"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quarta-feira, janeiro 25, 2012

Buda disse...



Buda disse:

“Indo por um caminho, um homem vê um grande rio; sua margem mais próxima parece perigosa e assustadora, a outra, segura. Ele pega paus e folhas, constrói uma jangada, atravessa o rio e chega à outra margem. Agora suponha que, ao chegar, ele pegue a jangada, coloque-a na cabeça e siga o seu caminho, levando-a onde for. Estaria usando a jangada de maneira adequada? Não. Um homem sensato perceberá que a jangada foi muito útil para atravessar o rio e chegar a salvo à outra margem, mas que, uma vez do outro lado, é melhor abandonar a jangada e prosseguir sem ela. Isso é usar a jangada adequadamente. Do mesmo modo, todas as verdades devem ser usadas para as travessias; não convém levá-las consigo depois de haver chegado. É preciso abandonar até mesmo o insight mais profundo do ensinamento mais completo; quanto mais dos ensinamentos incompletos.”

segunda-feira, janeiro 23, 2012

Deus desconhece seres nascidos na matéria


Dárcio Dezolt


A Unidade que somos, em Deus, é total e exclusivamente espiritual. Não existe matéria; portanto, não existe ligação de inexistências com aquilo que tem Realidade. Deus desconhece seres nascidos na matéria! Caso conhecesse, seriam todos nascidos perfeitos, sem exceção! O que Deus conhece é toda a Realidade. As crenças que admitem um mundo material, paralelo ao da Verdade, são a ILUSÃO! Se Deus conhecesse seres nascidos nesta crença, Ele teria de ser a imperfeição de todos eles, uma vez que Deus é tudo!

Deus é tudo que tem Realidade! Não acredite que Deus saiba algo sobre os pesadelos de alguém! E Deus, igualmente, não tem conhecimento deste suposto “mundo material”. Jesus disse com todas as letras: O MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO; O PRÍNCIPE DESTE MUNDO É O PAI DA MENTIRA! Quem acatar estas Verdades sem bloqueios, sem crenças opostas ou contestações, meditará vendo a si mesmo unicamente como “Emanação espiritual de Deus”, e, esta identidade divina, especificada como o nosso Eu individual, já é UMA com Deus, e reconhecida por Deus. É neste tipo de contemplação que conhecemos a Verdade que já somos.

Não medite achando ser “alguém material” à espera da Luz divina! Medite vendo-se como a Luz onipresente, no ponto em que agora está! Você, consciente de ser a Luz específica, chamada de Eu, é Deus consciente de estar manifestado como ser individual. “Eu Sou” é seu nome – o nome da Eternidade perfeita expressa como Indivíduo-Luz, ou Cristo!

sábado, janeiro 21, 2012

A principal ilusão do homem


Vernon Howard

Uma fábula do Oriente antigo conta-nos a história de um mágico rico, mas perverso que possuía grandes rebanhos de carneiros. Não querendo mandar erguer dispendiosas cercas ou contratar pastores, imaginou um plano inteligente. Hipnotizou os carneiros e lhes contou toda sorte de mentiras sobre suas respectivas identidades. Convenceu um carneiro de que ele era um leão, outro que era uma águia, e assim por diante. Pelo hipnotismo levou-os a acreditar que tudo o que fazia era em beneficio deles e que mal algum lhes aconteceria enquanto nele confiassem. E desta maneira os ingênuos carneiros serviram às finalidades egoístas do maldoso mágico.

De idêntica maneira são os homens hipnotizados. O cruel mágico é o conjunto de falsas ilusões de cada um. Não apenas pensam que as ilusões são boas, mas não têm a mínima ideia de que estão em estado hipnótico! Enquanto sonham, não sabem que sonham. (Chuang-Tsé ).

A principal ilusão do homem, nutriz de todas as demais, é o falso senso do eu. Um homem não é o que pensa que é. Observou, a respeito, o filósofo escocês David Hume: "É fictícia a identidade que atribuímos à mente do homem...” Por ora, podemos dizer o seguinte: Não tema desfazer-se da identidade adquirida, inventada, desse falso sentimento de "Eu". Isto equivaleria temer o desaparecimento de uma dor de cabeça. E é isso o que é o imaginário EU - uma grande dor de cabeça.

Ao começar a suspeitar de que não é o tipo de pessoa que pensa ser, você se tomará crescentemente perturbado. Considere isso como uma manobra meramente astuciosa do falso eu que quer apegar-se à falsa exigência à sua custa. Pacientemente suportando a perturbação, você se dirige para outra grande região - a compreensão - que constitui a vitória.

Daí se segue irrefutavelmente que aquele que usa corretamente esta compreensão não pode ser vítima da dor. (Baruch Spinoza).

Justamente porque não existe o eu humano habitualmente concebido, tampouco existem coisas tais como força ou fraqueza humanas, sabedoria ou estupidez, sucesso ou derrota, bondade ou maldade, ou outros opostos do mesmo jaez. Coisa alguma nos pertence: pertence tudo a Deus, à Supermente, ou a qualquer nome que você decida dar à realidade final.


quinta-feira, janeiro 19, 2012

Explanações sobre a Metafísica

Pergunta: "Como posso ajudar uma pessoa que tem transtorno de personalidade? Além disso, se os males são ilusão, é possível curar casos de doenças de alto risco, como alguém que esta precisando de uma cirurgia da qual poderá ter complicações? Essa técnica de ver a perfeição não pode gerar uma negligência se uma pessoa doente não quiser se tratar por julgar que não existe doença alguma e que tudo está em perfeita harmonia? Enfim, ao mesmo tempo em que aceito essa ideia de que somos deuses, já trabalhei em hospital e ainda lido com pessoas "doentes". Às vezes tudo parece tão contraditorio dentro de mim..."





Resposta: As respostas que vou lhe dar estão embasadas nos ensinamentos metafísicos. Inicialmente, sobre a sua primeira pergunta.

"Como posso ajudar uma pessoa que tem transtorno de personalidade?"

É possível que a pessoa com transtorno de personalidade fique curada. Contemplar com os olhos da mente a perfeição (a Verdade, o Aspecto Real, o Jisso, Deus) do outro possibilita trazer à superfície essa perfeição que se encontra adormecida na Essência. Basicamente esse é o método da cura metafísica: 1) negar o aspecto aparentemente manifestado (fenômeno); 2) perceber que aquela imperfeição manifestada não foi criada por Deus e, portanto, não existe; 3) contemplar/enxergar a perfeição que Deus colocou nela (Ele só colocou perfeição e mais nada!), e que existe por detrás daquela imagem imperfeita aparentemente manifestada. Esse é o método.

Contudo, não basta apenas imaginarmos tais coisas em nossa mente. Não basta ficarmos martelando em nossas mentes pensamentos insistentes do tipo "aquela doença não existe", "fulano já é perfeito", etc., para que a cura metafísica ocorra. É necessário realmente PERCEBER essa Verdade. Ela está VIVA e é REAL. Deve ser percebida, e não meramente pensada. Quando a cura ocorre mediante o envio de pensamentos de saúde, o que ocorreu foi cura mental, e não metafísica. Mas quando a cura ocorre pela percepção profunda da Verdade, diz-se "cura metafísica" ou "cura divina".

Veja o que Masaharu Taniguchi explica na Verdade da Vida, volume 01:

"Se nós contemplarmos o Homem-Deus que existe no outro, não é só a doença do outro que se curará, mas também se transformará profundamente a personalidade do outro. Contudo, é um erro pensar que o 'Shinsokan' seja um método curador de doença. A cura da doença é uma graça acessória e a graça do Shinsokan é, na Verdade, ampla e ilimitada, tanto que a personalidade, bem como o destino, bem como as circunstâncias podem ser melhoradas através do Shinsokan."

No mesmo livro, mais adiante, sobre o assunto "para curar o próximo", ele faz uma observação:

"Para curarmos a doença de um irmão por meio da cura divina, é preciso que tenhamos purificada a nossa mente. Será necessário que, de nossa mente, tenha sido retirado tudo aquilo que possa ser chamado de 'pecado' ou 'ilusão', de tal modo que haja a fluência da força infinita de Deus através da nossa mente, que servirá de canal. O âmago do coração do doente está carente do caloroso amor. Deus é Amor, por isso, não se poderá compreender Deus verdadeiramente, se não houver um amor bem profundo. Então, com muito mais razão, conseguir curar o paciente será uma obra realizável somente quando se tiver tornado muito grande o amor no coração."

É necessário uma grande habilidade da parte do curador para efetuar uma cura divina. Para fazê-la, a pessoa deve desenvolver uma consciência curativa elevada. Quanto mais evidente para o curador a inexistência total da matéria e a existência ÚNICA da PERFEIÇÃO, maior é o seu estado de consciência curativo. Essa percepção deve ser buscada e desenvolvida mediante um rigorosa dedicação e treinamento de olhar através das aparências (imagens) mostradas pela mente humana. Para alguns, essa percepção vem como uma graça, um dom. Porém, geralmente, a maioria das pessoas devem trabalhar duro para obtê-la. Joel Goldsmith diz que aquele que quiser curar espiritualmente deve se dedicar a este treinamento da mesma maneira como um grande músico se dedica a aprender piano. Não é brincadeira mesmo, porque todas as imagens encenadas pela mente humana parecem ser terrivelmente reais para a mente daqueles que não realizaram a inexistência do fenômeno. São por demais reais para eles e, portanto, no nível de suas mentes (o único nível para eles!) são afetados e sentem como realidade. A Ciência Cristã, por exemplo, possui pessoas chamadas "praticistas", pessoas especialmente treinadas a orar/meditar para atender chamados de ajuda daqueles que lá foram buscar auxílio. Portanto, devemos ter bom senso e ser bastante razoáveis na hora de decidirmos abdicar de cuidados médicos. Falarei sobre isso ao responder as próximas perguntas.

