"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

sexta-feira, setembro 23, 2011

O Infinito aparecendo como "ser individual"


Masaharu Taniguchi


A Grande Vida Universal alojou-se em seu ser e tornou-se "você". Portanto, "você" é um ser "individual" e, ao mesmo tempo, "universal". Na verdade, você é uma existência auto-suficiente que nada precisa buscar em "outras partes". Ao mesmo tempo que você se apresenta como "parte", você é o "todo", e dentro do "todo" já se alojam todas as coisas. Por isso, se compreender esta Verdade, não terá mais necessidades de buscar coisa alguma em outros lugares. O "todo" possui todas as coisas dentro de si, encerra o infinito dentro de si. Portanto, somente quando "der" é que você sentirá a alegria da Vida dentro de si, pois somente "dando" é que se torna possível a circulação do "infinito" e nasce a alegria de viver. O amor provém de Deus e, como Deus é infinito, o amor é inesgotável.

terça-feira, setembro 20, 2011

Comunhão com o Espírito


Joel S. Goldsmith

Durante muitos anos, eu mesmo fui incapaz de descobrir qualquer razão para ter nascido. Outros podem não ter tido essa experiência, mas num período de minha existência eu tinha de achar alguma razão para viver. Além do mais, ao olhar ao redor, eu me perguntava por que outros homens e mulheres estavam vivendo – trabalhando oito, nove, dez horas, tendo por única recompensa um lugar para dormir e, finalmente, um buraco onde se enterrar. Isso não parecia ter muito propósito ou significado. Agora, vejo o que a vida pode ser, quando elevada acima do sentido mortal, humano, finito e físico – quando a consciência se expande e temos a visão uns dos outros como seres espirituais. Encontramos uma felicidade no companheirismo humano, até então desconhecida.

Isso acontece quando vemos através da luz espiritual, não através dos óculos escuros do aspecto humano. De fato, eu sei quanto ao companheirismo secreto que vivenciei, que todos os que existiram como indivíduos – Deus manifestando-Se como ser individual – todos eles ainda existem. Eles não só existem mas comungam conosco; eles moram temporariamente conosco. Não estamos conscientes disso até que abrimos o centro espiritual de nosso ser e os encontramos lá. Nós não temos consciência de sua existência, porque eles não existem como mortais; eles não existem como seres humanos; eles nem mesmo existem como espíritos mortos ou como espíritos dos mortos. Eles existem como eu existo, como ser individual, mas como seres individuais que sempre viveram e nunca morreram. Neste plano mais elevado de consciência, você nunca encontrará aqueles que vi­veram e morreram; eles sempre são imortais. Você os encontrará em sua imortalidade e não no sentido humano de masculinidade e feminilidade.

O trabalho de cura, que é a prova de nosso trabalho e da retidão da mensagem, toma-se mais fácil, menos trabalhoso e muito mais produtivo, assim que percebemos a natureza espiritual do Você que você é e do Eu que eu sou, assim que aprendemos largar o sentido físico da existência. Agora, tudo isso pode parecer abstrato ou absoluto; mas, por favor, acredite em mim, não é. Isso é possível bem aqui, no nível onde você está agora e onde eu estou agora; e trazido à manifestação e à expressão no grau em que você e eu percebemos que nossa função neste trabalho não é simplesmente tomar um corpo físico mais saudável, ou tornar uma bolsa mais rica. À medida em que você se eleva acima desse estágio de trabalho, você não centrará mais seu pensamento no plano material de satisfação­ – no plano físico, mental, ou mesmo no financeiro. Não, você começará a pensar no significado espiritual do ser individual e no significado da pro­visão espiritual, e encontrará um mundo totalmente novo. Este mundo novo aparecerá aqui como o aperfeiçoamento de aspectos humanos. Apa­recerá como o aperfeiçoamento de um corpo ou de uma bolsa, mas não será o aperfeiçoamento de qualquer coisa, e você saberá disso. Você considerará que esses efeitos externos não têm nenhuma importância, porque saberá que eles são apenas a tradução da lei divina em termos humanos.

Assim que você abrir a consciência ao influxo, descobrirá que o Espírito irá realmente à sua frente e fará para você o que você humanamente esperou fazer. Finalmente, descobrirá que não raro terá muito a fazer sob o aspecto humano – que sempre o Espírito irá à sua frente para tornar retos os caminhos tortuosos, para fazer estas coisas que, até agora você pensou que teria de fazer. O Espírito é uma realidade. O Espírito é um poder. Até agora nós simplesmente falamos: mas, daqui em diante, temos que realmente suscitá-lo e observá-lo a trabalhar.

O Espírito é Deus; o Espí­rito é a verdade; o Espírito é onipresente, onisciente e onipotente. Uma vez que tenhamos o sentimento consciente da Presença, Ela viverá nossas vidas. Mas deve haver a comunhão consciente. Deve haver a união ou conciliação conscientes. Deve haver uma percepção consciente da Presença e tudo acontece através da abertura de consciência à Verdade, através da meditação, de uma forma ou de outra.



sábado, setembro 17, 2011

Seja franco


Alfred Aiken


Seja franco, quando questionar seu Eu. Você anseia por resposta verdadeira? Ou meramente espera confirmação de opiniões populares ou pré-concebidas? Busque (sinceramente), e achará; bata (honestamente), e lhe será aberto. Não indague como um homem assumindo Deus como um homem superior. Não indague como uma mente pequena consultando uma Mente superior: “pois um homem de mente dual é instável em todos os seus caminhos”. Tal dualidade ou impureza nada pode receber do Amor.

Se realmente deseja ter resposta à questão levantada por Pilatos: “Que é a Verdade?” – consiga-a direto da Mente; sua Auto-revelação não lhe vem de outrem. Ela é sempre direta. Unicamente a Verdade é Inteligência, e não há ninguém mais a quem a Verdade possa revelar a Realidade. A Verdade é Seu próprio Eu.

Caso você pergunte, e a resposta não lhe chegue de imediato, analise bem suas questões e note se realmente deseja respostas da Verdade, ou se meramente está querendo confirmar conceitos vãos ou pessoais! A Verdade não pode satisfazer um conceito humano, ou ideia pré-concebida de teorias humanas, de uma visão finita. Para a Verdade não há tal coisa. O Amor revela unicamente Sua própria natureza: e o faz somente a Si mesma, pois não há ninguém mais.


quinta-feira, setembro 15, 2011

Não limite Deus a "estudos da Verdade"


Dárcio Dezolt


Deus é Tudo: Onipotente, Onisciente, Onipresente e Oniativo. Por mais que você estude a Verdade, não será seu suposto “conhecimento” que atuará como “poder espiritual”. Se você se prender a tal suposto “conhecimento da Verdade”, seja ele de um dia ou de várias décadas, estará unicamente usando poder mental e ilusoriamente negando a Onipotência divina sendo agora e eternamente sua própria Consciência eterna, iluminada, plena e imutável.

