"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

sábado, setembro 17, 2011

Seja franco


Alfred Aiken


Seja franco, quando questionar seu Eu. Você anseia por resposta verdadeira? Ou meramente espera confirmação de opiniões populares ou pré-concebidas? Busque (sinceramente), e achará; bata (honestamente), e lhe será aberto. Não indague como um homem assumindo Deus como um homem superior. Não indague como uma mente pequena consultando uma Mente superior: “pois um homem de mente dual é instável em todos os seus caminhos”. Tal dualidade ou impureza nada pode receber do Amor.

Se realmente deseja ter resposta à questão levantada por Pilatos: “Que é a Verdade?” – consiga-a direto da Mente; sua Auto-revelação não lhe vem de outrem. Ela é sempre direta. Unicamente a Verdade é Inteligência, e não há ninguém mais a quem a Verdade possa revelar a Realidade. A Verdade é Seu próprio Eu.

Caso você pergunte, e a resposta não lhe chegue de imediato, analise bem suas questões e note se realmente deseja respostas da Verdade, ou se meramente está querendo confirmar conceitos vãos ou pessoais! A Verdade não pode satisfazer um conceito humano, ou ideia pré-concebida de teorias humanas, de uma visão finita. Para a Verdade não há tal coisa. O Amor revela unicamente Sua própria natureza: e o faz somente a Si mesma, pois não há ninguém mais.


quinta-feira, setembro 15, 2011

Não limite Deus a "estudos da Verdade"


Dárcio Dezolt


Deus é Tudo: Onipotente, Onisciente, Onipresente e Oniativo. Por mais que você estude a Verdade, não será seu suposto “conhecimento” que atuará como “poder espiritual”. Se você se prender a tal suposto “conhecimento da Verdade”, seja ele de um dia ou de várias décadas, estará unicamente usando poder mental e ilusoriamente negando a Onipotência divina sendo agora e eternamente sua própria Consciência eterna, iluminada, plena e imutável.

Não há estudo da Verdade que altere Deus sendo VOCÊ! E não acredite jamais que o seu estudo da Verdade seja o fator ativo, quando você medita. Deixe Deus livre, e veja-se livre sendo Deus! “O Pai em mim faz as obras”, disse Jesus! Não disse que o “conhecimento” dele fazia algo!

Pratique o Silêncio ciente de que o Espírito de Deus, além de ser único e ser o seu Espírito, é a ÚNICA Presença e o ÚNICO Poder ativo, e cem por cento em manifestação! Faça isso, sem jamais restringir a ação de Deus usando “mente humana”, por pensar que Deus responderá segundo um suposto “estágio de consciência”. Esta “mente falsa” deve ser banida, principalmente durante as contemplações, pela admissão incondicional e irrestrita de que a Mente ÚNICA é, portanto, a ÚNICA em manifestação plena como a “sua” Mente!

segunda-feira, setembro 12, 2011

A mente do "eu quero"


Dárcio Dezolt


A resposta abaixo, dada por Masaharu Taniguchi a uma suposta adepta da Seicho-no-ie, se aplica sempre que uma mentalidade “Eu quero” for erroneamente confundida com a Mente real de todo Filho de Deus, que é a própria expressão de Deus.

Há muitos anos, quando eu a li, mandei fazer dezenas de cópias e as distribuí a todos com quem tive contato. E hoje, volto a postar aqui com o mesmo objetivo: o objetivo de fazer com que cada leitor se identifique única e exclusivamente com Deus, o Ser real de todos, sem jamais se desgastar ilusoriamente com qualquer “querer” da suposta mente humana. Todo “querer” traz embutido em si mesmo a ideia de “eu não tenho”. E, pela Lei Mental, aquilo que você negar possuir - e consequentemente ficar “querendo” obstinadamente -, acabará deixando de surgir visivelmente neste mundo.

Leiam com cuidado e absorvam todos os pormenores contidos nesta resposta iluminada do Dr. Taniguchi:

"Eu li A Verdade da Vida, mas meu marido não se curou da doença. Tornei-me adepta, mas ele não se curou... Diversos tipos de infelicidade estão surgindo um após outro. Até agora eu não vi realizar-se nada do que desejo, mas pelo menos este desejo eu gostaria que fosse atendido: eu quero que transfiram meu marido do cargo que está ocupando agora...”

Esta é a carta que recebi hoje de uma senhora.

Que parte de A Verdade da Vida ela terá lido? A Imagem Verdadeira da Vida já tem todos os desejos realizados – este é o nosso ensinamento. Ainda que na face da Terra o tempo esteja nublado ou chuvoso, o Sol não está coberto de nuvens. Este é o Aspecto Verdadeiro. Da mesma maneira, ainda que este mundo se mostre adverso para nós, no Aspecto Verdadeiro temos todos os desejos já realizados. Se contemplarmos este Aspecto Verdadeiro, brotará a alegria em nossa alma. Brotando a alegria na alma, essa alegria manifestar-se-á no mundo das formas e nosso destino tornar-se-á feliz. Como essa senhora tem apenas queixas na “mente”, surgem-lhe somente motivos para queixas, de acordo com a lei “Os três mundos são a manifestação da mente”.

Justamente porque a pessoa se queixa é que sucedem “coisas que lhe causam queixa”. A felicidade não virá se a pessoa ficar descontente com Deus, quando é ela própria quem está criando motivos de queixa para si. Realmente, tudo é feito conforme se crê.

Quando eu digo "Se você não tiver queixas na sua mente, não surgirão coisas que lhe causam queixa", os queixosos me respondem: "Se desaparecerem as coisas que me causam queixa, poderei deixar de me queixar; mas, aparecendo tantas coisas desagradáveis, não é possível deixar de me queixar". E assim, queixam-se todos os dias, e esse "pensamento de queixa" é concretizado no dia seguinte em forma de "incidentes desagradáveis"; em consequência, queixam-se mais ainda. Assim, para tais pessoas, a queixa e a infelicidade giram num círculo vicioso interminável.

Isso acontece porque não conhecem a lei da mente. Como pensam ser real a infelicidade que está acontecendo agora diante de seus olhos, não conseguem alegrar-se por mais que o tentem, e suas queixas continuam interminavelmente. As queixas são como o carvão que move a locomotiva da infelicidade. Não adianta dizerem "Ó locomotiva da infelicidade, não se mova", se essas pessoas continuam atirando o fogo na fornalha da locomotiva. “Então, como poderemos deixar de nos queixar?” – perguntarão. Basta pensar: "O que está acontecendo agora diante de meus olhos é a materialização dos meus pensamentos do passado, os quais estão se apagando desta forma. Graças a Deus!" Em seguida, agradecendo, mentalizar: "Seja o que for que esteja acontecendo diante de mim, isso é apenas a projeção dos pensamentos e não existe de verdade. Na verdade, agora, eu, meu marido e meus filhos somos todos saudáveis e felizes... Graças a Deus!"


A mente é a origem de todas as coisas.


sábado, setembro 10, 2011

Não há duas ONIPRESENÇAS


Dárcio Dezolt


Enquanto a UNIDADE ESSENCIAL não for reconhecida, teremos a "ilusão" atuando como se houvesse "duas" onipresenças: um Universo, espiritual, e um segundo Universo, material. Esta crença é a primeira a ser desmantelada! Por isso, reiteradamente os textos sobre o Absoluto partem da totalidade e da unicidade de Deus. DEUS É TUDO! A Onipresença é ÚNICA! E, obrigatoriamente, "nEle vivemos, nos movemos e temos o nosso Ser", como disse Paulo (Atos, 17: 28).

A Verdade absoluta de que unicamente existe a Eternidade como Fato, e que todos os supostos "fatos temporais ou transitórios" são meramente imagens hipnóticas - puras visões ilusórias -, deve ser "contemplada" em seu sentido máximo e absoluto! E isto para que o dualismo seja realmente descartado como "impossibilidade de existir". Resumindo, este estudo está fundamentado na percepção da Onipresença que nos inclui, e na ausência total de qualquer "outra" presença!

"Não terás outros deuses ao lado de Mim" - Enquanto isto não for contemplado, ouviremos as bem conhecidas e repetidas frases: "Eu sei que lá no Absoluto eu tenho tudo! Mas, na 'aparência' ainda estou longe desta Verdade!", ou, "Um dia eu chegarei à minha plenitude, após conscientizar que Deus é o meu Ser individual!"

