”; sinto-Lhe a Presença em todo o meu ser -- em meu tórax, na ponta dos pés, em meus braços. A circunstância externa não influi; ainda que eu esteja rodeado de desarmonias, mantenho-me consciente de Sua Presença como Luz a circundar-me, a abençoar-me, e a inspirar-me, fazendo de mim uma bênção, para diluir estados negativos e restituir a divina ordem.

Ampliamos este assunto acerca da natureza de Deus, não para que você possa ganhar um maior conhecimento da verdade, mas para que procure uma elevação de consciência e possa realizar a aspiração de Jó: “Ainda em minha carne verei a Deus”. Sabemos que Jó, no final de seu livro, conversou com Deus. Isto virá a acontecer a todo aquele que persistir fiel e perseverantemente no caminho espiritual, num gradual erguimento de consciência, até ao ponto em que Deus lhe seja uma realidade viva.

Depois disso, se alguém lhe perguntar: “Quem ou que é Deus?”, ele simplesmente sorrirá, porque não haverá mais nada a dizer ou fazer.

Se alguém me fizesse a mesma pergunta, não saberia o que dizer. Uma vez que sentimos Deus, já não sabemos defini-Lo. Parece uma incoerência, mas não existem palavras para descrevê-Lo e nem modos para ilustrá-Lo. Se uma pessoa nos perguntasse acerca do gosto de uma fruta que jamais experimentou, a mais simples e cabal explicação seria a de lhe dar um pedaço para  experimentar. Mas em se tratando de Deus, melhor é apontar o íntimo e mandá-lo experenciar.

Só quando atingimos aquele estado interno em que podemos sintonizá-Lo e pedir-Lhe: “Pai revela-Te”, e Lhe sentimos a Presença, é que podemos ter a compreensão espiritual Seu respeito, porque “o que é espiritual se discerne espiritualmente”.

O objetivo inteiro de nossa presença neste plano de vida é alcançar a conscientização de Deus, chamada “a volta ao Pai”. Quando isso acontece e nossa unidade com Ele se efetiva conscientemente, todos os estados negativos, todas as crenças equivocadas, são desmascaradas e diluídas, porque não têm realidade própria e nem pertencem à nossa natureza real. Deus passa a ser a vida de nosso Ser; o sustentáculo, o suprimento, a orientação, a inteligência, o valor moral, o amor todo-serviçal, a natureza pacífica e harmoniosa! Chegamos à compreensão total do que seja Deus aparecendo como eu ou como você. Tendo-O em nós, vemos, sentimos e pensamos através d’Ele, passando a ver o Divino em cada irmão e a amá-lo com a nós mesmos. Só Ele, que é amor, pode permitir-nos transcender o “amor próprio bem humano”, para alcançar uma visão real de nossa natureza essencial e da de nosso semelhante!

Uma vez tocado por aquele Algo, você terá a interna segurança de que Ele está sempre em você e que nunca o deixará e nem o abandonará. Ainda que você chegue a passar horas, dias ou mesmo semanas inteiras em que dirá: "sinto-me totalmente isolado de Deus" -- depois se certificará de que Ele jamais Se manteve afastado de você, mas você é que se rodeou momentaneamente da nuvem de negativismo que não Lhe permitia vê-Lo. Depois das primeiras experiências ser-lhe-á mais fácil conscientizá-Lo e libertar-se rapidamente dos estados negativos, irreais.

Isto nos leva a compreender melhor a nossa relação com Deus, do Qual somos imagens e semelhanças como Consciência. Na medida em que sabemos ser Consciência e nos sentimos como tal, damos um grande passo para a sintonia com Ele. Pense: Você é o corpo? Não. Você tem consciência de seu corpo mas não se localiza em nenhuma parte dele. Apenas sente que ele é seu mas que você não é ele, você é mais: é Consciência que está no corpo e além dele, percebendo seus sentimentos, seus pensamentos, e também as coisas de fora: seu lar, as pessoas. E se for além, perceberá que você pode conceber a Terra, a Lua, as estrelas, porque você as abrange como Consciência e tudo está dentro de você. Por isso é que você é inconfinável e está além do corpo e das coisas. Em Deus, a Consciência, que é você, é infinita; e através d’Ela você é um com Deus, descobrindo que a Consciência é uma só: Deus Onipresente.


sábado, junho 23, 2012

O que nos conduzirá ao paraíso? 2/2

Masaharu Taniguchi
.
.
.

