"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quarta-feira, novembro 02, 2011

Realizar "Quem" é você


Mooji

Tudo aquilo que você acha que possui, ou aquilo que você deseja neste mundo, está passando e daqui a pouco não vai mais estar Aqui. Experiencie, desfrute isso. Mas, quando passar, quando isso for embora, não se lamente, porque isso não era para você manter – pela lei natural nada pode ser mantido. Até mesmo esse corpo, que é necessário para que todas as outras coisas possam ser alcançadas, esse corpo você não pode mantê-lo; então, da mesma forma, desfrute desse corpo – ele é seu amigo por um tempo. Mesmo os seus ideais, eles vão continuar mudando, você não os pode manter os mesmos.

Então desfrute sem apego. Esse é o estilo de vida da Liberdade.

O Estado de Paz e Felicidade, na verdade é o nosso estado natural. Se você olhar ao redor poderá pensar “bom eu acho que isso, de fato, não é o natural”, porque há tanta gente estressada, agressiva, infeliz, se lamentando, envolvida em ilusões. Mas, você tem a chance de ser verdadeiramente feliz. De ser Feliz sem nenhuma razão, sem nenhum motivo, pois a sua natureza é a Felicidade; mas, você É além, até mesmo, desta felicidade, você É consciente da felicidade e da tristeza.

Lembre-se d’Isto, seja Isto, reconheça Isto e desfrute d’Isto.

E lembre-se também que qualquer esforço que você coloque pra trabalhar qualquer questão do seu eu-pessoal, vai afastá-lo desta oportunidade de você descobrir quem você É. A coisa mais sublime que você pode fazer para os seus filhos, seus amigos, sua comunidade, para o mundo, é descobrir e realizar, quem você É.

Milhões e milhões de pessoas estão se engajando em práticas, ou técnicas, para estar aprimorando, ou mudando, a sua personalidade. E o mundo, respeita este tipo de prática; o mundo, na verdade, tem devoção por esse tipo de prática. Mas, o seu Ser mais profundo não pode ser melhorado, Ele já É.

O seu ser externo (que envolve o seu ego, a sua personalidade) está sempre mudando, está sempre em fluxo. Quando você se assume como sendo uma entidade corpo-mente, você, então, coloca muita energia num esforço para se aprimorar de alguma forma. Este tipo de esforço é de algum modo válido, pois ele o ajuda a estar aprimorando o ser humano em você. A maioria dos nossos condicionamentos nos foi dado pela nossa sociedade, como uma forma de nos moldar para que pudéssemos interagir, e conviver em sociedade. Mas o seu verdadeiro Ser, a sua verdadeira natureza, já É perfeita. Este é o principio Divino em você. E é isso, então, que você deve descobrir.

Não coloque sua atenção apenas para melhorar sua vida externa. Você pode gastar vidas e vidas tentando melhorar algo que está sempre mudando. Porém, leva-se apenas um instante para você realizar, e descobrir, quem você É Verdadeiramente. Quando você faz isso -- e quando a realização do Ser se dá, realmente, neste instante -- a realização do seu Ser, a Bem-aventurança, vem abençoar todo e qualquer aspecto da sua vida externa. É como se você estivesse despertando de um sonho, e uma vez desperto tudo a sua volta flui de maneira diferente.

A maioria de nós está simplesmente vivendo sua vida como se fosse um sonho, ao invés de, realmente, realizar a Verdade Suprema.

Eu estou aqui para encorajá-los e guiá-los na Realização da Verdade Suprema.


segunda-feira, outubro 31, 2011

Você agora já é o Ser

Ramana Maharshi


Pergunta: Nós temos ouvido falar de você, Maharshi, como a mais gentil e nobre das almas. Há muito tempo desejávamos ter seu Darshan. Eu vim aqui uma vez antes, no dia 14 do mês passado, mas não pude permanecer em sua santa presença tanto quanto eu desejava. Sendo uma mulher e também jovem, eu não pude aguentar apressão das pessoas ao meu redor, e assim parti às pressas depois de fazer uma ou duas perguntas simples. Não há homens santos como você em nossa parte do país. Sou feliz no que diz respeito a ter tudo o que quero. Mas não tenho aquela a paz de espírito que traz felicidade. Venho agora aqui em busca de sua bênção para que eu possa obter essa Paz.

Bhagavan: O Bhakti (a devoção) atenderia o seu desejo.

P: Quero saber como posso ganhar essa paz de espírito, essa paz mental. Por favor, faça a gentileza de aconselhar-me.

B: Sim - é necessário devoção e entrega.

P: Sou digna de ser uma devota?

B: Qualquer um pode ser um devoto. O caminho espiritual é comum a todos e nunca é negado a ninguém - seja a pessoa jovem ou velha, homem ou mulher.

P: É exatamente isso que estou ansiosa para saber. Sou jovem e dona de casa. Há deveres doméstico que devo desempenhar. A devoção está de acordo com tal posição como a minha?

B: Certamente. O que você é? Você não é o corpo. Você é a Pura Consciência. Os deveres domésticos e o mundo são apenas fenômenos aparecendo sobre essa Consciência Pura. Ela permanece inalterada. O que impede você de ser seu próprio Ser?

P: Sim, já estou familiarizada com a linha de ensinamentos do Maharshi. Trata da busca pelo Ser. Mas a minha dúvida persiste, tal busca é compatível com a vida de uma dona de casa?

B: O Ser está sempre aí. Ele é você. Não há nada além de você. Nada pode estar separado de você. A questão da compatibilidade ou coisas desse tipo não surge.

P: Vou ser mais definida. Apesar de ser uma estranha, sou obrigada a confessar a causa de minha ansiedade. Fui abençoada com filhos. Um menino - um bom brahmachari - faleceu em fevereiro. Fui assolada por uma grande agonia. Fiquei desgostosa com esta vida. Quero me dedicar à vida espiritual. Mas meus deveres como dona de casa não me permitem levar uma vida retirada. Daí vem a minha dúvida.

B: Retirar-se significa a permanência no Ser. Nada mais. Não significa deixar um conjunto de condições circundantes e se emaranhar em outro conjunto, nem mesmo deixar o mundo concreto e se envolver em um mundo mental. O nascimento do filho, a sua morte, etc., são vistos no Ser somente. Lembre-se do estado de sono. Você estava ciente de algo acontecendo? Se o filho ou o mundo fossem reais, eles deveriam estar presentes com você no sono. E você não pode negar a sua existência no sono. Também não pode negar que você estava feliz naquele estado. Você é a mesma pessoa falando agora e levantando questões. Você não está feliz, de acordo com você. Mas você estava feliz no sono. O que aconteceu nesse meio tempo que fez a felicidade do sono ser quebrada? Foi o aparecimento do ego. Essa é a nova chegada no estado Jagrat. Não havia ego no sono. O nascimento do ego é chamado de o nascimento da pessoa. Não há outro tipo de nascimento. Qualquer coisa que nasça está fadada a morrer. Mate o ego: não há medo recorrente da morte para o que foi uma vez morto. O Ser permanece mesmo após a morte do ego. Isso é a Bem-aventurança - isso é a Imortalidade.

