"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

domingo, fevereiro 19, 2012

Conscientizando a Presença de Deus - 3/5

Joel S. Goldsmith


PORTANTO, SEDE VÓS PERFEITOS

Tornamos a ser uma Lei sobre nós mesmos a partir do momento em que conscientizamos Deus em nosso íntimo e aceitamos que Ele nos dirija; do momento em que reconhecemos nosso relacionamento como Filhos e Herdeiros dEle, em usufruto de todas as riquezas celestiais. Só pela consciente e compreensiva aceitação desta Verdade é que nos colocamos sob a Lei de Deus. Estamos sob às leis da humanidade, sob a Lei do Karma, sob a Lei de Causa e Efeito. Todas as leis que operam sobre a consciência humana, produzem seus efeitos sobre nós, individualmente, enquanto não atingirmos a realização espiritual e não demonstrarmos a plenitude da harmonia pela Graça.

O mandamento é: "Portanto, sede vós perfeitos como é perfeito a vosso Pai celestial". Elevando-nos gradualmente à perfeição é que nos separamos das leis e crenças que governam o mundo. Não há meio de um ser humano chegar a ser perfeito enquanto não reconhecer a perfeição potencial de Deus em seu íntimo, como possibilidade de alçar-se de "glória em glória", sob a orientação divina, sob Seu Reino e Sua Lei. Só podemos ser perfeitos pela realização da perfeição divina que já está em nós. Este reconhecimento é importante para estímulo e esforço consciente de superação da influência de massa.

Como dissemos, esta perfeição não se ganha num instante. Devemos começar no ponto em que nós estamos, sem reclamar essa perfeição a nós mesmos, mas "esquecendo-nos das coisas que ficam para trás" e conscientizando que "Eu e o meu Pai somos Um". Esta unidade governa nossa vida com harmonia. É uma benção - mesmo na pequena medida inicial de nossa capacidade. Ninguém, neste momento, está exprimindo a plenitude de Deus. Mas podemos regozijar-nos se, em alguma medida, já podemos demonstrar a capacidade de separar-nos da consciência de massa; se, em alguma proporção podemos apartar-nos dos erros, das doenças e das limitações a que estaríamos sujeitos num viver comum.

Não caiamos no mesmo erro de alguns estudantes metafísicos que desanimaram e desistiram do esforço, por não haverem demonstrado harmonia e liberdade interior completas. Ao contrário, alegremo-nos a cada pequeno avanço neste sentido, em nossa experiência, pois é prova de que estamos nos aproximando da mais alta realização, que será seguramente alcançada, se persistirmos neste caminho.

De nada nos vale saber, ler, pensar, que a sintonia com o Divino interno é benéfico. É preciso praticar! É indispensável buscar essa sintonia, para conquistá-la aos poucos. Se não a buscamos, quando a realizaremos?

Nossa vida, neste ano, pode ficar sob a orientação e governo amorosos de Deus, na medida em que aceitarmos e praticarmos esta verdade e nela persistirmos. Não há meio de a Lei ou a Verdade espiritual tocar-nos com a Graça, se não as aceitamos e não as buscamos conscientemente. Depende só de nós: é algo intransferível; ninguém pode fazer por nós, por mais que nos ame e por mais estreitos que sejam os laços que nos unam. Lembremos: mesmo depois de três anos de íntimo convívio com o Mestre, Judas O traiu; os demais discípulos (com exceção de João) O abandonaram, quando Ele mais precisava deles. Isso mostra do quão convictos devemos estar da Verdade, para abraçá-la e demonstrá-la em todas as circunstâncias.

A RESPONSABILIDADE DO SER INDIVIDUAL

Toda pessoa que participa de um ensinamento espiritual recebe, em alguma medida, uma maior harmonia em sua vida e, se nele persistir, a Consciência do Instrutor ou do Praticista poderá ajudá-la ainda mais. Todavia, tal benefício é temporário a não ser que a pessoa, por ela mesma, procure desenvolver a sua consciência. O Instrutor ou Praticista, não pode dar ou garantir harmonia espiritual ao estudante, mas apenas erguer-lhe a consciência, abrir-lhe a compreensão, estimulá-lo. O despertar mesmo é de dentro para fora e só o estudante pode realizá-lo, se aproveitar o estímulo e fizer o próprio esforço, até que sua consciência se desenvolva.

Os pais não podem garantir o que os filhos menores virão a ser na vida, embora façam de tudo para prover-lhes padrões morais e espirituais que lhe sirvam de fundamento no confronto com a vida. Assim também é a relação do Instrutor com o estudante.

A criança, apesar de haver recebido orientação das mais satisfatórias no lar e haver-se mostrado obediente e comportada, quando adulta e se for para o mundo, poderá não aplicar e até desvirtuar a educação que recebeu, tornando-se uma dissipadora de sua geração. Quem pode prever a futura atuação do estudante espiritual?

PASSOS NO DESENVOLVIMENTO DA CONSCIÊNCIA ESPIRITUAL

Quando o estudante deste caminho se põe sob a orientação de um Instrutor, é-lhe ensinado que o primeiro e importante passo que deve dar, é o do RECONHECIMENTO CONSCIENTE do governo de Deus; é submeter-se, sincera e voluntariamente à orientação do Divino interno, como Sua Lei e Substância. Deve praticar diariamente a conscientização da Presença interna, recordando-se constantemente dela como inspiração e ajuda; como poder que supera qualquer problema ou desafio na vida exterior.

Com esta prática ele chegará à firme convicção do que disse o Mestre: "Eu venci o mundo". Que desejou o Mestre significar com isto? Que havia alcançado um alto nível de consciência, onde não mais podia ser afetado pela consciência de massa, ou leis mentais e materiais. O comportamento dos governos, a segurança do mundo, o clima, as flutuações econômicas, os alimentos, as crenças reinantes, os eventos todos -- nada disso já o podia afetar. Ele havia atingido tal alto nível de consciência, que lá só podiam funcionar as leis espirituais.

Os primeiros passos para o alcance desse elevado estado de consciência são:

a) o reconhecimento da Presença interna;
b) o reconhecimento de que esse Espírito interno é o único poder, a única Lei e a única Realidade.

Desde manhã, através do dia, até à noite, somos bombardeados pelas crenças mundanas em poderes materiais, mentais e legais. Devemos estar alertas para não nos deixarmos afetar por elas. Cada um de nós deve conquistar algum grau de reconhecimento de que o único poder real é o espiritual: a Lei, a Vida espiritual, onipresente. As leis materiais e mentais não têm poder - a não ser o poder que lhes damos quando nelas acreditamos. Eis a Verdade que liberta os homens das restrições deste mundo. Este é o princípio básico; a serena e firme convicção de que devemos chegar: o poder espiritual é a única realidade!

Deste modo podemos começar a compreender, ainda que em pequena medida, o que disse o Mestre: "levanta-te, toma o teu leito e anda!" "Estende a tua mão!" Jesus quis dizer: Qual o poder que pode existir fora de Deus? Há outro poder que não seja Deus? O erro será um poder? Ou a doença? Ou o dinheiro? Será que existe realmente um poder fora de Deus e de seu amoroso governo? Gradual e seguramente também chegaremos àquele ponto em que podemos dizer: "Levanta-te, toma o teu leito e anda!" - porque aquilo que reconhecíamos como poder ou limitação, fora de nós (em virtude de nossas crenças em dois poderes: o bem e o mal) já não representam poder e nem limitação para nós. Enquanto aceitamos dois poderes, ficamos sujeitos a eles. Logo, o primeiro passo de realização que devemos fortalecer, é de que há somente uma Presença e um Poder internos, que governam nossa vida e circunstanciais. E esse poder é espiritual. Essa Lei é espiritual. Essa atividade é espiritual. Tudo o mais é desprovido de poder, de presença, de continuidade, de causa e de efeito - porque não tem lei que o sustente. A única Lei é Deus e Deus é amor!

