"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quinta-feira, junho 23, 2011

Todo o poder está na Consciência - Final

Joel S. Goldsmith

CONSCIÊNCIA ESPIRITUAL

Este ensinamento trata da expansão das atividades da consciência, ou seja, de auto-revelação ou automanifestação de Deus, a Consciênca Infinita, Indivisível, que Se revela, Se desenvolve, e Se manifesta como consciência individual. Este trabalho é, potanto, de natureza individual e deve ser realizado pelo esforço próprio de cada um - pelo teu esforço.

E teu êxito se revelará quando alcançares certo grau de consciência espiritual.

Consciência espiritual é esse estado de consciência do qual desapareceream até certo ponto as crenças mundanas. Consciência espiritual, ou consciência-crística, é esse estado de consciência que não mais reage às coisas do mundo externo. Tu és consciência infinita, espiritual. És a lei para a tua vida. Nada do que está fora de ti - nada do que existe como efeito - pode ter influência ou autoridade sobre ti. És a lei para todo efeito. Quando amas, odeias ou temes alguma coisa do mundo externo, é porque estás hipnotizado, num estado de consciência mortal.

O que os seres humanos mais procuram neste mundo é ganhar dinheiro - primeiro o dinheiro, depois o sexo. Estas são as coisas que a humanidade busca com mais empenho. A consciência mortal valoriza o dinheiro e diz: "Isto me ajudará muito!". Mas a consciência espiritual não confia nele. Ela conhece a verdadeira natureza do suprimento: "Suprimento é a minha consciência individual; é a Consciência-Deus individualizada como sendo eu. Seja lá o que for que pareça necessário à minha vida, terá que vir como revelação da infinitude da minha consciência. Por isso não me procupo com a aquisição de um dólar ou de um iate."

Esta é a atitude que precisas aprender a tomar, que precisas praticar até que se torne uma realidade em tua vida. Humanamente, esta atitude não é natural para os adultos, mas o é inteiramente para as crianças. A criança, que ainda não aprendeu a valorizar o dinheiro, é capaz de lançar fora uma moeda de ouro de vinte dólares. Seu senso de valor é o afeto, o amor que sente aos pais e o que estes têm por ela. Este amor é o seu suprimento, e ela o sabe. Enquanto existir esse afeto entre a criança e seus pais, o alimento diário, a roupa e o lar se lhe apresentarão naturalmente. O amor é o senso de suprimento da criança. Somente quando perde este senso de amor é que o seu senso de suprimento muda e passa a representar-lhe cinquenta centavos ou um milhão de dólares.

Precisamos voltar a ter essa mesma confiança que tínhamos nos dias de nossa infância. O Mestre nos disse que temos de nos tornar "como uma criança" (Lc, 18:17). Procuremos, pois, voltar a esse estado em que não se considera o dinheiro como suprimento. Comecemos a compreender que o nosso suprimento é o Amor, a Consciência, ou a espiritualidade, e que enquanto tivermos a presença do Amor, tudo o que precisarmos chegará até nós pelo desdobramento natural de Sua presença. Isso representa uma etapa no desdobramento e revelação de Deus, a divina Consciência, que aparece como amor, suprindo as nossas chamadas necessidades humanas. É fácil compreender que por algum tempo precisa-te lembrar, toda vez que lidares com dinheiro, de que este não é suprimento, mas, sim, efeito do Amor, o resultado da presença de Deus, que aparece como a tua consciência. Deste modo, desenvolverás, pouco a pouco, dentro de ti mesmo uma atitude na qual não reconhecerás o dinheiro como o teu verdadeiro suprimento.

Como exemplo disto, cito o caso do casal de hindus que se iniciou na vida espiitual e se pôs a caminho com suas tigelas de pedintes. Certo dia, quando andavam por uma estrada, o marido à frente, e bem perto da mulher, inclinou-se e apanhou algo no chão, esfregou-o no manto e meteu no bolso. A mulher perguntou o que havia encontrado. Quando ele mostrou um diamante, ela de imediato o repreendeu com severidade: "Estamos vivendo uma vida espiritual. Como poderá este diamente ter mais valor que o lôdo de que lhe tiraste?" O valor não está no diamente. O valor está em nossa consciência. O valor é a nossa consciência, que é a substância, a forma, o princípio e a lei para o diamante. Enquanto Eu existir - e o "Eu" é Deus -, serei a lei que produzirá aquilo que eu precisar, sob a forma necessária, seja ela qual for.


TODO O PODER ESTÁ NA CONSCIÊNCIA

Vamos supor que alguém te telefone e diga: "Estou doente. Ajuda-me." Pois bem: até agora, quando alguém te dizia: "Não me sinto bem", provavelmente negarias isso, mas daqui por diante vamos aprender a não mais negá-lo. Não vamos levantar uma "parede" diante da doença. Ao invés disto, responderemos: "De que se trata? De algum poder? De alguma presença? De alguma realidade? Ou todo o poder está na consciência do indivíduo, que é a lei da saúde? E esse tumor, essa dor, ou essa carência, constituem alguma lei? Não. Naturalmente que não."

Desde o momento em que comecem a pedir-nos ajuda, esta deve ser a nossa atitude, a nossa compreensão. Poderemos encontrar-nos dizendo a nós mesmos: "E daí?" ou alguma coisa semelhante que nos ajude a concordar com o adversário. O princípio da cura é o seguinte: "Entra em acordo sem demora com o teu adversário." Não poderás combater coisa alguma com que estiveres de acordo. No momento em que te empenhes em luta ou combatas qualquer afirmação errônea que se te apresente, estarás acirrando o ânimo do teu adversário, ao invés de te reconciliares com o que se te afigura um erro mas, que na realidade, não passa de uma ilusão - se é que pode haver realidade numa ilusão. No instante em que combates ou atacas qualquer erro como algo que precise ser removido, tu o estarás ajudando a firmar-se, e então ninguém sabe quanto tempo a cura levará. As curas instantâneas se realizam quando o curador está cônscio ou convicto de que não existe poder ou presença na suposta manifestação do erro.

Havera tal coisa como possibilidade de cura enquanto estivermos pensando em cura ou tentando curar doenças ou seja o quê for? A cura resulta do reconhecimento de que a consciência individual é Deus, ou que Deus é a consciência do indivíduo. A consciência do indivíduo é a lei que determina o estado em que ele se encontra externamente. Em linguagem bíblica: "maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo."

A Consciência, de Deus - a consciência do indivíduo -, é sempre a lei, é sempre a presença, é sempre a realidade. Tudo o que aparece exteriormente não passa de efeito e, como tal, não pode ser a lei. Como efeito, não pode ser causa. Como efeito, não pode ser poder. Nenhum efeito pode ter poder sobre outro efeito. É lei espiritual. A Consciência é todo o poder. Todo poder vem do Alto. Deus deu domínio ao homem. Em outras palavras: Deus, a Consciência universal, deu ao homem, isto é, à consciência espiritual individualizada, todo o poder sobre todas as coisas que existem no reino dos efeitos, quer seja uma pequenina flor ou um planeta no céu.

No momento em que admitires que alguma coisa do reino dos efeitos tenha domínio sobre ti, estarás convertendo-a em lei para ti mesmo, e por isto sofrerás enquanto não mudares de atitude para com essa coisa, compreendendo não ser possível que o Eu, a plenitude de Deus manifesta, o Filho infinito de Deus, de quem Deus disse: "Filho, tudo o que é meu é teu", esteja à mercê de alguma coisa do mundo externo, à mercê de alguma condição ou de qualquer conjuntura externa. Quando te compenetrares de que Deus, a Consciência divina e infinita, constitui a consciência do indivíduo e é a lei para o universo, tomarás posse da tua vida e terás certo grau de domínio sobre ela. Do contrário, continuarás vítima de certa forma de governo externo, de certa quantidade de dólares; vítima de germes, infecções ou contágio. Somente à medida que conscientizares tua unidade com Deus; somente até o ponto em que sentires realmente que és a própria presença de Deus atuando como uma lei para o teu universo, somente até esse ponto é que serás senhor da tua existência!