Masaharu Taniguchi, fundador da Seicho-no-Ie, escreveu o seguinte:

Unicamente o “Mundo Magnífico da Realidade” existe verdadeiramente. E dentro dele estão todas as coisas boas. Ali há saúde perfeita, ali há sabedoria infinita, ali há harmonia infinita. Entretanto, a mera compreensão de que ali existem todas as coisas boas ainda não chega a ser a conscientização verdadeira do Reino absoluto. É preciso trazer aqui tudo que está ali. Na verdade, o Absoluto está aqui, agora, dentro da minha Vida. Deus, o Reino de Deus, a saúde perfeita, a sabedoria infinita e a harmonia infinita estão aqui, agora, dentro de mim. Eu mesmo sou Deus, eu mesmo sou o Reino de Deus, eu sou a saúde perfeita, eu sou a sabedoria infinita, eu sou a alegria infinita, eu sou a harmonia infinita. Eu compreendi agora esta Verdade e estou repleto de sentimento de gratidão. Muito obrigado!


quinta-feira, setembro 08, 2011

Em primeiro lugar, a Verdade!


Dárcio Dezolt

Quando alguém tem por meta considerar a Verdade em primeiro lugar, seu dia a dia transcorre em espontânea harmonia, uma vez que “este mundo” não é realidade, mas tão somente uma “sombra” do que se passa na suposta mente humana. Não há realidade alguma nesta “sombra”, o que motivou Isaías a escrever que “para Deus, os povos não existem”. Jesus também foi taxativo: “O meu reino não é deste mundo”. Portanto, você deve “vencer o mundo” e não viver encantado por ele! Você “vence o mundo” quando o vê de frente e o desmascara: “Você não é realidade nem tampouco é capaz de se agarrar a mim com suas imagens, como se realmente você fosse o Universo!”

Muita gente perde aparentemente a harmonia nesta vida por se encantar com este mundo e por ver nele qualquer propósito. E é por aí que a ILUSÃO o devora! Entretido com metas materiais, acaba por se envolver com as hipnóticas imagens do mundo, deixando para último lugar a lembrança de sua real identidade, que é ser Deus, ter a Mente divina e já vivendo no Reino de Deus. A crença em “objetivos terrenos” é pegajosa, principalmente por estar presente em todos os ensinamentos relativos!

Quanto mais sua atenção estiver focada em sua meta real, que é perceber Deus sendo VOCÊ, mais sua suposta “vida humana” lhe parecerá harmoniosa! Tenha sempre, portanto, a Verdade em primeiro lugar! Como disse Jesus, “alegre-se por ter seu nome arrolado nos céus”, e não troque esta alegria permanente por coisas fugazes ou efêmeras, como são todas as ilusões “deste mundo”.


segunda-feira, setembro 05, 2011

"Ética de Valor Eterno" da Imagem Verdadeira 3/3


Masaharu Taniguchi


O FATOR UNIVERSAL DO “BEM”

Uma vez estabelecido que a liberdade pessoal constitui a base da moral, passemos para a seguinte questão: De que modo o homem, que é dono de plena liberdade, distingue o Bem e o mal? Afinal, o que é Bem, e o que é mal? Todos nós aprendemos, desde criança, que é preciso distinguir o Bem do mal. Portanto, todos nós deveríamos saber o que é Bem e o que é mal. No entanto, ao perguntarmos a um adulto “Qual é o fator que determina se um pensamento ou um ato de uma pessoa seja classificado como Bem (ou como mal)?”, ele não sabe como responder.

Quando se conhece a ética da Seicho-No-Ie, é muito fácil saber o que é Bem e o que é mal, pois, segundo ela, o Bem não é algo determinado por regras de conduta preestabelecidas; o Bem se fundamenta no princípio de que Deus é o único Bem: onde se manifesta Deus, manifesta-se o Bem; e onde não se manifesta Deus, não existe o Bem.

Deus é o criador de todos os seres e de todas as coisas. Em outras palavras, através da manifestação de Deus, todos os seres e todas as coisas passaram a existir. Portanto, todos os seres e todas as coisas são unos com Deus: Deus é o Pai, e todas as criaturas do mundo são filhos gerados por Ele. Todas as criaturas são, pois, partes da Vida de Deus e estão ligadas umas à outras através de Deus. Aparentemente, cada indivíduo é um ser distinto dos outros. Mas, na verdade, “eu” e “os outros” somos “uma só Vida” originada de Deus. Para amarmos realmente a Deus, precisamos amar também todos os seres e todas as coisas nascidas de Deus. A esse respeito, lemos no evangelho de São Mateus, capítulo 22, versículos 34 a 40, as seguintes palavras de Jesus Cristo: “... e um deles, doutor da lei, tentando-o, perguntou-lhe: Mestre, qual é o grande mandamento? Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu espírito. Este é o primeiro e máximo mandamento. E o segundo é semelhante a este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.”

Também o apóstolo Paulo, em sua epístola aos Romanos (capítulo 13, versículos 8 e 9), diz o seguinte: “A ninguém deveis coisa alguma, a não ser o amor mútuo; porque aquele que ama o próximo, cumpriu a lei. Porque (estes mandamentos): não cometerás adultério, não matarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, não cobiçarás, e se há algum outro mandamento, todos se resumem nesta palavra: Amarás o seu próximo como a ti mesmo”.

E, na epístola aos Gálatas (capítulo 5, versículos 13 a 14), ele diz: “Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; convém somente que não façais desta liberdade um pretexto para viver segundo a carne; mas servi-vos uns aos outros pela caridade do Espírito. Porque toda a lei se encerra nesta palavra: Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.

Realmente, todos os princípios morais estão contidos no Amor. Como acabamos de ver, Jesus Cristo disse: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. A Seicho-No-Ie também ensinam que devemos amar o nosso próximo. Só que, em vez de dizer “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”, diz: “Amarás o teu próximo, porque tu e o teu próximo são na verdade um só ser”. Não é suficiente “amarmos o próximo como a nós mesmos”, considerando o outro como um elemento distinto de nós; devemos ter a compreensão de que “eu e meu próximo somos uma só Vida”. Todas as pessoas são extensões da Grande Vida (Deus). Portanto, “nós” e “os outros” somos um, embora pareçamos ser distintos. Na verdade, “nós” estamos nos outros, e “os outros” estão em nós. Por isso, “amar a nós mesmos” implica, necessariamente, amar também “os outros”. O apóstolo João disse, em sua Primeira Epístola: “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus. E todo aquele que ama é nascido de Deus, e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor”. (Primeira Espístola de João – cap. 4, versículos 7 e 8).

“Deus é amor” – Dentre todas as definições a respeito de Deus, até hoje feitas, esta é a mais apropriada. Se nos perguntarem “por que devemos amar o nosso próximo como a nós mesmos?”, devemos responder assim: “Porque, sendo Deus o Pai de todos nós, consequentemente “eu” e “os outros”, somos uma só vida”. Deus é a própria Essência da unidade de todos os seres. Portanto, viver com a consciência de que “eu e o outro somos um” é viver segundo a Vontade de Deus, é manifestar Deus neste mundo. “Manifestar Deus em nossa vida” consiste, num sentido um tanto impreciso, em amar o próximo como amamos a nós mesmos; porém, dizendo de modo mais preciso, consiste em amar o próximo considerando que ele é nós próprios. “Manifestar Deus” ou viver uma vida de valor eterno nada mais é do que “viver o amor”.


O QUE SIGNIFICA A FRASE “DEUS É AMOR”
“Deus é Amor” – Assim disse o apóstolo João.

O escrito japonês Takeo Arishima disse: “O amor impele-nos a querer a pessoa amada inteiramente para nós”. Isto quer dizer que o amor faz-nos sentir que somos “um só ser” com a pessoa amada, ou, em outras palavras, faz-nos ver a pessoa amada como “extensão” de nós mesmos.

Mas vejamos o que quer dizer “Deus é Amor”. Deus é a origem de tudo. Portanto, Ele vê todas as Suas criaturas como extensão de Si mesmo – eis o significado da expressão “Deus é Amor”. Se uma pessoa diz “eu amo meu filho”, isso significa que ela vê o filho como “extensão” de si mesma. A mãe que ama seu filhinho, não sente repugnância em receber, de boca para boca, a comida que ele já mastigou. Isto porque ela vê seu filhinho como parte de si mesma. As sensações de repulsa, desprezo, etc. ocorrem quando a pessoa vê o outro como um ser separado dela. Todos nós temos sempre uma pequena quantidade de saliva dentro da boca, mas nunca sentimos nojo dessa saliva, pois achamos que ela é parte de nós mesmos. Agora, vamos ver o que acontece quando cuspimos essa saliva: a partir do momento em que a lançamos fora do nosso corpo, ela passa a nos parecer repugnante, e jamais teríamos coragem de colocá-la novamente na boca. A sensação de repugnância surge como resultado da sensação de que aquilo que está fora de nós não faz parte de nós. Citemos mais um exemplo: Todos nós temos acumulada dentro dos nossos intestinos alguma quantidade de fezes, mas nunca sentimos nojo delas. Sabemos que as fezes estão dentro de nossos intestinos, mas essa ideia não nos repugna. É que, enquanto as fezes estão dentro dos nossos intestinos, consideramo-las como parte de nós. Porém, depois que as expelimos, já não as consideramos parte de nós, e achamo-las repugnantes.