Assim, o Ano Novo é modelado por aquilo que realizamos em nosso íntimo. É verdade que ainda continuamos com nossas atividades, atendendo aos nossos deveres no mundo, cuidando de nossos negócios ou de nossa profissão - seja ela qual for - mas agora de forma diferente: governados pela Consciência crística interna.

Fixemos bem os dois pontos básicos:

1. Praticando a Presença divina em nós.
2. Mudar nossa consciência à respeito da crença universal em dois poderes para a compreensão e aceitação da verdade: que existe um só poder.

Estes princípios nos trarão desde o início uma grande sensação de paz e de harmonia à nossa experiência. Em suma, através da prática, aprendemos que esta interna contemplação e a paz que ela nos traz tem o poder de mudar a história do mundo - sem necessidade de comícios em palanques; sem esforços de proselitismo e nem revoluções religiosas, políticas ou econômicas. Este poder interno desvela novas idéias, novas invenções, novas descobertas.

Sim: a interna contemplação muda a história deste mundo e traz à manifestação os mistérios escondidos, que devem vir à tona, à luz, para estabelecera paz neste mundo. A Civilização ainda não se realizou. O mundo gosta de acreditar que está vivendo num período de civilização, mas, na verdade, a civilização ainda não começou na Terra. Só os seus estágios iniciais são evidentes. Se a palavra "civilização" tem algum significado, deve ser o de "fraternidade" e isto se concretizará quando os homens se relacionarem como autênticos irmãos. Fora disto, só poderá ser chamada de animalidade. Qualquer fracasso em "amar ao próximo como a nós mesmos" mostra nosso discernimento da real civilização. Logo, não se pode dizer, em sã consciência, que a civilização tenha chegado à Terra, enquanto não houver amor ao próximo, como a nós mesmos.

A civilização deve começar em nós, dentro de nós, indivíduo a indivíduo, e elevada e multiplicada na família e na sociedade, ao nível referido pelo Mestre no "Sermão da Montanha", cujos conceitos vão além do desejo de revide, de desforra, de devolver mal por mal, da Lei de Talião, do "olho por olho e dente por dente". Cada um de nós deve realizar esta experiência!

Aquilo que somos por dentro torna-se evidente a todas as pessoas que nos conhecem de perto, de modo que a tranquilidade, a paz, a quietude e o amor internos que atingimos virão a ser uma experiência espiritual sentida e avaliada por aqueles que nos circundam. A falta disso é também sentida por todos. Este é o motivo por que é importante que nossa vida, no Novo Ano, seja governada pela Graça do Divino interno: devemos exprimir autêntico amor ao próximo e uma maior confiança na Verdade. Devemos compreender, com todo o nosso Ser, que o único poder é espiritual e ele esta em nós, mais perto do que os pés e mãos, mais próximo do que a respiração.

Podem compreender agora a importância de sentir o poder espiritual em nós, acompanhando-nos aonde vamos - em alto mar, debaixo do mar, na terra ou no ar, em hospitais, em prisões, em nossos lares ou qualquer outro local que visitemos? Aonde quer que formos, levaremos em nós esta Presença e Poder espiritual de Deus. Mas é preciso que reconheçamos! Só quando conscientemente reconhecemos esta Presença e Poder é que nos podemos beneficiar. A consciência desta interna Presença e a plena fé, nela, é que torna santo o lugar em que estamos.

Quando imbuímos nossa consciência inteiramente desta Verdade é que somos libertados das influências mundanas e podemos dizer, como o Mestre: "Eu venci o mundo!"

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quinta-feira, fevereiro 16, 2012

Conscientizando a Presença de Deus - 2/5

Joel S. Goldsmith


O NOVO ANO ESPIRITUAL

Se o início de um ano novo é encarado apenas como o começo de um calendário, não tem qualquer significado e nem suscita qualquer esperança ou boa expectativa, para mim para você ou qualquer outra pessoa. Nesta época sempre se trocam as tradicionais saudações de "Feliz Ano Novo".

Todavia, por bons que sejam os desejos que damos e recebemos, eles não tem o poder de atrair felicidade, paz, harmonia, prosperidade ou vida nova, naquele ano que começa.

No dia de ano novo, os jornais vêm cheios de predições para a ano vindouro: horóscopos, estatísticas, opiniões de homens públicos, na tentativa de predizer o que acontecerá. Sabemos que tais prognósticos são muito pessoais e, por isso, cada um chega a conclusões diferentes.

Seria interessante reler as predições feitas no ano anterior para ver quão pouco dessas previsões aconteceram. As predições e desejos não têm poder para trazer qualquer coisa nova à nossa experiência. Não queremos, com isto, desanimar vocês. Ao contrário, desejamos encorajá-los, mostrando-lhes que as predições não têm qualquer influência em seu novo ano individual. Queremos que saibam que os resultados do ano vão depender do modo como vocês vão encarar e agir, por vocês mesmos. Vocês é que vão determinar o que será o novo ano!

O PODER DE UM INDIVÍDUO

Cada pessoa tem uma influência tremenda, não apenas sobre a sua própria vida, como sobre a vida dos que lhe são próximos e queridos. Mais ainda: isto tem a possibilidade de influenciar o mundo Inteiro. De fato, o curso da história muitas vezes tem sido alterado por uma pessoa.

A eleição de 1960 nos Estados Unidos é um bom exemplo do grande poder que um indivíduo pode exercer. Uns poucos votos mudaram os resultados em alguns Estados e, menos de um por cento determinou o resultado da Nação inteira. Não pensemos, pois, que temos pouco poder para mudar o curso da história de uma nação ou do mundo. Um voto ou uma dúzia de votos pode mudar o curso dos acontecimentos. Não precisamos citar os exemplos mais expressivos, de homens como Moisés, Buda, Lao Tsé ou Jesus para mostrar a enorme influência que exerceram em seu tempo e sobre a posteridade. Ninguém pode prever como, num único ano, uma pessoa ou um grupo de pessoas pode provocar mudanças expressivas num país ou no mundo. Seja qual for a transformação provocada, ela começa com o indivíduo e depois se amplia, afetando a experiência dos outros. Portanto, comecemos individualmente, com você ou comigo. Saibamos que o Novo Ano não tem, em si mesmo, qualquer poder para ser diferente do ano anterior. Em outras palavras, neste ano que começa, à semelhança de todos os anos anteriores, alguns virão a ser mais sadios, outros adoecerão; alguns prosperarão, outros empobrecerão. Haverá bênçãos e problemas, mas estes não poderão perturbar igualmente todas as pessoas, nem todas as cidades nem todas as comunidades.

A CONSCIÊNCIA É O SEGREDO

Qual a causa de o novo ano ser diferente para cada pessoa? A resposta, como sempre, pode ser encontrada numa só palavra: "CONSCIÊNCIA". Em nossa natureza, cada qual atinge um estado ou grau de consciência. Seja qual for a nossa experiência externa, ela é sempre determinada por nosso estado de consciência. A palavra "consciência" encerra, portanto, o inteiro segredo da vida individual e coletiva; o segredo da harmonia ou da discórdia.

Em nossos tempos de mocidade temos pouco ou nenhum controle sobre a nossa consciência, devido ao controle e domínio que nossos parentes mais velhos tiveram sobre nós. Eles nos impuseram um padrão em nossa consciência. Na realidade, nesse tempo fomos um prolongamento da consciência deles -- de suas atitudes e defeitos. Além disso, alguns nascem cheios de esperança, paz, alegria e segurança, enquanto outros vêem o mundo com dúvidas, medos e ansiedades.