"Onde está Deus, eu estou. 'Eu e o Pai somos um'. O lugar onde estás (onde Eu estou) é solo santo. Se faço minha cama no mais profundo abismo, Eu, Deus, estou ali. E esse EU SOU é uma lei para tudo o que aparece como sendo o universo inteiro, o universo externo do efeito."

O primeiro passo para atingir a Consciência-Cristo, consiste em perder o medo seja do que for, no mundo do efeito. A Consciência-Cristo não teme nem pecado, nem se horroriza deste, mas limita-se a dizer: "Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais. Quem vos impediu? Levanta-te, toma o teu leito e anda." E por que? Porque dessa maneira ela se põe de acordo com o adversário e reconhece que o único poder é a consciência do indivíduo. Toda vez que vires pecado, carência ou limitação no cenário da vida externa, em vez de te precipitares a dar tratamento, deverás dizer: "Não, tu não vais me fazer de tolo! Tu existes como uma espécie de efeito. Não passas de uma ilusão como aquela de que os trilhos de estrada de ferro se encontram num ponto distante de nós. Meus olhos já não me enganam mais."

Não dês tratamentos! Não dês tratamentos a Deus e Seu universo! O tratamento, em si mesmo, não tem valor. A história da metafísica não conhece ninguém que tenha alterado alguma condição real por meio de tratamento. Nunca se melhorou alguma coisa em todo o universo espiritual por meio de tratamento. O que tem valor é a oração. Ora sem cessar, porque oração é desdobramento de consciência. Pela tua oração é que Deus se manifesta e ti. Em teu estado de oração é que Deus revela Sua verdade à tua consciência individual.

Oração é revelação da realidade divina à nossa consciência individual. O segredo que nos permite viver espiritualmente, consiste em nos voltarmos para dentro de nós mesmos, nos observarmos e estarmos sempre procurando ouvir a realidade divina. Este é o segredo que nos revela Deus como o centro de nossa indvidualidade. Nesta intimidade de nosso ser - e somente nela -, é que se encontram a harmonia, a paz, alegria, poder ou domínio.

É nessas profundezas de teu ser que o universo espiritual deve revelar-se a ti. Não te deves preocupar ou perturbar com o que estiver acontecendo no mundo. Não quero dizer que escondas a tua cabeça na areia. Continuarás cuidando dos teus negócios, levando a vida segundo o teu mais alto sendo de retidão. Mas não te interessarás pelo resultado dos teus esforços, quando viveres conforme esse senso de retidão.

Lembra-te: Existe um universo invisível, e tu o estás procurando. "A carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus" (I Co 15:50). Nada do que existe para os teus sentidos mortais poderá ser levado para o Reino de Deus. Agora, não nos dedicamos a procurar melhorar as condições humanas, mas à revelação de Deus e do universo espiritual, que se manifesta como a nossa consciência individual. Há um universo infinito, invisível. Há um mundo de ideias espirituais, mas esse mundo não tem relação com o mundo das coisas que podemos ver, ouvir, apalpar, saborear e cheirar. O que percebemos neste mundo dos sentidos é um panorama deformado da ideia divina, do universo real que vemos "obscuramente, como por espelho em enigma". Aqui mesmo, justamente onde parece que estamos, está Deus. Mesmo em qualquer lugar onde pareça haver um fenômeno mortal, por mais insignificante e corriqueiro que seja, também ali está presente o universo espiritual. Nós o contemplamos "como espelho", e o chamamos de mortal e material. Mas, em sua verdadeira imagem, em sua verdadeia essência, ele é espiritual e divino.


quarta-feira, junho 22, 2011

Todo o poder está na Consciência - Parte 1


Joel S. Goldsmith


O objetivo de "O Camnho Infinito" é levar-nos a experimentar o desdobramento da atividade de Deus como consciência individual. Trata-se de uma revelação dentro de teu próprio ser, de algo que ocorre dentro de ti.

O Reino de Deus está dentro de ti. Na verdade, tu és a individualização, de tudo o que Deus é: "Filho, tudo o que é meu é teu" (Lc, 15:31).

O Trabalho de "O Caminho Infinito" consiste em revelar o Infinito Invisível dentro de ti, dentro da parte exterior a que chamamos de ser humano e que, na realidade, não é ser humano, e, sim, um ser divino. O mundo interpreta o cenário da vida humana em termos humanos. Mas o que aparece no mundo como se fosse um ser humano, isto é, como 'tu', como 'eu', receberá, das profundezas de seu ser, mediante este trabalho, a revelação da sua verdadeira natureza.

A revelação que emana deste trabalho não é como a que se faz de um intelecto para a outro intelecto. É a divina Consciência revelando-Se como ser individual. Para os homens, as coisas de Deus são tolice, mas "se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça" (Mc, 7:16). Que esta mensagem se afirme e se firme na tua consciência; que estas palavras circulem na tua consciência até que possas captar a visão interna do que se contém nestas linhas. Então a mensagem será tua. E poderás transmití-la, não com as minhas palavras, com a minha linguagem, ou usando o relato das minhas experiências; será a tua própria revelação desta mesma verdade.

Em metafísica, não se pode ir muito longe ensinando apenas a letra da verdade. O verdadeiro ensinamento consiste na revelação da consciência interna. Se eu te transmitir algo que apenas ouvi, ou li, ou memorizei, isso não encontrará eco em ti. Se o ensinamento não tiver se tornado minha própria consciência, não poderás assimilá-lo. A única verdade que receberás na tua consciência, lendo este livro/texto, será aquela que for parte viva de meu ser. Perceberás a chama dessa verdade, e ela deitará raiz dentro de ti.

Infelizmente, na prática da metafísica se fazem aos pacientes muitas afirmações cujas verdades não foi demonstrada nem se tornou parte viva da consciência do curador.

Não há verdade mais profunda que a declarada nesta afirmação: "O erro não existe". O universo mortal deveria entrar totalmente em colapso quando se declarasse essa verdade, mas apesar do número de vezes que ela tem sido afirmada, o mundo continua sempre do mesmo velho modo. Por que? Porque a verdade desta afirmação não se tornou idéia incorporada à consciência e absorvida por ela.

O curador espiritual poderá dizer ao paciente: "Não existe senão uma vida, e essa vida é Deus. Isto que estás vendo é sugestão, não é real, não faz parte do teu ser." Quando o curador tem convicção e consciência desta verdade, muitas vezes o erro - a doença, o pecado, ou a carência - desaparece sem que ele precise fazer afirmações. Entretanto, se o curador estiver simplesmente a repetir o que viu, o que leu, ou alguma coisa de que se recorde, apenas desejando e esperando que isto seja verdade, então suas afirmações não terão poder algum.

As coisas de Deus são tolice, para os homens, e assim também os assuntos dos homens são tolices para Deus. Procura lembrar-te disto quando fores tentado a levar qualquer dos teus problemas a Deus. Pensar que Deus cure um corpo enfermo, ou que solucione determinado problema de desemprego, ou que faça com que seja eleito o teu candidato favorito, é tolice. Os assuntos humanos, os relativos a este sonho de Adão - este sonho de existência material de toda a humanidade - são desconhecidos de Deus. Isto é o que torna possível a cura. A doença não tem existência real: é desconhecida de Deus. É por isto que a doença e a aflição, ao se chocarem com a consciência que conhece esta verdade, inevitavelmente se rendem pela impotência própria da sua nulidade.

Lembra-te sempre de que, no mundo espiritual, ensinar e aprender são coisas espirituais. Entra na tua consciência e ora a Deus. Roga a Deus que te seja revelado o teu mestre e o conhecimento que ele deve impartir. Ora assim: "Pai, conduz-me a ele; conduz-me ao mestre; conduz-me ao meu mestre".

