"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

domingo, junho 29, 2014

Comentando o capítulo 3

- Gustavo -


O capítulo 3 é intitulado "A Consciência individual como Lei". Se pudermos compreender o significado/sentido do que está expresso no título, isso já é um grande passo na assimilação dos ensinos do Caminho Infinito. A Consciência Individual é uma consciência espiritual ou divina, não sendo um produto deste mundo material. Alguém poderia escorregar, bater a cabeça no chão, e perder a "consciência". Essa "consciência", que surge quando o cérebro está ativo e desaparece quando o cérebro cessa de funcionar, não é a Consciência Individual a qual Joel Goldsmith está tratando. Ele está falando da Consciência divina. A consciência divina é a Consciência Única (Deus), que se manifesta como consciência individualizada. Ao mesmo tempo em que a Consciência é única, ela se manifesta como infinitas consciências individuais. O conjunto de "consciências individuais" formam a Consciência Única, pois se originam dela. Nesse âmbito espiritual, a Consciência Infinita (totalidade de Deus) está aparecendo como cada consciência individual existente. Isso faz com que a consciência individual seja exatamente o mesmo Infinito que Deus é. O Filho (Cristo) é exatamente o mesmo que o Pai (Deus). Portanto, somos o Cristo, o ser espiritual individualizado que tem sua origem em Deus. Essa é a nossa identidade verdadeira. Você pode saber mais sobre o princípio da individualidade clicando aqui.

Logo na abertura deste capítulo, Goldsmith inicia com a passagem bíblica que afirma: "Não se glorie o sábio no seu saber, nem se glorie o forte na sua força, nem se glorie o rico nas suas riquezas; porém, aquele que se gloria, glorie-se em Me conhecer e em saber que Eu sou o Senhor que exerço a misericórdia, a equidade e a justiça sobre a terra". Essa passagem bíblica chama a atenção para que tiremos nossa atenção do "mundo dos efeitos" a fim de podermos conscientizar Aquilo/Aquele que é a causa única e verdadeira de tudo o que existe. O homem que deposita sua fé em sua inteligência/capacidade/recursos próprios, apoia-se na natureza efêmera, frágil e incerta do mundo dos efeitos. Permitir que as coisas existentes no universo dos efeitos se tornem lei para nossa vida não é sabedoria. A Sabedoria verdadeira consiste em deixar que a Consciência Espiritual se torne lei para todos os acontecimentos de nossa vida.

Vamos começar a compreender que pessoas, coisas, lugares ou circunstâncias não são causas daquilo que nos acontece. Aparentemente falando, a coisa pode parecer chegar a nós por meio de uma pessoa ou circunstância, mas a "pessoa" ou "circunstância" em si são o puro nada. A Consciência ou Espírito Divino é a única causa/presença/força/substância atuando "por detrás" e "através" de cada pessoa, coisa, lugar ou circunstância que estão sendo utilizados. A compreensão disso permite-nos retirar a atenção/confiança do reino dos efeitos, e assim deixamos de conferir aos efeitos o poder para governar/dirigir o que acontece em nossas vidas. Não devemos colocar nossa dependência em efeitos (pessoas, dinheiro, etc.) mas sempre no Espírito de Deus que os conduz até nós.

Se algum elemento externo parece ter poder para agir sobre nós, é porque aceitamos a crença de que existe fora de nós um poder capaz de nos influenciar. Mas Goldsmith afirma que nenhum poder age sobre nós. Isso deve ser conscientizado, deve ser contemplado. O estudante necessita sentar e meditar, voltando sua atenção para Deus, e contemplando: "nada lá fora pode exercer poder sobre mim, exceto a própria Consciência que Eu sou. A Consciência (Deus) é a única causa do meu corpo, da minha mente, lar, relacionamentos, vida profissional, e essa Consciência é Bem, Amor, Sabedoria, Verdade, Harmonia, Abundância.  Eu vivo dentro do Reino de Deus. Portanto, tudo em minha vida segue dentro da ordem divina, estabelecida por Deus. Tudo já está suprido/providenciado".

A propósito, a palavra "contemplar" significa "perceber aquilo que já existe, que já está acontecendo". Contemplação não diz respeito ao indivíduo querer criar (com o poder de sua mente ou de sua consciência) uma realidade que ainda não está lá. A meditação contemplativa consiste em o estudante perceber diante de si uma realidade que já existe, que já está acontecendo. É imbuído deste espírito que o praticante deve realizar a contemplação descrita acima. Esse é um ponto muito crucial e importante, por isso vale repetir: não realize as contemplações objetivando manifestar em sua realidade coisas que ainda não existem. "Contemplar" significa apenas "ver" o que já está lá. Alguma vez você já deve ter observado pássaros voando no céu. Se você pôde contemplá-los é porque eles já estavam lá. A você coube apenas o papel de desfrutar da visão de pássaros voando. Ao meditar, você deverá contemplar o Reino de Deus da mesma forma como contemplaria o cenário de pássaros cruzando o céu. Sem forçar, sem querer criar nada – apenas constatar aquilo que já é. O mínimo desvio desse princípio faz com que a sua prática se torne um mero exercício mental, e não espiritual. Se a mente contestar e relutar, com dúvidas e pensamentos de que "isso não existe, impossível!", conscientize que essa é apenas a opinião ou julgamento da mente, e saiba que a mente humana jamais será capaz de perceber o mesmo que Consciência Espiritual percebe. A partir disso, deixe que a mente limitada continue percebendo aquilo de que ela é capaz (isso é problema dela!), enquanto você se ocupa em reconhecer a presença do Reino de Deus.

A princípio isso pode parecer um exercício de mentalização, mas conforme a pessoa for se aprofundando na prática (de retirar o poder do efeito e fazer de Deus o único poder capaz de dirigir a experiência de sua vida), um sentimento muito profundo começa a surgir, e é quando o indivíduo começa a ter contato com a parte puramente espiritual (e não mental) deste ensinamento. Alcançar esse "sentimento profundo" será o bastante. Goldsmith diz: "Quanto maior for a sua compreensão da Consciência como sendo Deus, maior será sua transparência para manifestar o reino de Deus em suas atividades. Deus é onipresente, mas este fato somente se tornará efetivo quando puder sentir conscientemente aquilo como sendo verdade.".

O objetivo do capítulo 3 é expôr o princípio de que Deus é a única causa, e que não há nenhum poder no efeito. Se as formas ou efeitos aparentam atuar sobre nós como se fossem "causas", é porque acreditamos na existência de um poder externo, separado da nossa Consciência. Todavia, o poder existe no Espírito que produz o efeito e não no efeito em si. Nossa Consciência Espiritual é a única causa (e portanto o único poder) capaz de reger todo e qualquer acontecimento em nosso universo. Esse é o princípio que realiza os milagres.

Apenas saber essas verdades não é o suficiente. Goldsmith diz que: "Deus é onipresente, mas Deus deve ser reconhecido, pois é o consciente reconhecimento do Espírito de Deus que faz com que Ele Se torne manifesto na forma necessária para o momento. Até que haja uma consciência e reconhecimento do Espírito de Deus como a substância, poder e lei de todo efeito, será como se o Espírito de Deus não existisse. Há uma só maneira de experienciarmos a presença e poder de Deus, e esta é através do reconhecimento e conscientização de que o Espírito é a realidade de tudo aquilo que aparece, porém sempre com a compreensão de que a aparência em si não é realidade." Por isso, finalizo este texto, chamando mais uma vez a atenção para a importância de realizar as práticas meditativas ou contemplativas. Elas é que farão com que os resultados prometidos sejam colhidos em nossa vida, tanto espiritual como material.

Namastê!


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sexta-feira, junho 27, 2014

A Consciência Individual como Lei

DEUS, A SUBSTÂNCIA DE TODA A FORMA
(Joel S. Goldsmith)

- Capítulo 3 -

A CONSCIÊNCIA INDIVIDUAL COMO LEI

Isto diz o Senhor: Não se glorie o sábio no seu saber, nem se glorie o forte na sua força, nem se glorie o rico nas suas riquezas; porém aquele que se gloria, glorie-se em me conhecer e em saber que eu sou o Senhor que exerço a misericórdia, a equidade e a justiça sobre a terra. (Jeremias 9: 23-24)

Esta citação de Jeremias pode ser transportada à nossa vida prática. Não devemos nos gloriar no mundo dos efeitos, caso o efeito apareça para nós como pessoa, lugar, circunstância, condição ou coisa, pois a substância ou realidade não se encontra em nenhum efeito. O poder e a glória, a substância e a realidade, a causa e a lei residem no Espírito que produz tudo aquilo que nos aparece como forma, circunstância ou condição. Nós temos o direito de usufruir das coisas do mundo, sem permitir que nossa fé e confiança fiquem centralizadas no mundo ou nas coisas do mundo. Nossa fé e confiança devem permanecer no Espírito, que produz, forma e anima tudo aquilo que existe.


NENHUM PODER AGE SOBRE NÓS

O Caminho Infinito ensina que o homem é consciência, e que esta consciência é a causa do corpo, do lar e dos negócios. Muitos pensam que o corpo, o lar ou os negócios, estando em desarmonia, indicariam uma situação vinda de fora, que agiria sobre eles. Enquanto for aceita a crença de que fora de nós existe algum poder, irá também existir o desejo de entrarmos em contato com um poder do bem que possa atuar em nosso benefício. Se for aceita a crença de que existe uma lei de tempo agindo sobre o nosso corpo e mente, aquilo irá fazer parte de nossa experiência segundo o nosso grau de aceitação. Não há nenhum poder separado de nossa consciência capaz de operar em nossa experiência, mas se aceitarmos que tal poder existe e procurarmos entrar em contato com ele, jamais conseguiremos fazê-lo.

O mundo tem orado a Deus por coisas. Isto é tão insensato quanto a atitude de orarmos ao princípio da eletricidade para que ilumine nossa casa. Regozije-se, não com as “coisas”, mas regozije-se por compreender e conhecer a Mim, a realidade do ser, seu ser e meu ser, e por entender que aquele Ser é Deus. E então será visto quão inútil é a oração que trata com a forma de seu corpo, com seu lar ou seus negócios. Isto, porém, será trazido à sua experiência na proporção de seu reconhecimento e conscientização de que sua própria consciência é a lei e que, externamente a você, inexiste qualquer realidade. Conscientize:

Eu sou a vida eterna. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida... Eu e o Pai somos um.” (João 14:6; 10:30) Tudo que é do Pai é meu, pois sou herdeiro de Deus e co-herdeiro com o Cristo. Eu e o Pai somos um, e esta unidade constitui a imortalidade, harmonia, graça, alegria e abundância de meu corpo e de minha Alma.
“Antes que Abraão existisse eu sou... e eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.” (João 8:58; Mateus 28:20). A divina Consciência do meu ser formou-me antes de eu ter nascido. Ela conheceu-me antes que eu fosse concebido. O reino de Deus, da Consciência – aquela Consciência que constitui a minha consciência individual – está agora em meu corpo e em minhas atividades.

