"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

sexta-feira, dezembro 23, 2011

Natal

Joel S. Goldsmith

Uma mensagem de Natal deve ser uma mensagem de paz, em que nossos pensamentos se voltam do conceito de paz que o mundo busca, para a realização da verdadeira paz, “a Minha paz”, que vem assim que os homens se encontram prontos a recebê-la.

O mundo busca uma paz que jamais pode ser encontrada, enquanto o senso de paz estiver baseado na cessação de guerra. Esta paz, ainda quando esteja realizada, é temporária, pois está baseada somente em conferências e relacionamentos entre homens e nações. A verdadeira paz é consumada, exclusivamente, quando nos despimos da armadura da carne, no momento em que deixamos de erguer a espada em defesa dos temores e ódios do mundo e cessamos de guerrear com as condições terrenas.

A paz duradoura reina somente quando os relacionamentos entre os homens estão alicerçados na conexão de cada um com Deus. A paz é realizada quando nos encontramos unidos com nossos companheiros através da experiência da vivência de Deus. A paz é alcançada quando contemplamos antes o Filho de Deus governando nossa vida e, em seguida, também a de nosso irmão.

O mundo está procurando a paz “lá fora”, mas ela deve ser encontrada dentro do nosso próprio ser individual, na medida em que hospedamos o Príncipe da Paz. Portanto, deixemos de procurar a paz que “o mundo está buscando” e empenhemo-nos em encontrar “A paz de Deus que ultrapassa todo entendimento humano”. “A Minha Paz vos deixo, a Minha Paz vos dou: não como o mundo vos dá. Que não se turvem vossos corações e nem se receiem”. (Ler Isaías 42: 1-9, em seguida, Isaías 61-62: 1-4 e 62: 12).

As advertências, e as promessas do Velho Testamento, são muitas vezes mal interpretadas, como se fossem dirigidas a algum homem em particular ou a uma determinada raça. Os amigos Hebreus consideravam-se filhos de Deus, distintos e favorecidos por Ele; tal má interpretação levou à adoração de certas pessoas chamadas de salvadores, como se fossem, por si mesmas, o Cristo. Isto gerou o sectarismo em determinadas religiões, com limitadas diferenças e inimizades.

Deus não ungiu especificamente um homem ou um povo: Deus tem ungido o Seu Bem-amado, o Cristo. O Cristo é uma entidade espiritual, um impulso espiritual – Um espírito que está no homem. É Ele que, em nós, é abençoado, ungido e sustentado pelo Pai.

Ocasionalmente, este divino Impulso Espiritual, o Cristo, se manifesta de uma forma mais pronunciada num indivíduo aqui, noutro acolá; porém, Ele existe na consciência de cada um, na face do globo terrestre. Chega um período específico. na vida de cada indivíduo, em que ele recebe a anunciação espiritual e então o Cristo é concebido, nutrido e desenvolvido. Num dia de Natal, o Cristo nasce; em outras palavras, a presença do Cristo é realizada dentro do nosso ser.

O nascimento de Cristo não ocorre cronologicamente no dia 25 de dezembro nem em lugares de terras santas, mas ocorre, sim, na consciência elevada do indivíduo. Este estado de consciência elevado é a Cidade Santa – a cidade cuja busca foi esquecida, o lugar de nascimento e o lugar onde habita o Cristo. Onde quer que o Espírito de Deus apareça na consciência humana, todas as bênçãos e profecias em relação aos ricos frutos do Cristo se evidenciam.

Na luz do Cristo, o cenário humano se revela como algo fantástico. É somente depois da realização do Cristo em consciência, que o sentido profundo da verdadeira humildade é compreendido. Antes desse acontecimento, sempre haverá um sentido pessoal do ego; mas, com o nascimento do Cristo, todo sentido de exibição pessoal, todo desejo de algo ou de alguém, e toda a espécie de ambição humana são perdidos. A partir desse ponto de transição em consciência, onde havia necessidades, desejos pessoais ou uma vida incompleta, passa-se a não mais ter uma vida própria para ser plenificada com seus apegos e suas necessidades de êxitos e sucessos. Neste estado de consciência não existe nem mais um senso de necessidade de Deus, porque há a realização de se contemplar Deus agindo através de si. Esta atividade nunca é para benefício pessoal, mas se torna uma bênção para aqueles que ainda não experienciaram a concepção e o nascimento de Cristo dentro do seu próprio ser e, portanto, não realizaram a natureza universal de Cristo.

Elias revelou a natureza do Cristo como sendo a “pequenina e silenciosa voz” que está dentro e ao alcance de cada indivíduo que se torna receptivo a ouvir; Daniel revelou o Cristo como uma “pedra cortada da montanha sem mãos”. Nas palavras de Isaías (42; 2-4): “Não chamará, não se exaltará, nem fará ouvir sua voz na praça. A cana trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega; em verdade, produzirá o juízo”. Quando Cristo Jesus falava daqueles que “tinham olhos, mas não viam”, referia-se a uma capacidade interna que contempla aquilo que jamais os olhos humanos seriam capazes de captar.

A natureza do Cristo é uma atividade espiritual, totalmente sem cumprimento físico, assim mesmo suficiente para destruir os quatro reinos temporais. As palavras e os pensamentos de Elias, de Daniel, Isaías e outras grandes personagens bíblicas, transitam no meu ser e se unem na revelação de uma Essência espiritual única, de uma Presença e de um Poder. Mesclados com estes pensamentos estão também os das crianças que vêm ao mundo com deficiências. Estas crianças, com seus clamores, indagam: “por que isto?, por que eu?, por que comigo?”, e suas vozes penetram a consciência da Terra, e esta não tem resposta aos seus problemas e às suas necessidades de cura. Um clamor semelhante se faz dos povos do mundo inteiro, ansiosos por uma cessação de guerras e esperançosos de uma paz mundial, e a Terra também não tem resposta para eles.

Mas há uma resposta! A resposta é o Cristo! Cristo é a influência espiritual dentro de você, de mim e de todas as almas e corações abertos para a anunciação, para a experiência da concepção e nascimento do Cristo. O Espírito do Senhor Deus Todo-poderoso está sobre o Cristo do seu ser individual e esta suave Presença é manifestada, não pela força e nem pelo poder, mas sim pela unção do próprio Espírito.

É este Cristo a resposta à paz mundial, assim como também é a resposta a todos aqueles pequeninos que clamam por suas heranças divinas de saúde, harmonia e plenitude.

A maior missão do Cristo é curar o mundo, portanto, se torna necessário, para aqueles que sentiram o toque do Cristo para servir, abrir caminho para a atividade do Cristo, que é permear a consciência humana com o conhecimento e o amor do Cristo. A prece é o canal ativo em nossa consciência, que traz a Presença e o Poder de Deus aos afazeres humanos.