*Nota: O Buda que a Seicho-No-Ie  reconhece é o Ser onipresente, onisciente e onipotente. É a Luz onipresente, Luz infinita que ilumina todos os cantos do céu e da terra. É o Ser cuja Vida e cuja Sabedoria são infinitas. Ele é a Luz da Vida e Sabedoria que resplandece em toda parte do universo, sendo Um com todo o universo, com todo o infinito.


Estamos salvos desde o princípio; não é depois de nos esforçarmos muito nesse mundo que alcançamos, finalmente, a salvação. Portanto, o que precisamos fazer é simplesmente despertar para a Verdade de que á estamos salvos, já estamos no paraíso. Se se recorrer ao ensinamento de que "o homem só alcançará a salvação após muitos esforços", o efeito será muito lento, e não se poderá saber quando as pessoas despertarão para o fato de que, na verdade, estão salvos desde o princípio. Por outro lado, mesmo que se ensine que "todos estão salvos desde o princípio", as pessoas comuns, que só vêem o aspecto fenomênico, dificilmente perceberão o seu Eu verdadeiro (o Jissô), que está salvo desde o princípio. Cientes disso, os grandes mestres Hônen e Shinran tiveram a ideia de criar um "método" simples de conduzir as pessoas ao despertar, e passaram a ensinar: "Reze o Namu-Amida-Butsu. Com isso, mesmo os piores pecadores serão salvos." Diante dessa declaração clara e objetiva, as pessoas pensavam: "Ah! Não sabia que era tão simples alcançar a salvação". E, recitando "Namu-Amida-Butsu", pensavam consigo mesmas: "Pronto! Já estou salvo, já estou salvo!" Assim, despertavam para o fato de que estão salvas desde o princípio. Portanto, ensinar que "o homem alcança a salvação quando reza o Namu-Amida-Butsu" é apenas um expediente para fazer as pessoas despertarem para a realidade de que já estão salvas. Se através dessa oração ocorre a salvação, é porque existe a realidade "o homem está salvo desde o princípio".

Na seita Shin, ensinam que "mesmo tendo uma pessoa cometido pecados a vida inteira, ela será salva se rezar o Namu-Amida-Butsu". Isto se baseia no princípio básico de que o mal não existe verdadeiramente, e de que somente Amida-Butsu (o Bem) é existência real. O grande mestre Shinran disse também: "Os pecados não existem de verdade. Eles são produto da ilusão. O espírito humano é originariamente puro e bom". Se o mal, que não existe de verdade, parece existir de modo concreto, é porque a nossa própria mente permanece na ilusão de que o mal existe. Já que o mal não passa de produto da ilusão, e não existe realmente, para que nos amofinar, tentando nos livrar dele? Expulsemos da mente a ilusão da existência do mal. No mesmo instante, extinguir-se-á o mal, que não passa do produto da ilusão. Vejamos unicamente a Realidade perfeita. É nesse sentido que a seita Shin prega que "mesmo tendo uma pessoa cometido pecados a vida inteira, ela será salva se rezar o Namu-Amida-Butsu".

Interpretando os ensinamentos da seita Shin do ponto de vista da Seicho-No-Ie, constatamos que, na verdade, ela não é uma religião que enfatiza a maldade e a pecaminosidade do ser humano, e sim uma religião que prega a inexistência do pecado, ou seja, o fato de que "o espírito humano é originariamente puro e bom", como disse o mestre Shinran.