Quanto maior for a sua compreensão da Consciência como sendo Deus, maior será sua transparência para manifestar o reino de Deus em suas atividades. Deus é onipresente, mas este fato somente se tornará efetivo quando puder sentir conscientemente aquilo como sendo verdade. As simples afirmações serão inúteis, pois com elas estará sendo considerado um Deus separado e apartado de você próprio. Estará sendo visto um Deus “lá fora”, ao invés de haver uma compreensão de que a vida, a verdade e o amor são a lei do próprio ser. Jesus referiu-se a seu Pai e a meu Pai da seguinte maneira:

Temos um Pai, que é Deus. (João 8: 41)
Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai . (João 14: 9)
O reino de Deus está entre vós. (Lucas 14: 21)
(...) e fará maiores obras do que estas. (João 14: 12)

Como poderia alguém realizar “maiores obras” sem que a mesma Presença e o mesmo Poder estivessem manifestados como o seu próprio ser?


NÃO HÁ PODER SEPARADO DA CONSCIÊNCIA

A cura espiritual se realiza através do silêncio divino, e não por meio de nossos pensamentos. Quando você se defrontar com algum pecado, doença, falta ou limitação, observe se de imediato você começa a lutar com aquilo mentalmente. Em caso positivo, o fato de você ficar negando-o, será a prova de que de alguma maneira você estará acreditando em sua realidade. Desse modo, você se tornará uma vítima em conformidade com o seu grau de aceitação.

Se a natureza da ilusão for conhecida, você não mais necessitará levantar seguidos protestos contra ela. É muito simples alguém sair dizendo: “Não sou doente”. Se um homem é rico, não ficará afirmando: “Eu não sou pobre”. Quando uma pessoa sai a declarar que não está doente, podemos saber que ela não está se sentindo muito bem, e julga que sua saúde integral será obtida com o emprego de tal declaração. O mesmo ocorre quando você diz para alguém não estar passando bem, e recebe como resposta o seguinte cliché: “Isto não é verdade”. Caso houvesse, de fato, uma consciência interna de que aquilo não fosse verdadeiro, nem seria preciso chegar a afirma-lo. A ilusão, sendo meramente um crença universal, é irreal. Ela é dissolvida pelo poder do silêncio.

Tanto as negações como as afirmações, por certo tempo, têm sua função, até que nos tornemos receptivos à verdade do ser. Entretanto, ambas deverão ser abandonadas frente ao reconhecimento de que Deus e ilusão não podem coexistir, e frente ao reconhecimento de que as aparências não podem mais nos enganar. Se estamos a demonstrar o Princípio como substância, lei e causa, não devemos aceitar a crença de que possa haver uma condição apartada de Deus, ou uma atividade além de Deus, a governar o universo. A posição correta seria a conscientização de que tais condições constituem impossibilidades, mediante um “Obrigado, Pai”, que traduz o reconhecimento da irrealidade de qualquer espécie de problema. O estado de consciência que não odeia e nem teme alguma aparência constitui a consciência curadora. Além disso, somente esta consciência será capaz de dizer: “Qual é o seu impedimento? Levante-se, e ande. Não existe poder algum apartado da consciência do seu próprio ser.”

No tanque de Betesda, os doentes e os aleijados permaneciam à espera da ação de um poder que fosse separado e apartado deles mesmos, e que pudesse vir e agir sobre eles, mas se tivessem percebido que todo poder está dentro do próprio ser, teriam se dirigido ao poder da própria consciência, e com tal conscientização não necessitariam mais do tanque. Enquanto estivermos acreditando na existência de um poder capaz de atuar sobre nós e separado do poder da nossa própria consciência, nós, também, estaremos no tanque de Betesda, “esperando o movimento das águas”, tendo de esperar por trinta e oito anos, como fizeram alguns, antes que alguém de consciência iluminada apareça para nos tirar dele.

Não é preciso aguardar por uma liberação integral. O necessário e importante é que nos ergamos o quanto for possível para o momento, mesmo que aquilo nos pareça muito pouco ainda. Devemos nos empenhar continuamente para conseguir o domínio disto e assim, gradativamente, a casca da crença será rompida – a crença na existência do poder do mal capaz de agir sobre nós. A única ação que há é a mente-ação. Se, neste instante, pudermos movimentar apenas um dedo, vamos então movimentá-lo, conscientizando que o poder e o domínio sempre estão no Espírito de Deus, na Consciência, e nunca no efeito. Mantendo essa atitude de aceitar somente este Poder único, e nunca separado de nossa própria consciência, aos poucos chegaremos à compreensão: “Eu sou a Vida, eu sou a verdade, eu sou o poder, em si.”

A idolatria vem a ser a crença de que existe um poder no efeito; é a fé naquilo que possui forma, e até de que o que está aparecendo como coisa externa possui, em si, algum poder. O mais importante que devemos conhecer é que somos a causa e não o efeito, e que a totalidade de Deus aparece como o nosso ser. Num sentido material não podemos ter quarenta bilhões  de “tudos”, mas num sentido espiritual a Totalidade pode até ser multiplicada pelo infinito. Por exemplo, um indivíduo poderá ser totalmente honesto e nem por isso irá privar o seu próximo da honestidade. Alguém poderá ser cem por cento leal e sincero e mesmo assim não privará aos demais de apresentar estas qualidades. A totalidade de Deus está se manifestando individualmente como você e eu – toda a saúde, toda a riqueza, toda a paz, todo o domínio. O que é verdadeiro com relação a mim e a você deve ser verdadeiro para todo o restante do mundo. A Verdade, para ser legítima, deve ser universal. Portanto, como a vida é Deus, e Deus é a minha e a sua vida, deve ser também a vida de todos. No entanto, as alegrias e frutos dessa grande verdade são trazidos à nossa experiência individual somente na proporção da conscientização pessoal dela, quando é desenvolvido um conhecimento interior de Deus como Vida onipresente.


NÃO HÁ PODER NO EFEITO

Como consciência individual infinita, cada um de nós é um mundo em relação a si mesmo e cada um precisa se encontrar como sendo a lei da vida sobre a própria existência – o reino do seu próprio ser. Nada existe separadamente da consciência. O poder encontra-se na consciência que produz o efeito e não no efeito em si. Somente enquanto acreditarmos estar o poder no efeito é que continuaremos desejando demonstrar coisas.

Em 1948 veio um chamado para que eu fosse ao Havaí. O pedido de ajuda era o aparente motivo para que eu fizesse a viagem, mas, pela maneira como ela se desenvolveu, a ajuda serviu de isca, pois ocupou apenas uma pequena parcela da minha ida. Entre outras coisas, surgiu a oportunidade para que eu encontrasse um dos dirigentes do Havaí, que falou-me das dificuldades que seu povo vinha encontrando durante a depressão e da forma com que eles se reuniam na tentativa de redescobrir o princípio envolvido das demonstrações realizadas pelas tribos primitivas.

Certo dia, ao fazer ponderações sobre esta questão, veio-lhe a ideia de que se ele tivesse na água se afogando e conseguisse aproximar-se de uma jangada e se segurasse firmemente a ela, ele seria salvo. Assim ele pensou: “Imagine se em vez da jangada eu segurasse somente um punhado de folhas?” Com aquela ideia veio a conscientização de que o mesmo Espírito presente na jangada também estava presente nas folhas, e que aquele Espírito que o sustentaria não se encontrava nem na jangada e nem nas folhas em si, mas encontrava-se no Espírito em Si.

Se você compreender este ponto, irá notar que o poder, a substância e a vida nunca estão no efeito, mas sempre estão no Espírito em Si, a lei que produz o efeito. Uma vez notado que o suprimento não está em nenhum efeito, mas sim no Espírito, teremos o segredo de Jesus, da multiplicação de pães e peixes. E então será visto que o mesmo Espírito sustentador Se faz presente tanto em um dólar quanto em um milhão. Quando estava na cadeia, João Batista ficou a pensar se o Mestre realmente era o Cristo, e enviou-lhe a pergunta: “És tu aquele que havia de vir?” (Mateus 11: 3), ao que Jesus respondeu:

Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: os cegos veem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho. E bem-aventurado é aquele que se não escandalizar em mim. (Mateus 11: 4-6)

Se o princípio que realiza os milagres não for percebido, a verdade real estará perdida, e se você não perceber o princípio que realiza suas curas, nada irá receber além de um alívio temporário. É preciso que você compreenda que não é a “jangada” que o sustém, mas sim o Espírito de Deus aparecendo como jangada.


O ESPÍRITO ESTÁ NO ÂMAGO DE TODO EFEITO

Eddie Rickenbacker provou este princípio quando foi capaz de sentar-se quietamente, sem mesmo dizer o que sabia aos seus amigos no barco, e teve seu alimento voando em sua direção, peixe pulando para o barco e a chuva caindo de um céu sem nuvens. Ele demonstrou não ser o alimento ou a água, mas o Espírito de Deus – Onipresença, Onipotência, Onisciência – é que aparece a ele como pássaro, peixe e água, o Espírito de Deus aparecendo como a coisa necessária no momento. Nunca volte a olhar para o mundo ou para “coisas” achando estar necessitando de algo. É o onipresente Espírito de Deus que supre a necessidade, e se for preciso que apareça como dinheiro, aparecerá; se for na forma de alimento, saúde, lar ou companhia, aparecerá. A forma não faz nenhuma diferença, desde que exista a consciência de que a substância da forma é Espírito. A substância de toda forma é Espírito, e o Espírito é onipresente como cada um de nós, apenas aguardando o nosso reconhecimento. Deus é onipresente, mas Deus deve ser reconhecido, pois é o consciente reconhecimento do Espírito de Deus que faz com que Ele Se torne manifesto na forma necessária para o momento.