Eventualmente você poderá receber pedidos para uma ajuda específica; e, para estar preparado, é preciso aprender a manter a comunhão com o Príncipe da Paz, com nenhum outro propósito a não ser o da própria comunhão com Ele. Você deve reservar períodos todos os dias para a meditação e nesses momentos se isentar de qualquer preocupação com os problemas relacionados com sua própria vida. Sua única razão para meditar deve ser experienciar em consciência a comunhão com Deus.

Nesta comunhão, a atividade de Cristo em você se torna o agente curador por todos aqueles que lhe solicitem ajuda.

Pensem acerca da consciência curadora que pode ser suscitada no mundo, quando cada estudante da verdade se conscientizar, em primeiro lugar, que “o único filho bem-amado, que está no âmago do Pai”, é o Cristo do seu ser individual.

Tudo que o Pai tem, está derramado sobre esta Centelha divina, vital, eterna e imortal, e o lugar onde Ele habita é dentro de você, em sua consciência!

Lembre-se sempre de que “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estarei no meio deles”.

A atividade amorosa do Cristo, em você, é suficiente para derrubar os reinos temporais. Mas, uma coisa é exigida: cada Cristo deve ter o seu Jesus. A criança espiritual deve ter o Seu representante na Terra, e Ela deve ser liberada ao mundo através da conscientização daquelas pessoas que chegaram a realizar o Cristo em si mesmas.

É nossa função recolhermo-nos, diariamente, sem nunca falhar, com o propósito de receber o Príncipe da Paz e, dessa forma, criar-Lhe a possibilidade de atuar em nossos negócios e relacionamentos humanos.

Não é necessário dirigi-Lo ou esclarecê-Lo; a nossa parte consiste em esperar, silenciosamente, sem esforço e sem poder, e deixá-Lo ocupar nossa consciência! Você pode vislumbrar o que acontece, quando o Cristo realmente realizado começa a tocar a consciência de todas as pessoas na Terra, removendo delas as causas e os efeitos do erro humano? O Cristo, ao nos tocar a consciência, liberta-nos dos ódios e dos medos do mundo, abençoando assim inúmeras pessoas.

A prece feita dessa forma nos abre à visitação e à comunhão com o Príncipe da Paz, fazendo de nossa consciência a Cidade Santa, onde o Cristo habita, e através da qual Ele acha o caminho de entrada em todas as consciências humanas.

Enquanto a videira recebe a sua substância pelo Pai, cada galho está sendo alimentado. O Santo de Israel, o Espírito de Deus no homem, o Cristo, está sempre presente, porém, disponível somente na medida em que nos abrimos para recebê-Lo, deixando-O em nós habitar. Nosso único propósito, ao entrarmos em comunhão com o Cristo, é o de Lhe propiciar uma entrada ao mundo, para que possam ser demolidas as crenças humanas cristalizadas e ser estabelecido o Reino de Deus sobre a Terra.

Saibamos que não nos cabe um trabalho pessoal, temos somente que nos aquietar e “deixar fluir”.

No verdadeiro sentido da humildade, não há um “eu” dirigindo esta atividade; ao contrario, há um sentimento profundo de paz e quietude, onde nos tornamos exclusivamente desejosos de deixar o Cristo se encarregar dos negócios do Pai.

Nunca você ou eu poderemos nos ocupar dos negócios do Pai – somente o Cristo pode executar as funções de Deus sobre a Terra, estabelecendo Seu reino nos corações de todos aqueles que são receptivos e responsivos à Sua presença curadora.

E assim, no dia de Natal, façamos votos de boa sorte ao Príncipe da Paz em Sua jornada de amor nas consciências humanas, de modo que cada indivíduo que tenha seu pensamento e mente, Espírito e Alma, abertos à concepção e nascimento de Cristo, possa conhecer essa Presença amorosa capaz de lançar a paz na Terra e a boa vontade entre os homens.


quarta-feira, dezembro 21, 2011

Despertar é saber que jamais adormeceu!

Dárcio Dezolt

“Estivestes comigo desde o princípio”, disse Jesus. Revelava a Mente única e já-desperta em todos os seres, formando a Unidade Perfeita chamada “Deus”. Assim como a Mente é única, o “Estado Desperto” é único e permanente! Se a Mente dormisse por um segundo, o caos universal se estabeleceria!

Uma ilusão de massa faz parecer que “alguém precise despertar”. Por isso é chamada “ilusão de massa”: não existe mente alguma para despertar! A Mente única, divina, já é Desperta!

Uma pessoa perguntou-me: “Isto que você fala, você já experienciou?”. Ao afirmar que sim, eu completei: “E TODOS O ESTÃO EXPERIENCIANDO AGORA! Porque a Mente ÚNICA é onipresente, e não experiencia nada por “pedaços”. Quando você deixar a “crença” de que possui mente humana, aceitando a Mente única e infinita sendo a “sua”, perceberá que “o estado búdico”, ou “estado paradisíaco”, é a condição PERMANENTE tanto sua como de todos os integrantes do Universo real”.

“Crença” em mente humana não o faz possuí-la jamais! Tal fenômeno jamais poderia ter realidade, uma vez que implicaria a ausência da Mente divina! Que significa “despertar espiritualmente”? Significa VOCÊ perceber que JAMAIS ADORMECEU! Nada mais que isto! Jamais existiu “alguém para despertar”: DEUS É TUDO, fato eterno que INCLUI VOCÊ!

terça-feira, dezembro 20, 2011

Deus: tão distante e tão próximo!

Dárcio Dezolt


Observando como atua o hipnotismo, podemos entender como Deus, sendo onipresente -- e, mais que isso, sendo o Ser que somos --, pode aparentar estar distante! A iludível mente humana não merece confiança alguma, sendo meramente um falso instrumento de captação da Existência. O que ela nos mostra é um “filme tridimensional” em contínua manifestação, com efeito hipnótico no sentido de nos prender a atenção em suas imagens a ponto de considerá-las realidades. E é quando ouvimos alguém dizer, diante de alguma situação desarmônica: “Fazer o quê? Temos de encarar a realidade!

Há tempos, conheci uma senhora que fazia tratamento através de hipnose. Quando ela estava sob efeito do transe hipnótico, deixou de ver-me, mesmo estando eu ao lado dela e do hipnotizador. E ela recebia do hipnotizador a seguinte sugestão: “A senhora está somente vendo a mim e a mais ninguém! Constate isto por si mesma!”. E ela olhava bem pela sala toda, corria os olhos em minha direção como não vendo nada de minha presença! Para ela, eu não somente estava invisível, como também ausente! Em seguida, recebeu outra sugestão: “Suas pálpebras estão coladas e não poderá abrir os olhos! Tente abri-los!” E aquela senhora se esforçava para “descolar as pálpebras”, sem o conseguir! Tão logo as sugestões hipnóticas se encerraram, ela abriu os olhos normalmente!