Mas por que será que os pecados originariamente inexistentes aparecem como se fossem reais e atormentam o homem? Por que será que o espírito humano, originariamente puro e bom, parece maculado de pecado e maldade? Tudo isso é consequência do fato de a mente humana manter persistentemente a ilusão de que o mal existe. O mestre Shinran empenhou-se em descobrir um meio de expulsar da mente humana tal ilusão. Antes de mais nada, é preciso compreender que é impossível corrigir os maus pensamentos com a mente que admite a existência deles. Os mais pensamentos somente se extinguem com a conscientização de que "o mal não existe originariamente". Entretanto, por mais que se diga que é preciso crer na inexistência do mal como se fosse real, as pessoas comuns dificilmente conseguem convencer-se disso. Elas pensam insistentemente: "Preciso eliminar este mal pensamento". Justamente por isso, reparam mais no mal manifestado, e o "mau pensamento" lhes parece existir realmente. Tudo aquilo que a mente reconhece passa a se manifestar. Por ter conscientizado isso, o mestre Shinran disse que o homem pode alcançar a salvação mesmo tendo cometido pecados durante toda a vida, contanto que reze o Namu-Amida-Butsu na hora de sua morte. 

Ser salvo não significa ser transportado para algum lugar no espaço, denominado paraíso. Ser verdadeiramente salvo é passar a manifestar o eu verdadeiro originariamente perfeito. Por mais que a pessoa tenha cometido pecados até agora (até o presente momento), ela pode alcançar a salvação imediatamente, contanto que passe a contemplar a perfeição de seu Eu verdadeiro agora mesmo. Afirmar que Buda (ou Deus, para os que não são budistas) só poderá nos salvar quando chegarmos ao fim de nossa vida carnal é menosprezar o Seu poder. Nós cremos que o poder de salvação de Deus é absoluto e ilimitado. Em vez de imaginar Deus num lugar longínquo do espaço, cremos que Ele está junto de nós e que o Seu poder de salvação está ao nosso alcance aqui e agora. 

Aqueles que imaginam Deus em algum lugar inacessível, acreditando erroneamente que só serão salvos após a morte do corpo carnal, devem corrigir esse erro e abrir para Deus as portas de sua mente, aqui e agora. Assim, as bênçãos de Deus, que até agora estavam bloqueadas, começarão a surgir em suas vidas, imediatamente.


Do livro: "A Verdade da Vida, vol. 12" pp. 73-76

(Jissô)

quarta-feira, junho 20, 2012

O que nos conduzirá ao paraíso? 1/2


Masaharu Taniguchi


"O que nos conduzirá ao  paraíso?" Para encontrarmos a resposta desta questão, precisamos, em primeiro lugar, compreender claramente quem somos nós, isto é, como é o nosso eu. Em segundo lugar, precisamos saber o que é paraíso. E, em terceiro lugar, compreender o que significa ser salvo, e saber qual é a força que nos conduz à salvação. 

Aqui, na cidade de Nanao, a seita Shin do budismo é muito difundida, e acho que muitas das pessoas presentes neste auditório são seguidores desta seita. Na seita Shin acredita-se que o homem pode ser salvo simplesmente recitando a oração "Namu Amida Butsu", que significa "Seja conforme a vontade de Buda". Agora, vamos supor que alguém faça aos devotos da seita Shin a seguinte pergunta: "Os senhores crêem que serão salvos rezando Namu-Amida-Butsu, mas expliquem-me o que é ser salvo". Quantas pessoas serão capazes de responder prontamente, e com clareza, essa pergunta? Pessoas ligadas às religiões usam com frequência o termo "ser salvo". Mas quando alguém lhes pergunta o que significa ser salvo, ficam confusos e não conseguem explicar. Alguns parecem pensar que "ser salvo significa a nossa alma ser conduzida a um mundo longínquo, de abundância e conforto, após a morte do corpo carnal neste mundo". Parece que muitas pessoas idosas pensam assim. Com o intuito de comprar, enquanto ainda estão vivas, o bilhete para conseguir um bom lugar no paraíso, trabalham com afinco e levam o dinheiro ao templo ou à igreja, que para elas é como uma bilheteria. Pelo que vejo, parecem pensar que, agindo desse modo, poderão garantir os melhores lugares no paraíso, que lhes proporcionarão sensações sumamente agradáveis; parecem pensar que o paraíso não é um mundo que possa ser alcançado aqui e agora, mas sim um mundo longínquo que só se alcança após a morte.