Uma vez de posse da conscientização de que Deus, Espírito, é a consciência do ser individual e que nada existe separado dessa consciência, notaremos que somos sustidos pelo Espírito de Deus presente nas “folhas” ou na “jangada”, que o Espírito de Deus na moeda é que pagaria a nossa passagem para algum lugar do mundo, que o Espírito de Deus nos pães e peixes é que alimentaria as cinco mil pessoas. Devemos começar a perceber que o suprimento não está no dinheiro, mas no Espírito de Deus que o produz. Isto nunca deve ser esquecido. Não devemos colocar nossa dependência em dinheiro ou ações, mas sempre no Espírito de Deus que os conduz até nós. Se perdêssemos tudo que possuimos num único sopro, aquele mesmo Espírito poderia produzi-lo novamente para nós. Enquanto não nos tornarmos unos com o Espírito de Deus aparecendo como efeito a ponto de nunca mais sermos tentados a acreditar que o poder está no efeito, não encontraremos o Espírito de Deus operando em nossa experiência e permaneceremos sob as flutuações do plano humano, tendo muito hoje e nada amanhã.

Até que haja uma consciência e reconhecimento do Espírito de Deus como a substância, poder e lei de todo efeito, será como se o Espírito de Deus não existisse. Há uma só maneira de experienciarmos a presença e poder de Deus, e esta é através do reconhecimento e conscientização de que o Espírito é a realidade de tudo aquilo que aparece, porém sempre com a compreensão de que a aparência em si não é realidade. O interesse pelo efeito persiste somente enquanto houver a crença de que o poder, a lei e a realidade estejam no efeito. No momento em que existir uma conscientização de que a Consciência, o Espírito de Deus, aparece como efeito, o interesse pelo efeito desaparecerá.

Deixemos que nosso lema seja: Reconhecer o Espírito como o âmago de todo efeito. Não dependamos de pessoas ou coisas, mas coloquemos toda a dependência no Espírito. Observe o Espírito, a Consciência, aparecendo como efeito – a sua consciência aparecendo como forma.

Cont...


quarta-feira, junho 25, 2014

Comentando o capítulo 2

- Gustavo -


O capítulo 2 é intitulado "Construindo a nova consciência". Nele, Goldsmith explica que a maneira de construir ou desenvolver a "nova consciência" é através da prática da Meditação. Para o Caminho Infinito, a oração ou prece são sinônimos de meditação. Meditar é orar. E o que é a meditação? É o contato consciente com Deus. A prática da meditação eleva o estudante em percepção, fazendo com que ele deixe perceber só com a mente humana (mente dualística que nos dota dos 5 sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato, além do sexto sentido: capacidade de ver, ouvir, cheirar e ter contato com seres espirituais) e passe a perceber com a Consciência (Mente divina que discerne a unidade/unicidade de tudo o que existe).

Goldsmith diz que a oração ou prece "não é aquilo que dizemos a Deus, mas aquilo que Deus nos diz". Enquanto estivermos usando a mente dualística (dotada do senso de separação entre "eu" e "Deus", "eu" e o "outro", "eu" e "tudo mais") tenderemos a orar pedindo aquilo que julgamos "não ter". A mente humana dualística percebe a separação e julga que não somos um com Deus ou com aquilo que pensamos necessitar. Por isso, é inevitável que a oração originária da mente humana seja no sentido de pedir a Deus para que conceda algo que não está aqui. Em suma, quando o indivíduo percebe unicamente com a mente humana, ele tem de se dirigir a um Deus que está longe, para informá-Lo de suas necessidades, e lembrá-Lo de cumprir o dever de ser Deus.

Todavia, quando o indivíduo usa a Consciência (ou Mente divina), ele percebe que "Deus e eu somos um", "eu e o outro somos um", "eu já sou um com aquilo que necessito". A Mente divina percebe a Presença de Deus, percebe a unicidade entre todas coisas e, por isso, percebe a provisão. Tudo já está provido! Usando a "Mente divina", o homem não se dirige a Deus, mas deixa que Deus mesmo Se revele e Se expresse. Não é necessário se dirigir ou dizer algo a Deus, pois a Consciência sente a Presença de Deus aqui e agora mesmo. E Deus, sendo onisciente, sabe de todas as nossas necessidades. Por isso, a única preocupação do Caminho Infinito é fazer com que o ser humano se eleve em percepção, abandonando a mente dualística/separativista para, com a Mente Divina, alcançar o espaço onde o homem se percebe sendo um com Deus. Uma vez que isso seja feito, passamos também a receber e vivenciar os benefícios da Presença Divina. E tudo isso é realizado através da Meditação.

Goldsmith ensina que a Meditação requer silêncio e receptividade. Silêncio para ouvir aquilo que a mente humana não consegue ouvir (logo, este silêncio não diz respeito aos sons ou ruídos do ambiente, e sim ao silêncio dos pensamentos e atividades da mente). E receptividade para permitir que o Ser se revele e Se expresse em nosso corpo, nossa mente e em todas as nossas atividades. Esses dois requisitos (silêncio e receptividade) devem ser trabalhados e obtidos em nossas práticas espirituais. Mas Goldsmith advete que, ao se sentar para meditar, a mente não fará silêncio, e que de nada nos adianta tentar aquietar a mente huamana, paralisar os pensamentos ou deixá-los em branco. Não devemos tentar lutar ou interferir, nem desejar que passem ou permaneçam, mas apenas observá-los, impessoalmente. A observação desidentificada dos pensamentos/mente retira da mente a força que ela usa para produzir pensamentos, e logo ela começa a silenciar.

Nessa primeira etapa, Goldsmith não aconselha a prática da mente vazia. Ao invés disso, é muito mais proveitoso dar início à meditação com alguma pergunta ou ideia específica sobre a qual você deseje alguma luz. Isso revela-se mais útil, pois diminui a possibilidade de o praticante pegar no sono durante a meditação. A fixação da mente em uma questão específica ajuda a diminuir os pensamentos dispersos/aleatórios e obter o aquietamento mental, além de possibilitar receber revelações e respostas. A mente deve estar fixada em Deus, nas coisas de Deus (consciência do puro Bem), e receptiva para que a Sabedoria divina se revele em sua própria consciência (essa mesma consciência/mente que você está usando para meditar). A consciência/mente do homem não é nem divina e nem humana. O homem é um ser misterioso/híbrido capaz de perambular entre dois universos (unidade e separatividade), duas percepções. Quando você meditar, deve manter receptividade para que a Sabedoria de Deus se revele na mesma consciência/mente com a qual você deu início à meditação. Uma vez ocorrida a revelação, sua mente não será mais a humana, e sim a divina. E, na Mente Divina, você se perceberá um com Deus.

Toda meditação traz benéfícios ao praticante. Benefícios que atuam em todos os campos e níveis: físico, mental, emocional, espiritual, até o ponto de conduzir a percepção da pessoa às alturas da Consciência. Em geral, as pessoas que meditam necessitam de menos horas de sono, vivem em estado simultâneo de alerta e repouso, são mais atentas, desfrutam de maior equilíbrio emocional, serenidade e paz interior. Além disso, a prática da meditação pode levar o indivíduo a desenvolver/ampliar a inteligência, a intuição e outras faculdades mentais ou psíquicas, chamadas de "siddhis" (poderes espirituais). Esses são os efeitos ou benefícios "superficiais" ou "secundários" da prática meditativa - não são o objetivo principal da meditação. O verdadeiro objetivo da Meditação é propiciar ao praticante a percepção da consciência de unidade com Deus e com a Vida.

Uma vez conscientizada a nossa unicidade com Deus, deixamos de "viver por nós mesmos", e Deus passa a viver "em" e "através" de nós. O homem mergulhado no senso de separação de Deus tem a sensação de existir independentemente, de viver por si mesmo, e realizar tudo por si mesmo. O homem que existe separado de Deus depende de sua própria força, capacidade, inteligência, recursos. O senso de separação de Deus impossibilita que a presença e poder de Deus atue na experiência humana. O meio para "trazer Deus para perto" do ser humano consiste em o homem adquirir a percepção da presença de Deus. Jesus Cristo dizia de si mesmo: "Eu e o Pai somos um", "eu de mim mesmo não faço coisa alguma, é o Pai em mim quem realiza as obras". Por isso, quando o homem entra em contato com o Cristo de seu ser, o Espírito de Deus vivem em nós e passa a realizar todas as obras. Esse Espírito de Deus passa a ser a lei sobre a qual toda a nossa vida se desenrola. As coisas deixam de ocorrer unicamente em função de leis materiais, cármicas (dualidade), passam a se submeter a uma lei mais elevada: a lei do Espírito, da Graça (Unidade).

Goldsmith diz: "É através da meditação que desenvolveremos a conscientização da presença e poder de Deus e passamos a sentir aquela Presença conosco, dia e noite, a nos guiar e proteger." Mais uma vez constatamos a necessidade de praticar a Verdade revelada nesta mensagem, ao invés de ficar apenas na leitura dela. Se quisermos acessar a presença e o poder divinos que estão aqui e agora, devemos pagar o preço de nos dedicar às contemplações e meditações da Verdade. Assim estaremos desenvolvendo ou "construindo a nova consciência".

Namastê!

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segunda-feira, junho 23, 2014

Construindo a nova consciência

DEUS, A SUBSTÂNCIA DE TODA A FORMA
(Joel S. Goldsmith)

Capítulo 2

CONSTRUINDO A NOVA CONSCIÊNCIA

Muitos dos aspirantes ao caminho espiritual passam a experimentar um desenvolvimento interior ou a receber revelações quando começam a compreender o que vem a ser a meditação. Meditação é o método disponível para a construção de uma nova consciência, uma consciência da verdade. Meditação é a nossa forma de prece. Antes, contudo, precisamos entender que a prece não é algo que dizemos a Deus, mas aquilo que Deus nos diz. Os ruídos do mundo têm-nos impedido de ouvir aquela pequena voz suave e receber os benefícios da Presença, assim precisamos aprender a nos tornar silenciosos e receptivos.


APRENDENDO A MEDITAR

O objetivo da meditação é obter a conscientização da presença de Deus – uma conscientização de nossa unidade com Deus que nos dê uma visão real da verdade do ser. Embora a meditação bem sucedida requeira silêncio e receptividade, nunca devemos tentar aquietar a mente humana, paralisar os pensamentos ou deixa-los em branco. Isto não pode ser feito. Se no início da meditação surgirem pensamentos desordenados, devemos deixar que eles venham; não nos perturbaremos por eles. Tais pensamentos são do mundo e não nossos pensamentos. Tomemos a atitude de ficar sentados observando-os. É preciso que os vejamos impessoalmente. Logo eles não poderão mais perturbar-nos e poderemos nos sentar e ficar em paz.