P: Como isso deve ser feito?

B: Veja para quem estas dúvidas existem. Quem é o sujeito da duvida? Quem é o pensador? É o ego. Mantenha-se com ele. Os outros pensamentos vão morrer. O ego é deixado puro, ver de onde surge o ego. Essa é consciência pura.

P: Isso parece difícil. Podemos proceder pelo caminho do Bhakti?

B: Isso é de acordo com o temperamento individual e com o histórico da pessoa. O Bhakti é o mesmo que o Vichara (a auto investigação).

P: Eu quero dizer a meditação, etc.

B: Sim. A meditação é em uma forma. Isso irá afastar os outros pensamentos. O pensamento único de Deus vai dominar os outros. Isso é a concentração. O objeto da meditação é, portanto, o mesmo que o do Vichara.

P: Nós vemos Deus em uma forma concreta?

B: Sim. Deus é visto na mente. A forma concreta pode ser vista. Ainda assim, é apenas na mente do devoto. A forma e a aparência da manifestação de Deus são determinadas pela mente do devoto. Mas essa não é a finalidade. Nesse caso há a sensação de dualidade. É como uma visão em um sonho. Depois que Deus é percebido, o vichara começa. E ele termina na Realização do Ser. Vichara é a rota final. Mas claro, poucas pessoas acham o vichara praticável. Outros acham o Bhakti mais fácil.

P: O Sr. Brunton não encontrou você em Londres? Isso foi apenas um sonho?

B: Sim. Ele teve a visão. Ele me viu em sua mente.

P: Ele não viu esta forma concreta?

B: Sim, mas, ainda assim, em sua mente.

P: Como hei de alcançar o Ser?

B: Não existe alcançar o Ser. Se o Ser fosse para ser atingido, significaria que o Ser não está aqui e agora, que deveria ser obtido de nova maneira. O que é obtido também será perdido. Por isso será impermanente. Não vale a pena lutar por aquilo que não é permanente. Portanto eu digo: o Ser não é atingido. Você é o Ser. Você já é Aquilo. O fato é que você é ignorante de seu estado bem-aventurado. A ignorância sobrepõe-se e coloca um véu sobre a pura Bem-Aventurança. As tentativas são direcionadas somente para remover essa ignorância. Essa ignorância consiste no conhecimento errado. O conhecimento errado consiste na falsa identificação do Ser com o corpo, com a mente, etc. Essa identidade falsa deve sair de cena e ali remanecerá o Ser.

P: Como é que isso acontece?

B: Isso acontece ao se inquirir sobre o Ser.

P: É difícil. É possível para mim Realizar o Ser, Bhagavan? Gentilmente me diga. Parece tão difícil.

B: Você já é o Ser. Portanto, a Realização é comum a todos. A Realização não conhece diferença nos aspirantes. Esta própria dúvida: "posso Realizar?" Ou o sentimento: "eu não Realizei" são os obstáculos. Livre-se deles também.

P: Mas deve haver a experiência. A menos que eu tenha a experiência como eu poderei livrar-me desses pensamentos que me afligem?

B: Eles também estão na mente. Estão lá porque você identificou a si mesma com o corpo. Se essa falsa identidade desaparecer, a ignorância desaparecerá e a Verdade será revelada.

P: Posso engajar-me na prática espiritual mesmo permanecendo em Samsara?

B: Sim, certamente. Devemos fazê-lo.

P: Samsara não é um obstáculo? Todos os livros sagrados não defendem a renúncia?

B: Samsara está apenas em sua mente. O mundo não diz: 'eu sou o mundo ". Caso contrário, ele deveria estar sempre aí - sem excluir o seu sono. Uma vez que ele não existe no sono, ele é impermanente. Sendo impermanente ele não tem resistência. Não tendo resistência, ele é facilmente subjugado pelo Ser. Somente o Ser é permanente. A renúncia é a não-identificação do Ser com o não-Ser. Com o desaparecimento da ignorância o não-Ser deixa de existir. Essa é a verdadeira renúncia.

P: Por que, então, em sua juventude você deixou sua casa?

B: Esse é o meu destino (prarabdha). Nossa linha de conduta nesta vida é determinada por nosso destino. Meu destino era assim. Seu destino é dessa forma.

P: Eu não deveria também renunciar?

B: Se esse tivesse sido o seu destino a questão não teria surgido.

P: Eu deveria, portanto, permanecer no mundo e engajar-me na prática espiritual . Bem, posso conseguir a Realização nesta vida?

B: Isso já foi respondido. Você é sempre o Ser. Os esforços sinceros nunca falham. O sucesso está fadado a resultar.


domingo, outubro 30, 2011

Eu real x eu irreal

Ramana Maharshi

Bhagavan: O jnani (sábio) diz: "eu sou o corpo" e o ajnani (ignorante) também diz: "eu sou o corpo", mas em que está a diferença? O "Eu Sou" é a verdade. O corpo é a limitação. O ajnani limita o "eu" ao corpo. Durante o sono profundo, o 'Eu' permanece independente do corpo . O mesmo "Eu" está agora no estado de vigília. Embora seja comum pensar que ele está dentro do corpo, o "Eu" existe sem o corpo. A noção errada não é o 'eu sou o corpo', é o 'Eu' que diz isso. O corpo por si mesmo é inerte (inanimado) e não pode dizer isso. O erro está em pensar que o 'Eu' é o que ele não é. O 'Eu' não é inerte. O 'Eu' não pode ser o corpo inconsciente. Os movimentos do corpo são confundidos com o 'Eu' e o resultado disso é a miséria . Esteja o corpo funcionando ou não, o "Eu" permanece livre e feliz. O 'eu' do ajnani é apenas o corpo. Esse é todo o erro. O "Eu" do jnani inclui o corpo e tudo mais. Claramente alguma entidade intermediária surge e dá origem à confusão.

Pergunta: Se o jnani diz "eu sou o corpo", o que lhe acontece na hora da morte?

B: Mesmo agora ele não se identifica com o corpo.

P: Mas você disse há pouco que o jnani diz: "eu sou o corpo."

B: Sim. Seu "eu" inclui o corpo. Pois não pode haver nada separado do 'Eu' para ele. Se o corpo se vai, não há perda para o 'Eu'. O 'eu' permanece o mesmo. Se o corpo sentir-se morto deixe-o levantar a questão. Sendo inerte ele não pode fazê-lo. O "Eu" nunca morre e não faz a pergunta. Quem então morre? Quem faz perguntas?

P: Para quem são todas escrituras (sastras) então? Elas não podem ser para o Eu real. Elas devem ser para o 'eu' irreal. O Eu real não as requer. É estranho que o 'eu' irreal tenha tantas sastras direcionadas para si.