Como podemos ver pelos exemplos citados, tudo aquilo que consideramos “parte de nós” ou “extensão de nós” não nos provoca sensação de repugnância. No livro Palavras de Sabedoria, de minha autoria, existe a seguinte frase: “O belo existe onde há a manifestação da Vida”. Alguns estilos de obras artísticas não nos parecem belos à primeira vista. Mas, observando-os atentamente, começamos a captar o belo que nelas existe. Isto porque descobrimos a Vida que está manifestada nelas e sentimos que essa Vida é a mesma “Vida” que existe em nós. Em outras palavras, sentimos o “belo”, porque nos identificamos com a obra. Do ponto de vista da Seicho-No-Ie, o “belo” e o “amor” são, em sua essência, a mesma coisa, pois ambos são manifestações da Vida. E captamos o “belo” e o “amor” em todos os seres e todas as coisas, quando compreendemos que neles está manifestada a mesma “Vida” que existe em nós.


“AMAR A DEUS” É SENTIRMO-NOS UNOS COM DEUS

“Deus é Amor”. A sensação de amor é a identidade entre “eu” e o “outro”. O contrário do amor é a ausência dessa identidade, é a discriminação. Discriminar é repelir tudo e todos, pensando: “Isso não é parte de mim”, “ele não é parte de mim”, etc. Quando nós, membros da Seicho-No-Ie, dizemos que “o homem é uno com Deus”, algumas pessoas contestam dizendo: “Como pode o homem, mortal e tão insignificante, ser filho de Deus? Que presunção afirmar que o homem é uno com Deus! Deus é nosso Senhor, e nós, seres humanos, não passamos de seus humildes servos”. Elas nos criticam, dizendo que somos muito irreverentes, porque afirmamos que “todos nós somos unos com Deus”. Muitas dessas pessoas que nos criticam são cristãs. Por isso, quero lembrar-lhes as seguintes palavras de Cristo: “... Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o primeiro e o máximo mandamento” (Mateus 22: 37-38).

Nessa frase, a palavra “Senhor” deve ser entendida como sinônimo de “Altíssimo”, e não como o de “amo” (em relação a servo). Portanto, o trecho da Bíblia acima citado significa o seguinte: “Amarás o Deus Altíssimo de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o primeiro e o máximo mandamento.”

Então, o que significa “amar a Deus”? Como já foi explicado anteriormente, “amar” alguém é reconhecer a nossa unidade com essa pessoa. “Amar o cônjuge” é reconhecer a nossa unidade com o cônjuge; “amar o filho” é reconhecer a nossa unidade com o filho; “amar o próximo” é reconhecer a nossa unidade com o próximo. “Amar a Deus” é, pois, reconhecer a nossa unidade com Deus. E isto é fundamental. Quando temos a compreensão básica de que “somos um com Deus” (ou seja, quando realmente amamos a Deus), é-nos fácil e natural o cumprimento dos mandamentos específicos, tais como “não matarás”, “não furtarás”, “não cometerás adultério”, “não dirás falso testemunho”, etc. Não é possível amar realmente a Deus, sem termos a consciência da nossa unidade com Ele, da mesma forma que é impossível amarmos realmente o nosso filho sem termos a consciência de que “ele é meu filho verdadeiro; portanto, ele e eu somos unos”. Se pensássemos: “essa criança não é parte de mim; não há vínculo vital entre mim e ela”, não poderíamos amá-la tão profundamente como quando temos a consciência da unidade acima referida. Mesmo que nos esforcemos para isso. Para amarmos realmente a Deus, é imprescindível termos a compreensão fundamental de que “somos unos com Deus”.

Existem muitas pessoas que pensam que a relação entre Deus e o homem é a de “Senhor e criado”, e esforçam-se para amá-Lo, por temerem ser repreendidas ou castigadas se não o amarem. Mesmo que essas pessoas pratiquem atos que pareçam ser a manifestação do amor a Deus, isso é apenas simulação, e não a expressão do Amor verdadeiro. Só podemos amar verdadeira e plenamente a Deus, quando alcançamos a compreensão fundamental de que “Somos filhos de Deus, a nossa Vida é uma com a Vida de Deus. Somos, por assim dizer, o próprio Deus manifestando-Se neste mundo fenomênico”. Aquele que se esforça para amar a Deus sem ter essa compreensão fundamental é comparável a um padrasto (ou uma madrasta) que se esforça para amar o enteado, sem se sentir uno com ele. Seu esforço será em vão, e o seu amor apenas uma encenação.

Com base no que foi explicado acima, podemos concluir que o “Bem fundamental” a que devemos visar consiste na conscientização da nossa unidade com Deus. Tomando emprestada a forma de expressão que Jesus costumava usar, podemos dizer: “Reconhecerás o fato de que tu és uno com Deus. Este é o primeiro e máximo mandamento. Reconhece em primeiro lugar este Bem fundamental, e todas as coisas boas ser-te-ão dadas de acréscimo”. Reconhecer a nossa unidade com Deus não é, de modo algum, uma ofensa a Deus. Pelo contrário, não reconhecer isso é que ofenderia a Deus, pois seria o mesmo que não O amar verdadeiramente.

Na parte inicial deste capítulo, escrevi que “Em síntese, a verdadeira finalidade do ser humano nesta vida consiste em manifestar neste mundo a Vida de Deus, ou seja, em viver de modo a manifestar Deus neste mundo”. Mas, para manifestarmos neste mundo a Vida de Deus, precisamos, antes de mais nada, compreender que “somos originariamente unos com Deus”. Se não tivermos a consciência de que “somos unos com Deus”, não poderemos manifestar neste mundo a Vida de Deus, ou seja, não conseguiremos viver de modo a manifestar Deus neste mundo. Somente os seres divinos (os que são unos com Deus) podem manifestar a Vida de Deus neste mundo. Se não fôssemos originariamente seres divinos, não poderíamos manifestar a Vida de Deus neste mundo, por mais que nos esforçássemos.

Como todos sabem, Deus é Bem. Chegamos, pois, à conclusão de que, se existisse uma pessoa que não fosse um “ser divino”, ela jamais poderia alcançar o Bem, por mais que tentasse. Mas, felizmente, o ser humano é originariamente filho de Deus. Podemos dizer que, em sua essência, o ser humano é o próprio Deus. Portanto, quando ele vive a vida do “homem real”, isto é, vive de acordo com a sua verdadeira natureza de filho de Deus, está manifestando Deus neste mundo.


(Do livro "A Verdade da Vida, vol. 13", pgs. 80 à 88)


sábado, setembro 03, 2011

"Ética de Valor Eterno" da Imagem Verdadeira - 2/3


Masaharu Taniguchi


A LEI DA MATÉRIA TAMBÉM É A LEI DE DEUS?

Além das que foram citadas acima, existe uma outra visão do mundo; aquela que reconhece Deus como origem única do Universo, mas admite um mundo dualístico onde se confrontam a lei da matéria e a Lei do Amor, explicando que tanto uma como a outra são Leis de Deus, já que foi Ele quem criou o mundo da matéria e o mundo da mente. Mas, se analisarmos os acontecimentos desta vida segundo essa visão do mundo, chegaremos à conclusão de que frequentemente a “Lei do Amor” é vencida pela “lei da matéria”.

Por exemplo: Existem casos como o daquela pessoa que, por ter praticado um ato de amor, lançando-se às águas geladas do rio para salvar uma criança prestes a se afogar, pegou pneumonia e acabou morrendo. Ou casos de pessoas que, por terem tratado de um tuberculoso, ficaram contaminadas e acabaram morrendo primeiro. Podemos concluir que, em tais casos, a lei da matéria prevaleceu à Lei do Amor. Se a “lei da matéria” fosse realmente lei da natureza estabelecida por Deus, a conclusão lógica seria que “obedecer à lei da matéria é obedecer à lei de Deus”. Se assim fosse, quem não salva uma criança prestes a se afogar na água gelada estaria vivendo de acordo com a Lei de Deus. Quem não cuida de pessoas tuberculosas estaria vivendo de acordo com as Leis de Deus. Mas, que seria deste mundo, se isso fosse verdade, e se as pessoas procedessem assim? Seria um mundo absurdo, frio e cruel, onde a “Lei do Amor” seria totalmente desprezada; onde o destino das pessoas seria determinado unicamente pela lei da matéria; e onde a vitória caberia aos indivíduos desumanos e astuciosos que se aproveitam da lei da matéria. Seria, enfim, um mundo oposto ao mundo paradisíaco, ao mundo ideal.