Quando lemos, nos artigos sobre a Verdade, que “este mundo é pura sugestão hipnótica” e que, de fato, estamos todos vivendo no Reino de Deus e como a própria Presença divina, o propósito é unicamente o de “percebermos” que a Verdade é verdadeira, e que a “imagem hipnótica”, chamada “este mundo”, é uma ILUSÃO! Assim como aquela senhora não me via e não podia sequer abrir suas pálpebras, em decorrência de atuar sobre ela uma SUGESTÃO HIPNÓTICA, a humanidade se oprime e vive tolhida pela HIPNOSE DE MASSA, que ilusoriamente a limita a um “mundo de três dimensões” constituído de “matéria” e com o “bem e o mal” ali se expondo! Esta ILUSÃO aparentemente oculta a ONIPRESENÇA DA PERFEIÇÃO, assim como a hipnose me ocultou aos olhos daquela senhora!

Quando você entender o sentido do uso da expressão “HIPNOSE DE MASSA”, neste estudo, assim como pôde entender a maneira com que “eu sumi” para a senhora hipnotizada, VOCÊ ENTENDERÁ QUE DEUS É TUDO, INCLUSIVE VOCÊ! E nunca mais fará orações ou meditações para curar ou melhorar algo da Existência! Sua única “ocupação” será “não se deixar hipnotizar” pelas falsidades chamadas de “mundo terreno”.

Dentro da “hipnose de massa”, Deus lhe parecerá distante! Por desmascará-la, Deus lhe estará à mão! Lembre-se: este estudo se reduz a isto: reconhecer que DEUS É TUDO, e que a suposta “mente hipnotizada” para ver mundo material não existe! Não pode, portanto, estar sendo a sua mente! Deus é Mente única, contempla unicamente o Universo espiritual de Perfeição absoluta, e “sua parte” é aceitar, reconhecer e discernir, em SI PRÓPRIO, a ação desta Mente única onipresente.


"Perceber que estamos agindo em sonho é o começo do despertar. Não espere que o poder de Deus atue no sonho, mas, antes, que desfaça o sonho." (Joel Goldsmith)

"Não busque o contato com Deus para que Ele ajuste, modifique ou sane o sonho. A conscientização ou compreensão de Deus desfaz o sonho." (Joel Goldsmith)

"Tenha certeza de que sua oração não seja uma tentativa de melhorar o universo de Deus." (Joel Goldsmith)

sábado, dezembro 17, 2011

Esclarecimentos profundos sobre a Verdade - 2/2


Masaharu Taniguchi


PERGUNTA

Sassaki -
Concordo plenamente com o senhor, no tocante à visão de que o bem está intrinsecamente ligado à felicidade, e o mal, ao sofrimento. Os conceitos morais até hoje conhecidos tendem a enaltecer os sofrimentos, o que eu considero um grande erro. Costumo referir-me à moralidade como sendo "o caminho feliz". Penso que o modo de viver da Seicho-no-ie é expansão desse caminho feliz. Estou plenamente de acordo também com o modo de viver da Seicho-no-ie, que consiste em viver segundo a Verdade, cuidando da vida cotidiana com a mente alegre. Acredito sinceramente que considerar rotineiro ou sem sentido o trabalho ou a própria existência é um artifício da mente. Por isso, quando algo que faço me parece sem sentido, reflito que isso é devido à falha de minha própria mente e empenho-me em corrigí-la. Tenho certeza de que Deus criou todas as coisas de modo que trabalhássemos com alegria e reverência. Portanto, faço o possível para afastar o pensamento de que o meio em que vivo e o meu trabalho sao aborrecidos.

A "realidade tal como é", de que estou falando, não é, em absoluto, aquilo que é apreensível aos sentidos como a pedra, a água, etc. Minha crença fundamental é a de que tudo neste mundo surge com o "colorido" que nossa mente em ilusão lhes atribui (à água, à pedra, etc.). A realidade pura, que está além dos coloridos atribuidos pela nossa mente subjetiva, não pode, em absoluto, ser conhecida através do "eu" constituído de cinco sentidos. Nós, seres humanos, vivemos alegres ou tristes vendo o que nós mesmos pintamos. Portanto, penso que a verdadeira salvação consiste em "apagar" o quadro pintado pela nossa própria mente.

A realidade que só se revela quando eliminamos o colorido atribuído pela mente - ou seja, os artifícios da mente -, essa é que é a "realidade tal como é", a que estou me referindo. É a realidade que só podemos conhecer no estado de total comunhão do mundo interior com o exterior, no estado em que não há o confronto entre "aquele que apreende" e "aquilo que é apreendido". Em última análise, o que apreendemos como realidade não é a "realidade tal como é". A "realidade tal como é" a que me refiro é anterior à percepção por parte da mente humana. penso, pois, que tudo aquilo que ora se apresenta aos nossos olhos, isto é, que é apreendido por nossos sentidos, não passa de imagem resultante do colorido que nossa própria mente atribuiu à realidade propriamente dita. será que é a essa imagem que o senhor se refere como sendo "projeção distorcida do Jissô"? Essa é a questão. A "realidade tal como é" (o Jissô), a que me refiro, não é realidade distinta e separada dos fatos concretos a que estamos presenciando, mas também não é a própria realidade percebida pela nossa mente. Penso que, quando penetramos no Jissô através do despertar, simplesmente passamos a reverenciar todos os seres e todas as coisas do universo, e isso é feito natural e espontaneamente. Creio que a negação de tudo quanto é apreensível aos sentidos, pregada pela Seicho-no-ie, identifica-se com a minha negação da realidade aparente, como sendo resultado do colorido atribuído pela mente. O Jissô de que falo persiste em nós, seja nas dores ou na alegria; se ele não é percebido, é apenas porque está oculto sob a capa da dor ou da alegria. A maioria das pessoas, face a um sofrimento, vê apenas a realidade da dor. Mas eu acredito que uma mesma realidade da dor encerra duas realidades: a realidade pura que transcende as dores e a realidade aparente que se apresenta a nível dos sentidos. Por isso,meus esforços de auto-aprimoramento têm-se concentrado em superar a realidade aparente - ou, em outras palavras, apagar o colorido atribuído pela mente.

Segundo o meu conceito de Jissô (realidade pura), mesmo estando-s doente, é possível superar a doença, ainda que não ocorra a cura. Chamo isso de "felicidade fundamental". O mesmo se aplica às vicissitudes da vida em geral. Superando-se o fato tal como ele se apresenta, ocorre a cura da doença ou a melhora da situação, e chamo isso de "felicidade secundária". A "felicidade secundária" vem gradativamente. Assim, superando-se primeiramente a doença pela conscientização da verdadeira natureza humana isenta de doença e morte, começa, depois, a ocorrer gradativamente a cura da doença, e consegue-se a longevidade. A "felicidade fundamental" é algo que pode ser alcançado mesmo estando-se no meio de adversidades. Mas, ocorrendo tal conscientização, essas adversidades também desaparecem naturalmente. Eu faço questão de traçar clara distinção entre a "felicidade fundamental" e a "felicidade secundária". A primeira pode ser alcançada igualmente por todas as pessoas, mas quanto à segunda há diferença de pessoa para pessoa.