Todos conhecemos crianças que eram realmente bonitas em seus primeiros anos de vida -- um reflexo da consciência de seus pais. Mais tarde, quando passaram a exercer a própria consciência, muitas vezes perdem esta beleza, este atrativo que tiveram em criança: tinham nível inferior de consciência em relação aos pais. Mas quando têm o mesmo nível, conservam a mesma aparência da infância. Por outro lado, há também "patinhos feios": pessoas que, ao atingir a fase adulta e assumir sua própria consciência individual, bem superior a dos pais, desabrocham em beleza quando se libertam da influência deles.

Complexos de inferioridade e de pobreza são também muitas vezes impingidos às crianças pelos pais, e somente quando se libertem dessa influência é que podem florescer e expandir-se.

Como crianças, não somos responsáveis, uma vez que sofremos a influência dos adultos. Só quando adquirimos a idade para tomar as próprias decisões e viver as nossas vidas, libertando-nos das influências da infância (as inconvenientes) ou aproveitando-as (as que foram sadias) é que assumimos a consciência individual e a desabrochamos a nosso modo.

A educação e a formação são necessárias, mas posteriormente devemos adquirir um padrão sadio de pensar, revendo as influências que sofremos na infância e recolhendo apenas aquelas que nos sejam edificantes.

Poucos indivíduos atingem a liberdade interna suficiente para viver suas próprias vidas ao atingir sua fase adulta. Usualmente, enquanto estão na terra, continuam a viver a vida dos outros, condicionados pelos padrões de sua comunidade, de sua família e de seus amigos. São incapazes de superar tais influências ambientais porque não foram orientadas no sentido de que cada indivíduo é uma consciência individual, com capacidades próprias, características singulares, dirigido por uma Consciência divina interna, para livrar-se de todas as influências externas, ambientais, da época, da propaganda e começar a viver "na liberdade com que Cristo nos libertou".

A nós, que tivemos a ventura de ser dirigidos a um ensinamento metafísico ou espiritual, é dada a oportunidade de sair dessas "influências" para tornar-nos nós mesmos. Já nas primeiras experiências com os ensinamentos espirituais, aprendemos que existimos como consciências e que Deus é a substância primordial, a Essência e a Lei desta consciência nossa. Portanto, podemos e devemos demonstrar a Graça de Deus, em vez de ficarmos restringidos e condicionados pelas influências físicas, mentais, morais ou financeiras sob as quais nascemos. Em verdade, vivemos pela Graça de Deus. Podemos ficar acima de tudo o que se passa no mundo. Nosso bem não deve depender das condições externas favoráveis e nem pode ser despojado pelas circunstâncias adversas ou negativas. Devemos ficar acima da consciência das massas e começar a viver as nossas vidas como indivíduos.

Só então é que chegamos ao novo ano. É inútil nutrir a esperança de que os meses vindouros nos tragam algo de novo, simplesmente porque ainda não os vivemos. Nossa grande e única esperança está na transformação da consciência, que nos trará uma mudança interna. Esta melhora de consciência é que pode tornar o ano NOVO, melhor que no passado, mais rico, mais profundo, mais harmonioso e mais saudável. O novo, em nós, suscita o novo, fora: nas circunstâncias e nas pessoas!

"A carne milita contra o Espírito e o Espírito contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que porventura seja de vosso
querer" (Gálatas 5:17).

"Sois o santuário de Deus. Retirai-vos dos ídolos e não toqueis em cousas impuras, e Eu vos receberei".
(II Coríntios 6:16.17).

Reconheça a Presença interna para tornar o ANO NOVO melhor em todos os sentidos. Assim, cabe-nos determinar: "Qual deve ser esse novo estado de consciência?"

Nossos estudantes sabem que uma consciência imbuída da Verdade sempre expressará condições harmoniosas em sua vida. Sabem que nossa vida é um reflexo do grau de Verdade imbuída em nossa consciência, isto é, a qualidade da Verdade com que nossa consciência está construída.

É bem verdade que Deus constitui a nossa consciência e, portanto já possuímos a plena, completa e perfeita consciência espiritual. Devemos sempre compreender que essa perfeição é potencial, disponível, demonstrável. Cabe a cada um de nós revelar aos poucos essa perfeição, por um trabalho individual na Verdade; pelo empenho em nossos deveres, até que a Presença seja realizada em plenitude, à nossa consciência. Sem um contínuo reconhecimento desta Presença Interna, ficamos hipnotizados pela consciência de massa e sujeitos a ela. Ficamos sob a lei de acidente: se coincidir de ser um novo ano economicamente progressista e de boa saúde, talvez partilhemos disso. Mas se acontecer um ano economicamente depressivo, de epidemia, também disso partilharemos. O modo de evitar fazer parte da consciência de massa -- esse viver robotizado, movido pelas crenças mundanas -- é começar e terminar nosso dia em estado de oração. É manter-nos vigilantes na consciência de nossa real identidade, como filhos de Deus, vivendo uma própria vida e não a vida dos outros, assim como não buscamos que os outros vivam nossa vida. Deus é que deve viver em ou como nós.

"Deus, no meio de mim, é poderoso"
. Há uma Presença divina que vai diante de mim "para endireitar os caminhos tortuosos" (Is.45:2). Há um Poder e uma Presença espirituais dentro de mim, que é a lei de ressurreição sobre toda a experiência humana; sobre os meus negócios e meu corpo; sobre minha profissão e minha saúde. Há uma influência espiritual que restaura até mesmo "os anos perdidos do gafanhoto".

Devemos aprender a conscientizar a Presença divina em nós, muitas vezes ao dia, até que se torne uma constante. É isto que nos sobreleva à consciência da massa e nos capacita a viver sob a orientação de Deus, pela Graça. A Lei, a substância, o poder de Deus nos suprem, quando O reconhecemos em todos os nossos caminhos e conservamos nossas mentes focadas nEle. Só isto nos separa da influência da massa e salva-nos da experiência coletiva, capacitando-nos a ser uma Lei em nós mesmos.
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terça-feira, fevereiro 14, 2012

Conscientizando a Presença de Deus - 1/5

Joel S. Goldsmith


DESPERTA!

Geralmente as pessoas procuram um caminho ou estudo espiritual porque sentem a necessidade de melhorar ou ajustar alguma condição em sua vida. Sentem que não encontraram a plenitude de viver; que não estão felizes. Reconhecem que sua saúde ou algum outro aspecto de sua vida não é satisfatório. Em suma, estão buscando o "elo faltante". Não estão procurando Deus por Ele mesmo, mas sim o aprimoramento de sua vida na terra e o ajustamento de suas atividades terrenas.

É verdade que as verdades espirituais sempre trazem benefícios práticos à nossa vida, mas posso assegurar-lhe que você não terá tudo o que espera humanamente, no estudo da Verdade, porque não está na natureza do ensinamento espiritual dar-lhe todas as boas coisas que você gostaria de ter. Sua saúde poderá melhorar; você poderá alcançar maior prosperidade ou outra forma de felicidade humana, mas não a totalidade do que espera.

Com o tempo verá o porque disto. Perceberá que é orar em vão, quando tenta realização humana através das verdades espirituais.

Percebemos claramente através da mensagem de cada místico que o objetivo da senda espiritual é "morrer para a experiência humana" e "renascer do Espírito". Por eles aprendemos que o reino verdadeiro, o reino espiritual ou místico "não é deste mundo", ainda que considerássemos este mundo como sadio, sábio e próspero.

A sendo mística lhe ensina que o objetivo da vida não é uma meta metafísica para uma saúde melhor, para um lar mais confortável, ou um carro mais caro, ou uma esposa ou esposo satisfatório. A meta é libertar a alma do tumulto da existência humana, especialmente do túmulo da mente humana.