O objetivo e consequência da prática dos ensinamentos do Caminho Infinito é a expansão das atividades da tua Alma, o desenvolvimento das faculdades a Alma do teu próprio ser. Precisas escolher um instrutor espiritual com muito mais cuidado do que o que terias na escolha de um professor na esfera dos conhecimentos humanos. Para aqueles que transmitem conhecimentos espirituais, o ensino é um ministério sagrado. Um instrutor deve viver de tal maneira na consciência de Deus, que possa tornar-se capaz de impartir realidades divinas. Isso só poderá ser fruto de um estado de consciência de quem pratica e vive esta verdade. Nada é mais sagrado do que o ensino espiritual. Nada existe que mais contribua para elevar-te acima o senso de vida mortal, material, que o ensino espiritual correto.

Sê, pois, guiado pelo Espírito! Faze desta busca de um mestre um rito sagrado! Quando receberes alguma instrução, ou a encontrares em algum livro, senta-te silencioso e medita durante algum tempo: dá-lhe oportunidade de trabalhar dentro de ti.
Cont...


sábado, junho 18, 2011

O VERDADEIRO REVERENCIAR - Final


Masaharu Taniguchi

A reverência e a oração não serão verdadeiras se não forem absolutamente incondicionais. Reverenciar ou orar sob alguma condição é como fazer uma transação.

Falamos em reverenciar o marido, a esposa, os filhos, etc., mas é preciso que a reverência seja absolutamente incondicional. Não devemos fazer a oração ou reverenciar os outros, pensando que em troca disso receberemos graças. Se uma esposa reverenciar seu marido pensando que desse modo ele deixará de frequentar boates e se envolver com outras mulheres, não conseguirá melhorá-lo. Pelo contrário, ele poderá até piorar. Não adianta recorrer à reverência como um meio para corrigir as distorções de algo ou alguém. Com esse expediente, não é possível ocorrer a melhora. Para endireitar o que está distorcido, não adianta ater-se ao aspecto distorcido e recorrer a expedientes para endireitá-lo. É preciso deixar de ver o aspecto distorcido e contemplar unicamente o ser verdadeiro, sem nenhuma distorção.

Conta-se que havia, outrora, uma velha que vendia bolinhos à beira da estrada para Godaisan. Godaisan é um dos lugares do Zen-budismo, e muitos monges peregrinos passavam por aquela estrada. Como a estrada se bifurcava um pouco adiante da barraquinha da velha, os monges paravam e lhe perguntavam: "Qual dos dois caminhos devo seguir para chegar a Godaisan?" Consta que a velha respondia invariavelmente: "Siga reto, sempre para frente". Não obstante haver ali dois caminhos, a velha dizia: "Siga reto, sempre para frente".

Isso é muito interessante, e nos faz refletir. A velha vendedora de bolinhos sabia com tanta certeza o caminho para Godaisan, que sua mente nem cogitava na existência da bifurcação. Assim também devemos ser, na jornada da vida. Não devemos cogitar na existência de "bifurcações". O Caminho é um só, e basta seguí-lo. É ilusão pensar que há "bifurcação" na estrada da vida. É ilusão o pensamento dualístico de que existem o bem e o mal, a saúde e a doença, a luz e a treva, etc. É preciso desfazer essa ilusão, negar tal dualismo, passando a crer que existe unicamente o bem, unicamente a saúde, unicamente a luz. Se assim acreditarmos, assim será a nossa vida.

Como era sábia aquela velha vendedora de bolinhos, não acham? Basta seguirmos reto, sempre para frente. Não há o que vacilar, olhando para os lados. Não haverá erro se seguirmos em frente o caminho natural do ser humano, de acordo com a nossa natureza original. Os erros ocorrem porque nossa mente, devido à ilusão, ora se dirige para um lado, ora para o outro. Em última análise, os erros não passam da consequência de mantermos cerrados os olhos da mente e ficarmos desorientados. Contanto que abramos os olhos da mente e sigamos reto, infalivelmente surgirão coisas boas. Neste mundo não há nada que seja má, porque Deus não criou o mal.

Novamente vou falar do mestre Kyoguen. No livro Mumon-Kan, consta um Koan (questão para meditação) apresentado pelo mestre Kyoguen. É o seguinte: Suponhamos que tu estejas dependurado sobre um abismo, sustentando o teu peso com teus próprios dentes, cravados num galho que se estende sobre o precipício. Nesse momento, aproxima-se um sacerdote Zen e te pergunta: "- Por que Dharma veio à China, vindo do Oeste?" Em tal circunstância, como procederás?

De acordo com as regras do Zen, aquele que não responder uma pergunta formulada será considerado derrotado. Mas se a pessoa, na circunstância acima, abrir a boca para responder, cairá no abismo e morrerá. Então, o que fazer? É o que chamamos de dilema. Os Koans do Zen geralmente envolvem um dilema. Apresentam situações como aquela em que uma pessoa se vê entre duas espadas. Avançando ou recuando, será perfurado pela espada.

Apresentado o Koan, os discípulos do Zen fazem a concentração espiritual, meditam profundamente sobre a questão, e finalmente expressam as ideias que lhes pareçam constituir a solução do problema. Os discípulos cujas ideias forem aprovadas serão considerados diplomados nesse Koan.

As situações aparentemente dilemáticas como a do Koan acima citado não são meros temas para meditações filosóficas. Com frequência, as pessoas deparam realmente com situações comparáveis àquela, na vida cotidiana. Por exemplo, alguns me dizem: "sei que é contra a lei sonegar os impostos. Mas sou um pequeno comerciante e, se não sonegar os impostos, meu negócio não poderá se manter, e eu e minha família passaríamos fome. O que devo fazer?" Perguntas como essa, sobre situações dilemáticas, são-me feitas frequentemente. Em qualquer área de nossa vida surgem situações dilemáticas. então, como devemos proceder para solucionar esses Koans que nos são apresentados na vida prática?

À luz dos ensinamentos da Seicho-no-ie, a solução é fácil. Não há dificuldade alguma em solucionar dilemas como aquele em que a pessoa sabe que é contra a lei sonegar os impostos, mas sabe também que, se não praticar a sonegação, seu negócio não poderá se manter e sua família passará fome. a solução do dilema pode parecer difícil para quem fica a ver dois caminhos diante de si. É preciso deixar de ver dois caminhos. A Seicho-no-ie ensina que não existem dois caminhos. O caminho é um só e, portanto, basta "seguir reto, sempre para frente", como dizia aquela velha vendedora de bolinhos. Só existe um caminho. O caminho para vivermos verdadeiramente é um só. No entanto, devido à ilusão, nós próprios criamos dois caminhos antagônicos, pensamos que existem o caminho da treva e o caminho da Luz (bifurcação) e que eles se conflitam, e isso é que constitui o erro fundamental.

Não existem situações em que devamos escolher entre sonegar os impostos ou morrer de fome. Imaginar existente o que não existe, isso é ilusão. Muitas pessoas, em estado de ilusão, ficam a conjeturar a existência de vários caminhos diante de si. Pensam que há dois, três ou mais caminhos, quando, na verdade só existe um. Devido a isso, ficam indecisos e desorientados, acabam se esgotando mentalmente e passam a sofrer de depressão, insônia e tensão. Desfazendo a ilusão de que há vários caminhos e conscientizando que o caminho é um só, tudo se resolverá facilmente.

Podemos dizer que o próprio mestre Kyoguen procedeu como um tolo ao apresentar aquele Koan do "homem sobre o abismo", que faz supor a existência de dois caminhos. Se esse Koan tivesse sido apresentado ao mestre Oo-Baku, talvez este tivesse esbofeteado o mestre Kyoguen, dizendo: "És um tolo! Não sabes que não existem dois caminhos? O caminho é um só! No entanto, pensas que existem dois caminhos e que é preciso escolher um deles".

Em verdade, nosso caminho é um só, e consiste em abandonarmos o apego e fazermos fluir naturalmente a nossa Vida, tal como ela é, sem distorções.