B: Sim. É isso mesmo. A morte é apenas um pensamento e nada mais. Aquele que pensa é que traz problemas. Deixe o pensador nos dizer o que acontece com ele na morte. O verdadeiro "Eu" é silencioso. Não se deve pensar "eu sou isto - eu não sou aquilo". Dizer 'isto ou aquilo" é errado. Essas também são limitações. Apenas o "Eu Sou" é a verdade. O silêncio é o 'Eu'. Se uma pessoa pensa "eu sou isso ", outra pensa "eu sou isso" e assim por diante, há um choque de pensamentos e as tantas religiões são o resultado. A verdade permanece como é, ela não é afetada por quaisquer declarações, conflitantes ou não.

P: O que é a morte? Não é o desaparecimento do corpo?

B: Você deseja saber isso durante o sono? O que está errado então?

P: Mas eu sei que vou acordar.

B: Sim - novamente o pensamento. Há o pensamento precedente "eu irei acordar". Os pensamentos governam a vida. A liberdade de pensamentos é a nossa verdadeira natureza - a Graça.

B: A ignorância (ajnana) é de dois tipos:

(1) O esquecimento do Ser.
(2) A obstrução ao conhecimento do Ser.

As ajudas e apoios são destinados a erradicar os pensamentos; estes pensamentos são as manifestações de predisposições remanescentes na forma embrionária, eles dão origem à diversidade da qual todos os problemas surgem. Essas ajudas são: ouvir a Verdade transmitida pelo mestre (sravana), etc. Os efeitos de sravana podem ser imediatos e o discípulo percebe a Verdade de imediato. Isso só pode acontecer para o discípulo bem avançado. Caso contrário, o discípulo sente que é incapaz de perceber a Verdade, mesmo depois de ouvi-la repetidamente. Isso se deve a quê? Às impurezas em sua mente, à dúvida, à ignorância e à identidade errônea; esses são os obstáculos a serem removidos.

(a) Para remover a ignorância completamente, ele tem de ouvir a Verdade repetidamente, até que seu conhecimento sobre o assunto em questão torne-se perfeito. (b) Para remover as dúvidas, ele deve refletir sobre o que ouviu até que seu conhecimento fique livre de dúvidas de qualquer espécie. (c) Para remover a identidade errada do Ser com o não-Ser (com o corpo, os sentidos, a mente ou o intelecto) sua mente deve tornar-se unidirecionada.

Uma vez que todas essas coisas forem realizadas, os obstáculos são exterminados, e com isso resulta o estado de Samadhi, isto é, a Paz reina. Alguns dizem que nunca devemos deixar de nos envolvermos no processo de ouvir a Verdade, de refletir sobre o conhecimento e de manter a unidirecionalidade. Isso não é realizado ao lermos livros, mas apenas pela prática continuada de manter a mente afastada (separada).

O aspirante pode ser kritopasaka ou akritopasaka. O primeiro está apto a realizar o Ser, mesmo que com o menor estímulo: apenas algumas pequenas dúvidas impedem seu caminho e são facilmente removidas se ele ouve uma vez do Mestre a Verdade. Imediatamente ele ganha o estado de Samadhi. Presume-se que ele já havia concluído o sravana, a reflexão, etc em nascimentos anteriores, eles não são mais necessários para ele. Para o outro todas essas ajudas são necessárias; para ele as dúvidas surgem mesmo depois de ouvir repetidas vezes, por isso ele não deve desistir dessas ajudas até que ganhe o estado de Samadhi. O Sravana remove a ilusão do Ser como sendo o mesmo que o corpo, etc. A reflexão deixa claro que o Conhecimento é o Ser. A unidirecionalidade revela o Ser como sendo Infinito e Bem-aventurado.


domingo, outubro 23, 2011

Eckhart Tolle conversa com Neale Donald Walsch



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quinta-feira, outubro 20, 2011

Manifestando a capacidade infinita


Masaharu Taniguchi


Noda – Outro dia comentei a respeito da Seicho-No-Ie com o sr. Ishikawa, presidente da editora que publica a revista feminina Shufu no Tomo. Ele acha que cada homem deve dedicar-se apenas a uma única ocupação e disse-me o seguinte:

“O sr. Taniguchi, que prega o modus vivendi da Seicho-No-Ie, edita sua revista e tem outra atividade paralela. Então não se pode dizer que ele dedica sua vida totalmente à Seicho-no-Ie. Enquanto não se entregar apenas à Seicho-No-Ie, não poderá afirmar: ‘eu vivo da Seicho-No-Ie para a Seicho-No-Ie’. Quando observo o sr. Taniguchi, ele parece dizer: ‘Não vivo da revista; tenho outros meios de sustento’, e aí está a falha. Se ele dedicar sua vida apenas à Seicho-No-Ie, com a determinação de viver somente da revista, o número de leitores aumentará e a salvação se estenderá a maior número de pessoas. Ele precisa dar o exemplo de dedicação total ao empreendimento, eliminando todos os outros meios de sobrevivência. Se a manutenção da Seicho-No-Ie depender de recursos que ele obtém por meio de outras atividades, a revista deixará de ser editada caso ele perca o emprego. Se ele não se preocupa com a venda da revista por possuir outro meio de sustento, não se pode dizer que está se dedicando de corpo e alma ao empreendimento. Por conseguinte, não consegue atrair grande número de leitores, embora os artigos contidos na publicação sejam da melhor qualidade. A sua atitude de completo desinteresse pelos lucros comerciais merece elogios, mas carece de força para aumentar o número de leitores. Se o sr. Taniguchi deseja realmente aumentar o número de leitores, terá de deixar a outra ocupação. Resumindo, o conteúdo da Seicho-No-Ie possui Vida, mas infelizmente não se pode dizer o mesmo da editoração, porque esta não conta com a dedicação total do sr. Taniguchi."

Taniguchi – É uma opinião que merece respeito, uma vez que parte de um profissinal do ramo. Ele está certo quando diz que é necessária dedicação total de nossa vida a uma coisa só. A Seicho-No-Ie sempre tem defendido esse ponto de vista. Porém, a questão está em a que devo dedicar minha vida. Os objetivos da Shufu no Tomo e da Seicho-No-Ie são diferentes. Não é minha intenção dedicar a minha vida na atividade comercial de aumentar o número de leitores. Se eu almejar recursos para o meu sustento através da revista Seicho-No-Ie, poderei, como diz o sr. Ishikawa, “viver da Seicho-No-Ie para a Seicho-No-Ie”, mas ficarei totalmente dependente dessa publicação. A revista criada para salvar a humanidade desvirtuar-se-á de sua função e se transformará em instrumento de progresso e ambição pessoais. Então a revista Seicho-no-Ie, por mais que aumente o número de leitores, tornar-se-á uma revista espiritualmente morta.