Tendo lido A Verdade da Vida e tendo ouvido agora há pouco as explanações suas, constatei muita identidade entre o modo de viver preconizdo pela Seicho-no-ie e o meu próprio modo de viver, e isso me deixou bastante entusiasmado. Porém, há um ponto com o qual não posso concordar plenamente. O senhor tem afirmado, com demasiada ênfase, que a felicidade surge imediatamente na vida real com consequência do repentino despertar espiritual, mas eu acho que isso tende a suscitar a ideia de que a felicidade neste mundo seja algo absoluto. Se é que simultaneamente ao despertar espiritual manifesta-se a total felicidade neste mundo, obviamente a pessoa nunca mais haveria de ficar doente nem sofreria a morte física. Eu penso que a inexistência absoluta da doença e da morte só se verfica a nível da conscientização do Jissô. Obviamente, essa conscientização influencia o corpo humano e age sobre a matéria, e a felicidade vai se concretizando naturalmente, tornando-se possível que a pessoa fique relativamente livre de doenças e que sua vida alcance relativa longevidade. Mas isso é sempre relativo. Quando sentimos a felicidade íntima proveniente da conscientização de nossa essência eterna e perfeita, deixamos de dar exagerada importância às agruras e alegrias desta vida, e justamente por isso os altos e baixos da maré da vida vai se amainando naturalmente. Meu desejo é levar uma vida de serena alegria, baseada na conscientização de nossa essência eterna e perfeita, sem me preocupar nem mesmo em amainar os altos e baixos da maré da vida.

No meu presente estado espiritual, prefiro apreender o Jissô, penetrando fundo no sofrimento, em vez de descartar o sofrimento como sombra da mente. Quero crer que "Deus estpa presente também no meio das dificuldades". Em outras palavras, sei que existem dois caminhos, um que consiste em descartar os sofrimentos considerando-os ilusões, e outro que consiste em mergulhar fundo neles, para depois superá-los e alcançar a alegria eterna, e, pelo menos por enquanto, eu prefiro este último caminho.


RESPOSTA:

Taniguchi -
Os ensinamentos da Seicho-no-ie são fáceis e difíceis, ao mesmo tempo. Isto é, são aparentemente fáceis, mas, na verdade encerram pensamentos muito profundos. Assim sendo, entre os simpatizantes da Seicho-no-ie, há os que concordam com a doutrina, tendo-a compreendido apenas superficialmente, e outros que, tendo-a apreendido em maior profundidade, fazem perguntas para esclarecer eventuais dúvidas. O senhor, sr. Sassaki, pertence a este último grupo.

Alegra-me muito que o senhor esteja de acordo com os ensinamentos da Seicho-no-ie, no tocante a seus pontos essenciais, difíceis de compreender. talvez nos divirjamos quanto à maneira de explicar, pois o senhor fala em "superar o sofrimento admitindo-o tal como ele está manifestado", o que é mais um modo de dizer que é preciso superar o sofrimento depois de admitir a sua existência, ao passo que eu digo que o sofrimento não existe verdadeiramente porque é apenas ilusão ("um aspecto resultante do colorido atribuído pela mente", conforme o senhor disse), e afirmo que não é preciso nem se pode superar o sofrimento, porque ele não existe. Ao fato de alguém estar doente e não se prender a doença diz-se "transcender a doença". Todavia, se a doença não existe, não há necessidade de transcendê-la. somos originariamente isentos de doença. Mesmo que a doença pareça existir, ela não passa de ilusão (falso aspecto) resultante do colorido atribuído pela mente. Pode-se dizer que o próprio fato de admitir o confronto entre o Jissô (existência verdadeira) e o falso aspecto é ilógico, pois existe unicamente o Jissô.

Algumas pessoas, admitindo a doença e o sofrimento como existências verdadeiras, acreditam haver um sentido neles e concluem: "A doença e o sofrimento são realidades, nas quais Deus está presente e, portanto, são bênçãos; a mente que não os aceita como bênçãos é a mente em ilusão". Quem pensa assim faz com que seu subconsciente crie afinidade com doença, sofrimento, pobreza, etc., e passa a ter uma atitude mental negativa como a de atrair por si mesmo a doença e sentir uma espécie de prazer no ato de ficar doente. Nos casos extremos, a pessoa pode tornar-se tal qual São Francisco de Assis, que apesar de ter sido um santo de extraordinárias virtudes, deixou-se dominar pela ideia de aceitar prazerosamente os sofrimentos, passou a orar para que fosse permitido experimentar as mesmas dores que Jesus Cristo suportou, e finalmente passou a apresentar em seu corpo as marcas das cinco chagas de Cristo. As pessoas relgiosas que buscam sua realização pessoal nos sofrimentos e nas doenças passam a sentir prazer em contrair doenças, em vez de manifestar em seu corpo o aspecto perfeito do seu eu verdadeiro originariamente isento de sofrimentos, doenças e iniquidades. Assim, passam a procurar atrair, intencionalmente, a doença e a miséria, que as pessoas comuns abominam. Na verdade, tanto aquelas pessoas como estas últimas estão presas à matéria, de uma ou de outra forma. Se despertarem para a Verdade de que "o corpo carnal é apenas uma sombra projetada pela mente e, portanto, não é existência real", compreenderão que a doença e todos os demais sofrimentos referentes ao corpo carnal também não existem realmente. E, já que não tem sentido acreditar naquilo que não existe, não mais sentirão necessidade de fugir dos sofrimentos, nem de enaltecê-los e desejar que eles venham. Então, terã transcendido realmente os sofrimentos.

Contudo, observandoo mundo fenomênico, constatamos a manifestação de sofrimentos, doenças, etc., e isso é um fato que não podemos negar. No estado subsequente ao "despertar repentino" a que o senhor se refere, a pessoa passa a viver, durante algum tempo, num mundo dualístico em que, de um lado, se reconhece a perfeição do seu eu verdadeiro e, do outro, se vê a doença (aspecto aparente). E, no processo em que o aspecto aparente vai cedendo lugar à perfeição do eu verdadeiro, a pessoa vai vencendo passo a passo as imperfeições fenomênicas e aproximando-se gradativamente da original perfeição do Jissô (eu verdadeiro) conforme o senhor mesmo disse. Completando-se esse processo, o homem atinge, finalmente, o estado em que "seu corpo tal como é, torna-se imortal". Nesse momento, seu corpo deixa de ser um simples corpo carnal e se transforma num corpo espiritual que supera as limitações físicas.