Agora, passemos à segunda pergunta.

"Se os males são ilusão, é possível curar casos de doenças de alto risco, como alguém que esta precisando de uma cirurgia da qual poderá ter complicações? Essa técnica de ver a perfeição não pode gerar uma negligência se uma pessoa doente não quiser se tratar por julgar que não existe doença alguma e que tudo está em perfeita harmonia?"

A finalidade da cura metafísica é realizar a ilusão pelo que ela é: NADA! Todos os males são ilusão, assim como todas as doenças - desde a dor de cabeça até a mais temida e "incurável" doença. Para ver mais sobre isso, leia aqui e aqui. Joel Goldsmith, que era curador espiritual, repete muitas vezes, em suas obras, que curar um pequeno resfriado ou um câncer terminal é a mesma coisa para quem tem a consciência da Verdade de que Deus é tudo e é somente perfeição.

Mas, conforme dito antes, é perigoso para um indivíduo em estado grave ou terminal que ainda não atingiu a consciência curativa abandonar remédios ou deixar de recorrer à ajuda da medicina. Existe grande diferença entre alguém que acredita ingenuamente que "se abandonar os remédios ou tratamentos materiais, serei curado, pois meu ser verdadeiro já é saudável" e alguém com a consciência da Verdade aflorada. Aquela primeira pessoa está numa crença cega, que não é percepção espiritual. Mas o que tem de fato o conhecimento da Verdade não depende de acreditar ou não: ele sabe! Devemos enfatizar isso: a pessoa tem que realmente saber o que está fazendo.

Se estivermos realmente conscientes da Verdade da perfeição divina (e, consequentemente, de nosso ser), não ficaremos preocupados em tomar remédios ou deixar de tomar remédios. Também não precisaremos dispensar os tratamentos da medicina. Sobre essa questão, veja o que Masaharu Taniguchi diz no livro A Verdade da Vida, volume 4:

São muitos os testemunhos de cura de pessoas que leram as revistas sagradas Seicho-no-Ie ou o livro sagrado A Verdade da Vida e abandonaram os remédios e os tratamentos médicos. Mas não devemos nos equivocar, pensando que a moléstia foi curada porque se abandonou o tratamento médico ou porque se deixou de tomar remédios. A verdadeira cura da doença – não o desaparecimento temporário da doença – será possível somente pela conscientização de que o aspecto real e original (A Imagem Verdadeira) da Vida é filho de Deus, perfeito e harmonioso por natureza. Embora a doença seja aparentemente curada por outros métodos, não se trata de uma cura verdadeira. Isso deve ficar especialmente gravado em nossa mente.

Muitos dos adeptos alegram-se dizendo que foram curados ao pararem de tomar remédios, mas o fato de parecer que a doença foi curada com o abandono dos remédios forma um bom par com o fato de parecer que foi curada pela ingestão de remédios. Isso é apenas a aparência. Uma vez que a Vida é filho de Deus originado de Deus, jamais poderá ser beneficiada ou prejudicada pelos remédios. Isto é a Imagem Verdadeira da Vida. Ao despertarmos para a Imagem Verdadeira da Vida, ocorre a cura da doença. Esta simplesmente revela a sua inexistência. Desta forma, quando se conscientiza o aspecto verdadeiro da Vida, os remédios tornam-se desnecessários.

A causa primeira da cura está na compreensão do aspecto verdadeiro da Vida do homem, filho de Deus, e dessa causa primeira decorrem as consequências tais como a cura da doença ou o ato de abandonar os remédios. Tanto a cura da doença como o abandono dos remédios são igualmente consequências. Por conseguinte, o fato de abandonar os remédios não constitui a causa da cura. Expressando isso em termos do zen-budismo, teríamos a seguinte sequência de perguntas e respostas:

- Qual o efeito de se tomar remédios?
- Nenhum.
- Qual o efeito de se parar de tomar remédios?
- Nenhum.

Sendo assim, é uma grande insensatez abandonar os remédios sem despertar para o aspecto real e original da Vida, pensando que basta parar de tomar remédios para curar a doença. Isso é o mesmo que considerar os remédios como uma espécie de corda que “amarra” a Vida. Quem acha que abandonando os remédios vai se livrar dessa corda, está acreditando que a matéria tenha o poder de “amarrar” a Vida, e que a Vida seja algo passível de ser “amarrada” pela matéria. Com uma crença tão duvidosa em relação à Vida, mesmo que a pessoa pare de tomar remédios, não haverá efeito algum. Já que no recôndito de sua mente essa pessoa está admitindo a idéia errônea de que a matéria tem o poder de “amarrar” a vida, o seu ato de abandonar os remédios nada mais é que uma outra maneira de expressar o pensamento de que “a Vida é impotente”.
(Acesso ao texto inteiro aqui e aqui)

Ainda sobre a questão dos remédios, ou tratamentos materiais, ele também escreve:

"Como vimos, um objeto material, além do trabalho físico ou do trabalho químico próprio de pura matéria, possui uma misteriosa força salvadora. Se assim é, uma dose de remédios em pó ou uma medida de remédio em gotas mostrar-se-á eficaz ou não, dependendo das vibrações mentais de amor da pessoa que o prepara, do que da substância material do remédio em si. Aos olhos carnais o remédio pode ser visto como remédio material; porém, se admitirmos que isso é um intermediário que traz consigo as vibrações de amor, ele manifestará uma grande eficácia, superior ao efeito químico do remédio. Ao contrário disso, até mesmo um remédio indicado por um médico eminente, se o boticário preparou-o num estado de rancor, admoestado intensamente pelo diretor, não será só ineficaz como poderá causar até malefícios devido às vibrações de rancor. Sob este ponto de vista, o trabalho de preparar um remédio, independentemente do aspecto externo e material do mesmo, é um trabalho deveras divino em que se dosam harmonicamente a Verdade e o Amor, utilizando a matéria como meio." (A Verdade da Vida, volume 3)

Em outras palavras, Masaharu Taniguchi está dizendo o seguinte: se realmente tivermos despertados para o Jisso (Aspecto Perfeito e Verdadeiro) da Vida, constataremos que o ser que somos é perfeito, impassível ser influenciado/afetado positivamente ou negativamente pelos tratamentos materiais. Pensar que é o remédio que cura a nossa doença significa estar com a mente apegada aos remédios e, por conseguinte, desconhecer a Verdade. Contudo, pensar que "parar de tomar os remédios é o que proporcionará a cura" significa apegar-se aos remédios novamente, só que agora pelo lado contrário. Logo, não precisamos nos preocupar com tal questão. Se for oferecido um remédio a pessoa, ao invés de contradizer seus amigos ou familiares dizendo "não aceitarei este tratamento, porque sou perfeito e vou me curar sozinho", a pessoa pode simplesmente receber com gratidão o remédio ofertado com amor por seus entes queridos. O que a pessoa estará aceitando não é o remédio ou o tratamento material em si, mas o amor sincero que está sendo ofertado através daquele meio. Em última análise, se estivermos despertos pra Verdade não precisamos nos preocupar com coisa alguma. Basta agir naturalmente.


segunda-feira, janeiro 16, 2012

Dê testemunho da Verdade!

Dárcio Dezolt


Não saia pelo mundo para "ver como ele está"; não olhe para seu corpo para "ver como ele está"; não olhe para seus negócios para "ver como eles estão". Isto seria um ímã para "aparências" iludi-lo!

DEUS É TUDO! Seu papel é "dar testemunho da Verdade", e jamais "ver como a ilusão está". Desse modo, saia pelo mundo "testemunhando" estar em "solo santo", vendo seu corpo como "Templo de Deus", contemplando "seus negócios" como integrantes da Oniação divina! Em outras palavras, não espere do mundo informação nenhuma! Ele não lhe dirá a Verdade jamais! Emita, você,antecipadamente, a opinião iluminada sobre ele, sem se deixar iludir pelas imagens tridimensionais, e sim vendo, "através" delas, a IMUTÁVEL perfeição absoluta!

Jesus disse: "Vim ao mundo a fim de dar testemunho da verdade" (João, 18: 37). Explicava a função do Cristo, nele, em VOCÊ, e em todos! Se há a revelação de que "Cristo é tudo em todos" (Col. 3: 11), é para ser entendido que "estamos no mundo a fim de dar testemunho da verdade". E este testemunho não é discordar das "aparências" para tentar ansiosamente mudá-las para melhor; antes, é dar "testemunho da verdade" já presente "no lugar das aparências", assim como diante dos trilhos de trem, com "aparência" de se juntarem ao longe, você internamente daria o "testemunho da verdade": os trilhos estão paralelos!

sábado, janeiro 14, 2012

A oração que liberta


UNIDADE

"Tudo quanto suplicais e pedis, crede que o tendes recebido, e tê-lo-eis."
- Mateus 11: 25


Muita gente pensa que orar significa simplesmente pedir ou suplicar – implorar a Deus que afaste um pecado, uma doença ou uma tristeza. Orar não é fazer rogos a um Deus obstinado; é intercomunhão com Deus. “Vós pedis e não recebeis, porque pedis mal”. Pedimos mal, não ao pedir o que Deus não nos quer dar, nem o que nós, como Seus filhos, não temos o direito de pedir ou reivindicar; mas em rogar em suplicar como se Deus não nos quisesse atender, como a induzi-Lo a mudar de ideia e conceder a nossa petição. Isto é um conceito falso. “Por que eu, o Senhor, não mudo”, “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e para todo o sempre”.