A Verdade é que, enquanto houver a crença errônea de que “a lei da matéria” também faz parte da “Lei de Deus”, não será possível fazer prevalecer neste mundo a “Lei do Amor”. Para fazer prevalecer neste mundo a “Lei do Amor”, é preciso compreender e assimilar a visão do mundo da Seicho-No-Ie, que é a seguinte:

“A matéria não é existência real. Portanto, a lei da matéria também não é existência real. A matéria é, na verdade, projeção da mente. E a chamada ‘lei da matéria’ é, em última análise, a ‘lei da concretização dos pensamentos’. Assim, é perfeitamente possível alterar as reações químicas da matéria através da mudança de atitudes mentais. Por exemplo: quem mantém arraigada em sua mente a ideia de que ficará resfriado se entrar na água gelada, realmente ficará resfriado ao fazer isso. Mas quem não tem essa ideia arraigada na mente, não ficará resfriado mesmo que se lance na água gelada. Quem acredita realmente que o contato com os bacilos da tuberculose resulta inevitavelmente em contágio, contrairá a doença ao se expor a esses bacilos. Mas quem não mantém essa crença não ficará tuberculoso, mesmo em contato com os bacilos da tuberculose. Se ocorrem, às vezes, casos de adoecimento ou morte em consequência de um ato de amor altruístico, isso não é devido a uma Lei de Deus chamada ‘lei da matéria’, mas sim à Lei da concretização dos pensamentos.”

Enquanto mantivermos uma atitude mental ambígua, acreditando que “tanto a Lei do Amor como a lei da matéria são Leis de Deus”, não alcançaremos a verdadeira compreensão do que seja a “lei do Amor” e a “Lei de Deus”. E dificilmente surgirá a firme determinação de partirmos para um ato de amor ignorando a lei da matéria. Somente quando assimilarmos a “visão do mundo”, tal como a da Seicho-No-Ie, e passarmos a ter a firme convicção de que um ato de bondade e altruísmo nunca nos leva ao adoecimento ou à morte, tornamo-nos capazes de nos dedicarmos aos nossos semelhantes com amor e altruísmo, sem receio de coisa alguma.


A LIBERDADE PESSOAL CONSTITUI A BASE DA MORAL

Que seria do homem se fosse verdade que “mesmo uma vida dedicada à manifestação de amor altruístico resulta numa vida prática desafortunada, quando as circunstâncias materiais são adversas”? Que seria dele se fosse verdade que “quando a vida dedicada ao amor altruístico se choca com a lei da matéria, esta vence a Lei do Amor, e, consequentemente, a pessoa é derrotada, humilhada e aniquilada”? Se isso fosse verdade, o homem seria apenas um fantoche controlado pela implacável força material, e não poderia alcançar a verdadeira liberdade.

Se não houvesse a “verdadeira liberdade de ação”, não poderia haver “atos humanos” espontâneos. Se os atos humanos fossem atos mecânicos em vez de resultados da vontade própria, esses atos não seriam nem bons nem perversos. Se fosse verdade que “mantendo-se a bondade na mente mas sem manifestá-la exteriormente atinge-se o objetivo do Bem”, ou seja, se a liberdade pessoal significasse apenas liberdade interior (liberdade de pensamento) e não liberdade exterior (liberdade de atos) – então seria impossível existir uma verdadeira moral que abrangesse tanto o universo interior como o universo exterior do indivíduo. A liberdade e o Bem não passariam, então, de “sonho”.

Se a liberdade do homem fosse apenas interior, ele não poderia concretizar o “Bem”, não poderia manifestar o “Bem” na vida prática. Mas o fato é que nós, seres humanos, procuramos manifestar concretamente o Bem na vida prática, através das palavras e dos atos. Nossa alma busca alguma forma de Bem, e não consegue ficar indiferente a valores como “bondade”, “humanitarismo”, “amor, “misericórdia”, etc. Isto porque, no âmago do nosso ser, existe a consciência básica de que somos livres tanto no nosso mundo interior como no mundo exterior (isto é, temos liberdade tanto de pensamento como de palavras e atos) e somos capazes de concretizar o “Bem”.

“Façamos o homem à nossa imagem e semelhança, e presida aos peixes do mar, e às aves do céu, e aos animais selváticos, e a toda a terra, e a todos os répteis que se movem sobre a terra. E criou Deus o homem à Sua imagem” (Gênesis, 1:26-27). Esta é a descrição da verdadeira identidade do homem, feita sob inspiração pelo autor do livro do Gênesis. Nós, seres humanos, somos feitos à imagem de Deus e dEle recebemos o poder de presidir a todas as coisas. É claro, portanto, que também nos foi dada a liberdade de controlar perfeitamente o mundo que nos cerca. Mas, enquanto admitirmos o confronto entre o nosso mundo interior e o mundo exterior, e acreditarmos que “o ser humano está em constante luta com o iníquo mundo material para impor o Bem”, seremos levados a admitir também que o ser humano não possui a verdadeira liberdade que abranja tanto o seu mundo interior como o mundo exterior. E, não tendo essa liberdade, o homem não poderá concretizar o verdadeiro Bem. O Bem prevalecerá apenas no plano ideal, e, na vida prática, estará sujeito à humilhação e à derrota.

Para fazermos prevalecer o valor e a autoridade do Bem tanto no nosso mundo interior como no mundo exterior, devemos ter como base a seguinte tese da Seicho-No-Ie: A liberdade de pensamento é, ao mesmo tempo, liberdade de ação. O que foi criado na mente, infalivelmente se concretiza no mundo material. Na verdade, o mundo mental e o mundo exterior (mundo material) são duas faces de um só mundo – ou, mais explicitamente, o mundo exterior é projeção do mundo mental. Sem a compreensão desta “visão do mundo” da Seicho-No-Ie, é impossível entender o fundamento da moral, que é a liberdade do homem, tanto no seu mundo interior como no mundo exterior.

Cont...

quinta-feira, setembro 01, 2011

"Ética de Valor Eterno" da Imagem Verdadeira - 1/3


Masaharu Taniguchi


Dentre todas as questões que fazem vibrar a alma humana, a mais importante é a seguinte:" Qual é o objetivo da nossa vida?" Naturalmente, existem muitas pessoas que não se importam com isso. Tais pessoas vivem exclusivamente no mundo dos sentidos e pensam, vagamente: "O ser humano é corpo carnal; portanto, para ser feliz, basta conseguir prazeres materiais". Porém, quando percebem que o fim de sua existência neste mundo está próximo e vêem-se prestes a ser despojadas do corpo carnal, elas volvem seus pensamentos ao passado, e deixam escapar um longo suspiro de tristeza, pensando: "Para quê serviu minha existência? Que fiz em toda a minha vida? Nada! Nada que tivesse valor real e eterno!" Diante do iminente desaparecimento do elemento material chamado corpo carnal, é natural que elas busquem a continuação de alguma coisa que não seja matéria e que tenha valor eterno. Mas, como elas passaram a vida inteira perseguindo apenas os prazeres do mundo da matéria e dos sentidos, não criaram, em toda a sua existência, coisa alguma de real valor, "que transcendesse a matéria e permanecesse para sempre". Portanto, essas pessoas que nada criaram durante toda a sua existência, só poderão esperar um futuro vazio e sombrio. Creio que entre os leitores não há quem queira que seu futuro seja vazio e sombrio como o dessas pessoas.

Em síntese, a verdadeira finalidade do ser humano nesta vida consiste em manifestar neste mundo a Vida de Deus, ou seja, em viver de modo a manifestar Deus neste mundo. A música é manifestação concreta da Vida eterna que palpita no músico. Da mesma forma, nosso modo de vida deve ser a manifestação concreta da Vida eterna de Deus. O homem tem de ser um "ser divino", no verdadeiro sentido, e, como tal, viver uma "vida divina".

Essa vida tem valor eterno somente quando a vivemos em plena harmonia com o "Ser de Valor Eterno", que é Deus. A "Ética da Seicho-No-Ie" é, em suma, um "princípio de orientação para se viver uma vida de de Valor Eterno". Ela nos ensina o que devemos fazer para manifestarmos a Vida de Deus neste mundo, isto é, como devemos viver para "projetar" corretamente em nossa vida o Ser de Valor Eterno.


A COSMOVISÃO MATERIALISTA E A COSMOVISÃO ESPIRITUALISTA

Desde a Antiguidade, sempre existiram dois modos de ver o mundo: a visão materialista e a visão espiritualista. Segundo a visão materialista, este mundo é formado pelo agrupamento causal de diversos elementos materiais sem nenhuma conexão entre si, e não um mundo criado com um objetivo claro e definido, e coordenado por uma inteligência superior. Portanto, aquele que têm a visão materialista de mundo, pensam que nós, seres humanos, surgimos casualmente, passamos por muitas vicissitudes, sofremos, afligimo-nos, e morremos, também casualmente. As pessoas que pensam assim chegam inevitavelmente à conclusão de que "esta vida não tem sentido, não existe uma vida de 'Valor Eterno'". Então, elas passam a encarar a vida com pessimismo e perdem o ânimo de viver. Passam a levar uma vida vazia, sem nenhum objetivo, como se caminhassem tateando no escuro. Começa assim o comportamento autodestrutivo e decadente.