Não há estudo da Verdade que altere Deus sendo VOCÊ! E não acredite jamais que o seu estudo da Verdade seja o fator ativo, quando você medita. Deixe Deus livre, e veja-se livre sendo Deus! “O Pai em mim faz as obras”, disse Jesus! Não disse que o “conhecimento” dele fazia algo!

Pratique o Silêncio ciente de que o Espírito de Deus, além de ser único e ser o seu Espírito, é a ÚNICA Presença e o ÚNICO Poder ativo, e cem por cento em manifestação! Faça isso, sem jamais restringir a ação de Deus usando “mente humana”, por pensar que Deus responderá segundo um suposto “estágio de consciência”. Esta “mente falsa” deve ser banida, principalmente durante as contemplações, pela admissão incondicional e irrestrita de que a Mente ÚNICA é, portanto, a ÚNICA em manifestação plena como a “sua” Mente!

segunda-feira, setembro 12, 2011

A mente do "eu quero"


Dárcio Dezolt


A resposta abaixo, dada por Masaharu Taniguchi a uma suposta adepta da Seicho-no-ie, se aplica sempre que uma mentalidade “Eu quero” for erroneamente confundida com a Mente real de todo Filho de Deus, que é a própria expressão de Deus.

Há muitos anos, quando eu a li, mandei fazer dezenas de cópias e as distribuí a todos com quem tive contato. E hoje, volto a postar aqui com o mesmo objetivo: o objetivo de fazer com que cada leitor se identifique única e exclusivamente com Deus, o Ser real de todos, sem jamais se desgastar ilusoriamente com qualquer “querer” da suposta mente humana. Todo “querer” traz embutido em si mesmo a ideia de “eu não tenho”. E, pela Lei Mental, aquilo que você negar possuir - e consequentemente ficar “querendo” obstinadamente -, acabará deixando de surgir visivelmente neste mundo.

Leiam com cuidado e absorvam todos os pormenores contidos nesta resposta iluminada do Dr. Taniguchi:

"Eu li A Verdade da Vida, mas meu marido não se curou da doença. Tornei-me adepta, mas ele não se curou... Diversos tipos de infelicidade estão surgindo um após outro. Até agora eu não vi realizar-se nada do que desejo, mas pelo menos este desejo eu gostaria que fosse atendido: eu quero que transfiram meu marido do cargo que está ocupando agora...”

Esta é a carta que recebi hoje de uma senhora.

Que parte de A Verdade da Vida ela terá lido? A Imagem Verdadeira da Vida já tem todos os desejos realizados – este é o nosso ensinamento. Ainda que na face da Terra o tempo esteja nublado ou chuvoso, o Sol não está coberto de nuvens. Este é o Aspecto Verdadeiro. Da mesma maneira, ainda que este mundo se mostre adverso para nós, no Aspecto Verdadeiro temos todos os desejos já realizados. Se contemplarmos este Aspecto Verdadeiro, brotará a alegria em nossa alma. Brotando a alegria na alma, essa alegria manifestar-se-á no mundo das formas e nosso destino tornar-se-á feliz. Como essa senhora tem apenas queixas na “mente”, surgem-lhe somente motivos para queixas, de acordo com a lei “Os três mundos são a manifestação da mente”.

Justamente porque a pessoa se queixa é que sucedem “coisas que lhe causam queixa”. A felicidade não virá se a pessoa ficar descontente com Deus, quando é ela própria quem está criando motivos de queixa para si. Realmente, tudo é feito conforme se crê.

Quando eu digo "Se você não tiver queixas na sua mente, não surgirão coisas que lhe causam queixa", os queixosos me respondem: "Se desaparecerem as coisas que me causam queixa, poderei deixar de me queixar; mas, aparecendo tantas coisas desagradáveis, não é possível deixar de me queixar". E assim, queixam-se todos os dias, e esse "pensamento de queixa" é concretizado no dia seguinte em forma de "incidentes desagradáveis"; em consequência, queixam-se mais ainda. Assim, para tais pessoas, a queixa e a infelicidade giram num círculo vicioso interminável.

Isso acontece porque não conhecem a lei da mente. Como pensam ser real a infelicidade que está acontecendo agora diante de seus olhos, não conseguem alegrar-se por mais que o tentem, e suas queixas continuam interminavelmente. As queixas são como o carvão que move a locomotiva da infelicidade. Não adianta dizerem "Ó locomotiva da infelicidade, não se mova", se essas pessoas continuam atirando o fogo na fornalha da locomotiva. “Então, como poderemos deixar de nos queixar?” – perguntarão. Basta pensar: "O que está acontecendo agora diante de meus olhos é a materialização dos meus pensamentos do passado, os quais estão se apagando desta forma. Graças a Deus!" Em seguida, agradecendo, mentalizar: "Seja o que for que esteja acontecendo diante de mim, isso é apenas a projeção dos pensamentos e não existe de verdade. Na verdade, agora, eu, meu marido e meus filhos somos todos saudáveis e felizes... Graças a Deus!"


A mente é a origem de todas as coisas.


sábado, setembro 10, 2011

Não há duas ONIPRESENÇAS


Dárcio Dezolt


Enquanto a UNIDADE ESSENCIAL não for reconhecida, teremos a "ilusão" atuando como se houvesse "duas" onipresenças: um Universo, espiritual, e um segundo Universo, material. Esta crença é a primeira a ser desmantelada! Por isso, reiteradamente os textos sobre o Absoluto partem da totalidade e da unicidade de Deus. DEUS É TUDO! A Onipresença é ÚNICA! E, obrigatoriamente, "nEle vivemos, nos movemos e temos o nosso Ser", como disse Paulo (Atos, 17: 28).

A Verdade absoluta de que unicamente existe a Eternidade como Fato, e que todos os supostos "fatos temporais ou transitórios" são meramente imagens hipnóticas - puras visões ilusórias -, deve ser "contemplada" em seu sentido máximo e absoluto! E isto para que o dualismo seja realmente descartado como "impossibilidade de existir". Resumindo, este estudo está fundamentado na percepção da Onipresença que nos inclui, e na ausência total de qualquer "outra" presença!