Na verdade, o corpo carnal, atualmente cheio de limitações e imperfeições, é produto da mente e é sustentado pela mente. Logo, com a transformação da mente que o sustenta, transformam-se também a natureza e o estado do corpo. Se alguém supõe que o corpo carnal em si seja imortal, é porque não sabe que o corpo carnal é projeção da mente. Se compreendesse que o corpo carnal é projeção da mente, compreenderia que o corpo está morrendo e nascendo a todo instante, isto é, transformando-se constantemente conforme a mudança da mente. Se a pessoa libertar sua mente da ilusão e conseguir apreender realmente a sua Essência, ocorrerá uma grande transformação também no corpo, que então se tornará um corpo espiritual e sublime. E quando tal corpo deixa este mundo, causa-nos a impressão de que morreu, mas isso não é morte; é evolução da natureza do corpo. Quando uma pessoa que alcançou o despertar liberta-se do corpo incômodo e passa para um estado espiritual e livre (nota: o autor não está se referindo a morte no sentido concebidos pelo espiritismo), diz-se que atingiu o nirvana. Isso difere totalmente do fato de alguém morrer doente, sem despertar, com a mente apegada ao corpo carnal por considerá-lo existência verdadeira. Aparentemente, os dois fatos parecem a mesma coisa, mas há grande diferença no seu conteúdo - a diferença é intrínseca. No primeiro caso, a pessoa, devido ao seu despertar, alcança um estado de total liberdade, enquanto que, no segundo, a pessoa permanece no estado de auto-prisão mental e continuará a sofrer reencarnando várias vezes, enquanto não despertar.

A parapsicologia está provando que, após o desencarne, o espírito continua possuindo um corpo imaterial, cujo grau de liberdade varia conforme o grau de despertar. A maioria dos espíritos que aparecem nas fotografias e sessões mediúnicas são os que ainda não alcançaram o estado de verdadeira liberdade, mas são uma prova de que existe corpo espiritual, que é bem mais livre do que o corpo carnal.

Bem, retomando o tema principal, devo esclarecer que o modus vivendi da Seicho-no-ie baseia-se na compreensão de que este mundo visível é mundo da projeção da mente e que, justamente por ser uma imagem projetada, melhora quando se aperfeiçoa a mente, que é o filme. Obviamente, o aperfeiçoamento do mundo projetado é secundário, e não o consideramos mais importante que a apreensão do mundo do Jissô (mundo verdadeiro e absoluto), que é fundamental. Entretanto, a maioria das pessoas está interessada no aperfeiçoamento do mundo fenomênico e pouco lhe interessa um apelo como "Não se apegue ao mundo fenomênico porque ele não é existência verdadeira", pois este soa como algo despropositado e alheio à vida real do cotidiano. Por esse meio, é difícil conduzir as pessoas à compreensão da Verdade. Então a Seicho-no-ie diz: "Se você prentende aperfeiçoar sua vida neste mundo fenomênico, deve ajustar o 'filme' mental porque este mundo é projeção da mente". Assim, as pessoas, ajustando a mente e vendo sua situação material melhorar de fato, convencem-se: "Realmente, este mundo é mera projeção da mente".

Até agora, a maioria das seitas budistas aconselhava: "Rejeite o mundo fenomênico porque ele é mera imagem projetada". Mas eu digo que não é preciso rejeitá-lo, justamente porque é mera imagem projetada. A Seicho-no-ie permite aperfeiçoar o mundo da projeção e por esse meio conduz as pessoas à compreensão do mundo verdadeiro, o Jissô.

(Do livro "A Verdade da Vida, vol. 12", pgs. 33-41)


quinta-feira, dezembro 15, 2011

Esclarecimentos profundos sobre a Verdade - 1/2

Masaharu Taniguchi


PERGUNTA:

Sassaki -
Lendo os primeiros volumes de A Verdade da Vida, senti alegria e também um grande assombro. Isto porque esse livro, ao mesmo tempo que fala do caminho da Verdade que tenho procurado trilhar, prova ser possível alcançar um estado que considero ideal mas que ainda não consegui alcançar. Eu acredito que a salvação se concretiza quando apreendemos a "realidade tal como ela é". Considero as alegrias e os sofrimentos desta vida meras tonalidades da mente que dão colorido a realidade pura e simples. Por isso, tenho me esforçado em abandonar as preocupações e contemplar a Essência Perfeita (Jissô) da Vida. Acredito que é este o caminho que levará, finalmente, ao estágio que torna possível ao indivíduo superar não só os sofrimentos espirituais mas até mesmo os sofrimentos físicos, e com essa crença venho encetando a jornada da vida. Mas, na prática, é muito difícil atingir essa meta.

Por isso, ultimamente andava cheio de dúvidas. Principalmente no que se refere às dores físicas, vinha me questionando: Já que as dores físicas se fazem sentir ainda que não pensemos nelas, não será inútil tentar superá-las enquanto levarmos esta vida terrena como seres humanos sujeitos a sensações físicas? Tenho perguntado a diversos estudiosos do assunto se é realmente possível superar as dores físicas, mas nenhum deles soube me esclarecer satisfatoriamente, apresentando provas evidentes. Eu próprio pesquisei o assunto, fazendo incursões na História da antiguidade, mas não encontrei evidências de que o ser humano consegue transcender as dores físicas. Li a história de um mestre budista hindu do século III que, ferido gravemente pela espada de um herege, morreu sorrindo; a história de São Francisco de Assis que, certa vez, vendo o fogo começar a queimar a roupa do corpo, exclamou alegremente: "Oh, fogo, tu também és meu irmão!" e deixou que o fogo se espalhasse; ou a história do sacerdote Kaicen, que, no incêndio que destruiu o Templo Erin, permaneceu em seu interior juntamente com outros sacerdotes e, mesmo quando o fogo se alastrou em suas vestes, manteve-se imóvel e morreu sentado. Não podia, porém, deixar de pensar que mesmo essas pessoas não transcenderam realmente a dor física, tendo-a apenas suportado estoicamente. Por isso, encontrar na época atual alguém que possua prova da superação da dor constituía ultimamente o meu maior interesse. Claro que também na época atual existem pessoas que praticam excentricidades como, por exemplo, pôr a mão no fogo, usando forças paranormais. Mas isso não é a prova que eu procurava.

Empregar forças paranormais é praticamente o mesmo que usar apetrechos; a única diferença é que as forças paranormais são invisíveis. O que eu buscava não era um meio de chegar a um estado de insensibilidade à dor, usando faculdades paranormais, mas sim o caminho para transcender a dor, pura e simplesmente. E ao ler o livro escrito pelo senhor, constatei, maravilhado, que ali estava o caminho que eu buscava. Decidi que, doravante, empenhar-me-ei no estudo e na prática do caminho pregado pelo senhor. Peço-lhe que me oriente sempre.