Naturalmente, gostaria de ver aumentado o número de leitores da Seicho-No-Ie, mas não para melhorar a situação econômica da revista. Meu desejo é estender a salvação ao maior número possível de pessoas. Se pensam que tenho uma atividade paralela por não conseguir viver só com a publicação da revista, estão completamente enganados. Não sou eu quem irá ter dificuldades se a revista não se expandir, e sim um grande número de pessoas que habitam a humanidade. O ser humano que conscientizou ser filho de Deus não passa por dificuldades em hipótese alguma. Não há como um filho de Deus passar dificuldades. Descobri o meio de não passar dificuldades em circunstância alguma.

O sr. Ishikawa, quando tece críticas dizendo que a revista Seicho-No-Ie não conta com minha dedicação total, aparentemente está correto, mas está longe de compreender o objetivo da Seicho-No-Ie. Esta não nasceu para desenvolver uma atividade comercial. Minha vida, que é de um trabalhador comum, é exatamente igual à da maioria da humanidade. Mesmo assim, com a maior parte do meu tempo comprometida com meu emprego, consigo cumprir a missão de levar a luz à humanidade. Este é o caminho que desbravei. Descobri o meio de desenvolver a capacidade infinita que o homem possui como filho de Deus que é. O “modo de viver” da Seicho-No-Ie é valioso justamente porque pode ser praticado por quaisquer pessoas de qualquer profissão ou condição social. Se fosse para dar o exemplo de que não tenho outro meio de vida senão o da publicação de revistas, não teria sentido divulgar a Seicho-no-Ie.

Por mais que se amarre o homem com a corda chamada “profissão”, ele sempre poderá estender a mão para salvar o próximo. O importante é ter liberdade para realizar o que se pretende, mesmo estando amarrado. A maioria das pessoas pensa que não tem condição para ajudar os outros por estar totalmente presas a seus afazeres como um escravo de sua profissão. Mas o homem pode ajudar o próximo, qualquer que seja a sua ocupação. Eu, apesar de estar amarrado a meu emprego, consigo iluminar a vida de meus semelhantes, dando-lhes conselhos e curando seus males, além de redigir os artigos da revista Seicho-No-Ie. Isto é possível porque a Vida é infinita, porque o homem é filho de Deus. Quanto mais ele usa a Vida, mais ela se desenvolve. Demonstrar essa Verdade através da minha própria experiência é a finalidade atual da minha vida. Sei que a dedicação exclusiva a um empreendimento é a lei áurea do progresso. Entretanto, se tiver de me recusar a prestar qualquer serviço benéfico ao próximo sob o pretexto de estar me dedicando única e exclusivamente a uma determinada atividade, estarei admitindo que o homem é um ser limitado que não possui liberdade nem flexibilidade.

Recentemente, recebi uma carta de certa senhora cujo marido é sericultor (criador de bicho-da-seda). Diz ela que sericultura é uma atividade que requer quase 24 horas de dedicação por dia, não permitindo descanso suficiente a ninguém. O trabalho é tão estafante que ela ficou neurastênica. Ela sente a cabeça zonza e encontra-se num estado de total depressão. Devido a esse estado, pediu à sogra para substituí-la nas tarefas noturnas, mas fica tão constrangida por incomodá-la, que prejudica mais a saúde. Se trabalha à noite, prejudica a saúde; mas se pede ajuda à sogra, o peso na consciência a deixa doente da mesma forma. Então deseja trocar a sericultura por um trabalho que lhe seja mais adequado como o de costureira, por exemplo, e termina a carta pedindo o meu conselho.

Minha resposta à carta dela foi: “Morra e viverá”. Surgiram-me estas palavras porque eu próprio estou vivendo uma vida que emergiu da morte. Dando prosseguimento, disse-lhe: “Eu também não acho que o trabalho que executo atualmente na empresa seja adequado para mim, mas consigo trabalhar tranquilamente. A senhora fala em “trabalho mais adequado”, mas poucos são os que possuem condições adequadas. A grande maioria da humanidade vive presa a uma ocupação que não é do seu agrado. Se eu vivesse comodamente, desempenhando uma profissão adequada, não teria condições morais para mostrar à humanidade que o homem pode ter uma vida satisfatória, mesmo estando preso a uma ocupação inadequada. Eu conclamo a humanidade: 'Se você está preso a um trabalho inadequado por necessidade de subsistência, não lamente! Embora uma parcela significativa de sua vida seja tomada por atividades necessárias à sua subsistência, isso não é motivo para lamentações. Cristo indicou o caminho quando nos exortou a caminhar duas milhas se alguém nos obrigasse a caminhar uma milha. Você possui algo que ninguém pode tomar-lhe e nem a morte poderá levar: é o seu Eu verdadeiro, a sua Vida. De resto, nada há que mereça consideração.'

Sinto-me à vontade para pregar isso porque eu próprio ando duas milhas quando sou obrigado a andar uma. Se sua família vive da sericultura e a senhora é obrigada a cultivar bichos-da-seda, essa ocupação corresponde a andar “uma milha” a que se refere Jesus Cristo. Então a senhora deve andar “duas milhas”. A primeira milha é a parte que se oferece a quem a exige; a segunda milha é a parte que se conquista voluntariamente e é esta que traz satisfação. Não diga que a senhora não tem força para caminhar duas milhas. Estou lhe dando o meu exemplo.

A força do ser humano, o qual é filho de Deus, não é limitada. Nossa força é como a água de um poço ligado a um lençol subterrâneo sem limites, que brota infinitamente à medida que retiramos. O volume de água acumulado no fundo do poço é limitado, pois o poço tem profundidade e área limitadas; com base nessas duas medidas, pode-se calcular o volume de água. E se alguém deixar de tirar essa água, pensando que com isso poderá secar o poço, o volume dessa água será realmente pequeno e limitado, exatamente como ele pensa. Mas, se ele acreditar que essa água está ligada ao lençol subterrâneo inesgotável e a retirar tranquilamente todos os dias, brotará o tanto que for retirado. A força vital que nos sustenta é semelhante à água do poço: torna-se limitada para quem a mede, mas é inesgotável para quem a usa sem medir.

Se a senhora sofre de neurastenia, é porque pensa que não está sendo benquista pelos outros e receia que eles a estejam criticando. Se tem esse receio, é porque não tem convicção de estar manifestando força total; fazendo uma autoavaliação, não consegue atribuir nota dez a si mesma. Por não estar manifestando plenamente a sua força, sente-se constrangida perante os outros, e esse constrangimento desgasta sua mente e provoca a neurastenia. A senhora raciona seu esforço porque mede sua força vital, considerando-a limitada. Não a meça e manifeste-a o quanto for necessário. Se lhe exigirem que a manifeste dez vezes, manifeste-a vinte vezes. Assim, tanto sua sogra como os outros ficarão contentes, a senhora não precisará viver constrangida o dia todo, sentir-se-á descontraída, e a neurastenia desaparecerá por si mesma.


Foi este o teor da resposta que lhe escrevi. Se ela continua medindo o volume da Vida com uma “balança” ou uma “régua”, deve continuar neurastênica ainda. Se, porém, aprendeu a usar a Vida sem medi-la, já deve estar curada.