Se você dispõe de tempo para períodos de introspecção ou contemplação, procure sentar-se, acalmar-se e ver até que ponto você está aprisionado em seu corpo e em sua mente. Note o quão pouco você conhece, a não ser aquilo que você encontra lá. Então constatará que toda a experiência humana é uma vida em prisão.

Efetivamente, cada ser humano vive preso à sua mente e ao seu corpo e, via de regra, durante sua vida inteira jamais se liberta dela. A maioria das pessoas -- até mesmo as de elevada educação -- acham que o que não está na mente e no corpo não tem realidade ou existência. O que se nota é que quanto mais culta a pessoa é, maior é a sua prisão dos conceitos mentais.

Devidamente compreendida, a vida é uma aventura. Tal como o bebê, quando começa a engatinhar, se deslumbra com o mundo fora de seu berço, de seu quadradinho ou cadeirinha alta, embora bata sua cabeça ou queime os dedos no fogo, explorando cada canto da casa, assim deverá ser a nossa vida.

Infelizmente, com o tempo, a criança alcança a adolescência e perde todo interesse pela busca ou desejo de aventura. Pode haver um intervalo de curiosidade quanto ao sexo, mas quando ela é satisfeita nada mais resta no anseio da pessoa. A vida passa a ser vivida pelo que é gravado no corpo e na mente.

Felizmente, há alguns exploradores -- artistas, aventureiros da alma para os quais a vida não perde o seu fascínio. Eles tentam alargar os seus horizontes nas esferas mental, física, artística. Muito poucos são os que buscam no campo da alma.

Pense um pouco na palavra "alma". Constate como você sabe pouco a respeito dela. E um grande número de pessoas conhece ainda menos que você. Você teve oportunidade de ler muitos escritos e tem estudado algo sobre o assunto. Sabe que a compreensão verdadeira deste tema é a maior experiência a que um individuo pode chegar.

A alma está aprisionada no túmulo que chamamos "experiência humana": o túmulo da mente e do corpo. Se desejamos alcançar experiências da alma, temos de romper as barreiras do corpo e da mente. A isto, Jesus, nosso Mestre, chamou "de não nos preocupar com nossas vidas, mas de buscar o Reino de Deus - a esfera de Deus: a Alma." Mas violamos este ensinamento ao supor que a vivência de Deus ou da Alma consiste em melhorar as condições materiais de nossa vida. Mas as instruções divinas são claras: de não nos preocuparmos com esta vida, seja qual for o seu aspecto, corporal ou mental - e alcançar a consciência de um rumo mais elevado, de um objetivo ou significado mais alto em nossa vida.

A razão deste tema da Alma ser tão minimamente conhecido é porque se fala de Deus, sem compreender que Ele é a própria Alma do homem. Você nunca poderá contatar e sintonizar o Reino de Deus em você, enquanto não tomar consciência de sua própria Alma. Esta busca e este encontro é uma real aventura, porque você tem que deixar de lado os apegos ao corpo e aos conceitos mentais, partindo rumo ao que lhe é humanamente desconhecido.

O almirante Bird, quando se aventurou às regiões dos Pólos Norte e Sul, não sabia o que o esperava e nem tinha certeza de que encontraria um caminho de retorno. Deixou as águas familiares e seguras e foi para lá, embora sabendo que muitos exploradores tinham ido aos pólos e nunca mais tinham voltado. Todavia, Bird estava disposto a ir além do sentido de preservação de sua vida, em busca do desconhecido.

De modo parecido, na busca da Alma, você não tem absolutamente meios de saber o que irá encontrar e nem a garantia de que poderá retornar. Aqueles que foram antes de você não deixaram mapas. Não disseram como ir e como voltar. Sabemos que o roteiro é o caminho da meditação e um bom Mestre pode servir-nos de Guia. Contudo, até mesmo esse Instrutor só pode guiá-lo na prática da meditação. Depois você será entregue a você mesmo.

Alguns ficam tão assustados à primeira visão do campo da Alma que, ao voltar, nunca mais se aventuram de novo para aquele lado. Deus é Luz. Entrar, face a face, com essa Luz tão ofuscante e cegante em sua intensidade, é mais difícil do que encarar diretamente o sol físico, em sua maior luminosidade, do meio dia. Portanto, se isto parece assustador, você deve mesmo munir-se de um espírito aventureiro para realizar mais do que espera. Não que Deus seja assustador: os sentidos humanos é que se assustam ante o desconhecido. Na realidade, nada existe a temer nessa busca.

De modo geral, o progresso no caminho espiritual é muito gradual, de modo que o trajeto inteiro se transforma em alegria. Aqui e acolá haverá experiências momentaneamente assustadoras, ou melhor, surpreendentes, porque diferem do que você esperava. Por exemplo: você pode ter esperado que cada dia lhe traria experiências alegres. Mas tais momentos são poucos. Os períodos de escassez e vazio e o sentimento de parecer isolado ou separado de Deus são muito mais frequentes. No entanto, estes são mais necessários para o seu desenvolvimento espiritual do que sentir-se numa nuvem cor-de-rosa. Não é bom que você se sinta satisfeito, porque não deixará nenhum espaço, nenhum vazio, para algo novo e melhor entrar. Você precisa perder seus equivocados conceitos acerca de Deus; você deve deixar de lado tudo o que esperava de Deus.

Eu gostaria de escrever um livro com a título: "DEUS PAPAI NOEL", porque é esta a idéia de muita gente a respeito de Deus. Esteja seguro de que ninguém pode entrar no Reino da Alma com tais idéias. Você deve abandonar tudo o que até hoje esperava no sentido humano de companheirismo. Você gostaria de contar a seus chegados tudo o que você pensa e faz; você gostaria de partilhar com eles todas as suas alegrias e êxitos. Mas no caminho espiritual você não pode fazer isto porque aqueles que não trilham este caminho não estão em condições de avaliar e de partilhar de tais experiências. Só mesmo em raras oportunidades você poderá encontrar alguém com quem partilhar estas coisas. Porém, mesmo em tal hipótese, você descobrirá que algumas coisas devem permanecer ocultas com você para sempre.

Isto explica a solidão do Mestre em Seu ministério de três anos. Quando Ele quis revelar alguns segredos da vida quadridimensional, só pôde levar com Ele três de seus mais íntimos discípulos. Os demais discípulos não tinham condições de assistir à transfiguração e defrontar Moíses e Elias, que tinham vivido muitos séculos antes. Não poderiam compreender como eles viviam ainda e permaneciam exatamente lá onde eles estavam, comunicando-lhes Sua sabedoria. O Mestre não falou desta experiência aos demais nove discípulos. E mesmo aos três escolhidos, estou certo de que havia segredo que ele não podia comunicar. Esta é a "solidão" ou "silêncio" que guardamos ao compreender que não podemos falar das experiências espirituais senão com raríssimas pessoas.

No momento em que você toma contato com a Consciência mais elevada, sua visão se expande, abrangendo fatos do presente, do passado e do futuro. É como você ficasse de pé no terraço de um alto arranha-céu, de onde você pode descortinar, num ângulo de 360 graus, milhares de quilômetro em todas as direções, enquanto que, no mesmo instante, um homem na rua lá embaixo só pode tomar consciência do que lhe esta próximo. Nos planos mais elevados de consciência, o passado, o presente e o futuro ganham imensas amplitudes (não relacionem com quiromancia ou cartomancia). Então podemos compreender como os profetas da Bíblia previam o que ia acontecer e podiam prevenir em tempo os males que se anunciavam se continuassem agindo de modo errado. Mas eles foram muitas vezes castigados pelos teimosos reis. Da mesma forma, se você começasse a falar de certas experiências, além de você profanar e arriscar-se a perder essa percepção, encontrará descrença e escárnio, porque não podem compreender o que não vivenciaram por eles mesmos. Eles não podem compreender. E você perderá muitos companheiros na senda espiritual.

