"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

sábado, janeiro 14, 2012

A oração que liberta


UNIDADE

"Tudo quanto suplicais e pedis, crede que o tendes recebido, e tê-lo-eis."
- Mateus 11: 25


Muita gente pensa que orar significa simplesmente pedir ou suplicar – implorar a Deus que afaste um pecado, uma doença ou uma tristeza. Orar não é fazer rogos a um Deus obstinado; é intercomunhão com Deus. “Vós pedis e não recebeis, porque pedis mal”. Pedimos mal, não ao pedir o que Deus não nos quer dar, nem o que nós, como Seus filhos, não temos o direito de pedir ou reivindicar; mas em rogar em suplicar como se Deus não nos quisesse atender, como a induzi-Lo a mudar de ideia e conceder a nossa petição. Isto é um conceito falso. “Por que eu, o Senhor, não mudo”, “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e para todo o sempre”.

Se lhe parece que alguma vez Deus não respondeu à sua oração, saiba que Ele responde sempre. Qualquer falha aparente nesse princípio está naquele que ora. A nossa falta de compreensão da vontade e da natureza de Deus impede que nossas orações sejam atendidas. A oração não modifica Deus, o Imutável, mas modifica os mortais e torna-os receptivos ao bem que está sendo dado sem limites. “Deus é Espírito e importa que os que O adoram, O adorem em espírito e em verdade”. Substitua os desejos materiais por seus equivalentes espirituais e declare que, em espírito e em verdade, você recebe aquilo que deseja. Então você o receberá materialmente, tanto quanto espiritualmente. “Mas buscai primeiro o reino de Deus, e Sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”.

Deveríamos antecipar convictamente o que pedimos em oração. “Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em oculto, e teu Pai, que vê secretamente re recompensará”.

Deve-se ter a convicção de que Deus é o único poder e a única presença reais no universo. Este poder e esta presença universais são vida, amor, inteligência, Verdade e Espírito. O homem espiritual, a ideia divina, criado à imagem e semelhança de Deus, é perfeito, assim como seu Pai no céu é perfeito. “Se eu pretendo ajustar o meio em que vivo, devo reajustar primeiro a mim mesmo, reconhecendo que eu sou a própria substância daquilo que desejo”.

“O reino de Deus está entre vós”. Ao nos tornarmos conscientes da nossa unidade com o bem universal, a crença no mal – pecado, doença, tristeza e morte – desaparece, e não mais nos enganamos pelas aparências. Então nos apercebermos de que o reino do céu está dentro de nós e que de acordo com a nossa fé ele se manifestará na terra produzindo paz, alegria, saúde, abundância e tudo aquilo que constitui a nossa mais elevada concepção de céu como um estado de alma.

As declarações precedentes podem parecer abstratas, mas o seguinte relato de uma pequena demonstração prática deste princípio talvez possa tirar-lhe o aspecto de abstração e tornar a verdade uma palpitante realidade para você.

Uma senhora a quem a Verdade havia curado de uma deficiência física, tinha um filho único que estava aparentemente entregue à bebida e a uma vida dissoluta. Durante muitos meses essa boa mãe estivera orando com a alma agoniada: “Ó Deus, salva meu filho da destruição, do pecado e da morte”. Porém, esperar que Deus ouvisse tal oração era tão absurdo como esperar que o sol pudesse ouvir e compreender a oração de um homem, que orasse com os olhos fechados: “Ó sol, para de enviar raios de escuridão, manda-me um raio de luz”. Enquanto isso, o sol espargiria ininterruptamente seus raios de luz, e a culpa não seria dele, mas sim do homem que não queria abrir os olhos.

Finalmente, a mulher, curada e vivificada pelo Espírito, para compreender a perfeita filiação e unidade do homem com Deus, parou de pedir e suplicar a Deus para que Ele salvasse seu filho, e disse: - “Em vez disso renderei graças a Deus”. E passou a orar: “Eu te agradeço, ó Deus, porque o filho que me deste é Teu filho, espiritual, perfeito, puro e santo, sem o desejo real de pecar, com amor por Ti apenas, pois ele foi realmente feito à Tua imagem e semelhança”.

Depois, mentalmente, ela se dirigia a seu filho: “Desperta, ó tu que dormes, ...e Cristo brilhará para Ti”. Tu és Espírito. Bem sabes que não há ausência de vida, substância ou inteligência. Os apetites carnais e sensuais não têm influência sobre ti, pois és filho de Deus. Teus desejos são puros. Tu não desejas satisfação sensual, mas sim satisfação espiritual. Quem pensa que a sua felicidade depende de beber, praguejar e de viver dissolutamente não és tu, pois és filho de Deus, puro e santo, e bem o sabes. Desperta! Compenetra-te de tua verdadeira natureza e deixa que a “tua luz resplandeça diante dos homens, para que vejam as tuas boas obras e glorifiquem a teu Pai que está nos céus”.

A mulher não disse uma única palavra de exprobação, de censura ou de súplica, a seu filho, nem lhe disse que estava orando por ele. Todavia ele continuava a beber e ela continuava firme na Verdade, declarando, com fé, que Deus, o Bem, é tudo que realmente existe, recusando-se a adorar senão a Deus, apesar de seus olhos, ouvidos e sentidos materiais tentarem impor-se eloquentemente, dizendo: “Teu filho está a caminho da perdição. Ele é um beberrão estúpido e um tanto libertino”. Por vezes lhe vinha a tentação de descrer de Deus e de clamar a Ele que salvasse o seu filho, mas nada a demovia. Ela punha em prática a sua fé, resolvida a crer e a confiar no bem, a despeito das aparências.

A fiel mãe perseverou, recusando-se a julgar pelas aparências ou pelos resultados exteriores e após algumas semanas sem modificação aparente, seu filho voltou uma noite para casa e disse: “Mãe, eu estou cansado de viver animalizado, resolvi ser homem. Seria uma lástima a gente não poder se firmar e recusar-se a ser escravo das paixões e da bebida. Já estou farto de conviver com brutos e transviados”.

A mãe, com santa calma proveniente da certeza da real identidade de seu filho com Deus, não se deixou empolgar nem sequer por uma alegre emoção, ao constatar que o filho havia cessado de personificar o homem dos sentidos e começado a manifestar a sua verdadeira natureza. Calmamente, ela disse: “Tu estavas sonhando apenas, Eduardo. Agora acordaste e podes sorrir ao pensar que tu imaginavas estar preso pelas cadeias dos sentidos. A Verdade te libertou. Tu és filho de Deus, livre pela liberdade do Espírito”.

Se essa mãe tivesse continuado a orar: “Ó Deus, salva meu filho!” em vez de compreender que Deus já o tinha salvo, em lugar de continuar a afirmar e reconhecer, até que o próprio moço se tornasse consciente disso – acha o leitor que tal resultado teria sido obtido?

Experimente este método de oração por si mesmo. Suponhamos que os sentidos manifestem uma dor de cabeça. Imediatamente refute essa manifestação como falsa, dizendo:

“Espírito não sente dor; eu sou Espírito, filho de Deus, livre do mal e cheio de bem; Deus é a minha saúde”.

Agarre-se fiel e firmemente a esta declaração da Verdade, a despeito de tudo que pareça contradizê-la, e a dor de cabeça desaparecerá.

Se um amigo o ofende por algo que possa ser considerado cruel e desumano, julgado pelas exterioridades, em vez de orar com coração angustiado: “Ó Deus, toca o coração de meu amigo para que ele possa perceber quanto foi cruel para comigo e torna-o bondoso e justo”, diga, pelo contrário: “Ó Deus, eu Te agradeço porque meu amigo é Teu filho e porque realmente não tem nenhum desejo de ser cruel e mau, nem de dizer coisa alguma que me irrite ou me ofenda”. E, coisa admirável, primeiro o aguilhão da mágoa desaparecerá e logo o seu amigo manifestará publicamente o que ele realmente é – um filho de Deus cheio de afeto, delicadeza e amor.

Não receie adotar os métodos de oração aqui apresentados. A verdade que o liberta é a compreensão da verdade de que Deus, o bem, é tudo que na realidade existe.



quarta-feira, janeiro 11, 2012

Comentando o texto: "O seu melhor ano"


Dárcio Dezolt

NOTA: Esta série de comentários sobre o texto SEU MELHOR ANO, de Allen White, tem por objetivo detalhar um pouco mais o seu riquíssimo conteúdo. Como todo artigo sobre a Verdade Absoluta, é para ser lido profundamente, para que cada um dos princípios citados fique em nós muito bem marcado, e, dessa forma, possamos “contemplar” todos eles” com eficiência máxima, durante a “Prática do Silêncio”.

1) Caro leitor, estou lhe garantindo a experiência de seu melhor ano. Isto porque a Verdade já é verdadeira—já está visivelmente presente e é um Fato imutavelmente estabelecido. Cada pontinho da Existência infinita é um ponto de Perfeição. Ciente disso, seus estudos, orações e contemplações meditativas não serão feitos com o propósito de melhorar, mudar, curar, obter ou atingir algo. A Perfeição (Deus) já é Tudo.

As revelações da Verdade são a própria Verdade sob a qual estamos todos regidos; entretanto, regidos não como se fôssemos um veículo sob leis de trânsito, que, existindo “separado das leis”, tivesse a possibilidade de cumprir ou descumprir estas leis: somos regidos pela Verdade sendo a própria Verdade, sendo o cumprimento exato de todos os Seus princípios.

A garantia de ser este “o seu melhor ano”, diz o autor, parte do seguinte conhecimento: “a Verdade já é verdadeira; já está visivelmente presente; já é Fato imutavelmente estabelecido”. Ter isto como informação é só o começo! É o “batismo com água”, apenas a teoria verdadeira sobre o Universo, sobre “este ano”, sobre o nosso Ser. Por esse motivo, o texto explica que “estudos, orações e contemplações meditativas” não objetivam mudar nada! Nada do que pudéssemos fazer, alteraria a Verdade, que “já é verdadeira”. “A Perfeição (Deus) já é Tudo”. Nesse caso, para quê estaríamos nos dedicando aos estudos, preces e contemplações? Unicamente para NOS IDENTIFICARMOS com esta PERFEIÇÃO. Esta “identificação” é a “oração em si”: a “Prática da Presença de Deus” como o Ser que já somos. Este reconhecimento radical, que é a aceitação da Verdade como VISIVELMENTE PRESENTE, se dá pela aceitação de que nossa Mente é DEUS! Por isso está dito que “a Verdade já é verdadeira – já está “visivelmente presente”, e é Fato imutavelmente estabelecido! É visível para a suposta “mente humana”? Não! Existe “mente humana”? Não! A mente “inexistente” jamais poderá achar “ser visível” alguma coisa! Não existe “mente humana”, não existe “outra mente”, que não a Mente onipresente de Deus, e não existe “outra mente” atuando e sendo a “NOSSA MENTE”. Assim, sem levar em conta “mente ilusória” ou as “imagens ilusórias” supostamente visíveis a ela – chamadas de ILUSÃO, no Budismo, e de “MUNDO DO PAI DA MENTIRA”, no Cristianismo, – você deverá “entrar em contemplação” unicamente com as revelações absolutas, por mais que isto pareça ser “loucura” para a inexistente “mente humana”.