Os seguidores da seita Shin frequentemente referem-se a si mesmos como pecadores. Até mesmo o fundador da seita, o mestre Shinran, disse num de seus livros que: "A perversa índole custa se modificar; execráveis são meus pensamentos". Em alguns trechos, ele despreza a si mesmo como uma criatura impenitente e miserável, e lamenta-se profundamente. E prega que, apesar de tantos pecados, nós, seres humanos, podemos ser salvos pela misericórdia de Buda; que, apesar de merecermos ser lançados no inferno, somos conduzidos ao paraíso, e por isso devemos ser gratos. Em suma, prega que devemos nos considerar abençoados por sermos conduzidos a um lugar maravilhoso apesar de não o merecermos.

Analisando isso superficialmente, podemos pensar: "sermos levados ao lugar que merecemos é natural; porém, sermos levados a um lugar maravilhoso sem que o mereçamos é uma bênção extraordinária e devemos nos considerar felizes". Contudo, se refletirmos melhor, percebemos que não é bem assim.  Alcançarmos o paraíso sem o merecermos seria como ocuparmos um cargo bem acima de nossa capacidade, o que nos faria sentir constrangidos e um tanto infelizes. Por exemplo, se tivéssemos que morar no palácio de um monarca e fôssemos tratados por todos com servilíssimo e atenção exagerada, apesar de não possuirmos as qualificações para ocupar uma posição tão elevada, não nos sentiríamos bem, embora possamos considerar isso um grande privilégio. Certamente nos sentiríamos muito mais à vontade morando numa casa condizente com o que somos, por mais modesta que ela seja. Em última análise, por mais que nos sejam proporcionados lugares maravilhosos ou ambientes paradisíacos, a nossa mente não alcançará o estado paradisíaco e continuará sem paz, enquanto não se elevar o nosso próprio valor. A verdadeira paz e felicidade não se alcançam por sermos conduzidos a um lugar paradisíaco, que nos ofereça conforto e prazeres. Alcançamo-las por nossos próprios méritos. Se nós próprios não tivermos qualificações para merecer o paraíso, nenhum lugar será paraíso para nós, por mais que ofereça conforto e prazeres.

Por isso, a Seicho-No-Ie não ensina que o paraíso exista "aqui ou acolá". Naturalmente, não ensina que ele existe em algum lugar longínquo. Jesus Cristo também ensinou: "Nem dirão: ei-lo aqui, ou: lá está! porque o reino de Deus está dentro de vós" (Lucas 17:21). Não ocorrendo a elevação do nosso próprio valor, a nossa mente não alcança o estado paradisíaco, mesmo que nos seja proporcionado o estado paradisíaco. E, inversamente, ocorrendo a elevação do nosso próprio valor, alcançamos o estado paradisíaco onde quer que nos encontremos. Por isso, a Seicho-No-Ie não reconhece o paraíso como sendo uma "área delimitada do espaço", repleta de prazeres, que se situa num lugar longínquo do espaço.

Pelo que foi dito até agora, os senhores já devem ter compreendido que, para as pessoas alcançar o paraíso, é necessário que elas elevem o seu próprio valor até o nível paradisíaco. Na Seicho-No-Ie, as pessoas não depreciam a si mesmas, considerando-se pecadores, criaturas impertinentes e miseráveis, como fazem os seguidores da seita Shin. Pelo contrário, valorizam a si mesmas, reconhecendo-se como filhos de Deus infinitamente maravilhosos. Na linguagem budista, somos todos filhos de Buda. Nas escrituras budistas consta que Sakyamuni (Buda) apontou para o céu e disse: "Sou venerável no céu e na terra". Jesus Cristo também declarou, publicamente, ser filho de Deus. Como podemos perceber, tanto no Oriente como no Ocidente, é o mesmo estado espiritual dos que alcançaram o verdadeiro despertar. 