Se lhe parece que alguma vez Deus não respondeu à sua oração, saiba que Ele responde sempre. Qualquer falha aparente nesse princípio está naquele que ora. A nossa falta de compreensão da vontade e da natureza de Deus impede que nossas orações sejam atendidas. A oração não modifica Deus, o Imutável, mas modifica os mortais e torna-os receptivos ao bem que está sendo dado sem limites. “Deus é Espírito e importa que os que O adoram, O adorem em espírito e em verdade”. Substitua os desejos materiais por seus equivalentes espirituais e declare que, em espírito e em verdade, você recebe aquilo que deseja. Então você o receberá materialmente, tanto quanto espiritualmente. “Mas buscai primeiro o reino de Deus, e Sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”.

Deveríamos antecipar convictamente o que pedimos em oração. “Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em oculto, e teu Pai, que vê secretamente re recompensará”.

Deve-se ter a convicção de que Deus é o único poder e a única presença reais no universo. Este poder e esta presença universais são vida, amor, inteligência, Verdade e Espírito. O homem espiritual, a ideia divina, criado à imagem e semelhança de Deus, é perfeito, assim como seu Pai no céu é perfeito. “Se eu pretendo ajustar o meio em que vivo, devo reajustar primeiro a mim mesmo, reconhecendo que eu sou a própria substância daquilo que desejo”.

“O reino de Deus está entre vós”. Ao nos tornarmos conscientes da nossa unidade com o bem universal, a crença no mal – pecado, doença, tristeza e morte – desaparece, e não mais nos enganamos pelas aparências. Então nos apercebermos de que o reino do céu está dentro de nós e que de acordo com a nossa fé ele se manifestará na terra produzindo paz, alegria, saúde, abundância e tudo aquilo que constitui a nossa mais elevada concepção de céu como um estado de alma.

As declarações precedentes podem parecer abstratas, mas o seguinte relato de uma pequena demonstração prática deste princípio talvez possa tirar-lhe o aspecto de abstração e tornar a verdade uma palpitante realidade para você.

Uma senhora a quem a Verdade havia curado de uma deficiência física, tinha um filho único que estava aparentemente entregue à bebida e a uma vida dissoluta. Durante muitos meses essa boa mãe estivera orando com a alma agoniada: “Ó Deus, salva meu filho da destruição, do pecado e da morte”. Porém, esperar que Deus ouvisse tal oração era tão absurdo como esperar que o sol pudesse ouvir e compreender a oração de um homem, que orasse com os olhos fechados: “Ó sol, para de enviar raios de escuridão, manda-me um raio de luz”. Enquanto isso, o sol espargiria ininterruptamente seus raios de luz, e a culpa não seria dele, mas sim do homem que não queria abrir os olhos.

Finalmente, a mulher, curada e vivificada pelo Espírito, para compreender a perfeita filiação e unidade do homem com Deus, parou de pedir e suplicar a Deus para que Ele salvasse seu filho, e disse: - “Em vez disso renderei graças a Deus”. E passou a orar: “Eu te agradeço, ó Deus, porque o filho que me deste é Teu filho, espiritual, perfeito, puro e santo, sem o desejo real de pecar, com amor por Ti apenas, pois ele foi realmente feito à Tua imagem e semelhança”.

Depois, mentalmente, ela se dirigia a seu filho: “Desperta, ó tu que dormes, ...e Cristo brilhará para Ti”. Tu és Espírito. Bem sabes que não há ausência de vida, substância ou inteligência. Os apetites carnais e sensuais não têm influência sobre ti, pois és filho de Deus. Teus desejos são puros. Tu não desejas satisfação sensual, mas sim satisfação espiritual. Quem pensa que a sua felicidade depende de beber, praguejar e de viver dissolutamente não és tu, pois és filho de Deus, puro e santo, e bem o sabes. Desperta! Compenetra-te de tua verdadeira natureza e deixa que a “tua luz resplandeça diante dos homens, para que vejam as tuas boas obras e glorifiquem a teu Pai que está nos céus”.

A mulher não disse uma única palavra de exprobação, de censura ou de súplica, a seu filho, nem lhe disse que estava orando por ele. Todavia ele continuava a beber e ela continuava firme na Verdade, declarando, com fé, que Deus, o Bem, é tudo que realmente existe, recusando-se a adorar senão a Deus, apesar de seus olhos, ouvidos e sentidos materiais tentarem impor-se eloquentemente, dizendo: “Teu filho está a caminho da perdição. Ele é um beberrão estúpido e um tanto libertino”. Por vezes lhe vinha a tentação de descrer de Deus e de clamar a Ele que salvasse o seu filho, mas nada a demovia. Ela punha em prática a sua fé, resolvida a crer e a confiar no bem, a despeito das aparências.

A fiel mãe perseverou, recusando-se a julgar pelas aparências ou pelos resultados exteriores e após algumas semanas sem modificação aparente, seu filho voltou uma noite para casa e disse: “Mãe, eu estou cansado de viver animalizado, resolvi ser homem. Seria uma lástima a gente não poder se firmar e recusar-se a ser escravo das paixões e da bebida. Já estou farto de conviver com brutos e transviados”.

A mãe, com santa calma proveniente da certeza da real identidade de seu filho com Deus, não se deixou empolgar nem sequer por uma alegre emoção, ao constatar que o filho havia cessado de personificar o homem dos sentidos e começado a manifestar a sua verdadeira natureza. Calmamente, ela disse: “Tu estavas sonhando apenas, Eduardo. Agora acordaste e podes sorrir ao pensar que tu imaginavas estar preso pelas cadeias dos sentidos. A Verdade te libertou. Tu és filho de Deus, livre pela liberdade do Espírito”.

Se essa mãe tivesse continuado a orar: “Ó Deus, salva meu filho!” em vez de compreender que Deus já o tinha salvo, em lugar de continuar a afirmar e reconhecer, até que o próprio moço se tornasse consciente disso – acha o leitor que tal resultado teria sido obtido?

Experimente este método de oração por si mesmo. Suponhamos que os sentidos manifestem uma dor de cabeça. Imediatamente refute essa manifestação como falsa, dizendo:

“Espírito não sente dor; eu sou Espírito, filho de Deus, livre do mal e cheio de bem; Deus é a minha saúde”.

Agarre-se fiel e firmemente a esta declaração da Verdade, a despeito de tudo que pareça contradizê-la, e a dor de cabeça desaparecerá.

Se um amigo o ofende por algo que possa ser considerado cruel e desumano, julgado pelas exterioridades, em vez de orar com coração angustiado: “Ó Deus, toca o coração de meu amigo para que ele possa perceber quanto foi cruel para comigo e torna-o bondoso e justo”, diga, pelo contrário: “Ó Deus, eu Te agradeço porque meu amigo é Teu filho e porque realmente não tem nenhum desejo de ser cruel e mau, nem de dizer coisa alguma que me irrite ou me ofenda”. E, coisa admirável, primeiro o aguilhão da mágoa desaparecerá e logo o seu amigo manifestará publicamente o que ele realmente é – um filho de Deus cheio de afeto, delicadeza e amor.

Não receie adotar os métodos de oração aqui apresentados. A verdade que o liberta é a compreensão da verdade de que Deus, o bem, é tudo que na realidade existe.



quarta-feira, janeiro 11, 2012

Comentando o texto: "O seu melhor ano"


Dárcio Dezolt

NOTA: Esta série de comentários sobre o texto SEU MELHOR ANO, de Allen White, tem por objetivo detalhar um pouco mais o seu riquíssimo conteúdo. Como todo artigo sobre a Verdade Absoluta, é para ser lido profundamente, para que cada um dos princípios citados fique em nós muito bem marcado, e, dessa forma, possamos “contemplar” todos eles” com eficiência máxima, durante a “Prática do Silêncio”.

1) Caro leitor, estou lhe garantindo a experiência de seu melhor ano. Isto porque a Verdade já é verdadeira—já está visivelmente presente e é um Fato imutavelmente estabelecido. Cada pontinho da Existência infinita é um ponto de Perfeição. Ciente disso, seus estudos, orações e contemplações meditativas não serão feitos com o propósito de melhorar, mudar, curar, obter ou atingir algo. A Perfeição (Deus) já é Tudo.

As revelações da Verdade são a própria Verdade sob a qual estamos todos regidos; entretanto, regidos não como se fôssemos um veículo sob leis de trânsito, que, existindo “separado das leis”, tivesse a possibilidade de cumprir ou descumprir estas leis: somos regidos pela Verdade sendo a própria Verdade, sendo o cumprimento exato de todos os Seus princípios.