“Cada pontinho da Existência infinita é um ponto de Perfeição”, diz o texto. Contemple este “pontinho” sendo VOCÊ, a sua Perfeição absoluta manifesta como Ser individual, e aceite esta Verdade “já visivelmente presente” para a percepção de sua Consciência iluminada. Não se deixe levar pela cegueira da “mente inexistente”, que aparenta ver unicamente suas “miragens”. Parta das revelações: a Verdade é verdadeira e já está visivelmente presente! É Fato IMUTAVELMENTE estabelecido! Este Fato é DEUS sendo VOCÊ! É dessa forma que, intuitivamente, você se coloca com “coração de criança” para discernir aquilo que É, sem se deixar envolver pela “ilusão”, ou por aquilo que não É! Faça, agora, a “contemplação absoluta”, simplesmente reconhecendo a Perfeição sendo a SUA Presença, sendo a SUA Existência, sendo TUDO que Deus É, manifestado como VOCÊ!

2) Você já deve ter notado que apenas ficar afirmando que Deus é Tudo não é o bastante para imunizá-lo frente às batalhas e tempestades da vida. A mera repetição destas palavras não tem revelado visivelmente a nulidade da existência humana. Mais se faz necessário.
Como ser humano, você não poderá viver uma vida gloriosa, radiante e triunfante, livre de discórdia e doença. Proclame para si próprio, exatamente agora, que sua Identidade já é o Deus que é Tudo. Os chamados milagres começarão a surgir. Assumindo esta Verdade, real e confiantemente, poderá dizer: Eu Sou Tudo, Eu Sou todo Poder, Eu Sou Onipresença, Eu Sou Infinidade, Eu Sou Perfeição, Eu Sou Verdade, Eu Sou Substância, Eu Sou Luz, etc. Isto não será uma elevação da identidade humana para a Divina; antes, será a eliminação da humana pelo reconhecimento da Divina como sendo tudo que há.


A premissa básica deste estudo é realmente esta: DEUS É TUDO! Aqui é ressaltado que meramente ficarmos afirmando esta frase não nos fará desacreditar das aparências que se mostram como “existência humana”. Que nos faltaria? O “nascer de novo”, ou seja, o processo que temos chamado de “a troca essencial”: pararmos de nos identificar com seres humanos e existência terrena e nos contemplarmos radicalmente como a própria “corporificação da Verdade”. Jesus não disse que “a Verdade é tudo”, mas sim, “Eu Sou a Verdade”. Realmente, a Verdade é TUDO; entretanto, se formos afirmar isto como se fôssemos “outro”, e não a própria Verdade, estaremos nos posicionando na ILUSÃO, na fraudulenta crença de que somos HUMANOS! O autor, aqui, fala da nossa IDENTIFICAÇÃO TOTAL com a Verdade, algo de vital importância sobre o que já comentei aqui anteriormente, e que vale a pena relembrar.

Jesus disse aos judeus: “Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Sois deuses? Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada), àquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas; porque disse: “Sou Filho de Deus? (João, 10: 34-36). Jesus está expondo aqui exatamente a IDENTIFICAÇÃO com a Verdade, por parte daqueles que recebem estas revelações ou princípios! A palavra de Deus lhe é dirigida! Logo, é VOCÊ um dos “deuses” citados por Jesus.

Entretanto, caso não haja um reconhecimento absoluto, e na esfera da Verdade, a ilusória personalidade humana, irreal, falsa ou inexistente, aparentará ser a sua identidade! Daí a explicação de Allen White: “Como ser humano você não poderá viver uma vida gloriosa, radiante e triunfante, livre de discórdia e doença. Proclame para si próprio, exatamente agora, que sua Identidade já é o Deus que é Tudo”. (…) Assumindo esta Verdade, real e confiantemente, poderá dizer: Eu Sou Tudo, Eu Sou todo Poder, Eu Sou Onipresença, Eu Sou Infinidade, Eu Sou Perfeição, Eu Sou Verdade, Eu Sou Substância, Eu Sou Luz, etc.

Unicamente VOCÊ PRÓPRIO poderá, em seu lugar, “assumir esta Verdade real e confiantemente”, e dizer de SI MESMO: “EU SOU TUDO”. O parágrafo termina com a explicação de que “não há duas identidades” sendo o Ser que somos, para que o processo pudesse ser entendido como “elevação da identidade humana para a Divina”; antes, sempre SOMOS o que SOMOS: OBRAS PERMANENTES DE DEUS! A “identificação radical com a Verdade” é meramente um “descartar da ilusão”: VOCÊ afirmar, ser e vivenciar o que sempre foi, é e será: Deus manifestado como Ser individual. Por este exato motivo, muitas vezes eu coloquei nos textos que nossa Ascensão se dá “de cima para baixo”, ou seja, não partimos de uma personalidade ilusória para tentarmos elevá-la ao Cristo que somos: partimos da Verdade que “já é verdadeira”: “Cristo é tudo em todos” (Col. 3-11). Atenha-se, portanto, à Verdade que já é verdadeira sobre VOCÊ, e, como diz o autor, “proclame para si próprio, exatamente agora, que A SUA IDENTIDADE JÁ É O DEUS QUE É TUDO!


3) Sem flutuações, permaneça em e como esta Verdade. Contemple diariamente a Verdade de sua Identidade. “Já faço assim”, pode você estar pensando. Muitos dizem isto, mas, depois da contemplação matinal, acabam entrando em flutuações e vacilações. Suas conversas, ao longo do dia, expõem o fato de que eles realmente parecem acreditar que suas identidades são humanas. Portanto, persista diariamente na “Eu-Sou-Contemplação”, até deixar de se identificar com alguém de cor branca ou negra, de sexo masculino ou feminino. Continue até parar de identificar seu Eu Eterno com uma data de nascimento ou data de morte futura. Continue até compreender, sem nenhuma sombra de dúvida, que você não é senão a presença visível de cada Verdade que veio ouvindo ou lendo. Sim, Amado, persista, até todos os vestígios de humanidade visivelmente serem derrubados, revelando mais e mais o Esplendor Consumado de sua Identidade “EU SOU”.

Este parágrafo busca fazer com que nos dediquemos às contemplações absolutas sem esmorecimento e sem volta à dualidade, não apenas durante a “Prática do Silêncio”, quando unicamente levamos em conta nossa real identidade divina, mas também durante as atividades naturais do dia-a-dia. Diz o autor: “Persista diariamente na “Eu-Sou-Contemplação”, até deixar de se identificar com alguém de cor branca ou negra, de sexo masculino ou feminino. Continue até parar de identificar seu Eu Eterno com uma data de nascimento ou data de morte futura. Continue até compreender, sem nenhuma sombra de dúvida, que você não é senão a presença visível de cada Verdade que veio ouvindo ou lendo”.

Quando entra o fator “dedicação de cada um”, não há mais regras! Cada um deve, de si mesmo, discernir o seu interesse, maior ou menor, diante deste estudo, no que diz respeito aos períodos entre os horários da “Prática do Silêncio”. Durante as “contemplações”, muito temos dito sobre a forma como as devemos conduzir; porém, quando aparentemente assumimos as supostas atividades cotidianas, cada um é que deverá intuir a sua forma própria de “permanecer nos princípios” e, ao mesmo tempo, fazer sabiamente as “concessões” que as “aparências” lhe irão requerer. Quando a “Prática do Silêncio” é feita com dedicação e assiduidade, dentro de uma identificação plena com a Verdade que somos, maior será nossa facilidade em agir sem preocupações e sem maiores envolvimentos com o “mundo das aparências”.

A Bíblia fala em “estarmos no mundo sem pertencer-lhe”, o que significa estarmos agindo sempre com a Consciência iluminada aflorada. No meu entender, não considero válido alguém ficar o dia inteiro “preocupado” em permanecer na Verdade a ponto de virar um “fanático por aplicação de princípios”. Acho válido, e mesmo obrigatório, a quem deseja realmente viver esta Verdade, ser dedicado e radical durante a “Prática do Silêncio”, ou seja, partir radicalmente da Verdade de que DEUS É TUDO e, ao encerrar a meditação, fazê-lo convicto de que DEUS constitui realmente a totalidade de seu Ser individual. O que realmente importa, é sabermos que as “aparências”, sejam boas ou más, são sempre irrealidades, e que os “vestígios de humanidade”, citados pelo autor, são sempre parte delas e jamais parte do Ser que somos. O ideal é que cada um “deixe fluir” o seu dia-a-dia, após suas “contemplações absolutas”, na certeza de que o que precisar fazer, para lidar com as “sugestões hipnóticas”, lhe será revelado em cada situação que lhe surja. É preferível, na minha opinião, viver naturalmente e nesta certeza, do que viver “se policiando”, a cada instante, temendo “sair da Verdade”, “ser envolvido” pela “ilusão”, ou coisa parecida! Não vejo “liberdade” numa vida intensa de “policiamentos”. Afora Deus, nada tem realidade! Nenhuma “crença coletiva” é poder! Vale sempre lembrar, portanto, que “a Graça nos basta”.

Allen White, na frase final deste parágrafo, explica que a nossa persistência fará revelar “mais e mais o Esplendor consumado” de nossa Identidade- EU SOU. O sentido que ele quer nos passar, é que já somos o Esplendor consumado; não que o “despojamento das falsas crenças” aumente mais e mais o nosso brilho, que já é de grau máximo; antes, fará com que “mais e mais” seja discernido o Esplendor que JÁ SOMOS! Assemelha-se a um céu nublado, que, mais e mais, revela o Sol radiante, com o passar das nuvens que, até então, aparentemente encobriam seu brilho.

4) Você, agora, chegou ao seu ponto de rompimento. Até parece que você e eu havíamos assumido um compromisso com nossos olhos de aceitar os seus informes conforme aquilo que está ou não acontecendo num dado momento. É um acordo que você deve quebrar. Muitas vezes, temos aparentemente trocado a Verdade pela ficção. Toda esperança e prece por uma vida melhor ignoram a Existência inabalável como única manifestação. Toda esperança e prece por uma vida melhor se baseiam nos olhos testemunhando um mundo oscilante. Amado, você não pode continuar desse jeito! Diante de uma escolha entre o que parece ser, de acordo com os sentidos, e o que é, de acordo com a totalidade de Deus, escolha sempre Deus. Faça isto! Permaneça nesta escolha! Não permita oscilações, e repentinamente uma nova visão lhe será aberta, testemunhando a Perfeição exatamente onde a imperfeição parecia estar presente. Se você sabe que Deus é verdadeiramente Tudo, descobrirá ser isto bem fácil. Se apenas tem repetido as palavras, sem nenhuma percepção de que elas são a Verdade, isto lhe será difícil; e, caberá a você a tarefa de, em preces contínuas, descobrir a real natureza de Deus.

