"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quarta-feira, março 02, 2011

Extrair do Jissô a capacidade infinita

Masaharu Taniguchi

(*Mesa-redonda realizada na Sede Central da Seicho-No-Ie, em 22 de abril de 1934.)



Minami - Como ainda estamos em número reduzido de participantes, gostaria de aproveitar para expor ao Mestre o que penso, pois sinto-me um tanto acanhado em falar de minhas dúvidas diante de muitas pessoas.

Taniguchi - Pois não, tenha a palavra.

Minami - Dentro de nossa mente tanto há o inferno como o paraíso. Se mentalizarmos o mal, surgirá o inferno; e se mentalizarmos o bem, surgirá o paraíso. Em suma, nem o inferno nem o paraíso existem originariamente, mas estão em nossa própria mente. Compreender isso é despertar para o Jissô?

Taniguchi - Isso seria compreender a lei do fenômeno, e não o Jissô que existe realmente.

Minami - Ah, isto seria compreender a lei do fenômeno?

Taniguchi - Compreender que no mundo fenomênico surge o inferno ou o paraíso como manifestação da mente e que tal mundo não existe originariamente, é compreender o fenômeno, mas não o Jissô da Vida. O mundo fenomênico é o mundo mutável que se mostra ora como inferno, ora como paraíso, de acordo com a mente; e o mundo do Jisso é o paraíso constante e eterno onde só há felicidade e alegria.

Minami - Purificar a mente para manifestar somente o aspecto paradisíaco no mundo fenomênico, nisso consiste o treinamento espiritual, não?

Hara - É preciso criar um vento que dissipe as nuvens do fenômeno?

Taniguchi - Não é preciso pensar em dissipar a nuvem. Lançando-se ao mundo do Jissô, nascem a liberdade infinita, a força infinita. Não importa se há nuvem ou não; enquanto o indivíduo ficar preocupado com a existência ou não das nuvens, não poderá compreender a Verdade. É preciso buscar acima das nuvens o mundo radioso; havendo nuvens ou não, acima delas o Sol está brilhando. Quando a pessoa se lançar a esse mundo iluminado, as nuvens desaparecerão espontaneamente, porque já não estarão retidas pela força da mente dessa pessoa. Preocupar-se com 'esta' ou 'aquela' nuvem e pensar que não se salvará enquanto não eliminar essas nuvens, é prender-se ao fenômeno.

Hara - Pelo que o Mestre está nos dizendo, o homem já está originariamente salvo, já possui a liberdade infinita, a força infinita.

Minami - E como manifestar na vida concreta essa salvação e a força infinita que já temos?

Taniguchi - Basta fazer com que o Jissô, originariamente perfeito, se projete no mundo fenomênico, sem distorção. Para tanto, basta limpar a "lente mental" através da qual o "filme" do Jissô se projeta no mundo fenomênico. Para purificar a "lente mental", basta ver o aspecto perfeito do Jissõ, sem se prender a aspectos imperfeitos eventualmente manifestados no mundo fenomênico. Basta ver o seu Jissô originariamente salvo. Basta ver o seu Eu, originariamente um com Deus.

Minami - Mesmo orando a Deus para ver o Jissô sem se ater ao fenômeno, muitas pessoas não estão manifestando o paraíso no mundo fenomênico. Há sogras que oram a Deus mas maltratam as noras. Parece que a oração para se tornar um com Deus tem vários estágios.

Taniguchi - De fato, existem vários estágios. Há pessoas que pensam que Deus seja uma imagem de madeira ou de metal ou que Ele seja um ser exterior, e não o seu próprio Jissô. Mesmo que orem a Deus, se o fazem pensando em se tornar um com a imagem de madeira ou de metal, não poderão manifestar o paraíso. É preciso tornar-se um com o Jissô de felicidade eterna para que se manifeste o estado originário em que já se está salvo.

Suguino - Hoje recebi um folheto do sr. Matsunami, da Indústrua de Tabi* (uma espécie de meia) Hinomoto, contendo a transcrição de uma interessante palestra do sr. Maçao Takahashi. Diz ele que pensava que o paraíso ficasse no céu, mas descobriu que ele fica no fundo da caldeira do inferno. Se, ao contrário elas avançarem em direção ao inferno, baterem contra o fundo da caldeira e o roperem, lá encontrarão o paraíso. Por exemplo, num caso de dívida, quando se pensa que o credor é cruel como o demônio, forma-se o inferno. Para escapar desse inferno, a pessoa não deve fugir, pois, quanto mais assim proceder, maos o "demônio" a perseguirá. Deve, pois, procurar amar a dívida. Assim, quando a pessoa não teme e enfrenta a dívida (inferno) e trabalha (luta) arduamente para liquidar tal dívida (romper o fundo da caldeira do inferno), acaba-se livrando dela (encontrando o paraíso). Achei esse princípio do sr. Takahashi semelhante ao que foi comentado na mesa-redonda do mês retrasado, ou seja, "eliminar as reclamações do ambiente familiar amando-as e satisfazendo as exigências da situação".

O caso do sr. Maçao Takahashi se baseia numa dívida que ele herdou de seu pai: como dispunha de uns três mil ienes, o pai construiu uma casa nova; porém, a construção final custou seis mil ienes; nisso, ele falaceu, deixando ao filho cerca de três mil ienes de dívida. O sr. Takahashi decidiu então sair daquela casa, pois, eticamente, enquanto não pagasse a dívida, ela não seria sua. Mas o empreiteiro que construiu a casa lhe disse: "Se o senhor sair, nada melhorará para nós; não podemos morar nessa casa, nem podemos tomar uma parte da construção. Por favor, continue morando nela como antes". Sendo assim, o sr. Takahashi resolveu permanecer na casa. Então, ele pensou: "O que nos permitiu morar numa casa tão boa foi justamente a dívida. A dívida é uma benfeitora, portanto devo satisfazer as exigências desse benfeitor. Bendita dívida; graças a ela podemos morar aqui". Assim, decidiu atender à exigência da benfeitora, isto é, liquidar a dívida. Com essa decisão, nasceu nele uma infinita força para trabalhar e logo acabou pagando a dívida.

Taniguchi - O sr. Takahashi defende a mesma Verdade pregada pela Seicho-No-Ie, mas parte de uma premissa contrária, isto é, considera-se imerecedor de algo bom. Assim, no fundo ele pensa: "Apesar de não merecê-lo, podemos morar numa casa tão boa, graças a uma força superior". Antes ele pensava estar vivendo com a força do corpo carnal, do raciocínio cerebral e do dinheiro, mas compreendeu que era vivificado pela grandiosa força universal que nele se aloja, e conscientizou que essa força é o seu verdadeiro Eu. Essa conscientização anula o velho eu e deixa nascer o novo Eu; desaparecendo o falso eu, pode despontar o Eu verdadeiro; desaparecendo o falso eu, emerge o grande Eu. Quando ele diz "não sou merecedor", trata-se do falso eu. Na verdade, ele está diminuindo e anulando o falso eu, o que permite o surgimento do verdadeiro Eu. Essa também é uma maneira de exteriorizar o verdadeiro Eu. É a grande afirmação após a negação. A Seicho-No-Ie, no entanto, parte da enfatização do verdadeiro Eu, afirmando: "O verdadeiro Eu é filho de Deus; este é existência verdadeira e é sumamente perfeito. O falso eu não é existência verdadeira, embora pareça; não se apegue ao que não existe; não se preocupe com o que não existe".

Tanto o método do sr. Maçao Takahashi como o da Seicho-No-Ie consistem em manifestar o verdadeiro Eu mediante a negação do falso eu. Entretanto, é mais eficar negar o falso eu dizendo "isso não existe" do que afirmando "não sou merecedor".