O sr. Ishikawa pensa que a revista Seicho-No-Ie deixará de ser editada caso eu perca o emprego porque ela é mantida com o meu ordenado, mas devo dizer que ele está equivocado. A Seicho-No-Ie surgiu para provar que o homem pode levar luz aos semelhantes, mesmo estando com seu tempo integralmente tomado pelo trabalho profissional. A maioria das pessoas pensa que não pode ajudar o próximo porque trabalha como empregado ou porque sua profissão não lhe permite esse luxo. Eu também pensava assim e várias e várias vezes cogitei deixar o emprego. Mas um acontecimento desfez essa “superstição” e compreendi que posso ajudar o próximo mesmo tendo uma ocupação das mais árduas. Foi então que surgiu a Seicho-No-Ie. Por isso, atualmente não penso mais em fugir do emprego. Posso ajudar as pessoas, sem mudar as condições da minha vida.

Esse modo de viver pode ser praticado por toda e qualquer pessoa. Uma das grandes Verdades descobertas pela Seicho-No-Ie é que a Vida (essência) do homem é totalmente livre, desembaraçada, desimpedida. A Vida (o homem verdadeiro) tem liberdade e flexibilidade ilimitadas: se lhe fecharmos uma saída, ela sai por outra; se fecharmos todas as saídas, ela se infiltra no solo ou sobe para o céu tal como a água. Quaisquer que sejam as restrições impostas ou a situação em que se encontre, o homem sempre tem saída e possibilidade de ajudar o próximo.

Noda – Então o senhor pretende continuar eternamente nessa vida dupla, trabalhando como empregado e ditando a revista ao mesmo tempo?

Taniguchi – O único fato que está determinado é o de que a Vida (o homem) sempre vive. A forma de viver não está determinada. Quando se delimita a forma de viver, a Vida perde a liberdade. A Vida é admirável justamente porque pode ajudar os semelhantes, mesmo mudando sua forma de agir conforme mudem as circunstâncias e as pessoas. Se minha vida, dedicada à Seicho-No-Ie, fosse vida particular para satisfazer meu ego, seguiria o rumo que eu traçasse; porém, como se trata de vida que surgiu para realizar a vontade do Pai, terá de mudar conforme a vontade d’Ele. Existe a convicção de fazer a vontade do ego e a convicção de agir conforme o fluir da Vida do Universo, sob o apoio da Vida do Universo. Esta segunda é a convicção da Seicho-No-Ie. Chegando ao momento oportuno, pode ser que eu deixe a vida de empregado, mas de modo natural. Se a deixar com a ambição de ampliar a divulgação da revista, serei um simples editor profissional. Se atualmente sou empregado, é porque a humanidade precisa de um exemplo de que o homem, mesmo vivendo como simples empregado, pode ajudar o próximo e levar luz a milhões de pessoas. Quando a humanidade presenciar suficientemente tal exemplo e precisar de um outro exemplo de vida, meu modo de viver mudará naturalmente, segundo a vontade divina, e não segundo a vontade do meu ego.

A Vida não precisa viver conforme uma forma preestabelecida; o melhor é viver segundo o fluir da Grande Vida universal, e então tem-se maior liberdade. Nós respeitamos a forma, mas sem nos prendermos a ela. Não precisamos nos prender à forma porque ela é “sombra” projetada. O principal é a Vida. Estando a Vida firme em seus propósitos, a forma pode variar milhares de vezes. Se, ao contrário, a Vida se sujeitar a uma determinada forma para mantê-la, é como se ela estivesse morta. Mas isso não quer dizer que se possa mudar a forma a todo momento, a torto e a direito. Quando a pessoa conscientiza no fundo da alma a Vida sempiterna, que não morre nem quando morre o corpo, consegue naturalmente viver do modo mais adequado ao momento e às circunstâncias.

Uma vida forçada, dirigida pela força do ego ou conduzida obstinadamente dentro de uma forma determinada pode ter grandes avanços durante certo tempo, mas um dia fracassa. Ainda que a pessoa não fracasse até o último momento de sua vida, fracassa com a morte. Napoleão fracassou, Alexandre Magno idem. Na hora da morte, é preciso abandonar todas as ambições, inclusive a de unificar o mundo. Então, obviamente se deve abandonar a ambição de querer incrementar a publicação de uma revista.A todo instante, devemos viver de tal forma que não fracassemos nem mesmo na hora da morte. Se vivermos sem nos apegarmos à forma, embora respeitando-a, de tal modo que a Vida (que habita em nosso interior) projete corretamente sua “sombra” em nosso dia-a-dia, não fracassaremos após a morte. A Vida prossegue fazendo sua imagem refletir-se de diferentes formas, segundo os “espelhos” pelos quais passa. Conforme o tipo e o formato do espelho – grande, pequeno, redondo, quadrado, plano, convexo, côncavo, etc. –, varia a imagem nele refletida, e isso é o natural. Se alguém insiste em fazer com que se reflita uma mesma forma ou imagem em todos os espelhos, é porque está sendo dirigido por seu ego. Não é preciso preestabelecer uma imagem, pois a Vida projeta infalivelmente uma bela imagem, sempre adequada ao ambiente (espelho) por onde passa.

Todas as imagens refletidas são boas e belas. Esse processo é comparável à formação dos belos cristais de neve, de diversas configurações, porém todas hexagonais, quando uma massa de ar frio, sem usar de artifício algum, passa pelas gotículas suspensas no ar. A vida é uma jornada em que cada qual avança projetando a “sombra” de sua Vida-essência em seus respectivos espelhos ambientais e circunstanciais. Por isso, basta que caminhemos projetando a “sombra autêntica” de nossa Vida-essência, e então veremos cristalizada naturalmente uma vida bela. Para que isso aconteça, é fundamental conscientizarmos a natureza perfeita de nossa Vida-essência. Não devemos cometer o equívoco de tomar a forma por Vida. Quando cometemos esse equívoco, já estamos em ilusão. A forma desaparece infalivelmente porque é “sombra” projetada. Aquele que se apega à forma, tomando-a por Vida, ficará frustrado quando ela desaparecer. Embora os cristais hexagonais de neve derretam, o princípio que os forma jamais derrete. Do mesmo modo, embora as formas desapareçam, a Vida é indestrutível. Compreender isto é fundamental.

(Do livro " A Verdade da Vida, vol. 15", p.118-131)

quarta-feira, outubro 19, 2011

O sentimento de gratidão atrai todas as coisas boas

MASAHARU TANIGUCHI


Tenha sempre o sentimento de gratidão, preencha-se de sentimento de gratidão. Onde se manifesta o sentimento de gratidão, apaga-se a desarmonia, desaparece o conflito, o fracasso se transforma em primeiro passo para o êxito, novas ideias surgem, as doenças se curam e a tristeza cede lugar à alegria. As inundações e terremotos são calamidades naturais que não escolhem lugar, mas onde há sentimento de gratidão será menor o dano causado e maior a oportunidade para a recuperação.