Alguns perguntarão: "Se assim proceder, tudo correrá bem?" Eles mereceriam ser esbofeteados pelo mestre Oo-Baku, pois quem faz tal pergunta certamente busca algo com sentimento de apego. O apego provém da mente em estado de ilusão. É preciso desfazer totalmente a ilusão. É tola a pergunta: "Se assim proceder, tudo correrá bem?" A essência do ser humano é a Vida. Quando a Vida flui tal como ela é, sem nenhuma distorção, nada haverá que constitua barreira. No entanto, muitos se perguntam, preocupados: "Seguindo reto, alcançarei o objetivo? Será que não vou esbarrar em nenhum obstáculo?" O que faz pensar assim é a mente em ilusão, mente que admite a existência de "bifurcações" no caminho da vida. Tais pessoas desconhecem a verdadeira natureza da própria Vida. Para a Vida não existe obstáculo. Portanto, só pode prosseguir. A nós, seres humanos, cabe revelar natural e plenamente essa verdadeira natureza da Vida.

"Assim obterei vantagens?", "Se proceder desse modo, ficarei curado?", "Com isso, minha situação econômica melhorará?" - tudo isso são questões de importância secundária. Quem faz tais perguntas são como aqueles que querem bebidas de segunda qualidade, e mereceriam receber do mestre Oo-Baku aquela repreensão: "Vocês não passam de bebedores de resíduos de sakê". Não devemos ser buscadores de "resíduos", que ignoram a existência da bebida da mais alta qualidade, que é a água da Vida. Bebendo da água da Vida (isto é, apreendendo a essência da Vida), tornamos-nos imortais. O próprio Jesus Cristo afirmou: "aquele que beber da água que eu lhe der, nunca mais terá sede, para sempre; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte para jorrar para a vida eterna" (João 4, 14). Sim, aquele que descobrir dentro de si a fonte da Vida não morrerá nem adoecerá, ainda que a morte e a doença ocorram a nível fenomênico.

A fonte da Vida existe em toda parte. Existe também dentro de nós mesmos. O importante é conscientizarmos isso e sentirmo-nos profundamente gratos por esta suprema bênção. Se, não obstante conscientizarmos a fonte da Vida que existe em nós, ficarmos pensando "o que poderemos obter quando bebermos dela", estaremos apegados às questões secundárias. O apego é um empecilho.

Aqueles que reverenciam a Deus pura e simplesmente, sem nenhum apego, denotam a verdadeira nobreza espiritual. Neles, vemos a Vida reverenciando a Vida; um ser búdico reverenciando Buda; um ser divino reverenciando Deus. Reverência pura e simples - o importante é isso. Reverenciar e agradecer pelo fato de conscientizarmos que, assim mesmo como somos, estamos salvos e seguros no seio da Grande Vida (Deus).

A verdadeira fé não é aquela em que agradecemos a Deus pelo fato de ele nos proporcionar benefícios no plano fenomênico. Não se reverencia para que surjam dádivas ou para que o mundo seja iluminado. Podemos dizer que o mundo da Luz existe dentro das mãos postas em postura de reverência. Porém, isso não quer dizer que, espiando dentro das mãos, possamos vê-lo. As mãos postas simbolizam a Vida que reverencia a Vida. E onde a Vida reverencia a Vida, já está realizado o mundo da Luz, o paraíso. Mas, para apreendermos a Vida, devemos uma vez passar pela porta do "nada", isto é, abandonar a ideia de que o corpo carnal, a matéria e o mundo exterior são existências verdadeiras. Devemos abandonar inclusive a ideia de que o mundo interior existe. Se estamos pensando que nossa mente existe, ainda não abandonamos tudo. Devemos anular tudo o que é fenomênico. Precisamos uma vez apagar tudo o que está desenhado em nossa mente, tal como apagamos a lousa, compreendendo que tudo o que considerávamos existente era, na verdade, inexistente. Somente então surgirá o mundo verdadeiro, perfeito, inalterado, sem distorções.


("A Verdade da Vida, vol. 12", pgs. 174-180)

quinta-feira, junho 16, 2011

O VERDADEIRO REVERENCIAR - Parte 2

Masaharu Taniguchi


O próprio sacerdote Kyoguen, que foi mestre de Oo-Baku e também do príncipe Sen-Soo (que posteriormente tornou-se imperador), no princípio buscava Buda no mundo exterior. Vamos falar um pouco desse sacerdote famoso que, segundo consta nos livros, alcançou o despertar espiritual no momento em que ouviu o som produzido por uma pedrinha ao bater-se num bambu.

Kyoguen foi discípulo do sacerdote Içan durante muito tempo. Porém, por mais que ouvisse os sermões do mestre e lesse livros, não conseguia apreender a Verdade. Conhecia bem todas as sutras e era capaz de citá-las fluentemente, mas não conseguia penetrar no âmago delas. Certo dia, o mestre Içan ordenou: "Diga como é Buda. Diga-o com suas próprias palavras, com as palavras que vêm de dentro de você, e não aquelas escritas nos livros ou transmitidas por outras pessoas". Kyoguen foi incapaz de responder, pois não sabia, afinal, como era Buda. Então, queimou todos os seus livros, desistiu de continuar como discípulo do mestre Içan e retirou-se para uma localidade distante, onde construiu uma cabana e passou a viver sem se preocupar em saber como é Buda. Certo dia, estava ele a varrer o quintal que ficava ao lado de um bambuzal, quando o movimento da vassoura atirou uma pedrinha em direção a um bambu. No momento em que ouviu o som da pedrinha chocar-se na haste do bambu, Kyoguen teve a súbita compreensão de que o bambu, a pedra, o céu, a terra e ele próprio eram "um só" em sua essência - isto é, compreendeu que havia união intrínseca entre o céu, a terra e todos os seres - e alcançou o despertar espiritual.

Contanto que apuremos os "ouvidos da mente", podemos apreender a Verdade em qualquer lugar. Em todo lugar existem "mestres" que transmitem a Verdade. Seja uma pedrinha à beira do caminho, o capim que cresce por aí ou o bambu que cresce no mato revelam-se como portadores da mensagem da Verdade, quando os vemos com os "olhos da mente" e os ouvimos com os "ouvidos da mente".

O mestre fundador da seita Konkô disse: "Ouve agora o soar do universo abrindo-se". Antes de mais nada, é preciso saber onde se encontra o universo. A maioria das pessoas pensa que o universo se encontra fora de seu mundo interior. E muitos são os que pensam que os seres humanos são como fundos ou vermes que proliferam na face da terra. Se lhes for dito para "ouvir soar do universo abrindo-se", talvez eles pensem que haja alguma porta na terra ou no céu e passem a procurá-la aqui e acolá.

Para compreender o significado dessas palavras, é preciso, em primeiro lugar, saber que o universo existe dentro de nós mesmos. É também um engano pensar que Buda existe fora de nós; Ele está dentro de nós mesmos, e quando conscientizamos isso, as graças búdicas surgem naturalmente. Em última análise, não é preciso rogar as graças búdicas, pois elas estão em nós mesmos. Empenhar-se na busca de graças búdicas, sem perceber que elas estão dentro de nós mesmos - esse é o estado de ilusão. Como sabia disso, o mestre Oo-Baku disse: "Não estou buscando, com apego, nem Buda, nem a Verdade, nem a salvação dos homens. Estou, pura e simplesmente, reverenciando Buda". O próprio fato de se ansiar pelas graças búdicas constitui um grande erro. A mente que anseia alcançar o despertar, que anseia chegar ao estado búdico, é a mente em estado de ilusão. Buda está presente dentro de cada um de nós. A Verdade está dentro de cada um de nós. E as graças búdicas existem, abundantes, em cada um de nós.

No entanto, muitos vivem a buscar algo, pensando que o que procuram existe no mundo exterior. Acredito que as pessoas aqui presentes não sejam assim. Mas parece que a maioria das pessoas que queriam ser discípulos do mestre Oo-Baku vivia buscando algo que pudesse vir de fora. Certa vez, o mestre Oo-baku reuniu seus discípulos e ralhou-os, dizendo: "Todos vocês não passam de bebedores de resíduos de sakê". Se uma pessoa não passa de um bebedor de resíduos de sakê, naturalmente ela não está à altura de beber o sakê de primeira qualidade. Portanto, o que o mestre quis dizer foi o seguinte: "Nenhum de vocês está procurando a Verdade pura. Todos vocês estão apenas pensando em receber as graças búdicas". Buscar apenas as graças búdicas é como buscar apenas os resíduos de sakê. A Seicho-no-ie ensina que, em última análise, as graças também são "projeções" da mente. Corrigindo-se a atitude mental, desaparecem as distorções manifestadas no plano fenomênico.