Há uma razão prática para empreender a aventura espiritual: com aquilo que conhecemos até agora, é possível trabalhar, por trás dos bastidores, para mudar o curso de eventos futuros. Isto é conhecido dos místicos que se acham no outro lado do véu. Na medida em que eles acham homens e mulheres receptivos às necessidades espirituais, são capazes de lhes comunicar sua sabedoria. Assim, aqueles que estão agora na terra, podem exercer uma influência auxiliadora no ajustamento das condições humanas.

Porém, mesmo sem isto, a aventura valeria a pena, porque ela liberta nossa alma das limitações. Liberta-o da repetição monótona cristalizante de levantar-se, trabalhar, comer três vezes ao dia e depois ir para a cama à noite, para repetir tudo no dia-seguinte. Uma prisão!

O ser humano não foi creado para ser um escravo - física, mental e economicamente. O propósito essencial do homem é manifestar a sua natureza divina. Ele foi creado para ser um instrumento consciente de Deus na Terra - como rezou São Francisco. Tal é o sentido da encarnação: Deus feito homem individual. O filho pródigo simboliza "o caminho perdido" e mostra que o ser humano pode e deve encontrar a via de regresso ou retorno à "Casa do Pai" - ao estado de consciência divina, lá vivendo como herdeiro de Deus, revestido do manto de uma mais alta consciência, do anel de herança e união, no usufruto da glória de Deus.

O homem não nasceu para chorar. Todos as suas lágrimas são derramadas tão somente porque ele sente a sua limitação. Cada lágrima que você derrama é sinal de alguma restrição que você está experimentando em sua vida. O homem não nasceu para chorar! Quanto mais você procurar, dentro e em torno de seu corpo e de sua mente, tanto mais limitado e preso ficará. Não tenha a ilusão de que você é livre de seu corpo e de sua mente. Quanto mais você estudar a Verdade e observar os movimentos internos e seus impulsos, mais verá a necessidade de libertar a sua alma dos grilhões dos hábitos e crenças deste mundo. E quanto mais você o conseguir, elevando-se ao reino de Alma, até a aproximação dela, seu corpo e sua mente se tornarão mais receptivos ao governo divino interno e sua vida requererá menos atenção humana.

Eventualmente você também poderá sair destas limitações por um ato da Graça. Alguma coisa lhe acontecerá -- não por você sentar-se e simplesmente esperar por ela. Acontecer-lhe-á se você mantiver seus pensamentos focados em direção do Alto, como foi dito por Isaías (26:3): "Tu, Senhor conservarás em perfeita paz aquele cuja mente está firmada em Ti". "Reconhece-O em todos os teus caminhos e Ele te orientará" (Prov.3:6). "Na quietude e na confiança está a tua força" (Isaías 30:15). Neste sincero esforço, de sintonia é que você pode receber a Graça, que eventualmente o libertará. Agora você pode compreender porque os anjos são imaginados e representados com asas: porque os pensamentos voam, pairam. Estas experiências sublimes se dão no topo da montanha: nas sublimes alturas da consciência. Quando a Alma é liberada, ela voa para a alto, não no tempo e no espaço, mas em consciência. Não fica mais ancorada no chão. Não permanece mais enterrada no corpo e na mente carnal. Torna-se uma consciência ascendente, uma faculdade das alturas.

Quando uma pessoa passa pela experiência da morte física, supomos erroneamente que sua alma deixa o corpo e voa para o alto. Não é pela morte do corpo que isto acontece: é quando aprendemos a morrer diariamente para corpo e a mente. Então, sim, a Alma é liberada gradualmente para um estado mais elevado de consciência. Isto devemos alcançar enquanto estamos bem vivos, por causa da morte para o sentido humano do ser. Este é o dia em que você se liberta do túmulo do corpo e da mente e libera a sua Alma. Embora isto seja ensinado simbolicamente - como em todos os ensinamentos místicos -, há quem o interprete literalmente, assim como fazem na história de Jonas na barriga da baleia, que simboliza o aprisionamento do homem nas crenças humanas.

Você sabe que tem um corpo e que tem uma mente, mas ainda não chegou a conhecer o verdadeiro Ser que você é e que tem esse corpo e essa mente. Conhecer essa real identidade é a aventura de sua vida: o seu despertar para o real Ser que você é: essa Alma que vive. Você precisa de primeiramente conhecer esse "você" que é essa Alma. Em seguida poderá começar a exploração, a busca, até encontrar-se! Esta é a razão de sua vida na terra. Esse Ser espiritual que jamais nasceu e jamais morre e que momentaneamente está sepultado em um "parêntesis", buscando saída, para dar um pleno propósito ao seu viver! Se você procurar em seu corpo, dos dedos do pés ao topo da cabeça, tentando localizar onde está esse Eu espiritual, descobrirá que Ele não se encontra em nenhuma parte de seu corpo. Então lhe virá a primeira sugestão: "Se não estou neste corpo, onde estou? O que eu Sou?". Aí começa a busca do homem creado por Deus. E a grande aventura se inicia!

É melhor que você guarde todas estas descobertas para você mesmo. Jamais acredite que poderá encontrar alguém que tenha exatamente as suas experiências. Então, um dia, quando você se encontrar conscientemente fora de seu corpo e compreender que EU SOU EU, será capaz de ver que Deus implantou a plenitude dEle em você, de modo que nada lhe pode ser acrescentado e nada lhe pode ser tirado. Verá que você se encontra na plenitude do Ser, em Deus. A partir desta experiência, você não procurará nada mais lá fora, mas estará livre para partilhar doze cestas cheias a cada hora do dia, sem qualquer pensamento de que esteja esgotando seu interno suprimento. Você passará a desfrutar a vida com alegria; a viver o céu na terra. Mas isto, só depois de você ver o EU SOU que você é, não limitado no corpo e em crenças materiais - mas um Ser incorpóreo, espiritual, onipresente, livre!

A partir deste instante você compreenderá o que foi dito: "As armas não atingem a vida; as chamas não a queimam; as águas não a podem afogar, pois você é o Eu conscientemente realizado à semelhança de Deus, indestrutível, indivisível, inseparável de Deus. Nem a vida e nem a morte poderá separá-lo da Vida-Deus-Amor-Plenitude!"
Cont...

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domingo, fevereiro 12, 2012

Meditar é contemplar a Imagem Verdadeira

Masaharu Taniguchi


Para percebermos por completo a Imagem Verdadeira, precisamos nos aprofundar na Meditação Contemplativa Shinsokan, até alcançarmos a consciência: “Eu sou a Verdade; Eu e a Verdade somos um!” Neste profundo estado, o nosso “eu” não é mente, corpo carnal, corpo astral e nem qualquer outro corpo espiritual. Ele transcende a tudo isso, existindo num estado extremamente maravilhoso, na qualidade de um homem real eternamente indestrutível.

Para termos esta percepção, é aconselhável repetirmos, nesta profunda condição meditativa: “A Verdade sou eu! Eu sou a Verdade!” Quando persistimos nesta meditação, gradativamente nossa conscientização vai-se aprofundando até atingir a consciência de que o “Eu” é algo que preenche o Universo, que respira com o Universo, e que é uma grandiosa realidade coexistente com o Universo. Finalmente, obtemos a convicção de que “a Verdade sou eu, e que Eu sou a Verdade”. A ilusão, que até então fazia com que nos víssemos como matéria, desaparece. Começamos a nos ver como somos em nossa verdadeira imagem, e descobrimos que somos dotados de ilimitado suprimento de saúde, poder, sabedoria e outras bênçãos do Reino da Verdade. Neste ponto, descobriremos que a diferença entre Deus e nós próprios é que somos testemunhas individualizadas da Presença divina, onde Deus é o próprio Infinito.