A contrário destas, as pessoas que têm visão espiritualista do mundo reconhecem, de um modo ou de outro, que o Universo está em movimento porque há alguma razão e finalidade para isso. Reconhecem que este mundo não é um agrupamento causal e desordenado de matérias que se atraem ou se repelem, mas sim um Universo regido por um força superior (ou forças superiores, segundo alguns). Cabe, aqui, esclarecer que existem diversas espécies de "visão espiritualista do mundo": (1) O "espiritualismo pluralista", segundo o qual este mundo é regido por várias forças; (2) o "espiritualismo dualista", que reconhece a existência de duas forças antagônicas - a "Força do Bem", que pertence a Deus, e a "força do mal", que pertence a Satanás; (3) o "espiritualismo monista" como aquele preconizado por Schopenhauer, segundo o qual este mundo é dirigido por uma força cega, isto é, pela cega vontade de viver; e (4) o "espiritualismo monista da Seicho-No-Ie", que admite a existência única de Deus e do Mundo da Imagem Verdadeira, o qual será explicado mais adiante.

A vida de cada pessoa poder ser feliz ou infeliz, dependendo da sua visão de mundo.


O ESPIRITUALISMO PLURALISTA

A visão do mundo baseado no "espiritualismo pluralista" é aquela em que a pessoa admite a existência de mais de um Deus governando o Universo. Segundo essa visão de mundo, haveria diversos Deuses governando isoladamente seus respectivos domínios neste mundo, cada qual à sua maneira e com seu próprio objetivo. É essa visão do mundo a principal responsável pelas rivalidades entre as religiões. Muitas pessoas, em vez de reconhecerem que Deus é um só, pensam que existem diversos Deuses, tais como: as divindades do budismo, os Deuses do Oriente, os Deuses do Ocidente, o Deus do Cristianismo, o Deus do Maometismo, o Deus da seita Tenri, o Deus da seita Oomoto, o Deus da seita Kurosumi, o Deus da seita Fusô, etc. Por exemplo, se são xintoístas, pensam assim: "Reverenciar o Deus do cristanismo seria pecar contra o 'nosso' Deus"; se são adeptos da seita Tenri, pensam: "Reverenciar o Deus da seita Konko seria pecar contra o 'nosso' Deus", e assim por diante. Estão, pois, em constante rivalidade, cada qual defendendo o território do "seu" Deus. As pessoas que têm essa visão do mundo pensam que um adepto a mais na sua religião é um palmo a mais que alarga os domínios de "seu" Deus. Por isso, empenham-se seriamente em coisas fúteis como disputar adeptos, ou seja, "trazer para seu rebanho as ovelhas de outras pastagens".

Essas pessoas não compreendem, ou melhor, ainda não alcançaram a compreensão de que "o pinheiro está vivendo à sua maneira, a Vida de Deus; assim como a cerejeira está vivendo, à sua maneira, a Vida do mesmo Deus." Do mesmo modo, o cristianismo está vivendo, à sua maneira, a Vida de Deus, assim como a seita Tenri (ou qualquer outra religião) está vivendo, à sua maneira, a Vida do mesmo Deus. Não compreendem isso, e pensam que somente numa determinada religião (ou seja, naquela à qual elas pertencem) está presente o Deus verdadeiro. E isso é como pensar que somente uma determinada árvore - o pinheiro, por exemplo -, seja uma árvore realmente viva. Da mesma forma que existe vida tanto no pinheiro como na cerejeira ou em qualquer outra planta, a Verdade e a Vida estão presentes tanto no cristianismo como no budismo, no xintoísmo e noutras religiões.

Todavia, assim como existem árvores vivas e árvores mortas, também existem religiões vivas e religiões mortas. Dependendo de cada pessoa, a sua religião (seja cristã, budista, xintoísta, etc.) poderá ser uma religião viva, que trás dentro de si a Fonte da Vida, ou uma religião morta, que não possui conteúdo (a Fonte da Vida) e mantém apenas a forma externa, tal como uma árvore morta. Da mesma forma que há pinheiros mortos, cerejeiras mortas, etc., também há religiões cristãs, budistas, etc., mortas. Ser uma árvore viva ou morta é algo que diz respeito a cada árvore; a designação geral da espécie (pinheiro, por exemplo) nada tem a ver com isso. Do mesmo modo, ter uma religião viva (uma religião viva que traz em si a Fonte da Vida) ou uma religião morta, depende da atitude espiritual de cada pessoa, e não do nome da religião em que se acredita.

A religião de uma pessoa que alcançou a compreensão da Imagem Verdadeira é uma religião viva, seja qual for a sua denominação. Por isso dizemos que uma mesma religião pode ser considerada "viva" ou "morta", dependendo de cada adepto.

Segundo o espiritualismo pluralista, existem diversos Deuses, das mais variadas seitas, assim como existem diversas espécies de árvores, tais como pinheiros, cerejeiras, etc., e esses Deuses antagonizam-se uns com os outros, cada qual procurando ampliar seu poder. Como vemos, o espiritualismo pluralista admite uma Vida disputando o poder com outras Vidas, uma religião disputando o poder com outras religiões, isto é, admite que este mundo é regido por numerosos dirigentes espirituais, divididos e isolados uns dos outros.

Mas eis que, dentre outras, surge a Seicho-No-Ie, que aceita imparcialmente tanto as religiões cristãs, como as budistas, xintoístas e outras, ensinando que a essência de todas elas é uma só: a Grande Vida, fonte de todas as coisas, a qual vivifica e unifica todas as religiões. Querer forçar os cristãos ou os budistas a se converterem ao xintoísmo, por exemplo, é o mesmo que pretender que os pinheiros e as cerejeiras se transformem em ameixeiras. Isto é decorrente da mente em ilusão, que quer impor uma "igualdade falsa e formal" a todas as coisas. É preciso compreender que qualquer religião é viva e verdadeira quando se atinge a essência da sua doutrina que provém da verdadeira fonte da Vida, assim como qualquer árvore, seja de que espécie for, é uma árvore viva quando nela está presente a Grande Vida, origem de todas as coisas.

Portanto, para encontrar a Verdade, as pessoas não precisam se converter a uma determinada religião. Por isso digo que, para seguir os ensinamentos da Seicho-No-Ie, as pessoas não precisam abandonar sua própria religião, mas sim aprofundar cada vez mais o estudo de sua religião, até chegar à sua essência, que é a verdadeira fonte da Vida. Então, compreenderão que não existe nada que justifique o antagonismo entre as religiões. O que elas encontrarão na essência é a mesma Verdade pregada pela Seicho-No-Ie.

Como vimos, o espiritualismo pluralista consiste em admitir que este mundo é governado por diversas "forças". Mas, o próprio espiritualismo pluralista acaba se tornando espiritualismo monista, quando se reconhece que, embora existam muitas "forças espirituais" controlando o mundo, todas elas se originam de uma única e verdadeira Força que governa o Universo. Um exemplo disso é a visão do mundo do xintoísmo, que acredita na existência de muitos "Deuses", mas admite que eles se originaram de um único Deus.


O ESPIRITUALISMO DUALISTA

O "espiritualismo dualista" admite que este mundo seja governado por duas grandes forças antagônicas - o Bem, representado por Deus, e o mal, representado por Satanás. Acredito que essa visão dualista não seja própria do verdadeiro cristianismo, mas atualmente parece que é a característica de muitos dos cristãos, que pensam mais ou menos assim: "O homem deve lutar constantemente contra o mal e vencê-lo pouco a pouco, pois até mesmo Deus luta contra Satanás. O homem precisa sofrer, pois somente através dos sofrimentos ele consegue o desenvolvimento espiritual. Sofrer é o destino do ser humano". Essa ideia errônea dá origem a uma visão distorcida da vida, que leva a comportamentos negativos como, por exemplo, a auto-destruição. Pode até mesmo criar nas pessoas uma tendência masoquista, de sentir prazer em criar sofrimentos e doenças para si mesmas. Neste mundo, existem pessoas que levam uma vida de constantes sofrimentos, apesar de possuírem profunda fé religiosa. Geralmente, essas pessoas abrigam em seu subconsciente o pensamento de acolher os sofrimentos. Embora sem se dar conta disso, elas estão fazendo surgir infelicidades em suas vidas, pela força do subconsciente. Essa visão do mundo e da vida não é, de modo algum, uma visão positiva e saudável.

Basicamente, a visão do mundo baseada no espiritualismo pluralista e a visão do mundo baseada no espiritualismo dualista (confronto entre Deus e Satanás, o Bem e o mal) consistem em admitir que existem mais de uma força superior governando o mundo, e que essas forças não coexistem em harmonia.