O sr. Nakabayashi, que há pouco fez a palestra inicial, sofria de uma doença que o impedia de mover os braços e de manter o corpo ereto, e não apresentava sinais de melhora enquanto vivia brigando com seu irmão, mas, quando houve a reconciliação, logo ficou curado. O fato de ele ter recuperado a capacidade de mover os braços e manter o corpo ereto foi uma graça búdica, mas, em última análise, essa foi a "projeção" da mente do próprio sr. Nakabayashi, que deixou de odiar o irmão. Em outras palavras, o aspecto manifestado no plano fenomênico mudou porque a mente do sr. Nakabayashi mudou.

A maioria das pessoas fica exultante com as graças alcançadas - que, afinal, são projeções da mente -, esquecendo-se de se rejubilar com o que deu origem a essa graça. Aí está o equívoco. O mais importante não é a cura em si, mas sim o que deu origem a ela. Portanto, se uma pessoa procura reconciliar-se com os pais, irmãos ou qualquer outra pessoa por achar que esse é o meio para conseguir a cura, ela não está procedendo corretamente.

Como já disse, as graças são "projeções" da mente. Buscar apenas a graças é como buscar sombras. O mestre Oo-Baku poderia ter dito, portanto, a seus discípulos praticantes do Zen: "Vocês não passam de perseguidores de sombras".

Quando se fala no Zen, algumas pessoas podem pensar que o Zen consiste em ficar-se horas e horas sentado, com a mente concentrada, na expectativa de compreender alguma Verdade, mas o Zen não é isso. Zen é a própria Vida que existe em toda a parte do Universo. Portanto, é o próprio Buda, na linguagem budista, e é o próprio Deus, na linguagem do cristianismo. Buda (ou Deus, para os que preferem essa designação) está presente em toda parte. O já citado Rinzai foi esbofeteado pelo mestre Oo-Baku porque, sem compreender essa Verdade, perguntou-lhe onde poderia encontrar Buda. Buda (ou Deus) é onipresente. Portanto, está presente também dentro de nós mesmos. Muitas pessoas pensam que o grande mestre que conduz o homem à iluminação está em algum lugar do mundo exterior. Mas, na verdade, esse mestre está dentro de cada um.

Algumas pessoas, tendo-se curado através de remédios, dizem que "os remédios curaram sua doença"; outras, tendo-se curado através dos ensinamentos da Seicho-no-ie, dizem que "a Seicho-no-ie curou sua doença". Ambas as afirmações são incorretas. Nem remédios nem a Seicho-no-ie curam doenças. Então, o que é que as cura? A vida. A Vida é que cura doenças. Experimentem ministrar remédios num corpo sem Vida. Eles não surtirão nenhum efeito, é claro. Mas se ministrarmos remédios num corpo em que ainda existe Vida, esse corpo inicia o processo de cura, estimulado pelos remédios. Um cadáver não reage, por mais que lhe ministremos remédios ou apliquemos injeções de cânfora, de iodo, etc. Mas um corpo vivo reage. A Vida em ação - esse é o processo de cura.

Mas muitas pessoas pensam, equivocadamente, que a Seicho-no-ie é que as curou, ou os remédios é que as curaram. Tais pessoas, se fossem discípulos do mestre Oo-Baku, certamente seriam esbofeteados por ele três vezes, como aconteceu com Rinzai.

Muitas pessoas conseguiram a cura de suas doenças depois que passaram a frequentar a Seicho-no-ie. Mas, estritamente falando, não é a Seicho-no-ie que as curou. Quem as curou foi a própria Vida delas. A função da Seicho-no-ie é fazer com que as pessoas conscientizem que tudo existe dentro de si mesmas. Exortamos, pois: "Não tentem apoiar-se naquilo que vocês pensam existir no mundo exterior. Ergam-se com a força de sua própria Vida!" Erguer-se com a força de sua própria Vida - é assim que se alcança a paz espiritual e a independência. Quando se ergue com a força de sua própria Vida, a pessoa passa a não temer coisa alguma.

Na Prajña-paramitá-sutra está escrito: "Afastando as ilusões, não mais sentireis temor". Ilusão é o equívoco de julgar realidade aquilo que não é existência real e de buscar alguma coisa ou alguém onde eles não existem. Por exemplo: buscar no mundo exterior as graças búdicas, sem conscientizar a nossa própria natureza búdica, ou pensar que no mundo exterior existem muitas coisas que nos fazem mal - tudo isso é ilusão. Quando destruímos por completo e eliminamos da mente as ilusões, passamos a não temer coisa alguma. É isso o que está escrito na citada sutra.

Falamos em abrir-se o universo dentro de nós, e na manifestação de nossa natureza búdica. Isso ocorre quando abrimos os olhos de nossa mente. O ser humano está envolto pela Luz desde o princípio, mas não a vê porque mantém cerrado os olhos de sua mente, por si mesmo. Precisamos abrir os olhos da mente. Então, o paraíso se manifestará aqui mesmo e todas as graças nos serão dadas. É inútil buscarmos algo, movidos pelo apego. O apego é uma espécie de bloqueio. No entanto, a maioria das pessoas pensam, com apego: "Quero que me seja concedida essa graça". Para os que perseguem as graças com apego, a Luz da Verdade não se manifesta, e eles não conseguem alcançar as graças. Há pessoas que dizem: "Fui a Seicho-no-ie, mas a minha doença não sarou". Se não conseguiram a cura, é porque tinham a mente apegada à ideia de curar-se pela Seicho-no-ie. O apego, em relação ao que quer que seja, tolhe a nós mesmos. É por isso que a Seicho-no-ie ensina que não devemos nos apegar a coisa alguma. Devemos nos tornar livres de apego. Aquele que vive sem nenhum apego, em total conformidade com o fluxo da Vida, já é um "iluminado". É a própria imagem de Buda, manifestada aqui e agora. Buda se revela em toda parte, e isso é uma grande bênção.

A Sra. Yassukawa e o sr. Sato, citados no começo, estavam na entrada do salão de conferências e reverenciavam cada pessoa que entrava ou saía. Eles estavam fazendo isso com espírito totalmente isento. Espírito isento é espírito sem nenhum apego. Aquelas duas pessoas não estavam reverenciando os outros por achar que isso lhes traria alguma vantagem ou faria com que suas famílias recebessem graças. Ambos estavam reverenciando os outros com espírito totalmente isento. Com esse reverenciar, revelam sua natureza búdica. E também os outros revelavam espontaneamente a sua natureza búdica, ao serem assim reverenciados.
Cont...

("A Verdade da Vida, vol. 12", pgs. 168-174)

terça-feira, junho 14, 2011

O VERDADEIRO REVERENCIAR - parte 1


Masaharu Taniguchi


Certo dia, ao chegar ao salão de conferências, reparei em dois membros da Seicho-no-ie, a sra. Yassukawa e o sr. Kinjiro Sato, que reverenciavam respeitosamente cada pessoa que chegava ou saía. A imagem daqueles dois, que cumprimentavam e reverenciavam com profundo respeito a todas as pessoas, é o reflexo da imagem do próprio Buda.

Nem o sr. Sato nem a sra. Yassukawa estavam procedendo daquele modo motivados por algum interesse particular. Eles não estavam lá para zelar pela ordem do recinto e receber recompensa por isso. Eu vi refletida a image de Buda nas figuras daqueles dois que reverenciavam os outros, sem nada esperar em troca.

Reverenciar com a mente livre de qualquer interesse ou apego - essa é a atitude que reflete a imagem do próprio Buda.