De posse das revelações, ou dos princípios da Verdade absoluta, é seu momento de ser livre! O autor compara o condicionamento de se aceitar cegamente o que os olhos carnais captam com um “acordo” aparentemente feito com o testemunho destes olhos. Assim ele diz: “Você chegou ao seu ponto de rompimento”, (…) [este] é um acordo que você deve quebrar”.

Aqueles abraçados às crenças coletivas agem como se este suposto “mundo material” fosse realidade! Nele se posicionam, esperam que este mundo melhore, e até oram para que isto aconteça! Allen White diz: “Toda esperança e prece por uma vida melhor se baseiam nos olhos testemunhando um mundo oscilante; toda esperança e prece por uma vida melhor ignoram a Existência inabalável como única manifestação”. O que ele está nos dizendo é que devemos estar convictos da Realidade PERENE OU CONSTANTE, certos de que “as obras de Deus são permanentes”, sem ter olhos para a “ilusão”, para o suposto “mundo de aparências”, o que seria, em seu linguajar, trocar a Verdade pela ficção. Desse modo, ele descreve qual deverá ser a nossa escolha, “entre o que aparenta ser”, aos supostos sentidos humanos,” e o que realmente é”, em conformidade com o princípio de que Deus É Tudo: ESCOLHA SEMPRE DEUS! PERMANEÇA NESTA ESCOLHA! NÃO VACILE, PERMITINDO OSCILAÇÕES! “Repentinamente uma nova visão lhe será aberta, testemunhando a Perfeição exatamente onde a “imperfeição” parecia estar”.

Ao final do parágrafo, Allen explica que se fizermos meramente uma repetição maquinal das palavras, sem o discernimento de que são elas verdadeiras, as “contemplações” nos parecerão difíceis; por outro lado, sentiremos facilidade ao realizá-las, se estivermos realmente crendo que DEUS É TUDO! E, em caso de haver esta dificuldade, recomenda ele que você ore dedicadamente para conhecer esta natureza de Deus como sendo TUDO! Considere a Onipresença, a Onipotência, a Onisciência e a Oniação de Deus, uma a uma, em “contemplações absolutas”,e sempre discernindo que VOCÊ está incluso nesta totalidade de Deus.

O principal, portanto, é romper com o hábito de concordar com as “aparências” que se mostrem discordantes da HARMONIA TOTAL. Diante delas, opte pela TOTALIDADE DE DEUS, ou pela PERMANÊNCIA de tudo o que Deus faz, e o faz com PERFEIÇÃO. A Unidade, por exemplo, emprega seguidamente a expressão “DIVINA ORDEM”, para se efetuar esta “escolha”. Assim, diante de quaisquer “aparências discordantes”, lembrando-nos desta expressão, dizemos a nós mesmos: “Tudo está em Divina Ordem!”. Com isto, rompemos o “acordo” com o testemunho dos sentidos e ficamos internamente livres para “dar testemunho da Verdade”: DEUS É TUDO! Na Seicho-no-Ie, usa-se, e para o mesmo fim, a expressão “O fenômeno não existe!”, ou, “o corpo carnal não existe!” O Caminho Infinito nos conduz à percepção da Verdade, através do reconhecimento: “Isto não é o que aparenta ser; isto é DEUS que Se manifesta como…”. Apenas citei alguns exemplos, que ilustram como podemos e devemos usar as “armas da luz”, caso aparentemente nos defrontemos com a ILUSÃO na forma de “aparências indesejáveis”.

5) Meu amado, após assim ter feito, poderá ir ao seu mundo e proclamar que tudo e todos SÃO a Perfeição Evidenciada. Poderá olhar para seu mundo e declarar que é o Paraíso. Poderá olhar para cada aparência de carência e declarar a presença da Abundância Infinita. Poderá olhar para si mesmo, e para o próximo, marido, esposa e filho, declarando secretamente que todos são Deus. Cada dia estará evidenciando mais e mais de sua Divindade, e você irá desfrutar o seu melhor ano.

Neste parágrafo de encerramento do texto, Allen White fala da vivência imediata dos princípios da Verdade, ou seja, que devemos RECONHECER DEUS, ou a PERFEIÇÃO EVIDENCIADA, sendo tudo e sendo todos. Em outras palavras, este discernimento da Verdade não deve ficar restrito aos momentos de “contemplação”. Devemos olhar a nós mesmos, e a todos com que temos contato, “declarando secretamente que todos são Deus”, olhar o mundo “e declarar que é o Paraíso”; olhar as aparências de carência “e declarar a PRESENÇA da Abundância Infinita”. Como consequência desta dedicação à Verdade, aos olhos do mundo, seremos vistos como “alguém” que mais e mais evidencia a própria Divindade, o que, aparentemente, poderá ser avaliado como o “nosso melhor ano”, etc..

Porém, jamais se deixe prender a este “referencial do mundo”; lembre-se do que vimos anteriormente, de “rompermos o acordo” com a suposta “visão humana”. Permaneça na Verdade absoluta: Eu Sou a Evidência completa, iluminada e permanente da Presença de Deus! Deixe que a forma de avaliação, que nos considera como “evidenciando cada vez mais nossa Divindade”, ou que estejamos” em nosso melhor ano”, fique com a suposta “mente humana”. Aos olhos dela, assim os fatos parecerão ser! Para VOCÊ, que faz TOTAL IDENTIFICAÇÃO com a Verdade Absoluta, o seu “referencial” sempre será o da Luz: ESTE” AGORA”, em que A TOTALIDADE DE DEUS SE EXPRESSA COMO O EU INFINITO E INDIVIDUAL , QUE VOCÊ É!


segunda-feira, janeiro 09, 2012

O seu melhor ano


Allen White


Caro leitor, estou lhe garantindo a experiência de seu melhor ano. Isto porque a Verdade já é verdadeira — já está visivelmente presente e é um Fato imutavelmente estabelecido. Cada pontinho da Existência infinita é um ponto de Perfeição. Ciente disso, seus estudos, orações e contemplações meditativas não serão feitos com o propósito de melhorar, mudar, curar, obter ou atingir algo. A Perfeição (Deus) já é Tudo.

Você já deve ter notado que apenas ficar afirmando que Deus é Tudo não é o bastante para imunizá-lo frente às batalhas e tempestades da vida. A mera repetição destas palavras não tem revelado visivelmente a nulidade da existência humana. Mais se faz necessário.

Como ser humano, você não poderá viver uma vida gloriosa, radiante e triunfante, livre de discórdia e doença. Proclame para si próprio, exatamente agora, que sua Identidade já é o Deus que é Tudo. Os chamados milagres começarão a surgir. Assumindo esta Verdade, real e confiantemente poderá dizer: "Eu Sou Tudo, Eu Sou todo Poder, Eu Sou Onipresença, Eu Sou Infinidade, Eu Sou Perfeição, Eu Sou Verdade, Eu Sou Substância, Eu Sou Luz, etc." Isto não será uma elevação da identidade humana para a Divina; antes, será a eliminação da humana pelo reconhecimento da Divina como sendo tudo que há.

Sem flutuações, permaneça em e como esta Verdade. Contemple diariamente a Verdade de sua Identidade. “Já faço assim”, pode você estar pensando. Muitos dizem isto, mas, depois da contemplação matinal, acabam entrando em flutuações e vacilações. Suas conversas, ao longo do dia, expõem o fato de que eles realmente parecem acreditar que suas identidades são humanas. Portanto, persista diariamente na “Eu-Sou-Contemplação”, até deixar de se identificar com alguém de cor branca ou negra, de sexo masculino ou feminino. Continue até parar de identificar seu Eu Eterno com uma data de nascimento ou data de morte futura. Continue até compreender, sem nenhuma sombra de dúvida, que você não é senão a presença visível de cada Verdade que veio ouvindo ou lendo. Sim, Amado, persista, até todos os vestígios de humanidade visivelmente serem derrubados, revelando mais e mais o Esplendor Consumado de sua Identidade “EU SOU”.

Você, agora, chegou ao seu ponto de rompimento. Até parece que você e eu havíamos assumido um compromisso com nossos olhos de aceitar os seus informes conforme aquilo que está ou não acontecendo num dado momento. É um acordo que você deve quebrar. Muitas vezes, temos aparentemente trocado a Verdade pela ficção. Toda esperança e prece por uma vida melhor ignoram a Existência inabalável como única manifestação. Toda esperança e prece por uma vida melhor se baseiam nos olhos testemunhando um mundo oscilante. Amado, você não pode continuar desse jeito! Diante de uma escolha entre o que parece ser, de acordo com os sentidos, e o que é, de acordo com a totalidade de Deus, escolha sempre Deus. Faça isto! Permaneça nesta escolha! Não permita oscilações - e repentinamente uma nova visão lhe será aberta, testemunhando a Perfeição exatamente onde a imperfeição parecia estar presente. Se você sabe que Deus é verdadeiramente Tudo, descobrirá ser isto é bem fácil. Se apenas tem repetido as palavras, sem nenhuma percepção de que são elas a Verdade, isto lhe será difícil; e, caberá a você a tarefa de, em preces contínuas, descobrir a real natureza de Deus.

Meu amado, após assim ter feito, poderá ir ao seu mundo e proclamar que tudo e todos SÃO a Perfeição Evidenciada. Poderá olhar para seu mundo e declarar que é o Paraíso. Poderá olhar para cada aparência de carência e declarar a presença da Abundância Infinita. Poderá olhar para si mesmo, e para o próximo, marido, esposa e filho, declarando secretamente que todos são Deus. Cada dia estará evidenciando mais e mais de sua Divindade, e você irá desfrutar o seu melhor ano.


domingo, janeiro 08, 2012

Aparências não participam do Agora


Dárcio Dezolt


Não existem “aparências” neste AGORA! A mente pode estar entretida com “aparências”, dizendo ser hoje um “sábado”, ou outro dia qualquer, mas nada disso sai do âmbito da ILUSÃO para fazer parte da Verdade, de VOCÊ ou de sua Vida! Sua Vida é DEUS! Vive o AGORA PLENO! Sua Consciência é Deus, plenamente cônscio da Realidade puramente espiritual. Faça sua identificação com o SER QUE VOCÊ É, em absoluta Autocontemplação!

Lembre-se: mesmo que alguém esteja diante de um espelho e nele se olhando, estará vendo “ILUSÃO”, uma vez que o SER estaria fora do espelho e, no caso, deixando de ser observado. Se este alguém “trouxer sua atenção”, da imagem refletida para SI MESMO, para o SER REAL que "causou" o surgimento da "imagem" refletida no espelho, estará realmente SE CONTEMPLANDO.