Há muitas escolas ensinando métodos adequados de meditação, contando com algum processo delineado para os principiantes. Se for lembrado que durante a meditação toda a nossa atenção estará focalizada em Deus e nas coisas de Deus, é fácil perceber que se o corpo estiver numa posição confortável, aquela atenção não se desviará inconscientemente para ele. Não nos esqueçamos, porém, de que a postura assumida ou o método empregado não é o importante. Qualquer processo adotado visa somente facilitar-nos reter a atenção em Deus e tornar receptivos ao infinito poder de nossa própria consciência. Sejamos pacientes na meditação, procurando superar qualquer senso de inquietação.

Nenhuma verdade que já não conheçamos nos será dada do exterior, mas a luz que incide sobre aquela verdade no interior de nossa Alma torna-a aplicável em nossa experiência. A verdade que parece vir do exterior é um raio da verdade, mas este raio imbuído da própria consciência torna a nós mesmos e a todos os que vêm à sua faixa de ação a “luz do mundo”. “E eu, quando for levantado às alturas, atrairei todos a mim.” (João 12: 38). A meditação, sendo uma consciência da presença de Deus, poderá erguê-lo ao lugar de apreensão da palavra da Verdade em seu sentido interior. Não se torne impaciente quanto ao seu progresso. Você está a aprender um novo modo de viver e está a desenvolver uma consciência inteiramente nova da existência.


UMA CONSCIENTE EXPERIÊNCIA

A meditação é uma experiência consciente. Aqueles que têm dificuldades em meditar e chegam às vezes a dormir não estão fazendo dela uma experiência consciente. Não tente paralisar o processo de pensar durante a meditação. Nada há de errado com o pensamento. Na verdade, até pode ser útil dar início à meditação com alguma pergunta ou ideia específica sobre a qual você deseja alguma luz, e assim, não haverá possibilidade de dormir. Pode ser que sua meditação tenha por objetivo receber orientação para aquele dia. Nesse caso, aquela questão seria levada à meditação e por ser pronunciada ou pensada, iria deixa-lo consciente do fato de estar meditando para receber orientação. Você não irá conseguir dormir mantendo a mente aberta e a espera de instrução.

Do mesmo modo, se antes da meditação sua mente voltar-se para os seus negócios, ou os negócios de seu marido, você não dormirá. Você estará meditando com a ideia de receber uma revelação de Deus, uma revelação da Sabedoria interior alojada em seu ser. Aquela Sabedoria poderá dar a você ou ao seu marido, pai ou filho, um envolvente sentido de proteção.

Você não poderá sentir sonolência enquanto medita, se compreender que a meditação é uma atividade consciente de sua mente e Alma. Não pode ser um sentar de forma indolente que diz: “Muito bem, Deus, siga em frente”. E é o que fazem muitos dos metafísicos que se dizem tentados a dormir. Se o estudante dorme enquanto medita, isto se deve ao fato de ele não perceber que deve estar alerta para algo específico, para receber alguma orientação interna, alerta para ouvir a voz de Deus. Devemos nos dirigir ao Ego interior com a atenção focalizada em algo específico, em alguma ideia específica sobre a qual Deus tenha algo a nos revelar: “Aqui estou, Pai, alerta e desperto para Tua orientação.”


O SONO COMO UM REPOUSO NA CONSCIÊNCIA

Tenho observado, neste trabalho, que quanto mais próximos estivermos do sentido espiritual da existência, menor será o tempo de sono requerido. De minha própria experiência e da experiência de outros que estão há algum tempo nesse caminho, foi notado ser quase impossível dormir continuamente durante oito horas. É possível que, dentre as vinte e quatro horas, nós consigamos dormir as oito horas, se houver a oportunidade, mas raramente iremos dormi-las consecutivamente. Após duas ou três horas nós despertamos, e, dependendo de como este período em que estamos despertos é tratado, podemos obter algum desenvolvimento, ou algum sentido de paz ou de harmonia. Porém, se esses períodos forem combatidos e forem feitos esforços para voltar a dormir, eles não trarão benefício algum. Somente quando aquele acordar for aceito como atividade da Sabedoria divina e houver boa vontade e paciência suficiente para permitir àquela Sabedoria revelar-Se, é que será visto ser aquele período o mais benéfico dentre as vinte e quatro horas.

Outro aspecto interessante é que quando o despertar no meio da noite é proveniente da atividade espiritual da consciência, mesmo que diminuam as horas de sono a que estamos acostumados a ter, no dia seguinte não sentiremos qualquer sinal de fadiga. Vim observando isso por muitos anos, em minha experiência e na de homens de negócios, donas de casa e pessoas de diversos ramos de atividade, e sei que quando a consciência espiritual provoca os períodos despertos durante a noite e eles são aceitos alegremente como oportunidades para a manifestação de paz e harmonia, o dia seguinte é preenchido pela consciência do Espírito divino que supera qualquer sensação de fadiga.

Os que se encontram neste caminho necessitam de muito poucas horas de sono para exercerem suas atividades. A razão disso é que tais pessoas conseguem obter os benefícios do sono mesmo quando estão despertos. O sono não passa de uma forma suave de morte ou inconsciência; é uma perda de consciência, e esta é uma porta próxima da morte, ou ao menos um degrau a menos rumo a ela.

Do ponto de vista do Espírito, contudo, o sono não é um estado de inconsciência, mas é um repouso na consciência. O pensamento é preenchido com o Espírito, com a compreensão espiritual, com um sentido real do Espírito do Cristo, que traz como consequência uma pessoa bem desperta, cheia de vitalidade, quase elétrica. Na realidade, o que estamos a fazer neste trabalho é entrar em contato com o Espírito do Cristo; o Espírito que é Deus e que torna a pessoa vivaz e dinâmica. O sono nada tem a ver com a vivacidade, mas o repouso – o repousar na consciência – tem muito a ver com ela. E é como podemos receber o influxo total do repouso mesmo quando estamos acordados.


O NASCIMENTO DO CRISTO NA CONSCIÊNCIA INDIVIDUAL

Através da meditação nós abrimos a nossa consciência ao fluxo da Verdade e nos tornamos uma transparência para o surgimento do bem infinito no mundo. Perdemos aquele senso de que nós, como pessoas, podemos realizar algo e passamos à compreensão de que o Cristo, o Espírito de Deus, vive em nós e realiza todas as obras. Quem produz, causa, anima e permeia toda forma e creação é o Espírito. O Espírito é a lei sobre todo efeito.

Nós precisamos conscientizar a presença e poder de Deus agindo e aparecendo como nossa consciência individual, e saber que esta consciência é a lei, substância e realidade de nosso universo, seja na forma de nosso corpo, nosso negócio ou nosso lar. Nossa falha tem sido em não reconhecer esta verdade e nossa falta de reconhecimento vem da mente humana, que se rebela por tal verdade aniquilar o suposto poder que ela tem assumido.

Considerando que o Cristo é a revelação da unidade de Deus e Sua creação, vamos ponderar sobre o sentido espiritual do nascimento de Jesus registrado na Escritura. Jesus nasceu numa manjedoura, provavelmente o mais baixo nível daquela época. Esta manjedoura pode ser interpretada como símbolo da mente humana, o nível mais baixo em que pode o Cristo nascer. Quando o pensamento humano é desperto para ir em busca de luz o alcance torna-se maior e, provavelmente, é então que o Cristo cresce nesse “estábulo” da mente humana.

O bebê, Jesus, foi envolto em panos, e assim também é feito conosco quando o Cristo começa a nascer na mente humana. Ele é envolto nas mais suaves verdades; é vestido com os mais simples pensamentos que pudermos alimentar para o nosso crescimento e desenvolvimento, até passar o perigo de “Herodes” que ameaça destruí-lo – até que tenhamos crescido a uma compreensão tal que as perguntas e dúvidas do mundo não venham mais a nos oprimir. O pensamento humano irá sempre se esforçar para destruir o Cristo.

José e Maria conduziram seu pequeno filho ao Egito, onde o mantiveram escondido até passar a fase de perigo da destruição. Esta é uma grande lição de sabedoria para nós. Devemos esconder esta doce verdade, não a mostrando em palavras, mas somente em efeitos. Não devemos sair pronunciando-a, mas deixar que ela apareça da mesma forma com que apareceu a Jesus aos doze anos de idade, quando maravilhou os rabis do templo com sua sabedoria. Doze anos após o nascimento de Jesus é que Cristo tornou-Se manifesto.

Assim, também, após nove anos de sua iluminação é que Paulo saiu a pregar e ensinar. O Cristo recém-nascido não deve ser exposto nas avenidas e ruas, mas deve crescer e ser fortalecido em nossa consciência, e então veremos que não serão necessários os proselitismos. O mundo irá sempre opor resistência ao ensinamento da unidade, onipresença e onipotência, mas quando a presença do Cristo tiver sido sentida, nós poderemos falar d’Ele sem risco de perdê-Lo.

O melhor é manter essa verdade dentro de nosso próprio ser e deixar que ela se torne visível ao mundo através dos resultados, em vez de sair a pregá-la. É surpreendente como o mundo percebe o que está-se passando sem que tenhamos dito algo a respeito. O próprio Cristo, o próprio Espírito de Deus, manifesta-Se como a paz de nosso ser, como a prosperidade de nosso bolso e como a alegria de nossas faces. E é então que o mundo reconhece que nós possuimos algo e é quando o trabalho de cura se processa sem que façamos uso de pensamentos – “não pela força, nem pelo poder, mas por meu Espírito” (Zacarias 4: 6), que age através da mente serena por nós encontrada.

É através da meditação que desenvolvemos a conscientização da presença e poder de Deus e passamos a sentir aquela Presença conosco, dia e noite, a nos guiar e a nos proteger. O nosso trabalho visa a conscientização de que “Eu e o Pai somos um” (João 10: 30), e que onde eu estou, Deus está presente. Quando esta conscientização é atingida, nenhuma diferença fará para nós que tipo de quadro nos estará sendo apresentado:

Há uma Presença e um Poder instantaneamente acessíveis a mim. Onde eu estou, Deus está, portanto, o lugar onde eu estou é solo sagrado. “Para onde irei a fim de me subtrair ao teu Espírito? E para onde fugirei da tua Presença? Se subo ao céu, tu lá estás; se desço ao inferno, nele te encontras” (Salmos 139: 7-8) Mesmo que eu desça ao inferno, esta Presença estará lá. Podem vir problemas, pecado, doença, falta ou limitação. A natureza do quadro não me interessa, pois sempre me recordo: “Tu lá estás”, e consequentemente este é solo sagrado. Como poderia eu sair de Tua presença, se este EU é Deus?