Ainda ontem, estive lendo um livro da seita Zen, em que consta a seguinte história: Havia outrora na China um imperador chamado Sen-Soo, que se dedicou ao estudo da doutrina budista desde a infância. No princípio, ele estudou como grande sacerdote Kyogen, e posteriormente com o sumo-sacerdote Sai-An, época em que teve como colega o mestre Oo-Baku, que era o líder dos discípulos e que, mais tarde, fundou a escola Oo-Baku, do Zen-Budismo.

Pois bem: Certo dia, encontrando o colega Oo-Baku a orar fervorosamente diante da imagem de Buda, Sen-Soo (que, na época, ainda não era imperador) fez-lhe a seguinte pergunta: "Por que o senhor está orando a Buda, se, na sutra Vimalakirti está escrito que não devemos buscar, com apego, nem Buda, nem a Verdade, nem a salvação dos homens?" De fato, na sutra Vimalakirti consta que o homem não deve apegar-se ao desejo de alcançar o estado búdico e buscar isso com ansiedade; não deve apegar-se ao desejo de apreender a Verdade buscá-la ansiosamente; e nem mesmo deve apegar-se ao desejo de salvar as pessoas. Respondendo à pergunta de Sen-Soo, Oo-Baku disse: "Não estou buscando, com apego, nem Buda, nem a Verdade, nem a salvação dos homens. Estou, pura e simplesmente, reverenciando Buda". Portanto, aquela era a verdadeira oração, sem intenções nem apego.

Orando com total desprendimento, o homem se identifica com Buda. O que está escrito na sutra Vimalakirti significa o seguinte: É inútil o homem empenhar-se na busca da Verdade visando tornar-se um grande sábio; é inútil buscar Buda, visando igualar-se a ele; e é também inútil orar pela salvação de alguém, se essa oração é feita com a mente em apego. É muito comum as pessoas pensarem: "Quero que meu filho doente seja curado. Ouvi dizer que, orando à divindade "X", consegue-se a cura. Vou orar a ele todos os dias". Será inútil orar com essa atitude mental. Quando o filho adoece gravemente, algumas mães pensam: "Na Seicho-no-ie, ensinam que basta o casal restabelecer a harmonia conjugal para que os filhos recuperem a saúde. Portanto, vou procurar reverenciar meu marido". Essa não é a atitude mental correta, visto que se baseia no apego em relação ao filho. Podem haver casos em que se consegue a cura mesm partindo dessa atitude mental, como se verifica pelos fatos vivenciados por algumas pessoas, mas isso não é fé verdadeira. Mesmo assim, isto é, mesmo que a esposa procure harmonizar-se com o marido somente com o objetivo de curar o filho, tal atitude mental é melhor do que a de guarda rancor contra o marido. Porém, orar com aquela atitude mental denota interesse próprio, porque a pessoa se dirige a Deus movida pelo apego a alguém ou algo. Orar assim é como fazer uma trasação comercial. Se alguém pensa: "Orando, conseguirei benefícios", esse é um pensamento interesseiro, mercantilista. Não é a fé sincera e verdadeira. A verdadeira fé é aquela em que a pessoa nada pede a Deus, nada exige dEle. Por ter consciência disso é que Oo-Baku disse: "Não estou buscando, com apego, nem Buda, nem a Verdade, nem a salvação dos homens. Estou, pura e simplesmene, reverenciando Buda".

Consta que esse mestre Oo-Baku era um homem de quase dois metros de altura e muito energético para com seus discípulos. Tanto que, certa vez, deu uma bofetada em Rinzai, que mais tarde tornou-se mestre e fundou a escola Rinzai. O episódio se deu no tempo em que Rinzai era discípulo do mestre Oo-Baku. Estando já há cerca de três anos a dedicar-se ao estudo do Zen sob a orientaçãodo mestre Oo-Baku, e mesmo assim não tendo compreendido a essência dos ensinamentos, pensou: "Não posso ficar aqui, passando os dias em vão, indefinidamente. Mas o que devo fazer?" Resolveu então falar com o mestre Oo-Baku e perguntou: "Onde encontrarei Buda?" Sem nada dizer, o mestre deu-lhe uma bofetada.

Imaginem o que aconteceria se, nos dias atuais, um mestre religioso - por exemplo, um preletor da Seicho-no-ie - desse uma bofetada num adepto. Criar-se-ia um grande problema, é claro. Aliás, os mestres do Zen costumavam trazer na mão uma espécie de régua cumprida ou uma bengala, e usavam-nas para corrigir as posturas erradas dos discípulos durante a sessão de meditação ou, às vezes, quando um discípulo custava enteder os ensinamentos. Mesmo quando alguém procurava um mestre famoso para pedir-lhe que o aceitasse como discípulo, dificilmente era atendido. Quase sempre, o candidato era recusado. Mas muitas pessoas, por mais que fossem rejeitadas, insistiam em pedir para que fossem aceitas como discípulos. Hoje em dia, é diferente. Não há pessoas que buscam com tanto fervor o aperfeiçoamento espiritual. Se as igrejas fossem tão rigorosas e exigentes com aqueles que as procuram para encontrar o caminho da Verdade, eles logo desistiriam. Potanto, na Seicho-no-ie, não há professores "bravos" como o mestre Oo-Baku. Aquele que não trata os outros com bondade e paciência não consegue exercer bem a função de preletor da Seicho-no-ie. Os preletores da Seicho-no-ie jamais devem assumir ares de superioridade, como quem diz: "Sou eu quem oriento vocês". Devem ser humildes, e agradecer a Deus a oportunidade de transmitir os ensinamentos aos que vêm em busca da Verdade.

Mas voltemos ao caso acima narrado, e vamos refletir por que o mestre Oo-Baku esbofeteou o discípulo Rinzai. Essa análise é muito interessante.

Rinzai perguntara ao mestre: "Onde encontrarei Buda?" A mente ansiosa por encontrar Buda - esta é uma forma de apego. Era preciso que Rinzai abandonasse a ânsia de encontrar Buda. Era preciso, também, que ele compreendesse que, se ele está vivo, é porque Buda está vivo, aqui e agora. O mestre Oo-Baku, vendo a ansiedade de Rinzai e percebendo que ele se perdera na busca de Buda, pensou: "Esse tolo ainda não compreendeu que Buda está vivo, aqui e agora, junto de cada um de nós, e vive a buscá-lo aqui e acolá. Vou dar-lhe um bofetada, para que consiga despertar". Assim, o mestre esbofeteou o discípulo Rinzai para destruir a ilusão que o impedia de compreender a Verdade. E mesmo tendo sido esbofeteado, Rinzai voltou a perguntar: "Onde encontrarei Buda?", e o mestre tornou a esbofeteá-lo. Ainda assim, Rinzai perguntou pela terceira vez: "Onde encontrarei Buda?", e pela terceira vez o mestre o esbofeteou. Finalmente, o teimoso Rinzai desistiu. Ele pensou "Ficando aqui, só recebo bofetadas" e fugiu dali, indo procurar o monge Taigu, a quem contou o que lhe tinha acontecido. Então o monge Taigu disse: "Como é bondoso o seu mestre Oo-Baku! Volte para junto dele e torne a ser discípulo dele". Foi então que Rinzai compreendeu o propósito de seu mestre; voltou para junto dele, e finalmente alcançou o despertar.

Assim era o mestre Oo-Baku. Foi um grande homem; foi um homem arrojado. Não porque tinha quase dois metros de altura, nem porque esbofeteava os discípulos. Sua grandiosidade e arrojo está no fato de ele ter realmente "assimilado" Buda. Pessoas que sabem realmente quem é Buda e onde ele se encontra - essas é que são grandiosas e arrojadas. Mas a maioria das pessoas não sabe realmente onde se encontra Buda, e por isso vive a procurá-lo, a buscar a Verdade, a liberdade e todas as demais bênçãos de Buda. A partir do momento em que compreender realmente onde se encontra Buda, deixará de buscá-lo no mundo exterior.
Cont...