A garantia de ser este “o seu melhor ano”, diz o autor, parte do seguinte conhecimento: “a Verdade já é verdadeira; já está visivelmente presente; já é Fato imutavelmente estabelecido”. Ter isto como informação é só o começo! É o “batismo com água”, apenas a teoria verdadeira sobre o Universo, sobre “este ano”, sobre o nosso Ser. Por esse motivo, o texto explica que “estudos, orações e contemplações meditativas” não objetivam mudar nada! Nada do que pudéssemos fazer, alteraria a Verdade, que “já é verdadeira”. “A Perfeição (Deus) já é Tudo”. Nesse caso, para quê estaríamos nos dedicando aos estudos, preces e contemplações? Unicamente para NOS IDENTIFICARMOS com esta PERFEIÇÃO. Esta “identificação” é a “oração em si”: a “Prática da Presença de Deus” como o Ser que já somos. Este reconhecimento radical, que é a aceitação da Verdade como VISIVELMENTE PRESENTE, se dá pela aceitação de que nossa Mente é DEUS! Por isso está dito que “a Verdade já é verdadeira – já está “visivelmente presente”, e é Fato imutavelmente estabelecido! É visível para a suposta “mente humana”? Não! Existe “mente humana”? Não! A mente “inexistente” jamais poderá achar “ser visível” alguma coisa! Não existe “mente humana”, não existe “outra mente”, que não a Mente onipresente de Deus, e não existe “outra mente” atuando e sendo a “NOSSA MENTE”. Assim, sem levar em conta “mente ilusória” ou as “imagens ilusórias” supostamente visíveis a ela – chamadas de ILUSÃO, no Budismo, e de “MUNDO DO PAI DA MENTIRA”, no Cristianismo, – você deverá “entrar em contemplação” unicamente com as revelações absolutas, por mais que isto pareça ser “loucura” para a inexistente “mente humana”.

“Cada pontinho da Existência infinita é um ponto de Perfeição”, diz o texto. Contemple este “pontinho” sendo VOCÊ, a sua Perfeição absoluta manifesta como Ser individual, e aceite esta Verdade “já visivelmente presente” para a percepção de sua Consciência iluminada. Não se deixe levar pela cegueira da “mente inexistente”, que aparenta ver unicamente suas “miragens”. Parta das revelações: a Verdade é verdadeira e já está visivelmente presente! É Fato IMUTAVELMENTE estabelecido! Este Fato é DEUS sendo VOCÊ! É dessa forma que, intuitivamente, você se coloca com “coração de criança” para discernir aquilo que É, sem se deixar envolver pela “ilusão”, ou por aquilo que não É! Faça, agora, a “contemplação absoluta”, simplesmente reconhecendo a Perfeição sendo a SUA Presença, sendo a SUA Existência, sendo TUDO que Deus É, manifestado como VOCÊ!

2) Você já deve ter notado que apenas ficar afirmando que Deus é Tudo não é o bastante para imunizá-lo frente às batalhas e tempestades da vida. A mera repetição destas palavras não tem revelado visivelmente a nulidade da existência humana. Mais se faz necessário.
Como ser humano, você não poderá viver uma vida gloriosa, radiante e triunfante, livre de discórdia e doença. Proclame para si próprio, exatamente agora, que sua Identidade já é o Deus que é Tudo. Os chamados milagres começarão a surgir. Assumindo esta Verdade, real e confiantemente, poderá dizer: Eu Sou Tudo, Eu Sou todo Poder, Eu Sou Onipresença, Eu Sou Infinidade, Eu Sou Perfeição, Eu Sou Verdade, Eu Sou Substância, Eu Sou Luz, etc. Isto não será uma elevação da identidade humana para a Divina; antes, será a eliminação da humana pelo reconhecimento da Divina como sendo tudo que há.


A premissa básica deste estudo é realmente esta: DEUS É TUDO! Aqui é ressaltado que meramente ficarmos afirmando esta frase não nos fará desacreditar das aparências que se mostram como “existência humana”. Que nos faltaria? O “nascer de novo”, ou seja, o processo que temos chamado de “a troca essencial”: pararmos de nos identificar com seres humanos e existência terrena e nos contemplarmos radicalmente como a própria “corporificação da Verdade”. Jesus não disse que “a Verdade é tudo”, mas sim, “Eu Sou a Verdade”. Realmente, a Verdade é TUDO; entretanto, se formos afirmar isto como se fôssemos “outro”, e não a própria Verdade, estaremos nos posicionando na ILUSÃO, na fraudulenta crença de que somos HUMANOS! O autor, aqui, fala da nossa IDENTIFICAÇÃO TOTAL com a Verdade, algo de vital importância sobre o que já comentei aqui anteriormente, e que vale a pena relembrar.

Jesus disse aos judeus: “Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Sois deuses? Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada), àquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas; porque disse: “Sou Filho de Deus? (João, 10: 34-36). Jesus está expondo aqui exatamente a IDENTIFICAÇÃO com a Verdade, por parte daqueles que recebem estas revelações ou princípios! A palavra de Deus lhe é dirigida! Logo, é VOCÊ um dos “deuses” citados por Jesus.

Entretanto, caso não haja um reconhecimento absoluto, e na esfera da Verdade, a ilusória personalidade humana, irreal, falsa ou inexistente, aparentará ser a sua identidade! Daí a explicação de Allen White: “Como ser humano você não poderá viver uma vida gloriosa, radiante e triunfante, livre de discórdia e doença. Proclame para si próprio, exatamente agora, que sua Identidade já é o Deus que é Tudo”. (…) Assumindo esta Verdade, real e confiantemente, poderá dizer: Eu Sou Tudo, Eu Sou todo Poder, Eu Sou Onipresença, Eu Sou Infinidade, Eu Sou Perfeição, Eu Sou Verdade, Eu Sou Substância, Eu Sou Luz, etc.

Unicamente VOCÊ PRÓPRIO poderá, em seu lugar, “assumir esta Verdade real e confiantemente”, e dizer de SI MESMO: “EU SOU TUDO”. O parágrafo termina com a explicação de que “não há duas identidades” sendo o Ser que somos, para que o processo pudesse ser entendido como “elevação da identidade humana para a Divina”; antes, sempre SOMOS o que SOMOS: OBRAS PERMANENTES DE DEUS! A “identificação radical com a Verdade” é meramente um “descartar da ilusão”: VOCÊ afirmar, ser e vivenciar o que sempre foi, é e será: Deus manifestado como Ser individual. Por este exato motivo, muitas vezes eu coloquei nos textos que nossa Ascensão se dá “de cima para baixo”, ou seja, não partimos de uma personalidade ilusória para tentarmos elevá-la ao Cristo que somos: partimos da Verdade que “já é verdadeira”: “Cristo é tudo em todos” (Col. 3-11). Atenha-se, portanto, à Verdade que já é verdadeira sobre VOCÊ, e, como diz o autor, “proclame para si próprio, exatamente agora, que A SUA IDENTIDADE JÁ É O DEUS QUE É TUDO!


3) Sem flutuações, permaneça em e como esta Verdade. Contemple diariamente a Verdade de sua Identidade. “Já faço assim”, pode você estar pensando. Muitos dizem isto, mas, depois da contemplação matinal, acabam entrando em flutuações e vacilações. Suas conversas, ao longo do dia, expõem o fato de que eles realmente parecem acreditar que suas identidades são humanas. Portanto, persista diariamente na “Eu-Sou-Contemplação”, até deixar de se identificar com alguém de cor branca ou negra, de sexo masculino ou feminino. Continue até parar de identificar seu Eu Eterno com uma data de nascimento ou data de morte futura. Continue até compreender, sem nenhuma sombra de dúvida, que você não é senão a presença visível de cada Verdade que veio ouvindo ou lendo. Sim, Amado, persista, até todos os vestígios de humanidade visivelmente serem derrubados, revelando mais e mais o Esplendor Consumado de sua Identidade “EU SOU”.

Este parágrafo busca fazer com que nos dediquemos às contemplações absolutas sem esmorecimento e sem volta à dualidade, não apenas durante a “Prática do Silêncio”, quando unicamente levamos em conta nossa real identidade divina, mas também durante as atividades naturais do dia-a-dia. Diz o autor: “Persista diariamente na “Eu-Sou-Contemplação”, até deixar de se identificar com alguém de cor branca ou negra, de sexo masculino ou feminino. Continue até parar de identificar seu Eu Eterno com uma data de nascimento ou data de morte futura. Continue até compreender, sem nenhuma sombra de dúvida, que você não é senão a presença visível de cada Verdade que veio ouvindo ou lendo”.

Quando entra o fator “dedicação de cada um”, não há mais regras! Cada um deve, de si mesmo, discernir o seu interesse, maior ou menor, diante deste estudo, no que diz respeito aos períodos entre os horários da “Prática do Silêncio”. Durante as “contemplações”, muito temos dito sobre a forma como as devemos conduzir; porém, quando aparentemente assumimos as supostas atividades cotidianas, cada um é que deverá intuir a sua forma própria de “permanecer nos princípios” e, ao mesmo tempo, fazer sabiamente as “concessões” que as “aparências” lhe irão requerer. Quando a “Prática do Silêncio” é feita com dedicação e assiduidade, dentro de uma identificação plena com a Verdade que somos, maior será nossa facilidade em agir sem preocupações e sem maiores envolvimentos com o “mundo das aparências”.