O sr. Maçao Takahashi pensou: "Bendita dívida; graças a ela podemos morar nesta casa". E repetindo constantemente "Eu tenho dívidas! Vou lutar com toda a força!", trabalhou intensamente e conseguiu saldar a dívida. Isso foi possível por ser ele possuidor de grandes qualidades morais. Muitas pessoas ficariam desanimadas só de pensar que têm uma dívida de três mil ienes. Há também pessoas que achariam um disparate serem obrigadas a arcar com tamanha dívida do pai e se desesperariam. Convém lembrar também que o sr. Takahashi sentiu nascer uma força intensa ao declarar abertamente "tenho dívidas! Vou lutar com toda a força!". Não podemos nos esquecer da atuação do poder das palavras "Vou lutar com toda a força!" que ele acrescentou no final. Experimente proferir palavras com sentido contrário, tais como "Tenho dívidas! Que desespero!". Quem assim afirmar ficará desanimado e deprimido e não terá coragem para trabalhar. Portanto, não foi a lembrança constante de ter algo negativo chamado dívida que fez brotar no sr. Takahashi uma intensa força para lutar. Se nos esquecermos disso, estaremos deixando de ver a Verdade. Também não foi o mero acréscimo da frase "Vou lutar com toda a força" que gerou tal força, mas sim o sentimento de gratidão que lhe nasceu ao reconhecer o fato de poder morar imerecidamente numa casa tão boa não era devidoà sua pequena força, mas era graças à força da Grande Vida do universo que o vivifica, alojada nele. Tal sentimento de gratidão resulta da negação do pequeno eu e da conscientização do verdadeiro Eu que aloja em si a Grande Vida do universo. Essa conscientização é que faz brotar espontaneamente as palavras "vou lutar com toda a força" e permitiu que elas surtissem efeito, fazendo o sr. Takahashi trabalhar e liquidar a dívida.

A expressão "não sou merecedor" tem o poder de desanimar-nos,mas, quando ligada ao sentimento de gratidão "Apesar de não merecer, sou beneficiado. Obrigado, meu Deus!", anula o falso eu e faz emergir o verdadeiro Eu, de capacidade infinita, que nos impele a agir. O que desperta o verdadeiro Eu infinitamente capaz é o sentimento de profunda gratidão que resulta da conscientização "não é minha própria força que me faz viver, mas a Vida que permeia o Universo".

Suguino - E é preciso haver esse sentimento de gratidão entre os membros da família. Recebemos constantemente benefícios que, se partissem de estranhos, agradeceríamos toda vez, mas, sendo um parente, nem lembramos de agradecer. E quando o mesmo parente faz algo que não nos agrada, achamos que ele só nos aborrece e ficamos com raiva. O Mestre diz "É preciso agradecer aos familiares", o que é uma grande verdade. Se todos sentirem gratidão mútua, não só no lar, mas também no trabalho, tudo transcorrerá maravilhosamente, manifestar-se-á a capacidade infinita latente nas pessoas e a família prosperará.

(Do livro "A Verdade da Vida, vol. 06"; pgs. 75 à 82)


segunda-feira, fevereiro 28, 2011

CONTEMPLE A PERMANÊNCIA DA PERFEIÇÃO

Dárcio Dezolt

Quando a Bíblia diz que “as obras de Deus são permanentes”, acaba de revelar que tudo que muda é ilusão. Não há nascimentos e mortes; não há surgimento de doenças ou problemas e posteriores curas ou soluções; não há primavera, verão, outono e inverno; em suma, não há nada além de Deus e Sua perfeição imutável.

Este “Agora” é a Onipresença perfeita em atividade, e, como tudo é permanente, tudo é este “AGORA”.

A “mente em ilusão” não capta o AGORA PLENO; e, quando os textos explanam sobre a Verdade Absoluta, e incentivam a “vida contemplativa”, esta mente falsa entende que “contemplar” é um ser humano parar com todas as suas atividades para unicamente ficar de olhos fechados meditando! Este entendimento, por parte da mente ilusória, persiste por um só motivo: ela é ilusória! As “contemplações”, quando feitas, anulam esta mente falsa, e a “Oniação do Agora” é discernida. Por que a mente falsa fica levantando questões referentes a este mundo? Por que faz ela alusão a atividades que, segundo sua visão, não devem ser paradas por estar, alguém, dedicando-se a “contemplar o Absoluto”? Porque ela não crê que “tudo está pronto”.

Note bem: esta mente falsa é a própria ILUSÃO! É a “crença coletiva” que lhe põe nos ombros “cuidar do Universo”. Desta crença vem pensamentos do tipo: “Você não pode ficar só pensando em contemplar o Absoluto! Muita gente precisa de você! Não seja egoísta! Pense em fazer caridade ao próximo!” Esta “mente em ilusão” é NADA! O Universo do Absoluto é o ÚNICO aqui presente! Cada reconhecimento que você fizer desta Verdade faz cair por terra os argumentos da “mente ilusória”, e também ela própria (a mente), e também faz com que “toda a suposta humanidade” se eleve, isto é, faz com que a ILUSÃO enfraqueça para aliviar a todos.

Jesus disse: “Eu, quando for erguido às alturas, atrairei todos a mim”. Esta “subida ao Pai” é a Verdade Absoluta posta em prática! E ela não o fará egoísta, mas sim em ONIAÇÃO, sem noção nenhuma de um “ego fazendo caridade”, mas com a percepção de unicamente “o Pai em MIM faz as obras”. Não se prenda a argumentações do intelecto de ninguém! Antes, entenda que a Mente única é a SUA e a de TODOS! Contemple a PERMANÊNCIA das obras divinas e a PERFEIÇÃO IMUTÁVEL de todas elas! Contemple-se UM com Deus e com Suas obras! O Universo está FEITO! A Perfeição é FEITA! DEUS É TUDO!

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Unidade: um relacionamento eterno

Joel S. Goldsmith

Diariamente somos tentados a acreditar em uma separação de Deus. Uma pessoa pode ter um pecado grande ou pequeno na sua vida e estar certa de que é o bastante para afastá-la de Deus. Uma outra sente que cometeu um erro de um certo tipo, alguma ação ou omissão que vai afastá-la. Uma outra pessoa ainda torna-se vítima de uma grave enfermidade e pensa que isso é um sinal do afastamento de Deus. Outra pessoa também atravessa um período de carência ou limitação e aceita isso como evidência de que está isolada e separada de Deus, e, nessa aceitação reside a continuidade de sua dificuldade. A identidade com o Pai é um relacionamento eterno. Tudo que você pode manter é a sensação de afastamento de Deus, nunca um afastamento de Deus. A sensação de afastamento de Deus pode ser superada pelo conhecimento da Verdade.

Eu nunca estou afastado de Deus. Todos os pecados que eu já cometi ou que possa cometer nunca me afastarão do amor de Deus. Nem toda necessidade ou limitação me convencerão de que eu me separei do Pai ou de que estamos à parte um do outro. E nem todas as enfermidades, até mesmo a morte, me farão acreditar que Deus se afastou de mim. Apesar do fato de que neste momento eu estou mantendo uma sensação de afastamento de Deus. Deus existe e habito em Sua existência.

Rompa essa sensação de afastamento não tentando fazer uma demonstração no espaço ou no tempo, mas recolhendo-se para aquele santuário interior, tornando-se muito calmo e começando novamente com tudo que você aprendeu, para se reassegurar da natureza permanente de seu ser e verdadeira identidade.

Eu e o Pai somos um. Antes que Abraão existisse, eu sou. Eu viverei até a eternidade. Eu nunca serei abandonado ou esquecido. Eu nunca estarei sem a vida e o amor de Deus, o Espírito e a Alma de Deus. Se por qualquer razão eu tenha manchado ou estou manchando o templo de Deus, há muito sabão e muita água. Eu limparei isso com a compreensão de que a verdadeira natureza de meu ser é Deus.