("A Verdade da Vida, vol. 12", pgs. 163-168)






domingo, junho 12, 2011

Chega de adiar - acorde!

Osho


Prepare-se para o dia — o amanhecer bateu à sua porta. Saia desse sono, não se esconda debaixo do cobertor, por mais aconchegante que seja e por mais que sua mente diga: "Fique mais um pouquinho, só mais alguns minutos".

Não dê atenção à mente, pois esses minutos nunca terminarão, e a mente está sempre adiando. Ela quer que você continue dormindo, porque a mente só pode existir quando você dorme.

Quando você desperta, a mente desaparece, assim como os sonhos desaparecem quando você acorda. A mente é um fenômeno onírico, constituído da mesma matéria dos sonhos. Por isso, chega de adiar — acorde.

quarta-feira, junho 08, 2011

Ensinamento relativo, Ensinamento Absoluto.




Os diversos textos e artigos postados neste site apresentam diferentes níveis de profundidade e de espiritualidade. "Espiritualidade" diz respeito ao Espírito. Significa cada vez mais "ir rumo ao Espírito" a fim de conhecê-Lo e apreendê-Lo total e por completo, inteiramente, absolutamente, de maneira que só haja Ele. Tal seria o ideal. Entretanto, essa tarefa pode ser ou parecer um tanto árdua e difícil. Assim, propositadamente às vezes são postados textos contendo carga relativa (pouco ou média) de espiritualidade e, outras vezes, textos com carga absoluta de espiritualidade. É o caso dos textos de cura que têm sido postados ultimamente. São textos absolutos, ao invés de relativos.

Quanto mais absoluta for uma literatura, mais desinteressante ela será aos olhos do mundo, pelo simples motivo de que ela não agrada ou alimenta o mundo e todas as coisas referentes a ele. O ensinamento absoluto não ensina o homem o que fazer para resolver os seus problemas, alcançar uma boa vida, ser mais saudável ou mais rico, nem dirá o que fazer para se elevar ou progredir espiritualmente. Seu objetivo é apenas um: fazer com que a pessoa conheça Deus, diretamente, aqui e agora. Atua no sentido da frase de Cristo, que disse: "larga tudo quanto tens, e segue-me".

A finalidade de um ensinamento relativo é a de provisoriamente suprir o homem, até que este esteja e condições de elevar-se ao nível do Absoluto. Identificado com o relativo, o homem ainda não é capaz de "largar tudo quanto tem", porque a vida humana lhe é interessante; o indivíduo ainda se entretém com o mundo, de um modo ou de outro. Ele sente-se atraído, o mundo lhe é real demais, o mundo satisfaz e é o bastante; assim, quer sempre viver o agradável e busca ter diversas experiências dentro do mundo. Uma espiritualidade que o ajude andar no caminho que deseja o agradará. Se um ensinamento puder ajudá-lo em suas intenções, será de grande valia. Mas não será de grande valor/atração aquele que diz: "larga tudo quanto tem, e me segue".

À medida que a pessoa vai transcendendo o mundo, a consciência passa a ampliar-se; o mundo, que antes era um grande palco, começa a ser visto como uma sala confinada, um aspecto diminuto da existência - apenas a "ponta do ice berg". E o Absoluto vai ficando mais leve de ser buscado, estudado, praticado.

O post anterior retrata bem essa faceta, quando diz que o mundo só aceita a Verdade quando esta vem disfarçada de fábula, metáfora, parábolas e alegorias. Se for dito ao homem diretamente que "Deus é tudo", isso não será compreendido/valorizado, é pesado demais - inaceitável. Igualmente, se lhe disserem que "a matéria não existe, mundo fenomênico não existe", também não aceitará. Mas se a mesma verdade é dita de maneira camuflada, polida, revestida de aspectos agradáveis, então ele poderá dar uma chance. Mas a chance dada é em função das vestes, da aparência falsa, do encobrimento, a partir do que ele espera obter a satisfação de suas expectativas mundanas, e nisso ele perde o essencial. Por isso, a verdade nua e crua não é aceita, por ser vista como inalcançável (avaliação feita com base em verdades pré-concebidas), impossível, e até mesmo por ser boa demais pra ser verdade.

Na verdade, a Verdade nua e crua coloca o homem numa posição de perigo. Se ele a aceitar, terá de abrir mão de todos os seus condicionamentos, conceitos, crenças, pensamentos... é como se ele tivesse que abrir mão de si próprio, tamanho o grau de sua identificação com tais coisas. Por isso, ele não aceitará. Mas se a Verdade vier maquiada, disfarçada com palavras como "Deus pode ser alcançado, um dia isso acontecerá", então de repente tudo se torna muito lindo. Isso permite que o homem mantenha-se como ele é pelo menos por hoje/agora, e a Verdade passa a ser uma filosofia bonita, com a qual a pessoa se orgulha de viver. Enquanto isso, permanece o fato de que o agora é sempre agora e de que a verdade estará sempre no futuro. É uma posição bastante confortável. Esse condicionamento impede por completo a Verdade Absoluta de ser percebida.

O ideal era que somente a Verdade Absoluta fosse buscada. Mas o mundo seduz bastante. A fim de ajudar (pouco a pouco) o homem a superar tal demasiada atratividade pelo mundo, existem os ensinamentos relativos. Tanto Jesus Cristo como Buda possuíam doutrinas provisórias, a fim de poder preparar e conduzir as pessoas à realização da Verdade espiritual. Portanto, a espiritualidade possui graus, níveis de crescimento espiritual, (falando de um ponto de vista relativo). Em contrapartida, não há nada para ser alcançado, porquanto tudo já está feito - tudo já é - neste exato agora. Do ponto de vista absoluto, não existem níveis de desenvolvimento espiritual, há apenas um único estado de consciência, o Absoluto, que é Deus. Deus é o ponto de partida: o começo, o meio e o fim para todas as coisas. A partir dessa verdade, o mundo da relatividade não se extingue, e sim passa a ocupar o seu devido lugar, recebe tão somente o devido valor que lhe cabe, e tudo se ajusta. Ninguém perde o mundo por simplesmente abandoná-lo.

Portanto, tente compreender essa diferença de visão (ponto de vista). Pondere acerca do que é ensinamento relativo e absouto e, na medida do possível, esforce-se por preparar-se, até sentir-se pronto, para buscar compreender e praticar o Absoluto. O Absoluto governa também as nossas vidas no mundo fenomênico relativo. Tais coisas serão meras decorrências. Vale a máxima bíblica, que diz: "Buscai primeiro o Reino de Deus e sua Justiça, e as demais coisas lhe serão acrescentadas"... "A Verdade vos libertará".



segunda-feira, junho 06, 2011

A VERDADE ACEITÁVEL




A Verdade desejou visitar o palácio do homem, e um dia se anunciou tal como ela é: nua, jovem e bela. O porteiro, embora escandalizado, foi consultar o ministro. Mas este, quase sem fôlego, explodiu:

- Estás louco? Que seria de nós se a Verdade aqui entrasse? Enxota esta despudorada!

Apesar de expulsa, a Verdade continuou desejosa de visitar o palácio do homem e reapresentou-se com o nome de “acusação”. Veio, desta vez, trajada de amazona e brandindo o chicote. Novo choque do porteiro e novo pasmo do ministro:

- Estás louco, porteiro? Já pensaste o que seria de nós se a acusação aqui entrasse? Dize-lhe que está indevidamente vestida!

A Verdade se foi, mas, como estava firmemente decidida a visitar o palácio do homem, voltou, uma terceira vez, lindamente trajada. O porteiro se maravilhou ante seu aspecto e formosura:

- Quem és, gentil criatura?
- Sou a Fábula e desejo visitar o palácio.
- A fábula!? Oh!... Já vou anunciá-la ao Sr. Ministro.
O ministro veio logo recebê-la, solícito e sorridente, e começou a distribuir ordens:
- Iluminem e adornem o salão! Chamem os músicos! A Fábula nos está visitando!