A Bíblia fala em “estarmos no mundo sem pertencer-lhe”, o que significa estarmos agindo sempre com a Consciência iluminada aflorada. No meu entender, não considero válido alguém ficar o dia inteiro “preocupado” em permanecer na Verdade a ponto de virar um “fanático por aplicação de princípios”. Acho válido, e mesmo obrigatório, a quem deseja realmente viver esta Verdade, ser dedicado e radical durante a “Prática do Silêncio”, ou seja, partir radicalmente da Verdade de que DEUS É TUDO e, ao encerrar a meditação, fazê-lo convicto de que DEUS constitui realmente a totalidade de seu Ser individual. O que realmente importa, é sabermos que as “aparências”, sejam boas ou más, são sempre irrealidades, e que os “vestígios de humanidade”, citados pelo autor, são sempre parte delas e jamais parte do Ser que somos. O ideal é que cada um “deixe fluir” o seu dia-a-dia, após suas “contemplações absolutas”, na certeza de que o que precisar fazer, para lidar com as “sugestões hipnóticas”, lhe será revelado em cada situação que lhe surja. É preferível, na minha opinião, viver naturalmente e nesta certeza, do que viver “se policiando”, a cada instante, temendo “sair da Verdade”, “ser envolvido” pela “ilusão”, ou coisa parecida! Não vejo “liberdade” numa vida intensa de “policiamentos”. Afora Deus, nada tem realidade! Nenhuma “crença coletiva” é poder! Vale sempre lembrar, portanto, que “a Graça nos basta”.

Allen White, na frase final deste parágrafo, explica que a nossa persistência fará revelar “mais e mais o Esplendor consumado” de nossa Identidade- EU SOU. O sentido que ele quer nos passar, é que já somos o Esplendor consumado; não que o “despojamento das falsas crenças” aumente mais e mais o nosso brilho, que já é de grau máximo; antes, fará com que “mais e mais” seja discernido o Esplendor que JÁ SOMOS! Assemelha-se a um céu nublado, que, mais e mais, revela o Sol radiante, com o passar das nuvens que, até então, aparentemente encobriam seu brilho.

4) Você, agora, chegou ao seu ponto de rompimento. Até parece que você e eu havíamos assumido um compromisso com nossos olhos de aceitar os seus informes conforme aquilo que está ou não acontecendo num dado momento. É um acordo que você deve quebrar. Muitas vezes, temos aparentemente trocado a Verdade pela ficção. Toda esperança e prece por uma vida melhor ignoram a Existência inabalável como única manifestação. Toda esperança e prece por uma vida melhor se baseiam nos olhos testemunhando um mundo oscilante. Amado, você não pode continuar desse jeito! Diante de uma escolha entre o que parece ser, de acordo com os sentidos, e o que é, de acordo com a totalidade de Deus, escolha sempre Deus. Faça isto! Permaneça nesta escolha! Não permita oscilações, e repentinamente uma nova visão lhe será aberta, testemunhando a Perfeição exatamente onde a imperfeição parecia estar presente. Se você sabe que Deus é verdadeiramente Tudo, descobrirá ser isto bem fácil. Se apenas tem repetido as palavras, sem nenhuma percepção de que elas são a Verdade, isto lhe será difícil; e, caberá a você a tarefa de, em preces contínuas, descobrir a real natureza de Deus.

De posse das revelações, ou dos princípios da Verdade absoluta, é seu momento de ser livre! O autor compara o condicionamento de se aceitar cegamente o que os olhos carnais captam com um “acordo” aparentemente feito com o testemunho destes olhos. Assim ele diz: “Você chegou ao seu ponto de rompimento”, (…) [este] é um acordo que você deve quebrar”.

Aqueles abraçados às crenças coletivas agem como se este suposto “mundo material” fosse realidade! Nele se posicionam, esperam que este mundo melhore, e até oram para que isto aconteça! Allen White diz: “Toda esperança e prece por uma vida melhor se baseiam nos olhos testemunhando um mundo oscilante; toda esperança e prece por uma vida melhor ignoram a Existência inabalável como única manifestação”. O que ele está nos dizendo é que devemos estar convictos da Realidade PERENE OU CONSTANTE, certos de que “as obras de Deus são permanentes”, sem ter olhos para a “ilusão”, para o suposto “mundo de aparências”, o que seria, em seu linguajar, trocar a Verdade pela ficção. Desse modo, ele descreve qual deverá ser a nossa escolha, “entre o que aparenta ser”, aos supostos sentidos humanos,” e o que realmente é”, em conformidade com o princípio de que Deus É Tudo: ESCOLHA SEMPRE DEUS! PERMANEÇA NESTA ESCOLHA! NÃO VACILE, PERMITINDO OSCILAÇÕES! “Repentinamente uma nova visão lhe será aberta, testemunhando a Perfeição exatamente onde a “imperfeição” parecia estar”.

Ao final do parágrafo, Allen explica que se fizermos meramente uma repetição maquinal das palavras, sem o discernimento de que são elas verdadeiras, as “contemplações” nos parecerão difíceis; por outro lado, sentiremos facilidade ao realizá-las, se estivermos realmente crendo que DEUS É TUDO! E, em caso de haver esta dificuldade, recomenda ele que você ore dedicadamente para conhecer esta natureza de Deus como sendo TUDO! Considere a Onipresença, a Onipotência, a Onisciência e a Oniação de Deus, uma a uma, em “contemplações absolutas”,e sempre discernindo que VOCÊ está incluso nesta totalidade de Deus.

O principal, portanto, é romper com o hábito de concordar com as “aparências” que se mostrem discordantes da HARMONIA TOTAL. Diante delas, opte pela TOTALIDADE DE DEUS, ou pela PERMANÊNCIA de tudo o que Deus faz, e o faz com PERFEIÇÃO. A Unidade, por exemplo, emprega seguidamente a expressão “DIVINA ORDEM”, para se efetuar esta “escolha”. Assim, diante de quaisquer “aparências discordantes”, lembrando-nos desta expressão, dizemos a nós mesmos: “Tudo está em Divina Ordem!”. Com isto, rompemos o “acordo” com o testemunho dos sentidos e ficamos internamente livres para “dar testemunho da Verdade”: DEUS É TUDO! Na Seicho-no-Ie, usa-se, e para o mesmo fim, a expressão “O fenômeno não existe!”, ou, “o corpo carnal não existe!” O Caminho Infinito nos conduz à percepção da Verdade, através do reconhecimento: “Isto não é o que aparenta ser; isto é DEUS que Se manifesta como…”. Apenas citei alguns exemplos, que ilustram como podemos e devemos usar as “armas da luz”, caso aparentemente nos defrontemos com a ILUSÃO na forma de “aparências indesejáveis”.

5) Meu amado, após assim ter feito, poderá ir ao seu mundo e proclamar que tudo e todos SÃO a Perfeição Evidenciada. Poderá olhar para seu mundo e declarar que é o Paraíso. Poderá olhar para cada aparência de carência e declarar a presença da Abundância Infinita. Poderá olhar para si mesmo, e para o próximo, marido, esposa e filho, declarando secretamente que todos são Deus. Cada dia estará evidenciando mais e mais de sua Divindade, e você irá desfrutar o seu melhor ano.

Neste parágrafo de encerramento do texto, Allen White fala da vivência imediata dos princípios da Verdade, ou seja, que devemos RECONHECER DEUS, ou a PERFEIÇÃO EVIDENCIADA, sendo tudo e sendo todos. Em outras palavras, este discernimento da Verdade não deve ficar restrito aos momentos de “contemplação”. Devemos olhar a nós mesmos, e a todos com que temos contato, “declarando secretamente que todos são Deus”, olhar o mundo “e declarar que é o Paraíso”; olhar as aparências de carência “e declarar a PRESENÇA da Abundância Infinita”. Como consequência desta dedicação à Verdade, aos olhos do mundo, seremos vistos como “alguém” que mais e mais evidencia a própria Divindade, o que, aparentemente, poderá ser avaliado como o “nosso melhor ano”, etc..

Porém, jamais se deixe prender a este “referencial do mundo”; lembre-se do que vimos anteriormente, de “rompermos o acordo” com a suposta “visão humana”. Permaneça na Verdade absoluta: Eu Sou a Evidência completa, iluminada e permanente da Presença de Deus! Deixe que a forma de avaliação, que nos considera como “evidenciando cada vez mais nossa Divindade”, ou que estejamos” em nosso melhor ano”, fique com a suposta “mente humana”. Aos olhos dela, assim os fatos parecerão ser! Para VOCÊ, que faz TOTAL IDENTIFICAÇÃO com a Verdade Absoluta, o seu “referencial” sempre será o da Luz: ESTE” AGORA”, em que A TOTALIDADE DE DEUS SE EXPRESSA COMO O EU INFINITO E INDIVIDUAL , QUE VOCÊ É!


segunda-feira, janeiro 09, 2012

O seu melhor ano


Allen White


Caro leitor, estou lhe garantindo a experiência de seu melhor ano. Isto porque a Verdade já é verdadeira — já está visivelmente presente e é um Fato imutavelmente estabelecido. Cada pontinho da Existência infinita é um ponto de Perfeição. Ciente disso, seus estudos, orações e contemplações meditativas não serão feitos com o propósito de melhorar, mudar, curar, obter ou atingir algo. A Perfeição (Deus) já é Tudo.