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

O significado de "subir ao Pai"

Dárcio Dezolt

Na Bíblia encontramos Jesus usando a expressão "Subir ao Pai". Numa delas, disse: "Eu subo para meu Pai e vosso Pai". O significado tem a ver diretamente com VOCÊ! Não está apenas sendo dito que "Jesus subiu ao Pai" e que você meramente foi informado disso! "Subir para o Pai" quer dizer "LIVRAR-SE DE MENTE HUMANA". Unicamente esta mente falsa nos induz a crer que "descemos do Pai". Uma Verdade fundamental precisa estar bem gravada, para que meditemos imersos em seu conteúdo eterno! Trata-se do fato espiritual revelado em Eclesiastes: "As obras de Deus são permanentes!". Se não fossem, poderíamos "descer do Pai" ou "subir para o Pai"; porém, nada em Deus ou em Suas obras sofre mudanças! E esta "subida para o Pai", revelada por Jesus, significa esta "permanência" ou "constância" dos Fatos reais, com cada "Filho de Deus" conscientemente se contemplando neles.

As aparências falam em problema de saúde? "Suba para o Pai", onde sua saúde é permanente! As aparências lhe mostram problemas financeiros? "Suba para o Pai", onde "tudo que o Pai tem é seu". As aparências lhe mostram desarmonias, conflitos e confusão? "Suba para o Pai", meditando e contemplando sua UNIDADE COM ELE! A mente humana o ilude? "Suba para o Pai", reconhecendo a Mente divina sendo a SUA!

"Eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus" (João 20; 17). Um único Pai, um único Deus! Não há filhos especiais, escolhidos nem preferidos! Mas há a atitude de cada um, voltada para esta "ascensão à Luz", que é o descartar da suposta mente humana e suas crenças ilusórias, que nos vinculam a este mundo-miragem chamado "mundo terreno". Quando VOCÊ permanecer no que é PERMANENTE, livrando-se dos grilhões chamados "mudanças", terá SUBIDO AO PAI, onde VOCÊ eternamente vive e desfruta das bem-aventuranças da VERDADE!


sábado, fevereiro 19, 2011

"Reconcilia-te com o teu irmão" (Osho)

Osho

"Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, e ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e então, voltando, faze a tua oferta." (Mt. 5: 23-24)

Jesus era um homem de amor, de imenso amor. Amava esta terra, amava o cheiro desta terra. Amava as árvores, amava as pessoas. Amava as criaturas, porque só assim se ama o criador. Ao elogiar o quadro, você está elogiando o pintor. Quando elogia a poesia, esse elogio se estende ao poeta.

Jesus é afirmativo, positivo. E ele sabe de um fato muito significativo, quase sempre presente em seus dizeres: Deus é uma abstração; você não pode se colocar face a face com Deus. "Deus" é uma abstração, assim como a "humanidade". Você depara com seres humanos, mas nunca com a humanidade. Você sempre depara com o concreto. Nunca encontrará o Deus abstrato, porque ele não tem rosto algum. Ele não tem rosto. Você não poderia reconhecê-lo. Então, onde o encontraria?

Olhe cada olho com que deparar; olhe cada ser com quem deparar. Eles são Deus na forma concreta; Deus materializado. Todas as pessoas são encarnações de Deus - as rochas, as pedras, as pessoas, e tudo o mais. Ame essas pessoas, ame essas árvores, ame essas estrelas, e através desse amor, você começará a sentir a imensidão de ser. Mas terá de passar pela pequena porta de um ser particular.

Jesus tinha imensa paixão por este terra, por esta vida. Se você nega a existência, intrinsecamente está negando Deus. Se disser não à vida, terá dito não à Deus, porque é a vida de Deus. E lembre-se sempre que Deus não tem lábios próprios, ele beija você através dos lábios da outra pessoa. Ele não tem mãos próprias; abraça você através das mãos de outra pessoa. Ele não tem olhos próprios, olha para você através dos olhos de outra pessoa. Ele vê você pelos olhos do outro e é visto por seus olhos, e assim Ele vê através dos seus olhos também.

Os quakers dizem, e com razão, que Deus nada mais tem além de você; só você - é isso o que ele tem. Essa visão tem de penetrar fundo, só assim você poderá compreender os dizeres de Jesus; do contrário passarão batido - como tem ocorrido usualmente há séculos. Que isto seja a própria pedra fundamental: a vida é Deus. E as coisas, então, se tornarão muito, muito simples. Você terá a perspectiva certa. Diga "sim", e de repente sentirá uma espécie de poder despertando em você.

Jesus diz: "Se você vai ao templo com flores, oferendas, para rezar, se entregar a Deus, e se lembrar de que há alguém zangado com você, então a primeira necessidade é voltar e se reconciliar com o seu irmão". Todos são irmãos aqui, lembre-se, porque o Pai é um. As árvores são suas irmãs; São Francisco costumava conversar com as árvores - "Irmãs, Irmãos". Os peixes, as gaivotas, as rochas, as montanhas - todos são seus irmãos e irmãs porque todos vêm da mesma fonte.

Jesus está dizendo que se você não se reconciliar com o mundo, não pode rezar para Deus. Como pode chegar ao Pai, se não estiver em paz com o irmão? E o irmão é concreto; e o Pai é abstrato. O irmão existe; o Pai está oculto. O irmão é manifesto, e o Pai é não manifesto. Como você pode se reconciliar com o não-manifesto? Você nem conseguiu se reconciliar com o seu irmão... Essa é uma frase significativa. Não se refere apenas ao seu irmão; não se refere apenas aos seres humanos. Refere-se a toda a existência - a tudo o que você tem insultado. Se você foi cruel com alguém, ou mesmo com algo...

Um grande mestre zen, Rinzai, estava sentado. Chegou um homem, empurrou a porta com força - devia estar muito zangado - e a bateu. Não estava de bom humor. Jogou os sapatos e entrou. Rinzai disse:

- Espere. Não entre. Primeiro, peça desculpas à porta e aos seus sapatos.

O homem disse:

- Do que você está falando? Ouvi dizer que os mestres zen são loucos, e deve ser verdade. Pensei que fosse apenas boato. De que absurdo você está falando? Por que devo pedir desculpas à porta? Seria muito embaraçoso... e aqueles sapatos são meus!

Rinzai disse:

- Saia! Nunca mais volte aqui! Se você está bravo com os sapatos, por que não pode pedir perdão a eles? Quando você estava zangado, não achava tolice ficar irritado com os sapatos. Se consegue sentir raiva, por que não sente amor? Relação é relação. Raiva é uma relação. Quando você bateu a porta com raiva, foi uma relação com a porta; comportou-se de maneira errada, imoral. E a porta nada lhe fez de mal. Vá, do contrário não poderá entrar.

Sob o impacto do silêncio de Rinzai, e das pessoas sentadas ali, e daquela presença... como um flash, o homem compreendeu. Entendeu a lógica da coisa; tudo ficou muito claro. "Se você pode ficar com raiva, por que não pode amar? Saia." E ele saiu. Talvez em toda a sua vida, aquela tivesse sido sua primeira vez. Ele tocou a porta, e seus olhos se encheram de lágrimas. Não podia contê-las. E quando se curvou diante dos próprios sapatos, uma grande mudança aconteceu a ele - sobreveio-lhe o estado de prece. Quando se virou e voltou a Rinzai, este o recebeu e o abraçou.

Isso é reconciliação. Como você pode rezar se não se reconciliar? É preciso ganhar a prece. Quando você se reconcilia com a existência, ganha a prece. A prece não se limita a você entrar no templo e rezar. Não é uma espécie de atividade; é um despertar da consciência para novos picos. Mas isso só é possível se você estiver reconciliado, relaxado com a existência.