Agradeçam mutuamente marido e mulher. Agradeçam mutuamente pais e filhos. Agradeçam mutuamente empregadores e empregados. As graças do Mundo Absoluto da Realidade se materializam e aparecem onde está repleto de sentimento de gratidão. Esta Verdade é expressa com as seguintes palavras na Revelação Divina: "Somente através deste coração de gratidão é que poderás ver-Me e receber a Minha salvação". Reflita mais uma vez se o seu coração está repleto de sentimento de gratidão. Se não estiver, renove esse sentimento e procure dizer repetidas vezes as palavras de gratidão. É nisso que está a fonte da felicidade.

domingo, outubro 16, 2011

Quem é você?


Dárcio Dezolt


Não há nada que seja de maior importância do que sabermos quem somos. Não somente intelectualmente, mas, principalmente, com discernimento espiritual. A suposta forma humana, nascida de pais humanos, precisa ser descartada por completo, se quisermos intuir espiritualmente nossa real identidade. “Não chameis de pai a ninguém sobre a face da terra”, disse Jesus Cristo, “porque um só é vosso Pai, o qual está nos céus”.

O Apocalipse revela que “tudo está feito”, confirmando a revelação de que “as obras de Deus são permanentes”. A maioria, entretanto, se prende a este mutável mundinho visível, mera sugestão hipnótica de mundo tridimensional, que ilusoriamente confunde a todos, ocultando o infinito-dimensional reino do Espírito já manifestado aqui e agora! “É chegado o reino de Deus”, disse Jesus, no intuito de acordar a todos do sono hipnótico!

Quem é VOCÊ? A Bíblia diz claramente: “Pela fé, todos sois filhos de Deus” (Gálatas 3; 26). Portanto, precisamos saber o que é a “fé”. Difícil? Não! A Bíblia nos dá também a explicação: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem”. (Hebreus 11; 1). Portanto, se pela fé, todos somos filhos de Deus, precisamos nos firmar nesta Verdade e dar provas concretas de sermos esta identidade divina e perfeita “não vista” pela cega mente humana!

Em outras palavras, o suposto “ser visto” não é nem filho de Deus nem é o nosso ser! Em contrapartida, o “filho de Deus” que somos, encarado e aceito incondicionalmente pela fé, ou pela certeza do “não-visto”, dá prova de Si mesmo e Se manifesta aqui e agora como a Emanação divina e perfeita que somos! As “coisas necessárias” nos são divinamente acrescentadas, por termos cumprido os passos segundo a fé, de “buscarmos, primeiro, o Reino da Verdade dentro de nós!"

Se as religiões cuidassem de explicar a todos estas Verdades, e parassem de disputar a posição de “ser a única verdadeira” Igreja de Cristo, muito mais pessoas estariam recebendo a revelação de “quem elas são”, e muito mais Luz estaria Se derramando por todo o planeta!

quinta-feira, outubro 13, 2011

A Natureza Livre da Vida


Masaharu Taniguchi


Outro dia, um leitor perguntou-me o seguinte: “Se a doença não é existência real, não passando de mera sombra da mente, não poderíamos dizer que também a saúde é mera sombra da mente e não é existência verdadeira?”

Sem dúvida alguma, a saúde física também não passa de projeção da mente, não é existência real. Por isso mesmo, por mais saudável que seja o corpo carnal, não dura mais do que cento e poucos anos e acaba desaparecendo. Tudo que não é existência verdadeira se destrói. Não devemos pensar que o corpo carnal seja existência real. Considerando-o existência real, nossa mente se prende a ele. Prendendo-se, a mente perde a liberdade; perdendo a liberdade, torna-se distorcida e imperfeita, isto é, doente. A origem de toda doença está na mente que considera este limitado e incômodo corpo carnal como existência verdadeira e se prende a ele.

É um tanto constrangedor pregar um sermão como este ao senhor, que é médico. Mas os médicos, em vez de corrigir o filme mental, concentram suas atenções à imagem da doença projetada na tela carnal e tentam corrigir essa imagem, cortando-a com bisturi, colocando-lhe remendos ou retocando-a externamente. Entretanto, por mais que corrijam a tela, ela voltará a refletir a imagem de doença enquanto não for corrigida a gravação do filme (imagem mental). E a melhor maneira de corrigir essa imagem do filme mental é deixar de gravar na mente o corpo afetado pela doença. E, para não gravar na mente o corpo doente, o melhor é esquecê-lo completamente.

Quando esquecemos da existência do corpo, seus órgãos passam a desempenhar plenamente suas funções. O coração trabalha de maneira perfeita quando não nos lembramos de sua existência. O estômago funciona perfeitamente quando não nos lembramos de sua existência. Quando pensamos preocupadamente “aqui está o coração” ou “aqui está o estômago”, eles passam a apresentar problemas. Na essência somos Vida, somos Espírito vívido que vibra dinamicamente. Entretanto, julgamos que somos corpo carnal, que somos matéria, que somos um ser imperfeito e cheio de limitações. Só pelo fato de pensarmos assim já estaremos degenerando, afastando-nos da verdadeira natureza da Vida, que é dinâmica e livre. O fato de a Vida, que é dona da mais absoluta liberdade, considerar-se uma existência material cheia de limitações é o cúmulo da degeneração. Essa degeneração do juízo é que se projeta no corpo em forma de doença.

Há quem argumente que adoeceu sem nunca ter pensado em doença. Mas o fato de o homem, que é Vida infinitamente livre, considerar-se um ser material cheio de restrições, equivale a considerar-se doente. A medicina e a fisiologia modernas ensinam que o homem não passa de matéria. Isso equivale a impedir que o homem conscientize sua Vida, livre por natureza, e sugestioná-lo negativamente com a ideia de que ele é escravo da matéria, adoecível e perecível. Eis por que as doenças proliferam quanto mais evolui a medicina. Mas a Seicho-No-Ie, ao contrário da medicina, refuta o conceito de que o homem seja matéria e proclama que o ser humano é a própria Vida livre e independente. Existem diversos casos de enfermos que conseguiram se livrar de doenças consideradas incuráveis pela medicina, simplesmente porque, lendo A Verdade da Vida ou a Sutra Sagrada Kanro no Hoou, conscientizaram que são Vida livre de imperfeições e não mera matéria. Tenho comigo um depoimento de cura de câncer estomacal (o prof. Taniguchi faz circular entre os presentes a carta de um adepto).

Não se deve considerar existência verdadeira o que é visível aos olhos carnais. Não se deve considerar real aquilo que se percebe através dos cinco sentidos. Então, poder-se-ia considerar existência verdadeira aquilo que é percebido pela vidência? Não. Aquilo que é existência verdadeira não pode ser visto nem mesmo pela vidência. Por isso a sutra sagrada Kanro no Hoou diz: “a Realidade transcende os cinco sentidos, transcende inclusive o sexto sentido e não se projeta à percepção do homem”. Quem considera existência real aquilo que capta através dos cinco sentidos torna-se prisioneiro dos cinco sentidos e não pode manifestar a liberdade própria da Vida. Do mesmo modo, quem considera existência real aquilo que percebe através do sexto sentido ou da vidência torna-se prisioneiro do mundo do sexto sentido e perde a liberdade própria da Vida. Conheço pessoas que dizem enxergar espíritos através da vidência. Afirmam que vêem espíritos maléficos, espíritos errantes, espíritos de animais, espíritos vingativos, etc. Será que todos esses espíritos existem mesmo? Eles existem, mas em outro sentido da palavra “existir”, porque na concepção verdadeira eles não existem, ou seja, eles não são existências verdadeiras.