Rejeitada como verdade mesma ou como desmascaramento do falso; a Verdade só é admitida pelo homem comum sob os agradáveis disfarces da fábula, da parábola e das alegorias...

sexta-feira, junho 03, 2011

Cura: uma prova da perfeição imutável


Dárcio Dezolt


Jesus criticou a "geração incrédula" em busca de “sinais”; mas, sabedor disso, fazia as curas por entender que para as mentes endurecidas, somente “provas materiais” seriam levadas em conta, e não revelações absolutas! Ainda hoje, o mundo se encanta com “demonstrações visíveis” da Verdade; e isto por estar a mente coletiva atuando na matéria e não no Espírito.

DEUS É TUDO! Não existe “vida material”. DEUS É ESPÍRITO! Não existe “matéria”. DEUS NÃO MUDA! Não existe tempo ou alterações temporais! DEUS É ONIPRESENTE! Não existem “presenças” “além de MIM”. Mas por estar a maioria sob uma ILUSÃO DE MASSA, as mentiras se fazem passar por verdades.

As imagens falsas de imperfeições deixam de permanecer, quando unicamente a Verdade é louvada, reconhecida e entendida como Fato permanente. A tais supostas “mudanças visíveis” dá-se o nome de “cura metafísica”. Entretanto, se sua atenção estiver na ILUSÃO, aceitando problemas de saúde, de finanças, de relacionamentos, etc, você estará fazendo parte da “geração incrédula”, descrente da TOTALIDADE IMUTÁVEL DA PERFEIÇÃO DIVINA! Porém, se sua atenção estiver na VERDADE, os quadros falsos de problemas e imperfeições serão anulados, as “imagens de cura” surgirão em seu lugar, mas sem que o iludam por serem boas! Os “sinais”, ou as chamadas “curas”, são meramente “ILUSÃO BOA”, enquanto a Verdade é o Fato inalterável deste Agora único: A ONIPRESENÇA SE EXPRESSANDO COMO SEU EU!

Portanto, se as “curas”, aos olhos do mundo, forem “provas” da perfeição onipresente e permanente da Realidade, que sejam, para você, apenas a troca de um “pesadelo” por um “sonho agradável”. Não troque a Verdade absoluta por "sinais" das aparências! A Verdade está acima disso tudo! A Verdade é DEUS SENDO VOCÊ! Portanto, VOCÊ está acima disso tudo!


terça-feira, maio 31, 2011

Curando a disfunção corpórea

John H. Williams

Reconhecer o controle total e absoluto de Deus é apropriado para curar disfunções corpóreas de qualquer tipo. Podemos saber, sem dúvida alguma, que a espiritualidade, a perfeição e a bondade que o homem reflete de Deus, a Mente, tem de ser expressa incessantemente em todas as suas ações. Mary Baker Eddy, Descobridora e Fundadora da Ciência Cristã, declara: “Toda função do homem real é governada pela Mente divina.”

O raciocínio que se baseia na matéria insiste em que o homem é material e é constituído de vários órgãos, cujo funcionamento determina sua vida, sua saúde e sua harmonia. Ademais, esse ponto de vista materialista pretende que existam forças deletérias que podem controlar o corpo, causar disfunção, e resultar em doença e destruição. A Ciência Cristã refuta tal ponto de vista e ensina-nos como a verdade a respeito de Deus e do homem pode corrigir tais estados.

Não há melhor modo de começar, senão o de fortalecer nossa compreensão de Deus. É esta sempre a nossa maior necessidade. Quando nos afastamos do problema físico que pede nossa atenção, podemos discernir com maior clareza a presença eterna do Amor divino, a onipotência da Verdade e a totalidade do Espírito. Podemos reforçar nossa convicção de que Deus é a causa única, a fonte de todo o ser. Uma compreensão clara do todo-poder de nosso Criador é requisito indispensável para se invocar, com pleno êxito, a lei divina de cura.

Compreender a Divindade é prelúdio necessário para conhecer nossa verdadeira identidade como expressão de Deus. Quanto melhor conhecermos Sua natureza, tanto melhor poderemos discernir que nosso verdadeiro ser não é prejudicado, e está isento das pretensões da mente carnal.

Um mal-estar comum dessa mente fictícia e de seu suposto corpo material é o de que órgãos se tornem desarmoniosos e falhem em sua função. A Ciência Cristã enfrenta esse conceito materialista de identidade e mostra-nos como o poder do Amor cura.

Na oração não imploramos a Deus que nos cure. O que se requer é primordialmente que adquiramos a compreensão, baseada num crescente reconhecimento da totalidade de Deus, de que o homem –a verdadeira identidade de cada um de nós –não pode estar sujeito ao mal, e sim que expressa para sempre a perfeição de seu Criador. Essa compreensão, que progrediu até à convicção que anula os falsos conceitos do erro que pretendem afligir-nos, é a oração que não pode deixar de ser atendida.

O medo é um elemento que faz parte de todo problema. Precisamos lançar fora toda tentação de ficar assustado, e reconhecer que o homem, a expressão do Amor infinito, não pode assustar-se, assim como não se pode inculcar medo ao Amor. O medo é uma ficção, sem origem nem energia, e nunca pode influenciar o homem de Deus. Se nos apegarmos a esse fato, apagamos o quadro do medo.

Depois, precisamos compreender que a verdadeira função é uma atividade da Mente divina. Essa Mente não pode estar sonolenta ou estática; ela acha-se eternamente ativa e se expressa na idéia da Mente, o homem. De maneira que as funções do homem verdadeiro não podem se desarranjar, porquanto manifestam a ação impecável de Deus. Paulo deve ter discernido algo a esse respeito quando disse, nas palavras constantes em Atos: “Nele (em Deus) vivemos, e nos movemos, e existimos.” O fato de que toda atividade emana por inteiro da Mente destrói a falsidade relativa a funcionamento material, e a consciência se ergue acima do problema físico. Em seguida, vem a cura.

É da máxima importância compreender que nosso objetivo não consiste em curar a matéria, mas em corrigir o pensamento. O problema básico nunca está no corpo, porque o corpo apenas exterioriza aquilo em que acreditamos. A Sra. Eddy explica: “Quando eliminamos a doença, por nos dirigirmos à mente perturbada, sem prestar atenção ao corpo, provamos que só o pensamento cria o sofrimento.”

Não oramos para que alguma parte do corpo funcione corretamente. Em vez disso discernimos, através do sentido espiritual, que nosso verdadeiro “Eu” é a imagem de Deus. Essa verdade anula a disfunção, e a ação física normal entra em atividade. Desse modo, podemos dizer que Deus controla o corpo material, muito embora Ele esteja consciente apenas daquilo que é espiritual.

Dos vários órgãos do corpo humano, é provavelmente ao coração que se presta atenção maior. Formulam-se teorias horríveis, predições e temores sobre o que poderá acontecer a esse órgão. No entanto, será que precisamos ficar com medo? Não! Esse conceito do homem não diz respeito à nossa identidade real, a qual para sempre dá prova da ação imperturbada da Mente divina. Opondo-nos vigorosamente a esses conceitos falsos e substituindo-os pela verdadeira ideia do homem, manifestamos a atividade ininterrupta de Deus. Aí temos uma base sadia, a partir da qual se resolvem os problemas do coração.

Por exemplo, quando Cristo Jesus ressuscitou Lázaro da morte, bem como o filho da viúva de Naim, depois de o coração haver parado de funcionar, provou que o verdadeiro ser do homem não depende de um músculo chamado coração. Sua compreensão do verdadeiro status espiritual do homem suprimiu a ilusão da morte, e a atividade corpórea normal foi restaurada.

Deus nunca causa disfunção corpórea, porque o colapso é contrário à bondade divina. Ações desarmoniosas são a objetivação do pensamento mortal, e não se lhes deve conceder maior crédito do que a um sonho noturno. O verdadeiro funcionamento tem sua origem na Mente divina, está eternamente correto e é harmonioso. Essa compreensão desperta-nos do sonho, restabelece a ação perfeita, e conquistamos nossa liberdade.