Você já deve ter notado que apenas ficar afirmando que Deus é Tudo não é o bastante para imunizá-lo frente às batalhas e tempestades da vida. A mera repetição destas palavras não tem revelado visivelmente a nulidade da existência humana. Mais se faz necessário.

Como ser humano, você não poderá viver uma vida gloriosa, radiante e triunfante, livre de discórdia e doença. Proclame para si próprio, exatamente agora, que sua Identidade já é o Deus que é Tudo. Os chamados milagres começarão a surgir. Assumindo esta Verdade, real e confiantemente poderá dizer: "Eu Sou Tudo, Eu Sou todo Poder, Eu Sou Onipresença, Eu Sou Infinidade, Eu Sou Perfeição, Eu Sou Verdade, Eu Sou Substância, Eu Sou Luz, etc." Isto não será uma elevação da identidade humana para a Divina; antes, será a eliminação da humana pelo reconhecimento da Divina como sendo tudo que há.

Sem flutuações, permaneça em e como esta Verdade. Contemple diariamente a Verdade de sua Identidade. “Já faço assim”, pode você estar pensando. Muitos dizem isto, mas, depois da contemplação matinal, acabam entrando em flutuações e vacilações. Suas conversas, ao longo do dia, expõem o fato de que eles realmente parecem acreditar que suas identidades são humanas. Portanto, persista diariamente na “Eu-Sou-Contemplação”, até deixar de se identificar com alguém de cor branca ou negra, de sexo masculino ou feminino. Continue até parar de identificar seu Eu Eterno com uma data de nascimento ou data de morte futura. Continue até compreender, sem nenhuma sombra de dúvida, que você não é senão a presença visível de cada Verdade que veio ouvindo ou lendo. Sim, Amado, persista, até todos os vestígios de humanidade visivelmente serem derrubados, revelando mais e mais o Esplendor Consumado de sua Identidade “EU SOU”.

Você, agora, chegou ao seu ponto de rompimento. Até parece que você e eu havíamos assumido um compromisso com nossos olhos de aceitar os seus informes conforme aquilo que está ou não acontecendo num dado momento. É um acordo que você deve quebrar. Muitas vezes, temos aparentemente trocado a Verdade pela ficção. Toda esperança e prece por uma vida melhor ignoram a Existência inabalável como única manifestação. Toda esperança e prece por uma vida melhor se baseiam nos olhos testemunhando um mundo oscilante. Amado, você não pode continuar desse jeito! Diante de uma escolha entre o que parece ser, de acordo com os sentidos, e o que é, de acordo com a totalidade de Deus, escolha sempre Deus. Faça isto! Permaneça nesta escolha! Não permita oscilações - e repentinamente uma nova visão lhe será aberta, testemunhando a Perfeição exatamente onde a imperfeição parecia estar presente. Se você sabe que Deus é verdadeiramente Tudo, descobrirá ser isto é bem fácil. Se apenas tem repetido as palavras, sem nenhuma percepção de que são elas a Verdade, isto lhe será difícil; e, caberá a você a tarefa de, em preces contínuas, descobrir a real natureza de Deus.

Meu amado, após assim ter feito, poderá ir ao seu mundo e proclamar que tudo e todos SÃO a Perfeição Evidenciada. Poderá olhar para seu mundo e declarar que é o Paraíso. Poderá olhar para cada aparência de carência e declarar a presença da Abundância Infinita. Poderá olhar para si mesmo, e para o próximo, marido, esposa e filho, declarando secretamente que todos são Deus. Cada dia estará evidenciando mais e mais de sua Divindade, e você irá desfrutar o seu melhor ano.


domingo, janeiro 08, 2012

Aparências não participam do Agora


Dárcio Dezolt


Não existem “aparências” neste AGORA! A mente pode estar entretida com “aparências”, dizendo ser hoje um “sábado”, ou outro dia qualquer, mas nada disso sai do âmbito da ILUSÃO para fazer parte da Verdade, de VOCÊ ou de sua Vida! Sua Vida é DEUS! Vive o AGORA PLENO! Sua Consciência é Deus, plenamente cônscio da Realidade puramente espiritual. Faça sua identificação com o SER QUE VOCÊ É, em absoluta Autocontemplação!

Lembre-se: mesmo que alguém esteja diante de um espelho e nele se olhando, estará vendo “ILUSÃO”, uma vez que o SER estaria fora do espelho e, no caso, deixando de ser observado. Se este alguém “trouxer sua atenção”, da imagem refletida para SI MESMO, para o SER REAL que "causou" o surgimento da "imagem" refletida no espelho, estará realmente SE CONTEMPLANDO.

Analogamente, extraia completamente sua atenção das "aparências", que não passam de reflexos no “espelho" da crença coletiva, puxando-a para SI MESMO, para "seu" EU NÃO DESTE MUNDO; desse modo, VOCÊ estará vendo SUA PRESENÇA no “AGORA”, e não mais se iludirá por "aparências" de um ser humano supostamente vivendo no “tempo” ou na “matéria”. “As aparências” são meras imagens ilusórias, refletidas no “espelho mental humano”: nunca participam do AGORA em que SOMOS e em que VIVEMOS...

sexta-feira, dezembro 30, 2011

O Príncipe da Paz

Joel S. Goldsmith

O significado pleno de Natal não pode ser conhecido, senão através da compreensão da natureza imutável de Deus. Deus é. Eterna e infinitamente, Ele é o mesmo, ontem, hoje e para sempre. O que é próprio de Deus sempre foi, continua sendo agora, e sempre será. Em decorrência desta compreensão, o verdadeiro Natal não começou há dois mil anos: seu início está além do tempo. O que ocorreu há dois milênios foi meramente a revelação de uma experiência que se tem repetido, não somente "antes que Abraão fosse", mas antes mesmo que o tempo fosse. Deus não inaugurou nada de novo há dois mil anos.

O verdadeiro sentido de Natal é este: Deus plantou na consciência de cada um de nós uma divina semente que há de germinar e vir a ser um Filho de Deus. Ninguém jamais existiu, nem existe agora e tampouco existirá, sem esta influência espiritual; sem este Poder que foi implantado em nossa consciência, desde o princípio.

A missão do Filho de Deus foi revelada através do ministério de Jesus Cristo e do que ele ensinou: "Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância" (não eu, Jesus, mas Eu, o Filho de Deus). Disse Jesus: "Se eu der testemunho de mim mesmo, meu testemunho não é verdadeiro...Eu de mim mesmo não posso nada: o Pai, em mim, é Quem faz as obras...Eu Sou o pão da vida...Eu Sou a ressurreição e a vida". Este era o Filho de Deus falando através de Jesus, o mesmo Filho de Deus que está no íntimo de cada indivíduo, desde o início dos tempos.

Mergulhe em seu íntimo para encontrar a paz que foi estabelecida desde o princípio.

Conta, uma antiga história, que havia um rei justo, amável, pacífico e misericordioso. Seu vizinho, rei das terras limítrofes, estava empenhado em guerras de conquista. Movido por sua índole justa e misericordiosa, o primeiro rei mandou um embaixador ao reino vizinho, em missão de paz. Entrementes, para proteger o povo, começou o preparo bélico. De um extremo a outro da nação se movimentaram para o provável conflito. Desde então, a alegria se apagou no coração do povo. O sorriso desapareceu da face das pessoas. Isso entristeceu o rei, que se recolheu em prece, em busca de uma solução que devolvesse a paz e harmonia à sua gente. Um dia, a esposa de um dos oficiais da corte pediu audiência para revelar-lhe um segredo. E o que ela sussurrou em seu ouvido fê-lo sorrir. De rosto iluminado, o rei a incumbiu de ir ao encontro de todas as mulheres, não os homens, para confiar este segredo, até que todas o soubessem e o pusessem em prática. O rei levantou-se e foi segredar à rainha o que aprovara. E a própria rainha foi, com a esposa do oficial, correr o reino, para comunicá-lo a todas as mulheres. Dentro de algum tempo o sorriso voltou ao semblante do povo. Um cântico novo era entoado por toda aquela terra. O júbilo foi restabelecido.

No dia de Natal chegou um arauto do embaixador que estava no reino vizinho, anunciando que fora assinado um tratado de paz. O rei mandou dizer ao povo que cessassem os preparativos bélicos. E os oficiais da corte pediram ao rei que lhes dissesse qual fora o segredo, que provocara tão grande transformação no povo e conquistara um improvável tratado de paz. O rei lhes explicou que o segredo, embora singelo, encerrava um poder imenso: consistia nisto: "Retirar-se, pela manhã, em curto período de silêncio, de vazio e introspecção. Orar a Deus (sem pedir a paz nem qualquer outra coisa), e comungar com Ele, deixando que Sua paz permeasse e enchesse o íntimo. Depois, durante o dia, várias vezes conscientizar essa Presença, no íntimo, como paz". Tal foi o segredo que devolveu alegria ao povo e assegurou harmoniosas relações com o reino vizinho.

Aos estudantes da Verdade, esta história parecerá mui familiar, porque sabem que em estágio avançado não se ora pela paz ou ordem em nosso reino interno. Deus já plantou esta semente em nossas almas, em nossos corações, em nossas mentes. Para que esta semente germine e emerja à superfície de nossa consciência, devemos mergulhar no próprio íntimo, abrindo o canal, a fim de que o "Fulgor aprisionado" se escape de lá, abençoando nossa vida e contagiando as pessoas de nosso convívio.