Os micróbios também existem, mas naquele outro sentido da palavra. Os micro-organismos são visíveis ao microscópio, sendo possível cultivá-los a multiplicá-los, mas eles não existem como causadores de doenças. Isto porque Deus jamais cria algo desarmônico que possa causar mal. O que Deus não criou não existe. Considerar existente algo que não foi criado por Deus – isto é ilusão. Dizemos que os micróbios patogênicos existem num outro sentido da palavra “existir”, porque são seres inexistentes que se concretizaram através da ilusão. Também os espíritos maléficos não existem, pois Deus não criou seres que causam malefícios. O “modo de viver da Seicho-No-Ie” consiste em viver olhando somente o que existe no mundo harmonioso criado por Deus.

Aqueles que possuem o dom da vidência podem temer os espíritos maléficos que enxergam e adoecer por causa desse temor, da mesma forma que alguns médicos podem se sentir atemorizados vendo os vírus patogênicos através do microscópio. Nesse sentido, os videntes que enxergam espíritos maléficos são mais infelizes do que quem não possui o dom da vidência. Analogamente, os civilizados que veem micro-organismos patogênicos têm menos resistência às doenças do que homens primitivos que nem desconfiam da existência de micróbios.

As pessoas comuns dizem “isto existe porque é percebido pelos cinco sentidos”, mas a Seicho-No-Ie afirma que aquilo que é perceptível aos cinco sentidos não é existência real. Os cinco sentidos nada mais são que instrumentos para perceber a sombra projetada pela mente. O que aparenta ser uma existência concreta não passa de pensamento materializado. Analogamente, os espíritos vistos nitidamente através da vidência não são existências reais, mas apenas manifestações da mente.

Há aqui uma mesa. Todos os senhores veem-na sólida e firme. Entretanto, experiências feitas por um médium demonstram que a mesa não é tão sólida quanto aparenta ser, permitindo que um copo colocado sobre ela atravesse-a e passe para o lado debaixo. Para o espírito que age por intermédio desse médium, a mesa é um material transpassável, sem nenhuma solidez. Aí está o segredo do fenômeno de aporte, que consiste em transportar objetos através da parede para dentro de uma sala fechada. É claro que esse segredo não é nenhum truque de natureza material; o segredo está na diferença de vibrações do nosso pensamento e as dos seres pertencentes ao mundo espiritual. Convém frisar que estou me referindo apenas ao fenômeno de aporte através de um corpo sólido, e não a outras modalidades de fenômenos paranormais.

Esta mesa (apontando-a com o dedo) se nos afigura sólida porque nossos cinco sentidos acreditam que ela é sólida, projetam essa ideia (de que é sólida) na mesa e sentem-na sólida. Por conseguinte, para espíritos de determinado nível que não creem na solidez da matéria, nada mais fácil do que fazer um copo atravessar a mesa ou transportar um objeto qualquer através de paredes. Mas isto não quer dizer que a mesa seja uma miragem e não exista de forma alguma. O que existe como mesa são ondas mentais que se fazem sentir como “mesa”. Não é a “mesa” em si que existe, mas ondas mentais com aspecto de mesa. Como não se trata de matéria e sim de ondas de vibração mental, os espíritos que vivem em dimensão diferente da nossa podem perfeitamente fazer o aporte. Pode-se dizer o mesmo em relação à doença.

A doença propriamente dita não existe. O que existe são vibrações mentais que assumem aspecto de doença. Por isso, o segredo da cura está em eliminar as vibrações da ideia de doença. Assim, é perfeitamente explicável por que até doenças graves como o câncer podem ser curadas ao se compreender a Verdade de que o homem é filho de Deus e a doença não existe, através da leitura de A Verdade da Vida ou da sutra sagrada Kanro no Hoou. A razão é mais do que evidente: ao se perceber que a doença não existe, desaparece a ideia de doença; consequentemente, a doença, que nada mais é que materialização dessa ideia, também desaparece. Mas se a pessoa ler superficialmente os livros da Seicho-No-Ie e não assimilar a Verdade de que a doença não existe (isto é, mantiver a ideia corrente de que “a doença existe”), não será curada, pois a ideia de doença mantida em sua mente continuará a se manifestar no mundo das formas. Na verdade, tudo que concebemos na mente concretiza-se em nosso corpo ou no ambiente onde vivemos. Por isso digo sempre que as obras sagradas como A Verdade da Vida ou Kanro no Hoou devem ser lidas e relidas várias vezes; não basta que o leitor entenda intelectualmente o que nelas está escrito. É preciso que a ideia de doença vá sendo destruída a cada leitura, até ser exterminada, quando então a doença desaparecerá subitamente, e a possibilidade de adoecer também deixará de existir. É o mesmo que acontece no cinema: no instante em que a imagem da doença for retirada do filme, ela desaparecerá também da tela. Por isso, os livros sagrados da Seicho-No-Ie devem ser lidos repetidas vezes até o desaparecimento total da ideia de doença gravada no filme da mente subconsciente.

(Do livro “A Verdade da Vida”, vol. 15, p. 107-113)


segunda-feira, outubro 10, 2011

O santo ensinamento de Buda


Masaharu Taniguchi


"Em verdade, através da mente que guarda ódio não se pode extinguir esse ódio. Somente com a mente que não guarda ódio pode-se extinguir o ódio. Esta é a Verdade que jamais mudará."

Essas são as santas palavras de Buda, citadas no Capítulo 5 de Hokku-Kyô. Dizer que "o ódio não pode ser eliminado com a mente que guarda ódio; só a mente que não guarda ódio pode eliminar o ódio", é fazer afirmações tão evidentes como, por exemplo, "a mente irada é cheia de ira" ou "a mente alegre é cheia de alegria". Por que terá Buda afirmado uma coisa tão óbvia?

Com aquelas palavras, Buda visou explicar a seguinte Verdade: "Não se pode eliminar a ilusão da mente com a mente em ilusão". É inútil tentar aniquilar o ódio com a mente em ilusão, dominada pelo ódio. Porém, quando se manifesta a mente sem ilusão - a mente do Jisso, que jamais abriga pensamentos e sentimentos negativos - o ódio desaparece por si mesmo.