Recentemente um jovem de Etigo escreveu-me, dizendo que se encontrava à beira da loucura devido aos sofrimentos físicos e mentais insuportáveis e pedindo-me que o socorresse. Sem saber como ajudá-lo pessoalmente, informei-o a respeito do senhor e enviei-lhe um exemplar de seu livro. Estou certo de que isso trará resultados positivos.

Não sei se é de seu conhecimento, mas o dramaturgo Hyakuzo Kurata compartilha minhas dúvidas quanto à libertação do homem das dores físicas. Será que ele já falou com o senhor sobre esse assunto? Gostaria de fzer-lhe algumas perguntas.

Essa libertação significa que a realidade da dor deixa de existir? Ou significa que, apesar da realidade da dor continuar existindo, a pessoa se liberta dela? Naturalmente, eu também admito que as doenças do corpo melhoram ou saram quando a pessoa consegue transcendê-las. Mas penso que a melhora e a cura são efeitos secundários, e acredito que a questão principal deve ser a eliminação do sofrimento mesmo que a realidade da dor permaneça tal como é. Eu considero a realidade da dor e a sensação de sofrimento dois fatos distintos. Acredito que a realidade em si, a realidade tal como ela é, não pode ser modificada, mas que as sensações humanas, como sofrimentos, alegrias, etc., são produtos da ilusão e podem ser modificadas. Que acha do meu ponto de vista? Penso que o fundamental é atingir o estado em que se é possível sorrir mesmo estando em plena realidade da enferma dor, e considero efeito sencundário o fato de isso conduzir à cura em si. Tenho aqui um papel, em que anotei rapidamente os meus pensamentos, a fim de submetê-los ao julgamento de meus professores e amigos. Peço lincença para lê-lo diante do senhor e dos demais.

MINHA ATITUDE PERANTE A VIDA

- Sigo em frente, tendo como meta tornar-me uma pessoa capaz de sentir-se satisfeita com todas as coisas tais como elas são, e de realizar qualquer coisa com alegria.

- Creio que sofrimento e alegria, simpatia e ódio, etc., são produtos da ilusão e que, portanto, é possível libertar-se deles escancarado a "realidade tal como é".

- Considerando todos os sofrimentos como punição contra a ilusão, procuro aceitá-los docilmente em vez de tentar escapar deles, e esforço-me para apreender a essência de tudo.

- Creio que tanto a hesitação face às circunstâncias, como o fato de agir ora corretamente e ora erroneamente, são produtos da ilusão, e que, portanto, apreendendo a essência de tudo e todos, poderei agir sempre de modo absolutamente correto.

- Esforço-me para nunca dexar de apreender a "realidade tal como ela é", antes de passar para a ação.


O ESTADO NATURAL E VERDADEIRO

O estado natural e verdadeiro não pode ser outro senão o "estado real, tal como é", anterior a qualquer artifícios da mente. No entanto, nós, seres humanos, classificamos tudo e todos com critérios de nossa própria mente, estabelecemo-lhes limites com palavras, e ainda por cima atribuímo-lhes os mais variados "coloridos" com nossos sentimentos e emoções, e assim interpretamos, nós mesmos, a tragicomédia da vida. Acho que assím, é, em síntese, a vida mundanal.

Por conseguinte, para libertarmo-nos realmente dos sofrimentos, é imprescindível eliminar totalmente os artifícios da mente e voltar ao "estado real, tal como é". Penso que as doutrinas pregadas pelos santos da antiguidade também visavam isso.

No "estado real, tal como é" não há interferência da ação da mente. Portanto, quando a ele retornamos, todos os seres e todas as coisas deixam de se apresentar com distinções, limites e valores que nossa mente lhes havia atribuído, e revelam-se tal como são, com suas características e seus valores autênticos. Assim, torna-se possível reverenciar neles o infinito, que transcende todo e qualquer valor atribuído pela mente, e surge-nos espontaneamente o amor e respeito para com eles. Ademais, não havendo interferência das ações da mente, obviamente não seremos dirigidos nem pelo raciocínio nem pela vontade, e podemos apreender os fatos exatamente como eles são, o que nos permite, em quaisquer circunstâncias, agir livre e desembaraçadamente, sem hesitações e sem a necessidade de nos apoiar em algo. Alcançando tal estado espiritual, é lógico que podemos resolver todos os problemas deste mundo.

Como podemos, então, alcançar tal estado? É decidirmo-nos a seguir docilmente, com espírito isento, a "ordem" proveniente da "realidade tal como é", que pode ser assim traduzida: "Nada há que fazer. Está bem assim como é". Essa obediência deve ser imediata, sem a interferência de nenhuma intenção da mente. Quando nos habituamos a ouvir a "ordem" provinda da "realidade tal como é", passamos a ter espírito verdadeiramente isento, e então percebemos que a própria realidade se manifesta, revelando por si a resposta. A própria realidade, emitindo ordens e revelando por si mesma as respostas, vai eliminando as ilusões e manifestando eternamente o mundo da harmonia. considero esse processo a manifestação da vontade de Buda.

(O sr. Sassaki termina a leitura).


RESPOSTA:

Taniguchi -
Os termos de suas declarações por escrito, intituladas "Minha atitude perante a vida" e "O estado natural e verdadeiro", que o senhor acabou de ler, parecem-me bastante parecidos com o que a Seicho-no-ie ensina. Todavia, a questão está na expressão "a realidade tal como é", usada pelo senhor. Se o significado dela é o mesmo da expressão "Essência da Vida" por mim usada, então podemos dizer que a sua filosofia coincide com a da Seicho-no-ie. Porém, se o senhor entende que aceitar a "realidade tal como é" significa aceitar docilmente a realidade do mundo perceptível aos cinco sentidos (por exemplo, a realidade da doença), considerando que "assim como é, está bem", e se essa é a sua atitude perante a vida, não podemos dizer que sua filosofia é a mesma da Seicho-no-ie.

A filosofia da Seicho-no-ie parte da negação de tudo quanto pode ser captado pelos sentidos. Em vez de ensinar que devemos aceitar docilmente a "realidade do mundo apreensível aos sentidos, tal como ela é", ensina que o mundo captado pelos sentidos não é realidade. A "realidade tal como é" existe no mundo verdadeiro (mundo do Jissô) e é a realidade da perfeição, da bondade e beleza supremas, na qual não há lugar para sofrimentos e tristezas. Em outras palavras, a Seicho-no-ie admite, não a realidade do mundo visível tal como ela é, mas sim a realidade do mundo que transcende os sentidos, o qual pode ser apreendido naturalmente após a negação total do universo visível aos olhos carnais.

O mundo perceptível aos sentidos é projeção imperfeita do mundo do Jissô (mundo verdadeiro). Assim sendo, quando afirmamos o mundo verdadeiro após havermos negado a "sombra projetada" (o mundo apreensível aos sentidos) e apagado todas as ilusões - do mesmo modo que traçamos a figura correta de algo no quadro-negro, após apagar o desenho mal feito -, o aspecto perfeito do mundo verdadeiro projeta-se corretamente neste mundo material. E então encontramos a salvação também neste mundo dos cinco sentidos. De fato, muitos são os adeptos que conseguiram a cura da doença ou a solução dos problemas financeiros.