Segundo os ensinamentos da Seicho-No-Ie, todas as pessoas são filhos de Deus, são filhos de Buda. Filhos de Deus só podem ser Deus. Filhos de Buda só podem ser Buda. Desde o momento em que nascemos, somos seres divinos, seres búdicos. Não é depois de morrermos e sermos levados ao paraíso que nos tornamos seres divinos ou seres búdicos. Estamos salvos desde o princípio. Nosso verdadeiro eu já é divino, já é búdico. Nosso valor está definido desde o princípio. Já somos seres divinos, seres búdicos. Portanto, já estamos no paraíso. Desperte! Desperte! Você já é um ser divino, um ser búdico, Você já está no Paraíso! Aqui e agora - o agora imutável, que encerra em si o passado e o futuro infinitamente remotos - você já é um ser divino, já está no paraíso. Um ser que não tenha a natureza búdica desde o princípio jamais poderá alcançar o estado búdico. Se o homem pode alcançar o estado búdico, é porque ele possui a natureza búdica desde o princípio.

Mas o que é alcançar o estado búdico? No japão, a expressão "tornar-se um buda" comumente significa morrer. Porém, na verdade, tornar-se um buda (isto é, alcançar o estado búdico) não é morrer, mas sim viver. Viver de fato, viver plenamente livre - isso que é tornar-se um buda, ou seja, alcançar o estado búdico. A palavra japonesa "hotoke" (Buda) originou-se do verbo "hotokeru", que significa desprender-se, libertar-se. O estado que se alcança quando se desprende das amarras é o que é o estado búdico. No budismo diz-se que Buda é aquele que se desembaraçou. Quando o homem se liberta das amarras e alcança a plena liberdade, "ele se torna um buda", isto é, alcança o estado búdico. Libertando-nos das amarras que nos vinham tolhendo durante muito tempo, sentimo-nos aliviados. A sensação de alívio e conforto ocorre dentro de nós mesmos, e é nisso que consiste o paraíso. Portanto, o paraíso está dentro de nós mesmos.

Se não fôssemos criaturas livres por natureza, de modo algum poderíamos nos tornar livres, mesmo sendo libertos das amarras. Objetos como mesa, cadeira, etc., não são livres por natureza, e por isso não começam a se mover por si, mesmo que desatemos as cordas ou os cordões com que os tenhamos prendido. Mas tratando-se, por exemplo, de um cachorro, se desatarmos a corda com que o havíamos prendido, imediatamente ele começa a correr à vontade. Isto porque ele tem, desde o princípio, a natureza livre que o impele a  correr, saltar, etc. Da mesma forma, se nós, seres humanos, podemos alcançar o estado de plena liberdade (ou seja o estado búdico) quando nos desprendemos das amarras de ilusão, é porque somos seres búdicos desde o princípio. Não somos, de modo algum, seres miseráveis. Somos, desde o princípio, seres maravilhosos, repletos de amor e bondade. Por sermos originariamente seres búdicos, passamos imediatamente a manifestar a natureza búdica, perfeita e livre, a partir do momento em que nos desprendemos das amarras.

A seita Shin exalta a "força salvadora de Buda" e menospreza a "força própria" do ser humano. Afirma que o homem jamais poderá alcançar a salvação por meio de sua própria força. Todavia, por mais que despreze a "força própria" do ser humano, enquanto admitir a existência dela, não se pode dizer que esteja negando-a completamente. Justamente por admitir a existência da "força própria" do homem é que a referida seita conclui que "a força humana é inútil". Se, em vez disso, compreender que "existe unicamente a força de Buda, a força de Deus, e não existe a força própria do homem", e deixar de admitir a existência da "força própria" do ser humano, passará a crer unicamente na força de Buda, na força de Deus. Havendo unicamente a força de Buda (ou força de Deus, para os que não são budistas), é impossível haver "força própria" do ser humano. A Seicho-No-Ie crê unicamente na força de Buda (Deus), que é um com o Eu verdadeiro. A "força própria" que se nega é a do eu falso. Na verdade, não existe oposição entre a "força de Buda" e a "força própria" do homem; existe unicamente a Força Absoluta, que transcende a relatividade. Pode-se dizer, portanto, que a Seicho-No-Ie é a crença na Força Absoluta, que é única. Usando a linguagem budista, podemos dizer que não reconhecemos nenhuma outra força além da força de Buda. Existe unicamente Buda, pois todos somos um com Ele. Portanto, todo lugar do universo é a Terra Pura de Buda, ou seja, paraíso. Não há, em lugar algum, o que se possa chamar de inferno. "Todos já estão salvos. Assim mesmo como são, todos vocês já se encontram na Terra Pura de Buda." Esta é a declaração da Seicho-No-Ie, dirigida a toda humanidade.