Cont...


sexta-feira, junho 20, 2014

Comentando o Capítulo 1


- Gustavo -


Aos que estão acompanhando e estudando esta série de ensinamentos iluminados do Caminho Infinito, seguem algumas reflexões importantes para melhor entendimento do assunto:

1 - Inicialmente, é importante compreender, como diz Joel Goldsmith, que "a palavra escrita (leitura destes textos) é a parte menos importante deste trabalho. O que não é escrito ou falado é o maior ensinamento". Isso significa que o propósito destes ensinamentos não é fazer com que o estudante adquira cada vez mais conhecimentos sobre "misticismo", "metafísica", "transcendência" ou "iluminação", e sim fazer com que a pessoa se volte (em meditação) para o seu interior, onde reside o Eu divino de cada um.

O propósito deste ensinamento é conduzir o indivíduo para a prática, e não meramente fornecer informações "bonitas" ou "profundas" para agregá-las ainda mais ao intelecto do aprendiz. No interior de cada um reside "aquilo que não é escrito ou falado", ou seja, a nossa unicidade com Deus. Você nunca irá encontrar Deus em um livro, apenas teoria. Se quiser encontrar Deus, conhecer Deus, você deverá voltar-se para dentro de si mesmo e encontra-Lo no “lugar secreto”. E, a fim de poder conhecer e entrar em contato com a Força/Inteligência que está oculta dentro de nós, é extremamente necessário o leitor habituar-se a pôr em prática as verdades reveladas nestes ensinos. Como? Indo ao silêncio meditativo... colocando-se em estado receptivo... e fazendo contemplação e ponderação dessas verdades. Então elas serão reveladas.

Recomendamos fortemente que o leitor não fique preso/acomodado somente às leituras dos ensinamentos do Caminho Infinito, mas pratique dedicadamente as meditações. Basta que a pessoa sinceramente decida-se a meditar e praticar. Mesmo que a princípio ela não saiba direito o que fazer, se estiver devotada a conhecer a Verdade, será orientada a partir de dentro e irá progredir. Há uma Presença divina que nos acompanha e orienta em nosso desenvolvimento espiritual. Experimente e comprove!

2 - Os ensinamentos do Caminho Infinito nos proporcionam dois resultados: o despertar do ser humano para uma consciencia iluminada (que é o objetivo principal do ensinamento) e o poder de efetuar  a cura espiritual (que é obter melhorias/prosperidade em todos os aspectos e campos da vida: saúde, dinheiro, harmonia nos relacionamentos familiares, negócios, etc.). Adquirir o poder de curar espiritualmente não é o foco principal do ensinamento passado no Caminho Infinito, mas Goldsmith afirma que, a partir do desenvolvimento ou despertar da consciência iluminada, as curas espirituais começam a ocorrer naturalmente como decorrências. A fim de podermos obter os resultados/frutos prometidos por este ensinamento, Joel Goldsmith diz ser imprescindível que o estudante adquira a consciência do bem. Isso implica dizer que o estudante deve eliminar de sua mente/consciência a ideia de que o mal é uma força real.

É imprescindível ter em mente a convicção de que Deus é o bem, e que o mal não faz parte da criação de Deus. Deus somente está relacionado às forças do Bem, Amor, Sabedoria, Harmonia, Vida, Alegria, Inteligência, Força, Liberdade, Verdade, Beleza, Paz, Luz, Plenitude e Abundância de tudo o que é bom e perfeito. Enquanto a mente do indivíduo estiver retida com ideias de que "Deus criou o bem e o mal", ou relacionar Deus ao mal de qualquer modo que seja, a consciência do estudante ainda não terá se tornado uma transparência para permitir fluir o poder do Espírito. Portanto, para este ensinamento, Deus não criou doenças, dores, sofrimentos, misérias e demais imperfeições que a mente dualista imagina experienciar. Deus é  perfeito e, decorrente d'Ele, somente um universo de infinita perfeição foi criado. Neste exato momento, somente existe Deus e o que vem de Deus. E o que não foi criado por Deus não existe.

Goldsmith explica que, inicialmente, ao praticar esta verdade, pode parecer que o estudante está programando a si mesmo mentalmente para acreditar somente na existência do bem. Todavia ele diz que, à medida que a pessoa for se aprofundando no ensinamento, assimilando as verdades reveladas, ela constatará (e experienciará!) a veracidade da afirmação de que "Deus é o bem e a perfeição, o mal e a imperfeição não foram criados por Deus" em nível transcendental, acima e além da mente.  Goldsmith diz: "O grau de aceitação desta verdade corresponderá ao desenvolvimento do Cristo de sua própria consciência, ao desenvolvimento de seu conhecimento de que a plenitude do Cristo constitui o seu ser."

3 - As recomendações acima são feitas a fim de que o estudante possa chegar ao ponto de conhecer Deus como sendo a sua consciência individual. A consciência individual é aquilo dentro do qual tudo está aparecendo. Neste exato instante olhe e contemple todo o universo que está a sua volta: seu corpo, sua sala, os objetos, as pessoas, o céu, a lua, as estrelas e os planetas, o universo inteiro... tudo está aparecendo dentro da sua consciência. Se sua consciência não estivesse presente para testemunhar a ocorrência de todos esses eventos, eles não existiriam. Você não existe como um ser minúsculo (um corpo físico) preso dentro de um universo mais amplo, ao invés disso o universo é que está existindo dentro de você, EM você, em sua consciência. Isso é possível porque o Ser que você é é sem-espaço e sem-tempo. O universo existe apenas porque primeiro você existiu como o observador. Essa consciência que permite a existência de todas as coisas é Deus. E ela transcende o tempo, o espaço, o seu corpo e a sua mente. O Caminho Infinito afirma que Deus é a nossa consciência individual e nos ensina a alinhar essa consciência com a natureza de Deus, a fim de que possamos acessar as qualidades e atributos divinos que existe no Infinito que está dentro de nós. Essa Consciência infinita e invisível é a fonte de todo o poder, saúde, prosperidade, alegria. Por isso, Goldsmith afirma: "Habitue-se a conscientizar que o poder, a qualidade, a quantidade e a realidade nunca estão naquilo que está formado, mas que realmente estão no Princípio, Alma ou Consciência que produz toda forma existente."

4 - À medida em que formos progredindo neste ensinamento, aprendemos cada vez mais a tomar como ponto de partida o princípio de que "Eu e o Pai somo um" e que, em decorrência disso, tudo o que nos é necessário já está sendo proporcionado por Deus. Deus já atendeu todas as nossas necessidades, antes mesmo que nós as conhecêssemos, desde antes que este universo existisse. A bem-aventurança e a plenitude de tudo são condições naturais do filho de Deus, e estão sendo cumpridas aqui e agora! Por isso Goldsmith diz que, quanto mais próximos nos tornamos deste estado de consciência, cada vez mais deixamos de agir ou desejar as coisas para nós mesmos. Ao invés disso, mudamos de lado e passamos a servir ao próximo ou ao mundo inteiro.

Goldsmith diz: "Em momento algum Jesus estava buscando a sua própria demonstração: ele vivia num senso de doação, de ser uma transparência de bem para o mundo. O Cristo não pode entrar numa consciência que está em busca de algo para si mesma. A nossa missão no mundo está em sermos uma transparência para o bem. O “eu” que procura algo para si não é o Filho de Deus, pois o Filho é herdeiro de Deus e co-herdeiro com o Cristo, e o Filho está sempre cônscio de que tudo que é do Pai também pertence a Ele. Sendo assim, como poderia existir algo que o Filho desejasse buscar para si?".

Além disso, Goldsmith diz que: "Na construção desse novo estado de consciência, nós não podemos pretender buscar por algo, pois devemos começar a conscientizar que “somos herdeiros de Deus e co-herdeiros com o Cristo” (Romanos 8: 17),  e dessa maneira somos aquele exato local em que a totalidade de Deus está jorrando".

Nosso ser pode ser comparado a um grande duto ou canal de água, e a totalidade de Deus está jorrando através de nós. Estamos sempre preenchidos. Precisamos nos acostumar com a ideia de que a totalidade de Deus (ou seja, tudo o que Deus é) existe dentro de nós, e está jorrando (disponível) através de nós. Tudo já está feito! É importante ter essas verdades como ponto de partida em nossas práticas espirituais. Se partirmos do fato de que "algo precisa ser feito", nossa prática espiritual será infrutífera. Goldsmith nunca enxergava a falta, a carência, e sim a presença da abundância de tudo o que Deus é. Quem quer que fosse, para onde quer que ele olhasse – tudo já estava suprido. Tenhamos isso sempre em mente, pois, este é um parâmetro que nos permitirá avaliar se estamos alinhados ou não com este ensinamento iluminado.

Feitas essas ponderações, sigamos em frente com estes ensinamentos do Caminho Infinito.

Namastê!

quarta-feira, junho 18, 2014

O Desenvolvimento Individual da Consciência

DEUS, A SUBSTÂNCIA DE TODA A FORMA
(Joel S. Goldsmith)

- Capítulo 1 -

O DESENVOLVIMENTO INDIVIDUAL DA CONSCIÊNCIA

A missão principal de “O Caminho Infinito” visa o desenvolvimento interior, a revelação da verdade do íntimo de nosso próprio ser. A palavra escrita constitui a parte menos importante deste trabalho; o que não é escrito ou falado é o maior ensinamento.

Os mestres humanos são apenas uma ajuda temporária nesse caminho. Somente do interior vem a iluminação que dá a alguém a possibilidade de curar e de ser capaz de ensinar que “o reino de Deus está dentro de vós” (Lucas 17: 21), e que você é a expressão de Deus. O mestre verdadeiro recebe a inspiração e a iluminação e consegue transmitir por possuir a conscientização de que “eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma... o Pai, que está em mim, é quem faz as obras” (João 5:30; 14: 10). Portanto, esse “Pai interior” surge como uma Presença impessoal a despertar o pensamento receptivo à divindade do indivíduo. “E serão todos ensinados por Deus” (João 6: 45).