Analogamente, extraia completamente sua atenção das "aparências", que não passam de reflexos no “espelho" da crença coletiva, puxando-a para SI MESMO, para "seu" EU NÃO DESTE MUNDO; desse modo, VOCÊ estará vendo SUA PRESENÇA no “AGORA”, e não mais se iludirá por "aparências" de um ser humano supostamente vivendo no “tempo” ou na “matéria”. “As aparências” são meras imagens ilusórias, refletidas no “espelho mental humano”: nunca participam do AGORA em que SOMOS e em que VIVEMOS...

sexta-feira, dezembro 30, 2011

O Príncipe da Paz

Joel S. Goldsmith

O significado pleno de Natal não pode ser conhecido, senão através da compreensão da natureza imutável de Deus. Deus é. Eterna e infinitamente, Ele é o mesmo, ontem, hoje e para sempre. O que é próprio de Deus sempre foi, continua sendo agora, e sempre será. Em decorrência desta compreensão, o verdadeiro Natal não começou há dois mil anos: seu início está além do tempo. O que ocorreu há dois milênios foi meramente a revelação de uma experiência que se tem repetido, não somente "antes que Abraão fosse", mas antes mesmo que o tempo fosse. Deus não inaugurou nada de novo há dois mil anos.

O verdadeiro sentido de Natal é este: Deus plantou na consciência de cada um de nós uma divina semente que há de germinar e vir a ser um Filho de Deus. Ninguém jamais existiu, nem existe agora e tampouco existirá, sem esta influência espiritual; sem este Poder que foi implantado em nossa consciência, desde o princípio.

A missão do Filho de Deus foi revelada através do ministério de Jesus Cristo e do que ele ensinou: "Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância" (não eu, Jesus, mas Eu, o Filho de Deus). Disse Jesus: "Se eu der testemunho de mim mesmo, meu testemunho não é verdadeiro...Eu de mim mesmo não posso nada: o Pai, em mim, é Quem faz as obras...Eu Sou o pão da vida...Eu Sou a ressurreição e a vida". Este era o Filho de Deus falando através de Jesus, o mesmo Filho de Deus que está no íntimo de cada indivíduo, desde o início dos tempos.

Mergulhe em seu íntimo para encontrar a paz que foi estabelecida desde o princípio.

Conta, uma antiga história, que havia um rei justo, amável, pacífico e misericordioso. Seu vizinho, rei das terras limítrofes, estava empenhado em guerras de conquista. Movido por sua índole justa e misericordiosa, o primeiro rei mandou um embaixador ao reino vizinho, em missão de paz. Entrementes, para proteger o povo, começou o preparo bélico. De um extremo a outro da nação se movimentaram para o provável conflito. Desde então, a alegria se apagou no coração do povo. O sorriso desapareceu da face das pessoas. Isso entristeceu o rei, que se recolheu em prece, em busca de uma solução que devolvesse a paz e harmonia à sua gente. Um dia, a esposa de um dos oficiais da corte pediu audiência para revelar-lhe um segredo. E o que ela sussurrou em seu ouvido fê-lo sorrir. De rosto iluminado, o rei a incumbiu de ir ao encontro de todas as mulheres, não os homens, para confiar este segredo, até que todas o soubessem e o pusessem em prática. O rei levantou-se e foi segredar à rainha o que aprovara. E a própria rainha foi, com a esposa do oficial, correr o reino, para comunicá-lo a todas as mulheres. Dentro de algum tempo o sorriso voltou ao semblante do povo. Um cântico novo era entoado por toda aquela terra. O júbilo foi restabelecido.

No dia de Natal chegou um arauto do embaixador que estava no reino vizinho, anunciando que fora assinado um tratado de paz. O rei mandou dizer ao povo que cessassem os preparativos bélicos. E os oficiais da corte pediram ao rei que lhes dissesse qual fora o segredo, que provocara tão grande transformação no povo e conquistara um improvável tratado de paz. O rei lhes explicou que o segredo, embora singelo, encerrava um poder imenso: consistia nisto: "Retirar-se, pela manhã, em curto período de silêncio, de vazio e introspecção. Orar a Deus (sem pedir a paz nem qualquer outra coisa), e comungar com Ele, deixando que Sua paz permeasse e enchesse o íntimo. Depois, durante o dia, várias vezes conscientizar essa Presença, no íntimo, como paz". Tal foi o segredo que devolveu alegria ao povo e assegurou harmoniosas relações com o reino vizinho.

Aos estudantes da Verdade, esta história parecerá mui familiar, porque sabem que em estágio avançado não se ora pela paz ou ordem em nosso reino interno. Deus já plantou esta semente em nossas almas, em nossos corações, em nossas mentes. Para que esta semente germine e emerja à superfície de nossa consciência, devemos mergulhar no próprio íntimo, abrindo o canal, a fim de que o "Fulgor aprisionado" se escape de lá, abençoando nossa vida e contagiando as pessoas de nosso convívio.

A função deste Filho de Deus é levar-nos a vivenciar a paz; induzir-nos a experienciar uma vida abundante; a dinamizar as potencialidades divinas, manifestando, de dentro para fora, tudo o que o Pai é e tem, como foi dito: "Filho, tu sempre estás comigo. Tudo o que é meu, é teu". Esse "tudo" é a semente que foi plantada em nós. Quando furamos o solo em busca de petróleo; ou cavamos minas, para extrair ouro, prata, diamante; ou quando mergulhamos à cata de pérolas; não estamos trazendo para fora o que Deus formou dentro da terra e do mar? Somos, acaso, responsáveis por tudo que se formou no seio da terra ou dos mares, ou do ar? Fomos nós que formamos tudo isso? Alguém pode responder, pela ciência, que tudo isso se formou durante milhões e milhões de anos, antes que tivéssemos consciência de sua utilidade. No entanto, foi tudo previsto e tudo o que temos a fazer é extrair tudo isso que Deus preparou, para atender às nossas necessidades.

O mesmo ocorre no universo espiritual. O reino dos céus não está fora de nós ("não acrediteis quando vos disserem: ei-lo aqui; ei-lo acolá, porque o reino dos céus está dentro de vós"). Como, então, poderemos usufruir este reino, senão procurando-o e encontrando-o dentro de nós mesmos? Para contatá-lo, é mister cavar e mergulhar em nós mesmos. Quanto mais profundamente cavarmos e mergulharmos neste silêncio interior, tanto maiores e mais ricos tesouros traremos à manifestação.

Nossas vidas individuais manifestam a Graça de Deus

Para compreender o "Dia de Natal", devemos entender com clareza que Deus plantou a semente de Si mesmo em cada um de nós. Tal semente deve germinar e converter-se no Filho de Deus plenamente desenvolvido, cuja missão é tornar nossas vidas bem-sucedidas e demonstrar a glória de Deus, como Jesus a revelou. Desde que "eu, de mim mesmo, nada posso", e, "se der testemunho de mim mesmo, meu testemunho não é verdadeiro", o que nos cumpre é simplesmente demonstrar, em nossas vidas individuais, a graça de Deus -- Sua sabedoria, Espírito, saúde e abundância. Ao tornar o potencial em dinâmico, a possibilidade em atualidade, podemos dizer que Deus vai do infinito para o infinito; que Deus é o mesmo sempre, e Ele não faz acepção de pessoas.

Se Deus tudo criou para sempre, então, desde o princípio dos tempos, a humanidade trouxe, dentro de sua própria alma, a divina paz e a divina graça. Infelizmente não podemos partilhar estes dons com nossos semelhantes e nem eles conosco, enquanto cada um não os encontrar em seu íntimo. É uma simples descoberta, mas não podemos dar o que não descobrimos ou aquilo de que não temos consciência ainda. Todavia, quando o descobrimos, assumimos uma responsabilidade: "a quem muito é dado, muito lhe será exigido". Espera-se muito daqueles que encontraram dentro de si a paz: eles devem derramá-la sobre os demais.

Se ainda não encontramos o Cristo dentro de nós mesmos, não podemos partilhar essa Consciência com os outros. Se não realizamos a paz em nós mesmos, não podemos manifestá-la ao próximo nem suscitá-la nele. Quem não expressa amor não pode atraí-lo. Aquele que não exprime abundância, não pode atraí-la. Ninguém pode atrair a paz, se, antes, não a encontrou dentro de si. Tudo o que gostaríamos de receber de nossos familiares, amigos, comunidade e do mundo, ou partilhar com eles, há de ser, primeiramente, encontrado dentro de nós mesmos .

Até mesmo Jesus nada deu ao mundo, até o momento em que o Cristo Se revelou dentro dele: "O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque Ele me ungiu para pregar o evangelho aos pobres; para curar os quebrantados de coração, para pregar a libertação aos cativos e devolver a visão aos cegos". Antes desta ordenação ele não fora ungido para curar os doentes. Assim, para que alguém possa partilhar o espírito de paz, de alegria, de amor e abundância, deve, antes, ter sido ordenado pelo Espírito de Deus.

A paz deve começar conosco

O Natal não teria valor e significado algum para nós, se acreditássemos que o "Príncipe da Paz" viveu há dois milênios e hoje não está mais na terra. Em verdade, o "Príncipe da Paz" viveu há dois mil anos e também em tempos anteriores, como ainda hoje está presente, no coração e na Alma de cada indivíduo, esperando ser libertado neste mundo. Não disse o Cristo: "Antes que Abraão fosse, eu Sou"?

Esta paz (do Cristo) não pode ser realizada com pedidos, em oração para que Ele transforme nosso povo ou as pessoas de outro país. Esta transformação deve começar em nós mesmos. Por que não reconhecemos nossas carências, antes de exigi-las dos outros? Deixemos tranqüilo o nosso próximo e voltemo-nos ao próprio íntimo, em discrição e sacralidade, comungando silenciosamente com o Príncipe da paz, o Príncipe da alegria, da saúde, da plenitude e da perfeição espiritual. Quando atingirmos, em alguma medida, a cristicidade, preencheremos nossas carências e teremos compreensão para não mais pretender a transformação de nosso próximo e nem orar pedindo paz, já que ela fluirá de nosso coração a toda a humanidade.

"A paz que ultrapassa todo o humano entendimento" já está dentro de nós. Em nossas meditações diárias tomamos contato com ela, para que seja liberada em nós, qual uma pomba, e comece a estender as asas sobre o universo inteiro. Buscar paz em outra pessoa ou dela exigir, é escapismo, é fugir da meta, é adiar a própria experiência da paz. Esperar justiça, misericórdia ou gratidão dos outros, é um equívoco. Essa é uma tarefa pessoal, intransferível. Cabe-nos encontrar tudo isso e mais no reino de Deus, que se acha no centro de nosso ser.

Quando Jesus ensinava o povo, às margens do mar da Galiléia, nas montanhas ou na aridez do deserto (onde dois ou três pudessem reunir-se), sempre apontava o indivíduo e lhe atribuía a responsabilidade: "TU deves perdoar setenta vezes sete: TU deves orar pelos que te perseguem: TU deves procurar em primeiro lugar o reino de Deus, que está dentro de ti". Ele sempre se dirigia a quem desejava ouvi-lo. Nada disse a Herodes e apenas se limitou a responder a caifás e a Pilatos e nem lhes exigiu a paz, porque se a tivessem dentro deles, teriam, com ela, envolvido a humanidade.