Assim sendo, aqueles que têm uma visão do mundo baseada no espiritualismo dualista ou no espiritualismo pluralista, supõem ser inevitáveis a divergência e o conflito entre a sua própria vontade e a vontade dos outros. Consequentemente, imaginam que terão que passar por muitos sofrimentos e dificuldades para superar tais desacordos e conflitos. E, de acordo com a "lei mental", segundo a qual "Tudo aquilo que se desenha na mente acaba acontecendo", os sofrimentos e dificuldades começam a se manifestar concretamente na vida dessas pessoas. Há pessoas que pensam assim: "Preocupar-se com coisas como 'visão de mundo' ou 'visão de vida' é um passatempo de pessoas desocupadas como os filósofos, por exemplo. Pessoas atarefadas como nós não têm tempo a perder com tais assuntos". Mas isso é um grande engano. A vida de uma pessoa não se torna feliz só pelo fato de trabalhar freneticamente. Se ela não tiver uma visão correta do mundo e da vida, o seu modo de trabalhar poderá estar atraindo sofrimentos, em vez de felicidade. Há pessoas que obtêm resultados negativos (infelicidades) em todas as coisas que fazem. A causa fundamental disso é sempre o fato de elas não possuírem a correta visão do mundo. Portanto, essas pessoas precisam, antes de mais nada, modificar a sua visão de mundo e depois começar a trabalhar com uma nova atitude mental perante a vida. Assim, os seus trabalhos resultarão na concretização da felicidade em suas vidas. Por mais que corramos, não atingiremos a meta se estivermos correndo na direção oposta. Da mesma forma, por mais que trabalhemos, não alcançaremos o objetivo se nossa visão de mundo estiver focalizando o rumo errado. Por isso, corrigir a visão errônea da vida e do mundo é uma providência importantíssima e urgente.

Quando abandonamos tanto a visão pluralista como a dualista e passamos a ter a visão do mundo baseada no espiritualismo monista, alcançamos finalmente a compreensão de que não existem várias forças lutando entre si, mas apenas uma única e grandiosa força governando o mundo todo. Porém, mesmo que uma pessoa admita que o mundo seja governado por uma única força, a sua visão do mundo continuará distorcida se ela acreditar (como Schopenhauer) que essa força é uma "vontade cega". Nesse caso, a pessoa estará admitindo que este mundo é um "mundo malfeito" governado por uma "inteligência caótica e inferior"; ela terá na mente a imagem de um mundo imperfeito, e sua visão do mundo será pessimista, como a de Schopenhauer. Então, conforme a "lei da concretização dos pensamentos", concretizar-se-ão as doenças, as adversidades, a miséria, etc., e sua vida será muito infeliz.

Por isso, admitir apenas que "este mundo é governado por uma única força" nem sempre significa ter a correta visão do mundo. Enquanto não se tem a cosmovisão teísta da Seicho-No-Ie, que se baseia na compreensão de que essa Força Única é Deus, de Infinita Sabedoria, Infinito Amor, Infinita Capacidade e Infinita Harmonia, e que não podem haver imperfeições neste mundo governado e dirigido por Deus "infinitamente" perfeito, não se pode dizer que se tem a correta visão de mundo.

Cont...

(Do livro "A Verdade da Vida, vol. 13", pgs. 65-75)

domingo, agosto 28, 2011

A Verdade do "Eu" exprimida na Arte


Masaharu Taniguchi

A Seicho-No-Ie prega sobre o Mundo do Jisso e o mundo fenomênico. O mundo fenomênico não é existência real, embora pareça existir realmente. Ele é a sombra projetada pela nossa mente, ou seja, é a materialização de nossas ondas de pensamento, de nossas vibrações mentais.

Todos os seres e todas as coisas do mundo fenomênico são produtos das ondas mentais que se propagam e se materializam no mundo exterior, tais quais imagens que surgem no vídeo da televisão. Mesmo que estejamos vendo a imagem de uma pessoa movimentando-se no vídeo da TV, o que ali está não é, em absoluto, um ser humano com sua forma imutável. O que vemos não passa dos movimentos incessantes das ondas eletromagnéticas. Do mesmo modo, este nosso corpo carnal também é produto das vibrações de ondas mentais, que estão em constante transformação.

Na verdade, nem precisamos recorrer aos termos da eletrônica para explicar a transitoriedade do corpo carnal; basta atentarmos para as células que o compõem. Se o corpo carnal aparentemente continua a existir sempre sob a mesma forma, é porque, quando morre uma célula, logo se forma uma nova para substituí-la. É um processo comparável ao aparecimento de uma imagem cinematográfica na tela: um homem que vemos na tela parece uma unidade contínua, mas é apenas uma imagem resultante da projeção, em sequência, de centenas ou milhares de imagens passadas/sobrepostas rapidamente. Em outras palavras, se a imagem de um personagem do filme move-se na tela como se estivesse viva, é porque centenas e milhares de segmentos do filme vão passando rapidamente, um após o outro. O que parece uma unidade imutável é, na verdade, uma sucessão de fragmentos transitórios.

Segundo os biólogos, ao longo de um período aproximado de oito anos, todas as células do corpo, até mesmo as do tecido ósseo, são substituídas por novas células, não permanecendo no corpo nenhuma célula velha. As células da epiderme, do tecido muscular, etc., renovam-se quase que diariamente. Mesmo neste instante que estou falando sobre isso, o sangue circula nas minhas veias e artérias, ocorre a transpiração, processa-se continuamente em meu corpo a substituição de gás carbônico pelo oxigênio, etc. Tudo isso é transformação. Nada fica; nada é imutável.

Todavia, essas transformações não são repentinas. Citemos, por exemplo, o tecido ósseo. Como já foi dito, num período de mais ou menos 8 anos, até mesmo o tecido ósseo é totalmente renovado. Obviamente, isso não significa que as células permaneçam inalteradas durante cerca de 8 anos e então, de repente, ocorra a substituição. A substituição vai ocorrendo aos poucos, lenta e incessantemente. E, como resultado disso, ao cabo de mais ou menos 8 anos, o tecido ósseo está totalmente renovado. Trata-se, pois, de uma transformação incessante. Em linguagem budista, é a “inconstância” dos seres e das coisas. Sakyamuni, tendo percebido a inconstância dos seres e das coisas deste mundo, tornou-se monge e partiu numa peregrinação, visitando os principais sacerdotes da época, em busca de um caminho para transcender a inconstância.

Nos tempos de Sakyamuni, ainda não existiam inventos como o cinema, o rádio, a televisão, etc., nem era conhecida a ciência denominada “citologia”. Portanto, ele não podia constatar fatos como o de que “por detrás da sucessão das cenas de um filme na tela do cinema, existe a ação do operador do aparelho de projeção”, ou de que “por detrás do metabolismo do corpo humano existe a ação da força vital constante e imutável que comanda tal processo”, e por essa razão, vendo as vicissitudes dessa vida, que são “o nascimento, o envelhecimento, o adoecimento e a morte”, parece que teve bastante dificuldade em despertar – e também fazer os outros despertarem – para a Verdade de que, por detrás da vida fenomênica transitória e cheia de sofrimentos, existe a Vida imutável, eterna, indestrutível.

No budismo, comumente ensinam que o “eu” não existe. Isso leva à conclusão de que se o “eu” é inexistente, logicamente o espírito (a alma) também é inexistente. Por isso, muitos pensamentos que aludem ao ensinamento de que “o eu não existe” pregam uma teoria que nega a existência da alma. Mas, lendo as escrituras budistas, constatamos diversas passagens em que Sakyamuni diz a seus discípulos que quando eles deixarem o mundo terreno renascerão em algum outro lugar. Em uma das sutras está escrito que, por ocasião da estada de Sakyamuni no jardim de Kalandaka, recebeu a visita de uma sacerdotisa chamada Sen-ni, a qual expôs suas dúvidas quanto a essa questão.

Respondendo, Sakyamuni disse: “Neste mundo, há três diferentes ideias a respeito da vida. A primeira é aquela que considera o eu manifestado no mundo presente como eu verdadeiro, e em crer que, após a morte do corpo carnal neste mundo, o eu se extingue completamente”. Essa ideia corresponde à filosofia materialista de hoje, segundo a qual a consciência do eu é resultado da ação química da matéria.

Em seguida, Sakyamuni disse: “a segunda ideia é a que considera como verdadeiros tanto o eu manifestado no mundo presente, como o eu que se transfere para o mundo espiritual após a morte do corpo carnal.” Segundo essa ideia, o eu, ao passar para o mundo espiritual, simplesmente se despoja da pesada vestimenta chamada corpo carnal; portanto, segundo essa ideia, deve-se considerar como verdadeiro o eu que vive alternadamente neste mundo e no mundo espiritual. Esse modo de pensar corresponde ao ponto de vista da ciência psíquica e da doutrina espírita dos dias atuais. É a visão dos que admitem a existência do eu no mundo espiritual, o qual, em certos casos, aparece em sessões mediúnicas e declara que está sofrendo, que se encontra num lugar escuro, que não conseguiu encontrar a salvação, etc. Em resumo, trata-se da visão da vida que admite a imortalidade do “eu fenomênico”.