A projeção da perfeição do mundo verdadeiro não significa tornarmo-nos capazes de permanecer no meio do fogo sem sentir a dor da queimadura, mas sim surgir naturalmente ordem e harmonia na nossa vida de modo que nunca acontecerá de ficarmos cercados pelo fogo. A conscientização da nossa essência eterna e perfeita não nos leva a atos insensatos como o de permanecer no meio do fogo e saudar com sorriso as chamas que queimam as nossas vestes, mas sim estabelece a harmonia entre nós e o fogo, fazendo com que ele seja sempre o nosso aliado, fornecedor de calor para aquecer o corpo, cozinhar alimentos, etc., e nunca um agressor que queima nossas roupas ou o nosso corpo. A conscientização da nossa essência eterna e perfeita não nos torna insensíveis à dor do ferimento causado por um projétil, mas faz com que nunca sejamos atingidos, como foi o caso do sr. Guizô Kubota, de Xangai. Em suma, a conscientização de nossa essência eterna e perfeita não nos confere a capacidade de realizar proezas fantásticas, mas sim, faz com que nós, vivendo conforme as leis da natureza, possamos manifestar neste mundo apreensível aos sentidos a harmonia do mundo verdadeiro.

O senhor disse, há pouco, que "a realidade em si, a realidade tal como ela é, não pode ser modificada". Se o senhor se referiu à realidade do mundo apreensível aos sentidos, então devo dizer que sua ideia difere consideravelmente da filosofia da Seicho-no-ie. Nós, seguidores dessa filosofia, não consideramos a dor física como um fato real; sabemos que a dor é mera "sombra da ilusão", e conseguimos transcender a dor através dessa conscientização. Sabemos que o sofrimento atual é reflexo dos carmas do passado, é mera "sombra" projetada e não um elemento real, e temos a convicção de que, contanto que mentalizemos a perfeição do Jissô (ser verdadeiro) e não nos deixemos prender aos fatos aparentes nem tornemos a criar carmas que venham a projetar aspectos negativos, o mundo concreto (mundo da projeção) que surgirá em seguida será bem melhor que antes. E temos tido provas reais disso.

Quanto ao sr. Hyakuzô Kurata, de que o senhor falou há pouco, só tive algum contato na época em que ele era editor da revista literária Seikatsu-sha. Ouvi dizer que, no últimos tempos, ele vem se dedicando ao aprimoramento espiritual junto à seita Oomoto e também no templo de Narita-Fudô. Portanto, não sei dizer até que ponto nossas ideias coincidem, hoje em dia.
Cont...


(Do livro "A Verdade da Vida, vol. 12", pgs. 24-33)

domingo, dezembro 11, 2011

Ser o personagem significa "não ser o personagem"


Dárcio Dezolt


Se um diretor resolver filmar “A Vida de Jesus”, por certo buscará um ator para representar Jesus e outro para representar Judas, além dos demais personagens. Por mais que estes dois atores atuem, jamais eles serão Jesus ou Judas! Estarão sendo sempre “eles próprios”. O suposto “mundo fenomênico” é uma ILUSÃO! Não há realidade em suas encenações! Levar em conta as manifestações dualistas das aparências é negar toda a Verdade de que Deus é, aqui e agora, a NOSSA PRÓPRIA PRESENÇA.

Certa vez, ao expor a Verdade de que a Perfeição é onipresente, alguém perguntou-me: “Você se considera perfeito?” Esta pergunta, obviamente, partia da suposta “mente humana”, uma vez que a Mente infinita, sendo a Perfeição absoluta, exclui esse tipo de questionamento.

Para a mente ilusória, Jesus Cristo é divino, perfeito, enquanto os demais seres são todos humanos e imperfeitos. Esta mente é falsa: capta a “encenação” e esconde a Realidade. Se o ator encarnando Judas dissesse ser perfeito, e o outro encarnando Jesus dissesse ser pecador, quem estivesse vendo o filme diria que as coisas estariam trocadas, erradas ou incorretas. Por que? Por ver os “personagens” atuando fora do CONCEITO HUMANO da crença coletiva. Esta crença fraudulenta aceita seres perfeitos e imperfeitos, por medir cada um mediante uma régua ilusória.

Voltando à pergunta: “Você se considera perfeito?”, uma resposta poderia ser: “Se você acha que ser personagem é ser personagem, a resposta é não! O Judas não poderia representar seu papel sendo perfeito! Mas, se você entender que ser o personagem significa não ser o personagem, eu sou perfeito!” E o mesmo é válido para todos! Estudar a Verdade é permanecer em MIM, no Cristo ou a Verdade, em Deus sendo TUDO! Sem se deixar mover em nada pelo “teatro ilusório” da suposta mentalidade humana!

sexta-feira, dezembro 09, 2011

Oração para reconciliar com todas as coisas

Por alguns instantes, vamos concentrar a nossa mente nas ideias apresentadas neste vídeo. A concentração mental, principalmente quando imbuída de convicção, é oração que possui o poder de concretizar no mundo fenomênico as ideias contempladas.

quarta-feira, dezembro 07, 2011

Visão Real do Universo


Dárcio Dezolt


Por mais que as pessoas gostem e aparentem preferir artigos que falem de melhor vivência humana, de aplicação da Verdade na vida e nos relacionamentos humanos, tudo isso, de fato, é secundário! Tem apenas importância relativa, enquanto perdura uma crença coletiva e hipnótica que ilusoriamente endossa uma mentira chamada "universo material". Quando esta visão material do Universo for entendida como ILUSÃO, a VISÃO REAL DO UNIVERSO passará a ser única a ser levada em consideração.

"Isto quer dizer que você não dorme, não come, não trabalha?" - disse-me alguém. E eu lhe respondi: "Você saberá a resposta quando você se despojar da visão material para discernir espiritualmente o Universo. Só então, a frase 'Em Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser' (Atos 17: 28) lhe fará sentido! Até então, nem esta frase, e nem qualquer resposta que eu lhe dê, o satisfará!"

Tendo ouvido esta resposta, a pessoa me perguntou: "Então você é Deus?". Respondi a ela: "Não existe nenhum 'você' no Universo. O 'Eu Sou Infinito' é a única presença e o único legislador da Realidade eterna! Se esta Vida pudesse nos ser subtraída, não mais haveria a minha existência, e nem a sua!"