- Do livro: "A Verdade da Vida, vol. 12", pp. 63-69


(Jissô)

segunda-feira, junho 18, 2012

"Onde estão os teus acusadores?"

 Dárcio Dezolt


A mente humana crê na alucinação imaginada por ela. Assim, uma inexistência chamada “vida terrena” ilude a quase todos, através de quadros repletos de imperfeições, problemas e mudanças, enquanto ao mesmo tempo e de modo contraditório, é reconhecido que “Deus é Onipresente”. A revelação absoluta de que Deus é a única Realidade, única Presença, para esta mente falsa, é pura “loucura”, conforme disse o apóstolo Paulo. E dentro deste dualismo, de se acreditar em Deus e nos “sonhos” da visibilidade, segue a raça humana deixando de desfrutar a própria herança divina de bem-aventuranças plenas. Sempre a expectativa de melhoria é vista como possibilidade futura, e nunca como ALGO AGORA PRESENTE!

Enquanto a “alucinação coletiva” não ceder lugar à Realidade já manifesta, seus ilusórios frutos, exatamente como simples pesadelos, irão atormentar a todos. Qual é a “alucinação”? O suposto “mundo visível” ou o Reino de Deus? Para a mente humana, um Reino já perfeito e único, já disponível aqui e agora igualmente para todos, é visto como “alucinação” de místicos visionários! Já para os mestres de todos os tempos, a “alucinação” é exatamente tudo aquilo que é visto pela mente humana!

A Bíblia nos mostra um Jesus Cristo sempre sendo contestado pelo mundo. Mas a Verdade por ele revelada, desafiando todos os obstáculos, AQUI permanece, à espera de alguém disposto a deixar de lado puras MIRAGENS para realmente conhecer a Realidade já presente. Os fariseus disseram a Jesus: “Tu testificas de ti mesmo; o teu testemunho não é verdadeiro”. Como resposta, ouviram as palavras iluminadas: “Ainda que eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro, porque sei donde vim, e para onde vou; mas vós não sabeis donde venho, nem para onde vou. Vós julgais segundo a carne, eu a ninguém julgo. E, se na verdade julgo, o meu juizo é verdadeiro, porque não sou eu só, mas eu e o Pai que me enviou…se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai”.

O “julgamento divino” transcende os quadros deste mundo, desconsiderando completamente as “alucinações” aceitas como reais pela mente humana. Este “julgamento que a ninguém condena” é o do próprio Deus vendo a Si mesmo como sendo a TOTALIDADE da Existência. Nesta Visão absoluta da Realidade, quem seria acusado? Onde existiriam acusadores? Em lugar algum! Portanto, no lugar das culpas, condenações e recriminações que parecem existir, o que há de fato é a Verdade divina, amorosa e libertadora. Este é o “testemunho verdadeiro” que, segundo Jesus, não julga “segundo a carne”. No relato bíblico encontrado em João 8:11, podemos observar que no exato instante em que a mulher acusada reconheceu que “ninguém a acusava”, ficou LIBERTA! Reconhecer que “ninguém nos condena” é despertar para o fato de que Deus é Onipresença; é reconhecer que a Mente ÚNICA, exatamente por ser única, a NINGUÉM julga! Reconhecer que a Mente ÚNICA é a “nossa” Mente!