A minha unidade consciente com Deus torna-me um com todos os que são capazes de receber a Palavra neste nível de consciência. Sua consciente unidade com Deus o torna receptivo e responsivo a toda verdade. Onde houver um pensamento receptivo, Deus fala. Onde houver um ser espiritual manifesto, Deus está presente. Como Deus manifesta e exprime Seu próprio ser como você, você é tão infinito quanto Deus – não apenas uma pequena parcela de Deus. Deus não se divide, mas manifesta, expressa, revela, desenvolve e mostra a Si próprio como você e como eu. É um estado de Cristo-consciência em que Deus fala, Deus se movimenta e Deus age.

Quando eu falo ou escrevo sobre a Verdade, aquilo vem a ser a menor parte da atividade que se passa em minha consciência. Sempre, como um mestre da verdade, a minha consciência está alerta, desperta e transcende a tudo referente à mensagem da verdade que eu possa transmitir. Aquela Consciência, que é a divindade de meu ser, é também a divindade de seu ser; é a sua Consciência divina despertando-o rumo ao conhecimento de sua natureza, caráter e qualidades divinas.


SEGUINDO O CAMINHO ESPIRITUAL

Aqueles que, em certa medida, tiveram a capacidade de receber a luz, certo desenvolvimento e revelação interior, perceberão que devido àquela experiência nunca mais serão os mesmos novamente. A partir de então, será como se tivessem tocado um Centro infinito de sabedoria e conhecimento, uma Presença infinita que orienta, guarda, dirige, protege, mantém e sustém. Porém, aqueles que estão nesse caminho sem ter tido ainda esta experiência, irão tê-la, pois está escrito: “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós” (João 15: 16). Deus os trouxe a este local de desenvolvimento e não permitirá que se desviem desse caminho até que recebam a iluminação.

Seguir o caminho espiritual, contudo, exige perseverança, pois este não é um caminho fácil. “Porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos há que a encontrem” (Mateus 7: 14). Há experiências neste caminho, muitas experiências. Não é um caminho de rosas sem espinhos. Você pode ter imaginado o porquê, após Deus ter-Se feito evidente em sua experiência, de sempre aparecer uma dor ou um sofrimento, um problema ou uma desgraça. Mas eu posso testificar que algumas de nossas maiores experiências vêm mesmo após o nosso ingresso nesse caminho, e são exatamente essas experiências que nos forçam a sair do senso físico da existência, rumo à consciência espiritual da vida e da forma.

A trilha espiritual é uma trilha de serviço. Nós somos não somente “servos do Senhor”, mas também servos dos outros que estão juntos no caminho. Neste trabalho, não iremos encontrar o mundo esperando para nos servir, mas veremos que na verdade nós é que somos os servos. O Mestre mostrou-nos essa lição de serviço e humildade quando lavou os pés de seus discípulos. Enquanto nós, na época atual, não somos chamados para servir daquela forma, servimos de muitas outras maneiras. Quem conhece homens e mulheres que receberam a iluminação, irá reconhecer que suas vidas são de devoção, não somente a Deus, mas àqueles que lhes vêm em busca de ajuda, que buscam cura ou iluminação.


O CAMINHO INFINITO E OS OUTROS ENSINAMENTOS

Cada um de nós tem buscado uma compreensão de Deus através de alguma forma particular de estudo. Qualquer que fosse a organização religiosa ou ensinamento, aquilo vinha agir como um degrau para nos elevar à compreensão dos ensinamentos do Mestre. Embora às vezes nós apontemos as diferenças entre “O Caminho Infinito” e os outros acessos à verdade, lembramos que isto é feito sem qualquer senso de crítica ou julgamento. Não pode haver qualquer julgamento deles – somente amor e honra para com todos. O mesmo é verdadeiro em relação à medicina. Os médicos e enfermeiros estão devotando suas vidas para ajudar a humanidade conforme a visão própria deles, e no plano físico realmente nós sentimos o progresso deles, razão pela qual só lhes dedicamos amor e respeito.

Uma das grandes diferenças entre esta mensagem de O Caminho Infinito e aquela de certos metafísicos está no fato de não considerarmos que uma Mente divina, um Amor divino ou alguma outra coisa venha até você para realizar-lhe algum desejo. O Caminho Infinito ensina que Deus é a própria Consciência divina do seu ser e constitui a lei sobre o seu ser: esta lei é única e é a lei do amor. Outro fator que nos difere das outras mensagens é que nós não atribuímos poder algum àquilo que muitos chamam de “mente mortal”. Não é raro ouvirmos a expressão: “Estou imaginando o que a mente mortal irá fazer-me hoje”. E ela acaba por fazer mesmo!

Durante certo tempo foi bastante falado e aceito que existiam causas mentais para as doenças físicas. Eram circuladas algumas listas, indicando que se alguém estivesse com reumatismo, ele era causado por ressentimentos; se fosse câncer, a causa era ódio ou ciúme; e, qualquer que fosse o sintoma, sua causa seria esta ou aquela tendência mental ou emocional. Nós, porém, não aceitamos esses argumentos como verdadeiros.

Dentro da crença humana, sem dúvida alguma, eles são reais. Hoje em dia, até a medicina propaga que o excesso de preocupações poderá levar à úlcera, e provavelmente isso é verdade no plano puramente humano. Mas nada disso tem a ver com o ensinamento de O Caminho Infinito, onde a doença não apenas não possui nenhuma causa, mas também não consideramos a existência de nenhuma lei de doença.

Nada existe que venha a nos provocar algo. Não, trata-se de alguma crença universal que no momento nós estamos aceitando. Por ignorância, nós acabamos por aceitar a crença universal numa egoidade apartada de Deus. A nossa função não está em examinar o próprio pensamento tentando descobrir qual atitude mental errada temos mantido, mas sim em medir a extensão com que estamos aceitando as crenças universais e conscientizar que todas elas são sugestões mesméricas, sendo que a nossa mente, a única que existe, não pode ser um instrumento para mesmerizar ou ser mesmerizado. Com esse procedimento, nós retiramos o poder daquele falso senso e adquirimos a consciência do único Poder e única Presença.

Existe tão somente um Eu, ou Ego, uma Consciência, embora Ela apareça como sendo você ou eu, e este é mais um ponto vital a nos diferenciar de outros ensinamentos correntes. O Caminho Infinito ensina que não somos um efeito, uma ideia, uma manifestação ou um reflexo: “Eu sou a luz do mundo... Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (João 8: 12; 14: 6). Há somente um Eu. Mesmo que este Eu apareça como você ou como eu, continua sendo o mesmo Eu.


O CAMINHO INFINITO, UM CAMINHO DE VIDA

Esta mensagem é denominada O Caminho Infinito.  É um nome que nada significa para o mundo, exceto para os que são familiares a este ensinamento, para os que sabem que O Caminho Infinito é realmente um caminho de vida que conduz ao desenvolvimento da própria consciência. O Caminho Infinito é isto: um caminho de vida que conhece Deus como a consciência infinita, e o trabalho dos aspirantes a ele é o de se manterem em conformidade com seus princípios. Para que possamos demonstrar as harmonias da vida é preciso adquirir a consciência do bem.

Neste ensinamento, não acreditamos que um efeito possa constituir nosso suprimento e tampouco acreditamos que um corpo físico saudável constitua a saúde. O caminho espiritual nos leva à consciência de vida, deixando-a produzir tanto o suprimento quanto a saúde. Este caminho não é um método de demonstração de suprimento ou saúde, mas um caminho para demonstrar a consciência da presença de Deus e deixar que esta Consciência faça manifestar o suprimento e a saúde. Passo a passo vai-se desenvolvendo o nosso caminho. Talvez nem sempre possamos visualizar o projeto completo, mas caminhando em frente passo a passo, sucessivamente, o quadro todo virá inevitavelmente a ser manifesto.


A INFLUÊNCIA FERMENTADORA DA VERDADE

Todo ensinamento metafísico traz um grande objetivo – alcançar, em alguma medida, a consciência de Deus. Até este ponto O Caminho Infinito pode concordar. Contudo, ele difere da crença teológica tradicional que ensina ser o paraíso um lugar a ser atingido somente após a morte. Todos os ensinamentos metafísicos sabem da possibilidade de o paraíso ser atingido aqui e agora. Em todos eles, sejam seus métodos iguais aos nossos ou não, a intenção é a realização da cura espiritual e da atuação de Deus na experiência individual – em nosso corpo, nosso negócio, em nossa vida familiar – e nas atividades do mundo.

Num curto espaço de tempo, os escritos de O Caminho Infinito foram largamente distribuídos e postos em circulação pelo mundo. Quando lidos com a mente aberta, são aceitos não comente pelos metafísicos independentes ou por integrantes de movimentos metafísicos organizados, mas até mesmo pelos membros das igreja ortodoxas. Nestes textos, aqueles dotados de objetivos espirituais estão descobrindo uma base comum de encontro. A verdade contida na mensagem está rompendo e dissolvendo preconceitos, intolerâncias e aversões entre as crenças religiosas. Na conscientização de Deus como Consciência, a Consciência do ser individual, torna-se impossível a permanência de preceitos raciais ou religiosos, bem como inimizades, temores ou intolerâncias. Tais elementos somente podem existir enquanto perdurar a crença numa egoidade apartada de Deus.

Toda verdade contida nesta mensagem é realmente a Verdade dita por Si, e a sua influência fermentadora trará por fim a união de todos à conscientização da unidade da Consciência. Esta união não se refere a um sentido de organização, mas trata-se de uma junção na abertura de nossa própria consciência rumo à unidade do ensinamento da verdade; uma união no sentido considerado por Jesus, quando falou a seus discípulos: “Porque quem não é contra nós, é por nós” (Marcos 9: 40). Os metafísicos do mundo tentam a sua unificação pela compreensão de Deus como Onipresença. O ensinamento de todos eles é fundamentado no postulado de que Deus é a mente individual, Deus é a vida individual, Deus é a Alma individual. Portanto, não deveria haver nenhum senso de divisão entre eles, tampouco algum sentimento de que um deles é melhor que o outro ou possui mais verdade do que esse outro. Tão logo exista um sentimento de superioridade ou de comparação, a consciência não se encontrará aberta à unidade e universalidade da verdade.

Você nunca irá encontrar Deus em um livro. Se quiser encontrar Deus, conhecer Deus, você deverá voltar-se para dentro de si mesmo e encontra-Lo no “lugar secreto”. Você não poderá ver Deus, mas tomará consciência de Deus dentro de seu próprio ser; poderá perceber e sentir a Sua presença. Enquanto os seus pensamentos estiverem no exterior – nas coisas que você vê, ouve, prova, toca ou cheira – você não poderá trilhar o caminho espiritual, o caminho infinito, pois não se pode ver, ouvir, provar, tocar ou cheirar a realidade do ser, a creação de Deus.