Por mais que intelectualmente fiquemos a discutir a Verdade, se o assunto não caminhar além do intelecto, de nada valerão as argumentações! O Reino é dos pequeninos, e não de sábios e entendidos, disse Jesus. Entretanto, quando as argumentações são encaradas como instrumentos de ruptura do "efeito hipnótico" que causa a aceitação fraudulenta de "mundo material", todas elas são válidas! É comum ouvirmos a frase: "religião não se discute!"; porém, tudo se discute, e justamente das discussões, vão surgindo os lampejos que, por sua vez, atuam como anuladores do "mesmerismo".

Se dissermos a alguém: "Você é Deus!", de imediato ouvimos a reação em contrário, vinda da crença material nele cristalizada! Entretanto, se lhe dissermos: "Sua Vida é Deus", a "crença" se verá incapaz de negar o fato, ou, no mínimo, sente dificuldade em fazê-lo! A Verdade é Deus sendo TUDO e, por conseguinte, sendo TODOS NÓS! Quaisquer que possam ser os chamados "propósitos humanos", há, em todos eles, o propósito espiritual, que é o desmantelamento da ILUSÃO DE MASSA. Mesmo que, de momento, as pessoas digam não concordar com a Verdade a elas dita, ali ficarão as sementes até que germinem!

Aparentemente avaliado, o mundo se mostra como material, em que "aparece um Jesus", ou algum outro suposto mestre, para "salvar a humanidade". Porém, diante da VISÃO REAL DO UNIVERSO, nada disso tem realidade! Por isso Jesus disse: "E vós também testificareis, pois, estivestes comigo desde o princípio". Deixemos de lado, portanto, esta visão fraudulenta de universo material, em que uns salvam outros, para, de fato, contemplarmos a Realidade imutável em que tudo é Obra permanente de Deus, manifestada AQUI e AGORA como Unidade Perfeita! Este é o "Referencial da Luz", o Referencial permanente da Verdade eterna!

domingo, dezembro 04, 2011

O permanente estoque invisível


Dárcio Dezolt


Todas as ideias perfeitas são concretas e permanentes obras de Deus, perenemente disponíveis, independentemente de estarem sendo ou não vistas pela suposta mente humana. Se alguém estivesse com uma folha branca em mãos para fazer alguns cálculos que julgasse necessários, será que deixaria de fazê-los por não enxergar os algarismos disponíveis nesta folha? Acreditaria que tanto eles quanto as regras matemáticas estariam ausentes? Não! Pegaria a folha de papel e uma caneta e trabalharia com os algarismos e com as regras integralmente a ele ali disponíveis, mas, aparentemente invisíveis.

O mesmo se dá com as regras de suprimento, de saúde, de harmonia, e todas as demais, que estão inteiramente disponíveis aqui e agora, para que todos as possamos utilizar! Seja saúde, seja dinheiro, seja companhia, seja o que for, cada ideia é realidade concreta e disponível àquele que a toma mentalmente no “invisível”, o permanente estoque divino de todas as ideias, coisas e realidades. “Ao que tem, muito lhe é dado; ao que não tem, o pouco que tem lhe será tirado”, disse Jesus. Explicava a presença incólume de nossa herança celeste, sempre à nossa disposição, quando a vemos onde sempre se encontra: em nossa Consciência, e não nas aparências.

Seja qual for o bem que você constate ser necessário em suas atividades de cada dia, não aceite sequer a possibilidade de ele estar ausente! Assim como está sempre certo da presença dos algarismos, ao fazer suas contas, esteja igualmente certo de estar de posse de tudo de que necessite, sendo, esta certeza, uma admissão incondicional da Verdade de que você e tudo que tem realidade são uma unidade inseparável chamada “Consciência iluminada”.

“Minha união consciente com Deus unifica-me com todos os seres e ideias espirituais”, assim diz Joel S. Goldsmith. E, segundo ele, esta frase é das mais elevadas e importantes de O Caminho Infinito. Habitue-se a aceitar esta Verdade! A partir disso, “enxergue” tudo de que necessite “já em suas mãos”. Jamais acredite que algo lhe falte, por estar invisivel à mente humana! Esta mente, além de cega e surda, não é a sua!

Lembre-se: negar a presença de seu bem, por estar ele invisível em dado momento, é o mesmo que negar os algarismos e as regras matemáticas, por estar você diante da folha em branco! A ausência é ilusória! A permanência do estoque invisível de ideias divinas, e sua “unificação” com ele, o deixará constantemente suprido de tudo que legitimamente lhe for necessário ou requerido nesta vida.

quarta-feira, novembro 30, 2011

A moralidade de Gandhi



Numa ocasião, perguntaram a Mahatma Gandhi quais são os fatores que destroem o ser humano. Ele respondeu assim:

"A Política sem Princípios, o Prazer sem Responsabilidade, a Riqueza sem Trabalho, a Sabedoria sem Caráter, os Negócios sem Moral, a Ciência sem Humanidade e a Oração sem Caridade. A vida tem ensinado a mim, que as pessoas são amáveis, se eu sou amável; que as pessoas estão tristes, se estou triste; que todos me querem bem, se eu quero bem a eles; que todos são maus, se eu os odeio; que há rostos sorridentes, se eu sorrio para eles; que há rostos amargurados, se estou amargurado; que o mundo é feliz, se eu sou feliz; que as pessoas tem nojo, se eu sinto nojo; que as pessoas são gratas, se eu tenho gratidão. A vida é como um espelho: Se sorrio, o espelho me devolve o sorriso. A atitude que tomo na vida, é a mesma que a vida tomará ante mim."

.
.
.

"Você tem vivido feliz com as contribuições que oferece ao mundo?
Quantas vezes já parou para uma conversa casual?
Quando foi a última vez que olhou alguém firme nos olhos?
O último sorriso desinteressado, mas gentil?
Você já se comprometeu com algo que fosse realmente significativo para outras pessoas?
Já fez algum trabalho voluntário?
Já ouviu alguém sem condenar ou julgar?
Já deu algo para uma pessoa estranha sem ser esmola ou informação?
O que você realmente tem feito para deixar esse mundo diferente do que encontrou?
Já fez algo generoso sem contar para ninguém?
Já amou uma pessoa de verdade?
Já libertou alguém do seu egoísmo?
Já perdoou?
Já fez um pensamento positivo para alguém que machucou você?
Já agradeceu seus pais pela vida que recebeu?
Já cedeu seu espaço para uma pessoa saudável, não grávida, não idosa, não doente e não necessitada?
Já tocou alguma música para elevar o ânimo de alguém? (no assobio também vale)
Já olhou o albúm de fotos de uma pessoa e se deliciou com aquilo?
Já ouviu uma confissão?
Já consolou uma pessoa que perdeu um ente querido sem ser bobo ou óbvio?
Se você quer que o mundo tenha mais espaço para o amor, ame.
Se quer paz, pacifique.
Se quer equanimidade, seja justo.
Mas se esperar que alguém faça isso no seu lugar, continue se queixando.
Toda grande história começa num pequeno detalhe!"
(Mahatma Gandhi)