A prece é uma fórmula mágica, um mantra, um encantamento. Mas tem de ser provocada no momento certo. Você não pode rezar a qualquer momento, em qualquer lugar; tem de estar na sintonia certa. É a gratidão e a reconciliação que lhe proporcionarão essa sintonia. A prece só pode ser feita quando você está sintonizado.

Você briga todos os dias. Lembre-se, seja com quem for que você briga, está brigando com Deus, porque nada mais existe. Sua vida muitas vezes é uma briga contínua. E essas brigas vão se acumulando; elas envenenam o seu organismo, o seu ser. Um dia, enfim, você quer rezar, e a sua prece falha; não se forma, não se cumpre, parece falsa em seus lábios; não lhe é possível rezar de repente - você terá de se preparar para isso.

A primeira preparação mencionada por Jesus é: "Reconcilia-te com o teu irmão". "Com o teu irmão" significa com todos os seres humanos, os animais, os pássaros. Toda a existência é sua irmã, porque vimos todos de uma fonte, de um pai e uma mãe. Toda essa simplicidade vem da unidade.

Lembre-se, então, de que Deus só pode ser amado através do homem. Você nunca se encontrará com Deus, sempre se encontrará com o homem. Quando você começar a amar a Deus através do homem, pode ir mais fundo ainda - pode amar a Deus através dos animais. E mais fundo ainda - pode amar a Deus através das árvores. E mais fundo - pode amar a Deus através das montanhas e rochas. E quando tiver aprendido a amar a Deus através de todas as formas dele - você se reconciliou; é aí que Deus se revela -, só então o seu amor se transformará em prece.


"Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste." (Mt. 5:48)

Este também é um dos dizeres mais fundamentais: "Portanto, sede vós perfeitos..."

Lembre-se, você pode ser perfeito apenas porque, intrinsecamente, você é perfeito. E você vem de Deus, como pode ser imperfeito? Você pertence a Deus, como pode ser imperfeito?

Intrinsecamente, você é Deus porque Deus está em você e você está em Deus. Mas, talvez, você ainda não deu a si mesmo a oportunidade de enxergar isso, pois está envolvido demais, ocupado demais com o mundo exterior - fazendo isso e aquilo, fazendo essa e aquela mudança. Você se preocupa tanto com o seu mundo exterior que não pode olhar para o seu santuário interior. E Deus está lá. Deus mora em você.

Sim, você pode se tornar perfeito, porque é perfeito. Só os perfeitos podem ser perfeitos.

Portanto, a perfeição não precisa ser criada, só precisa ser descoberta. Ela já existe, já está pronta. Ela já está lá; escondida talvez, atrás de véus talvez, mas está lá. Remova os véus e você a encontrará; não precisa inventá-la/criá-la, só descobrí-la. Ou talvez não. Talvez "descobrir" não seja a palavra certa. Deixe-me dizer, então... redescobrí-la.

- Osho.


sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Maturidade

Pe. Fábio de Melo


A maturidade nos faz perceber que não podemos mudar os fatos.

A maturidade faz parte de um processo. Em um processo não podemos queimar etapas. Ele é lento, chato e demorado. Uma criança passa por um momento de amadurecimento a partir do momento que começa a brincar. A maturidade acontece quando tomamos posse do que nós somos, para aí então poder nos dividir com os outros. Isso faz parte do processo de maturidade.

Não nascemos amando, pelo contrário, queremos ter a posse dos outros. Essa é a forma de amar da criança, pois ela não consegue pensar de maneira diferente. Ela não consegue entender que o outro não é ela. Quantas pessoas já adultas pensam assim, trata-se da incapacidade de amar, falta de maturidade.

Todos os encontros de Jesus levam a implantação do Reino de Deus. Mas só pode implantar esse reino quem é adulto, que já entende que só se começa a amar a partir do momento que eu não quero mudar quem eu amo.

Geralmente, quando tememos alguém ruim ao nosso lado, é porque nos reconhecemos naquela pessoa. Jesus não tinha o que temer porque era puramente bom, por isso contagiava os que estavam ao seu lado. Na maturidade de Jesus você encontra a capacidade imensa de amar o outro como ele é. Amar significa: amar o outro como ele é. Por isso, quando falamos em amar os outros, podemos perceber o quanto deixamos de ser crianças. Devemos nos questionar a todo o momento quanto a nossa maturidade. A santidade começa na autenticidade.

Por isso, Jesus nos pede para ser como as crianças, que são verdadeiras e simples. É nisso que devemos manter da nossa infância e não a forma de possuir as coisas para si.

Você tem condições para perceber a sua maturidade. É só observar se você é obediente mesmo quando não há pessoas ao seu redor. Você não precisa que ninguém te observe, pois você já viu aquilo como um valor. Pessoas imaturas sofrem dobrado. Pessoas imaturas querem modificar os fatos, pessoas maduras deixam que os fatos os modifiquem. A maturidade nos faz perceber que não podemos mudar os fatos. Um imaturo ganha um limão e o chupa fazendo careta. O maduro faz uma limonada com o limão que ganhou. Muitas vezes os nossos relacionamentos de amizade são uns fracassos porque somos imaturos. Amigos não são o que imaginamos - mas são o que eles são, e com todos os defeitos.

Amizade é processo de maturidade que nos leva ao verdadeiro encontro com as pessoas que estão ao nosso lado. Elas têm todos os defeitos, mas fazem parte da nossa vida e não a trocamos por nada deste mundo. Isso porque temos alma de cristão e aquele que tem alma de cristão não tem medo dos defeitos dos outros, porque sabe que aqueles defeitos não serão espelhos para nós, mas seremos um instrumento de Deus para ele superar esse defeito.Padre só pode ser padre a partir do momento que é apaixonado pelos calvários da humanidade. Se você não consegue lidar com os limites dos outros, é porque você não consegue lidar com os seus limites.

A rejeição é um processo de ver-se. Toda vez que eu quero buscar no outro o que me falta, eu o torno um objeto. Eu posso até admirar no outro o que eu não tenho em mim, mas eu não tenho o direito de fazer do outro uma representação daquilo que me falta. Isso não é amor, isso é coisa de criança. O anonimato é um perigo para nós. É sempre bom que estejamos com pessoas que saibam quem somos nós e que decisões nós tomamos na vida. É sempre bom estarmos em um lugar que nos proteja. Amar alguém é viver o exercício constante, de não querer fazer do outro o que a gente gostaria que ele fosse. A experiência de amar e ser amado é acima de tudo a experiência do respeito.

Como está a nossa capacidade de amar? Uma coisa é amar por necessidade e outra é amar por valor. Amar por necessidade é querer sempre que o outro seja o que você quer. Amar por valor é amar o outro como ele é, quando ele não tem mais nada a oferecer, quando ele é um inútil e por isso você o ama tanto. Na hora que forem embora as suas utilidade, você vai saber o quanto é amado. Tudo vai ser perdido, só espero que você não se perca. Enquanto você não se perder de si mesmo você será amado, pois o que você é significa muito mais do que você faz.O convite da vida cristã é esse: que você possa ser mais do que você faz! ”


quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Para ter bons amigos

Masaharu Taniguchi

"O sentimento que leva alguém a considerar a pessoa amada como um meio para obter a própria felicidade é o amor-apego. O amor verdadeiro é aquele que liberta. O amor-apego tolhe e restringe a liberdade da pessoa amada. Quem ama de verdade sente alegria em dedicar-se à pessoa amada e não em fazer com que ela lhe sirva para atender às suas vontades. Devemos proporcionar à pessoa amada a liberdade de agir. Certa senhora, por quem tenho grande respeito, disse: “Eu amo meu filho, e por isso mesmo jamais penso em moldá-lo segundo a minha preferência. As mães, que amam os filhos, querem criá-los de acordo com as próprias preferências. Após lutar durante muito tempo contra essa tentação, finalmente alcancei o estado espiritual de desprendimento e tornei-me capaz de deixar meu filho seguir livremente o próprio rumo, da mesma forma que uma pessoa que solta a pipa, ao sentir que ela está puxando, dá-lhe mais linha para poder subir mais. Quando passei a agir desse modo, meu filho deixou de ser rebelde e se reconciliou comigo”.