Quando começamos a assumir a responsabilidade pessoal de manter a saúde e a harmonia, descobrimos que a realização interna que encontramos, nos momentos de meditação, transborda de nós e abençoa a nossa família. Posteriormente, quando assumimos o dever de ajudar nossos amigos, parentes e os semelhantes, em geral, que nos pedem ajuda, já não lhes exigimos nada e nem dizemos que sejam saudáveis, úteis, justos ou misericordiosos. Apenas nos retiramos ao lugar secreto, dentro de nós, e comungamos com o Filho de Deus, até ficarmos plenificados de paz. Ao realizar essa paz, desbordamo-la àqueles que nos solicitaram ajuda. Não é que transferimos essa paz por alguma espécie de magia, de sugestão, "abracadabra" mental ou hipnotismo. Não. Simplesmente procuramos o reino de Deus em nós e lá encontramos a paz, o sentido de unidade, a comunhão espiritual em Cristo. Como corolário, essa influência emana de nós e vem a ser uma lei de vida, de paz e amor, para todos os que nos pediram ajuda.

Uma das mais recentes revelações que recebi foi esta: não me é necessário orar em favor de alguém ou ter a intenção de tratar espiritualmente alguém. Só é necessário encontrar minha própria paz interna, e quando a realizo em mim, como conscientização da harmonia e plenitude da bênção, imediatamente afeto as pessoas que se ligaram a mim, em busca de auxílio. É uma sintonia de consciência, como a da mulher hemorrágica, dos evangelhos, que tocou a orla do manto de Jesus (afinou-se à consciência crística em Jesus) e, no mesmo instante em que a paz do Mestre a envolveu, foi curada!

A dignidade e sacralidade do indivíduo

O significado acerca do Cristo nos escapará, se não compreendermos que o Cristo sanador jamais foi crucificado, ou encerrado num túmulo. O Cristo sanador é o "Príncipe da Paz", que mora em nosso íntimo: o Filho de Deus que foi entronizado em nós qual uma semente, desde o princípio. Através de nossas meditações, da contemplação e comunhão interna com essa divina Centelha, fazemos ressurgir esse Filho de Deus, em nós. Esta comunhão faz manifestar tudo aquilo que o Filho de Deus é em nosso universo.

É um milagre da graça que, "onde dois ou mais estejam reunidos, em nome dEle, ali Se manifeste o reino de Deus, neles e entre eles". É um milagre da graça que, um com Deus, seja a maioria. Cada vida singular é um milagre da graça de Deus; cada indivíduo é um descendente do Altíssimo.

O homem ocidental deve aprender a apreciar a dignidade do homem individual, para merecer a força moral plena, que trará eventualmente a paz à terra. Não é pelo poderio militar que se implanta a paz. Ela será estabelecida pela capacidade moral das nações que tenham vislumbrado o significado e valor real de um indivíduo, e a razão desse valor. Não é por sua condição humana que um indivíduo é valioso. O grande valor de um indivíduo é ser ele, potencialmente, o Cristo, o Príncipe da Paz. Por isso ele é tão importante para Deus, tal como os maiores profetas, santos e salvadores são.

Se apenas dez homens justos pudessem tomar consciência da dignidade e sacralidade do ser individual, agiriam com tal força moral que poderiam alterar para melhor a natureza de toda uma cidade ou estado, os negócios de uma nação, e talvez, ajudar nos relacionamentos internacionais. Deve haver elevação do ideal crístico, a respeito da natureza individual do ser; deve haver o reconhecimento de nós mesmos como descendentes de Deus; deve haver a convicção de que nossa vida não é nossa, senão a Vida de Deus individualmente expressa através de nós, como você e como eu: a Mente de Deus individualmente manifestada como a sua mente e a minha. Se fôssemos simplesmente essa forma que vemos no espelho refletida, qual seria a razão de nossa existência na Terra? Se observamos o modo de proceder de certas pessoas, meramente como seres humanos, perguntaríamos porque elas são toleradas neste mundo. Só quando começarmos a compreender a natureza dAquele que está latente em cada indivíduo, à espera de ser conscientizado e soerguido, para nossa redenção e missão, como Filhos de Deus na Terra -- só então entenderemos que viemos a este mundo para demonstrar toda a glória de Deus. Este é o verdadeiro Natal, isto é, o Cristo corporificado, o Verbo feito carne.

"Pois eu desci dos céus, não para fazer a minha própria vontade, mas a vontade dAquele que me enviou". Esclarece o Mestre que, em virtude da natureza universal de Deus, é tarefa, minha e sua, viver de tal modo que a vontade de Deus se faça em e através de nós -- e não a vontade pessoal, minha e sua. Nossas vidas devem ser consagradas a Deus, em obediência a esse princípio.

Qualquer indivíduo que seja capaz de não se identificar com suas solicitações humanas e tome consciência de que "estou aqui para que a vontade de Deus Se cumpra, para dar saída ao 'Fulgor aprisionado' em mim; estou aqui para ser um canal consciente, amoroso e desinteressado ao Cristo interno, em benefício de todos os que ainda se encontram em escuridão", em tal indivíduo o Cristo vive e age.

Napoleão disse que todo soldado leva na mochila um bastão de marechal, uma outra forma de reconhecer as imensas e imprevisíveis possibilidades de cada indivíduo. É uma expressão paralela ao ensinamento cristão, segundo o qual, todo indivíduo, mercê da divina Semente nele plantada, pode exprimir a autoridade e dignidade de um Ser espiritual autêntico.

A humanidade teve a fortuna de contar com grandes instrutores, que alcançaram a realização do Espírito interno e a visão de Sua vontade: Moisés, Elias, Eliseu, Jesus, João, Paulo, Buda. Todos esses homens ensinaram essencialmente a mesma coisa. Mas foram simples cicerones, revelando o que haviam alcançado e o que o homem pode alcançar. Foram suficientemente humildes para reconhecer que se eles não se fossem, o Consolador não nos poderia vir, pelo emergir da Consciência espiritual interna. Percebamos, também, que a revelação dos Mestres espirituais, em todos os tempos, foi a de um princípio universal, que devemos internamente demonstrar como revelação crística. Caso contrário, como poderia o reino de Deus implantar-Se na Terra, se não fosse plantado e desabrochado em cristicidade, em cada indivíduo?

A não ser por esse potencial divino que reclama expansão, poderiam os povos deste mundo melhorar? Poderiam as pessoas más transformar-se em boas pessoas? As ignorantes em sábias? Haveria algum poder para tirar a raça humana do que sempre foi: de um estado selvagem, brutal, de servidão e carência, de ignorância em massa? Poderia o mundo transformar-se, a não ser pela vontade divina que vagamente apreendemos como vontade nossa, de buscar a realização do Natal, a natureza da verdade? Isto se deve à Semente de Deus, plantada na consciência humana, em mim e em você, e que deve germinar e frutificar, definindo nossa identidade individual.

Haveria outro meio de se fazer isso? A educação é, naturalmente, uma valiosa ajuda para a sociedade civilizada, mas, o mero treinamento acadêmico, o simples cultivo intelectual, não podem fundamentar uma consciência moral e integral. Só a realização de nossa natureza espiritual pode fazê-lo. Só o florescimento da natureza crística pode nos elevar acima das limitações humanas, formando uma sociedade de pessoas inspiradas, com elevado sentido moral e espiritual. Dizer às pessoas que devem ser boas, que deve haver paz na terra, que deve haver retidão nas relações humanas, não basta. Nem os sermões o conseguem. A paz na Terra será realizada apenas por um meio: encontrando-a em nosso próprio íntimo e abrindo caminho para que ela desborde à nossa experiência, abençoando e fazendo de nós mesmos uma bênção. De fato, ao encontrar e experimentar a paz de Deus, atrairemos pequenos grupos afins que acharão, por sua vez, essa paz. Desse modo, ela se irá espalhando, "ad infinitum".

Libertando o "fulgor aprisionado"

A paz está encerrada em você e em mim. É preciso libertar o "Príncipe da Paz" de nosso íntimo e deixá-Lo sintonizar-se como todos aqueles que, neste momento, se acham maduros e receptivos para a "experiência do despertar". Repitamos: não se consegue isto pela tentativa de moralização das pessoas ou de pedir aos outros que sejam melhores do que têm sido. Nada disso. Isto é feito individualmente, pelo mergulho em si e libertação do Príncipe da Paz, que está encerrado dentro de nós. Isto é feito ao comungarmos com o Espírito interno, ao conscientizá-Lo em nós. Desse modo vamos formando uma abertura pela qual Ele emerge e Se liberta, caminhando diante de nós para realizar nossas obras, segundo a perfeita vontade do Pai. Notem bem: não nos cabe ir ao encontro do mundo para salvá-lo, senão ir ao encontro de nós mesmos, de nossa real identidade, para nos fundirmos em nova consciência e deixarmos que Ela se expanda de nós, em realização e ajuda.

Não há mérito espiritual em milhares de palavras que possamos enunciar; não há valor moral ou espiritual nas centenas de lições que possamos dar. A graça de Deus não pode alcançar as consciências humanas pela moralização. Só a consciência pode atingir a consciência. Retiremo-nos, em nossos lares, em nossos templos, em vales e colinas, para encontrar a paz escondida em nosso interior. Convertamo-nos em faróis através dos quais a graça de Deus possa ser irradiada. Então essa Presença invisível poderá preceder-nos no caminho, aplainando o solo e preparando mansões para nós. Os períodos de silêncio e de conscientização da Presença constituem o que de mais precioso podemos oferecer ao mundo.

Cada vez que vemos uma pessoa e realizamos que esta graça divina está dentro dela, somos-lhe uma bênção silenciosa. Assim, entoamos, sem vozes nem escrito, a paz ao mundo. Olhemos um indivíduo e tomemos consciência de que a graça de Deus está nele também; que ele é um Filho de Deus. Esta é, simplesmente, a prática de libertar o "Fulgor aprisionado": o reconhecimento do Cristo, no íntimo de nossos amigos; além da mera aparência de um ser humano, andando sobre a Terra. É ver e regar, com esta verdade, a semente divina plantada em seu íntimo.

Esta semente continua enterrada dentro de nós e permanecerá como simples semente ou possibilidade, enquanto não a nutrirmos com o alimento espiritual adequado: o reconhecimento constante, repetido, de nossa identidade espiritual.

Dentro do ser individual está o Filho de Deus, este Eu, que ele é; dentro dele está a divina Presença e o divino Poder -- a Graça de Deus. O EU, dentro dele, é o alimento, o brilho do Sol e a chuva fecundante, para esta semente.

Depois esta semente começa a brotar. A natureza de nossos amigos, parentes, sócios, companheiros de trabalho, começa a mudar aos nossos próprios olhos, sem que eles mesmos saibam o porquê. É possível que algo se desenvolva neles e encetem uma busca de Deus, de verdade, até que uma mensagem ou um mensageiro lhes revele que não há necessidade de buscar longe, porque o que estão buscando está dentro deles mesmos e o desejo que sentem é o próprio apelo do "Fulgor Aprisionado" para despertar e libertar-se. O que buscam é a divina Realidade neles: o Filho de Deus, o Santo Graal dentro de susas próprias consciências.