Sejam quais forem os chamados “erros”, do passado ou do presente, eles nunca realmente existiram nem existem, a não como ser como “alucinações” da mente humana. Este despertar, tido pelo ladrão ao lado de Jesus, permitiu-lhe ouvir as libertadoras palavras: “Hoje estarás comigo no paraíso”.

Assim como uma “alucinação de incêndio” não pode ser combatida por bombeiros, a “alucinação” de problemas ou de imperfeições não pode ser desfeita mediante “ações deste mundo”. A “alucinação” é combatida pelo restabelecimento da “mente normal” da pessoa que, iludida, ali reconhecia um incêndio ilusório. De modo idêntico, quando as culpas e acusações deste mundo forem dissipadas pelo “restabelecimento” de nossa mente NORMAL, ou seja, a “Mente de Cristo”, teremos “conhecido a Verdade que nos torna livres”. Que isto se dê AGORA!


sábado, junho 16, 2012

"Julgamento justo"

Dárcio Dezolt


Se julgarmos segundo as aparências (quadros visíveis), seremos obrigados a reconhecer a existência do bem e do mal. Os dois parecem mesmo ser reais! Contudo, se fizermos o "julgamento justo", mesmo diante das aparências, sem permitirmos ser levados por elas, a permanência na Verdade fará com que sua natureza ilusória nos fique revelada.

Os textos da Metafísica Absoluta nos conduzem diretamente ao "julgamento justo", ou seja, à visão que Deus possui de Seu Universo, de modo a encará-lo perfeito, aqui e agora. Nessa "contemplação" vivenciamos nossa Unidade com Deus, discernimos que somos a Visão de Deus, e que TUDO É DEUS.

Escreve Joel S. Goldsmith: No envolvimento com a cura espiritual, devemos ter um princípio que seja exato, do qual não podemos nos desviar o mínimo que seja, a exemplo do que nos ocorre na matemática ou na música. O princípio da chamada "cura espiritual" é o seguinte: "Deus é Amor, Deus é Vida, e não há Nele treva alguma".

quinta-feira, junho 14, 2012

JAMAIS você se transfigura

transfiguration of Jesus Christ
Dárcio Dezolt


Quem parte do “Referencial da Luz” jamais aceita mudanças em si mesmo ou no Universo, uma vez que este referencial parte da Verdade imutável e jamais de “aparências transitórias”. Você pode ser olhado pelos olhos da mentira (sentidos humanos) ou pelos olhos da Verdade (Sentido Espiritual). Se você for visto como VOCÊ É, Deus será visto sendo o seu Ser – e nada mais. Mas se você for visto como a ILUSÃO o vê, uma “imagem humana” será vista EM SEU LUGAR!

A Bíblia relata a “transfiguração de Jesus” - e isto porque ele também não estava sendo visto pelos olhos da Verdade. A ILUSÃO o mostrava como um nazareno na forma de uma “imagem humana”, uma imagem tão falsa e mentirosa quanto aquela vista como o "você” mostrado pela suposta “mente humana”. Teria Jesus “se transfigurado”, para ser visto como Luz? Não! A Realidade jamais muda! Houve unicamente a “troca de referencial” por parte dos discípulos, que, vendo-se iluminados, assim também o puderam ver!

Que tiramos de importante deste fato? O princípio fundamental deste estudo e suas contemplações, ou seja.: “VOCÊ JÁ É LUZ!” Se “alguém” pensa estar vendo-o como a “imagem humana” gerada pela crença coletiva, este “alguém” não existe! É parte componente da mesma ILUSÃO. Por isso, “ele” nega estar diante de Deus, tanto sendo VOCÊ como sendo “ele próprio”. Este “quadro de miragens” é a ILUSÃO! E este “eu” da miragem é aquele que “deseja” se iluminar para ver-se “transfigurado” ou para ver qualquer outro “transfigurado”.