Sakyamuni disse que não corroborava nenhuma das duas ideias e afirmou: “O eu que vocês pensam existir, não é existência real. O eu manifestado no mundo presente não é existência real, assim como não é existência real o eu que vai para o mundo espiritual”.

Não tendo entendido o significado dessas palavras, Sen-ni redarguiu: “Venerando, tendo ouvido a nossa explicação, minhas dúvidas aumentaram ainda mais”. Então, Sakyamuni disse-lhe: “É natural que suas dúvidas tenham aumentado. A Verdade de que o eu parece ser real não é existência real, é uma Verdade muito profunda e difícil de ser compreendida. Para compreendê-la é necessária a Sabedoria Superior que lhe permita ver o Jisso perfeito e maravilhoso”.

Há pessoas que refutam a irrealidade do “eu fenomênico” pregada pela Seicho-no-Ie, argumentando: “Se o eu fenomênico não existe realmente, a quem vocês pregam a Verdade? Penso que a religião não consiste em pregar a Verdade ao eu verdadeiro, que está salvo desde o princípio. Se se prega a Verdade, é porque existe o eu fenomênico, que não está salvo”. Realmente, é muito difícil compreender o que seja a negação do eu fenomênico, visto que ele parece existir concretamente como “eu” que está, neste momento, refletindo, duvidando, questionando...

Sen-ni também não conseguiu compreender, apesar das explicações de Sakyamuni. Então, prosseguindo, Sakyamuni procedeu a um diálogo com Sen-ni:

(1) Os aspectos do mundo fenomênico são imutáveis ou transitórios?
- São transitórios – respondeu Sen-ni.
- Os aspectos do eu fenomênico são imutáveis?
-
São transitórios, senhor.
-
Esses aspectos fenomênicos transitórios e mutáveis é que constituem o eu verdadeiro?
- Não, senhor.

(2) Então, o eu verdadeiro existe à parte do aspecto fenomênico?
- Não é assim.

(3) O eu verdadeiro existe dentro do mundo fenomênico?
- Não senhor.

(4) Então, é o mundo fenomênico que existe dentro do eu verdadeiro?
- Não senhor.

(5) Então, negando e destruindo o mundo fenomênico, surgirá o eu verdadeiro?
- Também não é assim.

Este diálogo contém os diversos conceitos do 'eu' existentes no mundo atual, que são os seguintes:

(1) Fenômeno = eu --> Conceito segundo o qual não há distinção entre o eu verdadeiro e o eu fenomênico; o eu é apenas um fenômeno físico e não há outro eu além do eu carnal; portanto, extinguindo-se o corpo carnal, o eu também se extingue. Este conceito corresponde à primeira indagação feita por Sakyamuni, em seu diálogo com Sen-ni.

(2) Corpo Carnal vs. Eu-espírito --> Conceito que admite a existência de um outro eu além do eu carnal. Segundo esta teoria, mesmo após a morte do corpo carnal, o eu continua a existir no mundo espiritual. Porém esse eu ainda é fenomênico, ou seja, eu mutável que reencarna várias vezes, sofre mudanças e continua sujeito a sofrimentos. (Portanto, é uma teoria que admite a existência do mundo espiritual além deste mundo). Este conceito corresponde à segunda pergunta feita à Sen-ni por Sakyamuni.

(3) Eu verdadeiro contido no eu fenomênico --> Conceito segundo o qual o eu verdadeiro está contido no eu fenomênico, e se considera existente o eu fenomênico tanto neste mundo como no mundo espiritual. Corresponde à terceira pergunta feita por Sakyamuni, em seu diálogo com Sen-ni.

(4) Eu fenomênico contido no Eu verdadeiro --> Conceito segundo o qual o eu verdadeiro contém elementos de ilusão, e o eu fenomênico é a sombra da ilusão projetada pelo eu verdadeiro. Corresponde à quarta questão levantada por Sakyamuni.

(5) Eu Verdadeiro --> Conceito segundo o qual existe unicamente o Jisso, o eu verdadeiro, independentemente de estar ou não manifestado o fenômeno. Está correlacionado ao quinto ponto levantado por Buda.

O conceito (1) é o conceito dos materialistas. Do ponto de vista destes, esse conceito é correto, pois, vendo o seu eu unicamente através da lente chamada “mundo fenomênico” (mundo presente), parece-lhes que não há outro eu além do eu carnal. Entretanto essa visão da vida leva o indivíduo ao pessimismo e ao desespero, já que a vida é efêmera. Também o conceito (2) não é falso quando vemos o eu com os olhos espirituais do mesmo modo que vemos este mundo com olhos carnais, pois inevitavelmente chegamos à conclusão de que o eu é um espírito que continua vivendo no mundo espiritual.

Há quem se refira ao mundo espiritual como um mundo que transcende o mundo fenomênico. De fato, se entendermos o mundo fenomênico como mundo visível aos olhos carnais, teremos que admitir que o mundo espiritual transcende o mundo fenomênico. Mas, se entendermos o mundo fenomênico como um mundo mutável, transitório e provisório – que parece existir, mas não é substancial -, temos de reconhecer que o mundo espiritual também é um mundo fenomênico. Os que admitem a existência do mundo espiritual são mais evoluídos do que os materialistas, que só admitem a existência deste mundo. Todavia, pelo fato de conhecerem apenas o eu mutável e transitório (seja neste mundo ou no mundo espiritual), tendem também à visão pessimista da vida. Essa visão compreende a ideia de que o espírito de pessoas falecidas pode “encostar” nas pessoas e atormentá-las. Tal ideia acaba levando as pessoas a verem este mundo como um lugar repleto de seres malignos que, embora invisíveis aos olhos carnais, podem, a qualquer momento, causar danos. Neste caso, no lugar da visão pessimista da vida que caracteriza o conceito (1), tem-se uma visão da vida caracterizada pelo medo.

Com o intuito de orientar e conduzir à correta visão de vida uma humanidade que, por admitir a existência do “eu fenomênico” mutável e efêmero, deixou-se levar por uma visão da vida caracterizada pelo pessimismo, medo, ceticismo, etc., surgiram os conceitos (3), (4) e (5), que reconhecem o “eu verdadeiro”.

O conceito (3) exprime a visão panteísta da vida; consiste em crer que o mundo fenomênico também é real; em alcançar a compreensão de que, se ocorrem fenômenos, é porque existe a ação de Deus por detrás disso; e, vendo a maneira ordenada com que se movimenta o mundo fenomênico, compreender que, por detrás tudo isso, existe a Sabedoria de Deus. Em suma, é a visão da vida que as escrituras budistas assim expressam: “Em todos os seres e em todas as coisas existe a natureza búdica”. Entretanto, observando o mundo fenomênico, constatamos aspectos que fazem-nos duvidar de que tudo neste mundo seja a manifestação da Sabedoria de Deus (ou da natureza búdica, na linguagem do budismo). Vemos doenças, matanças, destruições mútuas... Então surge inevitavelmente a crítica de que não se pode considerar este mundo como manifestação da Sabedoria de Deus ou natureza búdica.

Para amenizar tal crítica, surgiu o conceito (4), que exprime uma visão da vida segundo a qual mesmo a natureza divina (ou natureza búdica) não é perfeita, estando em processo gradual de evolução; portanto, mesmo a natureza divina (ou natureza búdica) – que constitui o Eu verdadeiro – traz dentro de si os germes da ilusão, e este mundo é a projeção das ilusões originadas do eu verdadeiro. Este conceito apresenta uma explicação mais racional que o conceito (3); porém, por adotar a interpretação de que mesmo a natureza divina (natureza búdica) é imperfeita e sujeita à ilusão, admite a existência de nódoas de ilusão e sofrimento na Fonte de onde nos originamos, e isso nos impede de chegar a uma visão de vida radicalmente otimista. Não se pode, portanto, alcançar a verdadeira salvação através de tal crença.

No conceito (5) temos, finalmente, a visão de vida radicalmente otimista. Ela consiste na compreensão de que existe unicamente o Eu verdadeiro, unicamente o Jisso. Não é após a extinção do mundo fenomênico que irá revelar-se finalmente o eu verdadeiro ou Jisso. O mundo fenomênico é originariamente inexistente. Portanto, não importa que se extinga ou não o mundo fenomênico, que estejam manifestados ou não no mundo fenomênico as ilusões, o envelhecimento, a enfermidade e a morte. Independentemente disso, existe aqui e agora o eu verdadeiro, o mundo do Jisso de eterna felicidade, o paraíso. Não é através do treinamento ou de artifícios que o homem se torna finalmente perfeito. Ele é perfeito desde o princípio. Como de pode perceber, não há visão de vida mais otimista do que essa.