O objetivo desses escritos e de todo estudo sobre eles não é apenas obter conhecimentos sobre a verdade. O conteúdo das mensagens sobre a verdade do ser é tão simples que até as crianças conseguem facilmente entende-la. Você inclusive irá notar que três quartos de tudo que for lido sobre a verdade será esquecido, quando aquele senso de Deus como sendo Onipresença tornar-se aparente. É este o objetivo de seu estudo: elevar a consciência ao ponto em que aquele senso de Onipresença seja atingido. Com esta meta alcançada, o trabalho de cura passa a ser realizado com um sorriso, e não com esforço mental. O suprimento, a integridade, a plenitude – tudo isso vem a nós apenas com um sorriso. É um sorriso especial, vindo de Deus, como que conhecendo que aquilo aparecendo como um ser humano é nada, e, ao mesmo tempo é tudo, se visto sob o ângulo da identidade espiritual. Habitue-se a conscientizar que o poder, a qualidade, a quantidade e a realidade nunca estão naquilo que está formado, mas que realmente estão no Princípio, Alma ou Consciência que produz toda forma existente.


UM “ODRE NOVO”

“E ninguém deita vinho novo em odres velhos... o vinho novo deve ser deitado em odres novos.” (Marcos 2: 22) Precisamos desenvolver um “novo odre” completo, um novo estado de consciência, e para isso principiamos por eliminar todo o conceito material. Isto não pode ser feito num único salto; é um trabalho para todo o tempo de vida, pois envolve uma mudança completa de consciência.

Não tente colocar vinho novo em odres velhos. Não tente semear as sementes dessa inspiração em solo pedregoso ou espinhoso. Se fizer isto, elas se perderão. O solo deve ser preparado; uma consciência espiritual precisa ser desenvolvida. A preparação exige muita paciência e o anseio de sentar-se a sós para ponderar esta ideia da consciência individual como a causa, a lei e o poder de cada ser. Você consegue perceber que a totalidade de Deus está aparecendo como você e que a totalidade de Deus está aparecendo como o seu próximo? O grau de aceitação desta verdade corresponderá ao desenvolvimento do Cristo de sua própria consciência, ao desenvolvimento de seu conhecimento de que a plenitude do Cristo constitui o seu ser. O desenvolvimento do Cristo leva à conscientização da Presença, à consciência de haver uma orientação que vem de dentro, da existência de um infinito Ser interior que segue sempre à frente e que está consciente até mesmo quando você dorme. Esta conscientização lhe trará a certeza de que superior a qualquer condição ou circunstância humana é este consciente estado da natureza infinita de sua própria consciência, que permanece sempre no centro de seu ser apenas aguardando o seu reconhecimento.

Para este trabalho, cada palavra dita pelo Mestre deve ser aprendida e aceita como lei. Uma só passagem poderia mudar a sua experiência, mas para uma nova consciência integral ser conseguida, devemos tomar cada uma das passagens dadas pelo Mestre-Cristão e utilizá-las conscientemente. Mais do que qualquer outro profeta ou vidente ele deu ao mundo ocidental o segredo da vida espiritual. Para exemplificar, leia o ensinamento do Mestre sobre a futilidade de se manter com ansiedades (Lucas 12: 22-32):

“Não estejais apreensivos pela vossa vida, sobre o que comereis, nem pelo corpo, sobre o que vestireis. Mais é a vida do que o sustento, e o corpo mais do que o vestido.

Considerai os corvos: eles não semeiam nem colhem; eles não têm dispensa nem celeiro; e Deus os alimenta: quanto mais valeis vós que as aves?

E qual de vós, sendo solícito, pode acrescentar um côvado à sua estatura? Se, pois, não sois capazes de fazer estas pequenas coisas, por que vos preocupais com as outras?

Considerai os lírios, como eles crescem: eles não trabalham, nem tecem; e na verdade vos digo que nem Salomão, em toda sua glória, jamais se vestiu como um deles. E se Deus assim veste a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada ao forno, quanto mais vestirá a vós, ó homens de pouca fé? 

Não pergunteis, pois, o que haveis de comer, ou o que haveis de beber, nem andeis inquietos. Pois todas as gentes do mundo buscam essas coisas; mas vosso Pai sabe que delas haveis mister. Buscai antes o reino de Deus, e todas estas coisas vos serão dadas de acréscimo.

Não temais, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino.”

Adquira a consciência de que “vosso Pai sabe que haveis delas mister”,  e assim sempre que você for tentado a ficar apreensivo, pensando no trabalho do próximo ano, na casa ou nos alimentos, virá à sua lembrança que “a vosso Pai agradou dar-vos o reino”. Faça a si mesmo a pergunta seguinte: “Estou vivendo nesta consciência de ‘não estar apreensivo’?” Lembre-se da questão apresentada pelo Mestre: “E qual de vós, sendo solícito, pode acrescentar um côvado à sua altura?... Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos.” (Isaías 55: 8). Os pensamentos de Deus não são os seus pensamentos, assim por que ficar apreensivo? Em vez disso, olhemos para este universo passando a compreender que todo ele é sustido e mantido pelo Poder divino que o creou. Mas é isso que temos feito? Não; nós construímos uma entidade separada, uma egoidade apartada de Deus, que precisa de provisões e cuidados, e devotamos a vida toda para sustenta-la.

Jesus disse: “O Meu reino não é deste mundo... A minha paz vos dou.” (João 18:36; 14:27).  Em momento algum Jesus estava buscando a sua própria demonstração: ele vivia num senso de doação, de ser uma transparência de bem para o mundo. O Cristo não pode entrar numa consciência que está em busca de algo para si mesma. Deus não pode ser utilizado com o propósito de se conseguir um progresso puramente humano. A nossa missão no mundo está em sermos uma transparência para o bem. O “eu” que procura algo para si não é o Filho de Deus, pois o Filho é herdeiro de Deus e co-herdeiro com o Cristo, e o Filho está sempre cônscio de que tudo que é do Pai também pertence a Ele. Sendo assim, como poderia existir algo que o Filho desejasse buscar para si?


O INFINITO JORRA SOBRE NÓS

Na construção desse novo estado de consciência, nós não podemos pretender buscar por algo, pois devemos começar a conscientizar que “somos herdeiros de Deus e co-herdeiros com o Cristo” (Romanos 8: 17),  e dessa maneira somos aquele exato local em que a totalidade de Deus está jorrando. Tendo esta Cristo-consciência desenvolvida, também nós seremos capazes de alimentar cinco mil pessoas, ou quantas venham até nós – alimenta-las espiritualmente, e se necessário alimenta-las materialmente, pois o mesmo Espírito, jorrando, apareceria como alimento. A questão está unicamente em verificar o quanto nós limitamos Deus. Obviamente, humanamente nós não podemos realizar tais obras, mas para Deus aquilo é possível. Quando estiver corretamente compreendido que nós somos o Cristo, a própria presença de Deus, que não vive sob o ponto de vista de receber algo, mas de deixar que o infinito jorre através do ser, então descobriremos a capacidade nossa de alimentarmos as cinco mil pessoas. O Pai celestial é a nossa própria consciência, e Ele conhece todas as nossas necessidades.

Cont...

terça-feira, junho 17, 2014

Deus: A Substância de Toda a Forma – Introdução



A partir de agora vamos dar início ao estudo de uma série de textos do Caminho Infinito. Hoje, dia 17 de junho de 2014, é o aniversário de 50 anos desde que Joel Solomon Goldsmith completou sua missão de vir à Terra e legar ao mundo um profundo e poderoso ensinamento espiritual capaz de despertar e elevar a consciência ser humano às alturas da Consciência Una, a Consciência Crística. Portanto, essa série que está se iniciando é uma homenagem, reverência e agradecimento ao grande Homem, Instrutor, Mestre, Iluminado, Curador, Místico, Metafísico, que foi Joel Goldsmith. Ele é, sem dúvidas, um dos Mestres mais queridos, essenciais e importantes apresentados neste blog.

Há tempos que sinto falta da presença dos ensinamentos do Caminho Infinito aqui no blog. Isso ocorreu devido ao fato de a maioria dos materiais em português já terem sido disponibilizados neste site, restando apenas alguns poucos ensinamentos a serem compartilhados. Todavia, recentemente tive a alegria de receber em mãos o livro de Goldsmith entitulado "DEUS: A SUBSTÂNCIA DE TODA A FORMA", livro que até hoje estava disponível somente em inglês. E este livro chegou em minhas mãos em português, e sem jamais ter sido publicado por qualquer editora! Não existe disponível no mercado. Mas esse é o tipo de coisa que acontece quando ficamos sintonizados/conectados na energia de um ensinamento verdadeiramente divino. O Universo faz manifestar! Deus "aparece como". No caso, Deus (substância espiritual) apareceu como livro (forma materializada). Por isso, considerei esse acontecimento um grande presente de Deus para mim, para o blog, e para os leitores do blog – principalmente para aqueles que são sintonizados com os ensinamentos do Caminho Infinito.

O livro que está para ser apresentado é essencial para os que, como eu, são estudantes do Caminho Infinito. Nele, Goldsmith, passo a passo, e muito inspiradamente, aborda princípios vitais do Caminho Infinito, sem os quais o estudante dificilmente sai do nível do intelecto para se elevar em direção àquilo que ele chama de conscientização/experiência da Presença de Deus. O livro pega desde os aspectos mais simples e básicos até o ponto mais alto/elevado do ensinamento, o que gera muito proveito para o estudante. A mensagem espiritual de Goldsmith, que é totalmente fundamentada na Escritura Bíblica, está inteiramente voltada para o despertar de uma consciência de unicidade, em total sintonia e harmonia com a profunda sabedoria do Oriente, tais como a filosofia Budista, Zen, Advaita e ensinamentos védicos. Uma vez que o ser humano entre em contato com essa Consciência Divina, e tenha a experiência da Presença de Deus, então começará a ter domínio sobre sua vida e seu universo – que nada mais são do que expressões de sua própria consciência.

Esta série de Goldsmith será acompanhada de uma outra. Após a exposição deste livro, iniciaremos o estudo de um outro, um brilhante livro metafísico, escrito por Dárcio Dezolt, inteiramente voltado para a assimilaçãoprática dos princípios espirituais explanados nos ensinos de Goldsmith. A apresentação de ambos os livros tornará este um trabalho muito especial. As duas séries se complementam, apresentando extraordinário alinhamento e sintonia entre si, otimizando ao máximo o progresso/sucesso do leitor na interiorização e realização do ensinamento. Essas duas séries foram escolhidas em decorrência de inspiração ou orientação interna, que acato e sigo. Ambas serão publicadas em homenagem a Joel S. Goldsmith e ao Caminho Infinito. Portanto, mais uma vez, durante um longo tempo, este blog se ocupará em expor e aprofundar o ensinamento de um único autor – desta vez, o de Joel Goldsmith.