Meditar é focalizar nossa consciência na Imagem Verdadeira de nosso ser. Com a consciência totalmente concentrada no Reino de Deus, nossas mentes ficam absorvidas pelo aspecto original da Realidade. Unicamente a perfeição da Imagem Verdadeira fica retida em nossa consciência e passamos a não mais tomar conhecimento de algo além desta Imagem.

Quando nossas mentes permanecerem continuamente no Mundo da Realidade, logicamente deixaremos de tomar consciência de quaisquer condições imperfeitas pertencentes ao mundo exterior fenomênico. Nossas mentes não conseguirão mais experienciar doença, dor ou fraqueza. Todo o mal estará expulso da mente.


sábado, fevereiro 11, 2012

Não separe o seu corpo de Deus


Joel S. Goldsmith


Assim como não existe Deus e você, não existe Espírito e matéria. Acreditar em Espírito e matéria é dualidade. Quando, através da mente descondicionada, você é capaz de ver que o Espírito é a substância de todo ser, você não tem um poder atuando sobre outro; você tem Espírito como a única substância, aparecendo sob forma harmoniosa e espiritual.

Se entender este ponto, você perceberá por que saúde não está dentro ou fora do corpo. Saúde está no Espírito manifestado como corpo. O corpo é forma e nele não há saúde. A saúde do corpo é a saúde do Espírito. Assim, enquanto não procurar o Espírito para obter saúde, harmonia e inteligência, você estará procurando fora do lugar. Inteligência é Onipresença, tanto quanto saúde, porque tanto inteligência quanto saúde são qualidades e atividades do Espírito. O Espírito criativo do homem e seu corpo.

Se você conseguir apanhar o sentido do princípio de que a doença não tem nenhuma lei, ela será derrotada pelo próprio fato de você ter-lhe reconhecido o não-ser. Se você conseguir apreender, e realmente compreender esta verdade, a aparência se dissolverá. Se você conseguir reconhecer a verdade de que Deus não é responsável pela doença e pela morte, você as destruirá. É esta a Verdade que o liberta.


quarta-feira, fevereiro 08, 2012

O ponto na lousa


Dárcio Dezolt

Se marcarmos um ponto da lousa com giz e perguntarmos: "Estão vendo este ponto?", a maioria responderá que sim. Entretanto, o que estaria sendo visto é o giz a encobrir o ponto. Assim, apagando o giz e repetindo a pergunta, aquele ponto da lousa será visto. O giz teria servido somente para mostrar ou definir o ponto real, através de seu sumiço pela ação do apagador.

Mudemos agora a questão para uma pessoa. Se apontarmos uma delas e perguntarmos: "Estão vendo aquela pessoa?" Igualmente a maioria dirá que sim. Entretanto, o que estaria sendo vista é a "personalidade" ou "eu aparente" a encobrir o ser apontado. A "personalidade", ao ser apontada, teria servido apenas de referência, tal como o "ponto de giz". Ao ser "apagada", a verdadeira identidade ali presente será vista: o Cristo! Deus manifesto como ser individual.

Assim como o "ponto real" já existia pronto na lousa, o VOCÊ REAL já existe pronto em Deus.
Confundir sua presença com o "eu aparente" equivale a confundir o "ponto na lousa" com o "ponto de giz". E saber separar um do outro é "conhecer a Verdade".

O estudo do Absoluto intenta fazer com que a Verdade – SUBJACENTE AO ERRO – seja reconhecida e aceita como perfeição presente, assim como o "ponto da lousa" não teria de ser "trazido à manifestação"! Já estava presente e intacto na lousa o tempo todo, sem que o giz alterasse ou acabasse com ele!

Onde quer que a "ilusão material" reconheça a "ausência da perfeição original da existência", o que está de fato evidenciada é a PERFEIÇÃO IMUTÁVEL DE DEUS! Desse modo, todas as "aparências" apenas provam que a "perfeição está presente"! Por quê? Porque o "ponto da lousa", com giz sobre ele, é prova de ser ele o "ponto real", e somente pôde APARENTAR ser ausente por estar de fato existindo, pois, sem este fato, nem "oculto" ou "pintado de branco" ele poderia ficar!

O CRISTO, "PINTADO DE CARNAL" pela suposta mente humana, é, aqui e agora, o Ser Real que você, eu, e todos somos! DEUS É TUDO, e "APARÊNCIAS" são a "PERFEIÇÃO PINTADA DE GIZ" 
– e mais NADA!

“Se é que tendes ouvido, e nele fostes ensinados, como está a verdade em Jesus; que, quanto ao trato passado, vos despojais do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e vos renoveis no espírito de vosso sentido; e vos revistais no novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade”
(Efésios 4: 21-24).


segunda-feira, fevereiro 06, 2012

O que saber para curar espiritualmente (Goldsmith)

Joel S. Goldsmith


Tudo que sabemos sobre Deus não passa de conceito, e não aquilo que realmente Deus é. Nenhuma verdade que conhecemos é, de fato, a Verdade. Deus nos é revelado quando alcançamos a quietude interna. A Verdade é percebida e demonstrada claramente quando nos tornamos receptivos à Sua Presença. Nada permanece oculto para os que buscam a Deus por Deus mesmo – pela alegria, paz, vida e amor de Deus – pela Experiência em si.

Aprendendo a descartar nossas opiniões, crenças e teorias sobre Deus, percebendo o vazio dos conceitos humanos sobre a Verdade – discernimos Deus preenchendo o nosso Ser a ponto de viver a nossa própria vida!

Nesta experiência é revelado o próximo grande segredo da vida: nós não conhecemos o homem; não nos conhecemos uns aos outros; nem mesmo conhecemos a natureza dos animais ou das plantas. Sobre eles, somente vínhamos retendo opiniões e convicções baseadas em aparências. Vínhamos rotulando as pessoas de boas e más, de amigas e inimigas; acreditávamos ser isto saúde e ser aquilo uma doença. Julgávamos tudo “segundo as aparências”, enquanto o Mestre nos preveniu para que julgássemos “segundo a reta justiça”.

Todo o trabalho de cura espiritual se fundamenta nesta habilidade de ignorarmos as aparências e contemplarmos, “através delas”, este “julgamento justo”.

A habilidade de se conseguir esta capacidade curativa, ou discernimento verdadeiro, decorre da busca pela real percepção de Deus. Ao nos defrontarmos com alguma pessoa ou condição, precisamos evitar todo julgamento, todas as opiniões e conceitos, entendendo que nenhum deles representa realmente a verdade relativa àquela condição.

No exato instante em que cessamos de aceitar a aparência, e paramos de emitir uma opinião ou formar conceitos sobre a pessoa ou situação, alcançamos o Silêncio em que verificamos a ausência do pensamento humano, do medo, ódio ou julgamento – e então, o Pai interior (nossa própria Consciência crística) nos revelará a Verdade sobre a pessoa, condição ou situação. Nenhum de nós pode conhecer humanamente a Verdade, mas Deus pode, e irá fazê-lo, naquele momento de Quietude, revelando-nos a Verdade sobre tudo que nos for requerido saber.

Aproxime-se de cada pessoa ou condição da mesma forma com que se aproximaria de Deus – com pleno conhecimento de que todo o seu saber não é verdadeiro, sendo apenas um conceito ou opinião baseada numa aparência – mas como Deus possui o conhecimento verdadeiro, na quietude interna aguarde poder ouvir e conhecer a Verdade, e observar a Realidade espiritual concernente à pessoa ou situação em foco.