Quando a Verdade Absoluta é revelada, percebe-se que O SER JAMAIS SE TRANSFIGURA! JÁ É DEUS! O “eu” da miragem não concebe e não aceita esse fato! E não o fará jamais! ILUSÃO NÃO CAPTA A VERDADE! Por isso, durante suas “contemplações”, não conte com a “mente ilusória” para testemunhar a SUA PRESENÇA sendo Deus! Conte unicamente com a VERDADE JÁ CONSUMADA! O que a “crença coletiva” pensa ou deixa de pensar sobre VOCÊ não muda em nada o FATO PERMANENTE DE QUE DEUS É TUDO, INCLUSIVE VOCÊ!

O suposto “eu da miragem”, de olhos abertos ou fechados, jamais verá aquele que VOCÊ É! Por outro lado, a Consciência iluminada, que é onipresente - e, portanto, a SUA Consciência -, Se expressa AGORA como seu Ser, e DELE DÁ TESTEMUNHO! Por esse motivo é que devemos partir da Consciência iluminada e não da suposta “mente humana”, e também do “Referencial da Verdade” e não do “referencial das aparências”. Dessa forma, cada “contemplação” será uma direta e imediata identificação com a Verdade, que lhe possibilita dizer: “Eu Sou a Verdade” ou “Eu Sou a Consciência iluminada”, o Ser que jamais se transfigura!


terça-feira, junho 12, 2012

Deus somente

Sathya Sai Baba


“Conhecer Deus é o empreendimento mais importante da vida. O homem deve conhecer Deus, falar com Deus. Isto é realização. Isto é religião. De nada vale conhecer todas as outras coisas quando se desconhece Deus.

Todo ser humano é uma manifestação de Deus. Todo objeto manifesta o Divino. Nada há no mundo que não seja uma manifestação de Deus. Não tenham nenhuma dúvida de que o Cosmos é permeado por Deus e de que tudo está contido n’Ele. Não há sequer um átomo no Universo que não seja permeado pelo Divino.

Tentamos descobrir Deus buscando-O por todo Universo, mas deixamos de investigar Sua existência em nosso interior, como a própria essência e princípio básico de nosso ser. Com a descoberta de nós mesmos, de nosso Ser, toda a lamentação cessa e atingimos a felicidade suprema. Este é o verdadeiro autoconhecimento.

A mente é a espada de dois gumes: pode salvar, mas, igualmente, escravizar. A meditação, de fato, é o primeiro passo para a autorrealização. A razão por que tenho chamado este o primeiro passo de seu treinamento é que hoje há um considerável número de pessoas que não podem tolerar dificuldades e inconvenientes e, ainda assim, desejam coisas maiores, mais subjetivas. Esta disciplina, a qual a si mesmos vocês impõem, os conduzirá à felicidade e à glória.

Mediante dhyana (meditação) você mergulha na ideia da Universalidade e Onipotência de Deus. Não é para você uma diária constatação que uma preocupação maior domina uma outra menor e o leva a esquecer-se desta? Quando você plenifica sua mente com a de Deus, quando por Ele você anseia e a Ele levanta seu clamor, todos os demais anseios, todos seus desapontamentos e mesmo todas as realizações desmaiam, sumindo na própria insignificância. Você esquece tudo. Desejos, frustrações e realizações jazem submersas na inundação do divino anseio e, logo depois, no próprio Oceano da Bem-aventurança.

Você contempla as estrelas no espaço, mas conserva inexplorado o céu interior. Vasculha a vida alheia assinalando erros e falando mal das pessoas, mas não cuida de analisar seus próprios pensamentos, atos e emoções para julgar se são bons ou maus. Os erros que nos outros você vê não passam de projeções dos seus próprios; o bem que nos outros observa é o reflexo de sua própria bondade. Só mediante a meditação (dhyana) você poderá cultivar o bem-ver, o bem-ouvir, o bem-pensar e o bem-agir.

A meditação verdadeira é ficar absorvido em Deus como único pensamento, a única meta.
Deus somente, apenas Deus.
Pense em Deus, respire Deus, ame a Deus, viva Deus.”