Toda situação negativa ocorre como reação aos tolhimentos, às restrições. Esta vida, em seu aspecto natural, é perfeita. A superfície da água é plana enquanto não sopra o vento. As águas se encrespam quando o vento exerce ação sobre elas. Se você ama alguém, não tente moldá-lo e fazê-lo agir conforme a sua vontade. Deixe-o seguir o próprio caminho, da forma que ele quiser. Proporcione-lhe a verdadeira liberdade. Talvez ele tropece algumas vezes no começo, mas aprenderá com tentativas. E logo terminará o período de aprendizagem. Quando isso acontecer, com certeza você descobrirá que ele se tornou um grande colaborador seu, e constatará que ele o ajuda de boa vontade no seu trabalho, aplicando o método que ele escolheu, e faz isso de modo mais perfeito do que você havia planejado.

Aquele a quem você proporciona a liberdade retorna espontaneamente e passa a ser um verdadeiro amigo e colaborador. Quando você nada exige do outro e lhe proporciona a liberdade para buscar a própria felicidade, ele consegue o auto-aperfeiçoamento, volta para junto de você e nunca mais se afastará. Nesse caso, você nada exigiu dele. O amor deve ser doação ilimitada. O “amor que exige” é imitação de amor, não é o amor verdadeiro. Da imitação de amor não é possível obter amigos verdadeiros. Somente o amor verdadeiro traz amigos verdadeiros."


domingo, fevereiro 13, 2011

O mundo (Ramana Maharshi)

Ramana Maharshi

Em certa ocasião, chegou ao Ashram a notícia de que Mahatma Gandhi estava a caminho de Tiruvannamalai para receber o darsham, isto e, a benção, de Bhagavan Sri Ramana. Todos se alegraram e aguardavam-no com curiosidade, pois Gandhi já era bastante conhecido, e seu trabalho de não-violência ecoava pelo mundo todo. Criou-se então a expectativa sobre a conversa entre os dois Grandes Mestres, e esperava-se que abordassem temas referentes às causas sociais, aos entraves políticos pelos quais o país passava, enfim, assuntos complexos e polêmicos.

Quando Mahatma Gandhi chegou ao Ashram, cercado pela multidão que o havia reconhecido e acompanhado rumo à montanha, adentrou o hall e aproximou-se do Mestre, curvou-se diante dele e aguardou silenciosamente. Após algum tempo, Bhagavan Sri Ramana disse: "Sim", e Gandhi levantou-se, agradeceu e, colocando-se aos Pés do Sat Guru Deva, retirou-se.

A ação do sábio muitas vezes não se mede em termos de ação física, em níveis em que as pessoas esperam, mas sim em planos nos quais a ação é verdadeiramente produtiva. Falar pouco é a característica dos que obedecem a espontaneidade de sua natureza.

Gandhi havia atravessado toda a índia, viajando milhares de quilômetros, de Delhi a Tiruvannamalai, para estar com Ramana, ainda que por apenas alguns instantes, para receber dele a orientação para seu trabalho. Uma vez ouvida a resposta positiva do Mestre ao trabalho que Gandhi vinha desenvolvendo, a maneira como realizava seu dharma, não havia mais o que dizer, mas sim voltar ao trabalho e continuar a missão. Por isso retirou-se.

Nesse episódio constatamos a maneira diametralmente oposta de agir entre os grandes sábios e os dirigentes dos povos, os líderes que comandam grandes multidões. O encontro de personalidades reconhecidas pelo público normalmente provoca grandes discursos, muita pompa e protocolo. Faz-se muita publicidade, discute-se cada palavra dita, aprova-se, desaprova-se, emenda-se, enfim, cada pessoa envolvida no processo dá sua opinião, que deseja ver aprovada.

Usam muitas palavras, mas desconhecem a maior das linguagens: o silêncio do Ser. Entre Ramana e Mahatma Gandhi não houve nada que tornasse o encontro especial ou solene. Não houve nenhuma propaganda, nenhum alarde. Foi um encontro singelo, natural e verdadeiro.

E assim o Grande Mestre de pequena estatura e doces olhos castanhos retirou-se levando consigo a Sagrada Upadesa, toda a força espiritual emanada de Bhagavan Sri Ramana, que sempre o acompanhou e ajudou em sua tarefa de trazer à humanidade a opção da paz, a alternativa prática da não-violência, pois o importante não é vencer a outra pessoa, mas os falsos personagens que estão em nosso próprio psiquismo. Os princípios de Mahatma Gandhi estão revelados nesses ensinamentos:

"Verifiquei que a vida persiste em meio à destruição. Unicamente sob essa lei se poderá conceber a sociedade organizada e a vida digna de ser vivida. Se essa e a lei da existência, devemos praticá-la na rotina diária. Sempre que houver guerras, sempre que nos defrontarmos com um oponente, devemos mostrar-Ihe a virtude do amor supremo. Descobri que a lei do amor tem correspondido com amor , em minha própria vida, enquanto a lei da destruição me deixaria só. Na Índia, tivemos a prova ocular da operação desta lei, na mais ampla escala possível. Não proclamo que a não-violência tenha penetrado nos corações dos trezentos e sessenta milhões de habitantes da Índia, mas proclamo, sim, que em tempo incrivelmente curto penetrou mais fundo que qualquer outra doutrina. Para atingir o estado natural de não-violência, exige-se um treinamento rigoroso. E uma vida de disciplina como a vida de um soldado. Alcança-se o estado perfeito quando a mente, o corpo e a palavra consumam sua coordenação. Todo problema evoluirá para uma solução se decidirmos fazer da lei da Verdade e da não-violência a lei da vida."

A luta pacífica de não-resistência empreendida por Mahatma Gandhi foi se expandindo mais e mais, fazendo adeptos em todas as partes do mundo. Mesmo entre os discípulos de Sri Ramana havia quem simpatizasse muito com a causa da não-violência. Dois deles vieram até o Mestre Ramana falar a respeito do trabalho de Mahatma Gandhi:

PERGUNTA: Ele esta começando um jejum de vinte e um dias. Pedimos a Sri Ramana autorização para irmos até sua prisão para participar de seu sacrifício e poder jejuar tanto tempo quanto ele.

RAMANA: Essa atitude e motivada por bons sentimentos. É um bom sinal. Mas o que vocês podem fazer, realmente? Tratem antes de aumentar em vocês a força e a energia das quais Gandhi da prova e que ele soube acumular graças a sua disciplina e consciência do Ser. Somente assim vocês terão sucesso no que se propõem.

P. Ahimsa, a não-violência, pode acabar com as guerras no mundo?

R. A pergunta traz a resposta nela mesma. É evidente que, se o estado perfeito de ahimsa prevalecer, não poderá haver mais nenhuma guerra. Se um homem insulta seu próximo ou o injuria, o remédio não consiste em revidar ou resistir-Ihe, mas em permanecer tranquilo, simplesmente. Essa tranquilidade provocará a paz nele próprio e deixará quem o ofendeu pouco à vontade, até o momento em que este admita seu erro. Mahatma Gandhi entregou-se completamente ao Ser Supremo e cumpre sua missão sem nenhum interesse pessoal. Ele não se preocupa com os resultados de suas atividades e aceita-os como eles se apresentam. Sua atitude deveria servir de exemplo a todos os que trabalham pela nação.