"Não terás outros deuses ao lado de Mim" - Enquanto isto não for contemplado, ouviremos as bem conhecidas e repetidas frases: "Eu sei que lá no Absoluto eu tenho tudo! Mas, na 'aparência' ainda estou longe desta Verdade!", ou, "Um dia eu chegarei à minha plenitude, após conscientizar que Deus é o meu Ser individual!"

Masaharu Taniguchi, fundador da Seicho-no-Ie, escreveu o seguinte:

Unicamente o “Mundo Magnífico da Realidade” existe verdadeiramente. E dentro dele estão todas as coisas boas. Ali há saúde perfeita, ali há sabedoria infinita, ali há harmonia infinita. Entretanto, a mera compreensão de que ali existem todas as coisas boas ainda não chega a ser a conscientização verdadeira do Reino absoluto. É preciso trazer aqui tudo que está ali. Na verdade, o Absoluto está aqui, agora, dentro da minha Vida. Deus, o Reino de Deus, a saúde perfeita, a sabedoria infinita e a harmonia infinita estão aqui, agora, dentro de mim. Eu mesmo sou Deus, eu mesmo sou o Reino de Deus, eu sou a saúde perfeita, eu sou a sabedoria infinita, eu sou a alegria infinita, eu sou a harmonia infinita. Eu compreendi agora esta Verdade e estou repleto de sentimento de gratidão. Muito obrigado!


quinta-feira, setembro 08, 2011

Em primeiro lugar, a Verdade!


Dárcio Dezolt

Quando alguém tem por meta considerar a Verdade em primeiro lugar, seu dia a dia transcorre em espontânea harmonia, uma vez que “este mundo” não é realidade, mas tão somente uma “sombra” do que se passa na suposta mente humana. Não há realidade alguma nesta “sombra”, o que motivou Isaías a escrever que “para Deus, os povos não existem”. Jesus também foi taxativo: “O meu reino não é deste mundo”. Portanto, você deve “vencer o mundo” e não viver encantado por ele! Você “vence o mundo” quando o vê de frente e o desmascara: “Você não é realidade nem tampouco é capaz de se agarrar a mim com suas imagens, como se realmente você fosse o Universo!”

Muita gente perde aparentemente a harmonia nesta vida por se encantar com este mundo e por ver nele qualquer propósito. E é por aí que a ILUSÃO o devora! Entretido com metas materiais, acaba por se envolver com as hipnóticas imagens do mundo, deixando para último lugar a lembrança de sua real identidade, que é ser Deus, ter a Mente divina e já vivendo no Reino de Deus. A crença em “objetivos terrenos” é pegajosa, principalmente por estar presente em todos os ensinamentos relativos!

Quanto mais sua atenção estiver focada em sua meta real, que é perceber Deus sendo VOCÊ, mais sua suposta “vida humana” lhe parecerá harmoniosa! Tenha sempre, portanto, a Verdade em primeiro lugar! Como disse Jesus, “alegre-se por ter seu nome arrolado nos céus”, e não troque esta alegria permanente por coisas fugazes ou efêmeras, como são todas as ilusões “deste mundo”.


segunda-feira, setembro 05, 2011

"Ética de Valor Eterno" da Imagem Verdadeira 3/3


Masaharu Taniguchi


O FATOR UNIVERSAL DO “BEM”

Uma vez estabelecido que a liberdade pessoal constitui a base da moral, passemos para a seguinte questão: De que modo o homem, que é dono de plena liberdade, distingue o Bem e o mal? Afinal, o que é Bem, e o que é mal? Todos nós aprendemos, desde criança, que é preciso distinguir o Bem do mal. Portanto, todos nós deveríamos saber o que é Bem e o que é mal. No entanto, ao perguntarmos a um adulto “Qual é o fator que determina se um pensamento ou um ato de uma pessoa seja classificado como Bem (ou como mal)?”, ele não sabe como responder.

Quando se conhece a ética da Seicho-No-Ie, é muito fácil saber o que é Bem e o que é mal, pois, segundo ela, o Bem não é algo determinado por regras de conduta preestabelecidas; o Bem se fundamenta no princípio de que Deus é o único Bem: onde se manifesta Deus, manifesta-se o Bem; e onde não se manifesta Deus, não existe o Bem.

Deus é o criador de todos os seres e de todas as coisas. Em outras palavras, através da manifestação de Deus, todos os seres e todas as coisas passaram a existir. Portanto, todos os seres e todas as coisas são unos com Deus: Deus é o Pai, e todas as criaturas do mundo são filhos gerados por Ele. Todas as criaturas são, pois, partes da Vida de Deus e estão ligadas umas à outras através de Deus. Aparentemente, cada indivíduo é um ser distinto dos outros. Mas, na verdade, “eu” e “os outros” somos “uma só Vida” originada de Deus. Para amarmos realmente a Deus, precisamos amar também todos os seres e todas as coisas nascidas de Deus. A esse respeito, lemos no evangelho de São Mateus, capítulo 22, versículos 34 a 40, as seguintes palavras de Jesus Cristo: “... e um deles, doutor da lei, tentando-o, perguntou-lhe: Mestre, qual é o grande mandamento? Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu espírito. Este é o primeiro e máximo mandamento. E o segundo é semelhante a este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.”

Também o apóstolo Paulo, em sua epístola aos Romanos (capítulo 13, versículos 8 e 9), diz o seguinte: “A ninguém deveis coisa alguma, a não ser o amor mútuo; porque aquele que ama o próximo, cumpriu a lei. Porque (estes mandamentos): não cometerás adultério, não matarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, não cobiçarás, e se há algum outro mandamento, todos se resumem nesta palavra: Amarás o seu próximo como a ti mesmo”.

E, na epístola aos Gálatas (capítulo 5, versículos 13 a 14), ele diz: “Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; convém somente que não façais desta liberdade um pretexto para viver segundo a carne; mas servi-vos uns aos outros pela caridade do Espírito. Porque toda a lei se encerra nesta palavra: Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.

Realmente, todos os princípios morais estão contidos no Amor. Como acabamos de ver, Jesus Cristo disse: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. A Seicho-No-Ie também ensinam que devemos amar o nosso próximo. Só que, em vez de dizer “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”, diz: “Amarás o teu próximo, porque tu e o teu próximo são na verdade um só ser”. Não é suficiente “amarmos o próximo como a nós mesmos”, considerando o outro como um elemento distinto de nós; devemos ter a compreensão de que “eu e meu próximo somos uma só Vida”. Todas as pessoas são extensões da Grande Vida (Deus). Portanto, “nós” e “os outros” somos um, embora pareçamos ser distintos. Na verdade, “nós” estamos nos outros, e “os outros” estão em nós. Por isso, “amar a nós mesmos” implica, necessariamente, amar também “os outros”. O apóstolo João disse, em sua Primeira Epístola: “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus. E todo aquele que ama é nascido de Deus, e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor”. (Primeira Espístola de João – cap. 4, versículos 7 e 8).