Na revelação recebida internamente, em paz e quietude, está a cura. Eis por que sabemos que nem eu nem ninguém realiza curas – porém, podemos ser instrumentos pelos quais a “consciência curativa” nos abençoa e também aos que nos encontram.

Vínhamos aprendendo que o “curador” é a Consciência espiritual. Agora conhecemos a natureza desta Consciência: a habilidade de refrearmos a aceitação dos conceitos sobre Deus e sobre o homem, e um instante de quietude humana, que permita ao Espírito Divino revelar-Se.

A Consciência espiritual é a sua e a minha consciência, quando desprovida de senso pessoal, desejos e conceitos de vida. A Consciência espiritual é a sua e a minha, quando nos recusamos a aceitar conceitos, temores e ódios do mundo, para recebermos internamente a paz e confiança provenientes da conscientização de Sua Presença.


quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Deus desconhece circunstâncias

Emmet Fox


Deus não se preocupa com as circunstâncias. O fato imutável é que Deus tem todo o poder e pode trazer harmonia e cura em qualquer circunstância, a qualquer hora e em qualquer lugar. Ele está além do tempo, do espaço e da mente carnal.

Não faz diferença para Deus o quanto uma determinada dificuldade já durou. Não faz diferença quanta oposição aparente há a superar – Deus não se preocupa com circunstâncias.

Deus não tem que preparar agora, para fazer com que algo aconteça no ano que vem; tampouco é incapaz de fazer algo agora, porque deixou de tomar alguma providência no ano que passou. Deus pode fazer qualquer coisa, em qualquer lugar, a qualquer hora, sem referência a outra coisa ou pessoa.

Nossas mentes carnais estão sempre colocando dificuldades no caminho da demonstração. Dizemos “tarde demais” ou “cedo demais” ou “longe demais” ou “perto demais” ou “demasiado” ou “de menos” e, deste modo, liquidamos a nossa demonstração. Porém tudo isso é funcionamento da mente carnal, e não tem nada a ver com Deus.

Determine hoje que você demonstrará saúde, felicidade e êxito verdadeiro, pela percepção de que Deus está trabalhando em você e através de você para fazer com que essas coisas aconteçam. E não permita, por um só segundo, que a mente carnal lhe diga que isso não pode ser feito. Pode ser feito; e se você levar a sério, será feito.

Deus não se preocupa com as circunstâncias, e, se você se recusar a deixar que elas inibam o seu pensamento, elas não poderão impedir a sua manifestação.


"Com Deus todas as coisas são possíveis." – Mateus 19:26

domingo, janeiro 29, 2012

A Verdade e a Ilusão (Masaharu Taniguchi)

Masaharu Taniguchi


Iwamura - Gostaria que me explicasse por que o corpo carnal é produto da ilusão.

Taniguchi - O homem é originariamente filho de Deus. Deus constitui a essência do homem. Sendo Deus Espírito, e não matéria, o homem, que é filho de Deus, também é Espírito e não a matéria chamada corpo carnal. Pensar erroneamente que o homem seja corpo carnal constitui ilusão; e a projeção dessa ilusão constitui o corpo carnal.

Iwamura - Se o corpo carnal é projeção da ilusão, quando o corpo carnal deixar de existir extinguir-se-á a ilusão?

Taniguchi - Nem sempre. O corpo carnal é projeção da ideia que há na mente; por isso nem sempre sua extinção significa a extinção da ideia. O corpo carnal é a imagem que nossa mente projeta na tela chamada mundo material; quando essa imagem (ideia) se projeta na tela chamada mundo astral, surge em forma de corpo astral.

Iwamura - Entendi. E se nos livrarmos totalmente da ilusão, como ficará este mundo?

Taniguchi - Este mundo está se extinguindo a cada momento. Tomando o corpo carnal como exemplo, o meu corpo de agora já não é mais o mesmo de uma hora atrás; hé elementos que se transformaram em suor, outros em urina, a disposição sanguínea também mudou totalmente. Esta mudança significa a extinção de alguma coisa que existia anteriormente e o surgimento de outra nova no seu lugar. Se nossa mente abandonar a ilusão e passar a ter pensamentos corretos, desaparecerá o corpo carnal insano e surgirá o corpo carnal são. Da mesma forma, se abandonarmos a ilusão, o mundo fenomênico imperfeito desaparecerá e em breve surgirá um mundo perfeito refletindo fielmente o mundo verdadeiro, isto é, será feita a vontade de Deus, assim na terra como no céu.

Iwamura - Entendo que o nosso corpo carnal imperfeito seja projeção da mente, mas a Natureza, as árvores, os astros, etc., em seu estado atual não é exatamente como Deus a criou? Parece-me que na pureza do céu azul ou na beleza do verde das árvores não há mínimo de pensamento impuro...

Taniguchi - Por mais que nos pareça puro ou belo, todo este mundo perceptível aos cinco sentidos é mundo da projeção. Pensar que este mundo, assim como se apresenta, já é o mundo verdadeiro, o mundo da existência verdadeira, é um erro. De fato, o céu azul é límpido e puro, as árvores são verdes e belas. Neles existe o reflexo do mundo verdadeiro. Mas a beleza do mundo verdadeiro nem se compara com essa beleza imperfeita projetada. Este mundo fenomênico é um mundo da ilusão, em que a beleza do mundo verdadeiro se reflete de maneira impefeita; nele, luz e treva estão mescladas. A consciência de que somos filhos de Deus é a luz, a realidade. A ilusão que admite sermos a matéria chamada corpo carnal é a treva, a falsidade. Mistura de luz e treva, de realidade e falsidade - é isto que caracteriza este mundo. Se toda a natureza perceptível aos cinco sentidos fosse a realidade tal qual Deus criou, a lei do mais forte que vigora entre os animais - a cobra que devora o sapo, o leão que mata e come o carneiro - também seria real. Se fosse assim, não poderíamos dizer que Deus é amor, nem que Deus é harmonia. Quando se admite que o mundo perceptível aos cinco sentidos é, assim mesmo, o mundo verdadeiro criado por Deus, invalida-se e se contradiz a Verdade de que Deus Criador é Bem.

Iwamura - Se este mundo imperfeito perceptível aos cinco sentidos não é o mundo tal qual Deus criou, e sim um mundo da ilusão onde se projeta imperfeitamente o mundo verdadeiro criado por Deus, o que seria esse mundo da ilusão?

Taniguchi - O mundo da ilusão não existe verdadeiramente. Quando uma coisa inexistente aparenta existir, é ilusão. Se algo existente mostra que existe, é realidade e não ilusão. Na verdade, a ilusão propriamente dita não existe. Sendo a ilusão algo inexistente que aparenta existir, desaparecerá se conhecermos a Verdade.

Iwamura - E por que é que se tem a ilusão de que uma coisa inexistente existe?

Taniguchi - Isso, em budismo, também constitui uma questão assaz complicada, e existe o que se chama Teoria da Origem da Ilusão. Ainda não houve um só filósofo no mundo que tenha conseguido explicar de maneira convincente de onde surgiu a ilusão. Há quem explique com a teoria do surgimento causal, isto é, que "aquela ideia surgiu por acaso", mas não é considerada uma explicação satisfatória. Na minha opinião, já que a ilusão não existe verdadeiramente, o próprio fato de buscar a origem daquilo que é inexistente é ilusório. Se buscarmos a sua origem, estamos pressupondo que existe. Mas não adianta buscar insistentemente a origem do que não existe.

Iwamura - Como podemos saber que não existe?

Taniguchi - Enquanto ficarmos buscando insistentemente a sua localização ou a sua origem, não compreenderemos que a ilusão não existe. Quando deixarmos de lado o que não existe e conscientizarmos do que existe realmente - a Verdade sagrada de que somos filhos de Deus -, a ilusão revelará por si a sua verdadeira natureza que é a inexistência e desaparecerá. Não existe outro meio de provar a inexistência da ilusão.