P. Sua missão será coroada de sucesso?

R. Essa pergunta surge porque quem a faz não se submeteu, ele próprio, à vontade divina.

P. Isso quer dizer que nos não devemos pensar no bem-estar de nosso país nem nos esforçarmos para promovê-lo?

R. Cuide primeiro de si mesmo e tudo o mais se seguirá naturalmente.

P. Não falo por mim, pessoalmente penso em minha pátria.

R. Suas dúvidas provem de sua falta de submissão. Submeta-se primeiramente à vontade divina e espere. Você perceberá que o ambiente que o cerca melhorará à medida que você se fortificar espiritualmente.

P. Não deveríamos saber antes se nossos atos têm alguma utilidade?

R. Siga o exemplo de Mahatma Gandhi em sua obra para a causa nacional. Submeta-se à vontade divina. Essa é a palavra de ordem.

P. A distinção entre as castas é tolerável?

R. Quem vê essa distinção? Encontre-o.

P. As distinções sociais foram inventadas pelos homens.

R. Você não tem necessidade de se deter em todas as diferenças. A diversidade é a lei do mundo. Mas uma corrente única une todas elas. O Ser é o mesmo em todos os homens. Ele não conhece nenhuma diferença. As diferenças são superficiais, exteriores e provêm da mente pensante. Você deve apenas descobrir a unidade suprema através da meditação.

P. Eu não tenho objeções a encontrar diferenças. Apenas afirmo que as reivindicações de superioridade são errôneas.

R. Existem diferenças entre os diversos membros de seu corpo. Cada um deles cumpre sua função. Por que você quer suprimir as diferenças?

P. As pessoas sofrem devido à injustiça da divisão em castas. É preciso libertá-Ias.

R. Você pode perfeitamente acabar com a distinção entre as castas chegando você mesmo ao estado onde não há mais nenhuma diferença, inclusive de castas, e onde sua visão será a mesma para todas as coisas. Como você pode esperar reformar o mundo? Mesmo que se esforce intensamente para isso, não conseguirá. Já houve tentativas anteriores de se eliminar a distinção entre as castas, mas os que se encontram em posição inferior recusaram-se a ser tratados como iguais aos considerados superiores. Isso mostra que eles estão possuídos por um complexo de inferioridade. Seria preciso, primeiro, que você fizesse desaparecer esse complexo para depois proceder às reformas. Mahatma Gandhi tenta instaurar a igualdade. Ele também deve enfrentar o obstáculo do complexo de inferioridade que paralisa as castas mais baixas, porém não impõe seu ponto de vista aos outros, apenas observa a não-violência.

P. Precisamos trabalhar para destruir toda distinção entre as castas.

R. Pois bem, faça-o. Se você conseguir realizar esse seu objetivo, avise-me.

P. É aqui, na India, o primeiro lugar onde desejo estabelecer a reforma.

R. Por que você se preocupa tanto em fazer reformas? A conscientização do Ser provoca automaticamente a reforma social. Contente-se com sua própria reforma, e a reforma social cuidará dela mesma.

P. Nós pertencemos a um movimento pacifista. Queremos fazer reinar a paz entre os homens.

R. A paz está sempre presente. Você deve apenas eliminar os obstáculos que a perturbam. Esta paz é o Ser Eterno.

P. Mas qual e a melhor maneira de se trabalhar para a paz do mundo?

R. O que é o mundo? O que é a paz? Quem é aquele que trabalha para a paz? O mundo não aparece quando você dorme. Ele não é mais que uma projeção mental produzida no estado e vigília. Ele é apenas uma idéia. Nada mais. Quanto à paz, é a ausência de perturbação. A perturbação é provocada pelo surgimento dos pensamentos no homem. Consequentemente, assegurar a paz significa estar livre de todo pensamento e permanecer em estado de pura consciência. Se um homem obtiver a paz suprema do Ser, esta se espalhará ao seu redor, sem nenhum esforço da parte dele. Quando o homem não encontra a paz nele mesmo, como pode sonhar em espalhá-Ia fora dele?

P. Qual é a melhor maneira de se viver em paz?

R. Eliminar a mente pensante e o ego profano através da constante meditação é uma boa prática para se viver a suprema paz. As pessoas têm a tendência de não compreenderem a verdade simples, a verdade de sua experiência de cada dia, sempre atual e eterna. Essa verdade é o Ser. Mas as pessoas não querem ouvir falar disso. Preferem saber o que se passa no além, no paraíso imaginário, no inferno, querem saber sobre a reencarnação. Preferem o mistério à verdade simples, mistério que as religiões utilizam para atrair os homens por vias tortuosas. Mas é inútil ir por tais caminhos. É necessário conscientizar-se do Ser. Por que, então, não se estabelecer imediatamente nele?

P. O que acontece com o corpo após a conscientização do divino? Vemos seres conscientizados da Verdade Suprema agindo como os outros.

R. Essa pergunta não precisa surgir agora. Deixe que ela seja feita depois que você se conscientizar do divino. Quanto às pessoas que já são conscientes da verdade de ser, permita que elas cuidem de si mesmas.

P. A conscientização espiritual permite acabar com o tormento dos homens? Estou no mundo e vejo nele guerras cruéis. A conscientização do Ser pode pará-Ias?

R. Você fala do mundo e do que acontece nele. Todas essas considerações são idéias que você faz. Elas estão na mente. E o mundo é apenas uma projeção mental.

P. A felicidade da autoconscientização pode ser completa se não colaborarmos para que os outros tambem sejam felizes? Como podemos ficar felizes se sabemos que guerras assolam o mundo? Não é uma prova de egoísmo permanecer passivo no estado consciente sem sair em socorro dos que sofrem no mundo?

R. As pessoas conscientes da Verdade Suprema não ignoram que as guerras assolam o mundo, mas não são afetadas por elas, assim como a tela do cinema não é perturbada por cenas de incêndio ou inundação. Cuide de você e deixe o mundo cuidar de si mesmo. Se a autoconscientização é taxada de egoísmo, esse egoísmo deve, então, englobar o mundo inteiro. Não há nisso nada de desprezível. O mundo é bom assim como está. Se aparentemente existem problemas, é em virtude do modo errado como as pessoas se posicionam. O que se deve fazer é aniquilar o erro inicial, que é a mente pensante. Então tudo estará bem.

P. O mundo foi criado pela operação da inteligência cósmica sobre o éter e o átomo?

R. Conscientize-se do Ser Supremo primeiro e depois verifique por si mesmo. Então você poderá fazer essa pergunta, se necessário. Além disso, o mundo lhe diz: "Eu sou o mundo"? O corpo lhe diz: "Eu sou o corpo"? Você diz: "Isso é o mundo, isso é o corpo", e assim por diante. Então, essas são apenas suas concepções. Descubra quem você é em essência, e chegarão ao fim todas as suas dúvidas.

P. Se Deus é perfeito, por que ele criou o mundo imperfeito? A obra compartilha da natureza do autor. Mas com o mundo não é assim.

R. Quem é que levanta essa questão?

P. Eu, o indivíduo.

R. Isso é sinal de ignorância. O mesmo poder que criou o mundo pode cuidar dele. Você faz essa pergunta porque se sente separado do divino. Enquanto considerar-se como o corpo, você verá o mundo como exterior, e a imperfeição aparecerá em você. O divino é a perfeição. Mas você vê o mundo como imperfeito por causa de sua identificação incorreta.