“Deus é amor” – Dentre todas as definições a respeito de Deus, até hoje feitas, esta é a mais apropriada. Se nos perguntarem “por que devemos amar o nosso próximo como a nós mesmos?”, devemos responder assim: “Porque, sendo Deus o Pai de todos nós, consequentemente “eu” e “os outros”, somos uma só vida”. Deus é a própria Essência da unidade de todos os seres. Portanto, viver com a consciência de que “eu e o outro somos um” é viver segundo a Vontade de Deus, é manifestar Deus neste mundo. “Manifestar Deus em nossa vida” consiste, num sentido um tanto impreciso, em amar o próximo como amamos a nós mesmos; porém, dizendo de modo mais preciso, consiste em amar o próximo considerando que ele é nós próprios. “Manifestar Deus” ou viver uma vida de valor eterno nada mais é do que “viver o amor”.


O QUE SIGNIFICA A FRASE “DEUS É AMOR”
“Deus é Amor” – Assim disse o apóstolo João.

O escrito japonês Takeo Arishima disse: “O amor impele-nos a querer a pessoa amada inteiramente para nós”. Isto quer dizer que o amor faz-nos sentir que somos “um só ser” com a pessoa amada, ou, em outras palavras, faz-nos ver a pessoa amada como “extensão” de nós mesmos.

Mas vejamos o que quer dizer “Deus é Amor”. Deus é a origem de tudo. Portanto, Ele vê todas as Suas criaturas como extensão de Si mesmo – eis o significado da expressão “Deus é Amor”. Se uma pessoa diz “eu amo meu filho”, isso significa que ela vê o filho como “extensão” de si mesma. A mãe que ama seu filhinho, não sente repugnância em receber, de boca para boca, a comida que ele já mastigou. Isto porque ela vê seu filhinho como parte de si mesma. As sensações de repulsa, desprezo, etc. ocorrem quando a pessoa vê o outro como um ser separado dela. Todos nós temos sempre uma pequena quantidade de saliva dentro da boca, mas nunca sentimos nojo dessa saliva, pois achamos que ela é parte de nós mesmos. Agora, vamos ver o que acontece quando cuspimos essa saliva: a partir do momento em que a lançamos fora do nosso corpo, ela passa a nos parecer repugnante, e jamais teríamos coragem de colocá-la novamente na boca. A sensação de repugnância surge como resultado da sensação de que aquilo que está fora de nós não faz parte de nós. Citemos mais um exemplo: Todos nós temos acumulada dentro dos nossos intestinos alguma quantidade de fezes, mas nunca sentimos nojo delas. Sabemos que as fezes estão dentro de nossos intestinos, mas essa ideia não nos repugna. É que, enquanto as fezes estão dentro dos nossos intestinos, consideramo-las como parte de nós. Porém, depois que as expelimos, já não as consideramos parte de nós, e achamo-las repugnantes.

Como podemos ver pelos exemplos citados, tudo aquilo que consideramos “parte de nós” ou “extensão de nós” não nos provoca sensação de repugnância. No livro Palavras de Sabedoria, de minha autoria, existe a seguinte frase: “O belo existe onde há a manifestação da Vida”. Alguns estilos de obras artísticas não nos parecem belos à primeira vista. Mas, observando-os atentamente, começamos a captar o belo que nelas existe. Isto porque descobrimos a Vida que está manifestada nelas e sentimos que essa Vida é a mesma “Vida” que existe em nós. Em outras palavras, sentimos o “belo”, porque nos identificamos com a obra. Do ponto de vista da Seicho-No-Ie, o “belo” e o “amor” são, em sua essência, a mesma coisa, pois ambos são manifestações da Vida. E captamos o “belo” e o “amor” em todos os seres e todas as coisas, quando compreendemos que neles está manifestada a mesma “Vida” que existe em nós.


“AMAR A DEUS” É SENTIRMO-NOS UNOS COM DEUS

“Deus é Amor”. A sensação de amor é a identidade entre “eu” e o “outro”. O contrário do amor é a ausência dessa identidade, é a discriminação. Discriminar é repelir tudo e todos, pensando: “Isso não é parte de mim”, “ele não é parte de mim”, etc. Quando nós, membros da Seicho-No-Ie, dizemos que “o homem é uno com Deus”, algumas pessoas contestam dizendo: “Como pode o homem, mortal e tão insignificante, ser filho de Deus? Que presunção afirmar que o homem é uno com Deus! Deus é nosso Senhor, e nós, seres humanos, não passamos de seus humildes servos”. Elas nos criticam, dizendo que somos muito irreverentes, porque afirmamos que “todos nós somos unos com Deus”. Muitas dessas pessoas que nos criticam são cristãs. Por isso, quero lembrar-lhes as seguintes palavras de Cristo: “... Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o primeiro e o máximo mandamento” (Mateus 22: 37-38).

Nessa frase, a palavra “Senhor” deve ser entendida como sinônimo de “Altíssimo”, e não como o de “amo” (em relação a servo). Portanto, o trecho da Bíblia acima citado significa o seguinte: “Amarás o Deus Altíssimo de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o primeiro e o máximo mandamento.”

Então, o que significa “amar a Deus”? Como já foi explicado anteriormente, “amar” alguém é reconhecer a nossa unidade com essa pessoa. “Amar o cônjuge” é reconhecer a nossa unidade com o cônjuge; “amar o filho” é reconhecer a nossa unidade com o filho; “amar o próximo” é reconhecer a nossa unidade com o próximo. “Amar a Deus” é, pois, reconhecer a nossa unidade com Deus. E isto é fundamental. Quando temos a compreensão básica de que “somos um com Deus” (ou seja, quando realmente amamos a Deus), é-nos fácil e natural o cumprimento dos mandamentos específicos, tais como “não matarás”, “não furtarás”, “não cometerás adultério”, “não dirás falso testemunho”, etc. Não é possível amar realmente a Deus, sem termos a consciência da nossa unidade com Ele, da mesma forma que é impossível amarmos realmente o nosso filho sem termos a consciência de que “ele é meu filho verdadeiro; portanto, ele e eu somos unos”. Se pensássemos: “essa criança não é parte de mim; não há vínculo vital entre mim e ela”, não poderíamos amá-la tão profundamente como quando temos a consciência da unidade acima referida. Mesmo que nos esforcemos para isso. Para amarmos realmente a Deus, é imprescindível termos a compreensão fundamental de que “somos unos com Deus”.