Toda sacralidade do Filho de Deus está estabelecida no centro de nosso ser -- a eternidade, a imortalidade, a natureza infinita da seidade de Deus -- porque somos UM com o Pai, e tudo que o Pai tem, já é nosso: a Sua sabedoria,a Sua Mente, a Sua Graça, a Sua Presença, a Sua Substância, o Seu Ser. O próprio alento de nossa vida, pois somos UM e, nesta unidade, encontramos a plenitude e nossa união com toda a humanidade. Somente na unidade com Deus é que nos sintonizamos com a Luz individual em cada ser e nos identificamos com tudo que haja percorrido o globo no passado, no presente e no futuro.

O Natal revela-nos que Deus plantou o Seu Filho em nós!

"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da paz. Do incremento deste principado e da paz, não haverá fim." (Isaías 9: 6-7 )


terça-feira, dezembro 27, 2011

O mundo vai acabar?


Allen White

Olhar para os acontecimentos, temendo que o mundo esteja para acabar, é cair na armadilha de julgar pelas aparências. Jamais as aparências podem ser a base de discernimento do que é Real e do que é ilusão. A despeito de quão horrorizante uma aparência possa ser, percebamos que DEUS É O ÚNICO MUNDO QUE HÁ. Como Deus é eterno, o Mundo é eterno. Em vista de sua natureza eterna, este Mundo é indestrutível.

Nossa Bíblia sugere que o mundo um dia irá acabar. Porém, que significa realmente isso? Significa que alguma coisa referente a este mundo chegará ao fim. E esta “alguma coisa” é a nossa falsa percepção do mundo.

A falsa percepção deste mundo como sendo “um mundo de matéria” chegará ao fim. A falsa percepção deste mundo como “um mundo criado” chegará ao fim. Como poderia a Eternidade ter tido “começo”? Além disso, a falsa noção de que a morte é o passaporte para o paraíso, onde ficaremos aliviados das tribulações da existência material, chegará ao fim.

Cristo disse que “passarão o céu e a terra”. Explicava que eles passarão como estados separados de existência. Houve quem dissesse que “a terra, corretamente percebida, é o paraíso”. Qualquer um que tiver o discernimento de que o paraíso está exatamente aqui e agora, estará experienciando o fim de um mundo de pura ilusão.

sexta-feira, dezembro 23, 2011

Natal

Joel S. Goldsmith

Uma mensagem de Natal deve ser uma mensagem de paz, em que nossos pensamentos se voltam do conceito de paz que o mundo busca, para a realização da verdadeira paz, “a Minha paz”, que vem assim que os homens se encontram prontos a recebê-la.

O mundo busca uma paz que jamais pode ser encontrada, enquanto o senso de paz estiver baseado na cessação de guerra. Esta paz, ainda quando esteja realizada, é temporária, pois está baseada somente em conferências e relacionamentos entre homens e nações. A verdadeira paz é consumada, exclusivamente, quando nos despimos da armadura da carne, no momento em que deixamos de erguer a espada em defesa dos temores e ódios do mundo e cessamos de guerrear com as condições terrenas.

A paz duradoura reina somente quando os relacionamentos entre os homens estão alicerçados na conexão de cada um com Deus. A paz é realizada quando nos encontramos unidos com nossos companheiros através da experiência da vivência de Deus. A paz é alcançada quando contemplamos antes o Filho de Deus governando nossa vida e, em seguida, também a de nosso irmão.

O mundo está procurando a paz “lá fora”, mas ela deve ser encontrada dentro do nosso próprio ser individual, na medida em que hospedamos o Príncipe da Paz. Portanto, deixemos de procurar a paz que “o mundo está buscando” e empenhemo-nos em encontrar “A paz de Deus que ultrapassa todo entendimento humano”. “A Minha Paz vos deixo, a Minha Paz vos dou: não como o mundo vos dá. Que não se turvem vossos corações e nem se receiem”. (Ler Isaías 42: 1-9, em seguida, Isaías 61-62: 1-4 e 62: 12).

As advertências, e as promessas do Velho Testamento, são muitas vezes mal interpretadas, como se fossem dirigidas a algum homem em particular ou a uma determinada raça. Os amigos Hebreus consideravam-se filhos de Deus, distintos e favorecidos por Ele; tal má interpretação levou à adoração de certas pessoas chamadas de salvadores, como se fossem, por si mesmas, o Cristo. Isto gerou o sectarismo em determinadas religiões, com limitadas diferenças e inimizades.

Deus não ungiu especificamente um homem ou um povo: Deus tem ungido o Seu Bem-amado, o Cristo. O Cristo é uma entidade espiritual, um impulso espiritual – Um espírito que está no homem. É Ele que, em nós, é abençoado, ungido e sustentado pelo Pai.

Ocasionalmente, este divino Impulso Espiritual, o Cristo, se manifesta de uma forma mais pronunciada num indivíduo aqui, noutro acolá; porém, Ele existe na consciência de cada um, na face do globo terrestre. Chega um período específico. na vida de cada indivíduo, em que ele recebe a anunciação espiritual e então o Cristo é concebido, nutrido e desenvolvido. Num dia de Natal, o Cristo nasce; em outras palavras, a presença do Cristo é realizada dentro do nosso ser.

O nascimento de Cristo não ocorre cronologicamente no dia 25 de dezembro nem em lugares de terras santas, mas ocorre, sim, na consciência elevada do indivíduo. Este estado de consciência elevado é a Cidade Santa – a cidade cuja busca foi esquecida, o lugar de nascimento e o lugar onde habita o Cristo. Onde quer que o Espírito de Deus apareça na consciência humana, todas as bênçãos e profecias em relação aos ricos frutos do Cristo se evidenciam.

Na luz do Cristo, o cenário humano se revela como algo fantástico. É somente depois da realização do Cristo em consciência, que o sentido profundo da verdadeira humildade é compreendido. Antes desse acontecimento, sempre haverá um sentido pessoal do ego; mas, com o nascimento do Cristo, todo sentido de exibição pessoal, todo desejo de algo ou de alguém, e toda a espécie de ambição humana são perdidos. A partir desse ponto de transição em consciência, onde havia necessidades, desejos pessoais ou uma vida incompleta, passa-se a não mais ter uma vida própria para ser plenificada com seus apegos e suas necessidades de êxitos e sucessos. Neste estado de consciência não existe nem mais um senso de necessidade de Deus, porque há a realização de se contemplar Deus agindo através de si. Esta atividade nunca é para benefício pessoal, mas se torna uma bênção para aqueles que ainda não experienciaram a concepção e o nascimento de Cristo dentro do seu próprio ser e, portanto, não realizaram a natureza universal de Cristo.

Elias revelou a natureza do Cristo como sendo a “pequenina e silenciosa voz” que está dentro e ao alcance de cada indivíduo que se torna receptivo a ouvir; Daniel revelou o Cristo como uma “pedra cortada da montanha sem mãos”. Nas palavras de Isaías (42; 2-4): “Não chamará, não se exaltará, nem fará ouvir sua voz na praça. A cana trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega; em verdade, produzirá o juízo”. Quando Cristo Jesus falava daqueles que “tinham olhos, mas não viam”, referia-se a uma capacidade interna que contempla aquilo que jamais os olhos humanos seriam capazes de captar.

A natureza do Cristo é uma atividade espiritual, totalmente sem cumprimento físico, assim mesmo suficiente para destruir os quatro reinos temporais. As palavras e os pensamentos de Elias, de Daniel, Isaías e outras grandes personagens bíblicas, transitam no meu ser e se unem na revelação de uma Essência espiritual única, de uma Presença e de um Poder. Mesclados com estes pensamentos estão também os das crianças que vêm ao mundo com deficiências. Estas crianças, com seus clamores, indagam: “por que isto?, por que eu?, por que comigo?”, e suas vozes penetram a consciência da Terra, e esta não tem resposta aos seus problemas e às suas necessidades de cura. Um clamor semelhante se faz dos povos do mundo inteiro, ansiosos por uma cessação de guerras e esperançosos de uma paz mundial, e a Terra também não tem resposta para eles.

Mas há uma resposta! A resposta é o Cristo! Cristo é a influência espiritual dentro de você, de mim e de todas as almas e corações abertos para a anunciação, para a experiência da concepção e nascimento do Cristo. O Espírito do Senhor Deus Todo-poderoso está sobre o Cristo do seu ser individual e esta suave Presença é manifestada, não pela força e nem pelo poder, mas sim pela unção do próprio Espírito.

É este Cristo a resposta à paz mundial, assim como também é a resposta a todos aqueles pequeninos que clamam por suas heranças divinas de saúde, harmonia e plenitude.

A maior missão do Cristo é curar o mundo, portanto, se torna necessário, para aqueles que sentiram o toque do Cristo para servir, abrir caminho para a atividade do Cristo, que é permear a consciência humana com o conhecimento e o amor do Cristo. A prece é o canal ativo em nossa consciência, que traz a Presença e o Poder de Deus aos afazeres humanos.

Eventualmente você poderá receber pedidos para uma ajuda específica; e, para estar preparado, é preciso aprender a manter a comunhão com o Príncipe da Paz, com nenhum outro propósito a não ser o da própria comunhão com Ele. Você deve reservar períodos todos os dias para a meditação e nesses momentos se isentar de qualquer preocupação com os problemas relacionados com sua própria vida. Sua única razão para meditar deve ser experienciar em consciência a comunhão com Deus.

Nesta comunhão, a atividade de Cristo em você se torna o agente curador por todos aqueles que lhe solicitem ajuda.

Pensem acerca da consciência curadora que pode ser suscitada no mundo, quando cada estudante da verdade se conscientizar, em primeiro lugar, que “o único filho bem-amado, que está no âmago do Pai”, é o Cristo do seu ser individual.

Tudo que o Pai tem, está derramado sobre esta Centelha divina, vital, eterna e imortal, e o lugar onde Ele habita é dentro de você, em sua consciência!

Lembre-se sempre de que “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estarei no meio deles”.

A atividade amorosa do Cristo, em você, é suficiente para derrubar os reinos temporais. Mas, uma coisa é exigida: cada Cristo deve ter o seu Jesus. A criança espiritual deve ter o Seu representante na Terra, e Ela deve ser liberada ao mundo através da conscientização daquelas pessoas que chegaram a realizar o Cristo em si mesmas.

É nossa função recolhermo-nos, diariamente, sem nunca falhar, com o propósito de receber o Príncipe da Paz e, dessa forma, criar-Lhe a possibilidade de atuar em nossos negócios e relacionamentos humanos.

Não é necessário dirigi-Lo ou esclarecê-Lo; a nossa parte consiste em esperar, silenciosamente, sem esforço e sem poder, e deixá-Lo ocupar nossa consciência! Você pode vislumbrar o que acontece, quando o Cristo realmente realizado começa a tocar a consciência de todas as pessoas na Terra, removendo delas as causas e os efeitos do erro humano? O Cristo, ao nos tocar a consciência, liberta-nos dos ódios e dos medos do mundo, abençoando assim inúmeras pessoas.