A função deste Filho de Deus é levar-nos a vivenciar a paz; induzir-nos a experienciar uma vida abundante; a dinamizar as potencialidades divinas, manifestando, de dentro para fora, tudo o que o Pai é e tem, como foi dito: "Filho, tu sempre estás comigo. Tudo o que é meu, é teu". Esse "tudo" é a semente que foi plantada em nós. Quando furamos o solo em busca de petróleo; ou cavamos minas, para extrair ouro, prata, diamante; ou quando mergulhamos à cata de pérolas; não estamos trazendo para fora o que Deus formou dentro da terra e do mar? Somos, acaso, responsáveis por tudo que se formou no seio da terra ou dos mares, ou do ar? Fomos nós que formamos tudo isso? Alguém pode responder, pela ciência, que tudo isso se formou durante milhões e milhões de anos, antes que tivéssemos consciência de sua utilidade. No entanto, foi tudo previsto e tudo o que temos a fazer é extrair tudo isso que Deus preparou, para atender às nossas necessidades.

O mesmo ocorre no universo espiritual. O reino dos céus não está fora de nós ("não acrediteis quando vos disserem: ei-lo aqui; ei-lo acolá, porque o reino dos céus está dentro de vós"). Como, então, poderemos usufruir este reino, senão procurando-o e encontrando-o dentro de nós mesmos? Para contatá-lo, é mister cavar e mergulhar em nós mesmos. Quanto mais profundamente cavarmos e mergulharmos neste silêncio interior, tanto maiores e mais ricos tesouros traremos à manifestação.

Nossas vidas individuais manifestam a Graça de Deus

Para compreender o "Dia de Natal", devemos entender com clareza que Deus plantou a semente de Si mesmo em cada um de nós. Tal semente deve germinar e converter-se no Filho de Deus plenamente desenvolvido, cuja missão é tornar nossas vidas bem-sucedidas e demonstrar a glória de Deus, como Jesus a revelou. Desde que "eu, de mim mesmo, nada posso", e, "se der testemunho de mim mesmo, meu testemunho não é verdadeiro", o que nos cumpre é simplesmente demonstrar, em nossas vidas individuais, a graça de Deus -- Sua sabedoria, Espírito, saúde e abundância. Ao tornar o potencial em dinâmico, a possibilidade em atualidade, podemos dizer que Deus vai do infinito para o infinito; que Deus é o mesmo sempre, e Ele não faz acepção de pessoas.

Se Deus tudo criou para sempre, então, desde o princípio dos tempos, a humanidade trouxe, dentro de sua própria alma, a divina paz e a divina graça. Infelizmente não podemos partilhar estes dons com nossos semelhantes e nem eles conosco, enquanto cada um não os encontrar em seu íntimo. É uma simples descoberta, mas não podemos dar o que não descobrimos ou aquilo de que não temos consciência ainda. Todavia, quando o descobrimos, assumimos uma responsabilidade: "a quem muito é dado, muito lhe será exigido". Espera-se muito daqueles que encontraram dentro de si a paz: eles devem derramá-la sobre os demais.

Se ainda não encontramos o Cristo dentro de nós mesmos, não podemos partilhar essa Consciência com os outros. Se não realizamos a paz em nós mesmos, não podemos manifestá-la ao próximo nem suscitá-la nele. Quem não expressa amor não pode atraí-lo. Aquele que não exprime abundância, não pode atraí-la. Ninguém pode atrair a paz, se, antes, não a encontrou dentro de si. Tudo o que gostaríamos de receber de nossos familiares, amigos, comunidade e do mundo, ou partilhar com eles, há de ser, primeiramente, encontrado dentro de nós mesmos .

Até mesmo Jesus nada deu ao mundo, até o momento em que o Cristo Se revelou dentro dele: "O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque Ele me ungiu para pregar o evangelho aos pobres; para curar os quebrantados de coração, para pregar a libertação aos cativos e devolver a visão aos cegos". Antes desta ordenação ele não fora ungido para curar os doentes. Assim, para que alguém possa partilhar o espírito de paz, de alegria, de amor e abundância, deve, antes, ter sido ordenado pelo Espírito de Deus.

A paz deve começar conosco

O Natal não teria valor e significado algum para nós, se acreditássemos que o "Príncipe da Paz" viveu há dois milênios e hoje não está mais na terra. Em verdade, o "Príncipe da Paz" viveu há dois mil anos e também em tempos anteriores, como ainda hoje está presente, no coração e na Alma de cada indivíduo, esperando ser libertado neste mundo. Não disse o Cristo: "Antes que Abraão fosse, eu Sou"?

Esta paz (do Cristo) não pode ser realizada com pedidos, em oração para que Ele transforme nosso povo ou as pessoas de outro país. Esta transformação deve começar em nós mesmos. Por que não reconhecemos nossas carências, antes de exigi-las dos outros? Deixemos tranqüilo o nosso próximo e voltemo-nos ao próprio íntimo, em discrição e sacralidade, comungando silenciosamente com o Príncipe da paz, o Príncipe da alegria, da saúde, da plenitude e da perfeição espiritual. Quando atingirmos, em alguma medida, a cristicidade, preencheremos nossas carências e teremos compreensão para não mais pretender a transformação de nosso próximo e nem orar pedindo paz, já que ela fluirá de nosso coração a toda a humanidade.

"A paz que ultrapassa todo o humano entendimento" já está dentro de nós. Em nossas meditações diárias tomamos contato com ela, para que seja liberada em nós, qual uma pomba, e comece a estender as asas sobre o universo inteiro. Buscar paz em outra pessoa ou dela exigir, é escapismo, é fugir da meta, é adiar a própria experiência da paz. Esperar justiça, misericórdia ou gratidão dos outros, é um equívoco. Essa é uma tarefa pessoal, intransferível. Cabe-nos encontrar tudo isso e mais no reino de Deus, que se acha no centro de nosso ser.

Quando Jesus ensinava o povo, às margens do mar da Galiléia, nas montanhas ou na aridez do deserto (onde dois ou três pudessem reunir-se), sempre apontava o indivíduo e lhe atribuía a responsabilidade: "TU deves perdoar setenta vezes sete: TU deves orar pelos que te perseguem: TU deves procurar em primeiro lugar o reino de Deus, que está dentro de ti". Ele sempre se dirigia a quem desejava ouvi-lo. Nada disse a Herodes e apenas se limitou a responder a caifás e a Pilatos e nem lhes exigiu a paz, porque se a tivessem dentro deles, teriam, com ela, envolvido a humanidade.

Quando começamos a assumir a responsabilidade pessoal de manter a saúde e a harmonia, descobrimos que a realização interna que encontramos, nos momentos de meditação, transborda de nós e abençoa a nossa família. Posteriormente, quando assumimos o dever de ajudar nossos amigos, parentes e os semelhantes, em geral, que nos pedem ajuda, já não lhes exigimos nada e nem dizemos que sejam saudáveis, úteis, justos ou misericordiosos. Apenas nos retiramos ao lugar secreto, dentro de nós, e comungamos com o Filho de Deus, até ficarmos plenificados de paz. Ao realizar essa paz, desbordamo-la àqueles que nos solicitaram ajuda. Não é que transferimos essa paz por alguma espécie de magia, de sugestão, "abracadabra" mental ou hipnotismo. Não. Simplesmente procuramos o reino de Deus em nós e lá encontramos a paz, o sentido de unidade, a comunhão espiritual em Cristo. Como corolário, essa influência emana de nós e vem a ser uma lei de vida, de paz e amor, para todos os que nos pediram ajuda.

Uma das mais recentes revelações que recebi foi esta: não me é necessário orar em favor de alguém ou ter a intenção de tratar espiritualmente alguém. Só é necessário encontrar minha própria paz interna, e quando a realizo em mim, como conscientização da harmonia e plenitude da bênção, imediatamente afeto as pessoas que se ligaram a mim, em busca de auxílio. É uma sintonia de consciência, como a da mulher hemorrágica, dos evangelhos, que tocou a orla do manto de Jesus (afinou-se à consciência crística em Jesus) e, no mesmo instante em que a paz do Mestre a envolveu, foi curada!

A dignidade e sacralidade do indivíduo

O significado acerca do Cristo nos escapará, se não compreendermos que o Cristo sanador jamais foi crucificado, ou encerrado num túmulo. O Cristo sanador é o "Príncipe da Paz", que mora em nosso íntimo: o Filho de Deus que foi entronizado em nós qual uma semente, desde o princípio. Através de nossas meditações, da contemplação e comunhão interna com essa divina Centelha, fazemos ressurgir esse Filho de Deus, em nós. Esta comunhão faz manifestar tudo aquilo que o Filho de Deus é em nosso universo.

É um milagre da graça que, "onde dois ou mais estejam reunidos, em nome dEle, ali Se manifeste o reino de Deus, neles e entre eles". É um milagre da graça que, um com Deus, seja a maioria. Cada vida singular é um milagre da graça de Deus; cada indivíduo é um descendente do Altíssimo.