Existem muitas pessoas que pensam que a relação entre Deus e o homem é a de “Senhor e criado”, e esforçam-se para amá-Lo, por temerem ser repreendidas ou castigadas se não o amarem. Mesmo que essas pessoas pratiquem atos que pareçam ser a manifestação do amor a Deus, isso é apenas simulação, e não a expressão do Amor verdadeiro. Só podemos amar verdadeira e plenamente a Deus, quando alcançamos a compreensão fundamental de que “Somos filhos de Deus, a nossa Vida é uma com a Vida de Deus. Somos, por assim dizer, o próprio Deus manifestando-Se neste mundo fenomênico”. Aquele que se esforça para amar a Deus sem ter essa compreensão fundamental é comparável a um padrasto (ou uma madrasta) que se esforça para amar o enteado, sem se sentir uno com ele. Seu esforço será em vão, e o seu amor apenas uma encenação.

Com base no que foi explicado acima, podemos concluir que o “Bem fundamental” a que devemos visar consiste na conscientização da nossa unidade com Deus. Tomando emprestada a forma de expressão que Jesus costumava usar, podemos dizer: “Reconhecerás o fato de que tu és uno com Deus. Este é o primeiro e máximo mandamento. Reconhece em primeiro lugar este Bem fundamental, e todas as coisas boas ser-te-ão dadas de acréscimo”. Reconhecer a nossa unidade com Deus não é, de modo algum, uma ofensa a Deus. Pelo contrário, não reconhecer isso é que ofenderia a Deus, pois seria o mesmo que não O amar verdadeiramente.

Na parte inicial deste capítulo, escrevi que “Em síntese, a verdadeira finalidade do ser humano nesta vida consiste em manifestar neste mundo a Vida de Deus, ou seja, em viver de modo a manifestar Deus neste mundo”. Mas, para manifestarmos neste mundo a Vida de Deus, precisamos, antes de mais nada, compreender que “somos originariamente unos com Deus”. Se não tivermos a consciência de que “somos unos com Deus”, não poderemos manifestar neste mundo a Vida de Deus, ou seja, não conseguiremos viver de modo a manifestar Deus neste mundo. Somente os seres divinos (os que são unos com Deus) podem manifestar a Vida de Deus neste mundo. Se não fôssemos originariamente seres divinos, não poderíamos manifestar a Vida de Deus neste mundo, por mais que nos esforçássemos.

Como todos sabem, Deus é Bem. Chegamos, pois, à conclusão de que, se existisse uma pessoa que não fosse um “ser divino”, ela jamais poderia alcançar o Bem, por mais que tentasse. Mas, felizmente, o ser humano é originariamente filho de Deus. Podemos dizer que, em sua essência, o ser humano é o próprio Deus. Portanto, quando ele vive a vida do “homem real”, isto é, vive de acordo com a sua verdadeira natureza de filho de Deus, está manifestando Deus neste mundo.


(Do livro "A Verdade da Vida, vol. 13", pgs. 80 à 88)


sábado, setembro 03, 2011

"Ética de Valor Eterno" da Imagem Verdadeira - 2/3


Masaharu Taniguchi


A LEI DA MATÉRIA TAMBÉM É A LEI DE DEUS?

Além das que foram citadas acima, existe uma outra visão do mundo; aquela que reconhece Deus como origem única do Universo, mas admite um mundo dualístico onde se confrontam a lei da matéria e a Lei do Amor, explicando que tanto uma como a outra são Leis de Deus, já que foi Ele quem criou o mundo da matéria e o mundo da mente. Mas, se analisarmos os acontecimentos desta vida segundo essa visão do mundo, chegaremos à conclusão de que frequentemente a “Lei do Amor” é vencida pela “lei da matéria”.

Por exemplo: Existem casos como o daquela pessoa que, por ter praticado um ato de amor, lançando-se às águas geladas do rio para salvar uma criança prestes a se afogar, pegou pneumonia e acabou morrendo. Ou casos de pessoas que, por terem tratado de um tuberculoso, ficaram contaminadas e acabaram morrendo primeiro. Podemos concluir que, em tais casos, a lei da matéria prevaleceu à Lei do Amor. Se a “lei da matéria” fosse realmente lei da natureza estabelecida por Deus, a conclusão lógica seria que “obedecer à lei da matéria é obedecer à lei de Deus”. Se assim fosse, quem não salva uma criança prestes a se afogar na água gelada estaria vivendo de acordo com a Lei de Deus. Quem não cuida de pessoas tuberculosas estaria vivendo de acordo com as Leis de Deus. Mas, que seria deste mundo, se isso fosse verdade, e se as pessoas procedessem assim? Seria um mundo absurdo, frio e cruel, onde a “Lei do Amor” seria totalmente desprezada; onde o destino das pessoas seria determinado unicamente pela lei da matéria; e onde a vitória caberia aos indivíduos desumanos e astuciosos que se aproveitam da lei da matéria. Seria, enfim, um mundo oposto ao mundo paradisíaco, ao mundo ideal.

A Verdade é que, enquanto houver a crença errônea de que “a lei da matéria” também faz parte da “Lei de Deus”, não será possível fazer prevalecer neste mundo a “Lei do Amor”. Para fazer prevalecer neste mundo a “Lei do Amor”, é preciso compreender e assimilar a visão do mundo da Seicho-No-Ie, que é a seguinte:

“A matéria não é existência real. Portanto, a lei da matéria também não é existência real. A matéria é, na verdade, projeção da mente. E a chamada ‘lei da matéria’ é, em última análise, a ‘lei da concretização dos pensamentos’. Assim, é perfeitamente possível alterar as reações químicas da matéria através da mudança de atitudes mentais. Por exemplo: quem mantém arraigada em sua mente a ideia de que ficará resfriado se entrar na água gelada, realmente ficará resfriado ao fazer isso. Mas quem não tem essa ideia arraigada na mente, não ficará resfriado mesmo que se lance na água gelada. Quem acredita realmente que o contato com os bacilos da tuberculose resulta inevitavelmente em contágio, contrairá a doença ao se expor a esses bacilos. Mas quem não mantém essa crença não ficará tuberculoso, mesmo em contato com os bacilos da tuberculose. Se ocorrem, às vezes, casos de adoecimento ou morte em consequência de um ato de amor altruístico, isso não é devido a uma Lei de Deus chamada ‘lei da matéria’, mas sim à Lei da concretização dos pensamentos.”