Os ensinamentos do Caminho Infinito constituem expressão da Verdade Suprema, última! É um poderoso ensinamento iluminado, que Deus enviou ao mundo, para que a humanidade se eleve em percepção, consciência, amor, sabedoria, bondade, realização! Unicidade com Deus! Por isso, valerá todo o trabalho e o esforço! Este também é um trabalho oferecido em agradecimento a Deus.

Deus revela a Verdade àqueles que têm um desejo profundo, ardente e sincero – e que se empenham em conhecê-La.

Desejo a todos bons estudos e bom proveito!


domingo, junho 15, 2014

A mais profunda oração (Eckhart Tolle)




Conta-se que alguém perguntou à Madre Tereza de Calcutá:  
O que a senhora diz para Deus em suas orações? 
- "Nada, eu só escuto", respondeu ela. 
E o que Deus diz para a senhora em suas orações?
- "Nada, ele só escuta". 
Essa é a verdadeira e mais profunda dimensão da oração: uma experiência de presença e de comunhão que transcende a tudo".



Pergunta: Desde que eu era uma garotinha, eu fui criada como católica. Apesar disso, eu tinha uma grande tendência em negar Deus, em não acreditar na existência de Deus. E agora, graças a tudo o que você vem ensinando e compartilhando, sei que existe uma presença: sinto que uma quietude está aqui, a Consciência está aqui. Mas eu tenho o pensamento "por que devo orar?" Pois, se Deus é onisciente, onipotente, todo-amoroso, e assim por diante, não acho que Ele/Ela precisa de mim para dizer: "psiu, ei! Meu amigo está morrendo de câncer, você pode ajudá-lo?". Não acho que seja necessário, mas eu gosto de rezar. Eu adoraria ouvir seus pensamentos, o que seria adequado para orar? Você acredita na oração?

Eckhart Tolle: Talvez você possa aprimorar as suas orações de súplicas ("por favor me conceda isto ou aquilo") para transformá-las em "pequenos indicativos mentais", visando a paz, por exemplo. Esses pequenos indicativos mentais (oração que lhe estou sugerindo) ainda se valem dos conceitos, porque toda oração consiste de palavras e conceitos - para apontar, indicar, e assim ajudá-lo a ir além dos conceitos. Você poderia fazer, por exemplo, uma afirmação - como fez Jesus, quando disse: "eu sou a luz do mundo". É uma afirmação; é um conceito que aponta para uma realidade muito mais profunda que a das palavras. Se você ainda quiser pedir algo, então você poderia dizer algo como: "por favor, seja-me revelado que eu sou a luz do mundo". Usualmente, as orações comuns implicam em dualidade. Elas sugerem um Deus que está lá, ao passo que aqui estou eu, rogando a Deus. Tal dualidade é, em última análise, uma ilusão, porque a verdade é que você é uma expressão de Deus, do próprio Deus. Deus e você se fundem, vocês estão misturados. Assim, as orações de súplicas, que sugerem dualidade, não são as formas mais profundas de orar.

A oração mais verdadeira acontece quando você adota a atitude de ouvir, em quietude, ao invés de proferir palavras. Enquanto você gostar de rezar assim, está ok. Mas, gradualmente, comece a cessar de pedir a alguém para que faça algo para você, porque isso a mantém presa na dualidade.

Afirmações assertivas, se feitas corretamente, podem atuar como belos substitutos para as orações que comportam dualidade. Afirme: "Eu estou curado e completamente em paz". Após isso, deixe haver espaço, permita que o espaço entre e atue. Apenas o "campo" sem forma do puro espaço. E descanse nesse estado. Realmente, a inteligência e o poder residem nesse espaço. Nesse estado de espaciosidade, a sua experiência é a de que você já é o Todo - inteiro, pleno, completo. A forma externa pode lhe sugerir que você seja algo diferente. "Eu sou um ser santo", diz Um Curso em Milagres. Isso é o que você É, então é apenas uma questão de afirmar algo que você já é.

Você pode curar uma pessoa - quer a pessoa doente esteja ao seu lado, quer ela esteja distante e lhe venha à mente. A mais poderosa maneira de curar, no meu entender, é manter consigo a imagem da pessoa e mover-se profundamente para dentro de si, onde se encontra a Totalidade da Vida. Onde absolutamente nada é necessário, onde nada pode ser acrescentado. Nesse lugar profundo onde está a Totalidade da Vida, você contata também a totalidade daquela pessoa - ela já está curada/inteira nesse nível mais profundo, além da forma. Então, seguindo esse método, você parte da forma e se move para a dimensão da não-forma.

Essa é a cura que era praticada por Joel Goldsmith. Ele tem um livro fascinante chamado "A Arte de Curar Pelo Espírito". Realmente, trata-se de não se ater por completo às condições (do mundo da forma) que precisam ser melhoradas, mas concentrar-se na realidade essencial de que o ser humano é um com a própria Realidade Essencial, e entrar na profunda quietude onde nada é necessário. Goldsmith costumava receber telefonemas, às vezes no meio da noite. Eram de pessoas que necessitavam desesperadamente de uma cura; elas, então, diziam a ele os seus nomes e do que estavam sofrendo. Imediatamente, em seguida, ele largava do telefone e adentrava num estado absoluto de não-pensamento. Por um momento, ele ouvia o nome da pessoa, ele ouvia o que estava errado com elas, e imediatamente deixava inteiramente de lado tais informações/pensamentos. Ele, então, por dois ou três minutos, entrava em um estado de não-pensamento - um estado de absoluta presença. Existe uma perfeição absoluta no reino da não-forma. E essa perfeição absoluta é a essência da pessoa que, no nível da forma, necessita da cura. Então, você conduz a forma para a dimensão da ausência de formas, um espaço onde as formas não são. Nenhuma condição a ser tratada, onde nada jamais é necessário - apenas vá para dentro desse espaço. Essa era o seu modo de curar as pessoas. Ele foi um curador bastante poderoso. Essa é a última e mais elevada forma de cura, e que é realmente o tipo não-dual de oração. Nela, você vai além da oração, na qual diz: "por favor, Deus, cure o fulano!". Você penetra e contata a própria Fonte, que é inseparável de quem você é, e que é inseparável de quem é essa pessoa.

A oração pode converter-se gradualmente em uma atitude de escuta. Qual é o significado de "ouvir"? Ouvir significa que há um campo nú, "vazio", de pura atenção, o qual é percebido quando despido das projeções dos pensamentos. Nesse campo, você percebe a inocência, a pureza, a simplicidade e inculpabilidade de todas as coisas. Permanecer nesse campo é o que significa a atitude de escuta. Não significa que você esteja esperando por alguma resposta, porque então você não estará realmente ouvindo. Na escuta você absolutamente não espera por nada - há apenas um campo de atenção pura. Essa é uma oração muito mais profunda do que com qualquer palavra proferida. Não há sequer o desejo de que a oração seja atendida, ou de obter uma resposta. Estar em silêncio é o bastante.

Quando está escutando, você não está esperando por nada - há somente um campo de pura atenção.

Essa é uma forma de oração muito mais profunda e muito mais verdadeira do que qualquer palavra é capaz.  A verdadeira oração acontece naquele ponto onde a própria oração também se converte em meditação: ela é ambas. Ela não espera por respostas, estar em profundo silêncio é um estado de graça, e isso é o bastante. Algumas vezes a resposta surge; algumas vezes, também, de repente, as coisas apresentam-se solucionadas. Ouça isto: quando surgir qualquer problema pertencente a este mundo, qualquer distúrbio - e eles acontecem o tempo todo envolvendo: pessoas ao seu redor, perturbações na mente, etc. -, apenas vá para o estado de "escuta", de pura atenção, de pura consciência, no qual você se torna ciente da presença. O ato de escutar a presença é uma maneira poderosa de falar sobre ela e transmiti-la.

Quando você está presente, é como se você estivesse em um estado de escuta. É importante dizer, contudo, que o termo "escuta" tem sido usualmente associado com o sentido físico da audição. Mas, aqui, o termo "escuta" refere-se a um estado que se encontra além dos sentidos que percebem os fenômenos físicos; é um estado de consciência que sublinha, subjaz e que dá a base à existência do próprio sentido da percepção sensorial auditiva. Todo mundo sabe como é esse estado, porque quando você está realmente ouvindo um som fraco, o que é o estado de consciência que está por trás e que escuta aquele som fraco? É um estado de alerta absoluto e descontraído, relaxado. Assim, quando dizemos escuta, isso é algo útil, pois todo mundo sabe o que significa escutar. Eu estou apenas apontando para o fato de que a percepção sensorial externa não é a essência do escutar, o verdadeiro escutar; a essência da escuta é o estado subjacente da consciência, de receptividade absoluta e presença de alerta, que está por detrás da percepção sensorial auditiva.

É por isso, acredito, que uma das parábolas de Jesus falava sobre um servo que tinha o dever de ficar acordado, em estado de alerta, porque o servo não tem o conhecimento de quando o dono vai voltar para casa. Muitas das coisas de hoje apresentam-se a nós de forma um pouco distorcida, pois foram transmitidas verbalmente, e somente depois disso é que foram registradas; e, nesse processo, certas coisas foram viradas do avesso, e outras desapareceram. Eu acredito que, ao mencionar o servo que esperava pelo mestre, Jesus estava falando sobre uma atitude diferente - um estado de consciência. O servo está esperando em um sentido diferente da coisa normal que chamamos de "espera", que nada mais é do que a mente dizendo "Quando irá acontecer? Por que ainda não ocorreu?". O sentido utilizado aqui por Jesus é completamente diferente. Muitas e muitas vezes Jesus fala a respeito da espera, da importância de ficar acordado, alerta. Essa é uma parte muito importante de seu ensino: ficar acordado, não ir dormir, permanecer presente. Assim, todas as palavras que você usar na oração, lembre-se de fazê-lo como ponteiros ou indicadores para isso. Então você poderá dizer verdadeiramente: "Eu estou ouvindo".




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* A partir de hoje daremos início a uma série de textos inéditos do Caminho Infinito, de Joel Goldsmith.