É inútil tentar extinguir as trevas da mente com a mente em trevas. Mas basta manifestar a mente repleta de luz para que as trevas da mente desapareçam por si mesmas. Nenhum pensamento além do pensamento de luz (pensamento positivo) tem o poder de eliminar as trevas da mente (pensamentos negativos). Alcançando-se a compreensão de que "as trevas da mente" não existem, elas se extinguem por si mesmas. Alcançando-se a compreensão de que "o ódio não existe", ele se extingue por si mesmo.

Em outras palavras, ele quis dizer que não se pode corrigir a mente em ilusão com a própria mente em ilusão. Por mais que se tente, isso é impossível mesmo. Só a "mente que despertou para a Verdade" é capaz de eliminar a "mente em ilusão".

É óbvio que a "mente em ilusão" não consegue eliminar a própria "ilusão da mente". Apenas a Verdade pode remover a ilusão. Somente a luz pode extinguir a treva e iluminar o mundo. A treva não pode eliminar a treva e iluminar o mundo. Não adianta a mente enferma querer evitar a doença. A mente que deseja evitar a doença é a "mente em ilusão", pois esse desejo surge da ideia preconcebida de que "a doença existe". A maioria das pessoas acabam doentes, mesmo desejando evitar a doença. A "mente em ilusão" deseja evitar a doença, enquanto que a "mente que despertou para a Verdade" afirma que a doença não existe. Já que a doença inexiste, não é necessário evitá-la. É impossível o homem verdadeiro adoecer, mesmo que o deseje, pois ele é de natureza divina. Só adoece aquele que não é homem verdadeiro. A doença representa a não-conscientização do homem verdadeiro; é o estado em que está ausente a conscientização correta do homem verdadeiro.

A doença começa a desaparecer a partir do instante em que se compreende claramente que ela não existe. Compreender que a doença pode melhorar ou piorar conforme a atitude mental é valido, porém esse é um ensinamento relativo e dual, e nós não devemos nos deter aí. Contudo, compreender que "a doença não existe" é uma Verdade absoluta e eterna, e essa conscientização é que constitui a nossa verdadeira meta. Uma vez que consigamos isso, viveremos totalmente livres como peixes na água.

(Dos livros "A Verdade da Vida", volumes 14 e 15)


sexta-feira, outubro 07, 2011

Verdade e teoria sobre a inexistência da matéria


Masaharu Taniguchi


Suguino - Nestes últimos dias eu vinha me sentindo muito deprimido. Não conseguia ficar alegre nem saber a razão disso; não encontrava nenhum motivo para essa depressão. O problema foi que esse estado se refletiu negativamente em meus negócios, que estavam indo muito bem, e o funcionário responsável pela minha loja comprou produtos de má qualidade. Se eu estivesse com a mente alegre e positiva, isso não teria acontecido. Realmente, tudo o que ocorre é reflexo da nossa mente, não é mesmo? Como disse, não conseguia entender o que é que tinha causado tal estado mental em mim. Porém, refletindo melhor, lembrei-me de que há dias recebera uma publicação chamada Boletim da Associação Mikka e lera dentro do trem. Eu tenho o hábito de ler A Verdade da Vida enquanto viajo diariamente de trem, mas, como me chegara esse boletim, comecei a lê-lo, pensando que essa publicação fosse similar às da Seicho-No-Ie e que também me ajudaria a conhecer a Verdade. Porém, à medida que ia lendo, fui notando certas divergências com a filosofia da Seicho-No-Ie e comecei a sentir uma estranha angústia e depressão. A referida publicação defendia uma teoria que em muitos pontos parecia admitir a existência da matéria, bem como a existência do “falso eu”; e à medida que ia lendo, comecei a me deixar levar pela ideia de que tanto a matéria como os fenômenos são existências reais.

Taniguchi – Não se deixe iludir pela teoria de que não há distinção entre o “falso eu” e o “Eu verdadeiro”. A afirmação da Seicho-No-Ie de que “a matéria não é existência real e que o mundo dos fenômenos não passa de uma projeção de nossa mente” não é uma simples teoria. A Seicho-No-Ie afirma que “a matéria não existe” porque esta é a Verdade; realmente “a matéria não existe”. Diz-se que os fenômenos são imagens projetadas pela mente porque assim são quando visto do Mundo da Existência Verdadeira (Mundo do Jisso), que é perfeito. Esta é a única razão de afirmarmos que “a matéria não existe”. Sem dúvida, no livro A Verdade da Vida apresentamos enfática e detalhadamente a teoria da inexistência da matéria. Mas isso é apenas um recurso para conduzir as pessoas à percepção do Mundo da Existência Verdadeira. Não se trata de conclusão teórica de que “a matéria não existe”; a teoria foi estabelecida posteriormente, como um meio de facilitar e conduzir as pessoas à percepção da Verdade. Anteriormente à teoria, existe a Verdade de que “a matéria não existe”; o enunciado teórico foi estabelecido e explicado depois, para que a Verdade pudesse ser assimilada e compreendida de modo fácil. Por isso, os livros da Seicho-No-Ie têm o poder de despertar para a “Perfeição da Vida” a mente daqueles que os lêem e neles acreditam. Despertando para a Perfeição da Vida, as pessoas alcançam um estado mental totalmente livre e, em muitos casos, a consequência é o retorno ao estado verdadeiro, como a recuperação da saúde, curando-se até doenças que a medicina não consegue debelar.

Sem dúvida, as pessoas podem estabelecer as teorias que quiserem, de que “a matéria existe” ou de que “o eu fenomênico é o Eu verdadeiro”. E quem quiser acreditar em tais teorias poderá fazê-lo; é livre para isso. Contudo, se a pessoa acreditar em tais teorias ou se deixar abalar com o que elas defendem, acabará sendo arrastada pela crença de que “a matéria existe”, tornar-se-á dependente da matéria, perderá a total liberdade que vinha desfrutando e, como resultado de ter aceito o “eu imperfeito” como uma das manifestações do Eu verdadeiro, começarão a surgir aspectos imperfeitos em sua vida, tal como no caso do Sr. Suguino: o que corria tranquilamente passou a esbarrar em dificuldades.

É muito fácil criar teorias com base nos aspectos materiais e fenomênicos dos seres e coisas catados através dos cinco sentidos, e afirmar que tanto a matéria como os fenômenos existem realmente. Os cientistas fazem isso. Mas constatar através dos olhos da mente a “inexistência da matéria” não é teorizar. As pessoas tendem a confiar no seu raciocínio cerebral e tentam chegar à Verdade através do intelecto, criando teorias cada vez mais complexas. Em vez de reconhecerem simplesmente que “a matéria não existe”, fazem afirmações complicadas tais como: “a existência da matéria transcende a questão do existir ou não existir”; ou então, em vez de simplesmente negarem a existência do “eu fenomênico”, complicam o assunto, afirmando que “o eu fenomênico também é uma das manifestações do Eu verdadeiro”. Todos aqueles que teorizam dessa forma acabam chegando a um ponto em que não sabem mais se a matéria existe ou não, não obstante suas próprias teorias. A teorização tende a desorientar as pessoas.

(Do livro “A Verdade da Vida, vol. 15”, p. 45-47)