Enquanto mantivermos uma atitude mental ambígua, acreditando que “tanto a Lei do Amor como a lei da matéria são Leis de Deus”, não alcançaremos a verdadeira compreensão do que seja a “lei do Amor” e a “Lei de Deus”. E dificilmente surgirá a firme determinação de partirmos para um ato de amor ignorando a lei da matéria. Somente quando assimilarmos a “visão do mundo”, tal como a da Seicho-No-Ie, e passarmos a ter a firme convicção de que um ato de bondade e altruísmo nunca nos leva ao adoecimento ou à morte, tornamo-nos capazes de nos dedicarmos aos nossos semelhantes com amor e altruísmo, sem receio de coisa alguma.


A LIBERDADE PESSOAL CONSTITUI A BASE DA MORAL

Que seria do homem se fosse verdade que “mesmo uma vida dedicada à manifestação de amor altruístico resulta numa vida prática desafortunada, quando as circunstâncias materiais são adversas”? Que seria dele se fosse verdade que “quando a vida dedicada ao amor altruístico se choca com a lei da matéria, esta vence a Lei do Amor, e, consequentemente, a pessoa é derrotada, humilhada e aniquilada”? Se isso fosse verdade, o homem seria apenas um fantoche controlado pela implacável força material, e não poderia alcançar a verdadeira liberdade.

Se não houvesse a “verdadeira liberdade de ação”, não poderia haver “atos humanos” espontâneos. Se os atos humanos fossem atos mecânicos em vez de resultados da vontade própria, esses atos não seriam nem bons nem perversos. Se fosse verdade que “mantendo-se a bondade na mente mas sem manifestá-la exteriormente atinge-se o objetivo do Bem”, ou seja, se a liberdade pessoal significasse apenas liberdade interior (liberdade de pensamento) e não liberdade exterior (liberdade de atos) – então seria impossível existir uma verdadeira moral que abrangesse tanto o universo interior como o universo exterior do indivíduo. A liberdade e o Bem não passariam, então, de “sonho”.

Se a liberdade do homem fosse apenas interior, ele não poderia concretizar o “Bem”, não poderia manifestar o “Bem” na vida prática. Mas o fato é que nós, seres humanos, procuramos manifestar concretamente o Bem na vida prática, através das palavras e dos atos. Nossa alma busca alguma forma de Bem, e não consegue ficar indiferente a valores como “bondade”, “humanitarismo”, “amor, “misericórdia”, etc. Isto porque, no âmago do nosso ser, existe a consciência básica de que somos livres tanto no nosso mundo interior como no mundo exterior (isto é, temos liberdade tanto de pensamento como de palavras e atos) e somos capazes de concretizar o “Bem”.

“Façamos o homem à nossa imagem e semelhança, e presida aos peixes do mar, e às aves do céu, e aos animais selváticos, e a toda a terra, e a todos os répteis que se movem sobre a terra. E criou Deus o homem à Sua imagem” (Gênesis, 1:26-27). Esta é a descrição da verdadeira identidade do homem, feita sob inspiração pelo autor do livro do Gênesis. Nós, seres humanos, somos feitos à imagem de Deus e dEle recebemos o poder de presidir a todas as coisas. É claro, portanto, que também nos foi dada a liberdade de controlar perfeitamente o mundo que nos cerca. Mas, enquanto admitirmos o confronto entre o nosso mundo interior e o mundo exterior, e acreditarmos que “o ser humano está em constante luta com o iníquo mundo material para impor o Bem”, seremos levados a admitir também que o ser humano não possui a verdadeira liberdade que abranja tanto o seu mundo interior como o mundo exterior. E, não tendo essa liberdade, o homem não poderá concretizar o verdadeiro Bem. O Bem prevalecerá apenas no plano ideal, e, na vida prática, estará sujeito à humilhação e à derrota.

Para fazermos prevalecer o valor e a autoridade do Bem tanto no nosso mundo interior como no mundo exterior, devemos ter como base a seguinte tese da Seicho-No-Ie: A liberdade de pensamento é, ao mesmo tempo, liberdade de ação. O que foi criado na mente, infalivelmente se concretiza no mundo material. Na verdade, o mundo mental e o mundo exterior (mundo material) são duas faces de um só mundo – ou, mais explicitamente, o mundo exterior é projeção do mundo mental. Sem a compreensão desta “visão do mundo” da Seicho-No-Ie, é impossível entender o fundamento da moral, que é a liberdade do homem, tanto no seu mundo interior como no mundo exterior.

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quinta-feira, setembro 01, 2011

"Ética de Valor Eterno" da Imagem Verdadeira - 1/3


Masaharu Taniguchi


Dentre todas as questões que fazem vibrar a alma humana, a mais importante é a seguinte:" Qual é o objetivo da nossa vida?" Naturalmente, existem muitas pessoas que não se importam com isso. Tais pessoas vivem exclusivamente no mundo dos sentidos e pensam, vagamente: "O ser humano é corpo carnal; portanto, para ser feliz, basta conseguir prazeres materiais". Porém, quando percebem que o fim de sua existência neste mundo está próximo e vêem-se prestes a ser despojadas do corpo carnal, elas volvem seus pensamentos ao passado, e deixam escapar um longo suspiro de tristeza, pensando: "Para quê serviu minha existência? Que fiz em toda a minha vida? Nada! Nada que tivesse valor real e eterno!" Diante do iminente desaparecimento do elemento material chamado corpo carnal, é natural que elas busquem a continuação de alguma coisa que não seja matéria e que tenha valor eterno. Mas, como elas passaram a vida inteira perseguindo apenas os prazeres do mundo da matéria e dos sentidos, não criaram, em toda a sua existência, coisa alguma de real valor, "que transcendesse a matéria e permanecesse para sempre". Portanto, essas pessoas que nada criaram durante toda a sua existência, só poderão esperar um futuro vazio e sombrio. Creio que entre os leitores não há quem queira que seu futuro seja vazio e sombrio como o dessas pessoas.

Em síntese, a verdadeira finalidade do ser humano nesta vida consiste em manifestar neste mundo a Vida de Deus, ou seja, em viver de modo a manifestar Deus neste mundo. A música é manifestação concreta da Vida eterna que palpita no músico. Da mesma forma, nosso modo de vida deve ser a manifestação concreta da Vida eterna de Deus. O homem tem de ser um "ser divino", no verdadeiro sentido, e, como tal, viver uma "vida divina".

Essa vida tem valor eterno somente quando a vivemos em plena harmonia com o "Ser de Valor Eterno", que é Deus. A "Ética da Seicho-No-Ie" é, em suma, um "princípio de orientação para se viver uma vida de de Valor Eterno". Ela nos ensina o que devemos fazer para manifestarmos a Vida de Deus neste mundo, isto é, como devemos viver para "projetar" corretamente em nossa vida o Ser de Valor Eterno.