Esta visão de vida, que consiste na conscientização de que existe unicamente o Jisso perfeito, o “eu verdadeiro”, e na compreensão de que todas as coisas e seres fenomênicos não são existências verdadeiras apesar de parecerem existir – esta é que é a visão de vida da Seicho-No-Ie. Tendo essa visão de vida, não precisamos mais fugir dos sofrimentos do mundo fenomênico, nem nos apegarmos às coisas materiais para alcançar a felicidade; o “eu fenomênico”, refletindo a perfeição do “eu-Jisso”, passa a se revelar como um ser livre, feliz e em perfeita harmonia com tudo e todos.


O MUNDO FENOMÊNICO É OBRA DE ARTE CRIADA PELA VIDA DO MUNDO DO JISSO

Se existe unicamente o Jisso, o eu verdadeiro, o eu que já é um com Deus Absoluto, e não existe o eu imperfeito do mundo fenomênico, por que está manifestado o mundo fenomênico (este mundo e o mundo espiritual) como uma etapa do progresso do eu? É que o mundo fenomênico é uma obra de arte feita pela Vida; é um mundo de sombras desenhadas e projetadas pela Vida, do mundo do Jisso. A sombra é um recurso simulado pela Vida para projetar imagens na tela de tempo e espaço. Os filmes cinematográficos são obras artísticas que consistem na projeção de sombras. Do mesmo modo, o mundo fenomênico é uma obra de arte feita pela projeção de sombras. O mundo do Jisso é o mundo completo e perfeito e, assim sendo, nele coexistem o passado, o presente e o futuro; leste, oeste, norte e sul; o céu e a terra. Isso é algo impossível de se constatar por meio do intelecto e sentidos humanos. Tudo está contido num único ponto. Aliás, na verdade, não há nenhum ponto; pode-se dizer que tudo está contido no nada. Porém, como o mundo fenomênico é o mundo da projeção de imagens (sombras) comparável à arte cinematográfica, ele requer uma tela de “espaço” e “tempo” para projeção (que corresponde à tela do cinema de “comprimento” e “largura”). Requer um curso de tempo para a manifestação em sequências de imagens (à semelhança da sequência das cenas do filme). É por isso que está manifestada a dimensão de tempo e espaço.

Os grandes artistas não se limitam a apreender em suas obras apenas as imagens projetadas na tela de tempo e espaço. Considerar reais as imagens projetadas na tela do tempo e espaço, medir com exatidão o tamanho e o peso delas e estudar as leis físicas que as regem – isso é trabalho dos cientistas. Os artistas, em vez de aceitar como real a imagem que veem diante de si, procuram captar – e expressar através de sua arte – a Vida, a Vida-Jisso que existe por detrás da imagem. Eis porque, mesmo pintando ou esculpindo rostos deformados, eles conseguem apreender e expressar a beleza da Vida-Jisso.

A obra escultural O Homem do Nariz Quebrado, de Rodin, não é bela em sua forma, mas, pelo fato de o artista ter expressado a Vida-jisso, captamos nela a beleza da Vida. Em outras palavras, pode-se dizer que Rodin, mesmo esculpindo a imagem de um homem com o nariz quebrado, na realidade esculpiu o Jisso perfeito sem a deformidade do nariz quebrado. Pode-se dizer também que um grande artista é aquele que, mesmo pintando ou esculpindo no aspecto fenomênico uma imagem que apresenta deformidade, procura exprimir o mundo do Jisso onde não existem deformidades.

Neste sentido, pode-se dizer que o artista se identifica com o religioso. Homens de ciência como os médicos, por exemplo, veriam um “nariz quebrado” simplesmente como um “nariz quebrado”. Mas os artistas conseguem transcender o aspecto fenomênico do “nariz quebrado” e ver o “nariz perfeito”. O preceito que constitui a essência da ética da Seicho-No-Ie é: Mesmo vendo o “homem fenomênico” cheio de defeitos no tocante a seu comportamento, é preciso transcender essa aparência fenomênica e ver o homem unicamente como Filho de Deus sem nenhum defeito. Assim, manifestar-se-á concretamente o homem sem defeitos. Pode-se dizer que isso é viver a vida com a atitude de um artista.

(Do livro “A Verdade da Vida, vol. 14”, pgs. 75 à 88)


quinta-feira, agosto 25, 2011

Ter fé em Deus


Joel S. Goldsmith

A mente que estava em Cristo Jesus não é algo afastado; tampouco é ela a mente de uns poucos líderes religiosos: a mente que estava em Cristo Jesus é a sua, e está pronta para se manifestar em você na medida em que se esqueça do seu ego e se torne receptivo à divina sabedoria que está em seu íntimo. Os recursos da Alma estão à porta de nossa consciência, prontos a se derramar em nós, mais do que possamos receber, mas não para satisfazer algum desejo pessoal ou egoísta. Tais falsos desejos são as pedras de tropeço do nosso desenvolvimento espiritual, e não devemos pensar em usar nossos poderes espirituais para fins pessoais ou egoístas. A canção da Alma é liberdade, alegria e eterna felicidade; a canção da Alma é amor para toda a humanidade; a canção da Alma é você.

“De sorte que haja em vós a mente que houve também em Cristo Jesus” (Filipenses 2; 5).

Como esta Mente já é a sua Mente, você não tem nenhuma necessidade de “estar apreensivo” quanto à sua saúde, riqueza, paz ou harmonia. Relaxe no fato de que sua Mente é a Verdade, a Vida, o Princípio e a Alma de seu ser e corpo. Unicamente pelo repousar nesta consciência você estará “permitindo” que esta Mente, que é sua, seja todas as coisas para você.

Por que demoramos tanto para obter a libertação da doença, da discórdia e de outras mazelas do mundo material? Inteiramente devido à nossa inabilidade em captar a grande revelação: não há realidade na ilusão. Pusemos tanta atenção na fé em Deus como nosso benfeitor, ou na fé em algum curador ou mestre, que passamos por cima da grande verdade: a ilusão não é real — não existe matéria, pois a substância da matéria é, de fato, mental.

A palavra “fé” é pervertida quando se torna fé em alguma coisa ou alguém, mesmo em Deus. Não pode haver fé em pessoa alguma ou coisa alguma, em conceito algum ou idéia alguma. A única fé verdadeira que existe é a fé que confia em Deus para dirigir Seu universo sem qualquer ajuda do homem. Eu Sou não precisa de fé porque Eu Sou mantém a si próprio e, portanto, não precisa de ajuda.

Depositar fé em qualquer coisa externa – uma pessoa ou coisa, uma idéia ou conceito – é o mesmo que ter medo de bombas, de germes ou do tempo. Não deve haver fé em coisa alguma ou pessoa alguma, assim como não deve haver medo de coisa alguma ou de pessoa alguma. Então você pode descansar na segurança do É.

No momento em que tem fé em uma coisa ou um pensamento, em uma idéia ou um conceito, você constrói um ídolo e depois precisa curvar-se e adora-lo. Quando você fala em fé, não deve ser fé em. A princípio este tipo de fé exige um grau de coragem, porque significa que, enquanto houver quaisquer aparências negativas ou más, você precisará aprender a não temê-las e não pedir ajuda contra elas.

Quando você pede ajuda, a ajuda que está pedindo deve ser ajuda para ter a coragem de ignorar as aparências, embora você reconheça que existem aparências. Se pedir ajuda para livrar-se das aparências, você está no sonho humano. A capacidade de afastar-se do medo está em proporção direta com sua fé, uma fé sem a palavra “em”. Esta é uma idéia difícil de dar ou receber e você não pode recebê-la enquanto estiver tentando compreendê-la, porque a mente não pode apreender o intangível.

“Levante-se e resplandeça, pois sua luz raiou”. A sua luz é reconhecida como estando aqui e agora. “Lázaro (ser divino), vem para fora!” — da tumba das crenças humanas. Venha para a luz do reconhecimento de sua vida divina, aqui e agora. Liberte-se das “ataduras do túmulo” de superstição; de crenças em seidade mortal. Liberte-se da escravidão do medo e da dúvida, para realizar e experienciar a realidade da vida, Deus — que é sua vida.

“Um com Deus é maioria”. A Mente que estava em Jesus Cristo (minha Mente) chama-o para a liberdade da vida eterna, aqui e agora:

“Digo-te: levanta-te!”

Na medida em que o Eu chama a divindade de seu Ser, as algemas do pecado, do medo, da doença e da morte se rompem e caem, tornando-se o que são: nulidade!

Deixe de ser “o homem cuja respiração está em suas narinas” e seja aquilo que você é: “Eu e o Pai somos um”. Você não é um mortal e nem um ser humano. “Não terás outros deuses diante de Mim”. Reconheça apenas o Espírito como Criador, Pai — de cuja imagem e semelhança o Filho é tornado espiritual.