P. Está o mundo progredindo, atualmente?

R. Se nós progredirmos, o mundo também progredirá. Ninguém lhe pediu para fechar os olhos ao mundo. Se você achar que é o corpo, o mundo lhe aparecerá como exterior. Mas quando você se identifica com o Ser, o mundo lhe aparece como Brahman. É errado imaginar que há o mundo, que nele há um corpo e que você é esse corpo. Se a Verdade for conscientizada, o universo e o que fica além dele será descoberto como estando somente no Ser. O modo de ver varia segundo o olho da pessoa. A visão vem do olho. Se você vir com os olhos densos, você encontrará outros seres densos. Se vir com olhos sutis, os outros parecerão sutis. Nada mais há para se ver diferente do Ser. Sem conscientizar-se do Ser Supremo, não há razão para compreender o mundo. Sem a autocompreensão, a compreensão do mundo torna-se sem significado. Mergulhe profundamente em você mesmo, no lado direito do peito, e veja o mundo através dos olhos do Ser Supremo.

P. Se o mundo é um vale de lágrimas, como suportá-Io?

R. As pessoas conscientes do Ser Ihe disseram que o mundo é insuportável? É você que sente a dor e que procura a ajuda dos sábios afirmando que o mundo é um inferno. O sábio Ihe explica, então, que se você dedicar-se sinceramente a prática da meditação e da devoção seus sofrimentos acabarão.

P. Por que o Ser se manifestou então sob a forma deste mundo de misérias?

R. O Ser é o manifestador imanifestado. Quem Ihe disse que ele está manifestado? Seus olhos não podem ver-se. Mas coloque-se diante de um espelho e eles poderão enxergar-se. Acontece o mesmo com a criação. Veja a si mesmo primeiramente e em seguida você verá que não existe nada além do Ser Supremo.

P. Na não-dualidade, a criação ou a manifestação têm ainda sentido? O que pensar da teoria, segundo a qual Brahman aparece como o mundo semrenunciar à sua natureza essencial?

R. Ha muitos métodos para demonstrar a irrealidade do universo. Um dentre eles é o do sonho. As escrituras sagradas comentam muito os estados de vigília, de sonho e de sono profundo, com a finalidade de chamar a atenção para a realidade que Ihes é subjacente. As escrituras dizem que o mundo é irreal. De que grau de irrealidade se trata? É comparável a uma flor nascida no céu, isto é, a simples jogos de palavras sem nenhuma correspondência com fatos concretos? Mas o mundo não é uma palavra, ele é um fato. Em consequência disso, somos forçados a concluir que o mundo é uma superposição colocada sobre a única realidade. O mundo, porém, não desaparece de nossa vista, mesmo quando sabemos que ele é irreal. O que isso implica? Tome o exemplo de uma miragem. A aparência de água não se desfaz, mesmo que você receba todas as provas de que ela não existe na realidade. Tal é o caso da aparência do mundo. Ainda que saibamos que ele é irreal, ele continua a se manifestar. É inútil desejar medir o universo e estudar os diversos fênomenos, pois os objetos são apenas criações mentais. Querer medi-Ios é comparável à tentativa de alguém que coloca o pé sobre sua própria sombra para bloqueá-la. Quanto mais ele avança, mais a sombra recua diante dele; jamais será detida. Acontece o mesmo com aquele que procura estudar o universo, que é unicamente um objeto criado pela mente e que têm sua existência na própria mente. Ele não é uma entidade exterior a ela e não pode, portanto, ser medido. Para compreender o universo, é preciso primeiramente conscientizar-se do estado natural de ser.

P. Ainda que saibamos que o mundo é irreal, não podemos nos impedir de sentir por ele um grande fascínio. Como explicar isso?

R. Aquele que deseja os bens deste mundo é semeIhante ao sonhador que procura satisfazer em sonho seus desejos oníricos. No mundo do sonho, você encontra igualmente desejos, objetos desejados e a satisfação. A criação onírica preenche uma função tão importante para o sonhador quanto o mundo objetivo para o homem em estado de vigília. E, no entanto, o sonho não é considerado real.

Esses exemplos servem para demonstrar os diversos graus da irrealidade. O Sábio consciente da Verdade constata que o mundo, no estado de vigília, aparece como sendo tão irreal quanta o mundo onírico aos olhos do homem acordado. Mas cada um desses exemplos não deve ser isolado de seu contexto geral. Eles constituem elos de uma corrente. Seu objetivo comum é de dirigir a atenção de quem busca a Verdade para a única realidade que lhes serve de fundamento. Chega-se à Verdade conscientizando-se do fato fundamental de que todos somos eternos, e não simplesmente acreditando que o mundo é efêmero.

P. É recomendável que se pratique a neutraIidade em relação ao mundo?

R. Sim. Mas o que é neutraIidade? É simplesmente a ausência de atração ou repulsão, de amor ou de ódio. Quando você se conscientizar do Ser, como poderá ainda amar ou detestar as manifestações da vida fenomenal? É esse o verdadeiro sentido da neutraIidade.

P. Mas isso leva a uma falta de interesse por nosso trabalho. E não temos que cumprir nosso dever?

R. Sim, tem que cumprir seu dever. Mesmo que queira escapar dele, você será obrigado a cumpri-lo. Deixe, então, seu corpo cumprir a tarefa para a qual foi criado. No "Bhagavad Gita" Krishna diz a Arjuna que este seria obrigado a combater, quer ele quisesse ou não. Se seu destino for de cumprir determinada tarefa, você não poderá se abster de fazê-lo. E, por outro lado, você não poderá reaIizar uma atividade a que você não esteja destinado. O trabalho deve ser realizado, e você deve participar. Seu dever é executar a parte que lhe cabe.

P. Por que os homens se absorvem nos negócios do mundo e obtém como resultado de seus esforços apenas dificuldades? Eles não deveriam, ao contrário, ser livres? Se eles vivessem no mundo espiritual apenas, não se beneficiariam de uma Iiberdade maior?

R. É porque o homem se identifica com o corpo físico que ele considera que este mundo é material e que o outro é espiritual.

P. Mas os homens são muito materiaIistas. Como remediar isso?

R. Materialista? Espiritualista? Tudo depende do ângulo pelo qual os fatos são observados. Tenha uma perspectiva correta das coisas da manifestação e todas as suas dúvidas se dissiparão.

P. O mundo é constantemente abalado por grandes catástrofes que espalham a morte, a desolação, a fome, as epidemias. Qual é a causa dessas calamidades?

R. Quem é consciente de todos esses flagelos?

P. Eu não aceito essa resposta. Constato ao meu redor a existência do sofrimento.

R. Permaneça no estado no qual você não é afligido pela miséria do mundo. Em outras palavras, quando você não tem consciência do mundo, não é afetado por seu sofrimento. Quando você permanece no Ser, o mundo e seus sofrimentos não o afetam mais. Assim sendo, conscientize-se do Ser e terá então colocado um fim na existência do mundo e suas misérias. O mundo não é exterior a você. É por identificar-se erroneamente com seu corpo que você considera o mundo exterior a você e capaz de desenvolver por si mesmo suas, misérias. Isso não corresponde à realidade. Procure a verdade de ser e Liberte-se dessa falsa impressão.

P. Entretanto, grandes homens se mostraram incapazes de resolver o problema da miséria no mundo.

R. É porque eles eram egocêntricos, daí seu insucesso. Se eles permanecessem no Ser, o resultado seria outro.

P. Por que os Avatares não ajudam?

R. Como você sabe se eles não ajudam? Discursos públicos, atividades físicas e ajuda material são todos de menor valor do que o silêncio dos Avatares.

P. As palestras ajudam o homem a tornar-se consciente do divino?

R. As palestras não conduzem ninguém a autoconscientização. O importante é receber silenciosamente a Sagrada Upadesa. Só assim é possível ao homem tornar-se consciente daquilo que ele realmente é: o divino. As palestras só atrasam quem as profere e quem as escuta. Não confunda a transmissão de ensinamentos pelo Mestre com as palavras proferidas pelos eruditos.