A COSMOVISÃO MATERIALISTA E A COSMOVISÃO ESPIRITUALISTA

Desde a Antiguidade, sempre existiram dois modos de ver o mundo: a visão materialista e a visão espiritualista. Segundo a visão materialista, este mundo é formado pelo agrupamento causal de diversos elementos materiais sem nenhuma conexão entre si, e não um mundo criado com um objetivo claro e definido, e coordenado por uma inteligência superior. Portanto, aquele que têm a visão materialista de mundo, pensam que nós, seres humanos, surgimos casualmente, passamos por muitas vicissitudes, sofremos, afligimo-nos, e morremos, também casualmente. As pessoas que pensam assim chegam inevitavelmente à conclusão de que "esta vida não tem sentido, não existe uma vida de 'Valor Eterno'". Então, elas passam a encarar a vida com pessimismo e perdem o ânimo de viver. Passam a levar uma vida vazia, sem nenhum objetivo, como se caminhassem tateando no escuro. Começa assim o comportamento autodestrutivo e decadente.

A contrário destas, as pessoas que têm visão espiritualista do mundo reconhecem, de um modo ou de outro, que o Universo está em movimento porque há alguma razão e finalidade para isso. Reconhecem que este mundo não é um agrupamento causal e desordenado de matérias que se atraem ou se repelem, mas sim um Universo regido por um força superior (ou forças superiores, segundo alguns). Cabe, aqui, esclarecer que existem diversas espécies de "visão espiritualista do mundo": (1) O "espiritualismo pluralista", segundo o qual este mundo é regido por várias forças; (2) o "espiritualismo dualista", que reconhece a existência de duas forças antagônicas - a "Força do Bem", que pertence a Deus, e a "força do mal", que pertence a Satanás; (3) o "espiritualismo monista" como aquele preconizado por Schopenhauer, segundo o qual este mundo é dirigido por uma força cega, isto é, pela cega vontade de viver; e (4) o "espiritualismo monista da Seicho-No-Ie", que admite a existência única de Deus e do Mundo da Imagem Verdadeira, o qual será explicado mais adiante.

A vida de cada pessoa poder ser feliz ou infeliz, dependendo da sua visão de mundo.


O ESPIRITUALISMO PLURALISTA

A visão do mundo baseado no "espiritualismo pluralista" é aquela em que a pessoa admite a existência de mais de um Deus governando o Universo. Segundo essa visão de mundo, haveria diversos Deuses governando isoladamente seus respectivos domínios neste mundo, cada qual à sua maneira e com seu próprio objetivo. É essa visão do mundo a principal responsável pelas rivalidades entre as religiões. Muitas pessoas, em vez de reconhecerem que Deus é um só, pensam que existem diversos Deuses, tais como: as divindades do budismo, os Deuses do Oriente, os Deuses do Ocidente, o Deus do Cristianismo, o Deus do Maometismo, o Deus da seita Tenri, o Deus da seita Oomoto, o Deus da seita Kurosumi, o Deus da seita Fusô, etc. Por exemplo, se são xintoístas, pensam assim: "Reverenciar o Deus do cristanismo seria pecar contra o 'nosso' Deus"; se são adeptos da seita Tenri, pensam: "Reverenciar o Deus da seita Konko seria pecar contra o 'nosso' Deus", e assim por diante. Estão, pois, em constante rivalidade, cada qual defendendo o território do "seu" Deus. As pessoas que têm essa visão do mundo pensam que um adepto a mais na sua religião é um palmo a mais que alarga os domínios de "seu" Deus. Por isso, empenham-se seriamente em coisas fúteis como disputar adeptos, ou seja, "trazer para seu rebanho as ovelhas de outras pastagens".

Essas pessoas não compreendem, ou melhor, ainda não alcançaram a compreensão de que "o pinheiro está vivendo à sua maneira, a Vida de Deus; assim como a cerejeira está vivendo, à sua maneira, a Vida do mesmo Deus." Do mesmo modo, o cristianismo está vivendo, à sua maneira, a Vida de Deus, assim como a seita Tenri (ou qualquer outra religião) está vivendo, à sua maneira, a Vida do mesmo Deus. Não compreendem isso, e pensam que somente numa determinada religião (ou seja, naquela à qual elas pertencem) está presente o Deus verdadeiro. E isso é como pensar que somente uma determinada árvore - o pinheiro, por exemplo -, seja uma árvore realmente viva. Da mesma forma que existe vida tanto no pinheiro como na cerejeira ou em qualquer outra planta, a Verdade e a Vida estão presentes tanto no cristianismo como no budismo, no xintoísmo e noutras religiões.

Todavia, assim como existem árvores vivas e árvores mortas, também existem religiões vivas e religiões mortas. Dependendo de cada pessoa, a sua religião (seja cristã, budista, xintoísta, etc.) poderá ser uma religião viva, que trás dentro de si a Fonte da Vida, ou uma religião morta, que não possui conteúdo (a Fonte da Vida) e mantém apenas a forma externa, tal como uma árvore morta. Da mesma forma que há pinheiros mortos, cerejeiras mortas, etc., também há religiões cristãs, budistas, etc., mortas. Ser uma árvore viva ou morta é algo que diz respeito a cada árvore; a designação geral da espécie (pinheiro, por exemplo) nada tem a ver com isso. Do mesmo modo, ter uma religião viva (uma religião viva que traz em si a Fonte da Vida) ou uma religião morta, depende da atitude espiritual de cada pessoa, e não do nome da religião em que se acredita.

A religião de uma pessoa que alcançou a compreensão da Imagem Verdadeira é uma religião viva, seja qual for a sua denominação. Por isso dizemos que uma mesma religião pode ser considerada "viva" ou "morta", dependendo de cada adepto.

Segundo o espiritualismo pluralista, existem diversos Deuses, das mais variadas seitas, assim como existem diversas espécies de árvores, tais como pinheiros, cerejeiras, etc., e esses Deuses antagonizam-se uns com os outros, cada qual procurando ampliar seu poder. Como vemos, o espiritualismo pluralista admite uma Vida disputando o poder com outras Vidas, uma religião disputando o poder com outras religiões, isto é, admite que este mundo é regido por numerosos dirigentes espirituais, divididos e isolados uns dos outros.