O homem ocidental deve aprender a apreciar a dignidade do homem individual, para merecer a força moral plena, que trará eventualmente a paz à terra. Não é pelo poderio militar que se implanta a paz. Ela será estabelecida pela capacidade moral das nações que tenham vislumbrado o significado e valor real de um indivíduo, e a razão desse valor. Não é por sua condição humana que um indivíduo é valioso. O grande valor de um indivíduo é ser ele, potencialmente, o Cristo, o Príncipe da Paz. Por isso ele é tão importante para Deus, tal como os maiores profetas, santos e salvadores são.

Se apenas dez homens justos pudessem tomar consciência da dignidade e sacralidade do ser individual, agiriam com tal força moral que poderiam alterar para melhor a natureza de toda uma cidade ou estado, os negócios de uma nação, e talvez, ajudar nos relacionamentos internacionais. Deve haver elevação do ideal crístico, a respeito da natureza individual do ser; deve haver o reconhecimento de nós mesmos como descendentes de Deus; deve haver a convicção de que nossa vida não é nossa, senão a Vida de Deus individualmente expressa através de nós, como você e como eu: a Mente de Deus individualmente manifestada como a sua mente e a minha. Se fôssemos simplesmente essa forma que vemos no espelho refletida, qual seria a razão de nossa existência na Terra? Se observamos o modo de proceder de certas pessoas, meramente como seres humanos, perguntaríamos porque elas são toleradas neste mundo. Só quando começarmos a compreender a natureza dAquele que está latente em cada indivíduo, à espera de ser conscientizado e soerguido, para nossa redenção e missão, como Filhos de Deus na Terra -- só então entenderemos que viemos a este mundo para demonstrar toda a glória de Deus. Este é o verdadeiro Natal, isto é, o Cristo corporificado, o Verbo feito carne.

"Pois eu desci dos céus, não para fazer a minha própria vontade, mas a vontade dAquele que me enviou". Esclarece o Mestre que, em virtude da natureza universal de Deus, é tarefa, minha e sua, viver de tal modo que a vontade de Deus se faça em e através de nós -- e não a vontade pessoal, minha e sua. Nossas vidas devem ser consagradas a Deus, em obediência a esse princípio.

Qualquer indivíduo que seja capaz de não se identificar com suas solicitações humanas e tome consciência de que "estou aqui para que a vontade de Deus Se cumpra, para dar saída ao 'Fulgor aprisionado' em mim; estou aqui para ser um canal consciente, amoroso e desinteressado ao Cristo interno, em benefício de todos os que ainda se encontram em escuridão", em tal indivíduo o Cristo vive e age.

Napoleão disse que todo soldado leva na mochila um bastão de marechal, uma outra forma de reconhecer as imensas e imprevisíveis possibilidades de cada indivíduo. É uma expressão paralela ao ensinamento cristão, segundo o qual, todo indivíduo, mercê da divina Semente nele plantada, pode exprimir a autoridade e dignidade de um Ser espiritual autêntico.

A humanidade teve a fortuna de contar com grandes instrutores, que alcançaram a realização do Espírito interno e a visão de Sua vontade: Moisés, Elias, Eliseu, Jesus, João, Paulo, Buda. Todos esses homens ensinaram essencialmente a mesma coisa. Mas foram simples cicerones, revelando o que haviam alcançado e o que o homem pode alcançar. Foram suficientemente humildes para reconhecer que se eles não se fossem, o Consolador não nos poderia vir, pelo emergir da Consciência espiritual interna. Percebamos, também, que a revelação dos Mestres espirituais, em todos os tempos, foi a de um princípio universal, que devemos internamente demonstrar como revelação crística. Caso contrário, como poderia o reino de Deus implantar-Se na Terra, se não fosse plantado e desabrochado em cristicidade, em cada indivíduo?

A não ser por esse potencial divino que reclama expansão, poderiam os povos deste mundo melhorar? Poderiam as pessoas más transformar-se em boas pessoas? As ignorantes em sábias? Haveria algum poder para tirar a raça humana do que sempre foi: de um estado selvagem, brutal, de servidão e carência, de ignorância em massa? Poderia o mundo transformar-se, a não ser pela vontade divina que vagamente apreendemos como vontade nossa, de buscar a realização do Natal, a natureza da verdade? Isto se deve à Semente de Deus, plantada na consciência humana, em mim e em você, e que deve germinar e frutificar, definindo nossa identidade individual.

Haveria outro meio de se fazer isso? A educação é, naturalmente, uma valiosa ajuda para a sociedade civilizada, mas, o mero treinamento acadêmico, o simples cultivo intelectual, não podem fundamentar uma consciência moral e integral. Só a realização de nossa natureza espiritual pode fazê-lo. Só o florescimento da natureza crística pode nos elevar acima das limitações humanas, formando uma sociedade de pessoas inspiradas, com elevado sentido moral e espiritual. Dizer às pessoas que devem ser boas, que deve haver paz na terra, que deve haver retidão nas relações humanas, não basta. Nem os sermões o conseguem. A paz na Terra será realizada apenas por um meio: encontrando-a em nosso próprio íntimo e abrindo caminho para que ela desborde à nossa experiência, abençoando e fazendo de nós mesmos uma bênção. De fato, ao encontrar e experimentar a paz de Deus, atrairemos pequenos grupos afins que acharão, por sua vez, essa paz. Desse modo, ela se irá espalhando, "ad infinitum".

Libertando o "fulgor aprisionado"

A paz está encerrada em você e em mim. É preciso libertar o "Príncipe da Paz" de nosso íntimo e deixá-Lo sintonizar-se como todos aqueles que, neste momento, se acham maduros e receptivos para a "experiência do despertar". Repitamos: não se consegue isto pela tentativa de moralização das pessoas ou de pedir aos outros que sejam melhores do que têm sido. Nada disso. Isto é feito individualmente, pelo mergulho em si e libertação do Príncipe da Paz, que está encerrado dentro de nós. Isto é feito ao comungarmos com o Espírito interno, ao conscientizá-Lo em nós. Desse modo vamos formando uma abertura pela qual Ele emerge e Se liberta, caminhando diante de nós para realizar nossas obras, segundo a perfeita vontade do Pai. Notem bem: não nos cabe ir ao encontro do mundo para salvá-lo, senão ir ao encontro de nós mesmos, de nossa real identidade, para nos fundirmos em nova consciência e deixarmos que Ela se expanda de nós, em realização e ajuda.

Não há mérito espiritual em milhares de palavras que possamos enunciar; não há valor moral ou espiritual nas centenas de lições que possamos dar. A graça de Deus não pode alcançar as consciências humanas pela moralização. Só a consciência pode atingir a consciência. Retiremo-nos, em nossos lares, em nossos templos, em vales e colinas, para encontrar a paz escondida em nosso interior. Convertamo-nos em faróis através dos quais a graça de Deus possa ser irradiada. Então essa Presença invisível poderá preceder-nos no caminho, aplainando o solo e preparando mansões para nós. Os períodos de silêncio e de conscientização da Presença constituem o que de mais precioso podemos oferecer ao mundo.

Cada vez que vemos uma pessoa e realizamos que esta graça divina está dentro dela, somos-lhe uma bênção silenciosa. Assim, entoamos, sem vozes nem escrito, a paz ao mundo. Olhemos um indivíduo e tomemos consciência de que a graça de Deus está nele também; que ele é um Filho de Deus. Esta é, simplesmente, a prática de libertar o "Fulgor aprisionado": o reconhecimento do Cristo, no íntimo de nossos amigos; além da mera aparência de um ser humano, andando sobre a Terra. É ver e regar, com esta verdade, a semente divina plantada em seu íntimo.

Esta semente continua enterrada dentro de nós e permanecerá como simples semente ou possibilidade, enquanto não a nutrirmos com o alimento espiritual adequado: o reconhecimento constante, repetido, de nossa identidade espiritual.

Dentro do ser individual está o Filho de Deus, este Eu, que ele é; dentro dele está a divina Presença e o divino Poder -- a Graça de Deus. O EU, dentro dele, é o alimento, o brilho do Sol e a chuva fecundante, para esta semente.

Depois esta semente começa a brotar. A natureza de nossos amigos, parentes, sócios, companheiros de trabalho, começa a mudar aos nossos próprios olhos, sem que eles mesmos saibam o porquê. É possível que algo se desenvolva neles e encetem uma busca de Deus, de verdade, até que uma mensagem ou um mensageiro lhes revele que não há necessidade de buscar longe, porque o que estão buscando está dentro deles mesmos e o desejo que sentem é o próprio apelo do "Fulgor Aprisionado" para despertar e libertar-se. O que buscam é a divina Realidade neles: o Filho de Deus, o Santo Graal dentro de susas próprias consciências.

Toda sacralidade do Filho de Deus está estabelecida no centro de nosso ser -- a eternidade, a imortalidade, a natureza infinita da seidade de Deus -- porque somos UM com o Pai, e tudo que o Pai tem, já é nosso: a Sua sabedoria,a Sua Mente, a Sua Graça, a Sua Presença, a Sua Substância, o Seu Ser. O próprio alento de nossa vida, pois somos UM e, nesta unidade, encontramos a plenitude e nossa união com toda a humanidade. Somente na unidade com Deus é que nos sintonizamos com a Luz individual em cada ser e nos identificamos com tudo que haja percorrido o globo no passado, no presente e no futuro.

O Natal revela-nos que Deus plantou o Seu Filho em nós!

"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da paz. Do incremento deste principado e da paz, não haverá fim." (Isaías 9: 6-7 )