A prece feita dessa forma nos abre à visitação e à comunhão com o Príncipe da Paz, fazendo de nossa consciência a Cidade Santa, onde o Cristo habita, e através da qual Ele acha o caminho de entrada em todas as consciências humanas.

Enquanto a videira recebe a sua substância pelo Pai, cada galho está sendo alimentado. O Santo de Israel, o Espírito de Deus no homem, o Cristo, está sempre presente, porém, disponível somente na medida em que nos abrimos para recebê-Lo, deixando-O em nós habitar. Nosso único propósito, ao entrarmos em comunhão com o Cristo, é o de Lhe propiciar uma entrada ao mundo, para que possam ser demolidas as crenças humanas cristalizadas e ser estabelecido o Reino de Deus sobre a Terra.

Saibamos que não nos cabe um trabalho pessoal, temos somente que nos aquietar e “deixar fluir”.

No verdadeiro sentido da humildade, não há um “eu” dirigindo esta atividade; ao contrario, há um sentimento profundo de paz e quietude, onde nos tornamos exclusivamente desejosos de deixar o Cristo se encarregar dos negócios do Pai.

Nunca você ou eu poderemos nos ocupar dos negócios do Pai – somente o Cristo pode executar as funções de Deus sobre a Terra, estabelecendo Seu reino nos corações de todos aqueles que são receptivos e responsivos à Sua presença curadora.

E assim, no dia de Natal, façamos votos de boa sorte ao Príncipe da Paz em Sua jornada de amor nas consciências humanas, de modo que cada indivíduo que tenha seu pensamento e mente, Espírito e Alma, abertos à concepção e nascimento de Cristo, possa conhecer essa Presença amorosa capaz de lançar a paz na Terra e a boa vontade entre os homens.


quarta-feira, dezembro 21, 2011

Despertar é saber que jamais adormeceu!

Dárcio Dezolt

“Estivestes comigo desde o princípio”, disse Jesus. Revelava a Mente única e já-desperta em todos os seres, formando a Unidade Perfeita chamada “Deus”. Assim como a Mente é única, o “Estado Desperto” é único e permanente! Se a Mente dormisse por um segundo, o caos universal se estabeleceria!

Uma ilusão de massa faz parecer que “alguém precise despertar”. Por isso é chamada “ilusão de massa”: não existe mente alguma para despertar! A Mente única, divina, já é Desperta!

Uma pessoa perguntou-me: “Isto que você fala, você já experienciou?”. Ao afirmar que sim, eu completei: “E TODOS O ESTÃO EXPERIENCIANDO AGORA! Porque a Mente ÚNICA é onipresente, e não experiencia nada por “pedaços”. Quando você deixar a “crença” de que possui mente humana, aceitando a Mente única e infinita sendo a “sua”, perceberá que “o estado búdico”, ou “estado paradisíaco”, é a condição PERMANENTE tanto sua como de todos os integrantes do Universo real”.

“Crença” em mente humana não o faz possuí-la jamais! Tal fenômeno jamais poderia ter realidade, uma vez que implicaria a ausência da Mente divina! Que significa “despertar espiritualmente”? Significa VOCÊ perceber que JAMAIS ADORMECEU! Nada mais que isto! Jamais existiu “alguém para despertar”: DEUS É TUDO, fato eterno que INCLUI VOCÊ!

terça-feira, dezembro 20, 2011

Deus: tão distante e tão próximo!

Dárcio Dezolt


Observando como atua o hipnotismo, podemos entender como Deus, sendo onipresente -- e, mais que isso, sendo o Ser que somos --, pode aparentar estar distante! A iludível mente humana não merece confiança alguma, sendo meramente um falso instrumento de captação da Existência. O que ela nos mostra é um “filme tridimensional” em contínua manifestação, com efeito hipnótico no sentido de nos prender a atenção em suas imagens a ponto de considerá-las realidades. E é quando ouvimos alguém dizer, diante de alguma situação desarmônica: “Fazer o quê? Temos de encarar a realidade!

Há tempos, conheci uma senhora que fazia tratamento através de hipnose. Quando ela estava sob efeito do transe hipnótico, deixou de ver-me, mesmo estando eu ao lado dela e do hipnotizador. E ela recebia do hipnotizador a seguinte sugestão: “A senhora está somente vendo a mim e a mais ninguém! Constate isto por si mesma!”. E ela olhava bem pela sala toda, corria os olhos em minha direção como não vendo nada de minha presença! Para ela, eu não somente estava invisível, como também ausente! Em seguida, recebeu outra sugestão: “Suas pálpebras estão coladas e não poderá abrir os olhos! Tente abri-los!” E aquela senhora se esforçava para “descolar as pálpebras”, sem o conseguir! Tão logo as sugestões hipnóticas se encerraram, ela abriu os olhos normalmente!

Quando lemos, nos artigos sobre a Verdade, que “este mundo é pura sugestão hipnótica” e que, de fato, estamos todos vivendo no Reino de Deus e como a própria Presença divina, o propósito é unicamente o de “percebermos” que a Verdade é verdadeira, e que a “imagem hipnótica”, chamada “este mundo”, é uma ILUSÃO! Assim como aquela senhora não me via e não podia sequer abrir suas pálpebras, em decorrência de atuar sobre ela uma SUGESTÃO HIPNÓTICA, a humanidade se oprime e vive tolhida pela HIPNOSE DE MASSA, que ilusoriamente a limita a um “mundo de três dimensões” constituído de “matéria” e com o “bem e o mal” ali se expondo! Esta ILUSÃO aparentemente oculta a ONIPRESENÇA DA PERFEIÇÃO, assim como a hipnose me ocultou aos olhos daquela senhora!

Quando você entender o sentido do uso da expressão “HIPNOSE DE MASSA”, neste estudo, assim como pôde entender a maneira com que “eu sumi” para a senhora hipnotizada, VOCÊ ENTENDERÁ QUE DEUS É TUDO, INCLUSIVE VOCÊ! E nunca mais fará orações ou meditações para curar ou melhorar algo da Existência! Sua única “ocupação” será “não se deixar hipnotizar” pelas falsidades chamadas de “mundo terreno”.

Dentro da “hipnose de massa”, Deus lhe parecerá distante! Por desmascará-la, Deus lhe estará à mão! Lembre-se: este estudo se reduz a isto: reconhecer que DEUS É TUDO, e que a suposta “mente hipnotizada” para ver mundo material não existe! Não pode, portanto, estar sendo a sua mente! Deus é Mente única, contempla unicamente o Universo espiritual de Perfeição absoluta, e “sua parte” é aceitar, reconhecer e discernir, em SI PRÓPRIO, a ação desta Mente única onipresente.


"Perceber que estamos agindo em sonho é o começo do despertar. Não espere que o poder de Deus atue no sonho, mas, antes, que desfaça o sonho." (Joel Goldsmith)

"Não busque o contato com Deus para que Ele ajuste, modifique ou sane o sonho. A conscientização ou compreensão de Deus desfaz o sonho." (Joel Goldsmith)

"Tenha certeza de que sua oração não seja uma tentativa de melhorar o universo de Deus." (Joel Goldsmith)

sábado, dezembro 17, 2011

Esclarecimentos profundos sobre a Verdade - 2/2


Masaharu Taniguchi


PERGUNTA

Sassaki -
Concordo plenamente com o senhor, no tocante à visão de que o bem está intrinsecamente ligado à felicidade, e o mal, ao sofrimento. Os conceitos morais até hoje conhecidos tendem a enaltecer os sofrimentos, o que eu considero um grande erro. Costumo referir-me à moralidade como sendo "o caminho feliz". Penso que o modo de viver da Seicho-no-ie é expansão desse caminho feliz. Estou plenamente de acordo também com o modo de viver da Seicho-no-ie, que consiste em viver segundo a Verdade, cuidando da vida cotidiana com a mente alegre. Acredito sinceramente que considerar rotineiro ou sem sentido o trabalho ou a própria existência é um artifício da mente. Por isso, quando algo que faço me parece sem sentido, reflito que isso é devido à falha de minha própria mente e empenho-me em corrigí-la. Tenho certeza de que Deus criou todas as coisas de modo que trabalhássemos com alegria e reverência. Portanto, faço o possível para afastar o pensamento de que o meio em que vivo e o meu trabalho sao aborrecidos.

A "realidade tal como é", de que estou falando, não é, em absoluto, aquilo que é apreensível aos sentidos como a pedra, a água, etc. Minha crença fundamental é a de que tudo neste mundo surge com o "colorido" que nossa mente em ilusão lhes atribui (à água, à pedra, etc.). A realidade pura, que está além dos coloridos atribuidos pela nossa mente subjetiva, não pode, em absoluto, ser conhecida através do "eu" constituído de cinco sentidos. Nós, seres humanos, vivemos alegres ou tristes vendo o que nós mesmos pintamos. Portanto, penso que a verdadeira salvação consiste em "apagar" o quadro pintado pela nossa própria mente.

A realidade que só se revela quando eliminamos o colorido atribuído pela mente - ou seja, os artifícios da mente -, essa é que é a "realidade tal como é", a que estou me referindo. É a realidade que só podemos conhecer no estado de total comunhão do mundo interior com o exterior, no estado em que não há o confronto entre "aquele que apreende" e "aquilo que é apreendido". Em última análise, o que apreendemos como realidade não é a "realidade tal como é". A "realidade tal como é" a que me refiro é anterior à percepção por parte da mente humana. penso, pois, que tudo aquilo que ora se apresenta aos nossos olhos, isto é, que é apreendido por nossos sentidos, não passa de imagem resultante do colorido que nossa própria mente atribuiu à realidade propriamente dita. será que é a essa imagem que o senhor se refere como sendo "projeção distorcida do Jissô"? Essa é a questão. A "realidade tal como é" (o Jissô), a que me refiro, não é realidade distinta e separada dos fatos concretos a que estamos presenciando, mas também não é a própria realidade percebida pela nossa mente. Penso que, quando penetramos no Jissô através do despertar, simplesmente passamos a reverenciar todos os seres e todas as coisas do universo, e isso é feito natural e espontaneamente. Creio que a negação de tudo quanto é apreensível aos sentidos, pregada pela Seicho-no-ie, identifica-se com a minha negação da realidade aparente, como sendo resultado do colorido atribuído pela mente. O Jissô de que falo persiste em nós, seja nas dores ou na alegria; se ele não é percebido, é apenas porque está oculto sob a capa da dor ou da alegria. A maioria das pessoas, face a um sofrimento, vê apenas a realidade da dor. Mas eu acredito que uma mesma realidade da dor encerra duas realidades: a realidade pura que transcende as dores e a realidade aparente que se apresenta a nível dos sentidos. Por isso,meus esforços de auto-aprimoramento têm-se concentrado em superar a realidade aparente - ou, em outras palavras, apagar o colorido atribuído pela mente.