Mas eis que, dentre outras, surge a Seicho-No-Ie, que aceita imparcialmente tanto as religiões cristãs, como as budistas, xintoístas e outras, ensinando que a essência de todas elas é uma só: a Grande Vida, fonte de todas as coisas, a qual vivifica e unifica todas as religiões. Querer forçar os cristãos ou os budistas a se converterem ao xintoísmo, por exemplo, é o mesmo que pretender que os pinheiros e as cerejeiras se transformem em ameixeiras. Isto é decorrente da mente em ilusão, que quer impor uma "igualdade falsa e formal" a todas as coisas. É preciso compreender que qualquer religião é viva e verdadeira quando se atinge a essência da sua doutrina que provém da verdadeira fonte da Vida, assim como qualquer árvore, seja de que espécie for, é uma árvore viva quando nela está presente a Grande Vida, origem de todas as coisas.

Portanto, para encontrar a Verdade, as pessoas não precisam se converter a uma determinada religião. Por isso digo que, para seguir os ensinamentos da Seicho-No-Ie, as pessoas não precisam abandonar sua própria religião, mas sim aprofundar cada vez mais o estudo de sua religião, até chegar à sua essência, que é a verdadeira fonte da Vida. Então, compreenderão que não existe nada que justifique o antagonismo entre as religiões. O que elas encontrarão na essência é a mesma Verdade pregada pela Seicho-No-Ie.

Como vimos, o espiritualismo pluralista consiste em admitir que este mundo é governado por diversas "forças". Mas, o próprio espiritualismo pluralista acaba se tornando espiritualismo monista, quando se reconhece que, embora existam muitas "forças espirituais" controlando o mundo, todas elas se originam de uma única e verdadeira Força que governa o Universo. Um exemplo disso é a visão do mundo do xintoísmo, que acredita na existência de muitos "Deuses", mas admite que eles se originaram de um único Deus.


O ESPIRITUALISMO DUALISTA

O "espiritualismo dualista" admite que este mundo seja governado por duas grandes forças antagônicas - o Bem, representado por Deus, e o mal, representado por Satanás. Acredito que essa visão dualista não seja própria do verdadeiro cristianismo, mas atualmente parece que é a característica de muitos dos cristãos, que pensam mais ou menos assim: "O homem deve lutar constantemente contra o mal e vencê-lo pouco a pouco, pois até mesmo Deus luta contra Satanás. O homem precisa sofrer, pois somente através dos sofrimentos ele consegue o desenvolvimento espiritual. Sofrer é o destino do ser humano". Essa ideia errônea dá origem a uma visão distorcida da vida, que leva a comportamentos negativos como, por exemplo, a auto-destruição. Pode até mesmo criar nas pessoas uma tendência masoquista, de sentir prazer em criar sofrimentos e doenças para si mesmas. Neste mundo, existem pessoas que levam uma vida de constantes sofrimentos, apesar de possuírem profunda fé religiosa. Geralmente, essas pessoas abrigam em seu subconsciente o pensamento de acolher os sofrimentos. Embora sem se dar conta disso, elas estão fazendo surgir infelicidades em suas vidas, pela força do subconsciente. Essa visão do mundo e da vida não é, de modo algum, uma visão positiva e saudável.

Basicamente, a visão do mundo baseada no espiritualismo pluralista e a visão do mundo baseada no espiritualismo dualista (confronto entre Deus e Satanás, o Bem e o mal) consistem em admitir que existem mais de uma força superior governando o mundo, e que essas forças não coexistem em harmonia.

Assim sendo, aqueles que têm uma visão do mundo baseada no espiritualismo dualista ou no espiritualismo pluralista, supõem ser inevitáveis a divergência e o conflito entre a sua própria vontade e a vontade dos outros. Consequentemente, imaginam que terão que passar por muitos sofrimentos e dificuldades para superar tais desacordos e conflitos. E, de acordo com a "lei mental", segundo a qual "Tudo aquilo que se desenha na mente acaba acontecendo", os sofrimentos e dificuldades começam a se manifestar concretamente na vida dessas pessoas. Há pessoas que pensam assim: "Preocupar-se com coisas como 'visão de mundo' ou 'visão de vida' é um passatempo de pessoas desocupadas como os filósofos, por exemplo. Pessoas atarefadas como nós não têm tempo a perder com tais assuntos". Mas isso é um grande engano. A vida de uma pessoa não se torna feliz só pelo fato de trabalhar freneticamente. Se ela não tiver uma visão correta do mundo e da vida, o seu modo de trabalhar poderá estar atraindo sofrimentos, em vez de felicidade. Há pessoas que obtêm resultados negativos (infelicidades) em todas as coisas que fazem. A causa fundamental disso é sempre o fato de elas não possuírem a correta visão do mundo. Portanto, essas pessoas precisam, antes de mais nada, modificar a sua visão de mundo e depois começar a trabalhar com uma nova atitude mental perante a vida. Assim, os seus trabalhos resultarão na concretização da felicidade em suas vidas. Por mais que corramos, não atingiremos a meta se estivermos correndo na direção oposta. Da mesma forma, por mais que trabalhemos, não alcançaremos o objetivo se nossa visão de mundo estiver focalizando o rumo errado. Por isso, corrigir a visão errônea da vida e do mundo é uma providência importantíssima e urgente.

Quando abandonamos tanto a visão pluralista como a dualista e passamos a ter a visão do mundo baseada no espiritualismo monista, alcançamos finalmente a compreensão de que não existem várias forças lutando entre si, mas apenas uma única e grandiosa força governando o mundo todo. Porém, mesmo que uma pessoa admita que o mundo seja governado por uma única força, a sua visão do mundo continuará distorcida se ela acreditar (como Schopenhauer) que essa força é uma "vontade cega". Nesse caso, a pessoa estará admitindo que este mundo é um "mundo malfeito" governado por uma "inteligência caótica e inferior"; ela terá na mente a imagem de um mundo imperfeito, e sua visão do mundo será pessimista, como a de Schopenhauer. Então, conforme a "lei da concretização dos pensamentos", concretizar-se-ão as doenças, as adversidades, a miséria, etc., e sua vida será muito infeliz.

Por isso, admitir apenas que "este mundo é governado por uma única força" nem sempre significa ter a correta visão do mundo. Enquanto não se tem a cosmovisão teísta da Seicho-No-Ie, que se baseia na compreensão de que essa Força Única é Deus, de Infinita Sabedoria, Infinito Amor, Infinita Capacidade e Infinita Harmonia, e que não podem haver imperfeições neste mundo governado e dirigido por Deus "infinitamente" perfeito, não se pode dizer que se tem a correta visão de mundo.

Cont...

(Do livro "A Verdade da Vida, vol. 13", pgs. 65-75)