Tomemos como exemplo um indivíduo que sonha que um ladrão de alguma penetrou em sua casa equipada com a maior e a mais efetiva engenhosidade de segurança: enquanto ele ficar procurando o ladrão, pensando que ele deve estar em algum lugar da casa, ficará criando a imagem do ladrão na sua mente e continuará temendo-a. Mas, se o indivíduo despertar e tocar com as mãos a fechadura firmemente trancada e perceber que não há meio algum de o ladrão penetrar em sua casa, desfar-se-á o sonho de que há um ladrão dentro de sua casa. A ilusão é como esse sonho: quando tocamos a essência de nossa Vida com nossa intuição e despertamos para a Verdade de que somos filhos de Deus, imunes à invasão da imperfeição, a ilusão desaparece. Diz-se "percepção da Imagem Verdadeira" o fato de conhecermos a essência da Vida (filho de Deus), tocando-a diretamente com nossa alma. O apóstolo Paulo disse: "O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus". E, quando nosso espírito testifica e conscientiza que somos filhos de Deus, a ilusão desaparece por si mesma.


(Do livro "A Verdade da Vida, vol. 16", pp. 51-56)


sexta-feira, janeiro 27, 2012

Os dois reinos da iluminação (Osho)

OSHO


"Quem sou eu?" tem de ser perguntado nos recantos mais profundos do seu ser. Você tem de ressoar com esta pergunta. Ela tem de vibrar em você, pulsar em seu sangue, em suas células. Tem de ser tornar um ponto de interrogação na sua própria alma.

E, quando a mente está silenciosa, você vai saber. Não que alguma resposta será recebida por você em palavras, não que você será capaz de escrever em suas anotações que "esta é a resposta". Não que você consiga dizer a alguém "esta é a resposta". Se você conseguir dizê-la a alguém, esta não é a resposta. Se você conseguir escrevê-la em uma agenda, esta não é a resposta. Quando a verdadeira resposta aparece, ela é tão existencial que é inexpressível.

Essa é uma das coisas mais difíceis de se fazer - permanecer com uma pergunta e não buscar a resposta. Porque a mente é muito perspicaz; ela pode fornecer uma resposta falsa. Ela pode consolá-lo; pode lhe dar algo a que se agarrar; e então a pergunta não é respondida, mas suprimida. Então você vai em frente acreditando na resposta, e a pergunta permanece nas profundezas do seu inconsciente como uma ferida. A cura não aconteceu.

Permaneça com a pergunta - alerta, consciente, não buscando, não tentando encontrar uma resposta. Por mais difícil que isto seja, você pode fazê-lo. Pode ser feito. Eu o fiz. E todos aqueles que dissolveram suas perguntas o fizeram. A própria consciência, o fogo da consciência, queima a questão. E não é que você receberá uma resposta. Ninguém jamais recebeu alguma resposta. Se você permanecer com a pergunta, pouco a pouco a pergunta desaparecerá. Certo dia, de repente, você descobre que está ali, e a pergunta não está. Você está ali sem uma pergunta. Essa é a resposta. Você, sem uma pergunta, é a resposta.

Faça a pergunta básica, a pergunta mais fundamental: "Quem sou eu?"

Quem? Deixe a sua consciência penetrar nela, como uma seta que vai penetrando cada vez mais fundo. E não tenha pressa de encontrar a resposta - porque a mente é astuta. Se você estiver com pressa, impaciente, a mente pode lhe proporcionar uma resposta. A mente pode citar os livros sagrados; ela é o demônio! Ela pode dizer: "Sim, você é um deus, você é pura consciência, você é a verdade fundamental, uma alma eterna, um ser imortal". Essas respostas podem destruir sua própria busca. Um buscador tem de estar alerta para as respostas prontas. Elas estão disponíveis; de todos os lados elas estão sendo apresentadas a você.

A existência é tão vasta, tão misteriosa... E é bom que seja assim. Não é possível haver respostas porque a vida é um mistério. Se houvesse alguma resposta, a vida não seria um mistério. Pense apenas no infortúnio que seria se você tivesse conseguido encontrar a resposta. Então a vida não valeria a pena; então viver não teria nenhum significado. Como você não consegue encontrar a resposta, a vida continua tendo um significado infinito. Deus não é a resposta; a divindade é o estado de espírito em que a pergunta desapareceu. A divindade é o estado de não mente.

Não fique preocupado, porque o que pode desaparecer merece desaparecer. Não tem sentido se agarrar a isso, a algo que não é seu. Você é você quando o falso se foi e o ser novo - inocente, despoluído - surge em seu lugar. Ninguém pode responder à sua pergunta "Quem sou eu?" - apenas você vai saber.

E quando a pergunta desaparece, você não consegue dizer quem você é, mas você sabe. Isso não é conhecimento; é um saber. Você não pode responder, mas você sabe. Você pode dançá-la, mas não pode responder a ela. Você pode sorrí-la, mas não pode responder a ela. Você vai vivenciá-la, mas não pode responder a ela.

Se todas as suas perguntas puderem ser eliminadas... Escute atentamente o que eu estou dizendo: Se todas as suas perguntas puderem ser eliminadas, sua ignorância estará prestes a desaparecer, e o que permanece é a inocência. E a inocência é uma luz em si mesma.

Nessa inocência você não conhece nenhuma pergunta, nenhuma resposta, porque todo o reino das perguntas e respostas é deixado para trás. Tornou-se irrelevante, você o transcendeu. Você está puro de perguntas e puro de respostas. Esse estado é iluminação. E, se você for suficientemente corajoso, pode até mesmo ir além dele.

Ele vai lhe proporcionar todas as belas experiências descritas pelos místicos ao longo dos tempos: seu coração vai dançar em êxtase, todo o seu ser vai se tornar um belo nascer do sol... milhares de lótus vão florescer em você.

Se você quiser, pode fazer o seu lar neste ponto.

No passado as pessoas paravam aqui, porque onde você consegue encontrar um lugar melhor? Gautama - o Buda, chamou este lugar de "Paraíso de Lótus".

Mas se você for um buscador nato...

Vou lhe sugerir que faça um pequeno descanso, desfrute de todas as belezas da iluminação, mas não faça disso um ponto final. Vá além, porque a vida, sua jornada, é interminável, e muita coisa absolutamente indescritível ainda vai acontecer.

A experiência da iluminação também é indescritível, mas tem sido descrita por todos que a experienciaram. Todos dizem que ela é indescritível, mas ainda assim a descrevem - que ela é repleta de luz, que é repleta de alegria, que é o máximo em termos de bem-aventurança. Se isso não é uma descrição, então o que é descrição?

Esta é a primeira vez que estou dizendo isso: durante milhares de anos as pessoas que se tornaram iluminadas vêm dizendo que essa é uma experiência que não pode ser descrita, e ao mesmo tempo a têm descrito, têm passado a vida a cantá-la. Mas além da iluminação você certamente entra em um mundo que é indescritível. Porque na iluminação você ainda está presente; do contrário, quem está sentindo a bem-aventurança, quem está vendo a luz? Kabir diz: "...como se milhares de sóis houvessem nascido". Quem está vendo isso?

A iluminação é a experiência máxima - mas ainda assim é experiência, e a experiência está ali. Indo além dela, não há mais experienciador. Você se dissolve.

Sua separação da existência é a única questão que tem de ser resolvida. Além da iluminação, você perde suas fronteiras, você não existe mais. Quem estaria ali para experienciar?

Você precisa de uma tremenda coragem para abandonar seu ego e atingir a iluminação. Você vai precisar de um milhão de vezes mais coragem para abandonar a si mesmo e atingir o que está além - e o que está além é o real.