P. O que deve ser feito por nós para melhorar a condição do mundo?

R. Se você permanecer livre da dor, não haverá dor.

P. O que o Mestre vê como o futuro da Terra?

R. Para essa pergunta, há uma atitude a ser tomada: fique em silêncio e saiba que somos o Ser. Silêncio significa ser livre de pensamentos.

P. Isso não responde a pergunta. O planeta tem um futuro. Como será ele?

R. O tempo e o espaço são funções de pensamentos. Se os pensamentos não surgissem, não haveria o futuro ou a Terra. Você sabe o que existe no presente? O mundo, como todas as coisas da manifestação, é sempre o mesmo, seja hoje ou amanhã.

P. Mas o tempo e o espaço subsistem, quer eu pense neles ou não.

R. Os dois vieram-lhe dizer que existem? Quando você dorme, sente a presença deles?

P. Mas no meu sono sou completamente inconsciente.

R. E, no entanto, você não existe menos por isso.

P. Eu não habitava mais meu corpo. Eu o havia deixado e retomei-o ao acordar.

R. A saída de seu corpo e o retorno a ele são apenas idéias. Onde você estava realmente durante seu sono? Você era o que você é agora, com a diferença de estar livre de todos os pensamentos.

P. E as guerras que assolam o mundo? Elas existem! É suficiente que não pensemos mais nelas para que elas terminem?

R. Você pode parar as guerras? Aquele que criou o mundo sabe muito bem como cuidar dele.

P. É as guerras são puramente imaginárias? Sri Ramana não poderia, nesse caso, utilizar sua imaginação para pensar o contrário e acabar com as guerras?

R. O Sri Ramana ao qual você fala é também sua imaginação, tanto quanto as guerras as quais você se refere. Enquanto houver a mais leve percepção de individualidade surgirão dúvidas, indagações intermináveis e jamais haverá uma resposta plenamente satisfatória. Quando desaparecer o conceito de dualidade entre si próprio e o Ser, não haverá mais confusões nem sofrimentos.

(Capítulo extraído do livro “Ramana, Meu Mestre”, de Sri Maha Krishna Swami.)

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Exercendo o domínio dado por Deus


Joel S. Goldsmith

"E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se arrasta sobre a terra." (Gen. 1:26)


Uma vez tocado pela Presença e Poder divinos, é preciso que viva por Eles; devem se tornar sua experiência, a própria Substância de seu corpo. Você não vive pelas funções e órgãos do corpo; são eles que vivem pela atividade de Deus. O domínio dado por Deus sobre todas as coisas da terra inclui o seu corpo, mas você vinha se sujeitando a ele, admitindo: “Não; eu não tenho domínio sobre você; você é que tem domínio sobre mim”. O corpo não foi feito por si: “Eu, o Espírito de Deus, o formei”.

Um médico, vendo um praticista espiritual à cabeceira de um paciente à morte, poderia dizer: “Você tem coragem demais, para deixar de recorrer a remédios materiais”; porém, posso lhe garantir: não há nenhuma coragem envolvida! O que está envolvido é um estado de consciência atingido, em que há a convicção absoluta de que a saúde não depende do corpo, mas sim, o corpo é que depende do onipresente estado de saúde. A saúde está aqui e agora; a saúde é tão onipresente quanto a sinceridade ou a fidelidade. A razão pela qual não experienciamos a saúde em sua totalidade é que, em vez de a vermos como dirigente do corpo, nós olhamos o corpo como se fosse ele capaz de fornecer a saúde.

Todo estudante no caminho espiritual tem demonstrado que o corpo não fornece saúde e nem exerce controle sobre ela. É a saúde que controla o corpo, e a saúde é parte de sua consciência. Tudo que é do Pai é seu; portanto, a imortalidade e a eternidade do Pai constituem a imortalidade e a eternidade do ser individual. Esta Verdade, quando conhecida e realizada, se torna a saúde do corpo. Não é preciso coragem para abandonar o uso de remédios materiais no momento em que alguém se conscientiza de que sua saúde não depende de alguma forma ou efeito.

Cada parte sua é uma extensão da consciência. Esta consciência é Deus, e, por conseguinte, Deus está operando através de sua mente e corpo, bem como através de cada atividade de sua vida.

Em cada fase da vida, você poderá se abrir à infinita Fonte de seu ser, e sua vida será vivida infinita, espiritual, harmoniosa e perfeitamente, “O reino de Deus está dentro de vós...Eu e o Pai somos um...e a ninguém chameis na terra vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos céus” – Deus. A consciência única é a sua consciência – Deus. A vida única é a sua vida – Deus. Deixe que Ele Se desenvolva e revele a Si mesmo; e Ele viverá Sua vida como a “sua vida”, e na infinitude daquela vida estará a medida de sua demonstração.


terça-feira, fevereiro 08, 2011

Glorificação do Criador

Dárcio Dezolt


Este estudo da Verdade mostra sua eficiência plena quando for entendido que TODA GLÓRIA é reconhecidamente de Deus, o TODO! Se a pessoa estudar a Verdade sobre o “Suprimento”, por exemplo, acreditando que os estudos são para o tirarem dos apertos da vida, estará desconhecendo o real objetivo, que é “glorificar a Deus”. Por que suas dificuldades irão sumir? Por ele estar desafiando a “crença falsa em dificuldades” e provando sua confiança no Pai que é Amor absoluto, uma Presença Todo-poderosa que o mantém eternamente na plenitude e na perfeição! Quem entender este real propósito, verá o estudo com a visão correta!

O mesmo se dá com a saúde: sua confiança na Verdade, no poder único de Deus, na certeza de que Deus é a sua Vida, Mente, Consciência, Espírito e Corpo, deixam-no saudável também diante das crenças do mundo, uma vez que nenhum poder do mal é reconhecido! E, nesta certeza, Deus é glorificado!

Acostume-se a manter esta visão de que os estudos ganham força, não para que um “ser humano” fique em melhores condições de vida, mas sim para que Deus seja glorificado por Sua Presença mantenedora da nossa perfeição; esta é a visão que o capacita a desafiar as aparências fraudulentas e limitantes deixando-o com olhos voltados para o Infinito.

Se alguém, iludido pelas aparências de problemas, estudar os tópicos dos ensinamentos com a ideia de que são eles suas “últimas esperanças”, estará com sua visão equivocada ou distorcida! Os Princípios absolutos não são “última esperança” para resolução de ilusões humanas, mas sim, O PRIMEIRO PASSO, para que VOCÊ glorifique o SEU CRIADOR, para que você desafie as ”imagens hipnóticas” e as faça ruir mediante sua confiança total na Onipotência, como se elas fossem sombras expostas à luz!

A propósito, inclua, nesta “glorificação”, os “créditos” de SUA PRESENÇA dados a Deus, ou seja, reconheça que VOCÊ aqui vive única e exclusivamente graças ao Princípio divino! Assim lhe ficará bem mais claro que a função de mantê-lo saudável e pleno é DELE e não “você com seus estudos”. Em outras palavras, dê uma “paulada” no ego!

Jesus foi claro em afirmar que o ser humano, de si mesmo, nada é e nada faz; e nem tampouco tem “pai na Terra”. Dê TODA a Glória de SUA EXISTÊNCIA A DEUS! Feche os olhos e admita que SEU CRIADOR ESTÁ EM VOCÊ COMO O CRISTO, A VIDA DO PAI! E, a forma mais completa e eficiente de você fazer isto, está em VOCÊ ENTENDER SER UM COM ELE! Esta percepção plena é que o fará destruir a “crença em seres humanos” ao lado do UNO! E, também, promoverá o “seu” renascimento na Glória do Eterno. “Quando Cristo, que é a nossa VIDA, Se manifestar, também vos manifestareis com ele na Glória” (Colos. 3: 4). É isto!