Segundo o meu conceito de Jissô (realidade pura), mesmo estando-s doente, é possível superar a doença, ainda que não ocorra a cura. Chamo isso de "felicidade fundamental". O mesmo se aplica às vicissitudes da vida em geral. Superando-se o fato tal como ele se apresenta, ocorre a cura da doença ou a melhora da situação, e chamo isso de "felicidade secundária". A "felicidade secundária" vem gradativamente. Assim, superando-se primeiramente a doença pela conscientização da verdadeira natureza humana isenta de doença e morte, começa, depois, a ocorrer gradativamente a cura da doença, e consegue-se a longevidade. A "felicidade fundamental" é algo que pode ser alcançado mesmo estando-se no meio de adversidades. Mas, ocorrendo tal conscientização, essas adversidades também desaparecem naturalmente. Eu faço questão de traçar clara distinção entre a "felicidade fundamental" e a "felicidade secundária". A primeira pode ser alcançada igualmente por todas as pessoas, mas quanto à segunda há diferença de pessoa para pessoa.

Tendo lido A Verdade da Vida e tendo ouvido agora há pouco as explanações suas, constatei muita identidade entre o modo de viver preconizdo pela Seicho-no-ie e o meu próprio modo de viver, e isso me deixou bastante entusiasmado. Porém, há um ponto com o qual não posso concordar plenamente. O senhor tem afirmado, com demasiada ênfase, que a felicidade surge imediatamente na vida real com consequência do repentino despertar espiritual, mas eu acho que isso tende a suscitar a ideia de que a felicidade neste mundo seja algo absoluto. Se é que simultaneamente ao despertar espiritual manifesta-se a total felicidade neste mundo, obviamente a pessoa nunca mais haveria de ficar doente nem sofreria a morte física. Eu penso que a inexistência absoluta da doença e da morte só se verfica a nível da conscientização do Jissô. Obviamente, essa conscientização influencia o corpo humano e age sobre a matéria, e a felicidade vai se concretizando naturalmente, tornando-se possível que a pessoa fique relativamente livre de doenças e que sua vida alcance relativa longevidade. Mas isso é sempre relativo. Quando sentimos a felicidade íntima proveniente da conscientização de nossa essência eterna e perfeita, deixamos de dar exagerada importância às agruras e alegrias desta vida, e justamente por isso os altos e baixos da maré da vida vai se amainando naturalmente. Meu desejo é levar uma vida de serena alegria, baseada na conscientização de nossa essência eterna e perfeita, sem me preocupar nem mesmo em amainar os altos e baixos da maré da vida.

No meu presente estado espiritual, prefiro apreender o Jissô, penetrando fundo no sofrimento, em vez de descartar o sofrimento como sombra da mente. Quero crer que "Deus estpa presente também no meio das dificuldades". Em outras palavras, sei que existem dois caminhos, um que consiste em descartar os sofrimentos considerando-os ilusões, e outro que consiste em mergulhar fundo neles, para depois superá-los e alcançar a alegria eterna, e, pelo menos por enquanto, eu prefiro este último caminho.


RESPOSTA:

Taniguchi -
Os ensinamentos da Seicho-no-ie são fáceis e difíceis, ao mesmo tempo. Isto é, são aparentemente fáceis, mas, na verdade encerram pensamentos muito profundos. Assim sendo, entre os simpatizantes da Seicho-no-ie, há os que concordam com a doutrina, tendo-a compreendido apenas superficialmente, e outros que, tendo-a apreendido em maior profundidade, fazem perguntas para esclarecer eventuais dúvidas. O senhor, sr. Sassaki, pertence a este último grupo.

Alegra-me muito que o senhor esteja de acordo com os ensinamentos da Seicho-no-ie, no tocante a seus pontos essenciais, difíceis de compreender. talvez nos divirjamos quanto à maneira de explicar, pois o senhor fala em "superar o sofrimento admitindo-o tal como ele está manifestado", o que é mais um modo de dizer que é preciso superar o sofrimento depois de admitir a sua existência, ao passo que eu digo que o sofrimento não existe verdadeiramente porque é apenas ilusão ("um aspecto resultante do colorido atribuído pela mente", conforme o senhor disse), e afirmo que não é preciso nem se pode superar o sofrimento, porque ele não existe. Ao fato de alguém estar doente e não se prender a doença diz-se "transcender a doença". Todavia, se a doença não existe, não há necessidade de transcendê-la. somos originariamente isentos de doença. Mesmo que a doença pareça existir, ela não passa de ilusão (falso aspecto) resultante do colorido atribuído pela mente. Pode-se dizer que o próprio fato de admitir o confronto entre o Jissô (existência verdadeira) e o falso aspecto é ilógico, pois existe unicamente o Jissô.

Algumas pessoas, admitindo a doença e o sofrimento como existências verdadeiras, acreditam haver um sentido neles e concluem: "A doença e o sofrimento são realidades, nas quais Deus está presente e, portanto, são bênçãos; a mente que não os aceita como bênçãos é a mente em ilusão". Quem pensa assim faz com que seu subconsciente crie afinidade com doença, sofrimento, pobreza, etc., e passa a ter uma atitude mental negativa como a de atrair por si mesmo a doença e sentir uma espécie de prazer no ato de ficar doente. Nos casos extremos, a pessoa pode tornar-se tal qual São Francisco de Assis, que apesar de ter sido um santo de extraordinárias virtudes, deixou-se dominar pela ideia de aceitar prazerosamente os sofrimentos, passou a orar para que fosse permitido experimentar as mesmas dores que Jesus Cristo suportou, e finalmente passou a apresentar em seu corpo as marcas das cinco chagas de Cristo. As pessoas relgiosas que buscam sua realização pessoal nos sofrimentos e nas doenças passam a sentir prazer em contrair doenças, em vez de manifestar em seu corpo o aspecto perfeito do seu eu verdadeiro originariamente isento de sofrimentos, doenças e iniquidades. Assim, passam a procurar atrair, intencionalmente, a doença e a miséria, que as pessoas comuns abominam. Na verdade, tanto aquelas pessoas como estas últimas estão presas à matéria, de uma ou de outra forma. Se despertarem para a Verdade de que "o corpo carnal é apenas uma sombra projetada pela mente e, portanto, não é existência real", compreenderão que a doença e todos os demais sofrimentos referentes ao corpo carnal também não existem realmente. E, já que não tem sentido acreditar naquilo que não existe, não mais sentirão necessidade de fugir dos sofrimentos, nem de enaltecê-los e desejar que eles venham. Então, terã transcendido realmente os sofrimentos.

Contudo, observandoo mundo fenomênico, constatamos a manifestação de sofrimentos, doenças, etc., e isso é um fato que não podemos negar. No estado subsequente ao "despertar repentino" a que o senhor se refere, a pessoa passa a viver, durante algum tempo, num mundo dualístico em que, de um lado, se reconhece a perfeição do seu eu verdadeiro e, do outro, se vê a doença (aspecto aparente). E, no processo em que o aspecto aparente vai cedendo lugar à perfeição do eu verdadeiro, a pessoa vai vencendo passo a passo as imperfeições fenomênicas e aproximando-se gradativamente da original perfeição do Jissô (eu verdadeiro) conforme o senhor mesmo disse. Completando-se esse processo, o homem atinge, finalmente, o estado em que "seu corpo tal como é, torna-se imortal". Nesse momento, seu corpo deixa de ser um simples corpo carnal e se transforma num corpo espiritual que supera as limitações físicas.

Na verdade, o corpo carnal, atualmente cheio de limitações e imperfeições, é produto da mente e é sustentado pela mente. Logo, com a transformação da mente que o sustenta, transformam-se também a natureza e o estado do corpo. Se alguém supõe que o corpo carnal em si seja imortal, é porque não sabe que o corpo carnal é projeção da mente. Se compreendesse que o corpo carnal é projeção da mente, compreenderia que o corpo está morrendo e nascendo a todo instante, isto é, transformando-se constantemente conforme a mudança da mente. Se a pessoa libertar sua mente da ilusão e conseguir apreender realmente a sua Essência, ocorrerá uma grande transformação também no corpo, que então se tornará um corpo espiritual e sublime. E quando tal corpo deixa este mundo, causa-nos a impressão de que morreu, mas isso não é morte; é evolução da natureza do corpo. Quando uma pessoa que alcançou o despertar liberta-se do corpo incômodo e passa para um estado espiritual e livre (nota: o autor não está se referindo a morte no sentido concebidos pelo espiritismo), diz-se que atingiu o nirvana. Isso difere totalmente do fato de alguém morrer doente, sem despertar, com a mente apegada ao corpo carnal por considerá-lo existência verdadeira. Aparentemente, os dois fatos parecem a mesma coisa, mas há grande diferença no seu conteúdo - a diferença é intrínseca. No primeiro caso, a pessoa, devido ao seu despertar, alcança um estado de total liberdade, enquanto que, no segundo, a pessoa permanece no estado de auto-prisão mental e continuará a sofrer reencarnando várias vezes, enquanto não despertar.

A parapsicologia está provando que, após o desencarne, o espírito continua possuindo um corpo imaterial, cujo grau de liberdade varia conforme o grau de despertar. A maioria dos espíritos que aparecem nas fotografias e sessões mediúnicas são os que ainda não alcançaram o estado de verdadeira liberdade, mas são uma prova de que existe corpo espiritual, que é bem mais livre do que o corpo carnal.

Bem, retomando o tema principal, devo esclarecer que o modus vivendi da Seicho-no-ie baseia-se na compreensão de que este mundo visível é mundo da projeção da mente e que, justamente por ser uma imagem projetada, melhora quando se aperfeiçoa a mente, que é o filme. Obviamente, o aperfeiçoamento do mundo projetado é secundário, e não o consideramos mais importante que a apreensão do mundo do Jissô (mundo verdadeiro e absoluto), que é fundamental. Entretanto, a maioria das pessoas está interessada no aperfeiçoamento do mundo fenomênico e pouco lhe interessa um apelo como "Não se apegue ao mundo fenomênico porque ele não é existência verdadeira", pois este soa como algo despropositado e alheio à vida real do cotidiano. Por esse meio, é difícil conduzir as pessoas à compreensão da Verdade. Então a Seicho-no-ie diz: "Se você prentende aperfeiçoar sua vida neste mundo fenomênico, deve ajustar o 'filme' mental porque este mundo é projeção da mente". Assim, as pessoas, ajustando a mente e vendo sua situação material melhorar de fato, convencem-se: "Realmente, este mundo é mera projeção da mente".

Até agora, a maioria das seitas budistas aconselhava: "Rejeite o mundo fenomênico porque ele é mera imagem projetada". Mas eu digo que não é preciso rejeitá-lo, justamente porque é mera imagem projetada. A Seicho-no-ie permite aperfeiçoar o mundo da projeção e por esse meio conduz as pessoas à compreensão do mundo verdadeiro, o Jissô.

(Do livro "A Verdade da Vida, vol. 12", pgs. 33-41)